Bad Angel escrita por Miller


Capítulo 6
'Cause she disrupts my life


Notas iniciais do capítulo

Oiee lindões, como estão?
O capítulo veio um pouco antes do esperado só porque vocês foram uns lindos nos comentários *---*
Espero que gostem e que se divirtam tanto quanto eu ao escrevê-lo!
Enjoy!




James Potter

Não sabia exatamente o que fazer. Afinal de contas qual é a reação adequada a se ter quando um anjo da guarda parece estar à beira de um grande ataque de nervos?

Aquilo não era o tipo de coisa que se encontrava em manuais ou livros de autoajuda.

A garota/anjo parecia estar tendo um colapso. Tentei tocar nela, dar palmadinhas em suas costas, tentar acalmá-la, qualquer coisa. Mas minha mão simplesmente a atravessou como se ela não estivesse realmente ali.

O movimento fez um arrepio percorrer minha espinha, fazendo tudo aquilo parecer ainda mais real. E mais estranho. Senti um nó se formar em meu estômago, mas decidi ignorar. Afinal de contas a garota havia acabado de salvar a minha vida. Achei que ela merecia algum pouco de compreensão.

– Hey, vai ficar tudo bem – uma jogada de gênio eu admito. Dizer para um anjo que vai ficar tudo bem quando você não consegue nem atravessar a rua sem quase ser morto.

Parabéns James.

Ela suspirou fortemente, cerrando as mãos em punhos e logo as soltando – tentando se acalmar, creio eu –, antes de voltar a me encarar com seus grandes olhos verdes.

Podia dizer que eram bastante intimidantes, na verdade. A sensação que dava era de que ela poderia estar lendo minha alma. Então pensei que, talvez, ela estivesse mentindo quando disse que não conseguia ler meus pensamentos, então – de forma tosca, admito – tentei bloquear minha mente ou qualquer coisa do tipo.

Ela franziu a testa.

– O que está fazendo? – perguntou, assustando-me.

– O quê? – perguntei fazendo-me de desentendido.

– Sua expressão. Parece que comeu algo realmente ruim. Deveria parar com isso, não fica mais bonito – disse de forma displicente, um sorriso brincando em seus lábios ao final da frase.

– Você parece melhor – comentei de mau humor. Então talvez ela não estivesse mentindo, afinal de contas.

– Apenas não me lembro de absolutamente nada sobre o meu passado. Nem mesmo quem eu sou. Mas é claro que eu estou bem. Ótima, para falar a verdade – falou fazendo-me revirar seus olhos devido ao seu sarcasmo.

– Você não consegue ficar nem um segundo sem ser sarcástica? – perguntei, erguendo-me da cama e me afastando, tentando esconder o fato de que não havia superado o momento em que tentei tocá-la e ela não estava lá.

– Ah não. Parece-me que foi a única coisa que restou de minha verdadeira identidade, portanto não pretendo parar jamais – comentou e piscou logo em seguida, erguendo-se da cama, agindo de forma como se nada houvesse acontecido.

Senti-me um imbecil.

– Você não se lembra de nada? – perguntei um pouco receoso.

– Lembrar-me de quê, é a questão – ela disse e deu de ombros. – Não sei o que há para lembrar, nem se há algo realmente para lembrar.

Franzi a testa.

– Huh, isso parece confuso – eu disse.

Mais uma vez ela deu de ombros, no que pareceu ser uma mania – além de seu sarcasmo, obviamente.

– Não vem ao caso – ela disse como se falasse mais para si mesma do que para mim. Novamente, voltou seus olhos para mim. – Seu quarto é enorme. Presumo que deva ser rico – acrescentou de forma levemente interessada.

Foi minha vez de dar de ombros – imitando seu gesto de forma absolutamente sem querer.

– Meu pai – comentei de forma desinteressada. – Ele é ator – conclui de forma breve.

– Sério? – ela pareceu achar aquilo legal, o que me irritou um pouco.

Quero dizer, era realmente uma merda ter um pai conhecido mundialmente. Era quase impossível sair de casa sem ter, pelo menos, um par de paparazzi fotografando cada passo que dava, sem falar que era mais impossível ainda conseguir algum amigo que não estivesse mais interessado em meu dinheiro do que na minha amizade. Resumindo: uma droga.

– É – resmunguei e dei as costas para ela, indo para o outro lado do quarto, observando sem realmente ver minha coleção de CD’s. Quando finalmente voltei a encará-la, sua expressão era de incompreensão.

As reações eram sempre as mesmas e, mesmo ela sendo um ser celestial, imaginei que aquilo também seria estranho para ela.

Suspirei.

– É um saco – eu disse e ela continuou me encarando. – Não que venha ao caso – repeti sua frase.

– Ah, eu acho que vem ao caso sim – ela disse e foi minha vez de encará-la com incompreensão. Ela tinha as mãos na cintura e uma expressão professoral parecidíssima com a da minha professora McGonagall de álgebra quando estava prestes a me dar uma detenção. – Ao que parece nós teremos que passar um bom tempo juntos. Seremos parceiros – e sua boca franziu-se ao dizer isto, como se ela não gostasse muito da ideia. Eu também não gostava. – Portanto acredito que seria melhor se nos conhecêssemos, afinal de contas não é como se você pudesse realmente me ignorar – concluiu.

– Você tem um bom ponto – resmunguei. Meus ombros caíram e senti minha tensão escapar quando suspirei e disse: – é só que eu gostaria de ser normal às vezes. Ter uma casa do tamanho normal, com um pai que soubesse o meu nome e que odiasse a tecnologia e não vivesse grudado no celular falando com assessores e jornalistas idiotas que só querem saber da mais nova fofoca de sua vida para distorcer e lança-la na mídia a fim de ganhar dinheiro – disse tudo em um jato. Minha voz era tão inconformada que até mesmo eu senti pena de mim ao ouvir aquilo.

Sacudi-me mentalmente e a encarei. Ela me olhava para o nada como se não tivesse escutado nada do que eu havia dito.

– Que foi? – perguntei tentando entender porque ela estava daquele jeito.

Ergueu os olhos para mim, a testa franzida como se tentasse lembrar alguma coisa.

– Eu estava tentando lembrar... Meu nome – ela disse e meus olhos arregalaram.

Parecia ridículo, mas até aquele momento não havia me preocupado em saber qual o nome de minha mais nova protetora. Mais uma vez, senti-me um imbecil.

– E... Você lembrou? – perguntei levemente, tentando não soar muito interessado.

A garota balançou a cabeça em negação e eu me senti miserável.

Eu ali, reclamando de minha vida enquanto ela não parecia ser capaz de lembrar-se do próprio nome. Imaginei quão horrível me sentiria e uma pena gigantesca se abateu sobre mim.

– Você acha que eu tenho cara de que nome? – ela disse repentinamente, fazendo-me rir.

Era uma pergunta bastante idiota, para falar a verdade. Mas então percebi que ela estava falando sério – pois me encarava com os olhos faiscando, o que eu não achei um bom sinal, levando em consideração sua aparente super força – e me recompus.

– Talvez... Mel? – eu sugeri meio sem saber.

Franziu a testa.

– Não – disse meio desgostosa. – Jenny? – ela mesma sugeriu e foi minha vez de fazer uma careta.

– Não, eu não quero um anjo com o nome de uma ex. – Concluí e ela me encarou incrédula. – Quê? Ela era uma vadia.

– Se é assim que você fala das suas ex-namoradas, sinto-me honrada em não poder namorar ninguém – ela comentou e eu revirei os olhos.

– Lorena? – eu falei e ela prontamente negou. – Petúnia?

Ela balançou a cabeça como se o nome lhe causasse náuseas.

– Blergh, ODEIO Petúnias – disse com asco.

– Por quê? – perguntei sem entender.

Ela simplesmente deu de ombros e balançou a cabeça.

– Não sei, mas não gosto. Hm, Lily? – sugeriu, ficando estática no mesmo lugar até que sorriu. – Lily! É O MEU NOME! – berrou, assuntando-me.

Shh – eu coloquei um dedo sobre a boca e olhei para a porta como se esperasse que alguém fosse entrar.

Ouvi a gargalhada dela. Ela parecia muito mais feliz agora com um nome do que antes.

Seu riso era completamente escandaloso e me irritava.

Encarei-a indignado.

– Dã – ela disse e riu mais um pouco. – Ninguém pode me ouvir seu besta, só você – então riu novamente fazendo-me sentir um grande idiota.

Então, enquanto ela ainda parecia incapaz de parar de rir da minha cara, batidas soaram na porta de meu quarto, fazendo-me saltar. Lily então, finalmente parou de rir, franzindo o nariz como se algo a incomodasse.

– Ao que parece seus amigos pervertidos chegaram – resmungou e foi para o outro lado do quarto, como se não quisesse se misturar.

Então foi minha vez de rir enquanto me dirigia até a porta, feliz por ter pessoas normais perto de mim.

Sirius Black e Remus Lupin, meus dois melhores amigos, eram as únicas pessoas que eu conhecia que realmente não pareciam se importar com o fato de meu pai ser um dos atores mais cotados/ricos de Hollywood.

Eu os amava.

Okay, isto soou completamente gay, mas, bem, era a verdade.

Lancei um olhar para Lily, mas ela estava com sua expressão de tédio normal, então eu deduzi que ela não havia lido minha mente nem nada do tipo.

Abri a porta e os dois garotos entraram, ambos sorrindo.

Sirius se atirou na minha cama – como sempre fazia – e Remus sentou num pufe perto do computador.

– Ei caras – cumprimentei-os, sentando-me na poltrona perto de onde Remus estava sentado.

– James, você não vai acreditar no que aconteceu – Sirius disse, apoiando-se nos cotovelos enquanto me encarava com os olhos brilhando

Olhei para Remus de forma indagativa, mas este apenas deu de ombros.

– Ele conseguiu convencer tal de Marlene a vir para Londres conhece-lo – Lily resmungou do outro lado da sala (assustando-me completamente, devo acrescentar), e eu tentei não olhar em sua direção e manda-la para bem longe.

– Sabe aquela americana gostosa sobre a qual eu te falei? – Sirius disse e eu concordei com a cabeça enquanto tentava ignorar o bufo que Lily soltou ao ouvir o garoto falar. – Eu a convenci a vir para Londres me conhecer – ele disse.

– Na verdade a menina já estava vindo para cá, ele só marcou de sair com ela – Remus disse, fazendo Sirius revirar os olhos de forma incrédula.

– Qual é Rem! É óbvio que isso é mentira. Ela disse que estava vindo para cá porque uma amiga dela sofreu um acidente e havia sido transferida para o hospital em que o pai dela trabalha aqui em Londres, pois ele é especialista nestes casos – mais uma vez Sirius revirou os olhos. – Tem desculpa mais esfarrapada que essa? Por favor! Foi o meu charme.

– Imagino que essa Marlene não tenha poderes de ler mentes, porque se tivesse eu tenho certeza de que ela se mudaria para Marte para ficar longe desse energúmeno – Lily comentou irritada e eu fechei meus punhos tentando me concentrar nos meus amigos. Será que ela não podia ficar calada por, pelo menos, uns segundos?

– Pode ser verdade – disse fazendo-o bufar novamente.

– Aham – Sirius fingiu concordar. – Mas e ai, o que a gente vai fazer hoje? Tem a festa da Lucy e eu sei que vai ter um bando de garotas lindas só esperando pela gente.

– Eu devia imaginar que, com amigos desse tipo, você deveria ser um galinha mesmo – a garota falou em um suspiro, fazendo-me lançar um rápido olhar moral em sua direção. Admito que não deve ter funcionado muito bem, afinal de contas o ser divino era ela e não eu.

– Sirius, você só consegue pensar em garotas? – Remus resmungou parecendo entediado. – As provas do final do ano estão chegando, você devia se concentrar no seu futuro.

– Gostei desse ai – ela disse.

– Cale a boca – resmunguei baixinho, sentindo meu corpo começar a tremer de irritação. Ela não calava a maldita boca. Ou bendita, na verdade. Mas isso realmente não importava.

– O quê? – Remus perguntou sem entender.

– Nada – sorri amarelo para ele.

Remus deu de ombros e virou-se para Sirius que havia voltado a falar.

– Qual é Remus, é só a melhor festa do ano, nós não podemos perder – Sirius disse. – O James vai, não vai?

A verdade era que eu estava esperando aquela festa por semanas, mas, devido aos últimos acontecimentos eu não estava muito no clima. Sirius, porém, completamente alheio à minha nova condição perante o céu, decidiu por mim:

– A Lindsay vai estar lá e eu sei que você está louco por ela – disse.

– Oh, você ainda não conseguiu sair com ela? – Remus perguntou e eu suspirei.

– Não, ainda.

– Isso mesmo Jay! Este fato está prestes a mudar hoje à noite. – Sirius disse e deu uns tapinhas de incentivo em minhas costas. – Não tem ninguém que resista ao charme dos marotos.

– Vocês chamam a si mesmo de “marotos”? – Lily perguntou de forma surpresa. – Meu Deus, isso é completamente ridículo – falou. Aquilo acabou com qualquer resto de paciência que eu tinha naquele momento.

– Somente cale a boca! – disse rispidamente.

– Mas eu não falei nada James – Sirius disse fazendo-me encará-lo. Ele me observava em confusão.

– Não estou falando com você Sirius – resmunguei fazendo-o então mudar sua expressão para preocupação.

– Remus acho que o James enlouqueceu – disse com uma sobrancelha arqueada.

Bufei e revirei os olhos, tentando parecer indiferente.

– Ótimo, eu vou ir nessa festa – concordei mais para fazê-lo parar de me encarar daquela forma do que por vontade de ir à festa.

Lily então, rapidamente exclamou de forma indignada:

– Você não vai me obrigar a ir numa festa de imbecis, mas não mesmo!

Sorri enviezadamente, encarando-a pelo canto do olho. Ela parecia furiosa.

– Me esperem as oito na sua casa Sirius, vou passar para pegar vocês – continuei.

Achei justo, afinal de contas. Se Lily iria continuar a me fazer passar de idiota na frente de meus amigos, irritando-me além da conta, nada mais justo do que obriga-la a ir em um evento daqueles comigo.

Mas, obviamente, eu estava enganado.



Notas finais do capítulo

OBRIGADO mesmo por todos os reviews que recebi, sério, vocês são uns lindos. Infelizmente não tive tempo de respondê-los, mas li todos e os amei *--*
Não sejam leitores fantasmas bobões, comentem e digam o que estão pensando. Podem ter certeza de que vão fazer a autora aqui muito feliz!
Beijos da Mills :*