Momentos de Percy J. e Annabeth C. [Em Revisão] escrita por Nicolle Bittencourt


Capítulo 6
Capítulo 6: Encontro por água abaixo


Notas iniciais do capítulo

Consegui!
Capítulo fresquinho para vocês! Espero que gostem do ponto de vista de Percy. Daqui a pouco tem outro capítulo.



Percy’s POV    

Eu estava preocupado. Havia marcado de encontrar Annabeth a 45 minutos atrás, no Mc Donald’s, e ela não tinha aparecido.
   Se fôssemos pessoas normais, vivendo um relacionamento normal, provavelmente eu teria ficado chateado com seu atraso. Mas não éramos pessoas normais, éramos semideuses, esse atraso não me aborrecia, me preocupava. Por sermos meio-sangues qualquer coisa poderia ter acontecido à ela, qualquer coisa mesmo. E eu aqui, sem poder ajudar.
      Eu estava tão preocupado que tentei até mesmo ligar para o celular dela, mas de nada adiantara, já que ele estava desligado. Pensara em mandar uma mensagem de Íris para ela, mas como estava sem dracmas, decidi arriscar e ir em direção ao Olimpo.
      “Quem sabe tenha se lembrado de algo que deveria fazer na obra?”— uma parte minha pensava isso e eu queria acreditar, porém, uma voz baixinha falava na minha cabeça: “E se ela tiver sido atacada por um monstro? Estava sozinha, sem ajuda, poderia estar ferida”. Queria expulsar esse último pensamento da minha cabeça, afinal Annabeth era Annabeth, não seria vencida fácil, no entanto...
     É de nada adiantava, o pensamento pessimista continuava em minha mente.
     Cheguei ao Empire State Building quase correndo. Pensei em pegar o cartão e subir direto para o 600º andar, no entanto, uma ideia me ocorreu: por que ir até lá em cima quando posso simplesmente perguntar ao porteiro?
     Eu sei, eu sei. Quem me garante que o porteiro viu Annabeth? O Empire State vive cheio de gente e o porteiro não tem uma centena de olhos feito Argos, mas, acreditem em mim, com toda certeza ele a tinha visto, afinal, mesmo sendo arquiteta oficial do Olimpo, Annabeth ainda precisava do cartão para pegar o elevador.
     Olhei para o porteiro. Como sempre estava lendo, bem acho que não tinha muito o que se fazer quando se era porteiro do Empire State à serviço dos deuses.
     Ele lia um livro meio alaranjado com um garoto de óculos na capa. Qual era o nome do livro? Algo como: RYRAH TOTERP E A ADREP LOFALISOF. Embora eu duvidasse que o nome fosse esse, mas graças a minha dislexia, não entendia uma palavra.
     Resolvi pigarrear para chamar sua atenção. Ele demorou um pouco para me olhar, então acho que o livro deve ser bom.
— No que posso ajudar? – sua voz assumiu um tom de falsa cortesia.
— Desculpe atrapalhar sua leitura, mas é que...
— Ainda bem que reconhece que me atrapalhou. "Harry Potter e a Pedra Filosofal" é um ótimo livro e eu estava lendo o clímax quando VOCÊ chegou. – resmungou e logo depois se recompôs - O que deseja?
     Ah! O nome do livro é Harry Potter. Espera aí! Essa história não é de um bruxo? Eu nunca havia lido, afinal, tenho dislexia e esses livros não existem em grego antigo, mas eu sabia que faziam um grande sucesso. Na verdade, eu havia assistido aos filmes e até que a história era bem legal. Quem dera a vida fosse que nem os livros de fantasia e eu pudesse ter uma varinha para fazer alguns truques e acabar mais rápido com os monstros.
— Eu quero uma informação. – falei baixinho– O senhor por acaso viu uma garota alta, loira e de olhos cinzas por aqui hoje? Ela é a arquiteta do Olimpo.
     Ele pensou um pouco e então estalou os dedos.
— Sim, sim! O nome dela é Annabeth, não?
— É, é esse o nome dela. – uma onda de esperança inundou o meu corpo. — Ela ainda está aí?
— Não, não. Foi embora há uma hora mais ou menos. Queria falar com ela, garoto?
     Não, imagina! Eu fui até ali só para jogar conversa fora com o porteiro. É claro que eu queria falar com ela! Falar só não, vê-la também.
— Queria sim, mas deixa pra lá. Vou procurá-la em outro lugar. Obrigado!
     Saí correndo assim que terminei a frase. Só pude ouvir o porteiro dizendo: “É cada um que me aparece”.

                          *****************************************

Fui o mais rápido que pude para casa. Sabia que Annabeth não estaria lá, no entanto, em casa poderia usar um dracma e tentar falar com ela por uma mensagem de Íris.
     Meu coração estava apertado, sentia que algo estava errado e cada vez mais a ideia de que Annabeth tinha sido atacada invadia minha mente.
       Será que estava ferida? Conseguira vencer o monstro ou fora vencida? E se não foi atacada, por que não foi me encontrar? Eram essas perguntas que não saíam da minha cabeça e eu não tinha respostas. Embora soubesse que Annabeth nunca seria vencida facilmente, ainda sim, me preocupava com ela.
      Entrei no apartamento e corri para o meu quarto.
     Apressadamente, procurei minha mochila, pois nela estavam meus dracmas de ouro.
“Cadê a minha mochila? Não está no armário, então onde... Ah! Ali em cima da cadeira!”
— Oi, filho! – disse minha mãe enquanto aparecia na porta do meu quarto.
  Olhei rapidamente para ela. Ao me encontrar meu olhar, seu sorriso desapareceu, provavelmente via agonia e preocupação no meu rosto.
— Olá, mãe. – disse sem entusiasmo, ainda procurando os dracmas – Saiu mais cedo do trabalho hoje?
— Percy, o meu turno terminou há meia hora.
     Cara, eu havia perdido completamente a noção do tempo.
— Qual é o problema, filho? O que houve? - disse docemente, sentando-se ao meu lado na cama.
     "Porcaria! Cadê os dracmas?"
    Minha mãe me conhecia muito bem, era melhor contar a verdade de uma vez, afinal, ela via Annabeth como uma filha.
— Uma história um pouquinho longa. Mas resumindo, marquei de me encontrar com Annie há uma hora e ela não apareceu. Liguei para o celular dela e nada, ninguém sabe onde ela está. Acho que algum monstro atacou-a. – disse num fôlego só enquanto jogava todo o conteúdo da mochila em cima da cama. — Quero mandar uma M.I para ela, no entanto, não acho os meus dracmas... AH! GRAÇAS AOS DEUSES! ACHEI!
     Gritei pegando um dracma da sacolinha e virei-me para minha mãe. Ela entendeu o que eu queria só de me olhar nos olhos.
— Na sala, Percy! O sol já se pôs, mas acho que tenho algo na cozinha que deve servir para fazer um arco-íris. – mamãe soava preocupada
      Eu já estava no corredor, com minha mãe no meu encalço, quando ouvi uma voz.
— Percy? Pode me ouvir? – virei-me na direção da voz, aquela voz que eu tanto amava e que desejava ouvir. A voz que seria capaz de reconhecer até no mundo Inferior.
— Annabeth! Graças aos deuses! Você está bem?- a preocupação era nítida em minha voz.
      Annabeth possuía uma atadura na cabeça e usava, o que me parecia, um vestido branco que já fora muito bonito, mas agora estava todo sujo. Os cachos loiros caíam em cascatas pelos ombros, meio bagunçados, mesmo assim ela estava linda; seus olhos pareciam um furacão, como quando pensa em muitas coisas ao mesmo tempo; fora que possuía arranhões pelo rosto.
— Sim, agora estou bem! Ah! Olá Srª Jackson! - disse sorrindo quando minha mãe entrou em seu campo de visão. Aquele sorriso maravilhoso que toda vez que via ficava feito um idiota olhando, sem saber o que dizer.
— Annabeth, você está toda machucada! O que houve?- Sally Jackson acabara de ler meu pensamento e roubar minha fala.
— Hum... É uma história longa para se contar por M.I.
— Onde você está? – perguntei
      A única coisa que podia ver ao fundo era uma bela sala com duas pessoas ao fundo.
— Na casa de Sarah Lembert, uma filha de Apolo. Ela mora na Park Avenue, nº 465, apartamento 805. Percy venha para cá, por favor, e traga néctar e ambrosia.
— Annie, o que houve?
— Percy não dá para explicar por uma mensagem de Íris, tem a ver com um novo meio-sangue. – sussurrou
— Novo meio-sangue?
     Minha cabeça girava. Annabeth estava na casa de uma filha de Apolo, ferida, e também tinha um novo meio-sangue na história.
— Annabeth, venha aqui, por favor! - uma voz disse ao fundo
— Estou indo, senhorita Lembert. – disse olhando para trás – Tenho que ir. Tchau, Srª Jackson! Te amo, Percy! Seja rápido!
     Senti meu rosto corar. Annabeth nunca dissera isso na frente de minha mãe e eu me sentia um idiota por ficar vermelho com isso.
     Annie passou a mão pela imagem, acabando com a ligação.
     Corri para o meu quarto para pegar néctar e ambrosia. Quando cheguei à sala, minha mãe me olhava com interesse, seus olhos denunciavam o que queria fazer. Estava preocupada com Annabeth e queria vê-la.
— Vamos, mãe! Temos que ir depressa para a Park Avenue.
— Claro, vamos logo! – disse pegando a chave do carro.
     Bem, eu já tinha a carteira de motorista, mas não tinha carro. Em geral, convencia minha mãe a me deixar dirigir, no entanto, eu não ia criar confusão por causa de um carro. O que eu queria era ver Annabeth, porque eu precisava dela mais do que tudo.
     Ahn? Acharam a frase acima (como diria minha professora) clichê? Típica de livros e filmes românticos? É, eu sei que vocês nunca pensaram que eu pudesse dizer algo assim, já que é meio complicado para mim isso de expor sentimentos. Mas no último mês eu meio que já havia superado isso. E a verdade é que eu não viveria sem Annabeth, pois ela foi, é, e sempre será meu único e primeiro amor. Tinha que me lembrar de falar isso pra ela, mesmo que ela já soubesse. Eu nunca disse isso com essas palavras, entretanto, eu tinha certeza que ela sempre via isso estampado no meu rosto.
     Meu plano era contar tudo a ela amanhã, num jantar romântico, dentro de uma lancha. É, ser filho de Poseidon era muito bom, ainda mais quando seu pai te emprestava uma lancha para um encontro.
     Mamãe e eu entramos depressa no carro, que saiu cantando pneu.



Notas finais do capítulo

E aí? Mereço reviews? E recomendações? Continuem lendo.