Os Cinco Marotos escrita por Cassandra_Liars


Capítulo 13
Capítulo 13 - No Clube do Slugue


Notas iniciais do capítulo

Esse capítulo foi betado pela fofa da Jamie Hermeling. (Desculpa, Gaby, mas, você estava demorando imensamente. Não fique brava comigo, por favor!).
Espero que vocês gostem.



Lily estranhou o fato de não ter havido nenhuma reunião do Clube do Slugue, o nome do clube administrado pelo professor de Poções. Chegou a considerar se ele não tinha se esquecido dela e de Severus, mas em meados de abril, depois do feriado da Páscoa, ela e o sonserino receberam os convites, feitos à mão caprichosamente e presos com uma pequena fita roxa.

Os convites pediam para eles irem até o gabinete do professor, sábado, na hora do jantar.

O dia tinha finalmente chegado, e as amigas estavam ajudando Lily a se arrumar, já que os jantares eram algo mais formal.

Alice suspirou.

_Você está linda, Lily! – ela disse, quando terminou de prender seu cabelo em duas tranças embutidas.

Não vestia nada especial. A ruiva usava um vestido vermelho, pouco acima do joelho, que pegara empestado com Dory. Não usava quase maquiagem nenhuma, tinha aderido às poucas sardas como uma marca pessoal. Nos pés, usava uma sapatilha preta comum.

Mas estava realmente muito bonita. Ela sorriu animada para as amigas.

_Eu pareço bem? – ela perguntou.

_Está ótima, Lily – assentiu Dory.

_Linda – Lene concordou.

_Muito linda mesmo! – disse uma sorridente e empolgada Alice.

Lily sorriu mais ainda.

_Certo, então eu vou indo, ou vou me atrasar – ela olhou no relógio – Oh, não! Eu já estou atrasada! Sev está me esperando no Salão Principal! Tchau, meninas! – e Lily saiu correndo, descendo a escada à toda a velocidade e passando pelo quarto da Mulher Gorda.

_Oh! Aonde você vai com tanta presa?

_Me desculpe! – gritou Lily ao longe – Estou atrasada.

Ela chegou ao Salão Principal em tempo recorde. Pôde ver Severus, e acenou para ele, ainda correndo em sua direção.

Entretanto, alguma coisa aconteceu. Lily deve ter tropeçado nos próprios pés ou qualquer coisa parecida. O fato é que quando ela já estava bem próxima ao amigo, quase caiu, e foi amparada por Severus.

_Oh! Obrigada, Sev! – ela disse, ficando em pé.

Sev a olhava com seus olhos negros e profundos, um leve sorriso nos lábios.

_Tudo bem, Lily – ele a olhou de baixo a cima.

Ela corou levemente.

_Você está linda – ele disse.

Lily sorriu.

_Oh, você acha? Obrigada!

_Dê uma voltinha – pediu Sev.

Lily, radiante, começou a rodopiar, o vestido vermelho esvoaçando. Quando finalmente parou, estava tonta.

_Gostou? – ela perguntou, ainda vendo tudo girar.

_Adorei – ele disse, e não mentia – Mas agora vamos.

Sev assentiu.

Os dois caminharam lado a lado, sem se tocar, conversando sobre assuntos aleatórios, até chegar à sala do Prof. Slughorn.

Severus deu três breves batidas na porta e ela logo foi aberta pelo sorridente professor.

_Ora, ora! Srta. Evans! Sr. Snape! Vamos entrando, vamos entrando.

O professor se afastou para dar passagens aos garotos, que logo perceberam que dos catorze lugares, apenas três estavam vagos. O do próprio professor e os deles.

A ruiva e Severus se sentaram nos lugares vagos.

Lily observou que a maior parte das pessoas ali pertencia a Sonserina.

Mas também tinham vários corvinais.

Alguns grifinórios, como um garoto um ano mais velho que ela tinha quase certeza de que se chamava Dirk Cresswell.

E dois ou três lufa-lufas.

Com mais uma boa olhada em todos os outros presentes, que comiam e conversavam educadamente, Lily percebeu que ela e Sev eram os únicos do primeiro ano.

Outra coisa que a ruiva reparou foi que a maioria das sonserinas usavam brincos de aranha de prata e diamante, o que ela achou estranho, mas, gosto não se discute.

O Professor Slughorn tinha acabado de sentar em seu lugar mais uma vez, e falava com cada um dos alunos.

Lily não pôde deixar de perceber que todos os presentes tinham alguma ligação com pessoas importantes ou tinham muito talento. Ela ficou feliz, pois sabia que não estava ali por causa dos seus pais trouxas, mas sim porque era muito talentosa.

Agora o professor enchia uma sonserina com perguntas, que as respondia educadamente.

A garota, que devia estar no último ano, era realmente muito bonita. Tinha os cabelos pretos levemente encaracolados caindo pelos ombros de uma maneira atraente. Ela tinha feições formosas e corpo bem moldado. Ao seu lado, estava outra garota, dois ou três anos mais nova, mas que continha igual beleza e era extremamente parecia com a primeira. Elas com certeza eram irmãs.

_Fiquei sabendo que você contraiu noivado com Rodolphus Lestrange – disse o Professor para a mais velha.

_Sim – ela respondeu, friamente – Vamos nos casar no verão. Toda a família vai. Teremos que convidar até meu primo Sirius, a vergonha da família, que foi para a Grifinória. Mas tia Walburga não tem nada a ver com isso e não merece ser excluída por causa do filho que tem.

O Professor riu, sem humor.

_Engraçada com sempre, Bella.

Então aquela era a famosa Bellatrix Black? Prima de Sirius e a quem o garoto tanto odiava? Muitíssimo interessante.

E, se aquela era Bellatrix, então certamente a garotinha ao seu lado era Andrômeda, a irmã do meio.

Lily virou o rosto e viu Sev olhando para ela.

_O quê?

_Eu perguntei se você quer faisão – o garoto disse.

_Ah, sim. Claro, claro. Iria adorar.

O sonserino cortou um pedaço da ave e colocou no prato de Lily. Todas as atenções da mesa agora estavam voltadas para Andrômeda, que timidamente respondia as perguntas do professor.

_Mas, hoje eu tenho o prazer de apresentar dois novos convidados – o Prof. Slughorn sorria – Lily Evans e Severus Snape.

E tinham chegado a um ponto desagradável. Lily já estava esperando por isso. Todos os outros tinham participado das reuniões o ano inteiro, e queriam saber quem eram os novos alunos que estavam entre eles.

_Bom, Lily, falemos sobre você. O que seus pais fazem? – disse ele, visivelmente interessado.

_Eles são trouxas – disse Lily, esforçando-se para não se engasgar com o faisão que acabara de engolir.

_Trouxa, é? – o professor ergueu uma sobrancelha, e houve alguns cochichos por parte dos sonserinos – Então você é nascida trouxa?

Lily apenas balançou a cabeça.

_Eu não acho que tenha algo errado com isso – disse Sev, defendendo a amiga – Quero dizer, ela pode preparar um poção melhor do que muitos puro-sangues, e o senhor sabe disso.

O Prof. Slughorn riu, sendo acompanhado por sorrisos forçados dos outros alunos.

_Certamente que não há problema nenhum com isso, Sr. Snape. Problema nenhum.

Para evitar um possível desastre, o Prof. Slughorn resolveu mudar de assunto.

_ Mas passemos para você, Severus – ele continuou – Eu conheci sua mãe. Eileen Prince. Ela se casou com um trouxa, não é verdade?

Sev assentiu.

_E como ela está?

_Bem, eu espero – ele disse, de cabeça baixa.

A verdade era que o professor tinha tocado na ferida.

Os pais dele, Tobias e Eileen Snape, viviam brigando.

O pai não gostava da mãe. Não gostava de magia. Não gostava de Severus. Na verdade, não gostava de nada, a não ser de beber e bater em Eileen e Severus.

A mãe era uma pessoa infeliz e amedrontada, e o garoto era assim também, antes de conhecer Lily.

Oh, Lily. Sim, Lily. Ela era tão bonita quando chuva de verão. O sorriso como uma brisa de primavera. Os olhos esmeraldas e os cabelos flamejantes. Tão perfeita em cada pequeno detalhe. Tão delicada e suave. Gentil e sempre pronta para ajudar. Não demorou muito e ele estava perdidamente apaixonado por ela.

Ele começou a seguí-la para todos os lugares, e não demorou a perceber que a ruivinha tinha poderes como ele, o que não foi exatamente uma surpresa. Com todo o seu jeitinho especial, ela não podia deixar de ser mágica.

_Ela era a capitã do time de Bexigas. Você sabia? – disse o Professor, agora sorrindo – E jogava Bexigas quase tão bem quanto preparava poções.

O professor continuou falando, mas Severus não estava mais ouvindo. Agora ele se lembrava da primeira vez em que falara com Lily.


"Ele estava em um lugar ensolarado, um playground quase deserto. Duas garotas balançavam-se para frente e para trás, enquanto ele, escondido atrás das moitas, observava.

Severus não tinha mais do que nove ou dez anos, e era amarelado, pequeno, fibroso. Seu rosto fino apresentava uma cobiça indisfarçável quando ele olhava para a mais nova das garotas, que se balançava cada vez mais alto do que sua irmã.

- Não faça isso, Lily! - gritou a mais velha das duas.

Mas a garota tinha levado o balanço até a maior altura de seu arco e voou no ar, quase que literalmente, lançando-se para o céu com gritos de risadas, e ao invés de se espatifar no asfalto do playground, ela subiu como uma trapezista pelo ar, ficando no alto por muito tempo e aterrissando brilhantemente.

- A mamãe disse para você não fazer isso!

Petúnia parou o seu balanço, fazendo um barulho agudo ao fincar os calcanhares das sandálias no chão, e saltou, com as mãos nos quadris.

- Mamãe disse que você não tem permissão, Lily!

- Mas eu estou bem - disse Lily, rindo – Túnia, olhe isso. Olhe o que eu posso fazer.

Petúnia olhou em volta. Ela achava que playground estava deserto, já que as garotas não sabiam que Severus estava ali. Lily pegou uma flor caída da moita atrás da qual ele espreitava. Petúnia aproximou-se, evidentemente dividida entre curiosidade e desaprovação. Lily esperou que Petúnia se aproximasse o suficiente para ter uma boa visão, e então ela abriu a palma da sua mão. A flor, que ali estava, abria e fechava suas pétalas, como uma ostra bizarra cheia de lábios.

_Pare com isso! - gritou Petúnia.

_Não está te machucando - disse Lily, mas ela fechou sua mão sobre a flor e a jogou no chão.

- Não é certo - disse Petúnia, mas seus olhos seguiram o vôo da flor ao solo e permaneceram nela - Como você faz isso? - ela acrescentou, em um tom de voz longo e claro.

- É óbvio, não é? – Severus saiu de trás da moita, não podendo mais se conter. Petúnia gritou e correu para trás dos balanços, mas Lily, embora claramente assustada, permaneceu onde estava. Ele se arrependeu de ter aparecido. Um pequeno rubor apareceu nas suas bochechas amareladas assim que ele olhou para Lily.

- O que é óbvio? - perguntou Lily.

Ele tinha um ar de nervosa excitação. Com uma olhada na distante Petúnia, agora parada ao lado dos balanços, Severus baixou a voz e disse:

- Eu sei o que você é.

- O que você quer dizer?

- Você é... Você é uma bruxa - sussurrou Snape.

Ela o olhou ofendida.

- Isso não é uma coisa muito agradável de se dizer para alguém!

Lily se virou, com o nariz arrebitado, e foi em direção da irmã.

- Não! - disse Snape, que estava muito vermelho agora.

As irmãs o avaliaram, unidas em desaprovação, ambas segurando um dos postes do balanço, como se fosse mais seguro.

- Você é - disse Snape para Lily - Você é uma bruxa. Eu estive te observando por um tempo. E não há nada errado nisso. Minha mãe é uma, e eu também sou um bruxo.

A risada de Petúnia foi como água fria.

- Bruxo! - ela gritou, sua coragem retornando agora que ela tinha se recobrado do choque da presença inesperada do garoto - Eu sei quem você é. Você é o filho do Snape! Eles moram lá embaixo na Rua da Fiação, perto do rio - ela contou a Lily, e era evidente pelo seu tom que ela considerava o endereço de baixa recomendação - Por que você estava espionando a gente?

- Não estava espionando - disse Severus, quente e desconfortável, com os cabelos sujos brilhando pela luz do sol - Nunca espionaria você, de qualquer forma - ele acrescentou sem se conter - Você é trouxa.

Embora Petúnia evidentemente não tivesse entendido a palavra, ela não pode deixar de perceber o tom.

- Lily, venha, nós vamos embora! - ela disse agudamente. Lily imediatamente obedeceu a irmã, olhando para Snape enquanto partia. Ele continuou parado olhando-as até que atravessassem o portão do playground. O desapontamento amargo de Severus era evidente. Estivera planejando esse momento durante um tempo, e tudo tinha dado errado...”

Mas isso não importava agora. Ele se lembrava de que tinha concertado as coisas com Lily, e desde então, os dois tinham sido inseparáveis até chegarem em Hogwarts, quando foram selecionados para casas diferentes. Mas, ainda assim, sempre que podiam ficar juntos, eles conversavam e riam. Nunca deixariam de ser amigos.

E Severus alimentava secretamente a esperança de que Lily o amava tanto quanto ele a amava. De que algum dias os dois pudessem se casar e ter uma vida feliz juntos.

O professor de poções tinha finalmente parado de falar e agora encarava Severus.

_Me desculpe? – disse o garoto.

_Eu disse que você deve ter puxado o talento de sua mãe.

_Ah, sim. Claro.

Ele já tinha percebido há algum tempo que todas as pessoas sentadas a mesa eram ligadas a pessoas importantes ou extremamente talentosas, como sua Lily.

Severus ficou feliz quando as atenções mudaram para uma garota pequena e de cabelos cor de palha da Lufa-Lufa.

Quando o jantar finalmente se encerrou, Severus disse que acompanharia Lily até a Sala Comunal da Grifinória, e embora a ruiva tivesse insistido o contrário, ele acabou indo com ela.

Já era tarde e provavelemente todos já estaria dormindo, mas não importava.

Quando eles estavam na frente do quadro da Mulher Gorda, Lily disse:

_Então… - ela disse, passando o peso do corpo de um pé para o outro.

_Então…

_Então, obrigada por me acompanhar. Foi muito gentil.

Severus sorriu.

_Não se preocupe, Lily.

_Bom, a gente se vê amanhã, certo?

_Certo.

Lily ficou nas pontas dos pés para alcançar a bochecha de Severus e beijou-lhe ali.

_Boa noite, Sev – ela disse, antes de se virar, dizer a senha e entrar, desaparecendo de vista.

Ele ainda ficou mais alguns minutos olhando para o nada, até a Mulher Gorda começar a brigar com ele. Então, virou-se também e desceu as escadas até as masmorras, pensando: “Ela me beijou. Sim, Lily Evans me beijou!”.



Notas finais do capítulo

Eu sei que provavelmente tem muita gente brava comigo. Principalmente porque eu estou escrevendo uma história chamada "Os Cinco Marotos" e escrevo um capítulo em que não aparece nenhum maroto. kkk
Mas, depois de tanto Quadribol, foi bom ter um pouco de Lily e Snape, não é verdade? Ver com ela é quando não está expodindo de raiva por causa do James. kkk
BlueBerryKisses,
Cassie
OBS: Posso postar o capítulo 14 ainda hoje? Ou é muita informação de uma vez só para processar?