Roller Coaster escrita por jgw22


Capítulo 20
Capítulo 20


Notas iniciais do capítulo

Juro que esse é o mais triste. E sim, eu chorei escrevendo, sl. Esse é um POV novo, espero que gostem. (:




JAZMIN’S POV

Eu estava dormindo, quando comecei a ouvir batidas fortes na janela do meu quarto. De novo não. Sempre a mesma coisa, eu não aguentava mais isso. Coloquei o chinelo e abri a janela, pulando e já sentindo braços agarrando a minha cintura. Eu me mantinha imóvel, a vontade de dar um tapa na cara de Edgar e jogar ele longe era enorme, mas eu não podia fazer isso. Ele me arrastava pelo pátio até dentro de sua casa, e dali, pra seu quarto. Eu sentia seu hálito de uísque em meu pescoço. Típico, pensei. Eu me mexia apenas o necessário, queria o máximo terminar com aquilo. Edgar me jogou em sua cama enquanto tentava arrancar meu pijama, mas estava mais bêbado do que o normal, cambaleava e tinha as mãos percorrendo meu corpo. Eu mesma tirei o pijama, tentando apressar mais aquela situação odiosa. Ele passava as mãos apressadamente em minhas pernas, arrancando minha calcinha no caminho. Eu tinha horror a tudo aquilo, tinha horror a ele.

Eu fiquei estática o tempo todo, não sentia mais nada, fazia aquilo pura e unicamente por obrigação. A vontade de sair correndo dali só aumentava; Edgar gritava e grunhia, segurava-me pelos pulsos. Eu sentia meus braços implorando para serem libertados, sabia que na manhã seguinte, eles acordariam com hematomas. Minhas pernas estavam doloridas enquanto ele fincava seus dedos nelas; porém, eu me mantinha em absoluto silêncio, tentando segurar as lágrimas de ódio que queriam sair naquele momento. Em meio a toda aquela raiva dentro de mim, comecei a lembrar-me da primeira vez de tudo aquilo, há nove anos atrás.

FLASHBACK ON

Eu estava no jardim, ajudando papai a plantar mudas de novas florzinhas no jardim de Seu Edgar, o patrão dele. Seu Edgar era um homem muito bom, ele deu uma casa para papai e mamãe quando eles vieram trabalhar aqui, e me deixou morar com eles quando eu nasci. Eu o adorava, ele sempre me dava guloseimas e me levava para passear, dizia que eu era a filha que ele nunca teve.

Naquele dia, depois de todas das mudinhas plantadas, ele chegou em casa e disse que havia adorado o serviço que eu e papai fizemos, e disse que me levaria para lanchar como modo de recompensa. Ele me levou no Mc Donalds, me deu um brinquedo e sobremesa. Depois, quando estávamos no carro, indo para casa, Tio Edgar, como ele disse que queria ser chamado, falou-me que me levaria para conhecer um lugar muito legal, que nunca tinha me levado.

Eu estava muito animada enquanto o carro do Tio Edgar andava pelas ruas que eu nunca tinha visto. Ele parou o carro na frente de um prédio velho, abrindo a porta e me fazendo entrar num apartamento pequeno e com um cheiro muito ruim.

Ele começou a tirar meu vestido enquanto tirava a calça e a camisa, eu não entendia nada do que estava acontecendo, comecei a chorar de medo ao ver o rosto do Tio Edgar com um sorriso assustador, igual os vilões de desenhos animados. Ele tirou minha calcinha e começou a me machucar com seu próprio corpo. Eu gritava, chorava e pedia para ele parar, mas ele batia em minhas costas e mandava-me ficar quieta.

Nós ficamos naquele lugar por muito tempo eu acho, depois que ele parou de me machucar, eu coloquei minha roupa e me encolhi num canto daquele apartamento. Ele vestiu-se também e se abaixou em minha frente, encarando com aqueles olhos assustadores, que fez com que eu me encolhesse.

– Você nunca vai contar o que aconteceu aqui para ninguém, porque se você abrir a boca, mocinha, eu vou tirar o seu papai e sua mamãe da casa em que moram. Você quer isso? – eu fiquei quieta, com os olhos cheios de lagrimas, ele repetiu num tom mais alto. – Você que isso? – eu balancei a cabeça negando, e abaixando os olhos. – Ótimo, então vamos, e você não vai ficar com essa cara triste em casa, se não já sabe.

Saímos daquele lugar e eu sentei em seu carro, completamente assustada e em silêncio. Seguimos o caminho até a casa e quando Edgar abriu a porta para mim, sussurrou ‘lembre do que eu te falei e coloque um sorriso neste rosto’. E assim eu saí, agindo como se nada tivesse acontecido, para proteger minha família. Para proteger a mim mesma.

FLASHBACK OFF

Finalmente, Edgar cansou e deitou-se na cama a meu lado, já dormindo com altos roncos. Vesti minha roupa enquanto segurava as lágrimas que insistiam em cair e rapidamente me pus pra fora daquela casa, voltando para a minha casa, pulando a janela de novo. Deitei-me na cama, deixando as lágrimas saírem completamente, dessa vez sem prendê-las. Enfim, acabou. Com aquele pensamento, acabei caindo no sono.

Acordei na manhã seguinte e fui direto para o banho. Quando saí, vi que meu celular tocava compulsivamente. Corri até ele e vi o nome de Alice no visor.

– Oi, Alice? – perguntei um tanto quanto surpresa, afinal, era só atravessar o pátio, certo?

– Oi Jaz, tenho uma coisa meio, hm, ruim pra te contar. Podemos nos encontrar na Starbucks daqui a meia hora? – ela disse num tom calmo.

– Espera, porque não vem aqui? – eu falava numa voz confusa agora.

– Não, Jazmin. Eu não dormi em casa, estou aqui nos garotos; é sobre isso que eu preciso falar com você. –ela disse no mesmo tom monótono, sem muita expressão.

– Hm, tá bom, te encontro em meia hora. – eu disse já desligando o telefone.

Arrumei-me rapidamente e na hora combinada saí para encontrar Alice. Entrei na Starbucks e já a avistei sentada numa mesa ao fundo, com um cappuccino à frente. Sentei-me a seu lado, ela só levantou o olhar encontrando o meu, e percebi claramente a nuvem de melancolia nele.

– O que houve? – eu perguntei perplexa.

– Oi Jaz, tenho uma coisa muito ruim pra te contar; é sobre Edgar. – ela dizia, já enchendo os olhos de lágrimas, mas sem deixar nenhuma sair dali.

–O que houve? – repeti; eu só sabia dizer isso, a expressão dela estava me deixando sem nenhuma reação.

– Ontem... Ontem a noite, ele chegou em casa bêbado, e... e ele tentou... – ela já chorava e começava a soluçar. – ele tentou abusar de mim, Jazmin. – ela abaixou o olhar e eu fiquei pasma. Que ele era um maníaco sexual pedófilo, isso eu já sabia, e o odiava. Mas como ele pôde fazer isso com a própria filha? Abracei-a e a deixei chorando um tempo em meu ombro, falando palavras de conforto, enquanto eu mesma estava perdida em pensamentos. Será que eu deveria contar-lhe? Não, nem minha própria mãe sabia; eu tinha jurado para mim mesma que nunca contaria pra ninguém. Mas ela merecia saber, ela deveria ter conhecimento de quem realmente era seu pai. Comecei a respirar fundo algumas vezes, antes de afastar o abraço, olhar em seus olhos e começar a falar.

–Alice, eu tenho que te contar uma coisa. – eu sentia meus olhos arderem com a formação de algumas lágrimas. – Eu... Eu sabia que seu pai fazia isso... Digo, abusava de... Mulheres... – minha voz se perdia dentro de mim antes mesmo de sair, deixando apenas grossas lagrimas escorrerem pelas bochechas.

– Como assim, Jaz? – ela perguntou numa carinha de criança assustada, completamente confusa.

– Porque ele abusa de mim. – falei num jato, deixando mais lagrimas correrem na mesma intensidade.

– O que Jazmin? Como assim? Isso é muito sério! É verdade? – Alice estava com os olhos arregalados de pavor.

– É Alice, isso faz muito tempo, desde meus nove anos. Ele me proibiu de contar pra qualquer um, disse que colocaria minha família na rua, que ninguém acreditaria em mim. É horrível Alice, horrível! – eu falava em meio a um choro e soluços compulsivos.

– Jazmin, olha pra mim. – ela levantou meu rosto deixando os dois na mesma altura. – Você não precisa fazer isso, não mesmo! Eu vim aqui pra te dizer que não vou voltar pra casa, a partir de hoje vou morar com os garotos. E você vai comigo, pode ter certeza; eu não posso te deixar naquela casa depois disso que você me contou. – ela falava num tom decidido, me olhando com convicção.

– Alice, eu não posso! Tenho meus pais lá, não posso abandonar eles, não posso! E além do mais, como que eu vou explicar pros garotos e... E pro Niall? – eu disse sentindo minhas bochechas esquentarem, enquanto as lagrimas amenizavam.

– Não Jazmin! Você vai comigo sim! Vamos falar com seus pais, se quiser não precisa nem falar o real motivo. Diz que, sei lá... Diz que você quer um pouco de independência, ah sei lá, Jazmin! Mas eu não vou deixar você naquela casa. Não vou. – ela falava com determinação, mas amenizou a voz e continuou a falar. - Depois, quando nós duas tivermos um pouco mais estabilizadas na casa dos garotos, a gente procura um lugar melhor para seus pais. E isso é uma promessa. – ela sorriu e eu sorri junto. – E quanto aos garotos, não precisa ter medo de nada, até porque o Zayn disse que nenhum precisa saber o que aconteceu comigo, e com você não vai ser diferente. E em relação ao Niall, aí é você que vai ter que decidir contar ou não.

Eu já estava gostando da ideia. Morar longe de todo aquele fantasma que me acompanhou durante nove anos? Não era nada mal. Eu decidi que sim, moraria longe dali, falaria com meus pais e eles me entenderiam. Eu poderia conseguir outro emprego e viver de um jeito diferente.

Ficamos ali por mais uma meia hora. Depois fui pra casa falar com meus pais e Alice me acompanhou, ela disse que precisava pegar algumas coisas. No caminho todo, minha mente vagava pela nova vida que eu via se formando a minha frente.




Notas finais do capítulo

Eaí? O que acharam? Muito ruim? Juro que vou tentar parar com essa melancolia da história. kiuaisuha. Obrigado por todas as reviews lindas, ok? Continuem lendo e comentando, aqui ou no twitter: @july_wolff . E me ajudem a divulgar, ok? Beijos e mtmtmt obrigada.
Ah, vou ficar um tempo sem postar )): Vou viajar e acho que só volto semana que vem, Sorry.