Just In One Direction escrita por CostaSalazar


Capítulo 1
Capítulo 1





Acabara-se o 12º ano - começava um novo ciclo na vida daqueles amigos. Que outra melhor forma teriam para festejar isso se não com uma viagem a Inglaterra? Era um sonho de viagem de finalistas! Sofia e Gina é que organizaram tudo, com a ajuda de Lúcia.

Sofia tinha uma óptima notícia para dar a Gina, pelo que lhe telefonou, mas a amiga não lhe atendeu. Então continuou com os seus afazeres até que ouve o seu telemóvel a tocar. Pensando que era Gina, corre para atender mas fica desiludida ao constatar que era Vitor, o seu namorado. Como as coisas não andavam muito bem entre eles decidiu não atender. Quando o telemóvel parou de tocar, recebeu logo de seguida outra chamada: era Gina desta vez. Entusiasmada Sofia atende e conta a Gina a boa notícia:

– Gina! Conseguimos! Prepara as malas: nós vamos para Londres! Angariamos o dinheiro necessário!

Um grito ouve-se do outro lado da linha:

– Vou já contar à Lúcia! Ela vai ficar bué contente também. Aliás, todo o pessoal vai ficar eufórico!

– Já estive a ver os voos na Net e encomendei os bilhetes para o final deste mês.

– Mal posso esperar! - Responde Gina super entusiasmada.

Neste momento de excitação, Sofia ouve a campainha a tocar. Foi a sua mãe que foi abrir a porta e por isso continuou a conversar com Gina. Surpresa quando vê Vitor a entrar no seu quarto. Muito chateada por vê-lo ali, despede-se de Gina e pousa o telemóvel na cama:

– O que é que estás a fazer aqui? – Pergunta-lhe ela com uma voz chateada.

– Precisamos de falar. – Responde-lhe ele.

– Parece-me que não temos mais nada para falar um com o outro. – Diz-lhe ela com um ar indiferente.

– Não me podes fazer isso, ouve-me por favor! Eu prometo que vou mudar…

– Desculpa? Não te chegou um ano inteiro? Tantas promessas de que irias mudar e eu, feita burra, sempre caí nelas… Estou farta, Vitor, farta! – Interrompe-o ela.

– Eu sei que fiz muitas asneiras mas eu posso compensar-te. Dá-me mais uma oportunidade. Eu amo-te! – Dirige-se ele a ela tentando beijá-la.

Sofia revoltada com aquela tentativa de Vitor, dá-lhe um estalo.

– Pára! Ainda não entendeste? Acabou! Segue a tua vida e deixa-me viver a minha. – Diz-lhe Sofia com as lágrimas nos olhos.

Vitor, com a mão na cara, olha nos olhos dela profundamente, vira-lhe costas e vai-se embora. Aquele olhar feriu-a na alma. Ela sabia que tinha de fazer aquilo. Ele não mandava na vida dela, não a podia impedir de fazer aquela viagem só por uns mesquinhos ciúmes. É certo que não era esse o único motivo para ela reagir daquela forma com ele, mas foi a gota de água. E além disso sabia que se ele tentava impedi-la agora de fazer uma simples viagem com os amigos, as coisas iriam piorar quando ela fosse para a universidade e se afastasse dele. Por isso era melhor que acabassem desde já para não se magoarem mais. E Sofia, deitada na cama, com a cabeça de baixo da almofada, lembrava-se das palavras que Gina lhe dissera na noite anterior: “Tipo, entendo o que ele pode estar a sentir mas ele está a ser muito egoísta. Na minha opinião, e atenção que é só a minha opinião, devias aproveitar esta vossa discussão e seguires a tua vida. Se ele te amar realmente vai acabar por cair em si e aprovar a tua decisão. Mas não cedas até à ida para a Universidade. Até porque… Eu não estou a insinuar nada mas as coisas são como são. As relações à distância não dão certo. Tu vais lá estar um ano inteiro e ele cá. Tudo bem, que não vais para outro mundo e que provavelmente vais vir cá todos os fins-de-semana, mas é possível que vocês, tu ou ele… ninguém pode dizer desta água não beberei… Que um de vocês, ou mesmo os dois, encontrem outra pessoa. Pode-se dizer mesmo que é muito provável que tanto um como outro se envolvam com outras pessoas, por muito que até não se apaixonem. Mas será traição na mesma. Tu vais para a universidade Sofia! Universidade! Sabes como é: festas, álcool, rapazes… E ele… enfim: é rapaz, e eles são todos iguais: não podem ver um rabo de saia. E se ele tivesse sempre sido um bom namorado, ainda valia a pena ficares com ele, mas ele foi sempre um grande estúpido. E tu sabes, toda a gente te diz: tu mereces melhor que ele.”


Chegou o grande dia. Os amigos estavam a minutos de Londres. O ambiente no avião entre eles estava carregado de euforia, de ansiedade, de excitação e, para alguns, de nervosismo por estarem dentro de “uma lata voadora”. Só Sofia é que, com a cabeça encostada à janela, teve um momento mais nostálgico, em que as lágrimas lhe vieram aos olhos. Nesse momento lembrou-se de Vitor. Já não falava com ele desde aquela cena no seu quarto, há um mês. Sabia que ele perguntara por si a amigas suas, inclusive a Gina e a Lúcia, mas era apenas o que sabia e também, de cada vez que lhe falavam do Vitor, ela interrompia dizendo que não queria saber nada sobre ele. Estava realmente decidida a dar o ponto final naquela história em que tanto sofrera. Mas estava agora ali, no avião, quase a chegar a Inglaterra, naquele ambiente de alegria, com muitos dos seus amigos e com os olhos cheios de água – talvez fosse a derradeira despedida. Jurou naquele momento que desde que pusesse pé fora daquele avião nunca mais verteria lágrima por ele, que o iria esquecer para sempre.

Chegaram finalmente. Estavam em Londres! Pareciam crianças num parque temático. Quando invadiram as ruas da cidade, fizeram-nas suas: fotografavam, corriam, brincavam uns com os outros… E assim foi o primeiro dia.

No dia seguinte ainda andaram todos juntos a visitar aquela grandiosa cidade. Parecia outro mundo, bem diferente de Portugal. No entanto, nos dias seguintes acabaram por se dividir em grupos mais pequenos. É que nem todos queriam visitar os mesmos sítios. Só à noite se juntavam todos para jantar – era o horário “sagrado” para eles, em que todos dividiam as experiências que tinham tido ao longo do dia. Era um grupo grandinho, de 16 amigos, pelo que ocupavam uma boa parte da sala de jantar do hotel. Depois, havia quem fosse dar uma volta, quem fosse para o quarto enfiar-se nos computadores, quem fosse até bares ou discotecas ou então reuniam-se num grupinho num quarto para socializar. E, claro, havia também os casalinhos que se enfiavam num quarto sozinhos para namorarem um pouquinho.

Lúcia, Gina e Sofia eram um dos grupinhos. As três belas raparigas definiram como objectivo conhecer o máximo de Londres e contactar com a cultura e as gentes inglesas. Quem sabe se naquela semana ficariam a falar bem melhor inglês? E conhecer um ou outro rapazinho mais bonito também não era de se negar.

A meio daquela fantástica semana as três viram-se perante uma oportunidade incrível: a universidade estava a oferecer bolsas de estudo. Só tinham de fazer o exame de admissão e esperar os resultados. Elas ainda hesitaram mas acabaram por ir tentar a sorte. Era realmente uma oportunidade única.

Sofia, Gina e Lúcia entraram, pediram informações e começaram a preencher os boletins de candidatura. Depois de tudo preenchido, as três foram entregar, só que Gina esquecera-se de preencher algo, pelo que teve de voltar atrás para completar. Depois de ter tudo em ordem dirigiu-se novamente à funcionária responsável pelas inscrições, só que ia distraída ainda a rever o boletim e ao passar por uma porta, esta abre-se batendo contra ela. As folhas que Gina tinha nas mãos espalharam-se pelo chão. Ela ia a apanhá-las quando repara que o rapaz que abrira a porta que batera contra si a está a ajudar:

– Oh, desculpa! Não estava à espera que alguém estivesse a passar pela porta. – Diz-lhe o rapaz que ia apanhando as folhas.

Gina levanta-se e ainda meio atarantada diz-lhe:

– Esquece, não foi nada. Desculpa eu, que sou sempre a mesma distraída.

– Mas estás mesmo bem? Não te magoei, pois não? – Preocupa-se o rapaz.

– A sério, está tudo bem. – Responde-lhe a bela morena ainda atarantada e, pegando-lhe as folhas das mãos, tentando ir-se embora.

– Ah! Ainda bem. Espera, não fujas! – Pede-lhe ele agarrando-a no braço.

Ela olhou nos verdes olhos dele e fez-lhe a vontade. Seguiram-se uns segundos de silêncio, em que esperaram ambos que o outro falasse. Foi ele que quebrou o silêncio:

– Eu sou o Harry. E tu? – Pergunta-lhe ele intensificando o seu olhar, tornando-o conquistador.

– Sou a Gina. – Responde-lhe ela mostrando-se pouco interessada. Achou-o simpático, bonito, com os seus caracóis castanhos e os olhos verdes… Nunca antes tinha visto um rapaz com um olhar tão atraente aliás, mas não lhe queria mostrar interesse.

– Não és inglesa pois não? – Pergunta-lhe ele estranhando o seu sotaque.

– Portuguesa. – Explica-lhe ela deixando finalmente transparecer um sorriso.

– Então Gina? Despachas-te ou não? Daqui a bocado temos de ir fazer o exame! – Alerta-a Lúcia vinda da casa de banho com Sofia.

– Ah? Vou já, vou já! Tenho só de entregar isto. Ide indo que eu já lá vou ter. - Responde-lhe Gina.

– Bem… Parece-me que tenho de ir. Adeus! – Despede-se ela do rapaz apressadamente.

– Mas, espera… - Ainda tentou ele, mas em vão, pois ela já não ouviu.