Momentos de Percy J. e Annabeth C. [Em Revisão] escrita por Nicolle Bittencourt


Capítulo 62
Capítulo 61: Annabeth me ameaça com a adaga


Notas iniciais do capítulo

Oiiii Leitores! Um dia de atraso, mas aqui estou eu!!!
Então, eu estou mega feliz!!! Minhas férias começam amanhã, em plena sexta-feira 13! kkkk Mas esse não é o único motivo por eu estar feliz, acontece que Ane me deixou uma super recomendação, e eu estou toda boba! Por isso, capítulo dedicado a Ane, não só pela recomendação aqui como pela em Mixed Worlds! Obrigada linda, muito obrigada mesmo, esse capítulo é seu, por isso, espero que goste!
Capítulo enorme, o maior que já escrevi, e isso porque estou tentando correr contra o tempo, fiz uma pequena promessa e tenho que cumpri-la! kkkk
Mas meus deuses, fiquei assombrada! Teve gente que xingou a Annie e o Bryan no capítulo passado:O. Ok, vocês lerão o capítulo e espero que entendam a situação!
Enfim... Tem links de roupas nesse capítulo, então espero que gostem, espero que não me xinguem e nem que durmam por conta do capítulo ser enorme.
Bem, acho que é isso...
Boa Leitura!
LEIAM AS NOTAS FINAIS!



Percy’s POV

Passei por entre algumas árvores, tentando achar Annabeth e Bryan, o que não foi difícil, já que estavam perto, eu estava ao ponto de perguntar o que faziam ali quando vi algo que nunca pensei que veria, vi algo que fez meu coração gelar e fez minha respiração travar.

Vi Annabeth e Bryan sentados na grama, mas isso não era o problema, o problema era que se beijavam intensamente, se beijavam da mesma forma como eu costumava beijar Annabeth: com amor.

Por um segundo eu fiquei sem reação, apenas olhando a cena, tentando processá-la, mas eu não conseguia aceitar o que eu estava vendo, eu não conseguia aceitar o fato de ver Annabeth e Bryan se beijando. Aquele segundo pareceu um século para mim, e mesmo que eu tentasse sair do lugar, mesmo que eu quisesse gritar, ou dizer qualquer coisa, eu não conseguia. Minha voz não queria sair, meus pés não queriam andar, meu coração parecia chumbo, e o que eu mais queria era acreditar que aquilo tudo era um terrível pesadelo.

No entanto, aquilo não era um pesadelo, era a realidade, e eu preferia mergulhar no Estige um milhão de vezes seguidas, enfrentar milhares de exércitos e ser atropelado por um caminhão de trezentas toneladas, preferia passar por tudo isso de uma vez só, pois seria menos doloroso do que ver o que eu via, ver aquela cena.

– O que você fez? – Annabeth perguntou assim que se separou de Bryan, olhando-o nos olhos.

Eu estava ali, parado, dois segundos haviam se passado, e eu não fazia nada a não ser olhar. E acho que teria ficado assim, até que uma espécie de choque percorreu meu corpo, não choque elétrico, e sim um choque de ação, algo comandava meu corpo, talvez a ira, um despertar, uma fúria, revolta, e acima de tudo, tristeza, eu estava quebrado.

– Annabeth. – disse eu baixo, mas o suficiente para ela me ouvir.

Annabeth e Bryan pularam no lugar, ambos me encarando, mas o que mais me impressionava era o fato dos olhos cinzas de Annabeth parecerem quase sem vida.

– Percy... – sussurrou ela se levantando e vindo em minha direção, suas roupas eram as mesmas de antes de entrar no banheiro, o que me fazia crer que aquilo tudo fora uma distração.

Com rápidos passos, e num impulso incontrolável, fui em direção à Bryan, meu punho fechado, e com força, dei nele um soco no rosto. E devo dizer que mesmo sendo contra atos assim, não me arrependi do que fiz, na verdade, era como se eu tivesse que fazer aquilo.

Dei um passo para trás, sacudindo a cabeça e voltando para onde estava antes, por mais que eu amasse Annabeth , e por mais que eu soubesse que aquele beijo deveria haver uma explicação, eu não queria conversas agora, eu não queria nada, há não ser deitar e fingir que tudo fora um pesadelo. No entanto algo, talvez o ambiente em que nos encontrávamos, me fazia desconfiar de Annabeth e me fazia querer agir sem pensar.

– Bryan! – gritou ela indo em direção a ele e fazendo-o sentar, logo depois se voltou para mim – Por que fez isso Percy? Está louco?

Ela me olhava de uma forma estranha,

– O que foi isso? – perguntei ignorando sua pergunta e apontando para Bryan, que estava com um olho roxo. Já Annabeth estava a poucos metros de mim, e diminui a distância com alguns passos, mas ainda assim ficou afastada – Por que estava beijando ele?

Talvez não fosse a melhor pergunta, porém, era a única que me ocorria fazer, e por algum motivo eu sabia que deveria me lembrar de algo, um conselho talvez, mas eu estava cego por vários sentimentos, embora por fora isso não fosse assim tão visível, e sendo assim, eu não conseguia me lembrar de nada.

– Percy. – ela sussurrou de novo, vindo para mais perto de mim, e dessa vez não recuei – Não é nada do que você está pensando.

Ok, impressão minha ou ela estava falando como em novelas? Em que a pessoa fala que não foi nada daquilo, e na verdade, foi justamente aquilo.

– O que você acha estou pensando? Vamos, me diga Annabeth! O que você quer que eu pense, eu apareço e vejo você e ele escondidos, se beijando. O que você quer que eu pense depois que eu vi isso?

Eu sabia que estava sendo estúpido em desconfiar da Sabidinha, mas vê-la beijando Bryan intensamente me deixara cego, e acima de tudo, parecia que algo me impulsionava a desconfiar dela e, eu não sabia o que era, como se eu precisasse desconfiar dela.

Annabeth abaixou a cabeça, mas logo a ergueu, me olhando firmemente, seus olhos sem expressão, sem o tom cinza comum.

– Você pensa que eu estou te traindo com Bryan! – disse ela ultrajada- Você realmente acredita nisso?

– No que mais acreditaria? – disse sem pensar e me arrependendo em seguida.

– Você não confia em mim. – disse ela triste- Você não sabe de nada, Bryan me beijou a força. Você não acredita em mim, e isso me machuca.

Me senti mal com suas palavras, muito mal, pois podia sentir a tristeza nelas. Mesmo assim, por algum motivo, eu não acreditava nela, parecia até que não era ela.

– Vocês estavam se agarrando. – insisti estupidamente.

– Ele me agarrou! – disse ela apontando para Bryan que permanecia no chão, apenas nos observando, os olhos de Annabeth estavam marejando – Mas não sei por que tento te convencer disso, você não acredita em mim, e eu simplesmente não vou tentar conversar com alguém que não confia em minhas palavras.

Ela saiu correndo, chorando, atitude que achei estranha. No entanto, por mais que eu quisesse respostas, por mais que eu quisesse dar mais uns bons socos em Bryan, meu instinto era seguir Annabeth, e mesmo tendo algo muito errado, foi o que fiz.

Eu não sei porque, mas eu sentia algo errado, toda aquela situação: o fato de Bryan não ter falado nada, Annabeth ter saído correndo e chorando, ele ter supostamente beijado ela a força na floresta, fora o fato de não me sentir que nem um idiota quando olhava para Annabeth, hipnotizado, eu ficara normal perto dela, na verdade, desconfiado. Dentre tudo isso eu não sabia dizer o que era mais estranho, parecia que as peças não se encaixavam.

Eu sabia que tinha que lembrar de algo, e ainda tinha uma estranha sensação no peito, bem, talvez aquilo se deva ao fato de que a cena do beijo havia me quebrado por dentro, e que depois havia me quebrado mais ainda por saber que fora Bryan que a beijara a força (embora ela tenha correspondido), e que eu virei o cara mal da história pois fiz minha namorada chorar. Ainda sim... Havia algo muito errado.

– Annabeth! – gritei seguindo-a.

Ela parou e se virou para mim.

Agora estávamos numa espécie de clareira, o sol entrava minimamente no local, no entanto, estranhamente, seus cabelos loiros não refletiam a luz solar, e seus olhos cinzas não pareciam nem líquidos, nem como um furacão ou mesmo brincalhões, permaneciam sem expressão, sem sentimento, era como se o que ela falava não chegasse aos seus olhos, algo nada comum, na verdade, eu nunca havia visto seus olhos assim. E nisso pensei: nada daquilo fazia sentido, o beijo dela e de Bryan, suas reações, o choro, a corrida. Minha Sabidinha não teria reagido assim se eu duvidasse dela, ela teria me xingado e me dado um soco, me fuzilado com o olhar e ficaria zangada comigo por um bom tempo, isso é o que ela teria feito, não aquela cena. Ok, eu também fiz uma cena quando soquei o Bryan, mas quem está contando?

E pensando bem, o Bryan também não teria ficado quieto, se ele tivesse realmente feito algo à Annabeth, ele teria falado, nem que fosse para ajudar ou piorar tudo de vez, mas ele não ficaria calado e nem deixaria eu soca-lo sem nem tentar se defender.

– Percy, você não acredita em mim! Por que é tão difícil você confiar em mim? – ela perguntou, agora eu sentia algo no peito, algo que me dizia que aquela não era Annabeth.

Olhei-a atentamente, seus cabelos loiros e seus olhos sem vida, a pele um pouco mais pálida, a roupa era a única coisa que permanecia igual com a de antes de ela entrar no vestiário. Nisso me lembrei da pulseira de tridente que havia ficado presa a porta, logo depois olhei para a Annabeth, que eu desconfiava que não era a Annabeth. Ela não usava nenhuma pulseira, o que só me fazia desconfiar mais ainda que ela não era a Annabeth.

De repente eu entendi, meu coração não estava acelerado ao ver aquela Annabeth, eu não estava perdido nos olhos dela, isso porque aquela não era a Sabidinha. Como uma enxurrada, me lembrei da palavras de Destemido: “E outro conselho: não acredite em tudo que vê.”

Claro, aquele clube era outra armadilha para semideuses, eu já deveria saber, e agora tinha um clone do mal da Annabeth na minha frente, tentando me fazer desconfiar da Sabidinha, e eu cai com um otário. É, Destemido estava certo, eu era um otário!

Mesmo assim, decidi continuar com o teatrinho, talvez eu pudesse acabar com aquele monstro, ou o que quer que fosse, se ele permanecesse achando que eu não sabia quem era.

– Eu confio em você Annabeth. – disse, minha voz falhando ao dizer o nome da Sabidinha, lentamente coloquei uma das minhas mãos no bolso da bermuda, alcançando minha caneta.

– Confia mesmo? – disse ela quase sorrindo, caminhando em minha direção, eu me preparava para destapar Contracorrente e acertar o ser o quanto antes – Se confia tanto, por que está a ponto de destapar sua caneta/espada, Jackson?

No momento em que ela disse isso, deixou de ser Annabeth, e virou uma mulher de cabelos pretos curtos, altura mediana, branca e que usava uma roupa normal, mortal, nada perto de um monstro que eu houvera imaginado.

– Acho que não preciso mais fingir que acredito em você. – disse eu e logo depois saquei Contracorrente, mantendo-a em punho, pois eu sabia que logo a mulher iria me atacar.

– Você descobriu que eu não sou sua namorada, mas foi um pouco tarde demais não acha? – disse a mulher de cabelos pretos de aproximando mais de mim – Na verdade, você teria notado logo no início, não fosse minha influência, confundindo seus sentimentos e pensamentos, e acima de tudo, fazendo com que você não quisesse acreditar que eu, ou melhor, Annabeth fora beijada a força pelo outro garoto. O nome dele é Bryan não é? Claro que é!

Ela chegou mais perto, e com isso fiz a espada ficar contra seu pescoço.

– Onde estão Annabeth e Bryan? Quem é você? E que lugar é esse?

Ela não parecia desconfortável em estar daquele jeito, com o pescoço na direção da lâmina.

– Eu me chamo Éris, sou a deusa grega da discórdia. E este é o Clube Nix! – disse ela sorrindo.

Não entendi porque o nome do clube levava o nome da deusa da noite, e muito menos me lembrava de uma deusa da discórdia na mitologia, nem sequer havia pensado que uma deusa fosse querer um clube para prender semideuses, ou fazer sei lá o que.

– Você não respondeu, onde estão meus amigos?

– Você deve estar se perguntando por que o nome do Clube é Nix. – disse ela ignorando minha pergunta – Bem, minha mãe é Nix, então, quando fundei este lugar, decidi que seria em homenagem a minha mãe.

– Onde estão meus amigos? – perguntei forçando um pouco a espada em seu pescoço, e ela sorriu ainda mais.

– Creio que seu tempo acabou Percy Jackson! – e surpreendentemente Éris fez sua espada se chocar com a minha, tirando Contracorrente de seu pescoço e ao mesmo tempo de minha mão, lançando-a longe. Digo surpreendentemente porque não sei de onde ela fez surgir a espada, mas quando se é uma deusa, acho que se pode fazer coisas assim.

Contracorrente voou e foi parar a vários metros, no meio das árvores, e eu sabia que iria demorar um pouco para ela voltar para minhas mãos.

Éris pressionou a espada contra meu pescoço mais firmemente.

– Percy Jackson, o herói que junto com os amigos, salvou o Olimpo, o herói filho de Poseidon, tão bonito quanto o pai, devo dizer. O herói com a maldição de Aquiles! É tão bom receber visitantes como você e seus amigos! – disse ela me empurrando para trás com uma força sobrenatural, e isso me fez chocar contra uma parede de folhas.

Eu estava prestes a sair dali quando notei que estava preso pelas plantas, elas me envolviam os pés, as mãos e o pescoço. Tentei me desvencilhar, mas quanto mais tentava, mais elas me apertavam.

– Se fosse você não faria isso. – disse Éris – Essas plantas não são comuns, elas te prendem e quanto mais você tenta se soltar, mas elas te enforcam. Por favor, não se mexa, será menos doloroso para você e melhor para mim.

– Onde estão meus amigos? Por que você tem esse clube? Por que me fez acreditar que minha namorada estava me traindo? O que vai fazer conosco? – perguntei tentando não me mexer, pois o que ela havia dito era verdade, a cada movimento as plantas me apertavam mais.

Éris se sentou numa pedra próxima, me analisando.

– Bem, já que você está preso, e que não vai sair dai tão cedo, acho que posso te responder. – enquanto ela falava, eu tentava pensar em um jeito de sair dali – A filha de Athena e o filho de Zeus estão passando por algumas situações não muito boas, sabe, eu sou a deusa da discórdia, e por isso adoro torturar pessoas e semideuses, gosto de ver a dor dos outros, gosto de enganá-los. E foi isso que fiz com você, fiz você acreditar que sua adorada namorada estava o traindo, você confia demais nela e nunca teria duvidado se eu não tivesse usado minha influência sobre você.

Continuava tentando pensar em algo, mas nada passava por minha mente, nada de eu ter alguma ideia maluca que pudesse me tirar dali.

– Você está dizendo que tem uma aura de poder mais ou menos como a de Ares? –perguntei - Quer dizer, quando eu estou perto dele quero socar meio mundo apenas pelo fato de que ele está presente.

Éris pensou um pouco.

– É, pode-se dizer que tenho algo como a aura de Ares. – disse ela sorrindo – A diferença é que eu gero a desconfiança e a intriga, e confie em mim, essas duas coisas são essenciais para se começar uma boa guerra. Veja só, você socou a imagem de Bryan que fiz surgir, você o socou apenas porque o fiz acreditar que ele e Annabeth estavam o traindo, e claro, depois eu cometi uns pequenos erros, e você acabou notando a diferença, ou melhor, você sentiu a diferença. Maldito amor juvenil! – ela resmungou – Enfim, eu cometi erros, afinal não sou muito boa em transformações, mas aqui estou eu, com Percy Jackson, Annabeth Chase e Bryan Harpper como prisioneiros, tenho certeza de que minha senhora ficará muito feliz ao descobrir meu feito!

– Sua senhora? –perguntei, pensando se não seria a mesma pessoa de meus sonhos.

– É, uma forma de se dizer. – disse Éris se levantando e caminhando diante de mim -Sabe Jackson, às vezes, nós deuses, temos que fazer escolhas, e às vezes precisamos fazer alianças com pessoas poderosas, e saiba, essa pessoa poderosa quer você e seus amigos, e a boa notícia: é que quer vocês vivos, a má: é que é apenas por pouco tempo. Bem, talvez Annabeth permaneça viva por mais tempo, ela parece ter planos para a garota, e me parece que você e Bryan serão importantes, mas como disse, vocês dois durarão pouco tempo. Enfim... Onde eu estava? Ah sim, suas perguntas! Bem, então isso responde o que farei com vocês, irei tortura-los um pouco, confundir suas mentes, fazer intrigas, e depois entrega-los a minha senhora.

Éris continuou andando em minha frente, e eu, que estava preocupado com Bryan e principalmente Annabeth, comecei a ter uma ideia. Aquelas plantas eram muito fortes, e Contracorrente iria demorar para reaparecer, mas eu poderia pedir uma ajuda, bem, eu podia ouvir os cavalos, então, será que se eu quisesse, ele também não poderiam me ouvir? Talvez se eu consegui me comunicar com Destemido...

– Bem, e fiz você acreditar na minha ceninha porque eu sou a deusa da discórdia, e eu adoro fazer isso! Na verdade, não sei se você sabe, eu fui a deusa que provocou a Guerra de Troia, fui eu que fiz surgir a maça dourada que gerou a briga entre Athena, Hera e Afrodite. – Éris riu largamente – E as grandes deusas do Olimpo começaram a se desentender e começaram a brigar, a vontade de cada uma de vencer levou a maior guerra entre os humanos já vista.

– Então você tem esse clube para poder fazer jogos e plantar a discórdia entre humanos e também entre semideuses? – perguntei.

– É, eu gosto disso, mas claro que o clube não é apenas isso! Tem alguns animais mitológicos pelo clube, e claro que também tem alguns deuses menores como sócios, afinal, a situação não está fácil para ninguém, nem para uma deusa.

Comecei a me mexer, as plantas me apertando.

– Você não vai se dar bem nessa, deusa!- disse entre dentes.

– Veremos!

Éris pegou minha mochila no chão e começou a revirá-la, talvez estivesse procurando a primeira parte da espada para que pudesse enviar para a sua senhora, para a voz sombria.

Na minha mente eu tentava a todo custo tentando procurar por algum cavalo próximo, mas precisamente por Destemido. Eu não sei o que faria quando ele estivesse ali, provavelmente pediria para ele pegar minha espada e distrair Éris enquanto eu me soltava, bem, eu teria que pensar no que fazer, mas apenas depois que conseguisse falar com Destemido.

“Destemido, Destemido! Está por ai? Preciso da sua ajuda?” – perguntei insistentemente, basicamente berrando em minha cabeça, no entanto sem nenhuma resposta. Eu nuca havia tentado realmente me comunicar pela mente de um cavalo, quer dizer, eu podia ouvir o que eles pensavam, mas será que eles podiam ouvir o que eu pensava?

Ei cara, pare de gritar! Ah é você... Fala Percy Otário, o que quer?” –perguntou Destemido. Definitivamente é nessas horas que sinto falta de Blackjack!

“Pode me ajudar? Uma deusa maluca me prendeu numas árvores, e eu preciso ajudar minha namorada e meu amigo, eles estão em perigo”. – perguntei mentalmente, sem saber como que Destemido havia conseguido me ouvir.

“Então Éris pegou vocês? Eu disse para se mandarem, mas ninguém escuta o cavalo”.

“Por favor Destemido, eu preciso salvá-los!”

Eu realmente detesto a Éris, então... Estou indo, só aguarde um pouco Otário.”

Sério, sentindo falta do chefe pelo qual Blackjack me chamava. Embora otário se classifique melhor na situação em quem me encontro.

Éris ainda revirava minha mochila quando ouvi o som de galopes se aproximando.

– O que é isso? – ela perguntou, e logo depois um grande cavalo branco entrou em seu campo de visão. Éris, olhando-o, entendeu o que acontecia. – Vai se juntar a ele, animal insolente?

Destemido relinchou, ficando sobre as duas patas traseiras.

Eu realmente quero acabar com essa deusa desgraçada!”.

Destemido abaixou as patas justamente sobre a deusa, a jogando no chão, fazendo uma distração momentânea. E logo depois veio em minha direção.

– Isso foi incrível! – eu disse e logo depois reparei que Éris em breve iria se levantar, então era melhor eu sair dali – Mas você poderia pegar minha espada, Destemido? É a única forma de eu sair daqui.

“Se você achou o que eu fiz incrível, ainda não viu nada Otário. E tenho algo bem melhor que sua espada”.

E então, acima da cabeça de Destemido surgiu uma espécie de chifre prateado, grande e brilhante.

Espera, um chifre prateado, cavalo branco, Destemido era, era um unicórnio?

– Você é um unicórnio? – ok, eu quase ri, mas eu lembrei que ele era o Destemido.

É, sou, e é melhor não rir ou vai ficar preso ai para sempre”.

– Por que eu riria? – perguntei enquanto admirado, via Destemido cortar as plantas ao meu redor com o seu único chifre.

Algumas pessoas riem, imaginando que unicórnios são doces e fofos, mas vai por mim, não somos nada disso. Pronto, você está livre Otário.”.

Assim que ele me soltou corri para pegar Contracorrente que estava jogada no meio de umas árvores, logo depois vi que Éris começava a se levantar, e com isso fui em direção a deusa e segurei Contracorrente, girando-a no ar e em seguida acertando a deusa. Icor dourado saiu do braço dela.

– Não sabe o que acabou de fazer Jackson! – disse ela com desprezo, sua face possuía dor. Mesmo assim ela se levantou, e fez sua espada ressurgir, e nisso, começamos a lutar.

Destemido permaneceu observando a cena, Éris e eu lutando com espadas, bronze celestial contra bronze celestial, a diferença é que eu estava machucado, mas ela estava perdendo icor, o sangue dos deuses. E com isso, num movimento em que ela tropeçou para trás, antes que eu pudesse atingi-la de novo, Destemido, que estava quase que ao meu lado agora, lhe deu um coice, mandando a deusa para as plantas sufocantes.

– Bom coice! – disse encarando-o e sorrindo.

Obrigado. E você é bom com a espada Otário, mas acho melhor pegar suas coisas e ir atrás dos seus amigos, isso se eles ainda estiverem vivos há essa hora.”

– Você tem razão!

– Você não podem me deixar aqui! – gritou Éris – Me soltem! Agora!

Peguei minha mochila, reparando em como Éris se debatia.

– Sabe, se eu fosse você, não me mexeria tanto. Quanto mais você se mexe, mais as plantas te sufocam. – disse eu repetindo suas fala, o que só a fez grunhir de raiva.

Ignorando-a, já estava pensando em ir andando pela floresta, quando Destemido, o cavalo/unicórnio, me chamou por pensamento.

“Acho que posso te ajudar. Suba garoto, eu te dou uma carona até seus amigos, afinal, conheço esse clube como ninguém!”.

Olhei desconfiado para ele, mas montei em Destemido, minha mochila nas costas, Contracorrente na mão. É, eu deveria estar estranho montado num unicórnio de chifre reluzente.

Vamos” - disse Destemido começando a galopar rapidamente, deixando a clareira, mas ainda sim consegui ouvir Éris gritar:

– Você irá me pagar Jackson, você e esse unicórnio maldito! Eu ainda irei acabar com os dois!

A única coisa que podia pensar era em encontra a Sabidinha, mas diante a fala de Éris, bem, foi inevitável não responde-la:

– Entre na fila, pois o que mais tem são deuses querendo me matar! – gritei de volta, Destemido corria rápido, mas também respondeu por pensamento à Éris, no entanto, acho melhor não comentar aqui, muitos palavrões para um unicórnio só.

– Como você conseguiu ouvir meu pensamento? – perguntei enquanto Destemido galopava rapidamente – Foi por que você é um unicórnio?

Ele relinchou.

Bem, nós, unicórnios, podemos ouvir os pensamentos de crianças mortais, pois elas acreditam em nós, e podemos ouvir semideuses e deuses, desde que eles permitam isso, e como você permitiu... Eu apenas te ouvi berrando em minha mente.”

– Obrigado! – disse, realmente agradecido à Destemido.

Nada, babaca.”

E assim, eu estava montado sobre Destemido, com a espada na mão e mochila nas costas, meu coração martelando no peito, eu não sabia para onde iria, mas então eu ouvi alguém dizer:

– Me solta! – meu coração parou, era Annabeth que gritava!

Bem, acho que essa foi sua namorada gritando Otário, e isso é bom, significa que está viva, ou pelo menos estava. Pois bem, é melhor irmos em direção à ela, e pelo grito, parece que ela está na área das piscinas. Vamos para lá!”.

E com essas “doces” palavras, Destemido cavalgou em direção as piscinas, graças a sua rapidez, em poucos segundos chegamos lá, mesmo assim parecera uma eternidade.

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– Annabeth? – perguntei descendo de Destemido e procurando pela Sabidinha, nenhum sinal dela. – Annabeth, onde está você?

No instante seguinte senti uma adaga em meu pescoço, e diante de mim vi Annabeth se materializar, estava tirando o boné de invisibilidade.

– Não pense que me engana, você não é o Per... – ela começou a dizer, então olhou em meus olhos e começou a afrouxar a adaga – Percy? Cabeça de Alga? É você mesmo?

Assenti, sem reação.

Annabeth largou a adaga no chão e me deu um forte abraço.

– Deuses, é você mesmo! Desculpe a adaga! – disse ela me soltando e pegando sua faca no chão e guardando-a na mochila, e em seguida colocou a mesma nas costas– Mas é que uma espécie de ilusão sua me trouxe para cá, e depois uma espécie de grifo tentou me matar, e... Mas deuses é você!

– Você está bem? – perguntei olhando- a e em seguida abraçando-a, percebi que Destemido nos olhava.

Era tão bom senti-la em meus braços, saber que está bem e saber que era ela. Sim, eu sabia que era ela, pois meu coração parecia um carro de fórmula 1, e seu toque em mim só aumentava isso.

– Estou, estou sim! – ela respondeu – E você Cabeça de Alga?

– Com você aqui, está tudo bem. – e como isso Annabeth sorriu.

– Eu poderia te beijar ou perguntar sobre o unicórnio. – disse Annabeth se soltando de mim – Mas Bryan ainda está em alguns lugar do clube, temos que acha-lo!

“Você e sua namorada podem subir Otário, eu os levo até o filho de Zeus, afinal, acho que sei onde ele está”. – respondeu Destemido em minha mente.

– Annabeth, este é Destemido. – disse Apontando para o unicórnio – E ele vai nos levar até Bryan, então...

Segurei Annabeth pela cintura e coloquei-a sobre Destemido, me sentei atrás dela, segurando-a.

– Você, definitivamente, gosta de me segurar no colo não é Cabeça de Alga? – disse ela baixinho.

– Fazer o que, não consigo me controlar!

Logo depois Destemido começou a galopar, corria tão rápido que tudo era um borrão, e quando se estava na floresta, não se via as árvores, apenas o verde intenso.

Annabeth e eu não falamos mais nada, até porque era difícil falar quando você não conseguia nem abrir a boca direito. Então Destemido parou do nada no meio da floresta.

– O que? Por que Destemido parou aqui? – perguntou Annabeth.

Nem eu sabia, mas consegui ouvir o que Destemido pensava:

“Cinco, quatro, três, dois...”

Em seguida algo se chocou contra Destemido, e esse algo, era um filho de Zeus.

– Ai! – disse Bryan e colocando de pé e pegando a espada que havia caído no chão – Percy? Annabeth? – perguntou ele cautelosamente – São vocês?

– Sim! – respondemos – E este é Destemido!

– Um unicórnio? Sério? – perguntou ele coçando a cabeça, em dúvida, e eu fiz um sinal de deixa para lá, ele deu de ombros.

– Temos que sair daqui! – disse Annabeth em tom de urgência- Mas como?

“Jackson, diga aos seus amigos que eu posso tirá-los daqui, no entanto, os três não conseguiriam ficar muito tempo em cima de mim juntos, mas eu tenho a solução, existe uma carruagem de Éris ali, bastaria que alguém me prendesse a ela e eu os tiraria daqui.”.

– Você dá conta?

“Claro que sim, seu... O que pensa que sou, um...”.

Ok, mas não precisa de tanto palavrão! – Oh Unicórnio estressado e boca suja, definitivamente nada parecido com os que têm em filmes de crianças.

Repeti para Bryan e Annabeth o que Destemido havia me dito, fora os palavrões, e ambos concordaram com o plano do mesmo. Em seguida perguntei para o unicórnio:

– Por um acaso está sob aquele pano verde ali? – perguntei olhando para minha esquerda, onde havia uma espécie de capa verde sobre algo enorme, camuflando-o.

“Afinal você não é tão idiota, otário.”.

Annabeth e Bryan me ajudaram a tirar o pano, sob ele uma linda carruagem, do jeito que tem em filmes, toda branca e vermelha, cheia de amarras.

– É muita coisa! – disse Annabeth olhando todas as cordas, ao menos, por sorte, a carruagem estava inteira.

Em menos de um minuto eu já estava terminando, meus dedos percorriam as cordas como se eu tivesse passado a vida inteira fazendo aquilo, era automático para mim, meu dedos apenas faziam o trabalho.

– Temos que andar logo! – disse Bryan – Ou ele vai nos alcançar.

– Ele quem? –perguntou Annabeth enquanto eu dava o último nó que ligava Destemido a carruagem.

Do meio das árvores surgiu um enorme lagarto.

– Ele! – disse Bryan.

– Subam! – eu berrei abrindo a porta da carruagem, e imediatamente Annabeth e Bryan subiram, peguei as rédeas da carruagem e conduzi Destemido, que galopou velozmente, deixando o lagarto um pouco para trás.

“Ele é apenas uma ilusão, pode nos machucar, mas só funciona dentro do clube, não pode passar dos portões, tem uma barreira mágica”.

– Parece que o lagarto é uma ilusão, só pode ficar dentro do clube, e ai sim machucar, mas como não pode passar dos portões que tem uma barreira mágica...

– Então se passarmos dos portões ele não virá atrás de nós! – disse Annabeth quase aliviada.

– Só nos resta passar pelos portões. – disse Bryan.

Ouvi Destemido relinchar, era como se ele estivesse aceitando o desafio de conseguir passar pelos portões, na verdade, ele parecia ficar mais rápido a medida que se aproximava. Logo nós estávamos na passagem de pedras, e nisso me toquei de que aquele clube era enorme, quase um labirinto, a floresta gigantesca, um clube que parecia grande de fora, mas que por dentro era maior ainda, um clube para enganar pessoas, quase um Cassino Lótus.

O lagarto ainda nos seguia, mas estávamos bem à frente, de forma que estávamos diante dos portões, Destemido acabou como cadeado apenas com seu chifre, e seguiu com a carruagem em direção a rua, o lagarto veio logo depois, mas se chocou contra uma barreira invisível, e sendo assim, não pode fazer nada a não ser fazer barulhos estranhos.

Larguei as rédeas, deixando Destemido seguir sozinho, afinal, ele não precisava que alguém o direcionasse.

Annabeth, Bryan e eu suspiramos, aliviados, e escorregamos para o assento da carruagem.

– Nunca mais entro num clube aquático desconhecido! – disse Bryan

– Nem eu! – respondi.

– Muito menos eu. – disse Annabeth se esparramando no assento e logo depois sentando-se retamente – Mas e agora, como vamos para São Francisco? O trem já deve estar saindo, e não podemos perder tempo, pois temos que pegar um trem aqui, outro em Chicago, um ônibus em Emeryville...

“Eu levo vocês até a Chicago, e de lá você seguem caminho sozinhos.”

– Tem certeza Destemido?

“Claro que tenho Otário! Eu passei os últimos 20 anos preso naquele clube, o que mais quero é correr por ai, e não se preocupem, sei correr sem mandar ninguém para o espaço, unicórnios tem esse dom!”

– Destemido vai nos levar até Chicago. – informei.

– Sério? Até Chicago? – perguntaram Annabeth, que estava ao meu lado, e Bryan que estava a minha frete.

– Sim, mas ele mandou avisar que vai correr, mas disse para não se preocuparem, unicórnios tem o dom de não fazerem ninguém sacolejar enquanto correm.

Como que para ressaltar isso, Destemido relinchou, e ao nosso redor só era possível ver Washington como um borrão, mesmo assim, a carruagem permanecia na mesma posição, como se estivesse parada.

Exaustos, nós três começamos as relaxar nos bancos, Bryan logo estava dormindo, e Annabeth, que estava com a cabeça em meu ombro, entrelaçava os dedos nos meus.

Eu me perguntava o que ela havia enfrentado, quero dizer, queria saber com detalhes o que havia acontecido com ela, e também com Bryan. Annabeth parecia querer saber o mesmo de mim, mas estávamos muito cansados, por isso ficamos apenas em silêncio, segurando a mão um do outro.

A última coisa que lembro antes de dormir foi de sentir o cheiro dos cabelos de Annabeth, que cheiravam a mel, e de sentir sua mão segurando a minha, e sendo assim, eu sabia que bons sonhos viriam.



Notas finais do capítulo

Gostaram? Reviews? Recomendações?
Ok, quem estiver lendo isso (espero que seja a maioria), abaixo segue como será feito o tal sorteio que eu havia falado antes, de que uma pessoa leria o capítulo antes dos outros leitores. Mas eu fiz uma pequena mudança, não será mais apenas uma pessoas, serão TRÊS PESSOAS! Ok, podem pular de alegria que eu deixo! kkkk
Regras:
— Participará do sorteio os leitores que no próximo capítulo deixarem reviews. Os reviews podem ter escrito frases pequenas, ou textos gigantes, não importa, desde que não tenha xingamentos, todos estarão concorrendo.
— Serão escolhidos os três leitores por meio de um sorteio, ou seja, todos os leitores que deixarem o review estarão concorrendo igualmente.
— Para fazer o sorteio irei usar um site específico: o random.com . Por isso, cada leitor que deixar um review, receberá o número que condiz com o seu review. Ex: primeiro review foi de Fulano,Fulano será o número um.
— Só estará participando do sorteio leitores que deixem reviews até 48 horas depois que eu tiver publicado o capítulo anterior ao especial (capítulo 63, o especial será o 64), pois após isso será feito o sorteio.
— Os não ganhadores serão comunicados por resposta no review, assim como os ganhadores. No entanto, os ganhadores também receberão uma M.P, e terão que me responder informando nome, idade e e-mail (informações necessárias para que eu envie o capítulo). Cada ganhador terá até 24 horas para me responder, se isso não acontecer, terei de escolher outra pessoa.
— Não me responsabilizarei se lerem algo no capítulo que não gostem, este é um risco que correm ao participar do sorteio.
Ok, regras rígidas eu sei,mas necessárias, senão vira bagunça e vocês vão querer me matar! Então, o próximo capítulo sai sábado ou domingo. E para quem não ganhar o sorteio, o capítulo especial sai quarta ou quinta (ainda estou na metade dele)pois irei viajara semana que vem. Todas as regras serão re-postadas no próximo capítulo, não se preocupem. Qualquer dúvida perguntem por review.
Agora mudando de assunto,obrigada pelos lindos reviews pessoal, eu consegui responder alguns atrasados, mas estou indo agora responder mais! Obrigada mesmo, desculpem qualquer coisa, e desculpem o capítulo enorme, as notas enormes, e minha chatisse de sempre.
Beijos e obrigada!
PS: Indo responder reviews enquanto ouço I'll be there for you, abertura de Friends, é nisso que dá estar voltando a ver a série, me viciando de novo!