As Quatro Casas De Hogwarts - Ano 1 escrita por Larissa M


Capítulo 20
Capítulo 19 - Um Conselho Inusitado


Notas iniciais do capítulo

heyy gente, consegui postar esse capítulo!(nem eu sei como, mas postei xD)



Andares abaixo, em algum lugar nos confusos corredores das masmorras, estava Alice, andando com passos rápidos, mas mesmo assim facilmente acompanhada por Erick.

– Onde você está indo? – ele perguntou, já pela quarta vez.

– Ela está em algum lugar por aqui... Você não viu que ela estava vindo pra cá quando a gente passou pelo Saguão de Entrada?

– Quem?

– Holy! – Alice respondeu, parando para olhar para ele.

– Alice, creio que temos assuntos mais urgentes para tratar nesse momento...

A garota bufou e continuou o seu caminho, sem se alterar.

– ...Como por exemplo, Dan e Ellen na sala do diretor porque ela entrou na Sala Comunal...

– Xii! – fez Alice, parando novamente. – Vai que alguém ouve...

Os dois continuaram o caminho, e dessa vez Erick permaneceu em silêncio. Pensando no que Alice dissera, ele encontrou a resposta para a urgência da garota em encontrar Holy. Aumentando o passo, ele passou a seguir caminho ao lado de Alice, ainda em silêncio.

Não tardou para eles acharem Holy, a poucos passos de entrar na Sala Comunal da Sonserina.

– Holy! – Alice chamou, e a garota se virou para trás.

– Alice? O que você está fazendo aqui embaixo?

– Ellen está com problemas. Vamos precisar de sua ajuda.


– Prof. Hunnigan, acalme-se. – disse o diretor, em pé atrás de sua escrivaninha. Prof. Stuart estava apoiado num encosto de uma das poltronas, enquanto Hunnigan gesticulava fervorosamente, longe de Stuart, mas ainda assim próximo ao diretor. Mattew fechava a cena; quase invisível atrás dos dois, afastado e calado, mas com um sorrisinho no rosto.

– Alunos. Por favor, entrem. – o diretor disse educadamente a todos.

Quando ficou visível que o grupo era maior do que o esperado, os professores recomeçaram a reclamar, mas logo foram silenciados pelo diretor.

– Não há problema. Creio que sejam amigos, sim? Pois bem... – ele continuou – Soube pelo Sr. Mattew Cooper que ambos – ele olhou para Daniel, depois para Ellen – estiveram na Sala Comunal da Grifinória na noite passada. Sendo que, e acho que não preciso destacar, Srtª Green é da Sonserina.

– Isso não é verdade! – Ryan se pronunciou, dando um passo a frente.

– Ryan... – Daniel disse, olhando para o amigo e contendo-o antes que dissesse mais coisas. A reação do amigo foi olhar para Mattew em fúria e dar um passo de volta para trás. Olhando para o diretor, Daniel respondeu – Senhor... Isso não é verdade, assim como Ryan disse. Eu fiquei até tarde na Sala Comunal da Grifinória, sim. Vi Mattew quando ele chegou, e quando ele fez o caminho de volta, mas Ellen não estava comigo em momento algum.

Prof. Hunnigan não disse uma palavra de discordância. O Prof. Stuart, que antes estivera defendendo o ponto de Mattew, agora permanecia calado, dividido entre contradizer Daniel, e assim Hunnigan, ou ajudar a própria casa. A presença dos dois professores no local ainda era um completo mistério para todos ali, mas, naquele momento, ninguém estava ligando muito para o fato em questão.

Enquanto dizia aquelas palavras, Daniel foi se dando conta do quanto seu plano fora arriscado – e estúpido. Quanto mais pensava, mais via falhas, agora que havia uma testemunha para provar o contrário.

– Bom, parece que temos uma discordância aqui. – o diretor observou. Permanecia sério, mas suas palavras não chegavam a serem severas. Daniel observou que, enquanto a cena se desenrolava, havia mais espectadores na sala: os antigos diretores de Hogwarts, cada qual em seu quadro, observavam a cena, curiosos. Um deles chamou a atenção de Daniel, pois, ao contrário dos outros, chegava a sorrir diante da situação, mas ficava calado. Estava exatamente atrás da mesa do diretor atual, e um sorriso brincava no meio de suas barbas brancas. Um pequeno óculos em meia-lua, por cima de um nariz torto completava a cena. Daniel não se lembrava do nome daquele diretor em questão, mas tinha certeza de que já o vira em algum lugar.

– Oliver – disse Hunnigan. Ele olhava fixamente para o superior quando pronunciou as palavras, evitando propositalmente o olhar dos alunos. – Temos apenas as palavras deles para crer, e não acho que você possa condenar alguém por tão pouco.

Os quatro amigos quase abriram a boca em surpresa ao ouvirem as palavras de Hunnigan. O único motivo pelo qual não o fizeram era porque se lembraram a tempo do lugar onde estavam, e não seria bom reclamar de alguém que parte em sua defesa. A suspeita de cada um de Hunnigan não foi pouca; tinham quase certeza de que o professor estava armando para eles: era a única explicação.

– Acho que você tem razão, Prof. Hunnigan...

Ouviram-se três batidas na porta, e vozes do outro lado da madeira. Estranhando a situação, o diretor pediu educadamente para Nathan abrir a porta. Quando o garoto o fez, mais três pessoas entraram na ambiente, automaticamente pedindo desculpas.

– Desculpa a intromissão, mas eu trouxe alguém que pode ajudar no caso. – disse Alice, como se estivesse diante de um tribunal. Atrás dela estavam Holy e Erick.

– Oh, eu me esqueci de mudar a senha novamente... – o diretor murmurou, perdido em pensamentos momentaneamente.

– Desculpe, vô... Digo, diretor. – falou Erick. – Nós precisávamos entrar aqui.

O diretor deu de ombros. Não se importava realmente que seu neto soubesse a senha de acesso ao seu escritório.

– Srtª Hills. – ele disse. – Vejo que trouxe com você...

– Holy Stevens. – ela se apresentou. Depois de um olhar hesitante na direção de Alice, ela deu um passo a frente e continuou. – Eu estava com Ellen na noite em que, segundo o Mattew Cooper, ela estava na Sala Comunal da Grifinória.

Dando um imperceptível suspiro de alívio, Ellen automaticamente se juntou a mentira, dando mais veracidade a própria.

– Sim, eu estava para dizer isso. Nós estávamos na Sala Comunal da Sonserina, como usual, passando um tempo juntas.

– Ficamos mais ou menos até que horas...? – Holy perguntou, dando a dica para Ellen mentir o horário correto em que ela, na verdade, ficara com Daniel.

– Duas, uma da madrugada? – ela disse. – Não sei ao certo. Sei que fomos dormir logo depois.

O diretor olhava de uma a outra. Depois, satisfeito com o que ouvira, disse:

– Então está certo. Não houve infração de regras alguma, pois Srtª Green estava com Srtª Stevens na noite em questão. Muito obrigado...

– Mas eu vi! – interrompeu Mattew, falando pela primeira vez desde que os amigos entraram no cômodo. – Eu vi a Green com o Potter na nossa Sala Comunal.

Vendo sua chance, Ryan interrompeu; dessa vez com o prazer de ter um sorriso no rosto, escondido numa fingida expressão de preocupação:

– Matt, tem certeza de que você não se enganou? Quem sabe... Eram o que, umas três da madrugada quando você chegou? Uma viagem dessas, depois do dia que você teve com certeza deixa alguém cansado...

Mattew borbulhava em fúria por dentro. O garoto chegou a dar dois passos a frente, olhando fixamente para Ryan, mas foi interrompido por Stuart. O professor segurou seu braço com firmeza, fazendo o garoto parar a poucos metros do irmão.

– Cooper. – ele disse apenas, e foi o que bastou para Mattew retornar ao seu lugar sem dizer uma palavra. Também não retribuiu os olhares que Ryan lhe dava; ao invés, olhava para fora de uma das janelas, sua expressão séria. Ninguém notou quando Rachel foi para seu lado e sussurrou palavras inaudíveis a todos.

– Como eu disse, não há possibilidade de uma aluna da Sonserina entrar no dormitório da Grifinória. – disse Hunnigan, no que Stuart respondeu, quebrando seu silêncio:

É possível, e eu não duvidaria nada que eles tivessem tal atrevimento, mas é que esse não foi o caso.

– Tenho que concordar com Prof. Stuart, Charles. – disse o diretor. – É possível, sim, mas não foi o que aconteceu. O que temos aqui, na realidade, é uma acusação no mínimo séria. – o diretor olhou para Mattew, que não correspondeu – Sr. Cooper. Mais uma vez, não vou me envolver nos seus assuntos particulares. Creio que tenha tido suas razões para fazer tal, mas devo aconselhá-lo a não repeti-las. Devido a provas, sou obrigado a acreditar que o senhor não estava falando a verdade.

As palavras do diretor fizeram Daniel acreditar que, embora eles tivessem conseguido provar a sua palavra, não conseguiram mudar o jeito que o diretor via a situação. Daniel achava que, para ele, estava mais do que claro que Ellen havia entrado na Sala Comunal da Grifinória. Porém, ele não parecia expressar muita preocupação diante do fato. Se voltando para os professores, o diretor disse:

– Quanto aos senhores, bem... – pela primeira vez Daniel viu que o diretor expressava real preocupação e aborrecimento, mas escondia isso atrás de seu profissionalismo. – Eu não consegui terminar o assunto iniciado hoje mais cedo, porém, tornarei a chama-los em pouco tempo. Tentem levar em consideração o que eu lhes disse hoje. Charles, Scott, eu não gosto de fazer isso. Você são professores de Hogwarts, portanto, se respeitem. Podem ir.

O diretor voltou a se sentar, e Prof. Hunnigan e Prof. Stuart partiram do escritório sem dizer uma palavra. Ambos assentiram com a cabeça, e tomaram o seu caminho, desviando um do outro tanto quanto possível. Todos os que estavam na sala de aula acompanharam os professores com o olhar, mas estes não responderam em momento algum. Os alunos só podiam imaginar o que levara o diretor a dizer tais palavras para os dois. No caso dos seis ali presentes, tinham conhecimento da rixa entre Hunnigan e Stuart, e haviam presenciado a cena no corredor. Mas teria isso chegado aos ouvidos do diretor? E, no caso positivo, seria tanto para poder gerar tal repreensão da parte do superior?

De qualquer modo, restaram apenas os oito alunos e o diretor em seu escritório. O velho logo tornou a falar, regendo mais uma vez os movimentos pela sala.

– Sr. Mattew Cooper e Srtª Clarke... Nosso assunto está encerrado. – os dois permaneciam ao lado da janela, separados do resto do grupo por uma invisível parede de sentimentos. – Obrigado por sua ajuda, Srtª Clarke. Espero não tornar a vê-los por aqui, se é que me entendem. – o diretor completou, com um sorriso.

O casal se retirou. Mantinham certa distância entre eles, mas ainda assim estavam juntos. Ryan não tinha certeza, mas suspeitava que Rachel ainda fosse voltar com Mattew. Embora fosse bem justa nos seus julgamentos, estava bem claro a todos que ela permaneceria do lado de Mattew o quanto fosse possível.

No escritório, restaram o grupo de amigos e o diretor. O mais velho começou a falar, tendo toda a atenção do resto do grupo:

– Eu devo dizer a vocês, e saibam que já estava com isso em mente faz um tempo... Vocês são, de longe, o grupo mais distinto que já vi em Hogwarts, em todo o tempo que passei aqui.

Os seis não sabiam se recebiam aquilo como um elogio ou ao menos como receber as palavras do diretor. Ele continuou, sob o silêncio dos jovens:

– E isso quer dizer também que são o grupo mais unido que já vi. Para cada casa há um, ou dois, de vocês. Isso não requer apenas uma oposição à “lei” que foi, e ainda é, silenciosamente instalada aqui nesse castelo – a de que as casas devem permanecer separadas -, mas sim uma força de vontade e lealdade extremas. Não consigo imaginar o que vocês devem passar diante do resto de mentes fechadas que diariamente vejo aqui. Não estou querendo ofendê-los, mas apenas destacar uma das características das menos agradáveis, mas que ainda assim existe. Um único grupo que poderia se equiparar a este talvez fosse o de Prof. Stuart... – se interrompendo, o diretor pigarreou e continuou – É melhor deixar este assunto de lado...

– Diretor. – Alice disse. – Posso perguntar por que Hunnigan e Prof. Stuart estavam aqui em cima hoje?

– Ah, bem. – disse o diretor. Já previra essa pergunta vinda de algum deles, e também já pensara numa resposta – Digamos que ambos possuem assuntos inacabados. E que envolvem Hogwarts.

Alice assentiu e permaneceu calada. Acrescentou depois de um tempo, achando que seria o mais correto a se dizer:

– Obrigada, diretor. – o homem mais velho olhou-a e sorriu. – E acho que digo isso por todos nós.

– Oh, de nada. – ele respondeu. Mantinha-se em pé atrás de sua escrivaninha, e, de súbito começou a se mexer. – Erick, deixando a formalidade para trás por um tempo... Eu tenho um presente para você. Esqueci de enviá-lo, deixe-me só dar uma passada no meu escritório...

O velho homem se foi, subindo as escadas circularas para seus aposentos. Os sete amigos permaneceram parados, sem saber o que fazer. Mais uma vez, foi Alice quem quebrou o silêncio.

– Erick, você nunca que disse que seu avô era tão simpático. – ela falou, olhando para o garoto mais velho.

Ele ergueu as sobrancelhas e respondeu:

– Eu também não sabia como ele agia como diretor. Sabe, nunca tinha feito besteira o bastante pra vir parar aqui...

– Obrigada, Erick, - ironizou Ellen - não estava me sentindo suficientemente culpada até agora.

– Desculpa! – o garoto disse, ficando vermelho. – Eu não quis dizer isso...

– Relaxa, Erick. – Alice respondeu por Ellen. – Vocês podem ter feito besteira, mas, primeiro: saíram ilesos. Segundo: foi por uma boa razão.

– Ah, vocês seis. Sete, na verdade.

Juntos, os amigos se viraram, ligeiros, em direção à voz. Nenhum dos sete sabia de onde haviam vindo aquelas palavras. Entreolharam-se em dúvida, olhando o redor do escritório do diretor. Os quadros permaneciam quietos, e alguns se viravam para uma estante atrás da escrivaninha. Daniel analisou-a por vários minutos, mas foi só quando ouviu a voz novamente que percebeu de onde ela vinha:

– Eu me lembro de vocês... – disse o Chapéu Seletor.

– Espera. – disse Ryan – Você fala?

– Claro que sim, Ryan. – respondeu Alice. – Você se esqueceu da cerimônia de abertura?

– Acho que ele quis dizer que o Chapéu fala a qualquer momento, não só para selecionar os alunos – disse Daniel.

Agora, os sete se viravam na direção do Chapéu. Ainda estranhavam falar com o objeto, mas este nem se alterou diante de seus comentários.

– Sim, eu falo, Sr. Cooper. – ele respondeu. – Vejo que vocês seguiram bem o meu conselho.

– Conselho? – Ellen perguntou – Desculpe-me, mas não me recordo de conselho algum...

– Ah, vocês, alunos. – dessa vez não foi o chapéu, mas um dos quadros na parede que falou. Era um velho diretor, e nenhum dos amigos sabia dizer quem fora. Sabiam apenas que era da Sonserina, devido ao plano de fundo do quadro. – Nunca prestam atenção em nada do que dizemos.

Alguns dos quadros que estavam aos arredores assentiram em concordância, mas o Chapéu continuou como se não tivesse sido interrompido.

– Oh, eu quis dizer a música que eu cantei na cerimônia de abertura. Sinceramente, acho que fui muito bem esse ano. – Daniel podia jurar que o chapéu, mesmo sendo um chapéu, possuía um característico tom de orgulho em sua voz ao pronunciar aquelas palavras.

Alguns quadros reclamaram, e Daniel pôde ouvir alguns dizendo que era quase impossível ver qualquer parte da cerimônia, dado que eles ficavam no andar mais distante do Salão Principal, tendo trabalho para se deslocar pelo castelo para ver qualquer outra coisa. O único quadro que se mantinha impassível diante a situação era o mesmo de barbas brancas que Daniel havia reparado momentos antes.

– Me desculpe Chapéu, mas nós não nos recordamos da música... – disse Ryan.

– Eu me lembro. – anunciou Alice. Ao notar todos os olhares sobre ela (e uma exclamação de um dos quadros “tinha que ser da Corvinal”) ela acrescentou – Quero dizer, me lembro do que ele quis dizer com a música; não as palavras em si.

– Eu não me importo de repeti-la... – disse o Chapéu. Antes que pudessem calá-lo, pois ninguém ali estava com vontade de ouvir um velho e remendado chapéu, ele continuou:

Sua hora chegou

Estudantes, não sabem,

Mas devem se unir

Porque quem quer que fique separado

Irá se partir.

Diferentes, assim os separei.

Cada qual com seu ser

Porém, os reunirei.

Imaginam, oh, imaginam.

Mas esquecem,

No seu íntimo,

Seres humanos habitam.

Para a escola se manter

Ouçam-me, jovens,

Assim como os antigos:

Deverão seguir o chapéu

E da paz não serão munidos.”

Ouvindo a música pela segunda vez, os amigos conseguiram prestar atenção em seu significado. Foram, pouco a pouco, a medida que a música avançava, compreendendo o que o Chapéu Seletor queria dizer. Foram necessários alguns minutos para interpretarem corretamente, mesmo depois do término da canção. Quando a ouviram primeiro, no momento da cerimônia não sabiam, nem queriam saber o seu significado. Estavam preocupados demais com suas próprias casas. Não perceberam, no entanto, que era justamente sobre isso o que se tratava as palavras do Chapéu.

– Espera... – disse Nathan. – Você está dizendo que devemos nos manter unidos, mas no sentido da escola toda?

– Ah, muito bem, vejo que vocês me compreenderam. – o Chapéu respondeu.

– Mas isso é praticamente impossível! – disse Ryan. – Você já notou pessoas como o Mattew por aí?

– Sem contar que essa estereotipação das casas é de deixar qualquer um louco... – comentou Alice.

– Vocês verão. – disse o Chapéu. – Não faço profecias, mas não se precisa prever o futuro para dizer o que está para acontecer nessa escola. Se seguirem meu conselho tudo será mais fácil.

– Mas se já está sendo difícil um grupo de sete pessoas... – disse Erick. Ninguém discordou; todos sabiam que estava certo.

– Quanto mais com um professor como Hunnigan. – acrescentou Holy. Não se destacava muito no grupo, mas percebeu que fora incluída pelo Chapéu.

– Se bem que, - disse Daniel – Depois de hoje, eu já não sei mais o que pensar sobre Hunnigan...

– Hum, muito bem observado. – disse o Chapéu. - Mas o professor possui suas razões...

– Como você fica sabendo de tanta e coisa? E como assim, possui suas razões? – perguntou Daniel, atropelando uma pergunta com outra.

– Sinto que não devo me meter nesses assuntos...

– O que diz respeito ao professor Hunnigan é dele; e somente dele. – dessa vez, foi o diretor de óculos de meia-lua quem se pronunciou. Daniel viu que permanecera calado até aquele momento, mas que ouvira cada palavra dita naquele recinto. – Fiquem seguros, essa situação vai se resolver com o tempo. Vocês devem cuidar de si próprios e de seus amigos. – a voz do diretor prendera a atenção de todos ali. Apenas a própria presença dele parecia impor certo respeito – Até agora, fizeram extremamente bem, e, embora eu suspeite que não soubessem, fizeram exatamente o que o nosso amigo Chapéu pediu. Mantiveram-se unidos. Mostraram ao resto da escola que, não importam quais sejam as suas casas, ninguém deve ficar separado por conta de tal. – o diretor sorriu. Foi nesse momento que Daniel lembrou-se de onde o havia visto anteriormente: uma carta de sapo de chocolate, aberta nos seus primeiros dias de escola, trouxera uma foto do homem que agora via e, abaixo, seu nome. Albus Dumbledore continuou suas palavras. – Guardem isso com vocês. Virá a ser útil.

O diretor disse com tal certeza que os amigos ficaram imaginando se o homem não saberia do futuro. Todos ali se lembravam de sua identidade e, ainda chocados pelas palavras de ambos, Chapéu Seletor e ex-diretor de Hogwarts, que ainda permaneceram assim quando o atual diretor desceu as escadas, momentos depois de Dumbledore terminar seu discurso.

– Aqui, Erick. – disse ele, ao terminar o lance de escadas.

O neto demorou alguns segundos para reagir, mas acabou agradecendo e pegando o presente das mãos do mais velho.

– Obrigado. – ele disse. – Minha coruja chegou? – o diretor assentiu, e o garoto retrocedeu de volta ao lado de Alice.

– Muito bem. – disse o diretor. Ele nem sequer notou o fato de que os quadros pareciam mais agitados do que o normal, e murmuravam entre si. O diretor aparentava estar cansado, mas mesmo assim não deixou de lançar um sorriso para os garotos quando disse – Acho que é só. Estão liberados.

O grupo foi saindo da sala aos poucos. Daniel ficou para trás, e, antes de fechar a porta da sala, lançou um último olhar ao quadro de Albus Dumbledore. Por detrás de seus pequenos óculos em meia-lua, o diretor lhe deu uma piscadela, acompanhada de um sorriso. Daniel esboçou um pequeno sorriso em resposta, e fechou a porta do escritório do diretor.




Notas finais do capítulo

sério, eu nem tinha pensado em colocar o Dumbledore, a ideia me surgiu do nada... mas e aí, ficou legal? reviews?