Possible love escrita por Sion Neblina


Capítulo 6
Sedução perigosa


Notas iniciais do capítulo

Olá, leitores queridos,
Demorou, eu sei, mas aqui temos mais um capítulo. Confesso que esse está em um ritmo um tanto diferente, porque eu precisava organizar algumas questões antes que nossos pombinhos comecem a se envolver de verdade o que não demora a acontecer. Espero que o tom não saia tão diferente e mais à frente eu explico algumas atitudes dos personagens.
DEDICO em capítulo a Crushgirl que me mandou uma doce MP cobrando a história.
Abraços afetuosos a todos e boa leitura!
Sion Neblina



Sedução perigosa

Capítulo 6

O dia amanheceu com nuvens negras no céu. Uma tempestade de verão se aproximava e seria violenta.

Máscara da Morte mirava o horizonte do seu templo. Estava estranho e profundamente melancólico. Já fazia muito tempo que não brigava com Afrodite e admitia que aquilo o incomodasse. Não gostava de brigar com o sueco, afinal, sem ele, sua solidão era ainda mais profunda.

Então, passando por cima do seu orgulho, ele banhou-se, vestiu-se numa túnica e calça de treinamento e subiu às escadas em direção ao templo de Peixes. Não gostava de fazer aquele trajeto durante o dia, pois o encontro com os outros cavaleiros era iminente, e ele teria que pedir permissão para passar por suas casas e ouviria as notas de desprezo nas vozes de todos eles.

Não, não poderia dizer todos, era verdade. Camus de aquário e Shaka de Virgem demonstravam apenas aquela indiferença superior característica da personalidade de ambos. Sagitário estava vazia, Aioros, nos Elíseos, não quis voltar à vida. Achava melhor, seria duro enfrentar aquele olhar magnânimo da maior vítima da conspiração da qual fez parte. Seu grande problema na verdade eram três casas: Leão, Escorpião e Capricórnio.

Não que temesse enfrentar quem quer que fosse. Já havia enfrentado Aiolia antes e embora o defensor da quinta casa tenha levado vantagem no primeiro combate, não o temia, sabia que a força de ambos se equiparava. Shura e Milo seriam incapazes de quebrar as regras do santuário e também não era essa sua preocupação. Na verdade, ele sentia-se em dívida sempre; e aqueles três cavaleiros, que tão abertamente o desprezavam, faziam com que ele se lembrasse o quão vil era. Essa era a grande razão de não gostar de visitar o templo de Peixes nas horas diurnas.

Resolveu seguir pela passagem secreta, já não tão secreta assim, ao lado das casas, mas quando chegou ao último templo o encontrou vazio.

Onde Afrodite estaria àquela hora da manhã?

“Máscara da Morte, venha até mim, por favor”. Ouviu a voz de Athena em seus pensamentos e, intrigado, seguiu para o grande templo.

Encontrou Saori sozinha sentada no trono. Seu olhar amoroso pousou sobre o cavaleiro de câncer e ela sorriu. O italiano se pôs de joelho em submissão.

— Sei que você foi procurar por Afrodite na casa de peixes, mas temo que ele já tenha partido.

— Como? — os olhos violáceos de Máscara da Morte se fixaram na deusa.

— Afrodite esteve hoje logo cedo aqui e me pediu uma licença. Segundo ele, visitaria seus parentes na Suécia. Eu não fiz objeções, já que estamos em época de paz, mas ao sentir-lhe o cosmo há instante, não pude me abster de perguntar: aconteceu algo entre vocês?

O cavaleiro continuou de joelhos e baixou o olhar para o chão.

— Tivemos uma pequena discussão ontem, Athena.

— Só isso?

— Sim. Creio que disse coisas que o cavaleiro de peixes não estava pronto para ouvir.

— Entendo — ponderou a deusa. — Máscara da Morte, vocês são muito amigos e eu não gostaria que isso mudasse. Afrodite tem um jeito um tanto... difícil, mas sei que em seu íntimo dorme um grande coração.

— O que quer dizer? — resmungou o italiano ainda olhando para o chão.

— Que vocês dois têm um longo caminho de retorno pela frente e seria bom que fizessem esse retorno juntos. Quando Afrodite retornar, vocês devem conversar e reatar essa amizade tão importante que nutrem um pelo outro.

— Como queira, Athena — respondeu com os pensamentos nevoentos e distantes.

Saori sorriu.

— Tenha paciência e espere, tenho certeza que Afrodite voltará mais sensato.

— Sim, minha deusa — repetiu e pediu permissão para voltar ao seu templo, onde passou o dia inteiro pensativo e irritado.

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Quando chegou à casa de câncer após as aulas, Shun achou o cavaleiro de ouro ainda mais taciturno do que era geralmente. O italiano pegou os livros e perguntou o que deveria ler. Shun respondeu e ele começou a leitura silenciosa.

— Aconteceu alguma coisa? — arriscou Andrômeda preocupado.

— Não, só não quero papo — resmungou Máscara da Morte prestando atenção na lição.

O cavaleiro de bronze calou-se então e passou a falar apenas o necessário enquanto ministrava as lições e exercícios. Os dois passaram hora em monossílabas e silêncio, até que aula se aproximou do fim, e o mais jovem se sentiu à vontade para tentar um diálogo.

— Está se aproximando a festa — Shun comentou por comentar, apenas para ver se Câncer falava alguma coisa. O silêncio começava a incomodá-lo.

— Sei. — Disse o italiano e voltou a escrever no caderno.

— Você não vai participar mesmo? Athena faz questão que todos os cavaleiros participem...

— Nunca participei, não vou participar agora — resmungou Máscara da Morte taciturno.

— Por que é tão amargo? — A pergunta ecoou pelas paredes de pedra antes que Shun pudesse evitar. Travou na cadeira com uma expressão contida enquanto os olhos do italiano o examinavam com atenção.

— E você por acaso é feliz? — Indagou Máscara da morte irritado.

— Eu?

— Não, a deusa... — ironizou — Responde, picolli, tu és feliz?

— Eu... eu...

— Começou a gagueira novamente! — revirou os olhos Câncer — Sim ou não somente, santo Dio!

— Não. — Respondeu Shun baixando o olhar — Mas isso não tem nada a ver com a vida, tem a ver comigo. Eu sou um tolo...

Io sabia...

— Sabia? Sabia como? — mirou o sorriso satisfeito de câncer.

— Você transpira tristeza, picolli.

— Não quero falar de mim, falávamos da festa...

— Não, você falava de mim! Por que deseja falar de mim? — indagou Máscara da Morte perturbado. — Fica falando dos meus problemas, bancando meu psicólogo e nem mesmo sabe resolver os seus! Por que não vai para a Sibéria atrás do Pato bailarina e me deixa em paz?!

Shun o encarou chocado. Não entendia o que tinha dito de tão errado e, depois da última tarde, achou que poderia falar mais abertamente com o cavaleiro de câncer. Pelo jeito estava totalmente enganado.

— Desculpe-me — pediu baixo ruborizando e magoado — Não é mesmo da minha conta.

O italiano voltou a examinar os livros. Ele estava chateado, com um péssimo humor e embora soubesse que aquilo não era culpa do garoto, não conseguia conter sua agressividade. Sabia que Shun não merecia aquilo, mas... Ah, que se danasse! Estava extremamente aborrecido e alguém tinha que pagar por isso!

Voltaram a estudar em silêncio, até que chegou o momento do professor ir embora.

— Aqui estão as lições, amanhã corrigimos — falou o mais jovem de forma polida e séria.

Câncer se ergueu e assentiu com a cabeça. Shun deixou os cadernos e se adiantou para a saída da biblioteca, mas o cavaleiro mais velho segurou-lhe o braço o impedindo de prosseguir.

— Escuta, Piccoli...

— Solte-me — pediu Shun baixando o olhar sem se voltar para Câncer. Estava magoado e não queria falar com Máscara da Morte, não naquele momento.

Io... Io sinto... — murmurou o italiano soltando o braço do mais jovem bem devagar.

— Sei o que vai dizer — tornou Shun ainda de costas para ele. — Você é mau, não possui sentimentos e coisas do tipo, mas eu tenho... infelizmente.

Máscara da Morte sentiu-se morrer um pouco com aquela afirmação. Havia ferido aquele anjo, embora nem soubesse como, afinal o que falara não foi tão grave assim.

Io não sei como agir com as pessoas, Piccoli! A deusa deveria ter dito isso a você quando inventou essas aulas! — passou as mãos nos cabelos, perturbado. — Se io fosse você desistia disso! Desistia dessa tentativa idiota de me fazer humano, eu não sou! — falou nervoso e depois suspirou pesadamente — se fosse você desistiria... de mim...

Shun virou-se para encará-lo. Máscara da Morte engoliu em seco. Não era aquilo que queria falar, não era aquilo que pretendia, mas sempre acabava agindo completamente errado quando tentava lidar com seus sentimentos.

— Eu não vou desistir — disse Shun sério. — Foi um pedido de Athena. Boa noite, cavaleiro.

O mais novo virou-se a saiu sem dizer mais nada. Estava disposto a fechar seu coração para Câncer definitivamente. Nem entendia porque sentia-se tão magoado, o que estava acontecendo? Estava se apegando a ele? Gostando de alguém como... como ele?

“Não, Shun, definitivamente vocês não podem ser amigos, ele vai magoá-lo, sim é isso que vai acontecer! Vai magoá-lo como hoje!”. Dizia a si mesmo, decidido a encerrar definitivamente aquela tentativa de proximidade.

Nos dias que se seguiriam, o cavaleiro de Câncer se arrependeria amargamente pelas palavras ditas naquela tarde. A amizade que o cavaleiro de Andrômeda parecia nutrir por ele deixou de existir. Shun continuava a ser gentil e atencioso como mestre, mas distante como pessoa. Ele, Máscara da Morte, também não tentava uma aproximação, sabia que era o culpado daquilo e achou melhor deixar como estava, era o melhor para o garoto com certeza. Todavia, por mais que não quisesse admitir, a nova postura do jovem de bronze deixava um vazio profundo em seu coração.

As aulas progrediam de maneira satisfatória e formal. De vez em quando, muito de vez em quando, eles trocavam olhares ou sorrisos, quando o cavaleiro de ouro obtinha melhora em algo do qual tinha dificuldade. Shun se sentia satisfeito; Máscara da Morte também, mas assim que Andrômeda percebia aquele fio de carinho, voltava a ficar sério e desviava seus olhos para os livros.

O italiano mais que nunca sentiu falta de Afrodite. O genioso cavaleiro não voltou ao santuário.  Com certeza, estava com raiva e tornava-se rancoroso e vingativo quando ficava assim.

Câncer sabia que não deveria ter exposto seus conhecimentos sobre os sentimentos do amigo, mas também foi provocado. Estava cansado daquela pose de deus dele. Afrodite vivia chamando-o de ogro, troglodita, burro. Isso desde a infância. Talvez, com o tempo e a repetição, Máscara da Morte tenha começado a acreditar nele e a cultivar certo ressentimento pelo senhor da décima segunda casa. Parecia que para o pisciano, ele era mesmo incapaz de observar, analisar ou fazer qualquer coisa que demandasse inteligência e isso o magoava. Fora apaixonado pelo loiro sueco na adolescência, embora ninguém soubesse, e sofrera horrores calado ao vê-lo tão intimamente ligado a Saga, eterno grande amor de Afrodite.

Não se admirava disso. O cavaleiro de gêmeos sempre foi o mais desejado de todo o santuário. Lembrava-se que, no passado, quando o mal o dominou, aliara-se a ele por fingir acreditar em seus propósitos, mas sabia que no fundo, queria ficar perto do homem que Afrodite amava; do homem que ele admirava mais que tudo. Não tinha raiva ou mágoa de Saga, ele já tinha pagado por todos seus pecados e agora, como grande mestre do santuário, o respeitava verdadeira e profundamente. No entanto, a amargura daquele período ficou gravada em sua alma e estaria nela para sempre.

Sim, sentia falta de Afrodite, afinal, ele sempre foi seu único amigo naquele lugar. Não que precisasse de amigos, mas... sentia falta dele. Como dissera Athena, o sueco tinha tirado uma licença e voltado à casa da sua rica família na Suécia. Ele não gostava da família, e Máscara da Morte não entendia por que ele fora para casa, mas não tinha como indagar às vontades do rebelde pisciano. O loiro voltaria como e quando quisesse.

Já ele, gostaria de ter uma família. Mas nunca teve. Sabia que possuía um irmão mais velho, mas nunca o procurou desde que deixou as ruas sujas da Sicília para se tornar um cavaleiro. Aprendera naquele lugar que nunca foi seu lar, que o amor era algo que deveria dedicar apenas a uma pessoa: a deusa Athena, e que família não era nada; consideração deveria ter apenas por seus irmãos de armas e pela humanidade como um todo. Mas ele foi capaz de quebrar todas as regras.

Os dias passavam lentamente; não tinha discípulos e suas atividades se resumiam a defender a morada de câncer e, algumas vezes, reuniões com a deusa e o grande mestre. As aulas continuavam e tanto ele quanto Andrômeda pareciam mais leve depois de tantas semanas. Aparentemente, a mágoa do jovem cavaleiro de bronze finalmente se arrefeceu. Conversavam amenidades, embora nunca nada que gerasse conflitos. Evitavam falar de batalhas o que levou a Shun um conhecimento sobre o italiano que talvez ninguém no santuário possuísse, porque Máscara da Morte estava se esforçando para vencer a barreira que ficara entre os dois desde a última discussão. O cavaleiro de ouro se sentia culpado e gostaria de pedir desculpas, mas não sabia como.

Com o passar dos dias, eles voltaram a conversar normalmente. Voltaram a conversar como antes, mesmo com sua impossibilidade de falar a mísera palavra desculpa. Shun pareceu esquecer completamente o ocorrido daquela fatídica tarde e voltou a ser o rapaz meigo de sempre. Máscara da Morte também passou a ter mais cuidado com suas palavras e tentar controlar o gênio explosivo e imprevisível.

Todavia, Câncer percebia que Shun não gostava de falar da sua vida de cavaleiro e não sabia bem como desenvolver uma conversa com o mais jovem devido a isso, porque não tinha outro assunto; só sabia falar de mortes e guerras, ao passo que Shun preferia falar do irmão, dos amigos, da bagunça que o cavaleiro de pégasus fazia na mansão Kido, alimentando uma sensação de normalidade ilusória que o defensor da quarta casa não gostava. Não gostava de pensar que poderia ter outra vida, ser alguém que não fosse Máscara da Morte de Câncer, mesmo porque, não havia nada além disso; se não fosse Máscara da Morte, quem ele seria?

Naquela tarde, estavam novamente na biblioteca e Shun lia algo de literatura que não o estava interessando muito. Câncer estava distraído quando recebeu uma bolinha de papel no meio da testa.

Olhou para seu pequeno mestre de maneira enfezada e Shun riu disso.

— Você não está prestando atenção. — Reclamou — Quer que eu vá embora?

— E por causa disso você me acerta, cáspita?! — Indagou aborrecido.

Shun balançou a cabeça.

— Um cavaleiro de ouro reclamando de uma bolinha de papel? — caçoou.

— Que tal se eu lançasse uma em você, mas na velocidade da luz?

— Ah que medo! — provocou Andrômeda e viu o italiano sorrir pela primeira vez. Não um sorriso de deboche ou raiva, mas um sorriso verdadeiro. Ficou meio perdido-bobo naquele sorriso e seu olhar provocou outra reação que não esperava: o italiano corou e desviou os olhos.

— Acho que chega por hoje, piccoli... — disse se erguendo — o sol já está se pondo, teu fratello deve estar esperando per ti...

— Ah, claro... — Shun começou a arrumar suas coisas, mas foi interrompido pela mão de Câncer que cobriu a sua completamente quando ele tentou pegar um dos livro sobre a mesa.

Andrômeda subiu o olhar pelo peito do cavaleiro mais velho que estava coberto por uma bata de linho até alcançar seus olhos. O mais jovem corou mesmo sem querer — aquilo era tão bobo! — e Máscara da morte retirou rápido sua mão da dele, pegando o livro e o colocando na prateleira.

— Então... amanhã no mesmo horário... — falou Shun sem jeito, da cor de um pimentão.

— Certo, certo... — disse Máscara da Morte continuando a arrumar os livros.

— Então, tchau... — balbuciou Andrômeda andando rápido para a saída.

— Até breve, Piccoli... — respondeu Máscara da Morte, mais pra si que para o garoto que já estava longe nesse momento.

Quando encontrou Ikki na saída das doze casas, Shun estava ainda com os pensamentos presos no que havia ocorrido na quarta casa. Não que tenha sido algo importante, mas a sensação de calor que tomou seu corpo com aquele leve contato foi estranha. A mão dele era tão grande e áspera... Balançou a cabeça para não ficar pensando na mão dele; era o que lhe faltava! Mas passou a noite pensando naquilo sem que conseguisse evitar.

No dia seguinte, Shun estava novamente com Marin no jardim de infância e cantarolava uma música infantil. Era um momento de descontração, quando a séria e rígida amazona se transformava apenas em uma professora de crianças de cinco anos. Os dois pararam imediatamente de cantar ao sentir os cosmos que se aproximavam. Assim como todas as crianças fizeram reverências ao grande mestre e Athena, que eram acompanhados pelos cavaleiros de escorpião e aquário.

— Podem permanecer sentados, por favor — disse Saga. Ele não usava a máscara de grande mestre, somente a túnica e trazia um semblante meigo e tranqüilo que o jovem cavaleiro de bronze ficou admirando por um tempo. Não se lembrava muito dele, por isso, talvez, aquele olhar puro e sereno, tendo em vista tudo que se falava do cavaleiro de gêmeos em seu período como usurpador, parecia tão distante da realidade, que Andrômeda pensou ser impossível que ali estivesse o mesmo homem que um dia fora tomado pelo mal.

— Mestre, a que devemos a visita? — Indagou Marin preocupada. Era muito difícil vê-lo abandonar seu posto no décimo terceiro templo desde o final das batalhas. Athena ainda saía , vez por outra, mas Saga... Era quase impossível.

— A festa dos deuses se aproxima e Athena e eu gostaríamos que vocês que são responsáveis pelas crianças do santuário organizassem a participação delas nas comemorações — falou ele.

— Sim, gostaríamos que elas fizessem o caminho de flores do mar até o templo — sorriu Saori — em honra a Afrodite.

— Ah, claro! Será uma alegria — sorriu Marin trocando um olhar feliz com Shun.

Desde o final das batalhas, todos os anos, o santuário fazia uma grande festa em comemoração ao pacto proposto por Zeus e que pôs fim as guerras entre os reinos: Hades, Terra e Mares. Era uma comemoração muito bonita e a mais importante do calendário do santuário. Nela havia banquetes e competições atléticas entre os aspirantes, contudo, por se tratar de uma comemoração também a Dionísio, não havia como evitar alguns excessos e isso muitas vezes tirava o sono dos cavaleiros de ouro e do grande mestre.

Depois de combinar a participação das crianças com Shun e Marin, Saga passou a conversar com Escorpião e Aquário. A deusa assentiu com a cabeça e voltou seus olhos escuros para o cavaleiro de Andrômeda.

— Shun, poderia falar com você?

— Claro, Athena! — respondeu o rapaz fazendo uma reverência e seguindo Saori para fora da escola.

A jovem deusa sorriu para aquele que era mais que seu cavaleiro, era seu amigo e dos mais queridos.

— Já estamos aqui há algum tempo, Shun, e ainda não perguntei como você está — ela falou — Você sabe o quanto me preocupo com você...

Andrômeda mordeu o lábio inferior e uma leve palidez se acentuou em sua tez já pálida, fazendo a deusa se arrepender temporariamente daquela pergunta.

— Shun, eu...

— Eu estou bem, Saori... — sorriu o cavaleiro. Sabia que todos se preocupavam com ele, todos viviam carregando a sombra do seu sofrimento, da sua dor. A dor ainda estava ali, a ausência de Hyoga doía. Ser abandonado, rejeitado, doía mais ainda, mas ele estava tentando sobreviver. Foi aquele santuário para tentar sobreviver, por seus amigos, por seu irmão.

— Você sabe que pode me procurar quando quiser, não sabe? — falou a jovem deusa — Quero que seja sempre sincero comigo, Shun.

— Estou sendo — sorriu. — Eu sempre sou, mesmo quando não quero.

Ambos riram confortáveis na presença um do outro.

— Diga-me como andam as aulas do cavaleiro de Câncer? Penso que não deve ser uma missão fácil.

— Não. Ele é inquieto, mas interessado e... Nos damos relativamente bem.

Saori pareceu ficar satisfeita com aquela informação. Conversaram mais algumas amenidades, então, o cavaleiro mais jovem do santuário percebeu o cosmo de Câncer. Máscara da Morte surgiu vestido numa roupa de treinamento com ombreira e peitoral de ferro e se aproximava, subindo os degraus da escada. Ele fez uma reverência respeitosa à deusa e ao grande mestre quando os viu e cumprimentou com um aceno de cabeça aquário, que devolveu o cumprimento polidamente, e escorpião que o ignorou.

Shun mordeu o lábio inferior ao perceber a atitude hostil de Milo. Por que ele agia assim? Justo ele que era um dos cavaleiros mais gentis daquele santuário?

— Andrômeda — Máscara da morte dirigiu-se a ele que continuava ao lado de Saori. Aquela armadura parecia deixá-lo mais alto e ameaçador. — Sairei em missão hoje, vim somente avisar que não poderei recebê-lo para as aulas.

Shun sorriu sentindo-se satisfeito por aquele homem rude ter a consideração de avisá-lo, mas não entendia o motivo de ele ir pessoalmente ali e não mandar Acaio como sempre.

— Ah, verdade — tornou a deusa com uma expressão constrangida. — Esqueci de avisar que Máscara da Morte será enviado com Shaka ao Tibet. Eles encontrarão Mu que já está lá. Há uma movimentação suspeita na fronteira com a China e achamos melhor averiguar.

Shun arregalou os olhos.

— Perigosa a ponto de ser necessário enviar três cavaleiros de ouro? — volveu preocupado.

Saori trocou um olhar com Saga que assentiu com a cabeça.

— Sentimentos a movimentação de algum cosmo forte o suficiente para ser captados por Mu em Jamiel. Não temos certeza, mas achamos melhor que o cavaleiro de Áries receba ajuda.

 — Entendi. Espero que não seja nada muito perigoso — falou Shun pensativo.  — Vai demorar muito tempo?

— Se tudo der certo, eles estarão de volta antes da festa — continuou Athena.

— Que bom — sorriu o cavaleiro de bronze.

Saori sorriu complacente e apoiou a mão no ombro de Andrômeda.

— Shun, há uma parte da cerimônia inicial que é uma homenagem à deusa Afrodite. É uma festa que homenageia o amor, todos os tipos de amor — falou com cuidado.

— O que quer dizer, Saori? — a expressão do cavaleiro se tornou tensa.

— Quero dizer que entendo se... se você não quiser participar...

— Ah, isso... — o irmão de Ikki suspirou sem jeito, olhando o cavaleiro que observava aquela conversa um tanto incomodado. — É... talvez eu não participe...

— Eu sei, meu amigo...

Pensar no amor era algo que realmente perturbava Shun. Pensar no amor era pensar em Hyoga, o único amor da sua vida e isso sempre o fazia chorar. Tinha raiva de si todas as vezes que derrubava uma nova lágrima pelo russo. Às vezes, sentia raiva dele também, mas muito raramente.

Na verdade, no fundo do seu coração, o mais jovem dos cavaleiros de Athena, achava que fora o grande responsável pelo que aconteceu em sua relação com Hyoga. Talvez não fosse bom o suficiente para o Cisne, talvez não soubesse amar... ou... não satisfizesse o russo...

Pensar naquilo fez uma nova torrente de lágrimas querer se libertar dos seus olhos e o cavaleiro de bronze lutou heroicamente para contê-las. Já há algum tempo não chorava e sabia que, caso perdesse o controle agora, cairia no abismo do desespero novamente.

Sentiu uma pesada mão em seu ombro e ergueu os olhos lacrimosos, surpreso. O cavaleiro de câncer o encarou de forma séria.

— Acho que você deveria participar da festa — ele disse. — Fugir não adianta nada, bambino e é tudo que faz desde que chegou aqui. É hora de parar com isso.

Ele retirou a mão do ombro de Shun e depois de uma reverência à Athena, abandonou o local.

Andrômeda mirou o cavaleiro que se afastava com um olhar perdido e depois balançou a cabeça, como se voltasse à realidade. Encarou a deusa e sorriu.

— Bem, Saori, se eu não terei Câncer para ocupar minhas tardes, peço humildemente que depois dos treinamentos possa voltar à vila. Não quero ficar no santuário, ou melhor, não quero ficar tanto tempo aqui.

 A deusa assentiu com a cabeça, compreendia a dor do amigo e não o forçaria.

— Tudo bem. Você é livre, está aqui porque quer, lembre-se sempre disso.

— Obrigado.

Minutos depois, a deusa e o grande mestre deixaram a escola e as aulas recomeçaram. Shun estava especialmente animado porque à tarde, começariam os ensaios com as crianças de cinco anos que fariam o caminho de flores até o santuário. Seria uma festa muito bonita.

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O salão principal estava vazio, por isso ele entrou direto sem se intimidar. Atravessou a porta com a flor de lótus talhada, adentrando a morada do cavaleiro de virgem.

— Mestre? — Ikki chamou. Sentia o cosmo de Shaka; para ele era impossível não sentir, embora o cavaleiro de virgem mantivesse sua cosmo-energia de forma tão sutil e controlada que um cavaleiro mais desatento pudesse simplesmente não percebê-la, mas isso não aconteceria a Ikki de Fênix. Ainda que, naquele momento, ele não pudesse dizer com exatidão, onde o mestre se encontrava.

— Sim, Fênix.

O japonês se virou rápido..., rápido demais, e eles quase se chocaram de tão perto que o mestre estava do discípulo.

— O assustei? — o indiano deixou um sorriso desdenhoso escapar do canto dos seus lábios bonitos.

— Não! Eu só..., eu só não sabia que estava tão perto, mas eu sabia que estava aqui. — tornou Ikki irritado. Odiava aquele sorriso do mestre. Aquele sorrisinho que dizia: Olhe como sou mais forte e sábio que você! Mas claro que não falaria aquilo a Shaka.

— Estou indo para o Tibet. Como deve saber. Mu já está lá, e eu e o cavaleiro de Câncer nos uniremos a ele. Parece que há algo na fronteira com a China e Athena deseja que estejamos lá para qualquer eventualidade.

— Três cavaleiros de ouro? — estranhou.

— Sim — Shaka foi lacônico.

— Por quê? Algum perigo verdadeiro?

— Todo e qualquer perigo, por menor que seja ainda é verdadeiro, Ikki — respondeu mantendo-se de olhos fechados e sem demonstrar nenhuma irritação.

Porra, mas deve ser um baita perigo para precisarem de vocês três! — deu voz aos pensamentos e viu o mestre franzir levemente uma das sobrancelhas, só então se dando conta do palavrão e corando. — Quando retorna? — emendou rápido para não dá tempo de Shaka reclamar dos seus modos.

— Assim que a situação se estabilizar e a deusa autorizar — respondeu o budista indiferente.

— Boa sorte, mestre.

O indiano assentiu com a cabeça e pondo a caixa da armadura nas costas deixou a casa de virgem, atravessando o salão, sendo seguido pelo discípulo.

— Cuide das coisas por aqui, Ikki — ele pediu sem olhar para trás.

— Cuidarei sim, tenha certeza.

— Medite — ordenou ainda sem olhá-lo.

— Eu o farei — respondeu o discípulo.

Então o asceta deixou o santuário e seguiu viagem ao lado de Máscara da Morte no avião da fundação.

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Os dias que se passaram sem a presença dos quatro cavaleiros de ouro combinaram com os preparativos para a festa. Saga e Saori dividiam-se entre as informações que recebiam sobre os tumultos na fronteira da China com o Tibet e a organização do grande evento.

Rápido passou a primeira semana e logo fez-se um mês. Nesse período, Afrodite voltou ao santuário. Sempre imponente e vaidoso, o sueco fez questão de desfilar sua presença na arena, para que todos soubessem que o santo de peixes estava novamente entre eles, reles mortais. Claro que soube da viagem do amigo, mas não perguntou os motivos. Não queria saber daquele caranguejo. Ele se arrependeria amargamente por todas as ofensas e palavras ditas a si.

Shun treinava alguns aspirantes àquela tarde. seis semanas após a partida de Máscara da Morte, suas tardes eram praticamente livres, e ele podia se dar ao luxo de fazer companhia às crianças.

Os treinamentos eram duros e muitos dos aspirantes saíam bastante machucados, mas ainda não era o momento de treinarem como cavaleiros. Devido a isso, nunca havia um ferimento sério o bastante para que algum deles fosse parar no hospital.

 Shun estava treinando alguns garotos quando sentiu aquele cosmo poderosa se aproximando. Imediatamente elevou os olhos e encontrou o olhar diabólico de Afrodite sobre si. Sustentou o olhar do belo cavaleiro sem se intimidar e esperou que ele se aproximasse.

— Olá, Shun — disse a voz grave e melódica do pisciano.

— Olá, Afrodite — respondeu sério com uma das sobrancelhas franzidas. — Quer falar comigo?

— Sim. Na verdade, tenho um assunto que pode interessá-lo. Gostaria de jantar comigo hoje em meu templo?

— Sinto muito, mas... eu sempre janto com meu irmão — negou o mais jovem desconfiado.

— Ah, não tenha medo! Eu não seria tolo de fazer alguma coisa contra você dentro do santuário — riu Peixes. — É um convite amigável e nada tem a ver com nossa batalha. Gostaria mesmo de conhecê-lo melhor, sem os maus entendidos do passado, o que acha?

— Eu não estou com medo — negou Shun irritado. — Tudo bem, a que horas?

— As oito. Ficarei esperando.

O sueco sorriu cortês, mas nada tirava da cabeça de Andrômeda que ele era perigoso, muito perigoso e que estava caminhando para uma armadilha.

Fique longe do Afrodite”, a voz de Máscara da morte invadiu seus pensamentos, mas Shun balançou a cabeça a afastando. Ele também era um cavaleiro, não deveria temer outro cavaleiro. Além disso, Afrodite tinha razão, o sueco não era louco de tentar algo contra ele dentro do santuário e se tentasse... Já o havia derrotado uma vez e derrotaria novamente.

Andrômeda voltou a Rodório sozinho naquela noite. Ikki havia sido convocado para uma reunião com Shura e Aiolia e voltaria muito tarde para casa. Melhor, sabia que o irmão não gostaria de saber do seu jantar com o cavaleiro da décima segunda casa. Banhou-se e vestiu-se com uma camisa social branca e calça jeans. Prendeu os cabelos num rabo de cavalo baixo e se olhou no espelho de forma crítica. Acabou rindo de si mesmo. Aquilo não era um encontro, mas pensar em Afrodite e quão belo ele era, já era motivo para que quisesse aparecer da melhor forma possível.

Antes das sete, ele já atravessava as casas zodiacais em direção ao último templo. Quando adentrou a casa de peixes, seu guardião o esperava no grande salão.  Ele vestia uma calça azul e uma bata de linho branca. Seus cabelos anelados estavam soltos e brilhavam sob a luz dos archotes.

— Oi, Shun, que bom que veio — Afrodite disse com um sorriso sedutor e Shun correspondeu, querendo ser simpático. Queria acabar com aquela antipatia que nutria pelo cavaleiro sueco. Pensava que talvez estivesse sendo injusto com ele e odiava essa sensação. Afinal, se podia dar uma segunda chance a Câncer, Peixes também a merecia.

— Boa noite, Afrodite — sorriu.

— Boa noite, Shun. Venha comigo, o jantar será servido.

Shun o acompanhou pelo corredor, passando por várias portas até chegar a um pequeno salão. Nele havia uma mesa forrada com uma toalha vermelha e sobre ela dois castiçais antigos com várias velas acesas.

Afrodite fez um gesto de mão informando onde ele deveria se sentar, Shun obedeceu um tanto tenso. Peixes ocupou a cabeceira e tocou um sino chamando o criado que começou a servi-los.

— Preparei para essa noite um verdadeiro smörgåsbord, para que você conheça a culinária do meu país — o mais velho sorriu com gentileza.

— Ah, eu nunca comi comida sueca, mas acho que vou adorar! — volveu simpático, respondendo enquanto várias travessas com alimentos diversos eram colocadas sobre a mesa.

— É um buffett. Achei melhor do que servir à francesa. Acho que assim podemos ficar mais a vontade, não? — piscou Afrodite.

Eu adoraria estar à vontade. Pensava Shun enquanto sorria.

Os pratos foram expostos e depois servidos. Shun escolheu fatias de salmão defumado, com batata cozida e molho branco que Afrodite disse se chamar rökt lax. O sueco se serviu de sill och potatis que nada mais era do que arenque curado, acompanhado de batata cozida, natas azedas e cebolinha. Tudo isso acompanhados por um vinho branco maravilhoso.

Shun admitiu que o jantar estivesse terrivelmente sedutor e saboroso e também que Afrodite mantinha a conversa em um tom sempre agradável e baixo. Sua voz sibilava a cada pergunta ou resposta, num tom curiosamente sedutor e aliciador. Seu riso era suave e elegante, ele todo transpirava sensualidade e refinamento.

O jovem cavaleiro de bronze perdia-se enquanto olhava-o falar e isso fez Peixes, muitas vezes naquela noite, parar para observar seu rosto admirado, o que fazia Shun corar e voltar a comer ou sorver o vinho.

Depois do jantar, foram para uma confortável e opulenta sala, decorada com sofisticação e zelo. Shun surpreendeu-se com o templo de peixes e sua sofisticação. Era diferente de todas as casas que visitara até então. Em nenhuma ele vira tanto luxo e beleza como naquela. Havia dois amplos e confortáveis sofás, uma mesa de centro com tampo de vidro, um tapete claro e macio sob eles. Nas paredes havia quadros, inclusive um belo quadro que retratava o próprio cavaleiro de peixes no esplendor de sua beleza.

— Athena, após a guerra, permitiu que eu decorasse minha casa como queria — ele sussurrou chegando por trás de Shun, levando um arrepio a nuca do mais jovem. — Gostou?

— É linda — murmurou Shun nervoso, se afastando de Afrodite e pegando uma escultura sobre um aparador, fingindo examiná-la.

O sueco deixou escapar um sorriso malicioso — Não precisa ter medo de mim, Shun, já disse.

— E eu já disse que não tenho... — falou Andrômeda.

— Então por que estamos sempre brincando de cão e gato? Você foge toda vez que me aproximo — observou Afrodite se aproximando novamente.

Shun sentiu o ar pesado ao redor dos dois e mirou os lábios rosados de Afrodite. Olhando o rosto harmonioso do sueco, ele achou ver a tentação encarnada, a tal serpente no paraíso dos cristãos, uma história que Ikki lhe contara certa vez.

Umedeceu os lábios enquanto Afrodite continuava a encurralá-lo como se o cavaleiro de bronze fosse uma presa.

— Por que me trouxe aqui? — murmurou Shun resistindo a recuar, sentindo o corpo do pisciano cada vez mais perto.

— Já disse, queria acabar com aquele desconforto entre nós dois... Estou sendo muito sincero, Shun.

O mais jovem sentiu o corpo estremecer quando o sueco inclinou o rosto sobre o seu e roçou seus lábios nos dele.

— Eu... eu quero ir embora... — balbuciou tonto, pondo a mão no peito de Afrodite, mas sem empurrá-lo.

— Ainda é muito cedo, meu pequeno — a mão delicada de Afrodite tocou-lhe o rosto e Andrômeda sentiu uma vibração estranha no corpo.

— Desculpe, Afrodite, mas eu acho melhor ir — falou afastando o sueco, mas sorrindo com gentileza — O jantar estava ótimo! Eu realmente adorei, foi divertido! Obrigado!

O cavaleiro de peixes sorriu falsamente, mas não opôs resistência.

— Que bom, teremos novas oportunidades de interação?

— Claro! — riu Shun — Boa noite!

Shun saiu quase voando do templo de peixes, deixando um irritado Afrodite para trás.

“Calma, haverá nova oportunidade”, sorriu o sueco indo para a sacada observar a fuga do menino pela escadaria.

Por que eu não me convenci de vez que sou um covarde, fracote e que morro de medo dele?”, praguejava Shun aborrecido, enquanto descia as escadas rapidamente e tão absorto em seus pensamentos que trombou com outro cavaleiro que acabava de chegar e subia para sua casa acompanhado.

Ma ciò che follia è questa?! — Máscara da morte exclamou quando sentiu o choque com o corpo menor.

Shaka que vinha ao seu lado com a caixa da armadura de virgem nas costas parou também e mirou o jovem cavaleiro, mas Shun nem pareceu vê-lo. Seus lábios se abriram e depois curvaram-se num sorriso que foi plenamente correspondido pelo mais velho.

Picolli! Dove vai com tanta pressa?!

— Máscara da Morte! — Shun exclamou e se jogou nos braços do italiano que acolheu seu corpo no susto, mas o enlaçou pela cintura, o erguendo do chão, num abraço mais que afetuoso.

Do seu templo, Afrodite mirava a cena mordendo o lábio inferior, e Shaka percebia que, talvez, ao invés da solução de um problema, Saori estivessem criando outro ainda maior.

Continua...



Notas finais do capítulo

Park JoonYong, Sarah, ddkcarolina, Álefe, Franciane, CiçaDF, RakBlack,
cici, Su Cabral, Hanajima, chuva gótica, Alone Chan, Mefram Maru, Aiko chan, KitsuneKiki, Kao, Keronekoi, Chakal_Maldito, Maru, MillaSnape.
A TODOS VOCÊS, MUITO OBRIGADA PELO CARINHO DEIXADO!
Beijos e até mais!!!
Sion