Harry Potter e o Estigma da Serpente escrita por JMFlamel


Capítulo 23
NA Fronteira DA Mente


Notas iniciais do capítulo

Depois de uma conferência com o espírito de Lord Voldemort, em um lugar fora do tempo e do espaço, Harry faz uma das mais incríveis descobertas de sua vida.



CAPÍTULO 22

NA FRONTEIRA DA MENTE






Ter decifrado rapidamente o enigma contido na carta que o estranho personagem lhe havia entregue não causou tanta admiração a Harry Potter quanto o fato dele haver desaparecido nos corredores de Hogwarts, sem deixar vestígios. Teria ele saído pela passagem de Gunhilda de Gorsemoor, que dava acesso à Dedosdemel? Ou teria conseguido fugir e entrar na passagem do Salgueiro Lutador, que terminava na Casa dos Gritos?

De qualquer forma, mesmo consultando o Mapa do Maroto ele não identificava ninguém estranho, somente os alunos, professores e funcionários de Hogwarts, incluindo os elfos domésticos.

Outra coisa que Harry havia notado: o fato de sua cicatriz ter novamente apresentado ardência, mas de um modo diferente de quando Lord Voldemort estava vivo. A cicatriz ardia e, por vezes, até havia chegado a doer levemente, mas não indicava mais a sensação de perigo de antes, pelo contrário, o bruxo sentia que aquela pessoa, fosse quem fosse, estava preocupada e até mesmo meio amedrontada, embora aquilo não fosse típico do seu maior inimigo.

O estranho mantinha seu rosto oculto sob uma máscara de prata, moldada com os traços do rosto de Voldemort, portanto não podia ser ele. Mesmo porque o Lorde das Trevas estava morto há mais de quinze anos. Mas, como Harry suspeitava e investigava, havia a enorme probabilidade do seu espírito haver sido trazido do Mundo do Além, confirmada pelas informações que o casal de fantasmas, Murta e Cedric, viera lhe trazer. E, por causa do estranho recado na parede, visto por Harry quando Milton Vandross havia cometido suicídio, escrito com o sangue do próprio bruxo, Harry cada vez mais tinha a certeza de que se o espírito de Lord Voldemort havia sido trazido de volta, aquilo se dera contra a vontade do Lorde.

 

Transmigração Compartilhada Forçada.

 

Aquilo impedia a progressão do espírito e, mais cedo ou mais tarde, provocaria um conflito que teria, como resultado certo, a morte ou a loucura para o hospedeiro.

 

Era aquela a razão do pedido de ajuda do desencarnado Lorde das Trevas àquele que fora seu maior inimigo em vida.

 

Harry preocupava-se bastante, porque sabia o que deveria fazer para obter as informações de que precisava. E também sabia para onde teria de ir. Só que precisaria do apoio de alguns amigos, para preparação e defesa. Gina ficaria desesperada, com medo e até poderia, em um primeiro momento, querer impedi-lo, mas não havia outro jeito de fazer a coisa, ele teria de ir e só poderia ser ele, ninguém mais seria capaz de realizar aquela tarefa.

 

Com aqueles pensamentos preenchendo sua mente, ele entrou no Gabinete do Diretor, onde Sirius esperava por ele.

—O que foi, Harry? Você parece estar prestes a saltar de um abismo.

—Mais ou menos isso, Sirius. _ disse Harry _ Aquele sujeito misterioso de ontem à noite deixou uma carta no meu bolso, dizendo que eu conseguiria decifrar o enigma.

—Você disse que ele usava uma máscara de prata, representando o rosto do velho Cara-de-Cobra. Típico de Voldemort. Enigmas, “Riddles”. E o que continha a carta?

—Direi, assim que elas chegarem... ah, aqui estão.

 

Gina, Hermione, Ayesha e Janine haviam acabado de chegar.

—Harry, não nos deixe preocupadas. _ disse Hermione _ O que está acontecendo?

—Sim, você disse que precisaria de nós. _ disse Janine.

—Algo de perigoso, com certeza. _ disse Gina.

—E eu acho que sei o que é. _ disse Ayesha, manifestando mais um “flash” premonitório _ Você tem mesmo de ir, Harry?

—Tenho, Ayesha. _ disse Harry, com firmeza _ E precisarei de vocês, para conseguir retornar.

—Retornar... de onde? _ perguntou Gina, preocupada.

—De um lugar onde poucos foram, menos ainda voltaram e onde já estive, uma vez. Um lugar fora do tempo e do espaço, no qual estão muitas das respostas que preciso obter.

—Também estou pronto para ajudar. _ disse Dumbledore, que acabara de entrar na sala _ Conte tudo para nós, Harry.

—OK, Prof. Dumbledore. _ disse Harry _ Vou começar do princípio, então. Bem, como todos sabem, quando descobrimos que Milton Vandross era o pedófilo que enviava as imagens para os sites de pornografia do Círculo Sombrio, ele cometeu suicídio.

—Sim, ele não queria ser preso e, além disso, também estava doente. Mas que relação tem com o que você disse? _ perguntou Sirius.

—Havia uma escrita na parede, feita com o seu próprio sangue, que alguns de vocês viram.

—Havia mesmo. E você conseguiu apagá-la. _ disse Ayesha _ Com sua ação, evitou-se um escândalo.

—Mas havia uma outra escrita na parede, também com o sangue de Vandross, mas o texto era outro, um pedido de socorro, com um Feitiço “Somente-Para-Os-Seus-Olhos”. Dizia: “Ajude-me, por favor, Harry Potter”. Até aí, nada de estranho, mas aquela caligrafia era uma que eu não via desde os meus doze anos de idade, em um certo diário que eu destruí com uma presa de basilisco.

—Quer dizer... _ disse Janine.

—... Que era a letra de Tom Marvolo Riddle. A letra de Lord Voldemort.

As palavras de Harry caíram como uma bomba.

 

—Isso pode explicar os episódios de ardência de sua cicatriz, desde antes do início do ano letivo. _ disse Gina.

—Mas como ele pode estar de volta? _ perguntou Dumbledore, preocupado com a revelação _ Alguma Horcrux que tenhamos deixado de destruir?

—Não, Prof. Dumbledore. _ disse Harry _ Nagini foi a última, eu e Gina fatiamos aquela cobra, na ilha sagrada de Avalon. Na verdade, o espírito de Voldemort transmigrou. Agora posso afirmar com certeza.

—Transmigração? Mas como?

—Transmigração Compartilhada Forçada, utilizando-se dos rituais do “Contrato de Seth e Anúbis”, existente no Necronomicon. Murta e Cedric estavam me ajudando, secretamente, já que ela entende bastante do assunto. Ontem à noite os dois me confirmaram que, de alguma forma, o espírito de Lord Voldemort foi forçado a transmigrar, para alguém que está em Hogwarts.

—Mas teria de ser para alguém com laços de sangue. _ disse Dumbledore.

—Lord Voldemort não deixou descendentes. _ disse Ayesha.

—Pelo menos nenhum conhecido. _ disse Janine _ Mas e se ele teve algum descendente, do qual ninguém tenha conhecimento e ele esteja por aí, só esperando o momento certo de reaparecer?

—Pode ser. _ disse Gina _ Mas aí certamente há o dedo do Círculo Sombrio. Pois, se os rituais estão no Necronomicon, devem estar em um dos volumes em poder de “Escuridão”.

—E é aí que vem a pior parte, querida. _ disse Harry, olhando para Gina e os outros _ Murta revelou que um dos itens para o ritual era uma oferenda extremamente macabra, o cérebro de uma criança não-nascida.

—Não... n-não pode ser! _ a ruiva estava pálida _ A nossa pequena Molly? Já desconfiávamos que aquele monstro havia sido o responsável, mas como? Se bem que só pode ter sido...

—... Na emboscada daquela noite, quando voltávamos do cinema com Draco, Jan e as crianças. _ confirmou Harry _ “Escuridão” deve ter lançado algum feitiço proibido, para remover o cérebro de nossa filha ainda não-nascida e utilizá-lo posteriormente como oferenda a Seth e Anúbis. Muito provavelmente algo também do Necronomicon.

—Foi... foi algo meio estranho. Senti c-como se alguém ou alguma coisa enfiasse a m-mão em minha barriga e retirasse algo d-de dentro dela. _ disse Gina, em lágrimas _ Na hora não dei muita atenção, pois estávamos em combate. Depois sangrei e fui levada para a Emergência do St. Mungus. Depois eu fiquei pensando em como alguém poderia ter feito aquilo, mas não consegui encontrar uma resposta... até hoje.

—E é por isso que devo ir, Gina. _ disse Harry, abraçando a esposa que estava entre triste e furiosa. Triste com a lembrança do que ocorrera com sua filha e furiosa com o perverso bruxo que cometera aquele ato hediondo _ A pessoa para a qual o espírito de Voldemort transmigrou, esse “Avatar das Trevas”, creio que poderemos chamá-lo assim, foi quem me paralisou ontem à noite e aproveitou para me deixar esta carta com um enigma, que já decifrei.

—Você ia nos mostrar, Harry. _ disse Sirius _ Vamos ver o que é.

—Muito bem. Ele disse que eu conseguiria “ler nas entrelinhas” da mensagem e foi o que fiz, utilizando um feitiço que eu desenvolvi, o “Interlinea Revelio”, que interpreta pistas de um enigma e dá a resposta.

—E o que você descobriu?

—Vamos ver o texto e, em seguida, a resposta.

A carta dizia o seguinte:

 

“Logo na fronteira de sua mente semidesperta/

Existe um outro tempo/

No qual Luz e Trevas são uma só coisa/

E, enquanto você trilha os corredores da sanidade/

Se sente muito feliz/

Por ser incapaz de seguir adiante/

 

Eu trago uma mensagem de um outro tempo.”



— “DAICON IV”. _ comentou Janine;

—???

— “Daicon” não é o nome de um tipo de rabanete branco japonês, Jan? O que tem a ver? _ perguntou Ayesha.

—É também o nome de uma produtora japonesa de animações, cujo clipe de apresentação utilizava como trilha sonora “Twilight”...

—... Nada a ver com Stephenie Meyer, espero. _ disse Hermione.

—Não, Mione. Nada de Vampiros Emos e nem de “Lobichomens”, não se preocupe. É uma canção da Electric Light Orchestra e a introdução do clipe é exatamente com essas frases. _ disse Janine _ Mas como é que o tal “Avatar” introduziu um enigma nessas frases, Harry?

—Parece complicado, mas é bem simples. Cada frase dá início a um parágrafo. Vamos ver.

Harry colocou a carta na mesa, já decifrada, enquanto os outros sentavam-se.

—Vejamos... “Logo na fronteira de sua mente semidesperta, quando você está entre o sono e a vigília, você descobrirá a entrada para onde poderá me encontrar e poderei dizer mais coisas, embora não tudo”. _ começou Harry.

—Deve estar se referindo ao “Estado Crepuscular”, um período entre o sono e a vigília, quando a mente fica bastante aberta e capaz de viajar para vários lugares. _ disse Gina _ Durante a minha formação como Medi-Bruxa, nos ensinaram que nesses períodos pode haver alucinações, chamadas “Hipnagógicas”, quando ocorrem entre a vigília e o sono e “Hipnopômpicas”, quando ocorrem entre o sono e o despertar. Mas nem tudo é alucinação, a mente fica bastante aberta, como eu disse.

—Certo. Vamos continuar. “Existe um outro tempo, na verdade um lugar fora do tempo e do espaço e é lá que eu estarei, à sua espera, para podermos conversar, depois de todos esses anos”.

—Deve ser a dimensão onde o espírito de Lord Voldemort fica vagando, enquanto não se manifesta no corpo do hospedeiro. _ disse Ayesha.

—Sim. _ disse Harry _ Adiante, então. “No qual Luz e Trevas são uma só coisa, não há Bem nem Mal, somente o Vazio e é lá que ‘Escuridão’ jamais saberá se eu lhe contar algo mas, mesmo sabendo quem é ele, não poderei revelar a sua identidade, por duas razões”.

—Pelo que sabemos, “Escuridão” oculta sua identidade sob Feitiço Fidelius. E ainda há uma outra proteção, como ele diz aí. _ disse Dumbledore _ os fatos estão começando a tomar forma e as peças estão se encaixando. Isso me preocupa cada vez mais.

—Por que, Prof. Dumbledore? _ perguntou Gina.

—Porque a viagem de Harry está se configurando como uma das mais perigosas jornadas que ele já fez na vida e dependerá da força espiritual de todos nós para retornar em segurança. Continue, Harry.

—OK, professor. “E, enquanto você trilha os corredores da sanidade, se sente muito feliz por ser incapaz de seguir adiante. Mas precisará seguir e atravessar a barreira de seus próprios temores, libertando-se de preocupações e confiando nos seus guias. Caso contrário, não poderá prosseguir e nem retornar”.

—Com certeza. _ disse Dumbledore _ E também precisará de suas âncoras, seus guias para garantir seu retorno à realidade.

—Concluindo, “Eu trago uma mensagem de um outro tempo, de um outro espaço e de outros que foram importantes para você e ainda o são, dentro de seu coração e de sua mente. Eles também não aceitam o fato de que ‘Escuridão’ me fez voltar, interrompendo minha evolução. Estão todos contando com você, para restabelecer o equilíbrio de tudo. E todos aqueles que a Sra. Malfoy encontrou em sua breve passagem pelo Mundo do Além mandam lembranças. Estou esperando por você, Harry Potter, naquele fugaz momento entre o sono e a vigília, um instante que pode ser infinito, bastando que se queira. Pelo bem de toda a Bruxidade e também dos trouxas, venha logo”.

 

—Incrível! _ exclamou Hermione _ Ele está mesmo pedindo sua ajuda?! Quem diria que Lord Voldemort chegaria a tal ponto?

—Por duas razões, eu acredito. _ disse Janine _ Tanto pela sua própria evolução espiritual quanto pelo seu orgulho, afinal de contas, Lord Voldemort não aceitaria de bom grado ficar sob o domínio de ninguém, principalmente de um bandido inescrupuloso como “Escuridão”.

—Concordo, Janine. _ disse Dumbledore _ E isso significa que Harry terá de realizar a mais perigosa viagem de sua vida. Para que ela seja bem sucedida, tudo terá de ser feito com a maior segurança e precisão. Todos os detalhes terão de ser cuidados com a máxima atenção, principalmente a escolha do elo.

—Elo, Prof. Dumbledore? _ perguntou Sirius.

—Sim. Será o guia físico para garantir o retorno de Harry. Um objeto que ele deverá manter com ele, algo que o ligue a todos nós, talvez uma lembrança feliz do seu tempo de aluno, tipo uma foto, um presente ou...

—... Acho que já sei, Prof. Dumbledore. _ disse Harry sorrindo e concentrando-se. _ “Dobby”!

 

Ao chamado de Harry, o pequeno elfo doméstico livre, que servia aos Potter de espontânea vontade, aparatou no Gabinete da Direção.

—Pois não, mestre Harry Potter? Por que chamou Dobby?

—Dobby, em nossa casa de Hogsmeade há uma coisa que eu gostaria que você pegasse e trouxesse até aqui. É uma caixinha de mogno encerada que está na segunda gaveta da escrivaninha do escritório.

—Em um instante, mestre Harry Potter. _ Dobby desaparatou com um estalido e logo em seguida retornou, trazendo a caixinha de mogno e entregando-a a Harry.

—O que há nessa caixinha, Harry? _ perguntou Hermione.

—Uma de minhas melhores lembranças de Hogwarts, um presente que recebi do Prof. Dumbledore, depois da nossa formatura.

—Quer dizer... _ disse Dumbledore.

—... Exatamente, professor. Aqui está ele, depois de tantos anos.

Harry abriu a caixinha e mostrou seu conteúdo. Dentro de um saquinho de veludo vermelho, com o brasão da Grifinória, estava...

—... Um pomo de ouro! _ exclamou Janine _ É aquele, Harry?

—Sim, é. Não é só um pomo de ouro, Jan. _ disse Harry, enquanto a esfera alada abria suas finas asas e levantava voo, fazendo voltas e pousando suavemente no ombro do bruxo _ Este foi o pomo que capturei no primeiro ano, quando fui excepcionalmente escolhido como Apanhador. Aquele que eu quase engoli.

—Eu me lembro. _ disse Hermione _ Foi quando pensamos que o Prof. Snape estava azarando a vassoura de Harry e eu ateei fogo nas vestes dele. Mas, na verdade, ele estava protegendo Harry com um contrafeitiço. Era Quirinus Quirrell quem estava azarando a vassoura.

—Então foi a senhora, Profª Weasley? _ ouviu-se a voz calma e pausada de Severo Snape, que adentrava a sala _ Eu passei todos esses anos tentando descobrir quem foi que me queimou um conjunto de vestes novinhas. Mas foi por uma boa causa, claro. Quando tentei apagar o fogo das vestes, acabei derrubando Quirrell e a azaração perdeu o efeito.

—É... bem... mas que sorte que o senhor não se queimou, não é, Prof. Snape? _ disse Hermione, bastante sem jeito, com uma cara de crupe que entornou o caldeirão.

 

Todos riram.

 

—Este pomo de ouro é um símbolo da minha felicidade por ter descoberto que era um bruxo e pelos amigos que fiz em Hogwarts. Ele tem uma gravação, que só pode ser vista com uma lente, com os nomes de todos os Inseparáveis, lembra-se, Jan?

—Claro, agora estou me lembrando da gravação. Sim, esse pomo pode ser um excelente guia para qualquer lugar que você precise ir. Aliás, é para onde eu estou pensando, Harry?

—Exatamente, Jan. Terei de ir para um lugar entre os lugares, que só pode ser alcançado entre o sono e a vigília ou através de um ritual, existente em um dos volumes do Necronomicon que estão conosco.

—Que sorte. _ disse Gina, sem muita convicção _ Mais uma aventura perigosa, então. Não me diga que vai ter de ir para...

—... Sim. Lembra-se da Batalha de Azkaban, no nosso sexto ano?

—Como eu poderia esquecer? Resgatamos Jan, lutamos contra Voldemort e os Death Eaters, Lucius matou Narcisa, conseguimos invocar o “Olho de Shiva” e... mas é claro! Você disse que esteve em um transe de uma fração de segundo, mas que pareceu durar bastante tempo, enquanto você era instruído pelos deuses do Panteão Hindu, principalmente Shiva. Foi ele quem confirmou o mantra do feitiço.

—Então, quer dizer que Harry terá de ir para... _ Hermione estava apavorada.

—... Para o Limbo. _ confirmou Dumbledore _ Um lugar entre os lugares, como disse Harry, fora do tempo e do espaço. A dimensão onde o espírito de Lord Voldemort fica vagando, enquanto não é convocado para possuir o corpo do hospedeiro, seja ele ou ela quem for.

—Isso será, com certeza, muito mais difícil e perigoso do que pilotar e pousar um Ônibus Espacial. _ disse Sirius _ E olha que ele já pousou um (*Ler a Fic “HARRY POTTER E O CÍRCULO SOMBRIO”*).

—Então teremos de preparar o ritual e fazer o círculo de proteção. Harry deverá estar no meio, sem camisa, com o pomo de ouro no bolso e os símbolos pintados em seu tronco e rosto. Vamos começar agora. _ disse Dumbledore _ Creio que a Sala Precisa será o melhor lugar para cumprirmos com tranqüilidade mais essa perigosa missão.

 

Baseando-se nas instruções do Necronomicon, foram pintados no rosto e no tronco de Harry vários símbolos místicos e esotéricos para guiá-lo e protegê-lo naquela perigosíssima jornada. Pentagramas, Mandalas, Glifos e outros símbolos, inclusive o Compasso e o Esquadro, significando que sua causa era justa, a pureza de sua finalidade era perfeita, sua trajetória seria precisa e, por mais que se afastasse, retornaria ao centro. No chão, também foram gravados vários símbolos de proteção à volta da cama onde Harry ficaria deitado, sem camisa e com o pomo de ouro no bolso da calça.

Concentrando-se, Harry Potter relaxou o corpo, esvaziou a mente de todos os pensamentos desnecessários e induziu um Estado Crepuscular, enquanto os amigos ficaram posicionados à volta dos símbolos, sentados em posição de lótus, formando um círculo externo de proteção e guia, com a força do Ki de cada um.

 

— “Αυτό τις οδούς που για μένα στον τόπο μεταξύ χώρους, έξω από το χώρο και το χρόνο, ώστε να μπορώ να κάνω ό, τι χρωστάμε και να επιστρέψουν με ασφάλεια, μέσα από τον οδηγό μου” (“Af̱tó tis odoús pou gia ména ston tópo metaxý chó̱rous , éxo̱ apó to chó̱ro kai to chróno , ó̱ste na boró̱ na káno̱ ó, ti chro̱stáme kai na epistrépsoun me asfáleia , mésa apó ton odi̱gó mou”, “Que os caminhos se abram para mim até o lugar entre os lugares, fora do tempo e do espaço, para que eu possa fazer o que devo e retornar em segurança, através do meu guia”), murmurou Harry, em Grego, enquanto entrava em Estado Crepuscular. Naquele momento, tudo à volta do bruxo pareceu sumir e ele se viu em um lugar no qual já havia estado anteriormente, sem horizonte, nem céu, um lugar entre os lugares, realmente fora do tempo e do espaço, exceto por uma diferença.

 

Havia mais alguém lá.

 

Trajando as mesmas vestes que havia usado na Batalha de Avalon, de estilo japonês, um quimono de Daimyô em preto, cinza e verde, sentado em uma poltrona que havia conjurado, com ar pensativo e mantendo as mãos com os longos e ossudos dedos entrelaçados debaixo do queixo, aparentando uma expressão serena em sua fisionomia viperina, ali estava o espírito daquele que havia sido o maior bruxo das Trevas da atualidade.

Lord Voldemort.

 

Percebendo a presença de Harry, um leve sorriso distendeu seu rosto plano e ele dirigiu-se ao recém-chegado.

 

—Harry Potter. Eu sabia que você seria capaz de decifrar rapidamente o meu enigma. _ disse Voldemort.

—Lord Voldemort. Então era verdade.

—A mais pura verdade, Harry Potter. Sente-se. _ disse Voldemort, conjurando uma outra poltrona _ Uma vantagem de estar no Limbo é que as conjurações são extremamente simples.

—Por que, entre todas as pessoas do mundo, você pediu a minha ajuda, eu que fui seu maior inimigo em vida? _ perguntou Harry, sentando-se.

—Exatamente por isso, Harry Potter. Um inimigo poderoso, honrado e valoroso, responsável pela minha partida digna. O único que compreenderia minhas razões e envidaria esforços no sentido de recolocar este espírito no caminho da evolução, do qual ele foi arrancado por um bandido.

—Então é certo. Você e Bellatrix estavam evoluindo e, com o ritual, “Escuridão” acabou por separá-los.

—Certamente, Harry Potter. Depois que você foi o meu Kaishakunin no Seppuku que pratiquei em Avalon, experimentei as amarguras do Umbral, onde tive tempo mais do que suficiente para expiar grande parte das minhas culpas, repensar os males feitos em vida e me arrepender, principalmente, do plano que resultou na situação que vocês estão vivendo agora.

—Como assim, Voldemort?

—Para uma melhor compreensão, teremos de retornar ao meu tempo de aluno de Hogwarts. Como vocês sabem, cursei a escola de 1936 a 1943, juntamente com Minerva McGonnagall, os gêmeos Abraxas e Jean-Marc Malfoy, Renata e Hiram Mason, Fabiola Wayne e outros mais. Durante meu terceiro ano, descobri que era descendente de Slytherin, bem como alguns elementos da busca pela imortalidade, tendo tido as primeiras informações sobre o diamante “Olho de Shiva” e sobre as Horcruxes, embora somente soubesse mais sobre elas depois, com as informações do Prof. Slughorn. Depois de me formar e fazer minha primeira Horcrux, com a morte dos outros membros da família Riddle, trabalhei por algum tempo na Borgin & Burke’s, tendo depois saído pelo mundo em busca de poder, isso antes mesmo de formar os Death Eaters. Foi quando tomei conhecimento do Necronomicon.

—Mas o livro havia sido escondido e os pesquisadores do Oculto concordaram em se submeter a Feitiços de Memória para não saberem da bússola, foi o que o Prof. Dumbledore nos contou. Só se a criada de Aleister Crowley acabou falando com mais alguém. _ disse Harry.

—Mais do que isso, Harry Potter. _ disse Voldemort _ Ela fez anotações que, não se sabe como, acabaram indo parar em um cofre de uma certa Universidade nos EUA, a qual acabei visitando, durante minhas viagens. Foi em uma cidade do Condado de Essex, em Massachussets.

—Arkham? Universidade Miskatonic? _ perguntou Harry.

—Exatamente, Harry Potter. Lógico, não eram cópias inteiras, mas parciais de capítulos de vários dos volumes, contendo rituais e informações. Estudando essas anotações e não me pergunte como consegui ter acesso a elas, descobri os rituais de invocação dos Ancient Ones, logo resolvendo jamais utilizá-los. Nem eu sou tão louco assim. Mas também descobri o “Contrato de Seth e Anúbis”, com quase todos os detalhes de sua realização. Foi aí que um plano alternativo tomou forma. Caso as Horcruxes cient Onedestruídas, como realmente o foram, eu ainda poderia retornar, em uma Transmigração Compartilhada Consentida, tendo um descendente como hospedeiro.

—Então você tem um descendente, Voldemort? _ perguntou Harry.

—Sim, Harry Potter. Mas não posso dizer quem é, estou impedido por uma das alterações que “Escuridão” fez no Contrato. Inclusive, devido a um fator com o qual ele não contava, a Transmigração Compartilhada não foi de forma Consentida, mas Forçada. Depois de passar tempos no Umbral, eu e Bellatrix estávamos começando a evoluir espiritualmente, mas a convocação para o Contrato interrompeu esse processo. Na verdade, eu não queria mais retornar. Conforme meu espírito ia evoluindo, eu sentia não mais ter aquela insana e desenfreada necessidade de buscar poder ilimitado e imortalidade, tudo aquilo passava a não ter mais significado nem importância, o mesmo acontecendo com Bellatrix. Termos um ao outro era o bastante. E foi quando tive o meu maior arrependimento, pois o plano que eu havia arquitetado em vida e confiado ao “Planejador”, o antigo líder do Círculo Sombrio que foi sucedido por “Escuridão”, acabaria por ser executado de qualquer forma, não havia mais como voltar atrás. O “Contrato de Seth e Anúbis” seria levado a cabo, de qualque forma. Mas, quando “Escuridão” assumiu o comando do Círculo Sombrio, ele modificou o ritual. Na época, a Ordem das Trevas e o Círculo Sombrio coexistiam, nós como um exército e eles como uma “Máfia Bruxa”, assumindo as atividades ilícitas do submundo bruxo e, depois da chegada de “Sombra & Escuridão”, da nossa derrota em Avalon e do desmantelamento da Ordem das Trevas, estendendo seus tentáculos para o crime organizado trouxa, formando uma organização mista que pretende reerguê-la.

—Como assim, “modificou”? _ perguntou Harry.

—Bem, o ritual realmente exigia o cérebro de uma criança não-nascida para ser realizado, mas em momento algum eu ordenei que fosse o de um descendente seu, inclusive dei ordens para que nenhum dos descendentes dos Inseparáveis fosse tocado pelos Death Eaters. Vocês sempre me enfrentaram com honra e eu não mancharia aquilo com tal ato. Foi iniciativa pessoal de “Escuridão” e somente dele.

—Compreendo e já estou juntando as peças, Voldemort. O fato de você não querer mais que o Contrato fosse realizado fez com que a Transmigração mudasse de Consentida para Forçada, já que “Escuridão” resolveu realizar o ritual assim mesmo. E agora o hospedeiro corre risco de morte ou de loucura. Isso nos leva a outro ponto, o de que deve haver uma ligação de sangue. O hospedeiro é mesmo seu descendente? Não há dúvida?

—Sim, Harry Potter. _ Voldemort confirmou, com um aceno de cabeça, a pergunta de Harry _ O hospedeiro é meu descendente, sem a menor dúvida.

—E você pode dizer quem é? _ perguntou Harry, embora já soubesse a resposta.

—Infelizmente não posso, Harry Potter. _ respondeu Voldemort, balançando a cabeça, com ar desanimado _ Este é um dos impedimentos aos quais estou sujeito pelas modificações do Contrato.

—Então você teve um filho ou filha. Foi com Bellatrix?

—Sim. Parece estranho me ouvir dizendo isso, não é, Harry Potter?

—Um pouco. Quem o conheceu em vida e sobreviveu não o imaginaria sendo pai.

—Infelizmente não cheguei a conhecer a minha prole, a Batalha de Avalon se encarregou disso. _ disse Voldemort, com um meio-sorriso _ O Lorde das Trevas ainda era humano, mesmo com todas as mudanças que sofreu na vida. Todos dizem que jamais amei nem fui amado, mas isso ocorreu. Houve apenas duas mulheres que amei na minha vida, Harry Potter. Uma delas foi...

—... Minerva McGonnagall. _ disse Harry _ Quando você morreu, o seu Feitiço Fidelius e o de Memória se desfizeram e soubemos daquilo. Vocês foram namorados, na época de alunos.

—Sim. Usei os feitiços para protegê-la. E a outra foi Bellatrix Lestrange. Mesmo ela sendo casada com Rudolph, acabamos nos aproximando e tornamo-nos amantes, depois que ela me confidenciou que Rudolph Lestrange era estéril.

—E ela engravidou de você. Isso é uma novidade importante. Só falta agora você me dizer que não desprezava todos os trouxas.

—Claro que não todos, havia exceções. Eu reconhecia o valor de alguns e até gostava de outros. Hermione Weasley e Janine Malfoy, duas dificílimas adversárias, meus antigos colegas do Orfanato Stockwell, principalmente Amy Benson. Renata Mason, Shimano Daisuke-kun, que era guardião da espada de Slytherin e que morreu em Hiroshima, os Kobayashi e alguns outros. Sempre escondi isso, pois prejudicaria a imagem do Lorde das Trevas.

—Então o “Avatar das Trevas” é seu filho ou filha. E você quer preservá-lo, libertá-lo do controle de “Escuridão”, não é?

—Isso mesmo, Harry Potter. É essencial que minha descendência viva livre do controle daquele facínora, para o que meu espírito deverá ser reconduzido ao Mundo do Além. Mas “Escuridão” começou a cometer alguns erros, provocados pela arrogância e pretensa onipotência.

—Erros, Voldemort? De que tipo?

—Só posso lhe dizer até certo ponto, Harry Potter. Ele deu ao hospedeiro um amuleto que aumentaria o poder do “Avatar das Trevas” para finalidades maléficas mas, com algum esforço, consegui invertê-lo e transformá-lo em um amuleto de energias positivas.

— “Invertê-lo para energias positivas”... seria um Pentagrama?

 

Voldemort nada disse, apenas sorriu e acendeu um Dunhill.

 

—Ei, vai fumar? É permitido a você? _ perguntou Harry, com ar de desagrado.

—Aqui é o Limbo, não as estações do Mundo do Além, onde esses hábitos terrenos são abandonados, Harry Potter. Além disso, não precisa fazer essa cara. O cigarro não é real, apenas compõe minha imagem, tanto que não tem cheiro. É como o cigarro-fantasma fumado por Jean-Marc Malfoy. É apenas um mero detalhe de como vocês se lembram de mim. Inclusive, se e quando minha aparência atual cansar, posso fazer isso. _ e Voldemort assumiu a aparência que tinha aos dezessete anos _ Você deve se lembrar desta aparência, quando me enfrentou na Câmara Secreta e matou o basilisco, aos doze anos de idade.

—Tom Marvolo Riddle. Há tempos não via você assim.

—De vez em quando, gosto de usar esta aparência. Continuando, houve outra modificação que “Escuridão” fez no ritual. Ele incluiu uma Cláusula de Submissão, uma variante existente no Necronomicon. Então, com isso, ele me mantém submisso à sua vontade.

—Você pode me dizer como foi isso? _ perguntou Harry.

—Até certo ponto, como eu disse. Ele conseguiu, de algum modo, reunir parte das minhas cinzas com um feitiço muito complicado. Enquanto ele as tiver, sou obrigado a obedecê-lo, embora haja algumas brechas, tipo esta, de podermos ter esta conferência, aqui no Limbo, durante um Estado Crepuscular. O amuleto que consegui modificar também ajuda, além das Bolhas de Estase.

—Compreendo. Com isso, você consegue distender o tempo e ampliar os seus períodos de liberdade.

—Isso mesmo. “Escuridão” é um maldito bandido sem honra nem escrúpulos, Harry Potter. Porém, ele não é inatingível, há algo que ele teme. Ou melhor, alguém.

—Quem?

—Draco Malfoy. “Escuridão” cometeu um grande erro, devido à sua arrogância. Para poder torturá-lo com a capacidade de penetrar sua mente e provocar pesadelos, ele precisou quebrar seu próprio Feitiço Fidelius.

—Então Draco tem conhecimento da identidade de “Escuridão”?

—Sim e não, Harry Potter. “Escuridão” sepultou profundamente essa lembrança sob um fortíssimo Feitiço de Memória, que somente pode ser desfeito com um contrafeitiço existente em um dos volumes do Necronomicon que estão em poder dele. É por isso que Draco corre perigo, não só porque ele acha que a deserção de Draco foi uma afronta à Ordem das Trevas, já que eu, naqueles tempos, havia confidenciado que o queria como meu sucessor, quando resolvesse me retirar do comando e permanecer como um conselheiro. Draco Malfoy é um alvo prioritário do Círculo, que pretende enlouquecê-lo ou matá-lo.

—E ele está no Brasil, em um Spa. Precisamos avisá-lo.

—Não se preocupe, ele já tem quem o proteja. É muito bom estar fora do tempo e do espaço, pois consigo ver algumas coisas importantes. Sei que sua informante está fazendo tudo para defendê-lo. É essa união de vocês que poderá levá-los à vitória. “Escuridão” é insano e arrogante. Além disso tomou por amante outra louca, talvez até pior do que ele.

—Mariana Lugoma. A filha do Ministro da Magia de Angola.

—Exatamente. Ele, “Sombra” e Mariana formam um respeitável trio do mal. Se bem que eu acredito que um golpe decisivo que “Escuridão” receberá virá de dentro do Círculo, dos altos escalões.

—Como pode afirmar, Voldemort?

—Palpite, Harry Potter. Mas, como alguém que já esteve no comando de uma facção do mal, aprendi que os tiranos plantam as sementes de sua própria queda. E é isso que acontecerá, principalmente se cada um de vocês fizer sua parte.

—Tem razão. Já que você não pode me dizer quem é o seu descendente, creio que caberá a nós o trabalho de detetive para descobrir, certo, Voldemort?

—Certíssimo, Harry Potter. Descobrindo o descendente, será possível descobrir o “Avatar das Trevas” e então tentar encontrar uma maneira de libertá-lo, privando o Círculo Sombrio de um poderoso trunfo.

—E ele está recrutando entre os alunos?

—Estou impedido de dizer, caberá a vocês descobrirem. Nosso tempo está se esgotando, Harry Potter. Você deverá retornar ou não conseguirá sair daqui com as informações que lhe dei. Elas serão importantes para que você consiga derrotar o Círculo Sombrio e expor “Escuridão”. _ disse Voldemort.

—Por que está oferecendo ajuda, Voldemort? _ perguntou Harry.

—Não é porque morro de amores pelos seus olhos verdes, Harry Potter. Ofereço ajuda porque preciso de ajuda, para me libertar e poder retomar minha evolução espiritual ao lado de Bellatrix e também para que meu descendente possa ter uma vida diferente daquela que eu tive. _ disse Voldemort _ No momento em que resolvi não mais querer retornar, resolvi também que meu descendente merece viver com mais tranquilidade, sem envolvimento com o mal. E não há mais ninguém que possa me ajudar a não ser meu maior inimigo em vida, Harry Tiago Potter, o garoto da cicatriz. Um bruxo poderoso, digno e honrado, seguidor do Bushido e detentor das sete virtudes: GI: Justiça e Moralidade, Atitude direta, razão correta, decidir sem hesitar; YUU:Coragem, Bravura heróica; JIN: Compaixão, Benevolência; REI: Polidez e Cortesia, Amabilidade; MAKOTO: Sinceridade, Veracidade total; MEIYO: Honra, Glória e, por fim, CHUU: Dever e Lealdade. Esse é você, que eu sei muito bem.

—É uma pena você não poder dizer quem é ele ou ela.

—É um dos impedimentos impostos pela Cláusula de Submissão, Harry Potter. Mas sei que você é um Magid, um bruxo poderosíssimo. Além disso, também é um dos melhores Aurores que a corporação já teve e um habilidoso Mestre Ninja de Togakure. Se alguém pode descobrir, é você.

—Farei o possível para honrar a confiança que você está depositando em mim, Voldemort. _ disse Harry _ Se esses elogios vêm daquele que foi o meu maior inimigo, não são somente palavras vazias. Poderemos ter outras conferências, futuramente?

— Creio que será possível, enquanto vocês não me libertarem. Poderemos nos encontrar aqui no Limbo. Lembre-se, Harry Potter, de que a essência de um enigma, sua grande arte, é colocar a resposta diante da pessoa e ela não perceber, até que chega a hora. Essa é a ARS MAGNA de um enigma, não se esqueça disso.

—Não me esquecerei, Voldemort. _ disse Harry, apertando a mão branca e ossuda que o Lorde das Trevas lhe estendeu, já com sua aparência viperina. Trocaram uma reverência e Harry empreendeu o caminho de volta, já tecendo considerações sobre o que Voldemort lhe dissera _ Até uma próxima vez.

 

Apertando o pomo de ouro no bolso de sua calça, Harry Potter empreendeu o caminho de volta, guiando-se pelo Ki dos seus amigos. Estes permaneciam à volta da cama onde seu corpo físico encontrava-se deitado. Com um solavanco, sentiu que seu corpo astral estava de volta e se levantou.

 

—Bem-vindo de volta, Harry. _ disse Gina, beijando o esposo.

—Como foi, Harry? _ perguntou Dumbledore.

—Como eu suspeitava, Prof. Dumbledore. Voldemort ou melhor, seu espírito, foi trazido contra a vontade e transmigrou para o corpo de um descendente, de modo forçado. Muitas coisas ele não pôde me dizer, pois “Escuridão” alterou o “Contrato de Seth e Anúbis”, incluindo uma Cláusula de Submissão.

—Então o Cara-de-Cobra teve um filho ou filha, quem diria. E quem é a mãe? _ perguntou Sirius, já sabendo a resposta.

—Exatamente com quem você está pensando. _ confirmou Harry, olhando para Sirius _ Foi com Bellatrix.

—Isso nos leva a pensar em algumas coisas, ocorridas há bastante tempo atrás. _ disse Hermione _ Uma profecia, feita em Avalon.

—Sibila Trelawney. _ lembrou-se Dumbledore _ Ela profetizou sobre “a semente do Lorde das Trevas”. Vejamos o que ela disse.

 

Dumbledore convocou a Penseira e colocou nela uma memória. Todos mergulharam e voltaram ao dia da Batalha de Avalon, revendo Sibila Trelawney fazer sua terceira profecia.

 

— “O Lorde das Trevas se foi, mas a semente para que sua obra continue já foi plantada. Nos anos que virão, ela germinará e florescerá, podendo trazer de volta os Dias Negros. Mas, por outro lado, essa semente florescida poderá também contribuir para que seja alcançado o tão sonhado e esperado retorno da harmonia entre bruxos e trouxas. Para que isso aconteça será preciso que, neste mundo, ocorra uma reconciliação que já ocorreu no outro, possibilitando a harmonia entre os bruxos. Sim, todas as linhagens bruxas viverão tempos de paz e união, a partir do momento no qual o sangue de Salazar Slytherin e o de Godric Gryffindor tornarem-se um só”.

 

—Isso significa que esse descendente de Voldemort poderá tanto reerguer a Ordem das Trevas quanto ajudar a vencer o Círculo Sombrio e restabelecer a harmonia entre bruxos e trouxas. _ disse Ayesha _ Mas primeiro teremos de descobrir quem é ele ou ela.

—Se levarmos em conta que a Batalha de Avalon ocorreu há mais de quinze anos, o descendente deve ser um bruxo adulto. _ disse Snape _ Teremos de descobrir se ele está em Hogwarts ou se entra e sai do castelo e como faz isso.

—Se bem que creio que nada mais ocorrerá em Hogwarts neste ano letivo, pois a Cerimônia de Encerramento será depois de amanhã. _ disse Sirius.

—Tem razão, Sirius. Poderemos investigar, planejar e decidir com certa tranqüilidade, durante as férias. _ disse Harry.

—Para onde vão? _ perguntou Dumbledore.

—Ficaremos alguns dias em Godric’s Hollow e depois passaremos duas semanas no Japão, em Kanagawa. _ disse Harry _ Prometi ao pessoal da Hinata Sou que levaria a família para conhecê-los. E o senhor?

—Eu e Minerva iremos em busca de um friozinho, ainda não decidimos se iremos para Las Leñas, Chillán ou Valle Nevado. Qualquer alternativa será muito boa, são três excelentes estâncias de esqui da América do Sul.

—Creio que o Círculo também não irá se mexer por algum tempo. Caso isso aconteça, certamente seremos avisados. _ disse Janine _ Vamos às atividades de encerramento do ano letivo, então. Depois irei com as crianças para o Brasil, ver Draco.



A cerimônia de encerramento do ano letivo transcorria sem problemas, com todos apreciando o delicioso banquete. Então, chegou a hora dos resultados.

—Muito bem, é a hora de conhecermos quem levará a Taça das Casas, neste ano. Em quarto lugar, ficou a Corvinal, com quinhentos e dez pontos. Em terceiro, a Sonserina, com quinhentos e vinte e cinco pontos. A Lufa-Lufa ficou em segundo, com quinhentos e trinta e dois pontos e, em primeiro, a Grifinória, com quinhentos e trinta e sete pontos. _ disse Sirius, enquanto as cores vermelha e dourada tomavam o Salão Principal e todos aplaudiam _ Meus parabéns a todas as Casas, pois a grande quantidade de pontos acumulados e a pequena diferença entre uma e outra Casa demonstra o altíssimo nível de todos os estudantes. Divirtam-se e nos veremos novamente em primeiro de setembro.

 

A um gesto de Dumbledore, que estava na mesa dos professores, os uniformes dos alunos mudaram para vestes a rigor e os convidados dos formandos adentraram o Salão Principal, para a solenidade de formatura e o baile, que contaria com a presença de todos. Três bandas revezaram-se no palco, a “Mandrágora Selvagem”, o U2, com seus integrantes já bastante maduros, mas ainda em plena atividade e, diretamente do Mundo do Além, um grupo bastante eclético, formado por Jim Morrison, Ritchie Valens, Jimi Hendrix, John “Bonzo” Bonham, Elvis, Roy Orbison, Kurt Cobain, John Lennon e George Harrison. Falecidos roqueiros de peso, em uma apresentação possível somente na Bruxidade.

 

No dia seguinte a uma excelente festa, o Expresso de Hogwarts partiu, pontualmente, às 11:00 h, com sua composição completa, levando alunos, professores e convidados para Londres, todos bastante animados para as férias de verão.

No corredor de um dos vagões, uma discussão entre três sonserinos parecia que não acabaria bem.

—Você está traindo as tradições! _ disse Portman.

—Isso não tem mais a menor importância, cara! Até parece que vocês esperam pela ressurreição de Lord Voldemort!

—E por que não? _ perguntou Waverly _ Se o Diretor Black retornou do Mundo do Além, o Lorde das Trevas não poderia?

—Vocês estão engraçados, para não dizer ridículos. Parecem papagaios a repetir palavras marteladas em suas cabeças. Se isso é ser a nova geração da Ordem das Trevas, robôs teleguiados, dou graças a Deus e a Merlin por estar fora disso.

—Não se esqueça de quem eram seus pais e da importância que seu pai teve no retorno do Lorde. _ disse Waverly.

A fisionomia de roedor de Albert Pettigrew, pois era ele o alvo das críticas dos dois colegas, endureceu repentinamente e ele respondeu à altura.

—Não vou renegar meus pais, embora não os tenha conhecido, nem o sacrifício de Peter Pettigrew, doando parte de seu corpo para que Voldemort, a quem ele era leal, ressurgisse. Nem a devoção de minha mãe, Sibila Trelawney, que ajudou a planejar e executar o seqüestro da Profª Malfoy, aos dezesseis anos, para que o Lorde pudesse obter o diamante “Olho de Shiva”. _ disse o garoto _ Isso tudo já é de amplo conhecimento de toda a Bruxidade e também me foi relatado pelo Prof. Potter, por mais que meus parentes tenham tentado evitar que eu soubesse. Depois de pensar bem, concluí que essa devoção cega, que já era ridícula na época da Ordem das Trevas, agora é vergonhosa e indigna, sob as asas do Círculo Sombrio, facínoras sem outro ideal que não o poder e a fortuna por quaisquer meios, ainda que desonrosos.

—Você amoleceu, Albert Trelawney Pettigrew. Apaixonou-se por Leilane Jordan, aquela garota que tem um pé na...

—Se der uma de preconceituoso, eu te azaro aqui e agora, Portman! Eu estou avisando! _ disse Pettigrew, a mão movendo-se lenta, porém perigosamente, para o bolso das vestes.

—... Na Grifinória, era o que eu ia dizer, Albert. Ela é filha de uma sonserina, mas também de um grifinório, Linus Jordan.

A mão de Pettigrew parou seu movimento, mas não ficou distante do bolso da varinha.

—Bom. Se vocês dissessem alguma coisa sobre a cor da pele dela, seria o seu fim. _ disse Pettigrew _ Nem os Death Eaters discriminavam alguém por essas razões.

—Mas isso não muda o fato de que você, antes tão devoto, está mudando. Apaixonando-se, aceitando ajuda de Tiago Potter e dos Novos Marotos nos estudos... realmente, nem está parecendo ser o filho de seus pais.

—Eu sou filho de meus pais, mas eu não sou eles e nem nunca serei. Eu sou eu mesmo e isso é tudo. _ disse Albert Pettigrew, a mão novamente se movendo rumo ao bolso_ E mesmo eles, depois de terem sido presos, só quiseram cumprir sua pena e depois retornar para a vida, com sua dívida paga. E quanto a aceitar a ajuda do Potter, eu posso não morrer de amores por ele, mas não vejo mais razão alguma para continuar essa rixa idiota.

—Rompendo conosco, então? _ perguntou Portman.

—Está claro o bastante ou quer que eu desenhe? _ redarguiu Albert.

—Acho bom esquecer a ideia de tentar sacar a varinha. Nós estamos com as nossas na mão e você está em inferioridade. _ disse Waverly, a varinha apontada para Albert. Assim como o colega, Portman também estava em guarda.

—Waverly está certo. Você não deve... _ e Portman não terminou a frase. Caiu no chão, inconsciente, enquanto Waverly fazia a mesma coisa, ao lado dele.

 

Com um sorriso, Tiago Sirius Weasley Potter chegou perto de Albert Trelawney Pettigrew, depois de ter nocauteado os dois brutamontes com a pressão adequada em um centro nervoso do pescoço.

 

—Achei que estava acontecendo alguma coisa, pois ouvi o furdunço no corredor, quando abri a porta da cabine. Esses dois podem não saber por qual lado da varinha um feitiço é disparado, mas levam jeito de saber usar os punhos. E obrigado por confirmar que não morre de amores por mim. Ciça ficaria com ciúmes.

—Sempre o mesmo gozador, hein, Potter? _ comentou Pettigrew, com um sorriso _ Mas muito obrigado. Na verdade, eu me cansei dessa baboseira toda de “Jovem-da-Nova-e-Promissora-Geração-Trevosa”. Além do seu pai ter me contado os acontecimentos do passado, que ajudaram a abrir meus olhos, outras coisas ocorreram, coisas que não vêm ao caso citar agora. De qualquer forma, o que eu disse a eles está valendo. A Ordem das Trevas já não era bem vista sob o comando de Lord Voldemort, que ainda tinha uma visão até meio idealista. Com o Círculo Sombrio então, nem se fala. Eu soube de antigos trevosos tradicionais que resolveram ficar neutros, assim que souberam da pretensão do Círculo Sombrio de reerguer a Ordem das Trevas e dos métodos que estava utilizando.

—Sabe de algo que não sabemos? _ perguntou Tiago, com o mesmo olhar inquisidor de seu pai.

—Não, nada. _ desconversou Pettigrew, pois não era a hora de revelar o que sabia sobre o “Avatar das Trevas” e de como queria ajudar a libertá-lo das garras de “Escuridão”.

—OK. Venha para a nossa cabine, Leilane também está lá. Só vamos tirar esses dois do caminho, pois não ajudam em nada a decorar o corredor, bem pelo contrário. _ disse Tiago.

Arrastaram os dois para um dos banheiros magicamente ampliados do vagão, para dentro do qual foram jogados, sem muita cerimônia. Em seguida, foram para a cabine dos Novos Marotos.

—Potter, nós jogamos aqueles dois para dentro do banheiro masculino ou do feminino? _ perguntou Pettigrew.

—Sabe que eu não prestei atenção, Pettigrew? _ comentou Tiago, enquanto um coro de gritos alcançava os dois, quando estavam à porta da cabine.

—Acho que foi o feminino, Potter. _ disse Pettigrew, rindo.

—Olha, acho que você tem razão, Pettigrew. _ concordou Tiago, rindo tanto quanto o sonserino, enquanto entravam na cabine e fechavam a porta.

 

O Expresso de Hogwarts prosseguia devorando os trilhos, rumo a Londres.

 

As férias de verão prosseguiam. Harry e sua família haviam retornado de Kanagawa, onde passaram duas semanas na Hinata Sou, onde os moradores haviam gostado bastante de conhecer o restante da família Potter. Inclusive, Urashima Haruka e Seta Noriyasu estavam lá, ficando contentes por reencontrarem Harry, depois de tanto tempo. De volta a Godric’s Hollow, outro problema passou a ocupar a mente de Harry, o mistério sobre o descendente de Lord Voldemort e como fazer para libertá-lo do controle de “Escuridão”. Ele devia aquilo ao Lorde das Trevas, que sempre fora um iimigo feroz e perigoso, porém honrado.

—Não vem dormir, Harry? _ perguntou Gina, enquanto o ribombar de um trovão meio distante prenunciava mais uma tempestade de verão _ Ainda pensando no que você e Voldemort conversaram, lá no Limbo?

—Sim, Gina. Ainda estou pensando naquilo. _ respondeu Harry, abraçando e dando um beijo na esposa _ Voldemort não pôde me dizer tudo, pois está submetido a uma Cláusula de Submissão do Contrato, algo que foi acrescentado por “Escuridão”. Houve muito que ele apenas deixou subentendido, coisas sobre as quais terei de refletir e encaixar as peças que faltam no quebra-cabeça.

—Vai ficar um pouco mais na biblioteca, então? _ perguntou Gina.

—Sim. Eu sinto que estou próximo de uma resposta, mas ela ainda não está à vista. _ disse Harry, pegando um CD. Um Jukebox em formato MP3, com umas cento e vinte músicas.

—Não vai ouvir Dire Straits hoje? _ perguntou Gina, estranhando. Geralmente, quando refletia sobre algo importante, Harry gostava de ouvir Dire Straits, principalmente “Brothers in Arms”.

—Não, Gina. Sinto que hoje a mente está mais receptiva a New Age e Lounge Music. Este CD me foi enviado por um amigo, lá do Brasil, com uma compilação bastante boa. Tem umas sete horas de música aqui, para relaxar e pensar.

—Você vai precisar disto aqui. _ disse Gina, conjurando um bule de chá com um movimento da varinha _ Boa noite, vassourinha despenteada. Espero que encontre todas as respostas de que precisa.

—Eu também, pequena leoa. Eu também. _ disse Harry, novamente abraçando e beijando a esposa _ Muito obrigado pelo chá.

Depois que Gina saiu, Harry colocou o CD no aparelho e deixou o volume bem baixo, o suficiente para que a música calma e relaxante pudesse ser ouvida. Ao som do piano de Yanni, tentava penetrar o sentido oculto das palavras de Voldemort, já que muita coisa precisaria ser deduzida. Além disso, o bruxo sempre gostara de enigmas, até mesmo seu sobrenome, “Riddle”, remetia a eles. Lembrava-se de uma conversa que tivera com Sirius, na cerimônia de abertura do ano letivo, quando dissera ao padrinho e Diretor de Hogwarts que uma das coisas que mais o irritava era estar com uma resposta diante do nariz e só chegar a ela tarde demais.

Então, lembrou-se de que Voldemort lhe dissera quase a mesma coisa, que a essência de um enigma era a resposta estar diante da pessoa e somente se revelar na hora certa. O Lorde das Trevas frisara bem que aquela era a grande arte de um enigma, inclusive utilizara a expressão em Latim “ARS MAGNA”, “GRANDE ARTE”.

 

E se estivesse exatamente aí a pista que Lord Voldemort estava querendo dar sobre a identidade de seu descendente, justamente naquela expressão?

 

Tomando mais um gole de chá, enquanto a música de Yanni era substituída pela fusão de Rock e Canto Gregoriano do ERA, Harry se deteve justamente nas palavras “ARS MAGNA”. A pista certamente estava bem ali. Até que, quando a música do ERA terminou e começou “My Spirit Flies To You”, canção do álbum “Sakya Tashi Ling”, em cujo decorrer se inseriam mantras de Monges Budistas, um relâmpago, seguido de um trovão, pareceu iluminar sua mente com o caminho a seguir. “ARS MAGNA”... “ANAGRAMS”. “ANAGRAMAS”, era o caminho a seguir.

Lembrou-se, então, de que no reencontro dos Inseparáveis, cinco anos depois da formatura, quando Gina, Luna e Janine entraram juntas em trabalho de parto, Sirius dissera que a última notícia de Bellatrix viera da Moldávia. Depois souberam que ela havia morrido, em Londres. Certamente ela, naquele período, teria dado à luz ao descendente de Lord Voldemort, que involuntariamente ou não se tornara o “Avatar das Trevas”.

Uma ideia começava a tomar forma em sua mente, embora inconscientemente ele a rejeitasse, por considerá-la um absurdo, uma incoerência cronológica. Esvaziando a xícara e enchendo-a com mais chá, Harry Tiago Potter foi até a escrivaninha e pegou um bloco de anotações. De um porta-canetas, pegou uma lapiseira e começou a escrever, enquanto a ideia ficava mais nítida (“Qual é o equivalente de palavra, naquele idioma? Creio que... em nome de Merlin! Não pode ser! Mas tudo se encaixa”, pensou Harry).

Bellatrix não usaria o seu nome de casada para dar sobrenome a um filho ou filha de Voldemort. Também não utilizaria “Riddle”, pois Voldemort já dissera não gostar do nome de seu pai, um trouxa que renegara sua mãe, ao saber que ela era bruxa e que utilizara Amortentia nele.

Restava, então, o nome de solteira, “BLACK”. Mas tudo indicava que não estava em Inglês e sim, em outro idioma. Então, Harry revisou as palavras que acabara de escrever. Ao final, quase engasgou com o chá, ao acrescentar o equivalente em Italiano para “Black”.

 

TOM MARVOLO RIDDLE”.

 

IAM LORDVOL DEMORT”, “I AM LORD VOLDEMORT”.

 

MAR IELDORT MOLDOV”, “MARIEL DORT MOLDOV”.

 

MIR ELADORT MOLDOV”, “MIRELA DORT MOLDOV”.

 

Acrescentando o equivalente italiano, “NERO” a resposta ao enigma aparecia, diante dos seus olhos.

Lord Voldemort e Bellatrix Lestrange não haviam tido um, mas dois filhos, um casal de gêmeos. E um deles, Mariel, era o namorado de sua filha, Lílian. Com que meios mágicos conseguiram retardar a gravidez para que os gêmeos Nero nascessem no mesmo ano, quem sabe até no mesmo dia que os gêmeos Potter, ele não imaginava. Mas o fato era incontestável.

Mariel Dort Moldov Nero e Mirela Dort Moldov Nero eram os filhos, os descendentes de Lord Voldemort. E um deles certamente era o “Avatar das Trevas”, ainda que contra a vontade ou mesmo inconscientemente.

Naquele momento, a tempestade cessou. Gina e as crianças dormiam profundamente. O som da campainha trouxe Harry de volta à realidade e o bruxo foi atender à porta.

Ao abrir, deu de cara com Alvo Dumbledore.

—Harry, desculpe por vir incomodá-lo tão tarde. Mas preciso muito falar com você e tem de ser agora, impreterivelmente. Encontrei várias respostas e acho que você também encontrou outras. Como a tempestade já parou, vamos dar uma volta por Godric’s Hollow. Há coisas importantes para lhe dizer e lhe mostrar.





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