Momentos de Percy J. e Annabeth C. [Em Revisão] escrita por Nicolle Bittencourt


Capítulo 54
Capítulo 54: Sonho


Notas iniciais do capítulo

Olá! Tudo bem?
Primeiramente: obrigada Bia pela linda recomendação que você escreveu para a fic! Eu fiquei muito emocionada! Esse capítulo é para você.
Então, a fic chegou a 600 reviews! UOU! Obrigada a todos! Muito mesmo, agora, deixa eu colocar alguns ps's.
PS1: Para quem me perguntou sobre os pesadelos, incubus e sucubus. Não, eu não os inventei, eles realmente existem na mitologia grega, eu sempre procuro colocar aqui na fic monstros que realmente existiram na mitologia grega ( o que envolve uma certa pesquisa), quando eu tiver inventado alguma coisa, eu avisarei!
PS2: Só comentando: Zeus é o deus das tempestades relacionadas a chuva e ao céu em geral. Quando falam que Poseidon é o deus de tempestades, essas são de referência as catástrofes marinhas como: tsunamis, maremotos, tornados, entre outros que devastam muitas regiões. Afinal, se Poseidon tivesse mesmo alguma coisa a ver com a chuva, Percy não seria proibido de andar de avião. Foi por isso que no último capítulo quem fez chover foi Bryan, afinal ele é filho de Zeus,e nos próprios livros de PJO vocês podem ler que quem causa a chuva é Zeus.
Boa leitura!



Percy’s POV

“Vamos, acorde Cabeça de Alga!” — ouvi a voz distante e preocupada de Annabeth. "Não estou pedindo muito, só abra os olhos, por favor! Eu sei que está me ouvindo!"

Nesse momento, eu queria muito fazer o que Annabeth me pedia, mas por alguma razão, meus olhos não obedeciam meu cérebro.

Por favor, por favor! Você é invulnerável, lembra? Não pode ter acontecido nada com você, você só está desmaiado. Eu sei que me ouve!” – ela continuou a dizer, mas sua voz parecia um pouco frágil, como se ela estivesse se controlando para não desabar – “Cabeça de Alga, você está bem, então pare de me assustar e abra esses olhos, eu só preciso te ver bem.”

Sua voz permanecia longe, mas a fragilidade de suas palavras só me fez querer acordar e abraça-la, protege-la. No entanto, eu não estava no comando de meu corpo.

“Você usou poder demais, não devia ter feito aquilo, podíamos ter feito de outra forma. E agora... Agora Cabeça de Alga, já te dei todo néctar e ambrosia que pude e você continua assim, sem me responder. Você não pode me deixar! Ouviu?”— agora sua voz parecia um pouco mais próxima de mim e pude sentir sua mão segurando a minha, aquilo foi bom, ainda mais pelo fato de sua mão estar quente em contato com a minha – “Se estiver me ouvindo, aperte minha mão, por favor, faça um esforço, eu só..." — sua voz falhou. "Preciso saber que você está bem.”.

Eu não me lembrava muito bem o que havia acontecido, só me lembrava que havia desmaiado e não sabia onde estava. Claro, não havia como eu saber estando de olhos fechados, mas eu sabia que comigo estava a pessoa que eu mais me importava no mundo. E eu só queria fazer o que ela estava me pedindo.

Eu tentei apertar sua mão, no entanto, meu cérebro não me obedecia, até que, com muito esforço, consegui fazer meus dedos pressionarem levemente contra a mão macia de Annabeth que estava envolta da minha.

 “Você apertou minha mão, isso quer dizer que está me ouvindo! E que irá ficar bom logo!”— eu pude ouvir a felicidade em sua voz.

Senti Annabeth depositando um beijo em minha bochecha e logo após outro em meus lábios.

Foi impressão minha ou caiu uma lágrima de Annabeth em meu rosto?

 “Eu te amo, Cabeça de Alga!”- sussurrou ela em meu ouvido. – “Agora descanse, eu cuidarei de você!”.

Ao ouvi-la mais calma e dizendo que cuidaria de mim, eu voltei a me perder no inconsciente, mas dessa vez eu não fiquei na escuridão como antes. Não, dessa vez vieram os sonhos, lindos sonhos.

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Em meu sonho eu estava numa espécie de praia deserta, bem, não tão deserta, já que eu estava lá.

Estava olhando o mar quando senti a areia se chocando contra meu corpo, como se alguém houvesse a jogado. Me virei para trás, mas não vi nada.

Logo depois senti alguém me empurrando e isso me fez cair quase de cara na areia, não fosse eu ter colocado minhas mãos na frente e amortecido o impacto.

— Ai, Cabeça de Alga, você não aprende! – disse Annabeth, ficando visível ao tirar seu boné dos Yankees. Seus cabelos loiros caindo em ondas por sobre os ombros enquanto ela ria da minha cara – Eu sempre te engano!

Ela veio estendeu a mão em minha direção e, diferentemente do habitual, usava um vestido azul que a deixava mais linda do que o normal!

Segurei sua mão, só que ao invés de deixar ela me ajudar a levantar, puxei-a para baixo, trazendo-a para a areia.

— Ei! – ela caiu em cima de mim e seu boné foi parar a alguns centímetros de nós.

— Quem você sempre engana? – perguntei segurando sua cintura. Eu estava deitado na areia com Annabeth por sobre mim.

Ela encostou os lábios nos meus.

— Você! – disse ela contra meus lábios, logo depois se desvencilhando de mim e ficando de pé.

— Ah, é assim? – me levantei, batendo na bermuda para tirar a areia dela.

— Por que você está me olhando assim? Eu conheço esse olhar. – disse ela, nos olhos um pouco de preocupação.

Abaixei e peguei um punhado de arei molhada.

— Não, você não vai jogar isso em mim! – ela deu vários passos para trás.

— Ah, eu vou sim! – comecei a ir em direção a ela, que saiu correndo, comigo em seu encalço.

Lancei a bola de areia, mas Annabeth desviou.

— Errou! – ela cantarolou e continuou a correr.

Corremos um bocado, e até em sonho aquela sabidinha era mais rápida do que eu!

— Você não vai me pegar nunca! – gritou ela indo para beira mar, justamente para onde eu queria que ela fosse.

— É o que você pensa! – na mesma hora eu segurei um pouco a maré, com o intuito de fazer uma onda maior, e foi o que eu fiz. A onda atingiu Annabeth, sua força fazendo-a cair e ficar toda molhada.

— Isso não vale! – disse ela se levantando, o vestido todo molhado – Você usou seu poder!

— E você usou seu boné! – me aproximei dela, abraçando-a e a derrubando de novo no chão, a água do mar nos atingindo – Peguei!

— Eu que peguei! – ela estava por cima de mim, rindo. Aquela era a risada mais linda do mundo.

— Eu peguei! – disse girando novamente e ficando por cima.

Agora já estávamos na areia seca, cobertos dos pés a cabeça com a mesma.

— Eu já disse que eu peguei! – Annabeth girou e ficou por cima novamente, dessa vez ela me beijou.

Bem, aquele estava sendo o melhor momento da minha vida. Até que, Annabeth falou algo sem sentido.

Percy, abra os olhos!”— ela dizia, mas como ela queria que eu os abrisse se já estava com eles abertos?

— O quê? – perguntei sem entender enquanto seus olhos cinzas me encaravam com doçura.

 “Abra os olhos!”.

******************************************************

“Cabeça de Alga, abra esses olhos, você já dormiu demais!” — a voz de Annabeth vinha do meu lado direito – “E nem adianta fingir que está dormindo, pela sua respiração acelerada, eu sei que está muito bem acordado! Temos uma missão, esqueceu é?”.

Eu quase abri os olhos instantaneamente quando a ouvi falar. Eu podia sentir seus lábios perto da minha orelha e sua mão segurando a minha.

— Percy, acorde vai, eu sei que você já está melhor! – é, pelo tom de voz dela, ela tinha mesmo certeza daquilo.

Abri os olhos lentamente, e antes que eu pudesse sequer vê-la direito, Annabeth se curvou em minha direção e encostou seus lábios suavemente nos meus.

— É tão bom ver seus olhos abertos! – disse ela logo depois de me beijar, seus olhos, em geral tão cinzas, assumindo um tom de azul quase líquido – Eu cheguei a pensar que talvez, talvez eu não fosse os ver mais.

Olhei confuso para ela, as palavras que ela disse demoraram a fazer sentido em minha mente, tudo por conta do beijo que ela me dera.

— Por que você pensou isso? – perguntei me sentando. Minha cabeça doía, assim como o resto do meu corpo.

Annabeth ajudou-me a sentar, encostou-me na parede e ficou ao meu lado, segurando minha mão.

Olhei ao redor, estávamos numa espécie de beco, há alguns metros eu podia ver Bryan fazendo algo e mais adiante eu podia ver a rua.

— Percy, você fez toda aquela água da chuva virar um tornado, tornado esse que arrastou todos os carros, árvores pequenas, postes e inclusive os cavalos infernais. – disse ela me olhando – Você gastou muita energia, você desmaiou, toda aquela água inundou a rua novamente e você quase foi levado pela correnteza. Assim que te vi desmaiando, comecei a ir a sua direção, pulando nos carros subindo em árvores, até que Bryan e eu te pegamos e te levamos para uma parte seca, o que foi bem difícil de achar! E você ainda pergunta por que eu pensei que nunca mais fosse ver seus olhos abertos?

Após ela dizer isso, me toquei que poderia ter acontecido algo com quem estava próximo quando fiz o tornado.

— Alguém se machucou? – perguntei, preocupado com ela e os mortais que podiam estar por perto naquela hora.

— Bem... Tirando você e os cavalos que ficaram em estado crítico e por isso eu só tive que enfiar a adaga neles. Não, mais ninguém. – disse ela dando de ombros – Mas claro que alguns mortais nos viram e por isso estamos sendo procurados em todos os quarteirões ao redor do Empire State.

— Estamos sendo procurados pela polícia? – perguntei franzindo a testa, e até isso doeu.

— Não, acho que não, afinal, se algum deles falar isso para a polícia, que um garoto de 16 anos fez um tornado em frente ao Empire State Building ou sei lá o que eles tenham visto, bem, eles seriam taxados de loucos! E a propósito, quase toda água já escoou, seu tornado fez uma bagunça, mas pelo que Bryan disse, tudo já está sendo arrumado.

Mais aliviado, suspirei, mas isso doeu um pouco.

— Você está bem? – perguntou Annabeth, a preocupação presente em seus olhos.

— Ótimo! Esqueceu que eu sou invulnerável, Sabidinha?

— Não, não esqueci!- ela sorriu minimamente - Mas justamente por isso estou perguntando.

— Hum?

Ela revirou os olhos.

— Quando se tem a maldição de Aquiles, se fica cansado muito rápido, por isso é necessário o descanso após as batalhas. Foi por isso que você desmaiou, você usou muito poder, Percy, e bem, poderia ter acontecido algo pior... – Annabeth abaixou a cabeça, os cabelos loiros fazendo uma cortina que me impedia de ver seu rosto - Eu fiquei preocupada, você ficou desmaiado por mais de meia hora, eu pensei que você, talvez, não fosse mais acordar e...

— Ei! Eu estou aqui. – disse abraçando-a e beijando seu cabelo – Sabe, antes de desmaiar, eu fiquei preocupado com você. Preocupado que você não tivesse conseguido sair de perto de mim e que o tornado também te puxasse.

Annabeth virou o rosto para mim e me beijou.

— Eu ouvi o que você disse para mim quando eu estava desmaiado! – a puxei para meus braços – Eu queria acordar para te falar que estava bem, mas não consegui. Eu não queria você triste.

Annabeth me interrompeu.

— Não era apenas tristeza, eu estava com... – ela engoliu em seco -... Com medo que você não acordasse. Você estava extremamente gelado, Percy, de uma forma que eu nunca havia sentido antes, você não se mexia, sua respiração estava irregular, fraca. E isso me preocupou! Mesmo que você seja invulnerável, Percy, eu ainda me preocupo, da mesma forma como você se preocupa comigo. Eu sempre vou me preocupar com você.

Ficamos abraçados mais um tempo, até que resolvi perguntar o que me incomodava.

— Eu fiquei dormindo por quanto tempo? Digo, depois que apertei a sua mão. 

— Você dormiu por duas horas. – respondeu ela, que se esticou para pegar algo ao seu lado direito. – O que me lembra que você tem que tomar mais néctar e ambrosia!

— Eu dormi por duas horas? – perguntei assustado, parecera bem menos – Mas e o ônibus para Washington e a missão?

Annabeth, que segurava o néctar e a ambrosia, me olhou atentamente.

— Você ainda não está bem, por isso, tome o néctar e a ambrosia que eu te conto as mudanças que Bryan e eu fizemos sobre a viagem! – ela me estendeu o alimento dos deuses e eu pensei em recusar, mas logo a ideia foi descartada, a dor em meus músculos era horrível, era como se dez tratores houvessem passados por cima de mim.

Quanto terminei, olhei para Annabeth, que permanecia me observando, como se estivesse fascinada pelo fato de eu estar bem, e o engraçado é que eu estava da mesma forma por saber que ela não havia se ferido, embora estivesse um pouco chamuscada.

— Agora vai me contar o vamos fazer? – perguntei limpando minha boca e já me sentindo um pouco melhor.

Ela colocou uma mecha loira atrás da orelha.

— Com tudo o que aconteceu: a luta, o tornado, seu desmaio, nossa fuga, sua melhora. Acabamos perdendo o ônibus, agora teremos que esperar o próximo, que saíra daqui a duas horas. Fora isso, o plano continua o mesmo, iremos para Washington.

Os olhos dela brilharam, ela estava ansiosa com a ideia. Eu sabia que Annabeth já havia ido a Washington uma vez, e sabia também o quanto estava doida para ir lá novamente.

— O próximo ônibus só sai daqui a duas horas? – perguntei, ao que ela assentiu.

— Sim, o Bryan está reservando nossas passagens.

Olhei em direção ao Bryan, que estava alguns metros a frente, mexendo no notebook de Annabeth.

— Impressão minha ou ele está usando seu notebook?

Ela deu de ombros.

— Sim, ele está usando, por quê?

— Você detesta que as pessoas mexam nas suas coisas! – disse eu desconfiado, até que me veio uma ideia – Você o deixou mexer por que não quis sair do meu lado, não estou certo?

Ela me olhou como se eu fosse maluco.

— Convencido! – ela revirou os olhos, mas quando olhou nos meus, sorriu – Talvez seja por causa disso...

— Talvez?

— É, talvez! – isso seria o melhor que eu conseguiria dela.

Sorri. Ela era uma teimosa, mas eu não era muito melhor.

— Como você já está se achando muito. – disse ela – Tenho quase certeza de que já está melhor.

— Não, não estou melhor. – disse fazendo uma careta.

— Está sim!- disse ela, levantando-se e estendo a mão para me puxar - Vamos, levante!

Nisso me lembrei do meu sonho. É, seria legal eu fazer algo parecido com o que fiz nele.

— Não, prefiro ficar mais um pouco aqui! - segurei a mão de Annabeth, mas a puxei para baixo, o que fez com que ela caísse no meu colo.

— Percy, temos uma missão, e vejo que o efeito do néctar e ambrosia já funcionou, afinal, você conseguiu me puxar, está ótimo!

— Não, para eu ficar ótimo tenho que ganhar beijos.

Annabeth revirou os olhos.

—  Cabeça de Alga... – ela começou a dizer, mas a calei com um beijo.

Beijo esse que, a propósito, fez meu cérebro ficar como gelatina.

— Pronto. – disse ela ofegante, se levantando – Podemos ir? Temos que falar com o Bryan.

— Podemos! – disse eu me levantando e quase tropeçando, não fosse Annabeth me ajudar.

E isso me fez pensar, mal havíamos saído do Olimpo e já tínhamos sido atacados por cavalos infernais, o que significa que aquela missão deveria ter muitos monstros daquele tipo: difíceis de matar.

Mas parei de pensar nisso, afinal, parece que é só pensar em monstros que eles aparecem. É melhor eu para de pensar em monstros e ponto!

No entanto, enquanto caminhávamos em direção a Bryan, minhas mãos entrelaçadas na de Annabeth, não pude deixar de pensar nas profecias. Não só na que Rachel nos dera, como também a que estava por trás da espada e Atena não nos contara.

Algo me dizia que uma explicava a outra, e que eu precisava saber sobre essa da espada para poder entender tudo, para entender qual era o perigo da espada de Atena. Eu só esperava que não demorasse tempo demais para termos acesso a essa profecia, porque cada minuto era crucial.



Notas finais do capítulo

E aí, o que acharam?
PS: se alguém estiver se perguntando o por que do capítulo ter ficado quase dramático, isso se deve ao fato de que hoje eu chorei litros assistindo o filme: "A Última Música". Fiquei super emocional depois disso, logo, os personagens também ficaram!
Então é isso!
Beijos!