As Quatro Casas De Hogwarts - Ano 1 escrita por Larissa M


Capítulo 7
Capítulo 7 - A Separação


Notas iniciais do capítulo

ooi, eu demorei um pouco, mas postei!! Ahh, eu achei diferente escrever esse capítulo, mesmo pq ele é um pouco triste...



Dois dias se passaram. Por mais que Ellen tentasse reatar a amizade com Alice, a garota não queria saber de falar com ela novamente; nem com nenhum dos outros. No dia seguinte ao primeiro jogo de Quadribol, Alice mantivera distancia de Ellen, e só deixou Ryan falar com ela. Alice preferia ficar sozinha, mas e ela foi vista falando com colegas da Corvinal; rindo com colegas da Corvinal. Pessoas que nem Ryan, nem Daniel, nem Ellen conheciam. Muito menos tinham os visto falarem com Alice tão frequentemente. As explicações de Alice para Ryan foram curtas: sua justificativa era a briga com Ellen, mesmo esta dizendo, por meio de Ryan, que não queria ficar brigada.

Nos dois dias seguintes, ela parou de falar com Ryan, mas continuou repetindo suas outras atitudes. Os amigos restantes resolveram esperar. Afinal, era ela quem devia uma explicação, não eles que deveriam procurá-la. Por fim, ela se aproximou dos três outros amigos, reunidos, naquela segunda-feira e disse, com convicção:

– Como vocês devem ter percebido, eu não falo mais com vocês.

– Exato. – disse Ryan – Qualquer um teria percebido isso.

– É – disse Alice, sem se deixar abalar pelas palavras frias do garoto. – E não esperem mais de mim.

– O que? – Ryan perguntou, mesmo tendo ouvido perfeitamente. Ele estava esperando um pedido de desculpas.

– Isso que vocês ouviram – Alice mal sustentava o olhar deles, preferia olhar para o chão. – Eu não vou mais falar com vocês.

Alice foi se afastando, mas não chegou muito longe. Ellen a segurou de leve pelo pulso, se ela quisesse poderia se afastar. Tentando olhar nos olhos de Alice, Ellen disse:

– Alice...

– Não foi por causa da briga, Ellen.

– Não era isso que eu ia perguntar.

Alice finalmente a olhou diretamente.

– Por quê? – Ellen perguntou.

Alice soltou o braço do aperto de Ellen, e voltou para onde estava: na frente dos antigos amigos.

– Porque não dá mais para nós ficarmos assim. Todo dia, eu tenho que encontrar com vocês nas ampulhetas, e nós nem podemos almoçar juntos! Eu não posso ir ao dormitório de vocês, vocês não podem ir ao meu... O tempo que nós passamos juntos é muito limitado! Eu acho... Eu acho que eles criaram esse negócio de dividir em casas por uma razão: Para nós ficarmos separados. Por isso, eu não vejo outra razão para nós ficarmos juntos. São problemas e dificuldades para todos.

Os três amigos olhavam fixamente para ela. Todos estavam surpresos, mas a expressão de Ryan mudava de surpresa para raiva.

– Eu vejo uma boa razão para ficarmos juntos. – Ryan disse, proferindo suas palavras com o máximo de acidez que conseguia. – Ou pelo menos via uma razão.

– E qual seria essa? – Alice perguntou, secamente.

– Essa razão seria – Ellen completou para Ryan, ela sabia exatamente o que o garoto diria; estava pensando no mesmo – a que você, semanas atrás, prometeu que nós iriamos ficar juntos, não importa o que acontecesse. Você não lembra? Foi a primeira a perguntar se todos nós ficaríamos juntos...

– A primeira a se assegurar da fidelidade dos amigos. – Ryan disse.

Alice desviara o olhar novamente, e olhava para o chão.

– Olha pra mim, Alice. – Ryan pediu, mais suavemente. Ela obedeceu – Essa não é você. Eu não acredito que você possa ser tão infiel.

Ryan disse isso bem de frente para Alice, e logo depois deu as costas a ela e saiu correndo pelo Saguão de Entrada, em direção às escadas.

– Alice... – Daniel disse, mas ela não levantou o olhar. – Eu não queria dizer isso... Mas vou ter que concordar com o Ryan.

Ele também foi embora, porém devagar, como se estivesse esperando que Alice voltasse atrás no que disse, dando mais uma chance para ela mudar. Mas ela não o fez.

– Eu também vou. Nem preciso dizer que concordo com os dois.

Ellen se juntou a Daniel, e puxou a manga da camisa dele, acelerando o passo. Logo, os dois já tinham desaparecido da vista de Alice, que olhava para as escadas. Ela desviou o olhar novamente para o chão, dessa vez com lágrimas nos olhos. Pelo canto do olho, ela notou que seus amigos da Corvinal estavam um pouco distantes dela no Saguão e, se quisesse, ela poderia juntar-se a eles. Porém, não fez nada. O que ela queria naquele momento era ficar sozinha. Sozinha com seus pensamentos.

Ela começou a andar para os jardins, mas parou assim que chegou à soleira dos portões do castelo. Ela se recusou a enxugar as lágrimas. Deixaria que elas escorressem livres pelo seu rosto. Acabara de ferir não só o seu melhor amigo, Ryan, mas seus outros dois amigos, aquele a quem confira, e, com absoluta certeza, recebeu confiança.

Naquele momento Alice se odiou. Se odiou por ter tomado decisões precipitadas, e por deixar algo tão bobo atrapalhar as suas amizades. Agora não tinha mais volta. E ela duvidava seriamente que alguns deles a perdoaria algum dia. Sim, talvez algum dia, mas levaria tempo. Tempo que poderia ser gasto na felicidade que é somente sentida quando se está ao lado de amigos.



Ryan acordou na manhã seguinte se sentindo horrível. Ele tinha ido dormir com os acontecimentos da noite ainda frescos na cabeça, e seus sonhos tinham sido perturbados. Pelo menos ele não teve que lidar conscientemente com seus problemas pelo tempo em que estava dormindo até aquele momento, quando ele acordara.

Devagar, ele se ajeitou na cama macia, seu olhar encontrando o teto. Ele parou por uns momentos, para repassar cada acontecimento do dia anterior em sua cabeça. Num salto, levantou, mudando repentinamente de ideia. Talvez a movimentação lhe fizesse bem. Talvez as atividades mecânicas de todas as manhãs o fizessem se sentir melhor. Sua visão ficou turva, como só acontece quando nos levantamos muito rápido. Ele piscou algumas vezes e procurou seus óculos na cabeceira da cama, colocando-os rapidamente.

Finalmente podendo ver o quarto corretamente (ele era míope, e não conseguia focar em objetos que se encontrassem muito longe) ele notou que todos os seus colegas ainda estavam dormindo, inclusive Nathan Madison, um garoto com quem fizera amizade enquanto não estava com Daniel, Ellen ou Alice. Pensar em Alice fez com que Ryan fechasse os olhos com força, como se tentasse apagar as lembranças do outro dia.

Decidiu que não deveria esperar por ninguém; isso só o faria ficar mais absorto em pensamentos, e era justamente do que ele estava tentando fugir naquela manhã.

O mais rápido que pôde, Ryan trocou seu pijama pelo seu uniforme e passou por sua rotina matinal, como de costume. Ele já estava saindo do dormitório e seguindo para o Salão quando se viu lembrando a noite passada, logo depois de sua briga com Alice. Não conseguindo evitar as imagens que atravessavam sua mente, Ryan se deixou levar pelas lembranças, suspirando.

Nathan Madison fora extremamente gentil aquele noite. Apesar de os garotos não terem tanta intimidade quando Dan e Ryan, Nathan conhecia o outro bem o bastante para notar que, por baixo de seu sorriso pouco convincente, e de seu: “estou com sono, vou deitar”, Ryan escondia verdades que ainda não estava pronto para partilhar com todos os colegas. Nathan sempre fora bom em lidar com as emoções dos outros e, muito gentilmente, se aproximou de Ryan naquela noite, quando estavam sozinhos no silêncio de seu dormitório.

– Ryan – ele dissera – Eu sei que você não quer que ninguém pergunte, mas... Você está bem?

Ryan, então, parara de ajeitar seu lençol e olhara para ele.

– Eu estou bem. – ele se virou novamente para a sua cama.

– Tudo bem, então. Mas você sabe que eu sou diferente dos outros.

Nathan sabia dos outros amigos de outras casas de Ryan, como também sabia que este não se sentia muito a vontade com seus colegas de quarto, nem com outros de sua mesma casa. Poucas exceções, entre essas, Nathan e uma garota da idade deles.

Não conseguindo se conter mais, Ryan desabou em cima do lençol que gastara tanto tempo arrumando, para deixá-lo impecável. Agora, repousava todo amarrotado, sob o corpo choroso do garoto. Ryan, ao contrário de Alice, tentava, porém em vão, esconder suas lágrimas de Nathan, ainda receoso se deveria confiar seus segredos a ele.

Nathan, vendo o amigo, sentou-se ao lado dele, mas não tão perto. Esperava a reação de Ryan, para ver se podia ou não se aproximar mais.

– Você não precisa me contar agora, se não quiser. – ele disse, não querendo pressionar Ryan. – E eu prometo que eu não vou contar para o resto dos garotos, já que você não quer. – Nathan adivinhara o que ele queria simplesmente pelos seus gestos. Sempre fora bom em ler expressões corporais.

– Eu n-não... – Ryan respirou fundo, tentando acalmar os soluços. – Eu não acredito em promessas.

– Bem... – Nathan disse pensativo – Esse era o momento em que eu supostamente te dava um conselho sábio, que te fazia refletir e mudar sua opinião sobre que você acabou de dizer, e, de repente, eu tinha sua completa confiança, fazendo nós virarmos amigos. Mas, sinceramente, eu não faço a menor ideia do que dizer agora.

Ryan olhou para Nathan por alguns segundos, com os olhos ainda marejados, e caiu na gargalhada. Ele riu, naqueles momentos em que você ri de algo que foi engraçado, mesmo sabendo que deveria estar triste. Ele riu, acompanhado por Nathan, e de repente, assim como Nathan havia descrito, (exceto pela parte de dizer algo sábio) os dois garotos confiavam um no outro, e sabiam que, dali em diante, seriam amigos.

Ryan já tinha chegado ao Salão e estava indo para mesa da Lufa-Lufa, quando “acordou” de seus pensamentos, reparando no lugar ao seu redor. Ele notou, pelo canto do olho, que Alice estava sentada na mesa da Corvinal, a mesa à sua direita, mas ignorou-a, sentando-se de costas para ela. Ele se serviu do café e continuou se lembrando da noite passada.

Quando ele e Nathan pararam de rir, suas lágrimas já haviam secado. Ryan, então, resolveu contar tudo para ele, resumidamente. Porém, não omitiu nenhuma das palavras de Alice, que pareciam gravadas a ferro em sua cabeça. Nathan se mostrou um bom ouvinte. Comentava nas horas certas e estava de fato prestando a atenção, e, o mais importante, se importando com Ryan. Foi difícil relembrar tudo, mas se sentiu melhor depois que contou tudo para Nathan. Ele tinha tido sorte, também. Os outros colegas de quarto se demoraram mais do que o usual, dando mais privacidade, mesmo sem saberem, para Nathan e Ryan.

– Então... – Ryan terminou – Foi isso que aconteceu.

– Entendo... A garota da Corvinal, Alice, quebrou sua promessa e não magoou somente você, mais seus outros dois amigos. – Ryan assentiu – Isso sem nenhum motivo aparente.

– Ela deu um motivo. Só não é...

–... Bom o suficiente. – Nathan completou.

– É. – Ryan concordou infeliz.

– Eu sinto muito. Eu não conheço essa Alice, mas, pelo o que você me contou, ela não parece ser infiel.

– Não parece. Mas é. – Ryan não sabia se ficava infeliz ou com raiva. Ele acabava alternando entre os dois, deixando até ele mesmo um pouco confuso.

– Com certeza ela deve ter mais algum motivo do que esse.

– É o que você acha?

– Eu ainda não tenho certeza, mas eu vou tentar descobrir. Talvez, quem sabe, ela até esteja arrependida.

– Bom, espero que ela não esteja procurando por meu perdão. – Ryan disse, ainda sentindo raiva.

– Eu vou descobrir. – ele disse.

– Como?

– Eu tenho meus meios. – Nathan disse, sorrindo.

Ryan se virou para o lado, pronto para se levantar e dar um fim no seu café-da-manhã, quando encontrou o mesmo sorriso com o qual estava pensando.

– Oi. – Nathan cumprimentou, sentando-se. – Já estava de saída?

– Estava, mas eu posso ficar mais um pouco. – Ryan se ajeitou novamente no banco, voltando para onde estava.

– Pelo o que você me contou ontem, Alice tem cabelos loiros, olhos azuis... Ah, lá está ela.

Ryan começou a se virar para onde Nathan olhava, por cima de seu ombro, mas este o virou antes que pudesse completar o gesto.

– Acho que você não vai querer que Alice te flagrasse olhando para ela, não é? Principalmente por cima de seu ombro.

– Tem razão.

Nathan serviu suco de abóbora para si mesmo, enquanto Ryan pensava no que ele tinha dito na noite anterior.

– Nathan... Como exatamente você pretende descobrir aquelas coisas sobre ela?

– Eu disse, eu tenho meus meios. – Nathan respondeu, dando um sorriso.

Nathan terminou de tomar seu suco de abóbora em poucos goles, ajeitando seu cabelo castanho logo depois. Seu cabelo era da mesma cor que seus olhos, Ryan notou, e eram ondulados nas pontas. Estava precisando de um corte, Ryan notou também, ou talvez fosse só o gosto do garoto.

– Vai, me conta como.

– Tá bom... – Nathan disse, ainda sorrindo – Eu acho que nós dividimos uma aula com os alunos da Corvinal, e com ela.

– É verdade, aula de Herbologia.

– Então... Meu plano é basicamente me aproximar de uma pessoa que eu conheço da Corvinal que a conheça bem e perguntar qual é a dela.

– Mas nós podemos confiar na opinião dessa pessoa?

– Bem... Você mentiria se algum amigo de outra casa te perguntasse o que você acha de mim? Você não teria motivo para fazer isso. Talvez achasse um pouco estranho minha curiosidade, mas nada de mais. A não ser, claro, que você não gostasse de mim. Aí não sairia falando tudo o que você acha que eu tenho de ruim para qualquer um.

Ryan parou para pensar. As palavras de Nathan faziam sentido, e, por sorte, a aula de Herbologia era exatamente naquela manhã.

– Entendeu, agora? – ele perguntou, terminando com seu suco de abóbora.



– Nate, venha comigo. – Ryan o chamou, notando que Ellen e Dan estavam lhe esperando no lugar de sempre.

– Nate? – o garoto estranhou – É um bom apelido. – acrescentou.

Os dois garotos se aproximaram de Ellen e Daniel, formando novamente um quarteto, embora não fossem exatamente os quatro que Ryan desejasse que estivessem unidos.

– Gente, esse é o Nathan.

– Ou Nate, se preferirem. – Nathan acrescentou, pois gostara muito do apelido.

– Oi, Nate. – Daniel cumprimentou, apertando a mão dele. – Sou Daniel.

– Eu sou Ellen. – ela também estendeu a mão, e Nathan apertou.

Os três ficaram em silêncio, esperando por Ryan dizer alguma coisa, incertos se deveriam ou não falar.

– Ahn, então, eu conheci Nate há um tempo, mas nunca o apresentei para vocês.

– Pode deixar gente, Ryan me contou tudo ontem à noite. – Nathan assegurou os dois,

– Oh, certo – disse Daniel, depois acrescentou, para Ryan - Nós estávamos procurando por você, cara.

– Depois que... Depois que você sumiu escada acima. – Ellen completou.

– Eu fui direto para o dormitório, e depois contei tudo para Nathan, como ele disse.

Os garotos e a garota conversaram mais um pouco, e Ryan percebeu que Dan e Ellen evitavam mencionar Alice, e Nathan, inseguro sobre como começar o assunto sobre ela, preferiu seguir os dois.

– Gente, vocês não precisam ficar evitando falar dela só porque eu estou aqui. Além do mais, Nathan pensou em alguma coisa para... Bem, para descobrir o real motivo que Alice teve para fazer isso.

Ellen e Daniel trocaram olhares, depois se voltarem para os outros dois.

– Mas Alice disse por que ela fez isso.

– Bom, não é só nisso que eu pensei... – Nathan disse, começando a explicar tudo o que ele tinha dito para Ryan, e o plano dele para essa manhã. Ele soava bem convicto, e convenceu os seus dois ouvintes. – Claro, eu posso estar errado.

– Eu sinceramente espero que não. – Ryan disse francamente, e todos concordaram com ele.

Depois de se separem, cada um foi para sua respectiva aula (Ryan e Nate para Herbologia; Ellen para de Feitiços e Daniel para Poções). Ryan e Nathan foram para as estufas, caminhando lado a lado. Na metade do caminho eles encontraram um pequeno grupo de alunos da Corvinal, entre esses, Alice. Ryan tentou manter o olhar afastado da antiga amiga, mas não conseguiu deixar de perceber o quanto ela ria com eles.

– Vamos, Ryan. – Nathan puxou o garoto, e, se aproveitando de um grupo de alunos da Lufa-Lufa que cruzava com o grupo da Corvinal, foi cortando caminho entre eles com intuito de ficar na frente de Alice.

– Nate, você viu? Ela estava rindo; gargalhando com eles.

– Então isso significa que você tem todo o direito que rir comigo também. – Nathan disse, tentando desviar a atenção de Ryan de Alice.

Eles entraram nas estufas e, por sorte já tinham alguns alunos da Corvinal sentados pelas diferentes mesas. Nathan localizou a sua amiga, e foi em direção a ela. Por sorte havia alguns lugares livres a frente dela e de sua amiga. Eles tomaram dois lugares, logo à frente. Os amigos de Alice eram muitos, e naquela mesa não tinha lugar o bastante para eles, então, quando eles entraram na estufa, sentaram-se muito afastados de Ryan e Nathan.

O Prof. Longbottom entrou logo em seguida, fechando a porta atrás de si.

– Bom-dia a todos! – Cumprimentou simpaticamente, deixando suas coisas em sua mesa própria. – Abram os seus livros no mesmo capítulo que semana passada, por favor, e peguem as luvas de segurança no lugar de costume.

As luvas ficavam na parte de trás da estufa, e Nathan acompanhou Ryan para lá. O garoto percebeu que quando ele se aproximou de Alice, a garota parou de rir, e mesmo de comentar qualquer coisa com seus amigos.

Eles acabaram ficando lado a lado na hora de pegar as luvas.

Ryan olhou diretamente para frente, e nem ousou virar para o lado de Alice, embora quisesse terrivelmente fazer isso. Ele notou que Alice ficou tensa assim que eles pararam lado a lado. Em silêncio, os dois pegaram as luvas e voltaram para seus respectivos lugares.

Virando-se para Nathan, sussurrou:

– Nate, eu não sei se é bom fazer isso. Talvez eu devesse deixar isso como está.

– Você tem certeza? Eu só continuo se você quiser.

Ryan suspirou. Ele olhou para Alice, que mudara completamente de atitude. Em vez de rir e falar com seus amigos, estava com o olhar vago, como se estivesse pensando, e a face triste.

Alice estava pensando em Ryan, embora o garoto não soubesse disso. Sua mente refletia, muito longe das palavras que Prof. Longbottom pronunciava. Ela nem percebeu o olhar de Ryan, de tão concentrada que estava...

– Não. Continue com seu plano. – Ryan sussurrou para Nate, no fundo de sua mente ainda imaginando se haveria esperança para eles.

Nathan assentiu para mostrar que entendera, e eles voltaram a sua atenção para a aula de Herbologia, que já começara havia alguns minutos.

A aula de Herbologia não era muito boa para conversar, principalmente quando estavam mexendo nas plantas, o que era quase toda aula. Por sorte, naquele dia o Prof. Longbottom resolvera dar uma parte teórica, possibilitando os alunos conversarem em certos momentos.

– Ei, Lydia. – Nathan chamou a amiga dele.

– Oi Nathan.

– Agora pode me chamar de Nate se quiser.

– Beleza. – ela disse, se perguntando se era só isso que Nathan queria falar com ela.

– Tenho outra coisa para te perguntar.

– Sim?

– O que você acha daquela Alice Hills?

Nem um pouco discreto. Ryan pensou, mas ele mesmo não conseguia pensar em melhor maneira de fazer aquilo.

– Não sei... Ela parece legal. Por quê? Tá interessado nela? – ela perguntou sorrindo.

– Nem. – Nate respondeu. – É que... Bem, Alice meio que fez uma coisa que... Fez Ryan – ele indicou o garoto com a cabeça – não saber se pode mais confiar nela ou não.

Lydia pensou um pouco.

– Eu diria que ela é bem legal. Sabe, ela é popular entre o pessoal da nossa turma. Ela divide um dormitório comigo e com mais quatro garotas. Foi bem simpática comigo em uma de nossas aulas... Nunca diria que é o tipo de pessoa que possa ser, digamos, infiel.

– É mesmo? – Nathan perguntou, convidando-a a falar mais. Ryan percebeu que o pouco fraco da garota era que falava demais. Ainda mais se dessem ouvidos a ela, o que parecia ser a intenção de Nathan

– É. Diziam que ela falava com o grupo mais estranho de alunos. Ela meio que andava com o povo lá, mas eles ficavam toda hora fazendo piadinhas de outras casas, sem querer ofender. Eu não faço, nem rio.

– Concordo com você. Ela pareceu estranha ultimamente?

– No outro dia ela apareceu lá no dormitório bem chateada, se você quer saber. Muito chateada. Ficamos tentando descobrir o que aconteceu, mas ela não quis dizer nada. Pobrezinha. Achou que brigou com alguém, só pode ter sido isso.

A garota não parecia, porém, fofoqueira. Só falava naturalmente. Não tinha o tom de querer contar as novidades, nem ficava perguntando por mais.

– Deve ter sido.

– Bem, eu vou me resolver com ela. – Ryan disse. – Não sabia que tinha brigado com alguém, no entanto. – Ryan mentiu.

– Oh, faça isso. – Lydia acrescentou. – Ela está bem triste esses dias. Talvez vá alegrá-la um pouco.

Ryan sorriu, e assegurou Lydia que faria isso, mentindo mais uma vez. Deu um olhar significativo para Nathan, que só sorriu de volta. Ryan nem prestou mais atenção à aula de Herbologia, estava concentrado nas palavras de Lydia. A garota soava verdadeira. Pelo o que ele pode dizer, era meio ingênua, e diria qualquer coisa que qualquer um pedisse. Nathan foi esperto em se aproximar dela. Mas logo Ryan voltou a pensar em Alice. Então ela estava triste. O que isso significava? Será que ela se arrepender...? Não. Ryan se recusou a formar o pensamento, pois não queria dar a si mesmo falsas esperanças. Ele precisava falar com Nathan, e com os outros. Ele não poderia dizer com certeza que Alice se arrependera, mas com certeza o que ele tinha acabado de ouvir mudava as coisas.




Notas finais do capítulo

E aí, o que acharam? Reviews?