A Outra Face escrita por Yue Chan


Capítulo 45
45- Pesadelo


Notas iniciais do capítulo

Olá, meu povo lindo, sei que estou meio atrasada em minhas postagens, afinal minha intenção era postar um por dia, mas a situação está complicada para mim. Levei dois dias para escrever e ontem participei do protesto que houve em minha cidade, mas eis-me aqui, fazendo das tripas coração para continuar acordada e postar mais um capítulo.
No mais queria dizer que são lindos e eu amo vocês!



Aquilo só podia ser brincadeira. Mal tinha acabado de resolver um problema e outro tinha surgido.

Itachi estacionou a lamborguini e começou novamente a fazer ligações. Precisaria de toda a ajuda possível naquele momento, dessa vez o jogo seria mais arriscado.

Depois de eliminar e se livrar das provas, Itachi se desfez da arma do crime derretendo-a em um caldeirão fervente de uma metalurgica. Com cuidado retirou as luvas e as incinerou encerrando a sua parte naquela situação. Não era muito fã de assassinatoos, mas o ramo que seguia tinha apenas um ditado “matar ou morrer”.Na verdade eram dois, mas ele meio que ignorava o segundo por ser trágico demais, não concordava muito com a expressão “segredo de dois só matando um” preferia confiar no pessoal que o cercava para manter ordem. O medo de um possível assassinato por parte do patrão sempre criava um clima de insegurança e rebelião.

Foi na volta para casa que acabou se dando conta de algo muito importante.

Hiashi.

Aquele velho tinha tantas ligações com o submundo do crime que era impossível contar nos dedos. Com certeza ele não deixaria a humilhação que o fizeram sofrer passar impune. Haveriam retaliações. Itachi se pegou pensando em vários nomes que poderiam se tornar vitimas da vingança do Hyuuga, mas acabava por descartar a maioria por falta de sentido. Ele não atacaria qualquer um a qualquer hora, era um homem precavido e esperto demais para pisar na bola com tanta facilidade. Tinha que descobrir.

Itachi passou a maior parte da viagem de volta pensando, e já começava a desistir quando passou pelo nome de um suspeito muito provável. Sua reação foi a menos alegre possível. Era lógico que ele daria um jeito de chegar até Kenzo. Uma criança era sempre o alvo mais fácil de se pegar.

Pisou sem dó no acelerador fazendo a máquina rugir pelas estradas como uma fera selvagem e chegou em tempo recorde na mansão Uzumaki. Não foi difícil entrar, era conhecido pelos empregados, tinha ido naquele lugar inúemras vezes acompanhando seu pai. Disfarçou peguntando sobre o paradeiro de Naruto –que ele sabia que estava a milhas daquela casa- e depois de enrolar um pouco em uma conversa acabou descobrindo que o garoto que estava na mansão tinha sido levado até Naruto por um homem que portava um documento de liberação assinado pelo próprio Uzumaki. Era lógico que aquilo não tinha cabimento, Naruto nunca mandaria qualquer pessoa pegar seu único filho. Encerrou a conversa e guiou novamente pela estrada, agora com mas um problema para enfrentar, sabendo que dessa vez poderia não ter tanta sorte.

Não demorou para o celular tocar novamente. Em poucos minutos de conversa descobriu a localização do garoto. “Familia Matarazzo” realmente seria uma merda. Ligou mais uma vez pedindo reforços e armamento e desceu a ladeira em direção ao endereço indicado estacionando em frente a uma pizzaria italiana com uma grande placa e palavras em itálico. Atravessou a rua e entrou em outro carro que o aguardava na outra esquina. Seguiram algumas quadras até dar de frente com uma luxuosa mansão.

A permissão foi concedida imediatamente após a consulta com o chefe e o portão se abriu. Naquele gramado haviam mais jardineiros do que era realmente necessário. Itachi sabia que cada homem dentro daquele lugar portava uma arma e sabia atirar. Pena para eles, seu quantitativo de seguranças poderia ser menor, mas era trezentas vezes mais preparado, qualquer um dos seus subordinados seria capaz de acertar uma azeitona a dez metros de distância, e eram treinados para matar com apenas um tiro mirando sempre os pontos vitais.

Itachi foi levado até o chefe que estava sentado em uma poltrona escura em frente a uma lareira bebericando vinho. Em cada canto havia um segurança pronto para agir. Itachi fez um discreto sinal com as mãos para que  os guardas se espalhassem, queria ter o maior alcance caso algum tiroteio começasse. O homem era baixo e cultivava um bigode que daria inveja a muito mexicano. Como sempre estava impecável e usava um terno negro de listras.Ele se levantou e deixou que um grande sorriso se espalhasse em seu rosto.

_Gratia, gratia! A que devo a visita?- disse em italiano

_Aos negócios.- respondeu Itachi na mesma língua.

_Sempre eles, meu caro. Agora me diga está passando bem? Como vai a família?

_Sabe que não tenho família, senhor Frantchesco, sou um degenerado.

_Disto ninguém duvida. – soltou uma paquena risadinha amigavel- Mas diga, o que deseja ao me procurar?

_Apenas a devolução de uma criança perdida.

_Um bambine?Ora meu caro, eu não vejo um desses desde que despachei os meus para internatos. Sinto que talvez retorne de mãos vazias.

_Insisto para que procure melhor.

O olhar do homem pareceu perder um pouco do brilho.

_Ora, Utirrá, conhece a lei melhor do que eu. Esse jogo só pode ser jogado por um de nós. Nada de parceria.

_Conheço a lei, e é nela que me respaudo para pedir-lhe. Seja companheiro senhor Frantchesco e devolva-me o garoto- disse calmamente.

_Não quero me indispor com você, meu caro, mas tenho um contrato e a ele sou fiel.

_Esse contrato deve ser invalidado.

_Me pergunto porque.

_O mandante já fez um parecido há menos de vinte e quatro horas, e por causa dele o “chacais imundos” tiveram que ser eliminados.

_Chacais imundos? Você diz aquele bando de drogados? Não, peço que não me coloque no mesmo patamar que esses parvos. Bem sabes que somos de uma classe superior, eu e você.

_E quanto a lei. Não se pode pedir mais de um “trabalho” por vez.

_Vamos, vamos!- deu-lhe um imenso sorriso animado, embora Itachi pudesse perceber que por detras daqueles dentes imaculadamente brancos se escondia um monstro- A lei pode ser manipulada.

_Não as nossas.

_Per Dio Mio!- fingiu estar chocado- O que este bambine é seu? Seu filho?

_Pode-se dizer que sim.

O homem sorriu. Ambos sabiam que Itachi não tinha filho nenhum.

_Per favore Utirrá, não quero desavenças. Deixa as coisas como estão. O bambine está bene, foi encomendado pelo avô.

Não havia dúvidas de que Kenzo estava sendo bem tratado. Drogados e mafiosos tinham maneiras diferentes de tratar seus prisioneiros preciosos. Os convidados eram bem tratados até o momento em que fossem entregues ou se tornassem inúteis.

Francesco caminhou até a mesa de sinuca que havia na sala, pegou o bastão e se abaixou mirando as bolas que estavam previamente preparadas. Acendeu um cigarro e deu uma longa tragada. Logo em seguida, ainda observado por Itachi que se mantinha sempre em alerta, deu uma tacada encaçapando magistralmente três bolas. Levantou-se satisfeito e soltou a fumaça com prazer, voltando a tragar em seguida.

_Peço que reconsidere sua opinião – prosseguiu Itachi se aproximando da mesa e pegando uma das bolas com as mãos analisando-a com visível desinteresse- Gostaria de manter boas relações com a família Matarazzo. Seria perturbador se as cordas que nos unem fossem corrídas pela amargura.

Frantchesco Matarazzo deu outra baforada, dessa vez mais longa. Encarou o visistante nos olhos por alguns segundos procurando algum indício de blefe, mas não conseguiu encontrar por mais que se esforçasse. Havia anos que estava naquele ramo e o único que conseguia se manter imune as suas avaliações era Itachi. Mesmo que o encarasse por três dias seguidos sem descansar, ele tinha dúvidas de que encontraria alguma indicação do que se passava em seu âmago. Não gostava daquele olhar frio e traiçoeiro, ele com certeza poderia lhe trazer problemas em um futuro próximo.

_Podemos pensar em uma proposta, em consideração a nossa amizade. – disse se preparando para dar outra tacada. – Porém, entregar-lhe o bambine teria um preço. Se não entregar ao avô tenho que ser bem recompensado, para não ter... prejuízos. Sabe como é, não é?

_Estou disposto a pagar.

Um sorriso sinsitro se formou nos lábios finos e estreitos do homem. Aquilo sim era uma carta na manga. Deu a nova tacada e se afastou da mesa para se servir de mais um copo de bebida que foi oferecida a Itachi e dispensada com cortesia.

_Pois bem. – deu um gole e dessa vez olhou-o com o rosto sério. Era como se nunca tivesse sorrido na vida. – O que quero é a resposta de uma pergunta.

_Seja cauteloso com essa pergunta.

_O que você realmente é?

Dessa vez foi nos lábios de Itachi que o sorriso surgiu. Ele soube, desde o momento em que pisou naquele lugar e viu o chefe da família Matarazzo que a intenção dele não era deixá-lo sair vivo daquele lugar.Todos os “Grandes pais” o consideravam perigoso demais para viver, e aquela era uma oportunidade de ouro para se livrar do “Ceifador Silencioso”, apelido carinhoso concedido a Itachi pela falta de emoção com a qual despachava suas vítimas. Lembrou-se da primeira lei e encostou discretamente a mão na arma que estava sob o paletó. Em breve teria que sacá-la mais rápido do que um trovão. E ele o faria, com certeza. Depois da resposta dele só haveria uma pessoa que sairia daquela mansão andando com as próprias pernas e Itachi não tinha planos de sair dali em um esquife.

_Quer mesmo saber?

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Hinata estava em uma rua deserta. Olhou para os pés e percebeu que estava descalça. Tudo ao seu redor era preto e branco, como em um filme da década de cinquenta. Os cabelos estavam soltos e ela usava um simples vestido vermelho que rodopiava ao seu redor.

Caminhou por quilômetros sem saber o porque, seguindo um instinto natural que lhe atraia. Era um sonho, ela podia sentir na textura áspera do chão de mármore bruto. De repente parou encantada com a visão que se desabrocou a sua frente. Um lindo cisne branco caminhava pelas ruas. Suas penas eram magnificas e brilhavam como pérolas. Sentiu paz a olhar para aquele animal e até uma certa nostalgia, como estar na presença de um ente querido.

Mas algo assustador aconteceu.

Um urro raivoso ecoou pelas paredes de pedra que montavam as casas e muros daquela estranha rua, quebrando o silêcio mortal que reinava. Sem avisar, um borrão laranja passou pelos seus olhos em direção ao indefeso cisne. Hinata tentou gritar, mas o som havia abandonado suas cordas vocais e ela assistiu impotente a fera laranja despedaçar brutalmente o cisne para logo em seguida fugir com ele entre os dentes, deixando para trás apenas a violências das penas manchadas de sange largadas no chão.

Outro som, dessa vez mais agudo e assustador fez Hinata olhar para o céu onde  viu um borrão negro seguir em direção a fera alaranjada na mesma velocidade vertiginosa. Em choque pelo que viu, passou a mão pelos olhos e sentiu uma pontada de dor. Levou a mão ao ombro sentindo o tecido úmido. Um grito mudo escapou de seus lábios ao perceber que era sangue. Outras pontadas vieram trazendo consigo uma dor lancinante. Era como ser rasgada por dentes afiadissímos, embora não houvesse nada nem ninguém ao seu lado.

A dor era insuportável. Seus lábios se abriam, mas nenhum som escapava.

Hinata acordou gritando.

Quando abriu os olhos eles estavam marejados de lágrimas e os cabelos e roupas empapados de suor. Naruto lhe sacudia pedindo que acordasse. Seu primeiro instinto foi se jogar em seu colo chorando apavorada. A dor era tão real que ainda sentia a carne queimando como se estivesse sendo rasgada.

_Hinata se acalme, foi apenas um pesadelo.

Ela quis falar, mas se lembrou do sonho e teve medo de que sua voz não saísse. Foi preciso quase vinte minutos de aconchego para que sua respiração normalizasse. Ao sentir-se mais tranquila afastou-se do colo de Naruto com cuidado. Não podia ser grossa com ele depois dele demonstrar tanto carinho, mas não podia se dar ao luxo de parecer uma criança apavorada com um temporal.

_Foi horrível-disse ainda temerosa depois da crise. Queria compartilhar com Naruto do seu temor, porém, depois de analisar um pouco mais percebeu que não valia a pena ficar remoendo um simples sonho, por mais real que tivesse parecido.

Naruto segurou seu queixo com delicadeza fazendo-a olhar em seus olhos.

_Quer me contar?

_Não, foi algo bobo, não tem mais importância.

A resposta pareceu não convencê-lo, mas depois de algum tempo ele relaxou deixando um suspiro cansado escapar por seus lábios.

_Tudo bem, se não quiser contar não vou obrigá-la.-deu-lhe um beijo na testa- Se precisar de mim estarei na cozinha.

Antes que Naruto se levanta-se da cama, Hinata abraçou-o mais uma vez.

_Obrigada por estar sendo tão gentil.

Ele apenas sorriu de volta, passando-lhe a mão pelos cabelos negros.

_Não me agradeça, você fez muito mais por mim do que eu poderia fazer por você em toda a minha vida. Só estou tentando recompensar.

Recompensar?Hinata sabia que ele não disse aquela palavra com a intenção de parecer indiferente, mesmo assim sentiu triste. Uma parte dela, que ganhava força cada vez mais, queria que ele olhasse nos olhos dela e a tomasse para si para nunca mais largar. A mesma parte que tinha esperança de um dia tonar a estar nos braços dele para sempre. Felizmente isso acontecia poucas vezes o que significava que a parte lógica de seu cérebro ainda mantinha controle sobre sua personalidade. Não podia se tornar aquela adolescente boba novamente.

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Naruto desceu novamente as escadas. Estava tenso com a situação de Kenzo e ainda não tinha tido coragem suficiente para contar a Hinata. Serviu-se de uísque tomando dois copos de uma só vez enquanto observava o bilhete  a sua frente. Pegou-o da mesa de centro e analisou-o por dois minutos rodando o papel com a informação de onde deveria encontrar o sequestrador para reaver seu pequeno garoto. Seria capaz de entregar todo o dinheiro que tinha se fosse preciso, mas ainda não sabia o valor que ele desejava obter em troca do menino.

Sentado no sofá acabou adormecendo e acordou apenas com os primeiros raios de sol. Levantou-se assustado olhando o relógio para não perder a hora de atender o telefone. Ele ligaria novamente as oito da manhã. Por sorte ainda havia uma hora para isso.

As oito horas em ponto o telefone tocou fazendo Naruto voar em direção ao aparelho. A voz continuava firme e marcava um encontro com ele em um shopping. Mesmo achando estranha a escolha do lugar, Naruto não discutiu com ele.

Deixou um bilhete para Hinata e saiu. Minutos mais tarde estava no local marcado. O celular tocou novamente e ele atendeu ansioso por alguma pista para se encontrarem. A voz disse apenas.

_Não olhe para trás. Está sendo seguido.



Notas finais do capítulo

Então?O que esperam? Estou meio que ficando sem idéias aqui, se alguém puder contribuir com sua veia mágica de criações pode ficar a vontade. A tia Yue Chan agradece a compreensão.