Remember December escrita por Anne Masen


Capítulo 18
Décimo Sétimo Capítulo.


Notas iniciais do capítulo

Capítulo dedicado à MandyDoelinger, que me ajudou a escrevê-lo. Obrigada, amiga ♥



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PONTO DE VISTA: ISABELLA SWAN.

— Você está preparada para lidar com tudo isso, digo toda essa situação de adoção? — perguntou Katherine após alguns minutos de silêncio.

Virei a cabeça para olhá-la, depois voltei minha atenção para a pista por qual dirigia. Soltei um suspiro.

— Acho que sim. Digo, eu tenho que estar. — respondi com um suspiro. — Eu não quero parecer pessimista, mas esses dias tenho sentido como se algo fosse dar errado. Tento ignorar mas é em vão, aquilo sempre vai me atordoar, o mal pressentimento pode estar escondido, mas nunca deixa de existir. Eu tenho que estar pronta caso algo ruim aconteça.

— Desde quando você pressente as coisas, Isabella Sawn? — Kath fingiu estar assustada.

Eu ri.

— Não desse jeito, Katherine. Mas acho que seja algo relacionado a James. — dei uma olhadela para o lado afim de ver sua reação, mas Katherine se manteve passiva. — É meio doido, mas é como se eu não conseguisse confiar nele.

— Você já pensou na possibilidade de estar com tanto medo de não conseguir a guarda da Amanda, e com isso temer tudo que pode tirá-la de perto de você? — de repente ela estava preocupada, o vinco entre suas sobrancelhas deixava isso claro. — Você definitivamente precisa se acalmar, Bells. Ou daqui a pouco vai arrancar os cabelos.

— Tudo bem. Vou fazer isso. — respondi com um meneio de cabeça.

— Eu sei o que te faz relaxar, você precisa passar um tempo com Edward. — Katherine riu.

Meu rosto ficou rubro quando lembrei-me da noite que eu tivera com Edward.

— Na verdade, eu já tive um tempo com Edward. — contei. — Noite passada.

Deixei o carro em ponto morto enquanto deixava-o deslizar até parar devido o sinal vermelho. Arqueei as sobrancelhas para Katherine, ela parou de digitar algo no celular e fixou o olhar em mim.

— Tá brincando?

— Sem brincadeiras, se é que você me entende. — soltei uma risada pondo o carro em movimento outra vez.

Katherine também riu.

— Uau. — arfou. — Finalmente.

— Katherine!

— O quê? — defendeu-se. — Você e Edward estão juntos há um bom tempo, são maiores de idade, se amam mais do que qualquer casal do mundo — ela riu. — Não vejo nada de errado aí. A não ser que você esteja receosa com aquele papo de oh meu Deus, eu dormi com meu noivo antes do casamento. Você não tem problema com isso, tem?

— Não. — eu disse.

— Estou até surpresa de que Edward tenha esperado tanto tempo. Eu juro pra você que ele não namorou ninguém depois que vocês se separaram, e agora que estão juntos novamente... Bom, ele deveria estar com muita vontade de...

— Katherine! — repeti, poderia apostar que meu rosto inteiro estava praticamente em chamas.

— Ok, ok! Não está mais aqui quem falou — ela levantou as mãos, num sinal de rendição.

Manobrei o carro dentro da vaga no estacionamento do hospital e desliguei o veículo. Comprimi os lábios, tentando esconder meu sorriso.

— Finalmente mesmo. — confessei.

Katherine explodiu em uma gargalhada e eu a acompanhei.

x

— Prontinho, Carol. Você está liberada. — sorri para a garotinha de quatro anos a minha frente.

Carol olhou para o curativo cor de rosa que eu colocara em seus dois joelhos e sorriu.

— Mas nada de bicicleta por enquanto, hein? — alertei num tom suave. Dirigi meu olhar para a sra. Thomas, a mãe da criança. — Espere até o machucado sarar até que ela possa se aventurar em cima de uma bicicleta novamente, e o curativo deve ser trocado todas as vezes após o banho, certo?

— Tudo bem, doutora. Obrigada. — a senhora sorriu para mim, e eu devolvi o gesto.

— Você é uma pessoa legal, doutora Swan. — disse a voz fina e infantil de Carol. — Mamãe e eu podemos voltar aqui para visitá-la?

— Por tanto que você venha sem machucados, será muito bem vinda. — a voz masculina veio de trás de mim. Girei nos calcanhares, e então pude ver Edward encostado no batente da porta, ele sorria.

— Edward! — gritou Carol, animada. Ela tentou correr para abraçá-lo mas o movimento de suas pernas tornou-se desconfortável devido ao machucado nos joelhos.

Edward, vendo a dificuldade da criança, foi até ela. Se abaixou a abraçou Carol.

— É bom vê-lo de novo, dr. Cullen. — disse a sra. Thomas.

— Igualmente sra. Thomas — respondeu Edward educadamente, ele ficou de pé para trocar um aperto de mão com a senhora.

— Parece que vocês já se conhecem. — eu disse o óbvio.

— Sim, eu atendi essa pequena semana passada quando ela se sentiu mal após exagerar nos salgadinhos. — Edward bagunçou os cabelos dourados de Carol. A criança riu.

— Você é namorado na dra. Swan? — perguntou Carol a Edward.

— Carol! — repreendeu baixinho a sra. Thomas.

Edward sorriu.

— Na verdade, a dra. Swan é minha noiva. — respondeu ele num tom orgulhoso.

Eu senti o sangue subir para o meu rosto.

— Ah, legal. — comentou Carol.

A paciente não ficou por mais muito tempo em minha sala, após dizer que voltaria para me ver, Carol e a mãe saíram, deixando-me a sós com Edward.

Edward olhou no relógio em seu pulso.

— Pronta para ir? — murmurou ele. Duas passadas grandes foram o suficiente para ele chegar a minha frente e passar os braços por minha cintura.

— Claro. — eu disse, enquanto tentava manter a mente clara, o que era muito difícil com Edward distribuindo beijos por meu pescoço. — Não que eu não esteja gostando — balbuciei depois de um tempo. — só não se esqueça que as paredes da sala são de vidro, e as persianas estão abertas.

Edward riu contra minha pele e se afastou.

— Vamos sair daqui — disse ele pegando minha mão e me guiando para a porta. — Tem uma senhora no corredor nos encarando, não quero lhe dar motivos para um ataque cardíaco.

Do lado de fora, sorri constrangida para a velhinha enquanto deixava Edward me tirar dali.

x

— Sabe quando eu disse que estava pronta? — perguntei a Katherine ao meu lado. — Agora já não tenho tanta certeza assim.

Katherine me olhou pelo canto do olho, como quem diz: é bom você se manter calma, ou vou ser obrigada a estapear sua cara.

Eu deveria saber que meu estado de nervosismo não passaria despercebido por Edward.

— Vai ficar tudo bem. — sussurrou-me ele.

Meu humor oscilava, num minuto eu me sentia otimista, no outro era como se uma bomba fosse jogada em minha confiança.

Uma senhora morena e baixinha anuncia o caso, para depois o juiz bater o martelinho contra a bancada. A sessão foi iniciada.

Olhei aflita para a criança a alguns metros de distancia, Amanda parecia tão mais pequena e frágil no banco perto do juiz.

— Vai ser bem rápido, ok? Você só terá que responder algumas perguntas que eu fizer. Lembre-se que se você se sentir desconfortável é só me dizer que você estará livre, tudo bem? — sussurrava Larissa num tom doce para Amanda.

— Ok. — respondeu Amanda com um meneio de cabeça.

Larissa virou-se e assentiu para o juiz. Ele, após isso, murmurou um “Muito bem, vamos continuar.”

— Amanda, você pode dizer como foi a primeira vez que você encontrou Edward e Isabella? — começou Larissa.

Amanda olhou em volta meio hesitante, como se estivesse pedindo permissão para falar. Seus olhos caíram em mim e eu assenti para ela, encorajando-a.

— Era de noite, e eu estava voltando do parque com meus pais. — murmurou Amanda. Me perguntei se ela não estava incomodada em falar da morte dos pais, temi que ela começasse a chorar. Mas nada disso aconteceu, e Amanda apenas continuou o relato. — Então dois homens saíram de uma loja e começaram a gritar com a gente. Mamãe entregou a bolsa para eles, mas papai deu um empurrão no moço mais alto. O outro homem começou a gritar com a minha mãe, e papai ficou mais bravo. — ela fez uma pausa, franzindo o cenho e comprimindo os finos lábios. — Depois eu não vi muita coisa, porque mamãe me disse para fechar os olhos. Houveram dois barulhos muito altos, pareciam com os fogos que soltam no ano novo. Quando voltei a abrir os olhos os dois homens já tinham ido embora, e papai e mamãe estavam deitados no chão, sem se mexer.

Amanda parou de falar e olhou em volta novamente.

— Se você quiser parar, é só me dizer — repetiu Larissa diante da pausa de Amanda.

A pequena apenas negou com a cabeça antes voltar a falar.

— Eu fiquei com medo, não sabia o que fazer. Sentei no chão e fiquei chorando. Foi quando Edward e Bella me acharam. — Amanda levantou o olhar para nós. — Eles ficaram comigo até a policia chegar. Até aí eu já estava um pouco mais calma — ela deu de ombros. — Só fiquei com medo de não vê-los novamente, não gostei de quando me levaram para o orfanato, eles disseram que o Edward e a Bella não poderiam ficar comigo. Então eu tive medo novamente, não queria ficar sozinha em um lugar desconhecido. Só aceitei ficar quando Edward me disse que voltaria, e que no dia seguinte iríamos ver a vovó.

O juiz virou a cabeça na direção de Amanda. Uma ruga estava situada no espaço entre suas sobrancelhas.

— Sua avó ainda está viva, querida? — perguntou ele à Amanda.

— Sim.

— Ela mora aqui em Londres?

— Mora sim, mas ela está em algum tipo de asilo, e está muito doente. E é por isso que ela não pode ficar comigo, não é? — Essa última parte foi dirigida à Larissa, que por sua vez assentiu, confirmando a fala da Amanda.

— Ah, certo. — disse o juiz. — Continue por favor, srta. Santana.

Larissa ficou um tempo em silêncio, pensando no próximo passo que daria. Ela, que permaneceu o tempo todo perto da bancada que Amanda estava, andou mais para o centro da sala, e por fim ficou de pé não muito longe da bancada que eu estava com Edward, Katherine, Kevin e Logan. Mais alguns bancos atrás estavam Esme, Carlisle, Renée e Charlie. Do outro lado da sala de audiência podia-se ver James King o advogado que o representava. James vestia um terno azul marinho, seu rosto não me deixavam saber o que ele estava sentindo, ele apenas observava Amanda lá na frente.

— Amanda, qual é sua impressão de Edward e Isabella?

De repente, o advogado de James estava de pé.

— Protesto, Meritíssimo. A senhorita está persuadindo a criança de acordo com a opinião dela sobre o casal. — disse o homem.

— Srta. Santana, terei que concordar com o sr. Kemp. Lembre-se que estamos aqui para avaliar as melhores condições para a criança, não para ver com quem ela se dá melhor. Reformule a pergunta ou retire-a. — alertou o juiz.

— Eu retiro a pergunta. — escolheu Larissa.

O advogado se sentou. Larissa comprimiu os lábios antes de continuar.

— Pode-se dizer que você manteve contato com os dois depois desse dia não é mesmo, Amanda?

— Sim. — Amanda respondeu. E ao dar de ombros, completou — Edward prometeu estar comigo, eu sabia que ele cumpriria sua palavra.

Ao meu lado, Edward sorriu.

— Entendo — diz Larissa. — Você pode me contar, querida, de uma forma breve, como eram esses encontros?

— No começo eram visitas apenas para ver se eu estava bem. — disse Amanda. — Mas depois Edward e Isabella, sempre que podiam, iam passar o dia comigo. Me ajudavam com as tarefas da escola, liam para mim. Edward me falava sobre os pássaros que voavam por ali. Bella sempre lia uma história para mim, e fazia penteados em meu cabelo. — Amanda sorria, enquanto lançava um sorriso para mim e Edward. — Basicamente, eles cuidavam de mim, e me ajudavam não importava o quê.

— Obrigada — Larissa sorriu, triunfante. Lançou um olhar para o juiz — Sem mais perguntas.

x

— Você está pálida, Bells. Mais do que o normal. — disse Kevin.

— Acho melhor você ir ao hospital — sugeriu Katherine.

Revirei os olhos.

— Não se preocupem comigo, eu estou bem. Só estou um pouco nervosa.

— Um pouco. Claro. — debochou Edward. — Sabe que não precisa assistir isso, Esme pode ficar com você do lado de fora. Quando o resultado sair, eu as chamarei. — deu de ombros.

— Não, Edward. Eu quero ver. — disse pela milésima vez.

Larissa fizera um ótimo trabalho. Conseguiu fazer Amanda dizer como eu e Edward somos para Amanda, mostrando que faríamos de tudo para que a criança tivesse uma vida boa, e satisfatória.

O advogado de James não quis fazer perguntas à Amanda. Usou tempo para representar James contando de forma geral a vida de seu cliente.

James tinha experiência com crianças, uma vez que já fora pai. Ele é um professor — muito conhecido, por sinal — e com o salário de um bom profissional conseguira sustentar satisfatoriamente sua esposa e filha quando ambas estavam vivas. Por que não seria assim com a pequena Amanda? Indagou o advogado em tom otimista.

Só houve um porém na história toda; após perder a família em um acidente de carro — no qual ele era o motorista — James se entregou a bebida. O consumo excessivo do álcool já lhe custara várias vezes o emprego e King já tinha sido preso algumas vezes por roubo de bebida em diversos bares da cidade.

Percebi que esse seu passado prendera a atenção do juiz. James já é clinicamente tratado contra o “vício”, disse Kemp. Mas não foi o suficiente para que o juiz não ficasse atento ao fato.

Lidar com o álcool é muitas vezes considerado uma luta eterna, você nunca está completamente curado. A pessoa passa dia após dia presa em sua batalha interna para não ceder o desejo de tomar um gole daquilo que uma vez já pode ser chamado de dose inofensiva, mas que no futuro lhe dominou e a fez perder o controle de si mesma.

Quer dizer, Amanda poderia correr o risco de estar com James se ele um dia viesse a ceder?

O juiz bateu duas vezes com o martelo na bancada, chamando a atenção dos presentes na sala. Ele havia tomado sua decisão.

Eu esperava encontrar meu coração pulando para fora do peito quando abaixei o olhar para minha camisa. Edward segurou minha mão.

— Senhoras e Senhoras, com base nas apresentações feitas por Nathaniel Kemp, representando James King e Larissa Santana, representando Edward Cullen e Isabella Swan, eu tomei minha decisão sobre o caso para decidir a atual guarda de Amanda Roberts. — disse Ross, o juiz. — E levando em conta a avaliação psicológica e social à que os interessados na adoção foram submetidos, a fim de observar se eles possuem condições de adotar uma criança, fica decidido que a guarda da criança deve ser entregue à Edward Cullen e Isabella Swan. Agradeço a todos que se empenharam para que este julgamento acontecesse, meus parabéns para vocês sr. Cullen e srta. Swan. Espero que vocês saibam da responsabilidade que foi colocada em seus ombros, e que vocês atinjam nossas expectativas de dar uma excelente criação à criança. Caso encerrado.

Tumulto. Edward. Minha família. Meus amigos. Amanda. Tudo a minha volta parecia estar em puro êxtase, porém eu ainda continuava parada, desfrutando da calmaria, alívio e felicidade que me invadia lentamente. Então como se tivessem me jogado uma pedra, eu fazia parte das pessoas que comemoravam a nossa vitória no caso.

— Conseguimos! — exclamei para Edward.

Ele não disse nada, apenas me puxou para me beijar.

— Finalmente — sussurrou ele, a testa encostada na minha. Edward sorria feito um bocó.

— Definitivamente essa é a sua palavra preferida — respondi.

Edward gargalhou.

A porta da sala se abriu, e a senhora que era a governanta do orfanato onde Amanda havia ficado entrou, trazendo consigo a própria Amanda. A pequena correu na nossa direção para nos abraçar.

— Eu vou ficar com vocês, não vou? — perguntou, energética.

— Sim, você vai para casa com a gente — respondeu Edward, rodando-a no ar.

Recebi e agradeci os parabéns de todos. Minha mãe estava tão emocionada quanto eu, e Larissa insistia em educadamente fazer pouco caso toda vez que a agradecia por ter feito aquilo por nós.

Olhei em volta da sala, e além da euforia das pessoas que eu conhecia, King estava em silêncio, as mãos no bolso da calça do terno azul claro, ele fitava Amanda. Pensei em ir falar com ele, saber como estava se sentindo, mas depois pensei que eu talvez fosse a última pessoa com quem ele gostaria de falar.

Decidi então apenas respeitar seu momento, e limitei-me a observa-lo. Fiquei surpresa quando sua expressão se modificou para a mesma de quando o vi pela primeira vez: de uma dor profunda.

Franzi o cenho, depois senti alguém tocar meu braço. Edward lançou um breve olhar na direção de King, depois trocou um olhar comigo.

— Sophie — sussurrou James. Eu tinha voltado a cabeça para olhar Edward, mas ao ouvir isso virei-me lentamente na direção contrária.

— Só eu ouvi isso? — perguntei aos sussurros para Edward.

— Não. — sussurrou de volta, os olhos fixos em James. — Sophie. É o nome de sua filha, a que faleceu junto com a esposa dele.

Não respondi, continuei a observar James — que não parecia ter noção que estava sendo observado.

— Eu vou voltar para lhe buscar, Sophie — James continuou a sussurrar, os olhos fixos em Amanda. — Espere por mim, querida.



Notas finais do capítulo

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