As Quatro Casas De Hogwarts - Ano 1 escrita por Larissa M


Capítulo 1
Capítulo 1 - Plataforma Nove e Três Quartos


Notas iniciais do capítulo

É minha primeira fanfic, gente, espero que esteja legal!
Só pra deixar claro, o Daniel Potter, apesar do sobrenome, não é parente dos Potter!



Daniel Potter olhava nervoso para todos os bruxos que estavam na plataforma 9 e ¾. Seus pais lhe davam sorrisos encorajadores, mas ele ainda se sentia deslocado, como se lá não fosse seu lugar. Era seu primeiro ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

A todo canto que ele olhava, via bruxos de todas as idades – desde muito pequenos até adultos – carregando malões, se despedindo, com seus amigos... Todos pareciam confortáveis.

- Daniel, não preocupe, vai, anime-se! – seu pai disse, vendo a insegurança do filho.

Daniel era um bruxo mestiço, seu pai era bruxo e sua mãe, nascida trouxa. Ele nunca demonstrara nenhum indício de magia até muito tarde na infância. Seus pais chegaram a duvidar que fosse de fato bruxo, mas quando a carta de Hogwarts chegou, não houve dúvidas. Daniel estava feliz por finalmente entrar na escola; seus primos por parte de pai já haviam todos ingressado lá, ele foi o único que restou da família. Comprara sua varinha poucos dias antes e queria logo usá-la, para testar a si mesmo. Ver se valia alguma coisa como bruxo. Seu pai lhe disse que teria que esperar até chegar à Hogwarts para fazer alguma magia, e que demoraria alguns anos até ele poder dizer se era competente ou não.

Na plataforma, Daniel estudava a todos os rostos, nervoso. Não tinha consciência disso, mas procurava alguém que estivesse na mesma situação que ele. Não demorou a achar: viu uma garota pequena, de cabelos castanhos e lisos, parada ao lado de seus pais, olhando nervosamente ao redor, assim como Daniel fazia minutos antes. Ele sorriu, mais relaxado. Ainda olhava para a garota quando ela virou em sua direção e encontrou seu olhar. Na mesma hora, como se tivessem combinado, os dois viraram os rostos em direções opostas. Daniel queria falar com a garota, pois tinha certeza de que ela também estava começando em Hogwarts, mas estava muito envergonhado para fazer isso, e não tinha certeza se ela gostaria de companhia. Sua curiosidade foi logo esquecida, porque soou o apito do trem, e Daniel entrou nele com a ajuda de seus pais, e a garota sumiu de vista.

Dentro do Expresso de Hogwarts, Dan conseguiu achar uma cabine que não estivesse cheia, e sentou ao lado da janela, sozinho. Estava pensando se deveria trocar de roupa ou não, quando a porta da cabine se abriu. Timidamente, um garoto menor que Daniel entrou, hesitante. Ele tinha cabelos cor de palha, e era visível que essa era a sua primeira viagem de trem. Quando o menino reparou que a cabine estava quase vazia, deu um suspiro de alívio e trouxe o malão para dentro, mais confiante.

- Oi, posso me sentar aí? – ele perguntou.

- Claro. – Daniel respondeu.

O garoto guardou seu malão no compartimento da cabine e sentou defronte Daniel, desconfortável.

- Meu nome é Daniel. Daniel Potter. – como o garoto parecia não querer responder, ele acrescentou – Como é o seu nome?

- Ryan Cooper. – ele respondeu baixinho. Depois pareceu se dar conta de alguma coisa, e disse – Espera. Você falou Potter? Tipo como o famoso Harry...

- Não! – Daniel respondeu um pouco agressivo demais. – É que... – ele tentou soar mais amigável - Sempre me confundem como parente de Harry Potter, não é a primeira vez. Aliás, preferia que parassem de me confundir como parente dele.

- Ah... Entendo.                                                                                          

Os dois ficaram por silêncio por algum tempo.

- Eu estava me perguntando... – Daniel hesitou um pouco antes de perguntar, não queria parecer idiota – nós podemos fazer algum tipo de magia aqui no trem?

Ryan não pareceu se importar com a pergunta. Apenas deu de ombros e disse:

- Se você souber alguma.

Agora que Ryan havia dito, Daniel ficou pensando em tudo o que ele se lembrava de seus pais terem falado como feitiço. Ele se lembrava de algumas palavras, mas não queria arriscar; podia dar extremamente errado.

- Eu também não sei – disse Ryan, interpretando corretamente o silêncio de Daniel. – temos que esperar as aulas... Ei, mudando de assunto, em casa você acha que vai?

- Eu não sei...

- Eu espero ir para a Grifinória – disse Ryan, interrompendo Daniel. – Sabe, a casa dos destemidos e corajosos. – Ryan pegou sua varinha e fez movimentos no ar como se estivesse lutando contra alguém invisível. Daniel riu.

Naquela hora, a porta da cabine se abriu, e nela apareceu a garota da estação de trem, que Dan tinha visto de longe. Ela pareceu meio espantada ao ver Daniel ali, mas ficou mais confusa ao ver Ryan empunhando a varinha.

- Você ia lançar um feitiço nele?

Ryan guardou a varinha apressado. Limitou-se a fazer um gesto com a cabeça, negando. Ele parecia ter voltado a ser calado e tímido.

Daniel se levantou para ajudar a garota a colocar seu malão, mas ela já havia dado conta disso. Sem falar mais nada, pegou a gaiola de sua corujinha e soltou-a pela cabine.

- Você devia fazer isso com a sua também. – Ela disse a Daniel.

- Ah, claro. – Ele repetiu os gestou da garota, e só então se deu conta de que não sabia seu nome. Como Ryan não parecia que ia dizer alguma coisa, ele disse:

- Sou Daniel. Qual o seu nome?

- Ellen. Ellen Green. – Ela sorriu. Daniel notou que era muito bonita quando sorria. – e o seu sobrenome?

- Meu... Meu sobrenome é Potter. – Daniel já se prepara para dizer: “não sou parente de Harry Potter”, mas Ellen não disse nada.

Ele a olhou, sem entender porque não dissera nada. Era impossível que não conhecesse o Potter, todos conheciam. Ryan conhecia.

- Porque você está me olhando assim?

- Ah... – Daniel desviou o rosto; nem percebeu que ficara encarando-a.

- É por causa do sobrenome. – Ryan respondeu por ele – Não vá me dizer que você não conhece Harry Potter?

- Eu conheço claro, mas há muitas pessoas com sobrenome Potter que não são relacionadas a ele. Presumi que se fosse parente do famoso Potter, alguma hora diria. Não acho que as pessoas queiram ser conhecidas por seus parentes. Além do mais, eu encontrei parentes mesmo de Harry Potter em outra cabine, se ele fosse um deles, estaria junto.

Daniel sorriu, era a primeira pessoa que entendia o modo como se sentia. Ryan parecia meio surpreso com as palavras de Ellen. A garota olhava a coruja de Daniel enquanto afagava a cabeçinha de sua própria.

Todos foram surpreendidos quando a porta da cabine se abriu mais uma vez, e entrou mais uma pessoa: uma garota de cabelos louros e compridos, que entrou logo que percebeu que os estudantes da cabine não poderiam ser mais velhos que ela.

- Olá – cumprimentou sorridente. Puxou o malão para cima e guardou no compartimento junto dos outros. Sentou-se do lado de Ryan, um pouco afastada. – Meu nome é Alice, eu estou no primeiro ano, vocês também?

- Estamos – responderam Ellen e Daniel, juntos. Eles se olharam brevemente, mas desviaram o olhar logo. Ryan parecia mais quieto do que antes. – Sou Ellen Green. – completou a garota – Esse é Daniel Potter e esse é... – Ellen se deu conta de que não havia perguntado qual era o nome do garoto.

- Ryan Cooper. – Daniel respondeu por Ryan.

- Você e Daniel já se conhecem? – Alice perguntou para Ellen.

- Não. Acabamos de nos conhecer no trem. – respondeu ela.

- E na plataforma. – Daniel disse, sem pensar.

- Como duas pessoas se conhecem em dois lugares diferentes? – Alice perguntou, confusa.

- Ahn... – Daniel pensava, tentando consertar o que disse. Ele corou e desviou o rosto de Ellen, que o olhava com atenção. – Eu quis dizer que a gente se viu na plataforma, depois se reencontrou no trem, e se conheceu direito aqui.

- Ah, entendo.

Daniel respirou, aliviado. Porque dissera aquilo? Ellen o reconhecera, ele a reconhecera... Talvez ele quisesse se certificar se ela o havia visto na plataforma, não tinha certeza do por que. Dan evitou olhar para Ellen, e procurou puxar assunto com Ryan, para desviar a atenção do ocorrido.

- Então... Você estava dizendo que ia para a Grifinória?

- Nós não temos como ter certeza... Podemos parar em qualquer casa. – ele respondeu, mas confortável de estar falando com Dan.

- Ah, eu espero que eu vá parar na Corvinal... Minha família quase toda vem de lá. – Alice disse, incluindo-se no assunto.

- Pois é, minha família é a mesma coisa, só que na Grifinória. – disse Ryan. – e a sua, Daniel?

Antes que o garoto pudesse responder, Alice disse:

- Eu notei que seu sobrenome é Potter. É coincidência ou tem algum tipo de ligação...

- Não pergunte isso para ele, Daniel fica irritado quando o confundem com a família de Harry Potter... – Ellen falou do seu canto, baixando o jornal bruxo do rosto, que pegara em algum momento da conversa deles.

- É, mais ou menos, eu não fico irritado, só é chato ter que corrigir a pessoa. É igual quando alguém erra o seu nome... – O garoto explicou melhor, achando que Ellen descrevera sua reação muito mal.

- Tudo bem se você fica chateado, eu entendo. – Alice disse – Mas, sua família tem alguma casa específica...?

- Ahh, bem... Minha mãe é nascida trouxa, então só resta a família do meu pai. A maioria é da Grifinória, mas tem uma bastante gente que foi da Corvinal.

- Então temos chances de ficar juntos! – disse Ryan, sorrindo. Ele olhou para Ellen como se estivesse em dúvida se deveria interromper sua leitura ou não. Como se soubesse o que Ryan pretendia, ela disse:

- Minha família não tem casa porque, bem, eles são trouxas. – ela baixou o jornal e olhou para eles - Foi uma surpresa eu ter recebido uma carta de Hogwarts, tanto pra mim quanto para meus pais. Eles quase me impedirem de vir, mas eu estava tão fascinada com tudo que eu acabei vindo pra cá... Oh, eu estou falando demais de mim. – e se calou, voltando para o jornal.

- Você parece tão natural lendo o jornal, mesmo tendo as figuras que se mexem... Você nem estranhou.

- Eu já tinha lido edições anteriores... Mas é tão incrível...! – Ellen se virou para a figura da primeira página do jornal, um jogador de Quadribol – um apanhador – no momento em que capturava o pomo. Ela sorria, e não parecia ser mais alguém inteligente e que já estava acostumada com tudo; parecia que ela havia acabado de saber que as figuras se mexiam, de tão fascinada que encarava o jogador.

Quando notou que todos a estavam olhando, parou de sorrir e tirou o olho do jornal. Em vez de continuar a ler, deixou-o ao seu lado no banco.

Antes que os garotos e Alice pudessem dizer algo a Ellen, ouviram uma voz anunciar do outro lado da porta da cabine:

- Doces! Carrinho de Doces!

Na mesma hora, Alice se levantou, abriu a porta e pediu à mulher do carrinho diverso doces, que a garota já conhecia de nome. Ryan também fez a mesma coisa. Dan ficou sentado, com Ellen ao seu lado, com cara de quem não gostaria de estar ali. Enquanto Ryan e Alice se distraiam no carrinho de doces, ele perguntou somente a ela:

- Qual o problema?

Ellen o olhou surpresa.

- Problema? Que problema?

- Ora, está claro que ou você está com vergonha porque é nascida trouxa e não conhece direito nosso mundo ou você não tem dinheiro para comprar doces e está sem jeito para pedir pra gente. – Daniel sorriu, querendo ser simpático. Ellen riu também, mas negou.

- Nenhum dos dois. – na mesma hora, ela tirou algum dinheiro de bruxo do bolso e comprou alguns caldeirões e sapos de chocolate. – Não estou acostumada com o mundo bruxo, é?

Daniel riu, mas percebeu o olhar de espanto de Ellen quando sua figurinha do Sapo de Chocolate desapareceu da moldura.



Notas finais do capítulo

E aí? Gostaram?