As Quatro Casas De Hogwarts - Ano 1 escrita por Larissa M


Capítulo 8
Capítulo 8 - Virando a Noite


Notas iniciais do capítulo

Finalmente postei!! Desculpem, estou de férias, preguiça... Ah, claro, eu dedico esse capitulo à Paola, Ldebigode, lovatics e Lipsrayzoso pelos seus reviews!!



Erick Lavoisier andava por um dos corredores de Hogwarts, se concentrando para poder andar sem se perder pelo caminho. Caminhava para a Sala do Diretor, a pedido do próprio. Em suas mãos levava o bilhete entregado a ele naquela manhã: Me encontre na minha sala às 16:00. Quero falar com você. A senha é “Pomo de Ouro” Ele nunca tinha ido à sala do diretor, mas tinham lhe dito o caminho. Quando fez a curva em um corredor, prestes a se deparar com o seu destino, tudo o que ele viu foi uma garota, que por pouco não se chocou contra ele.

- Uau, calma! – ele disse, segurando-a pelos ombros. O Quadribol aumentara a velocidade de seus reflexos, felizmente.

- Desculpa! – ela falou. Seus olhos eram azuis escuros, e estavam marejados. Ela nunca tinha reparado nela antes, apesar de ser da Corvinal, assim como ele. Seus cabelos loiros e lisos eram familiares... Mas Erick conhecia muita gente com a mesma cor de cabelo para reconhecê-la.

Ela desviou o olhar do dele e se justificou:

- Eu estava só admirando a gárgula, quando ouvi seus passos e pensei que fosse algum professor, por isso me apressei para andar...

Erick sorriu, acalmando-a.

- Não tem problema.

Ele era mais alto do que ela, e deduziu que ela deveria ser um ano mais nova do que ele, que era do segundo ano.

- Você estava indo para a sala do diretor?

Ela pareceu confusa.

- Não... Ah! É por isso a gárgula falante... Ela dá acesso à sala do diretor, e deve ter uma senha para entrar, assim como no dormitório das outras casas...

Sua voz foi minguando e ela se calou. Achando que o problema era com ele, Erick se apressou em dizer:

- Exatamente isso que você falou. Embora eu não soubesse que para entrar nos outros dormitórios tem que dizer senhas...

- É.

- Qual seu nome?

- Alice. Alice Hills.

- Sou Erick Lavoisier. – ele estendeu a mão para ela.

Ela apertou, mas permaneceu em silêncio.

- Você também foi chamado pelo diretor? – ele perguntou.

- Não... Eu só estava andando por aqui, como disse.

- Bom, eu só espero que não seja por nada que eu tenha feito, que ele me chamou...

- Mas você não filho... Ou neto, dele? – Alice perguntou.

- Sou o neto, mas como você sabe?

- Lavoisier não é um sobrenome muito comum, entende?

- Tem razão. – ele sorriu. – Bom - ele continuou falando – Eu adoraria ficar conversando com você aqui, em vez de entrar na sala, mas é que eu já estou atrasado.

Alice assentiu com a cabeça, e se despediu dele.

- A gente se vê. – ele disse.

- Ok. – ela respondeu indo embora para Erick poder dizer a senha para a gárgula. Ela foi imaginando se o garoto voltaria a procurar sua companhia como de fato tinha dito. Ela esperava que sim.

No entanto, estava errada. Erick não a procurou naquela noite, nem na outra. Ela pensou então que o “a gente se vê” dele se referia só alguns momentos, e não necessariamente queria dizer que ele ia se tornar mais amigo de Alice. Não que a garota não gostasse de seus amigos. Ela se divertia com eles, e gostava deles, assim como eles gostavam dela. Mas ela sentia que estava faltando alguma coisa, que, embora tivesse mais amigos do que nunca, e que fosse uma das mais queridas do grupo, ela não conseguia sentir com eles o mesmo que com... Os outros. Ela se recusava a falar os nomes deles. Mesmo tendo se passado três semanas desde o momento em que eles pararam de se falar. Ela não sabia o que fazer, mas sabia que tinha que fazer alguma coisa.

Naquela noite, dois dias depois de ter conversado com Erick pela primeira vez, Alice não estava conseguindo dormir direito. Ela desceu para a Sala Comunal, com o pijama que estava. Não pensava a encontrar ninguém àquela hora. Eram três da manhã.

Ela chegou ao final da escada e notou que ainda havia brasas na lareira, deixando todo o ambiente na penumbra. Ela preferia assim. Foi se aproximando do pequeno sofá em frente à lareira, e levou um susto quando viu que havia alguém sentado ali. Com seu susto, ela esbarrou numa mesa atrás dela, o que fez a pessoa virar o rosto.

Era Erick. Ele se levantou na mesma hora, agora seu rosto iluminado lateralmente pelas chamas.

- Alice!

Os cabelos ruivos de Erick ficavam ainda mais avermelhados com o brilho que vinha da lareira. Apesar de ser ruivo, quase não tinha sardas. Seus olhos eram castanhos, contrastando com o cabelo. Ele, assim como Alice, vestia seu pijama, pois não pensava que fosse encontrar alguém àquela hora. Alice corou, e agradeceu silenciosamente por estar na penumbra, ao contrário de Erick.

- Oi. – ela respondeu.

- Perdeu o sono? – perguntou Erick, apostando no mais óbvio.

- Foi.

- É o mais óbvio. Não acho que você iria sair da nossa Sala Comunal no meio da noite vestindo um pijama.

Ela riu, apesar de estar com vergonha de usar nada mais do que um pijama na frente dele.

- Então... – ela perguntou – Posso me sentar, está meio frio aqui.

- Claro. – ele disse, voltando para o seu lugar no sofá, em uma das extremidades.

Alice sentou na outra extremidade, o mais afastada dele possível. Gostou do calor das chamas, mas preferia estar sozinha naquele momento. No entanto, não desperdiçou a oportunidade de conversar com ele.

- Pensei que fosse a única que descesse no meio da noite. Não sei por quê. – Alice disse, com o olhar fixo na lareira.

- Eu também pensei nisso. – Erick disse e se levantou para aumentar as chamas. Ela não era a única com frio ali. – Mas então, porque você não conseguiu dormir? – ele olhou para ela quando perguntou.

Não querendo ter que entrar numa explicação complicada, Alice disse:

- É meio complicado. Diz você primeiro.

- É meio complicado ou você não quer dizer mesmo? Se não, tudo bem por mim. – Alice riu, e disse:

- Eu gostaria que não fosse tão complicado. – ela suspirou – Mas eu não posso reclamar, foi culpa minha.

Erick se sentou no sofá de novo.

- Bom, eu te digo por que eu desci aqui.

- Estou ouvindo.

- É o seguinte: tem umas garotas do meu ano, e do seu ano também, que estão, hum... Digamos “apaixonadas” por mim.

Alice riu alto. Ela esperava que os problemas de Erick fossem todos menos o que ele tinha acabado de dizer. E agora que ele havia dito, ela se lembrou de que suas amigas não paravam de comentar ontem de um garoto, o qual Alice não sabia e nem queria saber quem era. Acabara de adivinhar.

- Não ria, é sério. – Erick disse agora constrangido.

- Desculpe. – Alice parou de rir. – Mas você não consegue dormir porque um bando de garotas te persegue?

- Exatamente! Eu sonho - tenho pesadelos com isso.

Alice se segurou para não rir.

- Mas porque estão todas tão obcecadas?

- Ah, é o Quadribol. Elas acham que eu fui incrível, mesmo o time tendo perdido. Isso não faz sentido.

- Nenhum. – Alice concordou. Por dentro, tentava esquecer o dia do jogo de Quadribol.

- Até o meu avô me chamou para me parabenizar pelo jogo!

- Sério?

- Isso mesmo, naquele dia que a gente se encontrou pela primeira vez. – Erick disse – Por falar nisso, desculpe não ter voltado a falar com você... É que... As garotas, você sabe.

Alice assentiu. Isso explicava muito coisa.

- Eu estou tentando evitar a Sala Comunal, sabe? Eu não sou muito do tipo que gosta de ser o centro das atenções. E, também, se qualquer uma das garotas me visse falando com você... Coitada de você.

- Mas eu sou amiga delas! – Alice disse – Não que eu também esteja obcecada com você...

- Eu acredito em você. – Erick falou, tranquilizando Alice. Ele completou, ironicamente – Mas é, eu acho que elas nem iam te incomodar... Umas cem perguntas sobre a mesma pessoa nem incomodam ninguém...

Os dois riram, e Alice teve que concordar com ele.

Sem perceberem, o tempo ia passando, e os dois mantiveram a conversa animada. Alice foi conhecendo Erick aos poucos, assim como ele a conhecia. Ela, no entanto, não explicou o motivo de sua insônia, mas logo Erick se esqueceu disso. Os dois (já mais confortáveis no sofá) nem perceberam quando três horas viraram quatro, que viraram cinco...

Alice acordou assustada. Não tivera bons sonhos... Aos poucos, ela foi retornando à realidade. Ela estava no sofá ainda, e ela dormira em uma posição desconfortável. Suas costas doíam, mas ela ignorou a dor. Ela olhou para o lado de Erick, mas o garoto não estava lá. Alice não se lembrava de ter adormecido, mas as pessoas nunca se lembram de quando caíram no sono. Por sorte, dormira com seu relógio de pulso. Quando ela foi checar, eram 6:45 da manhã, e o dia estava clareando. Ela devia ter dormido por uma hora aproximadamente... Levantando do sofá, quase caiu quando pisou numa coisa mole, que definitivamente não era o chão.

Erick estava adormecido no chão, logo embaixo do sofá e em frente à lareira. Ela pisara no peito do garoto, o que o fizera acordar.

- Ouch! O que...

Erick se levantou, sonolento, e se apoiou nos cotovelos.

Quando ele se deu conta do que estava acontecendo, acordou completamente, se sentando o mais rápido possível.

- Nós dormimos aqui? – ele perguntou, mesmo já sabendo a resposta.

- É... Mas eu acho que você deveria perguntar: “Como vim parar no chão?”.

Erick assentiu, e se levantou completamente. Depois, se deu conta de que poderiam ter perdido a hora e perguntou, alarmado:

- Que horas são, você sabe?

- Dez pras sete. Relaxa, ainda dá pra voltarmos para o dormitório e ninguém vai saber que nós dormimos aqui...

- Esse não é o pior... Nós estamos juntos, lembra? Eu não ligo muito para a opinião alheia, mas se alguém visse a gente aqui, ia dar o que falar.

- Eu também não ligo. – Alice disse para ele, apesar de não ter tanta certeza assim.

Ela estava desconfortável. Precisava se olhar num espelho, mas preferia não fazê-lo, pois estava com medo de ver como ela aparentava. Seu cabelo devia estar um horror, e ela estava de pijama, que estava todo amarrotado por ter dormido em uma posição estranha. Erick também se sentia do mesmo jeito, mas ele não ligava muito para o cabelo, então estava melhor que Alice.

- Bom, vamos voltar logo, talvez a gente ainda possa dormir um pouco...

Erick ia dizendo isso quando os dois escutaram vozes, que, sem dúvida, pertenciam à pessoas que estavam descendo as escadas.

David Allen e Christopher Moore vinham descendo dos dormitórios, numa discussão animada sobre Quadribol. Ambos eram artilheiros da Corvinal, assim como Erick, mas nenhum deles havia marcado um gol sequer na última partida – foram todos de Erick.

Quando eles chegaram à Sala Comunal, estava vazia, e um deles comentou:

- Erick já deve ter chegado ao campo, ele já saiu da cama!

- Deus, eu não sei como ele tem energia para tanto.

Apressadamente, pois já estavam atrasados, os dois artilheiros se dirigiram à saída da Sala Comunal, indo em direção ao campo.

Debaixo da mesa, estava Erick, juntamente de Alice. A mesa em questão os escondia da visão de qualquer pessoa que descesse e fosse em direção à saída. Ela na lateral do sofá onde passaram a noite, escondendo os dois.

Alice soltou o ar, mas Erick tinha seus problemas longe de terem acabado.

- Eu preciso ir, agora. Eles já acham que eu estou no campo...

- Tudo bem, vamos subir, a gente se vê depois.

Os dois se levantaram, mas antes de qualquer um dar um passo, Alice segurou Erick pelo braço. Ela percebeu que as palavras que tinha dito foram exatamente as mesmas que Erick disse para ela quando se encontraram pela primeira vez.

- A gente vai se ver mesmo não é? – ela perguntou.

- Vamos nos ver, a não ser que você tenha algo contra as garotas...

- Não. – Alice respondeu.

Erick sorriu, e disse:

- Então a gente se fala.

- Ei, eu vou ao seu treino de Quadribol hoje.

Erick parou a meio caminho de seu dormitório e voltou a olhar para ela.

- Não sabia que você gostava de Quadribol.

- Eu gosto de assistir.

- Ok, eu não estou reclamando.

Ele riu e continuou seu caminho; e Alice para o dela.

Ela sabia que ia se sentir muito cansada naquele dia, afinal, mal dormira por cinco horas, que nem foram seguidas. Mas naquele momento, Alice só estava preocupada com Erick, que teria que ir direto para o Quadribol, e, quem sabe, ficar sem café-da-manhã. Ela pensou em levar qualquer coisa que ele comer depois do treino, mas então se lembrou de todas as garotas. E se lembrou de que elas não perderiam um treino por nada.

Alice abriu a porta do dormitório, hesitante.

Como esperado, todas estavam acordadas, se vestindo.

- Alice! – Emily (uma das garotas do dormitório) disse – Onde você estava?

- Eu... Banheiro. – Foi a primeira coisa que ela pensou. Por sorte, nenhuma das garotas estava prestando muita atenção.

- Então... Porque vocês estão se arrumando tão cedo? – Alice perguntou se fingindo de inocente.

- Pro treino! – outra delas respondeu como se fosse a coisa mais óbvia.

- Sinceramente, Alice, onde você anda com essa cabeça ultimamente? – Emily perguntou – Você parece que nunca presta atenção no que a gente diz.

- Ah... – Alice respondeu, com a cabeça em outro lugar – Eu só tenho outras coisas na minha cabeça no momento.

Aos poucos, Alice deixou de prestar atenção nas garotas, e elas, em Alice. Todas se trocaram animadas, e quase não perceberam quando Alice disse que ia seguir com elas para o campo de Quadribol.

Ainda absorta em pensamentos, Alice começou a comparar Erick com elas, o quão diferente os dois eram. Ele era atencioso, gentil... E seus assuntos eram de longe muito mais interessantes que os das quatro amigas de Alice. Além de não serem repetitivos. E era o que ela preferia. Quase involuntariamente, seus olhos começaram a vasculhar o Salão Principal (elas tomavam café-da-manhã, agora) em busca daqueles os quais ela evitara olhar por tanto tempo...



Notas finais do capítulo

e então?? reviews?