Cachecol Vermelho escrita por AnneWitter


Capítulo 1
Cachecol Vermelho


Notas iniciais do capítulo

- Fanfic não betada
—Um Presente meu para vocês neste ano novo.
E por isso é somente uma fic de um cap, por ser um Especial de ano novo. ^.^


FELIZ ANO NOVO !!!!




 Cachecol Vermelho

Então tinha sido daquela forma sinistra que uma vida havia chegado ao fim? A luta terminara daquela forma nefasta devido a força de um, e o orgulho de outro?

A garota escolhida estava ainda olhando para o ponto que anteriormente um ser representante de um mundo mergulhado em trevas, poderes, medos e mortes, encontrava-se em pé semi-desfeito. A estrutura tenebrosa que o envolvera minutos antes, evaporara no instante que ela, pela primeira vez, viu algo a mais naqueles olhos esmeraldinos, melancólicos.

Sua mão queria senti-lo, era como se estivesse buscando daquela forma encontrar algum modo de mantê-lo ali, sem nem entender ao certo o porque queria aquilo. Seu toque infelizmente não foi capaz de mudar qual fosse a natureza daquele evento funesto. E tudo não passou de cinzas em instantes.

Involuntariamente ela levou a mão ao peito.

As cinzas daquele que sempre lhe foi próximo desde que colocou o pé naquele lugar, foi levado. Com a promessa que nunca mais se tornaria carne, para que ela então o visse, o sentisse, outra vez.

Talvez fosse melhor assim, a inquietude que passou em seu corpo ao ver aquela imagem, o olhar dele tão intenso em sua direção, poderia incomodar qualquer pessoa, inclusive ela.

Ela virou o rosto, o seu verdadeiro herói estava ali, Ishida também. Tudo estava bem... Então por que não se sentia assim?

Após tudo finalizar, as coisas começavam a ficarem normal. Ela e seus amigos, aqueles que se arriscaram por ela, estavam planejando irem ao templo no ano novo, saírem juntos como adolescentes normais, seguindo suas vidas.

Ninguém em Karakura soube o que ocorreu, nem imaginavam na guerra que foi travada. E nem nas mortes. Ela infelizmente não tinha a mesma sorte de todos os outros, ela se lembrava tão vivamente, que mesmo depois de tanto tempo era possível sentir a intensidade daquele acontecimento, como uma ferida sempre aberta, incomoda e dolorida.

O que parecia não acontecer com aqueles, que como ela, presenciaram toda aquela guerra. Ichigo e Rukia estavam juntos, Renji voltara a Kakakura a pedido de Kuchiki Byakuya (somente para vigiar o morango com sua irmã). Ishida continuava o mesmo, quieto, estudioso e um ótimo costureiro. Sado também. Todo mundo seguia a sua vida tão normalmente que a garota que durantes tempos e tempos - enquanto observava a lua - sentia-se culpada pelos seus amigos, não conseguia entender o porque, apesar desses se mostrarem felizes, ela ainda estava triste;

No primeiro momento achou que fosse  devido o namoro de Ichigo e Rukia. Mas mudou viu que não, apesar que no começo parecesse que não seguiria além da declaração entre ambos. Primeiro por ele ser um humano e ela uma shinigami; Segundo por causa de seus temperamentos; E terceiro ( e não menos importante) tinha o irmão dela. Mesmo assim eles enfrentarem tudo aquilo, conseguindo até mesmo a permissão daquele relacionamento de shinigami e humano, e a benção – apesar que relutante – por parte de Byakuya. E isso certamente a fez entender que não importasse seu amor por ele – mesmo o amando cinco vezes – aquilo não ultrapassava o sentimento de ambos e a determinação de ficarem juntos.  Então a tristeza que aquilo poderia lhe causar se formou numa bela admiração, pelo amor de ambos, e ela não podia pedir mais que aquilo. Afinal aquele quem ela ama, estava feliz.

E depois disso ela começou a ficar perdida em seus pensamentos e sentimentos, sem entender o porque então estava triste.

E naquele fim de tarde enquanto conversavam em uma lanchonete, não era diferente. Keigo animado dizia o horário para se encontrarem em frente ao templo. Ela avoada, como sempre, apenas parecia ouvir o que combinavam, quando na verdade seus pensamentos estavam em outro lugar.

Num mundo onde a lua era constante, e uma luta seguia devastadora.

‘Você tem medo de mim. Mulher?’

Ela não estava mais na frente da escola, mas diante daquele acontecimento estranho e perturbador. E por quê?

‘Não, eu não tenho medo.’

Ela olhou novamente para aqueles olhos. Ainda estavam melancólicos. Tão devastadores.

E ele então esticou seu braço em sua direção...

-O que você acha disso Inoue-chan?

Todos a olharam, era a segunda vez que Rukia falava com ela, apesar da garota está sorrindo, olhando em direção ao grupo, a atenção dela realmente não estava neles. A confirmação veio quando Ichigo sacudiu a mão diante da visão dela, demonstrando que a garota estava completamente em outro mundo, qual fosse esse, estava a tragando por completa.

-Inoue-san. – chamou Ishida ajeitando seus óculos.

Ela olhou para ele, mas não disse nada.

Todos se entreolharam.

-Inoue-chan. – aumentou o tom a pequena do grupo.

-Oi. – despertou ela, notando que todos a olhavam, aquilo, como nos velhos e bons tempos, a fez corar.

-Finalmente, eu estava falando com você. – disse Rukia sorrindo.

-Oh, desculpa-me Kuchiki-chan. Eu realmente não a ouvi.

-Isso eu percebi. – brincou, deixando a outra extremamente vermelha. – Bem, o que você acha de ichigo e eu passarmos em sua casa para irmos ao templo hoje, ás 10 horas?

-Acho ótimo. – sorriu, como sempre fazia.

Orihime havia adquirido com o tempo a mascarar sua tristeza com sorrisos. Somente em um lugar suas lágrimas se mostraram tão reais e tão fortes. No mundo de lua perpetua. Mas agora que estava fora dele não era mais necessário demonstrar, esconder aquilo que sente era o melhor caminho. Por isso que apesar daquela tristeza constante dentro de si, ela sorria e se divertia, como seria naquela noite.

Ichigo e Rukia passou em sua casa quinze minutos antes das dez, e se encontraram com o restante do pessoal as dez e cinco diante do templo, qual, como nos demais anos, estava lotado.

Todos estavam empolgados, antes do horário, antes do novo ano, aproveitariam para comer, dançar ao redor da fogueira e depois iriam fazer seus pedidos.

- O que você pedirá, Inoue-chan? – perguntou Renji quando os dois estavam na barraca de bebida.

 Ele tinha ficado perdido com aquele assunto de pedido, como não queria perguntar para Ichigo, e devido a Rukia não sair de perto dele, também não tinha a oportunidade de fazê-lo para ela. E em hipótese alguma ficaria feliz em pedir ajuda a Ishida, e nem para Sado – embora esse fosse bem melhor que o anterior. Deixondo apenas a alternativa de falar com Inoue, talvez questionando á essa o que ela pediria, ficaria mais fácil entender aquilo. E por isso a convidou para irem, sozinhos, até a barraca de bebidas.

Orihime o olhou. ‘O que eu pedirei?’ brevemente ela desviou o olhar do amigo, e mirou Ichigo e Rukia mais á frente, os dois haviam parado numa barraquinha de pescaria. Certamente ele pescaria um peixinho dourado para ela.

-Pedirei que alguém pesque um peixinho para mim. – disse numa mistura de felicidade e melancolia.

-O quê? – indagou ele. – É sobre essas coisas que esses pedidos servem. Pedir coisas pequenas?

-Não, na verdade. Esses pedidos é aquilo que você mais deseja, que você realmente quer que lhe aconteça no ano que estará iniciando. Imagino que isso não seja coisa pequenas. – sorriu.

Renji a olhou por algum tempo, e depois pegou o copo de chá que anteriormente havia pedido, e ao fim do primeiro gole comentou:

-Imagino então que se caso eu pescasse para você, não iria valer. Certo? – ele a fitou sério.- Quero dizer, você quer que a pescaria seja feita por uma pessoa especifica, o que, sem dúvida, deixa esse seu pedido difícil.

Ela lhe sorriu. Embora ainda não soubesse quem teria que lhe fazer aquela pescaria.

Todos se cumprimentaram á meia noite, a cantoria ao redor da fogueira continuava e, todos estavam empolgados. Inoue colocou-se na fila de pedidos, diante de si estava Renji, e na frente dele Keigo e Tatsuki, atrás dela Sado ,Ishida, Ichigo e Rukia. Todos comentando sobre aquele momento, sobre seus pedidos, embora não revelassem realmente o que queriam. Inoue ainda não sabia o que pedir. Nem mesmo quando chegou a sua hora, após tocar o sino, e juntar as palmas, ela não soube. Mas assim que fechou os olhos, e aquele olhar se mostrou presente em sua mente mais uma vez, ela entendeu finalmente aquela tristeza monstruosa. E tão logo percebeu isso o pedido foi feito.

O pedido mais impossível que nunca fizera. Um pedido que certamente nunca seria realizado.

A festa do ano novo, como se Karakura sentisse que tempos antes ficara em perigo eminente, daria continuidade.

Era primeiro dia do novo ano e cedo para seu pedido ser realizado, qual ela havia feito a meia noite e quarenta. Ainda acompanhada de seus amigos. Eles continuavam felizes com a mudança de programa. Rindo e jogando aqui e ali nas barracas, comendo e bebendo, totalmente felizes.

No fim daquela tarde e já no finalzinho da feira de ano novo, o frio elevou-se. Apesar da presença dele nos dias anteriores, e da neve que havia caído dez dias antes, não se comparou aquele frio descomunal que surgiu do nada. Com uma ventania tão assustadora quando.

Inoue naquele instante estava sem seus amigos, eles estavam perto da fogueira, e ela, dando a desculpa que compraria um bolo que achou delicioso, saiu de lá. Ela queria na verdade andar, caminhar pelo lugar sozinha. E como todo mundo, ela foi pega de surpresa por aquele vento e frio. O seu cachecol em meio aquele vento todo desprendeu de si, e esvoaçou sem rumo, ela mantendo seu casaco ao redor de seu corpo, olhou entre os fios castanhos* de seus cabelos o cachecol entrar na barraquinha vermelha. E tão logo começou o vento, esse acabou.

O frio entretanto continuou preexistente no ar, e sentindo falta daquela peça de roupa, Inoue resolveu ir até a barraca. Antes de se aproximar, ela viu um rapaz chegar perto da barraca, este lhe era estranhamente familiar.

-Humm, isso certamente atrapalha. – ouviu o rapaz falar com o dono do jogo, ao se aproximar.

Inoue o olhou e notou que ele olhava para baixo, onde numa piscina plástica ( daquelas de criança), estava cheia de água e nesta, peixes. Mas os pobrezinhos quase não se mexiam devido a um tecido vermelho que mergulhara sem pedir licença ali dentro.

O rosto da garota ficou rubro ao notar de quem era aquele cachecol, e envergonhada pediu desculpa ao homem da barraca.

Neste instante o rapaz virou-se para ela. Involuntariamente ela deu dois passos para trás, arregalando seus olhos.

Ele a estudou com o olhar, e aquele olhar profundo e aquele rosto impassível a fez se sentir ainda mais espantada. Ela conhecia apenas uma pessoa capaz de transmitir tamanha voracidade no olhar, apesar de não expressar nada em sua face.

Indiferente ao susto e assombro da garota ele voltou-se para a piscina, e sem dizer nada tirou dali o cachecol vermelho, que ao pegar ambas pontas, criou um tipo de rede, aprisionando nela um peixinho dourado.

-Pegue. – disse esticando o braço na direção dela. Inoue novamente se afastou, mantendo seu semblante assustado. – Está com medo de mim, mulher?

Caso havia alguma dúvida, aquelas palavras, ditas daquela forma, afastou qualquer uma.

-Não, eu não tenho medo. – e esticou a sua mão, receosa no inicio, temendo que, como na ultima vez, ele torna-se cinzas.

Mas a situação era diferente, como algumas coisas nele também. Não havia a eterna marca de lágrimas em sua face e não era mais tão pálido - embora ainda fosse comparado a ela e muitos ali presente - não tinha aquele osso sobre a cabeça e, certamente não havia aquele buraco. Pois apesar daquele frio, a camisa dele estava com alguns botões abertos, revelando parte de seu peitoril, e definitivamente ali não havia buraco. E foi essas diferenças que a fez segurar seu cachecol e tocar em seus dedos.

-Obrigada. – sussurrou. –Ulquiorra-kun.

O rapaz franziu o cenho ( uma demonstração diferente daquele ulquiorra que ela conhecera).

-Como sabe o meu nome, mulher? (embora outras continuavam a mesma).

Novamente ela foi pega de surpresa. ‘Talvez ele não se lembre’

-Por causa do meu pedido. – disse tímida.

Ele continuou a olhando intensamente.

-Eu pedi para que você pescasse para mim. – explicou.

-Você é estranha, mulher. – disse virando as costas para ela. -E eu não lhe conheço- e começou a andar.

-Ei. – chamou o homem da barraca.

Ulquiorra olhou para ele.

-Você ou ela pagará pelo peixinho?

Inoue o olhou. O viu lhe olhar daquela forma como fazia no Hueco mundo, apesar dele não mais se lembrar. Ela sem nem se preocupou com o cachecol molhado e o levou para perto de seu corpo, levando suas mãos ao peito.

Ela viu ele suspirar e se aproximar da barraca, para em seguida pagar o homem. Apesar daquele rapaz ser parecido com Ulquiorra, e possuir o mesmo nome. Inoue desconfiava de que não era o mesmo, na verdade não tinha como ser. Ele nunca teria sido tão gentil. Ou teria?

-Obrigada, novamente. – disse ela envergonhada, fazendo uma leve reverencia para ele.

-Dei-me isso. – disse indiferente, pegando o cachecol dela.

Ela apenas o observou, saboreando a quentura da mão dele que continuava a esquentar a sua, apesar dessa não estarem mais em seu contato.

Logo em seguida o homem da barraca lhe entregou um saquinho plástico com um peixinho dourado.

Ela sorriu colocando este diante de seu rosto, o novo Ulquiorra a observou por alguns segundo para então dizer:

-Você realmente desejou isso, mulher? Algo tão insignificante?

Ela desviou seu olhar do saquinho e o mirou. ‘No fundo havia ainda aquele Ulquiorra do Hueco mundo’.

-Chamo-me Inoue Orihime. – disse sorridente. – E Sim, desejei. Pois o significado dessa pescaria era o que realmente valia.

Ele continuou a olhá-la.

-O que a continua deixando isso insignificante. Imagino que tenha sido algo sentimental que a trouxe desejar isso. Apesar de ainda não saber o que eu tenho haver com essa historia.

Ela desviou o olhar do dele, vermelha, e tentou sorrir, mas não conseguiu. A persistência dele em relação a tratar daquela forma os sentimentos, mesmo tento aparentemente mudado, continuava a machucá-la.

-Acho que sim. – concordou de cabeça baixa. – Tem sim haver com sentimento, mas não vejo como algo insignificante. E sim algo que fortaleça a todos, e fazem esses seguirem em frente, lutarem para mudar ou vencer. E coisas assim são sentidas e não vistas - Incluiu em sua explicação, para um outro Ulquiorra ( ou para aquele mesmo, pois poderiam ser o mesmo) - E somente o sentindo, ele consegue ser forte suficiente para mudar tudo. – neste ponto ela já estava o olhando.

-Como, da mesma forma que logo você sentirá frio? – disse apontando para frente do casaco dela, onde anteriormente o cachecol dela a molhara ( e ele parecia sorrir? 'poderia ser o mesmo Ulquiorra?')

Ela sorriu - talvez porque ele também "sorria", e olhou para baixo e voltou-se para ele.

-Sim. – concordou.

-E você desejou que eu lhe pagasse algo para se esquentar, mulher?

-Não. – e eu me chamo Inoue. Acrescentou em pensamento, mas não disse porque queria ouvi-lo mais vezes falar daquela forma, pelos tempos do Hueco mundo.

-Bem, mesmo assim eu lhe pagarei um chá quente. – disse. – Você é estranha, mas de alguma forma acho que estou fazendo a coisa certa. – admitiu.

Eles se olharam. Apesar de diferente, Inoue tinha certeza, sim era ele. Seu coração não enganaria. E a forma como ele lhe olhava parecia que mesmo ele não se lembrando, ele também sabia daquilo, sabia quem era ela. Agora ela realmente sorria.

O homem da barraca que acompanhava tudo, sorrindo estendeu o cachecol que dera inicio aquela estranha e familiar – ao menos para eles – conversa.

E os dois, ao mesmo tempo, o pegou. E suas mão novamente se tocaram.

‘Então isso é o ... Coração.’ **



Notas finais do capítulo

* No Mangá, diferente do anime, os cabelos da Orihime são castanhos. Como sempre utilizo as descrição de cor de cabelo e olhos do anime dessa fez resolvi mudar. XD

** NO mangá 354 a última frase de ulquiorra é ( Então isso é... Coração?) , como pergunta - obvio! - e como resposta dessa pergunta coloquei essa frase.