Roller Coaster escrita por jgw22


Capítulo 10
Capítulo 10





ALICE’S POV

Eu e Zayn seguimos caminhando pela rua naquela noite, ambos sem dar uma palavra. Aquele momento estava muito estranho, a sensação era que estávamos imersos cada um com seus pensamentos, sem percebemos que estávamos na companhia um do outro.

- Bom, graças a você, eu estou com cheiro de homem. Obrigada mesmo, Zayn. – eu disse olhando seu rosto, que era iluminado pelos postes da rua. Ele deu apenas um sorriso em resposta.

- Ué, o que houve? Você tá muito quieto garoto. – eu disse o indagando; nessa altura, já havíamos parado de caminhar.

- Eu tava só... Pensando. – ele falou vagamente.

- Em... ? – falei para que ele continuasse.

- Você. – ele falou fitando meu rosto com aqueles olhos castanhos hipnotizantes. – Não sei muito sobre você Alice, sei seu nome, sei onde mora, e já percebi que não é inglesa, por causa de seu sotaque. Mas, fora isso, o que eu sei? Nada. Você é minha amiga só há três dias, eu sei, mas parece muito mais tempo, e eu me sinto meio distante de você, e isso não é nada legal. Eu te acho mais do que especial, quero levar isso a frente, quero que a nossa amizade seja forte, como a que eu tenho com todos os garotos, mas pra isso, eu preciso saber mais que seu nome... – ele deixou essas palavras no ar para que eu absorvesse a ideia.

- Bem, eu sei que posso confiar em você. – disse sorrindo para ele. – temos tempo, não? Sente-se, vamos conversar então.- Eu sentei no meio fio da calçada e Zayn sentou a meu lado. Comecei a encarar o nada, vendo o melhor jeito de começar a contar a minha história.

- Bem, me chamo Alice Lewis, tenho 17 anos e nasci em Seattle, nos EUA. – eu sorria para ele e via meu sorriso espelhar-se em seu rosto, o fazendo sorrir também. – Com dois anos de idade, meu pai abandonou a mim e minha mãe e veio morar aqui em Londres. Eu vivi em Seattle com minha mãe até os 8 anos, quando nos mudamos para a Califórnia. Nunca fui a menina mais popular da escola, não tive caras a meus pés e nem amigas de verdade. – não sei porque, mas Zayn deu uma risadinha e logo voltou a ficar sério.

- Qual é a graça? – perguntei o fitando.

- Sei lá, só acho engraçado você dizer que nunca teve caras a seus pés. Pra mim, eles deviam ser todos cegos. – ele falou me olhando e mordiscando levemente o canto da boca.

“Senhor Malik, dá pra, por favor, parar de me hipnotizar com esse seu olhar e sua mordida absurdamente sedutores e me deixar continuar a minha história?” Juro que era exatamente isso que eu queria falar para ele, mas meu bom senso resolveu funcionar e eu fiquei quieta, ao invés disso, só soltei:

- Se você ficar me interrompendo, não termino minha história. – falei fingindo estar braba. Ele colocou os dois dedos indicadores sobre a boca, fazendo um “x” com eles, tive que rir dessa cena, mas logo fiquei séria e comecei a contar de novo, vendo um sorriso absurdamente lindo no rosto dele.

- Enfim, há quatro meses, recebi a pior noticia da minha vida: minha mãe tinha um tumor em estado terminal. – nesse momento, o sorriso que estava no rosto de Zayn desapareceu, e ele continuou prestando atenção em mim, totalmente sério. – Ela lutou, mas infelizmente o tumor foi mais forte. Ela morreu fazem 3 semanas. Quando me deparei, eu estava sozinha, órfã, mas aí apareceu o Edgar, quer dizer meu pai, desculpe, ainda estou acostumando com a ideia de chama-lo assim. – ele sorriu fraco, sem mostrar os dentes, mas logo fechou a cara de novo. Eu falava séria, sem tentar demonstrar muita emoção. – Ele apareceu na Califórnia dizendo que eu viria morar com ele em Londres. Então, mesmo sob pressão, arrumei minhas coisas e vim; cheguei aqui na quinta feira, e o resto você já sabe. – falei olhando em seus olhos, concluindo a história.

- E agora, você ainda está aqui sob pressão? – ele perguntou meio sério.

- Hm, mais ou menos. – eu falei pensativa, e vi um indício de sorriso se desfazer no rosto de Zayn; acho que eu tinha falado besteira. – Quer dizer, a relação com Edgar ainda está bem difícil, nós brigamos ontem, nos reconciliamos hoje, mas nada é muito natural ainda, e acredite, se não fosse você, os garotos, Jaz e Bru, essa mudança não teria sido pra Londres, mas sim pro inferno. – eu dei uma risada fraca. Zayn me abraçou por um longo tempo, depois falou em voz baixa:

- Obrigado por isso, significou muito pra mim, você não sabe o quanto. E pode deixar, eu não vou contar pra ninguém o que você disse hoje. – disse ele me puxando para mais perto dele, me fazendo enterrar a cabeça em seu peito. Eu iria agradecer por ele não contar a ninguém, mas pensei melhor, levantei a cabeça de seu peito e encarei seu rosto, que estavam a centímetros do meu, e acabei dizendo:

- Não, quer saber? Pode contar para os garotos e pra Bru, eles são meus amigos, merecem saber. Não quero segredos com nenhum de vocês. Querendo ou não, essa é a minha história, e se você não contar agora, certamente o Louis vai acabar perguntando. – eu disse rindo.

 E nós ficamos ali, na calçada, apenas ouvindo nossas respirações e o barulho do vento nos arbustos, enquanto eu brincava com os dedos de Zayn, sim, eu acabara de descobrir mais uma de minhas manias. Quando eu finalmente levantei dali e o puxei, fomos andando em direção a minha casa abraçados, conversando sobre as mais variadas besteiras. Quando chegamos a frente de minha casa, Zayn olhou no relógio de seu ipod e mostrou-me o visor. Era 9:23 pm. Nós rimos e ele me deu um abraço de despedida, beijou minha testa e sussurrou um ‘boa noite’ no meu ouvido. Fiquei na ponta dos pés para alcançar seu ouvido e sussurrar de volta ‘obrigado, você também’, depositando um beijo em sua bochecha. Ele me olhou nos olhos, sem desfazer o abraço.

- E boa sorte no seu primeiro dia de aula amanhã. Eu te ligo à noite pra saber como foi. – ele disse estampando o sorriso mais estonteante que conseguia.

- Obrigado, mas agora vai, porque nós transformamos um percurso de 5 minutos numa passeata de 1 hora, os outros devem estar preocupados com você. –eu disse rindo e o empurrando, mas ele me puxou para perto dele de novo, me segurou num abraço, me rodopiou no ar, como fez à tarde quando me molhou, e depois de soltou, com um sorriso safado no rosto, encarando minha cara braba, ou pelo menos era isso que eu tentava parecer.

-Bom, pelo menos, agora não você não ficou toda encharcada. – ele falou rindo baixo.

-Ah, vai embora, vai Malik! – disse me despedindo e entrando em casa.



Notas finais do capítulo

Hãm??? E aí, o que estão achando? x)