O Diário de Samantha Queiroz escrita por AnaAlice


Capítulo 5
Segunda. Em casa.





A partir de agora sou amiga de infância da Marina Flunder!

E sou mesmo! Não é metaforicamente não! Descobrimos que eu, Sam Queiroz, sou na verdade Samantha Sousa e que a Marina Flunder é a Mari. Éramos amigas no 2° ano do fundamental. Tá, tudo bem que eu sabia que a Marina morou na França dos 7 aos 11 anos (toda a escola sabia. Ela fez questão de contar a todos) e que a Mari foi pra França com 7 anos também, mas nunca liguei o fato a pessoa.

Num belo dia, a Joana faltou e a Carmem também, o que causou o fato dela se sentar ao meu lado. Quando nós estávamos conversando eu soltei que tinha estudado no Educandário João de Almeida aí ela se ligou: “Ela se chama Samantha, tem Sousa no sobrenome, já estudou no Educandário... pode ser a Samantha Sousa!” Aí veio me chamando de Samantha Sousa a aula toda. Eu até agüentei, mas chega uma hora que enche e eu disse:

- Você poderia me chamar só de Samantha ou Sam Queiroz? Porque eu não gosto do meu sobrenome Sousa...

 E ela falou:

- Ah! Então é por isso que ninguém te chama mais de Samantha Sousa desde a 1° série, né? Desde que eu fui pra França.

Aí que eu percebi: 1° série, França, Samantha Sousa... Mari... Olhei com cara de incredulidade pra ela e ela sorriu.

- Isso mesmo amiga! Quanto tempo! Você continua a mesma maluquinha e avoada de sempre.

 E assim eu reencontrei minha amiga de infância que eu achava que não veria nunca mais. Nós estávamos perto sem nenhuma das duas saber.

O que adiou por cinco anos essa descoberta foi toda a hierarquia escolar com aquela baboseira de populares e impopulares (onde ela fazia parte do primeiro grupo e eu do segundo. Digo ‘fazia’ porque agora não dá mais pra fugir: Sou popular) e o fato de ninguém me chamar de Samantha Sousa desde que eu decidi que negaria o nome do meu pai.

Eu também mudei bastante fisicamente. Quando eu tinha sete anos eu realmente era morena clara, usava cabelo curtinho com franjinha e ainda nem era míope.

A Marina também mudou, mas ao contrário de mim que era mais bonita quando tinha sete anos, ela era mais feinha (sem querer ser cruel). Usava aparelho móvel e só ia pra escola de rabo de cavalo. Agora ela é simplesmente a mais bonita, querida, copiada e inteligente de toda a escola (segundo as últimas enquetes feitas pelo fan club “Amamos MF”) e como conseqüência disto tudo: é a mais popular. O que a França não faz por uma garota?

Vi agora que exagerei com a diferença entre mim e Marina Flunder dar número irracional. Como sou dramática! Nem somos tão diferentes assim... Tá bom! Somos bem diferentes mesmo assim! Você venceu!

Mas mudando de assunto: Você deve estar se perguntando o porquê de eu odiar tanto o sobrenome Sousa que eu herdei do meu pai. Ah! Isso é uma longa história... Ele deixou minha mãe quando eu tinha sete anos pra ficar com sua amante que ele tinha engravidado. Isso mesmo. Com a AMANTE que o cretino engravidou.

Foi até melhor ele não ter me criado, mesmo. Que tipo de pessoa eu seria com ele como exemplo? Sinto pena da menina que é filha dele, a Lucia. Ela estuda na Pedro II e é da mesma turma que o meu primo, Marcos. De vez em quando eu vou buscar ele na escola e converso com ela. Coitada. Eu me lembro do meu “pai” chegando tarde em casa, bêbado e brigando com a minha mãe. Não entendo o que uma pessoa tão íntegra e respeitosa como a minha mãe viu nele...

Queria poder trazer minha meia-irmãzinha pra morar comigo. É muito triste não poder conviver com a minha própria irmã, mesmo sabendo que ela precisa de mim. Queria poder concertar tudo isso. Mas como não posso... Acho que só me resta ver TV e imaginar como poderia ser...





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