Momentos de Percy J. e Annabeth C. [Em Revisão] escrita por Nicolle Bittencourt


Capítulo 53
Capítulo 53: Lutamos contra cavalos infernais


Notas iniciais do capítulo

Hi, hi, guys! Como vocês estão?
Dedico este capítulo à Bia Valdez, que fez aniversário no dia 15 de maio. Parabéns Bia, tudo de bom, saúde, paz e amor! Espero que goste do capítulo!
Enfim... Boa Leitura!



Percy’s POV

A cena diante de mim era algo que eu nunca havia visto antes. E olha que eu achava que depois da guerra contra Cronos eu já tinha visto de tudo, mas, aparentemente, eu estava enganado. 

Imagine um cavalo preto- azulado, forte, sadio e furioso. Agora imagine dezenas de cavalos preto-azulados, fortes, sadios e que pareciam furiosos e loucos para te matar, parados em frente ao Empire State Building. Ah! Acrescente o fato de que, no lugar onde deveriam existir suas crinas e os rabos, havia apenas fogo, e que o fogo também saía de suas patas e seus focinhos. É, dava para entender porque Annabeth havia os chamados de pesadelos.

Num movimento rápido, Annie puxou Bryan e eu para trás de um Porsche prata que estava estacionado ali perto.

— Nunca pensei que fosse vê-los! – ela estava encostada contra o carro e esticou a cabeça apenas o suficiente para dar uma rápido olhada nos cavalos, seus olhos arregalados, a mão em sua adaga. — Estes são os pesadelos, mais conhecidos como nightmare. Legítimos cavalos das sucubus e dos incubus.

Prestei atenção ao que ela falava sem deixar de olhar para os cavalos através das janelas do carro. Eles não haviam nos visto ainda, tudo porque estávamos atrás do Porsche e porque eles não pareceram nos perceber na exata hora que saímos no prédio. No entanto, não podia dizer o mesmo sobre as pessoas em relação a eles, por mais que elas não conseguissem vê-los como o que eram, elas viam algo que as assustavam, não ao ponto de saírem correndo, mas sim de semicerrarem os olhos e logo depois arregala-los.

— Cavalos de quem? – perguntei já com contracorrente em punho.

— Sucubus e incubus, tipos de demônios, que, pelo que eu me lembre, serviam a Hades. – enquanto ela falava, eu podia ver seu cérebro trabalhando como uma máquina, planejando algo — Os incubus eram como homens que podiam entrar nos sonhos de mulheres, já as sucubus eram mulheres que entravam nos sonhos de homens. Uma vez nos sonhos das pessoas eles podiam fazer o que quisessem, mas em geral o objetivo deles era se “divertirem”, eles drenavam a energia dessas pessoas, as deixando mortas ou em um estado muito frágil. Esses demônios eram carregados por cavalos infernais.

— Então, aqueles cavalos ali, que não são apenas cavalos, servem a demônios e são infernais? – perguntou Bryan ao que Annabeth assentiu – Ok, o nome pesadelo faz sentido.

Enquanto Bryan falava, tentei me concentrar em me comunicar com aqueles bichos, afinal, meu pai era o criador dos cavalos, e eu, sendo filho de Poseidon, podia ouvir o que pensavam. 

Minhas tentativas não deram em nada, por mais que eu me esforçasse, daqueles 40 cavalos infernais não vinha nenhuma palavras, nenhum pensamento.

— Estou tentando ouvir o que pensam, mas não consigo ouvir nada. – olhei para Annabeth, que passava as mãos na calçada, como se estivesse esquematizando as jogadas de um jogo de futebol americano.

— Nada? – seus olhos cinzas intensos focaram em mim, ela parecia contar com o fato de que eu podia “falar” com os cavalos.

— Nada, nenhum xingamento, nenhuma ameaça de morte, nada!

Annabeth fechou os olhos, tentando se concentrar. Era óbvio que essa notícia havia a obrigado a mudar de estratégia.

— Provavelmente isso ocorre porque eles são do submundo, por esse mesmo motivo, não foram criados por Poseidon, e sim por Hades.

— Como cópias? – disse Bryan.

— É, como cópias! Talvez seja isso, ou talvez, apenas os demônios que os dominam possam os ouvir. - ela parecia irritada pelo fato de não ter certeza sobre o que estava dizendo. — Acho... Acho que tenho um plano, só não sei se vai dar certo, afinal, nunca lutei contra cavalos infernais antes. Mas, acho que, se acertarmos o peito deles, que é uma das poucas partes sem fogo, eles morrem, só não tenho muita certeza disso...

Annabeth parecia apreensiva, por isso, tentei acalmá-la.

— Ei, nós já enfrentamos Cronos, lembra? O que seriam 40 cavalos que pegam fogo em comparação com um titã do mal? Fora que, eles nem nos viram ainda, temos algum tempo antes disso.

Já ouviram alguém dizer que: “falou cedo demais.”? Então, é o que eu havia feito, pois justamente nessa hora, ouvi um enorme estrondo, seguido de um forte impacto que fez com que Annabeth, Bryan e eu fôssemos jogados para frente e nos chocássemos contra o chão, pois algo havia se lançado contra o Porsche que estávamos usando como escudo. Por sorte, o carro não havia tombado, apenas deslocado alguns centímetros, e pela força do impacto, também devia ter ganho um amassado na lateral. Com certeza o dono não ficaria nada feliz com isso.

— Acho que você abriu a boca muito cedo, Cabeça de Alga! – disse Annabeth enquanto nos erguíamos do chão e olhávamos o que havia atingindo o carro.

— Sabem o lado bom disso? Não precisamos mais ficar escondidos! – olhei o cavalo que nos encarava ferozmente através dos vidros – O ruim, é que, já que ainda não temos um plano muito certo, teremos que sair correndo daqui!

E assim, nos levantamos e saímos correndo, isso um segundo antes de um pesadelo derrubar o Porsche no chão. Se ainda estivéssemos ali, teríamos virado panqueca. É, o dono do Porsche iria ficar muito bravo, só esperava que o seguro dele cobrisse ataques de cavalos infernais.

— Ok, o que fazemos agora? – perguntou Bryan olhando para aquelas dezenas de cavalos flamejantes que agora corriam em nossa direção. Os mortais, assustados, iam para todas as direções, gritando. Eu não sabia o que eles estavam vendo, já que a névoa distorcia tudo, mas sabia que eles não estavam vendo pôneis de carruagens, o que eles viam era algo ruim.

— Agora, nós acabamos com eles! – ao dizer isso, saquei contracorrente e acertei o peito do primeiro cavalo que veio em minha direção.

Quando fiz isso, reparei que tanto Annabeth quanto Bryan também começaram a se posicionar e a esfaquear os cavalos. Não preciso dizer que os dois primeiros foram fáceis de matar e que logo viraram pó, mas após isso os outros aprenderam a lição, e agora, quando se aproximavam, com seus olhos vermelhos encarando furiosamente, levantavam suas patas fumegantes contra mim. Graças a maldição de Aquiles, quando as patas de um me acertaram, eu nem senti a dor propriamente dita, e sim de forma mais amenizada.

Eu já havia matado pelo menos uns 8 cavalos, mas a cada um ficava mais difícil atingi-los. Eles pareciam dispostos a matar, e eu não duvidava disso, só não sabia o motivo disso, se bem que... Desde quando algum monstro precisou de motivo para querer matar um semideus? Só de ser um meio-sangue já era motivo suficiente para eles.

Estava tão ocupado tentando matar os vários cavalos infernais que vinham em minha direção, que nem consegui ver o que Bryan e Annabeth estavam fazendo. Até que, num certo momento, após eu quase ter sido pisoteado por 3 cavalos que vieram para cima de mim ao mesmo tempo, eu consegui ver rapidamente que Bryan estava se saindo bem, ele tinha uma certa habilidade com a espada, era mesmo bom, conseguiu acertar os cavalos, embora alguns tenham tostado-o um pouco. Mas eu não conseguia ver Annabeth e ainda haviam pelo menos 20 cavalos vivos. Então eu reparei em como alguns cavalos morriam do nada, e tinham marcas no dorso, como se tivessem sido esfaqueados. Sendo assim, Annabeth estava lutando invisível, pegando-os de surpresa, na verdade, ela até evitara que alguns me pisoteassem quando cai no chão, ou melhor, quando levei um coice de outro cavalo, que logo que eu levantei e acertei-o com minha espada, virou pó.

— Bryan, atrás de você! – disse Annabeth para o filho de Zeus quando um cavalo se ergueu atrás dele.

Bryan girou a tempo de acertar o cavalo, sua espada acertando a barriga do animal.

Eu, que travava minha própria luta com o que parecia ser o maior de todos eles, provavelmente uma espécie de líder, não pude prestar atenção em mais nada. Na verdade, haviam dois cavalos infernais maiores, e que pareciam muito mais difíceis de matar. Eles tinham o dobro do tamanho dos outros, e por isso, deveriam ser os líderes.

O que eu estava tentando matar veio para cima de mim, se erguendo sobre duas patas, seus olhos vermelhos me encarando, pelo jeito que ele me olhava, eu podia dizer que seu próximo golpe era mortal.

Ele relinchou e baixou suas patas, como se para me pisotear, mas no mesmo instante eu girei para o lado, e com contracorrente em punho, me levantei, planejando acertá-lo a lateral. No entanto, diferentemente dos outros, esse era mais esperto, não se deixou ser atingido, ao contrário, de alguma forma, ele conseguiu me atacar com suas patas flamejantes e eu voei longe, minha cabeça batendo na parede de algum prédio.

Abri os olhos lentamente, tentando fazer minha visão entrar em foco, eu até podia ser “invulnerável”, mas aquilo doeu. Quando meus olhos se abriram completamente, reparei em como uma multidão de mortais ainda corriam, reparei também que agora só restava cerca de meia dúzia de cavalos infernais.

— Percy, você está bem? – a voz de Annabeth vinha de algum lugar a minha direita.

Olhei na direção de sua voz e consegui vê-la tirando seu boné dos Yankees da cabeça, os cabelos loiros caindo em ondas por sobre os ombros.

— Tudo bem. Mas aquele cavalo infernal que me jogou aqui, ele está sendo um pouco mais difícil de matar do que os outros. – respondi colocando a mão na cabeça.

Ela olhou para mim e depois para minha cabeça, parecia querer ter certeza de que eu estava bem, mesmo sabendo da minha invulnerabilidade.

— Eu sei, também teve um que me atacou, e não foi nada fácil enganá-lo, na verdade, eu só consegui por conta do meu boné. – Annabeth passou uma mão no cabelo, ela estava com o rosto pensativo – Mas esses maiores, eles devem ser mais poderosos porque devem pertencem aos líderes, um deve pertencer ao principal incubus, e o outro a principal sucubus, por isso eles são mais fortes e resistentes, existem há milênios e são poderosíssimos.

Annabeth e eu nos pusemos de pé. Olhei para onde Bryan estava, ele havia acabado de matar dois cavalos infernais, agora só restavam outros dois de pé.

— Onde estão os líderes? – perguntou Annabeth, e isso fez com que eu me tocasse que aqueles dois em pé não eram os principais, então onde eles...

— Acho que acabei de descobrir onde eles estão. – disse olhando para trás de Annabeth, de onde dois pares de olhos vermelhos nos encaravam. – Algum plano, Sabidinha?

Ela me olhou, por seus olhos eu vi que ela estava planejando algo.

— Acho que sim, mas para isso teremos que distraí-los! – nossos olhares se encontraram e eu assenti, sabia que ela tivera alguma ideia brilhante.

Ambos os cavalos vieram para cima de nós, um em direção à Annabeth, outro para mim. Esfaqueávamos, socavamos, mas não pareciam se ferir. Até que, após Annabeth ter quase acertado o coração do animal que enfrentava, o cavalo que eu lutava me ignorou, e também foi para cima dela.

— Annabeth, cuidado! – Ela não teve nem tempo de se mexer, e nem eu de raciocinar na verdade, ele era rápido, e logo estava se jogando sobre Annabeth.

O cavalo a pegou pela blusa, segurando-a com seus dentes, a carregando como uma boneca de pano.

Comecei a ir em direção ao cavalo, porém, ele corria e eu não sabia o que fazer. Além do que, o outro líder voltou a me atacar, eu tive que ficar desviando dele e tentando atingi-lo ao mesmo tempo.

Consegui olhar rapidamente para Bryan, ele estava chamuscado, mas havia matado os outros cavalos infernais “normais”. Após isso notei que o cavalo que carregara Annabeth havia a soltado no chão, e quando olhei a faca dela, vi que estava ensanguentada, ela havia acertado-o. Mas isso não pareceu machuca-lo, pois logo a ferida se fechou.

Pulei em cima de um carro esportivo, usando-o como trampolim para pular por sobre o cavalo que me atacava, precisava chegar a Annabeth. No entanto, ele não me deixava passar e eu tive que continuar a luta. Mesmo com a adrenalina correndo por meu corpo, eu estava começando a ficar cansado daquilo, daquela luta, que era para aparentemente atrapalhar a nós três.

Em um dos meus pulos, consegui ver Annabeth de pé, lutando contra o cavalo que havia arrastado-a. Bryan, que parecia exausto, foi ajuda-la.

— Por serem líderes eles são mais fortes, o fogo deles os dá mais resistência que os outros, precisamos de água para apagar as chamas do corpo deles! – berrou Annabeth, parecendo mais próxima.

Num golpe consegui afastar o cavalo com que lutava e saí em direção a Annabeth e Bryan.

— Bryan, você precisa fazer com que chova! – ouvi Annabeth dizer enquanto eu me aproximava.

— Eu, eu não sei fazer isso! – ele respondeu..

— Lembra-se de quando você me ajudou com aquele ciclope, quando mandou aquele raio? – dizia Annabeth quando me coloquei ao seu lado, estávamos entre os dois cavalos, que começaram a dar voltas em torno de nós. - Então, se concentre, como fez aquele dia, você consegue!

Bryan fechou os olhos, mas nada aconteceu, os cavalos vieram em nossa direção.

— Vamos cuidar deles! – eu disse – Só faça chover!

Annabeth e eu saltamos ao mesmo tempo, eu podia ver que ela estava exausta, mas que iria lutar até o fim.

Com a minha espada em punho, dei estocadas no animal, que tentava de todas as formas me atingir com suas chamas ou me pisotear, ou me morder, qualquer coisa para me ferir. Não fosse meu treinamento no Acampamento, eu estaria morto àquela hora.

Eu havia acabado de escorregar por baixo da barriga do cavalo, tentando atingi-lo, quando senti os primeiros pingos de chuva caindo sobre meu rosto.

Começou como pequenas gotas finas, mas logo o chuvisco virou um temporal, raios e trovões vindos de todos os lados, a chuva nos encharcava, ensopava nossas roupas e abaixava as chamas dos cavalos, mas não o suficiente para evitar que fôssemos machucados. Nisso, tive uma ideia.

Me concentrei na água que estava aos meu pés e deixei a raiva surgir dentro de mim. Logo pude sentir um repuxo no estômago e toda a água que antes estava aos meu pés, agora girava ao meu redor, como um pequeno tornado.

— Percy! – ouvi Annabeth arfar em algum lugar próximo – Você fez um tornado?!

— Afaste-se! – berrei – Você e Bryan, tirem todas as pessoas daqui, e saíam.

Após alguns minutos, rezei para que ela e Bryan tivessem feito o que eu havia dito, no entanto, não pude pensar muito nisso, pois se o fizesse, toda raiva sairia de mim e o tornado seria desfeito. Me concentrei em fazer com o funil de água aumentasse e, assim, trouxesse os cavalos para perto.

E foi o que aconteceu, logo toda água que se encontrava no chão girava ao meu redor, formando um enorme tornado em frente ao Empire State, e arrastando tudo a sua volta, desde carros até os próprios cavalos. Esses últimos giravam loucamente, sem nem se debaterem e pareciam que haviam se afogado no tornado.

Me concentrei em manter a água girando, mas eu não tinha mais forças, e assim, em poucos segundos eu caí no chão, exausto, o tornado parando, e uma inundação de água, carros e cavalos tomou conta da rua.

Pude sentir a água me levar, mas eu estava fraco demais, um dos efeitos colaterais de ser invulnerável, e desmaiei ali, em meio aquela enxurrada de água e de destroços. Antes de apagar completamente, rezei para que Annabeth estivesse bem, que nada tivesse acontecido com ela e para que os cavalos tivessem virado pó. Rezei também para que Bryan estivesse bem.

Após isso, tudo o que eu vi foi a escuridão.