A Outra Face escrita por Yue Chan


Capítulo 40
40- Acordo


Notas iniciais do capítulo

Olá meu povo, esse negócio de postar rápido está me dando uma canseira!



Os dedos batiam nervosamente na mesa.

A vontade de beber veio mais forte, e dessa vez não foi contida. Sem muita cerimônia ele se aproximou da mesa, abriu uma garrafa de Dom Perignon e entornou no copo virando tudo de  uma só vez. A mente deu um estalo e rodou por alguns instantes devido a velocidade com o que virara o copo. Mais uma dose e dessa vez a sensação de girar foi menos avassaladora. Ele iria beber tudo, entornar todas as garrafas da casa se preciso fosse. Precisava escapar daquele sentimento terrível de culpa.

Era como se ainda estivesse com o telefone na mão ouvindo as tolices daquelas pessoas estúpidas.

_Onde está Hinata?-Hiashi disse nervoso- O acordo era que ela estaria aqui às sete da noite.

_Desculpe chefia, mas o acordo mudou.

_Mudou? Como assim mudou? Não pode ter mudado o acordo assim do nada, não foi o que conversamos.

_Não, mas eu decidi tomar um novo rumo. Sabe como é, eu preciso viver e todos os meios são ilícitos. Ainda mais você disse que estaria limpo voltar com ela, e não estava.

_Impossível, Hinata sempre volta sozinha.

_Sim, mas tem um cão de guarda da nossa cola e não podemos vacilar.

_Vocês já vacilaram. Agora tragam Hinata aqui imediatamente ou não vão viver para contemplar outro nascer do sol.

_A parada não vai ser assim não, chefia. Foi trabalhoso buscar a garota, agora queremos o pagamento merecido.

_Eu não vou fazer o que vocês querem, estão ouvindo? Não são vocês que decidem sobre o que deve ou não ser, não são pagos para pensar.

_Se não quiser a nossa proposta podemos considerar em mirar a oferta para a família Uzumaki. Tenho certeza de que eles não vão recusar.

_Vocês não seriam estúpidos o suficiente para tentar a sorte contra mim.

_Pode apostar que sim chefia, para gente como nós não existem muitas escolhas. Agora reconsidere e nós entramos em contato novamente.

Não houve tempo para réplica, antes que Hiashi pensasse em algo para falar os bandidos desligaram o telefone deixando-o confuso e irado.

A primeira reação do Hyuuga foi mandar para a outra dimensão o que estava ao alcance de sua mão, dessa maneira transformou em cacos um antigo vaso de relicário.

Depois de se sentar na luxuosa cadeira, ele ergueu mais um copo da bebida que desceu rasgando pela sua goela. Tão amarga e reconfortante ao mesmo tempo.

Pelos próximos vinte minutos ele observou o próprio reflexo distorcido pelas formas curvas da garrafa. Tinha tomado uma escolha péssima, jamais deveria ter confiado em drogados para realizar aquele serviço, mesmo que os mesmos drogados já lhe tenham  quebrado outros galhos semelhantes a esse.

Mas o quinto copo virado foi o suficiente para trazê-lo de volta a realidade. Não deveria estar ali se lamentando, tinha que agir, levantar a cabeça e mostrar a todos o porque de ser um homem temido naquela região.

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Se havia algo que não falhara nunca era a intuição de Itachi, e a sua intuição dizia que o porco que atendia pelo nome de Hyuuga Hiashi tinha relação com o desaparecimento de Hinata. Tinha tantas certeza disso que se estivesse em uma mesa de jogo apostaria todas as suas melhores fichas que ele era o mandante e culpado.

Logicamente, Itachi não pensava que Hiashi seria burro o suficiente para manter a filha refém se quisesse falar com ela, assim como sabia que algo devia ter dado errado com a teia de infomantes de dele. Ele podia ser obsessivo e obcecado com leves toques de sadismo e punhados de arrogâncias, mas não era burro de manter a filha cativa por nada, sabendo que algo assim só iria gerar mais inimizades. Não, algo com certeza tinha dado errado.

Os dois se dirigiram em silêncio até a residência luxuosa dos Hyuuga. Foi difícil passar pela segurança normalmente, então Itachi improvisou recitando um dos mais famosos nomes de sua lista mental de importância. Felizmente o segurança achou que não havia nada de suspeito nos dois e que Itachi realmente se parecia com um dos sócios de Hiashi  que havia conhecido naquela manhã liberando a passagem para os dois.

O carro deslizou até a entrada da mansão onde foram anunciados pela empregada. Dessa vez Itachi utilizou os nomes corretos.

_Diga ao seu patrão que viemos para uma reunião de última hora.

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Hinata sentiu a boca amarga. Os olhos estavam turvos e não havia força em seu corpo para se movimentar. Era como ter a mente fora do ar. A medida que a visão voltava ao normal ela tentava reconhecer o espaço ao seu redor. Apenas uma fresta de luz atravessava o que parecia ser o teto. Um som familiar encheu seus ouvidos.

Cinco minutos depois, com a consciência voltando ao normal, ela sentiu o estômago embrulhar ao perceber onde estava. O coração palpitou e ela tentou gritar, mas o máximo de som que produzia era um pedido abafado. As lágrimas escorreram pelos olhos de terror. Sabia que estava em um porta malas, sabia que que estava em movimento, mas não sabia para onde estava sendo levada.

Dentro do carro os sequestradores conversavam preocupados. Tinham visto carros suspeitos se aproximando do local onde estavam. Sem titubear, colocaram Hinata no porta malas e saíram pela auto estrada. Sem ter certeza de que tinham conseguido despistar os carros suspeitos,  temiam estar sendo seguidos e observados e se afastavam cada vez mais da capital.

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 Hiashi considerava as opções em sua longa lista de possibilidades quando foi informado da chegada dos dois.

_Senhor, dois homens lá fora estão dizendo que vieram de uma reunião importante de última hora.

_Eu não marquei nenhuma reunião. Despessa-os imediatamente, não tenho tempo para lidar com ninguém agora.

A mulher fez um sinal respeitoso ao abaixar a cabeça em obediência, mas antes que pudesse sair da sala viu os dois homens entrarem sem anunciação.

_Eu marquei a reunião, Hyuuga Hiashi.- Itachi disse com a voz mais fria que nunca. Mirava o homem nos olhos como se olhasse para um monte de estrume- E o senhor não tem escolha.

Hiashi acreditava que o seu dia não podia ser pior até mirar os dois na porta. Não gostava de nenhum deles, principalmente do Uzumaki que destruiu a vida de sua filha. Fez sinal para que a empregada se retirasse.

_O que fazem aqui?

_Viemos tratar de negócios. – disse simplesmente.

Mesmo depois de ser advertido por Itachi a não tomar nenhuma atitude estúpida enquanto estivesse na casa do Hyuuga, estava sendo difícil para Naruto manter a tranquilidade ao olhar para a cara daquele porco nascisista. Na tentativa de se controlar apertava os punhos com tanta força que parecia querer partir a mão em duas. A face normalmente sorridente e amigável tinha se transformado em uma carranca de poucos amigos que levou Hiashi a considerar com quem estava falando. Ele se manteria em silêncio o máximo possível. Deixaria o Uchiha lidar com a situação do jeito dele como havia pedido, caso contrário deixaria os punhos falar com a cara daquele troglodita estúpido.

Apesar da idade, Hiashi ainda mantinha um físico preparado, não seria pego por um garoto. Pelo menos não com facilidade. Olhava irado de um para o outro preparado para qualquer evetualidade.

_Saiam daqui imediatamente!- ordenou em fúria para os dois. Normalmente mantinha a postura, mas ver aqueles dois lhe tirava do sério.

_Não até sabermos onde está Hinata.- Itachi disse sem se mover um centímeto.

_Como posso saber onde ela está? Caso tenha esquecido ela cortou contato comigo há muitos anos.

Naruto ainda se mantinha alerta. Não tinha tanta certeza quanto Itachi de que Hiashi era o responsável pelo sumiço de Hinata. Apesar de acreditar no julgamento do Uchiha tinha que ter certeza antes de mandar aquele velho para o hospital.

_Não se faça de tolo, Hiashi, não está lidando com um dos seus subordinados estúpidos. Nós dois sabemos que você mantem vigias na cola de Hinata que lhe passam informações sobre ela.

Aquela fala mexeu com Naruto. Não podia ser verdade, Hiashi parecia ser muito convincente ao afirmar para Deus e o mundo que não se importava com a filha ingrata que, segundo ele, tinha fugido de casa sem motivo aparente.

_Porque eu faria isso?

_Por causa de sua natureza manipuladora. Tudo o que diz respeito ao seu nome você monitora cuidadosamente. Agora diga:Onde está Hinata?

_O que está querendo insinuar?

_Que o senhor, Hyuuga Hiashi, mandou sequestrar sua filha.

As palavras pareceram flutuar por um instante interminável antes do som que Hiashi provocou ao dar um soco na mesa de carvalho do seu escritório quebrasse o silêncio. Seus olhos castanhos brilhavam indignados.

_Você tem a pachorra de vir na minha casa sem ser convidado trazendo esse... esse moleque com você e ainda me acusa de sequestrar a minha filha?Que provas tem contra mim?

_ Ainda nenhuma, mas vou encontrar. Eu vim lhe oferecer um acordo.

_Eu não faço acordos com calhordas como vocês!

_Não vamos chegar em lugar algum com isso. O acordo é simples: Você diz onde Hinata está e abafamos esse caso, ou me deixa descobrir e sofre o peso das consequências.

_Está me ameaçando?

_Estou avisando. Mesmo o senhor deve saber que um acordo assim é difícil de negar.

_Cale-se Uchiha, você já passou dos limites. Saiam daqui imediatamente, os dois!

_Reconsidere. Não estamos com tempo para discutir, enquanto falamos Hinata pode estar sendo violentado ou pior. Aceite o acordo para o bem das duas partes. Não me agrada fazer algo assim por você, mas...

_Mas nada!Pegue esse acordo e o enfie no....

O sangue subiu a cabeça e, antes que Itachi pudesse impedir, Naruto partiu para cima de Hiashi.

Pego de surpresa pela velocidade e fúria que o Uzumaki demonstrou Hiashi não teve tempo de se defender do soco que veio em sua direção. A cabeça explodiu de dor e por um instante tudo pareceu fora da realidade. O mundo ainda girava quando sentiu o corpo ser empurrado contra a parede da sala para depois ser erguido do chão. Quando a visão entrou em foco ele se viu frente a frente com olhos azuis aterrorizantes e nervosos que congelaram suas ações. Há muitos anos, muitos mesmo, não via um olhar com ódio tão genuíno.

Naruto mantinha o desgraçado suspenso no ar pelo colarinho. Não sabia que tinha força para isso e não se importava com o possível desconforto que podia trazer a ele, nem que o rosto orgulhoso do homem tivesse passado de um pardo natural para o vermelho sufocante. Queria a resposta,  mesmo que precisasse matá-lo para isso.

Itachi não se moveu um milimetro. Sabia que não adiantaria tentar tirar Hiashi das mãos do Uzumaki naquela momento.

Hiashi sentiu falta de ar quando o corpo foi rebatido novamente contra a parede. As mãos que o prendiam pareciam ser feitas de pedra. Os olhos azuis ameaçadores não davam trégua e mexiam com sua capacidade de raciocinar.

_Escute aqui seu velho desgraçado, eu tenho um novo acordo. Ou você me diz onde está Hinata ou eu mato você.



Notas finais do capítulo

Espero que estejam curtindo!
Tia Yue quer mais recomendações, está insaciável! Se estiver a toa e gostar da história pode fazer o meu sonho se tornar realidade.

Não esqueçam de comentar. Beijos!