Consultas. escrita por Nine


Capítulo 5
Capítulo 5.


Notas iniciais do capítulo

Olá, bonitas! Como estão? *-*
por conta do movimento de rewiens (que alias, a ocupada aqui não respondeu, me sinto uma traidora u.u -n)eu trouxe esse capt mais cedo.
Adorei todas as rewiens que recebi, e agradeço por cada pessoa que mandou. Eu adoro vocês, guris.
sem mais delongas,
enjoy!



Consultas

I didn't know I was looking for love until I found you, honey.


"Porque sim." – essa era a resposta que Sasuke mais odiava receber no mundo, e era a que seu irmão mais lhe dava sem realmente dar a mínima para o que ele estava pensando ou para o ódio que aquelas simples duas palavras incitavam no âmago de seu ser. Na verdade, duvidava muito que Itachi se importasse com alguma coisa, mas por via das dúvidas enganava-se dizendo que sim.

Horas antes – mais especificamente três horas e vinte e sete minutos atrás – Sasuke havia tido a infelicidade de ser informado de que teria que atender a um evento de caridade em uma casa para crianças doentes da cidade. Caridade. No Domingo. Não que ele fosse assim tão insensível, o problema todo consistia no fato dele odiar gente abraçando, agradecendo, chorando, brincando e principalmente falando o tempo todo. Preferia muito mais só mandar o dinheiro e ler a carta de agradecimento que seguiria, e depois dar uma boa olhada nas fotos para saber como exatamente seu dinheiro estava sendo empregado... Ou simplesmente mandar alguém no seu lugar – aquela era, em sua opinião, a opção mais válida, correta e considerável.

Suspirou pesadamente enquanto olhava para o lado de fora do carro e analisava por mais de uma vez a fachada da tal casa de ajuda e ponderava sobre entrar agora ou enrolar por mais dez minutos ali fora... De uma maneira ou de outra teria que ir lá e ficar adiando a tortura só pioraria a coisa.

Levantou-se lentamente, caminhando na direção das escadas como se estivesse indo para o abate e parando na porta por mais alguns segundos até finalmente decidir entrar.

"-..." – olhou para baixo quando uma criança segurou sua mão e sorriu.

Ele não gostava de crianças e lembrava-se vagamente de já ter mencionado aquilo para quase todas as pessoas ao seu redor, relatando inclusive os motivos pelos quais detestava tê-las por perto. Aquele lugar em especial, forrado delas, seria definitivamente um martírio ou coisa pior.

Não soube por que não retesou ou simplesmente repeliu o gorducho que estava agarrado à sua mão, talvez fosse porque ele estava a segurando com uma avidez que ele não via há séculos, mas o fato é que fora praticamente guiado até uma salinha cheia de brinquedos – e, inevitavelmente, crianças. Torceu o nariz levemente e varreu o cômodo com seus olhos escuros, procurando por um lugar confortável e se possível isolado no qual pudesse se sentar, e foi com grande desapontamento que constatou que aquilo não existia ali. Ah, qual é... Nem mesmo um quartinho do castigo? Aquilo era extremamente necessário quando se lidava com projetos de gente.

Resolveu por sentar-se em um lugar qualquer, e não demorou muito para que os pequenos diabinhos o cercassem fazendo centenas de milhares de perguntas ao mesmo tempo. Dentre as tantas vozes que esfaqueavam seus tímpanos, uma em especial o fez voltar-se para trás em uma velocidade recorde.

"-Sasuke."

Demorou pelo menos um minuto até conseguir falar alguma coisa tão logo pousou seus olhos sobre a dona daquela voz.

"-O que está fazendo aqui?" – perguntou, apontando ao redor como se estivesse em uma espécie de universo paralelo cujo qual ela acabava de invadir. Sinceramente? Aquela garota parecia onipresente, quase como se ela soubesse todos os lugares nos quais ele estaria e fizesse questão de chegar lá primeiro só para poder ter o prazer de ver a incredulidade estampada em sua cara quando o avistava.

Maldita – e com ênfase na palavra – pediatra do estetoscópio verde limão e dos cabelos cor-de-rosa.

Ele teria aumentado sua lista de pragas, mas a porta – da desesperança, ele acrescentou mentalmente, para deleite de sua própria desgraça – à sua direita se abriu e o som estridente de mais dezenas de crianças gritando ao mesmo tempo atingiu seus ouvidos dessa vez como um milhão de farpas, fazendo-o torcer o nariz ao passo que a garota ria.

Ria. Em mais um momento inoportuno, completamente isento de graça e repleto de terror; onde anões em crescimento agarravam sua calça ou o puxavam pela mão falando coisas sem sentido como 'vamos brincar no pula-pula!' ou 'tá com você, tio!' e até mesmo 'titio, pode ler a história do lobo-mau pra mim?'. Ah... Ele devia mesmo ter feito algo muito ruim na chamada vida anterior para estar merecendo as coisas que estavam acontecendo na sua vida ultimamente...

"-Você não leva jeito com crianças, não é mesmo?" – ela era quase o capitão óbvio, e Sasuke não fez questão nenhuma de responder. Até porque tinha coisas mais importantes com que se preocupar, entre elas livrar-se daqueles fedelhos grudentos o mais rápido possível. Se já evitava ficar perto de seu próprio afilhado por muito tempo deveria ficar evidente que sua afinidade com crianças era nula... Mas Itachi – ah, o maldito – insistia em colocá-lo em situações desagradáveis como aquela. Podia apostar que ele pagaria alguns milhões pelas fitas de segurança daquele lugar só para poder rir das imagens depois e atormentá-lo para o resto do ano.

"-Porque não tenta ler uma história para elas?" – e enquanto ela sorria ele estreitava os olhos para ela. Só podia ser uma piada, só podia.

Procurou por algum indício de 'Ok Sasuke, eu estava brincando' na feição que ela havia tomado, mas tudo o que encontrou foi um 'Vá em frente'. Olhou das crianças para o livro e do livro para as crianças por pelo menos cinco vezes até finalmente estender o braço para pegá-lo. Pois bem, se aquilo os faria calar a boca... Era um preço que estava disposto a pagar no momento, uma vez que outras formas de atuação se provavam bem ineficazes.

Com um suspiro resignado leu o título, desviando os olhos levemente para um gorduchinho mais agitado – o mesmo que agarrara sua mão na entrada - que exclamou que 'adorava aquela história'.

"-Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho, que tinha esse apelido pois desde pequenina gostava de usar chapéus e capas desta cor." – girou os olhos por um breve momento, aquele livro era tão óbvio quanto a doutora Haruno. Só um daltônico não conseguiria nomear o motivo da garota idiota ser chamada daquele jeito, uma vez que livros pra criança eram sempre infestados de imagens. – "Um dia, sua mãe pediu: Querida, sua avó está doente, por isso preparei aqueles doces, biscoitos, pãezinhos e frutas que estão na cestinha. Você poderia levar à casa dela?" – parou novamente. A mãe era o que, aleijada? Aquilo era abuso de trabalho infantil.

Sasuke sentiu-se de repente tentado a fechar o livro, mas desistiu quando outra mãozinha quente e miúda se colocou sobre a sua e uma garotinha loira lhe sorriu. Nas últimas semanas havia chego à conclusão de que detestava sorrisos e o alto poder de convencimento que tinham sobre ele.

"-Continua, tio!"

Desde pequeno ouvira histórias de sua mãe de que o inferno era um lugar horrível onde as pessoas eram torturadas das mais diversas formas possíveis, rodeadas de demônios e... Bem, aquela menina mais parecia um anjinho, e também a situação não era assim tão ruim. Quer dizer, a coisa toda poderia ser pior, e aquela história até que era interessante – e nada infantil, na sua mais sincera opinião.

Depois se perguntavam por que as crianças cresciam cheias de problemas... Honestamente? Era só dar uma boa lida naquelas porcarias infantis que elas ficavam ouvindo o dia todo. Podia enumerar as mensagens subliminares e os temas para maiores que aquela inocente garotinha da cesta de comida e da capa vermelha continha. Aliás, vermelho era cor de comunista e...

"-Tio?"

"-Hn. Claro." – ele virou a página do livro e respirou fundo antes de continuar.

Em um resumo bem mal feito a garota estúpida pega o caminho errado – provavelmente por descuido, falta de sinalização ou simplesmente retardo mental – e acaba se encontrando com o lobo mau que usa de psicologia barata para convencê-la de que na realidade era um ser adorável da floresta – como a tapada pôde ignorar os caninos gigantes e o porte dele Sasuke realmente não conseguia compreender –; então ele fica sabendo aonde a velhota mora, chega lá antes, come ela, faz um cosplay dela e fica esperando a garota incompetente chegar para comê-la também. Depois de um diálogo completo de perguntas óbvias e respostas evasivas, o animal irracional parte pra investida, mas no final chega um lenhador surgido do além e salva todo mundo, abre a barriga do lobo e tira a velha de lá de dentro.

Adorável.


Foi com alívio que constatou que a pirralhada toda havia ficado satisfeita com sua narração e agora tinham encontrado outra coisa com que se ocupar, o deixando livre para enfim respirar aliviado e em paz.

"-Desde quando aquilo é uma história infantil?" – desviou os olhos para ela levemente, completamente indignado. – "Um lobo come uma velha indefesa viva."

"-...Ei, ela foi salva e saiu intacta, ok?"

"-Ah, certo... E o suco gástrico daquele animal foi parar onde? Me surpreende a velha ter saído inteira. Além do mais, que família desestruturada deixaria uma criança retardada sair sozinha? É patético. E aquele lenhador é brutal, o direito dos animais deveria prevalecer por mais que eu deteste a grande maioria deles. O lobo estúpido só estava fazendo o que os lobos fazem: comendo coisas que se movem, se as duas inúteis se tornaram parte do seu cardápio, ótimo!, isso se chama seleção natural."

E quando deu por si ela estava rindo. Na verdade, ela estava gargalhando... E era da cara dele.

"-Acho que nunca ouvi você falar tanta coisa de uma vez só. Aliás, acho que nunca ouvi você falar direito... Fica mais bonito quando não está sendo ranzinza, deveria praticar mais." – parou de caminhar de maneira inconsciente. Era o que ganhava por expor suas opiniões tão deliberadamente para uma estranha... Uma quase estranha, na verdade.

Aliás, ranzinza? Ou seus ouvidos haviam sido danificados demais por aqueles pirralhos ou ele estava simplesmente ouvindo coisas erradas. Quando notou que ela estava tomando o caminho contrário ao do estacionamento arqueou uma sobrancelha.

"-...Onde está indo?" – a pergunta praticamente escapara de seus lábios. Não era comum para ele deixar coisas escaparem assim, mas perto dela parecia que aquilo havia se tornado sua mais nova tendência. E, novamente, se viu praguejando mentalmente contra ela.

"-Pra casa?" – ela parou, cruzando os braços e o fitando de maneira reprovadora, e aquilo fez com que ele arqueasse a outra sobrancelha também. – "Sasuke, nosso apartamento é a cinco quadras daqui, não me diga que veio de carro...?"

Ele não respondeu pelo simples fato daquela pergunta não merecer uma resposta. Não era elementar que ele tinha vindo de carro? Cinco quadras nos dias de hoje poderiam significar muita coisa: algum maluco podia te assaltar, você podia ser atacado por alguém, atropelado, vítima de bala perdida... E também ele odiava caminhar – certo, aquela talvez fosse a única explicação aceitável.

Grunhiu qualquer coisa de difícil compreensão e deu as costas para ela enquanto tomava o caminho do estacionamento novamente, a idéia de pedir se ela queria uma carona cruzando sua mente por um instante e o fazendo parar e voltar-se para onde ela estava... Mas Sakura já estava longe demais para ouvi-lo.

Meneou a cabeça levemente enquanto respirava fundo. O fato dela não ser nem um pouco igual a todas as mulheres do mundo o incomodava... Definitivamente.

Mas talvez - e apenas talvez - ele estivesse gostando de ser incomodado.



Notas finais do capítulo

E ai, meninas, gostaram? Me digam atravez de um rewien, sim? ;3
dependendo do movimento dos rewiens, trago o proximo capt rapidinho. (:
Esse capitulo é um dos meus preferidos, rs. O Sasuke consegue acabar com uma historia pra crianças, e a Sakura chama ele de ranzianda.
É O FIM DA PICADA! -q
vou-me indo...
xoxo ~



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