O Supervisor escrita por DennyS


Capítulo 10
Capítulo -X- Começo


Notas iniciais do capítulo

Capítulo bem longo!
Essa foi a música que me deu inspiração para escrever esse capítulo, pra quem quiser acompanhar ouvindo, o link é esse: http://www.youtube.com/watch?v=TvJ_oloWOCw
Boa Leitura!



~*X*~

Começo


–Bom dia, Srta. Haruno!


A recepcionista da Corporação Global de Computação Gráfica havia me cumprimentado antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa. Com um sorriso estampado no rosto, ela gesticulou para que um funcionário me acompanhasse até os elevadores.

Mal tive tempo de agradecer, já estava dentro do elevador, seguindo na direção do décimo andar.

Era a primeira vez na vida que eu entrava naquele edifício. Quantas vezes eu não imaginei estar ali, desde que havia me mudado para a capital? Mas nunca imaginei que seria daquela maneira: como noiva do dono.

Estremeci.

Sempre que me lembrava da manhã em que Sasuke me pediu em casamento, uma felicidade imensa me invadia que eu sentia meu coração prestes a explodir.

Porém, confesso que às vezes eu me assustava com o futuro que me esperava. Sasuke era um homem muito importante, tinha um nome a zelar. Uma semana depois que estávamos juntos, nosso relacionamento estampou a primeira página de várias revistas e aquilo me pegou de surpresa. Afinal, eu tinha acabado de descobrir toda a verdade sobre o mistério que nos envolvia. Eu tinha acabado de entender os meus sentimentos por ele e antes que pudéssemos dar um nome para o nosso relacionamento, a mídia já havia feito isso por nós. Lembro da manchete de uma delas que Tenten comprou com tanta empolgação: Mulher misteriosa ganha a cama de um dos solteiros mais cobiçados de Tóquio. Embora Tenten achasse engraçado, eu tinha ficado aflita. Como assim ganha a cama? Eles se referiam a mim como uma simples amante que aquecia a cama de um Uchiha milionário! E a pergunta que não queria calar, segundo a jornalista que merecia umas palmadas, era por quanto tempo Sasuke iria me suportar como amante.

Já não me bastava ficar mal com essa situação, no outro dia após a reportagem, jornalistas se amontoavam na frente do apartamento que eu dividia com Tenten. Ela sorria e acenava para os fotógrafos, quando tivemos que sair para fazer compras, dizendo que eu estava sendo boba e deveria me sentir como uma celebridade.

Como se fosse fácil fazer isso.

Sasuke percebeu como eu me sentia a respeito desse assédio da mídia e ele admitiu também odiar. Disse que tomaria algumas providências e já no dia seguinte à sua promessa, não havia mais nenhum fotógrafo na minha porta, para a tristeza da Tenten.

Mas, as reportagens continuavam. Eu fazia questão de ignorá-las e pedia a Tenten que não lesse ou comentasse na minha frente, para a minha própria sanidade.

Sasuke e eu mantivemos um namoro discreto por um mês. Eu não poderia estar mais apaixonada por ele e percebia também o quanto ele me amava.

Há quatro dias, então, Sasuke havia me pedido em casamento na manhã que ele me levou à Konoha e passamos horas incansáveis fazendo amor em frente a lareira da sua casa de campo. E claro, de alguma maneira a notícia do casamento se espalhou e a mídia passou a ter mais consideração por mim.


O elevador parou no décimo andar. Suspirei de ansiedade e adentrei um salão imenso de carpete vermelho. O funcionário que estava me acompanhando indicou uma mesa ao fundo do hall, onde estava outra recepcionista.

Ao me ver se aproximar de sua mesa, ela se levantou e toda sorridente pediu-me para sentar em uma das poltronas enormes da recepção.


–Vou avisar ao Uchiha-sama que já está aqui, Srta. Haruno.


Agradeci a ela e me sentei. No mesmo instante, meu celular tocou dentro da bolsa e quando peguei, percebi que era uma mensagem da Tenten, lembrando-me pela milésima vez que aquela era a sua noite de despedida de solteira.

Estava de cabeça baixa respondendo a mensagem, quando uma voz familiar me fez erguer a cabeça rapidamente.


–Será que devo lhe parabenizar?


Ergui o cenho com tanta surpresa, que Sasori Akasuna mostrou o seu sorriso mais malicioso.


–Com medo? – perguntou ele desdenhoso e atento à minha expressão.

–O que faz aqui? – perguntei depois de limpar a garganta.

–Trabalho aqui. – respondeu ele parecendo obvio. – Precisava lhe dar os parabéns pessoalmente. É verdade o que dizem nos jornais, não é? Vão se casar?


Me levantei da poltrona lentamente sem desviar o olhar daqueles olhos brilhantes e maliciosos.


–Por que você parece não acreditar? – perguntei tentando parecer firme. Desde que Sasori me ameaçara naquela festa em Paris, eu tinha um receio que não conseguia controlar, mas não queria que ele percebesse.

–Não podemos acreditar em tudo que sai em revistas e sites de fofoca, sabia? Tinha que confirmar com uma fonte confiável. - Sasori respondeu novamente com aquele sorriso malicioso, enquanto seus olhos percorriam o meu corpo. – Estou impressionado.


Minha expressão parecia confusa, porque ele não me esperou perguntar com o que ele estava impressionado.


–Você é mais esperta do que eu imaginava, Sakura. Não entendo como conseguiu amolecer o coração do Uchiha em tão pouco tempo, mas devo admitir que posso tirar o meu chapéu para você.

–O que está insinuando? – perguntei entredentes. Aquele patife tinha a ousadia de insinuar que eu estava enganando o Sasuke?

–Não se faça de ofendida, minha cara. Você não pode me enganar.


Permaneci atônita com aquela situação enquanto fitava os olhos frios e insanos de Sasori Akasuna. Senti minha respiração acelerada enquanto cerrava os punhos, contendo uma vontade enorme de retirar aquele sorriso com um soco.

Os olhos de Sasori desviaram-se dos meus para um ponto acima da minha cabeça, estreitando-os.


–Uchiha. – disse ele com a voz firme, porém não havia mais sorriso.


Virei-me com o coração acelerado e lá estava Sasuke. Seu olhar na direção do Akasuna era tão hostil quanto o que eu a pouco lhe lançava.


–Sasuke-kun! – me aproximei dele com um passo e o cerquei pelo pescoço, dando-lhe um beijo. Havia me esquecido completamente de Sasori Akasuna, mas a tensão no corpo de Sasuke fez-me afastar dele. – Gomene... – pedi sentindo um rubor invadir o meu rosto.


Só agora percebi que um grupo de homens de terno havia saído de uma sala, provavelmente a sala de reuniões, com o Sasuke e estavam todos parados a poucos metros de nós, nos observando com curiosidade.


–Estava parabenizando a noiva... Sasuke-sama. – me virei na direção da voz do Sasori e novamente senti uma raiva insana quando ele pronunciou o nome de Sasuke com tanto sarcasmo, sem um pingo de respeito por seu chefe. – Você é um homem de sorte.


Fitei a expressão de Sasuke com ansiedade e percebi que ele se continha da fúria que vi em seus olhos, unicamente porque estávamos na empresa que era de seu pai, com todos os funcionários que o respeitavam, olhando.


–Você não precisa me lembrar que tenho sorte. – respondeu ele apertando o braço que cercava a minha cintura, depois dando as costas para o ruivo comigo ao seu lado. Eu tive tempo de ver o olhar revoltado de Sasori na nossa direção, mas não senti medo nenhum. Ao lado de Sasuke eu me sentia como se pudesse enfrentar qualquer perigo.


Seguimos juntos na direção das portas enormes ao final do hall da recepção. Era o escritório sênior.

Sasuke fechou as portas e caminhou em silêncio até a enorme mesa no fundo da sala, que ficava de frente para uma parede totalmente de vidro, permitindo uma vista privilegiada da grande capital.

Vi ele serrar os punhos sobre a mesa, de costas para mim.


–Sasuke-kun? – me aproximei dele lentamente.

–Maldito! – disse entredentes dando um soco na mesa, fazendo-a estremecer. – Não vou suportá-lo por tanto tempo.


Ele parecia falar consigo mesmo e era a primeira vez que o via daquele jeito. Mais uma vez odiei Sasori Akasuna pelo simples fato de existir.

Me coloquei ao lado de Sasuke. Ele estava com os punhos apoiados sobre a mesa, sua respiração estava acelerada e os olhos fechados. Segurei no braço dele, retirando o punho de sobre a mesa e o abracei. Senti como seu corpo estava tenso, mas não me importei. Continuei a abraça-lo fortemente, dizendo que tudo ficaria bem, até senti-lo se acalmar. Seu corpo aos poucos foi se envolvendo ao meu, seus braços me cercando e me apertando de encontro a ele.


–Senti sua falta. – disse enquanto beijava sua clavícula que estava exposta pela falta da gravata e os botões do colarinho abertos. A loção pós-barba que ele usava me deixava louca.

–Também senti sua falta. – disse ele descendo uma de suas mãos pelas minhas costas, a outra me segurava pela nuca. – Nunca mais vou deixa-la em Konoha por mais de um dia.


Eu concordei de olhos fechados enquanto senti seus beijos na curvatura do meu pescoço. Ele se referia a nossa pequena viagem a Konoha, quatro dias atrás. Depois que passamos um dia inesquecível na sua casa de campo, tive coragem de ir visitar o meu pai para pedir desculpas por ter ido embora de casa com tanta irresponsabilidade. Sasuke teve que voltar para Tóquio, por isso essa era a primeira vez que o via em três dias.


–Sasuke-kun... – murmurei quando senti sua mão na barra da saia do meu vestido, depois subir alisando a minha coxa. – Está ficando louco?

–Sim... – sussurrou roucamente, roçando os lábios nos meus. – Já estou louco há muito tempo...

–Podem aparecer aqui a qualquer momento. – eu fitei a porta do escritório com receio, mas ele continuou sua carícia, subindo seus toques cada vez mais, até parar no meu bumbum.

–Ninguém vai ousar me interromper agora. – disse ele puxando-me de encontro ao seu corpo, e então percebi o volume em sua calça. Senti meu corpo inteiro estremecer, meus mamilos se enrijecerem sob o sutiã de renda.

Sasuke capturou meus lábios com urgência e eu os entreabri permitindo que sua língua me degustasse, inebriando-me os sentidos. Senti as mãos firmes de Sasuke segurar nos meus quadris, depois me erguer do chão e me sentar sobre a mesa. Enlacei-o com as pernas agarrando seus cabelos enquanto ele ainda me beijava como um sedento que precisava de água para matar a sede.

Senti suas mãos tatearem as minhas costas e descer o zíper do vestido, depois desabotoar o sutiã, sem que interrompesse o beijo. Mas no momento seguinte, ele desnudou meus seios e em seguida seus lábios os sugavam. Meu corpo se contorceu e eu tive que morder o lábio inferior para não gritar de prazer. Sasuke sugava um dos mamilos enquanto descia uma mão no ponto sensível entre as minhas coxas. Quando ele me tocou, fiquei tonta de desejo, não imaginava o quanto estava excitada.


–Sas... Sasuke-kun... – apertei minhas pernas ao redor dele, desejando tocá-lo também, sentir a pele dele de encontro a minha.


Sasuke se afastou de mim o suficiente para que eu abrisse a sua camisa rapidamente, depois percorresse minhas mãos pelo peito e tórax perfeitos. Ele estava ofegante, suas mãos agora apertavam os meus quadris enquanto ele desfrutava da minha carícia. Quando meus dedos chegaram ao cós da calça, Sasuke gemeu roucamente e seu corpo se contraiu de leve. Desafivelei o cinto e abri o zíper da calça e Sasuke ofegou de alívio quando o membro rijo não se via mais preso.

Meus olhos fitavam com muito desejo o membro intumescido sob a cueca e Sasuke, como se lesse meus pensamentos, pediu:


–Me toque, Sakura... – sua voz era um sussurro rouco e sensual, fazendo-me estremecer mais uma vez.


Toquei o cós da cueca boxer e Sasuke novamente se contraiu de desejo. Eu podia ver seus músculos tensos, como se estivesse se controlando para não dar vazão ao desejo intenso que sentia.

Eu expus o membro rijo e o coloquei entre as minhas mãos, massageando lentamente, ficando cada vez mais excitada ao ouvir os gemidos de prazer de Sasuke.

Mas durou apenas alguns segundos. Sasuke me impediu de continuar, voltando a me tocar ousadamente, a me beijar com ardor e a me apertar contra o seu corpo.

A mesa parecia muito baixa para um contato melhor de nossos corpos e Sasuke pareceu extremamente irritado com isso. Com um único golpe, ele derrubou todos os papéis e canetas que estavam sobre a enorme mesa de mogno do seu escritório e me deitou sobre ela, sem interromper o beijo caloroso de nossos lábios.


–Sakura... – murmurou ofegante enquanto puxava minha calcinha para baixo de minhas pernas com sofreguidão. Meu corpo se contorcia por inteiro, eu me sentia quente, molhada, estava desesperada para tê-lo de uma vez dentro de mim.


Suas mãos ágeis e voluptuosas terminaram de retirar a única peça intima que eu ainda usava, depois ele se posicionou entre as minhas pernas.

Fitei os olhos negros de Sasuke acima de mim, agarrando suas costas com urgência. Sasuke roçou seu membro latejante e duro como pedra de encontro ao meu sexo e aquilo quase me fez enlouquecer.

Ele tinha a expressão contorcida de prazer, também não poderia mais suportar o desejo. Seus lábios selaram os meus num beijo antes que me penetrasse profundamente. Gemi nos seus lábios, assim como ele gemeu nos meus, até que ele me penetrasse totalmente, para depois sair lentamente e aumentar os movimentos.

Sasuke moveu-se dentro de mim, ora com movimentos rápidos, ora com movimentos lentos, seus olhos me incendiando com sensualidade, seus gemidos mesclando-se aos meus.

Parecia que eu havia me esquecido de que estávamos no seu escritório da CGCG do décimo andar, fazendo amor sobre uma mesa. Só havia Sasuke ali comigo, o desejo que nos consumia e o amor que se derramava do meu coração por ele.

Sasuke aprofundou seus movimentos, com estocadas cada vez mais fortes, fazendo gemidos saírem da minha boca antes que eu pudesse impedi-los. Vi uma de suas mãos apertar a lateral da mesa, tamanho era o seu desejo.

Atingimos o ápice do desejo com uma última estocada, nossos corpos entrelaçados sobre a mesa, ambos ofegantes e suados. Nos beijamos ainda com o coração exasperado batendo um contra o peito do outro. E eu não podia me sentir mais feliz ao ouvir daqueles lábios sensuais que ele me amava.


~*~*~*~


–Você mal voltou, teremos que nos separar.


Sasuke fechava sua camisa, enquanto eu o observava sentada em uma das poltronas do seu escritório, quase babando diante daqueles músculos.


–Não tenho a mínima vontade de ir nessa despedida de solteiro. – continuou ele, agora vestindo o paletó.

–Fico feliz em saber disso. – disse eu arrancando um sorriso dele. – Espero que não tenha nenhuma mulher fazendo estripitize nessa festa.


Ele se aproximou e inclinando-se, me beijou.


–É bem provável que tenha. – disse ele roçando os lábios nos meus.


Eu estreitei meu olhar e ele riu, depois seguiu na direção da sua mesa.


–Konohamaru? – chamou seu assistente pelo interfone.

–Sim, chefe?- a voz jovial de Konohamaru soou do outro lado.

–Mande alguém para limpar a minha sala, onegai.

É pra já!


Lancei meus olhos para os papéis, pastas e canetas espalhados pelo chão e senti meu rosto esquentar. Quando fitei Sasuke de volta, ele sorria do meu embaraço. Parecia gostar de me ver corada.


–Gostaria que dormisse na minha casa hoje. – disse Sasuke se aproximando.


Me levantei da poltrona e o abracei.


–Eu também... Mas tenho que ajudar Tenten nos últimos preparativos do casamento. – rocei meu nariz ao dele. – Amanhã, depois do casamento serei totalmente sua.


Ele pareceu gostar da ideia, depois me beijou suavemente. Seus lábios tinham um gosto tão bom que rapidamente, já estava entregue a ele novamente.

Uma batida na porta nos interrompeu e eu tentei me recompor antes que ele dissesse “entre”.

Enquanto uma das funcionárias da CGCG responsável pela limpeza arrumava a nossa bagunça, deixamos o prédio da CGCG juntos e Sasuke me levou até o apartamento que eu dividia com a Tenten.


~*~*~*~


–Nossa! Muito obrigada pela consideração, amiga!


Tenten estava de braços cruzados, batendo o pé no chão enquanto eu entrava no apartamento com um sorriso enorme nos lábios, incapaz de desfazê-lo.


–Você disse que daria uma “passadinha” na CGCG para encontrar o Sasuke e que voltaria em poucos minutos. Você é uma tratante, Sakura Haruno!

–Tenten! – me aproximei dela e a abracei quase erguendo-a do chão. – Estou tão feliz!

–Estou vendo! – disse ela com o olhar estreito.

–Você também deveria estar, afinal vai se casar amanhã!


Ela desfez a expressão carrancuda e se sentou no sofá parecendo desesperada.


–Ai, amiga! Estou tão nervosa... – ela escondeu o rosto nas mãos parecendo inconsolável. – O Neji acabou de sair daqui para se encontrar com os amigos na festa de despedida de solteiro. Ele parece tão tranquilo! Como pode uma coisa dessas? Estou quase perdendo meus cabelos, hoje acordei com uma espinha enorme e...

–Tenten! – a segurei pelos ombros. – Se controla, mulher! Você vai se casar, não vai pra uma guerra!


Tenten fez cara de choro e eu a abracei.


–Vai se casar com o homem da sua vida. Se sentir nervosa é normal, não precisa se desesperar, amiga. – disse suavemente para ela se acalmar. Ela pareceu concordar depois de um momento e então sorriu com lágrimas nos olhos.

–Vou me casar, Sakura! – disse ela chorando de alegria. – Vou me casar com o Neji! Não acredito que finalmente serei feliz ao lado dele!

–Sim! – concordei sentindo meus olhos se encherem de lágrimas também. – Estou tão feliz por você, Tenten!

–Eu é que estou feliz por você finalmente saber o que é o amor, Sakura... Saber que você pode ser tão feliz quanto eu... Obrigada por tudo, amiga! – ela me abraçou novamente chorando e eu também não pude segurar as lágrimas.


Eu é que deveria agradecer por ela ser a minha amiga. A Tenten esteve presente em vários momentos da minha vida. Nos fáceis e nos difíceis. Quando a minha mãe morreu eu não teria continuado seguir em frente se não fosse por ela.

Eu já havia dito isso a ela muitas vezes, mas tive que dizer novamente.

Daquele dia em diante, tínhamos certeza de que seríamos amigas para sempre.


~*~*~*~


Tivemos uma festinha só de mulheres naquela noite no nosso apartamento com algumas amigas do trabalho da Tenten e a Ino Yamanaka que eu conheci na central de cobranças.

Ela parecia obcecada pela minha história com nosso ex-supervisor. Me fez contar tudo desde o começo várias vezes, emocionada com cada detalhe, dizendo que nunca ouvira uma história tão romântica e Karin, a garota que me odiava naquele trabalho, estava até hoje arrancando os cabelos desde que viu as fotos minhas e do Sasuke nas revistas de fofoca.

Durante a nossa singela reunião, enquanto as meninas conversavam animadamente sobre sexo, dando seus melhores conselhos para Tenten usá-los daqui pra frente na sua vida de casada, me vi pensando no Sasuke, na bela manhã que passamos juntos em Konoha.

Lembro-me de quando ele me surpreendeu, dizendo que meu pai estava esperando pela minha visita no dia seguinte. Eu já havia pensado várias vezes na possibilidade de visita-lo, mas nunca havia coragem suficiente para isso. Eu não queria chegar de surpresa, correndo o risco de que meu pai não fosse me receber.

Mas Sasuke havia me assegurado de que ele desejava me receber e esclarecer tudo que havia acontecido quase um ano atrás. Confusa, perguntei a ele como poderia saber disso e ele me respondeu que encontrou meu pai algumas vezes em Konoha, enquanto procurava uma casa sossegada que pudesse alugar no campo. Sasuke não quis entrar em detalhes sobre o que conversou com o Sr. Haruno, mas disse que conversaram sobre mim e que meu pai sentia muito a minha falta.

Mesmo que ainda estivesse com medo, aceitei. Eu confiava imensamente no meu amado, no meu Sasuke. Ele me acompanhou até o bairro onde eu morava.


O jardim da minha casa antiga estava do mesmo jeito do qual eu me lembrava. Com exceção das duas cerejeiras da entrada que pareciam ainda maiores e mais cobertas de flores.

Sasuke caminhava ao meu lado, seus dedos apertavam a minha mão e embora eu parecesse tranquila, ele sabia o quanto meu corpo estava tenso.


–Tem certeza de que não quer entrar comigo? – perguntei tentado deixar a voz o mais calma possível. Eu não podia imaginar qual seria a reação do meu pai ao me ver depois de tanto tempo. Gostaria de sentir a segurança que Sasuke me passava sempre quando estava com ele.


–Acho que você deve ter esse momento a sós com seu pai. – respondeu ele, levando minha mão até os seus lábios. – Mas não precisa ficar tão nervosa. Seu pai está esperando por você.


–Eu sei disso, mas... É que faz tanto tempo...



Paramos em frente ao portão. Há quase um ano eu havia cruzado aqueles portões com a intenção de desaparecer e nunca mais voltar.

Lembrei-me que era uma noite chuvosa e eu dizia ao meu pai que suspeitava de sua esposa estar sacando valores altíssimos da conta da fábrica sem que ele soubesse. Meu pai estava muito nervoso naquela noite, pois acabara de ter uma discussão com o dono de alguma imobiliária concorrente, ele não parecia paciente para me aturar. Pela sua falta de controle, eu acabei me descontrolando também dizendo que ele deveria abrir os olhos, porque Yuan não o amava e que se casou com ele apenas por causa de seu dinheiro. Meu pai ficou irado, ainda mais furioso quando envolvi o nome de minha falecida mãe na questão. Ele me disse tantas coisas, porém a que me fez desmoronar foi a que eu não faria falta se partisse.

Então, naquela mesma noite saí de casa. Tenten já estava com planos para se mudar para a capital e eu me ofereci para ir com ela.

Na época pareceu muito fácil partir. Eu estava irritada, magoada e tentava não pensar no que havia acontecido.


Voltar, porém estava sendo muito difícil.



Sasuke tocou a campainha e eu me surpreendi quando avistei minha madrasta aparecer à porta da entrada.


–Vou esperar no carro, depois terei que voltar para a capital. Se não estiver se sentindo bem a levarei comigo. – disse Sasuke antes de me dar um beijo, se virar e atravessar a rua na direção do seu carro.


–Sakura! – minha madrasta atravessou o jardim e seguiu na direção dos portões. – Kami! É você mesmo!



Quando os portões se abriram, Yuan me abraçou forte e eu ainda estava atônita pela recepção.



–Sakura, seu pai ficou tão feliz quando o Sr. Uchiha avisou que você estava vindo! Eu também fiquei muito feliz.


Fitei os olhos dela ainda incrédula, tentando pensar em alguma coisa para dizer. Ela estaria realmente dizendo a verdade? Afinal, eu não havia esquecido da sua visita alguns meses atrás quando ela disse que meu pai estava doente por minha causa.


–Eu sinto muito, Sakura... – disse Yuan mudando a sua expressão alegre como se tivesse lido meu pensamento. – Sinto muito pelo que eu disse naquele dia. Seu pai estava realmente mal por você ter ido embora e eu tive que procura-la, mas acabei dizendo o que não devia. Eu estava com raiva por você ter partido daquele jeito... Eu... Eu só espero que você possa me perdoar...


–Não, Yuan. Sou eu quem deve pedir perdão a você. – eu disse sentindo meus olhos se encherem de lágrimas. – Eu fui muito egoísta achando que você pretendia tirar meu pai de mim, sem poder enxergar o quanto ele te amava. – Yuan também tinha os olhos marejados. – E o quanto você o ama. – completei.


–Somos uma família. – disse ela me abraçando mais uma vez. – Não vamos nos separar novamente.




Quando entrei na casa dos Haruno, segui na direção da varanda dos fundos, onde tinha uma bela vista para o lago de Konoha. Meu pai estava sentado na sua velha cadeira de balanço fitando o por do sol. Eu me aproximei cautelosamente com Yuan ao meu lado.



–Tenzin, querido. – disse ela e meu pai se virou na nossa direção.


Seus belos olhos verdes me fitaram, ficando cada vez maiores e brilhantes.



–Oi, pai.


–Vou deixa-los sozinhos. – disse Yuan emocionada.


Quando ela saiu, continuei com os olhos no meu pai, sentindo certo receio. Eu não sabia como começar a me desculpar por ter me comportado tão mal! Eu simplesmente não encontrava as palavras certas.


–Pai...


–Não diga nada, Sakura. – disse ele se levantando da cadeira. – Apenas me dê um abraço, filha.


Eu corri para os seus braços abertos e não contive as lágrimas. Meu pai também estava chorando, me apertando cada vez mais em seus braços.

Acho que ficamos assim por vários minutos, porque só me movi quando minhas pernas estavam doendo e o sol já havia sumido no horizonte.


Percebi que mesmo indo embora tantos meses atrás, eu ainda me sentia em casa. Ali ainda era o lugar que eu podia chamar de lar, pois eu me sentia amada. Meu pai parecia tão feliz que sua felicidade me preenchia também.


Contei a ele tudo sobre Tóquio e nunca vi alguém ficar tão impressionado. Contei a ele sobre como Sasuke entrou na minha vida mudando-a totalmente, fazendo-me entender o que era de fato o amor, e meu pai pareceu comovido ao perceber o quanto eu havia amadurecido.


Disse-me que essa mudança fez bem para eu enfrentar a vida. E realmente eu me sentia daquela maneira. Não me arrependia nenhum momento de ter partido, pois se não tivesse feito, talvez nunca conheceria Sasuke.


Permaneci em Konoha com a minha família pelos três dias seguintes e só voltei por causa do casamento e porque não queria ficar longe de Sasuke nem mais um minuto. Mas eu ainda teria muito tempo para matar a saudade do meu pai. Sasuke disse que adoraria morar em Konoha depois que nos casássemos.



A festa acabou algumas horas depois, porque a noiva precisava de uma boa noite de sono. E eu também. Me sentia exausta.

Porém, minha cabeça mal tocou o travesseiro, já era hora de levantar. Um carro veio nos buscar para levar até Konoha onde aconteceria o casamento.

Quando chegamos em nossa cidade natal, Tenten e eu passamos o dia inteiro no spa, não apenas para ficar bonita, mas para relaxar também. Embora eu tentasse deixar Tenten mais calma no dia anterior, ela ainda parecia nervosa.

Depois que fizemos limpeza de pele, unhas, cabelo e maquiagem, estávamos prontas.

Uma limusine nos levou até a mansão Uchiha, uma das casas que era uma das relíquias daquela família e onde seria a cerimônia e a recepção da festa. Sasuke fizera questão de presentear o amigo Neji com esse gesto, porque infelizmente naquela data, todos os salões de Konoha estavam alugados e o casal desejava se casar naquela primavera.


Quando descemos da limusine, tudo estava preparado para a entrada da noiva. A cerimônia aconteceria no jardim dos fundos da mansão Uchiha.


Seguimos de encontro às damas de honra e a família da Tenten. A mãe dela quando a viu borrou a maquiagem de tanto chorar emocionada.


Seguimos na direção do jardim e meu coração acelerou quando vi Sasuke esperando por mim para entrarmos juntos. Ele estava lindo de terno preto, seus cabelos estavam bem penteados, mas alguns fios desalinhavam-se, deixando seu rosto absurdamente lindo.


Quando me viu, ele sorriu percorrendo seus olhos pelo meu corpo e seu olhar indicava que havia gostado do vestido de madrinha da cor azul que eu havia escolhido. Eu podia ver e entender o brilho que inundava seus olhos naquele momento.


Tentei me recompor antes de me aproximar do Sasuke para entrar com os outros padrinhos segurando em seu braço.


–Você está linda. – sussurrou no meu ouvido depois de me beijar, fazendo-me arrepiar dos pés a cabeça. – Mal vejo a hora dessa festa acabar...



Nossos olhos se perderam e eu tinha certeza de que ele podia imaginar a mesma coisa que eu.

Desviei meus olhos ruborizada e tentei me concentrar no casamento. Tenten ainda precisava de mim.


Entramos sob a música suave de um piano e depois foi a vez da marcha nupcial.

Tenten estava tão linda que o único olho humano que a viu chorou. Eu não consegui me conter quando ela entrou acompanhada de seu pai sobre o tapete vermelho, devo ter borrado toda a maquiagem. Seu semblante era divino, seus olhos estavam direcionados totalmente para o seu futuro marido. Não havia nenhum traço de nervosismo na sua expressão.


Durante a declaração dos noivos sobre aceitar o seu companheiro na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, etc., meus olhos marejados encontraram os olhos negros mais lindos que um dia eu pude encontrar. Sasuke me olhava tão intensamente que me perdi por um momento da realidade. Me esqueci de que estava em um casamento, sendo madrinha da minha melhor amiga, eu só sabia que o amava. E quando li seus lábios dizendo que também me amava, tive vontade de correr até ele e beijá-lo.


~*~*~*~


Depois da cerimônia, todos os convidados se retiraram para a recepção dentro da mansão, no salão principal. O caminho entre o jardim e a entrada da mansão estava completamente enfeitado de rosas brancas e vermelhas. O interior do salão então parecia um cenário de conto de fadas. Percebi que todos estavam maravilhados pela decoração, inclusive Rock Lee que não parava de elogiar cada botão de rosa desde que saímos do jardim. Ele parecia realmente contente por ter sido um dos padrinhos do Neji, seu melhor amigo. E extremamente feliz por ter sido convidado a se sentar na mesma mesa que eu e o Sasuke e mais algumas pessoas estávamos.



–Eu não sei vocês, mas o Neji parecia nervoso. Pelo menos foi o que eu achei. – disse ele enquanto se servia de champanhe.


–Ele não gosta de ter muita atenção para si. – respondeu Sasuke. Fiquei surpresa por ele não parecer irritado pela falação sem fim do Rock Lee, ele estava bem à vontade, o que não era muito comum em festas. Mas não me importei com isso. Muito pelo contrário, fiquei muito feliz por ele estar contente ao meu lado.


–Para mim ele parecia muito feliz. – eu disse ao Lee com um sorriso, ao mesmo tempo em que avistei Tenten e Neji sentando-se à mesa principal do salão, reservada especialmente para os noivos.


–Sasuke, querido!



Me virei na direção da voz que chamava pelo Sasuke, surpreendendo-me por ver sua mãe e Tsunade se aproximarem de nós. Sasuke se levantou para abraçar a mãe e a tia e eu fiz o mesmo. Já havia me encontrado com Tsunade depois do nosso mal entendido sobre o mistério que envolvia Sasuke e o que realmente ele queria de mim. Agora éramos boas amigas, tudo que passamos há um mês, nos fazia rir.

Porém, era a primeira vez que me encontrava com Mikoto Uchiha, ela estava viajando nas últimas semanas. Ela era a segunda mulher da vida do Sasuke. Eu estava ansiosa para conhecê-la.



–Mãe, deixe-me apresenta-la a Sakura. – disse Sasuke segurando a minha mão.


–É um prazer conhecê-la. – eu disse com um sorriso.


Mikoto Uchiha nada disse, apenas sorriu fracamente e logo mudou de assunto, perguntando ao Sasuke sobre algo que eu não entendi.


Fiquei tão sem graça, que Tsunade havia notado e meu deu um olhar profundo, como se ela pedisse desculpas por aquilo. Sasuke também parecia um pouco irritado com a atitude da mãe, mas não disse nada. Apenas se despediu dela quando voltamos para a nossa mesa.


Eu gostaria de saber por que ela parecia não ter gostado de mim. Será que a mãe do Sasuke leu aquelas revistas estúpidas de fofoca? Congelei. Eu não sabia o que escreveram de mim depois da primeira que eu fiz questão de jogar fora e apostava que não foram coisas boas.


Sasuke segurou na minha mão, percebendo o meu estado de pânico, mas não disse nada. Fiz questão de voltar a sorrir e puxar conversa com os ocupantes da mesa, afinal estava numa festa.


Depois de algum tempo, Sasuke se aproximou de mim, segurando em minha mão.



–Quer dançar?



Aceitei de imediato levantando-me com ele.


Fomos para o meio da pista de dança e me senti reconfortante quando Sasuke me envolveu em seus braços. Deitei a cabeça sobre o seu ombro e deixei que ele me conduzisse ao ritmo da música lenta que invadia o salão.



–Não se preocupe com a minha mãe. – disse ele no meu ouvido. – Deve estar com um pouco de ciúme.




Eu realmente fiquei magoada com o jeito frio em que Mikoto Uchiha me recebeu para ser sua nora, mas lembrei-me de uma coisa que eu poderia reconsiderar. Ela amava muito o seu filho e Sasuke já havia sofrido no passado com um casamento ruim, era natural que ela se sentisse receosa. Eu não poderia culpá-la.




–Está tudo bem. – assegurei a ele. Levantei a cabeça para olhar nos seus olhos. – Você não vai se livrar de mim assim tão fácil.



Ele sorriu e me apertou mais contra o seu corpo, encostando sua testa a minha.



–E você não vai fugir de mim nem tão cedo. – seus lábios roçaram nos meus, fazendo-me suspirar, meus dedos tocavam levemente as pontas de seus cabelos atrás da nuca.


–Desculpe interromper, Sasuke-sama.



Sasuke e eu olhamos na direção do garçom que estava parado ao nosso lado. Sasuke tinha um olhar estreito. Ele se aproximou do garçom e este lhe disse algo que eu não pude ouvir. Sasuke voltou até mim e disse para esperar por ele onde estava. Logo ele voltaria.


Permaneci parada no meio da multidão que dançava ao meu redor, observando Sasuke desaparecer. Fiquei parada, com o cenho franzido, fazendo exatamente o que ele havia me dito para fazer: esperar.


Quando alguém segurou em meu braço, puxando-me de encontro ao seu corpo.



–Sasori?!



Ele segurou em minha cintura, prendendo-me contra ele. Meu rosto estava a poucos centímetros do rosto dele.



–Me solta! – disse entredentes, empurrando-o com as mãos em seu peito.


–Será que pode dançar comigo por um momento? – perguntou ele roçando seus lábios no meu ouvido.


–Não! – tentei empurra-lo novamente, mas seus braços me apertavam contra ele. – Estou avisando! Me solta ou vou fazer um escândalo!


–Realmente quer fazer uma cena no casamento da sua melhor amiga? – disse ele de encontro ao meu ouvido novamente. – Vai realmente fazer isso no dia mais feliz da vida dela? – juntei toda força que possuía para empurrá-lo, mas ele apenas cambaleou para trás. – Não seja malcriada, Sakura! Só quero ter uma palavrinha com você.


Suspirei e desisti de lutar. Olhei ao redor e ninguém parecia ter notado a luta inútil que eu tentava travar com Sasori Akasuna. Ainda bem.



–O que você quer? – perguntei com tanta raiva que sentia meu rosto quente.


–Adoro ver você tão irada. – disse ele com um sorriso malicioso. – Parece uma leoa pronta para atacar.


–Diga logo o que quer e me solta!


–Só queria terminar a nossa conversa de ontem, quando fomos interrompidos pelo Uchiha. – Sasori estava muito perto, perto demais e eu queria acabar com aquela aproximação o mais rápido possível. – Sabe, você não me engana, querida... Eu sei o que está planejando... – novamente aqueles lábios no meu ouvido. Como eu queria mata-lo! – Você deve ter ideia de qual família está querendo fazer parte, mesmo que seja só pelo dinheiro que esteja se casando. Os Uchiha não são qualquer família. Existem muitos segredos por trás de tanto dinheiro e duvido que algum dia, seu futuro marido irá lhe contar. Eles, os Uchiha não confiam em ninguém. Talvez não perceba isso em Sasuke porque ele está apaixonado por você, mas quando conhecer outro Uchiha saberá do que estou falando. Um estranho nunca será aceito... Você nunca será aceita.



Tentei olhar nos olhos dele e Sasori parecia sério. Eu estava muito confusa. Sabia que não podia acreditar naquela criatura que odiava o Sasuke e invejava tudo que ele possuía, invejava até mesmo quem ele era. Mas havia uma seriedade nele que era muito convincente. Ainda mais agora que ele havia mencionado outro Uchiha me veio a cabeça no mesmo momento o rosto da mãe de Sasuke, fitando-me com aqueles olhos negros desconfiados, como se eu fosse a última pessoa que pudesse me casar com seu filho.



–Vejo que já entende o que falo... – disse ele ainda sério, soltando-me do aperto de seus braços. – Pense seriamente no que eu disse a você.



Sasori desapareceu tão rápido quanto surgiu, deixando-me pensativa e mais uma vez sozinha no meio da pista de dança. Senti outro toque no meu braço, mas dessa vez era Sasuke. Ele segurou na minha mão, nos tirando do meio das pessoas.

Quando estávamos livres, num lugar mais silencioso, Sasuke notou que eu parecia diferente.



–Está tudo bem? – ele perguntou com o olhar estreito, fitando-me dentro dos olhos.


Eu poderia ter contado a ele que Sasori aproveitou que eu estava sozinha, me obrigou a dançar com ele e me disse tanta idiotice, mas eu não o fiz. Não queria que Sasuke fosse arrumar briga com o Akasuna, pois eu sabia que ele iria se eu contasse o que havia acontecido. Não queria que nada estragasse a festa da Tenten que até agora estava sendo perfeita. Mas também, eu ainda estava encabulada com o que o ruivo havia me contado. Em todo caso, não era hora ou lugar certo para contar ao Sasuke o que acabara de acontecer.


–Sim, eu estou bem. Mas por que você saiu? – tentei agir o mais normal possível, espantando as palavras de Sasori da minha cabeça.


–Recebi uma ligação importante. – respondeu ele simplesmente, levando-me de volta para a mesa onde Rock Lee ainda estava sentado tomando champanhe com algumas pessoas. – Terei que me ausentar mais uma vez. Logo estarei de volta. Gomen.


–Tudo bem. – disse antes de lhe dar um beijo de despedida, assistindo-o desaparecer pela multidão de convidados mais uma vez.


~*~*~*~



Depois dos brindes, homenagens aos noivos, discursos e a dança dos noivos, Sasuke ainda não havia voltado. Eu já estava preocupada, meus olhos procuravam por ele a todo momento.

A festa já parecia no fim, alguns convidados já tinham ido embora, poucos estavam dançando, esperavam apenas a despedida dos noivos e o buquê que Tenten jogaria antes de partir em lua de mel com Neji.


Caminhei pelo amplo salão de festa, procurando algum conhecido que pudesse me informar o paradeiro de Sasuke. Mas não encontrei ninguém.

Fui até os noivos para dar um abraço na Tenten e aproveitei para perguntar ao Neji se ele sabia onde Sasuke poderia estar. Ele me informou que no segundo andar havia um escritório onde Sasuke poderia estar.


Decidida, segui até lá.


No segundo andar daquela mansão havia muitas portas. Me deparei com dois banheiros e um armário antes de encontrar o escritório. Bati e entrei. A primeira impressão que tive foi de que o escritório estava vazio, mas olhei novamente e percebi que a cadeira atrás da escrivaninha estava virada na direção da janela.



–Sasuke-kun? – perguntei seguindo na direção da janela. A cadeira estava vazia.


–Não. – me virei bruscamente. Sasori acabara de entrar no escritório, fechando e trancando a porta atrás de si. – Tente de novo...


–Sasori? – perguntei aflita, tentado acalmar meu coração pelo susto.


–Sim. – ele sorria, dando um passo para frente com as mãos nos bolsos. – A primeira coisa que eu deveria ter lhe dito sobre os Uchiha era o quanto eles são fanáticos por seu trabalho. Vê como Sasuke teve coragem de te deixar sozinha para atender ligações importantes de seus fornecedores? Eles pensam somente em dinheiro, Sakura! Há muito aprendi que eles merecem um castigo por serem desse jeito.


–Está mentindo. – encontrei minha voz para acusa-lo. Meus olhos estavam aflitos na direção da porta, porque Sasori estava bem na frente dela. – Você é quem põe o dinheiro acima de tudo! Percebo isso só de olhar pra você. Vejo o quanto é ganancioso.


–Tive que agir dessa forma para sobreviver entre eles.


–Eu não quero ficar aqui discutindo isso com você! Não tenho nada haver com essa história! – olhei novamente na direção da porta, mas não tive coragem de me aproximar de Sasori para tentar sair. Minhas pernas não me obedeciam.


–Você tem tudo haver, minha cara. – disse ele desfazendo o sorriso torto. Seus olhos eram estreitos e pude ver um brilho cheio de segundas intenções. – Eu a desejo. Desejo tanto como nunca desejei outra mulher.



Me vi chocada com essa confissão. Sasori não precisava dizer o que queria de mim, pois percebi aquilo só de olhar em seus olhos, mas mesmo assim senti meu coração bater forte de medo com as suas palavras. É claro que ele me deseja, apenas porque meu coração pertencia ao Sasuke.



–Por isso tive uma ideia. – disse ele retirando o paletó.


–Você ficou louco? O que pretende fazer? – dei um passo para trás, sentindo minhas pernas encostarem na escrivaninha.


–Será que Sasuke sobreviveria a mais uma traição? – engoli em seco e agarrei a barra da escrivaninha às minhas costas com firmeza, senti os nós dos dedos doerem. – Eu acho que não. Ele ficaria mais louco que da última vez. Não iria fugir da empresa por um tempo apenas para esfriar a cabeça ou trabalhar em um lugar onde ninguém pudesse reconhecê-lo, para se sentir um idiota sem importância, lamentando a sua vida injusta! Ele iria fazer algo bem pior... Algo que eu não posso imaginar. Uchihas conseguem ser tão imprevisíveis...


–Eu nunca o trairia! – gritei para ele em pânico, torcendo para que alguém pudesse me ouvir do lado de fora. – Eu o amo! Algo que alguém como você jamais vai entender!


–Eu posso forçá-la. É muito simples. – Sasori jogou o paletó no chão e começou a desafivelar seu cinto.



Eu entrei em pânico, mas não conseguia me mover. Sasori realmente seria capaz de uma coisa dessas?



–Nin... Ninguém vai acreditar em você! SASUKE JAMAIS VAI ACREDITAR EM VOCÊ!


–Concordo que ele realmente pode não acreditar... – Sasori deu um passo na minha direção. – Mas você deveria ver como ele é afetado pela opinião da família, como é manipulado por eles. Sabe... Sasuke não confia em mim, mas sua adorável mãezinha... Hum... Ela acredita em tudo que digo a ela. Inclusive essa noite, depois que contei a ela como sua futura nora se comportava na vida de solteira... Hum... Ela ficou tão chateada, tão preocupada com seu querido filho caçula que iria sofrer por uma mulher novamente... Pobrezinha... Acho que quando conheceu você, não conseguiu enxergar a moça adorável que você é...



Senti meu corpo trêmulo, implorando para que ele me obedecesse e tentasse fugir dali. Parecia que Sasori havia planejado tudo cuidadosamente.



–Por isso, depois dessa noite, quando eu a fizer minha, o único que vai acreditar em você será o Sasuke. Mas depois que sua família o pressionar, dizendo a ele a vadia que você é, ele se virá obrigado a desistir de você. Eu posso manipulá-los como marionetes, minha querida. O único que não acredita e nunca acreditou em mim, é o Uchiha mais novo. Mas isso é detalhe. O resto da família come na palma da minha mão.



Eu não podia imaginar a tragédia que se apossaria no clã Uchiha se o plano insano de Sasori fosse um sucesso. Sasuke poderia até mata-lo e sua família não seria a mesma. A honra de seu pai seria manchada. EU TINHA QUE SAIR DALI!



Sasori me fitou, sorrindo novamente enquanto se aproximava de mim lentamente.



–Não precisa ter medo, querida. Se cooperar comigo, não vou machuca-la.


–Foi isso que fez com Sayuri? – Sasori parou no meio do caminho. – A obrigou a se entregar a você, mas o plano não saiu totalmente como você esperava, não é?


–Sayuri era totalmente o oposto de você, Sakura. – ele ficou pensativo por um momento, depois disse: - Ela se entregou a mim assim que disse a ela como seria fácil arrancar dinheiro do Sasuke, era muito gananciosa. Dizia que estava apaixonada por mim e acabou engravidando de propósito para que eu fugisse com ela. Não era para dar um golpe no Sasuke como todos imaginavam.


–Mas você não a amava... Você só desejava acabar com os Uchiha e Sayuri tornou-se um problema para os seus planos.


–Sim, um problema que estava me custando a sanidade. Ela não deveria ter bancado a boba e ter se apaixonado!


–Foi por isso que a matou? – os olhos de Sasori se arregalaram na minha direção, mas em seguida ele sorriu novamente.


–Você é mais esperta do que aparenta ser, Sakura Haruno.


–Como foi que fez isso? Como provocou o acidente que a matou?



Eu estava ganhando tempo. Peguei um grampeador que estava sobre a escrivaninha, escondendo atrás de mim. De alguma maneira o usaria como arma contra Sasori.



–Eu só tive que insistir a ela que fizesse um aborto no banheiro de seu apartamento que depois iríamos fugir juntos. Ela já havia contado a todos sobre o nosso caso, já havia se divorciado de Sasuke, o teste de DNA comprovava que o filho não era do Uchiha. Eu tive que me livrar daquele problema. Se o aborto não a matasse, ela pegaria o seu carro sem freio para ir até o hospital. Foi muito simples.





Fiquei horrorizada com a frieza em que Sasori me confessava tudo aquilo. Agora eu tinha certeza de que ele era realmente capaz de fazer o que pretendia naquela noite.



–Agora sabe que não deve me subestimar, minha querida... – ele se aproximou de mim com passos rápidos. Segurei firme o grampeador e quando ele me alcançou, levantei meu braço para golpeá-lo na cabeça, mas Sasori havia sido mais rápido: ele segurou meu punho no ar, derrubando o grampeador no chão, depois me puxou com força contra o seu corpo. Eu gritei por socorro desesperadamente tentando me soltar dele quando Sasori foi jogado na direção da porta e eu caí sentada no chão.



–SEU PORCO IMUNDO! COVARDE! – Sasuke estava sobre o Akasuna, socando-o com força no rosto. Tudo aconteceu tão rápido, que Sasori não teve tempo de se defender. – VOCÊ ME ENOJA! – da voz de Sasuke saía uma fúria insana.



Só percebi que havia mais pessoas dentro do escritório, quando três homens seguraram Sasuke, retirando ele de cima de Sasori com dificuldade.



–Uchiha-sama! Acalme-se, vai matá-lo! – gritou um deles tentando segurar os seus braços.


–É O QUE EU PRETENDO! – respondeu Sasuke tentando se desvencilhar dos seguranças.


Sasori estava inconsciente, seu rosto banhado em sangue. Tentei me levantar para impedir que Sasuke continuasse o que estava fazendo, mas não consegui me mover.



–Sasuke! Acalme-se! – ouvi a voz de Tsunade e agora ela também tentava segurá-lo. – Acabou! Temos a prova de que precisávamos! Acabou! Sakura precisa de você agora...



Sasuke parou de se debater ao ouvir o meu nome. Seu punho estava sujo de sangue quando ele se virou para mim, seus olhos furiosos, agora preocupados fitando-me sentada no chão. Um dos seguranças lhe deu um lenço e Sasuke limpou o sangue de seus punhos e se aproximou de mim.


Eu o fitava com os olhos arregalados, minha voz ficou presa na garganta.



–Ela deve estar em choque, Sasuke. – ouvi Tsunade dizer. – Leve-a para um dos quartos. O resto fica por minha conta.



Sasuke me pegou no colo e saiu do escritório por outra porta. Eu estava trêmula, sem saber o que dizer, mas percebi que não saímos pelo mesmo lugar que entrei. Havia outra porta na lateral do escritório por onde ele, os seguranças e Tsunade haviam entrado.



–Sas... Sasuke-kun! – escondi meu rosto sob o seu pescoço e ele me apertou mais contra o seu corpo.



Quando abri os olhos novamente, estávamos dentro de um quarto enorme e silencioso. Sasuke se sentou sobre a cama, mantendo-me em seus braços. Ele ainda estava ofegante, seu corpo tenso, mas seus olhos me fitavam com preocupação.



–Sakura... – sussurrou ele passando a mão no meu rosto e só então percebi que estava chorando. – Está tudo bem agora...


–O que foi que aconteceu? – perguntei num fio de voz. Respirei fundo, tentando me acalmar. – Como me encontrou? A porta estava trancada e você surgiu de outra porta... Não entendo!


–Acalme-se e eu vou lhe explicar. – ele continuou me abraçando, passando a mão em meus cabelos, até que nós dois estivéssemos menos tensos.



Quando minha respiração voltou ao normal, eu o fitei nos olhos ainda sentada em seu colo. Sasuke me fitou novamente com preocupação, tentando decifrar a minha expressão.



–Me desculpe por isso, Sakura. – disse sério. – Eu não deveria ter concordado com Tsunade! Eu não imaginava que o Akasuna fosse capaz de... – ele não completou a frase, apenas trincou os dentes e estreitou os olhos.


–O que quer dizer, Sasuke? – perguntei confusa.


–Tsunade me contou quando interrompeu a nossa dança, que quando chegou à mansão Uchiha para o casamento, viu o Akasuna conversando com a minha mãe. Aquilo a deixou desconfiada, por isso ela ficou de olho nele durante a festa. – Sasuke me fitou, analisando a minha expressão. – Ele nos vigiou durante a cerimônia sem que fosse notado, então Tsunade me chamou porque sabia que ele estava planejando alguma coisa. E quando ela disse que Sasori iria procura-la se você estivesse sozinha, eu voltei para junto de você e percebi que estava diferente e não entendi porque não quis me contar o que houve.


–Eu só quis evitar uma briga, por causa do casamento. – expliquei com medo de que ele pensasse que eu não confiava nele.


–Em todo caso, eu deveria fazer algo para impedir Sasori de continuar com seus planos contra mim e a minha família. Tsunade havia dito que tudo poderia acabar nessa noite.


–Então, ela teve essa ideia? Você me deixar sozinha para o Sasori me procurar?



Sasuke assentiu lentamente com a expressão séria.



–Me desculpe por arriscar a sua segurança, Sakura. Eu tentei convencer Tsunade com outra ideia, mas ela disse que era o único jeito. Sasori se sentiria com a vantagem do seu lado, e por mais que eu perdesse a cabeça só de imaginar Sasori tentando tocar em você, nós não teríamos outra oportunidade como aquela para acabar com a farra dele. Por isso, me ausentei e pedi ao Neji para dizer a você, caso perguntasse, que eu estaria no escritório do meu pai no segundo andar da mansão. Ele ficou confuso, mas não me questionou. Quando eu expliquei que se tratava do Akasuna, ele pareceu me entender.


“O escritório do meu pai não é usado por anos, mas era o único lugar em toda mansão perfeito para o plano de Tsunade”.



–Por quê? – perguntei confusa.


–Porque existem câmeras de segurança lá dentro por causa do cofre.



Arregalei os olhos.



–Então, tudo que aconteceu...


–Sim, foi filmado. Ao lado tem uma sala secreta onde as câmeras são controladas. Estive lá com Tsunade e os seguranças da mansão esperando o momento certo para atacar.



Eu estava atônita.



–Não esperávamos que Sasori fosse confessar um assassinato. – disse Sasuke, parecendo satisfeito com o plano da tia Tsunade. – Eu estava pronto para entrar no escritório assim que Sasori disse qual era o seu plano aproximando-se de você, afinal tudo que ele estava fazendo já era prova o suficiente para livrá-lo de sua parte no testamento. Mas quando você se referiu a Sayuri e ele confirmou que tinha realmente provocado seu acidente, Tsunade estava tão impressionada quanto eu estava. Sasori não iria somente ser anulado do testamento, como também iria para a cadeia.



Sasuke me abraçou, encostando sua testa a minha, suspirou.



Gomen... – ele pediu mais uma vez.


–Não se desculpe, Sasuke-kun. Finalmente Sasori Akasuna pagará por seus crimes e não tentará fazer mal a um Uchiha novamente.




Sasuke concordou lentamente e me beijou. O modo como ele me apertou em seus braços, seus lábios me beijavam suavemente, me fizeram sentir uma segurança que eu jamais senti na minha vida.



–Eu te amo... – Sasuke sussurrou, descendo os lábios pelo meu pescoço.


–Também te amo, Sasuke-kun... – eu me sentia mal por não saber dizer o quanto o amava. Não sabia como explicar aquele sentimento forte que tomava conta da minha alma, mas aparentemente eu não precisava. Sasuke sabia.



Ele segurou nos meus quadris, sentando-me de frente para ele, beijando-me com mais ardor. Suas mãos insinuando-se por debaixo do meu vestido lentamente.



–Sasuke-kun... Temos que voltar para o casamento. – murmurei contendo um gemido, quando ele apertou meu bumbum contra a sua ereção.


–Não temos, não... – sussurrou ele roucamente no meu pescoço, mordiscando a minha pele. – Os noivos já devem estar à caminho da lua-de-mel, duvido que estão sentindo a nossa falta.


–Mas tenho que tentar pegar o buquê com as outras mulheres. – Sasuke abaixou o decote do meu vestido e segurou um dos meus seios.


–Não precisa não... Você já é minha. Será minha esposa em pouco tempo... – em questão de segundos, meu vestido repousava no chão e percebi que não poderia mais discutir com ele. E nem queria. Meu corpo já pegava fogo.



Sim. Eu era dele. E em pouco tempo estaríamos casados.

Eu não poderia estar mais feliz ao imaginar que a minha história ao dele, a minha vida ao lado do homem que eu amava, só estava começando.








~*FIM*~









Notas finais do capítulo

*CHORA LITROS* T.T
Oi meus leitores queridos! o/ Que saudade do Nyah! Que saudade de vocês!
Não tem desculpa no mundo pela minha ausência, mas acreditem, eu tive meus motivos. Não só pela correria da vida, mas pela falta de inspiração também. ):
Escrevi esse último capítulo várias vezes e nunca ficava do jeito que eu queria. Então, fiquei meses com ele pronto esperando um ataque de inspiração pra mudar ou acrescentar alguma coisa, porque eu não estava satisfeita. E aos poucos fui escrevendo e corrigindo... E terminei!
Eu espero que todos tenham gostado e agradeço IMENSAMENTE a TODOS que acompanharam O Supervisor até o final e me deram força pelas MPs. Valeu mesmo galera! =D Vocês não são 10, nem 100, nem 1000 SÃO 10000000000000000000000000000!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Tudo isso aeee!!
Beijão e até a próxima!
=DennySakura
p.s. Para os leitores de Ai Chikara, o próximo capítulo está quase chegando. Até lá! :p