Consequências - Fred E Hermione escrita por penelope_bloom


Capítulo 20
Family Portrait


Notas iniciais do capítulo

*Lumus*

Leonardo aqui, vim postar esse capítulo por que a Penelope não teve coragem... ela mandou recadinho pra vocês:

"*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*

Cara, por favor peguem leve comigo, já me detesto o suficiente por ter feito o que eu fiz.

Eu sabia que isso ia acontecer desde que eu escrevi aquela profecia em "Escolhas". E só Merlin sabe como eu chorei pra fazer isso.
Mas acreditem em mim, o que eu tinha em mente originalmente era mil vezes pior.

NÃO ME MATEM T_T POR FAVOOOOOR

PROMETO QUE ACABOU O DRAMA,DAQUI PRA FRENTE MELHORA T_________________________T "

HONTO NI GOMEEEEN

aproveitem... ou não T_T




VINTE:

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I promisse I'll be better.

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Abri meus olhos, cansada de esperar. Queria desesperadoramente ver meus pais.

Estava no banco de trás do carro trouxa, espaçoso. Minerva ia no carona, observando a paisagem dos bairros trouxas, e Fred dirigia. Com certeza estava fazendo o caminho mais comprido.  Eu estava no banco de trás.

- Falta muito? – minerva indagou curiosa.

- Não. – Fred disse num muxoxo.

E assim foi, alguns minutos depois eu reconheci! Meu bairro! Minha rua! Minha casa!!!

Eu ia ver meus pais, abraçar minha família, sentir o cafuné da minha mãe.

Assim que o carro estacionou eu pulei do carro, como uma criança ansiosa na manhã de natal.

Tirei as malas do carro rapidamente, queria ir logo para o meu quarto.

- Hermione. – o ruivo me chamou e meu humor imediatamente piorou. Doía olhar em seus olhos. – Mione... – ele chamou carinhosamente e afagou meu rosto. – Vai ser melhor assim. Seu quadro é provavelmente irreversível. Acho que...

- É pra minha felicidade, certo. – eu revirei os olhos.

- Hermione...

- Fred?

- Não seja infantil.

- Certo Fred, certo. – eu apenas balancei a cabeça. Não queria mais conversar com ele. Apenas coloquei minha mochila nas costas e fui rumo a porta.

Mas antes que minerva pudesse tocar a campainha algo estranho aconteceu. Uma mensagem em fumaça subiu serpenteando a porta até se formar diante meus olhos.

“Não entre, General. Não entre.”

.

- O que é isso? – eu disse curiosa.

Minerva imediatamente ficou tensa.

- Fred! Vocês revistaram a casa?

- Sim! Eu mesmo reforcei as barreiras.

- E o outro grupo que veio hoje pela manhã? – minerva dizia, mas não me parecia muito importante, eu estava com a mão quase na maçaneta.

- Não era para nenhum grupo ter vindo hoje pela manhã. – o ruivo murmurou.

Senti meu peito apertar e em um impulso burro e estúpido que me perseguiria pelo resto da vida, abri a porta.

Assim que a abri uma nuvem de poeira e fumaça negra saiu de dentro da minha casa, ascendendo aos céus formando em cima da minha casa uma caveira, que deslizou seu maxilar inconsistente e por entre os dentes da caveira uma cobra nebulosa saiu, e nesse exato momento, senti uma dor lacerante em meu ombro.

- Hermione! – Fred tentou me chamar, mas eu precisava salvar meus pais.

Adentrei a sala que tinha tantas lembranças carinhosas e senti uma forte náusea me tomar. As paredes estavam manchadas de sangue, e no sofá do outro lado da sala, minha mãe e meu pai, totalmente dilacerados sentados, lado a lado, como dois pais cadavéricos que esperam eternamente pelo retorno de sua filha.

Estavam de mãos dadas.

E no fundo, uma gravação em algum lugar começou a tocar, suas vozes assustadas.

“Filha, não foi sua culpa... Nós te amamos muito, e tudo que eu mais quero fazer é poder te abraçar, como quando você era a minha princesinha” era a voz rouca e cansada do meu pai.

“Você foi o meu maior orgulho filha, Eu te amo muito, muito. Tudo vai ficar bem, a mamãe vai fazer aquele sanduiche que você gosta, vamos jogar poker, e você vai me ganhar com um três e um quatro... Vou acabar de contar as histórias que você dormiu quando era pequena, sem que eu terminasse o final... Eu te amo filha” E então, o tom choroso e apavorado da minha mãe foi interrompido por uma voz cavernosa, e gélida, que fez com que a bile me subisse pela garganta.

“Acho que não, General. Avada Kedavra!”

E os gritos desesperados dos meus pais silenciaram. Tudo silenciou. Apenas o que sobrou foram seus corpos debochadamente ajeitados no sofá, me dando as boas vindas com uma careta retorcida de dor no rosto manchado de sangue.

Braços tentavam me tirar dali, mas eu estava curvada, vomitando algo amargo. Seria minha alma?

“Saiba, todo mundo vai morrer, Presidente, general ou rei” a voz entoou ao longe, cruel, sádica. “Você disse não disse General? Você será a próxima.”

- Hermione temos que sair daqui! – alguém gritou enquanto eu era arrastada para longe daquele cenário grotesco.

Mal me colocaram para fora da casa e uma grande labareda de fogo tomou  a casa, pouco a pouco escalando e destruindo tudo.

- Não, meus pais... Não... Não! Temos que voltar, meus pais estão lá!

- Eles estão mortos!

A verdade me atingiu como um chute no estômago. Fred me chacoalhava, e gritava. Eles estavam mortos. E seguidos longos segundos de silencio, com toda força que consegui reunir, estapeei o ruivo.

- MORTOS POR SUA CULPA! – Eu soluçava incontrolada, dando passos perdidos, tentando controlar o refluxo.

- O que?!

- É SUA CULPA! É SUA CULPA! ELES MORRERAM, NÃO ME SOBROU NADA! ESTÁ FELIZ?! EU NÃO TENHO NADA! NADA!

- Hermione, calma...

E então, eu sabia o que tinha que fazer. Segurei minha varinha firmemente e girei nos calcanhares, sentindo a sensação de ser sugada para dentro de mim mesma, tentando ser mais rápida que a dor, sufocadora e gigante que me perseguia, mas de nada adiantou, no fim ela simplesmente me afogou como uma imensa onda, tirando meu ar, tirando minhas forças, deixando-me inerte, boiando em angustia, enquanto o desespero e a raiva inundavam meus pulmões, e eu me afogava em desesperança.

E eu sabia o que tinha que fazer.

***

- Tem certeza querida? – a mulher me perguntou, mas eu estava tão drogada que nem sequer sabia meu nome.

- Tire essa coisa de mim.

Desmaiei logo depois uma mistura das drogas, do álcool e da anestesia que a mulher me aplicava. Algo há muito estava errado, senti pontas fortes no meu ventre. Estava em algum lugar, era noite, o lugar era meio sujo e tinha um cheiro muito ruim, de podridão.

“Ela estava com Eritroblastose fetal reversa , estava comendo ela por dentro, nunca vi nada assim...”.

“Ela está acordando?!”

- Mãe... Está tudo bem agora.

- Naoki...

“Isso foi o caso mais estranho que eu tive. Ele tem características ofídicas, e marcas estranhas...”

- Naoki... Naoki, não vá para o fundo.

- Eu estava deixando de ser eu mãe. Não se culpe, não me odeie

- Eu escolhi ele, me desculpe... Me perdoe, me perdoe...

- Eu sempre vou te amar, e eu sei que você sempre me amou. Mas você precisa voltar. Agora está tudo bem. Acabou, Trelawney tinha razão mãe...

- Não, não... Naoki...

- Está tudo bem.

“Hemorragia! Me passe aquela poção rápido! É muito sangue, é muito sangue! Ela não vai aguentar!”

- Eu não quero aguentar.

- Eu te amo mãe... – sua voz rouca se tornou nítida e então eu abri os olhos e vi.

O ruivo estava perto de mim, passou a mão pela minha testa ensopada e deu um rápido beijo no meu ombro que até então ardia mortalmente.

Em pensar que a única vez que vi meu filho, senti-o, estive com ele, foi em um delírio de quase morte.

 ***

Acho que uma explicação minha aqui é pertinente. Sou a narradora onisciente. Obviamente este não é o melhor momento para apresentações, mas de qualquer modo...

Hermione passou por muita coisa. A purificação de sangue. As poções de Narcisa. Os feitiços. Os machucados. As pedras Boa noite Cinderela. A Horcrux. O corpo dela simplesmente não era fisiologicamente capaz de aguentar. Ela começou a definhar, e consigo seu filho. Em uma tentativa desesperada de se salvar, como última defesa instintiva, seu corpo renegou aquelas memórias que literalmente corroíam-na.

Para eterna maldição de Hermione e Fred, eles nunca vão saber, mas depois do dia que Hermione sonhara com Naoki na praia, ele começara a morrer. Um processo complicado em que o corpo de Hermione, aos poucos tentava matar e renegar aquilo que lhe fazia mal. Mas Naoki, conforme deformava-se em seu ventre e se tornava uma Horcrux viva, reagia. A magia negra impregnada no feto lutava de volta, corroendo e envenenando Hermione por dentro.

Ela achou que escolheria os dois amores de sua vida. Sequer suspeitou ela que se os dois amores da vida dela coexistissem, ela seria o fator apagado. Ela morreria, antes de Naoki completar oito meses.

Mas nada disso importa. Hermione e Fred culpar-se-iam, até o fim de suas vidas.

.

- Querida... Querida! – uma voz me trouxe de volta. – ah, achei que tivesse morrido...

Abri os olhos, estava muito estranha, tudo girava e estava colorido.

Doía, doía, doía...

- São 100 galeões...

- O que?

Duas mulheres estavam ao meu lado, eu estava em uma cama usava uma roupa de algodão que não era minha e tudo girava.

Doía, doía, doía...

- Tivemos que de dar mais anestesias, você não parava quieta... Você está bem?

- Que horas são? – murmurei confusa.

- Quase 03:00... Mas você está aqui há dois dias.

- Céus o que houve? – Tentei me levantar, mas minhas pernas estavam bambas, e eu estava mortalmente gelada. – Fred deve estar morto de preocupação!

- Calma, acho que ainda está sob o efeito dos sedativos...

- O que? – eu pisquei rapidamente, senti um enjoo estranho e a dor.

Doía, doía, doía...

- A senhora chegou aqui, pedindo por nossos serviços.

Doía, doía, doía...

- Que serviços?

- Não lembra?! – a mulher se espantou.

Doía, doía, doía.

- Que... Serviços? – eu disse pausadamente.

- Medidas abortivas. – a outra mulher mais jovem disse incerta.

E então tudo explodiu. Doía, rasgava-me, dilacerava-me. Pressionei meu ventre, e torci minha pele, esperando uma resposta dele. Senti-me vazia e imediatamente lágrimas inundaram meus olhos e como um Dick que se rompe, eu lembrei tudo. Dei-me em conta do que tinha feito. Não chorava, eu apenas deixava com que as lágrimas esbanjassem por meu rosto rolando involuntárias.

Voldemort, Horcrux, Meus Pais, Naoki, Fred, Hogwarts.

Eu tinha abortado meu filho. Eu tinha matado a pessoa que eu mais amava nesse mundo.

Lembrei o que tinha feito. Lembrei quem eu era. Aquilo foi simplesmente demais para mim. Quis esquecer tudo, saí correndo, e corri por quadras, ruas inteiras, até me perder. Mas o peso da tristeza estava dependurado em mim. Vomitei, bebi, fumei, me droguei, corri, me perdi, tentei me esquecer.

A realidade se tornara insuportável, então eu passei, horas, dias, semanas, anos, séculos, trôpega. Não me atrevia a ficar sóbria. Não me atrevia a me olhar no espelho. Simplesmente me esqueci nas ruas de Londres, e entupi minha mente de substancias que me tiravam de mim, e me deixavam mais vazia do que eu estava. Eu rezava, rezava para que minha memória fosse embora, que eu mineralizasse e virasse um punhado de areia.

Mas não, isso seria generoso demais da parte do Destino. Era mais divertido me manter ali, sofrendo, era engraçado. Minha vida era uma grande peça, cheia de piadas de mau gosto. E o grand finale estava perfeito! Granger: a Quasimodo!

Assistam! Riam! Granger! Estúpida! Vejam! Deleitem-se com seu sofrimento! Vejam aquela que Deus a fez sua semelhança, tornar ao pó em vida! Uma pessoa definhar por completo, decompor-se enquanto seus pulmões ainda enchem-se de ar!

Vejam! Assistam! A garota morta, que o coração teimoso recusa deixar de bater!

Eu não consegui salvá-lo.

Um deles foi tirado de mim. Meu filho.

Uma semana se passou e eu alternava de boate para boate, exibindo a todos minha desgraça, sendo a aberração do mundo. Não me fazia de coitada, não chorava na frente de ninguém, apenas bebia até sufocar minha alma e largava-me em algum canto, apática. Sem falar com ninguém, sem escutar ninguém, sentindo apenas o mais puro e refinado desespero. Silenciosamente. O silêncio era o meu castigo, eu não tinha o direito de me queixar, eu havia feito aquilo, aquela dor, embora insuportável, era merecida.

- Hermione?! – uma voz desesperada chegou até mim. –Por onde você andou?! – ele estava furioso.

Dentre a neblina que eu me encontrava, ergui os olhos e me deparei com a última pessoa que eu queria ver no universo. Senti meu sofrimento e angustia aumentarem exponencialmente e o desespero começar a agitar meu corpo. Dei as costas, não conseguia encarar ele. Simplesmente era doloroso demais. Tentei me esgueirar pela multidão, mas então senti meus olhos arderem, e minha visão ficou embaçada, meus sentidos estavam um lixo, eu mal conseguia dar dois passos sem tropeçar, me escorando na multidão animada para tentar me impulsionar para longe dele.

Mas então quando dei por mim o ruivo havia agarrado meu braço, com mais força do que o necessário e me arrastado para um canto qualquer daquela boate trouxa.

- Fred... Me mate... Por favor! – eu disse me debulhando em lágrimas.

- O que houve? – ele disse revistando minhas roupas em busca de ferimentos, procurando desesperado o que estava me deixando daquele jeito, sua voz passou de furiosa, para alarmada.

Dei-lhe um tapa.

- Eu me lembrei de tudo! – eu gritei atraindo atenção de boa parte dos frequentadores da tal boate.

- Vamos sair daqui. – ele sussurrou passando os braços ao meu redor e eu senti enquanto era puxada para dentro de mim.

Caí na sala do que costumava ser minha sala. As paredes azuis. O piano. Os livros.

- AAAAAAAAH! – Eu gritei não aguentando a dor.

Avancei sobre tudo que tinha na minha frente, destruindo, jogando no chão.

- Hermione! O que você está fazendo?! – o ruivo disse tentando me impedir.

Desvencilhei-me dele e com um empurrão.

Cambaleei até o quarto que ia ser dele. Tudo estava organizado, esperando pelo filho que nunca chegaria.

- Eu o matei! – eu gritei. – Me mate, me odeie! – a onde de histeria havia me arrastado mar a dentro e estava de afogando em uma agonia e desespero, eu com um chute virei o berço, o ruivo estava na porta, abismado, sem entender o que acontecia. – eu o abortei Fred!

- Você o que? – ele disse pasmo.

Gritei novamente chorando, urrando de dor. Com um tapa violento quebrei os abajures e tirei todas as roupinhas dele de dentro das gavetas. Eu tropecei no andador que Gina havia nos dado e caí batendo contra a cômoda tombada no meio do quarto. Ali fiquei. A onda foi passando, se recolhendo, levando com ela tudo de mim. Deixando para trás uma Hermione amarga, desfigurada, defeituosa. Senti novamente como se eu não passasse de punhado de lama. Eu havia quebrado.

- Por favor, Fred. – eu implorei – me mate. Eu não aguento mais.

Fred limpou o rosto. Respirava pesadamente, ofegante e ele chorava silenciosamente os olhos fechados e o rosto contraído em uma careta de dor. Andou até mim determinado, abirndo os olhos aos poucos e os lábios tremendo, achei que ele fosse me matar. Contudo ele me abraçou.

Voltei a gritar e a espernear. Arranhei-o, chutei-o, urrei. Ele devia me odiar! Ele devia ter repulsa por mim, assim como eu tenho!

***

Fred estava apático por fora, mas por dentro só se lembrava de uma coisa: o quanto amava Hermione, e o quanto ele amava seu filho. Sofrera nessas últimas duas semanas, insone, nervoso, angustiado, procurando Hermione em todos os lugares possíveis. E agora, sentia como se o chão lhe fosse tirado, sentia uma dor que nunca tinha sentido. Uma parte dele tinha sido destruída.

Hermione tinha matado uma parte dele.

Mas ainda assim, ele não conseguia deixar de amá-la. E em uma feliz lucidez, decidiu juntar sua mágoa à dela, e não jogar sua mágoa sobre ela.

A Hermione dele havia voltado, e junto com sua memória seus sofrimentos.  Fred chorou não apenas pela fenda inflamada em seu peito, mas por ela. Ele sentiu sua alma esvair-se ao ver Hermione chorando, vê-la sofrer daquele jeito era simplesmente insuportável para ele. Ele não aguentaria tudo aquilo, não aguentaria perdê-la, vê-la desistir.

A morena enquanto isso chorava, condenando-se. Posso garantir que a dor que esses dois sentiram, foi uma dor sem igual. A vida os traíra, o destino os enganara e tirara o que de mais precioso eles tinham.

Não era pelo fato de Naoki ser filho deles. Muitos pais não amam filhos, e muitos filhos não amam seus pais. Muitos abortos são assertivos, e muitos partos amaldiçoados.

Não.

A questão era: poucas crianças são fruto de um amor tão forte. Poucas são tão amadas e tão queridas quando Naoki era. Ele era uma extensão desse amor, então no momento que ele é brutalmente arrancado desse sistema, de fato é como se Fred e Hermione, tivessem um pedaço da alma arrancada.

Minto: na verdade, eles TIVERAM um pedaço de suas almas amputadas.

Mas não se pode mudar o fato: Naoki tinha sido concebido em um contexto não natural. A natureza se zanga quando contrariada. E não há humano, não há amor que possa com a natureza.

Um dos dois devia morrer.

Um dos dois morreu.

Esses eram os resultados de mudar a ordem natural. Hermione havia feito suas Escolhas, e estava lidando com suas Consequências.

Fred esperou até que o estado de latência caísse sobre ela, segurou seu corpo e levou-a até o banheiro. Enrolou-a em uma toalha, e colocou-a sentadinha ao lado da banheira, enquanto esta enchia, preenchendo o banheiro com o vapor quente e inebriante.

Como se Hermione fosse feita de porcelana, Fred a despiu e colocou seu trêmulo corpo na água, entrando com ela na banheira, sem se importar em tirar suas roupas, livrando-se apenas dos sapatos. Encostou-se ao porcelanato e sobre seu peito repousou a cabeça dela.

Ela ainda tremia mesmo com a água quase excessivamente quente ela não conseguia ter controle do seu corpo. Machucados físicos que refletiam na almas, espirituais que destruíam seu corpo tão pequeno e delicado. Estava em estado de choque.

Também, quem não estaria?

Ficaram ali, até que a água esfriasse. Até que suas almas esfriassem, e ambos aceitassem e incorporassem aquele luto morno, que tomava conta deles.

Saíram dali, Hermione aos poucos voltava a si. Fred secou-se, enrolou Hermione em uma toalha e carregou-a para o quarto como um bebê. Deitou-a na cama, fechou a janela, alisou os pelos laranjas de bichano. Hermione calada seguia-os com os olhos. Nenhum pensamento lógico passa vapor sua cabeça, ela ainda estava trôpega, mas observava cada traço do ruivo, e sentia-se dolorida ao pensar o quanto amava ele. Sentia-se vazia, mas cruelmente estranha perto dele. Era reconfortante saber que ele estava li, que ele a entendia, que ele sabia o que ela estava sentindo.

Ela não estava sozinha.

Ela podia estar se decompondo por dentro, se sentindo o pior dos seres, mas ela não estava sozinha.

Ele por sua vez, estava se sentindo muito mal, seu peito nunca doera tanto. Deitou-se ao lado de Hermione e aceitou o abraço da garota, aconchegou-se perto do corpo delicado e sentiu os dedos finos e gélidos pentearem seus cabelos.

Ficaram ali deitados, a madrugada foi excepcionalmente longa, e mal parecia que era primavera. Talvez na verdade, mesmo se o dia estivesse lindo e ensolarado o que envolvia o casal naquele momento era uma grande noite, densa, escura e gélida. Um grande e interminável silêncio quase estourava os vidros da casa de tão ensurdecedor que ecoava.

Adormeceram.



Notas finais do capítulo

CARA, tentem não brigar muito com ela, ela chorou horrores pra escrever esse capítulo, na verdade foi por isso que ela tava demorando tanto pra postar, depois que ela escreveu isso ela ficou deprimida com a fic, quase abandonou e tals...
Saudade de vocês garotas, sintam-se consoladas e abraçadas, e tentem não chorar muito :/
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*Nox*