Os Cinco Marotos escrita por Cassandra_Liars


Capítulo 42
Capítulo 10 - Espiando o Futuro


Notas iniciais do capítulo

Como prometido, aqui está o próximo capítulo. Espero que gostem. Boa leitura.



Foi um choque para os outros ao saberem que Remus, o certinho e bonzinho do grupo, estava namorando. Afinal, por mais que James e Sirius já tivesse ficado com mais garotas do que podiam contar nas mãos, nenhum deles tinha tido uma namorada até então, e lá estava Remus andando de mãos dadas com Dory.

Dory! Como Dory, que detestava tanto James, Sirius e Pam podia ser namorada de Remus, o melhor amigo deles? Era esse um caso que nem mesmo Merlin poderia ter explicado.

Mas, se Dory fazia o amigo lupino feliz (e mais humano, de acordo com ele), quem eram os outros para interferir na vida dele?

Porém dois dias depois do namoro iniciado, houve lua-cheia e Remus teve que ir a Casa dos Gritos, deixando a garota sozinha.

_Vocês viram o Remus? – Dory perguntou para James, que estava sentado à mesa da Grifinória durante o almoço. – Eu estive procurando ele o dia inteiro e não o acho.

_No meu bolso é que ele não está. – Disse Pam, mal-humorada.

_Muito engraçado, Porter. – Disse Dory, irônica. – Mas é claro que ele não está no seu bolso! Imundo do jeito que é. Meu pobre Remus não entraria aí dentro.

_Escuta aqui, Meadowes, eu… - Começou Pam, se levantando, mas Peter a puxou de volta para o assento.

James acenou brevemente para Peter, agradecendo.

_Não, nos não vimos o Remus. – Disse o de óculos. – Mas não se preocupe se ele não aparecer. Ele costuma sair para ir ao St. Mungus ou visitar algum parente. Em uma semana estará de volta.

Dory os encarou desconfiada. Era óbvio que não engolira a desculpa, mas não disse nada, se afastando.

_Eu, definitivamente, não gosto da Dory. – Então Pam se virou para Peter. – Não devia ter me puxado!

_Claro que devia. – Ele disse, com sua voz esganiçada e olhos lacrimejantes. – Ou vocês duas acabariam se matando. Pensa que eu não sei do que você é capaz?

Pam bufou.

_Gente, não sei se vocês se lembram, mas quando o Remus está fora, nós temos que ir até biblioteca descobrir um jeito de nos transformarmos. – Disse James, em um tom baixo.

_Sim, é claro que me lembro. – Disse Sirius. – Mas, sinto muito interromper o seu barato James, temos aula de Adivinhação primeiro.

_Ah, não. – Disse Pam. – Eu odeio Adivinhações quase tanto quanto odeio Transfigurações.

Sirius soltou sua risada canina.

_Qual é a aula que você não odeia Pam?

Apesar de ter percebido que era uma pergunta retórica, ela não pôde deixar de responder:

_Feitiços. – Ela disse. – Eu adoro Feitiços.

A revelação deixou Sirius surpreso, já que ele achava que a amiga não gostava de aula alguma.

_Então hoje é seu dia de sorte. – Disse James, checando os horários. – Nós temos aula dupla de Feitiços depois de Adivinhações, mas agora o Professor Gelles nos espera.

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Lily estava sinceramente entediada enquanto apoiava a cabeça na mão e observava a bola de cristal bem a sua frente. O que ela estava vendo? De verdade? Nada.

_Vamos! – Disse o Prof. Gelles. – Olhem bem. O que vocês estão vendo? – Ele esfregou as mãos. – Certo qual de vocês gostaria de dizer o que está vendo?

Fez-se um silencio de túmulo. Ninguém nem ao menos se atrevia a respirar.

_Ninguém? – Professor olhou em volta, olhando para cada um dos alunos e, quando ninguém disse nada, se virou para Pam. – E você Srta. Porter. Poderia nos dizer o que está vendo?

_Sim, - Ela respondeu entediada. Todos se voltaram para ela assustados. Seria possível que ela tivesse mesmo visto alguma coisa? – Eu prevejo que amanhã vai ser um dia nublado e com neblina.

Algumas pessoas sorriram, achando graça, outras reprimiram risinhos. Mas, Lily apenas rolou os olhos.

_Por Merlin, crianças. – Disse o professor, levemente irritado e decepcionado. – Ninguém consegue ver NADA?

Ele virou-se de costas para os alunos, visivelmente decepcionado com o resultado horrível.

_Não, Sr. Potter. – Ele disse. – Eu não quero ouvir nada sobre as coisas sujas e pervertidas que você viu na bola de cristal.

Lily olhou para trás, confusa, e foi então que viu a mão de James cortando o ar e segundos depois ele a abaixou, corando e então cochichando alguma coisa para Sirius que soou algo parecido com: “Como ele sabia?”.

O professor Gelles parecia saber das coisas antes mesmo delas acontecerem. E, apesar de ele ser um professor de adivinhações, não deixava de ser estranho.

Alice, ao lado de Lily, levantou a mão timidamente.

_Professor… - Ela o chamou. – Será que o senhor pode nós fazer uma demonstração de como ver alguma coisa na bola de cristal?

_Oh, mas é claro que sim. – Ele curvou-se para a mesa da garota de rosto redondo e franziu a testa, se concentrando. – Hum… Seu futuro… Não é nada bom, Alice, sinto muito. – Ele continuou olhando para a bola enquanto os olhos de Alice se arregalavam. – Mas eu vejo que vai ter uma vida longa ao lado daquele que ama. Isso é bom. Mas, você vai estar distante quando o verdadeiro mal morrer.

O professor olhou para Alice, sério. Ela o olhava assustada.

_Teve sua resposta, Srta. Puckle? – Ele perguntou. Ela sentiu.

Lily bufou alto e pegou a mão de Alice, que parecia a ponto de ter um ataque, e a afagou amigavelmente, tentando acalmar a outra.

_Não dê ouvidos, Alice. Isso não é verdade. As pessoas não podem prever o futuro. – Ela disse. – Cada um faz seu próprio destino.

Os olhos intrigantes do professor agora se voltaram para ela, desta vez.

_Não podia ter esperado uma reação diferente de você, Srta. Evans. Sempre tão fechada e cega ao mundo ao seu redor. – Ele olhou na bola de cristal dela. – Mal pode ver o amor que está tão próximo de você quanto os Grifinórios de ganhar a Taça de Quadribol esse ano.

Lily cruzou os braços, enquanto ouvia Pam e James as suas costas cochichando animados, talvez pensando que a taça já era deles, mas a ruiva estava certa de que o professor estava apenas falando abobrinhas.

_Eu não acredito.

_Então talvez deva desistir dessa aula. – O professor voltou a ficar ereto. – Mas eu sei que você não vai. Nunca iria conseguir desistir de nenhuma aula. É correta demais para isso.

Lily bufou contrariada. Quem o professor estava pensando que era?

Mas, ele tinha deixado Lily de lado. Agora ele caminhava em direção a Pam.

_Ainda acha que vai estar nublado e nebuloso amanhã? – Perguntou ele.

_Bom, eu não consigo ver nada além disso. – Ela confessou. – Acho que está quebrada.

_Deixe-me ver. – Novamente o professor curvou-se e observou a névoa branca dentro da bola de cristal. – Não está quebrada. E boa sorte com a sua missão super especial contra o resto do mundo bruxo e trouxa.

_Missão? Contra todo mundo? – Ela perguntou curiosa e ansiosa.

_Sim. Mas, não acho que os outros irão te levar a sério. Quem consideraria a história contada por uma morta? Mesmo que essa história seja a verdadeira?

Pam arregalou os olhos. As palavras do Prof. Gelles poderiam ter milhares de significados. Ela se voltou para os amigos e começou a cochichar.

_Ah! – Ele disse, como se lembrasse de alguma coisa. – E não se esqueça que sem amigos, todas as suas causas estão perdidas.

Ele deu mais algumas voltas, antes de voltar para a frente da classe e finalmente dizer:

_Mas lembrem-se. O futuro é algo que está constantemente mudando e não pode ser previsto com exatidão. Tudo sempre depende das nossas escolhas. Escolham caminhos diferentes e as minhas previsões de nada valeram. Um homem não está destina a algo irreversível, como acreditavam os gregos. O nosso destino, o nosso futuro, está dentro de nós, somos nós quem o fazemos, e ele está em constante estado de mutação. Nada é preciso, exato.

Lily admirou as palavras do professor e reconheceu que apesar de gostar de fazer adivinhações confusas e as vezes maldosas, o homem era um gênio.

Mas, sempre dizem que a loucura e a genialidade andam lado a lado, então Lily não estranhou o comportamento dele.

Logo depois a aula acabou e eles partiram para a aula de Feitiços que tinham juntos com a Sonserina. Lily viu Sev enquanto se sentava longe dele e perto das amigas, lhe lançando um sorrisinho triste, como se pedisse desculpas.

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Severus estava se tornando um garoto fechado para o resto do mundo. Principalmente agora que a sua única e melhor amiga quase não falava mais com ele. E, quer saber de uma coisa? Culpava o Potter.

Na verdade, culpava Potter por tudo. Tudo de ruim que acontecia na sua vida era por causa dele.

O sonserino cerrou o pulso embaixo da mesa.

Com a mão que segurava a pena, ele começou a escrever furiosamente o que estava sendo escrito na lousa magicamente. Depois, desligando-se por alguns minutos da aula, ele observou sua suave Lily e o panaca do Potter a observando com seus olhos famintos.

Severus apertou a caneta.

Eles estavam na aula de feitiços e o professor explicava que alguns dos bruxos mais poderosos tinham criado alguns feitiços e escolhido as palavras que queria usar para que determinada coisa acontecesse.

Pensando em Potter e em sua fúria para com o outro, Severus escreveu na margem do caderno.

Levicorpus”.

E esse era apenas o começo.

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_Pam? – Chamou Sirius, a alcançando – O que é necessário para abrir uma porta?

_Hum… - Ela pensou, considerando a chamada do amigo. – Não sei.

_Que a porta esteja aberta. – disse ele, sorrindo marotamente.

Ela riu. Toda a sensação de raiva e tristeza tinha se ido completamente e ela tinha voltado a ser a Pam risonha que ela sempre fora. Afinal, com a ausência de Remus, as atenções de Sirius estavam voltadas para descobrir como se transformar em um animago ilegal, e não garotas.

_O que será que o Professor Gelles quis dizer com uma missão super especial? – Ela perguntou.

_Hum… Eu realmente não sei. Talvez você descubra que você é um E.T. e tem como missão no mundo destruir todos os sonserinos. – Ele sorria.

Pam riu, o empurrando levemente.

_Deixa de ser bobo.

_Sinto muito. – Sirius disse. – Mas eu não consigo evitar. A culpa não é minha. Eu nasci assim.

Ela riu mais ainda.

Depois de alguns momentos de silencio, Pam olhou ao redor e franziu a testa.

_Onde estão o James e o Peter? – Perguntou a garota, sentindo a falta dos dois.

_Na biblioteca. Mas logo eles vão aparecer. Disseram que vão pegar um livro para ler no dormitório.

_Ah! – Ela olhou para ele. – Por falar nisso, você teve algum progresso na missão T.A.I.?

_Não. – Ele admirou tristemente. – E você?

_Nada. – Pam suspirou. – Será que o Remus está certo? Será que nós nunca vamos conseguir?

_Não! – Ele negou rapidamente, como se isso fosse espantar a ideia. – Claro que nós vamos conseguir! Nós somos os Reis de Hogwarts não somos? Conseguimos tudo!

Pam olhou para ele, sorrindo. Reis de Hogwarts. Quando eles tinham se tornado ela não saberia dizer ao certo, mas sentia como se Sirius tivesse certo.

E, se eles não eram os reis, estavam próximos de ser.

Uma coisa era certa. Os cinco são uns dos mais populares de Hogwarts. Não tinha ninguém que nunca ouvira falar nos cinco amigos da Grifinória que eram bons em Quadribol, uns dos mais inteligentes da série deles, aprontavam mil e uma, tinham dinheiro para dar festas fantásticas e, além disso, dois deles faziam um sucesso que nenhum dos outros garotos em toda a Hogwarts fazia. Sirius já tinha ocupado a posição de mais desejado de Hogwarts em menos de um ano.

_Mas, então, o que você acha que temos que fazer? – Ela perguntou. – Quero dizer, para nós tornarmos animagos. Subornar alguém?

_Não sei, não sei…

Sirius abaixou a cabeça, pensando.

_E se perguntarmos para a McGonagall? – Ele disse. – Quero dizer, apenas perguntarmos como ela faz para se transformar e pedir uma autorização para poder ver os livros na Seção Reservada que falam sobre o assunto.

_Ela nunca vai concordar! – Exclamou Pam.

_Mas, e se nós falarmos que são apenas questões acadêmicas? Só para podermos entender o assunto melhor?

_Nem mesmo assim. – Disse Pam, balançando a cabeça. – Não adianta o que nós façamos. Temos cara de quem está aprontando alguma coisa o tempo todo. Ela já conhece nossos troques.

_Nesse caso… - Sirius pensou mais um pouco, vendo a verdade nas palavras da amiga. Finalmente teve uma ideia. – Você disse que ela desconfia de nós. James, você e eu.

_E nunca acreditaria que Peter estaria estudando. Mas… - Os olhos dela brilharam, ao entender a ideia do outro. – Sirius! É genial! Você é incrível!

Ele sorriu.

_Sei que sou. – O moreno disse. – Não precisa me dizer. Eu sei que você me ama.

Deixando de lado as últimas palavras do amigo, por estar animada com seu plano, ela olhou para ele, um sorriso nos lábios. Finalmente parecia haver alguma esperança para a missão T.A.I. Isso é, se conseguissem convencer o outro garoto, mas ela achava que conseguia.

Uma única palavra escapou por entre seus lábios, em meio a toda a sua animação.

_Remus…