Os Cinco Marotos escrita por Cassandra_Liars


Capítulo 58
Capítulo 4 - Corações Quebrados


Notas iniciais do capítulo

Bom, espero que gostem desse capítulo. Ele ficou especialmente triste e eu espero que vocês não queiram me matar, mas eu juro que esse clima todo vai passar antes do final do sexto ano. :)
E me digam também o que vocês acharam da nova capa.



_Não chore… Não chore… Não chore… - Sirius resmungava.

Agora estava no alto da Torre de Astronomia, que estava sempre vazia tirando durante as aulas sempre noturnas, então ele não tinha com o que se preocupar. Ver Pam e Michael se beijando no meio do corredor tinha machucado Sirius de um jeito que uma faca não teria.

E lá estava ele, no topo da Torre de Astronomia, o coração aos pedaços, sofrendo de um mal que jurara não sofrer. Nunca tinha imaginado que uma garota podia fazer isso com ele. Nunca imaginara que Pam conseguiria machuca-lo tanto.

Seus olhos ardiam com lágrimas que ele queria impedir de cair. Não choraria por causa de uma garota que tinha outro cara. Não choraria. Não choraria. Não choraria…

Ah, que droga. Estava chorando.

A primeira lágrima rolou por seu rosto e ele a secou rapidamente, antes que tivesse a oportunidade de fazer estrago pior.

Michael estava beijando Pam. Segurando a cintura dela como se soubesse exatamente onde começava e terminava. E Pam estava lá, correspondendo com vontade. Talvez ele estivesse provando de seu próprio veneno no final. Não tinha feito a amiga aturar suas saídas com as outras garotas por anos? Ela estava do lado dele. E agora ele a tinha perdido para sempre.

Finalmente Sirius ouviu um barulho atrás dele e virou-se na defensiva. Quem seria? Teria o visto chorar? Seria Pam? James? Remus? Melhor nem pensar nas possibilidades.

_Quem está aí? – ele perguntou, assustado.

Mas, a figura que saiu das sombras, alguns segundos depois, não lhe deu nenhum medo, ao contrário disso, alívio surpreendentemente.

Era Ranhoso.

_Ah, é só você, Ranhoso. O que você veio fazer? Me azarar? Vá em frente. Me mate se quiser, eu não ligo.

Ranhoso olhou para ele assustado. Talvez não esperasse que Sirius estivesse tão acabado, tão abatido que simplesmente viraria as costas e se deixaria azarar.

Ele simplesmente não conseguiu fazer nada, como teria normalmente.

_Algum problema? – perguntou Sirius, por fim, vendo que Ranhoso não ia nem vinha, que ficava parado no lugar, os olhos aberto, incrédulo.

_Não. Só o fato de que você foi gentil comigo e simplesmente deixou eu te azarar. Ah, e que você estava murmurando “Não chore… Não chore”.

Sirius suspirou. Não esperava que alguém tivesse o ouvido. Mas ali estava, seu maior inimigo em Hogwarts, parecendo confuso e preocupado com ele.

O mundo realmente dá voltas.

_É só que… Tem uma garota. – ele acabou por confessar. – Eu gosto muito dela. Só que eu vi ela beijando outro cara.

_Você ama essa garota?

_Mais do que a mim mesmo. Eu faria tudo por ela.

Se era para ser sincero, então Sirius o seria. Não iria ocultar nada no momento, a não ser o nome da garota.

_Então lute por ela. – disse Ranhoso, surpreendendo Sirius, que esperava que ele começasse a rir. – Diga a ela o que você realmente sente.

Por um momento, Sirius teve a impressão que Ranhoso realmente saiba o que estava dizendo. Como se já tivesse passado por isso e tivesse cometido o erro de não dizer a verdade.

_É… é, você tem razão. – disse Sirius, confuso. – Eu vou mesmo. Eu vou falar com ela.

Por um momento, a sombra do Sirius conquistar e sarcástico passou por seu rosto, mas então ele recuou como um demônio da luz.

_Eu… Eu não consigo.

_Escute, Black. Você tem tudo o que é precioso para atazanar as pessoas e ficar com todas as garotas que quer e não consegue ter uma garota?

_Eu… você tem razão. Vou lutar por ela. Eu a amo e vou lutar.

Ele se sentiu cheio de toda a coragem grifinória quando passou pela porta e começou a descer as escadas, mas então lembrou uma coisa e voltou alguns passos.

_Ah… - ele não sabia como dizer isso exatamente. – Eu nunca achei que fosse dizer isso, mas obrigado.

Ranhoso apenas sorriu.

_Mas, se você falar isso para alguém – alertou Sirius. – Eu vou negar.

Ranhoso riu.

_Não esperava diferente.

Mais uma vez Sirius virou-se para sair, mas o que Ranhoso disse logo depois o fez parar.

_Ah, e boa sorte com a Porter.

Sirius voltou mais uma vez. Sabendo que só estava fazendo isso para retardar o momento em que teria que enfrentar Pam de frente.

_C-como você sabe? – perguntou, confuso. Não lembrava de ter mencionado o nome de Pam.

_A escola inteira sabe. – disse Ranhoso. – Mas vá logo, antes que perca a coragem.

E, desta vez quando Sirius se virou e começou a descer as escadas, não olhou para trás.

~~*~~*~~*~~*~~*~~*~~

Pam estava sozinha e isso era uma felicidade. Ela estar longe de Michael era um bom sinal e Sirius se aproximou.

Ah, por favor, por que todo esse teatro? Não conseguia chegar nela e pedir para sair com ele? Ele já tinha feito isso centenas de vezes com outras garotas. E não era porque não tinha intimidade com Pam. Tinha intimidade com ela de sobra. Tinha até visto ela pelada, oras! O que tinha mudado de um momento para o outro?

Ele se aproximou dela, sentando no mesmo banco que ela estava sentada no corredor.

_T-tudo bem? – ele disse, gaguejando.

Que burro! Por que ele tinha gaguejado? Eles eram melhores amigos desde o primeiro ano! Que inferno! Estava agindo como um garotinho de onze anos. E ele tinha dezessete anos. Já era maior de idade!

_Oi, Six. – ela disse. – Eu vi você vindo para cá… Depois você sumiu. O que aconteceu? – Pam perguntou.

_Bom, eu…

_Sirius. – ela o interrompeu. – Você esteve chorando?

_Não! Eu… - finalmente Sirius achou que era mais fácil ir direto ao ponto do que ficar tentando se justificar. - Sabe, no sábado tem o jogo contra a Sonserina…

_Eu sei. – Pam falou, como se fosse o óbvio. – Eu jogo no time. Sou a goleira. Lembra disso, Sirius?

_Verdade… - ele disse, vagarosamente e como se fosse um demente, olhando para cima, interessado no teto.

Talvez Pam estivesse um tanto preocupada com a sanidade do amigo. Mas, mesmo assim, ele continuou. Ir ao jogo junto não era uma opção, mas então ele se lembrou de uma coisa.

_Mas no domingo tem a visita a Hogsmeade…

_Não sou burra. – ela disse, agora um pouco ofendida.

_Quer ir? – ele perguntou de repente.

_Ir aonde? – Pam olhou confusa para Sirius.

_À Hogsmeade.

_Com quem?

_Comigo.

Ela olhou para ele, piscando por alguns momentos. Seu contentamento não podia ser colocado em palavras. Será que ele realmente estava a chamando para sair? Seria bom demais se isso acontecesse. Seria…

_Só como amigos, é claro. – disse Sirius, interpretando mal o silêncio de Pam.

Toda a alegria dentro dela se desfez e ela disse, um pouco infeliz:

_Eu sempre vou a Hogsmeade com você, Sirius. Por que desta vez seria diferente?

_Eu vi você beijando Michael Fox.

_E daí? – ela perguntou, ainda infeliz.

_Pensei que você estivesse saindo com ele. – confessou Sirius.

_ E se eu estiver?

Ela apoiou a cabeça na mão, enquanto continuava ouvindo a conversa confusa de Sirius.

_Bom… Eu achei que se você estivesse saindo com ele, gostaria de ir com ele. Sabe, se vocês estivessem juntos, iriam querer ficar juntos e…

_E por isso eu tenho que abandonar meus amigos? – ela perguntou. – Nunca, Sirius.

Pam sorriu, enquanto colocava a mão sobre a de Sirius e a afagava.

_Garotos vão e vem. Amigos ficam. – ela disse.

Sirius sorriu de volta para ela. Nisso a amiga estava certa.

~~*~~*~~*~~*~~*~~

Michael mal podia acreditar que tinha beijado Pam. Tinha, de fato, depois de anos, beijado Pamela Porter, a garota que ele achava mais linda em todo o mundo. Desde o primeiro ano, quando ninguém olhava para ela, o corvinal já sentia algo a mais por ela.

E, agora, finalmente, ele tivera uma chance para provar o quanto era bom. Aquele beijo no meio do corredor… Bom, tinha sido mais do que ele poderia ter pedido. Pam era doce e suave como uma borboleta ao mesmo tempo em que era ardente e louca. Uma combinação de tudo. Mas uma mistura boa. Uma combinação esquisita que fazia Michael sentir um frio na barriga toda a vez que olhava para ela.

Pamela Porter, sua rosa para sempre.

Agora Michael andava em direção a sala de Transfigurações. Pam não estaria lá, é verdade, já que não tinha conseguido continuar na matéria, mas pouco importava no momento. Michael continuaria flutuante quando fosse encontra-la depois das aulas.

Ele finalmente chegou à sala de Transfigurações e entrou, observando enquanto os outros alunos sentavam também e esperavam a Profa. Minerva, que chegou não muito depois.

_Bom dia. – disse a professora, começando a organizar suas coisas para poder dar a aula.

Logo eles estavam fazendo as mais variadas transformações. Ora, eram alunos de N.I.E.M.s, era de se admitir que tinham um bom nível na matéria.

Michael olhou em volta e percebeu que havia pessoas das quatro casas, diferente do ano passando, quando ele tinha aula dupla apenas com a Lufa-Lufa. E, havia no máximo, quinze pessoas na classe. Remus, Lily, Alice, Sirius e James compunham o grupo da Grifinória. Tinham três alunos da Lufa-Lufa. Michael, Emmeline, Megan e Kelly da Corvinal. Martha, Severus e mais um garoto estranho cujo nome desconhecia.

Quase todos pareciam atentos às palavras de McGonagall, escrevendo apressados em seus cadernos tudo o que ela falava. Certo que Sirius parecia estar um pouco distante e que Megan e Kelly vez ou outra cochichavam algumas coisa, mas todos faziam suas anotações.

A professora agora andava pela classe, rígida, dando espiadelas rápidas nos livros dos alunos, respondendo questões e explicando tudo o que podia.

Foi quando, finalmente, parou na mesa que Sirius e James dividiam, do lado do que usava óculos.

E Michael suspirou. Sabia que lá vinha encrenca. Afinal, os garotos não eram conhecidos pelo seu comportamento exemplar.

_Por que seu caderno está em branco, Sr. Potter? – perguntou a professora.

_Meu caderno não está em branco! – o garoto protestou.

A mulher ajeitou os óculos no rosto e deu mais uma olhada.

_Não está mesmo. Mas, onde devia haver palavras, não tem palavra alguma. E, as margens, onde não devia haver nada, está cheio de desenhos.

Profa. McGonagall pegou o caderno de James, olhando melhor os desenhos e o garoto começou a escorregar na carteira, corando intensamente.

_Srta. Evans. – disse a professora, olhando por cima de seus óculos de meia-lua. – Parece que o Sr. Potter acha que você trocou de sobrenome.

A professora disse simplesmente e devolveu o caderno para James, enigmática. Agora o garoto estava realmente vermelho quando Sirius espichou o pescoço para dar uma olhada nos desenhos e abafou um riso.

Lily, sentada na carteira de trás, olhou pelo ombro de James e deu uma espiada no caderno do moreno, curiosa.

Mas, foi apenas para se sentar novamente, rolando os olhos e bufando.

Logo, ela estava conversando com Alice e dizendo o quão idiota Potter era.

Mais, como aparentemente Lily não sabia reclamar sem falar um pouco mais alto, Severus, a algumas carteiras de distancia, ouviu toda a conversa.

E, ficou triste, olhando para seu próprio desenho no caderno. Um desenho de uma menina um menino de mãos dadas, rodeados por corações. Mas, com certeza aquele desenho era bem mais bonito do que o de James, que eram “pessoas palito” desenhadas ao acaso. Ao contrário disso, Severus tinha caprichado e abusado de seu domínio com o lápis ao desenhar os dois juntos.

E, em cima das cabeças da menina e do menino, dentro de um coração, dois nomes.

“Lily Evans e Severus Snape”.

Severus virou a página, triste. Lily considerava idiotice desenhar no caderno, então ela certamente não podia ver os desenhos que ele tinha feito, refletindo o que seu coração sentia.

Ele suspirou. Nunca a teria.




Notas finais do capítulo

Bom, gente. A Gaby Black não vai mais poder betar a história por motivos pessoais. Mas eu vou continuar escrevendo a história normalmente. Só gostaria de saber se algum de vocês gostaria de ocupar a vaga dela (para os desinformados> Betar=Corrigir e dar ideias)
Obrigada,
Cassie
PS: E me digam também o que vocês acharam da nova capa. Foi feita pela CindyRiddle.