Marotos - Uma Nova História escrita por Sara_McGonagall


Capítulo 21
Traição de Sangue


Notas iniciais do capítulo

Bem meus queriduxos, mais um capítulo finalizado. Sim tem muita treta que vai acontecer e algumas bem debaixo do nariz do nosso Querido "Conselheiro Carrow". Mas enfim todos conhecem meu precioso diálogo. Não tem Lily e Potter, estou pensando sim em algo legal que DIFICILMENTE eu vejo, e conversando com a player da Liloca, bem, ela achou fofo. Portanto aguardem maiores informações ^^.



Tudo parecia estar em câmera lenta. Em um segundo Charlote estava ali, diante dele sorrindo em toda sua plenitude e no momento seguinte jazia seu corpo sem vida em seus braços. A dor que sentira em seu coração não era nada comparada a que estava sentindo agora. O ódio o segava de tal forma que não ouvia mais nada, não via mais nada a não ser aqueles bruxos encapuzados e com máscaras a sua frente. E  o infeliz ainda estava com a varinha em punho! Sem pensar duas vezes e nem ao menos imaginar as conseqüências Charlus Potter se levantou e começou a lançar feitiços contra o ser encapuzado a sua frente enquanto andava,  tinha de matar o bruxo que tinha tirado a vida de sua irmã caçula.  

— Depulso! -  disse Charlus com tanta força que o bruxo mesmo se defendendo fora empurrado dois passos para trás. – Seu verme...  você vai pagar e muito caro por isso... – e novamente uma saraivada de feitiços começou a sair da varinha de Potter. O olhar fixo no seu alvo enquanto via raios passarem zunindo por seu corpo. Sabia que tinha ajuda, afinal praticamente o Clã inteiro da família Potter estava na Ordem da Fênix, os aliados de Dumbledore estavam ali, diferentes dos seguidores das trevas... Estavam de cara a mostra. Bem, quase todos afinal, não queriam que Moody, ou seus espiões no Ministério fossem caçados como ele. Nada o atingia, o auror tinha plena consciência de que estava cercado. Membros do Ministério praticamente nocauteados ou correndo para se esconder. Somente os mascarados servidores das trevas estavam ali. Basicamente metade da delegação ministerial estava caída ou tinha fugido com medo dos comensais da morte que deviam estar no mínimo em uns vinte. Ele conhecia a maioria, afinal, essa “maioria” estava ocupando autos postos do ministério. Apenas uma delas, Valkíria não estava usando máscara alguma. Talvez para manter as aparências, e ficou bem espantada quando Dorea a nocauteou com um feitiço estuporante. Com agilidade Charlus desviara de um raio roxo que serpenteou em sua direção, e atacou uma vez em resposta, e outra, e outra, e novamente até que seu oponente foi jogado ao chão por não conseguir se defender de uma azaração do tropeço. Potter riu, mas não um riso de felicidade, e sim um riso por não acreditar que uma simples azaração do tropeço havia derrubado um “Comensal da morte”. Com um gesto ainda mais rápido chutou a varinha do comensal que saiu quicando alguns metros e desapareceu nos escombros – Onde estão seus companheiros? -  E olhou em volta, só havia um silêncio. Mais nenhum comensal estava ali além dele e comensal, o vilarejo parcialmente destruído. O bruxo encapuzado e com a máscara de uma caveira prateada, não deixava Charlus saber quem era o desgraçado que havia acabado com a vida de Charlotte. O corpo praticamente tremendo o homem não falava coisa alguma, nem seus olhos era possível ver. Charlus meneou a varinha no ar, o feitiço atingiu o rosto do comensal como se fosse um chicote e a mascara prateada voou.

— Olhe para mim! – bradou Charlus vendo o bruxo esconder o rosto que ainda estava coberto pela capa. – Vamos seu inútil! OLHE PARA MIM!

Aos poucos o comensal parecera finalmente tomar coragem para encará-lo. Mas quanto mais o comensal mostrava seu rosto, mais Charlus Potter sentia seu coração congelar e o ar ficar cada vez mais difícil de respirar. Não esperava pelo rosto que estava vendo em sua frente. Alguém que fazia parte de sua família, alguém a quem confiaria sua vida.

— Eu não acredito... meu próprio irmão??? – dizia Charlus Potter com a varinha em punho. Um flash se passava por sua cabeça, os momentos divertidos em família, ou quando James nascera e dera a William e Charlotte para o batizarem. As vezes em que William ensinara James magia, seu filho o tinha em alta estima. Como ele pôde? O Comensal então com o rosto descoberto se encolhia. – Como você pode William!

O bruxo aproveitando o atordoamento do irmão, engatinhou rumo a algumas rochas e restos das marquises de Hogsmeade,  girou e levantou-se o mais rápido e precariamente que conseguiu.  A varinha tremendo em sua mão direita.

— Você não entenderia Charlus... – respondeu ele entre os dentes enquanto meneava a varinha em um ataque.

— Eu realmente não entendo... – disse Charlus bloqueando o feitiço e lançando outro em resposta quase que instantaneamente. - ... vender sua família... seu sangue...

— De que vale o sangue... quando se pode ter o poder! – mais uma rajada de feitiços e novamente fora bloqueado pelo Auror.

—  Que espécie de poder você acha que Voldemort vai te dar hã? – respondeu Charlus praticamente achando graça do que o irmão acabava de dizer - ... não aprendeu nada do que foi lhe ensinado? Nem por nosso pai? Me pergunto onde foi que falhei com você para chegarmos a esse momento?

— Eu apenas abri meus olhos... – respondeu Will. Um raio verde fora lançado e Charlus se escondera atrás do que havia sobrado da marquise do correio.

— Você não é digno de carregar o nome Potter Will... – gritou Dorea com Charlotte nos braços. – Sempre tive receio sobre seu comportamento e agora entendo perfeitamente que devia ter confiado nos meus instintos!

— Instintos??? – Disse ele em meio a uma gargalhada – Use o pouco de inteligência mulher... você veio da Ilha das maçãs... o dom que você tem não é instinto! – Ele então se abaixou esquivando-se de um raio púrpura que passou raspando em seus cabelos e ziguezagueou em torno de mais escombros enquanto lançava um novo raio verde em direção a Charlus.

Charlus por sua vez já estava no seu limite. A dor era insuportável, a dor pela perda da irmã e a traição de seu irmão. Aquele em quem confiava, a quem amava, e a quem dera seu único filho e herdeiro como afilhado. Como ele poderia ter sito tão cego e não ver os sinais em William? Não conseguia deixar de se culpar por tamanho descuido. A  raiva somada a dor tomara conta de seu coração. O nobre auror, chefe da família Potter empunhou sua varinha e desferiu sem dó cada um dos feitiços que lhe vinha a mente. Não, ele não queria matá-lo, mas fazê-lo pagar por cada segundo em vida que tirou de Charlotte. Will ao contrário não tinha toda a desenvoltura do irmão mais velho. Podia até ser mais jovem, mas mesmo assim, não era tão talentoso. Embora desferisse cada floreio em feitiços que eram defendidos, não era tão habilidoso para se defender. Olhou para os lados a procura de algum auxílio, mas já não havia nenhum. A não ser os escombros, e corpos de alguns ministeriais, ele estava sozinho e pior encurralado no fim do beco entre Zonkos e a loja de instrumentos musicais.

— O que foi Will? Não é páreo para mim sozinho? – disse Charlus, os olhos vidrados no irmão mais novo.  William em desespero, fez a única coisa que sabia fazer bem, desapareceu em um giro de capa transformando-se em uma fumaça negra.  A Charlus só restou a dura realidade, a traição do seu próprio sangue, e a perda de sua adorada irmã.

—_____________________________

Aquela amargurada espera parecia ser um castigo, se realmente estava havendo um combate tão próximo a Hogwarts, com certeza havia acontecido algo muito ruim com seus avós. Ela podia sentir isso. A tensão recaiu sobre a sala comunal agora apinhada de gente sentada em volta à lareira, cochichando ou murmurando. Era agora ou nunca, ela precisava falar com sua professora. Não podia deixar isso para depois.

— Com licença professora... – disse ela e então o olhar de Minerva recaiu sobre ela. – Eu sei que não é o momento adequado, mas...

— Sim Srta. Perks... – respondeu ela docemente.

— Eu tenho tentado entrar em contato com meus avós desde o natal... – começou ela e então o olhar da professora ficara sério - ... eu sei, eu não devia mas... tem acontecido tanta coisa... a família da Lene, os alunos não voltando das férias... estou preocupada - então ela sentira o coração parar por alguns segundos e olhou para a professora - ... não obtive resposta alguma...

— Entendo... – respondeu a professora - ... assim que isso tudo acabar, prometo-lhe que tentarei entrar em contato o mais rápido possível com seus avós. O sorriso que sua professora dera, fora no entanto uma dose de calmante para seu coração.

Sarah sabia que não era o momento para se sentir aliviada mas, não pode evitar se sentir assim. Principalmente se chegasse aos ouvidos deles que havia acontecido uma batalha tão próximo ao castelo.  Olhou novamente para James que continuava com os olhos vidrados em direção a Hogsmade. As luzes e explosões já não eram ouvidas. E assim como começou as luzes e o fogo, as explosões e gritos se findaram pelo menos era o que achavam os residentes do castelo. James continuava com Sírius, e agora Remus e Peter aprumados na janela ao lado com o olhar fixo em direção a Hogsmeade. Mas nada além de um mar negro de escuridão era visto naquela noite. Magicamente uma mesa apareceu no centro da sala comunal. Mas era visível que ninguém, dos poucos alunos que estavam ali conseguiriam comer.

Olhou mais uma vez para onde os quatro marotos estavam, mesmo que soubesse o que dizer a James (o que na verdade ela não tinha nem idéia), não sabia se teria coragem suficiente para isso. Ele tinha toda a ajuda e conselhos de que precisava no círculo de amigos o qual ele parecia querer que ela não fizesse parte. Olivia ainda fez sinal para que ela se aproximasse, Remus dera-lhe um sorriso, embora ela tivesse certeza de que o que James menos queria naquela hora era alguém lhe perguntando alguma coisa. Lentamente se aproximou, Sírius que estava ao lado de James dera um passo para trás dando-lhe espaço que precisava para ficar ao lado do garoto. Sem dizer nada, apenas ficou ao lado dele, conseguia ouvir sua respiração pesada, o conhecia o suficiente para saber o quanto estava sendo difícil ele ver uma batalha a qual sua família estava participando e não podia fazer nada. Delicadamente se posicionou ao seu lado e discretamente pegou em sua mão. Independentemente do que havia acontecido entre eles, ainda assim se preocupava com ele, assim como se preocupava com cada um de seus amigos. Sem dizer nada, o acompanhou olhando para a escuridão lá fora. Esperava que ele desviasse o olhar, ou que se esquivasse dela, afinal, ele lhe pediu que se afastasse, mas naquelas circunstâncias, bem, ela não se importava com isso. Apenas queria mostrar-lhe que sabia exatamente o que ele estava passando e que estaria ao seu lado independentemente se ele quisesse ou não. O que a surpreendeu, no entanto foi que no momento em que tocou a mão do garoto delicadamente, ele a segurou com firmeza. Entrelaçou seus dedos com os dela prendendo seu braço levemente contra o corpo de James. Sentiu Sírius se mexer e viu ele de relance tocar o ombro de James, assim como Remus. Seja quais fossem as conseqüências, estariam juntos, eram uma única força a partir de agora.

— Sr. Potter? – ouviu-se a voz de Minerva McGonagall.

Todos então se viraram para ver o rosto da sua vice-diretora, e em sua companhia Albus Dumbledore. Em todos esses anos em Hogwarts, bem, ela não tinha tido tanto contato com o diretor. Embora seus avós o conhecessem, tivera algumas poucas chances de conversar com Dumbledore, a maioria delas, bem, não foi nada além de um “bom dia Srta. Perks?” Ou “Diga ao seu avô que espero o novo par de abafadores do Falcons.” Pode notar, no entanto que o ar sério do diretor fez com que apertasse involuntariamente a mão de James.

— Se puder me acompanhar James... gostaria de uma palavrinha. – disse o professor. Seus olhos profundamente azuis por detrás dos óculos de meia lua examinaram cada um dos que estavam ali. James olhou para Remus, depois para Peter. Encarou Sírius por alguns longos minutos, e então a encarou. Sarah apenas dera-lhe um sorriso tímido. O garoto então levou sua mão aos lábios e depositou um beijo. Quando foi sair, Sírius se moveu.

— Desculpe Sírius... – disse Dumbledore - ... somente James.

Sirius dera um tapinha nas costas do amigo enquanto James se aproximava dele para dizer-lhe alguma coisa.

— Tome conta dela... -  então fez uma pausa parecendo reformular o que acabava de dizer - ... de tudo até eu voltar.

A garota não compreendeu de inicio o que isso queria dizer, apenas viu o garoto andar até onde estavam os seus diretores, e mais uma vez antes de sair com o Diretor Dumbledore, ele olhou para trás e dera um pequeno sorriso.

No dia seguinte a notícia do ataque de Charlus Potter aos membros do ministério já tinha chegado aos ouvidos dos alunos e é claro tinha se tornado assunto principal da edição “especial” do Profeta diário. Quando Sarah, Olivia e Remus entraram no salão principal a manchete “ 17 mortos em Hogsmead; "Charlotte" Potter, teria sido assassinada pelo irmão Willian Potter?” -  podia ser lida a distância. A garota sentiu um certo desconforto com isso, obvio que se sentia aliviada pelas vítimas não serem os pais de James, mas alguém da família realmente havia morrido. Talvez tenha feito alguma careta pois assim que se sentou Remus sentou-se entre ela e Olivia.

— Era a madrinha de James... – disse ele por fim, seu olhar havia um pesar, pensou em perguntar se a conhecia mas Olivia foi mais rápida. - Você a conhecia Remus?

— Sim... – disse ele meneando a cabeça em meio a uma pausa - ... Não tão bem quanto Sírius ou James, mas... ele falava sempre nela. Era uma mulher extremamente forte, altiva, se não me engano tinha um bebê. Ela usava o nome Potter mas se casara com um trouxa.

— Queria poder fazer alguma coisa... – deixou Sarah escapar enquanto sentia novamente uma pontada no estomago.

— E você fez... – Remus disse com um sorriso a garota - ... seu pequeno gesto mostrou a ele que podia contar com você, e acho que isso era o que ele mais precisava.

Se era, bem ela não soube dizer. De acordo com Remus, James chegou no meio da madrugada da noite anterior, arrumou suas coisas, trocou algumas palavras com Sírius e partiu. Muito provavelmente voltaria para casa para o funeral da tia o que tornava tudo ainda mais complicado. Não sabia se James retornaria a escola depois disso tudo. Se ele já estava no limite antes, bem, agora provavelmente estaria fora de controle. Embora esse assunto fosse o principal nas conversas, nos dias seguintes a notícia sobre o torneio de duelos começou a circular. Naquele final de semana, seria o novo desafio. James pegaria Julien e Sírius o Lufano Justin. As coisas pareciam realmente começar a “voltar ao normal” embora James ainda não tivesse retornado da casa dos pais. Já haviam se passado três dias e até mesmo Sírius vez ou outra vinha da sala do Diretor sem respostas. Sarah estava tão preocupada que durante a aula de Herbologia por um triz não fora pega pelos tentáculos de um visgo do diabo.

— Se continuar assim você vai é perder sua cabeça sabia? – disse Olivia enquanto voltavam para a torre da Griffindor após o jantar. A única coisa que ela queria era poder tomar um bom banho e se enfiar debaixo dos cobertores. Tinha falado com a sua professora sobre a correspondência e ela mesmo havia dito que enviara uma coruja no mesmo dia para a casa dos seus avós. Estava subindo as escadarias que levavam para a sala comunal da Gryffindor quando o quadro do retrato foi escancarado e Sírius saiu correndo em disparada escadaria abaixo.

— SÍRIUS... ESPERA....

Remus saiu pelo buraco do retrato e dera de cara com as duas.

— O que foi que aconteceu? – Perguntou Olivia. Sarah, no entanto, sentiu um aperto horrível no seu peito e uma dificuldade enorme de respirar. Apoiou-se com a mão na parede e tanto Olivia quanto Remus a ajudaram a entrar.

— O que aconteceu com James? – disparou Sarah, seu olhar de preocupação fez com que Remus apenas desse um sorriso. Ele sabia que não adiantava falar nada, tudo o que ele dissesse muito provavelmente ela não acreditaria. Então como era do seu feitio apenas lhe falou a verdade.

— Não sabemos... – disse ele - estávamos no dormitório e de repente a vassoura dele saiu voando pela janela, quase bateu na cabeça do Padfoot no trajeto.

— Ele convocou a vassoura... – respondeu a garota - ... então quer dizer que estava nos terrenos da escola...

— Sírius foi a caça dele... alguma coisa séria deve ter acontecido – disse Remus, mas a garota já não ouvia mais nada. Seu coração estava saltitando no peito. Não sabia explicar, apenas sentia que alguma coisa muito séria havia acontecido.

— Vem Sah... – disse Olivia segurando em seu braço e a conduzindo pela escada – Assim que descobrir alguma coisa ou o Black aparecer... por favor me avise.  

Por mais que Olivia a tentasse tranquilizar Sarah tinha a total certeza de que algo realmente grave havia acontecido com os Potters. A noite avançava, e a única coisa que se passava na sua mente era as várias suposições. O que teria acontecido? Como James havia ido parar nos terrenos da escola e praticamente desaparecido sem Dumbledore ou McGonagall fazerem alguma coisa. O que aquele cabeça de vento teria feito? Isso era algo que não só a deixava preocupada como também irritada. A mania que o garoto tinha de levar o peso do mundo em suas costas e não deixar ninguém mais além dele fazer isso era algo que a tirava do sério. Era alta a madrugada quando decidiu levantar-se, não conseguia dormir mesmo, e o silêncio do seu dormitório estava lhe deixando cada vez mais impaciente. Não tinha noticias nem de Sírius ou Remus, e nem ao menos Peter havia aparecido para lhe acalmar. Chutou os cobertores, vestiu um camisão de flanela, calçou as pantufas de coruja e desceu as escadas rumo a mesma janela que usava sempre que queria pensar. O salão comunal estava vazio, a não ser por Luy que ronronava dormindo na poltrona próximo a lareira, agora com o fogo já extinto. Não vira quanto tempo se passara, ou que horas eram, apenas ficou olhando para o vasto mar negro que era a floresta lá embaixo. Era terrível não saber o que estava acontecendo, não só por conta de James mas do lado de fora, o que ela sabia ou tinha conhecimento eram os artigos do profeta diário e muitos deles não eram nem metade da verdade. Tinha suas suspeitas e bem, depois da primeira reunião onde James finalmente falara sobre a Ordem da Fênix de Dumbledore e um pouco sobre o que o tal lord estava procurando, em sua cabeça uma teoria da conspiração já estava sendo iniciada. Quem é que garantia que os veículos de informação do mundo bruxo também já não estavam infectados com bruxos das trevas. Ela não estava habituada a ler o jornaleco, mas a partir de agora, iria começar a ler, não pelas informações cabeludas mas, para pelo menos ter uma noção do “quanto” de verdade ainda estavam mostrando. Foi então que ouviu o barulho do retrato e mais que depressa foi averiguar. Para sua surpresa (e alívio) era Sírius, mas seu rosto não esboçava o costumeiro sorriso que ele sempre tinha nos lábios.

— Porque eu não me espanto de ver você aqui... – disse ele dando um suspiro.

— Talvez porque esteja tão preocupada quanto você... – respondeu ela cruzando os braços - ... vamos lá... desembucha cachorrão.

Sírius arqueou uma de suas sobrancelhas confuso, então passou a mão na nuca enquanto se aproximava. A garota não conseguia decifrar o enigma que estava em seu rosto e isso a deixava ainda mais nervosa.

— Eu sei.. – respondeu ele agora deixando o corpo cair na cadeira mais próxima - ... está tão furiosa com ele quanto eu.

— Eu já não sei se o que estou sentindo ... – respondeu ela sentando-se na cadeira a sua frente - ... mas que estou com vontade de usar a cara dele como alvo da minha varinha por tomar as dores do mundo sozinho ahhhh com certeza eu estou.

— Primeiro de tudo... – disse Sírius respirando fundo - ... só quero que entenda uma coisa... James tinha admiração e respeito por duas pessoas além dos pais... os padrinhos Charlotte e William. Eles não só moravam no castelo Potter com eles como praticamente viram ele crescer... – Sírius então fez uma pausa, talvez tentando buscar as palavras certas ou se realmente ele é quem deveria falar sobre isso com ela, mas depois de uns dois minutos continuou – William foi praticamente o professor de James, lhe ensinou a duelar, era como se fosse um segundo pai. Já Charlotte, era como uma irmã mais velha. A quem ele podia recorrer sempre que estava com problemas, ou com quem aprendeu a ser um “maroto”...

— Ok... eu entendo que ele tinha os padrinhos em um alto patamar... – disse Sarah séria. Sírius então sorriu.

— Bem... – disse ele, agora em um tom mais sério - ... então você deve imaginar como ele deve estar se sentindo quando descobriu que esse padrinho dele, matou sua madrinha... e fugiu...

Sarah levou as mãos aos lábios, horrorizada. É claro que ela tinha idéia de como ele estaria se sentindo.

— Olha Sah...– disse Sírius respirando fundo - ... não sei muito bem dos detalhes ainda, mas quando a vassoura de James quase me atropelou no dormitório eu sabia que alguma coisa ainda pior havia acontecido... -  então ele levantou-se parecendo zangado - ... aquele galhudo me deixou de fora... isso não vou perdoar tão fácil...

— Foco Sírius... – disse Sarah também se levantando - ... o que foi que aconteceu.

— Encontrei Lorigan na sala do Dumbledore – disse ele respirando fundo - ... Assim que cheguei vi o patrono de James se desfazendo, e... me descontrolei. Lorigan disse que o castelo Potter tinha sido atacado...

O assombro dessas palavras fizeram-na sentar sem ao menos perceber. Sírius por sua vez sentou-se diante dela.

— Lorigan não me deu detalhes mas... disse que o Sr. Potter já estava com James... e que ele estava seguro...

Pelo menos James estava seguro, mas realmente era difícil saber como estaria a cabeça de James se ele chegasse a voltar a escola. Depois de tudo isso, era fato que Voldemort queria a cabeça dos Potter custasse o que custasse.

— Aquela batalha em Hogsmeade... – disse Sarah finalmente - ... foi uma armadilha não foi?

Sirius meneou a cabeça afirmando – Eu não tenho provas... mas acredito que tenha sido uma armadilha para pegar o Sr. Potter. – Então ele veio até ela, se ajoelhou em sua frente e a encarou – James vai precisar de todo o nosso apoio a partir de agora... principalmente o seu.

— Não posso ajudar se ele não quiser isso... – respondeu ela se levantando e voltando sua atenção para a janela.

— E você acha que ele está com a cabeça boa pra entender o que quer e o que realmente vai fazer bem a ele? – respondeu Sírius – Aquele galhudo só tem a gente aqui dentro pra tomar conta dele... – Sirius então ficou diante dela outra vez e segurou seus ombros – Posso contar com a minha leoa não posso?

Sarah cerrou os olhos e torceu os lábios, não porque o que ele estava lhe pedindo seria praticamente uma missão impossível mas, bem, ela tinha outra escolha?

— Tudo bem... – respondeu ela se dando por vencida - ... mas mantenho o que te disse antes... se ele me tirar do sério eu não me responsabilizo pelo rumo que toma minha varinha.

— Eu não esperaria menos... – respondeu ele dando uma gostosa gargalhada. Mesmo sorrindo, tanto um quanto o outro sabiam que o assunto não era exatamente engraçado. Tanto que no outro dia logo cedo, Sarah deu de cara com a manchete “Massacre no castelo de Godric's Hollow, deixa o castelo destruído e 178 mortes, a Marca Negra jaz sobre os Céus.”

Não havia muitos detalhes sobre o tema, e tão pouco o que havia acontecido realmente. Apenas suposições vagas de que Charlus “se rebelara” contra o Lord das trevas e este teria revidado dizimando toda a família.

— Bem... nem toda né? – disse Remus ao lado de Sírius enquanto estavam tomando café. – Sr. E Sra Potter se salvaram.

— E alguém sabe sobre o James? -  Perguntou Olivia, mas ao ver o olhar de Sírius para Remus e Peter, Sarah trocou olhares com Olivia.  – Lorigan o trouxe ontem a noite... – falou Sírius em um tom mais baixo.

 Os dias que se seguiram, não foram exatamente como sempre. James voltara sim, mas estava tão sombrio e isolado que ela mal o via. Era estranho por exemplo ver os marotos passarem pelos corredores e não azararem nem por diversão os sonserinos. Vez ou outra, Sarah chegava a sala comunal e pegava os quatro garotos com as cabeças juntas a um canto, falando baixo e tão seriamente que sentia o coração apertar. Também Lorigan passava muito tempo com Sírius e James, afinal o duelo de ambos era naquele final de semana, e novamente a seqüência de treinamento era tão exaustiva que por vezes encontrou Sírius dormindo na sala comunal.

— Ninguém te disse que existe uma cama mais confortável? – disse ela certa na manhã daquela sexta. Tinham o dia livre e ver o garoto jogado todo torto em cima da poltrona acabou foi se sentindo mal por ele.

— Bom diaaaaaaaaaa.... – disse ele em meio a um bocejo esticando-se todo – Acabei pegando no sono aqui...

— Decidiu fazer hora extra? – perguntou ela sentando-se na poltrona da frente.

— Não... mas Lorigan está pegando pesado... -  respondeu ele novamente em meio a um bocejo.

— Você que é fraco Padfoot... – respondeu James que descia as escadas, por alguns instantes Sarah pensou em perguntar como ele estava mas ele então jogou uma maçã para Sírius e o encarou.

— Não sou fraco... sou um humano... – disse ele com azedume. - ... aliás você estava falando sério quando disse que queria reunir a AG?

— Sim... – respondeu James agora sério – Não sei se conseguimos fazer isso antes do torneio, mas... bem, poderia avisar as garotas Perks?

Sarah até tivera um sobressalto afinal, parecia que ele havia lhe ignorado desde que tinha dado as caras no aposento.

— Claro... – respondeu ela levantando-se - ... Potter. – acrescentou no mesmo tom de voz. Sabia que ele detestava ser chamado assim, pelo menos pelos amigos. O por que ele havia novamente a ignorado praticamente ela não entendia mas não ia ficar ali ou teria de cumprir detenção por azarar James Potter – Vejo você depois Sírius...

Sírius por sua vez ao levantar-se encarou James “a sua maneira”.

— O que? – perguntou James.

— Me fala a verdade... é tão prazeroso assim bancar o imbecil? – perguntou Sírius o que fez James parar a maçã a meio caminho da boca. – Anda... pode me falar... porque é exatamente isso que você é.

— Você viu o que aconteceu com a minha família... – respondeu James, agora sua voz era séria e uma sombra passou por seus olhos - ... quer que ela tenha o mesmo destino?

— Sinceramente... eu mesmo tenho vontade é de te dar um avada... – disse Black subindo para o dormitório.

—________________________________

Minerva por sua vez cumprira com o prometido, havia mandado uma carta para os Perks mas até aquele momento não havia obtido resposta alguma. Não quisera falar realmente sobre o assunto com Sarah afinal, ela já estava vivendo conflitos demais ultimamente para ter de lidar com uma falsa notícia. Para se certificar, agora pedira a Dumbledore que lhe emprestasse Fawlkes, a fênix sempre fazia exatamente o que lhe era ordenado e bem, isso era realmente um caso urgente. Naquela manhã porém, após passar na sala de Albus e certificar-se de que o menino Potter estava realmente bem, foi até o vilarejo. Não por curiosidade mas sim, queria ver com os próprios olhos o que realmente havia acontecido.

O vilarejo estava penosamente destruído. Minerva ficara comovida com os rostos implorando uma pequena ajuda que fosse para recuperar o que haviam perdido, poderia sentir o pavor exalando naqueles ares e, tinha certeza de que se Alastor estivesse por ali, falaria exatamente o que ela sentia. Havia algo cruel no ar, podia sentir isso. Virou até a próxima esquina que dava acesso a rua principal. Estava próximo a pequena praça que havia no vilarejo quando com um estampido, Fawlkes apareceu diante dela.  Mediante a isso, sentiu como se uma pedra caísse em seu estomago. A fênix com sua plumagem exuberante chamara a atenção das pessoas em volta. Largou a carta nas mãos dela e com um piado profundo de tristeza sumiu, assim como apareceu.

"O que será que aconteceu..." - perguntou ela a si mesma enquanto abria a carta. Levantara o envelope, na sua borda reconheceu a própria letra. Era a carta que havia mandado aos avós de Sarah Perks comunicando a razão da detenção que dera a aluna. O envelope não tinha sido aberto, o que queria dizer que Fawlkes não havia encontrado o casal. O que era muito estranho afinal, a fênix sempre encontrava seus "destinatários" mesmo eles estando o mais distante possível.

Sabia sobre os possíveis desaparecimentos que estavam acontecendo, as mortes sem motivos e isso fez com que sentisse uma certa preocupação. A garota em questão havia perdido os pais muito cedo, e desde então fora criada com os avós. Como eles poderiam ter desaparecido sem um aviso ou algo parecido?

Minerva guardara a carta no bolso interno das vestes, e seguiu novamente seu caminho, precisava ir para Hogwarts e tentar obter informações. Os Cygnus haviam tirado a filha da escola por estarem sendo ameaçados, várias outras famílias tinham feito o mesmo e ela sabia muito bem que os Perks apoiavam Dumbledore, não iriam tirar a neta da escola, e muito menos fugir sem dizer nada. Tinha providências a tomar, e principalmente entrar em contato com o Ministério e pedir a alguns conhecidos para certificar-se se havia algum registro de desaparecimento. Assim que chegou, tratou de mandar uma coruja a Alastor Moody, este que tinha a mais absoluta certeza de que não só conhecia os Perks, como lhe daria fatos verdadeiros. Tinha meios de se comunicar com ele, e este não só estava de prontidão, como também estava atento quando a pequena coruja pousou em sua janela naquela mesma tarde.

— Ora ora... – disse ele assim que a pequena coruja com penas vermelhas pousou suavemente na sua janela. Quando foi pegar a carta, um de seus amigos entrou pela porta respirando rapidamente. -  O que raios de Zeus você pensa que esta fazendo Joseph! – Este não conseguia falar pela falta de ar e apena abanava um pedaço de pergaminho nas mãos. Moody já não estava de bom humor o que ocasionou é claro em um praguejar que somente ele podia ouvir ou entender.

Faltavam poucos minutos para sua hora de almoço quando Moody recebera o memorando. Um de seus amigos de Falmouth, Phill havia mandado um comunicado de que não via sinal do técnico do time de quadribol do vilarejo. Sem perder tempo abrira também a correspondência que tinha acabado de chegar, Minerva McGonagall, a vice- diretora de Hogwarts pedia-lhe que verificasse também sobre Warry, ou Warrior Perks, como era conhecido. Perks fora auror quando mais jovem, Moody lembrava-se de te-lo conhecido no auge de sua carreira mas depois que seu filho, e aliás único filho nascera abandonara a profissão se dedicando a sua paixão real. O quadribol.

Moody jamais entendera o motivo de um auror tão bom ter decidido abandonar tudo, mas também não o questionara. Seu filho por sinal seguira o mesmo caminho, tinha faro para bruxos das trevas mas soubera por altos enquanto estava investigando um caso no Egito de que ele fora morto em serviço. Alguns meses depois que Moody voltara do Egito, descobrira que, sua esposa também havia morrido. As circunstâncias apontavam para uma explosão de gás já que a esposa era trouxa, mas conversando com o velho Warry certa vez, ninguém tirava de sua cabeça que a nora tinha sido assassinada, assim como seu filho.

Isso o instigou ao caso, mas por alguma razão ninguém mais falara sobre o assunto. Bem, já que tinha de sair para o almoço, não custava mesmo dar uma escapulida até Falmouth. Nunca pensou em ele mesmo investigar o caso de Steven porque estava ocupado demais caçando bruxos das trevas, contudo agora, que estava entrando na fazenda sentia-se culpado. Parecia que esta, estava abandonada há meses, o jardim completamente mal cuidado, as macieiras praticamente derrubadas como se alguma coisa muito má tivesse passado por lá. A casa, parcialmente destruída, mostrava que realmente não havia ninguém morando lá há alguns meses.

Respirou fundo, e olhou em volta com seu olho mágico. Havia um cheiro bem familiar no ar. Não tinha sido o temporal da noite anterior nem mesmo os "tornados" como os noticiários diziam. Havia magia negra ali, e o cheiro de comensais era inconfundível. Dera a volta na casa, a parte de traz onde ele conseguira ver parecia ser a cozinha, ainda estava mobilhada. Parte dela é claro estava realmente destruída, mas a Sala ainda estava intacta. Sem cerimônias ele entrou, havia fotos espalhadas, algumas nas paredes, outras que haviam caído de cima da lareira, provavelmente com o forte baque de uma explosão.

— Mas o que é isso??? - perguntou ele a si mesmo pegando um porta-retrato que estava no chão, a foto dos seus dois amigos e uma garotinha com mais ou menos uns 10 anos acenavam a ele contentes. Seu olho mágico girando ainda mais percorrendo as outras fotos, e uma delas chamou ainda mais sua atenção. Sobre a mesa de centro, havia uma que parecia ser mais atual. Agora a garota parecia estar com seus 16 ou 17 anos, na foto havia não só ela mas parecia feliz com os amigos, e por quê será que não estava surpreso. - Ora, por que isso não me surpreende... - O filho de Potter, James, seus amigos Sirius Black, Remus Lupin, e é claro, mais duas garotas, provavelmente amigas da jovem sentados em uma mesa no Três vassouras em Hogsmeade. Reconhecera a janela ao fundo. - Então Warry tinha uma neta... - disse ele virando a imagem, atrás dela havia uma data e a dedicatória. Dizia "Comemorando o ingresso ao time Gryffindors Pride!" Três Vassouras - Hogsmeade 17 de Outubro de 1979.

Um barulho no outro cômodo fez com que ele puxasse a varinha rapidamente. Seu olho mágico começou a seguir o som, era apenas o capataz da fazenda vizinha. Moody demorou um pouco para explicar o motivo de estar ali, pois o capataz em questão falava pouco o inglês. Mas conseguiu entender que estava investigando o sumiço do casal Perks. Ele então o ajudou com o que sabia. Que ninguém havia os visto a semanas. Que sumiram feito um passe de mágica. Anoiteceram mas no dia em que houvera a tempestade eles desapareceram. Moody despediu-se dele e dissera que iria dar uma olhada pela propriedade.  O capataz desapareceu pelas terras enquanto Moody voltava para a cozinha. Sentia cada vez mais forte o cheiro de magia negra e seu faro para isso jamais falhava. Algum partidário de Você-sabe-quem havia estado na casa, e duvidava que Warry e a esposa estivessem vivos. Isso era muito estranho, muito mais estranho do que de costume. Por que razão os comensais matariam um casal de velhos, principalmente um auror aposentado a décadas?

— Algo me diz que vou ter de desenterrar o passado... - disse ele encarando a foto que ainda tinha nas mãos - ... Preciso ver os registros das missões de Perks, e saber no quê ele estava trabalhando...- Com um estalido Moody desaparatou, tinha de mandar uma coruja para Hogwarts e avisar a Minerva que os avós de sua aluna haviam desaparecido.

—_______________________________

Mesmo com todos os inquéritos que Dumbledore estava tendo de enfrentar. O ministério como sempre caíra em cima dizendo que Dumbledore estava sendo negligente.  Dumbledore suspirou, cansado. Seu olhar vagou da paisagem na janela para Fawkes, que dormia tranqüilamente em seu poleiro. Mas ele não a via realmente; seus olhos estavam desfocados. Pensava. "Ele precisava de um lugar para esconder o pergaminho." Voldemort sabia da existência dele e o Diretor não podia deixar que caísse em suas mãos. "Não poderia deixá-lo se fortalecer."Além disso, desconfiava que Voldemort tivesse espiões no Castelo. "Grandes jovens desperdiçando um bom futuro. Isso era triste, mas não podia fazer mais nada. Nada mais do que já fazia: mostrar aos alunos, através de pequenos momentos, qual o lado certo a seguir e organizar uma resistência à dominação do bruxo das trevas. Todos tinham o direito de escolher. De tomar suas próprias decisões, desde que arcassem com as conseqüências.

A partir do momento em que sabem diferenciar o certo do errado, a escolha pelo errado torna-se responsabilidade de cada um. E a opção de voltar atrás sempre está disponível. Como ele fizera quando jovem, quando escolheu o caminho errado. Quando finalmente percebera o erro e quando se decidira por lutar pelo lado certo. Só esperava que esses jovens fizessem o mesmo. Antes que fosse tarde."

Entretanto tinha que voltar ao assunto inicial. Onde guardar o pergaminho? Bom, seu primeiro pensamento era Gringotes." Mas era um local muito visado. Tudo aquilo que tinha alguma importância era colocado lá. E Dumbledore tinha certeza de que, se algo lá dentro chamasse a atenção de Voldemort, o bruxo teria como desfazer as inúmeras proteções do banco. "Seu segundo pensamento foi Hogwarts." Apesar de também ser visado, estaria sempre por perto e poderia instalar quaisquer tipos de feitiços e proteções que achasse necessário. "Precisava marcar uma reunião com os membros da resistência para definir exatamente – e quantos - quais os encantamentos mais eficazes nesse caso. E, precisamente, em qual lugar do castelo? Talvez um passeio pela propriedade pudesse ajudá-lo nisso."

O bruxo levantou-se calmamente, deu uma última olhada para o céu escuro lá fora. Contornou sua escrivaninha para acariciar a plumagem vermelha e dourada da ave. Fawkes respondeu apenas com um estalo do bico. Dumbledore lhe sorriu. Contudo, ainda tinha responsabilidades para com os alunos e a escola, e sabia que com bruxos das trevas no Ministério e agora, depois do ataque aos Potter, Hogwarts seria o novo local onde Tom voltaria com suas atenções. Era hora de tomar certas providências. Pegou um pedaço de pergaminho, escreveu instruções em dois deles, um para Lorigan e outro para Minerva. Com um pequeno sorriso vira Fawlkes se ouriçar, eles não tardariam.

Sarah acordou naquela manhã com um susto, Olivia tinha chegado durante a noite e saltara em sua cama para mostrar-lhe o presente que Remus havia deixado a ela. Para concluir a história em si, Olivia não a deixou mais dormir depois das quatro horas da manhã. Quando finalmente viu que a amiga pegara no sono, a garota decidiu que não adiantaria de nada ficar na cama e então depois de um banho demorado, colocou suas vestes e desceu até o salão comunal. Se não bastasse a atitude de James na sala comunal no dia anterior, ainda teve de aturar novamente Mandy lhe importunando. Decidiu ignorar ambos, por bem da sua sanidade mental. Tinha de ter uma mente sã se quisesse manter-se firme. Estava realmente preocupada. Não tinha tido notícias de seus avós e eles nunca deixavam ela de lado. Tudo bem que as coisas estavam feias, realmente muito feias do lado de fora, mas daí a não conseguirem mandar nenhuma notícia? Olhou em volta, tudo parecia calmo. Uma calmaria nada reconfortante. Ficou dando um tempo até começar a ouvir o som das portas batendo, Hogwarts parecia finalmente estar acordando. Respirou fundo o ar daquela manhã gelada. O sol dava indícios de que retornaria depois de uma semana escondido. Seria bom pegar um pouco de sol, quem sabe seu ânimo voltasse. Lentamente foi descendo as escadas que levavam ao salão principal. Não tinha porque ter pressa afinal, tinha o dia todo de folga naquele sábado, foi mais ou menos nessa hora que vira uma comoção vinda do andar de baixo que a fez sair do caminho para que homens com roupas do ministério passassem correndo. Um homem austero e com um olhar penetrante passou por ela e a encarou de uma maneira que parecia que realmente estava lendo sua mente. Reconheceu-o na hora, era o mesmo homem sinistro que tinha visto no profeta alguns dias. Nisso professora Minerva se deteve entre ela e o tal homem.

— Estou lhe dizendo Sr. Carrow... – ouviu a professora - ... com que argumentos o ministério está afastando o professor Dumbledore?

— Creio minha cara professora McGonagall...  – disse o homem com uma voz em tom ameaçador - ... que o fato de ter um aluno morto, e mais duas atacadas durante a noite, e a ausência é claro de segurança no quesito “Charlus Potter” que infelizmente ele não está mais apto a dirigir essa escola. Então a não ser que queira ser a próxima, acredito eu.... – então olhou para a garota e depois para a professora- ... que deva deixar o Ministério fazer o seu trabalho.

Dizendo isso ele praticamente empurrou a professora e continuou seu caminho pelos corredores.

— Que sujeitinho desprezível... – disse Sarah sem perceber.

— Não deixaria que ele lhe ouvisse Srta... – ouviu a professora dizer em um tom calmo e baixo - ... pelo menos se não quiser ser levada a Azkaban.

Dizendo isso, a professora o seguiu até as escadas em caracol que levavam até a torre da diretoria. E Sarah obviamente foi atrás. O professor Dumbledore estava descendo essas escadas calmamente.

— Ora Sr. Conselheiro do primeiro ministro... – disse Dumbledore calmamente - ... presumo que esses sejam os que desejam me levar?

— Não venha com esse papinho velhote... – Sarah ouviu a voz do bruxo chamado Carrow  - ... prendam ele!

Dumbledore sorriu docemente, por um segundo Sarah achou que Dumbledore a olhou por detrás daqueles óculos de meia lua. O Diretor então olhou para os lados cabeças começavam a aparecer curiosas e muitas delas apenas os encontraram por acaso. O feitiço que precisava fazer, ou melhor que iria fazer não era apenas algo antigo, mas que com certeza poucos tinham conhecimento. Os fantasmas estavam ali. Querendo ou não, eles possuíam uma ligação direta com o outro mundo. Era uma semi-vida, dividida entre a nossa realidade e nosso futuro - a que a grande maioria de nós teme. Então, eles carregavam um outro tipo de energia. Uma magia especial. Fazia sol naquele momento. Era hora do café da manhã.. Minerva e Lorigan – que acabava de chegar -  queriam intervir. Dumbledore pedira cautela com um único olhar. Não havia outra forma; passaria um tempo em outro lugar que não fosse sob o teto encantado do Castelo; os dois amigos, e todos os outros professores, se esforçariam pelos estudantes. E, afinal, não seria um tempo de ócio. Respirou fundo. Calculou o momento exato. Não podia haver erro. Não existiria uma outra chance. O sol, os fantasmas. Tudo ali era energia. Uma energia extremamente útil. Fawkes, pressentindo o acontecimento, entrou por uma das janelas. Todas as atenções voltaram-se a ela, por alguns míseros instantes.

Não fazia diferença. Ele não precisava de distrações. Se desse certo, não tinham como detê-lo. Nunca teriam, de qualquer forma. Sorriu quando avançaram para ele. Girou, num movimento veloz - completamente inesperado para alguém com sua idade, a varinha - formando um amplo círculo, murmurando palavras em latim. No ar, o círculo imaginário que criara acima de sua cabeça tornou-se real, visível, resplandecente por causa das chamas de que era formado. A pouca luz das poucas velas acesas sucumbira diante de todo o poder da companheira que finha do sol e se sobrepunha ao bruxo. A mesma luz do astro principal preencheu todos os fantasmas, sem que eles sentissem ou percebessem, e algo extremamente branco e brilhante voou, ligeiro, até a forma geométrica repleta de magia. Como um relâmpago que cai e ilumina momentaneamente a escuridão, o círculo se apagou - e todo mundo pensou que o que quer que Dumbledore tenha tentado fazer, deu errado - e se acendeu, numa fugacidade angustiante. E, então, não havia mais ninguém ali, no final da escada circular que ia para a diretoria.

A iluminação voltara à ambiente, só que os olhos de todos estavam viciados na luz interminável que presenciaram por meros segundos. E, então, nada. Não havia mais ninguém para depor. Ou para levar. Dumbledore se fora. Para vocês ele se fora. Para os comensais e Lord Voldemort, também. O tão conhecido Diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts não estava lá. Sarah teve de cobrir os olhos tamanha foi a explosão de luz. Nunca em sua vida tinha visto algo assim, e pelo jeito a única que não estava surpresa era a professora Minerva.

— Vamos... me diga para onde ele foi! – disse o tal Carrow voltando sua atenção para Minerva McGonagall que mantinha um olhar sereno e a garota ainda teve a impressão de que ela sorriria se não fosse desrespeitoso.

— Bem, Sr. Conselheiro Carrow... a não ser que o senhor tenha sérios problemas de visão... – disse ela calmamente - ... eu estava aqui, e vi tanto quanto o Senhor... como pode presumir de que por algum motivo eu saiba para onde o professor Dumbledore foi usando um feitiço?

O homem esbravejou e bufou como um dos animais que Hagrid adorava ter como bichinho de estimação. Então ele voltou-se para os seus capangas ainda mais nervoso.

— Estão esperando o que? Procurem ele na propriedade! Vamos seus inúteis!

O bruxo então saiu correndo pelos corredores atrás do comboio de bruxos ministeriais. Mais que depressa Minerva voltou-se para o corredor falando rapidamente com Lorigan e dispersando os alunos. Sarah esta ainda atônita com tudo o que havia acontecido então ouviu sua professora a chamando.

— Srta Perks... – disse ela com um tom de urgência na voz - ... posso lhe pedir um favor?

— Claro professora... – disse ela.

— Volte até a torre da Gryffindor e avise Potter o que aconteceu, peça para ele procurar o professor Lorigan o mais rápido possível...

— Está bem... – respondeu Sarah, deu as costas a sua professora e disparou por assim dizer pelas escadarias rumo a sala comunal da Gryffindor. Praticamente atirou-se pelo buraco do retrato por um triz batendo em Lily.

— Ei Perks... por que a pressa? – ouviu a voz de Lily e então se virou mais que depressa.

— Viu algum dos marotos? – perguntou ela com um tom ligeiramente preocupado na voz.

— Não... devem estar no dormitório... por...

— Dumbledore... o pessoal do ministério veio prendê-lo... – disse ela de uma vez, pela primeira vez em meses viu medo no olhar de Lily.

— Meu Deus... – a ouviu murmurar.

— Não tenho os detalhes, mas McGonagall mandou eu encontrar o Potter o mais rápido possível. – disse Sarah – Vou até lá...

— Vou procurar me informar... – respondeu Lily desaparecendo porta do retrato a fora.

Sarah mais que depressa subiu as escadas em caracol rumo ao dormitório dos meninos, no topo da escada havia uma porta com o número 7 gravado e mesmo nunca tendo entrado foi logo escancarando a porta, assim se tivesse alguém “despreparado” teria tempo para se cobrir.

— Desculpem o mal jeito rapazes mas estou invadindo... – disse ela tentando fixar seus olhos em algum outro ponto que não fossem as 5 camas em volta. Remus já estava de pé calçando os sapatos, Peter com o susto caíra da cama. Frank batera a cabeça com tudo na cômoda quando tentou inutilmente se segurar enrolado nas cobertas. Sírius por outro lado estava saindo do banho enrolado em uma toalha e parou em estado de choque enquanto James sentava-se na cama.

— Ainda bem que não saí do banho como de costume... – disse Sírius dando um sorrisinho maroto e piscando para ela.

— Não é hora para isso... – disse ela olhando diretamente para Remus  que ficou em estado de alerta. É claro que vira James se enrolar nos lençóis rapidamente enquanto tateava a cômoda atrás dos óculos mas fingiu não ver.

— NÃO FUI EU MAMÃE.... – agora era Frank levantando atordoado só de cuecas.

— LONGBOTTOM...  DÁ PRA SE COBRIR... – Sarah ouviu a voz de James e girou os olhos, não era hora para esse tipo de coisa. Criou toda a coragem que conseguiu e então o encarou. Os cabelos bagunçados, sem camisa e por alguma razão continuava lindo. Meneou a cabeça afastando tais pensamentos enquanto o via parecer se encolher.

— Querem prestar atenção.. – disse ela finalmente – O ministério veio prender Dumbledore.

Uma sucessão de coisas aconteceu ao mesmo tempo. Remo levantou-se da cadeira tão rápido que ela foi jogada para trás, bateu na cabeça de Peter que estava se recuperando do tombo que saiu tateando em busca de apoio. Agarrou-se a toalha de Sírius que estava distraído e a puxou em uma vã tentativa de se levantar. Frank inconscientemente começou a rir, quando Sarah deu-se conta do que havia acontecido James já estava diante dela a envolvendo com os lençóis.

— PELAS CAUÇOLAS DE ROWENA PADFOOT CUBRA LOGO ISSO! – vociferou James.

Sarah ficara atordoada por alguns minutos, não por ter visto o que a maioria da escola gostaria de ver, longe disso. Afinal James fora tão rápido que ela mal pode ver as costas de Black. CONTUDO, estava com o rosto praticamente no peito nu de James. Pois ele em uma tentativa desesperada de “poupá-la” de ver Sírius Black como veio ao mundo, esquecera-se de que também não estava devidamente vestido. Sarah sentiu o rosto começar a queimar, pois não tinha ficado assim com James nem quando estavam juntos. E bem, tentava não parecer nervosa ou envergonhada mas tinha 17 anos e ficar com a cara enfiada no peito nu do ex namorado, bem... faz qualquer uma ter pensamentos nada educados. James não só estava a “protegendo” da visão, como também a tinha entre seus braços, foi então que notou ali, pendendo em seu pescoço o pequeno cordão que dera a ele, o colar em meia lua, o que achara no pomo do seu pai. Levara os dedos e chegou a tocá-lo por alguns instantes. O coração começou a bater tão forte que ela pensou que saltaria pela boca. Tentou ao máximo manter seus olhos no pendente mas era um pouco difícil, já que o belo físico de James estava praticamente na cara dela. Lentamente foi levantando os olhos e encontrou os olhos dele. Retirou a mão rapidamente sentindo o rosto corar. Porém não desviara os olhos dos dele. Não sabe por quanto tempo ficaram assim, apenas quando Sírius fez um “KAHAM” alto ela desviou os olhos e James ajeitou os óculos sobre o nariz disfarçadamente a soltando.

— Se quiserem privacidade...! – disse ele agora vestindo uma calça larga de pijama. – Quero deixar claro que... dessa vez a culpa não foi minha!

— Se eu sobrevivi a um lago congelado... – disse Sarah fingindo que nada aconteceu - ... com certeza sobreviveria vendo você pelado Sírius... – pode notar que James ficara bem desconfortável com o comentário mais ignorou – Sei que não é permitido que meninas entrem mas McGonagall pediu para que James procurasse Lorigan o mais rápido possível. – Então ela respirou profundamente e dera um sorriso tímido – Bem, desculpem ter invadido, e já tomei muito tempo... – então olhou para James que ainda continuava enrolado nos lençóis - ... acho que devia se apressar.

A garota girou nos calcanhares e então saiu do dormitório dos garotos fechando a porta atrás de si o mais rápido que conseguiu. Sua respiração estava ofegante e bem, teve de se apoiar na parede por alguns segundos antes de começar a descer as escadas, foi quando James apareceu.

— Sah... – disse ele e ela virou-se quase tão rápido que sentiu seu pescoço estalar. – Quem veio...

— Aquele tal de Carrow... – respondeu ela, não precisava de nada para lembrar o nome de alguém tão horrível. - ... devia...

— Escute... – disse ele a impedindo de continuar, vestia apenas a calça do pijamas. Desceu dois degraus e então a encarou - ... Amycus Carrow é um comensal da morte, ele é quem controla o Ministro, e se realmente ele veio prender Dumbledore...

— Dumbledore fugiu... – respondeu ela depressa -  ... mas tenho certeza de que ele vai vir atrás de você também depois do que... – então ela se calou, não tinha nem se quer falado com ele sobre o assunto.  – bem... você entendeu, acho melhor você ir, Lorigan quer falar com você não deve deixar ele esperando... – então dera um sorriso - ... ainda mais agora.

James então assentiu e voltou a subir as escadas, já Sarah começou as descer lentamente se as coisas já estavam difíceis antes, agora sem Dumbledore no castelo, com certeza ficariam piores.



Notas finais do capítulo

Não deixem de comentar ^^ Bjocas



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Marotos - Uma Nova História" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.