True Love escrita por Giovanna


Capítulo 47
Ruína, Floresta Encantada e Shot At The Night


Notas iniciais do capítulo

Olha só, eu ainda existo e não abandonei a história!
SIM, eu sei que faz MUITO MUITO MUITO MUITO tempo que eu não dou sinal de vida, mas nossa esse capítulo me fez questionar até a minha existencia. Eu tava num bloqueio horrível e sinto muito muito mesmo por todos esses oito meses. A maioria de vocês provavelmente nem lembra mais o que tava acontecendo, mas vamos lá. Juro que ainda vou terminar essa história esse ano, então teremos postagens mais frequentes por aqui (nem que eu tenha que sei lá, deixar de estudar para provas [que inclusive eu tenho dia sim, dia não {ai ai, terceiro ano...}])



POV Ethan

— Hoje às 20h, amor – sorrio me apoiando no armário de Rafaela. Ela suspira e se vira lentamente com um olhar de desdém cuidadosamente calculado. 

— Tive esperanças de que você tivesse se esquecido – respondeu cruzando os braços.

Não consigo conter um sorriso torto.

— Como poderia? – murmuro brincando com uma mecha de seu cabelo.

— Consegue ao menos, por favor, ficar onde deveria? Bem longe de mim? – Rafaela diz tentando se afastar, mas por uma jogada do destino, havia uma parede bem atrás dela.

Ri.

— Talvez eu não consiga – me aproximo.

— Bom, sabe o que dizem sobre limitações. O primeiro passo para superá-las é enfrenta-las.

— Aí é que está. E se eu não quiser superar? – sussurro entrelaçando meus dedos em seu cabelo.

— Isso seria realmente um problema – reconheceu.

Estávamos tão próximos que eu podia sentir seu hálito quente e seu perfume me provocando.

— Nos vemos hoje à noite então – sussurra em meu ouvido quando estou prestes a beija-la.

Antes que eu possa processar a informação, ela se desvencilha de mim e caminha pelo corredor normalmente sem olhar para trás.

Balanço a cabeça, incrédulo, porém um leve sorriso se espalha pelos meus lábios lentamente.

Essa garota vai ser minha ruina.

 

XXX

 

POV Rafaela

— Vai me contar onde vamos agora? – perguntei pela terceira vez. 

Ethan continuou cantarolando Fluorescent Adolescent como se eu não tivesse dito nada.

Suspirei dramaticamente.

— Até onde eu sei, você pode estar me levando para um bordel para me vender para a Yakuza.

Ele começou a gargalhar.

— Acho que seria melhor vender para a máfia russa – me lançou um olhar divertido – Mas não acho que eu lucraria muito. Você não faz o tipo de mafiosos.

Abri a boca indignada.

— É claro que lucraria! Desde quando mafiosos tem um tipo específico? – exclamei.

— É claro que eles têm – argumentou – É mais vantajoso ter certas garotas por perto. Do ponto de vista dos mafiosos, é claro – esclareceu.

— É claro – revirei os olhos – E isso é uma tremenda duma besteira.

— Bem, de qualquer jeito, não é para um bordel que estamos indo – deu um sorriso torto. – Vamos deixar isso para o segundo encontro.

— Mal posso esperar.  – suspirei e me recostei no banco do carro, já que ainda parecia que tínhamos um longo caminho pela frente.

Em algum momento devo ter cochilado ou algo assim, porque a próxima coisa que me lembro é Ethan chamando meu nome e dizendo que chegamos (FINALMENTE!).

— Achei que estava me levando para a Rússia para fazer a venda diretamente para o chefe da máfia – digo me espreguiçando e saindo do carro.

— Qual é a dessa fixação com mafiosos? – ele sorriu e fechou a porta atrás de mim.

— Eu não sou fixada em... – me interrompi ao ver onde estávamos. Eu devo ter ficado com a boca aberta, porque Ethan abriu um sorriso gigante.

— Bom, diga alguma coisa, raio de sol – ele disse após alguns segundos.

— Eu... - tentei começar – Como... ah...

Balancei a cabeça e continuei olhando ao redor maravilhada. Estávamos em uma pista de patinação com um monte de árvores ao redor cobertas com luzinhas coloridas que refletiam no gelo e davam um efeito fantástico. Além disso, todo o lugar era decorado na temática de Floresta Encantada, com mini dragões, unicórnios e até fadas.

Olhei de novo para Ethan, que me observava completamente entretido.

— Como você achou esse lugar? – perguntei admirada.

Meus pais trouxeram eu e meu irmão, Chris, em uma pista dessas quando nós tínhamos uns 12 anos. Foi provavelmente um dos melhores dias da minha vida, mas essa era uma franquia bem seleta. Não era muito fácil achar uma.  Na verdade, nos últimos cinco anos eu nunca tinha encontrado novamente (e não por falta de tentativas).

— Não vou dizer que foi fácil – Ethan reconheceu – mas você está falando com um profissional. Cobrei alguns favores – ele deu uma piscadinha. – Vamos lá.

Ele pegou minha mão e fomos pegar patins com o moço simpático (a única alma viva em todo o local) que estava no balcão decorado com flores noturnas.

— Vou mostrar a você como se faz. – disse Ethan calçando os patins.

Ri.

— Veremos sobre isso.

Nós mal entramos na pista e ele já estava tendo problemas para se equilibrar. Depois que ele caiu pela terceira vez (ele não conseguia se manter em pé por mais que alguns segundos) não consegui mais me conter e comecei a gargalhar.

— Achei que ia me ensinar a patinar, deus da patinação no gelo – provoquei. 

— Isso... é mais difícil do que parece – ele respondeu se apoiando na barra metálica que delimitava a pista.

— Não me diga – lancei a ele um olhar divertido enquanto deslizava suavemente sobre o gelo.

— Okay, agora você está se exibindo – cruzou os braços.

Dei uma piscadinha e parei na frente dele.

— Vamos lá, eu vou te ajudar – estendi as mãos e ele se apoiou em mim.

Nós até que estávamos indo bem, até ele tropeçar de novo e cair, dessa vez me levando junto.

— Deuses – reclamei quando ele caiu em cima de mim – Você vai ter que me pagar um sorvete depois disso.

— Como quiser – sussurrou com um sorriso.

Nós ficamos naquela posição por alguns segundos, tão próximos que eu podia sentir sua respiração quente. Eu já estava quase me preparando psicologicamente para o beijo quando ele abruptamente saiu de cima de mim e se sentou na pista para arrancar os patins. Sentei-me também, observando-o com um olhar curioso.

— É humilhação o bastante por hoje – disse resoluto e se levantou, me puxando junto e andando pelo gelo só de meias.

— Isso me parece um jeito muito eficiente de pegar uma pneumonia e não é a melhor hora para isso – falei.

Ele ri.

— E existe uma hora adequada para pegar pneumonia, raio de sol?

Bufei e ele continuou me arrastando até a saída da pista.

— Chega de fadas e unicórnios e toda essa baboseira.

— Eu ainda quero meu sorvete – opinei.

 

XXX

 

— E então? – perguntou Annie pegando meu casaco quando eu cheguei em casa.

— Então o quê?

— Qual é! Do que mais eu poderia estar falando? – Annabeth ergueu as mãos exasperada.

— Pare de torturar a pobrezinha, Ela – riu Silena enquanto pegava mais uma colher de algo que parecia brigadeiro.

— Desculpe – sorri para Annie que estava me fuzilando com o olhar. – Onde está todo mundo?

— Clarisse sumiu misteriosamente e Thalia provavelmente está se pegando com o Nico – respondeu Piper com a panela de brigadeiro na mão. – ELES FINALMENTE FIZERAM AS PAZES!

— Era só questão de tempo – me joguei no sofá.

Annie bufou.

— Então, vamos ao que interessa – ela sentou no chão com as pernas cruzadas e me encarou.

— Okay – cedi – Ele me levou para patinar.

— É um bom começo – admitiu Silena – Significa que ele fez a lição de casa. 

— Ou um golpe de sorte – argumentou Piper.

— Não, não. Porque não era qualquer pista, senhoras – fiz um suspense enquanto pegava uma garrafa de água no frigobar ao lado do sofá - Vocês se lembram daquela vez que brincamos de melhor dia/pior dia e eu disse que o melhor dia da minha vida foi provavelmente aquela vez que meus pais levaram eu e meu irmão para patinarmos naquela pista floresta encantada e tudo mais?

— Como ele achou aquele lugar? – exclamou Annabeth.

Silena e Piper trocaram olhares impressionados.

— Ele é bom – murmurou Silena balançando a cabeça.

— Muito bom – completou Piper.

— É, pois é. O problema é que ele realmente não conseguiria patinar nem se a vida dele dependesse disso então ele passou a maior parte do tempo apoiado em mim ou no chão – ri.

— OU – Annabeth começou – foi tudo uma desculpa para ficar segurando em você.

— É – concordou Silena - É uma possibilidade.

— Enfim, após um tempo nós fomos tomar sorvete e eu até esqueci que ele era um ser humano completamente desprezível e tudo mais.

— Ah, não – Pipes balançou a cabeça – Você nunca consegue desgostar de pessoas que te dão sorvete.

— E é possível desgostar de pessoas que te dão sorvete? – exclamei.

— Bom – refletiu Annie – é difícil, mas se você tentar com bastante empenho acho que talvez seja possível.

— BASTANTE empenho mesmo – reforçou Silena.

— E então? – perguntou Pipes.

— Nós ficamos sentados nos balanços de um parque aleatório tomando sorvete.

— E ele não tentou te beijar nem uma vez? – perguntou Silena incrédula.

— Eu não disse isso – ressaltei. – Na verdade, ele estava bastante... – procurei a palavra certa – inspirado. Depois de alguns beijos, ele colocou Shot At The Night para tocar e pediu para dançar comigo.

As três exclamaram.

— Aí finalmente ele me trouxe para casa. Eu honestamente não me responsabilizaria pelos meus atos se ele inventasse mais alguma coisa – admiti.

— Ele é muito muito muito muito muito bom mesmo – disse Annie admirada.

— Eu sei! – joguei a cabeça para trás – Onde vocês me meteram?

 



Notas finais do capítulo

É isso, tentei deixar o maior possível porque né, oito meses, mas... Eu ia fazer o capítulo todo no POV Ethan porque ia ficar mais legal, porém 1) garotos maus são mt mt mt difíceis (tenho dificuldade com falas, imagina o pov todo, eu hein) e 2) por regra, a gente nunca pode saber o que os meninos estão pensando até o final, quando tem uma reviravolta louca e na verdade a gente descobre que estava enganada o tempo todo (estou me referindo à histórias/livros/filmes, mas acho que pode se aplicar à vida real tb UDHQPDKQWOPDKWQD)