Caminho do Ninja Amador (nível II): missão 07. Meta 01: pronomes (I): pronomes pessoais - caso reto
Postado por Ana Coelho

Olá, gente! Sou eu, a Ana Coelho, a trazer uma aula novamente!

O assunto do dia são os pronomes: o que são e como se usam corretamente? Vamos focar-nos nos pronomes pessoais do caso reto, explicar o uso errado de “o mesmo” nas frases (como em “O Pedro caiu, mas o mesmo levantou-se depressa.”) e ainda tentar ajudar-te a construir textos claros, evitando ao máximo deixares os leitores confusos.

Por um segundinho, desculpem, mas queria deixar aqui umas notas breves que, na minha opinião, são necessárias e que dizem respeito às 3 aulas sobre os pronomes pessoais:

Daqui em diante, aulas vão obedecer a um calendário de postagem mais fixo, então não haverá demoras como essa última (culpa minha, porque foram as duas aulas feitas por mim com tanto tempo entre elas).

Nestas aulas dos pronomes vai haver uma comparação maior entre português de Portugal com o português do Brasil, porque realmente há bastantes diferenças no seu uso informal nos dois países. A Lady Salieri deu-me uma grande ajuda aqui, então muito obrigada, Sali!

Contei também com a ajuda de muitos dos betas da Liga para entender melhor essas diferenças. Muito obrigada a todos pela paciência ao longo deste período! E queria agradecer especialmente ao Enrique Buendía por me ter explicado as diferenças com uma comparação ótima do informal para o formal no Brasil. Obrigada, Tonton! <3

 
É hora de começarmos!

Nesta missão, e tendo em conta que é a primeira dos pronomes, vamos ultrapassar os seguintes obstáculos:

1.    Primeiro, descobriremos o que é um pronome;
2.    Depois, analisaremos a classe dos pronomes pessoais do caso reto;
3.    Em seguida, explicaremos o seu uso nas frases;
4.   E, para terminar, veremos como podemos usá-los para manter o texto o mais claro possível.

A aula é pequenina, mas vamos analisar os pronomes por partes para não ser cansativo nem demasiado complicado.  Estão prontos? Vamos lá!



Já todos aqui ouvimos falar de pronomes nas aulas de português na escola. Podemos dizer que eles são nossos velhos amigos.

A palavra “pronome” vem do latim “pronomen” e quer dizer “no lugar do nome”. Então, seguindo a lógica do seu significado, fica claro que pronomes serão palavras que substituirão nomes. Simples, não?

Assim, se os pronomes substituírem um nome, eles vão ter de manter na frase o mesmo papel (a mesma função) que o nome original teria. Dessa forma, mesmo que não se use o nome específico de cada coisa, consegue-se entender, pelo sentido da frase e pela função do pronome, qual seria esse nome original que foi substituído pelo pronome. Como podem deduzir, essa substituição ocorre para que, em determinadas situações, os discursos não sejam repetitivos e não percam o seu sentido.

No entanto, apesar de o seu uso e de o seu significado serem assim tão simples, na verdade há diferentes tipos de pronomes dependendo do seu uso e é aí que, normalmente, surgem mais dúvidas… Vamos analisar tudo passo a passo e verão que afinal as coisas são bem simples :) .


Vamos lá começar!

Nestas aulas vamos apresentar-vos apenas uma classe:

Aquilo a que habitualmente nos referimos apenas como “pronomes pessoais” são os chamados “pronomes pessoais retos”. Vamos oficializar tudo com um título digno!

Vejam se não sabem quais são:



Eu adicionei entre parêntesis (ou parênteses, as duas grafias são corretas) outras pessoas que também usam as formas da terceira pessoa do singular (“ela”, que é apenas o feminino de “ele”, e o “você”, que não é uma pessoa, é uma forma de tratamento, mas que também adota as características do “ele”), ou as formas da terceira pessoa do plural (“elas”, o feminino de “eles”, e “vocês”).

As primeiras três, como podem ver, referem-se a uma entidade e, por isso, são pronomes do singular. As segundas três referem-se a mais do que uma entidade e por isso são pronomes do plural. Não há quarta, quinta ou sexta pessoas: há apenas primeira, segunda e terceira do singular, ou primeira, segunda ou terceira do plural.

Vamos partir a tabela ao meio:



A pessoa é a mesma: o “eu” num grupo vira “nós” e o “ele” num grupo vira “eles”. O “tu” entretanto teve o seu parceiro do plural, “vós”, a cair em desuso e já não há uma relação direta entre os dois, exatamente por o “vocês” ser agora mais usado. Contudo, isso é uma exceção.

Assim, temos três pessoas que variam em número (entre singular e plural). Isso é mencionado a toda a hora nas aulas de português na escola, provavelmente não é matéria nova para ninguém, mas era necessário falar dela porque é assim que a maioria dos pronomes pessoais são identificados.



Então quando é que nós usamos estes pronomes? Por exemplo, eu acabei de usar o “nós”. E usei o “eu” logo a seguir.

Eles estão constantemente a ser usados por toda a gente e são estes pronomes que identificam as entidades de quem ou com quem falamos.

Sem os pronomes, seria impossível fazermos referências, e ninguém conseguiria saber de quem é que estaríamos a falar.





Os pronomes pessoais do caso reto são usados sempre que a pessoa da frase exerce a função de sujeito. Isto quer dizer que sempre que a pessoa da frase pratica uma ação, ela será sujeito e terá de ser usado um destes pronomes.

Vejamos alguns exemplos sem pronomes:



Quem são os sujeitos?

- O Pedro.
- O João e a Joana.

Vamos então substituí-los na frase por pronomes.


Bem simples, não é? :D

Vejamos agora uma frase mais comprida:



Vamos substituir os sujeitos:



A Maria — uma entidade/ uma pessoa no feminino — terceira pessoa do singular do feminino: ela.
O Pedro — uma entidade/ uma pessoa no masculino — terceira pessoa do singular no masculino: ele.
Os irmãos da Rita — várias entidades/ várias pessoas — terceira pessoa do plural no masculino: eles.
Os carros — várias entidades/ várias pessoas — terceira pessoa do plural no masculino: eles.

Como podem ver, quantas entidades praticam a ação e o género dessas entidades importam muito, já que isso vai ditar que tipo de pronome se usa. E reparem que eu prefiro usar a palavra “entidade”, já que nem só seres humanos (pessoas) podem praticar ações. Ali em cima foram “carros” que buzinaram, certo?

E agora vamos falar daquele pormenor de “o mesmo”!

Peguemos num bocadinho da frase inicial:


E vamos usar “os mesmos” nessa frase, como é comum ser usado:



Vamos lá voltar atrás e analisar as palavras que podem ser usadas para substituir os sujeitos na frase:



Veem aí “os mesmos”? Não. E não estão aí porque “os mesmos” não é um pronome pessoal do caso reto. E, não sendo, não pode ser usado para substituir o sujeito da frase.

“Os mesmos” são pronomes, sim, mas pronomes de outro tipo e o seu uso nestes casos é errado.
“Os mesmos”, “o mesmo”, “a mesma” e “as mesmas” são pronomes demonstrativos. Falaremos melhor deles noutras aulas, mas, para já, queria que ficasse claro que essa construção com “o mesmo” no lugar do sujeito deve ser evitada, sim?



Além de sujeito, os pronomes pessoais do caso reto também podem aparecer quando, na frase, uma pessoa tem a função de “predicativo do sujeito”.

Esse nome complicado é dado àquilo que vem sempre junto de um “verbo copulativo”.
E esse segundo nome complicado é, na verdade, uma coisa muito, muito simples! Vamos lá ver o que é?

Então, esses verbos são aqueles que falam daquilo que as coisas são, do “estado das coisas”.
Se eu disser “Ele é alto”, vocês sabem que há uma pessoa que tem a característica de ser alto. Se eu disser “ele era alto”, vocês sabem que há uma pessoa que teve como adquirida a característica de ser alta, apesar de agora já não a ter.

Se eu disser “Ele transformou-se num gato”, vocês sabem que há uma pessoa que não era um gato mas que agora faz “miau” e tem bigodes. Ou que é apenas muito lindo.

Se eu disser “Ele ficou um gato”, a mesma coisa. Vocês sabem que antes não era gato, mas agora é.
Nesses exemplos, falamos sempre do “estado” das coisas, das características que definem as coisas. Os verbos copulativos são os verbos que conseguem exprimir essas características das coisas, ou que conseguem mudá-las.

São verbos como ser, ficar, transformar-se, continuar, parecer, permanecer, sempre aplicados às características de alguma coisa.



Todos estes verbos falam das características das coisas. E, quando uma entidade é a característica de alguma coisa, usamos pronomes pessoais do caso reto.

Vejam os próximos exemplos:



Como veem, nestes casos também se usam pronomes do caso reto.

Só não se usam pronomes de caso reto com nenhum verbo que seja intransitivo (verbos que têm preposições a acompanhá-los, como “transformar-se em”, por exemplo.) Vocês lembram-se desses verbos? Se não, leiam a aula anterior, eu explico lá de forma bem simples o que é a "transitividade verbal" :) .

Os verbos copulativos são apenas esses que unem as características às coisas que são caracterizadas, e esta parte pequenina era só para vocês nunca estranharem frases com esse tipo de construção. Estão corretas, sim :) ? E os pronomes estão bem usados.



Voltemos agora ao uso dos pronomes como sujeito, que é a forma como são usados 99% das vezes!

Vamos ver mais uma frase, pode ser?


Oi? Estou a falar de quem, afinal? Quem é esse “ele” que é alto?

Imaginem que chegam atrasados para um encontro com os vossos amigos. Chegam e alguém está a contar uma história, já a meio:

“… e ela correu, e correu e chegou a casa e percebeu que tinha sido tudo uma mentira.”

O que é que vocês iriam perguntar? Ah, pois é…


Vocês perguntariam isso porque só “ela” não diz nada sobre quem é a pessoa e vocês não conseguem entender de quem é que o vosso amigo estaria a falar.

Claro que se ele disser “é a porteira do meu prédio, tu não a conheces” vocês continuam sem saber exatamente quem é, mas já conseguem ter uma ideia de quem é a entidade/ a pessoa de quem ele estava a falar. Assim já conseguem entender o que ele quer dizer.

Depois disso já podem perguntar “E ela estava a correr por qual motivo? E a mentira dizia o quê? O que foi que aconteceu?”, mas isso viria sempre depois de perguntarem “Quem?”

Assim, os pronomes só conseguem ser claros quando nós sabemos qual é a pessoa que eles estão a substituir, mesmo que não a conheçamos pessoalmente, ou mesmo se nem soubermos mais nada a não ser o seu nome.

Isto traz-nos então à regra mais importante do uso dos pronomes:


O nome pode vir antes, ou mesmo a seguir por razões de estilo, mas se não dissermos ou dermos a entender qual é o nome que o pronome deve substituir, as chances de o leitor entender claramente a nossa história reduzem-se bastante.

Lembrem-se de sempre substituírem os pronomes pelo nome ocasionalmente, para que os vossos leitores não se percam.

Vamos voltar a ver um exemplo anterior, e vamos ver uma situação em que isso é bem notável:


Ainda se lembram dos nomes que foram substituídos? O mais provável é que não. E, assim, muito provavelmente, todas estas frases devem ter ficado confusas agora.

É isso que acontece quando o nome que está a ser substituído pelo pronome não fica claro. Devem tentar sempre manter o pronome próximo do nome para evitar confundir os leitores.

Se o pronome for igual para dois nomes, voltem a repetir os nomes sempre que necessário. Vejamos outro caso em que os pronomes ficaram confusos:


Neste exemplo, apesar de termos identificado claramente quem são as duas pessoas, depois não se consegue perceber quem é que vai embora de metro e quem vai de mota, e podemos até ter alguma dificuldade para entender quem agradece a quem.

Vejamos agora a mesma frase, mas em que os nomes voltaram a ser usados ocasionalmente para tornar o texto mais claro:


Agora já está bem fácil de se entender quem faz o quê, certo? Tentem reler os vossos textos e, quando acharem que algo pode ficar confuso, adicionem mais nomes perto dos vossos pronomes, para que ninguém fique sem saber o que cada personagem faz.

E aproveitem e usem e abusem dos pronomes e dos nomes próprios dos personagens, já que a função deles é realmente serem usados e abusados pelos falantes. Misturem-nos, usem ambos sem reservas, e assim o texto não fica nem repetitivo nem confuso!

Agora, recapitulando:



E é isso!

Espero que tenham gostado da aula, e espero ter sanado as vossas dúvidas!

Nas aulas seguintes, continuaremos a falar sobre pronomes pessoais, mas de diferentes tipos. Espero que nos acompanhem!



Comentários

Santicks

19/07/2015 às 13:04

Estou esperando ansiosamente o andamento das próximas aulas. Sim, é algo que vem me auxiliando muito, ou seja, a cada publicação, torno-me mais ''intimo'' em relação a escrita. Enfim, muito obrigado por essa aula.



05/06/2015 às 02:02

adorei a aula



sakurita1544

10/05/2015 às 00:27

Adorei simplesmente adorei essa explicaçao porque me ajudou muito bjs



Untitled blender

08/05/2015 às 22:24

bwahahahahaha!!!!!!

adeus, erros com pronomes!!!

eu costumava me confundir com eles e com as vírgulas, mas meu português sempre foi instintivo, e por isso os únicos erros que o word tem que consertar são os esbarrões que acabo dando em outras letras ao digitar muito rápido...

então eu sou um mestre ninja e não sabia!!!

avante, jedis do português!!!

apesar de que, como eu escrevo certo sem pensar, movido à emoção, eu provavelmente estou no "lado negro da força"



03/05/2015 às 19:23

Adorei a aula! Os exemplos sempre ajudam muito a fixar a explicacao.