O Pedido escrita por Laarc


Capítulo 29
A história de um encontro nefasto


Notas iniciais do capítulo

Narração
"Diálogo"
'Pensamento'



"Então... acho que eu vou começar com uma dose de uísque." Disse um sorridente Garfield ao barman sexagenário que se encontrava do outro lado do balcão. Trajando uma camisa polo preta e uma calça jeans básica, o metamorfo mal via a hora de ter um pouco de álcool circulando em seu organismo e dominando a sua mente, embaralhando os seus pensamentos, enfraquecendo os seus sentidos. Lá no fundo, o jovem herói sabia que isso não era o mais correto a se fazer. Ele sabia que encher a cara não o ajudaria em nada a resolver suas pendências com Ravena. Mas naquele momento ele não estava lá muito preocupado em resolver seus problemas.

Ele queria era esquecer... tirá-la de vez de seus pensamentos.

"Sim senhor, é pra já!" Respondeu o funcionário enquanto retirava uma garrafa de Jack Daniel's de uma prateleira repleta de bebidas dos mais variados tipos. "O senhor prefere puro ou com gelo?"

"Pode ser com gelo."

Ao mesmo tempo em que servia a bebida ao rapaz, o barman chamado Aaron não conseguia parar de reparar na aparência incomum do seu cliente. E quem não acharia estranho topar com um homem que tinha orelhas pontudas, caninos super afiados e proeminentes, e que fosse tão verde quanto um brócolis?

"Com sua licença, senhor." Disse o barman um tanto quanto encabulado. "Mas... o senhor é Garfield Logan, não é? O titã conhecido como Rapaz-fera, certo?"

"Esse seria eu mesmo!" Respondeu com um sorriso de orelha a orelha. Se tinha algo capaz de deixar Garfield muito feliz era justamente o fato de ser reconhecido na rua pelos seus fãs.

"Formidável!" Exclamou o funcionário de cabelos grisalhos. "Se não for nenhum incômodo, senhor Logan, será que o senhor poderia me dar o seu autógrafo?"

"Posso sim! Você por um acaso teria papel e caneta?"

"Claro, claro!" E rapidamente pegou um bloquinho e uma caneta que estavam no bolso da sua calça e os entregou a Garfield. "Sabe, o autógrafo na verdade é para a minha neta! Ela é uma grande fã dos titãs!"

"Ah é? E qual o nome dela?" Perguntou o rapaz com visível interesse. Ao passo que algumas celebridades costumavam esnobar os seus fãs e se irritarem com o fato de terem que dar autógrafos aonde quer que fossem, Garfield simplesmente adorava ser famoso e distribuir papéis com sua assinatura por aí. O jovem fazia questão de saber o nome dos seus fãs e sempre procurava lhes dar toda a atenção possível.

"O nome dela é Katherine, mas todos a chamam de Kath. Sabe, ela é uma graça de criança! A Kath tem apenas nove anos, mas é muito inteligente e sempre se destaca nas atividades da escola..." E o homem continuou falando e falando sobre as mil e uma qualidades da sua querida netinha. Ele era um típico avô-coruja.

"Ela deve ser mesmo uma menina incrível!" Devolvendo o bloquinho e a caneta a Aaron, o metamorfo continuou. "E qual é o titã favorito da pequena Kath?"

"Ah! É aquela moça bonita!"

'Estelar.' Logo pensou Garfield. E para ele isso fazia todo o sentido do mundo. Afinal, que garota da idade de Katherine não adorava a Estelar e daria tudo para ser como a maravilhosa princesa alienígena.

"... a que usa uma capa, sabe? Qual é mesmo o nome dela?"

"É a Estel- espera aí!" Disse o rapaz, de repente, muito surpreso. "Você disse alguma coisa sobre capa?" 'Até onde eu sei a Estelar não usa capa...'

"Isso mesmo... ela usa uma capa e tem os cabelos roxos. Acho que o nome dela é Rapina, ou Romena..."

O sorriso que estava estampado no rosto de Garfield foi, quase que instantaneamente, substituído por uma expressão pra lá de carrancuda. Ele queria tanto, mas tanto, tirar a empata de seus pensamentos naquela noite! Queria tanto esquecer o fato de que precisava muito conversar com ela e, principalmente, esquecer sobre aquela incrível, mas também inesperada, sessão de amasso no quarto dela. Mas pelo visto, ele não conseguiria esquecer a Ravena tão cedo.

Erguendo o copo de uísque que estava bem na sua frente – e que até então permanecia intocado – Garfield bebeu todo o líquido de uma só vez. "Ravena." Disse o rapaz com desgosto. "O nome dela é Ravena." Foi estranho como o nome da heroína rolou em sua língua, e Garfield não soube dizer se o amargor que sentiu foi por causa da bebida ou por causa da raiva que estava sentindo em relação à moça.

"Ravena! É esse mesmo no nome dela!" Concordou o barman com notável alegria e sem reparar na súbita mudança de humor do verdinho. "Como é que eu poderia ter esquecido de uma coisa dessas! Ainda mais porque a Kath está sempre falando de como a Ravena é bonita e corajosa e..."

Com as sobrancelhas bem franzidas e fazendo o possível para não escutar mais o falatório do homem a sua frente, Garfield encarava afervoradamente o seu copo, que agora estava vazio. "Aqui!" Disse com um pouco de rispidez. "Vou querer mais uma dose. Não... pensando melhor, uma dose tripla. E sem gelo!"

"Está bem..." Respondeu Aaron estranhando a repentina fala rude e áspera do rapaz.

Enquanto o barman enchia mais um copo de uísque, o metamorfo se virou e deixou seus olhos passearem por cada canto da boate. Como ainda era bem cedo, o lugar estava um pouco vazio, mas nem por isso deixava de ser incrível. A pista de dança era enorme e o DJ já estava caprichando nas músicas e nos efeitos visuais. Alguns casais ocupavam as mesas da área do restaurante e mais alguns já se aproveitavam da intimidade que os confortáveis sofás do segundo piso ofereciam. Garfield pôde ver também que haviam poucas pessoas que, assim como ele, estavam sentados ao redor do balcão do bar. Havia um senhor mais idoso, talvez até mais velho do que o simpático barman com quem Garfield estava conversando, uma mulher – por volta dos trinta anos, quem sabe – com um vestido amarelo muito justo, o que não contribuía nem um pouco para esconder os seus quilinhos a mais, e, bem no canto do balcão, havia também um rapazinho loiro, muito abatido, trajando uma camisa vermelha.

Por algum motivo, Garfield se sentiu um tanto quanto intrigado por aquele loirinho. Primeiro, porque o rapazinho não aparentava ter idade suficiente para frequentar uma boate, muito menos ter idade suficiente para estar bebendo dose de vodka seguida de mais dose de vodka. Segundo, porque aquele garoto parecia ser estranhamente familiar para Garfield.

Mas aonde será que Garfield poderia tê-lo visto antes?

Cabelos loiros e curtos, pele clara, rosto fino e muito jovem...

E então, Garfield começou a se recordar dos acontecimentos do dia anterior e a imagem de um certo retrato falado feito por Victor e Ravena veio a sua mente. Mas... não seria possível... seria? A semelhança daquele garoto sentado no canto do bar com o retrato falado de Sebastian era indiscutível! Será que... será que aquele loirinho beberrão era mesmo o novo Irmão Sangue?

Foi quando que, como se percebesse que alguém o observava, o tal garoto colocou um copo recém-esvaziado sobre o balcão, ergueu a cabeça e virou o seu rosto bem na direção de Garfield.

Arregalados olhos verde-oliva encontraram com arregalados olhos vermelho-sangue.

E arregalados olhos vermelho-sangue logo se transformaram em furiosíssimos olhos vermelho-sangue.

Com o coração quase na boca, a última coisa que Garfield viu antes de que todas as lâmpadas da boate fossem envolvidas por uma energia negra e se quebrassem foram os lábios do rapazinho, que gesticularam uma palavra muito bem conhecida pelo herói.

"Titã..."





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