Infernal Love escrita por juhpiazza


Capítulo 17
Capítulo 17


Notas iniciais do capítulo

olá! desculpem a demora, realmente tá BEM complicado postar por causa do colégio e etc.. mas enfim, hoje posto esse e mais dois. (:




          Capítulo 17 – Niall Horan

    25 de novembro – 17h21min

Eu cheguei à casinha cambaleando, o álcool não tinha o mesmo efeito sobre mim, mas ainda assim eu estava tonto. Toda aquela saída, não havia me ajudado em porra nenhuma, talvez só houvesse me confundido mais ainda e eu sentia que agora o meu cérebro formava um enorme nó. Engoli em seco quando, depois de fechar a porta e me virar, vi Alana ali, parada no meio do “quarto” com os olhos alarmados, assustados. Avancei até ela, sem pensar muito nos meus atos, queria abraçá-la e voltar a tê-la, tirar aquele olhar assustado e dizer que eu estava ali e sempre iria protegê-la.

Eu mal sabia que o motivo de todo aquele medo era eu.

Alana se afastou de mim, com receio, mas minha atenção estava focada em outra coisa, pingos de sangue caiam lentamente atrás de seu corpo, pingo por pingo. Pisquei várias vezes tentando dissimular o que era aquilo, mas meu raciocínio não foi rápido o bastante. Senti o metal de uma faca rasgando a minha pele, perfurando meu peito e indo cada vez mais afundo. Não senti dor.  Não pela faca pelo menos. Senti uma magoa profunda. Cambaleei por causa do susto e o sangue jorrou empapando toda a minha camisa, deixando de branco para um vermelho sangue. Ela me olhava assustada, com lágrimas nos olhos, brilhantes. Segurei o cabo da faca com força e o puxei, tirando do meu peito e a jogando no chão. Deixando um rastro de pingos de sangue. O corte já formava uma cicatriz e o sangue parecia tinta jogada na camiseta.

A mágoa me machucou. Ela poderia desconfiar que eu não pudesse morrer, e ela realmente desconfiava, eu sabia disso por causa da pergunta que ela havia me feito antes. Acontece que, desconfiar não é ter razão. E mesmo ela não tendo a total certeza, ela cravou aquela faca no meu peito para “tirar a duvida.”. Uma pergunta essencial martelava na minha cabeça: “E se eu pudesse morrer? Ela iria se importar?”. Fechei os olhos tentando entender.

- Então é verdade... – ela sussurrou aturdida.

- Você não se importou se eu ia ou não morrer, você simplesmente o fez sem se importar comigo. – eu caí sentado na cama ainda sem entender, minha voz estava desesperada e esganiçada e no fim eu estava quase gritando.

- É verdade Niall? – ela jogou dois livros e um papel no meu lado na cama e foi se sentar no outro extremo da mesma, bem longe de mim.

Peguei os dois livros e os reconheci imediatamente, já havia visto ambos há muito, muito tempo atrás, junto com Circe. O mais grosso era um livro qualquer sobre Mitologia Grega, folheei suas páginas e notei que era escrito por alguém que realmente entendia do assunto, e expunha mitologia como algo real, não como um conto de fadas. Larguei-o e peguei o outro, que era levemente mais fino e mal cuidado, passei as páginas com cuidado e notei que se tratava do diário da própria Circe. Eu sabia que ela nos botava como vilões, não que realmente não fossemos, mas se pensar por outro lado, estávamos apenas em busca de um descanso. Peguei o papel e notei que era um jornal, muito antigo. Reconheci a matéria na hora, eu me lembrava muito bem daquele dia, tinha sido a primeira vez que eu havia matado uma Richards sozinho. Não fazia ideia de como Alana tinha conseguido aquele jornal, mas sabia que era dali que ela havia começado a desconfiar.  Larguei os livros e o jornal no meu lado.

- Você matou minha mãe? – ela falava com um fio de voz. – E agora você quer me matar? Por quê?

Respirei fundo, tentando achar um ponto da história por onde começar.  Era muita coisa para eu organizar e explicar para ela. Abaixei a cabeça, deixando meus olhos analisarem o chão e comecei.

- Há muito, muito tempo atrás, mais do que você possa imaginar, as religiões eram diferentes Alana. Deus estava cansado por ter que cuidar de tudo. Era muita coisa, para só uma pessoa cuidar entende? Por mais poderoso que ele fosse, era demais. Então ele moldou seres perfeitos, seres que iriam auxiliar ele em toda sua jornada, os chamados deuses. Existiam assim, um deus menor para cada coisa, então Deus conseguiu administrar tudo. As pessoas que viviam naquela época eram muito apegadas a esses deuses. Eles já foram pessoas como você algum dia, então nos adoravam, mas claro, eles eram deuses, superiores, e queriam sacrifícios e oferendas a cada mês. E ficou assim decretado, cada família escolheria cinco ou seis deuses e mais Deus, e lhe dariam oferendas mensais. Nós, as seis famílias que você já ouviu falar, escolhemos Atena, a deusa da sabedoria, Ártemis, a deusa da caça, Hades, o deus do mundo inferior, Jano, o deus da indecisão, Apolo, o deus da medicina e claro, Hécate a deusa da magia. Mensalmente fazíamos oferendas e sacrifícios para esses seis deuses e para Deus, mas os deuses começaram a ficar orgulhos e começaram a exigir mais e mais de todos nós. O que era mensal passou a ser semanal e em um piscar de olhos, tudo estava diário. Deus não via isso, ou fingia não ver, Ele era o único que mantinha os sacrifícios e oferendas mensais. Mas nós nos cansamos, estávamos cansados de fazer aquilo cada merda de dia. Então resolvemos simplesmente abandonar a religião, abandonar os deuses, abandonar Deus. Foi um baque forte para eles essa rebeldia. No inicio eu não queria aquilo, eu resisti, mas eu sabia que eles lá em cima estavam exagerando, então acabei cedendo. – parei de falar e a olhei, ela me olhava com atenção. Pigarreei e voltei a olhar para o chão.

“Acontece que, tudo isso aconteceu quando Lúcifer, o querubim mais fiel e importante para Deus, caiu. Deus havia descoberto seus planos orgulhosos, de ser melhor e maior superior a Ele. Lúcifer ‘caiu’ aos nossos pés, e ele nos falou suas propostas, sem em nenhum momento admitir o erro, sempre falava que ele estava certo e que todos do sétimo céu não sabiam a verdade por trás de Deus. Mentiras claro. Mas nós tínhamos que nos prender em alguém, então resolvemos nos prender nele. Fomos os primeiros seguidores de Lúcifer. Isso deixou Hécate e Circe, mais e mais furiosas. Foi quando elas nos lançaram a maldição e Lúcifer lançou a praga para elas. Enquanto nós não poderíamos morrer, elas morriam aos poucos. Décadas e décadas depois, enquanto nós ainda tentávamos morrer, em vão, Lúcifer conseguia mais seguidores e tentava descobrir como nos ajudar. Então, chegou um dia que ele descobriu, e nós começamos a rastrear todos as Richards e matamos, todas. Até hoje fazemos isso. Eram muitas. Você é a última Alana. E você tem que morrer para nós podermos morrer também.

Assim que eu acabei, a olhei. Ela mantinha a cabeça abaixada e pequenas lágrimas caiam dos seus olhos. Sentei no lado dela e a abracei. Alana afundou a cabeça na minha camisa sem se preocupar com o sangue e começou a realmente chorar. Eu sabia que ela tinha muitas dúvidas e eu iria respondê-las, mas agora eu apenas queria proteger ela e garantir que ninguém iria feri-la. 



Notas finais do capítulo

e ai? que tal? olha só, eu viajei ali ok? o negócio de deus com deuses, é tudo coisa da minha cabeça. mas enfim. deixem seus reviews! ♥