Eternal Flame escrita por soniachristine


Capítulo 28
3x01 - Bailarina


Notas iniciais do capítulo

Bem! Finalmente a Eternal Flame está de volta! Agradeço a todos pela paciência e compreensão.
Para quem ainda não viu, o trailer mostrando um pouco do que vai acontecer nessa temporada, aqui vai o link: http://www.youtube.com/watch?v=ZukHpkb32fE





Oito anos, nove meses e quinze dias. É a exata medida de tempo que passei sem ver Jacob, sem ao menos ter notícias dele. No começo foi devastador. Parecia impossível seguir em frente, reinventar minha vida. Agora sinto que embora as velhas feridas não estejam completamente cicatrizadas pelo menos pararam de sangrar.


Em dias como hoje, eu o odeio. Me irrito por ele nunca me mandar uma resposta apesar dos inúmeros convites que já fiz pedindo que ele me visitasse. Ainda assim não deixei de contar para ele cada detalhe do que eu tenho vivido e como me sinto. Jacob merece isso. Fico imaginando como ele está, com quem está e o que tem feito. Me pergunto se ele me odeia ou se já foi capaz de me perdoar... Pelo silêncio que tenho recebido em resposta ano após ano, acho que a primeira alternativa é a mais provável e isso me enlouquece. Eu não perdi só meu grande amor, também perdi meu melhor amigo.


Tento sufocar a agonia com a esperança de que algum dia nós estaremos livres de todas essas regras ridículas e possamos estar juntos de novo. Contudo eu sei que esse é um sonho completamente fora do meu alcance. Não está em minhas mãos. Não está nas mãos de ninguém a não ser Aro.


Minha família se esforçou bastante para compensar nossa partida brusca e eu nunca conseguirei agradecê-los o suficiente pelo que cada um deles tem feito por mim, mas algo simplesmente continua fora do lugar.


As caçadas com Bella. Aulas de luta com Emmett e as de História Geral com Jasper, enquanto Carlisle me apresenta aos seus livros preferidos no seu imenso acervo. Os momentos culinários com Esme. O balé praticado constantemente com Alice. As tardes aos cuidados e mimos de Rosalie e as noites ao piano com Edward. Tudo isso parecia bom, mas nada parecia certo. Por mais naturais que fossem nossos momentos, uma hora ou outra eu acabava concluindo que aquilo tudo era para compensar a ausência de Jacob. Preencher o buraco imenso que ele deixou em minha vida.


Meu pai diz que não é nada comparado ao sacrifício que eu fiz por eles, mas ele está errado. Afinal, minha família não estaria sob a vigilância dos Volturi se não fosse por mim, em primeiro lugar.


Desde que deixamos Forks eu tenho escrito bastante, como forma de ordenar todos os meus pensamentos insanos. Sejam cartas para Jacob e Charlie, textos, poemas, músicas... Qualquer coisa.


É meio engraçada essa coisa toda de iniciar uma vida nova em um lugar onde somos completos estranhos. Embora tenhamos passado cinco anos na Nova Zelândia e outros três anos conhecendo o leste europeu, nenhum desses lugares se tornou um lar.


Eu simplesmente sinto falta de Forks.


Agora estamos nós em Ketchikan, Alasca. Pelo menos de volta ao mesmo continente em que nasci e esse fator, por alguma razão, me torna otimista sobre a cidade.


Em duas semanas começarão as aulas no colégio onde os Cullen estão devidamente matriculados e eu não poderia estar mais indiferente. Em Dunedin, Otago na Nova Zelândia, frequentamos o colégio e apesar de a cidade ser muito bonita, a experiência colegial não poderia ter sido mais desencorajadora.


Os professores ensinando conteúdos que eu já sabia, as meninas caindo de amores por meu pai e meus tios, os garotos dando em cima de minha mãe e de Rosalie e alguns até mesmo tentando se aproximar de mim. No segundo ano as abordagens diminuíram, pois já havíamos criado o distanciamento que Edward alega sempre ser tão necessário. Não queremos envolver nenhum humano no nosso mundo assustador, não é mesmo?


No fim das contas foram momentos entediantes e desconfortáveis, dos quais não sinto falta e não estou nem um pouco animada para reviver.


Alice continua dizendo que será divertido e eu finjo acreditar.


Dobrei o papel em minhas mãos colocando-o dentro de um envelope. Mais uma carta para Jacob. A princípio eu escrevia várias por semana, mas desde que ele resolveu me indispor com esse joguinho de silêncio, estou enviando apenas uma por mês a cada dia onze. Escolhi essa data, pois foi a primeira vez que nos beijamos, no meu aniversário, na Amazônia. Suspirei relembrando os bons momentos. Parecia parte de outra vida, uma vida que pertencia à outra pessoa, uma Renesmee diferente, cheia de esperanças e ilusões.


Doía lembrar esses momentos, pois eles agora são inalcançáveis e o que eu mais desejava era voltar para aqueles meses felizes e viver neles para sempre.


– Com licença, posso me sentar aqui? – um rapaz interrompeu meus devaneios, apontando para o espaço livre no banco em que eu ocupava.


– Claro. – respondi voltando minha atenção ao envelope.


Essa era a parte ruim de visitar parques. Apesar de ser um espaço lindo, outras pessoas acabarão aparecendo eventualmente, em especial se for um dia claro como hoje, raro no Alasca, todos querem aproveitar a ausência de chuva para dar uma caminhada ao ar livre.


Ergui o rosto contemplando a bela fonte localizada no centro do pequeno e calmo parque. Outros assentos estavam livres, não havia necessidade de esse estranho invadir meu espaço, pensei contrariada.


– Linda. – sussurrou o rapaz ao meu lado.


– O que disse?


– A fonte. É linda, não acha? – explicou ele com um sorriso pretensioso.


Eu assenti, a fim de evitar maiores conversas.


– Eu nunca te vi por aqui antes, é nova na cidade?


– É... Sim. Olha, eu preciso ir. Prazer em conhecê-lo. – eu disse pegando minha bolsa e saindo.


– Ei! Não vai me dizer o seu nome? – ele gritou e eu fingi não escutar.


Não iria antecipar minha interação com os garotos exibidos da escola. Definitivamente não estava no humor para isso.


Segui caminhando pelo parque até uma área mais tranquila e isolada. Liberdade para ir e vir fora um grande privilégio que ganhei dos meus pais desde que nos mudamos. Não sei se eles me consideram mais madura ou se é apenas Edward, aliviado por eu não estar por aí com Jacob.


Enquanto eu me afastava cada vez mais da civilização, comecei a ouvir um murmúrio acompanhado do barulho de folhagem sendo pisada. Intrigada, me aproximei da sinuosa depressão que o terreno fazia, apenas para encontrar uma garotinha rodopiando no meio do nada.


Ela não deveria ter mais do que oito anos e seu cabelo loiro estava preso em um rabo de cavalo. Fiquei imaginando se era seguro para alguém do tamanho dela estar sozinha no meio da floresta, ainda que fosse relativamente perto do parque, os pais dela deveriam estar por ali em algum lugar.


– Quatro, cinco, seis... – murmurou, batendo duas palmas e girando em um passo de dança.


Não pude deixar de sorrir diante daquela imagem, ela estava tão concentrada que nem me notou. A garota tentou fazer uma sequência de giro e salto e acabou caindo no chão.


– Ei, você está bem? – perguntei preocupada, logo descendo a curta ladeira.


A menina me olhou estranhando minha presença, conferiu os joelhos em busca de um machucado e não encontrou nada além de areia que ela mesma limpou de imediato.


– Não foi nada. – respondeu ficando de pé – Preciso ensaiar mais se quiser o papel principal na apresentação de balé. – disse séria recomeçando seus giros na ponta dos pés.


– Ah.


Fiquei em silêncio enquanto ela se movimentava em passos graciosos, porém completamente sem técnica. Lembrei quando Alice me introduziu ao balé. Obviamente não tive dificuldades, mas estava sempre ansiosa para aprender os movimentos mais complicados, enquanto minha tia dizia para ir com calma. Até cheguei a participar de uma Escola de Balé na Rússia, não durou muito, entretanto, pois tínhamos que nos manter discretos e não era exatamente o que acontecia quando eu estava dando piruetas e saltos naquele palco.


– Talvez se você inclinar mais os joelhos consiga mais impulso. – sugeri.


– Você entende de balé?


– Um pouco.


Ela me avaliou por alguns instantes e então refez a posição como eu havia indicado.


– Assim?


– É, mas não tire os calcanhares do solo. – expliquei soltando minha bolsa no chão e em seguida demonstrei o passo.


A garota agora me olhava boquiaberta, seus olhos azuis brilhavam de tal modo que me perguntei se teria exagerado.


– Você é uma bailarina de verdade! – exclamou ela em êxtase, com um sorriso contagiante iluminando seu rosto.


Era como se a pequena estivesse diante de uma personagem de conto de fadas ou coisa parecida.


– Bem, aprendi algumas coisas com minha tia. Se quiser, posso te ajudar no ensaio.


– Seria uma honra. – concordou entusiasmada dando um passo à frente – Ah, meu nome é Catherine Lefroy – ela pegou as pontas da saia e se inclinou fazendo reverência. – Mas pode me chamar de Cat.


– Meu nome é Renesmee Cullen, mas pode me chamar de Nessie. – me curvei repetindo o movimento que Catherine fizera ainda há pouco, o que a fez rir.


– Você é engraçada, Nessie.


Pisquei para ela em resposta e começamos a ensaiar. Tive uma empatia instantânea por aquela garotinha, eu não sabia dizer ao certo por qual razão. Talvez tivesse a ver com o fato de ela lembrar eu mesma quando mais nova, ou quem sabe pela inocência e desinteresse, características das quais eu não conseguia recordar alguém que eu conheci nos últimos anos e as possuísse.


Nós estávamos conversando e dançando há quase uma hora e, estranhamente, eu estava me divertindo como há muito tempo não fazia.


– Gabriel! – Catherine gritou de repente interrompendo o que fazia.


Segui o olhar dela de encontro a um rapaz na parte mais alta da ladeira. Ele parecia confuso e angustiado, e então, ao localizar a origem da voz que o chamava todo o seu rosto se transformou no mais completo alívio.


– Cat! – ele gritou em resposta descendo pelo terreno sinuoso às pressas. – O que está fazendo aqui? Quer me matar do coração? – perguntou ele com um tom de voz afetuoso e preocupado, não demonstrando raiva ou reprovação.


– Eu precisava ensaiar.


Ele se aproximou de Catherine, ajoelhando em frente à menina. Honestamente, acho que ele estava tão focado nela que nem sequer me viu, ou se viu simplesmente me ignorou. Vendo-o de perto, a primeira conclusão que fui obrigada a tirar foi a de que aquele rapaz era inacreditavelmente lindo. Era raro até mesmo para um vampiro ser tão bonito daquele jeito, imagine para um humano. O cabelo loiro em um corte moderno e bagunçado, os olhos azuis somados a toda aquela atenção, não deixavam dúvidas de que ele era irmão de Cat.


– Poderia ter me avisado. Voltei para casa e não tinha ninguém lá. Jen não deveria estar cuidando de você?


– A Jennifer é uma tremenda chata. Eu fugi pela janela e ela nem sequer deve ter notado.


– Você não tem jeito mesmo não é?


O garoto sorriu apertando a ponta do nariz de Catherine e ela se esquivou dando um sorriso sapeca. Dava para dizer, pelo modo no qual ele falava com ela, que aquele garoto tinha uma absoluta devoção por Cat.


– Além do mais, a Jennifer não é uma bailarina de verdade. A Nessie é. Falando nisso, Nessie, esse é meu irmão chato, Gabriel.


O tom que Cat usou deixava claro que ela não considerava Gabriel um chato e o garoto pareceu não se incomodar com o adjetivo negativo. Ele se virou, finalmente olhando para mim e logo tratou de se levantar para me cumprimentar.


– É um prazer conhecê-la. – disse estendendo a mão para mim e automaticamente eu apertei a mão dele em resposta.


Quando me dei conta do erro que cometi, só pude agradecer por estar de luva, caso contrário eu teria sérios problemas para explicar minha temperatura elevada.


– Nessie? É um nome diferente. – completou me dando um quase sorriso.


– É um apelido. Na verdade, meu nome é Renesmee.


– Agora sim, um nome que se escuta todo dia. – brincou.


Mordi o lábio para reprimir um sorriso, ao contrário de Gabriel que exibiu todos os dentes em algo que eu considerei o equilíbrio perfeito entre provocação e timidez.


Senti meu rosto formigar, e desviei o olhar do dele com um estranho desconforto. Eu tinha quase certeza que havia perdido a habilidade de corar anos atrás, constatei com surpresa que eu estava errada.


– Nessie estava me ensinando passos novos, Gabriel. Ela é uma bailarina incrível! Você precisa ver. – Cat contou eufórica.


– Tenho certeza que sim.


– Não conte com isso. – me esquivei.


Gabriel ficou me observando por alguns segundos como se me avaliasse. Que mania constrangedora a das pessoas dessa família.


– Como nunca te vi antes? – ele perguntou por fim.


– Er... Minha família acabou de se mudar.


– Não me diga que você é filha do doutor Carlisle. – Gabriel adivinhou.


– Como... Como você sabe? – fiz uma careta de confusão.


Ele riu.


– Nossa mãe é cirurgiã no único hospital da cidade e conheceu o seu pai.


– Sério? Que coincidência.


– Em uma cidade pequena como essa eu diria que é apenas inevitável.


Limitei-me a assentir, ainda assimilando como era esquisito ouvir alguém falando do meu pai sem se referir a Edward.


– Estou com fome. Podemos ir lanchar, por favor? – Cat gemeu fazendo manha.


– Claro, a senhorita é quem manda. – Gabriel piscou para a irmã. – Desde que não apronte outra dessas comigo. Eu fiquei realmente preocupado com você.


– Desculpa Gabs. Não faço mais, prometo.


– Então, vem com a gente, bailarina? – Gabriel convidou erguendo uma sobrancelha de um jeito tentador e eu tive a sensação de que acabara de ganhar um novo apelido.


– Eu não sei se é uma boa ideia...


– Vamos, Nessie! Por favor! – Catherine insistiu com os olhos suplicantes.


– Sinto muito, Cat, mas eu preciso ir aos correios enviar uma carta hoje sem falta.


– Na verdade, nossa casa fica perto do posto de correio. Se quiser podemos te levar lá, depois de comermos, é claro. – disse Gabriel.


– Diz que sim! – Cat gemeu balançando minha mão.


– Sinto muito, mas realmente não posso.


– Bem, então eu acho que a gente se vê no colégio. – Gabriel murmurou.


– Espero que sim. – concordei.


– E eu? Também quero te ver de novo, Nessie. – Cat protestou.


– Como o seu irmão disse, é uma cidade pequena, tenho certeza de que não faltarão oportunidades. – pisquei para ela e a garota balançou a cabeça conformada.


– Foi um prazer te conhecer, bailarina. – disse Gabriel com uma sugestão de sorriso.


Revirei os olhos e depois sorri para o novo apelido que ele insistiu em usar.


– Bom conhecer vocês também. – eu falei pegando minha bolsa e saindo.


Fui direto para os correios e enviei a carta para Jacob, já querendo contar sobre o dia de hoje, mas isso vai ficar para o próximo mês. Sorri comigo mesma tendo um bom pressentimento sobre como seria o colégio esse ano.


Voltei para casa, se é que se pode chamar assim um lugar que você conheceu há míseras semanas. Mas enfim, era o lugar onde minha família estava e onde eu moraria nos próximos anos, então era melhor me acostumar a chamá-lo assim. Eu mal acabara de estacionar o carro na garagem e Alice surgiu em minha frente como uma aparição.


– O que houve? – perguntei.


– Eu espero que esteja disposta a reviver o passado. – disse Alice se apoiando na lateral do carro enquanto eu saia. – Você tem visita.




Notas finais do capítulo

Como forma de agradecer todo o carinho, comentários, críticas, sugestões e apoio que vocês tem dado ao longo da jornada da EF, presentearemos algum (ou alguns) de vocês com um livro novinho e exclusivo da Eternal Flame.
Para garantir que seja uma escolha justa, desde o Lançamento da 3ª Temporada, estaremos lançando ações, jogos, eventos muito mais, que darão SELOS* especiais aos participantes.
Cada selo terá um valor diferente e ao final do Livro 3 da Eternal Flame, quem tiver mais pontos será o sortudo e merecido ganhador!
Então, animados? Fiquem atentos à comunidade e ao tumblr da EF, pois novas oportunidades de ganhar selos estarão surgindo a qualquer momento! ;D
* O uso da palavra SELO é meramente figurativo, os participantes receberão na realidade uma senha exclusiva para cada ação via email.