Os Cinco Marotos escrita por Cassandra_Liars


Capítulo 109
Capítulo 3 - Amor à Luz da Lua-Cheia


Notas iniciais do capítulo

Eu seiii! Eu demorei tudo o que tinha para demorar! Desculpem! Mas, vocês vão ter que dar um desconto, afinal, eu estava viajando. Primeiro pro casamento da minha melhor amiga (eu fui madrinha *-*) e depois eu e o meu namorado resolvemos aproveitar o clima e dar uma voltinha por nossa conta. :D Preciso dizer que foi perfeito? Bom, de qualquer jeito, estou de volta! E espero que gostem desse capítulo!



Ela estendeu a mão para ele. Não podia mentir e dizer que não estava assustada, mas ela tentou não demostrar. Afinal, ele era Remus, ela o amava, ele nunca faria nada de ruim.

A fera encolhida também estendeu a pata para Nymphadora. Enquanto ele a estendia, porém, foi se transformando estranhamente, e quando finalmente tocou a mão da mulher parada a sua frente já não era mais uma pata, e sim uma mão.

– Remus… - ela disse o nome dele, agora com um sorriso nos lábios e alívio indescritível.

– Dora… - o homem tentou se cobrir e ficou feliz quando ela tirou a própria capa, e ofereceu a ele.

Ele se levantou e tocou o rosto dela.

Tonks sorriu e fechou os olhos, deixando que a brisa calma da manhã e a luz do sol nascente que passavam pela janela aberta a envolvessem.

E enquanto Remus tocava o rosto de Dora, ela sentiu o cabelo castanho sem graça voltar ao rosa rapidamente. Mas logo Remus se afastou, seu cabelo continuava o mesmo castanho sem vida, e ela teve quase certeza de que mudança de cor do cabelo fora apenas impressões;

– É muito perigoso. – ele disse. – Eu sou muito perigoso. – Remus virou-se de costas para ela – Muito perigoso para você.

A mulher abriu os olhos, indignada. Por um momento pensara que finalmente o havia convencido que eram ridículas as ideias de que eles não podiam ficar juntos. Já lhe dissera um milhão de vezes que não ligava… Não ligava que ele fosse um lobisomem!

– Como pode ser tão egoísta? – ela perguntou, irritada.

– Egoísta? – ele repetiu, virando-se para ele de repente. – Eu estou apenas pensando em você, Dora! Estou apenas pensando no que é melhor para você!

–Se estivesse pensando mesmo no que é melhor para mim – ela gritou, – pararia de ser tão idiota e aceitaria que gosta tanto que mim quanto eu gosto de você!

– Mas você sabe que eu gosto! – Remus continuou. – E é por gostar que eu…

– Mentira! – Tonks acusou. – Se você realmente gostasse de mim iria querer me ver feliz! E brincar com os meus sentimentos não é certo, Remus!

Naquele momento eles estavam na casa de Remus. Ela sabia que era lua-cheia, mas precisava vê-lo, então foi até o quarto vazio onde Tonks sabia que ele se transformava. Agora com a Poção Mata-Lobo, ele mantinha a consciência durante suas transformações, o que não o impedia de se transformar.

– Você não devia estar aqui. – Remus simplesmente disse, virando-se de costas de novo, agora mais calmo. – Vá embora, por favor.

– Mas, Remus, eu…

– Vá embora – ele repetiu, - Por favor.

Contrariada, Tonks virou-se e saiu da quarto, passando pelos corredores pouco aconchegando e finalmente chegando à porta, deixando a casa de Remus.

Não estava particularmente feliz com nada daquilo, mas o que podia fazer?

Remus era tão cabeça-dura…

*~~*~~*~~*~~*~~*

Era Natal.

Os Weasley e seus convidados estavam sentados na sala de estar; Ginny a decorara com tanto exagero que tinham a impressão de estar no meio de uma explosão de papel em cadeia. Fred, Jorge, Harry e Ron eram os únicos que sabiam que o anjo no alto da árvore era, na realidade, um gnomo de jardim que mordera o calcanhar de Fred quando ele arrancava cenouras para a ceia de Natal. Estupidificado, pintado de ouro, apertado em um mini tutu, com asinhas coladas às costas, ele olhava de cara amarrada para todos, o anjo mais feio que Harry já vira, com uma cabeçorra pelada como uma batata e pés bem cabeludos.

Todos deviam estar ouvindo o programa de Natal apresentado pela cantora favorita da Sra. Weasley, Celestina Warbeck, cuja voz saía tremida de um grande rádio com a caixa de madeira. Fleur, que aparentemente achava Celestina muito chata, falava tão alto a um canto que a Sra. Weasley, aborrecida, a toda hora apontava a varinha para o botão do volume, fazendo com que Celestina berrasse cada vez mais. Aproveitando um número particularmente animado, "Um caldeirão cheio de amor quente e forte", Fred e Jorge começaram um joguinho de Snap Explosivo com Ginny. Ron não parava de lançar olhares sorrateiros a Bill e Fleur, como se esperasse aprender umas dicas. Enquanto isso, Remus Lupin, mais magro que nunca, estava sentado à lareira, contemplando suas profundezas como se não ouvisse a voz de Celestina.

"Ah, vem mexer o meu caldeirão, E se mexer como deve ser Faço procê um amor quente e forte Para sua noite aquecer."

Pam estava lá também, perto de Remus. Parecia muito cansada e definitivamente mais magra e pálida do que jamais estivera. O cabelo parecia bagunçado e de um modo geral tinha uma aspecto doentio enquanto tentava cuidar dos dois gêmeos – pequenos e frágeis – ao mesmo tempo. Mas, levando em consideração as noites em claro que devia ter passado por causa dos bebês e a loucura de se acostumar com a vida nova, ela parecia até que bem. Todos haviam se preocupado muito depois do parto dos bebês, quando ela simplesmente desmaiara e tivera que ser levada as pressas ao St. Mungus, mas de um modo geral, não havia nada de errado com ela.

Harry se aproximou para falar com Pam, Lupin e o Sr. Weasley. Contou a eles sobre suas desconfianças em relação à Draco Malfoy e Snape, e perguntou para Pam e Remus se eles tinham alguma ideia sobre quem era o Príncipe Mestiço. Sobre Draco e Snape, todos achavam que Dumbledore tinha motivos para confiar em Snape e que tudo devia estar sobre controle, e quanto ao Príncipe Mestiço, Pam e Remus não tiveram muito que acrescentar sobre isso, a não ser o fato que aquele com certeza não se tratava de qualquer dos Marotos.

Remus também contou que estava tendo muito trabalho na Ordem e que não fazia muito tempo desde que começara a andar com os lobisomens, como um espião para saber o que eles estavam fazendo, afinal, eles estavam aos pouco se aliando à Voldemort e quem melhor do que Remus para cuidar desse trabalho?

Depois disso Harry viu Ginny e a Sra. Weasley se aproximando para brincarem com Brian e Kath, ao que Pam pareceu muito agradecida enquanto as garotas pegavam os gêmeos no colo e cuidavam deles. E nessa oportunidade, Harry aproveitou para se afastar deles.

Pam contou às garotas que apesar de parecer tão cedo e os filhos terem apenas três meses, ela conseguia perceber as diferenças e a personalidade de cada um deles. Brian dificilmente chorava, mesmo quando Kath o fazia sem parar, a menos que – dependendo da pessoa – fosse ao colo de desconhecidos. Ginny, com o menino de poucos cabelos castanhos no colo, sorriu, visto que o pequeno parecia tranquilo e não chorando.

Quanto a Kath, Pam contou, ela era mais agitada e dava mais trabalho, além de requisitar atenção o tempo todo, chorando quando sentia que as pessoas não haviam a “venerado o suficiente naquele dia”, foram as palavras que a nova mãe usou. Ela também não tinha problemas nenhum com desconhecidos. A Sra. Weasley olhou para a garotinha com seus tufos de cabelos bem escuros que sorriu para a mulher.

Pam também demonstrou sua infelicidade em ter os dois com os olhos azuis como os dela e não cinzas como os de Sirius. Também pareceu estar mexendo em uma ferida recente quando mencionou o nome de Sirius e ficou calada por vários momentos.

Por fim, disse que convidara Remus e Tonks para serem os padrinhos de Kath (afinal a magametamorfa se apaixonara pela menininha), e Andie e Ted para serem os padrinhos de Brian. Parecia muito justo no final das contas.

Quando perguntada sobre seu pai, porém, Pam vacilou um pouco antes de dizer que ele estava em uma missão da ordem muito importante e que não pudera comparecer a casa dos Weasley.

Naquela noite eles também receberam a visita indesejada do Ministro da Magia, que queria falar com Harry, e Pam olhou com toda uma estranheza para ele, pegando os filhos e indo embora, aparentemente incapaz de olhar para o homem e talvez o culpando pela morte de Sirius.

*~~*~~*~~*~~*~~*~~*

Muita coisa acontecera naquela noite sombria, tantos meses depois daquele Natal aconchegante na casa dos Weasley. E, de tudo, aquele parecia o pior. Naquele momento Harry estava na sala de Dumbledore, paralisado sobre a capa da invisibilidade, não muito longe do diretor, e pôde ver perfeitamente quando aconteceu.

Snape adiantou-se e tirou Malfoy do caminho com um empurrão. Os três Comensais da Morte recuaram calados. Snape fitou Dumbledore por um momento, e havia repugnância e ódio gravados nas linhas duras do seu rosto.

— Severus... por favor...

Snape ergueu a varinha e apontou diretamente para Dumbledore.

— Avada Kedavra!

Um jorro de luz verde disparou da ponta de sua varinha e atingiu Dumbledore no meio no peito. O grito de horror de Harry jamais saiu; silencioso e paralisado, ele foi obrigado a presenciar Dumbledore explodir no ar: por uma fração de segundo, ele pareceu pairar suspenso sob a caveira brilhante e, em seguida, foi caindo lentamente de costas, como uma grande boneca de trapos, por cima das ameias, e desapareceu de vista.

E acabara.

*~~*~~*~~*~~*~~*

Todos haviam sido mandados para a enfermaria. Remus protestou no inicio, disse que não estava ferido. Mas no final se deixou ser guiado para lá por Tonks e Luna. Assim que entrou viu Ron vir em sua direção, aparentemente preocupado e começar a lhe lançar várias perguntas sobre licantropia de uma vez, deixando-o atordoado.

Depois lhe explicaram que Bill não estava muito bem e que fora atacado por Fenrir Greyback, o mesmo lobisomem que transformara Remus, mas que ele não estava transformado quando atacara o ruivo.

Remus ia começar a falar o que achava quando algo interrompeu.

As portas da enfermaria se abriram e todos que estavam aglomerados em volta da cama de Bill (inclusive Remus) se viraram para ver quem era.

Era Harry Potter, ao lado de Ginny.

Hermione correu abraçar o amigo. E mesmo Remus se adiantou também, ansioso.

— Você está bem, Harry?

— Estou ótimo... e o Bill?

Ninguém respondeu. Harry viu um rosto irreconhecível no travesseiro de Bill, tão cortado e despedaçado que parecia grotesco.

— Ele não foi mordido na lua cheia — lembrou Ron, que fixava o rosto do irmão, como se pudesse forçar a cura só de olhar. — Greyback não estava transformado, então, com certeza, Bill não vai virar um... um verdadeiro...?

O garoto olhou inseguro para Remus.

— Não, não acho que Bill vá virar um lobisomem de verdade — concordou Lupin —, mas isto não significa que não haja alguma contaminação. Provavelmente não cicatrizarão totalmente... e Bill talvez adquira alguma característica lupina daqui para a frente.

— Dumbledore talvez saiba alguma coisa que dê jeito — falou Ron. — Cadê ele? Bill lutou contra aqueles maníacos por ordem dele. Dumbledore tem obrigações para com ele, não pode deixar meu irmão assim...

— Ron... Dumbledore está morto — disse Ginny.

— Não! — Remus olhou desvairado de Ginny para Harry, como se esperasse que o garoto a desmentisse, mas ao ver que Harry não o fez, Remus desmontou em uma cadeira ao lado da cama de Bill, as mãos cobrindo o rosto. Harry nunca vira Remus se descontrolar; teve a sensação de estar invadindo algo privado, indecente.

— Snape o matou — continuou Harry. — Eu estava lá e vi. Voltamos direto para a Torre de Astronomia porque vimos a Marca lá... Dumbledore estava mal, fraco, mas acho que percebeu que era uma armadilha quando ouviu passos rápidos subindo a escada. Ele me imobilizou, não pude fazer nada, estava coberto pela Capa da Invisibilidade... então, Malfoy entrou e desarmou Dumbledore...

Hermione levou as mãos à boca, e Ron gemeu. A boca de Luna tremeu.

— ... chegaram mais Comensais da Morte... depois Snape... e Snape o matou. Avada Kedavra. — Harry não conseguiu prosseguir.

Madame Pomfrey caiu no choro.

Eles se permaneceram em silêncio até que a porta se abriu mais uma vez e por ela entrou McGonagall.

— Molly e Arthur estão a caminho — anunciou ela — Harry, que aconteceu? Segundo Hagrid, você estava com o professor Dumbledore quando ele... quando aconteceu. Ele diz que o professor Snape esteve envolvido em alguma...

— Snape matou Dumbledore — respondeu Harry.

Ela o encarou por um momento, então seu corpo balançou de modo alarmante.

— Snape — repetiu McGonagall com um fio de voz. — Todos nos perguntávamos... mas ele confiava... sempre... Snape... não consigo acreditar... Dumbledore sempre insinuou que tinha uma razão inabalável para confiar em Snape. Quero dizer... com o passado de Snape... é claro que as pessoas duvidavam... mas Dumbledore me confirmou, de modo explícito, que o arrependimento de Snape era absolutamente sincero... não queria ouvir uma palavra contra ele.

— Eu adoraria saber o que Snape disse para convencê-lo — comentou Tonks.

— Eu sei — disse Harry, e todos se viraram, encarando-o. — Snape passou a Voldemort a informação que fez Voldemort caçar meus pais. Então, Snape disse a Dumbledore que não tinha consciência do que estava fazendo, que lamentava realmente o que tinha feito, lamentava que eles tivessem morrido.

— E Dumbledore acreditou nisso? — perguntou Lupin incrédulo. — Acreditou que Snape lamentava a morte de James? Snape odiava James...

Todos pareciam estar absortos no horror da revelação, tentando digerir a verdade monstruosa do que acontecera.

— Não sei exatamente como aconteceu — disse a professora McGonagall perturbada. — É tudo tão confuso... Dumbledore tinha nos dito que ia se ausentar da escola por algumas horas e que devíamos patrulhar os corredores só por precaução... Remus, Bill e Nymphadora viriam se reunir a nós... – Então ela olhou para o rosto preocupado de Harry, que parecia buscar por alguém e acrescentou. ­– Não. Pamela não estava aqui. Creio que tenha andando muito preocupada com os pequenos monstrinhos. – Ela disse, e Harry não pôde deixar de imaginar que tipo de trabalho Brian e Kath poderiam estar causando para a professora se dirigir a eles desse jeito. – De qualquer, como Dumbeldore disse, patrulhamos. Tudo parecia tranquilo. Todas as passagens secretas para fora da escola estavam vigiadas. Sabíamos que ninguém poderia entrar pelo ar. Havia poderosos encantamentos sobre cada entrada do castelo. Continuo sem saber como é possível que os Comensais da Morte tenham entrado...

— Eu sei — interpôs Harry, e explicou brevemente a existência do par de Armários Sumidouros e a passagem mágica que formavam. — Eles entraram pela Sala Precisa.

Eles então contaram tudo como acontecera naquela noite em detalhes, pois Harry, ausente com Dumbledore, não sabia de tudo. E, quando acabaram, ficarem em profundo silêncio, cada um pensando em uma coisa diferente…

As portas da ala hospitalar se abriram de repente, sobressaltando a todos: o Sr. e a Sra. Weasley vinham entrando pela enfermaria, Fleur logo atrás, seu belo rosto aterrorizado.

— Bill — sussurrou a Sra. Weasley, passando direto pela professora ao avistar o rosto desfigurado do filho. — Ah, Bill!

Remus e Tonks tinham se levantado, ligeiros, e se afastaram para o casal poder se aproximar da cama. A Sra. Weasley curvou-se para o filho e levou os lábios à testa dele.

— É provável que haja certa contaminação, mas ele ficará bem — explicou Remus, tentando acalmar os Srs. Weasley. — É um caso raro, provavelmente único... não sabemos qual será o comportamento dele quando acordar...

A Sra. Weasley e Fleur tiveram uma pequena discussão, mas, então — e ninguém pareceu ter visto direito como aconteceu — as duas mulheres estavam chorando e se abraçando.

— Está vendo! — exclamou uma voz cansada. Tonks olhava aborrecida para Remus. — Ela ainda quer casar com Bill, mesmo que ele tenha sido mordido! Ela não se incomoda!

— É diferente — respondeu Lupin, quase sem mover os lábios, parecendo subitamente tenso. — Bill não será um lobisomem típico. Os casos são completamente diferentes...

— Mas eu também não me incomodo, nem um pouco! — retrucou Tonks, agarrando Lupin pela frente das vestes e sacudindo-o. — Já lhe disse isso um milhão de vezes...

— E eu já disse a você um milhão de vezes — respondeu Remus evitando os olhos dela, encarando o chão — que sou velho demais para você... pobre demais... perigoso demais...

— E tenho lhe dito o tempo todo que a sua atitude é ridícula, Remus — interpôs a Sra. Weasley por cima do ombro de Fleur.

— Não estou sendo ridículo — respondeu   Remus com firmeza. — Tonks merece alguém jovem e saudável.

— Mas ela quer você — interpôs o Sr. Weasley com um sorrisinho.

— Este não... não é o momento para discutir o assunto — replicou Remus, evitando os olhares de todos e olhando, aflito, para os lados. — Dumbledore está morto...

— Dumbledore teria se sentido o mais feliz dos homens em pensar que havia um pouco mais de amor no mundo — disse secamente a professora McGonagall, no momento em que as portas da enfermaria tornaram a se abrir e Hagrid entrou.

A pequena parte de seu rosto que não estava sombreada por cabelos ou barba estava molhada e inchada.

Hagrid disse alguma coisa sobre ter feito o que a professora pedira e que o Ministério estava a caminho para McGonagall. Por fim, a professora, Hagrid e Harry (com quem McGonagall queria conversar) saíram da sala.

Depois disso a enfermaria caiu em silêncio e o único som que podia ser ouvido era o do canto triste da fênix fora do castelo.

*~~*~~*~~*

Algumas horas haviam se passado e depois de um tempo, Tonks deixara a enfermaria, sem grandes explicações. E, sentindo-se culpado, Remus teve que ir atrás da mulher.

Mesmo que gostasse muito dela – mas do que como uma amiga, tinha que admitir – não conseguia deixar de pensar que ela era muito mais nova do que ele e que merecia coisa melhor. Além disso, havia um motivo que ninguém a não ser ele conhecia para estar se recusando tanto a admitir que seu lugar era ao lado dela.

Isso porque, pouco antes de encontrarem os Comensais da Morte no Departamento de Mistério, na noite em que Sirius morreu, enquanto atravessavam o Ministério naquela direção, o amigo ainda fizera um último pedido a Remus.

“Se alguma coisa acontecer comigo, você tem que me prometer que vai cuidar da Pam. Não pode deixar que ela vá para Azkaban, ela enlouqueceria se fosse, eu sei o que estou falando. Ela tem andado emocionalmente instável e a beira de um ataque de nervos, se alguma coisa acontecer… Estou falando sério. Você pode fazer o que quiser, mas não deixe Pam ir para Azkaban. Você pode até ficar com a minha prima – e Remus sabia que ele falava de Tonks enquanto ria e de repente voltava a ficar sério. – Mas agora, de verdade, não faça isso.”

Remus olhara constrangido para o chão. Não achara que estivera tão claro que gostava de Tonks! Mas, a partir daquele dia em diante, ele tentou não falar e mesmo olhar para Tonks, o que tinha se tornado uma missão cada vez mais impossível.

E agora Sirius teria que desculpá-lo, mas ele não podia mais continuar com todo aquele teatro.

Finalmente encontrou Tonks em um canto afastado do castelo, em um corredor em que não ocorrera nenhuma batalha e estava tudo intacto. Aproximou-se dela e percebeu que lágrimas discretas corriam por suas bochechas.

– Está tudo bem? – ele perguntou, anunciando sua presença.

– Nada com o que você deva se preocupar. – ela disse, virando-se para ele e tentando enxugar as lágrimas sem que ele visse.

– Sabe, você tem razão. – ele disse, - Eu tenho sido estúpido.

– Que bom que admite. – Tonks continuou, séria.

Remus tocou o rosto da mulher como fizera meses antes, e ela olhou nos olhos dele. Depois de alguns segundos se encarando, ele se aproximou dela, selando seus lábios demoradamente.

Enquanto Remus a beijava, Tonks sentiu os cabelos voltando definitivamente ao rosa-chiclete de sempre. E quando eles se afastaram, um sorriso dominava seus lábios e ela sentia a vida voltando ao seu corpo.

– Eu te amo. – ela disse.

Remus vacilou. Não respondeu imediatamente e durante algum tempo apenas olhou para a outra, um pouco desnorteado.

Então sorriu.

– Te amo também, Dora. – e eles se beijaram de novo.



Notas finais do capítulo

Bom, estamos na reta final. Esse foi o último capítulo do Quinze Anos Depois. O próximo vai ser o último ano que eu vou narrar. E, se eu conseguir chegar aos 1600 comentários, vou postar um capítulo extra. São 217 leitores, acho que eu consigo chegar lá. :D (lembrando que eu ainda tenho o negócio da aposta dos 1500 comentários!)
De qualquer jeito, quero agradecer a todos que ainda estão me acompanhando e não desistiram da fic, comentaram e me proporcionaram todos esses momentos maravilhosos com os Marotos.
Por fim, quero parabenizar todos os escritores pelo Dia do Escritor :D Muito obrigada por trazerem alegria a todos nós com suas palavras!
BlueBerryKisses,
Cassie