O Pedido escrita por Laarc


Capítulo 15
A história dos melhores amigos


Notas iniciais do capítulo

narração
"dialogo"
'pensamento'



O barulho do jato titã acordou três heróis muito cansados. Mas apesar da enorme exaustão e do horário tardio, eles se levantaram para receber seus dois amigos recém-chegados. Ciborgue estava muito preocupado. Sua bateria estava quase no fim, mas ele queria muito saber qual era o assunto tão urgente que o fizera voltar tão rápido para a Torre. 'E por que será que o Asa Noturna pediu para a Abelha vir junto? Que será que aconteceu?'

"Amiga Abelha! Que bom te ver!" Exclamou Estelar enquanto sufocava sua vítima, quer dizer, abraçava sua amiga.

"E-ei Estela-ar! Pode m-me soltar ago-ora! Ufa! Também estou feliz em ver todos vocês!" Disse a heroína tentando retomar o fôlego.

"Vocês dois fizeram uma boa viagem?" Perguntou Asa Noturna.

"Tudo certo, Asa! Mas pelo visto vocês é que tiveram problemas por aqui, não é?"

"Ai, Latão!" Começou Karen "Vamos deixar isso para amanhã! Sua bateria deve acabar dentro de vinte minutos! Além de estar super tarde!"

"Mas Kar-"

"Victor! Vamos para o seu quarto, amanhã a gente conversa!" Victor sabia que tinha perdido. Ele sempre perdia. Abaixando os largos ombros, deixou escapar um derrotado suspiro.

"Tá bom, tá bom, eu me rendo! Mas pelo menos me deixa desejar boa noite pra minha maninha! Ué? E por falar nisso, cadê ela? Cadê a Rae?"

Os três titãs engoliram em seco. Mas foi Garfield quem falou primeiro "Sabe Cib... ela tá... dormindo?" Não era totalmente mentira... mas o grandão ficou muito desconfiado.

"Dormindo, é?" Arqueou as sobrancelhas "Tá... amanhã converso com ela."

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A expressão no rosto de Ciborgue era indescritível. Uma mistura de choque, preocupação, raiva e mais algumas coisas indecifráveis. "Peraí! Eu saio por um final de semana, um final de semana apenas, e quando volto a Rae tá com a cabeça estourada na enfermaria e o verdinho aqui perdeu os poderes? E o estofado do meu xodó foi pintado de vermelho! Que que tá acontecendo aqui?"

"Isso que nós queremos descobrir, Ciborgue." Disse o jovem líder. "Rapaz-fera disse que tudo isso começou por causa de uns sonhos que ele teve, mas eu queria que você fizesse alguns testes com ele. Quanto antes a gente resolver isso, melhor. "

"Bem, acho que eu posso ficar por aqui até resolverem a situação." Falou Abelha "Ou pelo menos até a Ravena acordar e se sentir bem o suficiente para lutar. Vai ser até bom para ver como os meninos se saem sem a líder deles por perto. Deixei o Ricardito no comando da Torre Leste, vai ser um ótimo teste de liderança para ele!"

"Obrigado pelo apoio, Abelha!" Respondeu Asa Noturna com um grato sorriso no rosto.

Ciborgue deu um longo suspiro "Então tá bom... vamos para enfermaria, Verdinho! Vou dar uma olhada na Rae e ver como o transe de cura dela está progredindo. Vou fazer uns exames com você e depois disso a gente vai dar uma boa limpeza no meu carro... ai meu xodó...!" Puxando o seu amigo junto, Victor deixou a sala.

Abelha esperou os dois rapazes sumirem pelo corredor e se virou para encarar Asa Noturna. "De líder para líder, Asa, o que você acha que aconteceu?"

"Rapaz-fera está escondendo o jogo, isso eu tenho certeza. Tem alguma coisa acontecendo entre ele e a Ravena... e algo me diz que isso tem a ver com o problema com os poderes dele." Asa Noturna tinha uma expressão muito séria no rosto.

Estelar ficou bem quieta durante a conversa dos dois líderes. Ela também tinha desconfiado dos seus amigos. Sabia que tinha alguma coisa no ar. Afinal, foi a ruiva quem passou uma gloriosa tarde no shopping na companhia de Ravena. E a empata tinha aquele brilho especial nos olhos... o mesmo brilho presente nos olhos de Garfield quando foi visitar a moça na enfermaria.

E Estelar sabia muito bem que brilho era esse.

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"E então, Cib? O que você acha? Quanto tempo até ela acordar?"

"Ah, verdinho... não sei te dizer ao certo... mas acho que não passa de amanhã de manhã. A Estelar me disse que a Rae tava cheia de arranhões e hematomas pelo corpo, e agora tá tudo normal. A única ferida que ainda não sarou por completo foi a da cabeça, mas que também não assusta mais."

Garfield deixou uma confortável sensação de alívio invadir o seu corpo. "Cara! Essa foi a melhor notícia do dia! Mas... diz aí, lata velha, que que você vai fazer comigo, hein?"

"Essa lata velha aqui" Respondeu um Ciborgue meio irritado "vai descobrir que que tem de errado com você, seu verdinho encrenqueiro! Vou tirar uma amostra de sangue e comparar com uma amostra padrão que eu tenho guardada. Daí vou avaliar se existem quaisquer diferenças entre elas."

"E quanto tempo demora?"

"Vou deixar o computador lendo as amostras o dia todo. Provavelmente, só vai ficar pronto amanhã. São muitos parâmetros que devem ser avaliados, tipo contagem de plaquetas, hemácias, leucócitos, e principalmente, analisar o seu DNA, o que não é nada fácil. Além disso, vou ter que fazer algumas repetições, para não dar problema de leitura das amostras, entendeu?"

"Ah... não muito, só que vai demorar bastante!" e deixou escapar uma risada.

"É claro que você não entendeu, seu cabeça de brócolis! Afinal, você não é um homem da ciência, assim como eu!"

"Homem da ciência, eh? Prefiro mais ser o homem das gatinhas!" respondeu o metamorfo.

Ciborgue fingiu que ignorou a colocação do seu amigo. "Tá bom... agora me dá esse braço aí!"

Garfield relaxou na cadeira e deixou o seu amigo retirar uma amostra de sangue do seu braço. Seu olhar vagou pela enfermaria e parou quando viu o corpo imóvel da empata. Por mais aliviado que estava ao saber que ela acordaria logo e que ficaria boa, não conseguia evitar de se sentir muito triste e culpado pela situação na qual a moça se encontrava.

"Ei, Gar! Não precisa ficar deprimido assim não... daqui a pouco você vai estar de volta a ativa!"

"O quê? O que você quer dizer?" Perguntou um distraído Garfield.

" Hoje cedo, o Asa me contou do seu... problema... sabe... aí em baixo... É dureza, cara..."

"O QUÊ?" Respondeu o rapaz muito alarmado. "Nossa! Cara! Que puta sacanagem ficar comentando uma coisa dessas!"

"Ei, Gar! Calma lá! Eu não vou ficar te zoando por isso não, primeiro porque eu sou seu médico e eu não posso em hipótese alguma sacanear com meus pacientes! E segundo, eu sou seu melhor amigo, cara! Você sabe que pode confiar em mim!"

O jovem metamorfo apenas fez uma careta. "Vamos mudar de assunto, hein! Não quero falar sobre isso!"

"Tá bom, tá bom!" Disse o grandão tentando evitar uma gargalhada. "Aqui, pressiona esse algodão aí pra parar de sangrar."

Os dois ficaram em silêncio por um bom tempo. Garfield assistia com grande interesse Ciborgue manusear a amostra de sangue para iniciar a análise, vertendo cuidadosamente o líquido vermelho em pequenos tubos de ensaio. Era até engraçado ver um rapaz tão grande manipulando aquela frágil vidraria de laboratório com tamanha delicadeza. Mas ele era realmente um verdadeiro homem da ciência. Garfield estava fascinado pela habilidade e destreza de Ciborgue. Mas o metamorfo, devido a sua natureza hiperativa, logo se cansou de assistir ao trabalho do cientista, e deixou seus pensamentos vagarem sem rumo. Foi quando uma pergunta se formou em sua mente e ele mal percebeu quando ela escapuliu dos seus lábios.

"Você já pensou em trair a Abelha?"

CRASH.

Ciborgue perdeu a amostra.

"CARA! Olha só o que você me fez fazer! Agora vou ter que colher mais sangue!" Lamentava Victor enquanto olhava para a vidraria espatifada no chão.

"Ei! Eu não fiz nada! Você que foi descuidado!"

"Descuidado? Você que me distraiu por conta dessa sua pergunta aí! E que raios de pergunta foi essa?"

Garfield deu de ombros. "Ah, sei lá... eu só tava pensando..."

Ciborgue ficou muito intrigado. Pegando outra seringa do armário, se preparou para tirar mais sangue do seu amigo. "Me dá o seu outro braço, Gar... e me diz aí... pensando em quê?"

"Ah... você e o Asa... sei lá... você tá namorando a Abelha e o Asa tá com a Estelar. E isso já tem um tempão! Você não tem vontade de... bem... ficar com outra pessoa?" Perguntou o jovem verde tentando não olhar para a agulha que penetrava no seu braço.

Ciborgue esperou até a ampola da seringa estar cheia e terminou seu trabalho. Encarando o seu amigo, respondeu. "Sinceramente, Gar, não tenho vontade. Não vou negar que às vezes ela me irrita um pouco porque tem aquela personalidade mandona, e a gente briga de vez em quando, mas... não trocaria ela por nada nessa vida."

Garfield, por um momento, não disse nada. Ficou apenas pensando na resposta que acabara de ouvir. "Por quê?"

"Como assim, verdinho?" Indagou o grandão.

"Eu não entendo... por que você nã-"

"Porque eu amo a Karen. É isso o que você queria saber?" Respondeu Ciborgue, bem calmamente.

"Eu não sei..." Sussurrou o metamorfo. "Como você sabe que é... amor? E não só uma atração passageira?"

Ciborgue parou e encarou Garfield por um tempo, tentando encontrar uma boa resposta. "Cara... isso é difícil de explicar... como eu sei que é amor o que sinto por ela? Eu simplesmente sei! Ela é uma mulher atraente, corajosa, brilhante... eu a admiro muito, e eu confio nela com a minha vida. Mas vai além disso... eu... eu não consigo me imaginar sem ela no futuro. Sabe, quando eu penso como será a minha vida daqui a alguns anos, sempre vejo a Karen do meu lado, e isso me traz muita paz e segurança. Mas olha só, seu verdinho! Espero que não fique me zoando depois, hein!

"Não, não! Que isso, Cib! Não vou te encher o saco por conta disso! Eu estou é grato por você ter me respondido!" E ele estava mesmo. As palavras de Ciborgue significaram muito para Garfield. O metamorfo tinha acatado o conselho de Asa Noturna e começou a avaliar algumas questões da sua vida. E por algumas questões, subentende-se Ravena. Ele nunca imaginara o seu futuro ao lado da empata (e nem ao lado de ninguém), mas ele definitivamente se sentia seguro quando estava perto dela. Como se ele pudesse enfrentar qualquer inimigo e vencer qualquer obstáculo. Ele a achava muito atraente também, mas não era isso o que mais impressionava o verdinho em relação à garota. Não... ela não era só atraente, ela era mais. Corajosa, misteriosa, inteligente, independente. E ele sentia que se estivesse com ela, não precisaria de mais ninguém. Se ele estivesse com ela, ele estaria completo.

Victor estava muito curioso. Nos últimos anos, ele havia testemunhado seu melhor amigo passar de um garoto brincalhão e franzino para um... na falta de um termo melhor, garanhão. E ele estava mais do que certo de que o verdinho trocava de mulheres com mais frequência do que trocava as cuecas. Relacionamento era a última coisa que poderia se passar pela mente do metamorfo. E lá estava ele, fazendo aquelas perguntas estranhas sobre... amor. E para Ciborgue aquilo só podia significar uma coisa.

"Okay, quem é a garota?"

"Como? Que garota?"

"Não tenta disfarçar! Você não me engana, principalmente quando tá com esse olhar de cachorrinho abandonado! Agora me diz, quem é a garota?"

Garfield não tinha mais saída. Ele sabia que Victor estava certo. "Tá bom! Eu admito, tem uma garota! Mas será que eu posso manter a identidade dela em segredo? É que ela é muito tímida..."

"Cara, verdinho! Quem diria! E eu achando que você não tinha mais jeito! Essa menina deve ser muito especial, hein! Pra te fisgar desse jeito! Hahaha!" Ciborgue estava muito entretido.

"É... você não tem nem idéia..." Ele deixou um pequeno sorriso bobo aparecer em seus lábios. E se Ciborgue estivesse prestando um pouco mais de atenção, iria perceber que o olhar de Garfield estava fixado em uma certa empata, deitada confortavelmente na cama da enfermaria.

.

.

Roland era um homem morto. Bem, não só ele, mas todos os feiticeiros incumbidos de desenvolver um encantamento para suprimir os poderes da Gema de Trigon. Sua Santidade Irmão Sangue havia estipulado um prazo muito curto e ninguém havia pensado em uma magia capaz de surtir o efeito desejado na pequena titã.

Mas, existem aquelas pessoas cujas mentes trabalham melhor quando sob extrema pressão. E Roland se encontrava sob extrema pressão. Para sua sorte, e também para a sorte dos outros feiticeiros, ele acabara de ter uma brilhante ideia. Muito brilhante por sinal.

"Pense fora do quadrado, Roland!" Dizia o feiticeiro para si mesmo.

Seria impossível desenvolver um encantamento capaz de suprimir os poderes da jovem no prazo que possuía, mas ele poderia fazer o contrário. Ele conhecia um feitiço bem simples e rápido capaz de aumentar a níveis inimagináveis a capacidade empática de Ravena, e dessa forma, suas emoções sofreriam algo similar a uma sobrecarga, sendo 'automaticamente desligadas'. E Roland sabia muito bem que os poderes da menina eram baseados em suas emoções.

Naquela noite, os feiticeiros comemoraram, pois a vitória do Irmão Sangue estava cada vez mais próxima.





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