A Filha De Ártemis escrita por Carol C


Capítulo 19
Agora





NÃO ME MATEM!!!

O CAP TÁ ENORME!!! E MIL E DUAS DESCULPAS POR NÃO TER POSTADO O CAP NO FINALZINHO DO MÊS! EU REALMENTE NÃO CONSEGUI!!!

E por motivos familiares, não vai ter cap esse mês, mas vai ter um bônus ainda essa semana! Pode não ser tão grande como os normais, mas vai ser bom.

E também... Eu vou precisar dizer alguma coisa sobre a parte interativa da fic.

Alguns vão aparecer só na segunda temporada da fic. E eu estava vendo nas descrições, então representantes da Laura Molan, Milena e Melissa Jackson, vocês vão aparecer na segunda, tudo bem?

Tem ainda onze personagens, e não vou conseguir encaixar todos na missão. Se alguém quiser aparecer na segunda temporada ou na terceira, eu não vou esquecer de colocar, tudo bem? Me desculpa mesmo!

AH!!! O resultado!

Os casais são Willy, Tath, Cleo, e Kannor.

Divisão do cap:

Agora

Missão

Reencontro





POV: Autora linda e maravilhosa (e nada convencida)







Os anos se passaram lentamente para vários.





Theo, Clair e Kath ficaram absolutamente chocados quando Lily contou para eles o que aconteceu, Kath acabou tendo um ataque e ficou quase uma semana trocando o mínimo de palavras possível, o mesmo aconteceu com Theo, dos três, a que menos apresentou preocupação foi Clair.





Helen ficou extremamente preocupada com a amiga, pois ela se recusou a comer por quase um mês, então, haviam vezes que ela preferia que Lilian e Will jamais tivessem se conhecido.





Os três amigos voltaram para suas casas e falaram com a mãe de Willian, esperando que ela tivesse recebido alguma notícia.





Negativo. Nem ela recebeu.





E assim se passaram três longos anos. Nesse meio tempo várias coisas aconteceram.





Theo e Clair terminaram, ninguém sabia o motivo, afinal, estavam muito felizes namorando, mas depois de dois duradouros anos de namoro terminaram.





Kath e Connor terminaram alguns meses depois, com dois anos e dois meses de namoro. Pelo que disseram, a paixão acabou.





Kath e Clair deixaram de ser amigas mais ou menos um ano depois do término. Como deixaram de ser amigas? Ninguém sabe, mas elas, agora, nem se cumprimentam.





Mas será que algum dia isso ia mudar?








POV: Lily








Inspirar, expirar, inspirar...





Lancei a faca novamente no alvo, acertando o centro. O mesmo se incendiou em fogo azul, me fazendo suspirar.





Eu não acertava o feitiço, o fogo tinha de ser roxo, não azul.





Sentei acabada no chão, colocando a cabeça entre os joelhos. Eu precisava das coisas que eu não podia ter. E neste momento.





Sentia falta do meu pai, não tive maneiras de contar o que aconteceu, ele havia pedido para eu tentar mandar o mínimo de cartas possível, pois estava se mudando frequentemente. E Will, ninguém sabia nada dele, se ele estava vivo ou não. Segundo Theo e Kath, nem a mãe dele sabia.





– Lilian! - chamou alguém ofegante atrás de mim





Virei e vi Helena.





– O que houve? - perguntei arqueando as sobrancelhas





Ela colocou a mão no peito para acalmar a respiração, inspirou fundo.





– Tem uma campista nova... - antes que terminasse a interrompi





– É verão, sempre chegam campistas novos.





– Eu não terminei. - estreitou os olhos - Quíron pediu para você apresentar o acampamento para ela.





– Por que eu?





– Porque o homem que estava junto pediu que fosse com você.





Revirei os olhos, ela me acompanhou até a asa grande.





– É aquela garota. - Lena sussurrou apontando para a menina que estava sentada na varanda, balançando as pernas





Fui em sua direção, quando já estava próxima, ela virou a cabeça e vendo me em seguida.





– Olá, prazer, sou Lilian. Você é a campista nova? - perguntei sorrindo





– Sim. Meu nome é Victoria, prazer. - cumprimentou-me estendendo a mão, apertei-a





– Vamos conhecer o acampamento?





– Eu adoraria. - falou com a voz suave, colocando o cabelo para trás da orelha





Apresentei a ela todo o local, de vez em quando ela arqueava as sobrancelhas, como se estivesse surpresa, mas não impressionada.





– E é isso. - falei quando acabamos





– Obrigada por me mostrar! Eu vou ficar em qual bl... Quer dizer, chalé?





– Você á foi reconhecida? - ela assentiu - Sua mãe ou pai é...





– Afrodite.





– Então você vai ficar no chalé dez.





– Aquele cor de rosa? - perguntou franzindo o nariz em desgosto





– É, Mas não se preocupe você tem vários irmãos legais.





– Tudo bem... - Ela se virou observando a colina - Eu já volto, vou me despedir do Stephen. - e correu





Franzi as sobrancelhas, eu conhecia alguém com esse nome, mas não me lembrava quem era a pessoa. Fechei os olhos forçando a memória.





'Stephen! Segure ela direito.'





Não... Não pode ser o mesmo homem. Existem vários Stephen espalhados pelo mundo. Com certeza não era o mesmo.





– Lilian. - Vitória me chamou





– Já voltou?





– Esta é a quinta vez que te chamo. - ela contou arqueando as sobrancelhas





– Desculpe, estava pensando.





– Tudo bem. -deu de ombros - Você pode chamar o Theo e a Katherine? Eu preciso falar com vocês três.





– Claro... Você os conhece? - questionei confusa





– Não, apesar de não os conhecer eu preciso contar para vocês algo muito importante. Tem como você chamá-los?





– Com certeza. Espere aqui.





Andei calmamente até os fundos do chalé de Deméter, onde estavam os dois plantando flores.





– Que lindo... Nunca imaginei que veria o Theo plantando flores. - ironizei





– Claro que não... - disse com sarcasmo - Só faço isso todo o dia do verão.





– A campista nova quer falar conosco.





– Nós três? - perguntou Kath - Por que?





– Não sei. Ela disse que é importante.





– Vamos logo! Estou ficando impaciente! - Theo falou, levantando, e andando na frente





– Está na direção errada. - comentei, fazendo com que ele se virasse para o outro lado





– Eu disse que era nessa direção!





– Claro que disse. - ela revirou os olhos





– Vitória, estes são Theo e Katherine. - apresentei-os quando chegamos





– Prazer.





– O prazer é meu, senhorita. - ele respondeu fazendo uma leve mesura





– Muito legal te conhecer. - Kath disse





– Onde podemos conversar sem sermos ouvidos?





– No punho de Zeus. - respondeu Theo





Encarei-o, questionando-me mentalmente se ele lembrava o motivo para ninguém ir lá.





– Aconteceu uma batalha lá, mas isso foi antes de eu vir para o acampamento. Acho que acabaram transmitindo como costume. Todos esqueceram de lá. - explicou





– Não parece tanto tempo... - sussurrei





– Faz sete anos.





– Ok, isso realmente é muito tempo.











POV: Theo











Nunca mais sugiro um lugar para ir!





Não me chamem de preguiçoso! Mas é a verdade! Eu não aguentava dar mais um passo sequer! Depois de meia hora de caminhada chegamos naquele monte de pedras, pedregulhos, seja lá o que são!





Caí de joelhos na frente daquela montanha.





– Podemos ficar na grama? - perguntei





– Acho que sim. Mas vamos fica mais perto das pedras. - a novata, que eu já esqueci o nome, falou





–Mais próximos do que já estamos?





– Exatamente! Ande logo. - reclamou, de modo que fez com que eu revirasse os olhos





Andei os últimos dois metros com um esforço descomunal.





– ALELUIA!





– Você escolhe o lugar e depois reclama... Que tipo de homem é você?





– Do tipo: adolescente preguiçoso.





Pela primeira vez consegui prestar atenção nela. Ela tinha os cabelos castanhos claros (ou seria loiro escuro?) até abaixo do ombro e olhos azuis. Bem bonita.





– Não está com calor? - perguntei vendo que ela ainda estava de casaco





– Agora que você falou, está um pouco sim. - tirou, e colocou na pedra, ficando apenas com a blusa de alças.





– Sobre o que você quer nos falar? - questionou Lily





– Stephen pediu para que eu lhes contasse sobre o local de onde vim. Apenas a vocês.





– Por que? Você nem nos conhece! - exclamei





– Sim, isso é algo extremamente pessoal para a maioria dos campistas novos, e parece ser muito estranho contar com pessoas que nem ao menos conheço, porém, nenhuma ordem do Steph é desobedecida.





– Então nos conte.





– Eu vim de um acampamento, também é para meio sangues, e...





– O Acampamento Júpiter? Por que ele quer que você nos conte sobre algo que já sabemos! É óbvio que iríamos saber sobre ele!





– Não estou falando deste acampamento.- ela me interrompeu





– Como não?





– Existe um acampamento de meio sangues que é extremamente restrito. Poucos são os que vão para lá.





– E qual é o nome de lá? - arqueei as sobrancelhas





– Local de Treinamento e Aprendizagem para Semideuses Escolhidos pelo Destino Injusto.





– Como?





– ACP.





– Ainda não entendi.





– Acampamento protetor.





Lilian arregalou os olhos na mesma hora.





– Protetor? Não foi para onde... Ai meus Deuses! - disse tapando a boca com a mão





– Sim. Todos os semideuses de lá são protetores. Gregos ou romanos.





– Pode nos contar o que é esse acampamento? - pediu Kath





– É um acampamento, os semideuses que são levados para lá são protetores, isso quer dizer que eles tem poderes diferentes dos meios sangues normais, e tem de proteger alguém. Podem proteger um simples mortal, ou outro semideus.





– Nunca um deus?





– Jamais! Deuses não precisam de proteção, ao contrário das feiticeiras.





– Pode explicar tudo? Por favor, inclusive essa história das feiticeiras. - pediu Lilian





– Claro. - suspirou - Antes mesmo da Era de Ouro já existiam os deuses primordiais, como a noite e o dia, sendo Selene e Hélio, respectivamente. Esses dois deuses tiveram um caso, apenas uma vez, mas todos os deuses em sua primeira vez trazem ao mundo seres poderosos. Então ela engravidou dele, e neste momento foi lançada uma profecia que mudou tudo.





– Pode recitá-la?





– "Da primeira noite, se iniciarão as sete estrelas





Sete negras, sete brancas





Poderosas da noite





Em círculos distintos





Mantendo o equilíbrio





Apenas três vezes"





– Apenas isso?





– Ninguém consegue gravar tudo o que diz. E os que a sabiam jamais a escreveram.





– Como não?





– Algumas feiticeiras perderam os protetores sem ao menos conhecê-los. Como foi o caso de sua mãe, Lilian.





– Qual delas?





– Hécate. Feiticeira primordial.





– Eu não entendi os versos. - falei





– Primeira noite, acabei de explicar que a deusa primordial da noite é a Selene.





– Por que sete estrelas? - continuei questionando - Porquê são estrelas negras e brancas?





– Se você me deixar continuar a história talvez eu explique.





– Desculpe estressadinha!





– Continuando. Selene deu a luz a duas crianças, duas meninas, mas uma delas nasceu fraca, então não sobreviveu por muito tempo depois do parto. A irmã mais velha sobreviveu, e a deusa insistiu que ela recebesse todo o cuidado, pois tinha total certeza de que ela seria importante para a profecia.





– Onde os protetores entram nisso? E onde EU entro nisso, que eu ainda não sei o motivo de eu estar aqui.





– Fique quieto seu quadrúpede.





– Ei!





– Então a deusa pediu para o pai da criança alguém de sua confiança para protegê-la. E o escolhido por ele foi o próprio filho, quem ele teve com uma mortal, e ele era apenas alguns meses mais velho, então eles pensaram que seriam bons amigos. E realmente, isso foi o que aconteceu, se tornaram ótimos amigos, ela era a pequena dele e ele seu protetor, sempre a ajudando. E este garoto ficou conhecido como o primeiro protetor. As coisas estavam saindo melhor do que o planejado.





– E isso é bom! Eles viveram felizes para sempre e fim da história! - interrompi - Fala sério, isso está cansando.





– Fica quieto! Se não quer saber sobre o que aconteceu com seu amigo, peço que se retire.





– Como assim....? - pensei um pouco - O QUE ACONTECEU COM O WILLIAN!?





– Se você me deixar terminar talvez eu possa explicar!





– Então vá rápido! - ela suspirou cansada





– Ambos os deuses não pensaram nas consequências caso tudo que esperavam que fosse bom, fosse melhor. Então o amor dos dois jovens foi recebido como uma boa notícia, porém, estavam muito enganados.





Abri a boca para perguntar, mas Kath me fuzilou com os olhos, fazendo com que eu fechasse-a.





– Algumas das feiticeiras das trevas já existiam, e souberam da profecia. E acharam a ocasião perfeita para colocar em prova o amor dos dois.





– Deixa eu adivinhar, um dos dois tinha que se sacrificar, mas ambos o fizeram?





– Se você abrir a boca mais uma vez eu te mato. - Ly falou me encarando com os olhos verdes





– Eu também. - sussurrou Kath





– Posso finalizar?





– Claro. - disse me encolhendo





– O jovem protetor e a futura feiticeira estavam voltando de um passeio, quando avistaram o fogo tomar conta do castelo. E Selene estava lá, e por estar doente, não podia usar seus poderes. Neste momento a mais nova pediu para que ele pegasse seu cavalo e fosse avisar Hélio, depois aguardasse as duas voltarem. Prometeu que tudo daria certo, então ele partiu. Quando voltou, as duas já estavam na porta do castelo, apenas faltava atravessar o caminho que cortava o jardim até a saída.





Ela suspirou e passou a mão nos olhos como se estivesse limpando uma lágrima.





– Ela se sacrificou pela mãe, preferiu salvá-la ao dar continuidade a sua vida.





Todos ficamos em silêncio, esperando pela conclusão.





– Se eles não se amassem, ele teria cumprido seu dever e mandado ela ir atrás de Hélio, para poder salvar a deusa, ele teria se sacrificado, e as feiticeiras estariam mais completas do que agora.





– Por que mais completas do que agora? - Katherine perguntou





– No momento só existem três feiticeiras brancas. Se ela não tivesse morrido só faltaria uma.





– Faltam quatro. - Lily disse





– Quais são as que existem? - questionei





– Hécate, Circe e Calipso. Lua nova, minguante e crescente, respectivamente.





– Pelo menos as feiticeiras negras estão em minoria, certo?





– Pelo contrário. As sete feiticeiras negras já estão reunidas, porém foram controladas pelos deuses há milênios. Apesar disso, acreditamos que elas estejam acumulando poder, estão percebendo uma leve agitação.





– Estamos perdidos.





– Não necessariamente.





– Muito bem, agora pode me explicar de onde surgiu o acampamento 'local de treinamento e tricô de campo para meio sangues enfurecidos'?





Ela respirou fundo





– 'Local de treinamento e aprendizagem para semideuses escolhidos pelo destino injusto' é apenas uma brincadeira que o diretor faz. Você não tem o direito de zoar com isso.





– Ok, AP é muito mais fácil.





Victória, ou seria Vitória, ou Vivian? Vi, pronto, revirou os olhos.





– Pode fazer uma favor? Pare de falar.





– Ok.





– O primeiro protetor, foi o Stephen, ele é o diretor do acampamento. Quando os protetores começaram a aparecer em quantidade, não apenas para as feiticeiras, mas também para os meio sangues um pouco mais poderosos, decidiu criar um acampamento para aprimorar as habilidades, como agilidade, estratégia e raciocínio rápido. Desde de então ele nos ajuda. E nunca, um protetor entrou em um acampamento mio sangue 'comum' antes dos dezessete.





– Por que dezessete?





– É a idade considerada a maioridade para nós.





– Aqui dezessete é a média de vida.





– Vocês são sortudos. Colocam a nossa média no chinelo.





– Como?!





– No acampamento a média é catorze.





– Poxa...





– Por isso é considerada a maioridade. Quem está acima dessa idade, ou saiu e por sorte sobreviveu, ou nunca saiu, ou o protegido já morreu.





– Que tragédia.





– Não é. Stephen ensina justamente a lidarmos com a morte, sem ficar nos lamentando.





– Muito bem, você já explicou tudo o que o Theo tinha perguntado. - Lily disse - Pode me explicar o que aconteceu com o Willian?





– O Will? Ele... Espera, deixe eu me lembrar... Ele morreu ano passado. - prendi a respiração quando ela falou isso, e as outras meninas ficaram mais pálidas - Espere! É loiro de olhos azuis?





– Não. - Lily disse com um sussurro





– Então não é quem eu estava pensando, desculpa, é que quando me falam esse nome o primeiro que me vem a cabeça é ele.





– O que eu estou falando é loiro de olhos castanhos.





– Não conheço, realmente. Nunca vi nenhum Willian com esta aparência.





– Mais uma vez sem informações. - Kath suspirou a beira das lágrimas.





– Ele é o seu protetor? - Vi perguntou se dirigindo para Ly





– Sim.





– Eu posso não conhecê-lo, mas Stephen o conhece, e mandou eu lhe dizer que ele está vivo.





Ela sorriu agradecida.





– Se ele está vivo já é um alívio e tanto... Obrigada.





– Não há de que.





– Como você não o conhece? O acampamento é tão grande assim? - perguntei





– Tem... Cem campistas, aproximadamente, mas lá é quase tão grande quanto o acampamento romano.





– WHAT!? Como assim!?





– Nós temos um espaço enorme para treinamento.





– Percebe-se. Mas tem poucas pessoas, tem certeza que você não o conhece?





– Os únicos "Wilian's" de lá que eu conheço. Um com o cabelo tão escuro quanto o seu, e ele tem olho claro. Outro tem o cabelo castanho e é extremamente... Depressivo. E um loiro de olhos azuis. Não tem como.





– Então ele passou despercebido. Ou apenas falou o segundo nome dele.





– E qual é?





– James.





– Provavelmente. Existem vários James lá. - ela se virou - Acho melhor irmos, está quase na hora do almoço.





– COMIDA!! - gritei e saí correndo











POV: Vitória











Já tinha escurecido, o dia passou muito rápido.





Eu conheci vários de meus irmãos, um ou outro era suportável, mas não pude conhecer todos, afinal, o verão estava apenas começando.





Eu realmente tinha ficado um pouco surpresa quando o Stephen tinha me pedido para contar a história completa do acampamento para aqueles três adolescentes. E realmente estranhei isso. Ele já havia mandado uma protetora para cá, há mais de três anos, e ela permanecia incógnita, tanto que eu nem a conhecia.





Depois do jantar, quando todos foram para a fogueira eu fui na direção do diretor e de Quíron.





– Senhores, posso me ausentar da fogueira apenas por hoje? - perguntei acenando com a cabeça





– Não precisa de tanta formalidade, querida. - Quíron sorriu para mim - E apenas por hoje, certo?





– Sim. Senhor Dionísio, você permite minha saída?





– Vá e se puder não volte, Viviane.





Arregalei os olhos, que homem chato!





– Vitória.





– Foi isso mesmo que eu disse. E siga meu conselho, vá e não volte.





Revirei os olhos e fui na direção da floresta. O senhor D é um chato, por que mesmo ele é o diretor? Ah. Castigo. Mas o castigo é pra ele ou para os semideuses?





Entrei na floresta, andando para o mais distante possível, nem pensei na possibilidade de me perder, o que foi um erro, só lembrei disso depois de meia hora de caminhada.





Quer saber? Tanto faz! Se me perder, estou perdida!





Continuei andando, pouco me importando para os barulhos a minha volta, afinal, setenta por cento deles eram monstros, para que me preocupar?





'Meios sangues são atacados por monstros, você devia se preocupar'





Isso é o pensamento de todos os que me chamariam de louca. E isso foi um pequeno fato que eu esqueci de explicar para a... Lilian? É. Acho que sim, se não for é Liliana.





Ah não! Esse foi o nome que o senhor D chamou ela, e ele sempre chama errado, então é Lilian mesmo.





Parando de distração. Senão eu perco o rumo de novo.





Protetores não se preocupam com monstros, afinal, 'não temos' aura.





'Como não tem aura!? TODOS os semideuses tem aura!'





Claro que temos, porém a nossa não é visível. Afinal, precisamos proteger, e nós estaríamos protegendo se tivéssemos aura/cheiro de semideuses? Não! Por isso nós não temos isso. E temos poderes especiais.





A grande maioria pode mesclar a aura de um meio sangue com a sua própria, deixando ela bem fraca, e alguns podem mesclar a de vários ao mesmo tempo. (estou entre esses alguns) Outros podem apenas trocar sua aura com o protegido, isso é um pouco mais complicado. Ou apenas, apagar a aura do protegido.





O mais raro, eu só conheço um protetor que tem esse poder, é apagar a aura de todos os meios sangues próximos a você. Isso é realmente complicado.





Cheguei na beira da ilha, e arregalei os olhos, não parecia que eu andei tanto.





Levantei os olhos para o céu, a lua cheia brilhava, mostrando todo o seu esplendor.





– Por favor, eu preciso falar com ela. - pedi, um risco branco cortou o azul e uma nuvem cinza começou a se formar na minha frente, cobrindo a visão que tinha do mar.





– Viih!! Achei que você não ia ligar! - uma voz falou no meio da névoa





– Calma que eu ainda não estou te vendo. Como estão as coisas?





– Está tudo ótimo! Já sinto saudades, mas está tudo bem comigo.





A imagem começou a se formar, logo vi os olhos verdes cinzentos sábios daquela garotinha de dez anos.





– Aprendeu algo novo hoje?





– Sim! O Stephen assim que chegou chamou todos para nos explicar o que acontecia antes de vermos e tocarmos Halley.





Xinguei mentalmente.





– Eu ainda não vi isso! O que acontece? Eu sei que isso é tremendamente importante, se não soubermos ficamos histéricos.





– Exato, mas antes de explicar. Pode me dizer como foi o seu dia?





– Claro pequena Ann. O dia foi bom, conheci alguns irmãos, um menino chato pra caramba e vi a Lua Cheia.





– A Lua Cheia!? - ela perguntou de boca aberta e com os olhos brilhando - Tem certeza que é ela?





– Absoluta.





– E como ela é? Uma ilusão? É gentil como Stephen conta?





– Ela é simpática.





– Qual é seu nome? Quantos anos ela tem? Ela é filha de qual deus? Sua aparência, como é? Ela é bonita?





– Corujinha! - repreendi - Você está me afogando com tantas perguntas!





– Esse é o problema de ser filha da deusa da sabedoria.





– Com certeza. Mas vamos por partes. Aqui ela se chama Lilian, ela é um ano mais velha que eu, portanto tem dezesseis, e é filha de Hécate.





– Mas... Hécate já teve sua feiticeira. Não foi?





– Sim. Mas a deusa Ártemis, ao que parece, abençoou o pai da Lua.





– Que ótimo! Agora só faltam as gêmeas e a Sol, certo?





– Não sabemos se será mesmo um sol.





– É a Sol. Tem de ser! Eu vi uma profecia falando sobre isso hoje mesmo!





– Tudo bem! Não vou duvidar de uma criança que é tão sábia quanto eu.





– Sou mais sábia que você, Viih!





– Pode me explicar agora, o que o Stephen disse?





– Claro! - os olhos dela brilharam de animação - Ele falou basicamente que sentimos muita dor, uma dor imensa, que começa desde que acordamos, e apenas uma pessoa consegue tirar essa dor de nossos corpos.





– Cometa, estou certa?





– Certíssima minha cara filha de Afrodite.





– Tem certeza que você tem onze anos, Annie?





– Claro que não! - falou colocando o cabelo castanho atrás da orelha - Tenho dez!





– Verdade, estou confusa.





– Então... Fez algo de bom hoje? - ela se mexeu e percebi uma sombra no fundo do quarto, revirei os olhos, era apenas uma cama.





Espera... Uma cama?





– Annie. Em que quarto você está?





– No meu quarto. - ela disse ficando pálida





– Annie Victória! Estou falando sério! Esse não é o nosso quarto! As camas são do lado uma da outra! Não em 'L'!





– Você quis dizer perpendiculares? - questionou inocentemente





– Tanto faz! Onde. Você. Está?





Ela tentou se ajeitar para tapar minha visão, porém consegui ver os cabelos castanhos e o rosto pálido.





– Eu disse para você não se aproximar dele! Quando eu estava aí já era um perigo! Imagina agora! O que você está fazendo no mesmo quarto que ele!? - perguntei irritada





– Ele não fez nada demais! E eu não queria ficar sozinha no outro quarto... - ela tentou arranjar uma desculpa





– Você sabe muito bem que a Annabella tinha uma cama extra no quarto.





– Eu sei. - ela abaixou a cabeça - Qual é o problema de ficar aqui?





– Ele pode ser perigoso!





– 'Pode ser', falou da maneira correta. Quem mostrou que ele É perigoso? Que eu saiba, ninguém.





– Você é muito espertinha pra idade que tem.





– Filha da deusa da sabedoria.





– Até mesmo para uma filha dela. Mas eu te aconselho, fique longe desse menino.





– Ele não vai me fazer mal.





– Como pode ter tanta certeza?





– Eu sei. E se acontecer algo, eu que arcarei com as consequências.





– Tudo bem. Tome cuidado.





– Não veja nem toque Halley.





– Claro que não. Boa noite.





– Até a próxima lua! - disse acenando





Sorri, e retribuí o gesto, em questão de segundos a névoa sumiu.





– Sua irmã?



Virei rapidamente, pegando o spray de pimenta que estava em meu bolso.



– QUEM... VOCÊ ME DEU UM SUSTO! POR QUE FEZ ISSO!?





– Desculpa! - falou o garoto bonitinho... é... Vitor? Jackson? Trevor? Theo! Isso mesmo! - Eu vi você vindo pra floresta e decidi te seguir. Tem muitos monstro por aqui. Só no caminho vi dez, e fui atacado por dois.





– Chegou faz quanto tempo? - perguntei guardando o spray





– Alguns segundos, só peguei o final da conversa.





– Que parte?





– Quando você tava dizendo 'tchau', oras.





– Tudo bem. Vamos voltar para o acampamento.





– É bom, não é?





– Vamos logo!





Comecei a andar e ele me seguiu.





– Por que você carrega um spray de pimenta no bolso?





– É uma boa arma.





– Faca? Lança? Espada? Você tem cara de quem gosta de espada.





– Arco e flecha. Foi um presente. - falei me lembrando do dia em que Apolo me levou para o acampamento protetor, quando eu tinha treze.





– Pelo menos o seu realmente vira uma arma. - o garoto resmungou





– Por que?





– O meu é um spray de pimenta de verdade. Não é muito útil, eu tenho que contar na sorte. Ou pelo menos rezar para que o um segundo de azar seja algo fatal.





– Você ainda não achou sua arma?





– Não. Todo o ano eu vou, mas não acho nada. E não me dou bem com a maioria das armas, então é um pouco mais complicado...





– Amanhã nós dois vamos procurar, que tal?





– Está bem.





O silêncio que se seguiu não durou muito.





– Vi... Tória? - ele perguntou em dúvida, assenti - Eu fiquei com dúvida numa expressão que a garotinha falou.





– Qual? - questionei tentando me lembrar, nenhuma era estranha para mim





– Algumas coisa sobre 'tocar e ver Halley' - fez aspas com os dedos





– Ah... Essa. Halley é a deusa principal dos protetores. Ela é a garota da história.





– Que se sacrificou pela mãe? - assenti - Ela é deusa do que? Nunca ouvi falar de uma deusa chamada Halley





– Conhece o cometa Halley?





– Claro! Não sou um quadrúpede troglodita.





– Ela é a deusa dos cometas. É muito especial para nós.





– Mas de onde vem essa expressão?





– Dizem, no acampamento, que quando você está a beira da morte você vê Halley, e quando ela te toca, você morre.





Ele arregalou os olhos.





– Trágico.





– É, mas é a realidade. Se bem que é uma maneira bem mais leve de dizer que alguém faleceu.





– Mas apenas para protetores, certo?





– Apenas para nós ela aparece nesse momento.





– Então está bem... - ele me olhou por um momento - Sem querer ofender, mas por quê você está aqui? Não deveria estar cuidando do seu protegido?





– Não... Ele faleceu quando eu tinha dois anos de idade. Stephen me contou, é uma sorte que eu esteja viva.





– Por que?





– Normalmente matam os protetores para, então, matar o semideus.





– Entendi... Espero que com o Willian não aconteça isso. - ele suspirou





– Vocês eram muito ligados?





Ele balançou a cabeça confirmando.





– Ele me ajudava em muitas coisas, é o meu melhor amigo. Todas as decisões que eu tenho que tomar eu penso nele, no que ele faria.





– Por que?





– Ele sempre fazia o certo. E escolhi algo que não magoava ninguém.





Observei sua expressão, era tremendamente chateada.





Rezo para Halley que este garoto esteja bem. Por que eu nunca o vi, nem ouvi falar dele, até hoje.







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