Shooting Star escrita por Kaline Bogard


Capítulo 1
Único




shooting star
Por Kaline Bogard

Aiji enfiou as mãos no bolso e tragou fundo o cigarro, mantendo a fumaça nos pulmões o máximo de tempo que conseguiu.  Então deixou-a escapar pelo canto dos lábios avermelhados pelo frio.

Pensava na banda em que estava atualmente.  Pierrot.  Eles faziam um senhor estardalhaço, conseguiam chamar a atenção da mídia e tinham um número impressionante de fãs.  É.  Podia dizer que faziam sucesso.  Que o estilo era irreverente, único, ousado.  Estavam revolucionando a cena Visual Kei.  Tinham boas músicas... boas, não.  Ótimas, músicas...

Sua mente foi inundada por imagens dele e dos companheiros, comemorando a vitória do live feito recentemente.

Eram mais que apenas membros de uma banda.  Eram amigos, quase irmãos.

Respirando fundo, Aiji retirou as mãos do bolso e esfregou os braços enregelados pelo frio de inicio de inverno.  Nem o grosso casaco era suficiente para protegê-lo daquele friozinho incomodo que sentia no coração.

Parou, sozinho na rua deserta, e olhou o céu escuro da noite.

A decisão não era difícil de ser tomada.  Pelo contrário.  Faria qualquer coisa por ele, e seus amigos não tinham chance ao serem comparados, nunca teriam.

Mas... mesmo assim... era doloroso.  Sentia o peso do caminho que escolhera esmagando seus ombros.  Intuía que a reação dos amigos seria ruim, dos fãs então, pior ainda.  Talvez o odiassem, talvez o desprezassem.

Talvez o compreendessem.

As milhares de estrelas se desfocaram quando lágrimas transbordaram os olhos escuros.

E Aiji deixou que caíssem, todas elas.

Aquela era a primeira e a última vez que choraria.

Dali em diante tinha que ser forte, ser decidido.  Arcar com as conseqüências das escolhas que fizesse, sem arrependimento, sem lamentação.

Não havia garantias.

Porém, nunca havia garantias no amor.  Não, senhor, não no amor.

E Aiji realmente o amava.  O amava com todas as suas forças, a ponto de desistir de um sonho que dava certo e recomeçar do zero, do nada.  Servindo como apoio, sem saber se um dia seria retribuído, se seus sentimentos seriam aceitos e recíprocos...

Mas é como dizem por aí.

O amor é cego, louco, inconseqüente.

Novamente estruturado, Aiji secou as lágrimas, jogou o resto do cigarro no chão e voltou a seguir em frente, abandonando o momento de fraqueza.

oOo

– Dói tanto, Aichu... – maya murmurou – Tanto...

O moreno continuou acariciando os cabelos do amigo, que descansava a cabeça sobre seu colo.

– Hn.  Eu sei que dói. – suspirou – E vai doer um bocado de tempo.

maya estremeceu e voltou a chorar baixinho.  Sentia-se usado.  Usado como um objeto qualquer.  E o pior: fora descartado como se não tivesse valor algum.

Não era um grande segredo o envolvimento que o loiro desenvolvera com Miyavi, então guitarrista do Due le Quartz, apesar de tudo ser muito discreto.

Ambos eram mais que companheiros, na época que maya bancava o roadie da banda.  Deixara-se envolver pelo charme e beleza do outro, e apaixonara-se.  Ah, ele havia mergulhado de cabeça naquele romance, entregando-se por completo.

Ninguém podia medir a surpresa de maya quando Miyavi anunciara sua saída e conseqüente fim da banda.  Ele seguiria carreira solo.

E o fim da DleQ significara também o fim do relacionamento entre os dois.  Sem maiores explicações, bem de acordo com a personalidade exótica e instável de Miyavi.

– Ne... – maya sussurrou – Sabe aquele baterista novo do the GazettE..?

– Sei... – Aiji respondeu comovido.  Miyavi não fazia segredo de suas intenções.  Somente um tolo não entenderia que o garoto das covinhas estava na mira.  Era o novo interesse do guitarrista que resolvera seguir carreira solo.

Mas Aiji intuía que aquilo também não iria longe.  O rapaz (cujo nome ainda não sabia de cor), não parecia ser firme o bastante para manter Miyavi preso por muito tempo.  Assim como maya, doce e gentil demais para o próprio bem.

– O que eu faço...? Da minha vida...?

Aiji abaixou os olhos e fitou aquele loiro junto a si, desesperado pela dor do abandono, sem rumo e sem esperança.  O garoto que roubara seu coração, por quem tomara uma decisão radical e abrupta, que mudaria seu próprio destino.

Nem hesitou em segurar-lhe o rosto com delicadeza, porém de forma firme, e obrigá-lo a devolver o olhar.  As lágrimas transbordantes voltaram a comover Aiji.

Sem pensar duas vezes revelou:

– Vou sair da Pierrot.

maya entreabriu os lábios:

– O quê?! Mas... Aiji...

– Shiii. – obrigou o caçula a silenciar – Já decidi e não vou voltar atrás.

– Eles dependem muito de você... vai ser um desfalque e tanto... talvez...

O loiro calou-se sem corarem de continuar.  Aiji sabia bem o que ele queria dizer.  Talvez a banda acabe...

– Estou querendo mudar faz tempo. – falou de forma sincera – Vou esperar que você se sinta melhor, então vamos montar nossa própria banda, maya.

O loiro demorou alguns milésimos de segundo para compreender o que lhe era ofertado.  Emocionou-se tanto que novas lágrimas correram pela face pálida:

– Vai fazer isso por mim...? – não conseguiu completar a frase.

– Hn. – Aiji afirmou de seu jeito sério e meio ranzinza.  Não era bom com sentimentos, nunca fora. – Nossa banda será um sucesso no Japão.

– E oversea! – maya completou, chorando e sorrindo ao mesmo tempo.

– E oversea.  – o mais velho concordou.  Aiji fechou os olhos com força, bem a tempo de conter as próprias lágrimas.  Sua decisão podia ser considerara absurda pela maioria.  Mas ele tinha certeza da escolha que fizera.

Não havia garantia alguma, fosse de sucesso ou de felicidade.

Mas acabara de ver um fiozinho de esperança brilhando as íris da pessoa que amava.  Sua proposta fora como o socorro alcançando um naufrago em alto mar.  E maya agarrara-se a ele como se fosse sua única saída.

E talvez, quem sabe um dia, seu amor pudesse ser retribuído.

Fim



Notas finais do capítulo

AHA

Eu sempre disse que drama não é meu ponto forte. Mas esta coisa ta rondando minha mente desde aquele nefasto dia em que abri meu e-mail, há décadas atrás, e vi a mensagem com o assunto “Melody está grávida”.

E deu no que deu...



Dedicada à Nii chan!! Sei que ela não superou bem essa parte da história, mas o amor justifica os atos mais temerários. Rsrsrs, não guarde rancor do Aichu! (^A^)



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