Consequências - Fred E Hermione escrita por penelope_bloom


Capítulo 27
Os três.


Notas iniciais do capítulo

*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*

Gente amada, desculpa a demora ;________; eu me atrapalhei, eu postei o capítulo semana passada, mas só hoje fui ver que alguma coisa deu errado e ele não foi adicionado. GOMEEEEN.

Pronto tá aí o capítulo cor de rosa pra vcs, meu capítulo de desculpa com todos esses personagens que eu venho torturando há tanto tempo... E LEIAM AS NOTAS FINAAAAIS.




VINTE E SETE:

Eu estava em casa assistindo anime. Minhas aulas tinham acabado, eu tinha retomado meu emprego na livraria e o tempo agora estava sobrando, estava de férias como General.

Terminei mais um shoujo: Levely Complex.

Espreguicei-me ainda rindo, aquela tinha sido uma boa história. Li alguns capítulos de Game of Thrones, falei com Gina pelo telefone e fui para sala.

Fred tinha saído com Lino e Jorge, aproveitar um tempo com os amigos. Eu gostava que Fred saísse com eles, quer dizer, ele estava sempre muito sério e preocupado com tudo, gostava quando ele saia e voltava a ser o Fred brincalhão dos tempos da escola.

Abri o piano, dedilhei algumas músicas, inventei algumas melodias. Céus eu estava enferrujada.

- Cheguei! – Fred disse abrindo a porta com um sorriso de orelha á orelha.

Eu saltei do piano sorridente, pulei até ele e me dependurei em seu pescoço.

- Oi Analista. – ele me beijou rapidamente – nossa, eu estou exausto. E ai, como foi o dia?

- Bem. Fui tomar um café com Ian depois do expediente, conversamos um pouco. E você?

- Saí com os garotos, foi muito bom.

- Que bom que gostou.

- Você não fica com ciúmes? – ele disse jogando o casaco em cima do sofá.

- Do quê?

- De eu sair com os garotos sem você.

Aquilo me fez rir.

- Acho que não. Eu confio em você... Deveria começar a desconfiar?

 - N-não! É só que Gina, Lilá e Ange sempre ficam mandando patronos para os namorados e coisas assim. – ele levantou minha mão, no lugar da nossa aliança de namoro agora um aro dourado de ouro com um único brilhante cravado, simples e lindo. Ele beijou minha mão, feliz.

- Que sorte a sua, ficou com a namorada mais legal.

Ele sorriu e me levantou do chão mordendo meu pescoço me fazendo gritar.

- E mais bonita, e mais inteligente, e mais perfeita.

- Você também não é ruim.

Ele riu. Eu estava nervosa quanto ao casamento. Ele tinha sido meu primeiro namorado, meu primeiro amor, eu tinha passado pelas piores coisas ao seu lado. Eu morava com ele e isso era algo natural. Eu tinha a minha vida e ele tinha a dele, mas a noite ele sempre me lembrava de como eu só conseguia ser realmente completa perto dele.

E a cada dia eu o amava mais, a cada dia ele ficava mais belo. Não tinha mais o rosto de um adolescente qualquer, tinha o rosto de um jovem 20 anos. Ele era bem maior que eu, muito mais forte, muito mais bonito, mais engraçado, mais popular. Eu era muito mais estudiosa, tímida, séria.

Ele era como uma tarde de verão quente, uma brisa à beira mar, como semanas de férias.

Eu, o inverno de Londres, as neblinas e a neve, como uma tarde agradável no frio.

Não combinávamos em quase nada, mas ainda assim ele era perfeito para mim. No fim aquela famosa frase é verdade: Os opostos se atraem.

Mesmo com todas as nossas diferenças, nós nos completávamos. Um era o que o outro precisava, um estava lá quando o outro caísse, um curava o outro quando este se machucasse, um era a metade do outro. Era algo saudável, era algo bom, não nos machucávamos e sempre cuidávamos um do outro.

Por mais improvável que fosse, eu pertencia a ele, eu vivia por ele, e se agora eu podia ser feliz era por sua causa.

Eu estava nervosa para casar. Mas era um nervosismo besta, o casamento era apenas a ponta do iceberg quando eu penso em como eu pertencia a ele de corpo e alma.

***

- Luna, os bolinhos estão prontos! – eu gritei tomando cuidado com a forma quente.

Em pouco tempo ela estava saltitando na cozinha como se fosse a mais bela bailarina.

- O cheiro está delicioso. – ela disse sorrindo.

- Fada, me passe o outro pano.

Ela me jogou o pano e eu despejei o bolinho sobre o balcão da cozinha. Esse tempo todo eu tinha ficado com Luna e o pai dela. Na verdade o pai de Luna viajava muito de modo que a casa era praticamente nossa. Essa era a primeira vez – desconsiderando quando ela ficou presa aqui – que Luna ficava na mansão comigo.

Meus pais não estavam em casa, na verdade eles iriam oficialmente conhecer Luna hoje. Minha mãe já tinha conversado algumas vezes com ela, meu pai com seu jeito crápula nunca tinha nem dado oi a ela.

Os dois estavam prestando contas com Kingsley, minha mãe tinha decidido – mesmo contra a vontade de meu pai – se desfazer da mansão, criar ali um hospital ou coisa do gênero, e arrumar outra casa, como gesto de boa fé e um pedido de perdão ao ministério.

Eu amei a decisão, doeu ver minha casa corrompida daquele jeito. Eu seria médico no futuro, acho que seria um bom modo de recuperar a dignidade da Mansão Malfoy. Essa era uma das minhas ultimas noites na minha casa.

- Aloou. – Luna disse entrando na minha frente – onde você está Draco?

- Hm, desculpe, apenas pensando demais. – eu disse sorrindo para ela.

- Você está convivendo demais comigo. – ela disse rindo.

Eu enlacei sua cintura e beijei a ponta do seu nariz. Ela estava como sempre linda, tinha seus longos cabelos caindo nas costas como cascatas de ouro, os olhos azuis tão lindos e misteriosos como o mar. Ela parecia uma fada, perfeita demais para ser humana.

- Você está bem com tudo isso? Quer dizer, a mudança e tudo mais.

- Acho que sim. – eu sorri e dei de ombros, era tão bom tê-la em meus braços, não tinha pressa nenhuma de deixá-la ir. – falou com seu pai sobre o nosso apartamento?

- Ele não ficou muito feliz. – ela disse torcendo a boca – acha que vai ficar abandonado.

Eu tinha visto de comprar um apartamento simples de dois quartos no beco diagonal, perto do ministério com vista para os Jardins Dourados atrás do Beco Diagonal. Eu finalmente poderia começar minha vida com Luna.

- Mas ele pode vir nos visitar quando quiser, e nós iremos visitar ele. – eu sorri o mais gentilmente que pude.  – eu sei como você é importante para ele, eu nunca te afastaria dele.

Ela sorriu e abaixou os olhos.

Ela era tão carinhosa. Eu nunca era o Draco Malfoy comum perto dela, não era irônico, nem acido. Eu não precisava ser. Eu sempre era o meu melhor perto dela, tentava ser carinhoso e gentil, ela tinha me visto como eu era, ela me achou “bonitinho” quando o mundo dizia que eu era um monstro.

- De qualquer forma, você vai para a faculdade, vai ter que se separar dele.

- Sim. – ela concordou. – só me preocupo por ele ser tão sozinho.

Eu sorri.

- Acho que tenho uma ideia para isso.

Eu ia falar qual era a ideia, mas ela do nada, repentinamente me puxou para si, beijando-me calorosamente, suas delicadas mãos passeando na minha nuca eu a pressionei contra o balcão, ciente que deveria ser um pouco mais delicado, ela parecia não se importar. Com ela era sempre assim, sempre me pegava de surpresa.

CREC.

- Draco nós...

Minha mãe, de todos os lugares para Desaparatar, TINHA que Desaparatar na cozinha.

Separei-me de Luna, ela corando, eu apenas colocando minha melhor expressão Malfoy. Abracei-a lateralmente, puxando-a para mim. Meu pai e minha mãe estavam no meio da cozinha, sacolas em suas mãos. Minha mãe tinha o rosto ligeiramente corado, meu pai colocava na geladeira o que me pareceram garrafas elegantes de vinho.

- Mãe, pai, esta é Luna Lovegood, minha noiva. – eu não pude disfarçar o orgulho em minha voz.

- Noiva? – minha mãe disse. Ela sabia muito pouco sobre tudo, a guerra me manteve ocupado demais para poder ter esse tipo de conversa com ela.

- Lovegood? – eu pai disse analiticamente, provavelmente tentando se lembrar se aquele era um bom sobrenome, fiz cara feia para ele.

- Sim e sim.

- É um prazer conhecê-los. – ela disse com sua voz doce, deu um passo a frente e deu um beijo em cada um dos meus pais, que obviamente ficaram chocados com o gesto de intimidade.

Não se dá beijinhos em Britânicos. Não se dá beijinhos em Malfoys. Muito menos beijinhos em Malfoys Britânicos.

Aquilo pareceu atingir minha mãe, meu pai ficou desconcertado.

- Ela é muito agradável, Draco. – minha mãe disse, e eu me surpreendi ao notar a ausência de ironia em sua voz. – e muito bonita.

- Ela não foi nossa prisioneira por um tempo? – meu pai TINHA que remoer.

- Sim senhor Malfoy. – Luna disse ainda docemente – mas aquilo foram águas passadas, espero que não haja ressentimentos.

- Não, de jeito nenhum. – o jeito desarmado de Luna desconcertava meu pai, tanto quanto me desconcertava no começo. – apenas quero que aceite minhas desculpas.

Ela apenas acenou sorridente.

- Fizemos bolinhos para sobremesa! Nossa especialidade. – ela indicou os bolinhos azuis na forma atrás de nós.

Minha mãe estranhou, mas sorriu mesmo assim.

- Draco, posso ter uma palavrinha com você? – meu pai disse mal esperando minha resposta e indo para seu antigo escritório.

Assim que eu entrei, com um aceno de varinha ele fechou a porta. O escritório estava com as luzes apagadas, apenas o luar iluminando a antiga mesa de mogno e as estantes vazias, caixas e mais caixas com os livros de meu pai.

- Eu não vou me desculpar. Eu apenas...

- Eu jamais esperaria um pedido de desculpas seu. – eu disse o mais brando que consegui – seria tolice. E eu quero que saiba que se você pretende falar algo que desmereça minha noiva, eu vou ficar realmente chateado.

- Não, eu apenas ia dizer que se você e sua noiva quiserem vir morar conosco em nossa nova mansão são bem vindos. – ele estava de costas para mim, estranhamente aquilo me soava como um pedido de desculpas. Ao menos eu queria acreditar que fosse.

- Eu vou declinar da sua oferta, mas eu agradeço.

- Quando você ficou tão melosamente educado? – meu pai disse finalmente olhando para mim, me analisando – você costumava ser debochado e ácido.

- Quando virei amigo da Hermione. A sangue ruim, lembra? E quando eu comecei a namorar Luna.

- Como poderia esquecer? – ele disse com a voz acre.

- Você fala como se fosse ruim. – ele me olhou como se eu estivesse falando sandices, como se aquilo de fato fosse algo ruim. – eu ia me casar com Luna e tomar o nome dela pai. Draco Lovegood, - meu pai grasnou um som de desaprovação – sabe por que eu não fiz isso?

Um momento de silencio se estendeu, eu me apoiei em uma estante e meu pai sentou-se na imponente cadeira atrás da mesa de mogno.

- Por que ela não permitiu. Mesmo ela sabendo que tudo que eu mais queria era esquecer que eu era um Malfoy, fugir com ela e nunca mais ver nem você, ou minha mãe, esta casa, nada.

- Posso saber por que ela não permitiu? – meu pai queria parecer esnobe, mas ele estava machucado, eu sabia que eu era o único portador do nome Malfoy. Matar o nosso sobrenome era matar meu pai, essa foi a pior bofetada que Lucio Malfoy já tinha recebido na vida.

- Por sua causa. Por causa da minha mãe também, mas principalmente por você. Ela disse que isso te mataria, que ela não podia fazer isso. Ela disse que você e minha mãe eram a minha família, e mesmo que eu estivesse magoado com vocês eu não tinha o direito de machucá-los.

Meu pai ofegou. Ele sempre tinha me ensinado o oposto. Se alguém nos magoa, nos devemos trucidá-la, fazê-la miserável.

- Que generosa. – havia algo mais do que deboche na voz do meu pai. Um sentimentalismo mal escondido.

- Não é generosidade, ela é simplesmente a pessoa mais bondosa que eu conheço pai. Ela quase chorou quando soube que talvez você fosse para Azkaban, mesmo depois de tudo que aconteceu com ela por sua causa. Eu nunca vou te perdoar pai, você conseguiu destruir tudo que um dia eu senti por você. – eu observei enquanto ele se encolhia na cadeira – mas ela não te odeia, ela acha que como eu, você só está quebrado. – eu ri descrente – um dia nós vamos ter filhos, certifique-se que eu não me arrependa de colocar o nome Malfoy neles. Treine para ser um avô decente, já que como pai você foi o pior de todos.

- Draco. – meu pai se levantou, os olhos cansados e sua mascara em cacos. – você vai me deixar ver meus netos.

- Vou. Luna me disse que não é certo privar meus filhos de ter avós.

- Eu sinto muito filho. Prometo ser um bom avô. – ele então sorriu tristemente – e quando tiver seus filhos, quebre essa maldição Malfoy.

- Que tradição? – eu olhei-o sem entender.

- Você me odeia, assim como eu odiava meu pai, e ele o pai dele.

Eu me lembrava do meu avô, Abraxas, e eu simplesmente idolatrava ele. Sabia que ele e meu pai se desentendiam, mas não sabia que se odiavam. Acenei e a voz de Luna me alcançou “Sempre sorria, sorrisos resolvem muitos problemas” ela sempre dizia. Com esforço abri um rápido e pequeno sorriso. A expressão de meu pai amenizou e voltamos para a cozinha onde Luna contava para a minha mãe do pedido de casamento.

O jantar foi agradável, meu pai sempre mais calado, Luna insistia em incluí-lo nas conversas. Ela contou á minha mãe sobre os elfos que moravam no rio perto da sua casa, e minha mãe após o estranhamento inicial que todos têm com Luna deixou-se levar pelas suas histórias.

- Parece lindo o Lugar que você cresceu, não parece Lucio? – minha mãe carinhosamente afagou a mão de meu pai.

Ele estava pensativo, pelo visto minha mãe já tinha perdoado ele.

- Sim querida, parece mesmo. – ele sorriu para ela. Será que eu sorria assim para Luna?

- O problema é que não tem viva alma por lá, meu pai reclama que gostaria de ter vizinhos para pedir ovos emprestado. Mas é lindo, e os bosques ficam lindos na primavera.

- É tudo do seu pai?

- Sim. – Luna deu de ombros – foi herança da minha mãe na verdade, mas eles amavam o lugar, meu pai ficou mesmo quando ela se foi.

-Draco, eu acho que tive uma ideia, se vocês não se importarem.

Troquei um olhar com Luna, minha mãe com ideias nunca era boa coisa.

***

- Tem certeza Fada? – eu disse ajeitando minha camiseta.

A campainha tocou. Meus pais tinham chegado para acertar os papeis.

- Amor, meu pai amou a ideia, e sua mãe também.

- Eu preferia a minha ideia de dar um Dog Alemão pro seu pai, não um casal de ex-comensais.

- O Dog alemão nós daremos quando eu me mudar definitivamente. – Luna sorriu e me beijou, seus cabelos ainda bagunçados, ela procurando seu sutiã pelo quarto .

Minha mãe e Luna tinham tido a ideia de comprar uma parte do terreno de Xenófilo Lovegood e se mudarem para os lindos bosques que Luna crescera. A casa ficaria a uns 200 metros da casa dos Lovegood

Luna vestiu um leve vestido azul escuro que apenas realçaram seus olhos azuis cristalinos, descemos para cumprimentar os meus pais.

Luna deu um caloroso abraço em meu pai e minha mãe, ela tinha conquistado minha mãe de um jeito que Pansy Parkinson tinha falhado miseravelmente.

 Eles acertaram os detalhes, compraram dois acres de terras, restando à Xenófilo ainda Seis acres de terra. Depois de negócios fechados minha mãe sentou com o pai de Luna e ficou rabiscando ideias para a casa, meu pai apenas observava a sala e espiava pela janela.

- Gostou do terreno Senhor Malfoy? – Luna perguntou simpática.

- Muito bonito. Pode me chamar de Lúcio. – meu pai disse desconfiado. Ele não estava habituado a demonstrações de simpatia tão abertas.

- Draco, quero mostrar uma coisa ao seu pai, me espera aqui?

Não gostei da ideia, me remexi inquieto, mas concordei, ela antes de sair empurrando meu pai porta a fora ela veio até mim e me deu um beijo rápido e tranquilizador.

Debrucei-me na janela observando enquanto ela puxava meu pai colina a baixo, o céu quase escuro apenas com uma ultima faixa alaranjada no horizonte. Acabei sorrindo.

*

- Por que a pressa? – o pai de Draco perguntava, já tinha deixado a mascara de indiferença cair há tempos.

Estávamos no bosque, perto do rio o sol quase tinha ido embora.

- Eu sei que você me acha meio estranha, e acha que isso tudo é uma má ideia. – eu disse sorrindo, minha voz branda e ligeiramente ofegante. Ele tentou negar, mas eu o interrompi. – Tudo bem. Eu sei que às vezes você acha que as coisas são como são, e tudo que você pode fazer é baixar a cabeça e aceitar. Draco às vezes é muito duro com os outros...

- Eu creio que você seja muito tolerante, senhorita Lovegood. – ele disse balançando o rosto, observando o calmo riacho que corria em nossa frente.

- Talvez. – eu dei de ombros. – Abaixe-se, está quase na hora. – eu agarrei suas vestes epuxei-o para o meu observatório. Uma caverna escondida por folhas de chorões, ele me seguiu resistindo e tropeçando nos próprios pés.

- O que vai acontecer, pelos céus garota?! – ele estava ligeiramente irritado. Sorri-lhe, desconcertando-o.

- Quando minha mãe morreu, eu me escondi aqui e chorei por um dia inteiro, e eu vi isso. Minha mãe me falava delas, mas eu não acreditava, e quando eu vi... Você vai entender o que eu quero dizer.

E então o sol se pôs, e naquela hora, as flores da grande árvore que se inclinava sobre as calmas águas do córrego desprenderam-se ao mesmo tempo e assim que tocaram as cristalinas e calmas águas movimentaram-se como borboletas, as pétalas giraram coloridas ao redor delas mesmas, abraçando-se e então quando se abriram revelaram sua verdadeira forma. As pétalas eram na verdade dois pares de asas de cada fada que acordava. Fadas, ao contrário do que muitos achavam, eram filhas da noite e da manhã, normalmente saiam assim que o sol se ia e voltavam a dormir após as duas primeiras horas de sol.

Lucio se inclinou e abriu uma brecha maior entre as folhas, como se não acreditasse em seus olhos.

- A beleza delas acalma até o pior dos assassinos, e elas são dóceis sempre ajudam como podem. – eu sussurrei. – os humanos eram tão fascinados por elas que passaram a prendê-las, vendê-las, mas elas não sobrevivem longe das suas origens, elas quase foram extintas. Muitos acham que foram, muitos nem acreditam que elas existiram.

- São tão lindas. – ele disse bobamente observando uma fada de lindas asas roxas, do tamanho de uma mão que se aproximava de onde estávamos.

- Elas sentiram você. – eu disse sorrindo. – podemos sair.

Ele me olhou duvidoso. Saí da minha caverna e puxei o loiro de cabelos longos comigo. ele parecia-se muito com Draco agora, seus olhos serenos e encantados. Não pude evitar sorrir.

- Boa noite, senhoras. – eu fiz uma reverencia como se usasse um vestido imaginário.

Lucio fez uma reverencia também, mas não tirou os olhos da linda fada que batia asas delicadamente em sua frente. Elas cantaram em resposta, seu canto é algo como o som se harpas, mas ainda mais melódico e preguiçoso.

Logo as fadas me observavam, sorrindo em reconhecimento. Elas tinham o rosto delicado, a única coisa que as diferia de um humano comum eram seus olhos totalmente azuis cristalinos, como se fossem gotas de água. Agora elas estavam interessadas em Lúcio.

- Ele está como eu estive da primeira vez que vim. – eu disse brandamente. – poderiam dançar um pouco?

Elas olharam-se e rapidamente voaram para cima do agora quase imóvel espelho d’água e sincronizadamente passaram a girar seus delicados e graciosos corpos, seus cabelos trançados com delicados fios de ouro e prata, a melodia que vinha do grupo era calma e perfeita, acariciava os ouvidos e fazia com que eu quisesse dançar também.

Lúcio em pouco tempo estava deixando uma lágrima rolar pelo seu rosto.

- Eu fiz tudo errado não fiz?

- Provavelmente. Mas o passado nós já sabemos como é, vamos apreciar o futuro, Lúcio. Comece do zero, seja gentil. Draco só está meio magoado, as coisas vão melhorar, você vai ver. – eu sorri colocando minha mão em seu ombro. – não conte a ninguém que não confie completamente sobre elas. Não quero que ninguém as machuque.

Quando ele me olhou eu pude ver a mim mesma refletida ali. Quando perdi minha mãe, toda a raiva que eu tive, todo o ódio, a mágoa, chamaram a atenção das fadas, e depois de vê-las dançar algo realmente mudou. Algo sempre muda. Fadas eram espíritos muito mais avançados, seres da cura, elas tinham o dom de curar o espírito humano.

Eu ainda não as tinha mostrado para Draco, iria fazer uma surpresa para ele, meu presente de casamento.

- Um dia mostrarei a Narcisa, Draco já...?

- Ainda não, vou mostrar em outro momento. Vamos voltar, antes que nosso cheiro atraia Narguilés.

Eu me levantei e ajudei-o, rumamos novamente para casa.

- Narguilés?

 - Você tem muito o que conversar com meu pai. – eu disse rindo.

Assim que chegamos Draco veio me abraçar, Narcisa e meu pai ainda discutiam sobre a casa.

- Querido. – ela disse dando um rápido beijo no marido. – como foi?

- Esplêndido. – Lucio disse lançando um olhar para mim. – esse lugar é fantástico.

Draco olhou para mim incerto.

- O que você fez com ele? – ele quis saber.

- Nada, apenas mostrei-lhe o lago e algumas criaturas que tem por lá.

- Hm, creio que ele não tenho encontrado os Narguilés?

- Não. – eu ri – Graças aos Deuses não. Vamos fazer um bolo?

- Você vai me engordar assim, Fada. – ele revirou os olhos.

- Eu nunca vi – Lúcio disse de repente, sorrindo desarmado para Draco – um apelido tão... Bem escolhido.

Draco olhou confuso para o pai, eu apenas sorri e fiz a minha reverencia com meu vestido imaginário, ele abaixou a cabeça em reverência.

- Ah, mas isso por que a mãe dela costumava tomar chá com fadas quando estava grávida de Luna. – Meu pai disse rindo abertamente.

Lucio voltou-se para meu pai e os três adultos ficaram conversando.

Fui para a cozinha com Draco.

- Eu estou com ciúmes. – Draco disse segurando minha cintura, segurando minha mão e fazendo com que eu girasse ao redor de mim mesma. – o que foi isso na sala?

Eu apenas sorri e me enrolei nele, suavemente, meus dedos brincando com suas madeixas platinadas, ele observou o anel delicado com uma pedra brilhante que tinha sido da avó dele em meu dedo e beijou meus dedos.

- Nada. Não tem motivo para ciúmes. – eu sorri e beijei seu pescoço – eu te amo. Só a você Draco Malfoy.

- E eu te amo, Luna Lovegood. – ele então gentilmente tomou meus lábios e fez com que tudo ao meu redor flutuasse como se estivéssemos na água, meu estomago se virasse em piruetas e minha perna levantasse como se estivéssemos em um filme trouxa antigo enquanto eu ficava na ponta dos meus pés para pressionar mais meus lábios contra os dele.

Ele era a Lua da minha noite.

O Sol do meu dia.

As estrelas do meu céu.

A pipoca do meu cinema.

Ele costumava achar que eu tinha salvado ele, quando na verdade ele foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

- Interessante. – eu sussurrei contra a sua boca.

- O que? – ele perguntou ofegante.

- Acho que acabei de descobrir meus Votos.

- Precisa de mais inspiração? – Draco sorriu maliciosamente.

- Inspiração nunca é demais. – eu disse e mais uma vez nossos lábios estavam selados.

****

- HARRY JAMES POTTER!

Nome completo nunca é um bom sinal, apressadamente coloquei meus óculos redondos e cambaleei rumo à porta. Assim que coloquei minha cabeça para fora do quarto uma sandália de salto acertou o meio da minha cara, gemi de dor e desviei da segunda.

- O que foi Ginny? – eu disse mal-humorado esfregando meu nariz dolorido.

- Você esqueceu não foi?

Olhei para Gina, ela estava como sempre linda, os cabelos cor de fogo trançados por cima do ombro, usava um vestido esvoaçante branco com uma faixa preta os pés descalços. Ao vê-la de branco passei ligeiramente mal. O casamento não era hoje, era?!

- A gente ia ao cinema! – ela disse emburrada. – fiquei te esperando no beco diagonal feito uma idiota.

Dei um tapa na testa.

- Desculpa Ginny, eu e Rony ficamos no ministério até tarde, eu me esqueci completamente.

Rony estava ainda roncando atrás de mim, eu saí e fechai a porta, estava apenas com uma bermuda, estava muito quente para dormir com pijamas tradicionais.

Olhei a ruiva que era uns bons vinte centímetros mais baixa que eu.

- Eu não sei se eu fico feliz por você não mentir pra mim, ou se fico furiosa!

- Você me parece furiosa... – eu disse baixinho tentando me aproximar dela.

- Nem para disfarçar, você simplesmente admite que esquecesse sua namorada! – ela disse afastando minha mão.

- Namorada não, noiva. – eu disse corrigindo-a.

Aquilo transformou sua careta de raiva em um sorriso a contra gosto.

- HÁ! Você sorriu, eu ganhei! – eu disse a puxando para um abraço, enterrando sua cabeça no meu peito, ela espalmou sua mão em meus ombros e tentou se libertar.

- Não! Isso não é junto, não é por que eu sorri que não estou brava, Harry Potter eu...

Eu não a deixei continuar, espremi seu rosto mais ainda contra meu peito, ela passou a me estapear.

- Não respiro! – ela tentava dizer, o som abafado em meu peito.

Aos poucos soltei-a.

- ...Então vai ser assim, sempre que tivermos uma discussão você vai tentar me sufocar pra não escutar a bronca? – ela continuava, mas agora com as maças do rosto vermelhas e a trança desfeita.

- Tem outros jeitos de escapar da bronca. – eu dei de ombros.

Segurei-a no colo, surpreendendo-a e então selei nossos lábios em um beijo nada delicado e divertido, o ar fazia falta então me separei ofegante. Ela piscou algumas vezes e voltou a franzir a boca.

- Olha, meu nome é Harry Potter – sua imitação da minha voz era terrível – eu sou lindo e gostoso e escapo de discussões praticamente estuprando as pessoas...

Beijei-a novamente, dessa vez subindo mais um lance de escadas até jogá-la em sua cama, parei de beijá-la quando ela tentou tirar minha blusa. Seu ruído de frustração foi hilário, mas não demonstrei. Creio que ela estava prestes a conseguir o que um Avada Kedavra e vários duelos com Voldemort não tinham conseguido: matar-me.

- Eu sinto muito por hoje, sou distraído e horrível com datas, eu estou gastando toda a minha memória no dia no nosso casamento. Eu ando trabalhando até tarde e tenho sido um noivo terrível. Você pode me perdoar? – eu disse com meus olhos presos aos verdes dela.

- Eu amo sua distração, amo seu esforço, amo brigar com você meu quatro olhos. – ela sorriu e tirou os óculos do meu rosto. – agora, eu quero dois orgasmos e eu penso em talvez te perdoar.

*

Caí morto ao lado da ruiva que imediatamente começou a falar alguma coisa. Eu amava ela mais do que tudo, mas as vezes ela falava demais.

- Gina... – eu disse acariciando seus cabelos. – eu estou morto, já conversamos.

Eu puxei-a para mim, ela usou meu braço como travesseiro, meu nariz apenas enterrado nos seus cabelos com cheiro de maçã. Cinco minutos se passaram e eu senti a ruiva beijar meu pescoço delicadamente.

- Você é tão tranquilo. – ela disse com a voz serena. – eu sou muito elétrica, você não se cansa de mim?

Eu abri meus olhos e observei a ruiva enroscada em mim, ela nunca, NUNCA mesmo tinha sido do tipo insegura.

- Você é tão entusiasmada, e eu sou um completo lerdo, você não se cansa de mim? – rebati erguendo a sobrancelha.

- É diferente. – ela disse voltando a esconder o rosto na curva do meu pescoço. – eu sempre fui apaixonada por você, você no começo nem olhava pra mim.

- Você era mais nova e ainda era irmã do meu melhor amigo. Foi complicado pra mim.

- Mas então por que eu? Quer dizer, você é Harry Potter, se você não fosse se casar comigo, qualquer garota do mundo morreria para estar com você.

Era estranho ver Gina de repente tão delicada e insegura.

- Mas eu te amo. – eu disse em tom de obviedade. – eu não quero nenhuma outra garota, nós temos uma história juntos, eu nunca te pediria em casamento se não tivesse certeza disso. – eu me sentei na cama e fiz com que ela sentasse de frente para mim, eu coloquei minhas mãos ao redor do seu rosto. – seus olhos verdes são os mais bonitos, a sua risada é a mais legal, nossas brigas são as mais divertidas, você é a garota mais linda que eu conheci, é a única que faz meu cooração congelar no peito de tão rápido que bate. A única que consegue me dar paz mesmo enquanto me irrita. E esse jeito de mexer o nariz quando está brava, tão irritantemente perfeitinha.

Eu beijei seus lábios novamente, ela bagunçou mais ainda meu cabelo.

- Mesmo? – ela disse sorrindo.

- Eu não mudaria nada em você. – eu sorri e peguei sua mão, observei rapidamente o solitário ali brilhando – Eu te amo Ginny.

Ela sorriu, aquele sorriso lindo que eu tanto amava, fazia apareceu uma covinha charmosa na sua bochecha e se levantou.

- Você me deve um cinema. – ela disse começando a se vestir.

Levantei-me e peguei seu vestido e vesti-a, como se ela fosse uma criança.

- Com pipoca e milk-shake? – eu ofereci.

- Ah baby, você me conhece. – ela sorriu e saiu correndo porta a fora.

Como eu poderia ainda ficar nervoso quanto ao casamento quando aquilo era a coisa que eu mais tive certeza em toda a minha vida?



Notas finais do capítulo

Fala galerinha bonita :3 VOCÊS NÃO VÃO ACREDITAR, TO EM CONTATO COM UM ESCRITOOOOOR que vai me colocar em contato com a editora dele, por que ele leu o começo de um livro meu (um desses livros que a gente só escreve e deixa quieto no PC) e gostou *U* Daí quem sabe eu vire escritora profissionaaaaaal *U* HOHOOOOOOOOOOOO -super vou dedicar meus livros pra vcs ♥ ♥ -
então é isso, por hoje é só.
*Malfeitofeito*