Os Cinco Marotos escrita por Cassandra_Liars


Capítulo 96
Doze Anos Depois- Capítulo 1- Ele está em Hogwarts


Notas iniciais do capítulo

Acho que hoje estou me sentindo particularmente bondosa. kkkkkk Mais um capítulo em menos de vinte e quatro horas. Estou muito feliz que minha imaginação esteja funcionando hoje :D



Almofadinhas abriu os olhos subitamente e levantou depressa, ouvindo os passos que vinham andando pelo correr e que se aproximavam de sua cela cada vez mais. Seus olhos cinza se arregalaram um tanto enquanto mentalizava o feitiço e com um gemido voltava a forma humana depois de tanto tempo.

Era estranho voltar a ter braços e pernas e não patas. Era estranho não ter mais um focinho ou rabo. Mas, de certa forma, era gratificante voltar à forma humana.

Sirius se aproximou das grades da cela e esticou o pescoço para fora, tentando ver quem se aproximava.

Eram passos humanos, estava convencido disso. E Sirius ansiava por vida humana depois de tanto tempo, mesmo que não fosse encontrar ninguém de quem gostasse. Qualquer um já era o bastante para fazê-lo se sentir melhor.

Mas, foi decepcionante quando ele viu que se tratava apenas de Fudge. Mais um ano se passara e Fudge estava lá para fazer mais uma inspeção, começar tudo de novo. Aquilo queria apenas dizer que um novo ano como os que ele já passaria estaria para começar.

E, sinceramente, ele preferia morrer naquele momento.

A vida era realmente injusta. Os que não deviam morrer, os que tinham ainda uma vida inteira pela frente padeciam por males menores. E Sirius, que já não aguentava mais a vida e não tinha mais nada de produtivo para fazer, ainda tinha longos anos de vida pela frente.

_Olá, ministro. - Sirius cumprimentou, meramente entediado, quando Fugde passou na frente de sua cela. - Como vai o mundo lá fora?

O homem baixo e começando a perder os cabelos grisalhos olhou assustado para Sirius. Com toda a certeza não esperava que algum dos prisioneiros de Azkaban estivesse tão bem mentalmente, conseguindo falar e racionar e não apenas se encolher em um canto e murmurar coisas sem sentido no escuro.

_O-o que você d-disse? - ele questionou, parecendo desconfortável.

_Perguntei como está o mundo lá fora. - ele repetiu. - Não que faça muita diferença de qualquer jeito, uma vez que eu não vou sair daqui.

Fudge não respondeu. Apenas continuou olhando o outro como assombrado.

Ele quase ria por dentro. Como era engraçado que o homem corpulento continuasse tão confuso e sem entender nada. Ah, se ele soubesse de seu segredo

Foi quando Sirius percebeu na penumbra que Fudge carregava um jornal consigo. Olhou para o papel com interesse e cobiça, antes de finalmente pedi-lo.

_Você quer isso? - perguntou Fudge, a voz em um fio agora, como se pudesse desmaiar a qualquer momento.

_Eu sinto falta das palavras cruzadas. - o prisioneiro disse, colocando os longos cabelos para trás. Então riu com ironia quando o ministro não se mexeu. - Isso não pode fazer mal algum. Não lhe custaria muito me dar um jornal! Eu tenho a eternidade para apodrecer aqui. - ele disse com toda a ironia que conseguiu reunir na voz rouca.

Por fim, e com a mão trêmula, Fudge entregou o Profeta Diário a Sirius antes de ir embora acompanhado por dois dementadores, parecendo atordoado.

Achando graça do efeito que produzira no homem e satisfeito por ter conseguido o jornal, Sirius encostou-se à parede úmida e estendeu o papel a sua frente, passando os olhos rapidamente pelas notícias sem conseguir enxergar muito bem com a escuridão do local. Porém, lá estava, logo na primeira página, a imagem de vários bruxos juntos vestindo o que pareciam roupas egípcias. Mas não foi com a quantidade de filhos que Sirius se surpreendeu, foi com o rato no ombro de um deles.

Não podia ser, devia ter enxergado errado. Devia ter sido a pouca luz, seus olhos pouco acostumados, ou qualquer coisa do tipo. Não podia ser, não podia

Aquele rato...

Sirius se aproximou mais do jornal e conseguiu ver a pata dianteira dele. Se não se enganava muito, voltava um dedinho

Convenceu-se então de que infelizmente estava certo. Aquele era Peter. Não podia e não devia ser, mas todo o resto indicava que era ele mesmo.

Leu a manchete com as mãos trêmulas, vendo que o garoto que carregava Rabicho ia para Hogwarts e ele não conseguiu reprimir um sorriso ao lembrar-se da escola e que provavelmente levaria Peter com ele.

Procurou desesperadamente a data no jornal e foi uma sensação de desprazer que ele viu o ano.

Mil novecentos e noventa e três.

Fazia doze anos que estavam ali... Doze anos que os Potter haviam morrido e deixado Harry com apenas um ano órfão. Um Harry que naquela época já devia ter seus treze anos...

Sirius começou a passar mal quando ligou os fatos. Harry tinha treze anos, o que queria dizer que já devia estar em Hogwarts. E Peter estava em Hogwarts. Pronto para matar o garoto ao menor sinal de que Voldemort estivesse voltando, acabar com o último Potter...

Não. Entre todas as coisas que Sirius não podia deixar acontecer, aquela estava no topo de tudo.

E ninguém sabia disso que não ele. Ninguém podia impedir Peter que não ele. Mas ele estava em Azkaban, precisava sair de Azkaban...

Foi naquele momento que ele tomou uma decisão que mudaria sua vida. Naquela noite fugiria de Azkaban. Dane-se que ninguém nunca fizera isso antes. Nenhum Black jamais tinha ido para Grifinória antes dele, mas Sirius o fizera. Talvez fosse um mal seu quebrar antigas tradições.

Ele não conseguia pensar em mais nada. Tudo o que ele tinha em mente era que precisava deter Peter e salvar Harry. E aquilo não era um pensamento feliz, era uma obsessão, então os dementadores não podiam tirar dele. Sua mente se clareou como um flash e ele conseguiu pensar direito como não fazia havia doze anos.

_Ele está em Hogwarts. - Sirius murmurou e era a única coisa que conseguia pensar. - Ele está em Hogwarts...
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Harry Potter era, em alguns aspectos, o que se podia chamar de garoto normal. Não havia nada de especial nos cabelos negros sempre bagunçados que caiam nos olhos verdes ou na baixa altura e peso para a idade ou nos óculos redondos no rosto. Na verdade, a única coisa em sua aparência que indicava que havia algo errado com ele, era a cicatriz fininha na testa em formato de raio.

A verdade era que Harry não era como os outros garotos de treze anos. Ele era especial. Especial não só porque podia fazer magia e era um bruxo, havia mais do que isso. Harry era especial porque fora o único que sobrevivera a uma maldição da morte e derrotada o Lorde das Trevas com apenas um ano. Era por esse motivo que era conhecido por todo o mundo bruxo.

Mas ao contrário do que podia parecer, não era um garoto arrogante e metido. Fora criado pelos horríveis tios trouxas já que na noite em que Você-Sabe-Quem caíra, seus pais haviam morrido. Desde modo apenas ficou sabendo sobre sua verdadeira condição apenas dois anos antes, e ainda não se acostumara cem por cem com a ideia de ser famoso.

Aos onze anos, conhecera o gigante Hagrid que o levou Hogwarts, maior a escola de magia que existe. Lá fez alguns amigos, mas virou amigo particularmente de Hermione Granger a nascida-trouxa mais inteligente do ano deles e Ron Weasley um bruxo de cabelos vermelhos e mais irmãos que se pode contar em uma mão.

Parecia, porém, que Harry atraía coisas ruins. Desde sua chegada à Hogwarts já havia enfrentado cães de três cabeças, trasgos, professores malucos, aranhas e cobras gigantes e mortais, além de algumas vezes Voldemort em pessoa ou o que restara dele.

O seu terceiro ano em Hogwarts, entretanto, parecia prometer. Nada de ruim poderia acontecer. Agora Harry, Ron e Hermione estavam no Beco Diagonal, comprando seus materiais para o novo ano. Os três aproveitaram então, para ir à Animais Mágicos, onde a garota pretendia comprar uma coruja e o ruivo comprar consultar o rato, Perebas, que ganhara do irmão Percy alguns anos atrás, que parecia doente.

Ron acabara de falar com a atendente da loja, que lhe sugeriu um tônico. O ruivo já estava pronto para pagar, quando teve uma surpresa.

Ron se encolheu quando uma coisa enorme e marrom saiu voando do teto da gaiola mais alta e aterrissou na cabeça dele, e em seguida avançou e bufou com violência para Perebas.

_ NÃO, NÃO! - gritou a atendente da loja, mas Perebas escapuliu entre as suas mãos como uma barra de sabão molhado, aterrissou de pernas abertas no chão e disparou para a porta.

_Perebas! - berrou Ron, correndo atrás do rato; Harry seguiu-o.

Conseguiram recuperar Perebas, que se refugiara embaixo de um latão de lixo à porta da Artigos de Qualidade para Quadribol. Ron tornou a enfiar o rato trêmulo no bolso e se endireitou.

_Que foi aquilo?

_Ou um gato muito grande ou uma pantera muito pequena disse Harry.

_Aonde foi a Mione?

_Provavelmente comprando a coruja.

Eles voltaram para a Animais Mágicos. Quando iam chegando, viram Hermione sair, mas ela não trazia coruja alguma. Seus braços envolviam com firmeza um enorme gato marrom-escuro.

_Você comprou aquele monstro? - perguntou Ron, boquiaberto.

_Ela é linda, não é? - disse Hermione radiante.

Era uma questão de opinião, pensou Harry. A pelagem do gato era curta e macia, tinha grandes olhos azuis brilhantes e parecia muito satisfeita no colo de Hermione, embora tivesse cara de poucos amigos e um irritante ar de superioridade. Agora que Perebas não estava à vista, a gata ronronava nos braços da garota.

_Mione, essa coisa quase me escalpelou! - reclamou Ron.

_Foi sem querer, não foi, Bichenta? - perguntou Hermione.

_E o que vai ser do Perebas? - disse o menino apontando para o calombo no bolso do peito. - Ele precisa de descanso e sossego! Como é que vai ter isso com esse bicho por perto?

_Isto me lembra que você esqueceu o seu tônico para ratos - disse Hermione, batendo o frasco vermelho na mão de Ron. - E pare de se preocupar, Bichenta vai dormir no meu dormitório e Perebas no seu, qual é o problema? Coitada da Bichenta, a bruxa disse que ela está na loja há séculos; ninguém quis a gata.

_Por que será? - perguntou Ron com sarcasmo, a caminho do Caldeirão Furado.

Encontraram o Sr. Weasley sentado no bar, lendo o Profeta Diário.

_Harry! - exclamou ele, erguendo a cabeça e sorrindo. Como vai?

_ Bem, obrigado - respondeu o garoto enquanto ele, Ron e Hermione se reuniam ao Sr. Weasley com todas as compras que tinham feito.

O Sr. Weasley pôs o jornal de lado e Harry viu a foto de Sirius Black, agora muito sua conhecida, encarando-o.

_Então eles ainda não pegaram o homem? - perguntou.

_Não - respondeu o Sr. Weasley, parecendo muito sério. - O Ministério nos tirou do nosso trabalho normal para tentar encontrá-lo, mas até agora não tivemos sorte.

_Nós receberíamos uma recompensa se o apanhássemos? - perguntou Ron. - Seria bom ganhar mais um dinheirinho...

_Não seja ridículo, Ron - disse o Sr. Weasley, que a um olhar mais atento parecia muito tenso. - Black não vai ser apanhado por um bruxo de treze anos. Os guardas de Azkaban é que vão levá-lo de volta, escreva o que digo.

Naquele momento Hermione soltou Bichenta e a gata começou a andar devagar, aproveitando aquela sensação gostosa de liberdade e encarando Harry fixamente.

Aquele era Harry Potter, o afilhado que ela não conhecera bem e o filho de Lily e James. Ele era exatamente do jeito que ela conseguia se lembrar, só que mais velho. Mas os olhos e os cabelos eram iguais. Até mesmo a cicatriz em forma de raio na testa...

E ela encontrara Rabicho com eles. Rabicho posicionado perfeitamente para matar Harry no momento em que lhe fosse conveniente e isso era algo que ela não podia deixar acontecer de modo algo. Encontrá-lo-ia e o mataria sem dó.

Porém, foi um arrepio prazeroso que Pam percebeu que mais do que isso, ela também estava indo para Hogwarts.
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Remus sorriu ao reconhecer a letra da carta e o brasão carimbado em verde. Fazia tempo que não via uma daquelas e se lembrava de que era com grande felicidade que ele sempre as recebia.

Estava um pouco preocupado, porém. O que o levaria a receber uma carta como aquela tanto anos depois? Lembrava-se que a última que recebera fora quanto tinha apenas dezessete anos, muito tempo atrás

Com cuidado, como se a carta guardasse uma bomba, Remus a abriu e leu as palavras desenhadas no pergaminho, prestando atenção para não amassá-lo.

E foi com uma sensação engraçada talvez até prazerosa que ele entendeu o conteúdo da carta. Dumbledore estava lhe pedido para lecionar Defesa Contra as Artes das Trevas em Hogwarts. Sentia-se honrado é claro, e precisava de um emprego de qualquer jeito, então pensando algumas vezes, mas por fim escreveu uma resposta aceitando a proposta.

Mas foi apenas quando enviou a coruja de volta para a escola que percebeu o que aquilo realmente significava.

Significava que estava voltando para o lar de tantas travessuras, sorrisos e boas lembras. Que iria para Hogwarts uma vez mais.



Notas finais do capítulo

Ah, o que vocês acharam da nova capa? Bom, foi feita pela Nath Lockwood Black, que também fez um dos trailer para mim. Eu não pedi uma capa nova para ela nem nada do jeito que eu não havia pedido para a Cindy fazer a capa anterior, mas eu acho que as duas ficaram mais do que perfeitas, vocês não? Então, se alguém mais quiser fazer uma capa ou trailer ou que for (imagina uma fan art que lindo? *-*) sintam-se completamente a vontade para me mostrar depois que eu com toda a certeza vou acabar usando se você deixem, ok?
BBK,
Cassie