Eternal Flame escrita por bandolinz


Capítulo 42
3x15 - Castelo de Cartas


Notas iniciais do capítulo

Olá pessoal! Estive desaparecida pois estava ocupada desfrutando os últimos momentos em Londres e na sequência com a mudança de volta para o Brasil #chora
A readaptação tem sido difícil, e a internet lenta, mas aos poucos to voltando!

Agradeço do fundo do meu coração a paciência de todos vocês que continuam lendo e comentando a fic. Sei como fica difícil acompanhar a história com a quebra de ritmo das postagens, por isso significa muito para mim que cada um de vocês ainda esteja aqui.

Anotei as sugestões de cenas favoritas para ilustrar e em breve elas começarão a aparecer no tumblr da EF =D

Abraços e aproveitem o capítulo!



– Precisamos sair daqui e você precisa me contar o que exatamente Joham quer com ele. – exigi.

– Ele? Quem é ele? De quem é esse rastro? – Candy perguntou confusa enquanto eu a empurrava para dentro do carro.

– Não interessa.

– Claro que interessa. Eu não vou sair daqui até você me dizer por que ficou tão agitada de uma hora pra outra e por que o rastro está todo sobre você.

Dei um suspiro pesado encarando os olhos negros de Candy. A semivampira não estava com cara de quem colaboraria caso eu não lhe desse as respostas que ela pedia.

– É um amigo. – falei relutante.

– Amigo? Pensei que você não fizesse amigos humanos.

– Bem, estava enganada. – cortei impaciente.

– Por que está tão nervosa? – ela me olhou desconfiada – Quem é esse cara e por que você está sendo tão super-protetora?

Bufei.

Se você entrar no carro, podemos conversar a respeito.

Cadence olhou para a casa de Mike depois olhou para mim, se rendendo.

– É melhor isso ser uma boa história. – falou entrando no carro.

Entrei no carro e dirigi em direção a minha casa ficando em silêncio nos primeiros minutos. A verdade é que eu a trouxe comigo no puro instinto de afastá-la do Lefroy, mas estava incerta sobre o que poderia contar a Candy e até que ponto ela era confiável, uma vez que estava a serviço de Joham.

– Então? – Candy me encarou esperando explicações.

– Por que você está aqui e o que Joham quer com Gabriel?

– Ah, Gabriel é o nome dele. – falou irônica, ignorando minha pergunta.

– Candy, eu não estou de brincadeira, preciso que você me responda sem deixar nenhum detalhe de fora. O que Joham quer com Gabriel? – hesitei por um instante – Ele te mandou aqui para mata-lo?

– O que? Não! – falou ultrajada – Primeiramente você precisa se acalmar garota e parar de me tratar como se eu tivesse decapitado sua mãe. Segundo, eu não fazia a menor ideia de que você conhecia esse humano, se soubesse que isso te irritaria tanto jamais teria ido atrás dele.

Estudei o semblante de Candy e ela parecia genuinamente atordoada pelo meu comportamento. Eu precisava me acalmar. Respirei fundo assentindo lentamente.

– Ok. Desculpe se eu exagerei, mas Joham me deu motivos para ficar preocupada com qualquer movimento dele. E esse garoto... Bem, ele está sob a proteção da minha família, logo eu preciso que você me diga o que Joham quer com ele. Por favor.

– Ele não me disse que esse humano estava relacionado a você. Meu pai apenas me pediu para checar esse rastro, ver o que esse humano andava fazendo e ficar de olho nele por um tempo.

– Por quê?

– Joham disse que esse humano era – ela fez as aspas no ar com os dedos – “valioso para ele”. Não me disse o porquê. Isso é tudo o que sei. – deu de ombros.

No mesmo momento me veio um flash do dia em que Joham conheceu Gabriel e Catherine. Uma dupla de amigos muito talentosos você tem aqui, ele dissera. E se o interesse de Joham nos Lefroy não se devesse ao meu relacionamento com eles e sim a algum talento oculto que eles possam ter? Me permiti respirar aliviada por um instante pois isso significava que Joham não tinha nenhum interesse em ver Gabriel morto. Entretanto, esse dom lhe seria de maior serventia caso Lefroy se transformasse em um de nós...

– Renesmee? – Candy chamava repetitivamente. – Você está bem?

Não, eu não estava bem. Para falar a verdade, eu estava à beira de um colapso nervoso. Não importa os sacrifícios que eu faça para manter as pessoas que amo a salvo, as coisas apenas continuavam fugindo do meu controle. E eu ingenuamente acreditando que ao me afastar de Lefroy ele não correria mais nenhum risco. E quanto a pequena Cat? E se Joham tiver mandado alguma de suas outras filhas atrás de Catherine?

Gabriel jamais iria me perdoar... Eu jamais iria me perdoar.

– Renesmee! – Candy gritou em meus ouvidos. – O que deu em você?

Freei o carro, parando na beira da estrada.

– Sinto muito, Candy, mas não posso conversar agora. Algumas coisas estão acontecendo e talvez eu vá precisar da sua ajuda mais do que nunca, mas eu preciso de um tempo para pensar, para entender o que está havendo. Por favor, por favor, não conte sobre o nosso encontro para Joham. – supliquei.

– Não vai mesmo me contar quem é aquele garoto?

– Talvez você devesse fazer essa pergunta ao seu pai.

Ela revirou os olhos.

– Que seja. – Candy saiu do carro – Vê se relaxa um pouco, garota. – completou antes de desaparecer no meio da floresta.

Eu me sentia tão impotente, tão insignificante. Era como se de uma hora para a outra Joham estivesse por todos os lados assombrando minha vida, me deixando com a sensação de que a qualquer momento algo muito ruim pode acontecer.

Talvez Jacob estivesse certo. Talvez Joham devesse morrer de uma vez, assim eu teria paz. Contudo, o pai de Candy possuía um segredo que poderia destruir os Volturi; a chave para minha felicidade. Ou pelo menos era nisso que eu queria acreditar.

Pisei no acelerador, tentando organizar meus pensamentos enquanto voltava para casa. Por um lado eu deveria estar aliviada por Candy estar aqui, afinal de contas, até ontem uma das minhas maiores preocupações era como eu a encontraria. Agora eu estava mais preocupada em como fazer uso da presença dela sem que Joham suspeitasse. Mesmo que ela não conte diretamente a Joham, ele ainda pode acabar lendo os pensamentos dela. Para piorar, por alguma razão eu não estava mais tão certa de que Cadence trairia o próprio pai para me ajudar.

Cheguei em casa e encontrei Alice cantarolando pela sala.

– Como foi o teste? – ela perguntou sorridente.

– Não fiquei para ver. – foi tudo o que respondi.

– Ah. – minha tia franziu seu pequeno rosto pelo mais breve instante – Não tem problema! Posso ver isso para você.

Antes que eu dissesse alguma coisa, Alice já tinha seus olhos opacos, perdidos em algum lugar do futuro. Esperei, admirada que ela não houvesse reparado a pilha de nervos que eu era nesse exato momento. Alice piscou algumas vezes e abriu um sorriso otimista.

– Ele vai conseguir a vaga.

A boa notícia quase me fez suspirar, porém eu ainda estava tensa demais para esboçar algum sinal de alívio.

– O que houve Nessie? – ela indagou ao notar minha apatia.

Me joguei no sofá me rendendo. Eu precisava desabafar.

– Eu não sei mais o que fazer, tia. Estou me sentindo pressionada por todos os lados... Tem Joham, os Volturi, meus pais, Jacob... Cada um deles esperando algo diferente de mim e eu nem sequer sei por onde começar sem estragar tudo de vez.

– Essa seria uma tarefa bem mais fácil se você soubesse o que quer. Não importa o caminho escolhido, sempre haverá danos. – ela deu de ombros – Eu acho que será bem mais fácil encarar as consequências se você estiver fazendo o que escolheu.

Engraçado que Jacob me fez esse mesmo questionamento não muito tempo atrás e eu continuo sem uma resposta. Estou tão acostumada a fazer o que deve ser feito que nunca sobra espaço para descobrir o que eu realmente quero.

– Quer caçar? – ela perguntou de repente.

– Por favor. – respondi aliviada pela oportunidade de descarregar a ansiedade que me consumia.

Após a caçada com Alice, eu me sentia de alguma forma mais tranquila, mais controlada. Ou no mínimo capaz de pensar com maior clareza. Foi quando encontrei Jacob.

– Whoa, onde esteve o dia inteiro? – ele perguntou casual.

– Cuidando de algumas coisas.

Ele me estudou por um instante.

– Você terminou com humano. – adivinhou.

– Sim. – eu pensei que me sentiria mais aliviada em admitir isso para Jacob do que eu realmente me sentia agora.

Jacob apenas assentiu.

– Pensei que você fosse ficar feliz com isso.

– Claro que estou aliviado por não ter mais que ver você com outro, mas isso não muda o fato de você não estar comigo e, além de tudo, ter um vampiro lunático a solta querendo te engravidar da cria dele. Pra completar, você não parece satisfeita, portanto estou longe de estar feliz.

Jacob ainda terminava de falar quando, sem pensar duas vezes, encurtei a distância entre nós abraçando-o. Ele reagiu com um breve sobressalto, mas não fez perguntas e não hesitou em retribuir o afago me envolvendo em seus braços protetores. Inspirei seu perfume amadeirado lentamente, buscando equilíbrio, buscando paz.

– Hey, você sabe que vai ficar tudo bem, não sabe? – disse afagando meus cabelos.

Estreitei meu aperto em volta da cintura dele e continuamos abraçados por tempo indeterminado.

– Obrigada. – falei.

– Por?

– Por estar aqui.

Jacob sorriu com o canto dos lábios e eu me dei conta de que nunca expressei o quão contente eu estava por tê-lo de volta em minha vida. Claro, a presença de Jacob me causa um turbilhão de emoções contraditórias e desde que ele chegou temos discutido mais do que qualquer outra coisa, mas a bem da verdade, eu estava feliz por tê-lo ao alcance dos meus olhos e dos meus braços novamente. Eu só estava com muito medo de fraquejar ao admitir isso.

– Não há de que. – ele beijou minha testa.

Antes que escurecesse contei aos meus pais sobre meu encontro com Candy e expus minha preocupação com Gabriel. É claro que jamais mencionei que eu em algum ponto pretendia procurar Candy novamente e pedir sua ajuda para obter a informação que Joham guardava.

Esme se ofereceu para ficar de olho em Lefroy quando não estivéssemos juntos no colégio e, por mais que eu não quisesse abusar da boa vontade de minha avó, não pude recusar sua ajuda. A segurança de Gabriel e Catherine era quase tão importante quanto a segurança de minha própria família, eles eram minha responsabilidade agora e eu não permitiria que Joham os fizesse mal algum, contudo, meus pais se recusaram a permitir que eu vigiasse Lefroy sozinha, ou acompanhada. Minha verdadeira surpresa foi Jacob se dispor a revezar com Esme. Eu jamais pediria algo assim para ele, mas de certo modo fiquei contente que Jake deixasse as diferenças de lado e me ajudasse a garantir a segurança dos Lefroy. Talvez ele soubesse o quanto isso era importante para mim, talvez só estivesse procurando uma distração, uma vez que me prometeu parar de caçar Joham. De todo modo, eu estava profundamente grata.

No fim da noite chequei meu celular e encontrei uma mensagem de Gabriel me esperando. Sentei na cama e comecei a ler incerta do que poderia encontrar.

Consegui. Só achei que você gostaria de saber.

Como foi seu dia? - xx”

Apenas isso. Suspirei me esparramando na cama, relembrando nosso último beijo. Parecia tão errado acabarmos assim, não soava como algo definitivo e por mais que minha decisão estivesse tomada, temi que Gabriel acreditasse que haveria uma segunda chance para nós por causa da nossa calorosa despedida. Logo optei por não alimentar tal ideia ao não responder sua mensagem.

Voltar ao colégio na manhã seguinte pareceu mais surreal e desnecessário do que nunca. Era difícil concentrar em cálculos quando tudo o que minha mente processava era um modo de me livrar dos Volturi – e de Joham – ao mesmo tempo. Dividir a sala de aula com Jennifer conseguiu ser ainda mais insuportável quando ela descobriu que eu e Lefroy havíamos terminado. Os olhares, risinhos e piadas não cessaram por uma semana e até minhas antigas “amigas”, Emma e Karen, tiveram sua porção de humor ácido para dedicar a mim. Eu não sabia qual era história que circulava nos corredores e nem queria saber, afinal não faria nenhuma diferença no modo como meus colegas escolheram me ver.

Se encarar meus colegas era difícil, continuar convivendo com Lefroy era ainda pior. Seu rosto era um lembrete constante de que eu precisava eliminar Joham o quanto antes, ao passo que, pensar em Jacob me fazia querer pegar o caminho difícil e não me atrever a tentar matar Joham até que eu descobrisse que segredo dos Volturi ele guardava. É mórbido e irônico como Gabriel e Jacob continuam me dividindo, mesmo que eu não esteja com nenhum dos dois.

Jacob era praticamente a única pessoa em minha classe que falava comigo e eu percebia o olhar de Lefroy sobre nós cada vez que nos sentávamos juntos para uma atividade em dupla ou quando Jake me acompanhava até o refeitório. Confesso que fiquei positivamente surpresa ao notar que Jacob não tentava tirar vantagem da situação para provocar Gabriel. Jacob apenas ignorava durante o dia o garoto que ele secretamente protegia durante a noite.

Alguns dias, entretanto, Jacob estava cansado demais e simplesmente não se dava ao trabalho de acordar para ir à aula. Nesses dias, a única companhia com a qual eu podia contar era a minha própria. Isso, é claro, até o professor Campbell muito educadamente me pedir para guardar o projetor após a aula, quando ele precisou sair mais cedo.

Aceitei sem problemas e todos os outros alunos evacuaram a sala assim que o sinal tocou, me deixando sozinha. Ou assim eu preferia.

– Posso te ajudar com isso. – Lefroy falou desconectando o aparelho da tomada e colocando-o na capa protetora.

– Não precisa. – falei em vão, pois ele já finalizava o serviço enquanto eu guardava o notebook. – Obrigada.

Fui pegar o projetor e Gabriel colocou uma mão por cima, me impedindo de tirá-lo da mesa. Olhei diretamente em seu rosto pela primeira vez em muito tempo e um poço de melancolia coberto de frustração me encarava de volta.

– Por que está fugindo de mim?

– Não estou.

– Está sim. Há dias tento falar com você e você sempre está apressada demais ou colada com o seu ex para me dar uma chance.

– Se isso é sobre Jacob, eu e ele não estamos juntos, ok? – falei pegando o projetor, dando as costas a Gabriel e trancando o armário.

– Eu sei que não estão. Tenho observado vocês. – havia uma nota de constrangimento em sua voz por admitir o que eu já sabia.

– Aonde você quer chegar, Lefroy?

– Eu me arrependi. – Gabriel disse, a cabeça baixa enquanto focava a atenção em sua própria mão ainda sobre a mesa. Ele batia os dedos ritmadamente e por um momento pensei que não falaria mais nada. – Eu me arrependi de pedir um tempo, eu não quero ficar longe de você. Eu pensei que seria mais fácil me afastar e tentar te esquecer, mas não... – falou calmamente, seus dedos diminuindo a frequência com a qual batiam na mesa até finalmente pararem – Eu não consigo. Suas fotos ainda estão no meu celular, seu cheiro ainda está no meu carro. O seu gosto, o seu toque não saem do meu pensamento.

Um nó se formou em minha garganta.

Por que ele era sempre tão bom com as palavras?

O silêncio se prolongou pelo que pareceram horas até Gabriel erguer o rosto em minha direção, suas íris azuis me devorando com intensidade.

– Eu penso sobre o nosso último beijo. Bastante.

Eu também. Eu também.

Aquilo foi um erro terrível, pensei comigo mesma tentando controlar a vertigem que rapidamente se apoderou do meu corpo quando minha mente acessou aquelas memórias, o sangue fluindo rápido para minhas bochechas.

– Isso tem tirado o meu sono. – ele completou.

– Você tem que esquecer.

– Eu não quero. Há um mês éramos inseparáveis e agora você nem sequer me olha nos olhos. Tem algo que você não está me contando e se não tem haver com Jacob, o que poderia ser?

– Está imaginando coisas...

– Foi mais alguma história que você ouviu nos corredores do colégio? – Gabriel insistiu.

– Não, não foi nada disso.

– Alguma coisa aconteceu e fez com que você me bloqueasse tão facilmente da sua vida. É como se tudo o que vivemos nunca tivesse acontecido. Realmente não significou nada para você?

– Claro que significou! Eu não te bloqueei da minha vida. – falei sentando na mesa. – Mas é mais fácil se ficarmos um tempo longe. Vai ser melhor para mim e para você, abrirmos espaço para focar em outras coisas.

Ele me encarou não convencido pela minha resposta.

– Como vão as coisas na banda? Pensei que você ficaria animado em tocar com eles. – desviei o assunto.

– Eu estou animado. Estou fazendo o que mais amo pela primeira vez na vida, mas... – falou com o rosto oscilando entre contentamento e desespero, como se de alguma forma ele pudesse provar dos dois extremos ao mesmo tempo ao pesar sua recente conquista e sua recente perda – Isso não tem valor sem você ao meu lado para dividir esses momentos, para contar como foi cada ensaio, cada plano, cada música nova... Eu nunca imaginei que eu seria aquele a ceder. Eu nunca passei por algo assim antes, nunca me senti assim antes. Esquecer a Jennifer foi tão fácil, no entanto, agora... – ele suspirou frustrado – Eu acreditava mesmo que pudesse abafar o que sinto por você, mas não. Meus dias não tem a menor graça sem você, bailarina.

– Gabriel, por favor...

– Não! Por favor, você, Renesmee. Eu sinto a sua falta. Cat sente a sua falta. Você não sente a nossa? – indagou profundamente ressentido.

– Claro que sinto, – minha voz subiu uma oitava – mas você mesmo disse que não podia continuar daquele jeito...

Gabriel sacudiu a cabeça em negativa.

– Cometi um erro terrível ao acreditar que seria mais fácil ficar sozinho. – ele disse.

– Pode acreditar que é. – cortei fúnebre.

– Pode até ser. – sua expressão ficou mais séria – Mas eu prefiro correr o risco de ter minha vida complicada por você.

– Não faz ideia do que está falando. – fiquei de pé incapaz de conter a agitação em minhas células, a revolta que eu jamais poderia externar. Ele era tão inconsciente da loucura que acabara de dizer.

Tudo seria bem mais simples se eu apenas pudesse soltar “Ei, você e sua família estarão correndo risco de vida enquanto estiverem perto de mim, então, por favor, fique longe”, mas é claro, as coisas nunca fluíram de forma simples para mim, agora não seria diferente.

Antes que eu dissesse mais alguma coisa, Lefroy me pegou de surpresa ao colocar o corpo dele contra o meu, fazendo com que eu me apoiasse novamente na mesa tentando manter alguma distância do rosto dele enquanto sua mão encontrava a minha.

– Volta para a minha vida. – ele pediu, sua voz tão natural como quem pergunta que horas são, mas seus olhos evidenciando a frágil posição na qual sua súplica o colocava: completamente exposto e vulnerável às feridas que minha resposta o causaria.

– Eu não posso. – minha voz não passava de um sussurro dolorido.

O rosto de Lefroy era um poço de mágoa.

Eu queria me explicar, mas não poderia fazer muito melhor do que isso sem dar a ele falsas esperanças. Tampouco pretendia trazer Jacob de volta à conversa e magoar Gabriel com a ideia de nós dois juntos, apenas para mantê-lo longe. Eu jamais faria alguém passar pelo que passei quando Jacob fingiu me abandonar e namorar Leah para me afastar dele. A dor da rejeição é um preço muito alto a se pagar por uma mentira.

– Por favor, não insista mais. – falei desviando dele com facilidade.

Eu era incapaz de suportar sua tristeza por mais um segundo, então saí sem olhar para trás, sentindo meus ombros pesarem pela culpa. Esperava do fundo do meu coração que Gabriel fosse capaz de seguir em frente o quanto antes e que a banda o ajudasse nesse aspecto. Esperava que ele voltasse a ser o garoto alegre e cheio de energia que todos no Ketchikan High School tanto adoram e que eu pudesse me tornar nada além de uma memória distante.

Nesse momento eu não poderia desejar mais largar esse colégio estúpido e, por que não, deixar de vez essa cidade. Continuar vendo Lefroy seria muito difícil para ambas as partes e ser forçada a perder mais quatro anos dessa forma era, no mínimo, sádico.

Naquele mesmo dia conversei com meus pais a respeito, porém tudo o que consegui foi uma série de mimos e duas semanas livres sob o pretexto de estar viajando. Jacob foi o único a ficar do meu lado insistindo que nosso estilo de vida era uma perda colossal de tempo e, apesar de ter todo o tempo do mundo, não pude deixar de concordar.

Esme e Jacob continuaram revezando turnos para vigiar Gabriel e mesmo que eu tenha me oferecido para acompanhar Jacob, ele não aceitou.

Minha vida basicamente se transformou em uma espera tediosa onde eu passava a maior parte dos meus dias sozinha em casa. Edward estava mais uma vez lendo meus pensamentos e eu estava terminantemente proibida de procurar Candy ou Nahuel. Minha cabeça era um vulcão silencioso prestes a entrar em erupção e ninguém parecia se importar com isso, ou pelo menos não havia ninguém que parecesse disposto a fazer algo a respeito. Se nós continuássemos parados e não tentássemos descobrir o trunfo de Joham sobre os Volturi, permaneceríamos para sempre reféns de ambos.

Me doía perceber que meus pais estavam okay com isso quando a única pagando o preço era eu. A cada dia que passava a percepção disso me sufocava ainda mais.

Duas semanas depois, Joham continuava desaparecido e eu estava de volta ao Kayhi.

– Você tem conversado com o Lefroy? Como ele está? – perguntei a Emmett discretamente ao entrar no colégio.

– Não. – ele esticou a palavra com uma careta de confusão.

– Pensei que vocês estivessem treinando juntos no time de hockey.

– E estamos.

– E..? Vocês não se falam? – perguntei.

Emmett suspirou parecendo buscar uma dose extra de paciência comigo.

– Claro que sim. Mas garotos não falam sobre esse tipo de coisa no vestiário, Nessie.

Assenti.

Meu tio me deu um tapinha encorajador no ombro e cada um de nós foi para sua sala de aula. Meus passos eram lentos a fim de tardar o momento no qual eu encontraria o rosto do qual passei as últimas semanas fugindo. Para a minha surpresa, Lefroy não estava lá.

– Decepcionada? – a voz grave de Jacob soou atrás de mim.

– Por que estaria? – disfarcei meu espanto caminhando até minha carteira.

Eu não esperava que Jacob voltasse ao colégio hoje, ou qualquer outro dia para ser sincera.

– Porque ele não está aqui. – Jacob insistiu sentando ao meu lado.

Ignorei a pergunta dele mudando de assunto.

– Pensei que você houvesse largado o colégio.

– Eu já concluí o colégio. – apontou austero.

Revirei os olhos.

– Você sabe o que eu quis dizer.

– Eu não poderia me importar menos com esse lugar. – foi a resposta de Jacob. – Só estou aqui por você.

Comovida, levei mais tempo do que deveria para responder, foi quando Jennifer Collins parou entre nós com um celular em mãos.

– Ah, Gabe, você é tão engraçado. – ela riu exageradamente – Me conta, posso esperar alguma surpresa hoje?

Jennifer passou a vista por mim e me flagrou fuzilando-a com os olhos.

– Oh! Me desculpe. Só um minuto, querido. – ela falou e afastou um pouco o celular – Eu não pretendia ficar no meio dos dois pombinhos. – Jennifer piscou para mim dissimuladamente e seguiu para o outro lado da sala – Ah, nada! Era só a Cullen e o novo namorado dela.

Ah, como eu odeio essa garota.

Contei até dez me mantendo calma.

– É disso que eu falo quando digo que ensino médio é perda de tempo. – Jacob murmurou esticando-se na cadeira sem parecer incomodado.

Forcei minha mente a espantar qualquer pensamento a respeito de Gabriel e Jennifer. Eu queria que Lefroy seguisse em frente, mas voltar com a biscate loira já era demais. Eu não podia acreditar que ele ia se deixar levar por ela novamente.

– Hey, hey. – Jacob chamou baixo notando minha chateação. – Não deixa ela mexer com a tua cabeça. Eu estou com você.

Jake esticou a mão para acariciar a minha e, como sempre, o simples contato com a pele dele me trouxe uma sensação de paz.

Professor Campbell chegou e iniciou sua aula. A obra que discutimos foi Tristão e Isolda, logo não pude deixar de comparar minha própria história à de Isolda. O vinho encantado que teria sido o responsável pela paixão avassaladora dos protagonistas me parecia uma metáfora perfeita para o imprinting que me prendia a Jacob e o destino trágico do casal me deixou perturbada ao lembrar que aquele destino poderia muito bem ser o meu.

Olhei para Jacob a fim de notar que ele estava percebendo as mesmas semelhanças que eu, apenas para encontra-lo cochilando na cadeira. Quase sorri com o quadro diante de mim. Seu rosto era tão belo e sereno, apesar do corpo gigantesco aparentar desconforto na cadeira, que me levou de volta ao dia em que invadi seu quarto após o casamento de Charlie e Sue.

A respiração de Jacob estava lenta e ritmada como agora, porém seu semblante aparentava uma exaustão bem maior dez anos atrás do que aparentava nesse momento.

Naquela época eu estava tão destruída, certa de que Jacob não me amava mais e de que ele estava namorando Leah. E apesar de achar que fosse impossível, olhando para trás agora eu vejo que, por poucos dias, eu cheguei a odiar Jacob com todas as minhas forças. Ainda assim, nem por um instante deixei de amá-lo. No dia do casamento de Charlie minha única intenção era assegurar que Jacob chegara bem em casa – bêbado como ele estava eu não acreditava ser possível – deixar minha carta e dizer meu adeus final. Verdade seja dita eu também esperava maltratar meu coração um pouco mais vendo se Jacob passaria a noite com Leah ou não. Apesar de masoquista, era uma boa forma de alimentar minha raiva por ele e usar essa raiva como combustível para apaga-lo do meu coração.

Para minha surpresa, o que encontrei estava fora das minhas melhores expectativas. Jacob dormia vestindo apenas uma calça de moletom, barriga para cima, a respiração pesada e ritmada, os lábios entreabertos me atraindo a roubar-lhe um beijo. O último beijo.

Eu apenas não pude resistir.

O que veio a seguir envolvia mais paixão e erotismo do que qualquer outro momento em minha vida, quando Jacob acordou e, em meio a embriaguez me beijava fazendo mil juras de amor. Na época eu não podia me dar ao luxo de acreditar, porém cada palavra, cada toque dele, era um afago aos cacos do meu coração despedaçado.

Revivi aquela noite tantas vezes em minha cabeça ao longo dos últimos dez anos. Sonhava até que em uma realidade paralela teríamos ido mais adiante.

As circunstâncias agora são completamente diferentes, mas aquele continuou sendo o último beijo que eu e Jake partilhamos. Meu coração apertou com a lembrança.

O sinal tocou despertando Jacob enquanto eu ainda o observava. Ele abriu os olhos endireitando-se na cadeira, alongando os braços.

– Comida? – convidou com uma animação quase infantil.

– Claro, claro. – sorri em resposta, ainda envolvida pelo afeto que as lembranças me trouxeram.

Continuava sendo surreal que Jacob estivesse ao meu lado e que nós estivéssemos em um cotidiano tão banal que nos permitia ir juntos ao refeitório como se todo o nosso intenso passado nunca tivesse acontecido.

– Então, qual o plano? – Jacob quis saber, caminhando ao meu lado pelo corredor tumultuado.

– Plano?

– Imaginei que você estivesse elaborando algum. Ou passou as últimas semanas fazendo tricô?

Bati no ombro dele de leve.

– Continuo querendo encontrar Candy e Nahuel.

Jacob revirou os olhos com um cansaço teatral como se ouvisse minha resposta pela milésima vez.

– Não acho que eles ainda estejam por aqui. Nem sei se vale a pena continuar vigiando seu amiguinho. Simplesmente não tem mais rastro algum.

– Bem que eu queria que você estivesse certo.

Nesse momento minha atenção se voltou a um rabo de cavalo azul turquesa que se movia pela multidão de alunos.

– Lucy? – chamei quando ela passou por mim.

A garota girou nos calcanhares demorando alguns instantes para me reconhecer.

– Renesse?

– Renesmee. – corrigi.

– Ah, isso mesmo.

– O que você está fazendo por aqui?

– Eu estudo aqui. – ela deu de ombros.

– Desde quando?

– Me transferi há duas semanas. Como Gabe e eu somos os únicos da banda fazendo o ensino médio, achei que seria mais prático se estivéssemos no mesmo colégio.

– Hum... Entendo.

– Hey! – Lucy acenou repentinamente para Jacob piscando com um olho.

– Hey. – ele respondeu.

– Bom, preciso ir agora! A gente se vê.

Dizendo isso ela retomou seu trajeto a passos largos desaparecendo entre os demais alunos em um refeitório estranhamente tumultuado.

– Mas que diabos está acontecendo aqui? – Jacob balbuciou desviando de um rapaz que se atirou contra ele para chegar mais a frente.

– Não faço a menor ideia...

Um palco recém implantado ocupava um quarto do espaço no refeitório, bem onde costumavam ficar as maiores mesas, as dos garotos populares. Os mesmos disputavam o espaço a frente com muitos outros curiosos.

O ambiente era de gritos empolgados e murmúrios especulativos quando Peter Rivers, o admirador secreto de Alice e responsável pelo clube de eventos subiu ao palco com seus óculos verde limão.

– Fala galera! – ele falou ao microfone recebendo gritos empolgados como resposta. – Para quem não me conhece ainda, sou Peter Rivers, responsável pelo clube de eventos do Kayhi e nós estamos muito felizes em inaugurar nosso próprio espaço aqui no refeitório com uma novidade que, tenho certeza, vocês vão adorar. Recebam ‘Fluorescent Rascals’, pela primeira vez no Kayhi!

Peter saltou diretamente do palco para a multidão enquanto um rapaz subia ao palco erguendo as baquetas para saudar o público e sentava-se junto a bateria.

Meu queixo caiu ao reconhecer Joe. Antes que eu pudesse assimilar o que estava prestes a acontecer, Mike, Lucy e Gabriel já estavam posicionados no palco, completando o grupo.

Uma melodia base tocava como introdução com bateria e guitarras bem marcadas quando Lefroy cumprimentou os demais alunos recebendo calorosos gritos de encorajamento em resposta. Ele sorriu parecendo procurar alguém específico na multidão e tomou seu lugar em frente ao microfone.

Eu não queria acreditar no que meus olhos viam. Eu estava prestes a ouvir Lefroy cantar pela primeira vez, ele estava prestes a se libertar de um trauma que o assombrou por anos. Ele estava prestes a realizar seu sonho.

– Valeu galera. Nós somos Fluorescent Rascals e é uma honra inaugurarmos esse espaço com vocês. – Lefroy falou com confiança e naturalidade, como se houvesse nascido naquele palco.

A música cresceu gradativamente até cessar de vez e Lefroy, com uma guitarra em mãos reproduziu os primeiros acordes da primeira canção.

Parecia algo tão natural para ele, porém pude notar um instante de hesitação onde Gabriel respirou fundo ao invés de soltar a voz. E três segundos depois, por fim ele começou a cantar.

Não sei o que eu estava esperando, mas fiquei absolutamente surpresa ao ouvi-lo cantar.

Ele era... Bom.

Mais do que bom, ele parecia ter nascido para aquilo. Naquele momento me senti contente e orgulhosa por ele e ao mesmo tempo me compadeci por todo o tempo que Lefroy perdeu escondendo seu talento por causa da pressão imposta pela mãe dele e pelas más recordações que cantar lhe trazia. Fiquei observando em silêncio, sem tirar os olhos dele, encantada ao ver o quão confortável e feliz ele parecia em cima do palco.

A música, apesar de melodiosa, tinha uma batida agitada fazendo todos no refeitório pularem animados. Eu desconhecia a canção, logo concluí que fosse autoral.

– Muito obrigado, pessoal. – Gabriel passou a mão pelos cabelos colocando as mechas loiras para trás em meio aos aplausos e assobios dos colegas de escola.

– Eu te amo!! Casa comigo! – uma voz feminina se sobressaiu na multidão.

Gabriel riu e seus olhos azuis cintilavam empolgação quando ele voltou a falar.

– Eu queria dedicar a próxima música à garota mais incrível que eu já conheci. – dezenas de garotas suspiraram em uníssono e minha respiração parou – Bailarina, se você estiver aí, essa é para você.

Reconheci a música nos primeiros acordes: Into your arms, The Maine. Meus olhos marejaram instantaneamente.

No minuto em que Lefroy cantou o primeiro verso com os dizeres “tinha uma garota nova na cidade”, meia dúzia de cabeças viraram em minha direção, me deixando desconfortável com a atenção que Gabriel atraíra para mim. Ainda que o apelido tenha ajudado a disfarçar, cada palavra na música entregava a situação atual do nosso relacionamento, o que era equivalente a iluminar meu rosto com um refletor gigante.

Quando a música chegou ao refrão, de algum modo os olhos de Lefroy encontraram os meus. Ele maneou a cabeça em reconhecimento, contendo um sorriso de moleque enquanto cantava, agora diretamente para mim.

– Isso é loucura. – meus lábios moveram-se lentamente sem reproduzir som algum.

Gabriel sacudiu a cabeça e havia uma súplica melodiosa em sua voz enquanto ele terminava o refrão ainda olhando para mim.

Quando nós estávamos apaixonados as coisas eram melhores do que estão. Me deixe ir de volta para... Para os seus braços. – cantou.

Meus lábios se comprimiram e eu pisquei algumas vezes para dissipar as lágrimas que ameaçavam se formar. O gesto dele me deixou contente e arrasada. Transbordava orgulho do meu coração partido, porém por mais emocionada que eu estivesse, aquilo não mudava nada. Eu não podia voltar atrás agora.

– Sinto muito. – balbuciei na direção de Gabriel e enfrentei a multidão até a saída do refeitório antes que a música acabasse.

Percebi que não estava sozinha quando cheguei ao estacionamento.

– Devo admitir, o frangote sabe como impressionar uma garota. – Jacob murmurou.

– Me tira daqui. – falei apressada.

– Certo. Para onde quer ir?

– Qualquer lugar.

Jacob não hesitou antes de pegar a chave da minha mão, abrir a porta do carro para mim e sentar no lugar do motorista.

Ficamos dando voltas pela estrada por mais de uma hora até que Jacob estacionou em uma praia.

Sentamos nas pedras contemplando o mar. Ainda que estivesse frio demais para isso, pelo menos não estava chovendo. Permanecemos em silêncio, conformados pelo simples saber da companhia do outro. Eu não queria falar e fiquei genuinamente aliviada por Jacob não ter perguntado nada. Eu nem sequer queria pensar, queria apenas me desligar de tudo por míseras horas que fossem.

Algum tempo depois Bella me ligou querendo saber onde eu estava.

– Você apenas desapareceu. Ficamos preocupados. – ela disse.

– Eu precisava de um tempo.

– Lefroy pareceu bastante decepcionado quando você saiu.

Suspirei.

– Sinto muito por aquilo. Espero que ele tenha conseguido terminar a apresentação tão bem quanto começou.

– Sim, ele foi ótimo. Todos ficaram muito entusiasmados com a performance dele, com exceção de você, pelo visto.

– Mãe... – gemi.

– Eu sei, eu sei. Não se preocupe, ele vai ficar bem. Edward disse que Lefroy e os outros rapazes saíram depois da aula para comemorar, provavelmente ele vai esquecer o fora que levou.

– Mãe! – censurei.

– Desculpe. Jacob está aí com você?

– Sim.

– Bom. Não demorem muito a voltar para casa, okay?

– Ok.

Horas depois chegamos à mansão Cullen. Já era noite e a primeira pessoa pela qual procurei foi Alice. Gabriel ainda há pouco me enviara uma mensagem com uma única frase, que deixava claro o quanto o decepcionei.

“Ainda não consigo acreditar que você simplesmente foi embora.”

– Olá, fugitiva. – Alice sorriu astuta ao me ver.

Encolhi os ombros expirando pesado.

– Pode me fazer um favor?

– Claro. – minha tia respondeu sentando-se no sofá e dando duas batidas no assento ao lado me orientando a fazer o mesmo.

– Pode ver como ele está? – perguntei me sentando ao lado dela.

– Eu deveria começar a cobrar por isso. – brincou e logo seus olhos estavam opacos perdidos no futuro.

Segundos depois seus olhos piscavam rapidamente em choque.

– Temos que ir depressa. – ela soprou ficando de pé.

– O que houve?

– Gabriel está em perigo. Acabei de vê-lo sendo atacado por um vampiro na estrada. Temos que correr. – Alice falou rápido, quase mecanicamente.

Pavor tomou conta do meu corpo

– O que acabou de dizer? – Jacob indagou chegando na sala.

– E os demais, onde estão? – minha voz soou engasgada.

– A maioria saiu para caçar. Não há tempo a perder. Jasper? – Alice chamou e logo meu tio estava parado ao lado dela. – Precisamos ir.

– Pode esperar aqui se preferir. Cuidamos disso. – Jasper me disse.

– Não. Eu vou com vocês.

– Eu também. – Jacob se voluntariou.

Nos movemos rápido até a garagem, os quatro entrando no porsche amarelo de Alice.

– Apertem os cintos. – ela avisou para ninguém em especial, uma vez que nenhum de nós o fez.

– Conseguiu pegar a localização? – Jasper questionou frio e calmo.

– Sim. Comigo no volante há grande chances de chegarmos a tempo. – os lábios miúdos de Alice se curvaram em um sorriso ameaçador enquanto ela pisava no acelerador.

– Por que apenas não corremos até lá? – Jacob perguntou.

– Não questione meus métodos, Jacob. – Alice cortou – Nessie não pode correr tão rápido quanto a gente e acabaria ficando para trás e você chamaria muita atenção como um lobo no meio da estrada. Além disso, eu sentia falta dessa belezura. – falou acariciando o painel do carro.

– Foco Alice! – praticamente gritei, incapaz de conter minha ansiedade.

– É aqui. – Alice soprou após fazer uma curva fechada cantando pneu.

Minha tia manteve o pé no acelerador e eu me esticava no banco traseiro a fim de ver mais a frente.

Não havia tráfego algum, então foi fácil reconhecer o carro de Gabriel muitos metros a frente. A figura de um homem estava parada em frente a ele, fazendo com que Lefroy freiasse bruscamente para não atingir o cara.

– Está acontecendo. – Alice falou quase em transe.

– Ah, que se dane. – Jacob bufou abrindo a porta e saltando do carro ainda em movimento.

– Jake! – arfei.

Jacob rolou três vezes no chão, mas questão de segundos já explodia em um lobo gigante grunhindo e correndo na direção de Lefroy.

Alice freiou e saímos todos disparando na mesma direção.

Foi tudo tão rápido.

O vampiro acabava de tirar Gabriel do carro quando o lobo Jacob se atirou contra ambos, mordendo o ombro do seu alvo e arremessando-o para o lado. Infelizmente o vampiro ainda segurava Lefroy, o que fez com que ambos voassem colidindo com o porsche de Alice.

– O que está fazendo?! – gritei desesperada. – Você vai mata-lo!

Gabriel caiu no chão aparentemente desacordado, mas pelo menos agora a atenção do vampiro estava voltada ao lobo gigante diante de nós.

Quando nosso alvo se reerguia para atacar Jacob, foi interceptado por Jasper e os dois travaram uma luta veloz e repleta de ruídos. Jacob grunhiu irritado pela intervenção do meu tio e avançou na direção dos dois.

– Cuide do garoto, nós resolvemos isso. – Alice ordenou.

Obedeci imediatamente indo ao encontro de Lefroy.

– Gabriel? Gabe, você está bem? – perguntei puxando-o gentilmente para os meus braços.

O rosto dele se franziu de dor e suas pálpebras se moveram, porém ele não abriu os olhos. Suspirei aliviada. Pelo menos ele estava vivo e logo iria ficar bem.

Tirei o cabelo da testa dele e acariciei seu rosto, falando diretamente nos pensamentos de Gabriel.

Estou aqui. Sou eu, Renesmee. Vai ficar tudo bem, eu prometo. Você está a salvo.

Com uma clara vantagem, meus tios e Jacob dominaram o vampiro invasor rapidamente e já o desmembravam com a habilidade que lhes era característica.

Posicionei Gabriel com cuidado, deixando-o sentado no chão com as costas apoiadas no carro e peguei o isqueiro no porta-luvas.

– Aqui. – falei entregando o isqueiro a Jasper. – Vocês conseguiram alguma informação sobre ele?

– Até poderíamos se o lobinho aqui não fosse tão afoito. – Alice cruzou os braços miúdos com irritação.

O lobo Jacob bufou com indiferença.

Jasper ateou fogo na pilha de membros do vampiro e a fumaça escura e tóxica que eu tanto repudiava subiu rapidamente contaminando o ar.

– Ele só pode ter vindo a mando de Joham. Quais as chances de outro vampiro na cidade atacando alguém relacionado a nós? – Jasper apontou.

– Pensei que Alice estivesse monitorando as decisões de Joham.

– E estou! – a voz de minha tia subiu duas oitavas na defensiva. – Se Joham está por trás disso deve ter deixado outra pessoa tomar a decisão.

– Um semivampiro. – Jasper concluiu.

– O que está acontecendo aqui? – uma voz quebradiça perguntou bem atrás de nós.

Gabriel se aproximava lentamente e com dificuldade. Os cabelos bagunçados, o rosto contorcido em dor e confusão.

O que são vocês? – perguntou com receio e desconfiança alternando olhares entre o lobo e a pilha de fogo ao nosso lado.

– Você passou por muita coisa jovem, por que não entra no carro e conversamos sobre isso com calma? – Jasper falou com um tom calculadamente neutro colocando uma mão no ombro de Lefroy.

– Não toca em mim. – ele afastou-se cambaleante. – Eu não vou a lugar algum até vocês me explicarem o que está acontecendo.

– Tudo bem. – Jasper deu de ombros deixando todos surpresos com o quão fácil ele recuou. Todos com exceção de Alice. – Se você prefere assim.

Em um piscar de olhos Jasper havia aplicado um golpe na nuca de Lefroy fazendo com que o garoto desabasse inconsciente no mesmo instante.

– O que está fazendo? – perguntei incrédula.

– Sem tempo a perder com dramas humanos.

Alice disparou em defesa de Jasper batendo palminhas breves enquanto o mesmo caminhava calmamente colocando Gabriel no carro.

– Vamos limpar a bagunça e sair daqui.



Notas finais do capítulo

Música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=NKl_o5AZXv4

Acesse: http://efjakenessie.tumblr.com