Marotos - Uma Nova História escrita por Sara_McGonagall


Capítulo 28
O Acônito e a Marca Negra.


Notas iniciais do capítulo

E ai gente, desculpa a demora mas como sempre digo, tenho muito do que rever antes de colocar no capítulo e esse foi um deles. Decidi colocar um resumo da subtrama da HufflePuff que fazia parte do fórum, pois o jogo não era só com os marotos e sonserinos, haviam outras casas e elas também tinham suas tramas. Enfim, espero realmente que gostem. bjocas.



— Eu sei o que eu vi! – dizia Sarah sentada na sala comunal logo após o jantar. Ficara tão abismada com o que havia visto no braço de Snape que praticamente nem tocara na comida.

— Sarah... – agora era Lupin quem parecia preocupado - ... não estou duvidando de sua visão nem nada mas...

— Mas nada Remus, eu tenho certeza do que eu vi... Severus Snape tinha uma tatuagem aqui... – mostrou ela o antebraço esquerdo - ... a manga estava dobrada no punho mas quando ele esticou a mão para segurar Rugrant e Parkinson a manga subiu ainda mais e consegui ver...

— E esse desenho... – começou a dizer Sírius – era uma caveira?

— Sim...  – respondeu ela convicta - ... ela parecia estar com a mandíbula aberta mas como eu já expliquei, foi tudo muito rápido, mas disso eu tenho certeza ele tinha uma tatuagem e era sim uma caveira.

A garota viu uma certa troca de olhares, e até pensou em perguntar para os garotos o que é que estava acontecendo, mas Sírius levantou-se.

— Onde raios foi parar o Prongs? – perguntou ele e lançou um olhar para Sarah que o encarou.

— E tem mais... – disse ela séria, os dois a encararam e Sírius voltou a sentar - ... momentos antes da confusão... estava vindo para a torre quando vi Helena...

— Helena? – perguntou Sírius e então ela sorriu.

— A Dama cinzenta... – respondeu Remus e então fez sinal para que a garota continuasse.

— Bem... ela estava bastante frustrada pois Carrow tem tornado a vida deles e dos elfos um inferno... disse ela que andou matando um dos elfos a dois dias...

— Ela esperava o que de um comensal da morte... – disse Sírius dando de ombros - ... ela tem é sorte por já estar morta.

— Você não entendeu o contexto.. – disse Sarah - ... ele quer que um deles... entre na sala de Dumbledore e traga tudo o que puder de lá para ele.

— Como assim? – perguntou Remus e então ela se aproximou para que somente eles ouvissem.

— Ele não ficou na antiga sala do diretor Dippet porque quis...  a sala se trancou e a não ser o Pirraça... e talvez alguns elfos... ninguém consegue entrar.... – disse a menina  e novamente os dois trocaram olhares. - Vocês querem parar de fazer isso?

— Isso o que? – perguntou Sírius com seu sorriso maroto.

— Essa... troca de olhares... – respondeu ela – tenho impressão é de que estou sendo um lembrol ou coisa parecida.

— Desculpe Sah... – disse Remus – ... Sírius acho melhor encontrar o nosso capitão e lhe informar o que a Sah acabou de nos contar. Ele vai precisar ter uma nova conversinha com nossa Monitora.

— É tão sério assim? – perguntou ela e Sírius então pegou em suas mãos e se aproximou bem de seu rosto.

— Minha Leoa... o fato de você ter visto aquela tatuagem no braço de Snape só quer dizer uma coisa... – então ele se aproximou ainda mais ficando a dois dedos de distancia da face da garota - ... que o que a Ordem temia realmente aconteceu...

— Os comensais da morte se reconhecem por conta de uma tatuagem... – disse Remus e Sarah então o encarou.

— Estão querendo me dizer que... – começou ela mas foi Sírius quem completou.

— Que nosso ranhoso finalmente sucumbiu as trevas... – disse ele - ... e se ele realmente está com uma tatuagem, mais cobras devem estar... Vou caçar o galhudo... – e então olhou para Sarah e sorriu - ... ok, desculpe... vou ir a caça de um Cervo... precisamos falar com Lorigan e reunir a AG...

— Obviamente precisamos... – disse Remus levantando-se também - ... mas esqueceu do toque de recolher? E amanhã é seu duelo com Mayfair...

— E o que tem isso? – perguntou ele.

— O que tem que se alguém te pegar nos corredores depois da hora você está desclassificado. – Remus então olhou para Sarah – Avise Emme, Alice e Olivia, vou atrás de James e Lorigan e explicar o que houve, mande avisar Frank também, nos encontraremos aqui após o último aluno ir dormir.

Não tinha outro jeito, tinham de fazer a reunião da AG na sala comunal da gryffindor mesmo. Era a única opção. Durante toda a noite, Sarah e Olivia ficaram na sala comunal com a desculpa de que estavam revendo os conteúdos para os seus NIEMs, não eram as únicas pois Emme, Alice e Frank basicamente deram a mesma desculpa e se juntaram a elas depois do jantar. Aos poucos a sala foi ficando vazia, Mandy e suas parceiras passaram por eles e desapareceram dormitório acima e Lily entrou pelo buraco do retrato praticamente cuspindo fadas mordentes.

— Que será que deu nela? – perguntou Alice se levantando para ir atrás da amiga mas Sarah segurou seu braço.

— Eu tenho uma idéia... – disse ela já imaginando que a ruiva fora confrontada por James. - ... acho melhor ficar fora da linha de tiro Ali, se for o que eu estou pensando... pode acabar sobrando pra você.

As horas foram passando, o toque de recolher foi dado e aos poucos a sala comunal fora se esvaziando. Menos é claro ao grupo que fingia estudar com afinco no canto isolado da sala comunal. O fogo da lareira já havia se extinguido quando finalmente o último aluno subiu as escadas.

— Frank... vai dar uma espiada... – disse ele e o garoto subiu lentamente para a escadaria para ver se o garoto havia ido mesmo dormir. Depois de uns cinco minutos ninguém mais estava acordado, os marotos então foram até a mesa onde Sarah, Olivia, Emme, Alice e Frank estavam.

— Padfooth.... – disse James – Proteção...

Rapidamente Sírius sacou a varinha e começou a executar alguns movimentos Sarah teve certeza de que um brilho furtacor começou a brotar da parede oposta praticamente os isolando como uma parede invisível. Mas não tinha tempo para perguntar que tipo de feitiço ou coisa era aquela.

— Bem... – começou Remus - ... as coisas estão piores do que pensávamos...

— Não pega leve não... – disse Frank rapidamente - ... sabemos exatamente o que está acontecendo e cá entre nós, os alunos que antes achavam que Potter era o vilão estão revendo suas opiniões....

— Fico feliz em saber disso... – respondeu James com um sorriso - ... embora agora já não faça tanta diferença não é Frank? Bem... como o Moony aqui acabou de dizer, nosso ilustre diretor está tramando alguma coisa ainda pior do que imaginávamos. Lembram-se do objeto que mencionei em uma das nossas reuniões? – Todos menearam a cabeça confirmando. – Acho que é isso que Carrow quer tanto, e por isso está forçando fantasmas e elfos a entrarem na sala de Dumbledore.

— Mas Dumbledore não seria estúpido de deixar algo que ele tanto queria trancado na própria torre... – começou dizer Emme – ou seria?

— Com certeza não... – respondia Lupin - ... mas como a torre toda se fechou... ele deve estar suspeitando de que o objeto esteja lá.

— Bom... isso está servindo para manter ele bastante ocupado... – respondeu Sarah e James então confirmou.

— No entanto, ele pode estar ocupado mas tem seguidores... – disse James agora apoiando as duas mãos no topo da mesa - ... poderia nos contar o que viu hoje cedo Sarah?

— Bem.... – disse ela um pouco surpresa - ... hoje mais cedo quando terminei minha detenção com Remus... houve aquela confusão nos corredores, vi uma tatuagem em forma de caveira no antebraço esquerdo de Snape.

Sarah pode ver que todos a olharam dela para James um pouco confusos, e então James puxou um pequeno caderno, que parecia mais um pequeno diário e mostrou-lhe um desenho. Era o desenho de uma caveira, com a mandíbula entre aberta e uma cobra como uma língua saindo para fora. Sarah então tapou parte do desenho com uma pena e via ali a exata figura da caveira que vira no braço de Snape.

— Assim... – disse ela mostrando para os outros - ... não dava para ver totalmente pois ele estava com a manga da camisa cobrindo parte dela mas era exatamente igual essa parte aqui... – e indicou a parte da caveira.

Novamente os outros encararam ela e depois voltaram seus olhos a James que pegou o pequeno diário e mostrou –lhes a imagem completa.

— Isso meus caros amigos... é a marca negra... – disse ele encarando um por um ali presente - ... é o símbolo do Lord das Trevas. É a marca de Lord Voldemort.

A garota pode ouvir que por alguns segundos os colegas prenderam a respiração, Olivia que estava sentada ao seu lado de repente parou até mesmo de respirar. Alice dera um gemido audível e Frank arregalara os olhos.

— Isso quer dizer... – começou Emmeline mas James a interrompeu.

— Exatamente Vance... – disse ele - ... nossas queridas minhoquinhas agora se tornaram serpentes...

— E não só serpentes... – acrescentou Remus - ... comensais da morte capazes de matar...

— Vocês não acham que eles seriam capaz disso, seriam? – perguntou Alice gaguejando então Frank passou um de seus braços por suas costas.

— Capazes são... – disse James - ... já se farão ou não... – seus olhos então encontraram os de Sarah. Ela logo se lembrou das tentativas frustradas em que fora atacada. Mayfair, Malfoy e Bella com certeza não só eram capazes como com certeza fariam.

— Será que todos estão com essas tatuagens? – Perguntou Olivia alarmada e olhou para Remus que meneou a cabeça em negativa.

— Não creio que Voldemort daria essa “honra” a todos da Slytherin... – disse ele e então olhara para James.

— Também acho que não... e é por isso que temos que descobrir com certeza quem mais além de Snape tem essa tatuagem!

— Eu posso arriscar dois... – disse Sírius – Minha priminha sádica e o namoradinho dela... Lastrange...

— Não acho que Lestrasgo tenha capacidade mental para ser um “coroado”... – disse Sarah e então James confirmou com a cabeça e sorriu.

— Também não acredito que essa honraria tenha sido dada para muitos... –ele endireitou seu corpo e encarou os amigos - ... então sugiro uma afronta aos métodos medievais do nosso ilustre diretor.

— O que está planejando exatamente? – perguntou Frank e Sarah pode ver um brilhosinho nos olhos do garoto que jamais pensou que veria.

— Estou pensando em burlarmos o toque de recolher... – disse James, o sorriso maroto estampando sua face - ... acho que não seremos os únicos a mostrar que não estamos satisfeitos, e quem sabe armarmos um verdadeiro circo.

— Eu sei de que tem texugos muito nervosos por conta da morte daquele elfo pelo nosso ilustre diretor... – disse agora Peter encarando os demais.

— Quanto mais gente nos corredores melhor... – respondeu James - ... acho que se falar com os fantasmas eles ajudam também.

— Nisso você pode ficar tranqüilo... – respondeu Sarah - ... Dama cinzenta está tão furiosa com Carrow que ela mesmo convenceu Pirraça a tornar a estadia dele aqui um inferno...

— E ele já não tem feito isso? – perguntou Olivia encarando os demais – Aquelas pichações na parede estão BEM específicas.

— Não foi ele... – disse Sarah - ... quando perguntei ele pareceu bem ofendido... e disse que sua capacidade criativa é muito mais elaborada...

— Se não foi ele.... – começou Emmeline e todos olharam para James que apenas riu e meneou a cabeça.

— Mesmo vocês duvidando... eu confirmo o que venho dizendo a Carrow e Lorigan... não fomos nós... – respondeu James - ... podemos ser marotos, mas aquela tinta é muito bem elaborada...

— É... Lorigan nos disse que aquela tinta não é vendida em lojas... nem na zonkos... foi criação aqui de dentro... – comentou Remus - ... eu acho que tem varinhas de corvo e texugo metidas nisso... conheço uns bons conhecedores de feitiços e plantas que poderiam andar fazendo esses experimentos...

— E isso lá importa? – disse Sírius com o mesmo brilho no olhar de Frank -  Vamos tocar o terror pelos corredores. Falei com Andy essa tarde antes do duelo, parece que nosso ilustre diretor andou enviando bilhetinhos convocando sonserinos para patrulhar os corredores...

— Ok... se é guerra que eles querem... então vamos ao plano... – Disse James, cada dupla iria para uma parte do castelo, e começaria a bagunça. Os quatro marotos iriam percorrer os corredores atrás de potenciais alvos, no caso sonserinos que agora faziam parte da “guarda especial” que patrulhava e punia severamente qualquer um que estivesse fora da sua torre após o toque de recolher. Emmeline e Sírius passariam pelos corredores do sexto andar da ala leste, Frank e Alice desceriam até a o terceiro andar, Olivia iria até os porões usando a passagem secreta e usaria os fantasmas. Um a um do grupo era designado para uma função e Sarah começou a ficar apreensiva quando James começou a desviar os olhos dela.

— É isso meus amigos... – disse ele e ela então cruzou os braços e o encarou. Pode perceber que todos ali ficaram apreensivos e lentamente começaram a se levantar dando boa noite. Estava pronta para se levantar também quando o garoto foi até ela - ... não pensou que eu havia esquecido de você ou pensou?

— Por um momento... – respondeu ela séria o encarando.

— O que tenho para lhe pedir é um pouco mais complicado... – respondeu ele e então olhou para os amigos que pareceram “entender” que era um assunto particular.  Assim que ficaram sozinhos James foi até a janela ao lado de onde Sarah estava e olhou para fora. A garota não entendeu a principio,  então ele voltou seu olhar para ela e isso fez com que borboletas começassem a voar em seu estomago.

— Sarah gostaria de te pedir um favor. – então respirou fundo e a olhou nos olhos – Sei que Severus Snape é um comensal da morte e acredito que possua algum contato com Voldemort. Lilly não me escuta e em relação ao Ranhoso parece não escutar ninguém, o que nas atuais conjunturas que estamos essa amizade dos dois é inaceitável e coloca em risco a integridade da AG, a vida dela e de todos de nossa casa.- Ele então se aproximou ainda mais - Gostaria que mantivesse os olhos bem abertos e colados nela, sei que parece estranho... Eu confio nela, mas não nele, logo gostaria se possível que seguisse ela, vou pedir para Rabicho e Aluado te ajudem com o mapa, precisamos que ela não tenha contato mais com ele. – Novamente mais dois passos – Não guardamos segredos na AG e o Ranhoso pode estar usando da proximidade dele com Lilly para extrair informações sobre nossa armada. Sei que é pedir demais mas... Pode fazer isso?

— Sei... agora tenho de ficar de babá da Evans... – disse ela demonstrando desagrado - ... eu vou ser sincera, se depois de todas as demonstrações contra o fato de ser filha de trouxas não fez ela cair em si não sei o que Eu ou você podemos fazer para que ela abra os olhos... –  disse ela respirando fundo tentando se controlar, primeiro porque não estava em condições psicológicas para ficar nervosa, e o assunto Lily Evans realmente já tinha consumido muito da sua paciência. Quando foi passar por ele, este bloqueou a passagem, Sarah então o encarou com cara de poucos amigos - ... Já gastei todos os meus argumentos tentando abrir os olhos dela, mas nem eu, ou outra pessoa conseguimos fazer ela perder aquela fé cega que tem nele... eu vou fazer o que for possível está bem? Se for preciso a faço escolher entre ele e a AG... mas tenho certeza que a não ser que a “poção exploda” na cara dela, ela não vai mudar de idéia. – disse ela.

Não que ela estivesse com raiva, ok, estava um pouco pois enquanto seus amigos arriscavam a pele em um confronto ela estaria bancando a babá de alguém que não queria sua ajuda. Mas estava disposta a dar um basta nessa história, ou Lily estava do lado dos bonzinhos, ou ficava de fora dos planos da AG.

— Eu... sinto muito em te pedir isso mas... – respondeu o garoto e ela então o encarou.

— Mas? Está tentando me manter fora da linha de tiro... – disse ela porém a reação que ele teve foi de susto.

— Não foi por isso... – respondeu ele - ... isso nem se quer passou pela minha cabeça.

— Tudo bem... – disse ela mas em seu rosto estava estampado de que não tinha “nada bem” - ... mas não prometo uma redenção.

— Sarah... não... – começou ele mas a garota já estava andando em direção as escadarias.

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O vento soprava forte quando os alunos começaram a descer rumo a parte externa do castelo. O tablado para a grande final do torneio de duelos estaria montada na Orla da floresta proibida um octógono estava disposto no centro da Orla que agora acomodava uma arquibancada circular com um pequeno patamar onde novamente o professor Flitwick estava postado. Dessa vez não optara por uma nuvem, sem mencionar que sua face parecia extremamente preocupada. Pouco a pouco os alunos começaram a chegar, Sarah assim como Olivia e Remus foram andando lentamente em meio aos outros alunos. A garota viu Derick acenar para ela alguns bancos acima assim que ela chegou. Ele estava acompanhado por uma garota ruiva de olhos claros e do irmão Erick o qual tinha uma expressão estranha no rosto. Não que ela o visse com freqüência, ou talvez estivesse tão acostumada com o olhar e a simpatia de Derick que notava a diferença agora. Acenou o cumprimentando e sentou-se ao lado de Remus olhando em volta. Minerva estava postada mais ao centro na ala reservada aos professores, uma das mãos dentro da manga, obviamente pronta para pegar a varinha caso precisasse intervir mais uma vez. Sarah viu Lily aparecer acompanhada de Alice e Frank, parecia abatida e nem se quer olhou para ela ou Remus o que deixou a garota um tantinho curiosa.

— Peter lhe ensinou como usar o mapa? – perguntou Remus fazendo com que Sarah voltasse sua atenção a ele.

— Ele me deu algumas explicações.... – disse ela e então o encarou -  como o conseguiram?

— Nós fizemos... – disse Remus despreocupadamente ignorando a cara de espanto da garota. – Eu disse que podemos ser irresponsáveis as vezes, metidos... mas somos um tantinho... – e fez o gesto com o indicador e o polegar - ... inteligentes.

— Não diga... – respondeu ela - ... acho que se for contar você é o segundo maior freqüentador da biblioteca.

— Você nunca se perguntou porque sempre topava com James mesmo não querendo encontrá-lo? – perguntou Remus com um sorriso. - Posso ser um rato de biblioteca mas James e Sírius tem mais conhecimento desse vasto castelo do que eu. Além disso, se tem alguém em quem ele tem extrema confiança é você.

— Você quer parar de justificar as ações dele? – dizia Sarah, estava exausta por seus amigos ficar tentando justificar o fato de enquanto os outros terem suas funções na ação que ocorreria a noite, ela tinha de ficar de olho em Evans.

— Não é justificar – interrompeu Remus – fui eu quem deu a idéia... você é a única que tem capacidade de colocar algum juízo na cabeça daquela ruiva teimosa.

— Eu??? – perguntou ela incrédula – Nem somos tão amigas assim para ela me escutar...

— Mas são mestiças...  – respondeu ele - ... Lily não é má pessoa, só está fazendo as escolhas erradas.

— Não sei não... – disse ela o encarando - ... Lily não é idiota Remus... ela sabe exatamente o que é certo ou errado.

— Mas quando se está apaixonado... – disse ele a encarando - ... se perde totalmente a noção das coisas... as conseqüências que cada uma de suas atitudes podem trazer...

— Acha que Lily... – perguntou Sarah e o garoto apenas sorriu.

— Não sei dizer... – respondeu ele por fim - ... a única coisa que tenho a mais absoluta certeza de que você é importante para nós....

— Ahhh qual é... – disse ela duvidando mas Remus a encarou.

— Você é a única pessoa fora os marotos que sabe sobre aquele mapa... -  respondeu ele baixo aproximando o rosto ao dela - ... a única em que confiamos a ponto de mostrar ele... – então ele se endireitou e sorriu mais uma vez - ... A idéia foi  de James, foi ele quem disse para mostrar a você...  e ele é o mais cuidadoso com esse mapa.

O mapa mostrava todos os cômodos do castelo, as salas, as torres, dormitórios e onde cada pessoa estava o tempo todo. Ela achou incrível, realmente aquilo era de grande valia. Mas também poderia ser muito perigoso caso Carrow colocasse suas mãos nele. De certo modo isso fez com que ela começasse a pensar se não teria sido um tanto injusta com James. E por falar nele...

— E cadê ele? – perguntou Sarah e Remus apenas sorriu.

— Onde mais? Está lá embaixo com Lorigan...

— Você não quer dizer que ele... – Sarah lembrou-se logo sobre a poção polissuco e Remus gargalhou.

— Obvio que não... quem vai duelar é Sírius, ou você acha que aquele cachorro velho iria perder a chance de chutar o traseiro magrela do Mayfair...

As luzes do octógono agora se acenderam uma a uma em uma explosão colorida. E a voz do professor reverberou pelas arvores da floresta que os cercava.

— BOA TARDE CAROS ALUNOS... PROFESSORES... E MEMBROS DO MINISTÉRIO DA MAGIA... - então ele olhou em volta, já havia um belo pôr do sol atrás do castelo - ... OU SERIA BOA NOITE? - Houve um burburinho e então o professor continuou – Agradeço a presença de todos, e sem mais vamos as apresentações... – em cada extremo um feixe de luz iluminou – do meu lado direito... o campeão da casa das serpentes... JULIEN MAYFAIR! – os torcedores sonserinos começaram a aplaudir e gritar. Sarah até pensou que mesmo parecendo que toda a casa estava presente o barulho não fora tão grande. Pode ver Amycus sentado juntamente com os membros do ministério vez ou outra se aproximava de outro e murmurava algo em seu ouvido. – e do meu lado esquerdo... o campeão da casa dos leões... SÍRIUS BLACK! – O alvoroço causado pelos gritos foi instantâneo, muitos dos alunos das outras casas berraram e Sarah tinha certeza de que ouviu um rugido em alguma parte das arquibancadas. - Atentem-se às regras, sr. Black e sr. Mayfair... - dando uma piscadela, prosseguiu - Maldições imperdoáveis e lutas corporais são proibidas! Vocês, entretanto, têm permissão de saírem do tablado, mas alerto-os que se ficarem fora do retângulo por mais de dois minutos, serão desclassificados! - sorriu - Sr. Black, consegue sentir esta suave brisa ao seu redor? Ninguém será responsável se você cair por causa dela. O mesmo a você, Mayfair! Mas não se preocupem... o mínimo que pode acontecer é ambos fazerem uma prazerosa visita ao St. Mungus....

Sírius lembrava-se perfeitamente das palavras de James e Lorigan antes do duelo. Mayfair não estava ali para brincadeiras, iria sim tentar matá-lo.  E como sabia disso? Bem, pois era Mayfair... e ele... um Black que traiu seu sangue.

— Quero que preste atenção Padfooth... – disse James frente à frente com ele antes de subir ao tablado. - ... Mayfair não vai pegar leve... e você sabe e o conhece muito bem, sei que você conhece feitiços tão bem quanto eu mas, evite ao máximo usar alguma maldição.

— Não usaria... – disse Black com um sorriso confiante - ... mesmo que estejam liberadas...

— Mayfair não poderá usar... – comentou Lorigan ao lado dos dois - ... como Minerva disse, quando o torneio foi criado, um documento mágico foi feito, nas regras não se pode usar magia das trevas e as maldições ainda eram proibidas... se Mayfair tentar usá-las...

— Ele pode não tentar mas... – disse James agora olhando em volta - ... quem garante que outro não use?

— Por isso estamos aqui... – respondeu Lorigan - ... mas não acredito que tentem... Flitwick colocou feitiços de proteção extra, qualquer um que tente algo contra o tablado pode ter sérias conseqüências.

Tudo bem, ele estava em condições melhores do que Lupin quando enfrentou Mayfair, e sabia que o professor Flitwick colocara proteção extra a pedido de McGonagall, então se alguém tentasse alguma coisa...

Sírius então voltou a realidade. Tinha uma tarefa a fazer, chutar uma serpente bem no traseiro e era isso que faria. Olhou para o lado, esquerdo, James e Lorigan estavam ali. Sírius lançou um último olhar confiante para Prongs, como se falasse “nos encontramos na final meu irmão”.

Logo após o garoto já estava posicionado sobre o tablado, frente a frente com o Slytherin Julien Mayfair. O maroto estava confiante, mas mesmo assim não subestimava seu oponente, com certeza Mayfair utilizaria da astúcia naquela batalha, já que isso era marca registrada dos da casa das serpentes. Black estudava seu oponente, sabia que utilizar de feitiços verbais ou não verbais não faria diferença. Lembrou de fechar a própria mente, também era bom em Oclumência e não podia arriscar de seu oponente de alguma forma entrar em sua mente durante o combate. Por algum tempo, que parecia não ter fim os dois ficaram imóveis sobre o tablado, a noite começava a cair e com ela nuvens escuras mostravam que o clima não era nada promissor.

— Bom... o que estão esperando para se cumprimentar? – ouviu o professor e então, Sírius inclinou a cabeça em saudação com a varinha já em punho.Ele  contava com toda sua agilidade e equilíbrio adquirido devido ao Quadribol. Seus olhos tal águia observavam oponente já posicionado, sabia que deveria tentar terminar aquilo logo, pois quanto mais tempo se passasse mais chances de Mayfair revidar.

 A torcida gritava o nome de Sírius, assim como outros gritavam o de Mayfair No instante seguinte tudo emudeceu para o Maroto, só existia ele e seu oponente, ele sentiu a energia fluir sobre seu corpo, não existia mais diferença entre o seu braço e a varinha.

— COMECEM! – ouviu a voz de Flitwick mais distante e mais que depressa proferiu um feitiço.

— DEPULSO! – disse Sírius rapidamente esquivando-se para a esquerda. Um raio azul ondulado saiu de sua varinha e percorreu o tablado em menos de dois segundos. Mayfair esquivou-se habilmente lançando o seu logo em seguida.

— EVERTE STATUM! – Disse Mayfair e um espectro branco perolado foi em direção a Sírius que sem dizer palavra alguma apenas movimentando sua varinha impediu que o raio o atingisse.

— O que foi Jujuzinho? Perdeu o jeito? – desdenhou Sírius com um sorriso maroto nos lábios.

Julien Mayfair era um garoto alto e esguio, seus olhos profundamente verdes se destacavam pela cabeleira ruiva a qual ele mantinha sempre impecável. Para os padrões do maroto, ele era só uma versão mais arrumadinha do ranhoso. Mayfair então levantara as mangas despreocupadamente chamando atenção de Sírius.

— Só estamos começando Black! – respondeu Mayfair, seu olhar se estreitou mostrando a Sírius que não estava de brincadeiras.  – CALIDUM LAVA!¹

Um jorro de um líquido especo e vermelho fluorescente saiu da varinha de Mayfar em direção a Sírius.

— SABULUM MAGMA!² – E uma parede de pedra materializou-se na frente de Sírius. A Lava bateu e se espalhou pela pedra. Mas ao tocar no tablado começou a pegar fogo ao lado do garoto grifinório. – É sério isso?

— BOMBARDA!- novamente Julien revidou fazendo a parede explodir em vários pedaços.

— ESTUPEFAÇA! – disse Sírius mais uma vez enquanto desviava dos estilhaços de rocha de sua agora extinta parede de proteção.

— O que foi Black??? – dizia Mayfair movendo a varinha rapidamente fazendo o raio púrpura voar em direção as arquibancadas mas atingir uma parede invisível.- Não é tão poderoso sem o precioso Potter com você não é?? CIRCUMSEPTUM!

Três bolas de fogo partiram em direção a Sírius que habilmente como um bom jogador de quadribol usou sua varinha para “rebatê-las” e enviá-las novamente para o seu oponente. Como em um jogo de Quadribol. Mayfair não esperava por isso e teve de saltar para os lados para desviar.

— Alguém já lhe disse que leva muito jeito para o balé Mayfair? – disse Sírius, e isso pareceu tirar o ruivo de olhos verdes da sonserina faiscar de raiva.

— Chega de brincadeiras!  - disse o garoto, os olhos verdes de Mayfair pareceram ficar vermelhos o que fez com que Sírius redobrasse a guarda – Não sei como fizeram mas sei que não era Potter duelando comigo...PULSUS ELECTRICA!

— PROTEGO! – novamente a agilidade do maroto fez com que o feitiço fosse desviado para outro local – LÍNGUA CINCINNO!

Um movimento rápido com a varinha, sem nenhum aviso prévio parecia não ter atingido o alvo, porém Julien pareceu ficar mudo. Tentava falar mas não conseguia.

— Ainda não esqueceu disso?....Sabe Mayfair... o problema de vocês sonserinos... – disse Sírius rodopiando a varinha na mão e fazendo uma pose de esgrima - ... é que falam demais!

Julien, sempre tivera o orgulho de ser um Mayfair, a família puro sangue sempre fora seguidora dos bons costumes bruxos e das artes das trevas, ensinando tudo o que era preciso saber para se ser um “bom bruxo”. O garoto sabia muito bem como proferir feitiços não verbais, sempre foi um prodígio no assunto. Enquanto Sírius Black falava algo com Potter e Lorigan aproveitou-se da distração, ele fizera um movimento rápido e Sírius fora jogado para trás. O braço esquerdo do garoto começara a sangrar, e ele a se contorcer parecendo estar com dor e desdenhoso, o ruivo desfizera a azaração da língua presa em si mesmo.

— E o seu problema Black... é que não sabe a hora de se calar! – mentalmente pensou na maldição da tortura, Cruccio, estava ciente de que não podia dizer o feitiço, mas... ele não precisava dizer... quando ele fora fazer um movimento com a varinha para um novo feitiço, Sírius girou o corpo acertando sua perna na perna de apoio de Julien que perdera o equilíbrio e acabara tropeçando em uma das partes da parede de pedra destruída e se estatelando no chão.

— SINGULA CLYPEUS! – disse rapidamente Sírius e um espectro de cor marrom avermelhada tomou conta do corpo do sonserino que se levantava. Uma espécie de bolha o envolveu e quando ele tentou fazer um feitiço o mesmo ricocheteou na redoma e voltou-se contra ele próprio o fazendo cair desacordado.

— EEEEEE TEMOS UM VENCEDOR!

As arquibancadas começaram a tremer devido aos gritos, o professor Flitwick erguera seu braço da varinha e faíscas douradas e vermelhas começaram a sair dos 8 cantos do octógono. Obviamente o ilustre diretor apenas dera um sorriso sem graça para Minerva que esboçava um sorriso de orelha a orelha. Sírius como sempre saltara do octógono e abraçara James que dera os parabéns. Obviamente teriam uma super festa essa noite.

—  Parabéns Sr. Black... – James ouviu atrás de si e então Lorigan também se virou. Amycus Carrow I estava parado ao lado de dois outros bruxos. James tinha certeza de que eram do Ministério. - ... creio que está ciente de que infelizmente devido as normas de proteção que o Ministério impôs sobre entrada de bruxos estrangeiros, nosso torneio Internacional foi cancelado.

— Eu já esperava por isso... – respondeu Lorigan com um meio sorriso - ... mas não se preocupe diretor... o Sr. Black é um bruxo extremamente talentoso, poderá participar de outros torneios no futuro.

— E também devido ao toque de recolher... – continuou o bruxo praticamente ignorando Lorigan - ... será oferecido uma homenagem ao senhor no jantar daqui a algumas horas, e espero sinceramente de que respeitem as regras impostas pelo ministério...

— E não vai haver nenhuma espécie de comemoração? – perguntou Sírius – Nem doces... ou bolos... ou...

— Nossos elfos estão extremamente ocupados... – disse Amycus. - ... Pirraça não se dá por satisfeito e, não podemos deixar o castelo do jeito que está não é mesmo?

— Com toda certeza... – disse Lorigan - ... então se nos der licença diretor, temos de levar nosso campeão para erguer a taça.

Logo o octógono se enchia de alunos gritando  e ovacionando Sírius pelo belo trabalho. Tinham muito o que comemorar é claro, mas ainda assim tinham objetivos maiores a cumprir aquela noite.

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Já era passada das três da manhã quando Amy Cavendish, a monitora lufana desceu as escadas correndo. Os dias estavam sendo difíceis para eles, principalmente depois que haviam descoberto que Justin, o seu colega monitor havia sido mordido por um lobisomen durante o feriado de natal. E desde que ele voltara, bem... a única solução achada por eles era levar o garoto para as masmorras e prendê-lo lá. Não... não era nem um pouco humano mas era a única solução que tinham achado por enquanto. E professora Sprout já vinha se arriscando muito os ajudando a levar o garoto sempre que precisava se transformar.

Ela como monitora tinha a principal função de manter os texugos em ordem, não... eles não estavam alheios aos comentários maldosos sobre os Potters, ou o que estava ocorrendo fora das paredes de pedra do castelo, ela mesmo, já tinha travado várias conversas com Amos, Kibum, Justin e Joshua sobre o assunto. Muita coisa tinha acontecido durante esse tempo. Ataques descontrolados, desaparecimentos misteriosos, famílias sendo extintas e o Ministério fazia o que? Tiravam-lhes o único que talvez trouxesse esperança para a escola. Era óbvio que ela estava chateada com tudo o que vinha acontecendo afinal, uma de suas amigas Meg Smith havia morrido dentro do próprio castelo. Embaixo do nariz de Dumbledore, era óbvio também que alguém estava querendo incriminá-lo. Na época ela havia ficado tão chocada que bem, não conseguia pensar direito mas agora já estava na hora de empurrar seus medos para debaixo do tapete e estufar o peito para a luta. Kibum e Joshua eram os melhores em poções e Amos tinha uma ótima memória para Herbologia. Ela era boa mas não tanto quanto os meninos. Embora eles já estivessem esboçando extremo cansaço pelas perseguições causadas pelos sonserinos e estivessem a ponto de ir a forra como os marotos, ela tentava com todas as forças mantê-los controlados mas estava cada dia mais e mais difícil conter os ânimos. Os lufanos eram tido como os “bobões”, da escola. Os chamados “bonzinhos” mas na verdade não era exatamente isso. Eles podiam até serem os pacifistas, e não gostarem de uma briga mas, não se escondiam quando a coisa ficava feia. E acreditem, a coisa estava MUITO feia. Talvez por isso estavam decididos a andarem com as próprias pernas. E talvez fosse por isso que os meninos decidiram por conta própria tentar ajudar Justin. Kibum era bom com poções e vivia fazendo experimentos. Sua professora “inocentemente” ou talvez nem tanto passara uma informação valiosa em uma de suas aulas sobre as propriedades de uma planta que poderia acalmar até um dragão enfurecido. Bem, isso queria dizer que se eles conseguissem fazer uma poção com ela, talvez pudessem tornar as transformações de Justin muito menos dolorosas e ele talvez não precisasse ficar preso nas masmorras. As tentativas foram muitas, na verdade, a principio faziam na própria sala comunal, mas as coisas começaram a sair do controle. E depois que alguns alunos começaram a ouvir os gritos de Justin nas masmorras Zelador começou a desconfiar. Tomados por medo, acabaram por fazer suas pesquisas nos tempos livres. Mas isso também acabara se tornando ainda mais perigoso com os alunos sonserinos a solta. Antes conseguiam sair sem problemas, mas Amycus Carrow I agora tinha arrumado o cerco e seus fieis escudeiros estavam instruídos a castigar qualquer um que estivesse fora da cama.

— E ai? – ouviu a voz de Amos Diggory sentando-se ao seu lado logo após o almoço - ... está tudo pronto?

— Oi Amos... – respondeu ela com um sorriso tímido - ... não falei com Josh ou Kibum, mas acredito que eles tenham conseguido alguma coisa ou estariam aqui com a gente... – Ela então novamente olhara para o prato intocado de torta de doce de leite e dera um suspiro.

— O que foi? – perguntou o garoto, Amos sempre fora o bruxo que tomava seus sonhos mas nunca teve coragem para dizer o que sentia pelo garoto. Tinha medo que sua amizade com ele pudesse ser afetada caso ele descobrisse que era apaixonada por ele.

— Só estou com medo... – disse ela disfarçando - ... tudo o que vem acontecendo nessa escola... não estamos seguros...

— Eu sei... – respondeu ele ainda mais baixo e se aproximando mais para que ninguém ouvisse sua conversa - ... mas temos que fazer isso antes da próxima lua cheia... caso contrário, nosso diretor pode finalmente descobrir sobre o Justin e entregá-lo ao ministério.

— Você tem razão... – disse ela o encarando – não podemos mais esperar, acho que devemos fazer isso essa noite.

— Vou falar com o pessoal... – respondeu Amos dando um beijo na bochecha de Amy que corou quase que instantaneamente.

O plano não era dos melhores, ela sabia. Como sua professora Sprout estava proibida de entrar nas estufas sem supervisão, ela não tinha acesso as plantas que costumava ter. E o acônito, estava entre elas. Kim “Kibum” Taemin era um dos garotos mais brilhantes (e desastrados) que Amy conhecia. Era oriental e como tal muito aplicado e dedicado. Fora ele quem descobriu o “pequeno problema” de Justin o que o impulsionou ainda mais a ir em busca de uma poção que ajudasse o amigo. Em uma das aulas de Herbologia, a qual Amy tinha péssimas lembranças por conta de um visgo do diabo disfarçado na sala de aula, sua professora Sprout explicou as propriedades do acônito, e isso despertou a curiosidade do Oriental. Por vezes ele escapuliu dos porões lufanos e invadiu as estufas para pegar ingredientes, depois de várias pesquisas sobre a planta, eis que chegava na hora de fazer os testes. Mas para isso precisava do ingrediente principal que estava na estufa do sétimo ano guardada as sete chaves. E era isso que iriam fazer aquela noite. Iriam invadir as estufas e pegar os Acônitos que Kibum precisava.

“Só espero que ele não exploda nada...” – dizia ela agora olhando o pessoal voltar do último dia de duelos. Parecia que finalmente Gryffindor havia levado a melhor sobre as serpentes e ela sentia uma certa alegria por isso. Depois de uma "prévia" de esclarecimento na sala comunal, não tinha outro modo de "fazer alguma coisa" a não ser sair do sufoco da sala comunal. Pela primeira vez na vida, estava certa de que não ia ter problemas, ou melhor, se tivesse algum que pelo menos fosse por um motivo. Com tudo o que estava acontecendo, Amy estava mais cuidadosa. Todos sabem de seus problemas com "acidentes", mas tinha algo que estava decidida a fazer.

Havia falado com Amos e Josh, os três pegariam rumos diferentes para dar inicio ao plano central. Todos sabiam das conseqüências, ela corria ainda mais riscos do que os outros afinal, era teoricamente filha de trouxas. Evitava pensar no que poderia acontecer caso topasse com algum sonserino.

"Se pensar em problemas... vai atraí-los" - dizia a si mesma enquanto olhava com atenção para ver se alguém notava que estava indo em direção a porta de entrada da sala comunal. Mas a sala estava tão cheia de alunos que não notariam sua falta. Pé por pé foi indo em direção a saída. estava a dois passos quando ela se escancarou, rapidamente fingiu estar olhando o mural de avisos até que a bendita fila de primeiranistas ia entrando com a chefe dos monitores que vinha atraz.

— CAVENDISH! Onde pensa que está indo? - disse a Monitora chefe encarando-a.

— Quem eu??? - disse ela só se tocando do seu casaco de inverno segundos depois - Lugar algum oras... cheguei antes de vocês e parei apenas pra ver se tinha novos avisos...

A chefona manda chuva encarou-a como se não acreditasse, mas um estouro no meio do salão comunal a fez mudar de direção e sair rumo ao centro da sala. Amy por sua vez, foi saindo de costas e passando pela porta empurrando-a. Rezava para que Amos e Josh já estivessem em segurança do outro lado das estufas. Seus olhos então esquadrinharam o corredor em busca de qualquer movimento e então começou a andar.

Jogara a capa sobre os ombros tentando manter-se o mais oculta possível entre as sombras. Durante os corredores dos porões era até fácil mas quando subiu para o primeiro andar, pela porta onde dava para o saguão de entrada...

Passos foram ouvidos adiante e mais que depressa ela se encostou contra a escuridão de uma estátua. Só não contava que aquela fosse um armário de vassouras e ela caísse pra dentro. Rapidamente trancou a porta e rezou para que ninguém tivesse ouvido. MAS...

— Que barulho foi esse? - ouviu de uma voz meio fanhosa do lado de fora.

— Veio ali do armário do Filch... - disse uma segunda voz.

— Que tal irmos averiguar.... - ouviu novamente a primeira voz.

— Cê tá maluco? Se for o Pirraça ele vai ficar jogando coisas na gente até a sala comunal, e eu não to afim de levar esporros do diretor. Vamos...

Amy abriu a porta assim que ouviu os passos se distanciando. Foi abrindo a porta mais, e mais lentamente até conseguir ter uma boa visão deles indo pro lado oposto ao que ela ia. Precisava cortar caminho pela saída lateral do salão principal e aí sim seguir pelas escadarias externas rumo as estufas. Não era difícil em dias normais mas aquele não era um dia normal. Com passos rápidos e depois de improvisar um feitiço de Bolhas nos pés pra não fazer barulhos com os sapatos, começou a correr. Estava com a respiração ofegante quando alcançou a parte oposta da sala e seu coração dera um salto quando estava prestes a passar pela porta e viu Pirraça atravessando a parede cantando. Rapidamente enfiou-se embaixo da mesa dos professores e ficou esperando a "cantoria" do poltergeist passar. Certa de que ele já havia sumido, engatinhou pela sombra até a porta e desatou a correr pela porta e escadaria abaixo. Só parando pra tomar fôlego embaixo de uma Coluna coberta com trepadeiras onde ficava a entrada para as estufas.

— Essa foi por pouco... - murmurou voltando a andar cautelosamente rumo a entrada. Foi então...

— O que pensa que está fazendo? – ouviu uma voz e então Amy ficara petrificada. Um milhão de coisas passando por sua cabeça e dúvidas pairando em seu cérebro.

—- Precisa de uma boa desculpa, precisa de uma boa desculpa... - repetia ela várias vezes enquanto o coração parecia que sairia pela boca. Aos poucos foi se virando, e lentamente tentando distinguir quem era até que...

— JUSTIN!!! - bradou ela e então rapidamente ele a empurrou pra dentro das estufas, esquecera-se por completo de que era uma "missão secreta". - Seu... seu... seu doido, está querendo me matar do coração?

— Não queria matá-la do coração, mas tenho certeza de que outras pessoas tentariam fazer isso com você se a vissem aqui fora. O que diabos pensa que está fazendo, Amy? É perigoso, e você sabe disso.

— Eu sei, mas não podemos ficar sem fazer nada! – respondeu ela, era visível que o amigo estava se referindo ao fato de tentar ajudá-lo.

— Eu compreendo seu senso de ajuda e a agradeço. Mas não preciso desses recursos pra agora.... - E pôs as mãos em seu ombro, tentando acalmá-la do susto. - Lembra-se do nosso pequeno acordo? Sobre mantermos a discrição? Não podemos deixar os sonserinos apanharem cada membro do nosso grupo. Precisamos tomar conta um do outro, e o que você fez agora parece um pequeno ato de ingratidão. – Amy abriu a boca para revidar e então ele a cortou - Espero que ninguém tenha vindo com você – mas o silêncio tomou conta assim que ouvira algo vindo da janela – ou veio?

Não tiveram muito tempo para alguma reação, Justin ágil como sempre a colocou para trás do seu corpo enquanto ela via um vulto saltando pela janela e a varinha apontada para eles.

— Cara... Sua cara feia me assustou! – Era Amos que acabava de chegar  - Se não tivesse chegado ainda, eu iria te buscar, sabia??- anunciou erguendo-se, voltando a sua postura mais casual. - Não esperava mesmo encontrá-lo aqui, Justin... e não sou o único surpreso por aqui.

— Algo me diz que essa noite será cheia de surpresas, Amos – respondeu Justin também guardando a varinha. Amy apenas tentou respirar aliviada.

— Alguém sabe onde a Sprout guarda os Acônitos? – perguntou Amos curioso olhando para os armários.

— Também não sei... mas algo me diz que precisamos ser rápidos...  – disse Amy – Ficaram sabendo sobre a família da Collins?  Precisamos começar a nos organizar...

— Concordo...  – disse Justin ainda mais baixo enquanto também examinava o armário - Ainda não sabemos direito o limite de poderes daquelas cobras, nem de Carrow... desde que Dumbledore foi afastado... bem....Meu padrinho enviou uma carta dizendo que os aliados anti-Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado estão sofrendo pressão, os parentes de alguns alunos já morreram e estou com uma ligeira sensação de que o pai daquele Potter, da grifinória, é inocente. – Os outros dois olharam para ele e ele que continuou seu pensamento - Então, ainda acredito que seja melhor para nós continuarmos a vigiar os sonserinos... Tenho a minha capa da invisibilidade, e acredito que, talvez, possamos encontrar resquícios de comprometimento deles com as trevas. Mas a pergunta é... a quem devemos denunciá-los? E também...

Nesse momento um grito estranhamente familiar fez com que todos praticamente saltassem com um susto, Amy bateu sem querer em uma pilha de vasos que se não tivesse sido rápida teria se espatifado no chão. Um vulto passara correndo vindo da salinha da professora Sprout, um odor terrível tomou conta da estufa e se não bastasse,  um japinha correndo feito doido em circulos dizendo coisas que ela não entendia patavinas e segurando um caldeirão fumegante. Sem pensar e já conhecendo o Kibum, aquilo só tinha um significado e seria exatamente como a pronuncia do nome do amigo.

— Evanesco... - disse apontando a varinha para o caldeirão. Ele ficou vazio e limpo em segundos impedindo que explodisse.

— Gomenasaaaaaaaaaiiiiiiiiii!!Gomenasaaaaaaaaaiiiiiiiiii!!*

Com o recipiente vazio e limpo, a jovem se viu diante de um dilema. Rir ou segurar o riso da reação de Kibum caindo de joelhos. Ao que ela pode entender, o que dizia devia ser alguma espécie de pedido de desculpas ou algo assim.

— Qual é Kibum... você não precisa se ajoelhar... - disse sorrindo tentando ajudar o amigo a levantar-se - ... só queria saber o que foi que você está fazendo aqui a uma hora dessas... você sabe que...

Foi aí que tudo aconteceu muito rápido. Um baque forte as suas costas e Justin estava caído no chão. Logo um vaso voou em sua direção e só tivera tempo de se abaixar. Não entendia o que estava acontecendo e só teve uma opção, tinha de iluminar as coisas, ou estariam encrencados.

— Lumus Solem - disse rapidamente sem se importar com um clarão que iluminava a estufa. Vira com todas as luzes que era uma planta cheia de tentátulos. Em outras palavras já tinha vivido aquilo antes, então, como é mesmo que eles se safaram daquilo? - "Pense Amy... Pense!" - pensava consigo mesmo mas não tinha noção do quê tinha acontecido aquele dia. Então pensou na coisa mais rápida que conseguiu, tirar Justin do meio da bagunça antes que fosse pego outra vez. - Alguém pode dar uma mãozinha?

Pegara o braço de Justin e jogou por sobre um ombro mas seu corpo frágil não era exatamente algo que conseguisse suportar o peso do amigo. Logo alguém a ajudou e se encaminhavam para a porta, pedia a Merlin que alguém tivesse memória melhor que a dela para deter aquela coisa. Mas quando chegaram a porta, esta estava trancada.

— O que vamos fazer agora? – disse Kibum se esforçando para ajudar a amiga a segurar o monitor.

— Glaucius! – disse Amos e a planta se solidificou como gelo. Kibum mais que depressa pegou a varinha.

— Bombarda! - disse ele e a planta praticamente explodiu em vários pedaços. – Precisamos sair daqui o mais rápido que conseguirmos... não vai demorar para alguém aparecer...

— Alguém já apareceu... – Amy ouviu a voz fraca de Justin que parecia atordoado - ... lançaram uma azaração em mim...

— Não podemos sair sem o Acônito... – disse Amy mas Amos foi até a janela, a destrancou e olhou para fora.  

— Podemos arranjar isso depois... – disse ele fazendo sinal para que fossem por ali - ... temos que ir antes que...

Um sonoro alarme ecoou pelos corredores, magicamente tudo começou a trancar-se e mais do que depressa, Amy e Kibum correram com Justin até a janela. Amos sendo um dos mais fortes ajudou a garota a saltar pela janela, em seguida, Kibum e só então pegou Justin nos braços e passou para a dupla já do lado de fora. Uma a uma das janelas estava sendo lacrada. Um novo barulho de explosões fora ouvido assustando os garotos e a janela onde Amos estava prestes a passar estava começando a fechar.

— Vem logo Amos! – gritou Amy largando Justin sobre Kibum ajudando com dificuldade afinal o garoto era muito maior que ela. Amos praticamente se jogou sobre a menina o que fez com que ele caísse por sobre ela e os dois foram parar no chão.

— Querem parar de namorar ai? – disse Kibum mal agüentando o peso de Justin – Temos que sumir!

— Vem...  – disse Amos ajudando a garota a se levantar – Vamos dar a volta por fora, quem sabe conseguimos entrar no castelo pelas docas lá embaixo.... Um clarão iluminou as janelas de um corredor no alto da torre, parecia alguém duelando. Não se deterão a isso, Amos colocou Justin em um dos ombros e o quarteto saiu em direção oposta as luzes. Estavam tão apressados em sumir de vista que não viram que uma sombra ainda os vigiava do outro lado do corredor externo. 



Notas finais do capítulo

Calibum Lava - Praticamente lava incandescente e quente sai da varinha (azaração da lava)
SABULUM MAGMA!² - Conjura uma parede de pedra solida e resistente – basicamente impede coisas de chegar até você.
CIRCUMSEPTUM - Feitiço que conjura bolas de fogo do tamanho de balaços e arremeça contra o oponente.
PULSUS ELECTRICA - Faz um raio semelhante a uma descarga elétrica que causa atordoamento e até um possível desmaio dependendo da força (e do talento do bruxo)
LÍNGUA CINCINNO - Trava língua. Literalmente é isso
SINGULA CLYPEUS - seu espectro de cor marron, conjura uma espécie de redoma ao redor do adversário, barreira essa que o impede de lançar feitiços, tornando-o assim um alvo fácil. Somente pode ser desfeito por outra pessoa. Já que a vítima não consegue fazer feitiço algum do lado de dentro.

Sim eu uso dicionário de latim para usar meus feitiços!



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