Eternal Flame escrita por soniachristine


Capítulo 5
Surpresa


Notas iniciais do capítulo

Sugestão musical: Tristes Versos - Enverso (http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=A1SAJEQozUg)





Entramos em casa, onde meus adoráveis tios esperavam.

− Enfim apareceu! – Emmett jogou as mãos para o alto. – Me deixa ver se você cresceu alguma coisa. − ele fingiu me medir. – Poxa, parece que você vai ser baixinha que nem a Bella. Que azar Nessie!

A gargalhada de Emmett ocupou toda a sala.

− Deixa de ser bobo, Em! – gemi fazendo biquinho.

Ele gostava mesmo de ser chato. Já se passaram meses desde que eu passei da altura de Bella, que por sua vez sempre se mostrou muito grata por eu ter herdado o porte físico de Edward.

− Aqui está o nosso presente. Meu, de Em, Alice e Jasper. – Rosalie parou ao lado de Emmett me estendendo uma chave. Alice e Jasper se aproximaram também.

− Não me diga que é um...

− O carro já está lá em casa. – Rose piscou para mim.


− Ai! Eu não acredito! – saí dando pulinhos, abraçando e beijando os quatro. – Obrigada! Obrigada! Obrigada!

− Com essa aparência qualquer um acreditaria que você tem no mínimo 17 anos. Por isso achamos que era a hora certa de você ter seu próprio carro. – Alice rodopiou pegando um envelope que estava em cima da mesa de centro.

Abri o envelope, dentro dele estava uma carteira de motorista com meus dados.

− Jasper tratou de conseguir seus documentos. – Alice abraçou Jasper ficando na ponta dos pés para beijar seu rosto.

− Foi um trabalho em equipe. – ele sorriu para mim.

− Obrigada a todos vocês! Mal posso esperar para contar ao Jacob.

Ouvi o ruído baixo da porta do quarto de Edward e Bella se abrindo atrás de mim.

− Então por que não conta agora?

Não era possível. Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Ao ouvi-la meu coração parou, batendo em seguida completamente fora de ritmo, desenfreado. Virei-me tão rápido que quase perdi o equilíbrio.



− Jake! Jake! Eu não acredito! – corri me atirando em seus braços, ele me levantou pela cintura em um giro. Não era mais um sonho, ele estava ali comigo, tão real quanto o seu cheiro e seu calor que irradiava em minha pele. Seu abraço era tão apertado que quase sufocava, mas ainda assim eu não ousaria me afastar dele nem sequer um milímetro, ele poderia me sufocar até a morte, eu morreria feliz.

− Que droga! Eu já estava acostumada a respirar sem o fedor de cachorro por perto.

– Rose se afastou sentando no sofá.

− Eu sei que você estava morrendo de saudades, loura psicopata. – Jacob respondeu ainda me segurando, olhando em meus olhos com um sorriso de tirar o fôlego, os dentes brilhantes destacando-se num contato vívido com a cor avermelhada de sua pele.

− Vai sonhando. – Rose retrucou.

− Senti tanto a sua falta, Ness. – ele sussurrou em meu cabelo me abraçando outra vez.


− Eu também, Jake. Nem posso acreditar. – foi tudo o que consegui dizer.

− Você não tem a menor idéia de como eu senti sua falta... Do quanto eu pensei em você. – repetiu ele com a voz próxima ao meu ouvido, me causando um arrepio desconhecido.

Ficamos ali abraçados por cerca de um minuto e então Jacob se afastou me olhando de cima a baixo. Nem sei por que, mas algo na maneira que ele me olhou me deixou sem graça.

− Você está... Muito linda. – falou meio abobado.

Ouvi um rosnado baixo vindo de Edward. Por impulso segurei a mão de Jacob e o puxei para sentar ao meu lado.

− Vocês podem me explicar quem foi o responsável por isso? – falei com um sorriso de orelha a orelha. Aquele com toda certeza fora o melhor presente do dia.

−Percebemos que você estava insatisfeita com o fato de Jacob não ter vindo conosco, mas eu não imaginei que fosse tanto. Você não pensava em outra coisa, a cada dia parecia mais triste e eu me sentia culpado. – Edward explicou. Senti por não conseguir esconder meus pensamentos dele, como imaginei que conseguiria. De qualquer forma, se isso me trouxe Jacob, eu estava feliz. − Não poderia ver você assim, ainda mais no seu próprio aniversário.

− Você tinha que ver! Ela não largava aquele cachorro-urso! – Emmett quase gritou para Jake, balançando a cabeça, com uma animação, a meu ver, desnecessária.


− Então pedimos para Esme encontrar Jacob e avisá-lo que ele faria uma viajem de última hora. – interferiu Alice.

− A segunda parte do nosso presente. – Bella completou.

− Pensei que me colocariam em um embrulho com um laço enorme. – Jake revirou os olhos.

− Ora, mas porque não o chamaram antes? Eu aceitaria um adiantamento. – disse abraçando Jake mais uma vez, ele beijou minha testa.

− Porque não vão dar uma volta? Hoje vai fazer um dia lindo. – sugeriu Alice.

− Por mim está ótimo. – Jake se levantou.

Eu estava muito eufórica, exageradamente feliz. Jacob também. Nós estávamos cheios de energia, praticamente quicando pela floresta. Saímos conversando, contei sobre os lugares maravilhosos que conhecemos, sobre os animais e as caçadas. Havia muito a ser dito, mas o que importava de fato era estar ali, ao lado dele. Jacob prestava atenção em tudo e não tirava os olhos de mim. Havia algo diferente na maneira em que ele me olhava e por isso eu não conseguia encará-lo por muito tempo. Àquela altura estávamos bem perto da cachoeira.

− Que tal um mergulho? – sugeriu empolgado já tirando a camisa.

Meus olhos se fixaram por tempo demais nos músculos dele, eu simplesmente não conseguia desviar e aquilo me desconcertou. Graças a Deus Jacob ignorou minha estranha indiscrição.

− E então? – ele insistiu.


− Mas estamos no alto do penhasco, de jeito nenhum!

− Ah, fala sério, Nessie! Vai dizer que está com medo? – ele se aproximou lentamente com cara de quem ia aprontar alguma.

− Não é isso – menti, eu estava prestes a sair correndo. – nós nem estamos de biquíni, além do mais...

Ele puxou minha mão de repente, me colocou no colo e saiu correndo em direção ao penhasco.

− Não, Jake! Não faça isso! – Comecei a socar seu peito o mais forte que eu podia. – Eu juro que vou te matar!

Jacob sorriu gostando do perigo, pelo que vi, ele se divertia com aquilo tudo. Não houve mais tempo para nada, ele pulou. Nem tive a reação de gritar, imediatamente me agarrei a ele encaixando minha cabeça entre o seu ombro e pescoço, com os olhos fechados.

Senti sua respiração regulada e forte em minha nuca, senti o seu calor se espalhando pelo meu corpo como correntes elétricas me fazendo arrepiar. Meus braços em volta de seu pescoço, sua mão segurando minha cintura fortemente, minhas pernas apoiadas em seu braço. Espantosamente me senti segura, passei então a desfrutar o momento. O vento batia em meu cabelo deliciosamente. Respirei de leve e senti aquele cheiro tão bom que ele tem, foi uma sensação maravilhosa, queria que aquele momento durasse mais e mais. Encarei Jake e ele riu o sorriso se alargando de uma forma impossível, tive de sorrir também. Notei a intensidade da situação quando percebi minha proximidade ao seu peito nu, claro que eu já havia visto Jacob sem camisa, mas nunca de tão perto. Eu não conseguia tirar os olhos de seus músculos bem definidos de tom amadeirado, automaticamente meus dedos deslizaram discretamente descendo do seu pescoço até o peitoral. Meu coração batia forte como nunca, senti um frio na barriga e então, o impacto da água sob nós.


Mergulhamos e, por sorte, não colidimos com nenhuma pedra. Jacob me soltou e eu nadei até a superfície para respirar. Esperei por ele, que apareceu em alguns segundos com um sorriso largo estampado no rosto.

− Você ficou louco?! – gritei jogando água no rosto dele – Nós poderíamos ter morrido.

− Ah, não é pra tanto, Ness. – ele se esquivava e eu continuava a espalhar água por toda parte.

− Nunca mais faça esse tipo de coisa. – falei sério.

− Como você é medrosa.

− Não sou não! – respondi fazendo birra.

− É sim. Medrosa e mimada. – Jacob passou a revidar com jatos de água mais certeiros que os meus.

− Mimada?! Vou te mostrar quem é a mimada.

Avancei nele tentando afogá-lo. Brincamos com isso por algum tempo nos divertindo tal como duas crianças. Ele me pegou nos braços mergulhando comigo, atravessamos a espessa camada de água que caía da pedra mais alta da cachoeira. Onde estávamos a água alcançava a cintura de Jake e ficava abaixo do meu peito. Fiquei encantada com a beleza do lugar, uma espécie de gruta formada pelas rochas, a luz do sol era filtrada pela agitada cortina de água que fechava o ambiente. Jacob sussurrou algo que não entendi devido ao barulho da queda d’água, mas me pareceu como “Quando vai perceber?”.

Ele se aproximou. Agora faltava apenas um centímetro para que nossos corpos se tocassem, minha respiração acompanhava o ritmo da dele. Seus olhos invadiam os meus como se pudessem ver minha alma. Sua mão deslizou pelo meu braço parando com a palma em minha nuca, os dedos envolveram uma mecha dos meus cabelos pela raiz. Estremeci. Eu estava hipnotizada, não via e nem sentia mais nada que não fosse Jacob. Pendi para frente tornando a distância entre nós ainda menor e fechei os olhos.


− Renesmee! – reconheci a voz de Nahuel.

Abri os olhos atordoada me afastando de Jacob, que soltou um gemido de frustração.

− Renesmee, você está aí? – Nahuel continuava a gritar.

− Mas o que esse idiota quer?! – Jake grunhiu pressionando as têmporas.

− Renesmee? É você? – a voz de Nahuel se aproximava.

O que fora aquilo? Eu realmente estava prestes a beijar Jacob? Aquilo não fazia sentido, eu só poderia ter enlouquecido de vez. Balancei a cabeça a fim de espantar a idéia.

− Nessie? – Jake me sacudia pelos ombros.

− Renesmee? – Nahuel parecia uma sirene de tão insistente, repetindo como um disco riscado.

− Ãn?

− Vai ficar aí parada? – Jacob ergueu as sobrancelhas.


Soltei um ‘não’ inaudível e mergulhei, nadando para fora da gruta. Logo avistei Nahuel agachado na margem do rio. Cheguei a pensar que ele se jogaria de roupa e tudo se eu demorasse mais um pouco.

− O que houve? – acenei para Nahuel.

Ele abriu um grande sorriso ao me ver, sorriso esse que desapareceu assim que
Jacob surgiu atrás de mim. Meu amigo lobo não deixou de perceber isso.

− Olá. – Jake mostrou os dentes, aquilo foi muito artificial para ser chamado de sorriso.

− Nos conhecemos? – Nahuel continuava sério.

− Acredito que sim. – Jacob respondeu despreocupado enquanto saía da água, depois sacudiu o cabelo como um cachorro jogando água para todo lado.

Notei que eu continuava parada no meio do rio e apressei-me em sair. Jacob tirou o tênis encharcado examinado o estrago que causara, estava aparentemente alheio a Nahuel que o encarava analisando cada movimento seu. Parei ao lado de Jake.

− Nahuel, esse é Jacob Black. Deve se lembrar dos lobos que estavam conosco no dia da visita dos Volturi.

A compreensão iluminou seu rosto e ele levantou em um salto indo na direção de Jake lhe estendendo a mão.

− Agora me lembro. – eles trocaram um aperto de mãos mais forte do que o necessário. – É um prazer revê-lo.

− Aham. – Jacob disse irônico.


Enquanto eles travavam uma silenciosa batalha para ver quem deslocaria um osso primeiro reparei em meu estado. O jeans molhado pesava, minha camiseta branca ficou quase transparente colada ao corpo. Por sorte eu vestia o lindo conjunto de lingerie vermelha de bolinhas brancas que Alice me comprara, ele não perdia em nada para um biquíni. Tirei a camiseta e a torci derramando uma considerável quantidade de água no chão. Só assim os dois lembraram que eu existia.


− O que você está fazendo? – Jacob perguntou confuso.

− Ora, tentando me livrar de toda essa água. – respondi atirando a camisa no chão.

Afinal quem se importava? Eu nunca mais iria usá-la mesmo. Abri o botão do short.

− Espere um minuto. – Jake estendeu a mão me interrompendo apressado. – Você pode vestir minha camisa. Vou pegar − ele já ia saindo, mas parou olhando receoso para Nahuel. − Eu volto logo.

Assenti e me sentei em uma pedra esperando. Assim que Jacob sumiu em meio às árvores Nahuel sentou ao meu lado como se fosse me confidenciar algo.

− O que esse brutamonte fez com você? – sussurrou.


Brutamonte? Eu poderia ter me irritado com a pergunta, mas a escolha da palavra só me fez rir.

− Por que está rindo? Renesmee, responda à minha pergunta.

− Ele não fez nada. – tentei controlar o riso. − A não ser é claro, me deixar ensopada. – gesticulei apontando para o meu estado.

Nahuel me olhou torto.

− Então porque você estava com aquela cara de assustada?

Parei para pensar e isso me fez lembrar o meu imaginário ‘quase beijo’ com Jacob.

− Isso foi culpa sua. – menti − Quem mandou ficar gritando daquela maneira?

− Precisava te encontrar. – ele segurou minha mão, aquilo me incomodou um pouco. – Você pensou sobre... nós?

Agora havia um ‘nós’? Que ótimo. Nahuel tinha de estragar tudo apressando as coisas.


− Três horas não foi tempo suficiente para pensar. – olhei para baixo e bati o pé inquieta.

− Pois eu estive analisando a situação. – ele fez uma pausa, provavelmente esperando que eu o encorajasse a prosseguir. Não o fiz, mas ele continuou mesmo assim. – Durante cento e cinqüenta anos eu vivi sozinho, me considerando uma aberração em uma espécie que já não é natural, então conheci sua família e vocês me mostraram que há uma chance para pessoas como nós, uma chance de ser feliz. Jamais imaginei que um dia eu pudesse sentir o que sinto quando estou perto de você. Sua voz, sua presença, sua forma de ser. Eu poderia passar a eternidade ao seu lado, desejo isso nesse momento mais do que qualquer outra coisa.

Ele ergueu meu rosto com a ponta dos dedos para que eu o olhasse. Eu não queria, mas cedi. Seus olhos estavam suplicantes, esperançosos.

− Eu também gosto de você Nahuel, mas... A eternidade? – mordi o lábio, indecisa. – Não podemos esquecer essa parte por enquanto?

Por um momento pensei que o havia magoado, mas depois, a meu ver, ele entendeu que eu estava sendo sincera e que aquilo era o máximo que eu poderia oferecer-lhe nesse momento.

− Como você preferir. – sorriu levemente e se inclinou em minha direção me beijando. Ele me abraçou forte, suas mãos percorriam minhas costas seminuas com uma urgência avassaladora. Retribui o beijo, fora do ritmo acelerado dele. Pensei em Jacob e tive um inexplicável pânico de que ele nos encontrasse naquela situação.

− Melhor pararmos por aqui. – empurrei Nahuel tentando ser o menos rude possível.


Ele me olhou sem entender, mas se afastou. Torci meu cabelo retirando o excesso de água que havia nele.

− E olha ele lá. – Nahuel anunciou desanimado. Jacob vinha correndo segurando a camisa. Fui tomada por uma súbita felicidade ao vê-lo. Corri para abraçá-lo.

− Demorei tanto assim? – ele perguntou enquanto me abraçava.

− Não, não. Só estou tentando recuperar o tempo perdido. – me afastei um pouco, sorrindo para ele.

Jake me sorriu de volta, então por um breve momento seu olhar caiu do meu rosto para o meu busto. Ele virou-se rapidamente para o lado me estendendo a camisa.

− É melhor vestir logo isso.

Peguei a blusa e vesti, ela não chegava à metade da minha coxa, mas era o suficiente para que eu pudesse tirar o short e foi o que eu fiz antes que a blusa também ficasse ensopada. Nahuel jogava algumas pedras no rio alheio ao meu procedimento. Jacob permanecia de costas balançando-se com ansiedade de um pé para o outro.

− Pronto Jake. Obrigada.

− Disponha.

Ninguém falou mais nada.

− Então... – tentei quebrar o silêncio, mas não conseguia encontrar assunto. – Casa?


Jacob deu de ombros.

− Não prefere ficar mais um pouco? – Nahuel se levantou de repente disposto a socializações. – Que tal mostrarmos ao Jacob os melhores lugares para caçar?

− Com você... − Jacob abriu a boca pegando ar como se pensasse na resposta. − Não.

− Jake! Que grosseria. Ele só quis ser gentil.

Jacob revirou os olhos e se balançou impaciente.

− Não estou afim, ok? Quem sabe numa próxima. – o olhar indiferente de Jake de repente focalizou Nahuel com um brilho maligno. – Bem, se você estiver tão necessitado, fique a vontade para ir. Nós entenderemos. – disse com uma gentileza forçada. − Não se preocupe. Eu posso agüentar bem mais do que você imagina.

Os dois ficaram se encarando em silêncio, quase saíam faíscas.

− Tudo bem, já chega. Para casa. Todos juntos.

Voltamos para casa e no caminho Nahuel fazia de tudo para nos atrasar, parando, mudando a trilha, dando voltas e mais voltas. Quase vi a hora de Jacob voar em cima dele. Como se Jake já não parecesse gratuitamente incomodado com a presença de Nahuel. Enfim, demorando mais que o dobro do tempo que deveríamos ter levado, chegamos e meu Deus, o que era aquilo?

Todo o jardim estava decorado, repleto de flores nos mais variados tons de rosa. Arcos, árvores e a fachada da casa, tudo ganhara uma nova vida, parecendo o cenário de um sonho. Aquilo era obra de Alice, eu não tinha dúvidas. Caminhei deslumbrada pelo ambiente, por isso eu amava Alice, ela não desistia nunca! Não existia alguém no mundo que pudesse ir contra as idéias que ela colocava naquela cabecinha. Que bom.

Cheguei até a porta da casa com Jacob e Nahuel me escoltando. Não reprimi meu sorriso ao abrir a porta.

− SURPRESA! – gritaram todos em coro.

A palavra terminou com um agudo grito histérico de Alice que logo estava ao meu lado.

− Mas o que é isso? – ela exclamou com a voz de sino alterada, mais alta que o normal, levantando uma mecha do meu cabelo desgrenhado. – E isso? – Ela franziu o nariz quando pegou no “blusão” que eu vestia. – Nessie você está fedeeeendo! − Ops.

− É isso aí Nessie! Não facilite as coisas para a vidente! − disse Emmett entre risos.

− Você por acaso está tentando sabotar sua própria festa?

− Claro que não. – gemi. – Aposto que você pode dar um jeito em mim rapidinho. – lancei para ela meu olhar mais suplicante de cachorro sem dono.

− Ai, eu posso sim! – ela abriu um sorriso quicando em minha volta. – Rosalie, vamos precisar de você.

Jacob balançou a cabeça negativamente e sentou-se em uma das poltronas ao lado de Emmett. Nahuel encostou-se a uma parede perto de Huilen. Alice pegou minha mão me conduzindo para o meu quarto, Rose nos seguiu. Quando atravessamos a porta, a primeira providência que minhas tias tomaram foi me mandar tomar banho. Todo esse alvoroço por causa do cheiro de Jake, juro que não entendo como esse cheiro pode incomodar alguém, para mim é maravilhoso.


Quando saí do banheiro as duas esperavam com todos os instrumentos para cabelo e maquiagem prontos. Havia produtos suficientes para suprir as necessidades de um salão de beleza de porte médio. Assim que me sentei elas iniciaram seus respectivos trabalhos, Rose cuidou do penteado e Alice da maquiagem. Nada muito elaborado, uma maquiagem bem sutil e um coque com algumas mechas estrategicamente soltas.

− Vocês são incríveis! – dei um beijo na bochecha de cada uma.

Alice sorriu satisfeita e então voou para o guarda roupa trazendo um vestido lilás. Era simples, porém elegante.

− Que tal esse?

− Ótimo. – aprovei.

Pus o vestido e nós três ficamos admirando meu reflexo no espelho. Eu estava pronta, pronta para tudo o que ainda pudesse acontecer hoje.

− Pronto, ficou perfeita. – admirou-se Rose.

Não é querendo ser convencida, mas eu realmente estava linda. Perguntei-me se Jake acharia o mesmo. Mas que pensamentos eram esses agora?


Edward entrou no quarto sem aviso prévio com a expressão prometendo violência, Bella e Jasper vinham logo atrás.


− Renesmee, pode me explicar, por favor, o que está acontecendo? – ele perguntou baixo, de forma que quem estivesse na sala não poderia ouvir, porém sua voz soou feroz.

− O que houve? Do que está falando?

− Você sabe. – acusou entredentes.

Droga. Foi muita ingenuidade minha acreditar que Edward deixaria passar em branco meu romance com Nahuel.

− Sim. – ele respondeu aos meus pensamentos.

Eu ia contar, só estava decidindo a melhor maneira de fazer isso.

− Creio que deixar a mente dele trabalhar por si só não tenha sido a idéia mais recomendável. Aquele... – ele hesitou como se não soubesse verbalizar o que pensava e sua expressão era algo próximo ao nojo. – Vou matá-lo. – concluiu por fim e voltou-se para a porta. Jasper se pôs em seu caminho concentrado em acalmá-lo.

− Calma, nós sabíamos que isso ia acontecer um dia. – Bella pôs as mãos no rosto de Edward fazendo com que ele olhasse em sua direção. − Afinal o que Jake fez de tão ruim?

− Quem falou em Jacob? – agora eu que estava confusa.

− Nahuel. – meu pai corrigiu agora mais calmo, graças a Jasper.

− Ah. – Bella arfou. Os olhos dela vagaram pelo vazio enquanto absorvia a informação.

− Péssima idéia. – comentou Jasper, seus grandes olhos mudando o foco de Edward para Bella. − Ele não pode... Mas isso é possível? Como? – Bella sacudia a cabeça copiosamente.

− Não creio que seja sério. – meu pai respondeu. – Ele está encantado.

Bella ergueu as sobrancelhas assustada e sibilou algo que não pude entender.

− Ele não sabe ainda. Mas está desconfiado. – informou Edward.

Alice deu um passo na direção deles, Edward olhou para ela e assentiu. Minha tia fada fez um muxoxo de reprovação.

− Odeio quando fazem isso. Podem nos interar na conversa? – exigiu Rose impaciente.

− Nessie. Ela está com Nahuel. – Alice disse sem emoção, depois se sentou na cadeira que há poucos minutos eu ocupava. – Não consigo ver como será isso. – Ela levou as mãos à cabeça com uma expressão de dor.

− Isso é verdade? – Rose parou bem em minha frente, ela era a única que parecia gostar da novidade. Ousaria dizer até que ela estava muito animada com a idéia.

− Sim. Só não é nada sério, ainda. – falei com cuidado, medindo as palavras. Como saber o que quebraria a tênue linha de equilíbrio que acabara de surgir?

− É – Rose pôs a mão na cintura, reflexiva. – Não é nada mau. Não há dúvidas que essa é a melhor opção que temos no momento.

− Não, Rose. Você sabe que isso não pode acontecer. – Bella discordou.

− Não é o que está parecendo.

− Renesmee ainda é muito nova. – Edward disse autoritário.

− Mais dor de cabeça não. – Alice gemeu ainda sentada com as mãos cobrindo o rosto.

Olhei ansiosa para Jasper que ainda estava parado na porta com sua indiscutível postura de militar, apenas ele não havia se manifestado a respeito. Meu tio loiro interpretou meu olhar como uma pergunta sobre sua opinião e fez um curto movimento negativo com a cabeça.

− Ele não é a pessoa certa para você. – justificou.


− Eu não preciso que nenhum de vocês aceite isso. – falei irritada. – Como minha família, cada um tem o direito de manifestar suas opiniões e eu as respeito, mas não pensem que isso vai alterar minha escolha. – conclui com a voz firme.

Olhei bem para cada rosto no quarto. A expressão crítica de Jasper, a decepção de Alice, a alegria de Rosalie, a preocupação de Bella e por fim a própria imagem da revolta no rosto de Edward.

− Renesmee, você só tem seis anos. – argumentou ele.

− Você sempre soube que no meu caso os números não importam. – rebati.

− Estou do lado de Nessie. – Rosalie segurou minha mão. – Se ela sente que está na hora de namorar, então é assim que tem que ser.

− É melhor pensar um pouco mais, minha filha. – Bella insistiu.

Suspirei cansada de tudo aquilo.

− Vocês vão mesmo estragar o dia de hoje? – Rose encarou meus pais.

− Não. – minha mãe baixou a cabeça.

− Terminamos essa conversa depois. – Edward estava determinado a não desistir disso.

− Não se preocupe querida, todos os pais agem assim quando percebem que sua garotinha está se tornando uma mulher. – Rosalie colocou uma mão em meu ombro num gesto de solidariedade.


− Ia facilitar muito se você parasse de ler nossas mentes. – fuzilei Edward.

− Se eu pudesse. – ele deu de ombros. – Acredite, eu adoraria não ter de ver e ouvir esse tipo de pensamento sobre você.


Emmett surgiu na porta, ao lado de Jasper.

− O que estou perdendo? Alguma reunião de família?

− Quase. – respondeu Rosalie.

− Onde está Jacob? – Alice levantou subitamente da cadeira. – Preciso dele. A dor de
cabeça está aumentando.

− Pare de se torturar. Não adianta tentar prever o futuro da Renesmee. – minha mãe aconselhou, preocupada com Alice.

− Na verdade eu estava conseguindo ver através dela. Mas agora que ela decidiu amarrar seu destino com o outro meio vampiro o chiado voltou mais forte, como uma televisão mal sintonizada no volume máximo. Ai. – ela pausou e fez uma careta. – Onde ele está?!

− Calma aí, baixinha. – Emmett colocou as mãos para cima. – Ele está lá fora, pode ir pensando em uma boa desculpa para tirá-lo de lá, as amazonas estão muito interessadas em ouvir as ‘lendas dos lobos’. – ele tremeu as mãos fazendo uma voz assombrosa.

Alice pensou por um segundo e abriu um largo sorriso parecendo encontrar sua solução.

− Vou tosar o lobo.