O Pedido escrita por Laarc


Capítulo 4
A história da conversa


Notas iniciais do capítulo

Narração
"Diálogo"
'Pensamento'



"Ei Rae! Claro, senta aí! Hum, aceita um pouco de leite de soja?" Ravena não falou nada, mas a sua careta deixava bem claro que iria dispensar a bebida oferecida.

"Você sabe que soja não dá leite, não é mesmo?" Respondia a empata, ainda com uma cara bem desgostosa.

"Como é que é?" Questionava Garfield, sem entender direito aonde a garota pretendia chegar.

"O nome dessa sua bebida não é 'leite de soja' porque soja não dá leite."

"Ah é, sabichona! E como é que isso se chama, hein?" O rapaz não conseguia deixar de rir da pequena titã, que sempre o surpreendia.

"Extrato hidrossolúvel de soja."

"Oookay...não me leve a mal, Rae, mas acho que vou continuar chamando isso de leite de soja. Hehe... mas algo me diz que você não veio aqui só para mostrar a sua superioridade intelectual, não é mesmo?"

"Me desculpe, Garfield. Não era minha intenção te ofender."

Garfield piscou uma, duas, três vezes. Ele sabia que o comportamento de sua amiga tinha mudado bastante com o passar dos anos, mas sempre estranhava quando a ouvia se desculpar sobre alguma coisa, principalmente quando ela se desculpava com ele.

"Ah, Rae! Que isso! Mas, pode falar! Sou todo ouvidos."

Ravena sentou na cadeira e deixou escapar um longo suspiro. Criando coragem, obrigou seus olhos a pararem de encarar a mesa e os fixou no belo rapaz que estava a sua frente. "Você se lembra quando você e o Victor entraram na minha mente, através do meu espelho de meditação?" A pergunta custou a escapar dos lábios da jovem, e Garfield teve de agradecer à sua super audição para ser capaz de escutar toda a mensagem.

"Tá brincando? Uma coisa daquelas é impossível de esquecer! Foi uma verdadeira loucura... todas aquelas Ravenas coloridas e o cenário de filme de terror..."

Percebendo que ele iria começar a tagarelar, a maga o cortou rapidamente. "Ótimo! Que bom que você se recorda. E que bom que você se lembra das minhas emoções também. É sobre isso que gostaria de conversar."

"Okay, Rae. Você está com algum problema com as outras Ravenas, quer dizer, com suas emoções?"

O titã verde notou o desconforto da menina, a hesitação em seguir com a conversa, o modo como mordia o lábio inferior e como voltava os olhos violetas para a mesa. E ele sabia exatamente o que fazer, afinal, ele mesmo se considerava um 'conhecedor da mente feminina'. Ele se levantou e puxou a cadeira de modo que ficasse ao lado da insegura moça. Apertou levemente a mão da donzela, fazendo-a encará-lo. "Rae, você sabe que pode confiar em mim." Foi uma afirmação.

"Desculpe-me, é que aconteceu uma coisa." Ela falou vagarosamente, mas ele não a pressionou nem um pouco.

"A Ravena cor de rosa representa a minha felicidade. Bem esse é o nome dela: Felicidade. Ela... ela... morreu." O final foi mais um sussurro do que qualquer outra coisa, mas o metamorfo ouviu. E não acreditou.

"Ela o quê?" Ele engoliu em seco. 'A rosinha, que me achava engraçado... morreu... mas, como assim? Ela não é uma emoção, uma parte da Rae, como ela pôde morrer?' "Rae, eu não entendo, como é que isso aconteceu, há quanto tempo? Você está bem? Por que não nos contou antes?"

'Lá está ele, tagarelando de novo' Pensou ela. "Garfield, eu estou bem, e-eu acho. Isso aconteceu há alguns meses atrás. O motivo, bem... eu não gostaria de comentar isso agora, e gostaria que você não me perguntasse sobre isso também. O que eu quero mesmo dizer é que eu sei como trazê-la de volta, mas eu preciso da sua ajuda. É só o que eu peço, que você me ajude."

O choque da notícia ainda estava estampado na face do jovem, mas ele se conteve e ouviu a empata terminar seu discurso.

"Eu conversei bastante com Conhecimento, que é outra das minhas emoções caso você não saiba, e cheguei a conclusão de que o modo mais rápido de fazer a Felicidade voltar é... bem... é..." ela bem que queria, mas as palavras estavam entaladas.

"Rae..."

"O que eu quero pedir é que você... eu e v-você... por Azar, não acredito que estou tentando dizer uma coisa dessa, Garfield!" Levantando-se rapidamente, Ravena encarou os olhos verdes do rapaz e respirou bem fundo. "Eu quero dormir com você."

"..."

"Garfield, você me escutou?" Depois de quase dois minutos de silêncio, a titã não conseguia esconder a preocupação da sua voz.

"Rae, foi mal, mas acho que eu não ouvi direito o que você falou. Repete aí por favor, que eu entendi uma coisa nada a ver! Hehe... se eu te falar o que entendi é capaz de você me arremessar pela janela, lembra, como você fazia antig-"

"Eu acho que você me entendeu perfeitamente, Garfield. Eu pedi para dormir com você. Atividades noturnas incluídas, é lógico."

Se ele estava chocado antes, agora o metamorfo só conseguia pensar em como que ele não infartou depois de ouvir a pergunta da guerreira gótica. "Peraí, peraí... vou ver se eu entendi direitinho. A Rae rosinha morreu" Ravena simplesmente confirmou com a cabeça. "E você descobriu como trazê-la de volta" Outra confirmação. "E para isso, é necessária a minha ajuda" Mais outra. "Nós só precisamos passar uma noite juntos, na cama, fazendo SEXO?"

"Fala baixo, Garfield! Já estou constrangida o suficiente conversando com você sobre isso, não preciso que toda a torre escute!"

"Claro que eu vou falar baixo! Afinal, é muito normal que você, VOCÊ RAVENA, me chame para uma conversa básica que começa com o verdadeiro nome do leite de soja e termina com um 'hum, Gar querido, será que você não quer dormir comigo, hein?' Como é que você quer que eu me sinta, hein, hein!"

Ravena estava fazendo o possível e o impossível para se controlar e não deixar o sangue lhe subir a cabeça. "Primeiro, verdinho, eu nunca, nunca te chamei e nunca vou te chamar de 'Gar querido'. Segundo, até parece que é a primeira vez que alguém te faz esse tipo de proposta. Terceiro, se não quiser aceitar, é só falar NÃO! Eu entendo que você pode estar com medo de falhar e tal, mas caso não funcionasse, eu não te culparia nem um pouco, sabe... só teria de encontrar outro jeito."

"Olha aqui, garota, eu não faço ideia do que vocês pensam de mim ou o do meu estilo de vida, mas que uma coisa fique bem clara, eu não sou um gigolô não, ouviu bem! E mais uma coisa eu... eu... PERAÍ! Você acha que EU achei que não fosse dar conta do recado? Não, não, não... eu, garotinha, nunca falhei. Jamais! Eu faço o serviço muito bem feito, sempre!" Ravena sabia disso, afinal, ela tinha o resultado de uma determinada pesquisa de opinião guardada no seu quarto. Não que ela iria dizer isso ao jovem.

Percebendo que seu comentário surtiu o efeito desejado no rapaz e avaliando como o seu orgulho tinha sido ferido, ela não pode deixar de rir mentalmente. De cabeça bem erguida e usando um tom de voz mais sério, disse "Olha, Garfield, é a única explicação que consigo encontrar. Cheguei aqui e explicitei os fatos. Disse que preciso da sua companhia para o sucesso do meu plano. Admito que a responsabilidade que coloquei nas suas costas é grande demais, afinal, a vida de uma de minhas emoções depende do quanto você consiga me... digamos... fazer feliz em uma única noite. É lógico que você está assustado e..."

"Amanhã, dez da noite. No meu quarto."

"O quê?"

"Cib vai viajar amanhã para a Torre Titã Leste, para ficar com a Abelha. Deve passar uns quatro dias por lá. Asa tem uma festa pra ir com a Estelar, e eles provavelmente não vão chegar tão cedo. Teremos a torre só para a gente por um bom tempo." Respondeu secamente Garfield, cruzando os braços. "Tenho certeza que é a sua primeira vez, certo?" Ravena, espantada com o tom sério do seu amigo, só conseguia concordar com a cabeça. "Acho que seria melhor fazermos isso aqui na torre mesmo, já que você provavelmente não sabe como seus poderes irão se comportar."

"Acho que você está correto..."

Cortando bruscamente a maga, o jovem continuou "Ótimo! Só duas coisas, Ravena. Ninguém pode saber disso. NINGUÉM! E segundo," Vagarosamente, aproximou-se da pequena titã. Com uma mão tocando a fina cintura da empata e a outra acariciando uma mecha de cabelos violeta, Garfield deixou seus lábios tocarem bem de leve o lóbulo da orelha da moça, que nessa hora estava fazendo o impossível para que suas pernas não cedessem. Ravena quase perdeu os sentidos quando ele começou a sussurrar bem de leve no seu ouvido "e segundo, eu vou te mostrar di-rei-ti-nho como é que se faz, ouviu bem, Rae. Afinal, tem mais de um motivo pelo qual eu me chamo Rapaz-fera." Quando Ravena percebeu, Garfield já tinha alcançado o corredor, e ali, sozinha na cozinha, a moça desabou na cadeira mais próxima.

"Por Azar. O que foi que eu fiz?"





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