Os Cinco Marotos escrita por Cassandra_Liars


Capítulo 95
Uma Semana Depois - Capítulo 1 - Novos Planos


Notas iniciais do capítulo

Esse capítulo eu considero como uma transição entre a segunda e a terceira parte, então não acontece quase nada.
Mesmo assim, espero que gostem e que estejam se preparando para o final :)




Pam perdera de vista o maldito, traidor, falso, estúpido e mais o que você quiser, do Peter Pettigrew. Ela estava atrás dele. Bem atrás dele. Mas ele se misturara no meio dos outros amaldiçoados ratos e agora ela não conseguia o achar.


De qualquer jeito não fazia muita diferença, mais cedo ou mais tarde eles voltariam a se encontrara e ela o mataria. Fá-lo-ia pagar por tudo!

Apesar de Pam estar longe agora, ela não conseguia voltar a ser humana. Isso era uma droga! Ela simplesmente não conseguia se transformar. Qual o problema com ela? Porque diabos tinha que ter tantos problemas com Transfigurações? Por que era tão mais fácil virar gata e o contrário parecia impossível?

Tinha começado a chover não muito tempo antes e ela agora estava correndo em direção ao bar trouxa que acabara de avistar. Iria esperar ali até a chuva passar e então retomaria sua caçada.

Não, ela não pararia até ter matado Pettigrew, o traidor sujo!

James e Lily estavam mortos! James e Lily! Seus melhores amigos! Era mais do que ela podia suportar.

Felina parou na porta do bar e sacudiu-se para tirar a água gelada de seus pelos marrom-escuros. O bar trouxa estava quase vazio, a não ser por dois homens conversando e uma mulher estranha com metade do rosto na escuridão.

Com seus sentidos de gata, Felina pôde ouvir o que os dois homens conversavam.

_Sim! É verdade! Você-Sabe-Quem está morto! E tudo graças ao pequeno Harry Potter!

_O poderoso Você-Sabe-Quem foi derrotado por um bebê de um ano enquanto os bruxos mais poderosos não o puderam fazer? Esse garoto deve ser muito poderoso!

_E é! Podemos esperar grandes feitos do Harry!

Eles eram bruxos, Felina percebeu. E estavam dizendo a mesma coisa que o resto do mundo bruxo. O engraçado era que todos estavam comemorando o que ela estava achando terrível. Lily e James Potter estavam mortos, porque ninguém nunca se lembrava disso?

_Então vamos comemorar! Você-Sabe-Quem foi derrotado! Tudo vai ficar bem agora! – gritou um dos bruxos e o outro concordou, então os dois saíram do bar, passando por Felina.

O que a gata não esperava era que os dois homens deixaram cair um jornal no chão. Jornal que ela logo reconheceu como sendo um Profeta Diário de alguns dia atrás.

E logo na primeira página estava seu lindo Sirius. O que a deixou surpresa não foi encontrar o outro na primeira página do jornal, e sim o título que acompanhava a foto.

“Sirius Black, o grande traidor, mata doze trouxas e dois bruxos.”

Doze trouxas e dois bruxos! Pam estava certa de que Sirius não matara doze trouxas e dois bruxos! E ele não era traidor coisíssima nenhuma!

Mas Felina ficou mais surpresa ainda ao ver seu próprio nome na manchete. “Pamela Porter, sua cumplice, também morreu durante a explosão…”.

Morrer durante a explosão? Não, muito obrigada, ela estava bem viva. Saberia se estivesse morta.

Mas, logo ela percebeu que as pessoas tinham entendido tudo errado. Pettigrew era um grande herói, Pam e Sirius os vilões. Isso era um absurdo! Sirius estava em Azkaban agora e ela era para lá que ela iria também se aparecesse viva.

Não, ela não podia aparecer. O que ela faria era capturar Pettigrew para provar a todos que ela e Sirius eram inocentes e que o rato era o culpado. Sim, ela faria Pettigrew pagar. Nem que isso custasse a sua própria vida, mas, se fosse, levaria Peter junto.

~~*~~*~~*~~*~~*~~

Era horrível. Lily e James estavam mortos. Pettigrew os traíra. A única coisa boa nisso tudo, talvez, fosse saber que Remus era inocente.

Mas Pam estava morta.

Este era um pensamento que ainda assombrava Sirius. Morta… E ele nunca pôde lhe dizer o quanto a amava.

Pam era, é e sempre será perfeita. Ele pensou.

Mas apesar de tudo, da culpa e o horror, Sirius conseguia se sentir feliz. Pam estava morta, não em Azkaban. Quem teria que viver o resto da vida ali era ele e não Pam. Isso já era um consolo de certo modo.

E, sinceramente, podia existir maior mudança do que a dele? De rico, famoso, bonito, pegador e maroto, ele passara a pobre, feio, miserável, injustiçado, digno de pena. Tudo bem que ainda era famoso e a fama sempre fora algo que ele prezara muito, mas não era bem aquilo que queria quando pensara em fama.

Quase não conseguia pensar direito, e mesmo quando conseguia, pensava em coisas terríveis, como James morto no hall de entrada, Lily deitada ao lado do berço do bebê, Harry chorando sem saber que seus pais estavam mortos, o rosto branco de Pam, a traição de Peter, as transformações de Remus, o corpo de Pam mutilado e seus membros pendurados em várias árvores, um grito distante, choro de alguém que não conseguia ver, escuridão e por fim o mais puro vazio, como se nada nunca tivesse existido…

O pior era que já não sabia mais qual dessas lembranças eram verdadeiras e quais delas sonhara. A verdade era que já não sabia mais distinguir o real da fantasia, já que nunca sabia quando eram apenas pesadelos ou quando de fato estava vivendo.

De fato estava vivendo um pesadelo tanto dentro quanto fora de sua mente. Para ele as duas coisas pareciam uma e nada mais fazia sentindo. Tudo parecia ruim, fétido e podre.

Era difícil imaginar que há cinquenta anos o amontoado de sujeira e tecido no canto imundo daquela cela escura tinha sido o sonho de consumo de todas as garotas (e alguns garotos) em Hogwarts. Era difícil imaginar que há cinquenta anos era difícil vê-lo sem um sorriso acompanhado dos amigos pelos corredores animados da escola como se ele mandasse em tudo por ali. E talvez o pior disso tudo, era que ele ainda tinha a eternidade para apodrecer.

Ou melhor, ele achava que faziam cinquenta anos. Percebera completamente a noção do tempo a partir da primeira semana que estivera ali, quando pararam de trazer comensais e mais comensais da morte para lá e então não apareceu mais ninguém a não ser os dementadores, na porta de sua cela noite e dia, noite e dia… Nem mesmo sabia se era noite ou dia, pois mesmo que pudesse ver o sol pela janela pequena, ficava encolhido em um canto frio a maior parte do tempo e não sabia de mais nada.

E talvez o mais assustador de tudo aquilo, era que não fazia ideia de quantos anos tinha e algumas vezes se esquecia de coisas básicas, como o nome do meio. Esquecer-se de quem ele era, sua essência… Achava que isso queria dizer que em pouco não seria mais nada, que isso queria dizer que em pouco estaria morto…

De certa forma, isso era bom, pois o livraria de continuar naquele inferno e iria o unir a Pam, James e todos os outros que tinham morrido e que lhe importavam. Mas, sabia que sua alma nunca poderia descansar em paz enquanto Peter não estivesse morto e Sirius carregasse a culpa de ter sugerido torna-lo no guardião do segredo dos Potter.

Afinal, mesmo que Remus continuasse vivo (pelo menos Sirius ainda tinha esperanças disso) e não fosse o traidor, os Marotos nunca mais estariam completos e era apenas por causa deles que Sirius continuava vivo. E uma vez que James e Pam estavam mortos (e tinham morrido justo na véspera e no aniversário dela! Como Sirius se culpava por isso!) a existência de Sirius na Terra estava condenada a ser uma existência de tristeza e solidão.

O plano que ele arquitetara, durante poucos momentos em que os dementadores estavam longe o bastante para lhe permitir pensar, era bem simples. Ficar vivo, fugir de Azkaban, encontrar Remus, matar Peter, se vingar, explicar tudo o que tinha acontecido de verdade a Remus, morrer. Não necessariamente nessa ordem, é claro.

Ficava imaginando se quando morresse Pam estaria o esperando com aquele sorriso lindo dela e seus olhos de vaga-lumes, para que finalmente ele pudesse tomá-la nos braços e torná-la sua para sempre. Mas, pensar em Pam era igualmente doloroso. Pois o fazia pensar nos momentos ruins em que ela estivera presente.

Nada era muito claro em sua mente mais. Mas de uma coisa ainda tinha certeza.

Precisava que sair dali. Tinha que fugir, que ir embora de Azkaban. Já tinha percebido que ninguém iria fazer aquela tortura acabar, então ele mesmo iria.

Os prisioneiros de Azkaban não estavam presos pelas grades e barras, e sim presos nas próprias mentes. Se conseguisse se libertar de sua própria cabeça, conseguiria sair ali, estava certo.

Mas antes que conseguisse pensar com mais profundidade em seus planos ficou muito frio.

Eram os dementadores se aproximando.

Felicidade? Ele nunca ouvira falar em tal maravilha.

Era horrível. Vagarosamente ele foi se sentindo mais fraco, o tempo pareceu se arrastar.

Seria infeliz para sempre. Nada de bom poderia existir. As sombras escuras passavam na frente de sua cela e Sirius começou a pensar em coisas horríveis.

Pensar Pam se agarrando com Michael Fox ou Caradoc e seu coração aos pedaços; na vez em que pensara que perdera Pam para sempre quando os Comensais invadiram o duplex deles; e finalmente no Halloween em que tudo dera errado, a dor de perder os melhores amigos, a explosão e ao perceber que Pam sumira, olhou para os lados e só pôde ver a forma de rato de Rabicho entrando em um bueiro.

Pam morrera.

Forma de rato…

Sem uma varinha, ele perdera completamente as esperanças que conseguir afastar os dementadores e percebeu que só poderia escapar se eles estivessem longe. E a única magia que podia fazer sem uma varinha era…

– Animagus… - murmurou, a voz soando engraçada pela falta de uso.

Logo seu corpo se encheu de pelos escuros e longos, e seu corpo mudou e forma. Logo ele se transformara no imenso cão negro de olhos cinza de sempre.

Os dementadores são cegos, não podiam vê-lo transformado.

E de certa forma tudo pareceu ficar melhor, pois seus pensamentos se tornavam menos humanos e ele não se sentia tão afetado pelos dementadores. Além do que era mais quente daquele jeito e ele conseguia achar uma posição melhor no amontoado de tecidos que usava antes.

De repente era como se alguém tivesse acendido uma fogueira em sua mente enquanto ele pensava que era inocente, que sairia dali e que quando morresse encontraria Pam. Não eram lembranças felizes, então os dementadores não podiam levar isso também.

Parecia que as coisas estavam ficando bem a final, mas então ele lembrou que ainda não fazia ideia de como fugir da prisão que ninguém nunca fugira antes.

E Almofadinhas soltou um uivo canino enquanto a noite ficava cada vez mais escura, voltara para o ponto inicial.

*~~*~~*~~*~~*

O rato sabia que estava sendo perseguido, por isso corria em disparada. Corria para longe, pois sabia que a gata não demoraria muito para alcançá-lo. Mas, ele também sabia que a casa dos Weasley era ali em algum lugar. Se conseguisse alcançar a casa ficaria tudo bem.

Sim, ficaria. Ele tinha certeza. Ele correu entre as campinas e finalmente avistou a casa dos Weasley, a tão conhecida Toca.

Ele correu até a casa, sua salvação. Foi uma sorte que o pequeno Weasley, com seus cabeços flamejantes, estivesse brincando ali na frente.

O garoto viu o rato e viu a gata atrás dele. Com uma expressão de desespero, ele pegou o rato entre as mãos e, com alguma magia involuntária o garoto produziu um pequeno raio que fez a gata recuar, assustada. Mas, ela não foi embora, ficou observando tudo na espreita.

– Oi, ratinho. – sorriu o garoto. – Quer ser meu amigo? Como eu vou te chamar? – ele pensou um pouco. – Ah! Já sei! Perebas! É isso. Meu nome é Percy.

O rato correu feliz pelos braços de Percy, o que só o fez rir.

– Mamãe! – chamou o menino. – Mamãe! Olha o que eu encontrei? Podemos ficar com ele?

*~~*~~*~~*~~*~~*

Alguns dias se passaram.

Felina voltara para o Beco Diagonal depois de os Weasley brigarem tanto com ela. Sua intensão era recrutar alguns gatos para poderem ir atrás de Perebas juntos. Não era o melhor plano, mas era melhor do que nada.

Uma mulher gorducha viu a pobre gata magricela andando pelo Beco Diagonal, fuçando em latas de lixo. Essa mesma mulher colocou um pouco de leite em uma tigela e o levou para fora.

Felina viu o leite e correu até lá, estava faminta. Enquanto ela bebia o leite sentiu a mulher fazendo carinho entre suas orelhas e gostou do agrado.

A gata começou a ronronar.

Quando ela terminou o leite, a mulher gorducha pegou-a no colo e Pam lambeu suas mãos e rosto. A mulher riu.

_Que gracinha que você é! Vem, vamos para dentro. Alguém vai acabar te comprando. Oh, sim, vai! Com certeza.

E a mulher levou Felina para dentro da loja de Animais Mágicos, que ainda não sabia que a mulher estava errada e que ela ficaria ali pelos próximos doze anos enquanto não estivesse tentando escapar.




Notas finais do capítulo

Eu quero agradecer a minha queridíssima A C Branco, que fez um recomendação mais do que perfeita para mim e vem que incentivando muito mesmo, apesar de eu não saber se ela sabe disso. Sério, é por causa de pessoas como você que eu ainda não desisti de escrever. Então obrigada mesmo, não só a você, como a todos os meus leitores que ainda não me abandonaram! :)