(Nem) Todo Mundo Odeia a Emily escrita por May_Mello


Capítulo 28
Todo mundo odeia fome.


Notas iniciais do capítulo

TCHARÃÃÃNNN!
Eis que estou de volta.
E nessa semana começam as minhas provas e eu deria estar estudando agora. Que bonito, que beleza! Vou só ali me matar rapidinho e já volto.
Mas enfim... Quero agradecer muuuuito pelos reviews, como sempre, e desejar um boa leitura, suas coisas lind's! *-*
E,ah, só pra não perder o costume: o capítulo tá uma bosta.
HAUSDHAJDHAJHD'




“E nesse momento eu soube. Eu soube que teria que correr pra caralho!”









–Todo mundo de pé, cambada! Animação! – Acho que era o meu ex-professor Ezra que gritava com um megafone pelo dormitório. “Ex-professor” porque eu vou matar ele! EU VOU MATAR ELE! Mas só quando eu acordar direito. – ANIMAÇÃO! – Aquele filho de uma lhama gritou no meu ouvido. BEM NO MEU OUVIDO! Eita, bagaça. Caí da cama, só que sentada.

–Você vai ver a animação quando eu chutar o seu pâncreas. – Murmurei rangendo os dentes. Logo depois ouvi uma risadinha atrás de mim.

Era o T- AH!, eu me recuso a falar o nome dele ou sequer pensar nele! Traidor dos infernos!

Ele “pegou” a Zooey, e, automaticamente, se tornou meu maior inimigo – junto dela, é claro. Nunca mais vou falar com ele! NUNCA!

Ele continuou rindo sentado na cama dele e me olhando. Estava realmente uma “princesa” com aquela cara de “acabei de acordar das trevas”.

Mas espera aí. Como ele vai continuar me ajudando com o Lukas se não vamos mais nos falar?

Ok. Está decidido: só vou olhar ou falar com ele em caso de extrema urgência; tipo quando o mundo estiver acabando em 2012.

–Bom dia, Emily. – Lukas apontou a cabeça lá da cama de cima, falando com uma voz sonolenta. Que fofo!

–Bom dia, Lukas. – Acho que meus olhos brilharam.

–Vocês têm meia hora para estarem prontos, cambada! – O professor continuou gritando.

–Eu realmente espero que sejam no mínimo umas onze da madrugada. – Falei, depositando toda a minha força no meu bracinho bom, não-enfaixado e esquelético pra me levantar e logo depois me sentar na minha cama.

–Não são nem sete direito. – Aquele garoto que tem o nome que começa com “T” falou e eu ignorei-o.

–Eu não dormi nada com os roncos desse mulambento! – Anthony saiu sabe-se-lá-de-onde e se sentou ao meu lado na cama.

–Mentiroso! – Gregory surgiu em um movimento ninja por trás de nós e deu um soco no ombro do Anthony.

–Au, cavalo! – Anthony reclamou levando uma das mãos no ombro atingido, fazendo com que Lukas risse.

–E aí, Emily? – Gregory deu um tapinha na minha cabeça, recebendo um olhar mortífero. Tadinho. Ele arregalou os olhos.

Também, né? Meu olhar mortífero junto com o meu cabelo sem pentear deve- AH!, meu Deus! O Lukas me viu sem pentear o cabelo?! Com cara de que acabei de acordar? É nisso que dá ficar falando da aparência do To- AH! Esse “coiso” tem que sair da minha cabeça!

–Está melhor, Emily? Ontem você estava estranha... – Anthony cortou meus pensamentos.

–Sim. Bem melhor! – Sorri raivosamente, olhando para o garoto que eu não vou falar o nome.

Ódio total! E tudo destinado a ele! Agora, mais do que nunca, eu quero a morte dele! Mas antes de matá-lo, vou conseguir o Lukas! E meu all star de volta. É.

_X_

Merda de água fria! Tive que tomar um “banho de gato” pra não chegar atrasada para a tortura. Mas é claro que eu acabei me atrasando. E pra completar ainda esqueci de levar minha roupa pro banheiro junto comigo. Mas a sorte- cof, cof, - é que eu levei a toalha, então tive que ir enrolada com ela no corpo até a minha mochila. Não tinha ninguém no dormitório, erguei as mãos e daí glória a Deus!

Peguei minha roupa e voltei correndo pro banheiro. Vesti uma calça jeans skinny escura, um all star preto qualquer, uma camiseta também preta,velha de dar dó, e amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo, deixando minha franja solta. Sério, acho que levei uns trinta minutos só pra amarrar o cabelo praticamente com uma mão só.

Depois de fazer tudo o que tinha pra fazer, saí do dormitório e até estava indo rumo ao refeitório, quando percebi que todos já estavam saindo de lá. Essa não! Não acredito que perdi o café-da-manhã! AH! QUE ÓDIO! Também, quem manda dormir de novo depois que o Ezra foi acordar todo mundo? É, sua estúpida! Cala a boca consciência. Só quem me chama de estúpida é o- Ai, eu tenho que parar de pensar! Isso mesmo, parar!

Todos os acéfalos se reuniram no gramado, pronto para escutar o Ezra falando. Não foi muito difícil de achar “os perdedores”, afinal, Anthony e Gregory estavam se matando no meio dos outros. Tá legal, eles só estavam brincando de lutinha.

Ah, que fome!

Fui até eles. Revirei os olhos para Anthony e Gregory, que já tinham parado de tentar se matar; sorri para Lukas e tive um tique ao olhar para Thomas e ver que ele comia um pacote de salgadinhos. Meu estômago até virou cambalhotas.

–Xê qué? – Thomas me ofereceu de boca cheia. Eu bem que queria. Mas queria mais ainda mandar ele ir tomar no símbolo químico do Cobre*. Apenas ignorei-o, e me voltei para o velho banguela do Ezra que falava sem parar.

–Muito bem, crianças, essa vai ser a nossa primeira atividade! Super divertido! – Uhul! Vou até comprar uns foguetes pra soltar. – Vocês irão se dividir em grupos de dez, e cada um vai receber uma folha como esta – mostrou uma folha com alguns desenhos esquisitos. Não faço idéia do que seja –, onde estão fotos com algumas espécies de plantas. Cinco espécies, pra ser mais exato. Cada grupo vai seguir por uma trilha e procurar por essas plantas. Peguem uma amostra de cada planta e tragam. A equipe que chegar primeiro ganha! – Ganha? Ganha o quê? Uma viagem de volta pra casa? Porque é exatamente isso que eu quero agora. Acho que não vou fazer isso, não. Vou só voltar pro dormitório e- – Ah, cada equipe tem direito de pegar uma sacola como essa. Será o lanche de vocês! – Opa. Meio do mato, aqui vou eu!

–Super divertido. – Thomas comentou com um olhar de peixe-morto. Ele expressou todos os meus sentimentos.

–E NÃO SAIAM DA TRILHA, OUVIRAM? PODE SER EXTREMAMENTE PERIGOSO! – Ezra gritou no megafone. Vou é pegar esse megafone e- Olha! Uma borboleta!

_X_

Já faziam horas que estávamos andando em uma estúpida trilha e ainda não encontramos nada.

Andamos, andamos, andamos...

–Cara, há quantos dias a gente está andando? – Perguntei olhando para o céu enquanto andava ao mesmo tempo. Alerta de perigo!

–Quinze minutos, Emily. – Algum nerd do nosso grupo respondeu. Acho que ele é de outra sala. Epa. Como... Como ele sabe meu nome?

E... COMO ASSIM QUINZE MINUTOS?!

–O quê?! – Exclamei abismada. Eu já não agüentava mais.

–Eu estou com fome! – Anthony resmungou em um Thomas choroso, logo ao meu lado.

Você está com fome? Você? E quanto a mim? Eu estou morrendo aqu- -Fui interrompida pelo barulho do meu estômago. Graças aos céus Lukas está lá na frente e não está nem aí pra mim e Anthony, que estamos atrás de todo mundo.

Lukas está muito empenhado em achar as tais plantinhas; disse que quanto mais rápido acharmos, melhor.

–É, a sua situação está um pouco pior mesmo. – Anthony deu de ombros.

–Ai, Deus. Cadê a comida?! – Perguntei para “o além”. Logo após olhei para o retardado que antes levava a sacola com o nosso lanche. Eu até tentei pedir gentilmente a minha parte adiantado, mas disseram que só comeríamos na hora certa. E tem hora certa pra comer, oras?!

Eu só não tinha tomado a sacola das mãos do retardado porque ele está bem ao lado do Lukas. Não poderia sair por aí batendo nas pessoas e tomando lanches quando o Lukas estava por perto. Merda de ponto fraco!

Aí, tá vendo? Não estou nem raciocinando de tanta fome!

Mas... Espera uma pouco. O retardado estava com a sacola. Não está mais. Cadê o lanche?! Não pode ser! Fomos roubado e eu nem percebi?!

–Anthony, cadê a sacola com o lanche? – Perguntei apavorada.

–Serve aquela ali? – Anthony respondeu com outra pergunta, apontando para as mãos de um certo alguém que levava a sacola e ria ao lado de Gregory. O único problema é que esse certo alguém é o Thomas, que está logo a nossa frente.

–Como essa sacola foi parar na mão desse jumento?

–Ai, Emily. Só sei que eu estou com fome. Você está me entediando! – Anthony murmurou a última parte. Isso é que é amigo de verdade.

–Cala a boca, Anthony. Cala a boca e vá pedir pro Thomas dar a nossa parte do lanche.

–Por que eu e não você? – Ele se voltou para mim, ajeitando os óculos.

–Porque você também está com fome! – Respondi cheia de pose.

–Mas você pode muito bem ir! – Ele retrucou.

–Você também pode! – Rebati.

–Mas não quero!

–Ué, você não estava com fome? – Que garoto confuso!

–Estou, mas eu ainda tenho chocolate! – Se gabou, enfiando a mão no bolso e sacando uma barra do doce. – Só porque estou com fome, não significa que eu vou pedir a minha parte do lanche.

–Que belo amigo você é, Anthony! Está vendo a minha situação, quase morrendo seca aqui, e não me conta logo que tinha chocolate! Eu quero é socar sua cabeça num tronco de árvore! – Falei, bem a tempo de matar um mosquito que tinha pousado no meu nariz.

–Só por isso não vou dividir com você. – Abriu lentamente a embalagem, dando a primeira mordida no doce. Mentiroso! Ele não iria dividir de qualquer maneira mesmo!

–Seu ingrato! Então ao menos vai pedir pro Thomas a minha parte no lanche!

–Por que não vai você? – Falou calmamente, devorando o pobre chocolatinho.

–Porque... Porque... Não interessa pra você. – Me compliquei toda.

Não estou falando com o Thomas e nem vou falar. Prefiro morrer de fome!

–Pois bem, e só por causa disso não vou ir pedir lanche pra você. – A essas alturas ele já estava todo lambuzado de chocolate.

–Mentiroso! Você não iria de qualquer maneira mesmo. – Cruzei os braços e fiz beiço. – Não custa nada. Não custa nada fazer esse favor. – Murmurei e Anthony deu de ombros novamente.

Após alguns segundos em silêncio eu avaliei a situação. Avaliei a situação e pulei no pescoço do Anthony, tentando pegar o chocolate pra mim. Mas tudo que consegui foi uma embalagem suja e vazia sendo esfregada na minha cara enquanto Anthony tentava me tirar de cima dele.

Assim que me afastei dele, peguei a embalagem e fiquei olhando dela pra Anthony e vive-versa.

–Como você comeu tão rápido? – Arregalei os olhos.

–Vários anos de prática. – Ele respondeu, voltando a caminhar junto com os outros que já estavam mais na frente ainda. Ele simplesmente me deixou parada, segurando a embalagem.

É nessas horas que você espera ter uma bazuca e um pedaço de pão, porque-

–Você não vai vir, garota estúpida?

–AAAH! Que susto dos infernos! – Dei um pulo de uns cinqüenta metros. Ô, exagero!

Thomas riu de canto e eu fiquei olhando seriamente pra ele. E ele ficou olhando pra mim. Até que veio outro mosquito e entrou dentro do meu olho.

–Ai! – Tentei desesperadamente fazer com que o mosquito saísse, mas tudo que consegui foi esfregar mais ainda a embalagem do chocolate na minha cara. Ah, também conseguir acertar meu outro olho com o gesso do meu braço “doente”; o outro olho que não tinha nada a ver com a história. Pobres olhinhos!

–Hey! Calma! – Thomas tentou me ajudar, mas eu acertei acidentalmente um tapa na cara dele. Bem feito! Tirei o mosquito sozinha mesmo. Não preciso de ninguém! – Eu sei que está brava, só não imagina que tanto assim pra ficar me batendo. – Thomas massageou o local atingido.

–Se você soubesse o quanto eu te odeio não ficaria aí fa- – Tapei minha boca rapidamente e arregalei meus olhinhos machucados, percebendo que eu estava falando com ele. Burra!

Passei rapidamente e furiosamente por ele.

–Ei, espera aí. Tem chocolate na sua cara. – Ele veio correndo atrás de mim, e eu apressei o passo sem olhar pra trás. – Você não está falando comigo? Você tem que falar comigo, estúpida! Ou como acha que eu vou continuar te ajudando com o Lukas? Você tem que- – Me virei rapidamente para trás, o interrompendo. Só não esperava que ele estivesse tão perto assim. Ficamos praticamente colados um no outro. – Você tem que falar comigo. – Ele sussurrou bem na minha cara. Se fosse o Lukas eu teria desmaiado e estaria tendo convulsões no chão.

Pousei minha mão esquerda, a engessada, lentamente no peito dele. Sem desviar nossos olhares. Minha outra mão escorregou lentamente pelo braço esquerdo dele.

Entreabri a boca pra falar alguma coisa, mas esqueci o que eu queria dizer.

De repente lembrei, e repeti o gesto de entreabrir a boca.

–Estúpida é a senhora sua avó. – Sussurrei lentamente. – E eu falo contigo só quando eu bem entender. – Botei moral! Botei moral e... Lembra da minha mãozinha no braço dele? Então. Não foi à toa. Só fiz isso pra poder... Pegar a sacola com o lanche da mão dele. Peguei e saí correndo! A-há!

Corri um pouco e de repente parei. Olhei para trás e Thomas ainda continuava no mesmo lugar, estático, olhando para o chão. Então ele ergueu o olhar lentamente para mim, que segurava a sacola com a cara suja de chocolate. Ele me olhou tão sinistramente.

E nesse momento eu soube. Eu soube que teria que correr pra caralho!



Notas finais do capítulo

* Essa história de mandar ir tomar no símbolo químico do Cobre foi um amigo meu que disse uma vez. HAUSDHAJSDH'
Se não sabe qual é o símbolo pode pesquisar no Google, eu deixo. /corre'
Bom, bom... Vejo vocês no próximo dia de postagem, (daqui 15 dias... /corremaisalémainda')ou antes, é, se reinar de responder os reviews e meu tempo deixar.
E como sabem, podem me xingar nos reviews.
UmBjo...
&UmQjos. :*
HUAHJAHD'