Just In One Direction escrita por CostaSalazar


Capítulo 141
Capítulo 141


Notas iniciais do capítulo

Olá! Desculpem o tanto de tempo sem postar nenhum capítulo, mas aqui está, como prometido! :)




Entretanto o dia passou. Era Sábado, o dia do funeral de Sylvia. Naturalmente, Zayn tinha de ir prestar a última homenagem à mãe da filha dele. Sofia não o deixou ir sozinho. À hora marcada já lá estavam eles. O rapaz sabia que lá iria encontrar a família dela e que tinha por obrigação falar com eles, mostrar-lhe as condolências e responsabilizar-se enquanto pai de Jane. Mas tendo-os à frente dele, foi complicado. Sentia-se de alguma forma culpado pelo que tinha acontecido, culpado pelo sofrimento daquela família.

- Anda, eu vou contigo. – Tentava encorajá-lo Sofia. – Vai tudo correr bem. Só lhes tens de dizer que sentes pela perda deles e que mais tarde tendes de falar sobre a Jane.

Ele olhou para ela como para conseguir que ela lhe transmitisse alguma coragem, mas alguém de repente os interrompeu.

- Desculpa, tu é que és o Zayn?

Ele olhou para a rapariga e, pensado que ela se tratava de alguém da família de Sylvia, repondeu afirmativamente.

- Desculpa se interrompi alguma coisa, mas eu desde do dia em que a Sylvia… bem, tu sabes; que eu preciso falar contigo. Eu sou a Hermione, uma grande amiga dela.

- Sim, claro. Mas tem de ser agora? É que acho que não é o local nem a altura adquadas.

- Claro, tens razão. Mas tem de ser o mais depressa possível. Acredita: é para teu bem.

Zayn olhou para a namorada trocando o olhar de preocupação pelo que a rapariga teria para lhes contar, enquanto esta se afastou.

- O que será agora? – Preocupa-se ele.

- Deve ser alguma coisa sobre a bebé ou assim.

- Tenho a sensação que também já a vi em algum lado.

- Deve ser do nome. Como potterhead que és, deves estar a confundir com a Hermione do Harry Potter… - Brinca ela tentando arrancar-lhe um sorriso, com sucesso.

- Talvez… Mas agora tenho mesmo de lá ir falar com os avós da Jane antes do enterro.

Com algum receio, o rapaz caminhou até ao casal que chorava a morte da filha.

- Desculpem… - Chamou-lhes ele a tenção. – Antes de mais, os meus pêsames.

- Obrigado. – Agradeceu o homem.

- E quem é o menino? - Perguntou a mãe de Sylvia.

- Eu sou Zayn. O pai da filha da Sylvia.

O casal trocou um olhar confuso.

- Zayn? – Perguntou a mulher.

O pai de Sylvia interrompeu a resposta do rapaz.

- Pois. Nós estivemos já no hospital ontem à noite para conhecer a menina. Estavamos na Alemanha e só ontem conseguimos chegar a Londres…

- É uma bonita bebé… - Acrescentou, orgulhoso, o muçulmano. – Aliás, eu sei que não é agora o momento, mas gostaria de falar convosco sobre ela.

- Claro, claro. – Concordou o homem.

No entanto, a mãe de Sylvia, continuava a olhá-lo desconfiada desde que ele lhe disse que era o pai de Jane.

- Bem, eu vou deixar-vos, até porque certamente outras pessoas querem vir falar convosco. Foi um prazer conhecer-vos se bem que não nas melhores circunstâncias...

-x-x-x-

Liam e Danielle iam lanchar fora com Niall e Débora. Quando o rapaz de Wolverhampton chegou à casa da namorada, trazia um embrulho em que ela logo reparou.

- Tudo bem amor? – Perguntou-lhe ele depois do beijo com que a cumprimentou.

- Tudo. – Respondeu ela sem tirar os olhos do embrulho. – E o que é isso?

- Ah… Isto é para ti.

- Para mim?

- Sim.

- Mas eu não faço anos, nem é dia de aniversário de namoro, nem nada…

- Eu sei. Apeteceu-me fazer um agradinho à minha namorada. Posso, não posso?

- Claro. – Ri-se ela.

- Espero que gostes.

Ela pegou no embrulho e lentamente o abriu. Depois de aberto começou a rir-se.

- Não gostaste? – Preocupou-se ele – É da cor que não gostas? Eu posso levar para trocar, eles devem trocar…

- Não é isso parvinho… Gostei, muito! Obrigada.

Liam tinha-lhe dado uma escova de dentes igual à sua. Uma escova de dentes com luzinhas.

- Depois da conversa de ontem achei que podíamos ter os dois uma escova de dentes igual. Assim também já sabes o quão fixe é lavar os dentes com ela. Acredita que é diferente.

Ela pôs os braços dela em volta do pescoço dele:

- Adoro-te. És o namorado mais fofinho do mundo.

-x-x-x-

Entretanto, o funeral de Sylvia tinha acabado e toda a gente abandonava o cemitério com as lágrimas nos olhos e a murmurar uns com os outros o quão triste era abandonar o mundo tão nova, deixando uma filha por criar.

Enquanto Zayn e Sofia caminhavam para o carro, a rapariga que os abordara e de que eles já se tinham esquecido, Hermione, voltou a chamar por Zayn. O casal olhou para trás, viu-a e pararam à espera que ela se aproximasse deles.

- Desculpa novamente, mas podes falar agora? Eu sei que sou chata, mas é mesmo muito importante e sei que me vais agradecer depois.

- Por mim tudo bem… Mas queres ir para algum café ou assim?

- Não, não. Podemos falar já aqui.

- Bem, eu vou para o carro. – Disponibiliza-se Sofia. – Eu espero-te lá, Zayn.

Ele sorriu-lhe agradecendo o gesto de confiança dela ao deixá-lo a sós com a rapariga que não conheciam de lado nenhum.

- E então?

- Eu vou direta ao ponto para depois te explicar todas as dúvidas com que vais, de certeza, ficar. A fillha da Sylvia, que tu pensas ser tua filha, não é tua filha.

Sem saber como reagir, o rapaz riu-se.

- Isto pode parecer-te estúpido, mas eu não estou a brincar. Estou a falar muito a sério.

- Mas como assim? Ela disse-me que era minha filha. Como podes vir tu agora dizer o contrário?

- É uma longa história e eu estou aqui para te contar.

- Tenho todo o tempo para te ouvir.

- A Sylvia teve um namorado, Oliver é o nome dele. Enfim, eles tinham uma relação um bocado complicada. Ela amava-o, mas ele… Tinha dias que parecia, mas no fundo, no fundo ele não queria saber dela para nada. Ela bem tentava que ele olhasse para ela de outra forma, mas ele só queria sexo. Farta de que ele só a usasse quando lhe apetecesse para depois passar a vida com os amigos na borga, a fumar charros e apanhar bebedeiras, dormir fora de casa praticamente todos os dias, ela decidiu fazer o mesmo para ver se ele começava a sentir o mesmo na pele. Foi por essa altura que ela te encontrou na discoteca numa festa qualquer que já não me lembro. Eu estava lá. Ela, nessa altura, andava louca, mesmo! Tudo o que queria era “vingar-se” do Oliver. Quando a prima dela te apresentou a ela, o famoso Zayn Malik, o “mulherengo da turma dela com um olhar irresistível” de que ela já tanto lhe tinha falado, a Sylvia não quis mais nada a noite toda. Lembro-me bem das trinta por uma linha que ela fez para chamar a tua atenção! De resto, deves saber melhor que eu o que se passou nessa noite. Entretanto, poucos dias depois ela descobriu que estava grávida de duas semanas. Teu filho não poderia ser.

O muçulmano ficou completamente confuso! Aquilo só podia ser uma piada! E de muito mau gosto, por sinal. No entanto, decidiu continuar a ouvi-la para ver onde aquilo chegava.

- Então o porquê disto tudo?

- Pois… É que o Oliver não quis assumir responsabilidade nenhuma. Para piorar, ela morava com ele contra a vontade dos pais. Aliás, deixou de falar com eles só para ficar com o Oliver. Eles não gostavam dele. Nessa altura, orgulhosa como era, também não lhes quis dar a notícia do bebé e então veio viver comigo. A pobre coitada estava completamente perdida. Uma avó dela foi quem a foi ajudando financeiramente e também afetivamente. No entanto, tinha a plena noção de que não iria conseguir criar a criança sozinha. Certo dia, não há muito tempo, estava eu a chegar da universidade e ela confrontou-me com uma ideia que me pareceu a coisa mais absurda que eu já tinha ouvido: vir ter contigo e dizer-te que tu eras o pai. Pelas contas dela, não faria muita diferença do dia em que engravidou para o dia em que esteve contigo...

Estava cada vez mais confuso. Por muito que um pouco desconfiado, começava a sentir uma revolta contra a rapariga que tinha visto a ser enterrada há minutos atrás. 

- Mas porquê eu?

- Porque ela sabia que tu tinhas dinheiro. Isto pode soar mal, mas ela precisava de alguém que a ajudasse financeiramente. Ela não era má pessoa, daí o aparecer tão tarde. Tu foste o último recurso. Ela não tinha como pagar nada para o bebé que estava mesmo a nascer. Orgulhosa como era, não queria recorrer aos pais. Sabia que ia ouvir “eu avisei-te, porque é que te meteste com esse crápula, bla bla bla…”. Ela tinha uma personalidade muito forte e não gostava de ficar por baixo. Isso para ela era morrer.

Zayn ficou incrédulo, não sabia o que dizer. Realmente a história, se bem que um pouco rebuscada, fazia sentido. Não sabia se ficar triste ou se feliz. No fundo, estava aliviado, mas também preocupado com o futuro daquela criança a quem já dedicava algum afeto. Para todos os efeitos, há dois dias que era filha dele. Mas seria tuado aquilo verdade? Era muito estranha toda aquela história...

- Eu podia ter falado contigo no hospital no dia em que a Sylvia morreu. Eu estava lá. Fui eu que a acompanhei ao hospital. Eu vi-te a sair com a enfermeira da sala de partos. Reparei que estavas em choque e eu própria não fiquei bem ao aperceber-me do que se tinha passado. Ela era a minha melhor amiga. Por isso deixei para falar contigo depois. - Confessa ela com uma lágrima no canto do olho.

- Mas porquê que me estás a contar isto tudo? Porquê que não deixaste ficar como ela quis?

- Eu não ficaria bem com a minha consciência de ver a filha da Sylvia a ser criada por um desconhecido. Tal como sabia também, e por isso é que eu era determinantemente contra tudo isto, que tu tinhas namorada. A Karen estava muitas vezes connosco. A Sylvia estava sempre informada sobre o que se passava contigo.

- Ela tinha-me dito que estava chateada com a prima... - Contra-argumenta ele revoltado contra a falecida.

- Foi só para que a história que te contou fizesse sentido. Ela pensou em tudo muito bem antes de pôr o plano em prática.

- Eu… Eu não sei o que diga.

- Só não quero que fiques com má imagem da Sylvia. Foi errado o que ela fez, mas foi por necessidade… talvez também um pouco de orgulho, para não recorrer aos pais...

E Zayn começava a lembrar-se da morte dela. De tudo o que tinha assistido, das últimas palavras dela.

- Ela tentou avisar-me quando… Foi por isso que me pediu desculpa. Agora sim, faz sentido.

- Tudo o que te estou a contar é a mais pura das verdades. Não quero o teu mal. Não ganho nada com isso. E, como te disse, não ia ficar de bem com a minha consciência de saber isto tudo e não agir.

- Estou completamente perdido nas minhas ideias…

- Acredito que seja difícil de processar, mas tudo o que te posso dizer, para o caso de não acreditares no que te digo, é para fazeres um teste de ADN. Depois de tanta confusão, acho que precisas mesmo da prova dos nove.

- Mas e a bebé? Como é que ela vai ficar?

- Eu conheço os pais da Sylvia há vários anos. São pessoas excelentes. Tenho a certeza de que vão tomar conta dela. Eu também vou falar com eles e explicar-te tudo o que expliquei. Os pobres coitados também estão numa fase complicada de processamento de muita informação. Eles nem sabiam que a filha estava grávida. Estavam na Alemanha já há algum tempo com o filho mais velho que mora lá. Fui eu que lhes tive de contar tudo. O pai dela queria matar o Oliver! E esse, também, vai ter de assumir a responsabilidade de pai. Dê por onde der! Eu vou lá estar sempre como primeira testemunha de que ele é que é o pai.

- Bem… Nem sei mais o que te dizer. Isto é uma história de loucos!

Ela riu-se.

- A Sylvia era perita em complicações. Vou ter muitas saudades daquela maluca. Mas a vida continua. E tenho de ir embora agora.

- Eu também. Obrigado por tudo Hermione.

Ela sorriu-lhe e foi-se embora deixando-o a olhar para o nada e a pensar em tudo. A confusão instalara-se na cabeça do muçulmano. Num dia metalizou-se que tinha uma filha e que teria de se encarregar de a educar sozinho, e no outro já não tem filha nenhuma… Sentia-se num filme, completamente. 



Notas finais do capítulo

Esperemos que tenham gostado... Deixem-nos os vossos cometários!
O próximo capítulo será publicado Sábado.
Um assustador Halloween para todas! :3



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