Marotos - Uma Nova História escrita por Sara_McGonagall


Capítulo 18
Tarde de Duelos


Notas iniciais do capítulo

Bem, nesse capítulo tenho de acrescentar que usei os posts do duelo que James (Leandro) e Ralph Meminger (Dandan) fizeram. Eu li, e reli e achei que fez sentido já que tive de dar uma improvisada para ligar os fatos. Com tudo espero que gostem, como disse nos outros capítulos, é uma "NOVA HISTÓRIA" então gentem... tudo pode acontecer...
divirtam-se ^^ e comentem viu? Bjocas.



O tempo. Nada consegue explicar como ele pode nos beneficiar. Muitos não os tem e saberiam aproveitá-lo sabiamente. Outros, os tem de sobra e, no entanto, não sabem o que fazer com ele.  A sociedade mudara drasticamente desde que se soube que bruxos das trevas conspiravam contra o mundo bruxo. Mas teriam esses bruxos tanto poder para interferir no tempo? Bom, talvez sim, ou talvez não. Quem poderia dizer?

Magos de todo o mundo estavam atentos a um único lugar. Hogwarts seria palco de um grande evento, este, que teria inicio na tarde desse mesmo dia. O dia 24 de Dezembro de 1979 começara como mais uma véspera de natal em uma escola. Gritos, confusões, entusiasmo; afinal, era dia de visita a Hogsmade, vilarejo que tinha sido palco de uma horrível batalha há alguns dias atrás, deixando os alunos bem impressionados. Contudo, a ansiedade pelos combates era ainda mais forte do que suas preocupações. A euforia começava a ficar mais intensa a medida que a hora do almoço começava a chegar. Em todo o castelo, providências eram tomadas, uma comemoração de grandes proporções seria realizado para amenizar a preocupação dos alunos e duelistas durante a noite véspera de natal, por essa razão, as portas do salão principal foram fechadas.

Durante todo o trajeto que ligava o vilarejo aos terrenos da escola,  Sarah vinha pensando nos acontecimentos daqueles dias. O caminho era exatamente tão terrível quanto Sarah imaginou que poderia ser debaixo daquele clima. Embora tivesse que estar usando a capa, acabara por optar em guardá-la dentro da jaqueta. A chuva era tanta que tinha certeza que mesmo que passasse pelo Diretor Dumbledore ele não a reconheceria. Todos andavam com as cabeças baixas e é claro, tentando proteger o rosto dos pingos grossos de chuva que doíam sempre que atingiam alguma parte desprotegida do corpo. E a quantidade de roupa que usou para se proteger do frio que antes era intenso acabou se tornando um peso extra enquanto andava.

O caminho de volta foi até mais rápido. Quando deu-se conta, já havia passado pelos javalis na entrada e uma enorme tenda estava montada do lado de fora. Havia uma banda tocando, e é claro o som praticamente retumbava em todas as direções dos jardins. Para recepcioná-los em sua chegada, uma novidade fora montada do lado de fora das portas enormes de carvalho e degraus de pedra que levavam para o interior do castelo. Um pequeno palco, que bloqueava a entrada para o saguão estava coberto por uma tenda. E sobre ele, uma banda dava as boas vindas aos recém-chegados. O mestre de cerimônias, com um enorme chapéu, brincava com um cetro como se orquestrando os músicos. E, alegremente, com a varinha, atraía a atenção dos alunos.

— Sejam muito bem-vindos ao nobre castelo de Hogwarts, onde hoje será palco de grandes acontecimentos! - com um sacudir de varinha, fogos irromperam pelos jardins em meio a chuva fina que agora caía – Oito campeões, mas somente os mais talentosos, corajosos... – e então, parecendo lembrar-se de que haviam garotas competindo - ...ou corajosas, poderão ter em seu peito o orgulho de levar o nome de Hogwarts para a etapa final contra bruxos absolutamente surpreendentes de todas as partes do mundo.- com a varinha, mostrou cada um dos países que iriam participar do Torneio Internacional de Duelos e por fim, com um movimento rápido, criou um desenho iluminado de Hogwarts no céu.  - Hufflepuff – e um grande texugo prateado saltou do castelo e começou a correr pelos ares – Corvinal – outro movimento da varinha e uma águia prateada sobrevoou o castelo prateado, e planou sobre as cabeças dos espectadores - Slytherin – uma enorme cobra saiu de dentro das portas do desenho, rastejando no ar – E... Gryffindor! – houve um estrondo e o leão prateado pulou de dentro do castelo, fazendo este transformar-se em fogos, explodindo em todas as cores. O rugido do leão parecia chamar os outros animais das casas, texugo, corvo, serpente; e, majestosamente, o felino se postou ao lado, deixando novamente a imagem do castelo, agora real, ao fundo. – 4 Combates , escolham seus campeões e dirijam-se a eles!

Agora cada um dos animais prateados olhavam para o público do alto do céu. O homem novamente fizera um movimento com a varinha. E eles pareciam aguardar o comando do maestro.

— Cada mascote representa uma casa, e eles serão seus guias para chegarem aos tablados. - com um novo movimento, ele apontou para o enorme texugo – Quem optou por assistir o combate de Justin Hardy e Andromeda Black, sigam o nobre texugo até o lago. Já se sua escolha for Julien Mayfair e Bromelia Adams... – ele apontou agora para a enorme serpente que remexeu seu chocalho sem som e começou a deslizar - ... Sigam a serpente rumo ao campo de Quadribol. Mas, se simpatizam com um dos campeões, Sirius Black ou Phillipa Carlson, queiram seguir o nobre corvo em direção a Ponte. – o corvo batera as asas e seguiu rumo a ponte de pedra do castelo. Ficou sobrevoando-a, mostrando o local onde seria realizado o entrave. – E para aqueles que escolheram James Potter ou Ralph Meminger... - Sarah sentiu uma fisgada no estomago nessa hora - ... queiram seguir o nosso leão, ele mostrará o caminho até os jardins internos... Tenham todos um ótimo divertimento e boa sorte aos competidores!

Os quatro animais, representantes das quatro casas de Hogwarts, marcavam os locais dos combates.  A chuva agora parecia ter dado uma trégua o que não diminuía o desconforto de se estar encharcada. Sarah teria ficado mais, mas estava molhada até os ossos e pra não entregar que ela não estava nos jardins decidira ir para o salão comunal. Olivia havia ficado a convite de Alice afinal, a jovem queria comprar um presente ao namorado, e para não pedir ajuda deste, praticamente o colocou para correr. Sarah não vira nenhum dos marotos, o que queria dizer que bem, a não ser por Peter, talvez eles não tivessem ido a parte alguma.

Nem bem tinha colocado os pés e Filch viera ralhando sobre a sujeira. Sarah não estava com muita vontade de discutir então, seguira escadas acima. Passara por algumas passagens afinal quanto menos demorasse, menos corria o risco de um belo resfriado. Logo gritou a senha já que o castelo estava deserto, e quando chegou no alto da escada a passagem já estava aberta. Precipitou-se por ela foi em direção ao dormitório para um bom e merecido banho. Sarah sentia uma angústia terrível no peito. Tudo bem, passara por algo realmente frustrante a poucos segundos tendo de se esconder para não ser expulsa. Mas inconscientemente sabia que não era exatamente isso. James era o principal motivo, e por mais que ela tentasse se esquivar era praticamente impossível. Viviam na mesma casa, cursavam as mesmas aulas, os mesmos grupos incluindo o atual grupo de estudos.

"Por que Merlin... justo comigo... " - pensava ela enquanto vestia-se. O Jeans surrado, tênis e uma blusa de agasalho. Estava um pouco frio e por isso a jaqueta inseparável voltou ao corpo. Secara os cabelos enquanto decidia se ia ou não até James e lhe entregar a capa. Oficialmente não tinha pedido permissão afinal, Luy havia ido até ela e lhe entregado. Mas não ia deixar o gatinho levar a culpa sozinho, ela podia muito bem ter se recusado não?

Por mais que tentasse ocupar sua cabeça com outras futilidades, seu coração era o maior culpado. Por quê tinha de gostar de alguém tanto assim? Não, precisava e iria esquecer... tinha de enfrentar seja lá o que fosse que teria pela frente. Tinha de sufocar a dor em seu coração. As forças das trevas estavam penetrando em Hogwarts e a segurança de todos era mais importante. Ele lhe pedira pra ficar de olhos bem abertos nos sonsos e assim o tinha feito. Não tinha sido a única a vê-los por Hogsmeade. Foi então que passando pela porta do dormitório viu um pedaço de pergaminho no chão. Nele diziam os locais e é claro os duelistas. Nessa hora foi que lhe ocorreu o motivo de estar com aquela sensação, James duelaria, era óbvio que fariam alguma coisa contra ele se não com ele, para pegar sua família.  

Sem pensar duas vezes, pegara a capa que estava sobre a cama e atravessara o corredor até o salão comunal. Havia um ou dois alunos mas nenhum sinal dos marotos. Onde é que encontraria James naquele enorme castelo? Estava repreendendo-se em pensamentos quando topou com Peter que acabava de chegar.

— Oi Srta... - disse ele com um sorriso - ... onde vai com tanta pressa?

— Por acaso você viu James? - perguntou ela sem cerimônias e com um tom de urgência na voz.

— Bom, até onde sei ele vai para a... - então se aproximou mais do ouvido da garota - ... sabe,  a sala precisa. - e então voltou a postura normal - quando quer pensar... e acredite ele tem pensado muito lá ultimamente.

— Ok... obrigado Peter... - disse ela já correndo em direção a tapeçaria de Barnabás o amalucado. Não precisou andar as 3 vezes como de costume, simplesmente assim que passou na frente da tapeçaria apareceu um ornamento com um belo entalhe. Havia um veado, um cão, um rato e um lobo, cujo olhar recaiu sobre a garota que ficou imóvel.

— Senha por favor... - disse o pequeno ratinho.

— Senha? - perguntou Sarah confusa, nunca tinha precisado de alguma senha para aquela sala antes.

— Sim, se não for um maroto precisa de senha... - disse o lobo em tom sério, Sarah podia jurar que pelo tom parecia muito com Remus.

— Olha eu preciso muito falar com James Potter... - começou ela e então do nada a porta se abriu. Mostrando uma pequena sala um ótimo lugar para manter-se calmo antes de um duelo. Havia poltronas, várias caixas com guloseimas e coisas da zonkos...Pelo visto não tinha se enganado, James estava parado diante uma das janelas. Somente havia a luz da lareira como iluminação mas ela o reconheceria em qualquer lugar. A cada passo que dava seus pés pareciam mais e mais pesados e um nó enorme brotava em sua garganta. Mas não tinha mais volta, estava ali e era agora ou nunca. Mesmo encontrando a porta aberta, e mesmo sabendo que James já notara sua presença, ela esticou a mão e batera na madeira da porta. Iria esperar que a mandasse entrar mas os animais mágicos, entalhados na madeira praticamente a empurraram para dentro fechando a porta em seguida.

— Desde quando precisa de guardas? – disse entre os dentes enquanto o cachorro mostrava-lhe meio palmo de língua de carvalho. - Desculpe... não... – então engolira em seco tentando acalmar seu coração que ela sabia deveria estar sendo ouvido do outro lado do castelo.

— Não precisa desculpar-se... Essa sala agora pertence a armada de nosso mestre, logo todos tem o direito de entrar nela quando precisar... - respondeu o garoto educadamente, seus olhos encontrando os dela tão rápido quando um balaço.

— Não queria interromper mas, tinha de lhe devolver isso... – esticou o braço entregando-lhe a capa que Luy havia lhe emprestado desviando os olhos o mais rápido que conseguiu. - ... er... Luy achou que eu devia sair, mesmo estando proibida então... – respirara fundo outra vez procurando outro ponto da sala para não ter que olhar nos seus olhos - ... pega leve com o gatinho... Entregou a capa e então antes que suas mãos começassem a tremer as colocou nos bolsos, enquanto respirava fundo mais uma vez. Por que raios seu coração estava disparado. Ouviu sua voz e seus pensamentos praticamente desapareceram.

— Fico feliz pelo que Luyde fez... - disse ele pegando a capa de volta e jogando-a sob a escrivaninha - Vou dar a Luyde uma tigela encantada de leite...

— Prometi que daria a maior lata de atum que conseguisse então... - Ela sabia exatamente o quê dizer, tinha de avisá-lo, tinha de preveni-lo mas só de se ver diante dele era como se seu coração virasse pó - Bom... eu... – respirara fundo mais uma vez - ... eu sei que vai soar como uma tremenda bobagem... e até pode ser, mas... – acabara por andar até a janela, seria mais fácil dizer alguma coisa a ele sem precisar olhar para o seus olhos - ... vi Bellatrix zanzando as escondidas em Hogsmeade... queria poder acreditar de que ela estaria lá apenas pra sair do castelo, mas não acho que ela tenha se arriscado a toa... – as luzes vindas de fora por causa dos tais mascotes prateados , fazia com que as gotas de chuva ficassem visíveis. Sarah então levou a mão até a vidraça traçando o percurso de uma delas enquanto fechava o seus olhos – Alguma coisa me diz que ela andou aprontando... então... tome cuidado está bem?

Permanecera ali sem se mexer com os olhos fechados , era mais fácil não ter de encara-lo. Principalmente porque tinha em mente exatamente a maneira que seria esse olhar. E sentia o coração ficar ainda pior.

Esta informação gera um leque muito grande de possibilidades, Bellatrix Black em Hogsmeade também as escondidas, poderia não ser nada ou poderia ser algo muito grave o que nos últimos dias significa muita coisa,

— Vou me cuidar... - disse ele com firmeza - Mas você também tem que se cuidar... Vou colocar um espião na cola da Black...

Quando ouvira que ela tinha de se cuidar abrira os olhos como se tivesse levado um tapa. O que ele queria dizer com “você também tem que se cuidar”? Ela não se metia em encrencas por pura e simplesmente vontade. Foi então que virou-se e o encarou, a raiva pulsando em seus ouvidos mas seu coração parara quando deparou-se com seus olhos. Mesmo sabendo a dor que isso causaria.

— Não importa o que aconteça, vou acabar com os planos deles - disse ele sério - Vou castigá-los e não importo mais comigo... Não depois de olhar diretamente para a face do inimigo...

Olhar no fundo daqueles olhos era como reviver um passado o qual causava-lhe dor. Mas pela primeira vez em dias, Sarah não desviou os olhos, cruzou os braços e o encarou séria. Por mais que doesse fazer isso, o fez.

— Talvez você não se importe... mas tem muitos que se importam... – disse ela então desviando os olhos - ... se importam tanto que, se arriscam por você... – não sabia o real motivo de falar isso mas algo dentro dela falou mais alto. Dera um suspiro e fechara os olhos e abrira outra vez - ... e quanto a mim, eu mesmo vou ficar de olho na priminha de Sirius... tenho contas a acertar com ela e... - dera um sorrisinho tímido - pode não parecer, mas... sei me cuidar... – virou-se mais um vez e o encarou - ... eu não sei porque, mas sinto que tem algo errado... – ouviram a sineta, o sinal que chamava os campeões . Sarah abaixou os olhos e depois de respirar fundo mais uma vez enquanto se apoiava com as mãos no parapeito da janela –Bom... está na hora ... então, boa sorte... e... divirta-se no baile...

Endireitou sua postura, e o olhou nos olhos. Fizera um esforço enorme para sorrir embora não tivesse vontade. Estendera a mão para cumprimentá-lo afinal, não estava zangada ou brava. Só sentia um vazio do qual demoraria para cicatrizar.

— Não é que eu não me importe, mas sim que tenho uma sina traçada a cumprir e os outros não deveriam arriscar-se por mim... - disse ele sério, mas com um tom calmo - E sei que sabe se cuidar, nunca disse que não sabia, mas parece que você sempre faz questão de jogar isso na minha cara ...

Sarah então ergueu sua cabeça tão rapidamente que sentiu como se houvessem separado do corpo. Os olhos cerrados e uma ardência na garganta que sabia de onde vinha.

— Você não me entende e parece que não faz questão de entender... - disse ele o que a deixou ainda mais nervosa.

— Tem razão... – disse ela sentindo a queimação da garganta piorar e dificultar sua fala - ... eu não entendo o motivo de você ter de se sacrificar pelos outros e não querer que eles se sacrifiquem por você... não entendo por que é tão difícil pra entender que eu... – Sarah parou no meio da frase, por um milésimo de segundos falaria novamente as 3 palavrinhas que jurou não dizer mais, então respirou fundo mais uma vez, parou  e só então concluiu – E... o fato de saber me defender não faço questão de jogar isso na sua cara... mas... – Sarah engoliu em seco respirou fundo - ... por que faz questão de não se lembrar disso...

Pela maneira que ele lhe dera as costas, duvidava que a tivesse lhe ouvido. Sabendo que não conseguiria segurar seus sentimentos virou-se rapidamente para a janela enquanto o ouvia andar rumo a porta. Por que era tão difícil aceitar que por mais distante, mais forte aquele sentimento por ele ficava? Estava certa, ter ido procurá-lo tinha sido um ERRO. Um GRANDE, UM ENORME ERRO que machucara ainda mais seu coração. Abraçara-se ao próprio corpo enquanto ouvia a voz do garoto.

— Nunca deixei ele um segundo sequer longe de onde você o deixou... - disse ele agora parando antes de sair . Ela sabia do que estava falando. Havia lhe dado o que tinha de mais importante na vida. Além de seu coração, dera a ele a única lembrança que herdara do pai. - . Nunca saiu do meu pescoço e nunca sairá...

Seu coração despedaçara ainda mais principalmente a frieza com que as palavras saíram.

— Aproveite tudo que Hogwarts que conhecemos pode ainda lhe dar, pois não sabemos como será a Hogwarts de amanhã... - disse ele desaparecendo pela porta;

— Hogwarts não pode me dar o que preciso... – disse por fim sentido uma lágrima rolar por seu rosto exatamente como uma gota de chuva percorria a vidraça. Também duvidava que a tivesse ouvido, afinal não ouvia mais ninguém a não ser sua própria razão. Não sabia onde ir, nem queria falar com as pessoas. Ali era um bom lugar para se esconder. Mas também não era ela, jamais ficara escondida e aquela não seria a primeira vez. Enxugara o rosto e saíra pela porta, não sem antes ouvir alguns impropérios do "guarda" por ter batido com força.

O porque James tinha mudado tão drasticamente ela não sabia dizer, o que tinha acontecido com o garoto? Porque agia daquela forma com ela? Não sabia se o que estava sentindo era remorso por ser tão estúpida a ponto de achar que ele podia ter sentido algo por ela algum dia, ou se era pelo fato dele realmente sentir algo e agir como um tremendo idiota. Por que era TÃO DIFICIL ficar perto dele cinco minutos sem ter vontade de lhe acertar um avada? Parou diante a torre do relógio, o coração saltando do peito e ofegando por ter corrido desesperada até achar algum lugar seguro que pudesse respirar e chorar sem que alguém a visse.

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Mesmo enlaçado pela proteção das paredes, o jardim interno não pode ser confundido como um ambiente totalmente seguro neste momento de grandes expectativas. O vento forte violentava as árvores e plantas do local, entrando pelo teto exposto ao ambiente externo, enquanto os raios que caem sem cessar, cada vez mais próximos da escola. No jardim está formada uma arena; e os alunos se dirigem imediatamente às arquibancadas, alguns conversando a altos brados, enquanto outros, calados, notavam que a juíza da partida, Minerva McGonagall, se encontrava em uma parte fechada da grande arquibancada circular, acompanhada de ministeriais que assistiriam ao duelo com admirável interesse. Entrementes, isso era fato, todos os olhares foram atraídos pela presença do grifinório e do lufano que estavam sobre o tablado abaixo, com um sorriso confiante e os rostos tensos.

Ao seu redor, um enorme visgo-do-diabo se contorcia. Mesmo estando exposto ao céu-aberto, a iluminação devido às nuvens cinzentas não o incomodava. Muito pelo contrário! O estimulava a estrangular cada osso do indivíduo que ousasse cair em seus galhos potentes.

— Fiquem atentos a qualquer movimento suspeito... - dizia Dwalish com convicção.

— Como tem tanta certeza de que Charlus Potter vai vir... - perguntava Williamson, um novato que o Ministério acabava de nomear para seu parceiro. - o cara é procurado... tem a cara estampada em todos os jornais tanto bruxo quanto trouxa... ele não seria besta....

— Seria sim... - disse Dwalish, seu olhar esquadrinhando tudo o que via pela frente.  - ... os Potter são orgulhosos... ele não perderia o desafio de seu único filho....

A chuva começava a engrossar outra vez,  quando Minerva finalmente chegou ao castelo. Nada nela estava seco depois de quase uma hora conferindo os estudantes para saber se não havia deixado nenhum para traz. Embora estivesse encharcada, tinha uma missão a cumprir naquela tarde, não era algo bom e ela tinha certeza de que não se sentiria a vontade mas as suspeitas eram fortes e os indícios também. Seria a juíza de Potter e Meminger, já havia aceitado e agora não poderia voltar atrás. Tinha a mais absoluta certeza de que em outros casos, bem, ela não seria a juíza mas Albus estava desconfiado de alguma coisa, e o Ministério parecia muito interessado, principalmente nesse duelo em específico.

"Devem estar achando que Charlus e Dorea devam aparecer..." pensou ela enquanto ajeitava seus óculos e os enfeitiçava para que não se encharcasse também.

Assim que ouviu o ribombar das cornetas começou a descer rumo ao jardim interno onde seria realizado um dos duelos. A chuva caia agora com mais força, chegava a doer quando o vento fustigava seu rosto porém, conseguiu ver o tablado onde seria feito o combate. Assim que o Leão prateado parou flutuando sobre eles, Minerva se prontificou a ficar sobre o pequeno patamar na lateral enquanto os alunos se acomodavam.

Enquanto isso, James ainda lembrava-se do encontro que acabava de ter, o jeito com que Sarah lhe olhou ainda estava em sua mente. Mas manteve-se firme, não disse mais nada, apenas saiu da sala precisa e enquanto descia com passos rápidos para o andar abaixo, James recolocou o cordão com a pedra de meia lua que Sarah havia lhe dado para dentro das vestes. Olhou para o seu reflexo em um dos vários quadros nos corredores e mal reconheceu seu próprio rosto, viu o quanto envelhecera, o quanto seu olhar estava mais maduro, menos puro. Os olhos são o reflexo da Alma! Com toda certeza o olhar fixo e penetrante do maroto, que no passado mostrava alegria, hoje mostrava seriedade, veracidade e parece já correr em suas veias o sangue mágico que tanto os Potter se orgulhavam.

— Ao duelo Pontas - disse a si mesmo. Antes de descer as escadas, se deparou com a pintura de seu mestre de Casa, Godric Gryffindor que estava olhando para ele quando o maroto desceu, parou e olhou para o ancestral, sorriu e foi retribuído o que deu-lhe a força que precisava para espantar de sua mente todos os pensamentos e concentrar-se friamente no duelo que teria.

Os Grifinórios são odiados por alguns bruxos como os da Sonserina, de acordo com Fineus Nigellus Black, "Porquê eles salvam a pele dos outros e não de si próprios". Qual é a verdade dentro das palavras do antigo diretor? Seria destinado aos pupilos de Gryffindor o fardo de sacrificarem-se em prol dos outros? Do BEM MAIOR?

Pontas saiu para o corredor do quinto andar com um sorriso largo no rosto, saiu como se não tivesse acontecido nada, como se a vida dele ainda fosse a mesma de sempre ou assim as pessoas o veriam. James Alex Potter tem o dever agora de honrar não só o nome de seu pai, que injustamente está sendo acusado por crimes que não cometeu, mas também carregava sob seus ombros toda a honra da tradição da casa de Godric Gryffindor: Onde reina a ousadia e se destaca de todos em audácia e valentia. Ao lembrar de uma famosa frase de seu mentor - "Ensinaremos todos os autores de feitos corajosos" - James teve certeza que a hora de provar a si mesmo e a todos tinha chegado..

"Hoje o mundo vai saber o que farei nesta guerra... Vou mostrar ao mundo que os Potter são honrados e verdadeiros... Vou mostrar ao mundo que sou filho do auror que conheceram e não do demônio que estão pintando."

Sua varinha já postada na mão direita como um complemento de seu corpo e de seus poderes,  A chuva caía forte, deixando o garoto completamente encharcado em poucos instantes, sua visão protegida com os óculos que repelem água, sua mente protegida e seu coração tranqüilo. James parou no lado do tablado que lhe fora destinado, o adversário Ralph Meminger, também estava parado em seu lugar. Manteve seu olhar fixo nele, o conhecia e sabia que era um bom bruxo e de boa índole, mas infelizmente hoje seria seu oponente e por cima dele teria que passar se quisesse chegar a ser Campeão. James não tirava os olhos de Ralph e não tiraria se algo muito familiar não chamasse sua atenção, algo familiar, como se seu pai e sua mãe estivessem ali. Virou-se para as arquibancadas, viu alunos de diversas casa, reportares e membros do Ministério da Magia. "Eles estão aqui tenho certeza..." Por um momento quase entrou em desespero, e se fossem pegos? Não, pensou ele... e então sorriu, um belo e largo sorriso maroto, enquanto subia no tablado,  não, seus pais não seriam pegos. Momentos depois que todos pareciam estar quietos e muito bem colocados em seus lugares, a voz do locutor ribombou nos pingos de chuva que agora eram mais fortes.

—  MUITO BEM VINDOS MEUS CAROS... TODOS ESTAMOS AQUI PARA VER O EMBATE DE JAMES POTTER CONTRA RALPH MEMINGER!- o locutor gritou praticamente os nomes dos dois alunos e cada um apareceu em uma ponta do tablado.

Minerva então desceu de onde estava e seguiu até o centro do tablado enquanto chamava os dois alunos para se cumprimentarem.

— Senhores, já conhecem as regras... – disse ela séria olhando de um a outro - ... Nada de maldições imperdoáveis, feitiços hostis enquanto o rival estiver no chão, e por tudo o que existe de mais sagrado, não se matem! - então colocou a varinha na garganta e disse Sonorus – MUITO BEM SENHORES.... CUMPRIMENTEN-SE...– disse ela recuando novamente agora até o pequeno patamar novamente – PREPARADOS? - Viu que ambos os garotos menearam a cabeça , Minerva tivera um estalo na mente quando olhara para o lufano mas, não dissera nada. Talvez fossem apenas suas preocupações. - Então.... COMECEM!

Quando receberam a permissão para começar, James fez a tradicional reverência curvando-se lentamente para a frente, em sinal de respeito ao adversário, porém continuou com os olhos de Ralph. Logo que voltou de sua reverência deu um rápido passo a frente e lançou contra o adversário a azaração escolhida para começar o duelo. "Agora é para valer, desculpe-me Meninger quem vai ganhar sou eu..."

— Tarantallegra! - O fio amarelo saiu como um raio da ponta da varinha do Gryffindor e voou na direção do peito do adversário com uma velocidade inacreditável. A luminosidade do seu ataque permitiu-lhe ver uma planta que anteriormente ele não tinha visto... "Então teremos mais diversão do que eu pensava..." ... O costumeiro sorriso maroto parece voltar aos lábios do garoto. Contudo, Ralph não havia sido escolhido por ser apenas um bom aluno. Ele defendeu-se com um belo escudo e rapidamente devolvera o ataque. Mas  embora o combate tivesse acabado de começar, o semblante do lufano mudou de o costumeiro calmo e sorridente para um rosto pesado e olhar de fúria em questão de minutos. Uma transformação que deixara tanto Minerva quanto Potter apreensivos.

— Estupefaça! – disse o lufano e um espectro avermelhado saiu e, em alta velocidade, atingiu a arquibancada principal, onde ministeriais e a juíza assistiam à partida. 

" Acha que vai vencer? " - pensou James, sua armadilha fora acionada e um texugo caiu nela. O garoto avançou dois passos em direção ao lufano que atacou, Um raio estuporante passou rápido por cima do ombro esquerdo de James acertando com força as arquibancadas...

— Ralph, Ralph... - disse James sorrindo enquanto se aproximava do oponente - Acho que os Justos deveriam deixar os duelos para aqueles que retém a coragem para tal... Sabe que não vai me vencer desta forma...

Sem perder tempo em verificar as conseqüências de seu ataque surpresa, o lufano fez o possível para que parecesse ser despropositado. Ralph girou a varinha em sua mão, contornando, de longe, a beirada do tablado; murmurou, posteriormente, uma palavra que ninguém pôde ouvir, devido à gritaria incontida dos espectadores assombrados e uma luz prateada surgiu, contornando todo o tablado em poucos segundos. Agora não haveria chances de interrupção.  

James embora detestasse as artes negras, bem, não era de todo um "bom samaritano" ele conhecia algumas coisas afinal, curioso sempre fora metido o suficiente para brincar nas coisas de seu velho pai. Sabia que tinha algo errado e aquele feitiço, mesmo sendo inaudível enchia seus pulmões com o cheiro podre do mal. Cerrou os olhos e esticou os braços os abrindo, o peito sem defesa alguma.

— Essa é sua chance... Lhe concedo o prazer de me acertar... - a voz de James saiu como um rugido, o leão desafiando a cobra dentro de um texugo - Vamos lá Ralph, é sua chance ATAQUE!

Ralph depois de ficar temporariamente atordoado com o ocorrido, levantou-se e olhou para Potter, um sorriso psicótico contornava-se em sua boca. Apontou a varinha para o adversário, girou-a, e disse:

— Crucio! - A força da magia originou o som de um trovão quando Ralph a conjurou. Enquanto a chuva ricocheteava em suas cabeças, escorrendo pelo limite superior da barreira do lufano, ninguém parecia notar que a morte estava presente, preparada para levar o primeiro que caísse em seus braços. A maldição originada do som de um trovão cortou o ar acertando James Potter na altura do coração, a dor cortou seu corpo, cada célula pareceu gritar ao mesmo tempo por clemência, Potter não suportou e seus joelhos cederam fazendo cair sob eles. A dor parecia não ter fim, James manteve sua mão firme segurando a varinha, precisava resistir e com um berro de dor que transformou-se em um rugir de um leão o capitão da Gryffindor conseguiu com toda sua força de vontade se levantar. Sua cabeça inclinava-se para baixo, sua respiração pesada e ofegante, mesmo assim não se daria por vencido. Não ali, não na frente de tantas pessoas... "Sou James Potter, um leão... Acabe com ele... Mande Meninger para o local dele.... Maldito comensal!"  - foram essas as palavras que ouvia em sua mente. Novamente ergueu seus olhos para o adversário, porém agora ele não via mais um companheiro de escola, um amigo, estava vendo agora um ser com uma longa túnica negra e máscara prateada em formato de uma caveira. Lorde Voldemort parece apreciar a aparecia do Medo, sua ralé de seguidores vestiam-se e refletiam o nome da morte, Comensais da Morte. Afinal a morte é algo que trás temor, naturalmente. No universo racional dos homens, pode-se afirmar que a única certeza da vida é a morte, no entanto, a grande maioria dos homens a temem, e se pudessem a adiariam. Porém, por mais enigmática que a morte possa ser o maroto está pronto para enfrentá-la de frente.

— Agora que sei bem com quem duelo, acho que chegou a hora de mostrar a Hogwarts e ao mundo que ainda existem bruxos dispostos e preparados para lutar contra as trevas! - James sorriu, enquanto falava levantou e apontando a varinha para o coração adversário atacou - ESTUPEFAÇA! - Enquanto o raio corta o ar na direção do bruxo, o gryffindor percebeu a bagunça nas arquibancadas... O Duelo a qualquer momento poderia ser encerrado e James não aceitaria isso! Agora não! E com uma velocidade incrível, girou e abaixando para um segundo tiro  - Verdimilious... - Nada mais existia para o garoto, agora é a hora do confronto e nele sua total atenção se centrava. Segundo ataque de espectro esverdeado cortou o ar na direção da cabeça de Ralph.

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Quando finalmente conseguiu parar de chorar, Sarah sentia o coração dilacerado por ter de ouvir as palavras de James. Mas o quê podia fazer? De certa forma tentara alertá-lo de que algo muito ruim poderia vir a acontecer mas, o conhecia bem demais pra saber que ele não se deixaria levar por algo tão insignificante quanto a um "sexto sentido" de uma garota a qual não tinha aptidão alguma pra adivinhação.

— Você sabia que iria ser um erro Sarah... um grande erro... - dizia ela andando a esmo pelo castelo, sua cabeça zumbia como se esse zumbido irritante fosse um alarme para encrencas. Queria poder acreditar em James, do fundo de seu coração talvez acreditasse. Mas a frieza com que lhe magoara fora tanta que só o que restava agora eram feridas abertas. - Se você tivesse sido forte... se não tivesse caído em seus encantos você não precisava agora estar assim...

Não notara estava indo até deparar-se com as longas escadas que levavam a torre de astronomia. Lugar onde o seu sonho havia acabado a alguns dias. Sentou-se no parapeito da janela sentindo o vento forte e gélido castigar sua face. Não sentia frio, ou medo de que algo lhe acertasse, o motivo de ter tanta certeza era porque realmente ninguém estaria se preocupando com ela, e o motivo eram os gritos, e estrondos vindos dos quatro cantos das terras de Hogwarts. Tinha ouvido enquanto entrava na escola onde seriam feitos os duelos, de onde estava, a torre de astronomia via apenas um vislumbre do Lago e campo de Quadribol. Sabia que Sírius se sairia bem, mesmo porque o conhecia suficientemente bem pra saber que o único oponente a altura a ele seria James. Não que conhecesse todas as artimanhas da corvinal que enfrentaria, mas sabia que entre o Leão e a águia, o Leão rugiria mais alto.

"Rugir..." - pensou ela novamente. Era isso que tinha de fazer, enfrentar toda e qualquer coisa que pudesse vir a acontecer. Não que sentisse o coração praticamente em pó, aliás já não sabia se existia algum dentro dela ou apenas ficara um vazio. Mas ela jamais tinha abaixado a cabeça, jamais havia se entregado daquela forma, essa não era ela. Não era!

Um raio cortou o céu rapidamente. Um estrondo forte ecoou pelos campos e um clarão veio da parte onde estava o campo de quadribol. O vento soprou mais forte e ela teve de proteger os olhos. Mas ainda conseguiu ver algo levantando-se da floresta proibida e rumando para o lado oposto de onde estava a torre. O vento era forte o suficiente para levar a árvore em direção a ponte de pedra. Sabia que estava indo para lá, de alguma forma ela sabia.

Atravessou a torre indo para o outro canto da janela, agora ouvia o som de pedras de gelo batendo nas paredes, não conseguia ver direito por causa da névoa que começara a tomar conta dos arredores do castelo, mas teve a nítida impressão de que um leão rugira dentro de si. Um aviso. Tinha pedido para Olivia ficar de Olho em James mas não conseguiria ficar ali parada sabendo que ele corria perigo. Mas o que poderia fazer? Invadir o tablado e acertar quem quer que fosse que tentasse algo contra James, e tinha certeza, não sabia o porque, mas a tinha em sua alma que algo estava pra acontecer, isso se já não estivesse acontecendo. Mesmo com o corpo começando a doer, desceu novamente as escadas, estava acontecendo algo, ela podia sentir.

O coração batia descompassado quando Sarah chegou ao último degrau da escada que levava a torre de Astronomia. Tinha praticamente metade do castelo para atravessar até chegar aos jardins internos, onde sabia que havia alguma coisa errada. Não sabia dizer o motivo, mas sentia isso como se estivesse realmente lá. Bem, de certa forma estava. Desde que terminara com James era como se sentisse praticamente tudo, se não quase tudo o que ele parecia sentir. Não sabia explicar se era exatamente isso, mas conseguia saber quando estava em apuros. Era como se um radar, como diziam os trouxas soubesse disso quase que instantaneamente. Não via o caminho ou quem estava nele, apenas dava tudo o que podia de força as suas pernas pra poder chegar a tempo. Não sabia exatamente pra quê mas tinha de chegar aos jardins. Estava a meio caminho nos corredores que levavam ao saguão quando dera um encontrão em alguém. Instintivamente puxara a varinha no exato momento em que levantara os olhos.

— Não sabia que é proibido usar varinha nos corredores Perks? - ouvira a voz arranhada e enfadonha de Mandy.

— Eu sei... mas é que como vi sua cara feia, achei que Hogwarts tinha sido invadida por trasgos... - respondeu ela - Devia manter ela coberta Mandy, os primeiranistas podem ficar traumatizados se toparem com ela no escuro.

Era tudo o que ela precisava, topar com Mandy em um corredor, e ainda por cima sozinha. Teria de se segurar para não mandá-la pra Ala Hospitalar ou socar-lhe o outro olho como da última vez. Mas a risadinha desdenhosa a fez arquear as sobrancelhas e apertar ainda mais a varinha em sua mão.

— Sempre tão espirituosa...

Mandy então com uma atitude, imaginável para uma garota como ela se aproximou de Sarah sem nenhum movimento brusco ou ofensa. O Sexto sentido de Sarah aguçou-se ainda mais.

— Não sei se seria tanto bom humor se estivesse a par das notícias...

— Mandy, vai direto ao assunto porque... seu cérebro conhece poucas palavras do dicionário então... rodeios não é o seu forte.

Notara que mesmo com o insulto, Mandy não tirou o sorriso cínico do rosto. E o tom de voz ficara ainda mais choroso.

— Não ficou sabendo?Ora ora... o Potter com certeza não te contou?

Sarah sentiu como se algo terrivelmente pesado caísse em seu estomago. A raiva que já estava a ponto de explodir, tinha certeza que Mandy fazia aquilo pra provocá-la mas não conseguia evitar.

— Own... pobrezinha da Sarinha... - disse Mandy imitando uma voz de bebê - ... Primeiro o Potter... vai saber o que vai vir agora... tsc tsc tsc... como é triste sua vidinha...

Dizer que Sarah manteve o controle, decididamente era dizer que essa não era a verdadeira Sarah Perks. James corria perigo no duelo. O som pareceu sumir dos seus ouvidos e apenas um zumbido. Não ouvia mais os sorrisinhos de Mandy, apenas o sangue pulsando em seus ouvidos. O som de um trovão ao longe ribombou pelos corredores ao mesmo tempo que Sarah sentiu a raiva transbordar de si.

— Estupefaça! - disse ela sem pensar. Não se importava se tinha de pagar o resto do ano em detenção. Não tinha tempo a perder. Lançara o feitiço em Mandy e correu pelos corredores em direção ao jardim interno onde sabia que estava sendo realizado o duelo.  Chegara praticamente no exato momento em que uma redoma protegia o tablado. Demorou um pouco pra perceber que nenhum dos ministeriais ou professores é quem haviam conjurado. O que era um absurdo, afinal, quem poderia ter conjurado aquilo. Lembrava-se claramente de Lorigan falando sobre tal feitiço das trevas em uma de suas aulas. Tinha de fazer alguma coisa mas o quê? Naquela hora, sentira um aperto terrível no peito e James caíra ao chão. Ralph estava usando um...

— Cruccio?? - disse ela arfando, só não sabia se era por correr ou algum outro motivo inexplicável - É uma maldição... porque ninguém está fazendo alguma coisa?

Ao olhar para o lado a arquibancada onde estavam os ministeriais havia virado ruinas. Parecia que toda a "segurança" estava indo para aquela direção. Sarah ficara paralisada a principio mas não por muito tempo. Ao ver ali, a poucos metros dela, cercada por uma redoma prateada, sendo atacado sem chance de defesa e ninguém fazia nada para ajudar. Não conseguia ouvir mais nada a não ser o som das batidas descompassadas no seu coração. Já não pensava em mais nada a não ser acabar de vez com aquela palhaçada. Já não era mais um torneio amistoso, agora o lufano parecia querer acabar de vez com a vida de James. Levantou o braço já armado com a varinha e estava pronta para ir de encontro ao tablado jogando feitiços quando sentiu alguém segurar forte em seu braço.

—NÂO !! Pode ser mais perigoso, você pode ser atingida!! Sarah pare!! - era Olivia.

A raiva que sentia naquela altura superava qualquer coisa. Mesmo Olívia sendo sua amiga não poderia deixar de fazer ou pelo menos tentar fazer alguma coisa.

— James está prestes a ser morto e não vejo ninguém fazer nada, Olívia... não vou ficar de braços cruzados! - disse ela tentando soltar-se mas escapar de Olivia não era tão fácil. O granizo agora castigava e batia com força contra a redoma que não os deixava penetrar. Mas a voz de Peter a fez olhar novamente para trás.

— Ufa!!! Achei que não ia chegar a tempo de impedir essa ai... - disse ele esbaforido segurando as costelas - ... então chegou mais perto do ouvido de Sarah para que somente ela ouvisse - ... Moony disse que... esse escudo prateado só pode ser desfeita se.... se o Ralph ficar inconsciente - então voltou a olhar para Olivia e para a garota - Agora é com o Prongs...

— Me desculpa Peter mas não vou ficar aqui assistindo essa palhaçada... - disse voltando sua voz para a frente outra vez. James já não estava mais no chão mas mesmo assim, havia realmente algo errado com ele. - Tem de haver alguma coisa que possamos fazer... e se juntarmos três feitiços...

Respirou fundo, não custava tentar mesmo por que não tinha nada a perder.

— REDUCTO!!! - Um raio branco azulado saiu rasgando o ar com velocidade batendo com força na redoma.

— Pode ser que dê certo... BOMBARDA!  - O feitiço de Olivia atingiu a redoma enquanto raios e trovões cruzavam o céu acompanhando com fúria os acontecimentos, o que acontecia parecia um efeito dominó rápido e em sucessão.

— Charoneus - Gritou Peter, e Cinco bolas de fogo saíram como balas da varinha do Maroto percorrendo a distância entre eles e o tablado. O garoto viu seu feitiço atingir em cheio a redoma assim como o raio prateado de Sarah e o feitiço de Olívia ao mesmo tempo que outro raio da tempestade cortara o céu negro. - Tomara que isso tenha funcionado...- Era difícil saber se realmente a junção dos feitiços seria o suficiente embora soubesse que não tinham tantas chances assim. Houve um clarão e várias coisas acontecendo ao mesmo tempo. Porém, a redoma não tinha nem um arranhão

Sarah não sabia descrever o que sentia, bom talvez fosse um misto de raiva e ansiedade. Não estava em um dos seus melhores dias e sabia exatamente o porquê. A reação fria de James contribuiu para que explodisse de vez com ele enquanto estavam na sala precisa. Mas convenhamos, pra alguém cujo o temperamento é forte, imprevisível e impulsivo, não há quem fique tranqüilo com tantas emoções ao mesmo tempo. Realmente estava magoada com James. Pra ela, tudo o que fora dito naquele dia, as palavras de carinho haviam evaporado depois de vê-lo fingindo como se nada tivesse acontecido. Ela não era tão boa atriz assim, e talvez por essa péssima técnica caíra em sua conversa tornando-se mais uma na lista enorme de troféus. Pensar nisso era revoltante. Mas não podia ficar remoendo-se sempre, era sim difícil encarar James nos olhos. Não por ele ter lhe enganado mas por ela mesmo ter sido tão estúpida ao ponto de deixar-se enganar. Infelizmente não se manda nas coisas do coração e o dela estava completamente tomado por ele. Não mentira quando disse que seu coração pertencia a ele, e não tinha como fingir não sentir o que sentia. Talvez fosse por isso que, por seu coração estar tão tomado por James que o sentira apertar no peito. Uma terrível angústia a tomar conta de si e sem ao menos dizer o motivo saíra em disparada rumo aos jardins internos.

Era como se seu coração lhe avisasse de que algo ameaçava a vida de James, e embora não estivessem mais juntos seria um tanto difícil quebrar essa ligação entre eles. Não foi difícil entender o motivo de estar tão nervosa. Nem bem chegou dava de cara com Ralph acabando de lançar um Cruccio em James. Podia não ter ouvido mas era como se seu coração tivesse levado uma facada. Sentira o ar sumir dos seus pulmões e então, no impulso tentara fazer alguma coisa. Mas a junção dos três feitiços não fora uma boa idéia. Esquecera-se por completo sobre a redoma. Como pudera cometer um erro tão primário? Bem, garotas com muita coisa na cabeça tendem a esquecer de algumas. E por essa razão, os feitiços lançados foram refletidos praticamente na mesma hora. Claro para pontos diferentes. Por uma fração de segundos, ela achou que funcionaria. Mas, nem bem eles tocaram na barreira se dividiram outra vez fazendo um deles voltar em sua direção. Não tivera muito tempo pra pensar em se defender, contudo a varinha estava em punho, a única coisa que pensou foi em conjurar um escudo com o Protego, esperava uma forte pancada mas, não fora bem isso que veio. Ali, em pé ao seu lado havia alguém. Derick, o bonitão corvinal que havia lhe enviado uma rosa com melhoras estava parado com a varinha em punho. Demorou um pouco pra notar os "caquinhos" de madeira. Os olhos azuis elétrico do garoto lhe deixaram um pouco em choque mas o que lhe chamou a atenção fora uma luz verde que iluminou a cúpula. Sarah sabia o que era, não precisava ser expert pra saber que o lufano acabava de conjurar a maldição da morte.

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A tarde chuvosa castigava às terras da escola de magia e bruxaria de Hogwarts; uma forte tempestade de granizo.. Os poderosos clarões dos raios misturam-se aos fortes trovões. O vento enfurecido joga água, gelo e espalha o frio pelas arquibancada e tablado.  O garoto James de gênio forte, extremamente sociável e com talento nato para encrencas mostrava deter um conhecimento mágico muito acima do nível normal dos bruxos; quando Gryffindor pronunciou-se a favor dos fadados a grandes feitos previu a vinda de um grande descendente em sua linhagem; aos treze anos tornou-se animago de forma ilegal, aos quatorze – com os amigos – criou o mapa do maroto, aos quinze sua oclumência e legilimência atingiu níveis elevados de força e eficiência. Podemos também registrar os prémios académicos que conseguira, poderíamos também concluir que apesar de ser um menor já possui responsabilidades e poderes de um bruxo adulto.

Tanto que o duelo começou a ganhar proporções diferentes, relevante é o fato de Ralph parecer não ser o mesmo de dias atrás, o uso de magia negra mostra a todos presentes a mudança drástica na vida do jovem lufano. Afinal o adversário honrado mostrou-se um bruxo sem escrúpulos e cruel. Meminger mostra ao atacar Potter com a Cruciatus que aquele duelo não é mais apenas uma disputa pelo titulo, o lufano está disposto a tirar a vida do maroto.

Uma grande batalha dentro do coração de James começou, uma batalha emocional, espiritual e ideológica. "Ralph não é assim..." Os pensamentos confundem o garoto... "Mesmo que esteja sob a Imperius preciso detê-lo..." James atacou, porém agilmente o lufano desviou o ataque estuporante do grifinório... " Se estiver sob maldição ele é inocente de seus atos..." O segundo ataque cortou o ar com mais velocidade do que o primeiro, mas novamente o comensal bloqueou e neste instante a confusão acabou: "Mesmo que seja um fantoche, vou detê-lo... Nem que eu tenha que matá-lo!"

Muitos fardos recaem sob os ombros de Potter, entretanto o fardo de ser um herói não; sempre soube que sua missão não é a de salvar vidas e sim de ajudar aqueles que carregam o dever de salvar o mundo. Pais aurores, idealistas, honrados e nobres; pais estes que o criaram como um lorde ingles: ganhará sua primeira vassoura mágica real aos três anos e aos cinco a primeira varinha. A exemplo dos pais, James guiou sua índole no caminho do bem e da ordem, entretanto existem traços fortes em sua personalidade de; um bruxo nobre de linhagem pura. O que por vezes faz Potter parecer arrogante e com sua confiança em si próprio e nos amigos provoca um certo repudio por parte dos comensais da morte e seus partidários. James não é um herói, mas é um dos capitães na guerra contra as forças de Voldemort. Agora sua vida está ligada a queda das trevas e mais nada importa!

O Visgo do Diabo começou a ficar inquieto com os clarões da tempestade, a gritaria, o barulho dos trovões e a força dos ventos. Suas raízes, tentáculos e galhos lançaram-se ao tablado; agora é a hora de castigar esses insolentes. Ataques inúteis, apesar da força e ferocidade do visgo a maldição do escudo de prata impediu o avanço da planta. Das arquibancada próximas ao tablado feitiços, azarações e maldições foram lançadas contra a prateada e esfumaçada barreira e esta comprovou sua eficácia novamente. A concentração de James Potter é com tudo uma disciplina, ele abstrair toda a existência ao redor do duelo, para ele não existe mais nada a não ser seu duelo contra um "Comensal da Morte". Esse é o último teste, iria provar que estava pronto para ser respeitado como um soldado contra as artes das trevas. Bastava derrotar o "Comensal". Agora não existe mais nada á fazer, é necessário tomar o controle total da situação para que o próximo disparo o comensal caía derrotado.

— Bem, você mostrou, não é mesmo? - disse o Lufano com um brilho insano no olhar. Entretanto James já sabia o que ele falaria e já sabia também que Meminger reprimiria uma risada.

"...insolente, um inútil, um idiota... UM FRACO!". - pensou James, como poderiam usar alguém como ele, um inocente para atingi-lo?

— Mostrou que é um insolente, um inútil, um idiota... UM FRACO! - bradou o lufano.

A força de vontade e concentração somados com as condições do duelo fizeram despertar em James a sua capacidade e seu talento. Antes mesmo de Ralph mentalizar o feitiço para desarmar, James também não verbalmente atacara para defender-se. A velocidade de sua azaração do impedimento fez com que o ataque do "comensal mirim" resultasse em uma explosão causada pelo choque entre os dois feitiços à menos de dois metros de Ralph Meminger.

— Ainda estou em pé... Você mostra-se cansado... E eu sou um homem de palavra! – O sorriso maroto estampado nos lábios de James, seu olhar fixo e com um brilho de glória. O garoto sabia que sua presa caiu na armadilha.

 - Às vezes me pergunto se o mundo estaria a salvo com você no comando, mas depois desses sinais de infantilidade, percebi que a resposta é não. - zombou o lufano. Seu olhar vazio, como parecia que estava seu corpo.

Pontas já conhecia todas as baboseiras que Ralph iria dizer e quais e de onde partiriam os próximos ataques descontrolados, bom praticamente todos. Tolo, acreditava mesmo que poderia vencer James Potter? Com um único movimento conjurou uma barreira que segurou as duas azarações planejadas pele mente desesperada do lufano. Um golem de pedra de dois metros e meio de altura segurando no braço esquerdo um enorme escudo redondo e na mão direita uma clava surgiu entre os duelistas. Nada passaria entre eles enquanto o conjurado ficasse em pé na defensiva. A azaração da perna-presa foi bloqueada pelo escudo do gigante.

— Sabe, Potter... faço questão que você me ouça sem interferir... Estupefaça! -  berrou o lufano com um movimento rápido.

— Você fala demais... tanto que atira contra minhas defesas inutilmente... – James deu dois lentos passos para frente e depois que a azaração sem espectro ou sinal de existência colidiu contra o escudo do golem e explodiu sem causar dano algum ao gigante e muito menos contra James, sutilmente com um rápido movimento de varinha fez o gigante desaparecer, mais dois passos, frente a frente – Então qual é o próximo passo? – Perguntou irônico.

 

— Você consegue enxergar um mundo sem suas interferências? Com certeza ficaríamos melhor sem elas... AVADA KEDAVRA! - Agora era fato, era a certeza de que Ralph Meminger estava sob efeito de um Imperius.

O brilho verde esmeralda contrapôs a escuridão, o raio de luz fria cortou o ar para o peito do leão. James não era um apanhador e exímio jogador de quadribol a toa, em uma manobra de corpo, se desviara da maldição, e agora era sua vez, um golpe, um único disparo e teria o fim. A maldição destruiu um pedaço do tablado.

James percebia que Ralph estava pasmo, não acreditando no que havia acontecido. Assombrado – sua cara dizia isso – mesmo sob influência da Imperius não parecia acreditar na mudança do rumo de um duelo que pareceu estar em suas mãos.

James avançou um passo com o pé direito e com um movimento de ataque... "Avada Kedavra"... As palavras formaram-se em sua mente, porém ele não rogou a maldição. Poderia tirar Ralph de circulação até averiguarem seu estado, sem precisar matá-lo. Escolhera um lado, e sabia que seria forçado a matar e a usar artes das trevas no futuro, mas este não é o momento para isso. - D E P U L S O!! - disse o garoto fazendo um floreio com a varinha.

James Alex Potter disparou a azaração. Uma forte luz branca rouba a cena atravessando a distancia entre os dois. No exato momento em que ah azaração toca o oponente de James o escudo se desfaz, o visgo avança e Ralph Meminger voa para trás com a força do ataque caindo sobre a planta completamente desacordado e sem poder fazer nada.

Com a maldição do escudo de prata destruída milhares de informações invadiram seu campo de visão mas uma se destacou mais que as outras. Viu Sarah ali sendo amparada por Derick assim como Olivia e Peter. Sentiu uma certa preocupação sobre seus pais estarem presentes, tinha que avisá-los, haviam muitos ministeriais ali.  Mas o coração acelerou tanto a ponto de o fazer cair sobre um joelho. Sua respiração estava ofegante. Não sabia dizer o motivo, talvez a adrenalina, o calor da batalha. Lorigan se aproximou dele e o amparou, finalmente o duelo tinha terminado.

—_________________________

 

Sarah estava sentada agora na pequena mesa de estudos no canto mais afastado da torre da gryffindor.  Quando fechava os olhos, ainda sentia o sangue sumir do seu rosto, o coração parar enquanto via o feitiço da morte seguir rumo a James. Tudo bem que podia estar magoada com ele mas sabia que não conseguiria viver sem ele. Era melhor longe mas vivo do que eternamente distante.

Todo o ar em sua volta parecia se solidificar e a sufocar de tal forma que não conseguia respirar. O tempo parecia parar enquanto ela via a trajetória daquela chama verde ir em direção a única pessoa que lhe importava agora. Mesmo querendo desviar os olhos ela não conseguia. Sentia as pernas amolecerem e tinha certeza de que iria desmaiar. Sua varinha? Acabara deixando-a cair sem perceber. Queria pensar que tudo aquilo tinha sido um terrível pesadelo. O barulho de algo destruindo parte do tablado conseguia ouvir. Um frio percorreu-lhe o corpo assim como se ela mesma tivesse sido atingida. Mas para seu alívio, James estava vivo. Bendita seja a má mira de Ralph por ter errado o feitiço. Recordava-se de só ter tornado a ver alguma coisa quando a azaração saiu da varinha de James cortou a distancia em um raio de luz branca acertando Ralph diretamente no peito. O escudo que protegia o tablado se desfez rapidamente e então Sarah ouviu o Grito de Peter para alguém ajudar. Ficara um pouco em estado de choque. Peter parecia estar se recompondo do feitiço também e Olivia estava com as vestes sujas mas no entanto parecia contente. Sarah queria poder respirar aliviada, queria poder dizer que não estava nervosa ou algo do tipo mas não conseguira emitir nenhum som. Olhou para o lado onde um dos feitiços fora repelido e apenas uma única lembrança lhe veio a mente. Aquela de ver Bellatrix Black passeando por Hogsmeade.

A garota abriu os olhos com fúria,  seu rosto cobriu-se de raiva, quem mais precisaria morrer em nome daquela briga? Bom, agora já não era apenas uma rivalidade inocente, era a luta entre o bem e o mal, a luz e a escuridão. E ela faria de tudo o que pudesse pra impedir que mais pessoas sofressem.

— Bellatrix...  - murmurou ela baixinho. Tinha certeza de que havia o dedo podre daquela cobra nessa história. Mas por que motivo?

O baque de tudo acontecendo era muito forte, Sarah não sabia de onde buscaria forças para poder suportar o que sentia. Mas mesmo com esse turbilhão de emoções, uma coisa era certa. James tinha seu caminho traçado e ela não fazia parte disso. Sempre soubera mas talvez estivesse cega demais pelo amor que sentia por ele ou não queria ver a verdade. Com tudo era forte o suficiente para não deixar-se abater, realmente seus sentimentos poderiam estar desestabilizados mas tinha um objetivo, e já tinha perdido muita coisa em nome de sua dependência. Ela não era assim, não era a Sarah que não tinha medo, que lutava pelo que queria, não importando o quanto ou o que quer que fosse que precisasse enfrentar?

O Real objetivo agora era como lidar com as cobrinhas sonserinas, havia tentado avisar sobre Bellatrix mas por algum motivo, perdera a calma e essa informação se perdera, ou melhor, não fora dada a devida importância. Agora a questão era, porque ou o que Bellatrix fizera com Ralph. Tudo bem que ele estava fora de si, mas que tipo de feitiço ela poderia ter usado?

“Imperius...” – pensou ela, mas não tinha certeza de que isso talvez pudesse ser uma opção viável, sabia sobre os detectores de Artes das trevas, sem falar que duvidava que alguém do sétimo ano assim como ela pudesse fazer tal magia, ou será que poderiam? “- ... E quem garante que não tem ajuda para isso...”

Um grupo de grifinórias entrou dando gritinhos e cantando animadas. Ela, Sarah no entanto continuou a olhar para fora. Levou a mão até o peito procurando seu cordão e então lembrou-se de que não o tinha mais. Dera a James.

— Caraminholas na cabeça? - ouviu a voz de Sírius e então virou-se de repente - Pensei que seria a primeiro rosto que eu veria depois de derrubar a Corvinal...

— Oi Sírius... - disse com um falso sorriso, suas preocupações eram muitas para poder expressar por completo sua alegria por ele ter vencido.

— Nem um beijinho de campeão? - perguntou o garoto fazendo beicinho.

— Deixa o capitão ouvir você pedindo isso e ele vai usar sua pele para fabricar tamborim. - dizia Remus que chegava no local. - Dumbledore quer ver você, acho melhor não se atrasar.

— Tudo bem... desmancha prazeres... - respondeu Sírius mostrando meio palmo de língua para o amigo.  - Por que Dumbledore está querendo me ver?

— Bem... - disse Remus com um olhar sério - ... talvez porque seu melhor amigo quase foi morto por um avada no duelo dele.

Isso pareceu mexer com Sírius pois ele nem esperou os cumprimentos dos que estavam chegando, simplesmente disparou rumo a saída da torre deixando todos se perguntando o que ele tinha. Sarah então sentou-se, era visível que não estava bem e isso não passou desapercebido de Remus.

— Pettigrew me disse o que tentou fazer... - respondeu ele - ... eu teria dito que aquela cúpula não iria se desfazer tão fácil mas estava no duelo do Cachorrão.

— Ele me disse... - respondeu a garota em meio a um suspiro - ... a questão não é exatamente essa... eu avisei ao James antes... disse que ia acontecer alguma coisa...

— Como assim avisou? - perguntou Remus sentando-se ao lado dela, tinha de reconhecer que estavam se tornando bons amigos. O monitor parecia ser o mais sério dos quatro marotos. - Anda... me conta logo.  

Sarah então contou exatamente o que viu durante sua visita a Hogsmeade, e também a sensação que teve. que no final se provou verdadeira. Remus levou a mão ao queixo e então a encarou.

— Sério aquele cabeça de vento precisa começar a ouvir os outros... - disse ele parecendo incomodado.

— Olha... eu até entendo que ele não queira me ver... - Sarah não sabia ao certo o que estava falando mas era essa a impressão que ela tinha depois de ter falado com ele - ... mas devia ter levado a sério o que eu disse... eu tentei, juro Remus mas... - nessa hora, sentiu era vontade de socar a cara de Potter por isso mas como era de se esperar que ele pelo menos usasse a cabeça.

— Acho que temos que temos que começar a agir com o a AG logo... - disse Remus pensativo.

— AG? - perguntou Sarah confusa.

— Ah... bem, achei que como iríamos formar um grupo de estudos... - respondeu ele -  que pelo menos tivéssemos um nome.

— E...  AG seria a sigla de quê? - perguntou ela.

— Armada Gryffindor... - respondeu ele. - James foi quem teve a idéia...

— É bem sujestivo... - disse ela - ... mas voltando ao assunto do duelo... eu não acho que Ralph seria capaz de usar magia das trevas por livre e espontânea vontade... ele não é assim...

— Nisso você está certa... - disse ele - conheço o Ralph, não tão bem é claro, mas ele sempre foi uma pessoa boa, nunca teve nada contra qualquer outro bruxo que eu conheça. Se você viu as cobrinhas se esgueirando por Hogsmeade... com certeza eles estavam aprontando.

— Bem, vi também Lily se encontrando com Snape... - disse Sarah lembrando-se do que tinha visto no três vassouras. - ... olha, faz dias que ela anda estranha... arredia... não está parecendo a Lily que a gente conhece.

— Eu sei muito bem o que quer dizer... - respondeu ele com um suspiro - ... tentei falar com ela mas sempre que tento me aproximar ela arruma uma desculpa e desaparece de vista. Peter andou sondando sobre o que ela estaria fazendo na sessão reservada e tem a mais absoluta certeza de que ela está lendo sobre magia negra.

— Mas hein? - perguntou a garota. Lily era monitora, sempre foi responsável, imaginava qualquer um mexendo com artes das trevas mas ela? - Você acha que ela faria algo assim?

— Sinceramente... - agora ele estava tão sério que Sarah acabou sentindo uma fisgada no estomago. - ... já não reconheço mais a Evans, ela se empenha tanto em fazer Snape mudar que eu acho que ela é quem acabou mudando.  - Ele então respirou fundo mais uma vez e sorriu, mas a garota viu que não era um sorriso de fato. - Acho melhor ir monitorar os corredores, vejo você mais tarde.

Sarah viu Remus sair novamente rumo a passagem do retrato. Se realmente Lily estava estudando artes das trevas, era melhor ela ficar de olhos bem abertos.



Notas finais do capítulo

Espero que gostem pois a treta vai ficar MUITO PIOR depois disso... kkkkk divirtam-se e comentem ^^



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