Ps: Dont Write escrita por KILL JOYS


Capítulo 9
Things Aren't Getting any Better





PS: Don't Write

Chapter Nine: Things Aren't Getting any Better

O dia amanheceu diferente dos outros. No calendário consguia-se contar mais um pouco do que trinta dias para o natal, e o frio parecia martelar uma construção de inverno na porta de minha casa – mas não posso deixar de confessar que estou ansiosa para ver a neve.

E mesmo não sendo ainda natal, já estava com um grande presente, engulo a palavra problema, nas mãos. Naruto estava voltando. Não, ele não estava só voltando, ele estava chegando. Dois dias. No caso, terça-feira pela manhã. O pior não era o fato de sua presença em si na casa, aliás, já tinha um certo tempo que sua participação em minha vida tornou-se quase essencial. Mas tinha algo mais...

Vale apena ressaltar, que os espasmos, os “altos e baixos”, as excessões dessa história se baseam sempre em uma única pessoa: Uchiha Sasuke.

Apesar da boa cara de domingo, eu não saí da cama logo de primeira. A última frase de Naruto antecipada de um Até logo foi o suficiente para me deixar fitando o teto algum tempinho. E veio em minha mente tudo, cada detalhe, cada erro, cada fato. E esses pensamentos me fizeram amanhecer fria como o céu, e confusa como minha cama.

Naruto não estava chegando, ele estava aqui.

Por que, queira eu ou não, ele não deixou a casa, como se houvesse um dia a possibilidade dele nunca mais voltar. Ele apenas viajou durante alguns dias, e deixou aqui comigo seu sobrenome, sua casa, suas coisas, sua xícara preferida e um monte de tralhas de sua cor favorita. Ele me deixou cuidando de tantas coisas, e eu tornei supérfluo tantas mais.

Suspirei. Ficar pensando não iria me ajudar em nada, iria? Ao pensar na palavra ajuda, automaticamente as coisas se organizaram na minha cabeça, e meus olhos procuraram o despertador. Nove horas. Tinha um encontro marcado às onze horas da manhã na casa de Hinata, e não poderia, deveria me atrasar.

Levantei em um pulo e tomei uma ducha gelada, precisava acordar de algum jeito!

9:45 da manhã : Banho tomado, café digerido e louça preparada para ser lavada. Deixei minha casa com a mesa arrumada e a cama do mesmo estado em que deixei. Fazia um tempo que eu não ia na casa da Hyuuga.

Hyuuga Hinata. Diferente de Ino, nós sempre fomos muito amigas – não tivemos essa fase de melhores inimigas, melhores amigas, conhecidas, quase amigas, dentre outros – e sabia como deveria esta a situação em sua casa. Alguma coisa com seu novo namorado deu problema, seus cabelos devem estar presos, os olhos inchados de tanto chorar, o pote de sorvete e o sofá fora do lugar.

Suspirei. O sinal vermelho me atrasou 1 minuto, e já eram dez da manhã. Quase no bairro de Hinata, que ficava parcialmente longe de minha casa, recebo uma mensagem de celular, sendo Sasuke seu remetente. Dizia algo como precisava me ver urgente nessa manhã, e pela milésima vez, eu me perdi na impaciencia.

Mas independente se estava impaciente ou não, não pensei duas vezes antes de ir fazer as duas pequenas e urgentes vontades – dirigi para o local de encontro, uma cafeteria que sempre vamos pela tarde, quando trabalho no hospital.

Quando cheguei já me encontrava atrasada para o encontro na casa de Hinata, então não me incomodei em ir rápido porcurar a cabeleira escura que eu já tanto conhecia. Uma, duas, passei três mesas antes de enfim encontrar onde Sasuke estava sentado.

Sorri abertamente antes de sentar, para então olhar para seu rosto pálido. Os cabelos entravam na frente do rosto, e os olhos pareciam mais escuros que o normal.

“Sasuke, isso... Isso na sua boca é sangue?” Perguntei meio aflita. Levantei meus dedos em direção a borda de sua boca, onde uma pequena marca avermelhada se encontrava. E diferente de tudo que eu imaginei, Sasuke bateu em minha mão e limpou o sangue ele mesmo. Olhei desconfiada.

“Desculpe, é que eu... Eu tenho algo importante para falar hoje” Ele me disse rápido e hesitante, e eu quis chorar. Engoli a chance das lágrimas virem, e foquei meus olhos em um lugar em que eu não me entregasse, demonstrando estar perturbada por um pequeno ato como aquele.

E Sasuke sorriu para mim, de uma forma tão diferente de todas as outras, que eu me obriguei a enterrar aqueles lábios na minha caixa de memória mais reservada. Foi um sorriso triste, intenso, talvez o mais verdadeiro, e o mais apaoxinante. Aquele sorriso era o Sasuke naquele momento.

E eu pedi, por favor, que ele faça mais uma gracinha.

“Eu também tenho algo importante para dizer” Eu comecei receosa. Não sabia se queria contar sobre a volta de Naruto. Digo, Sasuke não tem nada a ver com isso. Não é como se fossemos amantes, ou algo do tipo. Somos, espero que, amigos. E ele se levantou tão rápido, que eu custei a assimiliar as suas primeiras palavras.

“Não eu só.. Eu... Muito obrigado, Sakura. Por tudo” Dizendo isso ele se curvou para deixar um papel em cima da mesa, que eu reconheci nele sua letra curvada, e um beijo em minha face, antes de sair rasteiro. Pedi um café.

Eu realmente não estava entendendo porra nenhuma, e meu mal humor não ajudava em nenhum aspecto. Decidi por então, ler o recado que tinha no pedaço de papel.

Sakura,

Espero que já tenha aprendido a ler minha letra, e espero que não tenha se acostumado com ela.

Sabe, eu estive pensando em um conto de fadas esses dias, e cheguei em muitas conclusões pela manhã.

Por exemplo, quando nós temos um PS: vazio, é uma dica. Sabe, dessas que sempre valem pra alguma coisa. Uma dica como... Não escreva de volta, por que não terá resposta.

Porém, esse conto me fez pensar em coisas boas também. Por exemplo, como o gosto do seu batom é doce. Doce como um adeus.

Não tem palavras belas que signifique e exemplifique minhas sinceras desculpas por me despedir desse jeito. Não espero que entenda, mas por favor não tenha raiva de mim.

PS: Dê um olá para Naruto, quando ele estiver de volta.

Não sei dizer quantas vezes eu li e reli aquele bilhete, e não sei dizer por que não consegui jogá-lo no lixo. Levantei-me da mesa deixando o dinheiro e o café intocável, e entrei no carro atônita. Joguei o papel na minha bolsa, e suspirei tão pesado, que senti minhas lágrimas surgirem mais densas.

Então Uchiha Sasuke estava se despedindo de mim?

Me perguntei quais seriam os seus motivos para estar fazendo tal coisa de forma tão inesperada e desesperadora. E eu me senti um lixo. Eu fui incapaz de ser fiel ao meu marido, e deixei-me cair nas garras de uma beleza superior durante tão poucos dias, e me apaixonar de forma tão intensa, que um bilhete já me deixava mal.

Extremamente mal.

Talvez, eu nunca tenha me sentido tão mal em toda minha vida amorosa.

Não reclamei.

Talvez, eu estivesse merecendo aquilo.

Talvez, talvez, talvez. Foi nesse monte de meias chances que eu me perdi nos olhos de Sasuke. Quis bater o carro e acabar com todos esses problemas. Porém, antes disso, exatamente às 11: 15horas, eu tentei ligar para ele, esperando alguma resposta.

Chamou sete vezes e desligou. Li o bilhete mais uma vez e refleti sobre tudo aquilo que aconteceu em 16 ou 17 dias, já nem me lembro mais. E percebi que esse era o meu problema. Não tinha nada melhor para me acontecer nesse momento se não esse bilhete de Sasuke. Por que, queira eu ou não, uma hora isso haveria de acontecer.

Eu não poderia ficar sempre em uma vida dupla, e eu não sei se gosto suficiente de Sasuke para abandonar meu casamento fortalecido por sua causa. E me agredici nesse momento por nunca ter pensado nisso. Por que se Sasuke foi capaz de me deixar, sem motivos ou justificativas, de um dia para outro, caso eu troque Naruto por ele será a mesma coisa, não?

E sim, eu sou uma tremenda medrosa. Mas eu já não tenho medo, e sabe, já me acostumei. Já me acostumei a me acomodar a situação, e simular os milhões de passos errados que eu daria caso saísse da situação acomodada.

Não me restava mais nada se não voltar para minha casa, e viver minha vida. E foi nesse curto período de reflexão que eu vi um carro bater no meu, ainda no estacionamento da cafeteria.

Tem como meu dia ficar pior?

O choque do carro foi extremamente intenso, e eu pude sentir a traseira do meu carro novo ser esmagada. Saí do carro ainda meio assustada, pegando meu celular e a bolsa que estavam no banco do lado, já indo logo procurar o documento do carro.

“Mil desculpas.” Olhei para cima escorando minha bolsa na barriga, e quis jogar tudo para o alto. Por que as pessoas bonitas não aparecem no colegial, e sim quando eu estou casada e toda enrolada?

Os cabelos brancos e atrapalhados tampavam um dos olhos de quem estava na minha frente se desculpando por ter batido de forma violenta em meu carro. As palavras não saíram da minha boca.

Os seus olhos escuros me lembravam o do Sasuke, não pela cor em si, mas sim pelo desenho. O formato dos olhos, o designer que conseguia mostrar e esconder todas as coisas necessárias e supérfluas.

“Você está bem?” Me perguntou, e eu balancei a cabeça positivamente. “Eu estava distraído, perdão” Pude ver – ao observar de forma tão intensa sua face – que seus olhos estavam cansados, e seu rosto marcado.

Ele estava como eu. Chorando.

“Sem problemas, eu-”

“Eu pago o concerto do seu carro. Eu realmente sinto muito, eu...” Suas palavras se atropelavam pelo nervosismo, e eu ri acanhada. Seja quem for, me fez esquecer Sasuke por 2segundos. Não só por ser intensamente mais bonito que ele, mas também por me ter feito assustar e rir nessa situação tão aflita.

“Hey, calma.” Ri ainda mais um pouco. “Qual o seu nome? Acho que está nervoso, vamos entrar, vou pedir uma água.”

“Kakashi. Hatake Kakashi. A senhorita é...?” óh, senhorita. Quanto tempo não escuto me chamarem desse jeito, depois que virei doutora.

“Uzumaki Sakura. E em relação ao concerto, pode deixar. Acredito que não foi sua culpa” Confessei. Talvez Kakashi estivesse passando pela mesma coisa que eu, e ambos só estávamos nervosos por algo que foi realmente um acidente. Pensei. O concerto ficaria caro, e eu teria que falar com Naruto. Suspirei.

Claro que o problema não era dinheiro. Tanto eu, quando Naruto ganhavamos muito bem, mas o fato de que precisaria tirar uma grande quantia do banco me fazia requerer sua permissão e consciencia sobre o ocorrido.

Dessa vez eu tomei o café, e mesmo sem ter bebido o anterior sabia que esse estava mais forte. Vi Kakashi se acalmar, e ele decidiu se justificar.

“Me desculpe. Eu acabei me distraindo, por que aconteceu de...”

“Uma pessoa terminar com você do pior jeito possível?” Perguntei baixo, minha voz saiu como um sussurro, e ele me olhou impressionado.

“Como você...?” Perguntou, terminando de beber o café.

“Instinto. Bom, se quiser falar sobre isso, sou todo ouvidos.” Disse dando ombros. Ele sorriu fraco, e olhou para cima. Mal conhecia Kakashi e já podia julgá-lo bastante emocional.

“Bom, er... Está tudo bem. Acho que já estava para acontecer isso há um tempo.”

Eu abri minha boca para soltar as tantas palavras de consolação que estava guardando para Hinata e para mim mesma, mas uma voz estridente e incômoda chamou meu nome. Olhei para trás, pedindo infinitamente para que a voz não seja de quem eu acho que é, e que meu dia não estava mesmo piorando.

“Sakura, linda! Que coincidencia maravilhosa te encontrar aqui, estava precisando conversar com você.” Olhei para trás, e vi os longos cabelos vermelhos atormentarem minhas vistas. Os óculos muito bem colocados em cima dos olhos, e a voz desarrumada.

Karin.

“Oi, Karin, quanto tempo. Desculpa te decepcionar, mas eu preciso ir andando. Acabei de bate meu carro” Eu disse fingindo uma desculpa. Não estava ligando para o carro, ou para sua traseira deformada. Sorri torto, e acho que Kakashi percebeu.

“Não me importo, posso ir com você. Preciso conversar sobre algo importante.”

“E o que seria?”

“Sobre Naruto. Óh, não, melhor: Sobre Sasuke”

Engoli seco. Hinata teria que esperar.



Notas finais do capítulo

E... olá!
Acho que tem um tempinho que eu não venho deixar uma nota interessante aqui, não é mesmo?
Bom, antes, gostaria de desejar um bom natal hiper atrasado, e um feliz ano novo. Próximo post no dia 03!
E segundo, gostaria de pedir uma, hmm, ajuda. Preciso de uma beta para PS: Don't Write, quem estiver disponível e quiser se candidatar, estou a disposição.
Enfim, espero que a fanfic não esteja ficando entediante, (( ainda mais com um cap chato como o nono é )) e agradeço pelos elogios e críticas até aqui.
Será que ainda mereço ganhar reviews? :3