(Nem) Todo Mundo Odeia a Emily escrita por May_Mello


Capítulo 38
Todo mundo odeia deixar o Thomas magoado.


Notas iniciais do capítulo

E ae, galerê? Tudo suave na nave? De boa na lagoa? Sussa na montanha russa? Beleza na represa? Tá bom, parei. KKKK'
Cara, devo confessar que eu tinha desanimado da história porque eu tinha perdido o próximo capítulo que ia postar, não queria escrever mais nada, tô mó sem tempo, passei no prouni-de-meu-deus-sou-pobre-me-dá-uma-bolsa-aí-tia e agora tenho que estudar de novo... sabe? Ceis sabi ne?
Mais daí, meus amores, eu entrei aqui e vi esse mooonte de comentário, um monte de msgs na minha caixa de entrada e pronto, danou-se: VOU ATUALIZAR A FIC! c:
Sim, sim, sim...
E o tempo passa e eu nem vejo hein? O comentário da Lucy que me fez parar pra pensar e ver que essa história aqui breve fará 4 anos. 4 FUCKING ANOS!
Sem mais gente, só sei que amo demais vocês.
Segue o capítulo escroto, e looooooogo eu volto. o/



E lá estava eu...

E lá estavam meus lábios, sendo pressionados fortemente pelos os de Thomas enquanto meus olhos quase saltavam de tão arregalados.

Pra você que perdeu o último capítulo da minha trágica vida, a situação era a seguinte: eu havia acabado de explodir com Thomas, dito (ou melhor, gritado) tudo o que estava entalado no meu esôfago, e ele estava... Me beijando? Eu esperava tudo, inclusive um tiro na testa; tudo, menos um beijo.

Senti algo que ia além da minha capacidade de explicação, e esse algo fez-me amolecer como um sorvete derretido. Sorvete derretido? Inveje minha capacidade de explicação em momentos críticos.

Thomas pareceu se dar conta do que estava fazendo e se afastou rapidamente, findando o selinho mais demorado da minha vida. Ele murmurou alguma coisa em alemão – o que me deixou curiosa pra valer –, encarou meu lábios e depois subiu o olhar para os meus olhos.

Eu estava ofegante e por um segundo o mundo inteiro girou mais rápido que o normal, enquanto minhas pernas ainda pareciam duas sacolinhas jogadas ao vento.

Foi aí que Thomas simplesmente deu alguns passos para trás, até que seu corpo se encostasse na grade de proteção da sacada. Então seu olhos se desviaram dos meus e ele pulou para a sua sacada, entrando em seu quarto e me deixando petrificada.

–O.que.você.fez, Schultz? – Falei calmamente cada palavra para o nada, esfregando o dorso da mão nos meus lábios. – Que nojo! Que nojo! Que nojo!

Fechei os olhos fortemente, tentando impedir a nostalgia que pensei que me atingiria mas que não me atingiu coisa nenhuma. A única coisa que me ocorreu foram minhas mãos suando frio...

Beijar meu pior inimigo foi bem coisa de filme romântico clichê... Só que não tinha nada de romântico, quando quem eu queria realmente estar beijando era o... O... Lukas? O Lukas, não é?

Thomas, como é que você consegue dominar toda e qualquer situação?! Eu havia acabado de xingá-lo até não agüentar mais, dizer coisas que pensei que o deixariam no mínimo transtornado... E no fim, era eu quem acabava transtornada, não ele.

Ou será que ele também estava transtornado? Será que também não conseguiu dormir repetindo a cena do beijo milhões de vezes ou foi só eu?

_X_

O menino me beijou do nada! Me beijou! Há algo de muito errado nessa p-Meu celular começou a tocar. Beleza. E ai que dor nos olhos, porque eu não consigo nem abri-los depois de mais uma noite sem dormir. Sorte que meu celular estava debaixo do meu travesseiro e eu não precisei fazer movimentos bruscos para atender o desgramado que me atormentava.

–Alô. – Acho que minha voz estava parecendo com a da minha diretora depois de beber até cair.

–EMILY! TRATE DE SE LEVANTAR AGORA, POIS VOCÊ NÃO VAI NOS FAZER FICAR TE ESPERANDO.

–Mas quem é o otário que está falando, hein? – Nem bem me acordaram e já começam a gritar. Meu processador 98 não inicializou ainda.

–Claro que sou eu, né, Emily?

–Anthony, seu desgraçado. – Me virei na cama, ainda sem abrir os olhos.

–E EU TAMBÉM! – Ouvi a voz escandalosa de Gregory.

–Pode tratar de vir já pra escola porque o ô-

–Ah, é. O passeio no parque... Eu nem vou mais, Anthony. Se liga.

–Como não vai mais? COMO NÃO VAI MAIS? Você tem noção do quanto foi difícil convencer a minha mãe a me deixar vir nesse passeio, Emily? E por que você decidiu de uma hora pra outra simplesmente não vir mais?!

É, Emily, por que você não vai? Só por causa do garoto que te beijou? Aposto que ele nem vai nesse passeio, porque é covarde como você! Se bem que... Não sair da cama é o segredo para um dia perfeito, porque daí você vai ter certeza que não verá a fuça dele de jeito nenhum. Então eu não vou!

–Tô sem vontade, Anthony. Vai ser um inferno! É bem capaz de cair até um meteoro sob nossas cabeças, se duvidar.

–Emily, pare de inventar desculpas! Ve-

–Ah, Anthony, que bom que você aceita a minha decisão então. Espero que se divirtam bastante sem mim, viu? Foi bom falar contigo. Beijinho, beijinho, tchau, tchau. – Desliguei. Ai, como eu sou má.

E por falar em “foi bom falar contigo, Anthony”, ainda nem deu tempo de falar com ele sobre a ficha da Samantha. E por falar em “ficha da Samantha”, o Tyler também nem deu mais as caras. E por falar em como a vida é uma merda... Por que ele tinha que me beijar? Acho que era essa a intenção: fazer com que meus dois neurônios entrassem em conflito e eu tivesse uma morte cerebral. É. Porque aquele menino é mal demais.

Espera. Talvez tenha sido só um acidente. Vai ver ele tropeçou e daí... E daí eu fiquei louca pra poder chegar nessa conclusão, né?, porque...

Deus do céu! Alguém, por favor, me tire dessa angustia cerebral ou seja lá o que isso for. É só que... Quanto mais eu tento arranjar explicações, mais e mais coisas não me parecem fazer sentido. E eu só conheço uma pessoa que pode me explicar porque Thomas me beijou.

_X_

E novamente lá estava eu, com o meu coturno, uma calça jeans clara, uma regata branca e um coque mal feito no cabelo. Sem falar nos dez quilos de maquiagem pra disfarçar as olheiras.

E lá estava uma simpática mulher, abrindo a porta com um sorriso no rosto.

–Oi, o Thomas está? – Sim, o Thomas, porque ele é o único que pode me explicar porque me beijou. E se não souber explicar eu vou simplesmente socá-lo até ele aprender que eu gosto do irmão dele e que ele não pode fazer o que bem entender.

–Olá, você deve ser a Emily, a garota que veio aqui outro dia. – Pelo inglês todo embolado e de difícil compreensão, diria que ela é a mãe dos gêmeos. – Eu sou Simone, a mãe dos gêmeos. – Viu? Eu disse! – E o Thomas não está, querida. Ele e o Lukas acabaram de sair para um passeio da escola. Quer que eu diga que você veio?

–Não, não, não precisa. Eu também vou no passeio, só vim chamá-lo, mas pelo visto ele já foi. Bem... Obrigada. – E sorri como se fosse uma menina educada.

_X_

Tentava desesperadamente enfiar meu braço enfaixado na jaquetinha que tinha pego em casa antes de sair já que havia esfriado enquanto corria desesperadamente até a escola.

Me espantava o fato de que Thomas tenha vindo para o passeio, já que achei que me evitaria. Não sei por que me espantava, já que sei que ele é um tremendo cara-de-pau. Um cara-de-pau com grandes problemas mentais, isso sim.

–Olha só. Que surpresa! – Ezra exclamou,parado à porta do ônibus. –Quase nem está atrasada! – Simplesmente revirei os olhos passando por ele depois de entregar a autorização com uma assinatura que eu orgulhosamente falsifiquei. Quando entrei no ônibus descobri que sua última frase não foi irônica. Não há quase ninguém aqui dentro.

Devo ter ficado anos-luz parada, pensando em qual banco me sentaria ou se sairia e iria procurar meus amiguinhos do coração, pois quando me dei conta o ônibus estava praticamente lotado e eu ainda continuava em pé, encostada em um banco.

–É claro que nós vamos à casa do terror! –Ouvia a voz escandalosa de Gregory e algumas risadas, quando alguém me deu um forte empurrão que fez-me sentar no banco em que estava escorada.

–Aberração! – Reconheço essa voz, acho que de algum filme pornô barato. Sim, porque ela pertence à Zooey-morfética, e os risinhos irritantes ao fundo pertencem às suas seguidoras, e uma delas, a tal Samantha, olhou bem séria pra mim antes de continuar seguindo sua mestra ao fundo do ônibus.

Olhando pelo lado bom ela me ajudou a encontrar um lugar. Olha que beleza!

–Aí a Emily começou a vomitar e o- – Gregory calou a boca quando seu olhar se encontrou com o meu, mas Anthony, Lukas e Thomas continuaram rindo até perceberem que Gregory tinha parado no meio do caminho.

–Oi, amiguinhos do coração. – Ironia? Você por aqui? Pode entrar.

–Emily? – Anthony estranhou.

–Você veio! - Lukas sorriu lindamente, me fazendo sorrir também, e por conta disso quando eu olhei para o Thomas eu ainda estava sorrindo. Aí meu sorriso morreu.

Gregory interrompeu minha troca de olhares com o Thomas com uma gargalhada sonora.

–Estava contando da última vez em que fomos ao parque de diversões. Se lembra, Emily? Foi tão engraçado!

–Não foi não, Gregory! – Fingi estar rindo junto, até que o encarei mortalmente, cortando seu barato.

–Emily passa mal de nervoso na montanha-russa! É por isso que esse vai ser o primeiro brinquedo em que vamos. – Anthony falou, todo espertinho, e os quatro voltaram a rir feito hienas.

E a primeira coisa que EU vou fazer é falar com o Tho-

–Todos nos seus lugares, crianças! – Ezra exclamou antes que eu pudesse me levantar e antes de Anthony se jogar do meu lado ainda rindo aquele risinho silencioso dele. Traidor!

–Anthony, seu idiota! – Procurava Thomas com o olhar.

–O que é que foi, hein, Emily? E por que você decidiu não vir e agora veio? Tá com a macaca, menina? O que aconteceu contigo?

Contar ou não contar pro Anthony? Eis a questão.

–Anthony, desde quando você fala tanto? Fica quieto aí, menino!

Não contar... Pelo menos por agora.

_X_

–Emily, você é uma chata! – Gregory implicava, aborrecido.

–Eu sou chata? Eu? Ninguém mandou vocês virem atrás de mim! – Respondi com a boca cheia de algodão doce. Nós falávamos sobre o fato de eu ter arregado e não ter ido na montanha-russa enquanto os Schultz iam e por isso nos separamos deles. – Pois vocês deveriam ter ido junto com os Schultz.

–E nós vamos! Vai ver só! Até o final do dia você também vai ter ido na montanha-russa! – Anthony declarou. Ele estava ainda mais irritado que Gregory, já que tínhamos acabado de sair da casa do terror, a qual eu os obriguei a ir e ele não curte muito. Logo depois ele alegou que só não estava comendo doce também porque os sustos o deixaram de estômago agitado.

–Vamos na roda gigante! – Gregory me puxou com tanta violência que eu quase enfiei o espeto do algodão doce no olho.

Chegando lá quem nós encontramos? Quem? Quem? Quem?

Os Schultz, só pra variar o repertório. E Thomas era o primeiro da fila, aquele babaca.

–Vocês não acreditam! A gente acabou de ir na casa do terror e foi tão assustador!

–Que assustador, Gregory? Foram só algumas pessoas com uns lençóis e ketchup! E ainda me fizeram derrubar toda a pipoca que eu tinha acabado de comprar! – Protestei, e aí percebi que as pessoas já estavam saindo da roda e Thomas já estava entrando em uma cabine.

Nem dei tempo pro Lukas rir do meu comentário anterior e sai correndo em disparada. Empurrei uma menina antes que ela entrasse na cabine do Thomas e sentei-me ao lado dele. Esperei o carinha fechar a trava de segurança e me virei em um pulo, o encarando.

–VOCÊ TEM ALGUM TIPO DE PROBLEMA MENTAL, GAROTO?! – Essa sou eu gritando, enquanto a roda começava a girar um pouco pra outras pessoas subirem.

–Ah, oi, Evans. – E esse é o Thomas todo calmo.

–OI O ESCAMBAU! E VOCÊ SÓ PODE TER SÉROS PROBLEMAS PRA TER ME BEIJADO SENDO QUE ME ODEIA E ME DISSE COISAS HORRÍVEIS NO MESMO DIA! E EU TE ODEIO TAMBÉM E TAMBÉM DISSE COISAS HORRÍVEIS NO MESMO DIA E... THOMAS! – Seu nome saiu em um gritinho agudo, quando percebi que ele sequer prestava atenção no que eu estava esgoelando.

–Pra mim estava bom quando nós não nos falávamos, Evans. – Murmurou, começando aquela estúpida dança com os pés.

–Ah, agora você diz isso, é? Depois que me beijou e-

–Eu só te beijei porque você não calava a boca e eu me perdi depois da segunda palavra do seu... “discurso”. – Deu de ombros.

–Você nem escutou nada do que eu disse? E é assim que você faz as pessoas se calarem?!

–Funcionou, não funcionou? – E riu, dando de ombros novamente. Depois de um tempinho refletindo e relembrando dei-lhe um soco no braço, fazendo-o murmurar um “au”.

Thomas é um idiota e eu sou mais ainda por levar o lance do beijo tão à sério. Por isso só fiquei quieta e com um beiço de um quilômetro, vendo como as pessoas pareciam formigas lá embaixo.

–O brinquedo mais entediante! – Thomas exclamou e eu concordei mentalmente. Aí ficamos em silêncio, só que o Thomas sempre tem que estragar tudo, não é? – Amor platônico...

–Quê? – Não entendi nada. Esse menino delira.

– Só para esclarecer uma pequena dúvida... Você realmente sabe o que é o amor? – Que espécie de pergunta é essa, diacho? – Você, que segue planos para conquistar o meu irmão, que quer, sei lá, matar uma garota pra tê-lo? Sinto te dizer, mas isso não é amor, nem aqui nem na China. O amor... o amor é outra coisa.

–Schultz, você ficou louco, é isso? Por que estamos falando sobre isso agora? Por que está questionando o quanto eu gosto do Lukas quando deveríamos estar falando só sobre você e o seu ataque ontem à noite? Aliás, não deveríamos estar falando sobre nada, cala a boca.

–Isso se chama carência, se apaixonar pelo primeiro que te sorri... Com o tempo a carência pode até virar doença. – Murmurou, evitando meu olhar mortal.

– Espera. Eu estou doente?

–Claro que está. Você é uma doente mental. – Ele falou e riu um risinho sem humor algum. Deus, ou eu falei em voz alta ou ele realmente lê pensamentos, porque pra mim eu estava divagando e falando com meus próprios botões.

–Você sempre me faz parecer uma garota patética com sentimentos patéticos, então pode parar!

–Ok. Parei. E sobre o que eu disse ontem... Você não deve crescer... Quer dizer, deve. Um pouco na altura e só um pouquinho na mentalidade, porque se você crescer demais, não será a Emily chata que todo mundo conhece.

–Espera. Estou ligeiramente confusa. Eu devo ou não devo crescer? – E a conversa fluía e eu nem percebia que não deveríamos estar conversando.

–Claro que deve! Mas só o suficiente pra superar o Lukas. – QUÊ?!

QUÊ?! QUÊ?! QUÊ?! QUEQUEQUEQUÊÊÊÊÊ?

–Superar o... Lukas? Mas foi você quem disse que eu tinha a chance de conquistá-lo. Foi você quem bolou os planos mais idiotas de conquista e agora me diz pra... superar? – Era isso o que ele quis dizer com “crescer”?

–É, Emily, é isso o que fazemos quando gostamos de alguém e esse alguém definitivamente não gosta da gente.

–Você tem certeza? – Fala que não, porque eu tenho a sensação de que vou chorar.

Ele suspirou longamente.

–Não, não tenho certeza se é isso mesmo o que se deve fazer. Na verdade, eu nem sei o que se deve fazer... Porque na minha concepção, quando se gosta de alguém de verdade, de verdade mesmo, não do tipo “eu gosto do Lukas porque ele é fofo”, você deve lutar enquanto houverem chances. Então a questão é: Você realmente gosta do Lukas, Emily?

–Que pergunta, Schultz! E ISSO NÃO LHE DIZ RESPEITO, CALA A BOCA! - Eu... Eu gosto do Lukas porque ele é fofo? Ai, Emily, não ligue pro que esse boboca diz.

Thomas finalmente me ouviu e calou o bico...

–É sério o que você disse sobre só voltar a conversar comigo por causa do Lukas? – ...Ou não, porque ele me fez essa pergunta aí.

Então ele ouviu o que eu disse? Nossa, eu realmente disse coisas horríveis. Horríveis iguais as coisas que ele diz! Onde já se viu insinuar que eu não gosto do-

–Porque eu te odeio... – Thomas sorriu parecendo-me meio melancólico enquanto ele repetia o que eu havia lhe dito ontem. Ok. Talvez o que eu tenha dito seja mesmo muito horrível. – Odeio.... Odeio.... – E olhou para mim antes de murmurar o último “odeio” antes da roda finalmente parar e ficarmos nos encarando. E eu finalmente entendi: ele estava magoado. Eu consegui deixar o menino magoado, e isso era uma coisa que ele nunca iria admitir.

Quando ele tentou passar por cima de mim para sair, eu o puxei, fazendo-o se sentar de novo.

–E eu devo acreditar em tudo o que você disse sobre eu não gostar do Lukas por que você é mestre em persuadir as pessoas? Por favor, né, Schultz.

–Quem disse que você deve acreditar em mim? Afinal, o que eu digo não importa, porque eu não importo, não é? – Deu um leve peteleco na minha testa e eu só fiquei paralisada, enquanto ele ia embora. Assim, do nada.