Consequências - Fred E Hermione

Autor(es): penelope_bloom


Sinopse

Eu tinha feito minhas escolhas, e eu agora tinha que parar de viver com medo. Eram escolhas que iriam me assombrar pelo resto da vida, mas suas consequências estavam ali, agora, eu tinha que lidar com isso e apenas eu poderia impedir que tudo virasse um caos. Mais do que já estava.

Voldemort tirou de mim a pessoa que eu mais amei na minha vida. Ele matou um pedaço de mim e eu nunca vou perdoá-lo por isso.

- Voldemort vai pagar. - a raiva em minha voz era palpável. - Eu não tenho medo desse nome, não mais. Mas eu acharia sábio da parte dele aprender a temer o meu.

Ele morreria.

E seria pelas minhas mãos.


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-Continuação da Fanfic ESCOLHAS.


Notas da história
ANTIGA 'ASSOMBRADA'

Pois é gente mudei o nome e a Capa, eu começei a dar pra trás no final que eu tinha planejado e fiquei enrolando e virou uma novela mexicana, então eu dei essa repaginada e voltei mais pro meu estilo "Escolhas" e não: EU NAO ABANDONEI A FIC NEM NUNCA VOU ABANDONAR!

Certo, essa é a continuação da fic Escolhas, se alguém quiser (e tiver coragem) de ler ela para se contextualizar melhor: https://www.fanfiction.com.br/historia/159992/Escolhas_-_Fred_e_Hermione

Aos antigos leitores de escolhas, BEM VINDOS DE VOLTA, a casa é de vocês, sintam-se a vontade e já conhecem o esquema.

Aos novos leitores, desejo as BOAS VINDAS, não exijo reviews, nem recomendações, por que quem me conhece sabe que, antes de mais nada escrevo pra mim, mas adoro quando me dão idéias loucas e etc...

É isso...

Aproveitem :)

Índice

(Cap. 1) Maid-sama.
(Cap. 2) ...Bad Lucky...
(Cap. 3) ~ Pace ~
(Cap. 4) Worse than Sushi :6
(Cap. 5) Amor fino, amor barroco.
(Cap. 6) Teatcher'
(Cap. 7) Summer Day. The Least one.
(Cap. 8) ~ Buonanotte ~
(Cap. 9) Safe and sound
(Cap. 10) Heart is a Mess!
(Cap. 11) Misery.
(Cap. 12) Mama
(Cap. 13) Some nigths
(Cap. 14) On the edge
(Cap. 15) Reunião de Rapazes
(Cap. 16) Paranoid ~~
(Cap. 17) Burning Up
(Cap. 18) Love and sex and magic.
(Cap. 19) Um só.
(Cap. 20) Family Portrait
(Cap. 21) A virada
(Cap. 22) Marshmallows
(Cap. 23) In Vrede – Esteja em Paz
(Cap. 24) No ninho da Cobra
(Cap. 25) Moonlight Sonata
(Cap. 26) Special Day
(Cap. 27) Os três.
(Cap. 28) It's. Not. Okay!
(Cap. 29) Cobras, Músicos e Massagens Suecas.
(Cap. 30) Encaminhamentos


(Cap. 1) Maid-sama.

Notas do capítulo
*Jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
OHAYOO
Bom, primeiro capítulo, não sei se está ficando bom... eu detesto escrever primeiro capítulos... Nhé... Enfim, aproveitem ^~^

UM:

Ah...

É isso mesmo, começo minha narrativa com um suspiro... Agora imaginem não apenas um suspiro, mas um longo, cansado, exaurido, fatigado. Mas esperançoso. Sim, a situação não é das melhores, mas ainda não desisti.

Acrescente também nesse suspiro uma enorme carga de culpa. Por minha culpa, eu reacendi uma guerra que deveria estar terminada há meses.

Por causa do meu egoísmo... Por desespero... Por amor...

“Amor uma ova! Você é uma egoistazinha miserável!”

ARGH! Aos que ainda não tiveram o prazer de conhecer, apresento-lhes minha Consciência. Insuportável, chata, persistente e mesquinha.

“Mas eu sempre digo a verdade” ela me interrompeu

“Uma verdade distorcida para que eu me sinta mal, e me jogue de uma ponte!” Rebati-a mentalmente.

Bem, como eu dizia antes de ser interrompida, eu tomei algumas decisões que não sei se foram as melhores, contudo, não me arrependo de nenhuma delas. No meu sexto ano, eu era apaixonada por Rony... E sofria muito por isso... Em certa ocasião, o irmão dele, Fred Weasley me convidou para ir ao baile com ele, e a partir daí tudo ficou confuso... Como se a minha vida fosse um livro e de repente, alguém simplesmente arrancasse as páginas e começasse a escrever um novo rumo, aleatório e indisciplinado.

Em determinado ponto, comecei a sair com ele. Não algo banal, acredite quem quiser ele me deu uma biblioteca-casa, sempre do meu lado, nunca tentou me domesticar... Claro, ele sabia ser chato, irritante e perfeitinho... Mas eu o amava. Muito. Embora eu não seja boa nesses quesitos sentimentais e melosos.

Na metade do sexto ano, Trelawney me parou no meio das escadas e recitou uma profecia. Não entendi sobre o que se tratava, nem sei se é legítima ou não...

Uma escolha deve ser feita. Entre dois amores, entre dois inocentes. Entre os de sangue por ele considerado sujo, a última treva será plantada. A última parte deverá ser expurgada para que a história não se repita. A escolha feita com o coração alterará os rumos naturais, mas mesmo assim alguém que se ama lhe será tirado. Uma vida pela outra, a morte não parte de mãos vazias.”

Ah... Sobre essa escolha, deixe-me esclarecer... No dia da batalha original, tudo acabou bem, Voldemort e os comensais caíram, contudo, Fred havia morrido. Eu estava prestes a me matar também, havia me transformado em um pedaço desconfigurado de lama e matéria orgânica em decomposição, quando tive um delírio/sonho/encontro onde descobri que estava grávida (longa história) e que no fim minha escolha seria entre a vida de Fred, ou a vida de meu filho.

Por algum motivo, Dumbledore antes de morrer teve algum tipo de visão, e deixou para mim um vira-tempo, que eu então usei para voltar no tempo, e salvar Fred. Decidi me rebelar e não escolher entre meu filho e Fred, decidi lutar pelos dois.

“Mi-mi-mi ninguém quer saber sobre o seu drama”

“Calma, Consciência! Um pouco mais de paciência, já estou acabando o blá-blá-blá de introdução...”

Sim... Voltei no passado, e salvei Fred... Acabei salvando também Lilá, Creevey, Remo e Tonks. Depois fiquei por saber que por mais que tenha salvado esses poucos, o número de mortos do nosso lado, aumentou em 20. Um grupo com 13 crianças da Corvinal, que estavam escondidas no dormitório foi encontrado pelos irmãos Carrows. Todos massacrados e seus corpos pendurados pelos salões comunais das quatro casas. Como disse, a culpa me corroia horrivelmente e me assombrava noite e dia. E mais, depois de Harry se sacrificar e deixar de ser uma Horcrux, Voldemort ia o matar, mas eu me lancei na frente do feitiço e como Harry tinha dado sua vida para me proteger naquela noite, quando foi ao encontro de Voldemort na floresta negra, ele criou uma barreira ao eu redor. A mesma que a mãe dele havia criado sobre ele. O feitiço ricocheteou, e Harry está vivo.

Não sei o que aconteceu com Voldemort, mas muitos comensais escaparam.

– HERMIONE, COLOQUE ESSE QUADRO MAIS PARA A DIREITA! – Ao longe a professora Sprout gritou.

Eu estava me equilibrando em uma escada gigantesca e dando os últimos retoques nas paredes, finalizando com uma pintura em homenagem aos nossos mais recentes e brilhantes diretores: Alvo Dumbledore, Severo Snape e Minerva McGonagall.

– AQUI ESTÁ BOM? – Berrei de volta, tentando não pensar muito na altura em que me encontrava.

Energia potencial gravitacional, massa multiplicado pela altura e vezes a aceleração da gravidade, eu devo estar a uns sete metros, vezes cinquenta... Sobe aqui, soma lá, 3500 N... Uma torção no pescoço, adeus futuro e olá paletó de madeira, esquife agourento (vulgo caixão).

A propósito, detesto altura.

– Sim, sim... Agora me ajude a instalar as ampulhetas dos pontos das casas! – Minerva disse passando por baixo da escada que eu estava.

Ninguém sabia que eu estava grávida, somente Fred e Draco.

Draco, outra longa história... Resumindo: ele é do bem e namora a Luna.

E quanto a essa movimentação toda: Hogwarts foi destruída, e a reconstrução vai levar tempo. Para que não percamos aula, foi feito um remanejamento, e agora temos aulas em um prédio da Londres trouxa, do lado do caldeirão furado, perto de onde eu costumava passear nas minhas férias. Estamos dando os retoques finais, e amanhã começam as aulas.

– Hermione, diz que você não está trepada em uma escada a sete metros do chão, por favor... – Draco parou em baixo da escada com a mão na testa.

Segurei mais firme na escada ao olhar para baixo, tão firmemente que deixei o nó de meus dedos branco.

– Eu não estou trepada em uma escada a sete metros do chão... – disse com um sorriso amarelo

– Desce daí agora sua infeliz... – ele disse simplesmente.

Comecei a descer, agradecida por me sentir cada vez mais perto do chão.

– Que vergonha Hermione... Você pulou de um dragão em pleno voo, mas tem medo de uma escada? – Rony passou ao meu lado carregando uma pilha de livros.

– Para de encher ela Rony! – Lilá passou logo em seguida, apertando sua bochecha e arrastando-o para longe.

Toquei o chão e Draco começou a me examinar, e me metralhar de perguntas, indagando meu estado físico.

– Draco maldito, para de fazer cena, eu estou recém com dois meses... Não é como se eu tivesse câncer... – eu disse puxando-o pelo braço. – onde está Fred?

– Tudo bem, é nisso que dá tentar ser cuidadoso com alguém, só se recebe patada! Aposto que se fosse o Harry você ia deixar ele cuidar de você e...

– Draco, pelas cuecas listradas de Merlin, parece que a grávida é você! – eu disse revirando os olhos – cadê o Fred?

Mimimi... Cadê o Fred? – Draco fez uma imitação melosa de minha voz, piscando os cílios – Aquela cenoura ambulante foi para a loja e disse que não voltava mais hoje.

– Certo... Você acaba para mim, eu vou para casa, ainda tenho que arrumar meu material para amanhã.

Sim, eu já tinha 18 anos, mais ainda não tinha completado os NIEMs então completaria o ano letivo para poder me formar. Muitos na verdade fariam isso, afinal, todos saíram prejudicados com essa guerra em época de provas. E eu tinha deixado o colégio no sexto ano, mas minerva consentiu que eu fizesse um período de seis meses letivos e me formasse antes.

Despedi-me de todos ali, e dei os retoques finais no que seria o dormitório feminino. Como o prédio não era grande como Hogwarts, haveria apenas um dormitório feminino para todas as casas. Coloquei meu cachecol vermelho e dourado e saí para o inverno Londrino. Do lado de fora do prédio professor Flitwick ainda trabalhava nos feitiços para que os trouxas não notassem o prédio.

Andei pelas ruas movimentadas da grande cidade até a cafeteria-biblioteca da Cleveland Street, no centro da cidade, no bairro Fitzrovia. Os prédios antigos apresentava um cenário Oscar Wilde, trouxas passavam por ali, apressados, atarefados, sequer parando para reparar na neblina londrina mais tensa que o comum. Não era a simples neblina retratada nos contos de Sherlock Holmes, ou nos filmes das criaturas da noite que se esgueiravam pelas ruas úmidas e turvas. Era uma Neblina densa, e carregada de agouros. Aquilo não era normal.

– Oi Mione! – Lena me recebeu com um sorriso de orelha à orelha.

– Oi Lena... pode ir que eu assumo daqui.

– Valeu Mi, prometo que eu te retribuo depois.

Lena era minha colega de trabalho. Sim. Eu estava definitivamente falida, minhas economias tinham ido pelo ralo, e eu precisei começar a trabalhar. Onde? Em uma biblioteca-café que eu costumava frequentar.

Eu trabalhava como garçonete e organizando a livraria, dando pequenas consultorias, atendendo cliente, fazendo entregas... Sim, foi conveniente uma sabe-tudo como eu arrumar um emprego em uma biblioteca.

– Mione, Oi... Aproveita que não tá fazendo nada e veja se nós temos O Principe Feliz... – Ian disse me chamou do mezanino, lindo felino como sempre.

Ian Feline. Irmão gêmeo de Cameron Feline. Os irmãos Feline são a encarnação da beleza. Cabelos negros e sedosos e olhos verdes cintilantes. Cameron é uma desequilibrada que acabou por se tornar uma comensal da morte, matou a namorada de Ian na frente dele, Liza Spicy, tem um amor meio doentio, possessivo e patológico pelo irmão. Ah, ela foi a primeira paixão do Fred, e parece que criou um ódio doentio por mim também. Ian é uma pessoa maravilhosa, mas está determinado a vingar Liza e matar sua irmã. É complicado.

Subi as escadas correndo com o livro em mãos.

– Aqui. – eu disse sorrindo amplamente, cumprimentando o cliente que Ian estava atendendo.

Ah, você já deve ter deduzido que Ian é meu colega...

– Obrigado Mione... Você fica na cafeteria hoje?

– Sim. – respondi-lhe sorridente.

Ajeitei o avental na minha cintura. O uniforme era semelhante aos das Maids japonesas. Não, nada indecente com cinta liga, nem babados. Apenas tinha que usar aquela tiara engraçada, Um vestido preto com detalhes brancos que ia até o joelho, tudo muito comportada, e muito tradicional. Mesmo que não fossemos Maids de verdade, mas a Livraria era point de encontro de otakus e otomes (esse povo todo que lê mangás, assistem animes, gamers, fazem clospay e amam a cultura japonesa). Era um trabalho puxado, mas o salário era bom e eu além de gostar do que fazia, podia ler no tempo livre.

– Você bem que podia falar com ele né... Passar uns toques... – Lígia, uma garota loirinha fofinha patricinha queridinha que trabalhava comigo disse se debruçando ao meu lado.

– Hein? – disse distraída preparando um chocolate quente, um capuccino, esquentando um pão de queijo e monitorando uma criança que estava lambuzada de chocolate e ia para cada vez mais perto da sessão de livros de medicina.

– Ian... Você podia...

– Aham, tira o pão de queijo e leva na 08... Hey, pequeno! – eu disse saindo detrás do balcão, deixando o capuccino na mesa 03, e entregando o chocolate quente na 05, corri até o pequeno garoto moreno e toquei levemente seu ombro. – Er... É melhor você não mexer nesses livros...

Ele me analisou de cima a baixo e empinou seu nariz.

– Esses livros nem são legais... – eu disse sorrindo – mas se você for lavar suas mãos eu te mostro a sessão de gibis que agente tem. – eu disse abrindo um sorriso meio desajeitado.

O garoto novamente me analisou dessa vez sorrindo. Eu continuei a atender as mesas, enquanto o garoto corria até o banheiro para lavar as mãos. Ele voltou rapidamente e eu o mostrei a sessão de gibis/mangás/HQs que ficavam no fim do primeiro andar.

– Você leva jeito com crianças... – Ian disse repentinamente aparecendo ao meu lado, fazendo com que eu quase derrubasse a bandeja com canecas e pratos.

– AH! Seu maldito silencioso... Faça um pouco mais de ruído quando for se aproximar das pessoas... – disse-lhe reequilibrando as canecas.

– Certo, certo... Quer que eu te leve para a loja hoje? – ele disse descontraído.

– Não, vou direto pra casa... Se passar por lá e vir Fred, avise-o...

– Sim senhora... – ele disse batendo continência.

– Ao trabalho marujo. – eu disse contornando-o e indo rumo à cozinha interna.

– Sim capitã. – ele seguiu caminho oposto, indo atender à um grupo de garotas que passara a frequentar o local depois de serem atendidas por Ian... Ele era ótimo para os negócios com certeza.

O resto da tarde se passou, Lena voltou e tomou meu turno da noite.

Andei até um beco na Mortimer Street onde pude Desaparatar para casa.

Parei em frente a porta antiga de madeira, da nossa casa. O jardim estava belíssimo, ainda coberto de neve, com as janelas de vidro, os traçados meio irlandeses, o tapete felpudo de boas vindas. A vila no final da estrada com traçados quase feudais. Eram os limites de Londres, onde a cidade urbana morria e o cenário se tornava rural.

Abri a porta e tirei os sapatos. Tranquei-a e adentrei a casa que estava quente e aconchegante. Na sala o videogame estava ligado, o computador jogado em um canto, a mesa por tirar. A sala tinha as paredes azuis, eu e Fred havíamos pintado, e inúmeras prateleiras, que cada vez mais se abarrotavam de livros. Era a minha biblioteca particular. Minha e de Fred, ele também tinha seus inúmeros livros de física trouxa. Fui até a cozinha e preparei um chocolate quente, a cozinha simpática com móveis de madeira azul estava organizada. Peguei o computador, a bebida fumegante e subia pelas escadas ruidosas até o andar de cima.

Acabei de organizar meu material, e guardei os inúmeros livros que estivera estudando pela manhã. Me ajeitei na cama e observei o vento soprar voraz do lado de fora, Bichano acomodado na janela, também observava com interesse as folhas voarem do lado de fora. Comecei a assistir Anime (sim, eu sei, bem maduro) e bebericar meu chocolate.

– Sebastian seu maldito, pare de brincadeira e mostre à esse filhote de bicho de goiaba quem é você! – eu disse irritada, empolgada e envolvida com o anime.

– Kuroshitsuji? – uma voz brotou na porta, fazendo com que eu quase virasse o chocolate quente (MUITO QUENTE) em mim.

– Fred seu maldito, quase me mata do coração!

Ele apenas deu risada. Pausei o episódio e coloquei o computador de lado. Fred felinamente tirou seu cachecol azul, e tirou o moletom, ficando apenas com um suéter verde e sua calça preta.

– Já chegou na parte do labirinto? – ele disse se jogando ao meu lado na cama, tirando a caneca da minha mão e bebericando meu chocolate.

– Sim, o Alois já tá no corpo do Ciel... Eu deixei tomar meu chocolate? – eu disse fingindo irritação.

– Mimimi, deixei tomar meu chocolate... – ele deu outro gole e colocou a xícara sobre o criado mudo.

– Você está andando demais com o Draco pro meu gosto... – murmurei de esguelha.

– Não estou não... Esse é o meu estilo, aquela doninha que me plagiou – ele disse enlaçando minha cintura e me puxando até que eu ficasse debruçada sobre seu peito. – como foi seu dia? E o meu filho?

– Meu dia foi cansativo, mas finalmente acabamos os preparativos para a Hogwarts temporária. E quanto ao seu filho eu não sei... Ele não faz absolutamente nada, nem parece que eu estou grávida...

– Mas você está, quando o médico tirou aquela adaga do seu diafragma (presentinho de Bellatrix Lestrange) ele teve que fazer o exame, e o exame deu positivo...

Comecei então a rir, bagunçando seus cabelos e revirando os olhos.

– Eu sei disso... E eu não podia estar mais feliz...

Ele então me olhou daquele jeito estranho dele, com um sorriso fraco e um olhar intenso, como se ele quisesse memorizar cada milímetro do meu rosto... Aquele olhar que fazia meu rosto queimar em vergonha.

Ele então, para me deixar mais vermelha ainda beijou meu pescoço, desencadeando calafrios, borboletas no estômago, tremedeira, vermelhidão, nervosismo taquicardia e falta de ar.

– Você é tão fofa assim... Parece essas meninas delicadas de Animes... – ele sussurrou contra meu ouvido.

– S-seu Físico tarado... Fofa é uma pinoia, você não tirou a mesa né seu lazarento? Você vai ver só, eu vou me tornar violenta e vão criar uma delegacia do homem com o seu nome, de tanto que você vai apanhar – rebati mergulhando meu rosto na curva de seu pescoço, sentindo o cheiro almiscarado de maçã que ele tinha.

– Analista irritadinha... E quem vai me bater? Você e mais quem?

– Eu e meus músculos...

– Você e seus 47 quilos de osso? – ele levantou a sobrancelha.

– AAAH, EU ENGORDEI OK? TO COM 50KG!

– Mentirosaaa... – ele cantarolou.

– E você ai ta falando de quem, hein sua lobriga ruiva? – eu fiquei mais vermelha ainda.

– Você está andando demais com o Draco pro meu gosto... – ele me olhou de esguelha.

– Não estou não... Esse é o meu estilo, aquela doninha que me plagiou – eu imitei sua voz e fiz uma cara de mau.

– Essa não é minha voz! – ele protestou. – minha voz é muito mais sensual, sua magricela Energúmena!

– Eu já disse que engordei sua lombriga Neandertal!

– Ah não! – ele disse se levantando e ficando por cima de mim, apertando minha barriga e assoprando meu pescoço, fazendo-me chorar de cócegas.

– Retire o que disse! – ele dizia rindo também, observando eu me contorcer na cama.

– Jamais! – consegui gritar em meio as risadas.

Ele passou a beijar meu pescoço, ainda me fazendo cócegas, e eu era preenchida por um misto de desespero, felicidade e excitação.

***

Era tarde da noite, e eu ouvia a respiração profunda e melodiosa de Fred ao meu lado. As corujas soavam do lado de fora, o mais denso breu se instalava em meu quarto e eu sentia o calor de Fred ao meu lado, atirado de bruços com as costas expostas ao frio da noite, os ombros rijos, peito largo; não de um modelo espartano, mas do jeito de um garoto de 20 anos, ainda meio desajeitado, engraçado e seu todo provocador.

Isso seria perfeito, se eu não tivesse essa sombra grudada em mim. Mal fechei os olhos e as imagens de todos os mortos inundaram minha mente. E isso acarretava uma corrente de más lembranças, que me faziam encolher diante do escuro do quarto, com um medo anormal, e uma fobia me atingir.

Uma escolha deve ser feita. Entre dois amores, entre dois inocentes. Entre os de sangue por ele considerado sujo, a última treva será plantada. A última parte deverá ser expurgada para que a história não se repita. A escolha feita com o coração alterará os rumos naturais, mas mesmo assim alguém que se ama lhe será tirado. Uma vida pela outra, a morte não parte de mãos vazias.”

O rosto ofídico invadia minha mente quando eu fechava os olhos, e eu lembrava das torturas de quando eu, Harry e Rony fomos capturados e presos na mansão Malfoy. A tortura de ter tudo retorcido, feridas que não existiam exalavam pus e insetos, cortes profundos e imaginários deixavam a mostra a gordura de uma mão fétida, e eu me começava a me decompor em vida.

As escolhas do meu passado me assombravam, agora mais do que nunca.

Abri os olhos ofegantes, e procurei pelo quarto qualquer indício de delírio ou de um certo ser vil e atroz, de olhos sanguinolentos e rosto serpentiforme. Nada. Minha respiração irregular. Eu engolia em seco, escutando a razão, e controlando meu medo idiota.

– Está tudo bem... – Fred sussurrou, passando os braços ao meu redor, e me aconchegando enquanto murmurava alguma coisa tranquilizadora.

– Boa noite Físico. – disse agora calma como uma ovelha.

– Boa noite Analista. – ele respondeu me fechando em seu casulo aconchegante e carinhoso.

Notas finais do capítulo
TCHANS!
Então, por hoje é só pessoal ")
Jay Ne
"Malfeitofeito"




(Cap. 2) ...Bad Lucky...

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
AWN MAS VOCÊS SÃO UMAS LINDAS MESMO... CARA, primeiro cap e já estamso em 73 leitores, 33 comentários e uma recomendação linda da fofa da Bella Weasley *u*
*atrasa anos pra postar esta bosta, e fica ai se fazendo de idiota.... mas é muita cara de pau mesmo*
eu sei que demorei, mas tudo na minha vida tá uma bagunça, escola, trabalho, vestibular, mãe, mas não importa porque sempre que eu venho aqui, tudo fica bem, não sei como agradecer você...
*não demorando eras para postar quem sabe...*
*cala a boca, não estraga o momento*
2º queria dedicar esse capítulo especialmente para a Roli cruz, A DOIDA QUE IMPRIMIU A CAPA DE ESCOLHAS E ESTÁ FAZENDO A FIC ENCADERNADA... MANUSCRITA!!! Hj quando eu vi as fts que ela me mandou, comecei a chorar na moral, vocês não sabem como vocês melhoram meu dia.
Bom, eu retardada tinha escrito antes mais coisa, mas sem querer deletei o cap e minha inspiração inicial foi para as cucuias... ¬¬''
(sim, não se surpreendam se eu começar a relinchar...)
ps: tem personagem novo... prometo tentar não matar eles :s
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Bom, aproveitem ^^


DOIS:


Quando se mora sozinho, é complicado arrumar energia para arrumar as coisas, ou cozinhar, ou acordar cedo. Por mais que eu morasse com Fred, eventualmente a casa virava uma bagunça e batia aquele desânimo só de pensar em ter que arrumar tudo aquilo. Acordar cedo então? Argh... Levantar às 4:45 da madrugada? ARGH!

– Você é a Maid daqui, você deveria arrumar as coisas... – Fred murmurava deitado na cama, coberto apenas com os edredons, com o braço jogado no rosto, falando e bocejando ao mesmo tempo.

– Aquilo não é uniforme de Maid! – protestei sentindo o rosto esquentar. – só é meio parecido... E mesmo que fosse, eu só sou ‘Maid’ na cafeteria. - destaquei as aspas.

– Mas você é a mulher, você deveria fazer esse tipo de coisa... Você tem o tato para essas coisas do lar.

Espremi meus olhos.

– Eu vou fingir que não ouvi isso... Eu passei meses viajando com dois garotos, meses sem encarar um chuveiro, a garota mais durona que o mundo bruxo já viu, entrei em uma guerra, sobrevivi à maldição da morte e você me solta uma asneira dessas? Realmente?

Ele começou a rir.

– Não ria de mim... – eu disse mais irritada.

– Eu amo como você se irrita facilmente... Você fica vermelha... – ele se debruçou sobre mim. – eu estou brincando... Você é a General do Potter, acha que eu ia me arriscar de fazer um comentário machista perto de você?

– É, eu sei que não... Você é minha vadia... – eu puxei um sorriso ladino e fiz meu melhor sotaque de cafetão.

– Completamente. – ele acenou com a cabeça. – menos quando você fica vermelha como uma garotinha.

– Cala a boca que eu sou mais macho que você. – eu disse erguendo as sobrancelhas.

Ele então se remexeu na cama, apoiando os braços ao lado da minha cabeça, me enjaulando com seu corpo. Olhou-me intensamente e arqueou uma sobrancelha, divertido, exalando dominância e abrindo um sorriso gatuno. Completamente Seme.

Tentei manter o olhar firme, mas o corpo dele estava muito perto do meu e não me permitia pensar direito. Ele então começou a trilhar uma série de beijos pelo meu ombro.

– Ainda sou sua vadia, General? – ele murmurou com uma voz rouca e desnecessariamente sensual.

Empurrei o ruivo com toda força que consegui, arranquei o lençol da cama e me embrulhei nele.

– Boa tentativa Fred. – eu disse rindo, em pé na porta do quarto. – Mas eu não posso me atrasar para o primeiro dia de aulas...

Ele bufou e enfiou a cara no travesseiro.

– Você é má Granger... – ele disse com o rosto contra o travesseiro.

Ri e busquei minhas roupas no armário. Tomei banho, tive que expulsar Fred que apareceu no meio do meu banho, preparei o café da manhã e Fred arrumou a sala (tiramos no pedra, papel, tesoura, ele perdeu), fiz omelete, suco de laranja, torrada com geleia. Comemos com calma, com tempo para lavar a louça e alguns minutos de “empolgação” na cozinha. Desaparatamos juntos para o caldeirão furado.

– Passa na loja depois da aula hoje? – ele disse entregando-me minha mochila.

Suspirei.

– Não posso Fred, às 16:00 eu começo na Livraria.

Ele resmungou. Achava que eu não precisava trabalhar e que era muita coisa, até para mim.

– Você estuda feito uma condenada para os NIEMs, é monitora Chefe e Geral do colégio, trabalha meio período em uma Biblioteca-café, e ainda é General do Potter, estrategista da Ordem e ainda faz um café da manhã maravilhoso...

Eu sorri.

– Viu só como você namora uma mulher poderosa? – eu disse abrindo um sorriso provocador.

– Hermione, sério... – ele revirou os olhos.

– Fred, você também é um dos principais Líderes da Ordem, viaja pelos cantos do mundo lutando contra focos dos comensais, Trabalha formalmente no ministério como Major-General de manhã, além de nunca descontar nada em mim. – eu disse gentilmente, enlaçando meus braços ao redor de sua cintura.

– Eu não estou grávida.

– Estranho se estivesse... – brinquei.

– Hermione...

– Eu sei, mas é por pouco tempo, estamos em Março, em setembro eu me formo, e eu vou começar a agir como uma grávida normal... Ou quase isso...

– Te conhecendo como eu te conheço, as aulas vão acabar e você vai se afundar em mais trabalho ainda.

– Você ia me amar se eu fosse dessas garotinhas que ficam em casa fazendo sapatinhos de crochê para o bebê?

Ele bufou. E novamente eu havia ganho a discussão. Ele alcançou meus lábios como se eu fosse feita de porcelana, dando inicio a um beijo sutil e carinhoso.

– Sabe-tudo-irritante...

– Ah, isso também: você me amaria se eu não fosse uma sabe-tudo-irritante?

Ele apenas riu-se.

– Vai logo que você vai chegar atrasado, seu ruivo tarado e pervertido...

– E você me amaria se eu não fosse um ruivo tarado e pervertido? – ele disse abrindo um sorriso maior ainda.

– Tchau Fred... – eu disse rindo, dando as costas e me preparando para sair para a Londres trouxa.

Ele com a agilidade de antigo batedor enganchou minha cintura e me puxou para mais um beijo empolgado, agora não tão sutil, mais brincalhão e voraz, provocador. Um beijo estilo Fred.

***

Cheguei ao colégio cedo, mal eram 6:00 cheguei antes mesmo de alguns professores... Slughorn por exemplo estava atrasado para variar.

O esquema dessa Hogwarts provisória seria diferente, com toda essa guerra e a exposição de alguns comensais que estavam no ministério – muito embora muitos ainda estejam manipulando o ministério – os pais se sentiram inseguros e com medo de largar suas crianças novamente no colégio, contudo, Hogwarts se tornou emblema de esperança e resistência aos comensais.

Eis a sugestão – modéstia a parte uma ideia brilhante minha de Luna e Gina – criamos um dormitório masculino e um feminino para os poucos alunos que vão morar na Hogwarts Provisória, e criamos um sistema seguro de transporte para aqueles que vão apenas estudar em Hogwarts, nãos mais dormir no colégio. Uma rede de Flu segura foi instalada no Caldeirão furado. Os alunos vão para lá, onde de lá serão transferidos até o prédio através de ônibus que parte às 07h15min, esses ônibus serão escoltados por aurores e recrutas trouxas selecionados e treinados por Fred. Uma das minhas idéias como General Estrategista dos Aurores. Para os que eventualmente se atrasarem será mandado um monitor responsável para escoltar o aluno até o colégio.

É, segurança máxima. Mas tempos desesperadores exigem medidas desesperadas.

– Hermione? Já aqui? – Minerva disse surpresa ao me ver coordenando os elfos.

Os professores mudaram de postura quando me aproximei como se mudassem de assunto rapidamente. O clima ali não estava dos melhores.

– Como o esperado de Hermione Granger. – Lupin disse parando ao meu lado e colocando a mão em meu ombro.

– É, eu quero conversar com os monitores sobre as normas de segurança, e ajudar com os preparativos para receber bem os alunos.

– Muito bem senhorita Granger. – Minerva sorriu com uma ponta de orgulho na voz, mas um relance de tristesa no olhar. Perguntei-me o que teria acontecido. – você é o exemplo de aluna.

– Obrigado diretora...

A conversa se seguiu e eu continuei com meus afazeres. Os alunos chegaram e nenhum atrasado. Surpreendentemente vieram mais do que nós esperávamos, inclusive primeiranistas. Hogwarts era novamente símbolo de confiança.

Apresentei os salões comunais, que eram separados, mas próximos um dos outros, todos tinham uma escada que ligava cada salão aos dormitórios. O dormitório feminino era grande e espaçoso, fora decorado para lembrar o máximo possível a Hogwarts original, as camas, as cortinas, e cada colcha decorada com o emblema e as cores das respectivas casas. Eu não iria dormir no dormitório, por isso, deixei Gina como responsável por quesitos de eventuais conflitos entre as casas. Mas caso eu fosse necessária aqui, instalamos uma única lareira no colégio, na sala da Minerva, que tinha ligação apenas com a Sede da Ordem, A Toca e à minha casa – não apenas por eu ser a monitora chefe geral, mas também por Fred ter se tornado uma peça importante na Ordem: Major, e eu ter me tornado recentemente literalmente General, o que faz da nossa Biblioteca-casa o quarto lugar mais seguro, perdendo apenas para a sede da ordem (Casa das conchas), A Toca e Hogwarts Provisória.

Quando acabei de socorrer Draco, que teve problema com alguns grifinórios que invocaram com alguns sonserinos finalmente pude ir à aula.

Ah, aulas. Como é bom poder voltar à ser estudante, e fingir por alguns instantes que eu apenas devia me preocupar com os NIEMs.

Ah, ainda tem isso, os membros da Armada de Dumbledore não eram alunos comuns. Todos (os que não tinham morrido) continuavam no colégio, mas não apenas como alunos, mas também como Frente de Proteção ao colégio, e treino paralelo dos mais novos.

Basicamente, éramos também professores nas horas vagas, ensinando DCAT complementar, treinando e tirando dúvidas, protegendo o prédio já que os Aurores estavam ocupados combatendo os comensais dentro e fora do ministério e os recrutas trouxas não estavam completamente treinados. Mas não pense que a escola se tornou uma ditadura como no quinto ano. Não. Os alunos estavam unidos, realmente interessados, se divertiam nas aulas, e se acostumavam com o novo espaço. Divertiam-se observando a Londres trouxa e adoraram o pátio de inverno que o prédio tinha. Sim o prédio era um antigo hospital abandonado, então tinha muitas salas e um belo pátio interno, que diminuía a sensação de se estar preso e revigorava os ares do colégio.

– HERMIONE! – um grito estridente que se seguiu de um baque surdo, e eu quase caí no chão com certa ruiva dependurada em meu pescoço. – Onde você estava, achei que íamos ter Feitiços juntas!

Ajeitei-me e abri um largo sorriso.

– Por hoje eu fiquei ajudando os professores e os alunos, então minhas aulas foram irregulares apartir de amanhã eu começo com as aulas normais. – disse-lhe feliz – onde estão os outros?

Ela começou a tagarelar, me puxando pela mão rumo ao salão principal improvisado. Na verdade tinha ficado bem parecido com o salão da Hogwarts original, a única diferença era que o lugar não era tão alto, mas fora isso tudo era muito parecido.

Meu peito se revirou ao ver meus amigos sentados na mesa da grifinória, rindo, conversando, descontraídos. Como nos velhos tempos.

EIÕE! Uasê ao e ii oê! – Rony “disse” assim que eu me sentei na mesa.

Apenas suspirei. Não tinha jeito, os anos se passavam e eu nunca entendia o que esse troglodita falava.

– Alguém traduz, por favor... – pedi.

"Hermione! Quase não te vi hoje!" – Harry veio em meu socorro.

Sentei-me em meu lugar de sempre, entre Rony, que parecia que ia estourar as bochechas de tanta comida, e Harry que ria da cara do ruivo.

– Amanhã meu horário fica mais normal. – respondi-lhe.

Começamos a conversar, e eu passei a atualizar os membros da A.D sobre o que estava acontecendo na Ordem e no ministério. Neville sabia de algumas coisas, pois sua avó tinha entrado na ordem – uma figura realmente curiosa a senhora Longbottom, mas sabia fazer bolinhos como ninguém – mas Harry, Gina e Rony, estavam completamente desatualizados, parece que a senhora Weasley continua naquela nóia de superproteção.

E então, repentinamente senti algo fungar em meu pescoço, e uma mão provocadora segurar minha nuca.

– Você ainda me deve aquele mènage. – a voz baixa soou contra minha orelha.

Eu respirei o suco que estava tomando, me engasguei, fiquei sem respirar, me desesperei...


“Sobreviver à Maldição da Morte e morrer engasgada com suco de Tamarindo... É a sua cara...”.

“Cala a boca Consciência, você não sabe como isso é desesperador.”

“Claro que eu não sei, eu não sou idiota o suficiente para respirar suco.”

“Já mandei você ir chupar um prego para ver se vira parafuso hoje?”


Assim que consegui voltar a respirar, com Rony e Harry batendo em minhas costas, delicados como elefants, visualizei melhor o desgraçado que quase literalmente rolava de rir. Era moreno e não muito alto, bonito, robusto, feições definidas e finas, os Dreads presos, cicatrizes pelo rosto e um sorriso de quem cresceu ao lado dos gêmeos.

– Lino seu maldito, vou comer seu cu, seu desgraçado!

– Opa, epa, ipa, upa... Olha a boca! Que feio, agora você é monitora Geral, tem que dar o exemplo. – ele disse com seu jeito de raposa.

– Chega pertinho que eu vou te mostrar o exemplo... – eu disse sorrindo maniacamente.

– Tentador Mi, mas eu prefiro conservar meu belo sorriso com todos os dentes.

– Sábia escolha. De qualquer forma, o que faz aqui afinal, achei que tivesse conseguido tirar seu diploma.

– Ah eu consegui. – ele sorriu orgulhoso – Mas Minerva precisava de alguém que desse as aulas de esportes.

– O que aconteceu com a madame Hooch? – indaguei.

Um silêncio se abateu sobre a mesa, e todos me dirigiram um olhar estranho, de agouro, com uma sombra sepulcral nos olhos que já se tornara comum no meu dia-a-dia.

– Acharam-na em casa. Comensais nessa madrugada atearam fogo em sua casa. – Lino dizia com um tom de voz baixo. – Mataram toda sua família.

Comecei a sentir aquela velha náusea, mal estar, tontura e sentir aquele aperto no meu peito. Provavelmente, enquanto eu estava tomando meu banho nesta manhã, a casa da Madame Hooch estava em chamas.


Quem sabe quando vai ser a sua casa?” minha consciência sádica veio me aterrorizar.

“Vai chupar um prego para ver se vira um parafuso, sim?” rebati.


Sacudi a cabeça bruscamente, arremessando para longe aqueles pensamentos inapropriados, não podia demonstrar sinal de fraqueza.

– Er... Bem, de qualquer jeito, Hermione vou precisar da sua ajuda. – Lino disse mexendo nos Dreads.

– Ah, claro...

– Temos um casal de irmãos da Estônia, seja lá onde for que isso fique, que só chegaram agora. Minerva queria que você, Rony e Harry fossem comigo buscá-los comigo. Prioridade máxima.

– Eu fiquei de ajudar Lupin com as aulas da tarde. – Rony disse.

– Certo... Acho que não tem problema se formos apenas nós três.

Harry levantou-se e deu um rápido e singelo beijo em Gina.

– Então vamos. – ele disse acabando de tomar seu suco.

Fiz o mesmo. isso é, sem dar o beijo na Gina...

– Se cuidem. – Gina disse apreensiva, disfarçando em um sorriso torto.

– Gina, esses dois já sobreviveram à maldição da morte... Não é qualquer coisa que vai matá-los. – Lino disse sorridente, jogando os braços ao redor de mim e de Harry.

– É impressão minha ou você está nos levando para nos usar de escudo caso alguma coisa aconteça? – Harry disse olhando por cima de seus óculos, soprando a franja preta rebelde sobre o rosto.

Lino fez uma expressão de exaspero.

– Eu jamais faria uma coisa dessas!

– Aham... – eu, Harry, Rony, Gina, Neville e Lilá dissemos ao mesmo tempo.

– Bom saber como anda minha reputação. Olha, eu estou me sentindo ofendido.

– Certo princesa, vamos logo. – Harry disse puxando o moreno para longe. – tchau.

– Tchau. – os que ficaram na mesa responderam.

Saímos. Para Desaparatar temos que nos afastar uma quadra do colégio. Mal colocamos os pés do lado de fora do colégio, e uma certa tensão tomou conta de nós. Nada dito ou explícito, apenas aquele mal estar, e a mão que toca disfarçadamente a varinha por cima do bolso.

Chegamos lá sem grandes problemas. Uma garota com longos cabelos loiros, grandes peitos, e bem mais alta que eu - ok exagero meu, não era taaaanto assim - , provavelmente da idade da Gina e um garoto loiro que devia ter seus 14 anos estavam sentados ao lado de uma pilha de malas.

– Vocês devem ser os Demeter. – Harry estendeu a mão.

A mais velha se adiantou e balançou a mão do moreno, com um porte esguio e olhos analisadores. seus longos cabelos lisos e esquálidos encobriam uma orelha delicada com tres ou quatro brincos.

– Somos do colégio de Hogwarts, estamos aqui para levá-los até lá. Eu sou Hermione Granger, Monitora Geral da escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Este é Harry Potter, um dos Guardiões de nossa Frente de Defesa e esse é Lino Jordan, professor de Esportes do colégio.

O loiro simpático estava agora empolgado, quase em cima de Harry.

– Você é Harry Potter? O Harry Potter? – ele dizia empolgado.

Harry coitado estava vermelho, ajeitando os óculos nervosamente.

– É... Acho que sim.

O loiro ia começar a surtar, mas então a voz baixa da irmã se sobrepôs.

– Então você é a General. – ela disse me analisando – onde está o outro? Era um trio não era?

– Como você sabe? – indaguei confusa, não gostando muito do seu olhar.

– Somos afilhados da Minerva. – ela disse ainda séria. – já ouvi falar de vocês.

Tive que engolir minha inexpressividade, e senti minha cara se quebrar lentamente. Para mim, a Minerva era a Minerva, diretora McGonagall, durona, rígida... A minha professora predileta... Nunca passou pela minha cabeça que ela tivesse uma vida fora do colégio.

"Tia Minerva?"

Por céus, isso era bizarro.

Isso certamente explicava a prioridade máxima desse assunto.

– Nesse caso sejam bem vindos e tudo que precisarem podem nos chamar, Minerva é uma pessoa muito especial para nós. – Lino disse saindo pela tangente, com um sorriso carismático.

– Agradecemos por isso – a loira disse com uma cordialidade puritana e rebuscada.

As conversas não foram muito compridas, logo estávamos de volta ao colégio. A seleção de casa deles foi rápida e discreta. Ambos foram para Corvinal. Muito embora me parecesse que tudo naquela tal de Panti Demeter gritasse: SONSERINA, SONSERINA, SONSERINA!

– AH MINHA VARINHA! – O pequeno Nicolas disse vermelho, com olhos esbugalhados.

– O que aconteceu com a sua varinha? – indaguei.

– Esqueci-a no caldeirão furado acho... – ele disse com os olhos preocupados.

Ele tinha 14 anos, mas tinha um jeito infantil muito engraçado. Não era como se ele se preocupasse com a guerra ou algo do gênero, ele era estabanado e descontraído. Não como Fred que muitas vezes interioriza o que sente, não. Nicolas era genuinamente um cabeça de vento, alienado e distraído. Ingênuo e risonho.

– Eu vou buscar. – Harry se voluntariou.

– Não Harry, você tem Poção agora, suas notas precisam melhorar ou não vai passar nos NIEMs, deixa que eu vou. – disse.

– Sozinha? – Harry disse sério.

– Sim, não se preocupe. Vou em um pé e volto no outro. – eu sorri, virei-me para encarar o loiro – como é a sua varinha?

– De madeira...

Olhei-o cética sem saber se ele estava brincando ou falando sério.

“Avá que é de madeira...”.

– Pelo de unicórnio, 25 cm, flexível, tralhada em Nogueira, com detalhes prateados na base e uma formação em espiral na ponta. – Panti disse revirando os olhos para o irmão.

– Obrigado. – eu sorri tentando ser simpática – Harry, peça para Gina apresentar o dormitório para a Srta Demeter e peça ao Draco que mostre o dormitório para o Sr Demeter.

– Deixa que eu mostro para ele. – Harry disse sorrindo.

– Não senhor! Você vai para aula de poções e vai se dedicar, por que quando eu voltar eu vou revisar a matéria com você, e ai de você se não souber responder algo!

– Por que o Draco pode faltar e eu não?

– Por que o Draco já teve essa aula de manhã, e a próxima aula dele é de História Trouxa que não é importante para o curso que ele quer fazer. Agora não discuta e se apresse, ou vai chegar atrasado!

– Tudo bem mãe... – Harry bufou pegando as malas, Lino fez o mesmo.

– Tome cuidado lá General, seria uma lástima se algo acontecesse sem você pagar aquilo que me deve... Eu, você, mais alguém...

Senti o resto ferver e dei um soco no Lino, com um sorriso amarelo.

–Cala a boca Lino, vai assustar os alunos novos... Agora você é um professor lembra?

Lino gemeu, acariciando o ponto da cabeça em que havia batido.

– Certo, certo... Até mais.

Saí novamente do colégio, o clima frio estava piorando e o vento londrino era cortante. Fui até o caldeirão furado, achei a tal varinha, exatamente como Panti tinha descrito, e rumei para o beco mais próximo para Desaparatar.

– Ora, Ora, Ora... Quem eu encontro aqui? – uma voz odiosa soou atrás de mim.


“E o troféu de Miss Azar vai para... Hermione Granger!”

“Sou obrigada a concordar com você, Consciência...”

– Cameron... Que bom te encontrar, estava louca para quebrar sua cara! – eu disse trincando os dentes.

– Até parece. – ela disse jogando seus cabelos longos e negros para o lado, encantadoramente linda. – Crucio!

– Protego!

Eu pensei em Desaparatar, mas se eu conseguisse derrotá-la e prendê-la, seria um comensal a menos, eu não era mais uma garota, eu estava muito melhor em combate...

– Incarcerous! – eu conjurei as cordas que por muito pouco não a prenderam.

Ela riu cética.

– Você realmente acha que pode comigo? Eu sou o Braço direito do Lord, sou a mais cruel das comensais, torturei mais pessoas do que você é capaz de contar, sua pirralha de sangue ruim!

Eu gargalhei.

– Acha engraçado? – ela disse ligeiramente desconcertada.

– Acho graça na sua arrogância; Em quesito Braço Direito e crueldade, eu sou Team Bellatrix...

– O que?

– É, ela é bem pior do que você... Você não passa de uma patricinha que se acha malvada...

É, eu cravei a unha na ferida dela. Não tenho certeza se foi o melhor a se fazer, pois ela desencadeou com uma raiva cega diversos feitiços, que eu mal podia me esquivar.

– Você é a próxima Granger... Acho que já deve saber sobre o que aconteceu com aquela sua professora...

Agora ela tocava na minha ferida. Então ela tinha feito aquilo? Como se eu começasse a entrar em ebulição senti o ódio começar a crescer, não me conformando em saber que parte daquilo era minha culpa. se não fosse por mim tudo estaria em paz.

– Eu fiz ela escolher qual filho eu mataria primeiro... – Cameron sorria. – Bella me ajudou, mas o refinamento de crueldade é meu, e eu estou aperfeiçoando ele especialmente para você... Você, o Fred e o seu filho.

Senti como se cravassem uma barra de ferro quente em meu estômago, o ar me faltou e senti o chão oscilar sob meus pés como se fosse gelatina. Foi o que ela precisou. Nesse quarto de segundo, ela me atingiu um longo e doloroso Crucio, rindo-se e divertindo-se. A dor não era novidade, não era mais tão terrível quanto antes, mas tudo que eu pensava era no meu filho. Será que elas tinham percebido que eu estava grávida durante a batalha? Ou era um blefe?

– Eu não tenho filhos sua idiota... – eu disse me apoiando para me levantar do chão.

– Mas vai ter... – Cameron disse – eu e Bella temos lindos planos para o seu filho...

Não confirmei estar grávida, mas a força que eu tinha que fazer para não deixar transparecer em meu rosto o medo que eu sentia, foi como se me prendessem em uma caixa cheia d’água. Era sufocante, desesperador, agonizante. Perguntava-me como alguém como ela podia ser irmã de alguém tão legal como Ian.

Ela se aproximou de mim e chutou minha mão, fazendo com que eu caísse novamente machucando meu rosto.

– E você deveria saber que Fred só está com você por conveniência. Eu fui a primeira dele, é eu estralar os dedos e ele vem até mim, como um cãozinho.

Ri cética.

– Ah, não acredita? Pergunte a ele sobre o que aconteceu quando você estava fora caçando Horcruxes... Eu adorei a decoração do seu quarto por sinal, as paredes azuis, as prateleiras brancas, aquela vista para o povoado de trouxas...

Eu não acreditava, mas quanto mais detalhes ela dava mais perturbada eu ficava. Confiava em Fred acima de tudo, e conhecia os venenos daquela vaca, mas não entendia como ela conhecia minha casa tão bem. Será que os comensais entraram em casa quando eu estava caçando Horcruxes? Será que eles sabem ainda como invadir a biblioteca? Não sabia o que era pior, o fato cogitar a hipótese de que os comensais sabem burlar meus feitiços de proteção, ou imaginar que Fred algum dia levou Cameron lá para dentro.

Teve uma época em que brigamos, e eu fui embora, pois não queria envolvê-lo nessa história de Horcruxes, mas mesmo assim, ele sempre soube que isso me machucaria mais do que qualquer outra coisa, já que eu sabia que ela de fato tinha sido o primeiro amor dele... ele não faria isso.

A cada palavra dela, descrevendo sobre como Fred a tocava, foi despertando em mim um instinto perigoso, feroz e arisco, um ódio profundo e mortal. A cada chute que ela me acertava eu tinha mais raiva, e sentia meu pulso direito inchar.

Acho que aguentei até o terceiro chute. Quando ela aproximou seu pé da minha mão novamente eu agarrei seu calcanhar, puxando-a com força, fazendo com que ela despencasse batendo a cabeça no chão.

– Diffindo! – eu disse com raiva, mirando no rosto dela, deixando ali uma marca feia que abria sua carne desde sua têmpora até a maçã do rosto, passando pelo seu lindo olho verde enigmático.

Ela gritou de dor, largando a varinha e levando a mão até seu olho esquerdo, desesperada com sangue em suas mãos. Não sei se a tinha cegado ou algo do gênero, pois o corte pegou seu supercílio, mas vê-la desesperada, em uma mistura de dor e agonia era realmente bom, retalhar seu rosto e lembrá-la que aquela sua beleza é passageira e frágil. Mostrar a esse monstro que ela também sangra, e mais do que isso, eu sabia ser cruel também. tinha meus momentos Barroco de Gregório de Mattos.

Incarcerous! – ela então lançou o feitiço, que acertou em cheio minha perna, espremendo-a de um jeito que me fez pensar se eu não teria a perna amputada.

Mas ela não arriscou, assim que me distraiu, aparatou, sem deixar chance para que eu a atacasse ou a impedisse.

Levei algum tempo para tirar aquela maldita corda que estrangulava agora também meu abdômen. Desaparatei e fui até Hogwarts II.

Estava indo para o dormitório feminino quando acabei trombando com o pequeno Nick ao virar o corredor.

– Ah... Senhor Demeter... – eu sorri, tentando ajeitar a perna da minha calça que estava rasgada. – seria esta a sua varinha?

Ele sorriu e apanhou a varinha, ia começar a agradecer quando seus olhos localizaram minha calça rasgada. Ele analisou meus cabelos desgrenhados, meu pulso machucado e mãos esfolhadas.

Contudo, a pergunta não veio dele.

– Céus Hermione o que houve?! –era Lino que vinha atrás de mim.

– Comensal. Cameron. – eu disse revirando os olhos.

– Você lutou contra um comensal? Sério? – os olhos do loiro se iluminaram. – você está bem? Você prendeu ele?

Sorri de modo torto.

– Eu estou bem, não é assim para me pegar... – eu disse dando um meio sorriso, acariciando a cabeça do loiro – agora você deveria ir para a aula, sim?

– Mas, você não...

– Eu estou bem, amanhã conversamos melhor...

– Quer tomar café comigo? Daí você pode me contar melhor essa história. – ele disse fascinado.

Fiquei sem ter o que falar, minha perna estava latejando e eu estava com medo pelo meu bebe, então nem pensei direito, apenas afirmei para me livrar logo dele.

– Até amanhã então. – ele disse sorridente.

– Até. E por favor, não comente com ninguém sobre isso! – acrescentei e recebi como resposta um polegar positivo.

O garoto mal saiu da minha vista e os braços de Lino vieram me amparar, joguei meu braço ao redor do seu pescoço enquanto ele me amparava pela cintura.

– O que houve? – ele disse sério.

– Cameron estava no beco em que eu iria Desaparatar.

Fui lhe narrando a história omitindo certos detalhes pessoais, embora Lino soubesse do passado de Fred com ela. Lino me levou a enfermaria e rapidamente cuidou de meus ferimentos, não houve nada grave, apenas alguns arranhões. Eu estava com certeza em melhor estado do que ela.

Quando estava completamente curada, voltei para as aulas, o almoço foi normal e ninguém notou nada. Tinha a última aula livre que fiquei na sala de estudos fazendo revisões para os NIEMs ocupando minha mente para não pensar nas palavras venenosas dela.


“Pergunte a ele sobre o que aconteceu quando você estava fora caçando Horcruxes...”


Dali segui pelas ruas frias, mancando ligeiramente, até o café. A rotina foi a mesma de sempre: dei oi para todo mundo, Lígia veio me torrar a paciência para que eu a aproximasse de Ian, as clientes vieram até mim me perguntar sobre onde estaria o bibliotecário bem apessoado, eu preparei as mesas, servi os cafés, organizei a nova leva de livros, limpei os estoques, encontrei Ian nos estoques e contei sobre o ocorrido com a sua irmã, ele ficou muito revoltado e furioso mas depois voltou a ser o bom e velho Ian. Ajudei na cozinha, lavei pilhas de louça, fiz duas entregas de livros na parte baixa da cidade. Eram 22:00 quando fechamos a livraria, dessa vez eu e Lígia ficamos encarregadas pela finalização. Saí da cafeteria eram quase 23h00min da noite.

Acompanhei Lígia até em casa, Londres havia se tornado um lugar perigoso.

Desaparatei para casa, morta, eram 23h30min.

– Hermione? – Fred chamou assim que bati a porta.

Ele veio correndo, com avental de patinhos na cintura, pano de prato no ombro, e luvas de cozinha, ele estava cômico. E finalizando com um arco meu preto nos cabelos ruivos, para afastar a franja do rosto.

– Hm... Fetiche? – eu disse sorrindo.

– Que história é essa da Cameron ter te atacado? – ele colocou a mão na cintura sério.

Lino seu linguarudo!

Eu sei que era algo sério, mas eu tive que rir, ele parecia aquelas mães que brigam com o filho que chega em casa por que o diretor havia ligado dedurando sobre a nota baixa.

– Desculpa... – eu disse abafando o riso.

Respirei mais um pouco, tive outra crise e finalmente consegui falar.

– Eu tive que ir até o caldeirão furado pegar a varinha de um estudante novo, e topei com ela no beco, mas tá tudo bem.

Ele avançou até mim e em um solavanco puxou minhas mãos que estavam lascadas, depois puxou a bainha da minha calça pra cima e analisou as marcas fracas que ainda tinham.

– Isso é estar bem? – ele disse sério – Hermione, você está grávida! Não pode ficar por ai se arriscando, como se fosse uma adolescente indestrutível e protetora de tudo e de todos, pare de se fazer de corajosa, ou vai acabar se matando!

– Em primeiro lugar: Eu estou grávida, não com um câncer terminal! E eu sou assim, não vou mudar magicamente e me tornar uma mãe exemplar dessas de seriado de TV norte-americano! – disse começando a me sentir irritada.

– Mas você vai ter que mudar, você vai ser mãe!

– E quanto a você hein? Caçador de comensais. Você acha que é assim que um pai deve se portar?

– Não mude de assunto – ele disse tirando o arco da cabeça e deixando que a franja ruiva caísse sobre seu rosto como uma cascata de bronze incandescente.

– Eu não mudei de assunto, apenas estou vendo o outro lado.

– Você sabe que eu não posso simplesmente abandonar a Ordem.

– E eu posso? Posso simplesmente deixar a Diretora McGonagall na mão? – agora eu estava raivosa, tinha jogado minha mochila no canto da sala e passava furiosa pelo ruivo.

– Eu não quis dizer isso... – ele também estava bravo – você sabe que não é sobre isso que eu estou falando, é sobre a sua irresponsabilidade e imprudência...

Não permiti que terminasse, peguei minha varinha e marchei em direção à porta.

– Sabe Fred, agente odeia tudo o que nos castra. – eu disse abrindo a porta.

Ele tentou chegar a mim a tempo, mas eu fui mais rápida, desaparatei na noite fria, antes que eu fizesse uma besteira maior ainda.



Notas finais do capítulo
TCHANS!!! -pressintoavadaschegando
GOMEN, EU SEI QUE FICOU FRAQUINHO, MAS EU VOU MELHORAR!!! e mals pelos erros, nem revisei direito t-t'
.
.
Ah, algumas pessoas perguntaram sobre a capa, EU NÃO FIZ ELA, e não sei quem fez, se não colocaria os créditos... se você é o autor da imagem e se incomoda, me mande uma mensagem que eu troco... só por favor: NÃO ME PROCESSE.... T-T''
Jay Ne ^~^
*Malfeitofeito*




(Cap. 3) ~ Pace ~

Notas do capítulo
*Jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
BÃ-BÃ
Aqui está o ooooutro *u*
-ainda to vomitando com o seu manuscrito Roli...
NHÓ, aproveitem ^-^


TRÊS:

– Hermione? – olhos azuis cintilaram hesitação ao me receberem. – o que faz aqui? Está tudo bem?

Meus olhos estavam ardendo, em parte devido ao vento frio, em parte devido à imensa vontade de chorar.

– Briguei com Fred. – eu disse com a voz rouca e sufocada.

Ele abriu a porta e foi me puxando para dentro, dizendo que eu era louca de sair apenas com uma blusa fina naquele frio horrível.

Eu tinha pensado em ir para a casa dos Weasley, ficar com a senhora Weasley, mas seria o primeiro lugar que Fred iria procurar, pensei em ir para Hogwarts II, ficar com Harry e Rony, mas também seria um lugar óbvio. Por fim resolvi ir para casa de Ian. Ele morava em um apartamento no Beco Diagonal a umas duas quadras da ‘Floreios e Borrões’.

Ele tinha colocado um cobertor de lã em meus ombros e me entregava agora uma xícara de chá de maracujá com mel. Era a segunda vez que eu vinha em sua casa, há aproximadamente duas semanas ele topou com Bellatrix Lestrange, Fred conseguiu resgatá-lo, mas ele ficou muito debilitado, então eu fiquei aqui cuidando dele.

– Desculpe pelo frio, mas o sistema de calefação está com problemas. E eu acabei de chegar, então ainda não esquentei o apartamento. – ele sacou a varinha e murmurou um feitiço qualquer que como se fosse um gás se expandindo foi esquentando a sala pouco a pouco.

Era um apartamento bonitinho, chão de madeira clara, tapete felpudo marrom combinando com o sofá cama. Tinha uma estante cheia de livros e os mais diversos filmes, um rádio e uma velha vitrola trouxa. Não tinha televisão, apenas um notebook aberto em cima da mesa redonda de vidro que ficava no canto oposto da sala. A cozinha era dividida apenas por um largo balcão de granito, era ampla e tinha a pia cheia de louça, a parede era de um amarelo queimado que dava um ar muito familiar para o apartamento; um pequeno e curto corredor dava para duas portas, provavelmente quarto e banheiro. E em cima da estante, um porta retrato prata, e nele uma foto bruxa dele e de Liza, sua antiga namorada a qual foi morta pela irmã de Ian, Cameron Feline. Liza estava com seu chapéu de máfia clássico, ambos faziam caretas e sorriam, pareciam extremamente felizes na foto.

– O que aconteceu? – Ian me trouxe novamente para a realidade.

Depois de observar a foto dele e de Liza, achei ridícula a minha discussão com Fred. Irritar-me com coisas tão banais. as vezes eu esquecia como fora horrível ficar sem ele.

Contei-lhe a história toda, omitindo novamente o fato da minha gravidez.

– Você sabe que ele não fez por mal. – Ian disse com um tom de voz ameno – ele só ficou com medo de te perder, e você sabe que as pessoas fazem burrices quando estão com medo.

– Mas então ele vai viver com medo, e agente vai viver brigando, por que eu sei que não vou mudar. – eu disse frustrada.

– Hermione querida, menos, bem menos... - ele disse afagando minhas costas – ele exagerou, deve estar estressado e tudo mais, mas depois da mijada que você deu nele, eu duvido que ele volte a falar asneiras sem pensar... E essa guerra não é para sempre. Mas para passar por ela tem que ter nervos de ferro.

Suspirei.

– É você tem razão... – eu disse soltando o ar pesadamente. – mas eu posso ficar aqui hoje? Só até a poeira baixar?

Ele ergueu uma sobrancelha e disse com seu tom brincalhão.

–Não! Até parece...

Eu apenas ri.

– Já jantou? – perguntei.

–Não, mas não precisa se incomodar eu...

Levantei-me com um solavanco e o interrompi me dirigindo para a caótica cozinha.

Ele apenas riu, observando enquanto eu começava a lavar a louça.

– Sabe, eu poderia fazer o papel de cavalheiro que não permite que a visita faça nada, mas já que é você... Aproveita e prepara um suco – ele disse se espreguiçando e se sentando no balcão de granito.

– Ah seu lazarento, vou cuspir na sua comida. – eu disse me virando e jogando espuma nele.

Ele colocou Beatles e começou a cantar do meu lado, dizendo que iria me ajudar me dando apoio moral. O resto da noite foi uma putaria só. Arrumei a cozinha e o fiz arrumar a sala, preparei panquecas de milho –era só o que tinha na geladeira dele- e depois comemos leite condensado. Ele me emprestou um pijama dele que ficou muito largo em mim, por fim me colocou para dormir na cama, enquanto ele ficava em um colchão ao lado da cama. Ele me convidou ainda para passar lá no dia seguinte e irmos juntos para o trabalho. Aceitei o convite. Quando finalmente fomos dormir eram quase 02h00min da madrugada.


Estou bem e segura, conversamos amanhã. -HG.”


Eu mandei antes de dormir a mensagem pela moeda, cansada demais para pensar.


***

Levantei cedo, Ian tinha ajeitado a mesa do café. Comi e me despedi do moreno descabelado e com a cara amassada. Devolvi-lhe o pijama agradeci por tudo e rumei para o colégio, com a promessa de passar lá depois da escola.

Cheguei ao colégio cedo, eram 05h50min e fui direto para o salão comunal da grifinória, subi as escadas e cheguei ao dormitório comum feminino. Esgueirei-me até Gina, sacudindo-a bruscamente.

– Hã... O que? – ela levantou alarmada, tateando pela varinha, os cabelos desgrenhados cobrindo-lhe o rosto, mais parecia um periquito descabelado. – Hermione? – ela me reconheceu por fim, voltando a se deixar cair no travesseiro afundando-se nas cobertas. – Fred esteve aqui ontem de noite, estava louco atrás de você...

–É... Quando você acordar eu te explico, mas Gina eu preciso que você me empreste um uniforme. – eu sussurrei, afinal elas só deveriam começar a acordar lá pelas 7:00.

Ela sacudiu a mão, apontando para o seu malão de olhos fechados.

– Pegue o que quiser.

E voltou a ressonar tranquilamente.

Peguei a blusa, a saia e a meia calça, bem como um casaco sobressalente que ela nunca usava.

Gina sempre usava o suéter de lã no colégio, nunca a tinha visto usar aquele casaco que mais parecia um desses blazers que se usa em colégios internos para jovens gênios.

Vesti-me e deixei minha antiga roupa também no malão de Gina. Aquelas roupas ficavam ligeiramente apertadas e aquela saia estava curta demais para o meu gosto.

Rumei para o salão principal, onde os únicos seres viventes eram McGonagall, Flitwick e, acredite quem quiser, Lino.

– Ah, senhorita Granger. – Minerva disse surpresa a me ver ali. – por que tão cedo aqui?

– Houve alguns contratempos. – disse vagamente. – precisam que eu faça algo?

– Na verdade Lino está com problemas com uma goles descontrolada, mas já estamos resolvendo. Senhorita, eu creio que o senhor Weasley esteja...

– sim, sim – eu disse ligeiramente corada, e brava por Fred ter feito esse estardalhéu todo. – houve um desencontro, mas tudo já foi resolvido.

Vendo que não era necessária, dei as costas e fui estudar na biblioteca e fazer os 30cm de pergaminho para a aula de Runas.

O tempo se passou e eu vi que já era hora do café, guardei os livros e ajeitei meu pergaminho em baixo do braço. Tinha deixado minha mochila em casa e estava sem meu material.

Saí pelo corredor calmamente, meus olhos estavam muito pesados e eu realmente precisava dormir.

– Senhoria Granger! – uma voz entusiasmada gritou ao fim do corredor do terceiro andar.

Deparei-me então com Nick.

– Nossa, você se vestiu assim para o nosso encontro?

Fitei o loiro sem compreender bulhufas, ele estava com o uniforme da Corvinal tinha um sorriso alegre, e por mais que ele fosse apenas uns três centímetros mais baixo que eu, tinha um jeito de criança inegável.

– Encontro? – repeti.

Lembrei-me então de ter prometido tomar café da manhã com ele.

– Ham, eu não diria encontro... – eu disse sorrindo meio sem jeito.

Ele riu e começou a andar, o acompanhei.

– Senhor Dem...

– Nick! Por favor, se mais alguém me chamar de senhor acho que vou ter um treco... Então, me chame de Nick. – ele me lançou um sorriso ladino e maroto, assustadoramente parecido com os sorrisos Weasley.


Em caso de sorriso Weasley, mascaras de oxigênio cairão automaticamente, reze para dar tempo de fugir pelas saídas de emergência, localizadas nas partes dianteiras e traseiras desta aeronave.


– Certo, então Nick, o que achou da escola?

Ele colocou as mãos nos bolsos e balançou os ombros.

– Gostei até, os professores são rígidos, mas as aulas são divertidas, e a maioria é legal...

– A maioria?

– Pois é, eu estou tendo problemas com alguns alunos da Sonserina e um grupinho de valentões da Grifinória.

– Da Sonserina vá lá, mas problemas com grifinórios? O que você fez?

– Ah, conhece uma tal de Dafne Greengrass?

– Sim, mas ela é da Sonserina...

– É, mas ela foi simpática comigo, e parece que os sonserinos não gostaram muito, e um garoto, Córmaco sei lá do que está tentando sair com ela, e um grupo de sonserinos começaram a brigar com um grupo de grifinórios, e no fim os dois grupos passaram a me odiar.

Não me contive e comecei a rir.

– Que sorte hein? Mas não se preocupe, vou enquadrar o Córmaco e seus amiguinhos. E aqueles sonserinos... Sempre causando problemas...

Sentamos-nos a mesa da Corvinal, e ficamos conversando, o salão ainda estava meio vazio, e os Corvinais que chegavam me olhavam com estranheza. Muitos não iam com a minha cara, a final eu roubava um pouco do brilho dos ‘sabe-tudo’ da Corvinal.

– Quem é Fred? Sabe, ontem ele estava te procurando no dormitório masculino... – o loiro indagou enfiando um pedaço de bolo na boca.

Cocei a cabeça meio constrangida. Eu iria arrancar a sobrancelha daquele ruivo escandaloso com uma pinça!

– Olá Hermione, o que faz aqui? Olá Nick... – Luna interrompeu repentinamente se sentando ao meu lado.

– Oi – eu e Nick dissemos em uníssono.

– Hermione está em um encontro comigo – Nick disse simplesmente, tomando um gole de seu suco.

Eu quase cuspi toda a comida da minha boca.

– O que? Não!

Luna riu-se.

– Já falou com Fred? Ele estava...

– Me procurando, já sei... – senti meu rosto queimar.

– Quem é esse cara afinal? – Nick disse passando a mão nos fios loiros e afastando a franja bagunçada do rosto.

– Ah... Meu namorado. – eu disse beliscando um biscoito de chocolate com avelã da Winky. Eram os melhores biscoitos do mundo bruxo.

Mas foi então que o loiro se engasgou, quase cuspiu toda a comida e colocou suco de pitanga pelo nariz.

Luna apenas riu, eu fiquei sem saber se a acompanhava ou se ajudava o pobre garoto.

– N-namorado? – ele ficou surpreso.

– Eu diria marido, moram juntos, vivem grudados, ela até o deixa jogar no play 1...

– C-como assim? Quantos anos você tem?

– Dezoito, faço dezenove esse ano...

– Eu achei que você tivesse 16... – ele disse em um tom desolado. – Bem, mas não importa... – ele se recompôs como se estivesse em um debate consigo mesmo e determinado mordeu sua torrada.

Fiquei ali conversando com eles, o dia se passou normalmente. Tive alguns problemas com alguns alunos do primeiro ano, alguns pais preocupavam que inundavam a escola com corujas, e a suspeita de Yaxley estar na rua do colégio.

Tive aula de transfiguração com Harry, Rony e Neville.

– Como anda sua cicatriz Harry? – indaguei enquanto o moreno se concentrava na configuração para unir duas taças.

– Sei lá, é como se ela tivesse deixado de existir, mas às vezes eu sinto um formigar estranho...

– Sei como é... – murmurei sem pensar.

Ele se atrapalhou e estragou o feitiço, McGonagall o repreendeu e o mandou fazer de novo.

– Sabe? – ele cochichou.

Olhei para os lados, nervosa, há tempos eu queria conversar com Harry e Rony sobre isso, mas estava sem tempo. Na verdade eu queria lhes contar muita coisa, mas era complicado.

– Você e Rony podem me encontrar no almoço na biblioteca? Preciso conversar com vocês...

Ele acenou com a cabeça em concordância e não tocamos no assunto pelo resto da aula. Neville estava cada vez melhor nos feitiços e não parecia mais aquele jovem desengonçado, ele sabia o que fazia, mesmo que eventualmente acabasse errando a mira e ao invés de fundir as taças, acabou por fundir a bainha da calça de Córmaco com a capa de Mcmillan... Era o Neville, afinal de contas.

As aulas se passaram e no almoço encontrei Harry e Rony na biblioteca, Draco também estava lá.

– Ah não, o que essa doninha está fazendo aqui?

– Quieto Rony, eu chamei ele aqui... – eu disse nervosa. – certo, primeiro vocês tem que prometer que isso não sai daqui, e Fred não pode sonhar com isso.

Eles acenaram e eu senti meu estômago começar a se embrulhar. Queria poder contar tudo, talvez aliviasse minha culpa.

Levei a mão até a blusa branca e desabotoei os três primeiros botões, os garotos ficaram roxos de vergonha, revirei os olhos. Apontei a varinha para meu peito, perto do pescoço em minha clavícula, um palmo acima do seio esquerdo.

Finite. – murmurei.

O feitiço de disfarce se desfez revelando uma marca escura em minha pele, irregular quase formando um S, como se um felino tivesse cravado suas garras ali me presenteando com aquela cicatriz de quase 5cm.

Eles me olhar sem entender.

– Isso aqui apareceu depois que recebi o Avada Kedavra de Você-Sabe-Quem. – sussurrei.

– Pode ter sido a punhalada de Bellatrix. – Draco sugeriu.

– Não, Bellatrix me atingiu no diafragma.

Harry ergueu sua franja e me mostrou sua cicatriz.

– Uma magia como essa deixa marcas. – ele disse tentando me tranquilizar.

– Mas a sua cicatriz não cresce.

Isso fez com que eles se calassem e me olhassem seios.

– No começo, ela não passava de um risco, como o de uma caneta, mas ultimamente ela vem crescendo, e eu também sinto esse formigamento.

– Hermione... – Draco disse sério, provavelmente preocupado com a minha gravidez.

– Não, está tudo bem, mas e se isso for um sinal, de que ele não morreu que ele está ficando forte novamente?

Rony esfregou os cabelos ruivos com raiva, murmurando pragas e xingamentos a deus e o mundo. Harry começou a ficar ligeiramente verde só com a possibilidade de Voldemort estar voltando.

– Se isso significar alguma coisa, temos que achá-lo antes que ele consiga fazer outras Horcruxes... – Draco disse sério.

– Mas se esse for o caso, até onde sabemos ele pode já ter dúzias delas! – Harry disse frustrado.

– Não... – eu disse ligeiramente animada – lembra quando pesquisamos sobre Horcruxes na casa das conchas? Havia um livro com as anotações de Moody...

– E? – Draco indagou.

– E que se eu estiver certa, uma Horcrux leva seis meses para amadurecer. – eu disse. – nós temos seis meses para acabarmos com essa história, de uma vez por todas.

O vento batia forte na janela, e aquela tarde chuvosa refletia a tempestade que estava a nossa frente. Eu havia causado isso, e eu iria terminar.

***

Saí do colégio e fui direto para a casa de Ian, havia me atrasado pois algum engraçadinho tinha espalhado Nugá sangra-nariz no lanche dos elfos, e eu tive que ajudar a botar ordem na cozinha.

Passei na mercearia antes, e fiz algumas compras.

Bati a porta. O rapaz moreno atendeu, com o cabelo agora arrumado, um suéter vermelho e uma velha calça moletom. Chinelos felpudos brancos hilários.

– Super seduzente... – eu disse erguendo as compras.

– Entra ai – ele deu espaço para que eu passasse.

– Eu comprei algumas coisas pra você, sabe, você é um cara enorme, precisa se alimentar direito...

– Nhá, quando se mora sozinho não dá vontade de fazer nada – ele se espreguiçou.

– Eu sei, então eu só comprei coisa fácil de preparar – eu coloquei as compras sobre o balcão de granito e comecei a tirar as coisas. – Sabe fazer miojo?

– Miojo eu sei! – ele disse empolgado.

– Ovos, leite, comprei suco e umas frutas... Biscoito, detergente, macarrão molho de tomate, pão de queijo congelado... – eu fui listando enquanto tirava as coisas da sacola. Ele ia analisando e cheirando as coisas como um cão desconfiado.

– Hermione, de comida de gente aqui só tem o Miojo...

Lancei-lhe um olhar feio.

– Também comprei chocolate, sucrilhos, sapos de chocolate e doce de abóbora...

– Oba! Doce de abóbora, agora sim... – ele disse procurando com afinco pelo doce. – ah Hermione, você é a melhor amiga que um cara pode ter!

Ele me deu uma chave de pescoço de mentirinha e esfregou minha cabeça, arruinando meu cabelo.

– Não pode-se dizer o mesmo de você – eu disse me soltando a arrumando meu cabelo.

– Claro que não... Eu não sou mulher... Como posso ser a melhor amiga que...

– Ah, você entendeu! – bati o pé.

Ele riu-se. Fizemos um lanche rápido, ele me contou que Fred havia passado ali mais cedo, e eu ajudei Ian com o sistema de calefação do apartamento. No fim ele tinha instalado o filtro de modo errado e por isso que o dito cujo não funcionava direito. Fomos para a loja, trabalhei como sempre, excepcionalmente cansada e exaurida, quase dormi no balcão do café e acabei por dar o troco em galeões para uma garota trouxa – uma das fãs de Ian.

Laís ficou possessa quando me viu chegando com o moreno, e por um instante achei que ela fosse derramar café quente nos meus olhos.

Ian me deu cobertura, e eu saí mais cedo do trabalho, eram 21h00min quando eu desaparatei no meu quintal em casa. Tudo estava escuro, Fred ainda não havia chegado. Ascendi a lareira e me arrastei até a cozinha, preparei um café super forte, e bebi baldes dele para que conseguisse ficar acordada para finalizar os 30cm de pergaminho para a próxima aula de Runas. Além é claro de revisar os trabalhos de Harry e de Rony, além de analisar alguns relatórios da escola. A casa estava arrumada e de louça havia apenas um prato e um copo, nem me incomodei com isso.

Os minutos se passaram rapidamente, e eu me esforçava o máximo que podia. Finalmente o cuco da sala anunciou 22h00min. Não muito depois, o barulho de chaves na porta, o pisar na madeira que range no hall da sala, o barulho do despejar de bolsa e casaco em cima do sofá e o típico suspirar de cansaço.

Guardei os relatórios concluídos e o pergaminho incompleto junto com os trabalhos revivados de Harry e Rony. Esbaforida, precipitei-me até a sala.

Ele ergueu a mão e fez uma saudação de Star Treck.

– Paz. – ele disse fazendo o sinal ET.

Ri e andei até ele, ele jogou os braços ao redor dos meus ombros e apoiou a cabeça sobre a minha, bocejando longamente.

– Como foi seu dia? – eu perguntei naturalmente.

– Uma droga. – ele disse torcendo a boca – não dormi de noite, fiz uma bagunça com os papeis da ordem, depois explodi duas vezes o laboratório lá da loja, Jorge me expulsou de lá e me mandou voltar só quando eu tivesse me acertado com você. E a McGonagall me pediu para que eu passe a vigiar o colégio de segunda a quarta, por que parece que o Ted tá meio mal e a Tonks vai ficar com ele.

Eu apenas ri, estava demolida, mas ele não ficava muito atrás.

Preparei uma sopa de batata simples e comemos, ele tentou lavar a loca, mas depois de guardar o primeiro par de talheres no lixo achei melhor irmos dormir e deixar aquilo para amanhã.

Abri o quarto e bichano saiu furioso, miando alto, reclamando indignado.

– Fred, você deixou o pobre do gato preso no quarto o dia inteiro? – eu disse analisando o gato que continuava a miar, com uma cara mais amassada que o comum, sibilando para o além, e praguejando contra o ruivo.

– Gato? – ele então acordou e arregalou os olhos – Pelas barbas de Merlin, o Bichano!

Bichano miou em concordância, como se dissesse:


É! Isso mesmo seu acéfalo cabeça de cenoura: O Bichano!”


– Certo, vai se deitar que eu cuido dele. – eu disse empurrando o ruivo para dentro do quarto.

Desci até a cozinha e coloquei a comida para o gato, coloquei a louça na pia, desliguei as luzes e apaguei a lareira.

O breu total me envolveu, as formas dos moveis ficaram difusas e aquele medo repentino surgiu novamente, um calafrio tenebroso que percorreu meu corpo e me corroeu em um medo irracional e sufocante como se uma onde quebrasse sobre mim, me afundando no oceano glacial. Quando dei por mim, eu corria escadas acima, com um aperto agudo no peito, como se cravejassem um metal em brasas, e um desespero horrível se enrolava ao redor do meu corpo como uma imensa e fria serpente. era como se um mostro invisivel estivesse atrás de mim, com unhas longas quase alcançando minhas costas.

Entrei no quarto ligeiramente ofegante, fechei os olhos e disfarcei, não queria que Fred soubesse dessas minhas neuras. Fechei a porta por medida inútil de preocação, fechando o escuro lá fora.

– Está tudo bem? – Fred disse.

Engoli em seco e meti um sorriso no rosto.

– Aham. Eu só... – eu me virei para encarar o ruivo, mas tive uma séria hemorragia nasal e quase desfaleci. O maldito estava com óculos de leitura deitado na cama apenas com sua calça moletom azul marinho, suas meias de lã pretas com bolinhas brancas e o peito desnudo, ombros largos e delineados. Não sei qual o treinamento dos Aurores, mas Fred estava diferente parecia esses garotos exemplares de desenho japonês. Sem trapézio ou troféus músculos, ele era forte e muito parecido com um felino, me observava por cima dos óculos com uma sobrancelha levemente arqueada, o rosto sereno passando os olhos pelo Profeta Diário, descontraído. Tinha cicatrizes pelo corpo, algumas de bichano que amava usar o ruivo de arranhador, algumas da batalha de Hogwarts, outras das diversas vezes que fora arremessado por comensais, e uma em específico feito por uma adaga lançado por Belatrix Lestrange quando ele foi resgatar Ian. As sardas típicas ainda eram as mesmas, espalhadas pelos ombros e em uma linha que ia de bochecha à bochecha. Ele não gostava. Eu achava fofo.

– Pare de me encarar desse jeito... Eu tenho namorada, e ela é uma fera. – ele disse sem tirar os olhos do jornal.

Fiquei vermelha, roxa, verde, e fiz minha melhor cara de desinteressada.

– Nem estava prestando atenção em você... e Fred, pela gravata borboleta de Merlin, você não tem uma camiseta?

– Não sei. – ele deu de ombros. – por quê?

– Você vai ficar resfriado... – eu disse desconversando.

– Hermione...

– Hm?

– Você me desculpa por ontem... Eu só fiquei assustado. – ele abaixou o jornal, dobrou-o e colocou ao lado da cama.

É eu não sou muito de momentos melosos, muito menos de desculpas. Fico sem saber o que falar, meu ventre começa a se contorcer e em geral fico vermelha.

– É... Não tem problema, eu também exagerei... – eu disse coçando o alto da minha cabeça desajeitadamente.

Ele sorriu, e irradiou algo que me queimou por dentro, aconchegante e tranquilo, como entrar em um banho quente em uma tarde fria. Deitei-me sentindo todo o cansaço infiltrar-se em meus músculos, minhas pálpebras pesaram e tudo que eu queria era dormir pelas próximas 72 horas.

– Aqui, tome isso. – Fred estendeu-me duas pílulas vermelhas miúdas que pareciam balas.

Boa noite Cinderela. Era um produto dos Gêmeos em que intensificava o sono. Apenas 4 horas de sono e você descansa o equivalente à 10 horas. Sim, Fred e Jorge são geniais... Não tiro o mérito de Lino que serviu como cobaia e até aperfeiçoarem as pílulas quase entrou em coma umas três vezes.

Ainda não o comercializavam por que a pastilha deixava sua boca meio vermelha, e o público masculino não iria querer ficar com a boca vermelha.

Tomei as pílulas e me enfiei nas cobertas. Fred fez o mesmo. Com os cobertores até as orelhas aproximei meu corpo do de Fred e me aconcheguei em seu calor.

– Fred, eu tenho uma coisa nada boa pra te contar. Mas é muito ruim mesmo. – eu disse ligeiramente receosa.

Ele respirou ruidosamente.

– Manda.

– Cameron sabe que estou grávida.

Silêncio. Desse tipo de silêncio que você sabe que a outra pessoa está contando até dez para não explodir.

– Sabe o que?

– Que estou grávida.

– Q-Quem?

– Cameron.

– S-Sabe o que mesmo?

– Fred!

– Como ela descobriu?

– Não sei.

– Draco contou?

– Claro que não! – disse irritada – sei que ele nunca faria isso.

– Mas e...

– Não há a mais remota chance de Draco ter nos traído, eu conheço ele, e você o conhece. Sabe que ele mais do que ninguém tem sido cuidadoso quanto a isso.

Ele bufou irritado.

– Não se preocupe, vou dar um jeito nisso – ele disse envolvendo seus braços ao meu redor.

– Vamos dar. – eu disse beirando a inconsciência – ah... Fred... Posso te fazer uma pergunta?

Eu sabia que era mentira, que nada daquilo poderia realmente acontecer, eu sabia que era algo descabido e idiota, mas estava simplesmente me corroendo.

– Diga. – ele disse também sonolento.

– Quando estávamos separados, você ficou com a Cameron, aqui em casa?

Ele abriu os olhos bruscamente e se remexeu inquieto, gaguejante e desconfortável.

– O-o que? Claro que não!

Finalmente fechei os olhos, sorrindo aliviada.

– Sabia que não faria isso.

Ele me apertou em um abraço quente e preocupado, sumi em seus braços e adormeci.

– Boa Noite Hermione.

– Boa Noite Fred.


Notas finais do capítulo
proooooooonto, agora vou demorar um pouquinho p postar pq eu tenho aula das 07:10 até 12:20 e trabalho da 13:00 às 20:00, Domingo a domingo (2 quartas livres por mês), ainda estudo quando chego em casa, no ônibus e enquanto almoço... leia-se: TEMPO MEGA APERTADO. Mas eu vou continuar postando para as minhas Fremioníacas sz'
.
eu vou -maseuvoltobua-ha-ha-ha-
.
Por Hoje é só ^^
.
.
*Malfeitofeito*




(Cap. 4) Worse than Sushi :6

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
Vou postar dois capítulos, no próximo eu falo mais com vcs
Jay Ne ^^


QUATRO:


[N/A: Fiz o capítulo escutando Monster - ADORO ESSE MÚSICA 'O' - AI GENTE EU TENTEI MAS NÃO CONSEGUI COLOCAR A FOTO T-T Desculpa - Ah gente,para quem ainda não leu, e quer mais fremiones, deem um pulo em ‘Meu Querido Gêmeo’ é super divertida, bem leve e gostosa de ler. Não pensem que eu não li os comentários e as recomendações, vou comentar no próximo capítulo :D]




Senti-o como uma cobra gélida peçonhenta que deslizava pelo meu corpo gerando-me asco. Ele emanava de si ódio, nojo, admiração.

Seu rosto ofídico estava muito perto do meu. Ele então colocou a mão sobre meu peito, não de forma carnal, mas sim como se tentasse cravar suas unhas fétidas em minha alma, contornando a cicatriz em meu peito.

– Quem diria... Uma sangue ruim seria meu futuro.

Tentei gritar e reagir, mas estava mole, a mercê do Lord das Trevas, como uma marionete.

– Traga para mim. – ele sussurrava arreganhando um sorriso rasgado e disforme exibindo coisas distorcidas e podres que deveriam ser seus dentes. Um assobio serpentino e gélido, como se congelasse minha medula e cravejassem agulhas em brasa na base do meu pescoço.

– Hermione...

A risada sádica odiosa da morena desvairada soou ao meu redor e eu me vi só, com um grande e monstruoso pássaro que voava veloz em minha direção.

– Hermione...

Hermione! – fui sacudida bruscamente, abrindo os olhos que pareciam grampeado, meu peito ardia absurdamente, pulsante, doloroso.

Não podia ser verdade... Não podia...

– Que horas são? – perguntei pressionando as têmporas, me sentando na cama.

– Seis e quinze. – Tencionei os músculos para saltar da cama. – Nem pense nisso, eles podem cuidar das coisas sem você.

– Mas...

– Não. – ele disse simplesmente me fechando em seus braços – sua aula começa às 09h00min. Não tem problema se você chegar às 08h00min hoje. Também vou chegar mais tarde hoje. Você não é uma máquina...

Aconcheguei-me entre seus braços, com um rompante de carência. Bipolar, louca, chame-me do que quiser, não tenho culpa se eu fico que nem um filhote de coala, calmo, despreocupado.

Que simplesmente é simples.

E feliz por tabela.

Ele se esticou e agarrou sua varinha, e em poucos segundos tinha em seus dedos minha caixinha de música.

Quando Fred me pedira em namoro, estávamos acampando e ele havia me dado essa caixinha de música, era de uma madeira escura, com detalhes de couro nos cantos e um pequeno trinco de bronze. A música era a música tema de Dave Jones (Piratas do Caribe), a mesma música que dançamos no baile do sexto ano.

Ele deu corda e abriu a caixinha, e deixou que a melodia inebriasse o ar. Ficou em pé na cama, sorrindo ruivamente como sempre, estendeu-me a mão.

Ri e aceitei.

Girávamos em cima da cama, flutuando nas notas concretas e aveludadas, que dançavam acariciando meu corpo.

Ou seria a mão de Fred que sutilmente acariciava minha cintura?

Andávamos sobre as notas espumosas, como uma areia movediça de prazer, gentil que englobava meu corpo calorosamente, e deixava um gosto bom na boca.

Ou seria o Beijo de Fred? Seu abraço?

Tudo se mesclava e se destacavam aqueles olhos pivetes verdes e lívidos. Medo? Simplesmente não existia no meu mundo.

Não ali. Ali havia apenas a melodia ruiva, e o garoto harmonioso.

Meu quarto. A melhor coisa que havia ali era a cama. Gostava de ficar deitada por horas, mesmo durante o dia, com as cobertas puxadas até o queixo. Era bom ficar ali, nada acontecia por ali, nenhuma pessoa, nada. Apenas certo ruivo que adentrava pela porta, dançante, com a bandeja do café da manhã.

A música havia cessado, mas a melodia continuava, fazendo-me flutuar, e tirar os pés desse mundo fétido, me isolando em uma bolha onde nada me atingia.

Eu sabia que seria por pouco tempo, mas e daí?

***

"Calhorda, canalha mentiroso,safado, profundas do inferno, filho de um trasgo, filhote de goul, meleca de comensal, traidor.

Que Merlin queime suapele com ácido, que Ares ferva seus olhos, que Atenas frite seu cérebro e o faça comer, que Hades te mate dolorosamente inúmeras vezes e nunca o deixe morrer, que você seja jogado nas profundezas do tártaro e os titãs joguem sua fúria sobre você. Que Ártemis espete seu coração em uma lança, que Apolo te cege com fogo, que Dionísio te enlouqueça e que Hermes te infernize até a eternidade, que você vire ração de comensal."


É o que você está pensando, e sim, eu mereço tudo isso.


Eu menti, é isso mesmo, não contei para Hermione que eu tinha beijado a Cameron. Eu tive medo, fiquei nervoso, não queria aborrecer Hermione, e no fundo eu me sentia culpado. Sempre disse a mim mesmo que contaria a ela, mas ai eu fui adiando, adiaaando, adiaaaaando, então descobri que ela estava grávida e desisti. Só queria esquecer a burrada que fiz. Quando eu fiquei com a Cameron, fiz para machucar a Hermione, queria que ela sentisse na pele o que eu sentia. Como fui idiota. Mas também quem iria imaginar que a Cameron se tornaria esse monstro?

– alou, alou, Fred weasley, terra chamando... – o rapaz em minha frente estalou os dedos.

– O que foi Doug? – eu disse desviando a atenção para os papeis em minha frente.

Eu era responsável pelo treinamento dos novos recrutas do ministério, e responsável pelas investigações de possíveis lugares que possam servir de esconderijo para comensais. Prendemos vários por semana,mas a maioria é peixe pequeno. Temos como prioridade Bellatrix, Lucio Malfoy, Cameron e Yaxley. Eles continuam juntos, e dividem o poder. Continuam com ataques, mesmo que sejam mais raros, são muito mais violentos. Essa semana tivemos o assassinato da família da Madame Hooch, minha antiga professora de esportes. Cameron e Bellatrix com certeza, elas tem essa marca registrada de marcar suas vítimas comum corte que atravessa de fora a fora o pescoço. Aquelas duas são sádicas, nojentas.

– Fred! Você está me escutando? – o rapaz baixinho de cabelo arrumadinho cutucou meu ombro.

– Hã... sim, fale.

– O treino da sua turma está quase no fim. Finalize lá e você tem que ir checar um casarão em Stalin. Tivemos denuncias de atividades suspeitas por lá.

– Certo, certo, leve isso para a sala do Percy. São os relatórios finais dos recrutas.

Entreguei-lhe a papelada e me levantei ruidosamente, saí da sala, Doug veio atrás.

Douglas Greengrass. Eu havia treinado o garoto, muito bem modéstia parte, ele veio do interior da Irlanda, parece que cria sozinho suas irmãs mais novas, parece que ambas estão em na Hogwarts II. Segundo ele, a mais velha sempre falava de mim quando eu estudava em Hogwarts, mas não me lembro delas.

– Quer que eu vá com você até Stalin? – ele se ofereceu ajeitando os óculos quadrados.

– Não é má ideia... provavelmente é outro alarme falso, mas é sempre bom ter alguém por perto. Me espere na fonte em quinze minutos. – eu disse dirigindo-me até a sala no final do corredor, passos firmes e marcados.

– Certo. – ele se apressou e foi no sentido aposto, segurando aquelas pilhas de papéis.

Ele era esforçado e responsável, de um jeito que eu nunca fui. Nunca precisei ser. Mesmo agora, eu tenho minha família, tenho Hermione. Ele está sozinho e ainda tem que cuidar de duas irmãs.

Adentrei a sala. Hoje a tarefa deles era o treinamento trouxa, sem uso algum de magia. Eles tiveram que passar por vários desafios, dentre eles, escalar um morro enlameado na chuva de trinta metros, arrastar-se por cinquenta metros em baixo de arame farpado, e várias outras coisas, finalizando em atravessar um lago de cinco metros de profundidade e cem metros de comprimento semi-congelado. Tudo isso levando consigo um boneco de areia com 60kg e usando uma camiseta e uma bermuda preta.

Eles estavam agora na última etapa: um campo aberto com artefatos bélicos espalhados pelo chão. Todas trouxas. Eles tinham que formar duplas e duelarem entre si com as armas.

Atravessei o campo e cheguei até a parte em que lutavam, conforme eu ia passando, as lutas iam diminuindo e os murmúrios aumentando. Cheguei perto de um casal. Ela era uma aluna nova, morena cabelos pretos e longos presos em um rabo de cavalo, olhos raivosamente verdes, sua boca tencionada em uma fina linha, empunhava uma Katana e atacava com tudo o rapaz em sua frente. Estava suja de lama, sangrando, tremendo ligeiramente, suas costas sangravam provavelmente ao arame farpado. O rapaz estava um pouquinho melhor, mas tinha um corte em seu supercílio que sangrava e atrapalhava sua visão. Ele empunhava uma espécie de peixeira, uma espada persa. Ele estava sem duvida perdendo de lavada.

– Não, não... – eu disse atraindo por fim a atenção de todos, o barulho da batalha cessou. – você tem uma espada curta, não pode atacá-la, pois ela vai conseguir te ferir antes que você chegue nela, a espada dela é maior que sua. – eu disse pegando a espada do rapaz e me portando frente a ela.

A morena ficou ligeiramente perplexa.

– É injustiça que eu vá lutar contra ela certo? Eu não tive que fazer esse treinamento certo? – eu disse observando a reação dos que observavam espantados – sim é injustiça... Mas quem disse que um comensal vai se preocupar se você está cansado, sangrando, ou morrendo? Hoje a aula de hoje foi para que vocês criassem resistência. – eu me virei para a morena, que já havia se recomposto e estava novamente com sua Katana empunhada. – Eu sou um comensal, ataque para matar.

Felizmente ela não hesitou e golpeou-me mirando meu pescoço. Desviei dando um passo para trás. Ela continuava com golpes na horizontal, e se irritava em não conseguir sequer me arranhar. Sendo que eu mal e mal empunhava a minha espada. Ela desferiu um golpe linear, mirando cravar sua espada em meu peito. Joguei o ombro para trás e sua lamina passou tangenciando meu peito. Segurei seu punho e pressionei a ponta de minha lâmina em suas costelas.

– Você morreu. – eu disse sorrindo. – a desvantagem das espadas curtas, são que você tem que se aproximar do inimigo para poder atacar, no momento em que ele tiver que dar um golpe mais arriscado, vocês deves sair do alcance da lâmina – eu apontei para sua lâmina que estava paralela ao meu peito e imobilizada por mim que segurava o pulso da morena – e dar um golpe efetivo e fatal. Pode ser que você não tenha tantas chances.

Por um segundo se surpresa, a morena girou como uma bailarina, desvencilhando-se de meu aperto, e se libertando, novamente apontando sua Katana para mim.

– Muito bem. – eu disse acenando com a cabeça – Comensais amam fazer discursos antes de matar, e é nesse momento que você deve pegá-lo de surpresa.

Ela veio até mim com um movimento vertical de sua Katana, como se fosse me partir em dois. Bloqueei seu golpe com a minha espada, fazendo surgir faíscas e tudo mais, ela atacou novamente na horizontal, abaixei-me a passei-lhe uma rasteira. Ela desengonçadamente, desviou de minha rasteira, mas perdeu o foco em sua espada. Aproveitei e com uma mão segurei seus pulsos por suas costas, e ao mesmo tempo segurei seu rabo de cavalo bruscamente, forçando-a a inclinar sua cabeça para o teto. Com a mão livre, pressionei minha espada contra seu pescoço. A morena bufava em frustração.

– Tudo bem você perder para mim, eu já passei por tudo isso. – disse sorrindo para que só ela ouvisse. – e o que tiramos de conclusão? – perguntei a turma em geral.

Ninguém se manifestou.

– Cabelos curtos. – eu soltei a morena – sempre.

– Os que desejarem podem acabar seus duelos, os demais, estão liberados por hoje. Amanhã repetiremos o percurso.

Em silêncio alguns se retiraram, outros começaram a cochichar entre si, e outros deram continuidade a sua luta. Saí da sala.

– Professor Weasley! – passos apressados me seguiram.

– Alana... – eu disse abrindo um sorriso – desculpe se peguei pesado com você.

A morena de olhos revoltos e verdes me olhava com admiração.

– Não foi nada... Professor, como você sabe tudo isso? – ela disse ainda ofegante.

– Treino. São coisas que você percebe durante a batalha. Você tem que aprender a ver as vantagens do sei inimigo e torná-las favoráveis a você. – dei de ombros.

– Mas professor, eu sequer consegui te arranhar! – ela dizia frustrada, voltando a trincar os dentes.

Coloquei a mão em sua cabeça.

– Calma. Você é uma das melhores da turma, mas eu sou seu professor. É minha função não deixar vocês me arranharem. Quem sabe um dia você consiga me ultrapassar...

– Eu definitivamente vou. – ela disse espremendo os olhos.

Alana Mengard tinha chego esse ano, vinda do interior da frança. Nunca estudou magia, sabia apenas o básico. Tem apenas 17 anos e mora com o avô, perdeu toda sua família em um ataque dos comensais. Mesmo não sabendo os feitiços mais avançados, ela aprende rápido, passa noites em claro no ministério, estudando, treinando. Hermione quando vem no ministérios trás livros para ela e a ajuda com alguns feitiços mais complicados. Isso ainda levando em conta que Alana odeia estudar.

Mas o curioso é que por mais que ela deteste estudar, ela detesta mais estar em um nível inferior. Não é nenhum gênio, mas é muito esforçada e tem uma força que muitos desconhecem. Eu meio que a adotei aqui no ministério, ela e Doug são os meus protegidos.

– Então treine. – eu disse sorrindo e dando as costas a pequena.

– Professor! – ela chamou.

– Sim?

– Você vai sair em uma missão? Posso ir junto? – ela pediu ofegante.

Sorri neguei com a cabeça.

– Hoje não. Quem sabe daqui há um mês ou dois.

Ela bufou e sua boca se transformou em uma linha fina, típico que quando ela estava enfezada.

– Vou estar pronta daqui a uma semana! – ela disse determinada, dando as costas para mim e voltando para dentro da sala enevoada e cinzenta de treinamento. – e eu não vou cortar eu cabelo!

Ri e seguia até a fonte, onde Doug me esperava com sua varinha em pulsos, observando a água cair, completamente pensando na morte da bezerra.

– Ah, Fred... – ele disse sorrindo – vamos?

Coloquei minha mão em seu ombro.

– Vamos.

CREC.

E no segundo seguinte eu estava sendo sugado para dentro de mim mesmo.

***

Pense no lugar onde Judas perdeu as botas. Piore. Tã dã! Bem vindo a Stalin. Estávamos nas margens da cidade, um grande descampado se estendia até onde os olhos alcançavam. Algo que parecia um vilarejo medieval estava longe e em nossa frente essa casa estranha. Parecia a casa dos gritos, só que maior. Tinha na varanda uma cadeira de balanço que rangia com o vento frio e úmido que se passava. Um cheiro incômodo vinha no ar e a neve do solo estava meio cinza devido a sujeira do lugar. Era um lugar decadente.

– Fred, não é melhor chamar reforços? – Doug disse ajeitando seus óculos nervosamente.

– Não, só vamos dar uma olhada. – eu murmurei seguindo em frente.

Sol? Acho que o sol não existia naquele lugar. Era como se uma capa cinza estivesse sobre a vila. Não tinha arvores, apenas arbustos secos. Nada verde, só o marrom morto e o cinza esquálido.

Contornamos a casa e fomos até os fundos, um caldeirão grande estava ali, e em uma pequena parte do terreno, cerca de 1m² de terra estava colorida. Verbena, violeta, alecrim... alguém estava preparando poções. Certamente bruxos moravam ali.

Então, se revesgueio, notei que na janela do andar de cima, alguém muito parecido com Yaxley, ou o próprio passou por ali.

Puxei Doug para trás de uns arbustos secos e puxei a capa de invisibilidade do meu bolso. Não era a de Harry, era apenas um pano enfeitiçado da Zonko’s, mas servia.

– Doug, vá ao ministério, e mande todos para cá, inclusive os recrutas. Yaxley está aqui, provavelmente deve haver mais.

– Mas e você? Vou ficar aqui caso alguém saia...

– Fred...

– Apenas obedeça! – eu disse sério.

O estampido se fez e eu estava agora sozinho em baixo da capa. Para minha infelicidade o estampido foi alto demais, e a porta dos fundos se escancarou. Um homem mal encarado surgiu, com feições cruéis e horrendas. Prendi a respiração.

– Não tem ninguém. – ele gritou.

– De qualquer forma vamos partir. – a voz de Bellatrix ecoou. – Toca 5! – ela gritou. Murmúrios vieram de dentro de casa e então uma movimentação intensa se fez. Como em um formigueiro inundado um número pavoroso começou a sair da casa. Aquilo era muito pior do que imaginávamos estavam ali reunidos no mínimo 25 comensais. – Cameron, você destrói essa Toca? – Bellatrix disse afastando uma mecha do rosto com sua varinha.

– Sim. – a morena disse saindo da casa.

Aos grupos, comensais foram sumindo, eu queria Pará-los, queria que os Aurores chegassem logo, acabar com aquele pesadelo.

Todos se foram, sobrou apenas Cameron que monotonamente incendiava a casa de madeira. As chamas cada vez mais altas lambiam a madeira que estalava e tudo era destruído.

Contra 25 eu não teria chances. Mas eu sabia lidar com a Cameron.

Andei gatunamente por trás dela, varinha em punhos e feitiço na ponta de língua.

– Expeliarmus! – o feitiço não saiu em minha voz, e tudo que eu pude fazer foi observar minha varinha escapar entre meus dedos.

Merda!

Atrás de mim, um comensal todo vestido de preto surgiu, varinhas em punhos. Supreendi-me quando o reconheci. Era um dos acusados por assassinar a família de Alana. Um verdadeiro armário, moreno escuro de cabelos que mais pareciam um couro. No corpo não havia falha, recoberto de cicatrizes e músculos perfeitos. Alvos dentes que quase rugiam para mim, maxilar forte e projetado, olhos negros e profundos, peitoral largo que subia e descia rapidamente. Era uma máquina. Letal, perigoso.

Ele havia me chamado atenção devido às suas origens. Era um dos últimos Zulus, um Clã em extinção, descendente de Shaka um poderoso bruxo que liderou e treinou uma tribo de trouxas do sul da África contra a invasão dos Britânicos em 1828. O que eu não entendia, era o porque dele ser comensal. Há dois anos ele era

A expressão de surpresa de Cameron logo foi substituída por um sorriso hediondo.

– Fredie! – ela sorriu.

– Avada... – o outro comensal começou a falar.

– NÃO! – Cameron acenou sua varinha e empurrou o homem para trás. – ele não...

– Ele deve ser morto... Sem prisioneiros, são as ordens da senhora Lestrange. – o homem de feições rústicas e trajes elegantes, contrapôs.

Cameron apontou a varinha para o homem, séria.

– Eu estou ordenando: esse não!

O homem, concordou em um murmúrio.

– Então Fred, valendo a sua vida, diga-me: o que faz aqui?

Duas varinhas apontadas para a minha cabeça, eu só estava vivo por causa da doida da Cameron que era tão estável quando um átomo radioativo. Minha vontade era de pular no pescoço dela e estrangulá-la por ter chegado perto da Hermione, por ameaçá-la usando meu filho. Mas trinquei o maxilar e me forcei a ficar vivo. Não podia abandonar Hermione agora. Não podia morrer. Em pouco tempo os aurores estariam aqui, tudo que eu tinha que fazer era esperar até que eles chegassem.

Cameron se esgueirou até mim, seus cintilantes olhos verdes e desvairados analisando meu corpo.

– Hein, Fred? – ela baixou o tom de voz.

Parecia que estavam enfiando Sashimi na minha goela. Aos desinformados, não existe nada pior no mundo para mim do que Sashimi e peixes crus em geral, aquela coisa escura ao redor daquele arroz grudento...

Sushi é um nojo... e aquele quijo branco no meio que tem gosto de água velha, e o cheiro enjoativo de peixe junto com aquela alga já em decomposição, que desce rapando pela garganta que a todo custo tenta empurrar aquela nojeira para fora...

Mas como sei que alguns talvez gostem de sushi vou mudar o exemplo: foi como se eu estivesse bebendo grandes goles ininterruptos de gasolina. Em sumo: foi difícil segurar a bile.

– Vim conversar com você...

– Então por que estava com a varinha apontada para ela?! – o comensal disse ainda mirando-me com sua varinha.

– Eu achei que ela fosse me atacar sem dar a chance de deixar que eu dissesse o que vim dizer... – inventei rapidamente.

– Se é quanto à sua família enjoada, nem se preocupe...

Aquilo chamou minha atenção... Por que eu não devia me preocupar?

– Calado! – Cameron urrou. – por que veio Fred?

– Não consegui te esquecer. – menti, me segurando muito para não fazer uma careta.

Ela riu, ficando corada. Céus eu estava realmente enjoado. Doug seu desgraçado, por que demora tanto?

A morena se esgueirou até mim, sorrindo, e eu senti suas mãos quentes deslizarem pelo meu pescoço como uma cobra peçonhenta. Trinquei o maxilar de tão forte que pressionei os dentes. Cerrei os punhos.

– Eu sempre soube que você me amava... Não se preocupe, em pouco tempo ficaremos juntos. Eu, você, e criaremos seu filho para um futuro glorioso. Eu já sinto como se ele fosse meu... – ela riu passando a mão na barriga, como se ela estivesse grávida.

Tive vontade de matá-la. Não figurativamente, ou em um lapso de exagero. Queria poder torcer aquele pescoço frágil e acabar com a ameaçada minha família. Senti-a mordiscar meu pescoço enquanto seus dedos corriam meu pescoço. Tentei me afastar, mas ela sugestivamente pressionou sua varinha em minha costela. No minuto seguinte o calor intenso do fogo que irradiava da casa que gemia em chamas se misturava com os lábios mornos e carnudos nos meus. O suor desagradável contrastava com o gélido vento, o cheiro cinza que chegava até mim me enjoando, e o monóxido com cinzas que era trazido até mim pelo vento.

Pior foi sentir sua língua forçar entrada. Quase engoli minha língua de tanto que evitei mais contato. Sem notar apertei meus olhos, e quando menos esperava algo bom/ruim aconteceu.

Fui agarrado pelas roupas e arremessado para perto da casa em chamas.

O homem que ali estava bufava de raiva.

– Você enlouqueceu? – Cameron disse arfando em ódio.

– Ele não é confiável!

– Eu decido isso!

CREC! CREC! CREC!

Os estampidos começaram a ecoar pelo campo e os homens uniformizados começaram a surgir. O mouro que rangia os dentes puxou a morena para trás de seu corpo mostrou-me seus dentes brancos como pérolas, em um rosnado animalesco. Eu tentava me levantar quando ele me acertou um soco com as costas da mão, arrebentando meu lábio superior, antes que eu caísse agarrou-me pelos cabelos, me suspendendo no ar. O ar que tinha sobre palma de sua mão tremulou, como se estivesse quente e então fez algo que eu havia lido algumas poucas vezes. Canalizou sua energia sem uma varinha.

– Não! – Cameron gritou.

Senti-o dar um tapa com sua palma aberta em minha têmpora e foi como se ele cravejasse uma barra em brasas em meu cérebro. A dor foi insuportável, o grito escapou sem que eu ordenasse. Realmente achei que minha cabeça fosse explodir.

Foi rápido, mas doeu muito. No segundo seguinte ele e Cameron tinham desaparecido. Cameron tinha me dado uma piscadela ladina e assoprado um beijo.

– Fred! – Alana estava ainda suja de lama com as roupas do treinamento e tentava a todo custo acertar os comensais. Quando eles se foram ela correu até mim, segurando-me antes que eu atingisse o chão.

Meu nariz sangrava e minha visão estava turva, meus olhos doíam, como se alguém os empurrassem para fora de minha cabeça. Havia sangue em minha boca e meu couro cabeludo estava completamente dolente. Fiz força para permanecer acordado, mas doía muito.

Hermione vai me matar se eu morrer.

Apoiei-me nos ombros de Alana e tentei deixar os olhos abertos. Doug em seguida estava me amparando, os outros aurores apagavam o fogo da casa.

– Desculpe pela demora, tivemos que reunir aurores... – o moreno gaguejava apavorado. – Sr. Weasley... Seus olhos...

– O que tem meus olhos?

– Cala a boca seu idiota, vamos tirá-lo daqui...

– Será que ele aguenta Desaparatar?

– O que tem os meus olhos?

– Nada demais, só estão sangrando... – Alana murmurou como se fosse algo banal – claro que aguenta, ele é o Fred.

Nem sempre é bom ser o super-herói de alguém... Um belo dia você pode estar em situação preocupante e ouvir algo como: “Nada demais seus olhos só estão sangrando”

– Vocês! – acho que foi Elifas Doge quem gritou – Levem-no para o hospital logo!

No segundo seguinte senti ser sugado para o vácuo enquanto ficava cada vez mais difícil manter os olhos abertos. O sangue escorria pelo meu nariz, olhos e boca, o cheiro férrico era enjoativo e eu me sentia exausto.

***

Cheguei ao colégio no horário certo, assisti às aulas e tudo correu bem. No almoço mal me sentei ao lado de Harry e senti alguém cutucar meu ombro. Era Nick.

– Aconteceu alguma coisa? – perguntei preocupada.

Ele apenas negou com um aceno, bochechas meio vermelhas e olhos baixos.

– Posso falar com você? – ele indagou.

Levantei-me e segui-o até o corredor onde ele tirou um pedaço de pergaminho e me entregou. Segurei-o cuidadosamente, e visto que o Corvinal havia ficado mudo, resolvi desdobrar o papel.

E qual surpresa foi a me ver desenhada ali.

– Sou eu? – eu disse ligeiramente boquiaberta.

Ele agora sorria, as mãos nos bolsos se embalando para frente e para trás.

– É.

E então ele se inclinou em minha direção e depositou um beijo em minha bochecha. Afastou-se e seguiu seu caminho pelo corredor.

Não entendi nada. Absolutamente nada. Ele estava se agradecendo? Estava brincando? Ou estava simplesmente sendo imprevisível e sem noção? Não consegui pensar sobre o assunto, pois nem bem pensei em ir atrás do loiro e um antebraço veio firme em minha garganta, me prensando contra parede.

– O que pensa que está fazendo? – eu disse fitando os olhos azuis da loira.

– Pois eu ia perguntar o mesmo. O que quer com meu irmão?

Panti estava séria, olhos semicerrados, maxilar trincado e novamente tudo nela gritava: SONSERINA! SONSERINA!

Eu podia ter quebrado o braço dela em um único movimento, ela era magra e não parecia ser do tipo que treinava com a frequência que eu treino.

– Eu não quero nada. – disse refazendo-me do susto e retomando minha melhor expressão de frieza e desinteresse. – agora quer me soltar, por favor?

Ela tirou o cotovelo do meu peito hesitando, e depois tirou o braço por completo, analisando-me de cima a baixo.

– Eu vi que ele te beijou. – ela disse desamassando sua gravata.

– Na bochecha... – completei – e pelo amor de Deus, não sou uma comensal infiltrada pronta para matar seu irmão. Estou aqui para proteger os alunos.

Ela me olhou ligeiramente incrédula.

– Eu sei que não é uma comensal... – ela disse juntando agora a mochila que estava no chão. – não é com isso que me preocupo.

– Então me atacou por quê? – eu disse tentando não chamar a loira de bipolar ou coisas piores.

– Não vou deixar que ele envolva-se com alguém da sua idade. Ainda mais alguém comprometida.

“Minha idade o que, sua mocréia? Você deve ser apenas um ano mais nova do que eu!”


– Não tenho interesse no seu irmão desse jeito, fique tranquila. – eu dei as costas para voltar ao salão comunal e ver se eu conseguia terminar de almoçar.

– Sei... – ela disse descrente.

Ignorei, incorporei meu cargo de responsável pelos alunos e voltei para o salão, reprimindo o impulso de ir lá e dar uma lição naquela pirralha.

“Certo, eu namoro Fred Weasley, ela realmente acha que eu vou prestar atenção em mais alguém?” meditei comigo mesma.

“Bitch please...” minha consciência finamente falava alguma coisa que prestasse.

“Exatamente”

Despejei-me sobre o banco, apoiando a perna esquerda sobre essa, apoiando minhas costas em Gina e pegando a torrada de Lino. Na mesa da Corvinal Nick abanou rapidamente e voltou a falar com um garoto que era novo na escola.

Com raiva agarrei a torrada de Neville e enfiei na boca, o sangue esquentava meu rosto.

– Hã... Hermione? – Rony murmurou, a mesa tinha ficado em silêncio.

– Está tudo bem? – Harry concluiu a indagação.

Notei então que eu estava triturando a torrada tão cruelmente, que era possível ouvir os gritos por clemência da pobre coitada.

– Ótima. Por que? – resmunguei.

– Eu não sei, talvez por que a torrada esteja quase sangrando... – Neville disse conformado, pegando outra torrada.

– Verdade Hermione, sem falar que você parece um maloqueiro sentada assim.

Bufei e me ajeitei no banco, dei fim ao sofrimento da pobre torrada e apoiei minha cabeça no ombro da Ginny.

O banquete não era que nem a de Hogwarts original em quesito de abundância, mas os Elfos não perderam a mão, a comida estava realmente ótima. Mesmo que eu estive enjoada pra comida. Estava comendo as torradas e beliscando o rolinho primavera.

– Ah, sei lá... Vocês acham que eu algum dia me envolveria com um garoto de 14 anos?

– Não. – foi a maioria.

– Ainda mais namorando o Fred. - Lilá disse pegando mais salada.

– Como assim? – Rony disse estreitando os olhos.

– Menos Roniquito, menos... – Lilá disse bagunçando os ruivos fios.

***

– Então alunos, movimentos rápidos e preciso. Reventio. O feitiço que permite a manipulação concisa que corpos extensos. – Flitwick dizia gesticulando o pulso em rápidas meias-luas.

– Tipo Comensais? – Lilá perguntou.

– Se me perguntarem negarei até a morte, mas sim... Se souberem usar bem esse feitiço podem arremessar seu oponente há metros de distância, em qualquer distancia que queiram, até mesmo manipular seus corpos, inúmeras vezes mais precisa que Estupefaça.

Era a turma mais avançada, só tinham os alunos que iriam prestar NIEMs para Auror, a Armada de Dumbledore e os alunos da Frente de Defesa da Hogwarts II. O nosso caçulinha era Creevey, e sempre era nossa cobaia.

– Certo, para evitar que se machuquem vou modificar a densidade do ar da sala, para que ninguém se choque contra a parede, então vai ficar difícil se movimentar e a princípio vai ser difícil respirar, mas logo se acostumam. – professor girou sua varinha, nos colocou em uma fila e o nosso mascote ao seu lado, sussurrou algo e no minuto seguinte parecíamos estar mergulhados na água.

O primeiro a tentar foi Creevey, que mirou no professor. Não teve muito sucesso. Na verdade, era bem complicado. Surpreendentemente Neville conseguiu executar o feitiço de primeiro (segundo ele, professora Sprout tinha lhe ensinado esse feitiço no sexto ano para arremessa as pragas para longe das hortaliças de Hogwarts.) quando chegou minha vez, foi desastroso. Eu acabei por me arremessar para trás ao invés de arremessar Creevey. Segundo professor Flitwick foi perfeito, mas foi ao contrário, então eu acabei por controlar meu corpo e não o do pequeno. Quer dizer... Não mais tão pequeno... Era estranho ver o quanto ele tinha crescido, boatos diziam até que ele andava amigado de uma tal Dafne Greengrass.

Depois treinamos em duplas, fui com Harry. Eu sentia falta dele, de quando éramos inseparáveis. O trio de ouro tinha se tornado praticamente um trio de soldados modelos. Não sei até onde isso era bom.

– A teoria é essencial para a realização dos feitiços, lembrem-se: Intensidade, duração, controlem o fluxo de energia, trabalhem com a metafísica do ar...

Tentei realizar o feitiço, mas novamente não consegui.

– O que foi Mione? Enferrujou? – Harry provocou.

– Vem aqui que eu te mostro a ferrugem... – eu disse rindo.

Sim, no final da aula estávamos fazendo montinho em Harry, enquanto o professor Flitwick fazia vista grossa e arruava seu material. Eu ria como não ria há muito tempo, só falta uma coisa para ficar perfeito. Na verdade faltavam duas. Dois certos gêmeos.

Flitwick tinha saído da sala rindo e nos deixado brincando ali, tínhamos aumentado a densidade e diminuído a gravidade e estávamos brincando de um pega-pega super estranho, por que os movimentos eram lentos em demasia. A ampla janela revelava aquela tarde nublada londrina, que escondia um sol tímido atrás das nuvens e o vento que rugia feroz, passando uma sensação aconchegante dentro da sala aquecida. Um ambiente quase familiar.


Luna passou rodopiando ao meu lado, sua longa trança rodopiando Draco ria atrás dela, mas então algo tinha que estragar aquilo.

Senti uma dor forte no obro esquerdo, enquanto aquilo sufocava-me, como se alguém estivesse ali me estrangulando com mãos gélidas de brasas. Um alívio doloroso e alarmante, uma ardência confortável e dolorida. Era diferente de tudo que eu já senti. Não era bom. Mas definitivamente não era ruim.

Naquele denso ar eu me vi caindo em câmera lenta, e o ar oferecendo uma grande resistência contra meu corpo, como se tentasse desesperadamente me segurar, me manter em pé. Será que no fim essa história de pecados existe, e os deuses e deusas estão me castigando? Será que a natureza sabe o que eu fiz com ela e agora quer me matar?

Antes que eu caísse senti um par de braços me segurar.

– Me tira daqui. – murmurei.

Luna apenas assentiu, jogou meus braços ao redor do meu pescoço e com um sorriso sonhador nos lábios se afastou da multidão, Draco, porém notou e veio até nós.

Saí da sala com Luna e ela me deixou no chão, fora da sala a gravidade me puxou pra o chão brutalmente e eu senti meu corpo pesar. Aquela estranha sensação diminuía, mas eu ainda me sentia ofegante. Pouco tempo depois Draco conseguiu sair da sala.

Ele se ajoelhou ao meu lado e segurou minha cabeça passando a mão em minha testa.

– Hermione – Ele disse preocupado.

Respirei fundo.

– Já estou melhor. Draco, a cicatriz...

– Dói? E o bebê?

– Não é isso... Não sei...

Luna acariciou meus cabelos e me puxou para um abraço.

– Calma, já passou.

Ela falava de modo tranquilo, e me embalava tranquilamente. Aos poucos aquilo passou e eu estava bem, como se nada tivesse acontecido.

– Viu? Agora me conte essa história de bebê. – Luna disse sorrindo.

O sinal bateu e eles me ampararam até o jardim interno e ali matamos parte da aula de DCAT. Eu contei para Luna tudo o que podia contar agora mais do que nunca precisando desabafar com alguém sobre o que tinha feito. Usar o vira-tempo para salvar Fred e acabar bagunçando tudo. Mas eu não podia. Seria odiada, crucificada. Todas essas mortes são minha culpa.

– Vocês deviam voltar para aula. – eu disse me levantando e sorrindo.

– Mas e você?

– Ah, estou bem, foi só uma tontura à toa. Ando me assustando por bobagens. E eu tenho que ir em Hogwarts agora, Minerva me pediu para guiar o pessoal lá hoje.

– Certo. – Draco disse se esticando. – Mande um abraço à Murta se a vir.

Eu sorri.

– Idem. – Luna disse girando nos calcanhares, agora sorrindo – e você já sabe o nome do bebê?

Eu ri e olhei para os lados nervosamente. Na verdade eu e Fred não tínhamos muito desses momentos de pais coruja que se emocionam com o primeiro filho. Nossas noites tinham se resumido basicamente a discutir assuntos de trabalho, cozinhar, arrumar a casa, brincar, e raramente tínhamos momentos românticos. Normalmente quando Fred começava a tocar o piano da sala.

– Ainda não, mas estou aberta a sugestões. – eu disse sorrindo. – Agora apressem-se ou vão se atrasar. E não contém a ninguém sobre o que aconteceu.

– Sim senhora. – ambos bateram continência.

Draco jogou os braços ao redor de Luna e eles saíram dali. Aqueles dois eram muito fofos... Acho que eu devia ser mais fofa com Fred.

Sacudi a cabeça e rumei para a sala da minerva que ficava no quarto andar, ao lado da sala de poções.

Bati na porta, que em seguida abriu-se. Minerva trabalhava atrás de sua mesa, focada, preenchendo mil e uma papeladas.

– Oh, Hermione, que bom que chegou. Queria conversar com você antes de ir, teria problema?

– De jeito nenhum Diretora.

Ela indicou a cadeira em sua frente e eu me sentei. Não era que nem a sala de Dumbledore, mais parecia um consultório. Mas era aconchegante.

– Então Srta Granger, qual a situação da Frente de Defesa e a AD?

– A AD está extremamente avançada não apenas em combate como está tendo aulas específicas com o Profº Slughorn sobre antídotos e medicamentos, começam semana que vem as aulas práticas com o Medibruxo Sr Brown, confirmei com ele ontem. A Frente de Defesa do colégio está com muitos inscritos, hoje às 19:00 será aplicado o Teste para Admissão. Segunda-Feira eu tenho os resultados, eu mesma corrigirei as provas. – eu disse revisando uma lista mental sobre o assunto – Ah, e o Sr Corner disse ter identificado uma atividade suspeita a duas quadras daqui, e há mais relatórios que levam a crer que os comensais estão observando o colégio.

– Alguma falha em nossas defesas?

– Não senhora, eu as reviso todo dia antes das aulas começarem. Os aurores também estão em guarda constante como o combinado.

– Alguma atividade suspeita dos alunos?

– Nenhuma, o zelador Filch está fazendo a revista todos os dias no caldeirão furado e nos portões da escola.

– Ótimo. E como estão os alunos em geral.

– Ouso dizer, esperançosos. Os pais também têm mandado corujas parabenizando o colégio.

Minerva cruzou os braços, satisfeita, aliviada, e sorriu para o porta-retratos de Alvo que tinha em sua mesa.

– Você tem sido perfeita Hermione, não sei o que faria sem você.

– Eu apenas organizo as informações diretora, o mérito não é meu.

– É sim. Devo dizer que você, o Sr Potter, Sr. Weasley, Srta Ginevra, Srta Lovegood e o Sr Malfoy têm guiado os alunos de forma esplêndida. Mas você tem dado seu sangue pelo colégio.

– É minha obrigação Diretora.

Ela se levantou da cadeira sorrindo. Ela estava otimista hoje. Ela deu a volta na mesa e afagou meu ombro.

– Como esperado de Hermione Granger. Orgulho-me de você. – ela disse sorrindo.

Desde que apaguei a memória dos meus pais, Minerva tem sido como uma segunda mãe para mim. Molly também é especial para mim, mas ela sempre foi uma mãe, querida, preocupada, coruja. Minerva é meu exemplo, não era algo explícito, ela não era de demonstrar favoritismo a ninguém, mas sempre que podia, deixava claro que se orgulhava de mim e esse ano ela sabia que eu não tinha dinheiro para os livros e pagou todo meu material escolar, além de uniforme. Com ela não são palavras e sim atitudes. Acreditava em mim. Enquanto todos achavam que eu era delicada demais para certas coisas, ela tinha certeza que eu era a única que podia realizá-las.

– Fico honrada em ouvir isso vindo de você. De verdade. – eu disse abrindo um sorriso.

Ela pigarreou e “coçou” o olho.

– Agora senhorita, eu quero pedir um favor pessoal. Peço a você por que é a única pessoa que confiaria esse assunto. – ela disse séria.

Acenei com a cabeça. Jamais lhe negaria um favor. Ainda mais pessoal.

– Já deve saber que os Demeter são meus Afilhados. – assenti, ela voltou a se sentar – Ano passado comensais chegaram até a família deles, e foi um massacre total. O pai deles ainda está internado e a mãe foi morta na frente deles. A questão é que eles foram criados em uma escola alternativa de Bruxaria na Estônia e eles precisam de um treinamento intensivo, e a única pessoa que eu os confio é a você.

Eu, Panti e Nick, em uma sala, treinando feitiços ofensivos, em uma sala fechada por horas. O que podia dar errado? Mas pela Minerva era o mínimo que eu poderia fazer.

– Eu já tenho algo em mente. – disse sorrindo.

– E o que seria?

– Se a senhora permitisse, gostaria que os Deméter dormissem em minha casa de sexta para sábado para que o treinamento não interfira nas aulas.

– Mas eu soube que a senhorita trabalha. E temos a questão de segurança.

Fiquei vermelha e gaguejei ligeiramente. Não tinha vergonha de trabalhar, mas não queria que ninguém descobrisse. Quer dizer, eu tinha uma reputação como durona e general, simplesmente não combinava com um emprego em que eu colocava um uniforme fofinho e servia cafés, não que eu não gostasse, mas aquilo não era algo que o ícone feminino do trio de ouro devesse exercer. Eu evitava comental que morava com Fred, não comentava sobre meus problemas e muito menos sobre os econômicos.

– B-bem, quanto a isso, vou conversar com meu chefe, um pequeno Confundos deve resolver, e quanto à segurança não há com que se preocupar, moro com Fred Weasley.

Minerva ergueu sua sobrancelha e juntou as mãos.

– E há espaço na sua casa? Veja, não quero causar problemas...

– Temos dois quartos de hóspedes, e creio que Fred como Auror poderá me ajudar no treinamento deles. Em alguns meses eles estarão tão bons quanto os membros da Armada. Tem minha palavra. Mais alguma coisa? – eu disse me levantando e indo rumo a lareira.

– Não senhorita. Boa Sorte.

A lareira se expandiu depois que eu disse a senha, entrei nela e peguei o pó de flu, sentindo-o entre os dedos.

– Hermione, - a diretora me chamou – Obrigado.

Acenei com a cabeça, enquanto chamas verdes me consumiam.

***

– Hermione!

– Hagrid! – eu corri, pulando destroços e recebi o abraço esmagador e caloroso do pequeno gigante.

Nosso cumprimento foi rápido e o trabalho árduo. Hogwarts estava bem melhor, mas o pátio ainda estava em miséria, e o campo de Quadribol destruído. A Lula do lago ainda não tinha voltado do veterinário – sim Hagrid conhecia um veterinário de criaturas mágicas.

Meia dúzia de elfos trabalhava nas paredes, construindo, esculpindo, remodelando. Um pintor havia sido contratado só para reparar os quadros queimados e danificados, nossas perdas tinham sido imensas. Madame Pince trabalhava incansavelmente, recuperando livros e restaurando-os. Felizmente quase todos os livros tinham saído inteiros.

McGonagall me mandava inspecionar por que eu não apenas escrevia os relatórios, como metia a mão na massa. Levantava peso, pintava os dormitórios, bordava as colchas, servia lanches aos abortos que pegavam o trabalho pesado de realmente reerguer as imensas paredes, além de trabalhar pouco a pouco, nas extremidades mais longínquas do terreno a refazer as defesas do castelo. Eu tinha conseguido uma trégua com os centauros e humildemente aceitava dicas e sugestões.

Tinha conseguido algo que até então nunca tinha se falado, que os jovens centauros tivessem o direito, se quisessem, de estudar na escola, ou frequentar as aulas que quisessem. Pela primeira vez, os centauros dividiam conhecimento com os bruxos – comigo e com Hagrid pelo menos – e os bruxos começavam a aceitar os centauros como iguais. Algo que para mim era meio óbvio. A tarde foi passando, eu já estava com mangas arregaçadas e o trabalho era infinito. Quando comecei a me preocupar com o atraso para meu trabalho recebi uma mensagem de Ian pela moeda de ouro. (sim eu tinha feito uma para ele)


“Pode deixar que eu te dou cobertura hoje, não se preocupa, sei que hoje é seu dia e Hogwarts. Nos vemos mais tarde. I.F”


Ele era meu salvador, sem dúvida. Quando deram 18h00min os homens que trabalhavam foram para seu acampamento improvisado, pelo que vi era cheio das barras mágicas. Madame Pince foi embora e os elfos foram para seus aposentos, e restou apenas eu e Grope, tirando os entulhos do campo de Quadribol.

Grope tinha crescido ainda mais, continuava o mesmo e estava bem mais articulado, estava quase falando normalmente agora. Sempre que eu tinha tempo lia-lhe histórias e ensinava-lhe coisas em geral. Madame pince quem fazia o maior trabalho.

– ... E a Vi... Vibarção do ar são os elementos mais i-influenciam na magia. – ele disse sentado, empilhando os entulhos como se fossem legos de brincar.

– Vibrações – corrigi-o, enquanto com um feitiço retirava a grama destruída. – é exatamente isso, hoje mesmo na minha aula de feitiços o professor disse isso.

Ele sorriu sereno. Ele era uma pessoa boa e pura, incapaz de cometer qualquer tipo de maldade, com o tempo me afeiçoei a ele de tal forma, que é como se ele fosse um irmão mais novo.

– Grope seu grandalhão, já passa das 18h00min, por hoje chega. – Hagrid disse chegando ao campo.

– Mas Grope contando o que a-aprendeu pra Hermi. – ele lamentou-se.

Grope era inteligente e tinha uma memória fantástica, mas ele tinha dificuldade de fala e de articulação. Segundo Hagrid isso é por que os gigantes de verdade são meio bárbaros e não costumam falar. Eles praticamente grunhem e rosnam.

– Só mais cinco minutinhos? – pedi a Hagrid.

Ele bateu os braços do lado do corpo.

– Está bem, mas depois vá para casa, e Hermione, passe em minha cabana antes de ir!

Eu e Grope assentimos.

– Hora do conto? – Grope indagou animado assim que eu me levantei e peguei minha mochila.

Sorri e afirmei. Tirei o livro: “Os contos de Beadle, o Bardo” e abri na história que tinha parado.

Pra que não tivesse que ficar gritando, Grope me colocou sentada na pilha de entulhos e se deitou, apoiando o rosto na mão. Li o conto da fonte mágica, ele como sempre adorou e ficou rindo, como uma criança. Depois Grope me deu uma carona até a cabana de Hagrid e de lá se despediu de mim com um aceno empolgado, dizendo que sentiria minha falta, e seguiu para a floresta.

Quando consegui me entender com o líder dos centauros, há mais ou menos um mês atrás, pedi-lhe que ajudassem Grope. Eu sabia que ele conseguia se virar, mas para mim ele era uma criança e não deveria ficar sozinho na floresta. Daí nasceu algo engraçado, os centauros passaram a fazer uma protocooperação com Grope. Grope lhes dava madeira e os ajudava com os trabalhos braçais, e os centauros passaram a ajudá-lo com coisas como: fazer remendos nas roupas, e fazer companhia para eles. Embora eu ache que eles meio que tenham adotado Grope. Inclusive improvisaram uma cama para ele, com inúmeras folhas secas, e com a ajuda de Winky fizeram um cobertor para o grandão. Os centauros não davam o braço a torcer, mas Grope entregava o jogo dizendo ser bem tratado.

– Hagrid... – eu disse adentrando a cabana dele.

Ele me cumprimentou calorosamente e já foi me empurrando seu chá com biscoitos, afundei-me na velha cadeira de couro marrom e começamos a conversar.

– E como andam as coisas em Londres.

– Ah Hagrid, trabalho, escola, mas tudo bem, só ando preocupada com algumas coisas. Tem uma cicatriz estranha no meu peito, meus inimigos sabem da minha maior fraqueza, eu fiz algo horrível e não posso contar para ninguém e isso está me matando. E eu não posso fraquejar, contam comigo, tem uma garota mala que acha que eu estou dando em cima do irmão dela, e a minha consciência vai me esmagar... – eu tomei um fôlego – é sério Hagrid, nem Atlas deve sentir o peso que eu levo nos ombros.

– Hey, calma... O que foi de tão horrível? – Hagrid disse colocando seu chá de lado erguendo as sobrancelhas.

– Não posso contar, mas vai por mim, essa guerra é minha culpa... – suspirei sentindo-me fraca.

– Hermione, ninguém é perfeito... – ele disse sorrindo abrindo os braços. – vem aqui.

Eu coloquei o chá e os biscoitos de lado e cambaleei até Hagrid, me afundei naquele abraço e chorei, solucei, balbuciei coisas sem sentido, xinguei, e encharquei a blusa do guarda caça. Sentia como se o peso dos céus estivesse sobre meus ombros. E ao menor sinal, ao mais breve inspirar um pouco mais fundo, eu fosse acabar deixando tudo cair.

– Pronto, Alvo sempre me dizia que quando a cabeça parece que vai estourar, é por que você esta acumulando choro, e esse choro faz muita pressão na sua cabeça. Por mais egoísta que tenha sido seu erro, não importa, você sempre dá tudo de si para os outros, você merece alguns caprichos.

Por um instante imaginei o jovem Hagrid, grande e gordo, chorando no colo de Dumbledore. Aquilo me fez sorrir.

– Obrigado por escutar. – murmurei.

Ele sorriu, com seu jeito gentil.

– Não se cobre tanto - ele me soltou de seu abraço.

Conversamos mais um pouco, até que eu notei que eram quase 18h50min. Saí correndo, levando pãezinhos e biscoitos feitos pelo próprio Hagrid. Domingo à noite teria um jantar da ordem. Um momento de descontração. Eu o veria lá.


Notas finais do capítulo
tah, sem lero-lero, vou postar o outro logo em seguida
Até daqui a pouco
*Malfeitofeito*




(Cap. 5) Amor fino, amor barroco.

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
Agora, que eu me redimi um pouquinhozinho com o capítulo interior e a sede de vocês não está mais tão voraz, vou falar algumas coisinhas:
1º EU NÃO MEREÇO VOCÊS... SÉRIO, REVIEWS, RECOMENDAÇÕES, MENSAGENS FOFAS... E EU SEM POSTAR A DÉCADAS! vocês são bons demais pra serem verdade...
Vivi Coelho, Ana Malfoy, Bella Jackson Potter Kane, MoniqueBieber FORAM AS LINDAS QUE ME MANDARAM RECOMENDAÇÕES... Que vontade de embrulhar vocês (Na real TODAS as leitoras daqui) e levar pra casa ^^
2º Gente quando eu demoro pra postar não é pra que vocês de descabelem mandando reviews ou recomendações, é que eu REALMENTE estive sem tempo. Eu demorei por que domingo(24/06/2012) vou ter simulado (e vai ser meu niver tmb 'o') e ando estudando mais ainda, então, me perdoem por não ter postado antes.
3º eu não sei pq mas hj não to conseguindo postar as imagens, mas pra não deixar vocês sem capítulos, eu vou colocar depois ºQº
4º ficou curtinho mas eu gostei ºuº

SEIS:


– Eu te amo já te disse isso hoje? – Murmurei ajeitando a estante de livros.

– Umas dez vezes – Ian respondeu.

Eu tinha saído às pressas da casa de Hagrid e tinha chego atrasada no trabalho, mas Ian tinha me dado cobertura então o gerente não percebeu. Na verdade um cliente até perguntou por mim, mas um feitiço Confundus salvou minha pele...

Estava cheio demais para uma quinta-feira. Mas era bom ver a livraria cheia. Pelo menos Gabriela não ficava me torrando a paciência para que eu fosse passar uns “migué” no Ian.

Subi a cafeteria e dessa vez ajudei na cozinha. Eu e Lena estávamos acabando de enfeitar um bolo de morango, conversávamos animadas, e ela reclamava por eu nunca sair com o pessoal.

– É que eu ando ocupada... – respondi.

– Eu acho que você tem vergonha de nós. Que os seus amiginhos ricos saibam que você anda com os plebeus que nem nós.

Ri-me.

– Não... Mas eu sou, como posso dizer, presidente da minha escola. Sou a monitora geral, e nem todos gostam de mim, então não posso deixar que descubram que eu trabalho vestida de Maid.

– Entendo... Você mais parece uma máquina... Lê, estuda, trabalha, e faz tudo com perfeição.

– Nem tudo... Vai por mim...

– Você tem que ter um defeito. – ela refletia em voz alta. – Já sei! Nas horas vagas você mata filhotes de labrador!

– Ah sim, é uma verdadeira carnificina meu quintal, ponho eles em um moedor e faço tortas... –murmurei em tom de segredos.

– Cá entre nós, eu também tenho um hobbie – Lena fez tom de segredo – atropelo velinhas...

– Ah, eu também! Nada melhor que vê-las indo pelos ares...

Wiii... Voam como se fossem pardais... Eu adoro um pouco da velha e boa ultraviolência. Sair a noite com meus droogs... – ela abriu os braços como se fosse um pássaro.

– Ou o bom e velho in-out-in-out... – rimos escandalosamente – Credo aquele filme é horrivelmente bom... – eu disse rindo guardando os morangos de volta na geladeira.

[NA: Droogs = amigos / in-out-in-out =sexo // são palavras inventadas pelo protagonista Alex DeLarge do filme/Livro Laranja Mecânica, um clássico, eu recomendo: É MUITO BOM E MUITO PERTURBADO , NÃO ASSISTIR COM OS PAIS DO LADO!]

– Certo sua perversa esmagadora de filhotes, vá levar esta torta, e pergunte para a Gabi se precisa assar mais alguma coisa.

Ri-me mais, equilibrei o bolo e saí da cozinha. Fui para a cafeteria, arrumei a torta na vitrine e fui perguntar a Gabi se ela queria algo mais da cozinha.

– Pelos pregos de Jesus, vai atender as mesas ou eu juro que vou ter uma crise... Não era pra esse lugar estar tão cheio! – ela dizia preparando trocentas coisas ao mesmo tempo. – leva isso na dois, os pães de queijo na quinze, e as fatias de torta pro guloso da um. E tira o olho dele que é meu... Se puder trata ele mal pra parecer que eu sou querida... – Gabriela dizia lavando a louça com as mãos e tentando ligar a máquina de café com o cotovelo.

– Aquele velho barrigudo da mesa dois? – indaguei confusa.

– Não né seu jegue, o bonitinho novinho da um que pediu três pedaços de uma vez.

– Certo, vou cuspir na comida dele e levantar sua moral - brinquei.

Apertei o botão do café e saí apressada, sorrindo e me desculpando pela demora. O tal velho barrigudo quase enfiou na minha cara a empada que eu tinha trazido, reclamando da demora.

– Gomenassai. (desculpa em japonês) – disse inclinando-me em uma curta reverência – por favor, senhor, estamos cheios e não pudemos lhe dar a devida atenção. Seu pedido sairá por conta da casa. – eu lhe servi sua empada com seu chá de maracujá fumegante, minha voz calma e gentil, um sorriso pacato e contido nos rosto. – fique a vontade para escolher algo para ler enquanto aprecia.

– Não tem problema... – ele disse mais ameno. – não precisa de nada disso.

– Eu insisto. – disse-lhe simpática – algum pedido de leitura?

– Alguma sugestão? – ele disse agora vermelho.

Deixei a bandeja sobre a mesa ao lado e corri até a estante do outro lado das mesas.

– Sebastião Salgado, fotógrafo brasileiro. – eu disse sorrindo entregando a obra Êxodos – particularmente uma de minhas prediletas.

Ele sorriu segurando o livro cuidadosamente, agradecendo e se desculpando pela grosseria.

Retomei a bandeja e voei até o esfomeado da mesa um. Estava de costas, com uma toca de lã dessas que cobrem as orelhas, com um pompom gozado no topo, e tinha na frente do rosto o livro do Percy Jackson e o Último Olimpiano.

Gomenassai. Estamos com pouco pessoal. – eu disse colocando as tortas sobre a mesa. – excelente livro, o final é muito bom.

– Hermione?

Reconheci a voz antes demais nada.

Ele não...

Ergui os olhos e encontrei os orbes profundos, a pele clara e a boca vermelha de frio.

– Nicolas? – eu olhei ao redor. – o que faz aqui? Como saiu do colégio?

– Hermione... – ele balbuciou boquiaberto mirando meu uniforme, ao que parece ele não notou a vontade expressa em minha voz de enterrar a cabeça dele naquelas tortas e fazer com que ele levasse meu segredo para o túmulo. Literalmente. – o que você faz aqui? E você fica muito bem de Maid...

Fiquei roxa de vergonha, peguei sua orelha e a torci com toda força que pude, arrastando-o para fora da mesa. Ele gemia baixo e me seguia, com o corpo contorcido reclamando. Gabi passou por mim sorrindo e cochichou.

– Não precisava exagerar, era só tratar ele um pouquinho mal...

Ignorei-a e fui até o canto dos pufes, onde apenas um garoto de seus 16 anos lia um Mangá, que de revesgueio vi ser Ano Hana.

– Se contar para alguém, eu te mato... – eu disse séria.

– Contar o que?

– Que eu trabalho aqui! Assim...

– Eu acho que você fica legal assim...

– Legal? Ela fica uma gata... – o garoto do pufe se manifestou passando por nós e colocando o Mangá na estante.

O moreno de cabelo repicado se foi deixando-me sozinha com Nicolas. Eu vermelha, e o loiro me encarando com cara de mongol.

– Para de me encarar! Como saiu do colégio?

– Tia Minerva deixou. – ele deu de ombros.

– Minerva permitiu que saísse sozinho em Londres, de noite em uma cidade que você não conhece? - perguntei descrente.

– Não né... – ele revirou os olhos – Lino me trouxe aqui e...

Atirei-me no chão e rastejei até um pufe.

– Lino está aqui? – era meu fim. Ele tiraria fotos e meu futuro estaria acabado...

– Levanta daí sua surtada, ele só me trouxe e me deixou com tal de Ian que trabalha aqui.

Levantei-me lentamente, ainda temerosa de que Lino brotasse ali no meio, me cobrando seu ménage...

– Ian seu traidor lazarento, vou colar suas pálpebras... – disse espanando meu uniforme.

– Hermione eu...

– Você nada, você vai comer suas tortas e vai vazar daqui.

Nicolas sorriu, tirando sua toca, se aproximou de mim, cabelos loiros bagunçados olhos revoltos e desafiadores, era quase da minha altura, mas naquele momento foi como se ele fosse um homem de dois metros e eu uma criança do primário. Andou em minha direção, e eu comecei a fugir dele, andando de costas, até que fui prensada na parede.

– Me obrigue. – ele disse colocando seu braço na parede do lado da minha cabeça.

Eu me engasguei com minha saliva, e me controlei para manter a compostura.

Então Panti estava certa? Nicolas estava... Dando em cima de mim?

Bufei e retomei minha postura durona.

Segurei novamente sua orelha e desfiz sua pose sedutora.

– Coma sua torta de uma vez e vá dormir que amanhã tem aula. E amanhã eu vou ter uma conversa com você e sua irmã sobre aulas de treinamento.

– Ai, ai, au... Solta minha orelha então... – soltei sua orelha e o loiro suspirou, esfregando a área vermelha. – mas não pense que eu vou desistir!

Ai Merlin... Por que senhor? Por quê?

– Nicolas, por favor... Eu te imploro não conte a ninguém. Nem Minerva, nem Panti, nem Lino... Principalmente Lino...

Ele sentou-se largadamente, recolocou sua toca, sorriu e brincou com a barra do meu vestido.

– Não vou contar Bocchan. (mestre em japonês)

– Pervertido. – eu disse dando um tapa em sua mão, e ajeitando o uniforme.

O resto da noite se passou tranquilamente, exceto pelo fato que Gabriela ficou enchendo meus ouvidos e Nicolas simplesmente montou acampamento na livraria. Só quando eu fui embora ele também foi. Ian levou-o até a escola para mim. Eram por volta de 22h00min quando cheguei em casa, exaurida e dolorida.

– Fredoca Boboca, cheguei! – gritei da sala tirando meus sapatos.

– Hermione! – uma voz feminina ecoou do andar de cima.

– Alana? – desaparatei ao quarto e quase enfartei.

Fred estava na cama com curativos nos olhos, o lábio roxo com um corte profundo e feio.

Corri até a cama.

– Ah, Merlin, Fred... – eu balbuciei acariciando seu rosto.

– Oi amor... – ele disse dando um sorriso torto e repuxado.

– O que houve? – busquei os negros olhos de Alana.

– Comensais. Eles estão mais organizados do que imaginávamos.

– Nós não sabemos... – Fred ralhou.

– Não tente, Fred, por favor. Não tente me proteger, eu não sou frágil. – eu disse irritada. – diga Alana, o que houve?

Ela narrou o acontecido. Fred idiota tinha ficado sozinho com dois comensais. É uma mula ruiva mesmo...

– Me mande os relatórios amanhã, e domingo nós conversaremos mais a respeito no jantar. – eu passei a mão pelos cabelos e segurei as mãos de Alana. – obrigada por cuidar dele.

– Não foi nada - ela sorriu. - O médico disse que pela manhã ele já estará melhor, só que o olho esquerdo vai ter que ficar protegido da luz por mais três dias, deixei os medicamentos na cozinha. Acho melhor eu ir indo...

– Não. – eu disse rapidamente.

– Está tarde, você fica aqui hoje. – Fred completou.

– Mas eu vou...

– Não vai atrapalhar coisa nenhuma. Vou preparar seu quarto. – me levantei e aparatei até o quarto de hóspedes do primeiro andar. Agora ali tinha uma cama de viúvo, fofa e macia, coloquei bastantes cobertores e travesseiros, Alana adorava dormir amontoada no meio das cobertas. Fechei bem as janelas e reforcei os feitiços de expansão, aqueci o quarto separei-lhe um pijama uma muda de roupas, toalha e a escova de dentes dela que ela havia deixado aqui.

Ela aparatou ali logo depois. Era uma garota do interior, assustada, me via como exemplo, mas quem ela venerava de verdade era Fred. Via-o como herói, não admitia que falassem mal dele e seu objetivo era superá-lo. Chamava-o de professor, era como um cão: fiel, dedicada, amorosa e invocada.

Eu não gostava da ideia dela sozinha no beco diagonal, então chamei-a para morar conosco, mas a danada era orgulhosa e se recusara. Então sempre que podia, dava um jeito de fazê-la ficar aqui, embaixo da minha asa. Ela e Doug.

– Pronto, qualquer coisa estamos lá em cima, já sabe como ligar o gás se quiser tomar um banho, e a cozinha é sua. – eu disse a morena sorrindo. – tem pão de queijo, miojo, macarronada com molho branco e brócolis, suco de laranja, refrigerante, queijo, presunto, pão, frutas...

Ela agradeceu, educada como sempre, meio envergonhada.

Subi até o quarto onde o ruivo estava deitado de barriga para cima.

– Está doendo muito? – eu perguntei passando as costas dos dedos sobre a maça de seu rosto.

Ele negou.

– Hermione eu... – ele começou em tom de tormento, com a voz trêmula.

– Depois. – interrompi-o.

Apaguei as luzes e coloquei a caixinha de música para tocar. Deitei-me ao lado do ruivo e acomodei seu rosto no meu peito e acariciei seus cabelos. Silêncio. Não incômodo, apenas o silêncio de não precisar-se dizer nada. Afaguei-lhe os fios e contornei seus traços, levemente beijei sua boca. Meu toque era ligeiro como uma brisa, cuidadoso como se tivesse nas mãos uma frágil relíquia. Suave como um riso sonolento, doce e cítrico, harmonioso, como se eu segurasse uma obra prima estimada. Um soneto ritimado e musical se formavam enquanto ele entrelaçava nossos dedos.

– Ninguém pode te machucar agora. Você ficará bem. Nós ficaremos bem. – eu murmurei enquanto o ruivo mergulhava em sonhos.

Ele ficou em silêncio apenas respirando pesadamente, com aquelas bandagens eu achei que ele já tinha dormido. Ajeitei-me para sair da cama e colocar meu pijama, porém no momento em que fiz menção de sair, ele apertou seus braços ao redor da minha cintura. De roupa mesmo, me ajeitei na cama e beijei seus olhos, entrelaçaram-se nossas pernas e o calor dançou entre os corpos. A respiração sincronizada e calma, o conforto de estar um nos braços do outro, o amor simplesmente complexo, e sem lógica alguma.

Quando era mais novo ficava imaginando se algum dia amaria alguém, como seria, se eu iria aguentar morar junto, se a pessoa me aguentaria.

Era engraçado tudo aquilo, por que simplesmente aconteceu. Eu não pensava no que fazer, simplesmente podia ser eu mesma. Era completamente imperfeito e incompatível... Mas se encaixava tão bem. Brigávamos, discutíamos, eu continuava com minha manias esquisitas e ele com seus projetos malucos. Algo natural e espontâneo. Estar com ele era natural. Não importava os pontos negativos, aquilo simplesmente era do jeito que era, uma confiança absoluta, como uma criança que nasce e vai morar com os pais. Era algo óbvio, e melhor.

Estar andando de meias pela cozinha e ver Fred dedilhando o piano e simplesmente sorrir de felicidade. Uma vez li um sermão do padre Antonio vieira. Não aprecio muito o barroco nem sou religiosa, mas este é um trecho que todos os amantes deveriam conhecer:

Amo, quia amo; amo, ut amem: Amo, porque amo, e amo para amar.

Quem ama porque o amam é agradecido. Quem ama, para que o amem, é interesseiro: quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, só esse é fino.

Não amava Fred como forma de gratidão por me amar. Também não era o amor que eu tinha por Rony, não o amava desejando ser amada, esperando algo em troca. Não. Simplesmente o amava, e por pura felicidade e coincidência, destino, sorte, Afrodite, Merlin, Jesus, Freya, Odin, Kami, Deus, ninfas, duendes, Santo Antônio[...], ele também me amava. Era o tal amor fino. Fácil. Mesmo que eu não entenda, e pareça difícil, era Natural.

Essa era a grande inércia da minha vida, o meu gradiente de concentração, tudo me impelia para ele. Inevitável, irracional, impensado, instintivo, magnético. Amo, quia amo; amo, ut amem: Amo, porque amo, e amo para amar.

– Boa noite Físico. – sussurrei.

– Boa noite Analista.


Notas finais do capítulo
NHAM, E por hoje é tudo pessoal D:
-ps: me surgiram umas ideias loucas aqui, então eu vou melhorar a fic, eu sei que ela tá mto parada, desculpa...
BUENAS NOCHES CHICAS E CHICOS DE MI CORAZÓN
-AISHITERU (sz all of you ºuº)
*Malfeitofeito*




(Cap. 6) Teatcher'

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
*ESQUIVA DOS AVADAS E CRUCIOS*
Gente, me desculpem eu sei que demorou MUITO estou me sentindo piro que um coco de cabrito... serião D:
beijo pra todas as fofas que mandaram reviews e para a
LaLa e a MissRebelde que mandaram recomendações.
ok , chega, vou postar logo vejo vcs lá em baixo ^^

SEIS:

Escrevi ouvindo essa música: http://letras.mus.br/clarice-falcao/monomania/

Dormi absurdamente bem, e acordei disposta. Não soube dizer se Fred estava acordado, pois tinha a venda nos olhos.

Levantei silenciosamente. Ou ao menos tentei, já que o tapete logo de manhã fez questão de levar-me ao chão. É... Ele estava dormindo, mesmo com a minha estrondosa tentativa de tentar me equilibrar segurando no criado mudo derrubando-o comigo.

Arrumei as coisas, coloquei meu uniforme, separei uma muda de roupas e coloquei-as em minha mochila. Desci as escadas, um cheiro maravilhoso vinha da cozinha, a morena tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça e uma cara amassada de sono.

– Alana, não precisava...

– Quis retribuir. – ela deu de ombros.

Comi rapidamente, o dia estava claro e bonito a primavera estava chegando.

– Tem sanguessugas na sua fonte sabia? – Alana disse aleatoriamente.

– Sério? - Tomei um gole de chá.

– Aham, ontem eu estava colocando feitiços pela casa e vi.

Acredite quem quiser tivemos mais alguns minutos de conversa sobre cultura inútil e por fim fui para escola.

Ajudei no transporte dos alunos, acompanhei os grifinórios no café da manhã, quase estrangulei Nicolas que veio me dar oi com um sorriso malicioso, tive que surrar o tarado do Lino e depois assisti às aulas. Não almocei, fui direto para a Livraria e fiquei lá durante o horário de almoço, felizmente o café só abria na metade da tarde, então fiquei no caixa passando os livros.

Meu horário de almoço acabou e eu voltei para o colégio, ajudei Gina com o relatório dos dormitórios, tive que puxar a orelha de Harry e Rony que jogavam jogo da velha durante a aula de Poções.

Quase tive um treco quando me perguntaram onde eu tinha ido. Quase morri quando Harry e Rony disseram que eu trabalhava. Tive que me desvirar em quatro para evitar o assunto e sair sem responder aquela pergunta. Aquela pergunta que eu odiava:

“Onde você trabalha?”

Assim que as aulas acabaram, voltei para o café, dessa vez fiquei no balcão, preparando as bebidas, quieta no meu canto com Gabriela buzinando no meu ouvido:

“Eu acho que você gosta do Ian. Só pode! Por que você nunca fala de mim para ele?”

Como já havia ficado no almoço, pude sair mais cedo, 19:30 estava eu indo rumo aos dormitórios, Minerva ao meu lado. Hoje eu iria treinar os dois meliantes: Nicolas e Panti.

– Não tenho como agradecer, ainda acho que devia pagá-la. – ela dizia esfregando as mãos.

– Fica como pagamento pelos meus livros. – respondi-lhe sorrindo.

Chegamos em frente à porta, a senha foi dita e a porta abriu-se.

Foi engraçado, entramos no salão comum dos dormitórios e não sobrou pedra sobre pedra. Os alunos se espalharam, apavorados pela presença da Minerva. Guardaram os materiais ilícitos, fingiram abrir o livro de história, Lino desceu da mesa – não me pergunte o que diabos ele fazia ali em cima – Gina saiu de cima de Harry, Lilá saiu do colo de Rony – não pensei besteira, eles não estavam fazendo nada de mais – Draco que estava deitado no colo de Luna quase teve uma síncope. Luna apenas bocejou, dos alunos em geral ela com certeza era a mais calma.

– Mas que balburdia! – Minerva começou a repreender os alunos.

Apenas toquei seu ombro e falei-lhe baixo.

– Eles andam se esforçando, não seja tão dura com eles.

Ela interrompeu sua bronca e ajeitou sua longa capa verde musgo.

– Era esperado um pouco mais de compostura dos alunos de Hogwarts. – ela disse séria – mas por hoje deixarei passar.

Acho que nunca recebi tantos olhares agradecidos ao mesmo tempo.

– Ah, Panti, vá buscar seu irmão. – Minerva disse focalizando a loira que rabiscava algo em seu caderno, com os fios platinos presos em um coque desgrenhado e ineficaz.

– Ele está no dormitório masculino. – ela deu de ombros – não quero ir lá...

– Eu vou. – prontifiquei-me antes que Minerva começasse um discurso e fizesse daquilo grande causo.

– Panti vá colocar seu casaco...

Subi as escadas rapidamente, e adentrei o dormitório masculino. O loiro estava atirado na cama com um garoto mais novo da Corvinal, eles olhavam uma revista e riam-se. Não dei bola a principio, até que notei que a bruxa que estava na capa era uma atriz, e trajava roupas... Bem na verdade, ela simplesmente NÃO as trajava.

– NICOLAS DEMETER! – gritei sentindo meu rosto esquentar. – O que significa isso?

Os corvinais quase enfartaram o garoto mais novo quase caiu da cama, fecharam a revista rapidamente e começaram a inventar desculpas esfarrapadas.

Ecoaram passos pela escada e no minuto seguinte Minerva estava ao meu lado, atônita fitando o olhar na revista. Encarando-a como se fosse você-sabe-quem em pessoa naquela cama.

Não muito tempo levou para que ela estivesse fazendo um discurso moralista, furiosa, enquanto agarrava as orelhas do loiro e ameaçava-o mandar de volta para a Estônia. Ela saiu do salão brigando com o garoto, Panti com sua típica cara de tédio apenas os seguia, desinteressada.

Desci as escadas logo depois, contudo Harry pulou em mim, impedindo-me de passar.

– O que houve? – ele perguntou rindo.

– Isto – levantei a revista indecente que eu havia confiscado.

Harry riu-se, Rony que colocara-se ao meu lado também.

– Quer que agente cuide dela pra você? – Harry sugestionou com tom inocente.

– Você já tem tanto trabalho – Rony disse tentando pegar a revista.

Puxei-a junto ao peito.

– Awn, como vocês são queridos... – sorri – Gina! Lilá! Olhem os namorados pervertidos de vocês querendo ficar com revista de mulher pelada!

– Que mentira! – os dois disseram juntos.

Esquivei-me dos garotos e apertei meu passo para alcançar Minerva, gritando um rápido tchau para todo mundo. Se bem que as atenções maiores estavam em Rony e Harry que corriam ao redor do sofá, se esquivando das coisas que Gina jogava neles e implorando a Lilá que não quebrasse suas vassouras.

Cheguei na sala da Diretora Minerva e ouvi-a falando:

– A professora de vocês vai chegar em um instante...

Abri a porta, controlando a respiração e colocando a revista sobre a pilha de relatórios da Minerva.

– Certo, vamos? Queria que vocês fossem dormir antes da meia noite se possível. – eu disse sorrindo.

– Como assim? – Panti disse me analisando.

– Nós não vamos ficar no colégio hoje Hermione, não precisa se preocupar com nosso horário... – Nicolas murmurou esfregando a orelha vermelha, meio ressentido de eu tê-lo dedurado.

– Eu sei Nicolas... – murmurei.

– Ela será a professora de vocês. – Minerva esclareceu.

Imediatamente e sincronizadamente ambos abriram a boca para reclamar.

– Sem um pio. Vocês vão e ponto final.

No fim houve vários pios e protestos, Panti quase pulou em cima de mim, dizendo que seria humilhante ela ter aula com uma pirralha que nem eu.

Foi minha vez de me controlar para não pular no pescoço da loira.

“PIRRALHA? NÃO É PORQUE VOCÊ É MAIS ALTA QUE VOCÊ É MAIS VELHA!”

– Sem discussões, assim que Hermione achar que o treinamento de vocês se igualou aos dos demais alunos, as aulas particulares serão suspensas. Até lá, toda sexta-feira vocês irão fazer jus a educação que a mãe de vocês lhes deu e irão treinar na casa dela. Entendidos? – Minerva disse séria, seus olhos estavam quase de um vermelho demoníaco e uma áurea negra fez com que os irmãos parecessem dois filhotes acuados.

– Sim senhora. – os irmãos disseram.

– Qualquer coisa, mande-os para mim Srta Granger.

– Não será necessário. – eu espero ao menos...

Encaminhamo-nos à lareira onde finalmente fomos para casa. Eu estava moída e tudo que eu mais desejava era poder chegar em casa, deitar com meu ruivo e ficar delirando sobre nomes de bebês... Sabe, uma pacata grávida normal para variar. Mas nããão, a nuvem negra que assolava minha vida era densa, e parecia que tinha vindo pra ficar.

Saímos da lareira para a sala, estava arrumada. Alana certamente tinha dado uma geral antes de sair.

– Bem, está é a minha casa, sintam-se a vontade. Vocês vão ficar no quarto de hóspedes, eu arrumareis as coisas para vocês em um instante... Já jantaram? – eu disse atravessando a casa rumo à cozinha, os irmãos me seguiam atrás. Acho que eles não esperavam por uma casa como aquela.

Paredes azuis, piano, prismas perto das janelas, livros...

– Mione, já chegou? – Um ruivo sem camisa brotou da cozinha, um tapa olho branco que transpassava seus cabelos, a colher de madeira com brigadeiro na mão enquanto rolava na boca um pouco do doce.

Meu rosto não ficou vermelho... FICOU ROXO.

– Temos visita! – eu disse sorrindo completamente sem jeito, segurando o braço do ruivo e o arrastando até as escadas.

– Ah, oi... – ele acenou para os dois seres estupefatos atrás de mim. – Quem são esses?

Panti estava corada e tentava não encarar o corpo do ruivo sem camisa. Já Nicolas... Bem, Nicolas estava quase enfiando aquela colher de pau na goela de Fred.

– Eu vou treinar eles, agora, por favor... VAI COLOCAR UMA CAMISETA... MELHOR, FIQUE LÁ EM CIMA E NÃO DESÇA. – eu disse com MUITA vergonha.

– Mi mi mi... – Ele disse mexendo a mão como se fosse uma boca resmungando enquanto subia as escadas.

Virei-me para ele e gritei-lhe apenas mexendo os lábios: VOCÊ ME PAGA!

Assim que a porta se fechou Nicolas bufou irritado.

– Quem é o Pirata Brutamonte?

– É o Fred Weasley, Auror do Ministério...

– E por que ele estava pelado na sua cozinha? – Nicolas disse em tom de acusação, como se fosse um ciumento namorado.

– Ele não estava pelado! E mesmo se estivesse não teria problema, ele é meu namorado e mora aqui.

– Namorado? – os irmãos indagaram em coro.

Ignorei-os e fui até o quarto de hóspedes. Ignorei as perguntas indecentes que os dois me faziam e arrumei suas camas, coloquei suas malas em suas respectivas camas e abri as janelas.

– Hoje vamos treinar a concentração e o corpo de vocês...

– Mas ele é muito lindo pra você, quer dizer, você viu o peitoral dele...? E você é baixinha e desmilinguida...

– ...Sardento ridículo, você é boa demais pra ele, acho que você deveria ficar com alguém legal, engraçado... Que o nome comece com a letra N...

Senhor daí-me paciência, por que se me der força eu afogo esses dois no sangue um do outro...

– Periculum! – gritei e faíscas dispararam de minha varinha com um grande estampido. – calem a boca ou terão que fazer flexões!

Imediatamente os dois se calaram e a contra gosto me escutaram.

– Vamos treinar lá fora.

Saí e eles me seguiram. Tirei meu casaco e fiquei apenas com uma calça e regata branca folgada – era impressão ou já era visível uma barriguinha?

– ‘Tá louca? Ficar assim nesse frio... – Nicolas disse espantado.

– Resistência e concentração... Vamos! Está esperando o Papa vir aqui tirar seus calçados? Os dois, agora! – bati palmas em ritmo de “um-dois, um-dois! Vamos seus maricas!”

– Já sei de onde saiu o “General”... – Panti reclamou tirando seu casaco.

Ah, se ela soubesse a ironia do apelido General...

Como eu esperava foi desastroso. Eles não tinham um mínimo de foco, de disciplina, então basicamente treinei sua atenção nas primeiras horas, depois os fiz ir correndo até a vila, e os fiz treinarem a capacidade de simultaneamente desviar de meus feitiços tentando sustentar a água da fonte do meu quintal sem deixar cair uma gota sequer.

Nicolas pela quarta vez derrubava metade da água que agora eu via com clareza: estava repleta de sanguessugas.

– Errado! – gritei abocanhando mais um pedaço do meu pão de queijo que Fred havia trazido enquanto eles corriam até a vila. – Mais uma vez!

Nicolas soltou a água de uma vez, Panti tremia, encharcada, em um canto secando meu pão de queijo.

– Pra você é fácil dizer, você tá ai comendo, descansada, na luz... – o loiro resmungou.

– Queria ver você aqui no meio da madrugada, nesse breu desgraçado e esse frio do capeta, com fome, cansada e com sono... – Panti completou irritada.

Fechei a cara e me levantei.

Os irmãos se encolheram crente que eu faria um tapete com suas pele. Passei reto por eles e me posicionei há uns dez metros da fonte.

– Me ataquem! – rugi.

Trocaram olhares, indecisos, duvidosos se depois eu os colocaria em um caldeirão de óleo fervente. O momento de indecisão passou e uma chuva de feitiços veio em minha direção, contudo, eram feitiços inexperientes, e até a minha avó Cida, com três graus e meio de miopia tem uma mira melhor. Esquivei-me de todos e levantei a água da fonte.

– Por meses eu viajei com dois garotos, tendo que ficar de vigília para que eles pudessem dormir – eu ainda era atacada e ainda suspendia a bola de água. – viajamos apenas com uma barraca e poucas roupas, passei oito horas seguidas, na mais profunda escuridão, dos mais longínquos bosques, com temperaturas tão baixas que toda a água de gigantescos lagos congelava, e eu não podia acender uma fogueira sequer, para não entregar nossa posição. Não atritava as mãos para gerar calor com medo que os comensais pudessem ouvir. Comíamos cogumelos e cascas, que nos forneciam proteínas, mas tinham um gosto intragável que não nos satisfazia. Eu ficava aterrorizada com o estalar das folhas que caiam ao meu redor. Um segundo de distração poderia nos matar, então eu tive que aprender a controlar a fome, o medo, o frio, para não ser morta! – soltei a água de novo na fonte e com um aceno de varinha derrubei os irmãos no chão e marchei até eles. - Não quero mais questionamentos ou comparações. Eu sei sobreviver, e estamos aqui para que vocês também saibam. Eu sou a professora, não vocês.

Os irmãos acenaram com a cabeça, olhos esbugalhados e peitos inquietos, ofegantes. Desfiz a cara de “General Durona” e sorri.

– Por agora chega, vamos comer.

Apenas o bater dos talheres se ouvia, os irmãos comiam quietos, sem comentários, sem troca de olhares, apenas encarando o garfo que monotonamente se erguia até a boca e voltava ao prato. Isso é, pelo menos na primeira parte de jantar.

– Alô gente bonita. – a cadeira se arrastou e do lado de Nick o ruivo se atirou, com um prato em mãos servindo-se da minha macarronada a bolonhesa, das torradinhas e começando a comer como se não visse comida há meses. – Que silêncio – ele disse após dar um gole do seu suco, alguém morreu?

– Não, eu acho que assustei um pouco eles. – comentei.

– Certo, ela sabe ser assustadora quando quer... – Fred comentou – Mas ela é inofensiva, não passa de uma gatinha assustada...

Senti minha têmpora saltar. A sorte do ruivo é que minhas mãos não o alcançavam se não e ele estaria nesse exato momento se afogando no próprio macarrão.

– Ela não assustou. – Nicolas disse encarando o prato. – apenas nos deu uma bronca... E se quer saber não acho que ela seja assustada, ela é uma bruxa incrível, bonita, esforçada...

– Que já tem namorado... – Fred disse desmanchando ligeiramente o sorriso.

Fred e Nicolas trocaram um olhar ligeiramente sombrio. Pareciam dois Dobermanns famintos e treinados para matar que a qualquer momento pulariam um na garganta do outro.

– Menos Nick... – Panti disse afagando a cabeça do irmão com uma cara de paisagem, como se ele realmente fosse um cachorro mal-criado. – Antes que haja sangue no recinto...

–Só se for sangue dele. – Fred murmurou, por sorte, nenhum dos Demeter ouviu...

Fiz-lhe uma cara de maníaca, gritando com os olhos para que ele parasse com essa infantilidade.

– Mas então, fora a bronca da minha ilustre namorada – chutei-o por debaixo da mesa para que ele parasse de provocação – o que mais fizeram?

– Treinamos atenção hoje. – Nick disse aparentemente já distraído e descontraído, como se o momento de tensão de segundos atrás não tivesse existido. – desviar de feitiços e levitar uma bola de água não é exatamente fácil.

– Nem me diga! Sabe, eu sou treinador de Aurores no ministério, e sempre que eu passo esse exercício, de cada dez alunos, onze acabam arremessando a água em mim. Começo a desconfiar que é de propósito...

Nick riu e gesticulou para os legumes que estavam próximos ao Fred, este lhe passou com um sorriso na cara, também sorrindo.

– Sabe, é possível... Eu costumava “errar” – ele desenhou aspas no ar – os feitiços de arremesso e acertar o Sr. Barda com bolinhas de chumbo... Mas ele era muito chato, se você errava uma coisinha ele te mandava fazer tudo desde o começo...

– E tinha uma voz de pato horrível... E falava cuspindo! – Panti complementou rindo.

– Cara é verdade! Teve uma vez que eu invoquei um guarda-chuva para que ele não me molhasse tanto... – Nick riu-se.

– E você disse: “Acho que já tomei meu banho de hoje, mesmo ele sendo de baba, obrigado professor...” – Panti também riu, eu e Fred começamos a rir também – Nick teve que ler um livro trouxa de quase 800 páginas e fazer um resumo... No fim, eu tive que fazer o resumo pra ele...

– Isso me é familiar... – Fred riu – Sempre que eu pegava detenção e tinha que entregar trabalhos assim era a Mione que me ajudava...

– Então você sabe como é ser explorada. – Panti disse arqueando uma sobrancelha.

Pela primeira vez a frase “SONSERINA, SONSERINA, SONSERINA” não estava cravada em letras brilhantes em sua testa. Acho que era a primeira vez que eu a via sorrir. Devo admitir, ela ficava muito mais bonita sorrindo.

– E como sei! Além desse traste, tem o irmão gêmeo dele, meus dois melhores amigos, as namoradas deles...

– Fora em épocas de prova! – Panti disse – aqueles que NUNCA falaram com você vêm com aquele olhar pidão: “Pô Panti, te considero pra caramba... você bem que podia sentar na minha frente hoje né?” – ela forçou uma voz masculina.

Comecei a rir. Aquilo me lembrou muito Córmaco durante as provas finais.

Acabamos de jantar, Fred me ajudou a tirar os pratos, tudo correu bem. Servi-lhes um chá e conversamos mais alguns minutos. Em certos momentos os dobermanns voltavam a se apoderar dos corpos masculinos presentes no recinto e palavras eram substituídas por rosnados, mas logo em seguida tudo voltada ao normal. Fora esses lapsos Nicolas e Fred se davam bem.

Depois do momento de descontração voltamos para fora para treinar. Fred, mesmo caolho fez questão de ajudar. Seus reflexos estavam ligeiramente desregulados, mas se saiu bem. Terminamos a noite por volta de 03:00 da madrugada com um pique – esconde sem varinhas. Para treinar o silêncio, a capacidade de ocultação bem como a de fuga. Panti se escondia bem, mas era definitivamente lerda. Já Nicolas era completamente espalhafatoso e muito ruidoso, mas corria feito uma gazela. Corria de um jeito engraçado, com o tronco inclinado para trás, e levantava a perna de um modo que a cada passo seu joelho quase colava em seu peito. Era frustrante tentar pegá-lo, ele contorcia seu corpo de um jeito que era humanamente desafiador às leis da física.

Mas no fim a experiência minha e de Fred venceu. Fred ficou amotinado esperando Panti trocar de esconderijo e praticamente pulou em cima dela. Com seu grito agudo Nicolas se distraiu. Foi o que bastou: passei-lhe uma rasteira e antes que ele pudesse levantar-se subi nele e imobilizei seus braços com os joelhos pressionando seu rosto contra as folhas secas, ele arfando como um touro selvagem que fora derrubado.

– Não é justo! – ele disse cuspindo a terra da boca – o grito da Panti me distraiu...

– Nunca é justo... – eu disse – agradeça por ser eu e não Bellatrix Lestragnge... Aí sim você veria o que é injustiça...

Quando acabei frase Nicolas me encarava daquele jeito irritante que me dava vontade de socá-lo. Olhos ligeiramente estreitos, sorriso ladino no rosto e um maldito olhar sedutor que o fazia parecer um ator galã de 30 anos.

– Nick, quer fazer o favor de parar de me olhar assim... – resmunguei.

– Quem sabe, se você sair de cima de mim...

Graças à santa deusa Nix, a noite estava sombria e não foi possível notar a cor que meu rosto assumiu.

Tomates: invejem minha cor!

Voltei a enterrar a cabeça dele nas folhas e me levantei. Quando saí, pisei na cabeça dele. E considere-me controlada, minha vontade foi de esganá-lo. Melhor! De afogá-lo na fonte cheia de sanguessugas.

“Ou quem sabe estripá-lo com uma faca cega de plástico.” Minha consciência manifestou-se.

“Ou ainda fazê-lo andar no escuro por uma sala repleta de quinas e legos...” Sugeri.

“Não aí já seria crueldade demais.” Ela disse piedosa.

“É... Vamos ficar com a faca cega de plástico...”

“Também gostei da ideia da fonte de sanguessugas...“ [N/A: ODEIO ESCREVER IDEIA SEM ACENTO, GOSTARIA DE DEIXAR ISSO BEM CLARO ¬¬’]

“Obrigada...”

Arrumei o quarto de hóspedes, Panti foi tomar banho, Nicolas caiu dormindo no sofá mesmo.

– Vem pra cama Nick... – eu disse puxando-o até fazê-lo ficar de pé.

– Nick? Que intimidade... E já chamando pra ir pra cama?

Dei-lhe um tapa na cabeça. Garoto idiota cheio de minhocas na cabeça... Ele apoiou sua cabeça no meu ombro, sonolento, e eu passei meus braços pelo seu ombro, guiando o garoto meio zumbi pela casa até o quarto de hóspedes. Céus que garoto pesado, seus ossos eram do que? Chumbo?

Panti já estava deitada com seu pijama lilás com detalhes brancos, as cobertas até o queixo seus cabelos platinados meticulosamente escovados e presos em um rabo de cavalo frouxo.

Com muita dificuldade tapei Nicolas, que desabou em cima das cobertas e em cima do meu braço. Por um instante aterrorizante achei que fosse ter que amputar meu braço. Seus ossos não eram de chumbo, eram de ósmio mesmo! (ósmio, material mais denso existente na natureza)

– Obrigado por tudo – a loira disse seguindo meus movimentos com seus olhos reptilianos. – como acha que estamos?

– Não foi nada, tudo pela diretora Minerva. – eu finalmente tirei meu braço do corpo do loiro. – Bem, para dois hippies do interior, vocês estão se saindo melhor do que eu esperava. os dois são teimosos e perseverantes. Gosto disso.

Olhei rapidamente para o loiro e ajeitei seu travesseiro. O rosto calmo e infantil. Não passava de um garoto lutando para se virar sem os pais, indefeso, assustado, provavelmente ainda brinca de carrinhos, assim como eu costumava subir em árvores. Lembro-me de quando eu tinha 14 anos, meus conflitos internos, o surgimento de sentimentos novos entre Rony e Krum, a preocupação com Harry no torneio. Meus 14 anos provavelmente foram tão complicados quanto o de Nicolas está sendo, se eu sobrevivi, ele também sobreviverá.

– Eu só fico preocupada com ele sabe. Ele é muito criança, e eu sei bem como comensais podem ser...

– Não precisa se preocupar. Você faz parte de Hogwarts agora, nós vamos cuidar de vocês. – dei ênfase no plural. – quando o seu treinamento acabar, tenho pena do comensal que cruzar seu caminho, e se algo acontecer antes disso, eu, Minerva, Fred, Harry, Rony, Draco, Luna, Gina e todos os outros estamos prontos para proteger vocês.

Ela desviou o olhar.

– Não há nada demais em receber ajuda. Poder contar com os amigos não é sinal de fraqueza.

– Minha mãe contava com a Minerva, e foi morta. Meu pai está definhando em uma cama.

Sua voz soava meio amarga, mas seus olhos estavam deprimidos, fundos. Remexi-me inquieta, não gostava de como aquilo soava injusto em relação a diretora McGonagall.

– Minerva não pode oferecer proteção, pois estava enjaulada na própria escola, sob vigília de comensais poderosos e influentes no ministério, estava de mãos atadas. Ele nunca deixaria sua mãe morrer se pudesse evitar. E ela está fazendo o melhor para manter você e Nicolas seguros.

– Agradeço por seu treinamento, de verdade. – Panti sentou-se na cama e me perfurou com seus olhos verdes. – mas nunca vou confiar a vida de meu irmão à tia Minerva ou quem quer que seja.

Abri um singelo sorriso. Era como se eu estivesse olhando para mim mesma no passado versão loira-sonserina-assustadora. Será que eu tinha esse ar arrogante quando tentava convencer Fred que eu poderia carregar o mundo nas costas? Lembro quando ele me derrubou na banheira dos monitores e praticamente me chacoalhou pelos ombros, dizendo que eu não podia guardar tudo para mim.

– Carregar o mundo nas costas não é sinal de força, e sim de burrice. – eu disse repetindo as exatas palavras que Fred costumava me dizer – o mundo é pesado demais para apenas uma pessoa carregá-lo, e mais dia menos dia, ele pode acabar te esmagando.

Acho que ela pretendia me xingar ou me lançar um feitiço, mas eu virei as costas e rumei à porta. Virei-me para a loira antes de apagar a luz.

– Boa Noite.

Encostei a porta e girei nos calcanhares. Quase tive um enfarto. Um pirata caolho ruivo me encarava.

Ah não, era só o Fred.

– Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço né?

– Cala a boca. – eu disse abraçando sua cintura.

Fomos assim até o quarto.

– Não queria ir nesse jantar amanhã. – murmurei.

– Também não. Queria comer um miojo, assistir a última temporada de House, e dar uns amassos no escritório.

Escritório era um cômodo do primeiro andar em que Fred fazia invenções para a loja e costumava analisar os relatórios. Praticamente só ele usava eu preferia trabalhar na sala de jantar. Fred caiu na cama me levando com ele, estreitando seus braços em minha fina cintura.

– No escritório? Porque no escritório?

– Por que nunca fizemos nada no escritório, e antes que nosso filho nasça acho que temos que inaugurar todos os cômodos da casa se é que me entende.

Comecei a rir.

– Por falar nisso – meu sorriso diminui – eu estava conversando com Panti e me dei em conta que é estupidez não contar a ninguém sobre nosso bebê. Os comensais já sabem, estaríamos em desvantagem se algo acontecesse...

– Sério mesmo? – Fred sorria.

Não entendi muito bem, ele feliz em estarmos em desvantagem?

– Sim...

Ele me beijou e acariciou minha barriga.

– Finalmente vou poder contar sobre o novo Weasley! – ele disse feliz.

Ri. Claro que o pai coruja estava louco para gritar aos quatro ventos que ia ter um filho. Como não notei antes?

– Mas vamos manter isso apenas na Ordem, não quero que o pessoal do colégio saiba. – levantei-me e coloquei meu pijama, Fred fez o mesmo.

Mania maldita a dele de dormir sem camisa.

– Certo, certo... Cara minha mãe não vai acreditar... Das duas uma: ou ela vai ficar muito feliz, ou vai me dar uma surra “por ser tão irresponsável!” – ele imitou a senhora Weasley.

– Estou torcendo pela surra... – murmurei rindo.

– Não pense que vai escapar da bronca senhorita Granger... – ele arqueou uma sobrancelha. – agora só falta uma coisa... – seu tom tornou-se sério.

Franzi a testa, ligeiramente preocupada com seu tom.

– Quando você vai começar a ter desejos de grávida? Estou me sentindo um pai inútil sabia?

Ri, tomamos as Boa Noite Cinderela, me enfiei em baixo das cobertas e encostei minha mão gelada ao redor do peito desnudo de Fred. Ele reclamou e eu ri.

– Pra aprender a dormir com camiseta.

– Jamais. – ele bocejou longamente, me contagiando de modo que em instantes eu também tinha a boca arreganhada e soltava um grunhido sonolento.

– Boa noite, Fred. – eu me virei de costas e apaguei a luz com um aceno de varinha, voltando a repousá-la sobre o criado-mudo.

Fred encostou sua barriga em minhas costas e enlaçou minha cintura.

– Paloma e Naoki são bons nomes né? – ele respondeu.

Acariciei sua mão. Aposto dois dólares que ele tem pesquisado possíveis nomes escondido. E se eu olhar a terceira gaveta em baixo das capas vai ter um livro de nomes de bebês. Ele sempre esconde coisas ali, acho que eu devia avisá-lo que eu já conheço seu esconderijo.

– Vemos isso mais tarde amor.

– Certo, Boa noite.

Eu sou mesmo uma inútil em relacionamentos. Fred estava morrendo de ansiedade, excitadíssimo pelo fato de que iria se tornar pai, mas eu estava muito ocupada para notar. De tanto fingir que não estava grávida, acabei por fingir isso para Fred também.

Ele sabe como isso tem mexido comigo, mesmo que eu não admita nem para mim mesma. Então ele evita me pressionar quanto a isso.

Merlin, será que existe alguém tão perfeito quanto Fred Weasley?

– Você sabe coisas sobre mim que nem eu sei né? – murmurei baixinho entrelaçando nossos dedos.

–Aham. – para minha surpresa ele respondeu. Quase tive um treco, senti-me quente e corei sob a penumbra do quarto. – Sempre vai ser assim, não se preocupe.

– Sempre? Até quando você for velho e impotente?

Ele deu uma risada baixa.

– Isso não acontece com os Weasley. E sim, até mesmo quando você tiver seus seios arrastando no chão.

Minha vez de rir.

– Que seios? – murmurei. – mulher despeitada lembra?

– Ah, é verdade...

Não sei se a conversa continuou, pois meus olhos estavam realmente pesados e em menos de três horas os pássaros começariam a cantar. Fui arremessada em um sono bom, pesado e com sonhos. Pela primeira vez em muito tempo sonhos. Não pesadelos.

Notas finais do capítulo
Gente, acho que vocês já sabem que esse ano é ano de cursinho, eu inclusive saí do meu emprego porque eu estava quase entrando em estafa. Medicina é punk e eu realmente estou me esforçando, então peço desculpas pela demora.
-
Mas agora que eu saí do meu emprego - vou poder parar de usar uniforme de Nina graças a merlin - eu vou ter mais tempo pra escrever, já estou encaminhando o próximo capítulo pra vocês ^^
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Obrigado pela força, e até mais ^^
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*Malfeitofeito*




(Cap. 7) Summer Day. The Least one.

Notas do capítulo
HOLA CHICAS e CHICOS DE MI CORAZÓN (eu manjo um portunhol u-u)
ESTOU COM UM BOM HUMOR DESGRAÇADO...hoje tive simulado no meu colégio, e fui MIUTO bem -HUEEEEEE-
Bom, acho que vocês vão vomitar o arco-íris com o próximo cap...
Mas devo alertar que essa calmaria está prestes a acabar, e dessa vez meu alter-ego sádico vai pegar MUITO pesado... D:
enjoy ;)


SETE:


(música tema: http://letras.mus.br/coldplay/1901875/traducao.html // NEM AMO ESSA MÚSICA U-U)


– Mamãe!

Uma voz infantil gritou atrás de mim. Girei nos calcanhares e segurei o pequeno ruivo nos braços. Seus olhos eram vívidos, intensos, queimavam no fundo de meu peito. Tinha nove anos, hoje, 24 de junho, era seu aniversário, faria dez anos.

Eu estava em uma praia, não parecia nada aqui da Europa, o dia estava quente o mar estava azul e cristalino, era possível ver o calor exalando da areia branca. Outras pessoas sem rosto lotavam a tal praia. Não havia Fred, não havia ninguém, apenas eu e ele.

– Vamos dar um mergulho Naoki?

O garoto pulou de meus braços e abriu um sorriso largo, a ponto de quase fechar seus olhos.

– Sim! Vamos, vamos – ele pegou minha mão e foi me arrastando para que eu levantasse da areia quente.

Em um impulso levantei-me e levantei o ruivo cheio de sardas pela cintura, girando-o no ar. Ele tinha aquela risada engraçada e solta de criança, ria a ponto de faltar-lhe ar nos pulmões.

Entrei na água com o garoto, a areia macia entrava nos meus dedos e a água era fresca quase morna. Definitivamente não era uma praia europeia. As ondas quebravam, suaves, eu e Naoki pulávamo-las, o garoto se divertia. Eu estava imensamente feliz.



Light a fire, a fire a spark

Light a fire, a flame in my heart

We'll run wild

We'll be glowing in the dark




Fomos para o fundo, o pequeno com os pés ao redor da minha cintura pedia que eu mergulhasse com ele. Mergulhei, e o girei submerso, ele mantinha os olhos abertos em baixo da água salgada com seu sorriso largo de caninos redondos, como os meus. O ar fez falta e subimos, ele nadando rapidamente para mim, enlaçando novamente suas pernas em minha cintura. Ali ficamos até nossos dedos murcharem, e o sol começar a cair. Ainda estava abafado, e a areia ainda estava quente, o céu estava laranja e a praia agora estava deserta.

Eu e o ruivo agora tomávamos um grande sorvete de chocolate com calda de morango, o predileto dele.

– Foi muito legal!

– Podemos vir quando você quiser. – eu disse olhando a linha do horizonte.

O pequeno apenas sorriu. O sorriso mais encantador que eu jamais vira. Mesmo o de Fred parecia amarelo perto do sorriso do filho.

– Acho que não. – ele disse naturalmente e eu não entendi o porquê. – mãe, vamos ao mirante?

Eu ia perguntar por que não voltaríamos, mas eu estava me sentindo tão bem, que não quis questionar. Quem sabe eu o trouxesse no próximo verão, o fizesse uma surpresa?

Fomos caminhando até o mirante, quando dei por mim eu comia um crepe de milho enquanto ele chocólatra como era comia um crepe misto de chocolate branco e preto. Fomos andando pelo acostamento carros passavam como borrões, não nítidos, sem barulho, apenas as luzes que dançavam ora iluminando ora escurecendo o rosto do ruivo que chutava pedrinhas no chão.

No topo do morro havia um restaurante super badalado, mas uma mesa havia sido reservada.

– Deve ser coisa do seu pai. – eu disse sorrindo.

– Você quer que ele venha jantar com agente? – o garoto sentou ao meu lado, e olhou longe a lua que começava a surgir no céu.

– Não – respondi sem pensar – hoje eu quero ficar só com você – eu disse apertando sua barriga e fungando em seu pescoço, novamente vendo-o rir.

Comemos macarrão ao sugo e rolinho primavera com molho agridoce. Acho que foi nessa parte que desconfiei ser um sonho. Que restaurante serve comida italiana e japonesa?

Jogamos jogo da velha no guardanapo, ele adorava aquilo. Acabamos de comer e fomos para a sacada do restaurante, a noite estava agradável, com uma brisa morna que bagunçava nossos cabelos, eu e ele estávamos apenas com as roupas de banho, cobertos de sal, apenas com cangas amarradas na cintura. O mirante era como um telescópio menor, que você colocava 25 ¢ e podia olhar o mar durante 5 minutos.



All the boys, all the girls, all that matters in the world

All the boys, all the girls, all the madness that occurs

All the highs all the lows, as the room a-spinning goes

We'll run riot, we'll be glowing in the dark



– Isso é dinheiro trouxa mãe? – ele se debruçou na estrutura de ferro e ficou na ponta do pé. Curioso.

– Sim. 25 centavos.

– E isso é muito?

– Não Naoki, é como se fosse metade de um nuque.

– Que pouquinho... Mãe?

– Hm.

– Por que eu me chamo Naoki? É estranho...

– Foi ideia do seu pai. Significa Honesto. É estranho por que é japonês.

– Poxa mãe, por que você deixou ele escolher o nome? – meu filho murmurou estalando a língua.

– Não sei... – torci a boca. – Não gosta de Naoki?

– Gosto... Mas eu gostaria de me chamar Hugo.

Nunca conheci ninguém que tivesse esse nome.

– Hugo significa espírito... E você mãe, já quis mudar de nome? Hermione também é esquisito.

Ri-me.

– Queria mudar meu nome para Kanade.

– Ka-na-dé... Mas esse mais estranho que Hermione... O que quer dizer?

– Portadora da canção. Assisti em um anime uma vez e me apaixonei. Quase mudei meu nome, mas todos me conheciam por Hermione, e eram tempos difíceis... Bem, resolvi ficar com meu nome.

Coloquei a moeda e peguei o ruivo no colo, ele olhou afoito, curioso com a tecnologia trouxa. Maravilhado relatou um grupo estranho de sereianos. Olhei também.

– São botos Naoki. – eu ri – sereianos não gostam de ficar perto dos trouxas. Trouxas são muito barulhentos.

Ele continuava a olhar pelas lentes, virando-as em todas direções. Olhei o mar com ele, a lua estava absurdamente grande. Os 5 minutos acabaram e então não estávamos mais no mirante, mas sim em uma sala ampla, era a sala da nossa casa, mas no lugar dos nossos sofás azuis havia uma poltrona, larga e felpuda. A janela aberta soprando o vento quente de verão.

– Não quero dormir – o pequeno murmurava em meus braços a cabeça tombada em meus ombros.

– Eu estou aqui... – murmurei passando a mão em seu rosto afastando a franja do seu rosto.

– Eu te amo muito. – ele bocejou.

Beijei a ponta do seu nariz.

– Te amo mais.

– Do tamanho do céu e das estrelas?

– Mais!

– De todas as galáxias?

– Mais.

– Do tamanho do papai?

– Maaaais. – eu disse rindo.

Ele passou os dedos pelos meus cabelos desgrenhados, tocando meu ombro, onde havia aquela cicatriz, e sorriu mais uma vez. O sorriso mais bonito do mundo, o mais perfeito e harmônico.

O garoto fechou os olhos, e eu quis adormecer com ele, fazer com que aquele momento durasse para todo o sempre. Quis congelar naquele instante, e viver eternamente naquela noite de verão.

– HERMIONE! – Um grito agoniado chegou até mim. Inspirei assustada, um ruivo estava me observando assustado. – graças a Merlin, achei que tivesse morrido! Você parou de respirar!

– Fred. Eu tive um sonho tão bom. – murmurei – o nome dele vai ser Naoki. - Sorri e encarei minha barriga. - Sei que você gosta de Hugo, mas Naoki é diferente não acha? Vai ser mais a sua cara.

– Você tinha prado de respirar e estava tremendo. – Fred disse ainda preocupado, passando as mãos pelo meu rosto, afastando meus fios castanhos do rosto.

Eu estava me sentindo tão bem, que aquilo não me preocupou, simplesmente me pareceu absurdo.

– Foi impressão sua. – beijei-o.

Fui tomar meu banho, longo e morno. Aquela sensação de calor me lembrou a praia. Eu estava realmente empolgada.

Vesti-me, Fred já havia descido. Era quase meio dia, ouvi vozes vindas da cozinha. De esguelha fui até lá, literalmente ouvir atrás da porta.

Panti estava completamente descabelada e com a cara muito amassada, ainda estava de pijama provençal e segurava uma caneca de café. Conversava com Fred.

– Então em menos de dois meses você passou de Alferes para Major-General?

– Bem, eu me esforcei... E não sou apenas eu, temos mais cinco Majores...

– Fred, você subiu oito posições em dois meses! Você é genial... Fico imaginando como devem ser os Generais e Marechais... Devem ser bruxos incríveis...

– Temos dois Marechais: um é o ministro, Kingsley, e o outro é uma bruxa chamada Joane Drag. Popularmente conhecida como dragão, uma baixinha furiosa, o próprio Kingsley tem medo dela.

– Imagino. – ela soprou o líquido quente e deu um longo gole.

– E bem, temos seis generais, e um deles é a minha ilustre namorada, Hermione.

Quis voar na cara de Fred, ele estava proibido de contar aquilo. Sim, eu era a General estrategista, na verdade eu ganhei o cargo por ter tido a coragem de me colocar na frente de um Avada Kedavra que levou à fragilidade dos comensais e a temporária derrota do Lord.

Se eles soubessem o que eu realmente fiz, quem me coroaria como general seria Voldemort.

Recusei, birrei, e teimei. Não merecia essa patente. Mas então o próprio Kingsley veio pedir por ajuda, ele sozinho não estava conseguindo lidar com a politicagem e burocracia do sistema. Disse que eu era uma das pessoas mais diplomáticas que ele conhecia. Quase gargalhei, mas diante de seu apelo, cedi.

– A Hermione? Como? Não, mas ela estuda, Nick me disse que ela trabalha, mas não quis dizer aonde... Quer dizer, ele me contaria se ela trabalhasse no ministério...

– Ah, acho que não foi esse trabalho que Nick descobriu...

– Qual foi então? Não me diga que ela é líder de uma agencia secreta ou algo do tipo...

Se Fred abrisse a boca, eu não hesitaria: meu filho seria órfão!

– Bem, esse emprego, é melhor não comentar. Ela me castra se eu falar alguma coisa. Ah, e não conte a ninguém que ela é uma General, ela é meio reservada...

– Ela é incrível. – Panti disse meio admirada.

– Eu sei... – Fred suspirou.

Fiquei constrangida, e saí dali. Eu não era tudo aquilo, odiava quando Fred saia fazendo propaganda enganosa de mim. Acariciei meu ventre e segui para o quarto de hóspedes. Abri a porta e me deparei com duas camas. Uma impecavelmente arrumada, quase brilhando celestialmente de tão limpa, mochila organizada, materiais arrumados. Na outra entre um emaranhado de tecidos jazia um corpo, não se tinha certeza onde estava a cabeça, ou os pés. Mesmo com o sol do meio dia jorrando em seu rosto ele continuava inerte, espalhado, desfalecido respirando pesadamente.

– Nick. – sentei-me na beirada da cama e cutuquei algo que parecia ser seu ombro.

– Hmm... Não fui eu...

Tirei o travesseiro do lugar e achei seu rosto. Cabelos desgrenhados rosto sereno – nada sensual – respiração ritmada. Baguncei seus cabelos – mais ainda – e voltei a sacudir seu ombro.

– Nicolas... Vamos já passa do meio dia.

O loiro então deu sinal de vida, bocejou longamente, se espreguiçou, e voltou a tapar o rosto com o travesseiro. Revirei os olhos. Com um aceno de varinha virei o colchão derrubando o corpo no chão com um pesado baque mudo.

– Hey! Cacete, não sabia que não se acorda um homem que dorme?

– Certo Pirata, levanta daí e não enche.

Saí do quarto e rumei para a cozinha, dessa vez ruidosamente já quase berrando do corredor:

– Bom dia! – eu adentrei a cozinha.

– Oi amor. – Fred me deu um selinho.

Panti me lançou um olhar respeitoso.

– Bom dia... – ela disse.

– Então dormiu bem? - perguntei me dirigindo à cafeteira.

– Ah sim, obrigada. Que horas eu e Nick voltamos para a escola?

– Bem eu só tenho que passar alguns exercícios para vocês praticarem sozinhos e despacho vocês pela lareira, Fred mandará um patrono avisando A Diretora McGonagall.

Passos arrastados adentraram a cozinha, um loiro que parecia ter sido atropelado por um caminhão.

– Bom Dia – ele murmurou sentando-se na mesa da cozinha e desabando a cabeça sobre o braço. – Ai, meu corpo dói, minhas pernas doem, meu braço dói...

– Sedentário... – eu disse entregando uma xícara de café para ele enquanto dava um gole da minha xícara de gato que Fred havia me dado.

– Sedentário... Chega aqui pertinho que eu te mostro o sedentarismo... – ele arqueou uma sobrancelha.

– Alguém dormiu com a bunda destapada – Fred murmurou.

Enchemos o saco de Nick durante mais alguns momentos, eu fui para o escritório e passei feitiços para que eles treinassem depois sozinhos.

– Que horas nós vamos? – Panti perguntou. Se não a conhecesse diria que ela estava quase se convidando para ficar.

– Minerva mandou um Patrono, já está esperando vocês na sala dela. Vocês viajarão pela lareira. – Fred disse sentado no sofá.

– Bem, hoje nós temos um jantar... Coisa chata de emprego, mas semana que vem vocês podem passar a tarde conosco, assistir a filmes, dar uma volta de bicicleta até o vilarejo... Se quiserem...

– Seria legal... Sair um pouco daquela escola para variar – Nicolas revirou os olhos.

– É. Acho que pode até ser legal – Panti retomou seu tom orgulhoso Sonserino.

Despedimo-nos e eles partiram. Caí no sofá, morta, como queijo qualho derretido na calçada em um dia de verão.

– Gostei deles. – Fred deu de ombros – Só achei aquele loiro meio saidinho...

Eu apenas ri.

Repentinamente uma imagem surgiu em minha mente: Yakisoba, fumegante, com legumes regados de molho, aquela massa crocante que derrete na boca.

Ah, aquele sabor salgado que é amenizado pelos legumes mal cozidos e a pitada de açúcar, o toque que fica na língua do óleo de gergelim, a sensação de fechar os Hashis na massa e levantá-la até a altura dos olhos.

A carne de frango que contrasta com a carne vermelha, que incorporam o gosto do Shoyo e deixam um sabor esplêndido no fundo da boca.

Yakisoba é tão bom que me dá vontade de chorar.

Minha barriga rugiu.

– Fredoca boboca... – eu disse me ajeitando no sofá e ficando de frente para o ruivo.

Ele estava falando alguma coisa, mas eu estava muito ocupada salivando.

– Hm...

– Você não quer comprar Yakisoba? - eu sorri descaradamente.

Os olhos dele brilharam. E ele saiu pela sala fuçando as estantes.

– Own, seu primeiro desejo, tenho que tirar uma foto disso... – Ele se virou para mim com uma câmera nas mãos – E temos que fazer uma diário... nem acredito que finalmente vou começar a ter alguma utilidade como pai...

– Não se preocupe, você vai ser útil quando ele precisar trocar as fraldas...

– Ou ela...

– Acho que é ele... Sonhei com um garoto ontem a noite.

Fred tirava fotos. Eu estava horrível e provavelmente queimaria o filme da máquina mais tarde, mas ele estava tão empolgado que resolvi não cortar seu barato.

Ele falava pelos cotovelos e dizia que eu estava linda. Minha barriga roncou novamente e ele entendeu que aquela era a deixa dele: saiu correndo, colocando uma luva de cada cor e um grosso casaco. Voltou quinze segundos depois reclamando que tinha se esquecido de que já era primavera.

A porta bateu e ele se foi.

Fiquei sozinha na sala, olhando a minha biblioteca que cada vez tinha mais livros. Sentei no Piano e comecei a arriscar algumas notas. Não sabia tocar embora soubesse ler partituras e soubesse achar as devidas notas no instrumento.

Toquei então o clássico dó-ré-mi-fá, e um pequeno pedaço de Edith Piaf que minha mãe me ensinara.

Minha mãe. Céus, eu estava com saudade dos meus pais, queria contar para eles que eles serão avós. Eles ficariam tão felizes... Provavelmente meu pai castrasse o Fred e me passasse uma bronca por eu ser muito jovem. Mas enfim, até das broncas dele eu estou com saudades. Sinto falta de ser filha só pra variar. Comer um lanche feito pela minha mãe enquanto assisto House, Discutir a lição de casa com meu pai, quase morrer de vergonha quando eles começam a cantar juntos na cozinha, e ouvir suas histórias nojentas sobre cáries durante o jantar.

Ou quando Harry e Rony iam dormir lá em casa e meu pai ficava feito um cão de guarda, nunca deixando-os dormir no quarto comigo.

Eu quero meu pai... Eu quero minha mãe... Quero voltar no tempo quando as coisas não estavam tão ruins.

CREC.

– Eu comprei Yakisoba, e trouxe também sushi – ele fez uma careta – e também trouxe suco... E chocolates...

– Certo, passe-me apenas o Yakisoba – eu me levantei e saltitei até o ruivo que estava cheio de sacolas. – você não devia gastar com bobagens...

– Hermione, não corte o meu barato. – ele laçou minha cintura e fomos até a mesa onde eu heroicamente evitei que meu filho nascesse com cara de sushi.

***

Sabe aquela história que:

Mulher grávida fica enjoada. Mulher grávida tem vontade de mijar o tempo todo. Mulher grávida fica sensível. Mulher grávida fica inchada. Gente caolha perde o senso de profundidade.


É TUDO VERDADE!


Eu já tinha ido ao banheiro umas seis vezes, das quais três foi alarme falso de vômito. E agora eu estava com vontade de chorar por que o vestido que eu ia usar nesse jantar idiota da Ordem não queria entrar, e Fred já tinha derrubado suco/água/refrigerante umas dez vezes por calcular mal a distancia entre sua mão e o copo, acabando por simplesmente dar um tapa no copo e derrubá-lo no chão. Depois da segunda vez o proibi de usar copos de vidro.

Fred entrou no banheiro, com problemas com sua gravata borboleta.

– Nossa... Você está linda.

Fuzilei-o com o olhar.

Eu tinha tirado a maquiagem pela terceira vez, meu coque estava se desmanchando, meu vestido estava entalado na minha cintura e minhas olheiras me deixavam parecida com um panda. Enquanto ele, lindo e maravilhoso parecia um aristocrata pirata inglês, com sua linda gravata borboleta e seus cabelos sedosos ruivamente penteados para trás.


“Maldito, você fez isso comigo!” minha consciência gritava enquanto imaginava se banhando no sangue do ruivo.

Suspirei longamente.

– Não queria ir. – resmunguei. – queria ficar em casa lendo Lolita, ou alguns contos machadianos...

Fred empalideceu.

– O que?!

– Na verdade eu...

– Você tem esse livro?! - Fred quase gritou exasperado.

– Não... – eu suspirei incomodada – Luna achou a versão em pdf, no computado... Eu te contei não contei, foi um dos livros que eu perdi, eu tinha a primeira edição mas... Por que tanto interesse no meu livro?

O ruivo parecia que iria derreter de alívio.

– Ah... É... Que... Bem, esse livro é tenso! – ele disse ajeitando os fios ruivos. – O cara é doente, quer dizer, a garota tem 12 anos...

Aos desavisados, Lolita não é exatamente o tipo de livro que podemos classificar como didático, mas é parte da minha história. Meu ‘tatatatata[...]taravô’ leiloou a primeira edição desse livro, e ele acompanha os Granger desde então. Eu particularmente sou apaixonada pela escrita e pelo roteiro, nunca me canso de ler. Isto é, nunca me cansava.

No meio tempo que estava presa na mansão Malfoy, Fenrir achou meu livro, fui estúpida em trazê-lo comigo, mas ele era meu livro de estimação. Provavelmente ele o queimou, jogou no lixo ou na melhor das hipóteses vendeu a algum colecionador. Senti-me mal pois meu avô deixou o livro para mim, e eu o perdi. Não gostava de falar desse livro, pois sempre me lembrava o quão indigna eu era.

A verdade é que Luna tinha me passado o livro pelo computador há meses e só agora tive coragem de (re)começar a lê-lo.

– Queria acabar de ler meu livro...

– Não senhora, hoje nós vamos anunciar a breve chegada de um novo Weasley.

– Granger. – eu disse finalmente entrando no vestido.

– Granger Weasley. – ele beijou o alto da minha cabeça. – Soa bem.

Meu cabelo ganhou, apenas fiz uma trança, pois ele estava muito armado. Passei base, lápis de olho para disfarçar a cara amassada e Fred me obrigou a passar batom. Segundo ele aquela era uma noite especial e que mais tarde eu iria matá-lo se ele deixasse que eu fosse desarrumada.

Não entendi bolhufas.

E acredite quem quiser, acabou que quem me maquiou foi Fred.

– Você está sabendo demais dessas coisas se quer saber... – eu disse com um sorrisinho maldoso. - você anda usando minhas maquiagens quando eu não estou é?

– A maquiagem, os sapatos, os vestidos, tudo amor, tudo... – ele riu – na verdade era eu e Jorge que brincávamos com a Gina de desfile. – ele revirou os olhos.

– Por que ela não fazia isso com Gui que sempre teve cabelo comprido? – eu disse indo coçar o olho. Recebi um tapa na mão de Fred que foi assustadoramente exatamente igual ao que Gina costumava me dar.

– Por que ela gostava de vestir eu e Jorge iguais. Ela dizia que éramos bonecas gêmeas.

– Diz pra mim que existe uma foto disso.

Fred estalou a língua.

– Existe. Gina nos chantageia com essa maldita foto até hoje.

Só não rolei de rir por que Fred disse que tinha que esperar o delineador secar. Só ele pra me animar. Tudo na minha vida está de cabeça pra baixo, mas até isso parece normal quando eu tenho ele.

– Te amo. – ele disse repentinamente.

Diminui o riso.

– Você fica dizendo isso de repente...

– Você está coradinha... NHÓ QUE FOFINHA!

– Não estou não! – protestei sentindo minha têmpora saltar.

– Esta sim... quer ver ficar mais: Te amo sua gostosa.

– Fred! – certo, eu senti o sangue sair das minhas pernas, e meu rosto esquentar.

– Você não tem vergonha quando... [para o efeito de ter menores de idade lendo esta fic (e o fato da escritora também ser menor de idade) não vou colocar o conteúdo da provocação verbal do nosso ruivo tarado]

Voei em Fred e tampei sua boca antes que ele continuasse a falar. Eu não era tão devassa assim. Ou será que era?

“É sim.”

“Cala a boca consciência ninguém pediu sua opinião.”

“Ficou nervosinha é?”

“Não me faça ir ai te dar um supapo.”

“Calei.”


– Não fale esse tipo de coisas. – eu fiz bico. – parece o Nicolas falando.

Ele riu-se e mexeu em minha trança.

– Tenho que aproveitar pra falar merda enquanto moramos sozinhos.

– Sei. Com um pai como você, um tio como Jorge, e um Padrinho como Lino, meu Naoki vai ser um “Menino de Engenho” versão Inglesa.

[N/A: Menino de Engenho é um livro MUITO bom, brasileiro, que eu sugiro como leitura, apesar de ser ligeiramente Tenso, onde retrata um garoto que cresce em um engenho de cana e se preconiza sexualmente. Só para efeitos de contextualização posterior e para vocês terem noção de como é o livro, Carlinhos era cuidado por uma babá-professora que para fazer que o garoto o a obedecesse masturbava-o. Detalhe, nisso o garoto não tinha ainda 12 anos. Que bom né, não sei por que eu escrevi isso. ].

Fred apenas riu-se.

– Precisamos contratar uma babá então. – ele disse maliciosamente. – teremos aulas pai e filho.

A sorte de Fred é que ele estava de tapa olho e que ninguém veria o roxo em seu olho. Saí do banheiro pisando em seu pé e marchando para o quarto. Ele ficou com o seio do olho completamente vermelho, mas ainda assim não sabia se ria ou se gemia, murmurando que era brincadeira e tentando me seguir mancando.

– Aula pai e filho... – eu murmurei, minha têmpora estava saltada como em desenhos animados e eu sentia aquela aura negra descer pela minha testa, provavelmente me dando ares demoníacos.

– Eu estava brincando... – Fred me abraçou por trás e beijou meu pescoço. – eu nunca deixaria Naoki ter esse tipo de aula comigo. Seriam períodos diferentes...


Chegamos tarde ao jantar, Fred tinha marcas de mordidas pelo ombro, o outro olho estava ligeiramente inchado e eu o tinha chutado tão forte na canela que ele mancava. Digamos que eu passei uma meia hora espancando-o antes de sair de casa e agora ele estava ao meu lado, como um cachorro que leva bronca depois de ter mijado no tapete. Nesse exato momento eu finalizava a bronca.

– [...] E da próxima vez que você falar algo assim eu corto suas bolas entendeu?

– Entendi...

– E como se fala? – eu coloquei a mão na cintura.

– Desculpa. – o ruivo tinha as mãos nos bolsos e chutava a pedrinhas do chão, fitando-as serem arremessadas para longe. Ele parecia ter dez anos.

Eu estava com um sapatinho preto de boneca com um salto monstruoso, o que permitiu que eu me esticasse para dar-lhe um selinho. Ele sorriu. Paramos para contemplar onde estávamos. Ema casa grande e imponente, era a sede americana dos aurores, mas hoje apenas a ordem e alguns amigos estariam aqui. Hoje eu contaria que estava grávida.

Em resposta ao meu nervosismo, Naoki tentou dar um triplo carpado na minha barriga, aterrissando em cima da minha bexiga.

– Estou nervosa.

– É...

– Tipo muito.

– É...

– Preciso ir no banheiro...

– De novo? – Fred me olhou atônito.

– Reclame com seu filho que não para de sambar em cima da minha bexiga. – revirei os olhos.

Eu obviamente estava sendo irônica, mas quando vi Fred estava ajoelhado, segurando minha barriga entre as mãos com a boca tenuemente encostada nela.

– Eu sei que deve estar apertado aí, mas eu prometo que vou ver se consigo colocar um feitiço de expansão ou algo do gênero...

Seria fofo, se ele não estivesse falando sobre colocar um feitiço de expansão no meu útero.

– Fred, amor, levanta daí, pelas cuecas de Merlin.

Ele beijou minha barriga e se levantou.

– Pronta? - Engatou minha cintura.

– Não. – murmurei.

– Nem eu.

Nesse clima de pernas tremendo mais que vara verde, e com a imagem de uma senhora Weasley cortando nossas cabeças com imensa Katana japonesa (estilo Kill Bill), batemos na porta.

Apertei os dedos de Fred e instintivamente passei meu braço sob meu ventre.



Light a fire, a fire a spark

Light a fire, a flame in my heart

We'll run wild


We'll be glowing in the dark.




Notas finais do capítulo
TCHU-RU-RU-RUUUU
Tem mais um ainda hoje *u*
(SE A DROGA DO MEU NARIZ PARA DE SANGRAR NO TECLADO, TALVEZ EU CONSIGA POSTAR ESTA COISA MAIS RÁPIDO...)
Nhó
*Malfeitofeito*




(Cap. 8) ~ Buonanotte ~

Notas do capítulo
NHOM NHOM NHOM
EU QUASE TIVE UM TRECO ESCREVENDO ESSE AQUI...
AI MEU DEUS COMO EU SEI SER FOFA -masoqueeee... parei g-g
aproveitem, e me desculpem se tiver algum erro, postei meio correndo, mais tarde eu dou uma revisada *u*

OITO:

Um mordomo estilo Sebastian nos atendeu. Cabelos pretos rigorosamente escovados para trás, postura impecavelmente eretas, olhos calmos e portava um pano branco em seu antebraço que estava dobrado na frente do diafragma.

– Fred Weasley e Hermione Granger.

O mordomo acenou levemente com a cabeça e sorriu.

– General – ele se curvou pra mim – Major – ele reverenciou Fred. – querem que eu segure seus casacos?

– Por Favor. – Fred disse antes que eu pudesse responder.

No que o mordomo tentou colocar a mão no meu ombro para puxar o caso, Fred em um movimento sutilmente possessivo se colocou em minha frente, sorridente, e deslizou ele mesmo o casaco, entregando-o ao rapaz que não se deixou abalar.

– Aproveitem a Festa e não hesitem em chamar.

– Muito obrigado – eu sorri meio sem jeito.

Andamos pelo corredor provençal e desembocamos na Paris da Bélle Epóque. Um salão amplo, surpreendentemente claro, com pilares trabalhados em mármore. Mas não qualquer mármore, era Mármore Carraro original, a prataria estava tão bem polida que serviam como espelho, as taças de cristal simples e elegantes. E para quebrar toda aquela sobriedade, diversos “brincos-de-princesa” pendiam pelo teto e enroscadas nos pilares, vivas e lindas. Era a flor que eu mais gostava. Eu, Lilá e Luna na verdade amávamos aquela flor. Gina era mais careta, gostava de rosas.

No fundo do salão havia uma espécie de palco, com três daqueles microfones antigos, redondos e chatos dourados – Knuclehead Cascade.

Gina apareceu na minha frente, acenando freneticamente. Ela também estava linda, acho que isso era um jantar de gala e Fred não tinha me avisado. Estava com um vestido primaveril. Verde e solto, milagrosamente com pouca maquiagem. Luna, Harry e Draco chegaram logo atrás.

Fred me dissera que era um jantar da ordem, mas aquilo estava realmente estranho demais para ser apenas um jantar.

– Oiê! – Gina disse lépida e faceira.

Harry que não perecia muito feliz, tinha a cara amarrada.

– Gina xeretou no que não devia. Pra variar. – Harry bufou irritado.

Fred perdeu a cor.

– Poxa Gina, como você é sem graça.

– Desculpa mas ele não guarda as coisas direito! – ela disse sorrindo abraçando o moreno e beijando-o.

– Do que vocês estão falando? – perguntei.

– Nada. – Fred, Harry e Gina responderam simultaneamente.

Cheguei a assustar-me.

– Luna?

– Também não estou entendendo nada. Eu ia vir de calça Draco brigou para que eu colocasse um vestido. Acho que os Florins da primavera estão embaralhando a mente deles.

Pela primeira vez na vida, a explicação de Luna pareceu fazer sentido, por que ou Florins estavam bagunçando as ideias de Fred, ou ele estava ficando esquizofrênico.

– Fred, o que aconteceu com seu olho? – Draco manifestou-se.

– Ah, eu topei com comensais e...

– Não, eu digo o outro. Ele está meio inchado...

– Hermione me bateu.

– Você mereceu.

– Vão criar uma lei chamada Fred da Penha desse jeito. – Harry disse rindo, esquecendo a carranca.

– Onde está Rony? – eu disse varrendo o salão com os olhos rapidamente.

– Ah, vai chegar atrasado. – Draco disse logo em seguida dirigiu-se para Fred – ele não queria participar, então foi conversar com a Lilá.

– Ah... e ela o que achou disso tudo? – Fred torceu a boca, preocupado.

– Tranquilo, ela também não quis. – Harry espreguiçou-se.

– Vocês querem para de conversar em códigos?

– E se agente não quiser? -Harry provocou rindo apertando minha bochecha.

– Eu deixo todos vocês com os olhos inchados combinando. – estreitei o olhar.

Harry soltou e se escondeu atrás de Gina.

– Melhor agente trocar de assunto. Gina, eu não quero ficar com um tapa olho.

Gina apenas riu, acariciando o cabelo do moreno. Que por sinal estava penteado. Opa, ele estava com o cabelo penteado! E tipo: NÃO ESTAVA REBELDE.

– HARRY VOCÊ ESCOVOU O CABELO PARA TRÁS! – Eu quase gritei – Algo muito errado está acontecendo aqui. – Reparando bem, os garotos – Draco, Harry e Fred – estavam muito bem arrumados. Como se tivessem saído de um filme dos anos 20.

Harry pigarreou loucamente e começou a proferir seus famosos: “Veja bem...”.

Salvo pelo Gongo, Kingsley me avistou e acenou para que eu me juntasse a ele. Antes de sair, apontei para Harry e disse com o olhar: “Mais tarde agente conversa”.

– Você vem? – perguntei a Fred.

– Não, vou ficar aqui, tenho que resolver uns negócios. Vemos-nos mais tarde ok?

– Certo – eu dei-lhe um selinho – Não conte nada sem mim. Já sabe o que eu vou fazer se você contar. – eu imitei uma tesoura com as mãos.

Ele apenas riu.

– Contar o que? – Harry curioso quis saber.

– Bla bla bla, veja bem... – eu imitei-o.

Ele me mostrou o dedo e eu saí rindo. Atravessei o salão e fui até onde Kingsley estava. Ao seu lado algumas pessoas bem vestidas. Provavelmente políticos, aurores, mercenários e espiões. Um ou outro eu já havia visto em outra reunião do ministério. Se não me engano Marechais.

– Aqui está a minha brilhante estrategista. – Kingsley colocou o braço ao redor do meu ombro. – A Brilhante Hermione Granger.

Recebi olhares atravessados que diziam: quem deixou essa pirralha entrar?

– Hermione, este é o Tenente William que faz o intercâmbio entre trouxas e bruxos e coloca seus planos em prática. Will, essa é a sua chefe, General Granger.

Estendi a mão e cumprimentei o Tenente Will, muito embora ele estivesse tentando me matar com seu aperto de mão e com seu olhar carrancudo. Algo me diz que ele não tinha gostado de saber que sua chefe era uma pulga de 18 anos. Ele já devia ter seus cinquenta anos, tinha o porte de um rinoceronte, espessas sobrancelhas, rosto áspero coberto com uma grossa e falhada barba, mãos grandes e calejadas.

– Prazer conhecê-lo. Nunca o tinha visto antes... É novo no ministério? – tentei parecer simpática.

– Não gosto de frequentar o mundo de vocês. Normalmente tenho reuniões separadas com Kingsley.

– William é um trouxa – Kingsley riu.

– Ah...

– Algum problema com isso? – ele se inclinou em minha direção, claramente pronto para descer o braço em mim.

– Como poderia? Afinal, sou também nascida trouxa. – sorri e desconcertei-o.

Ele desfez ligeiramente sua postura de touro raivoso e me observou da cabeça aos pés. Sequer demonstrei reação. Estava acostumada a ter olhares julgadores do pessoal do ministério. A maioria não era tão parecida com um assassino estuprador, mas nem de longe ele era tão assustador quanto Voldemort. Ou Bellatrix.

– Nascida Trouxa... Onde você nasceu?

– Londres.

– E seus pais?

– Londrinos também. Dentistas os dois, mas estão na Austrália. – eu sorri – Na bem da verdade estou momentaneamente órfã, eles queriam se meter na guerra, achavam que uma boa conversa com “esse tal de Você-Sabe-Quem” deveria resolver. Fi-los se esquecerem de mim e mandei-os para a Austrália, para fazerem trabalhos comunitários como eles sempre quiseram fazer.

– Mas se tudo der certo em breve poderá ir buscar seus pais. – Kingsley afagou meu ombro.

– Ah sim, pena que eles me colocarão de castigo por uns dois anos quando descobrirem que eu apaguei suas memórias.

A roda inteira riu.

– Uma General de castigo, Vocês Londrinos... – um senhor que mais parecia um barão com seu monóculo riu abertamente, gordo com bochechas coradas e com sotaque italiano carregado.

Mas eu ainda não tinha conquistado ‘Willizinho’, meu mais novo subordinado.

– Ouvi histórias sobre você, que você foi torturada por Você-Sabe-Quem. É verdade o que escuto ao seu respeito?

– Não, a maioria é exagero. Normalmente dou sorte. – eu tentei desviar o assunto. Não gostava de falar de Voldemort. Se ele ainda estava vivo a culpa era minha.

– Você foi torturada por ele? – um outro perguntou espantado, claramente bêbado.

– Bem, digamos que quando fui capturada eu não fui exatamente convidada para tomar um chá. – novas risadas. – Mas meus amigos me ajudaram a escapar ilesa. Foi nesse episódio que o jovem Malfoy foi deserdado.

Alguns burburinhos ecoaram, e o clima se descontraiu. Mas meu novo amigo Willy não se deixou despistar.

– Eu soube que é Monitora Geral do Colégio de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Deve saber que muitos alunos de lá estão se juntando às tropas de Você-Sabe-Quem, deve ser difícil lutar contra seus antigos colegas.

Eu sabia onde ele queria chegar. A história de Cameron tinha vazado, bem como um boato de que costumávamos ser grandes amigas.

– Sr William, deixe-me esclarecer uma coisa: Se Voldemort invadisse o inferno, eu me aliaria ao demônio para vê-lo morto. Meu objetivo nessa guerra é claro e único, não importa por cima de quem eu tenha que passar. – eu disse sorrindo.

E foi aí que eu conquistei o carrancudo Willizinho. Ele esfregou as mãos, sorrindo, coçou a barba acenou firmemente com um rosto de convicção.

– Essa é das minhas – ele dizia batendo no meu ombro, quase me demolindo. – General Granger, eu gostei de você... Posso te chamar de você?...

A conversa fluiu, e Willizinho não desgrudou mais de mim, conversava empolgado sobre como as técnicas de segurança estavam dando certo no mundo bruxo, sobre minha “genial” ideia de usar as câmeras trouxas para catalogar e identificar comensais que circulassem entre trouxas. Ou a ideia de reforçar os coletes dos policiais com feitiços. Ou ainda a ideia de selecionar alguns recrutas trouxas para treinarem no ministério.

– Bom, a maioria das ideias eu tiro de filmes...

– Não seja modesta, suas ideias são simples, mas pela primeira vez bruxos e trouxas estão realmente lutando lado a lado. Como andam os recrutas? Já se acostumaram com o ministério? Teve problema com algum?

– Bem, a parte de treinamento é com o Major Weasley, mas pelos relatórios que ele me passa, tudo está ocorrendo melhor que o esperado. Infelizmente temos alguns bruxos tradicionalistas que andam criando caso, mas...

– Ah, bruxos! – Willizinho voltou a ficar carrancudo – sempre se achando os melhores.

– Nem todos são assim. Mas confesso que temos um setor mais tradicionalista do ministério que foi completamente contra a ideia de trabalhar com trouxas.

– Fora os comensais infiltrados no ministério. – ele estalou a língua.

– Ainda há muitos deles. Mas pelo menos entre os aurores esse número foi bastante reduzindo. Mas cuidemos da parte militar e deixemos a politicagem com Kingsley.

Willizinho riu-se mais ainda, era assustadoramente grande e alto, com voz grossa e rouca, como uma fera.

– Você é das minhas, você é das minhas... – ele repetia com sua voz de trovão.

De uma coisa eu tinha certeza: nunca queria ter Willizinho gritando comigo. Acho que ele era capaz de me quebrar em duas apenas com sua voz grave.

Um burburinho então começou e algo no palco atraiu a atenção geral. Eu e Willizinho interrompemos a conversa para ver o que acontecia. Quase morri, bati as botas, chutei o balde, fui conversar com o senhor, passar para outra dimensão.

Três rapazes, elegantemente vestidos se ajeitavam no palco. Cabelos penteados, sorrisos lindos. Sem que me desse em conta, eu comecei a praticamente correr para atravessar o salão. Willizinho ia atrás de mim, distribuindo cotoveladas e abrindo caminho com suas monocelhas assustadoras.

No exato momento que cheguei à frente do palco, Luna e Gina também chegaram, tão esbaforidas quanto eu. Luna igualmente perdida, Gina com um sorriso rasgado.

Rony também estava lá, abraçando lilá, ambos riam como se soubessem de uma piada interna. Lino, Jorge estavam lá bem como o resto da família Weasley que também observavam o palco com curiosidade. Lino e Jorge filmavam a tudo aquilo, divertidos.

No palco, os três rapazes eram: Draco, Harry e Fred. Mais pareciam um trio de rapazes teletransportados dos anos 20 para cá. Mais ao fundo uma bandinha se instalava, ao lado do palco três cadeiras que me deram um mau pressentimento, e minha vontade era de subir lá e tirar o ruivo de lá pelas orelhas só se fazia aumentar. Meu desespero foi ao ápice quando os três seguraram os microfones dourados e Fred lançou-me uma piscadela ladina. Ele iria contar que eu estava grávida assim? Meu filho vai nascer órfão de pai. Ou pior, vai ter um pai Eunuco.

Boa Noite senhoras e senhores. – Lino subiu ao palco, sua voz de narrador, Jorge continuava na minha diagonal, filmando a tudo. Gina estava a minha direita, e Luna a minha esquerda (Luna acenava sonhadoramente para Draco que vermelho acenava de volta; Gina mandava beijos e estava quase pulando do meu lado; eu olhava enfurecida para o ruivo gesticulando tesouras, ele apenas mexia os lábios dizendo que me amava.). – Nós teremos hoje um acontecimento muito especial – Lino olhou para mim – eu troco esta gravação por aquela foto, ok? – mostrei-lhe o dedo. Ele riu. – E agora, com vocês, Buonanotte : uma música mais velha que Dumbledore, do já falecido trouxa italiano Renato Carosone, nas vozes de: Fred Weasley, Draco Doninh... Quer dizer, Malfoy, e Harry Potter. – ele riu e mandou um beijo para Draco. – uma serenata para suas amadas, nesta noite especial.

A bandinha começou a tocar e eu não acreditei em meus olhos. Lino e Jorge foram até nós, e praticamente arrastaram a mim e a Luna para cima do palco – Gina foi lépida e faceira, por livre e espontânea vontade.

Tive vontade de mandar Willizinho quebrar Lino e Jorge em dois, mas ele também estava tão atônito quanto eu.

Mi avete dato il fa,– Fred começou e caiu de joelhos na minha frente.

Mi avete dato il sol,– Draco caiu aos pés de Luna.

Mi avete dato il la,– Harry ajoelhou-se perante Gina.

Ma che ci posso far? – as vozes vieram em uníssono.

Confesso que minha raiva se diluiu. Meu peito se remexeu com a voz grave e divertida de Fred, seu sorriso macio e sereno, que expressava a mais pura felicidade. Vê-lo feliz me deixava feliz.

De fato, agradeci por ter vindo arrumada, todos olhavam para o palco, olhavam o que aqueles doidos estavam fazendo. Algumas mulheres cutucavam seus parceiros, bravas por não receberem uma serenata. Senti uma pontinha de orgulho. Enquanto isso alguns outros casais se animavam para dançar.

A voz de Harry soava divertida e macia pelo salão, em um italiano ensaiado:

Ogni colpo prepotente

una corda rovinata.

Ma che bella serenata!

E ci siamo messi in tre

Draco aproveitou a deixa instrumental e continuou a serenata:

Buonanotte, le corde si son rotte

non posso più suonar. Ah si? E già!

Che disdetta! Se avessi una trombetta

potrei ricominciar. Ah si?

E già!: os três gritaram juntos, levantando-se e indo para o meio do palco.

A voz do loiro foi substituída pela voz de Fred. Quase tive uma síncope. Ele era definitivamente perfeito:

Non capite,

vuol sentir la serenata.

Per non far l'addormentata

ha bevuto sei caffè. Ah si? Embè?

Eles cantavam bem, e provavelmente tinham ensaiado a letra, faziam passinhos charmosos e recebiam olhares vorazes me mulheres da plateia. Tinha uma peituda que estava quase jogando o sutiã para Draco. Outra provavelmente já tinha tirado a calcinha e esperava o momento certo para arremessá-la em Fred. E tinha outra que estava com um pé na cova, pois Gina havia visto-a mandando um beijo para Harry.

E aquele microfone plano circular dourado, realmente fazia parecer que estávamos nos anos 20, as flores que enfeitavam o lugar, as pessoas rindo, dançando, os rapazes cantando, Gina eu e Luna rindo feito bobas...

A música se finalizava quando os três garotos pegaram algo no canto do palco e voltaram aos microfones. Fred cantava o último verso.

Buonanotte, le corde si son rotte

e adesso che si fà.

Salutiamo la mia bella

che a nanna se ne và.

Ah si? E già! – os três finalizaram em uníssono.

Aplausos, assobios, sutiãs e calcinhas voadoras – brincadeira. Eles vieram ante nós com as mãos nas costas, seguravam algo. Ajoelharam-se e cada um estendeu algo.

Draco: um muffin azul.

Harry: uma rosa branca.

Fred: um livro aberto.

Eu achei aquilo fofo, mas foi o grasnado de Luna que me fez olhar com mais atenção. Em cima de cada um dos itens citados, havia um anel. Um sorriso anormalmente grande surgiu no meu rosto. Murmúrios explodiram, acompanhado por suspiros... Eles não iam... Iam?

– Mi vuoi Sposarte? – disseram em uníssono.

Na verdade eu parei de prestar atenção em Harry e Draco, apenas mergulhei nos olhos verde-oliva que me prendiam, nervosos e apreensivos. Sposarte... Sposarte... Ah deus, não me diga que...

Boku no okusan ni naritai ka? – Fred murmurou com um sorriso sereno.

Eu reconhecia aquela frase. Já tinha escutado-a em muitos animes e filmes japoneses. Minha língua travou, eu senti meu sangue desaparecer e meus olhos arderem, fiz muita força para não chorar. Baixei os olhos para o meu livro. Uma aliança dourada, simples. Mas a sombra da aliança projetava sobre as paginas um coração perfeito. Então observei melhor o livro.

Era o livro da minha família que eu havia perdido.

Em japonês, ele havia perguntado se eu queria me tornar sua esposa. Eu em japonês respondi-lhe:

– Aye... Aishiteru.

Foi a vez dele de quase chorar. Um sorriso largo tomou seu rosto.

Ele colocou o livro no meu colo e segurou minha mão direita. Acho que Nicolas não ia gostar dessa notícia. Fred escorregou a argola e alojou-a em meu dedo.

Não me importei com os olhares, ou com as diversas relações profissionais que estavam ali presentes me julgando, quase pulei em Fred, e grudei nossos lábios em um beijo quente, espontâneo, alegre, doloroso.

Surgiu um sentimento masoquista em que eu queria sentir aquela dor para sempre. Como se estivesse na eminência de um infarto, como se cada artéria do meu corpo explodisse e derramasse sangue quente pelo meu corpo, me enchendo de dentro para fora até não caber mais. Até me sufocar com aquele sentimento de prazer, felicidade, realização, excitação...

Adjetivos me parecem tolos para descrever o que eu senti. Era mais que felicidade, mais que perfeição. Era mais que desejo, mais que amor. Era mais que mais. Muito mais. Tão grande que mal cabia em mim, era como se meu corpo estivesse tentando se expandir, a ponto de ocasionar um segundo big-bang, e apenas com o rebuliço de emoções que enchiam meu peito, criar um novo universo.

Segurava meu roso daquela forma delicada que ele fazia. Suas mãos firmes, sua respiração quente, sentir seu sorriso contra o meu. Um calor febril quase derretia minha pele onde ele tocava, e eu já não tinha borboletas no estômago. Eu tinha filhotes de Aliens, cavando entre minhas entranhas, prontos para saírem.

Aos que amam, ou já amaram, sabem que mesmo essa minha narração foi uma tentativa bastante frustrada de descrever o que se passa quando se está apaixonada. O melhor modo de entender o que falo, é apaixonando-se, e sentindo na pele o que aqui tento relatar.

***

Dançamos, Fred, Harry e Draco contaram que vem ensaiando há semanas. Eu Gina e luna estávamos basicamente desintegradas, derretidas, reduzidas à purpurina, eu sequer conseguia parar de olhar para meu anel.

Ali mesmo decidimos a data. Na verdade senhora Weasley a Impôs: ela aceitaria o casamento de Gina, contando que fosse depois de seu aniversário. Em cinco meses eu me casaria, nos quentes tempos de agosto.

Lembro que a primeira vez que Fred mencionou casamento. Foi no casamento da Fleur e do Gui, eu estava tentando arrumar um jeito de não levá-lo comigo para buscar as Horcruxes, e tinha decidido me separar dele. Lembro-me que soltando seu sorriso ladino ele disse como quem não quer nada: “– Quando eu me casar – dissera o ruivo repuxando as golas de suas vestes -, não vou me preocupar com nenhuma dessas bobagens. Vocês todos podem vestir o que quiserem, e lançarei um Feitiço do Corpo Preso na mamãe até terminar a cerimônia.”.

Meu sorriso era tão absurdamente grande, dois anos tinham se passado e eu estava aqui, com ele grávida. Mesmo depois de dois anos eu ainda ficava vermelha perto dele, sentia-me irritada, insegura, tinha ciúmes, queria cuidar dele, amava ficar com ele, brincávamos como melhores amigos. Eu o amava como se o tempo não tivesse passado, como se fosse nosso primeiro mês juntos. O amava ainda mais.

Levantei-me determinada, taça de cristal na mão, na falta de um garfo peguei uma colher de prata mesmo. Tentei chamar atenção de todos elegantemente. Obviamente não deu certo.

Larguei a taça, a mesa em que eu estava, todos me olhavam, mas eu queria que todas as mesas soubessem, que todo o mundo soubesse.Meti os dedos na boca e assoviei. Um som estridente que se espalhou pelo salão elegante e provençal.

O silencio reinou e eu tinha a atenção de todos. Respirei fundo, Fred notou o que eu ia fazer e ficou em pé ao meu lado, entrelaçou nossos dedos.

Quando falei, falei olhando nos olhos da senhora Weasley, desejando poder contar para minha mãe, desejando que Minerva estivesse ali, e agradecendo a Merlin por ter alguém como Molly do meu lado em um momento como aquele.

– Senhoras, Senhores. Como vocês viram – eu ergui minha mão esquerda e mostrei a aliança dourada – eu acabei de ficar Noiva. – risadas ecoaram pelo salão, algumas taças erguidas em brinde á isso – e bem, acho que este momento é o ideal para contar o que Fred e eu vínhamos guardando a algum tempo. Queria que alguns amigos pudessem estar aqui, e sinto falta de muitas pessoas que são importantes para mim, mas nesse momento, eu quero dividir com vocês a maior alegria da minha vida.

– Da nossa vida – Fred disse sorrindo. – na verdade esta noite eu particularmente estou mais feliz do que pinto no Lixo.

– Desembucha – Jorge gritou.

– Bem, eu estou grávida. – soltei em um só fôlego, apertando a mão de Fred, agradecendo silenciosamente por ele estar ali comigo.

Gritos de viva explodiram, aplausos, assobios. Willizinho esfregava as mãos, feliz, repetindo que “essa sim era uma criança sortuda, com pais guerreiros...”. Mas essas reações não eram muito relevantes. Vamos aos pontos decisivos:

Kingsley estava quase vomitando o arco-íris, festejando, dizendo que tínhamos que comemorar àquilo. Ele mal esperava a hora de ver o pequeno Granger-Weasley engatinhando pelo ministério, iria ser a nova mascote dos aurores.

(anotação mental, nunca deixar Naoki sob os cuidados de Kingsley).

Sr. Weasley, Gui e Fleur abanavam a senhora Weasley que não sabia se ria, chorava ou passava sermão em Fred.

Jorge tinha se engasgado e estava roxo, Lino desnorteado não sabia se soltava uma piadinha ou se ajudava o coitado do ruivo a voltar a respirar.

Bem, acho que o problema maior foi Harry e Rony. Eles tentavam de qualquer jeito se desvencilhar de Gina e Lilá gritando da outra ponta da mesa que iriam tirar o couro de Fred. Draco tinha um sorriso sínico, aposto que estava esperando a hora certa para esfregar na cara de Harry e Rony que sabia desde o começo sobre a minha gravidez.

Gina e Lilá desistiram de tentar conter os namorados, e vieram falar comigo. Fred teve que correr para fora para não apanhar de Harry e Rony que com varinhas em punho diziam que queriam apenas “Conversar” com Fred.

Luna, Draco, Gina e Lilá chegaram até mim.

– Você é louca? Filho com 18 anos? Não era você que não ia ter filhos? – Lilá estava ligeiramente indignada.

– É, eu sei. Mas aconteceu, e eu não quis tirar. Além do mais, estou quase me formando tenho emprego, e o próprio Kingsley que vou poder levá-lo para trabalhar comigo...

– Ele vai ser a mascote dos aurores... – Lilá disse exasperada.

– Desde cedo vai aprender a seguir a carreira dos pais...

Gina que estava – literalmente – pulando do meu lado enquanto mordia o lábio não se aguentou:

– AH! QUE LINDO, ISSO É TÃO VOCÊS, VAI DAR TÃO CERTO, VOU SER TIA NEM ACREDITO. Lilá, para de jogar balde de água fria sim?

– Mas criar uma criança não é assim fácil.

– Mas a Hermione tem a Sra. Weasley, já tem emprego, um ótimo currículo, ganha mais do que meu pai, fora o salário do Fred. – Draco dizia.

Quando Draco descobriu que eu estava grávida, também me passou uma bronca, mas depois de semanas colocando na balança e na ponta do lápis ele disse que a minha vida e a do Fred realmente era apta para uma criança. Fora os detalhes de guerra, mas eu ainda tinha sete meses para acabar essa guerra antes que meu Naoki nascesse.

– Vocês serão ótimos pais. E eu acho que eu e Draco podemos morar um tempo com vocês para ajudar a cuidar. – Luna dizia sorridente – afinal, eu vou ser pesquisadora, posso fazer meus horários. Vou ser sua babysiter oficial.

– Ah, dá cá um abraço sua rata desmiolada. – Lilá me puxou para um abraço – qualquer coisa que precisar, é só gritar. Você sabe disso né?

Depois disso houve um abraço coletivo, onde Luna decidiu que iria começar a preparar os talismãs do meu bebe. Casacos azuis de crochê com lã de alpaca chilena, cordão com pingente natural de uma pedra de riacho que lembre uma pimenta, um lencinho com um número 7 bordado...

Gina decidiu que iria comigo fazer o enxoval “meu sobrinho vai ser a coisa mais fashion que a indústria infantil já viu. E vai ser lindo, ainda mais se for parecida com a tia... Meu Merlin, eu vou ser Tia... Ah meu Sobrinho lindo da Tia...”.

Lá pelas tantas, Fred voltou e se escondeu atrás de mim. Harry e Rony chegaram logo depois, vermelhos, raivosos.

– Sai daí Fred! – Rony rosnou.

– Garotos, por favor, pai do meu filho...

– Hermione... – Harry me interrompeu e esticou sua palma da mão na frente do meu rosto. – eu não estou podendo falar com você agora...

– Isso mesmo, primeiro eu vou matar essa lombriga ruiva que te desvirtuou, depois nós conversamos. – eu revirei os olhos e ri.

– Não precisa se preocupar com isso... – a senhora Weasley praticamente brotou do nosso lado. – deixa que eu acabe com a raça dele. – ela pescou a orelha do Fred e foi arrastando-o até a cadeira, onde ela fê-lo sentar. Ele gemendo de dor.

Antes que ela arrancasse a orelha de Fred, e voltasse a deixá-lo igual a Jorge, eu corri para o lado do ruivo e passei meus braços protetoramente ao redor do seu pescoço, passando os dedos pelos seus ruivos cabelos.

– Sra. Weasley... – eu disse sorrindo – não há motivo para preocupação.

– Irresponsáveis – ela bradava. – essa criança vai nascer com dois pais irresponsáveis, duas crianças!

Confesso que vê-la brava comigo, pela primeira vez, foi ruim. Tive vontade de me abaixar em um cantinho e chorar. Quando Fred notou que eu passei da posição de protegê-lo para me esconder atrás de seu pescoço, sua pose mudou, como um lobo raivoso, mudou sua postura, provavelmente iria brigar com a mãe. Provavelmente, não chegou a falar nada.

Sr. Weasley e Gui falaram por ele.

– Ora, isso não é hora nem lugar para Piti mãe! – Gui bateu o pé passando a mão na minha cabeça.

– Francamente Molly, você tinha 19 anos quando Carlinhos nasceu. – Sr. Weasley ralhou. Felizmente os convidados bebiam alegres e ninguém prestava atenção na discussão – Hermione é a garota mais responsável que eu já conheci em minha vida, diga uma única vez que ela nos decepcionou, diga uma vez e eu não só lhe darei razão como proibirei a união dos dois!

Senhora Weasley ficou em silêncio.

– Foi o que eu pensei, agora pare de criar caso e não trate mais alguém grávida com essa grosseria.

O que eu achava genial naquilo tudo, é que mesmo depois dessa ‘mijada’ básica, o Sr. Weasley abriu um sorriso e beijou o alto da cabeça da baixinha que desfazia sua carranca. Ele se virou para mim e estendeu os braços. Soltei Fred e fui abraçá-lo.

– Não conte a ninguém – ele cochichou – mas se fosse qualquer outra mulher do planeta eu estará tão revoltado quando a Molly, ou talvez mais. Mas confio em você, sei que será uma ótima mãe para meu neto. – Estava REALMENTE difícil não chorar. – bem vinda à Família.

Gui e Fleur vieram nos cumprimentar, Gui meteu um cascudo em Fred, brincando e xingando-o por dar ideias para Fleur. Fleur sorridente achou aqui o máximo, e de fato estava considerando engravidar também.

Harry e Rony vieram me abraçar.

– Mas você é a nossa menininha, rata de biblioteca... – Rony choramingava.

– Não vamos mais poder ficar sempre com você... Quem vai fazer minhas tarefas? Quem vai cuidar de mim? – Harry também murmurava.

– Eu vou cuidar dos dois, e vocês dois vão ganhar um novo menininho. Ensinar as passagens secretas de Hogwarts, ensinar Quadribol...

– Ensinar a dormir na aula de história da magia sem ser pega pelo professor... – Rony disse com os olhos brilhando.

– Ou ainda aquela fresta que dá para o dormitório das meninas... – Harry disse estalando os dedos.

Eu arqueei a sobrancelhas.

– Não, esse tipo de coisa não...

Os dois riram. Tenho medo de como é que eu vou conseguir educar essa criança com Harry e Rony por perto. Ainda Lino e Jorge... Céus, meu filho vai ser um depravado...

– Ou como jogar bombas de bosta no Filch, naquele ponto cego do corredor! – Rony riu-se.

– E a subornar o Pirraça e o Nick sem cabeça... A pregar peças nos quadros... – Harry dizia sonhadoramente. – Hermione, eu não vejo a hora de o seu filho nascer.

– Vai ser legal...

Eu balançava a cabeça quando vi Molly se aproximar de mim. Eu engoli em seco, tive vontade de sair correndo para me esconder atrás de Fred, não queria que ela me olhasse com aquele ar de decepção novamente.

Mas logo seu ar sério se tornou em um misto de sorriso e cara de choro.

– Vem aqui minha querida – ela abriu os braços.

Afundei-me em seu abraço e deixei que ela me esmagasse, só o que eu precisava era daquele abraço maternal, nada mais.

Contudo, todo meu autocontrole se foi, eu soluçava no ombro da Sra. Weasley, e ela afagava meus cabelos, também chorando, mas principalmente sorrindo.

– Eu... - eu comecei a falar.

– Não... Eu sinto muito, eu fiquei nervosa, é meu primeiro neto, Fred é um cabeça de vento, mas você não sabe como eu estou feliz, Arthur tem razão, se existe uma boa pessoa, alguém que nunca me decepcionou e nem vai é você minha filha. – ela falava aos soluços, tropeçando palavras, e rindo, sem me soltar. – bem vinda à família, seja muito bem vinda! Quer dizer, você sempre fez parte da família não é mesmo?

Ela afastou seu rosto para me observar, e passou a ajeitar meu cabelo e acariciar meu rosto.

– Mas ainda magra, tem que comer mais!

– Concordo – um par de braços se fechou ao nosso redor. Fred que beijava a mim e a Molly.

Molly me soltou e deu um abraço no filho, rápido, seguido de um beijo em sua testa.

– Estou muito orgulhosa de você.

Dizendo isso saiu e foi para junto do senhor Weasley. Eu ainda chorava. Fred me abraçou e eu aconcheguei meu rosto em seu peito. Controlei o soluço e fiquei ali, enquanto ele me ninava levemente. Finalmente minha respiração voltou ao normal e Fred arriscou se afastar para me observar.

– Tudo bem? – ele passou o polegar nas minhas bochechas molhadas.

Acenei positivamente com a cabeça.

– Estraguei muito sua maquiagem? – eu perguntei.

– Não, eu sabia que você ia chorar então coloquei alguns feitiços na maquiagem que Gina me ensinou...

Meu humor voltou aos picos, logo estávamos na mesa, entrosados, jogando dorminhoco, canastra, contando piadas, Harry contando como Gina ficou fuçando suas coisas até achar a aliança, e coletando marcar um próximo jantar assim. O povo pediu que o “Trio Vintage” cantasse mais uma música. O trio virou “Quinteto Vintage”. Rony e Neville também foram cantar.

Neville chegou atrasado com a senhora Longbottom, e ficou boiando completamente nos assuntos. Quando eu contei que estava grávida, o pobre quase desfaleceu, mas depois ficou extremamente feliz. Na verdade ele foi tão fofo – Pelas barbas de Merlin, que Harry/Rony/Draco/Jorge/Lino não me escutem – que considerei pedir a ele que fosse padrinho do Naoki.

Resumindo a ópera: o show foi um sucesso. Musicas italianas, Edit Piaf, Sidney Magal, e encerrando a noite: Gina, Luna, Lilá e eu, fomos com os garotos cantar Frank Sinatra: “New York, New York” onde a Sra. Longbottom fez um solo belíssimo de um trecho final da música.

Na verdade empolgado demais até, algo me dizia que a Sra. Longbottom havia bebido...

***

– To morta... – eu desabei na cama.

Fred desabou ao meu lado e soltou um grunhido de concordância.

– Mas tudo deu certo. Seus pais aceitaram Harry e Rony não te castraram...

– Mas foi por pouco... – ele rolou e ficou de barriga pra cima, os olhos fechados, cabelos já meio desalinhados, os trajes amassados e com um cheiro leve de álcool misturado com maçã.

À muito custo levantei-me, tirei o vestido e me enfiei em baixo das cobertas, só de calcinha e sutiã. Ainda tive que desenterrar forças para tirar o paletó de Fred, e tirar seus sapatos.

Ele, meio zumbi, aproveitou meu momento de leseira e segurou meu braço firmemente, puxando-me para si, fazendo com que eu caísse em cima dele.

Passou suas mãos quentes pela minha cintura, acariciando minhas costas provocadoramente. Afastou meu cabelo e passou a beijar meu pescoço, seus olhos fechados, mesmo que preguiçosamente, tinha o toque firme, sensual. Brincava com o fecho do meu sutiã.

Ele abriu os olhos, sorrindo e levou seus dedos até meu ombro, e tocou a marca estirada que destacava-se em meu ombro. Felizmente ele estava meio embriagado e nem notou a marca. Levantei-me e coloquei Fred em baixo das cobertas e deitei ao seu lado. Ele apenas me abraçou, como se eu fosse seu bicinho de pelúcia.

– Quero ficar logo com você para sempre... – eu resmunguei.

– Para sempre é muito tempo. – ele murmurou.

Eu ri e me aprocheguei do ruivo, que acariciava vagarosamente minha cintura.

– Ainda me parece muito pouco para ficar com você... Meu Físico Tarado.

Notas finais do capítulo
NHÓ, MEU FUTURO NAMORADO VAI LER ESSA FIC PRA APRENDER COMO SE FAZ U-U'
Bem, desculpem pela demora, e espero que tenham gostado por que eu estou aqui me desintegrando em purpurina... -MASOQUE...
Sinto informar mas agora a cobra vai fumar, e vocês vão simplesmente querer comer meu cu...
NHOM, e por hoje é só :C




(Cap. 9) Safe and sound

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
-
E que se inicie o Caos...
Eu postei os capítulos errado, então a nota inicial desse capítulo está no capítulo 10 x-x
APROVEITEEEEEM

NOVE:


Darling everything is on fire.



– Eu gostaria que os primeiros a entrarem no colégio fossem, além dos professores, alguns alunos que se esforçaram muito para que isso fosse possível. – Minerva dizia com os olhos alegres.


Depois de muito, muito trabalho, Hogwarts estava pronta! Era domingo. Abril estava no fim, o sol alto as flores lindas e exalando perfumes sutis que faziam tudo parecer melhor.

Apenas faziam parecer.

Enquanto nossa amada Gaia dançava sozinha ao seu redor e ao redor do sol, o ministério arrebentava como a uma teia sob a pressão de um bicho que muito grande e inquieto que se debate.

Um bicho perigoso, que cega, que afeta o raciocínio. O bicho era o Medo. O medo que com garras cruéis abala as convicções do mais confiante dos homens, e leva a massa popular à insanidade. Junto com o medo, parasitas protozoários vinham se aproveitando dos afetados, atrás do poder e do dinheiro. Alem de Comensais, tínhamos agora ratos no ministério que roíam o poder pelos cantos, manipulavam pessoas aterrorizadas e lucravam com isso.

Um Golpe emergia no horizonte. Na melhor das hipóteses uma ditadura onde Kingsley seria derrubado. Na pior, bem, Voldemort conseguiria o poder que tanto almeja.

Como eu disse: Muito Trabalho.


Hoje daríamos uma festa aos alunos para a reinauguração de Hogwarts, apenas um chá das 5. Todos os alunos estavam ali, bem como seus pais e alguns amigos. E é claro, uma quantidade cavalar de aurores. Eu estava ali como convidada, mas não conseguia relaxar, de cinco em cinco minutos passava ordens e me mantinha mais ao fundo, observando a situação. Fred estava como supervisor dos recrutas trouxas, essa era sua primeira grande missão. Sem dúvida esse era o momento de grande vulnerabilidade.


–... Hermione Granger. – ouvi meu nome e voltei a prestar atenção no que Minerva dizia.

Os que estavam ao meu redor se afastaram para que todos pudessem me ver. Ouvi Lino assoviar marotamente ao longe. Estava distraída olhando o anel dourado na minha mãe esquerda. É. Eu estava noiva.

Todos me encaravam esperando que eu fizesse algo. Pensei em dar uma de Stich e soltar um simpático “E aê...”, mas achei melhor não.

– Senhorita Granger... Por favor nos daria a honra? – minerva disse um pouco impaciente.

– Do que? – eu disse agora nervosa.

– Você foi, junto com nosso guarda caça Hagrid, a pessoa que mais trabalhou para que a reinauguração fosse possível, nada mais justo que vocês inaugurassem o solo do colégio. – ela disse estendendo sua mão.

Feito uma pata, fui até a frente do portão e me coloquei ao lado de minerva segurando sua mão. Todos os professores estavam lá, Harry também estava lá, mais vermelho que um pimentão, pelo canto do olho vi Fred e Jorge, lado a lado, sorrindo. Lino chegando sorrateiramente por trás para dar-lhes um susto.

Revirei os olhos.

– E antes de entrarmos, eu gostaria de agradecer em nome de todos, a Harry Potter e a Hermione Granger, além de todos os outros que lutaram por nosso colégio. A esses dois corajosos grifinórios – ela enfatizou a casa da grifinória sutilmente, com um quê de orgulho na voz – que enfrentaram coisas que eu mesma, em meus quase 300 anos – Minerva brincou, o que foi realmente bizarro e desacarretou uma série de risos – não tive coragem de fazer.

– Viva o Potter! – Jorge gritou.

– E a sua Genral! – Fred completou.

– E ao Hagrid que está muito sensual de terno! – Lino disse sorrindo.

– Professor Lino – Minerva disse ao localizar o moreno – por favor, comporte-se.

Os pais riram. O clima estava leve, do lado de dentro as portas do castelo estavam abertas e era possível ver os fantasmas em um imenso rebuliço perolado. Finalmente Minerva cortou a faixa vermelha. Demos um sincronizado passo para dentro do colégio. Mesmo já tendo estado ali diversas vezes só na ultima semana eu ainda assim me emocionei.

Minha escola estava de volta!

Logo em seguida os pais e alunos começaram a entrar, Fred estava novamente sóbrio e tinha um olhar de lince sobre os convidados. Eu estava fazendo meu papel político, dando as boas vindas ao pais, cumprimentando antigos estudantes e dando boas vindas aos novos. Os pais mais tradicionalistas, principalmente os antigos sonserinos, não falavam muito comigo, mas ao menos reconheciam meu trabalho. Quase tive uma síncope quando de longe vi Narcisa Malfoy no final do bolo de gente. Elegante e perdida. Procurei Draco. Ele não só tinha visto sua mãe como estava fugindo dela.

Eu podia ignorá-la, mas não tive como não me colocar no lugar dela. Andei até ela, me blindando psicologicamente pronta para ser xingada e espancada. Limpei a garganta e alcancei a loira que já tinha dados as costas e estava partindo.

– Hum... Senhora Malfoy? – eu disse encostando em seu ombro.

Ela se assustou e virou-se em um pulo. Estava magra e com profundas olheiras o rosto chupado, estava sem seu ar divino. Parecia cansada. Eu devia estar que nem ela, exceto pelo fato que eu nunca tive ar divino algum.

– Oi, eu sou Hermione Granger, acho que não fomos apresentadas ainda. – eu estendi a mão.

Narcisa me olhou desconfiada, com uma amargura no fundo dos olhos.

– Narcisa Black Malfoy. – ela não aceitou meu cumprimento.

Eu abaixei minha mão contente por ela não ter cuspido na minha cara.

– Você não quer se juntar a nós para...

– Não, muito obrigada. – ela disse seca e polida.

Ela virou-se para partir novamente. Revirei os olhos e segurei seu braço, soltando logo em seguida. Pronto eu tinha a sua atenção. Certo que ela prestava atenção em mim com sua varinha em punhos, mas de qualquer forma...

– Não é assim que você vai se entender com Draco.

– Quem você pensa que é? – ela estreitou os olhos. – ele só está nessa situação por sua culpa. Desde que ele virou seu amigo e do Potter – ela vomitou o nome do Harry – meu filho nunca mais foi o mesmo.

– Ele te contou quando nós começamos a ser amigos? – eu indaguei serena abstraindo seu tom de nojo na voz.

– E precisa contar? – ela disse sarcástica – ele começou a questionar o pai, começou a me questionar, saiu de casa, disse que eu era covarde. Acho que foi a partir daí. – seu tom era baixo, mas seus olhos transbordavam ódio. Era satanás no inferno e eu na terra.

– Não. – eu sorri de lado, desconcertando-a. – foi no sexto ano, antes da morte de Dumbledore, ele estava chorando no banheiro do segundo andar depois do jogo da Sonserina contra Grifinória.

– S-sexto ano? –ela disse esquecendo-se por um instante de me odiar.

– Sim. Viramos amigos naquele dia.

– Mas você sabe o que... Você sabia...

– Que ele era comensal? – enfatizei o verbo no passado. – sim, ele me mostrou. Eu cuidei da ferida, já que Voldem... Você sabe quem, a tinha proibido de fazê-lo.

Seus olhos lacrimosos deixaram transbordar uma única lágrima, como se aquela fosse uma lembrança soterrada e dolorosa que brotasse com força. Afaguei seu braço rapidamente.

– Draco é uma boa pessoa. – eu disse branda. – e acho que você só está perdida. Não acho que seja covarde, pelo contrário. Há momentos em que não podemos ser polidas e acomodadas. Acorde antes que seja tarde e você perca seu filho. – eu sorri – e não se preocupe com Draco, eu estou tomando conta dele. Estudos, dinheiro, casa, comida, roupa, nada faltará a ele.

– Você não tem sequer 20 anos. – Ela disse estreitando os olhos, me analisando agora com olhos curiosos.

– Certa vez, - eu sorri – minha antiga professora de adivinhação disse que minha alma é tão velha quanto às páginas dos livros que eu leio. Acho isso besteira, mas vai que ela tem razão. – dei de ombros. – preciso ir, o dever chama.

Dei as costas e corri para o castelo. Minerva estava acalmando os fantasmas enquanto os convidados apontavam para as planícies do colégio.

Ajudei a servir o chá, apresentamos os elfos aos pais e aos alunos. Foi uma tarde agradável. E ao longe eu vi que uma antiga Sonserina passou algumas horas daquela tarde sentada do lado de fora, olhando para o lago. Depois de algum tempo vi-a limpar o rosto e sair do colégio, onde desaparatou. Provavelmente para o inferno que chamava de casa.

***

Hogwarts continuava sendo um símbolo de esperança, e acho que era apenas por isso que Kingsley ainda era ministro. Mas isso tinha um lado ruim. Todos os bruxos esperavam muito de nós, e os comensais sabiam que no primeiro deslize da Escola, a última chama de confiança seria extinta e as trevas absolutas do medo cegariam de vez milhares de bruxos que seriam completamente tomados pelo desespero. Éramos alvos de ataques, tanto de comensais, quanto de políticos mal-intencionados. Principalmente de uma Linha pró-Dolores Umbridge que dizia que o mundo bruxo precisava agora mais do que nunca, de um “Estado forte que tomasse as decisões certas em nome da População Bruxa.”. O povo infelizmente aderiu a certa corrente “Queremista” de Dolores e ela está como Vice-Ministra. Claro, a grande maioria com exceção daqueles que tiveram ela como diretora. Aquela sapa velha.

Mas não sejamos pessimistas. Kingsley estava resistindo bem, e conseguia cativar os Bruxos, passando um ar de controle inigualável. Hogwarts sequer fraquejou, e nos mantemos inabaláveis. Os recrutas de Fred estão se formando, Alana passou a ser meu braço direito e Willizinho se mudou para Londres; deixou a família nos Estados Unidos e veio ser o Comandante dos recrutas Trouxas. E a minha escola estava de volta.

Sim, até mesmo a Lula voltou do veterinário. Só estamos aguardando que os centauros reponham as barreiras ao redor da floresta negra. Eles aderiram a 100% da causa bruxa depois que Kingsley apareceu – desarmado, sem varinha, e desacompanhado – á cerimônia lútea de centauros que morreram em um massacre pelos comensais. A filha do atual líder morrera. A mãe inconformada declarou que os centauros iriam aderir à causa e ainda selou sua lealdade ao Kingsley. O selo de Lealdade de um centauro é mais forte que o voto perpétuo. Quando se conquista a lealdade de um centauro – algo muito raro para um bruxo – é algo para a vida e além, o centauro dá não só a ávida, mas também a alma àqueles que são selados.

Mas enfim, onde eu estava? Crise no governo, eminência de ditadura, repressão, Hogwarts... Ah, sim, se tudo der certo em menos de um mês poderemos voltar para nossa amada escola, e uma coisa eu digo: quando voltarmos para Hogwarts nada nem ninguém será capaz de atingir o colégio. Nossas defesas serão quase perfeitas, Hipogrifos, Trestálios, tecnologia, trouxas e aurores. Atingiremos o que é considerado Utopia.

E o meu Naoki continua forte, saudável e crescendo, me deixando sempre loucamente enjoada. Bem, na escola não sabem que eu estou grávida, apenas meus amigos mais fieis estão sabendo e alguns membros da ordem que foram terminantemente proibidos por Kingsley de contar a alguém de fora do ministério.

– Há essa hora já acordada? – Uma luz se ascendeu iluminando toda a sala.

– Fred... Não escutei você descer. – eu me espreguicei na cadeira.

A mesa de jantar estava completamente abarrotada de relatórios, esquemas e esboços de segurança. Meus, de William, de Alana, de Fred e de várias outras pessoas. Todos eles esboços de defesa, esquemas de ataque, além de informações didaticamente organizadas sobre possíveis planos de Comensais e uma nova frente não oficial de Dolores Umbridge.

Nesse exato momento eu estava desenhando esboços de torres de repouso para Hipogrifos e Trestálios que reforçariam nossa defesa aérea de Hogwarts.

– Você dormiu pelo menos? Hermione, você não devia abusar do Boa Noite Cinderela.

– Mas eu estou com muito trabalho e de dia eu preciso me dedicar aos NIEMs, e eu nem acabei os relatórios do colégio, nem os da Ordem, e eu preciso fazer um curso de desenho por que meus esboços estão saindo horríveis - eu balbuciei cansada, tombando a cabeça sobre meu braço.

Fred deu a volta na cadeira e observou o desenho sobre meus ombros. Tirou o lápis da minha mão e passou a rabiscar por cima dele, apagando aqui, acrescendo uma linha lá, aperfeiçoando tudo e humilhando minhas habilidades gráficas.

– Mais ou menos isso? – ele batia com a borracha do lápis na mesa ritmadamente.

– Isso, humilha... – eu resmunguei.

– E agora chega, você vai dormir;

– Eu tenho relatórios e...

– Já fiz, estão na sua pasta no meu escritório. O da escola, o da Ordem e o do ministério.

– Eu tinha que fazer um relatório para o ministério? – eu murmurei forçando a memória.

– Aquele que a Dolores pediu.

Espalmei a mão na minha testa.

– Que mancada! Como eu fui esquecer justamente o da Dolores?

– Não importa. Eu já fiz para você. Amor, eu vou cortar seu Boa Noite Cinderela, eu não tenho certeza, mas acho que isso pode viciar de alguma forma, ou alterar o sono REM... De qualquer modo, você está usando de maneira indevida.

Eu ficaria brava e constrangida se fosse a qualquer outra situação, mas eu também tinha notado que estava usando indevidamente as pedrinhas. Na verdade eu estava quase entrando em estafa. Esses três últimos meses tem sido terríveis, e desde que as aulas começaram meu estresse só se fez triplicar.

Fred então fez algo que me era nostálgico: pegou-me no colo como se eu fosse um bebê. Não usava mais seu tapa-olho cômico, mas seu olhar divertido ainda era o mesmo. Odiava os sonhos que me atormentavam em que seus olhos voltavam a ser frios.

– Quem diria que um dia você faria as minhas tarefas hein.

– Quem diria que um dia nós nos casaríamos hein. – ele rebateu. – Antes disso, quem diria que um dia eu faria sexo com você...

Eu apenas ri. Cansada demais até para ficar corada. Cansada não: Exausta!

Ele me deitou na cama, ao longe da janela o dia começava a clarear, e os malditos pássaros cantavam, completamente alienados do ar tenso que os cercava.

– Você tem mais umas três horas e meia. – Fred sussurrou acariciando meu rosto. – Descanse.

Não argumentei, apenas desmaiei na cama, completamente cansada. Cansada de ser inteligente, de ser bruxa, de ser trouxa, de ser mãe, de ser forte, de ser eu.

***


Fred’s POV



Sai para trabalhar cedo daquele mesmo dia. Deixei minha pequena ressonando na cama. Ela estava cansada, abatida, jazia na cama emaranhada entre os lençóis. Mesmo dormindo parecia exausta. Fechei as cortinas para que dormisse e isolei o quarto acusticamente.


Mandei um patrono para minerva avisando que Hermione chegaria mais tarde. Percorri o quarto e peguei papel no criado mudo bem como uma caneta trouxa da Hermione que estava atirada no canto do quarto.

Pipoquinha do meu cinema;

Bom dia! Não te acordei, pois estavas muito cansada. Já avisei Minerva que se atrasaria. Seus relatórios estão sobre a mesa da cozinha.

Hoje saio do ministério e vou te buscar na livraria.

Te amo muito.

Beijos bem babados;


Fred.



Saí e fui trabalhar. O mesmo de sempre, treinos, risos, momentos tensos. No ministério um ar de opressão se instalava, as brigas políticas se dividiam e o número de aurores perecia pouco para a quantidade de ocorrências. Além do que, ainda tinham os aurores corrompidos, que estavam infiltrados no ministério.


Pode parecer egoísta, mas eu estava tão feliz que nada disso parecia tão sério. Não parava de pensar em como seria minha vida.

Nunca havia me imaginando casando, nunca me imaginei pai. Estava aterrorizado, estava em um estado de êxtase, queria comprar logo um berço, queria casar logo com Hermione, queria viver logo.

Mas ao mesmo tempo queria que tudo isso durasse para sempre. Essa fase de noivado, de poder agarrar ela na cozinha, de acampar na sala ou ficar a noite inteira assistindo filme ao lado dela. Mas mal posso esperar para poder segurar meu filho... Ou minha filha. Ensinar a voar em uma vassoura, fazer panquecas em um domingo de manha, receber meu primeiro cartão de dia dos pais, ir passar o final de semana na Toca e ensinar a capturar gnomos.

O primeiro namorado da minha filha... Certamente serei um pai terrível, vou ameaçar fritar o fígado dele caso ele a machuque.

A primeira namorada do meu filho... Provavelmente terei que ter uma conversa sobre sexo com ele e ensiná-lo a conquistar os pais da moça.

Eu e Hermione discordaremos quanto à educação. Ela ira cobrar a disciplina didática, enquanto eu cobrarei os valores de respeito. Não me imagino batendo em um filho... Pendurando do lado de fora da casa de cabeça pra baixo talvez.

AH, como viver é eufórico.

O dia se passou, eu estava tendo uma reunião chata sobre criar uma repartição especial no exército trouxa apenas para os treinados por aurores, quando olhei o relógio do canto da sala e quase desfaleci. O dia passara muito rápido, e eu já devia ter ido buscar a Hermione. Polidamente dei meu parecer e desculpando-me pelo inconveniente, retirei-me da sala.

– Hey Weasley! – o diretor Geral do departamento dos Aurores disse simpático como sempre interceptando-me rumo ao elevador.

– Oi James! – eu disse ansioso, mirando discretamente as barras de ferro.

– Eu queria saber daqueles relatórios e... Você está com pressa?

– Na verdade sim... – eu sorri sem jeito.

Ele então fez algo que nunca tinha feito. Abraçou-me. Firmemente e acho que inclusive passou as mãos pelos meus quadris por cima do casaco. James era loiro, com os cabelos na altura dos ombros penteados para trás de um modo quase engomado. Era menor do que eu, esguio e fino, mas não me parecia homossexual... Nem me parecia o tipo de patrão que molestava os empregados.

– Vai buscar a Hermione? – James riu-se. – Tudo bem depois nós falamos nisso então. – ele sorriu abertamente. Na verdade não entendi o porquê de ele ficar tão feliz em saber que eu vou buscar minha noiva no trabalho. – Vá! Não queremos que se atrase mais ainda não é? Cinco minutos já é algo que vai deixar nossa General bem irritada.

Chequei no relógio e concordei. Eu estava exatamente cinco minutos atrasado, mas considerando que quando eu ia buscá-la eu chegava meia hora antes de seu expediente acabar ela devia achar que eu estava morto ou coisa pior. Enquanto corria pelos corredores, abstraindo as pessoas que falavam comigo, perguntei-me por um instante como James sabia que horas acabava o expediente da Hermione... Será que ela tinha comentado com ele?

Desaparatei há algumas quadras da Livraria, em uma viela qualquer onde um trouxa não conseguiria me ver. O entardecer estava nebuloso, o ar quente não combinava com Londres e aquela névoa densa sufocava a cidade, o chão de cimento fedia sob meus pés em uma mistura de suor e álcool característicos do beco londrino. Tudo ali oprimia, agonizava. O sentimento de euforia ia murchando, se atrofiando, enquanto as sombras das vielas iam esquivando-se ao meu redor, ameaçadoras e tenebrosas. Aquele beco não estava vazio. Corri para fora do vão entre os prédios antigos da cidade e desemboquei no parque do centro da cidade, ainda estava vazio, os postes trabalhados em ferro já estavam acesos, as estátuas e gárgulas me observavam afoitos, tensos, querendo me alertar sobre algo, a neblina ainda era densa e o ar quente me angustiava.

Levei as mãos aos bolsos do quadril, afoito por minha varinha. Quanto foi o desespero ao notar que não estava ali.

– Procurando algo Fredie? – a voz feminina me alcançou e eu só tive tempo de apertar os olhos em uma careta de frustração.

Um feitiço atingiu o meio das minhas costas fazendo com que eu fosse projetado há alguns metros, rasgando meus joelhos na queda. Das sombras nebulosas vultos tomaram forma e agora os encapuzados vinham em minha direção.

As únicas que não usavam mantos ou máscaras eram Bellatrix Lestrange e Cameron Feline. Triunfo passando pelos olhos verdes enquanto ambas compartilhavam um estranho sorriso.

Um encapuzado chegou ao meu lado e pressionou sua varinha em minha têmpora.

– Merda.

***

Abri os olhos vagarosamente, torcendo para que tudo não tivesse passado de um sonho. Minha boca estava seca e fortes cordas prendiam meus pulsos fortemente, tentar mexê-los era insuportavelmente horrível, as cordas como navalhas se entranhavam em minha carne arrancando-me gemidos de dor. A primeira coisa que vi, infelizmente, foram aqueles olhos verdes cristalinos e meigos.

– Oi Freboboca – ela disse sorrindo.

MERDA! POR QUE ESSA INFELIZ NÃO MORRE?!

– Desculpa estar tão apertado, mas eu prefiro assim. – ela disse dando de ombros passando as unhas pelo meu peito.

Eu estava sem camisa, minha calça estava rasgada deixando a mostra meus joelhos rasgados e roxos. Cameron agora tinha praticamente montado em mim. Céus eu preferia comer sushi.

Estávamos ainda no parque central, no que pareceu ser uma loja abandonada. Não entendi por que tinham me levado para ali. Virei o rosto bruscamente procurando uma saída e querendo deixar a minha boca o mais distante possível da dela.

– Eu disse que imos ficar juntos. – ela disse mexendo no meu cabelo. – é hoje o dia.

– Dia do que? – eu disse observando uma velha lareira no canto do empoeirado cômodo. Do lado da lareira o mesmo homem que quase tinha me cegado estava parado de braços cruzados. Não olhava para mim nem para Cameron, tinha o olhar revoltoso virado para o lado de fora.

– Ora, o nosso dia. Aquela rata de biblioteca não vai mais ficar no nosso caminho. Ninguém mais vai. Nem ministros, nem generais, nem a Ordem...

– Cameron! – o negro alto coberto de cicatrizes praticamente latiu.

A morena apenas revirou os olhos e arqueou a sobrancelha. Murmurou silenciosamente com os lábios cheios: “chato”.

Estava doendo muito, minha cabeça latejava, mas eu não me importava eu tinha que chegar até ela o mais rápido possível.

– Cameron. – eu chamei baixinho. A morena pulou para o meu lado, sorridente. – E-eu... – eu tossi falsamente – meu peito dói... Não me sinto bem, acho que essas cordas... - eu revirei os olhos e fingi um início de convulsão.

– Fred! – Cameron gritou e correu em minha direção.

Infelizmente o brutamonte segurou seu braço.

– Ele está fingindo! – sua voz saiu forte.

Cameron como um animal acuado esperneou até se soltar dele, correu até mim e começou a afrouxar as amarras. Os comensais que estavam ao redor ficaram tensos.

Eu só teria uma chance.

Assim que senti minhas costas soltarem do encosto da cadeira, arremessei meu corpo para frente e busquei em meu bolso rezando para que estivesse lá. E estava! Tirei as bombinhas escurecedoras do peru e arremessei-a contra a parede.

O breu tomou o quarto e os segundos de distração que consegui usei para me lançar em direção à porta.

“SOCORRO!”


Voltei a esconder a moeda no bolso interno do casaco, rezando para que a mensagem chegasse até Jorge. Foi consegui escrever antes que o guarda costas de Cameron me alcançasse, agarrando meus cabelos e batendo minha cabeça contra a parede. Pisquei algumas vezes até que meus olhos pesaram e a consciência foi se esvaindo entre meus dedos.


***

Espreguicei-me. Já era para o Fred ter chego.

Eu estava na frente da livraria, balançava-me para frente e para trás, tinha uma sensação de ansiedade, como se algo tivesse começado. Como se algo tivesse acabado. Estava inquieta. Tinha adquirido este tique, e girava incessantemente a argola dourada na minha mão esquerda.

– Hermione. – chamaram meu nome.

Não reconheci a voz de imediato. Na verdade não tive tempo de sequer ver quem me chamava. Um clarão azul me atingiu e minha consciência foi arrancada de mim.

A última coisa que pensei foi um grande e forte: “PUTA QUE O PARIU”.

Notas finais do capítulo
Esse capítulo ficou meio bagunçado por que eu não conseguia escrever de jeito nenhum, fui interrompida umas mil vezes e ficou meio desconexo e eu fiquei com preguiça de reescrever... GOMEEEEEEN, mas daqui pra frente melhora ^^
Até daqui a pouco ;)
-
*malfeitofeito*




(Cap. 10) Heart is a Mess!

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
.
.
QUEM É VIVO SEMPRE APARECEEEEE... E AI BELEZURAS, VOLTEI PARA CURITIBA, NÃO PASSEI EM NENHUM VESTIBULAR E ESSE ANO É CURSINHO DE NOVO... AEEEEEEEEEEEE >_>
Mas enfim, to com meu PC e com minha internet, vou postar cinco capítulos entre hoje a amanha, todos vão ter músicas fofinhas que eu gosto, mas que não tem (quase) nada a ver com o capítulo - umas mais situadas, outras menos. Fica de sugestão pessoal da autora linda que vos escreve.
CHEGA DE DELONGAS NEGADA, EU VOLTEI E VOLTEI CRUEL MUAHAHAHAHA
.
.
.
-não, é sério, eu voltei cruel demais até pro meu gosto .-.

DEZ:


Love ain’t fair, so there you are, My Love.


Abri os olhos e senti minha cabeça latejar, uma manada de rinocerontes certamente pisoteou minha cabeça enquanto eu dormia.

– Bem vinda minha querida.

A voz suave fez com que eu saltasse assustada e grudasse contra o encosto atrás de mim. Estava muito desnorteada, sentia meus braços leves como se flutuasse. Pisquei algumas vezes, eu parecia ter caído em um de meus sonhos, em um de meus pesadelos.

A grande mesa dos Malfoy estava servida, eu estava na ponta, prensada contra o veludo musgo da cadeira, em minha frente pratos de porcelana inglesa, os talhes pareciam antiquíssimos, a mais fina prata com pequenas e raras pedras de esmeralda. Nada muito chamativo, apenas sofisticado e elegante; a toalha rendada, com algumas curvas do mesmo verde Sonserina. Olhei para mim mesma. Estava vestindo um vestido bordô, trabalhado em um tecido pesado e cheio, com minudências e babados, ia até os pés e tinha um espartilho justo que ressaltava os seios. Não era exagerado, não chegava a ser exacerbadamente detalhado. Não era um vestido barroco, mas também não era nada Arcaico ou Clássico. Não acho palavras para descrever com precisão. Era algo vitoriano, mas mais clean. Algumas cestas de pães e croissants ao longo da mesa, e na outra extremidade ela estava sentada. Bellatrix. Mas não parecia ela. Ela estava serena, com um sorriso de leve nos lábios. Vestia roupas masculinas, uma camiseta preta muito bem alinhada, com sulcos verticais que acabavam em uma gola engomada. Por cima, um terno que no mínimo era um Armani. Parecia porem mais antigo, e bem mais caro. Tinha os cabelos negros presos em um rabo de cavalo frouxo e uma tiara de seda verde musgo com um pequeno detalhe que reluzia aos meus olhos. Talvez um pequeno brilhante.

Estava estranhamente serena. Aquela definitivamente não era Bellatrix.

– Quem é? – eu disse me ajeitando na cadeira e arqueando uma sobrancelha.

– Mas que rápida. – ela disse sorrindo. – Vamos apreciar a comida sim? Depois conversamos.

– Eu não vou comer nada! Onde está o Fred?

– Fique calma, Cameron está cuidando dele, Agora coma. Você precisa ficar forte.


Ah sim, Cameron, a super vadia estava cuidando do meu noivo! Eu estou realmente mais calma...


Pisquei forte algumas vezes, me sentia meio drogada. E bem desnorteada.

– Coma. – ela voltou a falar, porém com a voz mais firme.

– Só depois que libertarem o Fred. – eu disse cruzando os braços.

Bellatrix apenas riu.

– Não, ele é nosso seguro. Sabe, você é muito esperta poderia tentar fugir. Agora coma.

– Quem é você?

Os olhos negros dançaram pela sala até pousarem em mim, fixos e sóbrios, não era o olhar dela. Não eram olhos sádicos, eram quase olhos condolentes.

– Não reconhecendo velhos amigos?

– Nunca fui amiga de nenhum de vocês. – eu disse começando a ficar ligeiramente nervosa.

– Eu estou mais fraco, mas achei que fosse ser mais rápida, achei que me reconheceria. Na verdade achei que você descobriria tudo mais rápido. Coma, ou vai esfriar. - ela disse em tom quase maternal - Não precisa ter medo.

– Eu não tenho medo de você! E eu não vou comer até me dizer quem é!

Em um movimento gatuno e rápido a morena se levantou e começou a deslizar em minha direção.

– Ainda não descobriu quem eu sou? Vamos! Você era tão intima, me chamava pelo primeiro nome, cantava músicas. E é normal ter medo. Todos tem.

Estreitei os olhos não entendendo nada.

– Eu não tenho medo... – comecei a rebater.

Saiba todo mundo teve medo... – ela entoou interrompendo-me. Com um sorriso nos lábios inclinou sua cabeça em minha direção até que finalmente sua boca roçou em meus ouvidos. – mesmo que seja segredo.

Ele sussurrou o resto da música, e lembrei-me da outra vez em que estive em cativeiro nesta mansão maldita. Eu havia cantado essa música em um momento de desaforo.

– Vold...? – eu comecei a dizer com a voz fraca.

– Não, não, não! – ele riu – somos íntimos, me chame de Tom, por favor.

Certo. Agora eu estava com medo.

Ele passou os longos dedos de Belatrix pelo meu rosto. Eu me retraí.

Por que ele estava vivo?!

Ele tinha voltado para se vingar! Ela ia sofrer como em seus pesadelos, ia passar por tudo aquilo de novo. Sentiu como se o medo fosse uma fumaça tóxica que fosse englobando-a, tomando conta dela, entrando por seus poros e infectando cada célula. Teve vontade de chorar e se encolher, não queria passar por tudo de novo.

Começou a suar, e ficar ofegante.

– Não, não, por favor, não fique assim. – ele disse com a voz gentil de Bellatrix. Algo que eu nunca achei que fosse ouvir. – você me salvou. Não sou injusto, sei reconhecer os méritos, as qualidades, sei recompensar.

Ele andou sobre os saltos novamente até a sua ponta da mesa. Calmamente espetou alguma coisa com o garfo e colocou na boca, degustando calmamente.

– Por que você não morreu? – eu disse com a voz embargada.

– Por causa do seu filho. – ela limpou a boca com o pano rendado que tinha no colo. – Ah, o que me lembra: Ícaro!

A porta se abriu, e um negro alto cheio de cicatrizes passou por ela. Eu o conhecia. Se não me engano ele trabalhava no ministério.

– Traga o outro convidado. Por favor.

O negro me lançou um olhar que era um misto de dó, dor e nojo.

Eu apenas fiquei tremendo, quieta quase entrando na cadeira de tanto que eu me pressionava contra o encosto.

– Mas respondendo sua pergunta. Eu quase morri. Hermione você destruiu meu corpo, devo-te os parabéns você é uma bruxa e tanto, mesmo tendo o sangue... Bem, nós podemos limpar as impurezas mais tarde. E até por que eu jamais permitiria que ele viesse com o sangue impuro dos seus pais.

– Do que você está falando? – eu murmurei me sentindo enjoada.

– Quando o feitiço rebateu e me acertou, um pedaço de mim novamente se agarrou à coisa mais pura que havia naquele corredor.

– O que?

A porta da sala abriu, e por ela um ruivo moribundo e machucado que mal se aguentava em pé foi empurrado. O negro segurava-o com ódio. Antes que processasse àquilo tudo eu gritei. Horrorizada, temerosa, enojada, coloquei-me de pé. Estava fraca, mas a adrenalina que senti ao vê-lo naquele estado me fez ficar em pé. Dei alguns passos cambaleantes, com toda minha força empurrei o brutamonte para longe do meu ruivo e amparei-o.

Ícaro irritado deu um passo em minha direção, varinha em punhos, mas deteve-se ao sinal de Belatrix. Voldemort. Tom. Já não sei de mais nada.

– Obrigado, Ícaro. – Voldemort/Belatrix acenou suavemente. Os trejeitos eram iguais ao de Voldemort. A voz contida. O jeito que umedecia a boca... A cada momento que se passava, aquela história parecia mais verdade. Aquele era Voldemort no corpo de Bellatrix.


“Morra Ícaro filho de uma cadela!”

“Não xingue a cadela” minha consciência murmurou branda.


– Hermione, me desculpe... – Fred começou a falar.

Coloquei meus dedos em sua boca para que ele parasse de falar. Ele era muito pesado, de modo que eu não aguentei seu peso, cedi e acabei caindo de joelhos no chão de madeira. Fred jogado sobre mim.

– Bom, vamos aos negócios. – A coisa ruim levantou-se gatunamente e esgueirou-se até nós, puxando uma cadeira e sentando-se de frente para nós. – Eu devo a minha vida a você Hermione. E seu namorado só está vivo por mera questão de segurança, e como parte da sua recompensa.

– Do que ele está falando? – Fred disse tentando sentar-se.

– Bem, como eu estava explicando antes, quando Hermione colocou-se na frente de Harry que era o único desprotegido contra mim aquela noite, meu feitiço ricocheteou e me destruiu. Minha alma se fragmentou, e então se agarrou a coisa mais inocente e pura que havia ao redor.

Lancei um olhar desesperado para Fred e minha mão foi inconscientemente para meu ombro.

– Você? – Fred indagou com terror nos olhos.

Eu senti uma lágrima quente escorrer pela minha bochecha, e dolorosamente neguei com um aceno de cabeça. Queria que fosse eu. Não tinha medo da morte, e Voldemort com certeza atenderia meu pedido de deixar Fred e Naoki livres se eu fosse a Horcrux. Mas eu não era.

– Seu filho. – a voz macia respondeu, e eu involuntariamente apertei meu ventre.

É claro. Tudo convergia para aquilo.

Acho que não tem como escapar do destino, aquela era a consequência da minha escolha. Eu tentei ficar com os dois, mas não pude.


Uma escolha deve ser feita. Entre dois amores, entre dois inocentes. Entre os de sangue por ele considerado sujo, a última treva será plantada. A última parte deverá ser expurgada para que a história não se repita. A escolha feita com o coração alterará os rumos naturais, mas mesmo assim alguém que se ama lhe será tirado. Uma vida pela outra, a morte não parte de mãos vazias.”


Entre dois amores, dois inocentes: Fred e Naoki.

De sangue por ele considerado sujo, a última treva será plantada: eu carrego a última Horcrux.

A última parte deverá ser expurgada para que a história não se repita. Não, essa parte eu não queria interpretar. Não queria sequer pensar sobre aquilo. Senti a cicatriz em meu ombro queimar.

– Mas você já sabia não é? Já suspeitava. Você se travestiu de ignorante, para não ver a verdade. – Voldemort disse, e eu senti-o pressionando meus pensamentos. Ele estava tentando ler minha mente.

– Hermione... – Fred disse com a voz fraca, ele estava arrasado. – isso é mentira não é? - seus olhos suplicantes.

Apenas apertei os olhos e soltei um ganido de dor, enterrando meu rosto em seu peito.

– Certo, pulemos essa cena, vamos ao que interessa. – Belatrix se ajeitou na cadeira. – seu filho vai ser meu, de uma forma ou de outra. Em breve ele será meu receptáculo. Mas eu ofereço, uma chance para que vocês possam ficar perto dele. De mim. Sejam leais a mim, façam votos a mim, ajudem-me a triunfar e as vantagens serão infinitas. Quero que sejam meus generais. Podemos ser uma família. E quando eu arrumar uma maneira, eu libero o corpo do filho de vocês. Ele vai ser meu mais precioso soldado, vai ser o portador da alma do Lord Voldemort. O bruxo mais poderoso de todos os tempos. O que me dizem?


“Ele está mentindo! Nunca vai deixar que uma parte da alma dele saia andando por ai! Ele vai fazer com Naoki a mesma coisa que fez com Nagini! E pior! Vai enjaulá-lo, transformá-lo em um pingente ou sei lá! sem falar que seus amigos irão caçá-lo. Rony, Harry, tentarão matá-lo sem hesitar.” minha consciência berrou.

“Eu sei! Mas o que você quer que eu faça?”

“Você sabe o que tem que fazer! Faça o certo ao menos uma vez!”

“E-eu não posso.”

“Então assita enquanto o mundo perece diante o mal, e o seu filho vira um escravo do Lord das Trevas. Mas não esqueça que a culpa de tudo isso é sua.”


– Aceitamos. – foi Fred quem falou primeiro, arrancando-me de meu martírio mental.

Surpresa virei-me para ele. Ele tinha o rosto calmo, e sua voz estava firme, só então notei sua mão segurando a minha.

Foi então que me lembrei: eu não estava sozinha afinal.

Aquilo me tranquilizou de uma maneira inimaginável. Fred estava certo, precisávamos de tempo, e seria muito melhor termos tempo sendo as relíquias de Voldemort, do que os rebeldes teimosos que merecem levar um crucio por hora.

– Contanto que dê sua palavra de que não vai nos separar. – eu disse séria. – temos que ter liberdade para andar pelo interior da mansão.

– Sempre acompanhados por três comensais. – Voldemort disse com um leve sorriso no rosto.

– Sem problemas - Fred acenou com a cabeça.

– E nada de varinhas.

– Como teremos certeza que não irão nos torturar, os comensais nos odeiam. – Fred rebateu ligeiramente nervoso.

– Por que o primeiro que encostar em vocês, perde a vida pelas minhas mãos. – o sorriso de Belatrix chegou a ser deslumbrante.

– Certo, eu assenti. Podemos acertar os detalhes depois? Eu gostaria de cuidar dos machucados do Fred agora.

– Claro. – Voldemort disse com o olhar instigado. – Mas antes, gostaria de saber: por que aceitaram tão rápido?

Senti Fred ficar tenso ao meu lado. Foi a minha vez de ser firme e tranquila.

– Minha família é mais importante do que essa guerra. Se a Ordem descobrir que eu carrego a Horcrux, iriam matar a mim e ao meu filho sem hesitar. Aqui eu sei que as duas pessoas que eu mais amo estão seguras.

– Então você passou para o nosso lado assim? Tão simples?

– Não. – eu disse suspirando – Não pretendo trair meus amigos, ou o ministério. Não estou contra eles, mas também não estou a favor deles.

– E está ao nosso favor?

– Ainda não.

– Naturalmente. Aprecio sua franqueza. Nós somos muito parecidos senhorita Granger.

– Não sei se isso é bom Tom, mas acho que somos sim.

– Ícaro! – a porta se abriu e o negro entrou com o maxilar trincado, Voldemort levantou-se. – Leve nossos convidados para o melhor quarto, preparem um banho, e providencie roupas para ambos. Prepare um jantar para amanhã! Convide todos, temos muito a comemorar. E, antes de qualquer coisa, leve o senhor Weasley e a Senhorita Granger para os cuidados de Narcisa. E avise a todos que o primeiro que encostar em qualquer um dos meus convidados terá que prestar contas a mim.

– Sim meu Lord. – ele fez uma leve reverência, Voldemort retribuiu-a com um aceno de mãos.

– Vejo vocês... – ele engoliu em seco rapidamente, e sentou-se na cadeira verde. – mais tarde.

Saímos da sala, mas antes que a porta se fechasse atrás de mim, vi o corpo de Bellatrix ofegar e limpar o suor da testa.

Passamos pelos corredores vitorianos, aquela casa gerava-me calafrios, e lembranças horrendas. Apertei a mão de Fred. Ele estava apoiado em mim, quase desmaiando.

Depois de caminhar o que pareceu uma eternidade chegamos em frente a uma porta de mogno muito bem polida e cuidada. Eu estava quase caindo, pois o peso de Fred estava agora quase que integral sobre mim.

Ícaro bateu duas vezes na porta.

– Já vai! – a porta se abriu e eu vi Narcisa. Seus cabelos platinados escovados e presos em um rabo se cavalo baixo.

Ainda estava exaurida, mas tinha um pouco mais do seu ar divino.

– O que...? – ela murmurou confusa fechando seu chambre de seda preto.

– O Lorde pediu que cuidasse dos seus convidados. E pediu que avisasse que quem encostasse neles se entenderia diretamente com o próprio Lord.

Ícaro nos empurrou porta adentro de modo que Fred escorregasse dos meus braços e Narcisa passasse a segurar o rapaz.

A porta foi fechada com um aceno de varinha, quando vi Fred estava suspenso no ar por Narcisa.

– O que fazem aqui? O que fazem aqui como convidados dele? – ela indagou colocando o ruivo sobre a cama.

– Onde está o outro Malfoy? – Fred murmurou fraco.

– Lúcio? Não dorme mais aqui, está dormindo em um quarto no quarto de hóspedes. Mas respondam-me: o que fazem aqui no meu quarto?

– Fomos captu... – Fred começou a responder.

– Somos convidados de Tom. Ele ofereceu asilo à nossa família e nós aceitamos. E agradeço a senhora por nos receber em sua casa.

Fred e Narcisa entenderam o recado.

– Tudo pelo Lord. Sintam-se em casa.

Narcisa andou gatunamente até a porta e abriu-a rapidamente. Do lado de fora dois comensais estavam de sentinela, com certeza ouvindo nossa conversa.

– Preparem o quarto de Draco para nossos convidados.

– Fomos designados para sermos segurança dos convidados.

– Então achem alguém que arrume o quarto deles. Ou devo dizer para o Lord das Trevas que deixará seus convidados dormirem em um lugar bagunçado?

– Não senhora. – um deles respondeu. – Espere até que eu volte para mandá-los para o quarto. Tem certeza que deseja oferecer o quarto do Draco para...

– Eu ainda sou a anfitriã da casa! O quarto de Draco é um dos melhores e é este que lhes será designado!

– Sim senhora. – o comensal fez uma leve referência. – volto em instantes.

– Estarei aguardando-o. Muito obrigada.

Ela fechou a porta e sussurrou um rápido “Abaffiato”.

Narcisa andou até Fred com a varinha em mãos e começou a murmurar feitiços de cura.

– Não faço isso por você Weasley. Faço para pagar a dívida que tenho com Hermione.

– Muito obrigada. – agradeci-a.

– Não quero ter débitos com alguém como você. – ela disse seca. Pelo visto ela continuava não morrendo de amores por mim. – foram capturados?

– Sim. – consenti.

– Alguém sabe?

– Mandei uma mensagem para Jorge, mas ele não respondeu, e creio que não vá poder fazer nada.

– Vão para o closet de Draco amanhã depois da janta.

– O que? – Fred indagou.

Alguém bateu na porta.

– Apenas obedeçam!

Ela com um aceno de varinha retirou o feitiço e escancarou a porta, os comensais estavam novamente ali.

– O senhor Weasley não está em condições de andar. Deem-lhe muletas ou uma cadeira de rodas.

– Amanha muletas lhe serão providenciadas. Consegue mancar só hoje até o quarto? – o comensal perguntou.

– S-sim, acho que sim.

Fred apoiou a perna direita no chão, levantando-se da sedosa cama de Narcisa e fez uma fraca careta de dor.

Eu e Narcisa fomos ajudá-lo.

– Amanha, uma hora depois do jantar. – ela colocou a mão no bolso de Fred e tirou dali a moeda dourada que usávamos na Ordem.

Tive um impulso de desespero. Aquela podia ser nosso único meio de pedir ajuda e estava agora nas mãos de Narcisa.


“Confie.” Ela mexeu os lábios, escondendo a moeda em sua manga, seu olhar estava mais brilhoso do que estivera naquela tarde e sua determinação lembrava muito a de Draco.


“Não confie! Se ela pudesse ela te envenenaria sem hesitar!” minha consciência berrava.


Não sabia qual a determinação dela. Ela poderia sim estar me traindo. O que não seria uma grande surpresa. Mas então me passou pela cabeça que Draco era uma boa pessoa. Ele deve ter aprendido com alguém isso, e algo me diz que não foi com seu pai.

Apertei a mão de Fred para que ele se acalmasse.

Ele foi mancando até o outro lado do corredor onde era o quarto de Draco. A porta já estava aberta e o quarto impecavelmente arrumado.

Colocaram-nos lá dentro e a porta foi lacrada. Apenas uma janela estava aberta. Mas do lado de baixo, depois de uma queda de 5 metros três comensais nada sonolentos estavam ali de guarda.

Quando me virei novamente Fred estava estirado na cama, apático, encarando o teto.

– Calma. – eu disse me aproximando.

– Como calma? Você não devia estar tão calma. Você sabe que tudo que você disse para o Voldemort faz sentido não sabe? – ela levantou-se com os olhos lacrimosos.

– O pessoal da ordem nunca tentaria nada contra nosso filho.

– Hermione, isso é a última Horcrux! – ele apontou para a minha barriga.

Eu dei as costas correndo e fechei a janela, não queria que ninguém ouvisse àquilo tudo. O movimento automático de girar minha aliança no dedo cessou.

– “Isso”? – eu disse engolindo em seco. – “Isso” tem nome.

– Isso é uma Horcrux.

– “Isso” é o meu filho! – eu disse agora lacrimosa. – “Isso” é o seu filho!

Fred encolheu os ombros em um soluço violento. Fui até ele e o abracei. Ele rangia os dentes de ódio e frustração acariciava minha barriga e soltava alguns grunhidos de dor.


[...] A última parte deverá ser expurgada para que a história não se repita.


– “Isso” tem que morrer. – ele disse fraco entre

Notas finais do capítulo
Eu sei, eu sei, podem sacar suas varinhas, pq daqui pra frente só piora...
(ps: no título do capítulo o nome da música e em itálico um trechinho que se encaixa com o capítulo)
.
.
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Por hoje é tudo pessoal ^-^
*malfeitofeito*




(Cap. 11) Misery.

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
Eu não ia postar esse hoje, mas em comemoração aos 170 leitores, postarei...
É bem curtinho, só pra dar um gostinho de quero mais..
ISHADOIUASHIUDHIASHD GENTE FALA SÉRIO, MUITO FODÁSTICO O FINAL DO ÚLTIMO CAPÍTULO NÉÉÉ?? AI EU SOU TÃAÃÃÃO CRUEL!!!
MUAHAHHA
OK OK LEIAM *u* -PS: Não revisei por que eu to com pressa gomen x-x

ONZE:

The devil told me his name, but he’s not welcome here anymore.

Afastei-me dele em um salto. Era para Fred me ajudar, ser meu companheiro. Não apenas mais um tentando matar quem eu amo.

– Você está se ouvindo? Cadê o pai empolgado de horas atrás?

Ele apenas chorou mais.

– Você sabe que é o certo. Se tivesse outro meio.

– Vamos primeiro sair daqui depois procuraremos uma solução.

– Você sempre tão racional, tão certa de tudo. Essa criança pode ser o fim do mundo bruxo e do mundo trouxa!

Eu apenas desviei o olhar.

– Por que Voldemort diria que você provavelmente já tinha chegado a essa conclusão. O que você está sabendo que eu não sei? – ele estreitou os olhos verde oliva.

Minha vez de começar a soluçar.

O ruivo levantou e me sacudiu pelos ombros.

– Hermione!

– Me deixe em paz! – eu me soltei de seu aperto e andei até o outro lado do quarto.

Agora a marca em meu ombro ardendo mais do que nunca, de um jeito que não achei ser capaz. Sentia-me o ser humano mais desprezível e egoísta do mundo. Precisava desabafas, mas não podia. Se Fred soubesse sobre a profecia ele provavelmente tentaria se matar, ou matar meu filho. Eu estava novamente sozinha.

– Hermione – o toque de Fred não foi nada carinhoso como costumava ser. – nós somos quase casados, você não pode mais esconder coisas sérias como essa de mim! Eu não escondo!

– Você não entenderia! Ninguém entenderia!

– O que você fez? – ele estreitou os olhos. – por que você se sente sempre tão culpada?

– Você não estava lá! Não sentiu o que eu senti!

– Hermione!

Eu estava agora de pé, o ruivo me fechando contra a parede. Eu fui me impulsionar para longe dali, mas ele apertou meu ombro, justamente onde a cicatriz ardia. Meu joelho cedeu e eu cambaleei para frente, a dor se irradiando para o meu peito e pelo resto do meu braço.

Ele tentou segurar meu braço, mas acabou por puxar o pano da manga e rasgar o tecido, deixando amostra a enorme cicatriz que vinha da base do pescoço até o meio do peito.

Quando viu aquela marca me soltou de vez, fazendo com que eu fosse de encontro ao chão.

– O que é isso no seu ombro?

– Uma cicatriz Fred. – eu enxuguei uma lágrima.

Ele mencionou ir ajudar a me levantar.

– Não. – eu estendi o braço, me defendendo – não chegue perto.

– Quando você fez isso? Como eu não vi?

– Por que eu não quis que você visse. Tudo isso é culpa minha. – eu me levantei e cambaleei até a porta. – eu fui egoísta e fiz um pacto com o demônio para não perder quem eu amava. Mas o tiro saiu pela culatra e eu vou perder de qualquer jeito. Maldita Trewloney.

– Do que você está falando?

– Você conhece Jano? Ele provavelmente está se divertindo com isso tudo... – eu estava agora hiperventilando.

– Hey! – Fred me chamou.

– No dia da batalha de Hogwarts, depois que eu salvei Harry, isso aqui apareceu. – eu indiquei a cicatriz – Eu tive pesadelos, sonhos, visões. No fundo eu sabia que a culpa pela volta dele era minha.

– Volta?

– Se eu não tivesse salvado você, se eu não tivesse salvado Harry.

– Do que você está falando?

– Nada. – eu disse cansada enxugando minhas lágrimas. Coloquei-me em pé e me sentei na cama. – você tem razão.

O ruivo cuidadosamente sentou ao meu lado.

– Você sabe que isso dói em mim não sabe?

Ele encostou os lábios trêmulos nos meus. Eu me afastei.

– Sei. Mas não sou como você. Sei que você vai conseguir sir daqui. Você tem razão, eu não.

– Hermione?

– Você vai embora sozinho.

– O que?

– Eu posso pedir para Tom que ele o deixe ir. Ele não vai me negar este pedido.

– E deixar você aqui?!

– Eu vou ficar pelo bem do meu filho. Sei que você vai achar um jeito de combater os comensais lá fora.

– Hermione, seu sangue é sujo! Eles jamais vão permitir que você viva entre eles!

– Então é bom que você ache um jeito de me matar junto com meu filho. – eu disse com o olhar perdido e fixo no que parecia um porta-retratos de infância de Draco.

– O que? – Fred ofegou. – você não pode estar falando sério! Você viraria uma comensal por águem que nem vai ser seu filho? Por um corpo vazio ocupado por Voldemort?

– Se houver uma mínima chance de um dia esse corpo vazio voltar a ser meu filho, então sim.

– Eu não estou acreditando nisso!

– Não acredite. Eu menti durante meses e meses e você acreditou. Você é muito bom em fazer isso. Voldemort só está vivo por minha culpa. Eu o trouxe de volta, por que fui egoísta. Esta sou eu. Não a perfeita garota esforçada que é responsável e razoável com quem você noivou. Eu sinto muito. Eu te amo de um jeito que você não poderia entender.

– Você está cansada, não está pensando direito...

– Sim, eu estou cansada. Mas pela primeira vez estou pensando direito, claramente sem tentar arrumar desculpas para mim mesma. Não há saída. – eu me levantei e rumei para a porta. – eu vou respirar ar puro. Dar uma volta. Nos vemos depois?

Fred tinha escorregado para o chão e estava caído, escorado na cama.

– Sim... Hermione?

– Hm?

– Eu te amo. Muito.

– Também. – eu o amava de fato. Mas com aquilo tudo foi como se uma parte desse amor tivesse sido esmagada. Como se eu não fosse mais plenamente dele. Como se ele não fosse mais meu.

– Então por que você está me machucando desse jeito? Por que você não confia em mim.

– Vai por mim, eu estou te machucando o menos possível. – após isso eu saí do quarto.

Do lado de fora três comensais.

– Eu preciso andar um pouco.

– Eu levo ela. – Ícaro deu um passo a frente.

Eu estava tão apática que nem me importei. Nem processei àquilo tudo.

– Obrigada.

Há algumas horas atrás eu estava servindo cafés e indicando Jorge Amado a um cliente novo, e agora cá estou eu, agradecendo ao cara que moeu meu namorado na porrada.

Essa vida é mesmo uma grande filha da puta.

E Deus é um sacana com um humor perverso.

“HAHAHA ELA REALMENTE ACHOU QUE AS COISAS IAM DAR CERTO, VOCÊS VIRAM? OH CÉUS, VOCÊS VIRAM O CARA QUE ELA AMA SUGERINDO MATAR O FILHO DELES? QUE HILÁRIO!! HAHAHAHA”.

– Podemos ir lá fora?

Ícaro me analisou por um momento.

– Ora, eu estou grávida, desarmada e arrasada, por favor!

– Certo.

Ele foi me guiando pelos imensos corredores, passando por portas, por pessoas, comensais, prisioneiros, lobisomens, acho que Cameron fez alguma piadinha comigo. Não ouvia nada. Assim que vi aquele céu estrelado e o vento gelado soprou em meu rosto fechei os olhos.

– Sei que não gosta de mim, sei que seu senso de humor é ridiculamente perverso, mas se tem um mínimo de misericórdia, me mate. Por favor, eu imploro, me mate. – algumas lágrimas rolarem. Lágrimas de ódio.

– Você está falando comigo? – Ícaro indagou olhando ao redor.

– A menos que você seja Deus, não.

***

Fred’s Pov

Gritei. Soquei a parede até sentir quebrar minha mão. Não parei. Quebrei o armário de Draco, manchei sua parede com meu sangue, e na base de chutes quebrei a porta do banheiro. Não costumava me descontrolar.

Abri a porta violentamente, e me deparei com comensais com varinhas em punhos.

– Preciso ver Narcisa Malfoy. Acho que quebrei minha mão.

Os dois comensais hesitantes me conduziram pelos corredores. No caminho Cameron pulou em meu caminho. Cacarejou alguma coisa com um sorriso nos lábios. Irritei-me e prensei meu antebraço em seu pescoço, esmagando sua traqueia contra a parede.

– Eu não te suporto sua mimada ridícula. Some da minha frente, ou eu te afogo no seu próprio sangue. – cedi aos comensais que me puxavam e voltei a andar pelos corredores.

Acho que me repreenderam. Não prestei atenção; estava ocupado socando a porta de Narcisa, dando chutes e pontapés.

– Já vai, já vai! – ela abriu a porta, do mesmo jeito de antes. – ó céus! Garoto o que você fez na sua mão?!

Fui entrando. Acho que os comensais iam tentar me impedir, mas Narcisa foi firme e disse que estava tudo bem. Ouvi ao longe um: “Abaffiato”.

– Onde está a sangue-ruim?

– A sangue-ruim está indo conhecer sua futura casa. Fazendo amizade com os comensais. Ela acha que eu não sofro com nada disso. Egoísta Energúmena! Não tem nada na cabeça!

– Fique parado! Deixe-me ver essa mão.

– Narcisa, - eu disse segurando as mãos da mulher – eu vou perdê-la. Eu vou perder os dois.

– Ninguém vai perder ninguém.

– Meu filho é uma Horcrux.

– O que?!

Eu entre alguns soluços e outros, contei tudo o que eu sabia o que eu suspeitava e o que eu nem tinha ideia.

– Narcisa, eu vou ter que matar meu... – comecei a chorar.

E quando dei por mim Narcisa estava me abraçando.

– Pronto. Agora ruivo eu quero que preste atenção no que eu vou falar. – ela deu dois tapinhas em meu rosto. – Você não está sozinho. Você e a Sangue-Ruim cuidaram do meu Draco, e eu pretendo retribuir a isso. Você tem minha lealdade. Ao menos até que isso tudo passe. Entendeu? Você vai ter que ser forte. É óbvio que ela não quer ser uma comensal. Mãe nenhuma deseja que um filho cresça nesse meio. Você precisa ampará-la. Ela perdeu o chão no momento em que você, pai do filho dela, disse que quer matar seu próprio filho.

– Mas eu vou ter que...

– Ela já sabe disso. Você não precisa lembrar. Saiam daqui primeiro.

– E como diabos vamos fazer isso?

– Eu falei com Draco. – ela mostrou-me a moeda. – amanhã à noite, após o meu sinal, eles virão buscá-los com vassouras.

– Eles sabem? Sobre...

– Apenas Draco.

Assenti.

– Agora deixe de teimosia e me dê seu pulso. Eu disse que você estava quebrado para que os comensais não se preocupassem tanto com uma possível fuga sua. Não é para você se quebrar de verdade.

– Sim senhora. Desculpe.

– Vocês são tão jovens. Não deviam passar por tudo isso.

– Reclame com o resto do mundo. Vai por mim, eu não estou passando por isso por que eu quero.

Narcisa rui fracamente.

– Certo ruivo, vamos concertar esses estragos. Todos eles.

***

– Ícaro, você podia entrar comigo no quarto só por um instante? – eu pedi receosa de que Fred fosse me atacar com algo pontudo e improvisado, querendo me fazer abortar na marra.

– Senhorita?

– Por favor. – eu supliquei cansada.

Ele abriu a porta com varinha em punhos provavelmente pensando se tratar de uma armadilha.

Entrei logo depois.

– Posso ir?

Eu observei o quarto vazio.

– Se incomoda de ficar um pouco comigo?

– Na verdade sim. Não gosto de você e o dia já está raiando, e eu realmente quero dormir.

– Claro. – eu ri comigo mesma, como eu era ingênua, não estava em Hogwarts. Ali as pessoas tinham nojo de mim e do meu sangue. – obrigada por tudo.

Rumei para a janela e sentei escorada na parede com a cabeça baixa.

Alguns momentos se passaram até que eu senti alguém se sentar do meu lado. Encolhi-me com medo de ser Fred.

Então ele pigarreou e eu levantei a cabeça.

– Ícaro?

– Temos que ser cordeais com os convidados do Lord.

– Você deve estar cansado. Pode ir.

– Você não me parece bem.

– Eu não estou bem. Você fica feliz em saber disso? Você já amou Ícaro? Você já cometeu um erro que quisesse se arrepender, mas não conseguisse?

Ícaro riu seco.

– Não esperava que justo você fosse me entender. – ele murmurou.

Olhei-o surpreso. Era uma pergunta retórica, Não esperava que Ícaro realmente soubesse o que era aquilo.

– Ora ou você acha que eu amo comensais?

Aquilo me surpreendeu.

– E-eu achei.

– Não. Odeio esses filhos da mãe tanto quanto você.

– Então por que... Por quem?

– Cameron Feline. Eu a seguiria até o inferno. Seu amor pelo menos é retribuído, o meu não.

– Cameron não quer matar o filho de vocês. – eu disse chorosa.

E então algo que eu não esperava aconteceu: Ícaro me abraçou. Aquilo não fazia sentido algum, acho que ele estava realmente carente.

– Vou cuidar de você. Aqui comigo pelo menos você e sua criança estarão seguras.

– Provavelmente Cameron vai querer vir me matar.

– Cameron há muito passou dos limites. Ela abortou o filho dela, não vai encostar no filho de mais ninguém.

– O que? – eu balbuciei perplexa. – quando? Como?

– Não importa. Aceita minha lealdade?

– Contanto que também aceite a minha. – estendi minha mão.

– De onde eu venho, lealdade é coisa séria. Não sele comigo se não pretende cumprir.

– Eu sou uma grifinória. Lealdade é o meu cerne. – selamos um aperto de mãos.

Ele levantou-se e me ajudou a ir até a cama. Fechou as cortinas e buscou-me um copo de água. Tapou-me e rumou para a saída.

– Qualquer coisa meu quarto é do outro lado do corredor. Ou grite meu nome bem alto que eu venho socorrê-la. – ele disse sério.

– Obrigada... Ícaro?

– Sim?

– De quem era o filho?

Vi seus dentes brancos como pérolas reluzirem no escuro.

– Eram gêmeos. Meus.

– Sinto muito.

– Durma bem.

Ele saiu e fechou a porta, deixando-me no breu e na solidão daquele quarto. Em meu ventre Naoki acabara de chutar.

– Está tudo bem. Mamãe está aqui. – eu me encolhi.

O silencio tomou conta do quarto, eu estava cansada, mas com medo demais para dormir.

A porta abriu-se com um estampido violento e desajeitado por ela passou Fred. O escuro voltou e eu me preparei para chamar Ícaro.

– Mione. – ele chamou.

Não parecia o Fred seco e frio de horas atrás. Sua voz estava rouca, como se tivesse chorado.

– O que? – minha voz saiu mais fraca que eu calculei.

– Sinto muito.

Bufei em ironia.

Ele sentou-se ao lado da cama e sua voz embargou, enquanto sua voz saia em um fio fraco e tortuoso.

– Por favor, não seja cruel. Eu só não quero te perder. Nem ao meu filho.

– Eu que estou sendo cruel Fred?!

– Estou te pedindo perdão. Eu sei que errei. Só queria que soubesse que eu estou do seu lado.

Ele levantou-se e rumou para a porta.

– Aonde vai? – eu me ressaltei na cama. – Não me deixe aqui sozinha, por favor.

O ruivo deu meia volta e sentou-se na cama.

– Fico aqui até que durma.

– Dorme comigo.

O rapaz se ajeitou ao meu lado. Tirou o cabelo do meu rosto e colocou minha cabeça sobre seu peito.

Não dissemos nada um para o outro, apenas senti seu abraço apertado ao meu redor. Enlacei nossas mãos e senti-o desenhar círculos nas costas de minha mão. Quando senti que estava quase dormindo me inclinei em sua direção e beijei seu pescoço suavemente.

– Vamos sair daqui – eu disse baixo.

– Promete? – ele disse acariciando minha boca.

– De dedinho.

Depois disso voltamos a dormir. Sem nenhum boa noite, pois aquela noite seria e tinha sido, a pior noite da minha vida.

Notas finais do capítulo
TCHAAAAAAAAAAAAAAAAN TCHAN TCHAAAAN!!!
FIQUEM LIGADOS, TEMOS AINDA MAIS DOIS CAPÍTULOS PELAS PRÓXIMAS 78 HORAS MUAHAHAHAHAHA *u*
*Malfeitfeito*




(Cap. 12) Mama

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
OOOOOOOIÊ GALERINHA MACANUDAAAAA
ENTÃO, CÁ ESTOU EU COM MAIS UM CAPÍTULO PARA VOCÊS SEUS LINDOS!!
ENJOOOOOOOOOOOOY

DOZE:

We all go to hell.

– Hermione...

Abri os olhos. E acordei para o meu pesadelo particular e real.

Fred estava em pé no canto do quarto, tinha nas mãos algo que me pareceu uma camiseta.

– Entregaram-nos roupas provisórias e disseram que vamos escolher nosso guarda-roupa agora depois do café da manhã...

Eu estava me sentindo mal, não tinha meu típico vigor e otimismo. Na verdade, mais do que nunca quis que Belatrix estivesse ali, para que eu a irritasse e ela terminasse logo com isso.

Sem mais embolações e sem muitos detalhes narrativos descemos para tomar café da manhã. Peço desculpas pelo vácuo narrativo, alguns podem julgar ser preguiça, mas é simplesmente desânimo.

Não é nada ruim, ou doloroso, é simplesmente... Não sei definir. Vazio? Frio? Deve ser assim que um psicopata se sente. Mesmo Fred agora do meu lado, a única coisa que consigo pensar é: Como chegamos a esse ponto?

Ele está se desculpando comigo agora. Não estou ouvindo uma palavra do que ele está falando. Cameron passou na minha frente e disse alguma coisa. Abstraí-a completamente. Ícaro puxou a cadeira para que eu sentasse. Aquilo fez com que eu levemente despertasse do meu estado de apatia total.

– Bom apetite. – ele disse.

– Obrigada. – Respondi com a voz fraca.

A comida tinha gosto de serragem. A bebida tinha menos gosto do que água. Fiz tudo no automático. Havia inúmeros comensais na mesa. Apenas os mais importantes, claro.

– Você está bem? – Fred cochichou.

Acenei que sim com a cabeça.

– Tem certeza?

Acenei que sim novamente.

– Você está comendo pasta de fungos. Você odeia fungos. Você está bebendo suco de tamarindo. Você odeia tamarindo. Você está bebendo café e suco ao mesmo tempo. Você não colocou açúcar no seu café. A única palavra que você disse hoje foi ‘obrigada’ e para um comensal.

– Gosto do Ícaro. – disse simplesmente e mordi alguma coisa que estava na minha mão.

Fred me olhava espantado, incrédulo.

– Ele é um comensal. – Fred irritou-se, o cara que estava sentado do meu lado largou sua torrada para prestar atenção na nossa conversa.

– Draco também era.

– Ele me espancou. Ele nos trouxe pra cá. – Fred disse ríspido.

Dei de ombros.

Com um movimento brusco Fred segurou meus ombros e me virou de frente para ele. Fez com que eu olhasse em seus verdes olhos. Atrás de nós vi Ícaro retrair os músculos. Acenei negativamente com a cabeça.

Fred quando viu meu breve contato com o comensal levantou-se da cadeira ruidosamente e marchou para fora da sala. Minha consciência dizia que eu tinha que ir falar com ele mais hora menos hora. Levantei-me calmamente. Pedi licença aos comensais que olhavam a cena sem entender muito bem e rumei atrás do ruivo.

– Fred? – eu disse quando o encontrei em algo que me pareceu uma biblioteca.

– O que foi aquilo? Você está do lado deles? Você realmente vai... O que aconteceu com você?

Dei de ombros.

– O que você está fazendo tão amiga do homem que matou os pais de Alana, você lembra de Alana? - ele estava realmente irritado.

– Você...

– Eu não entendo? Não Hermione, eu não entendo!

– Ícaro entende. É uma história complicada, ele não é de todo mau.

– Se você e Ícaro estão no mesmo patamar Hermione, então eu começo a temer a coisa tão horrível que você fez e não quer me contar.

Aquilo me machucou. E ele sabia disso. Mas acho que ele queria uma reação minha, um vestígio da Hermione que eu costumava ser. Não que eu não fosse ela ainda. Mas ser eu mesma era muito difícil. Muito exaustivo. Apenas dei as costas com um sorriso de canto de boca pretendendo sair dali.

Fred, contudo foi mais rápido e com um puxão nada delicado fez com que eu voltasse a me virar para ele.

– Você está dormindo com o Ícaro? – ele estreitou os olhos.

Aquilo me fez dar uma risada seca. Não acreditei no que ouvi.

– Sim Fred. Na verdade eu também sou uma comensal e não te contei, eu e Ícaro nos casamos semana passada, Voldemort foi o coroinha, ele estava tão lindinho de vestido... seu convite não chegou? – eu soltei o ar dos pulmões – francamente.

Mas ele ainda não havia soltado o meu braço e parecia estar considerando aquela hipótese.

– Por favor. Não me faça perder o resto de amor que eu ainda tenho por você. Você é tão egoísta assim? Eu não quero ficar aqui. Nós vamos sair daqui – diminui mais ainda o tom de voz – mas se eu sair daqui... – eu inspirei profundamente. Não choraria, mas minha voz se desregulou um pouco – mas não me peça para ser a garota forte, animada, otimista e vibrante que você está acostumado.

Palmas vieram da porta. Cameron.

– O que está fazendo aqui? – Fred disse ríspido.

– Eu vim ver se estava tudo bem... – ela disse com um tom de voz quase meigo.

– Com licença. – eu disse me soltando de Fred.

Saí da biblioteca e do lado de fora Ícaro e mais dois comensais aguardavam, rígidos como pedras. A passos largos segui pelo corredor. Nem Cameron nem Fred vieram atrás de mim. Na verdade vi a porta ser fechada. Tentei não pensar naquilo.

Fred e Cameron trancados na biblioteca. Apenas suspirei e apertei os olhos. Eu precisava sair dali. Precisava de força para fazer aquilo. Mas eu não sabia mais de onde tirar forças.

***

Cameron entrou, e eu vi Hermione sair. Abri a boca com o intuito de xingá-la, mas notei que ela não fazia nenhum de seus comentários odiosos.

– Tudo bem, não se preocupe, não vou incomodá-lo. – ela disse com a voz suave.

– Sua presença me incomoda.

– Vamos, eu sei que você não anda bem. Vamos esquecer isso tudo por alguns instantes, deixe-me te ajudar. – ela disse parecendo muito sincera.

Bufei. Como se eu fosse esquecer de todas as pessoas que ela matou. Em um flash doloroso lembrei-me de Liza. Ah se eu não tivesse sido criado pela Dona Molly, a esta altura a cara de Cameron já teria sido amassada.

Quando dei por mim, a garota tinha o rosto escondido em suas mãos, e soluçava baixo.

Ela chorava a final?

Não me importei, apenas dei as costas a ela e rumei para a larga porta entalhada em madeira. Antes que conseguisse tocar na maçaneta, ouvi a conversa dos comensais que estavam do lado de fora:

“...Mas ela não era casada com o ruivo ou sei lá o que?”

“Bom, acho que isso não a impediu de ir se trancar no quarto com o Ícaro.”

“Sangue-ruim...”

“São as piores.”

Off~

Naquele momento, o que era para ser um segurar na maçaneta, tornou-se um murro instintivo de Fred na porta antiga e trabalhada.

Estava cego de raiva, estava cansado, não estava pensando direito. Sentia que estava perdendo Hermione, sentia-se impotente, sentia-se enganado, não confiava mais nela completamente. E em um impulso impensado bestial e irracional, ele deu meia volta e foi bruto para cima da garota morena, que a esta altura tinha um sorrisinho no rosto, sínico. Fred nem pensava naquilo, só queria magoá-la como ela o tinha magoado. Agarrou os cabelos morenos e sedosos, e nada delicadamente encostou a garota contra a parede.

E então, ele fez a maior, e pior burrice de sua vida.

Naquela biblioteca, naquela manhã, naquele dia, ele machucou Hermione de um jeito que ele jamais poderia sequer imaginar.

***

– Este ficou bom. – Ícaro disse sentado na poltrona, analisando um vestido primaveril que eu usava.

Assenti.

Afobado pela porta entrou o meu ruivo. Descabelado, ofegante, com os olhos inchados e vermelhos como se estivesse chorando há pouco. Assim que me viu andou até mim e me abraçou.

Não entendi nada, mas aquilo despertou em mim um alarme. Algo me dizia que aquilo não era apenas o estresse contextualizado. Algo tinha acontecido.

– Está tudo bem?

– S-sim. – ele disse com o rosto enterrado em meu pescoço. – Só me senti mal por tudo que eu fiz a você.

Eu franzi a sobrancelha e me afastei dele para que pudesse vê-lo, ele evitou meu olhar. Aquilo tudo tinha realmente mexido com ele.

– Está tudo bem, eu também tenho sido...

– Não... Não, você nem se compara a mim. Mas você tem que acreditar em mim. Eu te amo, muito...

Aquilo ficava mais estranho a cada momento, mas considerando o estado do pobre coitado, resolvi não fazer interrogatórios.

– Ícaro, eu me sinto indisposta, se importa se formos nos recolher um pouco e voltarmos mais tarde para acabar de ver as roupas? – eu disse passando a mão pela cintura do ruivo.

– Não senhora. Devo pedir algum medicamento.

– Não, muito obrigada.

Andei pela mansão de volta para o quarto. Fred estava mais calmo, mas ainda não estava... Normal.

Fechei a porta e sentei-me na cama. Ele sentou ao meu lado, como estivesse escolhendo palavras.

– Minha barriga cresceu bastante. – eu disse descontraída.

Ele piscou algumas vezes. Era uma barriguinha de nada, mas dava pra ver que eu estava grávida, afinal eram apenas três meses.

– É verdade. – ele colou a mão por cima do vestido primaveril.

– Narcisa disse que hoje sairemos daqui. – eu disse calma.

Ele apoiou a cabeça no meu colo e eu fiquei ali, mexendo nos fios ruivos. Notei um perfume diferente nele, e a imagem da porta da biblioteca se fechando invadiu minha mente.

Não queria pensar naquilo agora.

***

A mesa estava elegantemente arrumada, estou sem paciência para descrever, mas estava realmente esplêndido. Cameron estava sentada na minha frente, um sorriso no rosto. Era maléfico, mas não amargo. Era apenas, uma satisfação perversa.

Na ponta da mesa, ao meu lado, Bellatrix, ainda sendo Bellatrix. Risada irritante, piadinhas insuportáveis, me olhando com nojo. Contudo suas roupas eram tão refinadas e masculinas quanto às do outro dia em que eu a tinha visto. Roupas dele.

Narcisa estava sentada ao lado de Cameron, sentada, olhava fixamente para os joelhos. Impecável como sempre, usava um vestido antigo e não festivo. Um vestido daquelas antigas anfitriãs.

Fred usava um Armani, que me faltam palavras para descrever. Eu usava um simples e longo vestido verde, liso, que me caia nos ombros. Escolhido pelo Lord em pessoa.

Eu estava realmente enjoada, deprimida, como se o fim estivesse próximo. Eu simplesmente não via muita saída.

Fiquei observando Bellatrix. Por mais radiante que ela estivesse, estava com uma aparência quase frágil, estava cansada. Eu não sabia como aquilo era possível, mas se o Lord realmente estava no corpo dela, então aquilo a desgastava muito fisicamente.

Notei que Narcisa tinha os olhos em mim, e com um discreto movimento de boca confirmou minhas suspeitas: “O corpo está exausto.”.

Respirei fundo, foi como se tivessem colocado em mim um pouco de minha alma roubada. Percebi o plano de Narcisa, nos tirar daqui, aproveitar depois do jantar que Voldemort e Bellatrix estariam exaustos.

Procurei os olhos de Fred, mas ele estava cabisbaixo e mais pálido do que de costume.

Aquilo tinha que parar. Eu e ele estávamos nos afastando, e aquilo me assustava. Aquilo me matava. Aquilo me deixava sem qualquer esperança.

Busquei seus dedos longos e gelado e entrelacei-os aos meus. Ele me fitou ligeiramente surpreso.

–Eu tenho estado estranha, e peço me perdoe. Eu te amo muito e quero que confie em mim, vamos achar um jeito, como sempre fazemos.

Ele piscou algumas vezes, realmente não estava bem.

– Eu te amo muito. De um jeito que me assusta. – ele sussurrou. – eu não sei o que eu fariase...

– Shh. – eu pesquei seu pescoço pela nuca e encostei sua testa na minha. – eu só saio do seu lado morta. No dia que eu me afastar de você, Freboboca chame um médico, pois eu estou louca!

Ele sorriu e baixou o olhar.

Puxei-o para mim e beijei-o. Cameron olhava fixamente para nós. Ora sorria, ora parecia que iria voar em nossas gargantas. Bellatrix nos ignorava e Narcisa continuava focada em seus joelhos. Lúcio bebia, amargurado, e vez ou outra nos lançava olhares de ódio. Os demais comensais fartavam-se e limitavam-se a nos lançar olhares de nojo. Ícaro estava logo atrás de mim, rígido como uma estátua e tenso como um cão de guarda.

– Amigos! – Ele havia chegado.

– Não solte a minha mão. – cochichei ao Fred.

Ele apenas assentiu e passou a passar o polegar nas costas de minha mão.

Cameron alargou seu sorriso e me encarou. Preocupei-me. Narcisa apertou os olhos como se não quisesse ver o que viria a seguir.

– Estou aqui hoje para apresentar a vocês, formalmente, a escolhida! A abençoada a quem devo minha vida. – Ele me fitou. – a quem devo minha alma.

Mais murmurinhos eclodiram.

“O que?”

“A general do Potter?”

“Traidora.”

“Sangue-ruim...”

– Ah! Sim, muito bem lembrado! – O lorde disse contente, fazendo com que todos secalassem. – sangue ruim. O sangue dela é sujo,inferior ao nosso, e ela sabe disso não sabe? – ele me fitou, bem como todos na mesa.

Eu apertei a mão do meu ruivo.

– Sim meu Lorde. Se fosse possível eu mudaria, mas...

– Minha querida! – ele disse batendo as mãos. – não me agradeça, mas eu consegui! Eu descobri um jeito de limpar seu sangue! Claro, você teria que abrir mão de seus pais, todos os seus parentes trouxas não teriam mais nenhum laço com você.

Eu estava perplexa. Limpar meu sangue?!

Tive vontade de chorar gritar e espernear, não queria tirar de mim o sangue dos meus pais, me sentia humilhada e impotente.

Senti o aperto de Fred.

– Mesmo?! – fingi animação, mas não deu muito certo.

– Ora querida, não tenha medo. Pode ainda não confiar em mim, mas eu vou cuidar de você. É como cães vira-lata que adotamos na rua e damos um banho quando o levamos para casa. É isso. Dar um banho em você.

Engoli a surpresa e me recompus.

– Eu aceito, e humildemente agradeço por sua generosidade meu lorde. Serei seu cão mais fiel, ao seu lado em seu caminho ao topo. Mesmo que minha origem seja impura, eu quero ser útil ao homem que salvou minha vida. – eu disse com uma leve reverência.

De baixo da mesa, eu quase esmagava a mão de Fred e ele agora segurava minha mão com as duas mãos. Eu estava forte, por ele, por fora.

Por dentro eu me sentia mal. Aquilo era quase pior do que ser torturada por Voldemort.

– Assim será. –ele levantou-se. – Vamos?

Olhei para os lados, confusa.

– Onde?

– Começar a limpar seu sangue. Se quiser, podemos começar a limpar hoje. É um processo doloroso, e bagunça os pensamentos, são necessárias algumas sessões, mas quanto antes começarmos, mais cedo seu sangue – ele discretamente tocou meu ventre – será limpo.

Dessa vez fui rápida, não podia levantar suspeitas.

– Sim! – eu disse convincentemente empolgada. – Ah, como posso agradecê-lo?

– Está tudo bem criança. – ele disse afagando meu rosto, quase como um pai. – se importa se alguns companheiros meus, e em breve seus, assistirem?

– De modo algum, Tom. Fred pode assistir? Por favor?

O lorde riu daquele seu jeito estranho e gesticulou aos comensais perplexos. Narcisa lançou-me um olhar de desculpas. Ela sabia, por isso hoje! Voldemort estaria fraco, e todos me subestimariam já que eu estaria morrendo em dores ou sei lá o que. Era um plano um tanto quanto cruel, mas era um bom plano.

– Entendo por que Potter a protegia tanto. Claro que pode. Vamos agora, você termina seu jantar mais tarde, mais pura...

Voldemort deu um sinal de mãos e alguns comensais começaram a se levantar.

– Tom. – eu disse baixo, para que só ele e Fred me ouvissem.

– Sim?

– Nada... Eu só estou tão assustada. Eu sou fraca. – eu disse fingindo odiar-me.

– Minha querida Hermione, o seu medo é normal. Mas peço que não se deixe levar por ele, eu prometo que tudo ficará bem. Fred estará ao seu lado, e eu mesmo ficarei com você.

– Tom, eu posso pedir para que Cameron não vá? – eu disse me lembrando de seu sorriso maligno. – isso é bobo, mas eu não gosto dela, ela me assusta e eu temo que ela queira roubar meu filho e meu namorado.

– Sua pureza me fascina. Ela não chegará perto de ninguém da sua família e ela não estará presente nesse momento de vulnerabilidade que vai ser sua purificação. Tem a minha palavra.

– Sabe Tom, acho que me ensinaram tudo errado. Você não é mau. Todo meu ódio está se transformando em carinho por você.

Vi uma dúvida em seus olhos. Era o que eu precisava. Ele tentou forçar a Legilimência, mas estava fraco de modo que eu pude, sutilmente manipular meus pensamentos. Pensei em Dumbledore, e deixei o carinho que eu sentia por ele aflorar enquanto prendia mais ao fundo, todos os meus ressentimentos. Claro, deixei a mostra também medo e insegurança, deixei uma imagem de Cameron passar em minha mente. Forjei uma mente real, de uma garota assustada que encontra segurança com seu maior inimigo e morre de medo do que possa acontecer a ela. Uma boa dose de culpa em relação aos antigos amigos, uma pitada de desejo de mudar, de me adaptar ao Lorde, e voilá! Voldemort baixava a guarda para mim!

– Vamos minha pequena, vamos dar início a esta nova e gloriosa era.

– Sim, meu Lorde.

***

Começaram a conduzir Hermione para fora da sala, alcancei-a e pude ver o desespero em seus olhos, uma súplica silenciosa, implorando para aquilo ser outro pesadelo dela.

Ela era uma boa atriz, eu me surpreendi no modo como ela cativou o Lorde.

Abracei-a.

– Fred...- ela disse coma voz embargada.

– Vai ficar tudo bem, seja forte por mais algumas horas. Você consegue?

Ela respirou fundo e voltou ao personagem de garrota ingênua e confusa.

– Isso. Boa garota, falta pouco. – eu disse acolhendo-a em meus braços e beijando o topo de sua cabeça.

Caminhamos para a tal sala onde a purificação ocorreria, como dois bois indo para o abate.

Vi de canto de olho o rebuliço que Cameron fazia ao se dar em conta que ela não tinha sido convidada para a desgraça que fariam com Hermione. Ela conseguiu nos alcançar e eu senti cada músculo do meu corpo travar. Ela não podia falar, eu estava tão perdido. Ah se arrependimento matasse.

Como eu fui idiota.

“Idiota? Você simplesmente enfiou um machado nas costas da sua noiva! Ela nunca vai te perdoar...”

“Desculpa, e você quem é?...”

“Sou sua consciência rapaz! Se eu tivesse chego aqui algumas horas antes talvez você não tivesse feito a quantidade de merda que você fez!”

“Eu não estava pensando direito, eu estava com raiva!”

“Ótimo, diga isso para Hermione quando ela descobrir!”

– Parece que eu não vou poder ir ver você virar gente. – Cameron disse conseguindo chegar até nós.

– Não responde – eu disse ainda abraçando Hermione.

– Fred... Achei que você fosse se esconder de mim depois de hoje à tarde... – ela sorriu.

– Cala a boca. – eu disse sentindo um calor de ódio passar pela espinha.

Ela abriu a boca, provavelmente para jogar na minha cara o que tinha acontecido hoje a tarde, mas Hermione foi mais rápida.

Sem tempo para qualquer reação, ela deu um passo a diante e espalmou a mão no rosto da morena.

O barulho foi alto, e fez com que todos naquela sala parassem e observassem a cena.

– Cansei. – Hermione disse. – Hoje, uma nova etapa começa, e eu não vou mais ser complacente com você, Cameron. – ela tinha um quê de psicopatia na voz. Me assustou. E definitivamente chocou Cameron. – Você é simplesmente insuportável. Belatrix é mais tragável do que você, e você nem é tão bonita assim, depois de um tempo sua beleza é simplesmente... Enjoativa. Você é enjoativa.

– Fred não me achou nada enjoativa... – ela começou a falar tentando recuperar sua pose.

– Eu tenho certeza que ele te acha enjoativa. – Hermione ergueu nossas mãos unidas. – ele está segurando a minha mão Cameron, não a sua.

E sem dar chance para que ela se recuperasse Hermione deu as costas e saiu da sala, me arrastando com ela. Todos estavam perplexos.

– Entendi por que General. – alguém comentou baixo.

Assim que nos afastamos daquele bolo de comensais Hermione agressivamente fez com que eu ficasse de frente para ela.

– Você ficou com a Cameron, alguma vez depois que começamos a namorar? Fred, não minta pra mim.

Ela cravou seus olhos castanhos em mim. Eu não podia contar. Bom, não agora, ela estava prestes a passar provavelmente pela pior experiência da sua vida. Ela precisava saber que eu estava do lado dela.

“Coverde, arrumando desculpas.”

“Ah, vá pro inferno.”

“Já estou nele querido.”

– Que pergunta, Hermione... – eu disse olhando para o teto.

– Fred...

– Eu te amo Hermione.

– Não foi o que eu te perguntei.

– Não. Claro que não. – eu disse sentindo minha língua sendo rasgada e queimada em brasa. Detestava mentir para ela.

Ela ia dizer alguma coisa, mas então Ícaro chegou dizendo que estava tudo pronto.

– Depois falamos sobre isso ok? – eu disse a abraçando. – fique tranquila.

Ela não tinha esquecido aquilo. Com certeza não. Mas por hora estava abalada demais para discutir sobre aquilo.

Como se já não tivéssemos problemas suficientes.

Andamos em silêncio, mas sua mão estava quase se fundindo a minha de tanto que ela apertava. Por ora, eu estava perdoado.

Chegamos em uma sala comum. Ou quase.

Lareira, dois sofás, uma poltrona, no canto da mesa um mesa de centro que tinha dado lugar a uma enorme banheira de porcelana. Eu definitivamente não estava gostando daquilo.

Hermione estava quase chorando, e agora estava agarrada ao meu braço respirando forte e escondendo o rosto. Eu afagava seu rosto, mas na verdade estava tão assustado quanto ela. E se na verdade aquilo fosse só um sacrifício ou algo do gênero?

Um meio de já colocar a alma de Voldemort no meu filho.

Ou um jeito de tirar aquela Horcrux do meu filho, e depois matar toda a minha família.

Os comensais estavam agora encapuzados, e se enfileiravam perto da banheira, Belatrix/Voldemort veio até Hermione e pegou sua mão.

Ela deu dois passos, mas não queria soltar minha mão, olhou para trás, aterrorizada.

– Vamos Hermione. – Belatrix disse sorrindo.

– Estou com medo.

– Eu mesmo farei o feitiço. Confie em mim.

Ah, o genocida louco vai fazer o feitiço. Estou bem mais tranquilo.

Ela soltou minha mão. Pouco a pouco. Eu dei um passo à frente, e neguei com a cabeça, implorando para que ela não fizesse aquilo. Ela apenas deu um meio sorriso dolorido e ergueu o queixo. Fiquei ali, em pé. Estarrecido. Impotente. Furioso.

Voldemort pediu que ela retirasse o vestido. Isso mesmo! Ela ficou nua na frente de diversos comensais!

Nesse ponto senti a mão de Narcisa em meu braço, firme. Evitando que eu fizesse qualquer bobagem que estragasse tudo. Mas eu estava tão raivoso com tudo. Não estava conseguindo proteger nem a garota que eu amo, nem meu filho. Eu estava de mãos atadas.

Ela ficou ali, encolhida dentro da banheira, com os olhos vermelhos, quase chorando. O tempo todo olhando para mim. Eu não desviei o olhar sequer por um segundo.

Voldemort começou a falar uma língua estranha. Abriu alguns francos de cristais e pingou na banheira. Fumaças estranhas começaram a espiralar ao redor de Hermione, como se a investigassem, como se a vestissem, como se adentrassem seus poros.

Sanguis. – ele disse mais alto.

Parte daquela fumaça mudou de cor, tornando-se preta. Então condensou-se, mais e mais, até formar ao redor do corpo de Hermione o que pareceu-me fios de arame.

Ela começou a fazer caretas de dor. Mais como um desconforto. As vezes olhava assustada para o braço, ou para a perna como se alguma coisa estivesse caminhando por ali.

Impurus. – ele disse novamente após mais incontáveis minutos de múrmuros naquela língua estranha. Ele oscilava entre o Latim e alguma outra língua estranha.

– Ah! – ela soltou um gemido forte e apertou os olhos, cerrando os punhos e deixando escapar algumas lágrimas de seus olhos, sua expressão se contorcendo em dor.

O arame agora estava se apertando contra sua pele, cada vez mais e mais, ela desesperada levou as mãos roxas e marcadas até o pescoço, tentando tirar dali os arames, que simplesmente viravam fumaça ao seu toque.

Ela começou a grasnar em desespero, e se debater contra a parede de porcelana da banheira.

Os fios a ergueram como uma marionete, e ela ficou suspensa no ar, uns 20cm acima do chão, coberta por sombras estranhas tendo o corpo todo emaranhado por aqueles arames de fumaça.

Purus sicut lilium. – Voldemort disse por fim.

Nesse momento todos aos fios pressionados contra a pele de Hermione se apertaram mais ainda e de uma só vez Hermione foi multilada pelos fios. Ela tentou gritar mas ainda estava sufocando e agora sufocava com seu próprio sangue.

Dei um passo a frente para tirá-la de lá. Narcisa apertou meu braço e me puxou para trás. Ícaro surgiu deus sabe da onde e também segurou meu ombro.

– Ele vai matá-la – eu disse quase chorando.

– Ela está bem. Você tem que ser forte e ficar quieto.

– Narcisa...

– Confie em mim! – ela disse baixo dando um beliscão em meu braço.

Quando olhei novamente, ela tinha parado de se debater e de grunhir. Estava parada, olhando para a parede em sua frente. Imóvel. Olhos vidrados e sem vida. Na banheira abaixo dela, dois dedos de sangue tinham se acumulado. Era muito sangue.

Eu senti meu peito se espremer e tudo ao redor perder importância. Senti como se minha alma tivesse abandonado meu corpo e tudo ficou cinza. Ela estava morta. Olhos vazios e o corpo largado.

Minha boca estava cheia de cinzas, minhas mãos e pés congelados em areias escaldantes, minha barriga estava cheia de facas fincadas que atravessavam até as minhas costas enquanto meu peito era esmagado por alguma coisa pesada e embebida em ácido. Tinham cacos de vidro cravejados pela minha garganta, agulhas encravadas em meus olhos. Aço rasgava minha pele e labaredas queimavam meus pulmões.

E o nada se abateu sobre tudo isso.

Não era a dor que me torturava. Era o grande vácuo que se expandia e me consumia.

O corpo dela caiu.

A fumaça se esvaiu e seu sangue respingou para todos os lados. Parecia uma boneca desfalecida na banheira, os olhos abertos vidrados em algum lugar do nada, sua pele toda multilada, a aliança em seu dedo mal brilhava de tão ensanguentada que estava.

Ela tinha morrido. Ele tinha morrido. Eu deixei matarem, meu filho e a mulher que eu amo. Eu não tinha mais nada.

Eu respirava.

Eu pensava.

Meu coração batia.

Meus órgãos funcionavam.

Mas eu estava morto.

Notas finais do capítulo
NHE...
TRISTE NÉ??
Tava revisando agora, acho que vou me dar um crucio aqui ;_;
*malfeitofeito*




(Cap. 13) Some nigths

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
NHEEEEEEEEEEEEE ME ATRASEIDESCULPA, TAVA AQUI FALANDO COM UM BOYMAGIA E PERDI A HORA... GOMEEEEEEEEEEEEEN X-X
ENJOY

TREZE:

Some terrible nights.

– Está feito. – a voz de Belatrix, Voldemort ou sei lá quem, tirou-me de meu estado de apatia.

Eu avancei em sua direção.

Os olhos dela estavam vermelhos, a pele ressecada e marcada por profundas olheiras. Parecia um cadáver.

Ícaro que mantinha a mão no meu ombro tentou me segurar, foi em vão. Antes que qualquer comensal chegasse a mim eu levantei Belatrix pelo terno e a prensei violentamente contra a parede.

– Está tudo bem. – ele/ela disse acenando para os comensais que corriam para ajuda-lo/la. – O que pretende fazer? Me matar com suas mãos? E depois? Sabemos onde sua família mora, iríamos visitá-los. Você não daria dois passos até que um dos meus comensais o alcançasse. E tudo para você sequer me atingir. – ele baixou a voz – eu vivo no seu filho.

– Você acabou de matá-lo. – eu disse batendo-a contra a parede.

Ah se Molly Weasley não tivesse me educado, há muito eu já teria arrancado alguns dentes de Belatrix.

– Por favor, você tem que confiar mais em mim. – ela riu-se – e eu realmente devo salientar que sua mãe te criou muito bem.

– Saia da minha cabeça! – eu disse serrando os punhos, com a voz crescente.

– Não perca seu tempo comigo. Vá buscar sua noiva, ela não está morta, seu coração só está se acostumando com o lapso de sangue. Ela é preciosa para mim garoto.

Soltei Bellatrix, e olhei duvidoso para ela.

– Não sei por que você acha que eu sou seu inimigo. Vá, ela vai gostar de te ver quando acordar.

Ainda incerto e furioso olhei para a banheira, Hermione estava lá, ainda caída como uma boneca de porcelana, embebida em sangue.

Andei até ela, todos estavam meio estupefatos por eu ter levantado o suporto Voldemort pelo colarinho e ainda estar vivo.

Ajoelhei-me ao lado dela e segurei sua mão. Tirei aquele terno absurdamente caro e ridículo que eu usava e coloquei sobre ela, afastei o cabelo molhado por sangue do seu rosto, e senti a fúria dar lugar aquela tristeza profunda, meus olhos ardiam e eu estava quase chorando.

Mas para a minha alegria, ela sufocou. Engasgou e tossiu sangue, assustada tentou levantar-se e caiu, escorregando no líquido viscoso e vermelho.

– Fred, Fred... – ela disse assustada, ainda tossindo, agarrando-se ao meu braço a voz estrangulada e cuspindo sangue.

– Estou aqui, estou aqui. Passou. – eu disse abraçando-a.

– E diante de vocês senhores... – Bellatrix disse como se fosse uma apresentadora de TV. – O futuro. Para aqueles que se redimirem, nós temos a cura. Vamos limpar esse mundo!

Clamores surgiram, e fervorosos os comensais discutiam, comemoravam, raros questionavam. Aquilo tudo me enojava eu estaria furioso com aquilo se eu não estivesse tão feliz.

Enquanto eu a tirava de lá, sentia um calor me tomar, um sorriso idiota querer escapar de meus lábios e um peso ser tirado de meus ombros. Naquele momento eu esqueci todos meus problemas. Ela estava ali. Céus eu era um homem de sorte.

Vi Narcisa falando com Bellatrix, que lançou-nos um rápido olhar complacente a concordou. Narcisa veio então até nós e passou a nos guiar pelos corredores. Eu não escutava sequer uma palavra do que ela dizia. Chegamos ao quarto de Draco. Tudo estava impecável ali, o quarto parecia mais iluminado. Entramos no banheiro, eu fiquei com ela em meus braços, enquanto Narcisa corria de um lado para o outro, enchendo a banheira, preparando toalhas e separando roupas.

– Fred! – A voz dela me alcançou. – Você está me entendendo?

– Hã? – respondi ainda meio zonzo.

– Em meia hora, Draco, Jorge, Luna e William estarão aqui. Temos que arrumar Hermione e deixá-la minimamente acordada. Dê banho nela e me espere no guarda-roupa de Draco.

– No guarda-roupa? – eu estranhei.

– Não há tempo para questionamentos! Aproveitemos a euforia dos comensais. Aqui fique com sua varinha. – ela me estendeu a madeira de 20cm, carvalho inflexível, pelo de unicórnio.

– Como...?

– Alguém infiltrado no ministério.

E foi então que voltou a minha mente, a cena do meu chefe passando a mão pelo meu casaco.

– James não é gay!– eu disse irritado. James era um comensal!

Narcisa lançou-me um olhar de estranheza, enquanto mexia nas toalhas.

– Meu chefe, Auror do ministério, bem ele ficou me apalpando então...

Ela franziu mais a sobrancelha.

– Ruivo estranho. Um momento como esse e você falando sobre seu chefe te apalpando. – ela disse.

– Não... Eu só... Ah deixa pra lá.

– Certo ruivo, você entendeu?

– Banho, roupas, armário. Sim.

– Certo.

Ela rumou para fora do banheiro. Eu me concentrei em Hermione, que estava quase dormindo. Levantei-a nos braços e coloquei-a na água que se tingiu em vermelho.

– Narcisa Malfoy. – eu chamei pela loira, que parou na porta e me olhou. – Não tenho como agradecer. Eu te devo minha própria vida.

– Apenas cuide do Draco... Hm... Como é o seu nome mesmo?

Bufei alto. E eu achando que “ruivo” era um apelido carinhoso. Sonserinos.

– Fred Weasley. – eu revirei os olhos.

– Vocês Weasley tem todos a mesma cara. Certo... Fred... Apenas cuida dela. Cuide do meu filho.

– Mas e você? Como pretende...?

– Eu sei me cuidar ruivo. Agora faça sua parte.

Sem mais delongas ou um momento carinhoso, Narcisa partiu, deixando-me sozinha com Hermione. Pálida e semimorta. Não sei se eu tinha ficado impressionado, ou se ela realmente estava meio murcha.

A água tinha lavado seu sangue, e para minha surpresa sua pele estava lisa e perfeita como a de um neném. A única marca era a cicatriz em seu ombro que tinha se expandido e agora começava a rasgar em seu peito.

Lavei seus cabelos, e limpei seu corpo. Tirei-a da água e coloquei uma roupa nela. Um vestido primaveril que ela tinha usado mais cedo. Eu tentei colocar um short nela, juro que tentei, mas ela estava muito morta, e eu na pressa não a tinha secado direito o que dificultava o trabalho. Entrei no guarda-roupa. Ansioso.

– Fred... Meu travesseiro... O relatório da Dolores...

– Shhh... Está tudo certo. Nox– eu acendi a varinha.

– O que é isso? – ela disse apontando para a varinha. Sua língua enrolada e a fala arrastada.

– Minha varinha. Fique quietinha. – eu sussurrei.

– Mas e o relatório...

Como ela não parava de falar e estava completamente perdida eu a beijei.

Em parte para calá-la. Em parte por saudades. Em parte por sentir-me aliviado. Em parte por estar feliz. Ela estava ali, por que não beijá-la.

E ela correspondeu. Era a minha Hermione, a minha garota. Eu sustentava quase todo seu peso com meus braços em sua cintura, ela bobamente bagunçava meus cabelos. Eu adorava aquilo. Eu mordia levemente seu lábio, ela ria baixo.

Mas então do nada a porta se escancarou e a silhueta de Narcisa apareceu.

– Francamente isso é hora? – vamos, temos 10 minutos.

Eu não pude argumentar direito, as palavras fugiram assim que saímos daquele armário. Não era o quarto de Draco. Era o quarto de Narcisa.

– Uma... Passagem – Hermione balbuciou ao meu lado.

– Não podia contar nada a vocês, tinha medo que Você-sabe-quem invadisse suas mentes e descobrisse.

– Mas Narcisa, e você...?

– Sem perguntas, vamos, eles estão no telhado.

Ela jogou-nos capas de comensais. Coloquei primeiro em Hermione, ela tentou protestar, mas estava muito fraca para isso.

– Narcisa, vão suspeitar, ela não consegue ficar em pé.

– Então... você deve ir – ela disse com a voz rouca.

Eu apenas ri. Certo, eu ia ir sem ela. E depois disso iria chover granizo no deserto e Voldemort sairia no mundo dos trouxas distribuindo balas.

– Ah, isso não será necessário. – Narcisa disse tirando do fundo das vestes um pote com algo que parecia pimenta em conserva. Mas era muito mais estranho e em tons terra. Ela destampou o vidrinho que não era maior que sua palma, aproximou-se de Hermione e enfiou aquilo em baixo do seu nariz. Eu que estava relativamente longe senti aquele cheiro horrível.

Hermione tossiu mais ainda e retraiu-se para trás, quase caindo.

– Pronto. Agora tome um gole.

– Isso cheira a vômito. – eu disse franzindo o nariz.

Hermione lacrimejava e tinha ânsias.

– Eu... Vou vomitar...

– Não no meu tapete persa, por favor. – Narcisa disse revirando os olhos – Vamos, tome um gole, te manterá acordada pelos próximos dois dias... Ou te deixará em coma...

– O que? – eu disse fazendo uma careta involuntária.

– Isso aqui são ervas, magia de cura. Ela acabou de passar por um ritual de magia negra. E um ritual forte, poderoso... Os efeitos podem ser um pouco imprevisíveis.

– Narcisa, tem certeza?

– É o único jeito de deixá-la acordada... Ela está momentaneamente imune a magias diretas, e o corpo dela precisa hibernar para recuperar aquele um quarto de sangue que ela perdeu naquela banheira. E agora o sangue dela vai ser novo, vai ser o sangue dele.

– Sangue dele... Quer dizer que ela é uma...

– Não, ela não é uma Horcrux.

– Como... Como você sabe de tudo isso Narcisa. – Hermione disse ofegante e meio desconfiada.

Quer dizer, ou ela estava desconfiada ou apenas estava apertando os olhos de dor.

Ela deu uma risada seca.

– Vista-se logo ruivo. – ela disse segurando Hermione. – e você tome logo isso!

Ela não queria falar sobre aquilo, quem sou eu para discutir. Eu coloquei minha capa e ajeitei meu capuz.

Hermione, porém não se deu por vencida, continuava perguntando como Narcisa sabia de tanto.

– Pare de ser metida. Ajudei-te por que meu filho pediu, não sou sua amiga ou coisa assim.

Hermione estreitou os olhos.

– Narcisa Black Malfoy... Você é bastarda?

Nem eu nem Narcisa estávamos acreditando que ela realmente tinha perguntado aquilo.

Imperio! – Narcisa disse visivelmente irritada. Eu tentei impedir, mas estava meio enrolado com a manga daquele negocio de comensal. – dê um gole da poção, e pare de fazer perguntas.

Hermione tomou aquilo, fez uma careta horrível e lacrimejou. Não fez perguntas. Na verdade ela ficava estalando a língua e tudo que fazia era praguejar baixo.

– Vamos, já perdemos muito tempo aqui. – ela disse séria.

Abriu a porta e saímos, Hermione agora estava em pé, e parecia mais acordada.

O trajeto foi tenso. Narcisa despistava os comensais. Quando chegamos ao telhado Ícaro nos viu e veio falar com Narcisa. Ele não podia deixar ninguém passar.

E para a minha surpresa Hermione tirou o capuz. Será que tinha LSD, ou cogumelos nesse maldito frasco de Narcisa? Ela estava louca? Ia colocar tudo a perder.

– Granger! – ele disse surpreso.

Imediatamente ele nos deu passagem, ajudou Hermione subir pelas as escadas e passou a nos acompanhar.

– Obrigado Ícaro. – ela disse sorrindo. Estava bem melhor, bem mais acordada, mas ainda me parecia meio murcha.

– Acabe com essa palhaçada. Derrube-o de uma vez por todas. – Ícaro disse.

– Kingsley vai saber que está do nosso lado, venha conosco.

– Não... Você sabe que eu não posso... Eu não tenho grandes intenções de sair dessa confusão vivo. – ele colocou a mão no ombro dela.

– Encoste nela novamente, e eu garanto que você não sai vivo sequer desta escadaria. – as palavras pularam da minha boca antes que eu pudesse me controlar.

Ele virou lentamente em minha direção. Céus ele era enorme! O triplo de mim, tanto em altura quanto em largura.

– Garotos, por favor. – Narcisa disse.

– Pare com isso. Eu e ele apenas compartilhamos situações semelhantes. Ele é de confiança.

– Ele matou...

– Sim, eu também matei. Muitos Fred, muitos!

Ela falou com a voz vacilante, e foi então que me pareceu que ela não estava falando dos comensais que já tinha matado. Ela realmente se considerava igual àquele comensal?

O que diabos ela tinha feito de tão grave assim?

– Agradeço o convite Hermione, mas você sabe...

– Sim... E vai continuar protegendo ela?

Ele deu uma risada triste.

– O que mais eu posso fazer? Não posso matá-la.

– Entendo. Então é provável que voltemos a nos encontrar, como rivais. Embora, eu não vá conseguir matá-lo.

“Eu mato ele para você...” pensei não gostando da intimidade deles.

– O mesmo de mim. – ele deu uma risada... Normal.

Chegamos no fim das escadas, apenas uma pequena portinhola com vitrais coloridos.

E então Hermione abraçou Ícaro.

– Realmente espero te encontrar quando tudo isso tiver acabado.

– Até lá estarei morto.

– Não fale assim.

– Você sabe que é verdade. Duvido que ela fique viva por muito mais tempo, então...

Hermione apertou-o mais. Suspirou triste e se separaram.

– Boa sorte.

– Acho que vai precisar de mais sorte que eu. – ele disse passando o indicador pela barriga dela. – o que eu puder fazer, eu farei.

Acho que eu tinha entendi, por cima, o que se passava. Hermione tinha contado à ele o que tinha feito de tão terrível, e provavelmente foi algo parecido com o que ele fez. Eles se identificavam e se apoiavam um no outro. Mas o que defendiam com a vida estava de lados opostos.

Hermione me defendia, e defendia o nosso filho.

Ícaro defendia alguma namorada comensal provavelmente.

Eles eram... Amigos... E ainda assim tinham em seu destino, um matar o outro.

– Narcisa, depois dê a minha moeda para o Ícaro. Caso ele precise falar conosco. – eu disse revirando os olhos.

Todos me olharam com estranheza.

Ícaro tinha largado toda sua vida de honras para virar um comensal por causa de uma garota.

“Eu largaria tudo caso Hermione fosse uma comensal?”

“Diabos, sim!”

– Vamos, antes que eu mude de ideia. – eu disse bufando.

Ícaro acenou positivamente e saiu dali.

Narcisa abraçou a mim e a Hermione, de um jeito que não parecia ser “por que ela faz tudo pelo filho dela”. Na verdade duvido que Draco tenha mandado-a nos abraçar.

– Muito obrigado eu disse pegando em sua mão.

– Não me agradeça.

– Já agradeci, devia ter dito isso antes. – eu sorri de lado.

– Ruivo engraçadinho. Cuide-se, e cuide da sua família. Ah, quase esqueço. – ela apontou a varinha para Hermione. – Finite.

– Obrigada. – ela disse se espreguiçando.

– Não vai mesmo vir conosco?

– E largar a casa nas mãos de Bellatrix Lestrange?! Ela vai destruir minha prataria! – ela disse ajeitando o vestido.

– Apareça lá em casa, para um chá. – Hermione convidou. – chamamos Draco e a sua nora para assistirmos um filme.

– Nora?! – Narcisa disse de olhos esbugalhados.

Hermione fez uma careta e me lançou um olhar de desespero.

– Hmm... Bem... – Hermione ajeitou a capa.

– Draquinho está namorando?!

Na verdade quase casando, mas não acho que devo acrescentar esta informação.

Ela se recompôs e espanou o vestido nervosamente.

– Certo, em dois minutos eles estarão aqui. Só me digam uma coisa, qual o nome dela?

– Luna. – eu respondi.

– Certo... Eu acho que vou aceitar esse chá. – ela disse um tanto quanto sombria. – boa sorte crianças. – ela disse dando as costas e desaparecendo pelo mesmo caminho que Ícaro tinha feito.

Fiquei sozinho com Hermione.

Saímos no telhado, o vento estava frio e forte. Nem parecia uma noite de primavera, a lua estava enorme, o que não é bom. Muito clara nos deixava vulneráveis.

– A lua. – eu sussurrei.

– Sim, nos deixa vulneráveis. – ela concordou. – Por que deu sua moeda para ele? – ela disse abraçando os joelhos olhando para o horizonte.

Eu estava observando a residência dos Malfoy. Era um jardim bonito.

– Ele parece ser... sei lá.

– Bom?

– Não. – eu disse. Ele não era bom, ele era cruel, um comensal. – perdido talvez.

– Ele fez algumas escolhas erradas e agora tem que arcar com as consequências.

– Escolha errada é quando você combina listras e bolinhas, matar gente Hermione, é muito mais sério.

– Você acha que ele devia ser preso?

– Sim. Preso, morto, as famílias que ele destruiu não se contentariam com esse papo de escolhas erradas.

– Preso, morto. – ela repetiu se encolhendo. – ele só amou demais.

– Isso não dá o direito de sacrificar dezenas de pessoas.

– Ele faz o melhor que ele pode para atenuar os prejuízos, ele tenta ajudar, ele não consegue dormir sequer uma noite sem que essas malditas escolhas venham assombrá-lo.

– Bom, isso não é o suficiente.

– Nunca é o suficiente. Sempre esperando que ele seja perfeito, que seja o cara ideal, o aluno perfeito. Ele nunca foi bom o suficiente, nem nunca vai ser.

Eu franzi a testa. Estava confuso, de quem diabos ela estava falando? Eu não conhecia ele para esperar alguma coisa dele.

– Hermione, você está exagerando, eu nunca esperei nada dele, nem conhecia ele. Voc~e ainda está falando dele?

Ela apenas abaixou a cabeça e escutei-a soluçando baixo.

– Deixa pra lá. Ele está sozinho, ninguém pode fazer nada por ele.

– Bom, a namorada comensal dele vai estar do lado dele pelo menos.

– Namorada comensal?

– Bom, ele largou tudo para virar comensal. Ou ele é um psicopata carniceiro, o que eu duvido já que você virou amiga dele, ou ele se apaixonou por uma comensal.

– Mais ou menos. – ela disse. – amor nos deixa estúpido e irracional.

Eu fiquei quieto.

– Sem nenhum comentário para julgar ele? Nenhuma pedra no assassino de dezenas de boas pessoas?

– Amor nos deixa idiota, e com os valores distorcidos. Eu não posso discordar disso. E eu não sou ninguém para julgar ou jogar pedras Hermione. Não precisa ser ríspida comigo, não estou condenando ninguém, até por que eu não sou nenhum santo para isso. – eu disse analisando uma movimentação estranha na parte de baixo da casa.

– Fred, você teve alguma coisa, com alguma mulher, desde que começamos a namorar? – ela disse.

Aqui me atingiu como uma faca. Olhei para ela e seus olhos estavam cravados em mim. Em sua testa o nome CAMERON brilhava intensamente.

– Te falaram alguma coisa? –eu disse piscando algumas vezes, tentando ganhar tempo.

– Não me falaram nada, apenas me diga a verdade. Não minta para mim.

– Não. – eu menti. – Eu...

Um barulho de coruja tirou minha atenção. Silenciosos e ágeis, Harry, Rony e Jorge chegavam em vassouras.

Acenei para eles.

Hermione baixou o olhar.

Eu precisava contar a verdade a ela.

– Conversamos quando chegarmos em casa. Eu tenho que te contar uma coisa. – Ela disse cabisbaixa.

– Sem segredos nem mentiras. – eu disse segurando seu pulso.

Ela assentiu.

Gostaria de relatar que fugimos, chegamos em casa, nos confessamos, nos perdoamos, transamos e então Harry apareceu com a solução para o caso do nosso filho-Horcrux e que derrotamos Voldemort e tudo deu certo no final. E tudo isso a tempo do nosso casamento em Agosto.

Como eu gostaria.

– Sem segredos e mentiras é Freddie?

Não... Por favor. Isso não pode estar acontecendo.

Merlin, por que você me odeia tanto?

Os garotos mal pousaram suas vassouras e a porta foi escancarada, dela passaram Bellatrix e mais cinco comensais. Alguns encapuzados outros não.

No segundo seguinte trocávamos feitiços, e uma batalha intensa começava no telhado dos Malfoy. Fui colocando Hermione atrás de mim, protegendo-a dos feitiços. Tentando chegar até as vassouras. E cada vez mais chegavam mais e mais comensais, do lado de baixo feitiços também chegavam até nós.

– Harry tire ela daqui! – eu disse jogando Hermione para Harry que com sua agilidade de Apanhador enganchou-a pela cintura e acomodou-a na sua vassoura. – ela é a prioridade!

– Fred! Não, Harry, não podemos abandoná-los! – ela disse gritando.

– Rony, escolte eles! – eu berrei.

Logo depois senti um feitiço atingir meu braço esquerdo.

– Fred! – Hermione gritou – Jorge! – ela gritou logo em seguida.

– Agora nós vamos conversar! Todos baixem suas varinhas, ou o ruivo aqui vai pagar caro. E dessa vez não ver ser com uma orelha. – Cameron disse.

Girei o tronco apavorado.

Um comensal segurava Jorge pelo colarinho e Cameron tinha sua varinha cravada no pescoço dele.

Ela começou com um blablabla de vilão vitorioso, e eu tentava com todos os meus pontos de QI achar um jeito escapar daquela situação.

– Hein Fred! – Cameron me chamou.

Eu estava calculando a altura de pular daquele telhado.

– Hã.

– Conte sobre hoje a tarde.

– Eu dormi, comi, escolhi minhas roupas, nada fora do comum. – eu disse mirando em Jorge. Sua vassoura estava ao meu alcance. Eu teria que derruba-lo do telhado e ir buscá-lo no chão.

Ele ia quebrar alguns ossos. Mas não passaria disso.

– Quero que conte para a favorita de todos o que houve hoje a tarde.

– Cameron. – eu disse estreitando os olhos. – Não.

– Avada...

– Tudo bem! – eu disse olhando para Hermione e implorando perdão para ela. – eu... Me deitei com ela hoje.

– E quando ela saiu para caçar Horcruxes? – ela disse sorrindo.

Eu hesitei.

– Sectumsempra! – ela disse e um corte profundo apareceu no pescoço de Jorge.

– Eu a beijei! – eu disse entrando em desespero.

Ela não me olhava mais, apenas tinha a mão cravada no braço do Harry, como se o chão tivesse sumido. Ela tinha arfado e se curvado para frente.

E naquele momento de prazer dos comensais, Jorge foi rápido. Empurrou o comensal do telhado e correu em nossa direção. Não demorou as vassouras estavam no ar, eu levantei uma nuvem de poeira com um aceno de varinha e joguei contra os comensais que foram pegous desprevenidos, corri em direção a Hermione.

– Vamos embora! – eu disse

– Não encoste em mim. Você mentiu, podia ter me dito a verdade, mas mentiu!

– Hermione. – eu disse montando na vassoura. – eu te amo, discutimos isso depois.

– Não tem o que discutir Fred Weasley!. – ela tirou a aliança do dedo e espalmou-a violentamente contra meu peito. – Acabou!

Aquele olhar de ódio e dor vão me perseguir pela eternidade.

Aquilo me abalou, e ecoou longe em meus ouvidos. Eu ia dizer alguma coisa, talvez um pedido de desculpas, talvez uma declaração, talvez uma risada histérica.

Não sei.

Nunca vou saber.

Pois no segundo seguinte um feitiço saiu do meio da nuvem de poeira, e certeira, atingiu a nuca de Hermione.

Seu olhar de mágoa mudou. O nada a preencheu novamente, e pela segunda vez na noite, ela caiu, como uma boneca de porcelana, desfalecida aos meus pés.

Arfei em desespero.

– Não. – sussurrei saindo do choque e juntando-a do chão.

***

Eu estava do lado de fora do quarto. Lá dentro Hermione repousava. Não tinha nada que os médicos podiam fazer. Ela tinha acordado para vomitar, mas desmaiou logo em seguida. Os médicos temam que todos esses feitiços e poções tenham induzido-a a um coma.

Eu tinha os olhos vermelhos e inchados, estava soluçando feito uma criança há horas.

E assim dois dias se passaram.

Era uma quarta-feira, em uma tarde linda e quente. Eu ainda estava ali, só tinha saído para tomar banho. Aparentemente eu estar coberto de sangue seco tinha assustado alguns pacientes. Comi alguma coisa que minha mãe enfiou na minha boca. Ela estava desesperada.

Eu estava sentado ao lado da cama dela, tinha o tronco escorado na maca dela e estava quase dormindo quando ela se remexeu, e abriu os braços para se espreguiçar.

Eu me levantei e silenciosamente agradeci a Merlin.

Ela esfregou os olhos daquele jeito fofo dela. Perdi o controle e praticamente pulei em cima dela.

– Hermione! Achei que tinha te perdido!

– Hei... – ela disse tentando se afastar.

– Eu te amo. – eu disse beijando-a.

Gostaria de dizer que ela retribuiu e que fomos para casa e tudo correu bem. Mas aparentemente Merlin me odiava.

Ela espalmou sua mão no meu rosto. Com gosto.

– Quem diabos é você?!

Acho que agradeci cedo demais.

Notas finais do capítulo
desculpa gente nem revisei x-x minha Beta tá de folga então a coisa tá braba....




(Cap. 14) On the edge

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
GENTEEEEEEEEEEM mudei o roteiro da fic por isso demorei pra atualizar. Tava muito novela mexicana, e eu estava sem coragem de fazer o que tinha planejado fazer...
enfim.
esse é o último capítulo drama, os próximos serão bem mais alegres,e depois disso bem mais raivosos..
Mas eu me empolguei de novo, aproveitem aí que fim de semana tem mais um capítulo pra vcs ♥

QUATORZE:


The scars will stay forever.


Senti o calor tocar meu rosto. Era aconchegante.

Respirei aquele ar Fresco e me espreguicei. Esfreguei o olho preguiçosamente, pronta para dar um bocejo,mas então alguém se atirou em cima de mim.

– Hermione! Achei que tinha te perdido! –olhei para o ser assustada. Era um ruivo.

– Hei... – eu disse tentando afastá-lo de mim.

Ele cedeu alguns milímetros e eu vi seu rosto. Era bonito. Muito bonito.

– Eu te amo. – ele disse.

Oi? Eu acordo e tem um ruivo lindo se declarando para mim? Que piada estranha e de mal gosto.

Mas então ele me beijou!

Aquilo passou dos limites, sequer pensei antes de reunir toda a força que eu tinha e espalmar minha mão na cara dele.

– Quem diabos é você?! – eu disse irritada.

– Hermione, eu sei que nós brigamos, mas você tem que acreditar em mim, aquilo não foi nada. Eu te amo.

Pisquei com dor de cabeça e olhei ao redor. Aquele não era meu quarto.

– Quem é você? Onde eu estou? Socorro! – eu gritei apavorada.

Onde estava minha mãe? Meu pai? Onde eu morava mesmo?

– Hermione, sou eu... Fred...Seu namorado. – ele disse se afastando.

– Eu lá tenho namorado?! Socorro! Um tarado! – eu berrei.

Ele tentou se aproximar de mim novamente. Levantei-me em um salto e desajeitada peguei um vaso de flores que estava na estante ao lado.

– Socorro! Saia de perto ou eu esmago você! – eu dizia cada vez que ele tentava chegar perto.

Mulheres entraram pela porta. Enfermeiras! Eu estava em um hospital.

– Enfermeira socorro! – eu chamei. – esse tarado ruivo tentou me estuprar!

– O que?! – o tarado se fez de inocente.

Atrás da enfermeira entraram uma mulher gorda e ruiva com dois garotos. Um moreno de óculos. Muito descabelado. E um ruivo com cara de quem tinha acabo de acordar.

– O que houve? – o ruivo perguntou.

– Ela não me reconhece. – o tarado disse.

– Mione, esse é o Fred, seu quase marido lembra? – o moreno disse.

A essa altura as enfermeiras já me conduziam novamente para a cama. Não deitei, apenas sentei pronta para fugir pela janela, se necessário.

– Marido?! – eu fiz uma careta – eu nunca casaria, acho isso uma estupidez. Ainda mais com um mauricinho que nem ele. Não tenho idade para casar.

– É, mas para ter filhos você tem idade. – o ruivo sonolento disse.

– Não tenho filhos nem pretendo. – eu disse ríspida. – onde estão meus pais?

– Hermione... Você não lembra que está grávida? – o ruivo sonolento voltou a falar.

Eu apenas dei uma risada. O moreno e a mulher baixinha repreenderam o ruivo sonolento.

– Certo... Não sei se você sabe, mas para engravidar primeiro é preciso fazer sexo.

– Amor, você está de três meses. – o tarado disse tentando pegar na minha mão.

Meu sorriso irônico diminuiu. Eu olhei para baixo.

Por favor, que aquilo fosse gordura.

– O que você fez comigo?! Seu nojento! Polícia! – eu gritei a plenos pulmões – Você me estuprou! – quando dei por mim eu estava em prantos, acuada em um canto. Voltei a pegar o vaso de flores, e fui me esgueirando pela parede rumo à porta. O tarado de voz mansa tentava me convencer de que eu era casada com ele.

Estava quase na porta, quando uma mulher com um chapéu estranho entrou no quarto com dois adolescentes.

– Minerva! – o ruivo tarado disse em um suspiro – ela não se lembra de mim.

A mulher do chapéu começou a falar algo, mas então eu reparei no jovem ao seu lado que me encarava.

– Nick! – eu chamei.

Ele estudava comigo, algo do tipo.

Todos fizeram silêncio. Eu passei por aquela barreira de gente e corri para o loiro.

– Nick socorro – eu disse ainda chorando – eles me engravidaram, aquele tarado me atacou. Nicolas onde estão meus pais, onde eu estou?

– Calma. – ele me abraçou e eu me senti segura. Conhecia ele. Nem tudo estava tão errado. – está tudo bem.

– Ela se lembra desse pivete, mas não se lembra de mim?! – o ruivo disse irritado marchando na direção em que eu e Nick estávamos.

Chorei mais alto e praticamente entrei na blusa do loiro de tão assustada que eu estava.

– Calma Fred. – o loiro disse me protegendo com o braço. – Você está assustando ela. Ela está confusa, foi demais para ela.

– Eu estou assustando ela? – ele disse inconformado.

Eu não vi, mas escutei o soco/chute que ele deu na porta. Aquilo só me assustou mais, estremeci e me escondi mais ainda no loiro.

– Nicolas melhor que você fique com ela, vamos ver o que está acontecendo – uma mulher disse.

– Certo. – Nick disse.

Todos saíram. Eu fiquei no quarto com o loiro.

– Nick me tira daqui. – eu choraminguei.

– Calma. Confia em mim? – ele disse passando a mão no meu rosto.

Respirei fundo.

– Sim. – eu disse sentada ao seu lado.

– Eu não sei o que houve, mas parece que você esqueceu-se deles. São todos seus amigos ok?

– Mas eu não conheço eles.

– Você não lembra, mas você gosta muito de todos eles.

– Mas eu não gosto mais. – eu disse novamente afundando na camiseta dele.

– Tudo bem. Não precisa gostar agora. Mas me promete que vai dar uma chance a eles.

Eu fiquei em silêncio, estávamos sentados na cama, ele de pernas cruzadas e eu com as pernas em cima dele. Ele tinha os brços ao meu redor e aquilo me tranquilizava. Eu confiava nele. No momento ele era a púnica coisa clara para mim.

– Por mim? – ele insistiu.

– Tudo bem. – eu murmurei. – mas não me deixe. E por agora eu não quero saber deles.

– Tudo bem, vamos no seu tempo.

Eu ainda estava assustada e quanto mais eu tentava me lembrar de coisas da minha vida, pior ficava. Vinham-me cenas de filmes e musicas na cabeça. Alguns flashes com Nick, alguns raros com meus pais. Basicamente me lembrava deles no meu quarto comigo falando sobre eu comprar um gato. Mais nada.

Aquilo era angustiante.

– Fala comigo. – Nick disse encostando-se à cama, deitando-se.

Eu me ajeitei nele, abracei-o forte com medo que ele também se fosse e que eu não me lembrasse dele.

– Só me lembro de filmes. Mais nada Nick, tudo sumiu.

– Fale-me sobre os filmes então. Sem pressão.

Começamos a falar sobre filmes, mas de cinco em cinco minutos eu tinha crises de ansiedade ou de choro.

Como eu pude ser tão burra de engravidar?

Como eu pude ser tão burra de casar?

O que eu tinha visto naquele ser anencéfalo para namorar ele?

Se eu me esqueci dele, é por que eu não o amava?

Se eu me lembro de Nick é por que eu o amo?

Como eu vim parar em um hospital?

Será que o tarado ruivo me espancava além de me estuprar?

O que eu fiz com a minha vida?

***


–Calma Fred! – minha mãe berrou comigo – seja adulto pelo amor de Deus!

A porta se abriu e o médico entrou.

Todos na sala praticamente voaram nele. Eu mesmo quase o levantei pelo colarinho.

– Calma senhores, calma. – ele disse gesticulando – bom, o quadro dela é complicado. Receio que todos esses estímulos tenham lesionado sua mente na parte da memória.

– E por que ela se lembra dele? – eu disse gesticulando para o quarto ao lado.

– São fatores aleatórios. Você devia ficar feliz dela se lembrar de alguma coisa. Pior quando eles voltam sem nada, zerados, como recém-nascidos.

Engoli em seco.

– Ela vai voltar ao normal.

– Pode ser que sim, pode ser que não. Vamos passar alguns medicamentos, mas não podemos afirmar nada. Vocês vão precisar de paciência e terão que ser muito tolerantes. Se preferirem pode deixá-la conosco em observação.

– Não, não... Ela vai para casa... – eu disse esfregando as têmporas.

– Não seria melhor deixarmos ela na casa dos pais? – Panti pronunciou-se pela primeira vez.

Bufei irritado

– Os pais dela não sabem quem ela é. – Rony disse.

– Como assim?

– Ela apagou a memória dos pais, para deixá-los em segurança. São trouxas. – Minha mãe esclareceu.

– Está na hora de trazermos os pais dela de volta. – Harry disse.

Ninguém disse nada, mas o consentimento foi geral.

Mais essa agora. Justo agora.

***

– Dormir na escola? – eu perguntei confusa.

– Sim, você não se lembra de Hogwarts? – a moça de chapéu disse.

– Não.

– Bom, acho que seria bom Mione. – Nick disse ainda com um braço ao meu redor. Não que ele quisesse me abraçar, mas cada vez que ele tentava se afastar eu simplesmente entrava em pânico. – Eu também durmo lá, é como se fosse um internato, qualquer coisa é só me procurar no dormitório masculino. E você pode dormir com a minha irmã. – ele gesticulou para uma loira mal encarada perto da porta. – tudo bem para você Fred? – ele perguntou ao ruivo tarado.

– Hey, esse ruivo não é meu dono! Se eu quiser eu vou, não preciso da permissão desse tarado!

– Certo, certo. – Nick corrigiu-se. – desculpe.

– Minerva, preciso dar uma palavrinha com você. – O ruivo disse irritado saindo do quarto.

Fiquei ali com Nick e os dois garotos estranhos. O descabelado e o outro garoto sardento.

– E eu conheço vocês? – eu disse me sentando na cama.

Nick sentou-se ao meu lado.

– Sim. Sou Harry, seu melhor amigo. – o descabelado disse.

Olhei para Nicolas, duvidosa. Ele ergueu as sobrancelhas e concordou com um aceno discreto.

– Rony – o ruivo disse agora mais acordado – seu melhor amigo e cunhado.

Certo. Rony e Harry. Meus melhores amigos, Rony irmão do doido tarado.

– Os dois são meus melhores amigos?

– Sim. – Harry concordou – tem um mais recente, Draco...

– Mas ele nem conta como gente então, ignore ele. Quando o vir, chute sua canela...

– Rony! – o moreno o repreendeu.

– E de qual de vocês três eu gosto mais? – eu perguntei organizando meus pensamentos, querendo a todo custo lembrar-me deles.

– De mim, óbvio. – o ruivo disse.

– Aham. Coitado iludido, é isso que você é. – Harry disse ajeitando os óculos redondos.

Aquilo me tirou um sorriso. Uma risada contida.

Certo, eles podiam ser meus amigos.

– E eu tenho muitos amigos? – perguntei.

– Sim. Muitos. – Nicolas disse sem hesitar.

– Teria mais se não fosse tão rata de biblioteca. – Rony sentou-se no pé da cama.

– Sou muito estudiosa?

– Sim. – os três responderam em uníssono.

– Mas estudiosa rabugenta e chata?

– Sim. – os três concordaram novamente.

– Era pior, tinha uma época que você só falava comigo e com Harry – o ruivo disse.

– Mas melhorou quando você começou a sair com Fred. – Harry disse concordando.

Nicolas bufou. Acho que rolava uma tensão entre o loiro e o ruivo.

– Quando eu conheci aquele maníaco? – perguntei fazendo careta. Não gostava dele.

– Bom, você conhece ele desde seus 11 anos, mas começaram a namorar ano passado... Eu acho... – Rony disse espremendo os olhos, como se tentasse dividir 210 por 13.

...

O que vai dar a propósito 16,15.

Ó céus, eu era daquelas nerds.

– E ele também é estudioso.

Rony e Nicolas deram uma gargalhada. Harry apenas revirou os olhos.

– Ele é muito inteligente, mas... – Harry começou.

– É dono de uma loja de Logros. – Nicolas revirou os olhos.

– Ele é mais do tipo... Engraçado. Sabe, popular. – Rony esclareceu atirando-se na cama ao meu rado. – cara, dormir nessas cadeiras de hospital é horrível.

– E como eu acabei com um cara popular? – eu pensei em voz alta.

– Ah, longa história. – Harry diss.

– Bota longa nisso. – Rony concordou. – Pra lá de 70 capítulos.

– Tantas coisas sobre mim que eu não sei. – eu disse frustrada, me sentindo fraca. – e essa... Coisa. – eu disse apontando pra minha barriga.

– Não fale assim. – Harry disse sério – você ama muito seu filho.

– Ainda não acredito que você tá grávida. – Nicolas disse parecendo meio desolado.

– Você não sabia? – eu perguntei.

– Você e Fred acharam melhor esconder do pessoal do colégio, até para evitar que os comensais soubessem. – Harry disse.

– Mas no fim eles já sabiam, e capturaram vocês.

Eu dei uma risada.

– O que? Comensais? – eu espremi os olhos – capturados? Do que vocês estão falando?

– Bem... – Rony começou.

– Bem nada. Outro dia falamos sobre isso. – Nicolas cortou-o. – por hoje chegam de emoções.

– Mione, qual seu nome? – Rony perguntou.

– Hermione Jane Granger – eu revirei os olhos.

– Sua idade? – o ruivo voltou a falar.

– 16.

Os três trocaram um olhar preocupado.

– Eu não tenho 16 anos?

– Quase – Nick disse fazendo carinho na minha bochecha.

– 19. – Rony cravou-me.

– 19?! – eu disse exasperada. Céus eu era velha!

– Hermione vai passar a noite lá em casa hoje. – o outro ruivo estuprador entrou no quarto quase quebrando a porta.

– Calma Fred! – a mulher baixinha e gorda disse.

Acho que eu gostava dela.

– Ah, mas não vou mesmo! – eu disse rindo ironicamente. – eu vou para a escola com o Nicolas. – me agarrei mais ainda no garoto loiro.

O ruivo deu um passo para frente. Eu dei um passo para trás. Nicolas se colocou na minha frente protetoramente, segurando minha mão.

– Sim, você vai para essa droga de escola! – o ruivo deu um sorriso assustadoramente psicopata. – mas hoje não! Minerva explique para ela. Por favor. – o ruivo pressionou os olhos.

– Querida, nós estamos transferindo o colégio pelos próximos três dias, não estamos em condições de receber ninguém. E eu queria te dizer para não se preocupar com nada, você que ajudou a reerguer o nosso colégio, e como você nunca deixou que eu lhe pagasse por isso agora eu quero retribuir tudo que fez pela nossa escola. E por mim.

– Hã... Agradecida. – eu disse me sentindo estranha. Eu parecia ser muito responsável.

– Então você ficaria somente esta noite com Fred, e amanhã você iria lá para casa. – a baixinha gorda disse. – o médico disse que é bom você ficar num lugar conhecido.

– Não quero ficar sozinha com ele. – eu disse meio chorosa.

– Eu posso dormir lá. – Nicolas disse. – se não tiver problema para Fred.

– Claro! – Fred disse sarcástico – fiquem com o quarto de casal, por favor!

– Fred. – a mulher... Molly... Repreendeu o garoto.

– Vamos de carro. – Fred disse de olhos baixos. – Nick, vá buscar suas coisas.

Ele definitivamente não tinha gostado daquela história. Como eu sei? Bom, quando ele saiu da sala, deu outro murro tão grande na porta que a deixou marcada. Nicolas se soltou de mim. Foi difícil ficar longe dele. Mas ele saiu para ir buscar suas coisas.

– E vocês dois? – eu disse ignorando o ruivo tarado.

– Estamos lá em casa. Na Toca. – Rony respondeu.

– Vocês são realmente meus melhores amigos? – eu perguntei duvidosa.

– Desde o primeiro ano. – Harry confirmou – amanhã nós vamos te visitar, vamos contar por tudo que passamos.

– Foi muito?

– Dá para contar em 7. – o ruivo riu-se.

– Capítulos?

– Livros. – ele disse ainda rindo.

Harry veio até mim e me abraçou, logo em seguida o ruivo fez o mesmo.

Aquilo me soava muito familiar.

– Conte conosco. – Harry disse. – você é a nossa garota.

Eu ri e agradeci. Acho que podia gostar deles.

– Vamos? – o loiro apareceu na porta com uma mochila nas costas.

Aquilo foi realmente rápido. A escola devia ser aqui por perto.

– Sim. – eu disse sorrindo para aqueles olhos azuis.

– Vamos pela saída de trouxas. – Nicolas disse assim que eu engatei meu braço no seu.

Eu dei de ombros e um sorriso. Claro.

Entramos em um carro preto bonito, não sei de quem era. O ruivo estava dirigindo, Nicolas estava ao seu lado e eu estava sentada atrás do loiro.

A viagem foi realmente bonita. Era na área rural, periférica de Londres. Passamos por um vilarejo muito simpático onde Fred comprou ovos e leite. Enquanto estava fora eu fiquei no carro com Nicolas.

– Eu gosto dele? – eu perguntei observando o ruivo na fila da pequena e rústica mercearia.

– Parecia gostar. Muito. – ele disse de olhos baixos.

– E você gostava de mim? – eu tentei buscar seu olhar que fugia de mim como o diabo foge da cruz.

– Gosto ainda. Muito. – ele disse olhando pela janela.

– Você podia ter mentido agora. Podia dizer que eu na verdade gostava de você. – eu cutuquei sua bochecha com o indicador.

– Não seria justo. Eu sou seu amigo sabe. Você realmente parecia gostar desse ruivo, e eu não seria capaz de me aproveitar de um momento de fraqueza seu.

– Mesmo eu estando grávida, sem memória, sendo Nerd, você gosta de mim? – eu disse perguntando-me como diabos aquilo era possível.

– Primeiro amor. – ele deu de ombros. – e eu não me importo com essas coisas. Cara, você sempre foi tão legal comigo, no começo eu lembro que eu queria apenas, você sabe, ficar com você... Mas então começamos a treinar nos sábados, você começou a me ajudar no colégio. Sei lá...

– Sei. Obrigada.

Ele riu.

– Agora chega dessas melosidades, por favor.

– Concordo! – eu disse rindo.

Começamos a conversar sobre bandas. Ele gostava de algumas bandas que eu também gostava, discutimos sobre baixistas e depois começamos a falar sobre marcas de guitarra.

– Eu nem sabia que sabia sobre marcas de guitarra! – eu disse rindo.

– Não olhe para mim, também descobri isso agora.

– Você sempre quis tocar – o ruivo entrou no carro e eu me ajeitei no banco de trás, o mais longe possível dele. – mas reclama que não tem coordenação motora suficiente.

– E você nunca me incentivou?

– Você é cabeça dura. E não temos muito tempo para isso. Trabalhamos muito.

– Ah, nosso relacionamento parecia ser bem legal mesmo. – eu revirei os olhos.

Ele abriu a boca, mas voltou a fechá-la.

– Você sempre foi muito esforçada Mione. – Nicolas foi em defesa do ruivo. – na verdade, você que colocou ele no caminho pelo o que eu soube.

– Devia ser pior antes então. – eu disse suspirando.

O ruivo deu a partida com ódio, eu podia ver uma aura negra ao seu redor.

Chegamos em uma casa simples mas bonita. Dois andares, madeira as janelas e porta eram de um bordo. Marrom-terra. Muito de bom gosto devo admitir.

Entramos. Era muito bonita a casa. Várias estantes cheias de livros e mais livros, um piano preto muito bonito, paredes azuis e uma lareira. Gostei muito daquela casa.

– Essa é a sua casa. – Fred disse carregando as compras corredor à dentro – venha ver a cozinha. Nicolas, vá mostrando tudo a ela, por favor.

– Sim. – o loiro concordou.

Ele me mostrou os detalhes da sala, da sala de jantar, meus livros prediletos. Mostrou-me o quarto que ele costumava dormir quando vinha aqui em casa. Tudo estava indo bem. Eu realmente gostava daquela casa. Mas parecia ser a casa de um estranho ou sei lá.

Tinha alguns porta-retratos modernos em que as fotos se mexiam. Minhas, do ruivo, minhas e de Harry e Rony. Meus pais. Uma foto minha com Nicky e a outra loira que eu não sei o nome. Eu com uma grande turma de pessoas em frente a um castelo. A mulher de chapéu estranho estava na foto. Uma excursão talvez.

Aquela vida era invejável. Mas não era a minha vida.

Tive vontade de chorar. Eu acho que era feliz, mas então por que eu me sinto tão miserável? Odiável? Insegura?

Mas então a única coisa que me acalmava chegou até mim.

– Vamos ver a cozinha. – Nicolas disse com seu sorriso de criança. Descontraído, despreocupado, pegou-me pela mão e foi me levando pelo corredor, mostrando-me as fotos, os detalhes.

A cozinha era linda, me lembrava algo.

– Fizemos a cozinha parecida com a cozinha da Mônica. – o ruivo disse.

– Friends! – eu disse sorrindo – acho que eu lembro.

– Bom. – O ruivo disse sério. – fiz uma omelete. – ele andou até a mesa da cozinha e colocou a frigideira com a omelete na mesa. Tinha pães, manteiga... Enfim, comida.

Nicolas e o ruivo se sentaram, hesitei.

– Vem, se não eu vou comer tudo. – Nicolas disse dando um tapinha na cadeira.

Sorri-lhe.

Sentei e comemos. Nicolas conversava comigo, o ruivo tarado não fez questão de sequer abrir a boca. No primeiro momento tudo bem. Mas depois de duas horas sendo ignorada, eu estava ficando irritada.

– Hey, tem certeza que nós éramos quase casados? – eu disse irritada quando Nicolas tinha ido tomar banho.

– Sim. – ele disse seco.

– Você simplesmente não fala comigo, bom, eu estranhei. Nicolas que pelo que eu pude ver nem era tão meu amigo está sendo mais útil que você.

– Bom então case com ele. – o ruivo disse amargo.

– Eu estava pensando nisso.

– Você é tão... Argh! – ele virou a cara.

– Tão o que? – eu disse arqueando a sobrancelha.

– Egoísta!

– Ah, eu sou egoísta?! Bom, eu admito que não estou sendo agradável com você, mas experimente você um belo dia acordar grávida de um cara que você nunca viu na vida, e esse doido estar no seu quarto e simplesmente te agarrar! – eu respirei fundo, tive vontade de chorar. - ...E não saber quem você é. Você não sabe como é isso!

– Certo, mas custa tentar me entender? E não me tratar como um maníaco odiável! Você me amava, nos éramos felizes, e eu te amava muito. Porra, ainda amo! E então de uma hora pra outra é Nick pra cá, Nick pra lá...

– Não tenho certeza se é como você diz. Sabe, eu não vou com a sua cara. Nem um pouco. Mesmo tentando entender seu lado, eu só sinto que... – minha vez de virar a cara.

– O que?

– Que se eu pudesse te espancaria. Sinto-me triste perto de você, magoada.

Ele trincou os dentes e olhou para a lareira. Era como se ele fosse um velho inimigo, eu o odiava, tinha rancor dele, mesmo sem conhecê-lo. Quer dizer, ele deve ter feito algo errado, certo?

Ele puxou um graveto do bolso do casaco.

Estranho.

Accio Album. – ele disse apontando a vareta para o além.

E então, sei lá de onde um álbum preto veio até ele. Arregalei os olhos assustada.

– Incendio. – ele disse apontando para a lareira que se acendeu.

– Woa! – eu me levantei. – como fez isso?

– Isso o que? – Fred me olhou sem entender.

CREC.

Um estampido alto se fez e então, na minha frente, Nicolas apareceu.

– Woa, o que está acontecendo aqui?! – eu disse assustada dando alguns passos para trás, tropeçando no banco do piano.

O loiro arregalou os olhos.

– Oh, deus, ela também esqueceu. Hermione, calma, respira e venha aqui, vamos conversar. – Nicolas deu um passo em minha direção.

Eu estava paralisada, aterrorizada. Minha respiração estava forte.

O ruivo então se levantou.

– Fred eu cuido disso. – o loiro disse irritado.

– Esta é a minha casa moleque, ela é minha noiva! – o ruivo disse sério apertando a vareta.

– Era sua noiva. – o loiro disse irritado.

Com um sacudir de graveto, o loiro foi arremessado contra uma estante. Não fiquei para olhar, saí correndo porta a fora gritando por socorro. Estava escurecendo e o frio começava a se fazer sentir. Minha respiração estava falha, senti algo queimar no meu ombro e subir pelo meu pescoço.


“Venha minha criança...”


Um sibilar se aproximou, senti algo se enroscar em mim. As folhas secas quebravam de baixo dos meus pés, e com outro estampido alto o ruivo assassino estuprador apareceu na minha frente.

– Hermione! – ele disse do nada.

Assustei-me e tropecei em uma pedra baixa, em um segundo apavorada tentando fugir. No segundo seguinte apavorada e entrando com a cabeça na água fria. Literalmente.


“- Não tem o que discutir Fred Weasley! – eu tirei aquela maldita aliança do dedo. Ele tinha me enganado me magoado da pior maneira possível. Ele tinha mentido! Sentia-me machucada e usada. E justo com ela, a pessoa que eu mais odeio na face da terra. O que tinha acontecido com ele? Com nós? Aquilo não podia continuar. Senti aquele velho vazio vir me assolar, e uma magoa gigantesca rasgar minha garganta até instalar-se em meu peito. Com raiva bati aquela aliança contra seu peito. – Acabou!”

Notas finais do capítulo
chicos calientes, Penny vai viajar e meu boy magia vai atualizar a fic pra mim ok? deixei alguns capítulos prontos com ele, sejam legais com ele pls u__u
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Leo: É, sejam legais comigo se não fico sem postar.. Mentira, a penelope já é malvada suficiente nesse quesito com vocês, fim de semana que vem eu posto pra vocês sem falta xD
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*malfeitofeito*




(Cap. 15) Reunião de Rapazes

Notas do capítulo
Não vou fazer a saudação da Penny por que é muito comprida.
*Lumus*
Bem mais fácil. Então galerinha macanuda, o Cap saiu com uma horinha de atraso, mas saiu. Mal gente tava jogando perdi a Hora x___________x
Enfim, e culpem também a Frappuccina Da Emma, fiquei lendo Ignorance is your new Best Friend e me perdi. MERLIN QUE FIC BOA, SUPER RECOMENDO. Pra quem curte Dramione he he he
De qualquer modo qualquer dúvida sobre a fic vocês podem falar com a Pen aqui: http://ask.fm/PandaMKS
Aproveitem

QUINZE:


Ela não lembrava sequer que era uma bruxa! Diga-me senhor, o que diabos eu fiz para merecer isso hein?

Seja homem, desça aqui e me quebre o nariz, me arranque um braço, mas pare de me torturar me fazendo assistir enquanto minha noiva se derrete por esse loiro aguado. As vezes eu acho que você é uma mulher sabe, daquelas bem rancorosas e vingativas, que não perdoam um errinho do sexo masculino!

[N/A: Calúnia, não sou assim!]

– Isso é impossível. – ela dizia tremendo com uma toalha na frente do peito.

Ela tinha caído na nossa fonte. E adivinhem: a fonte realmente estava cheia de sanguessugas.

Ela caiu na fonte e apagou, ficou ali boiando, e o tempo que eu demorei a tirá-la de lá algumas coisinhas asquerosas tinham se grudado nela. Eu e Nick a trouxemos para dentro. Quando acordou tentou fugir de novo, até que Nick finalmente conseguiu acalmá-la.

E agora, aqui está ela, sem blusa, apenas coberta com uma toalha enquanto eu tiro as sanguessugas de suas costas e Nick segura as suas mão enquanto tenta convencê-la de que realmente é uma bruxa.

Na minha opinião aquela mão ali é BEM desnecessária.

– Pronto. – eu disse removendo a última sanguessuga.

Nicolas jogou um cobertor ao redor dela.

– Obrigada Nick. – ela disse simplesmente me ignorando.

Eu sei que ela estava mal das ideias, tinha passado por muita coisa, mas eu simplesmente não conseguia ficar calmo e ser paciente. Não aceitava que ela simplesmente tivesse acordado e me esquecido e agora estivesse ai, babando por um pirralho de 12 anos.


“14”

“Tanto faz! Ela tem idade para ser mãe dele!”

“Ah sim, ela engravidou com quatro anos!”

“Você é minha consciência, devia estar do meu lado não?!”

“HAHAHAHAHA ah querido, até parece. Estou aqui para dizer a verdade.”

“Nesse caso, por favor, vá pro inferno e não me incomode.”

“Me obrigue.”

“Filha da...”


– Obrigada também... Fred. – Hermione disse interrompendo minha discussão ligeiramente esquizofrênica.

Aquilo me desconcertou um pouco. Eu tinha sido horrível, o pior noivo que se pode imaginar, mas eu simplesmente perco o controle perto dela. Quer dizer, não tem justificativa, mas eu senti que a estava perdendo e perdi o controle.

Eu me senti tão mal por ser tratado friamente por ela. Me machucou tanto, quando estava naquela maldita biblioteca eu só queria que ela sentisse na pele o que eu estava sentindo. Sentir que estava me perdendo e que não podia fazer nada.


“Mas que grande babaca. Sua lógica é horrível! Faça um favor para todos e não pense mais, deixe que Hermione tome as decisões daqui pra frente”

“Fácil julgar, você está de fora”

“Dane-se! Você continua ridiculamente errado.”

“Ora vá se fud...”


– Como vamos fazer com as camas hoje? – Nicolas indagou coçando o nariz.

– Eu durmo com você. – Hermione grudou no braço do loiro.


“Conte até três... Não mate esse loiro pirralho”

“Perdeu a garota pra um pirralho de 12 anooos!” minha consciência veio me azucrinar.

“14!”


– Olha Hermione, eu realmente ia adorar, mas... – o loiro disse desviando o olhar. – Eu acho que você devia dormir com o Fred.

– Quê? – eu e Hermione indagamos.

Filho da puta! Rouba minha namorada e ainda vem bancar o legal! Como eu detesto esse loiro babaca.

– Sem maldade – ele disse me encarando como se lesse meus pensamentos – durma com ela hoje, a cama dela, o quarto dela, quem sabe ela se lembra de algo.

– Mas... – Hermione começou a indagar.

– Colocarei um colchão para você do lado da cama, Nick. Ela tem pesadelos, pode precisar de você de noite. – eu disse abaixando o rosto.

Sem deixar que eles questionassem, dei as costas e fui arrumar o quarto. Não suportava aquilo, queria minha Hermione de volta, pela primeira vez em muito tempo me senti... Sozinho.

***

– Você vai dormir assim?! – eu senti meu rosto ficar roxo.

Entrei no quarto. Tinha tomado um longo banho quente pelo menos a dor de cabeça tinha diminuído, vinha toda inocente secando meu cabelo pelo corredor e quando entro no quarto eis que está um ruivo semi-nu na cama de casal.

– Sempre durmo assim... – ele deu um minúsculo sorrisinho – você nunca reclamou.

– Mentira... – eu disse espremendo os olhos – eu sempre reclamo.

Não sabia como eu sabia. Mas eu sabia.

O ruivo deu uma risada curta.

– Me pegou. – ele ergueu os braços.

Nicolas estava esfregando os olhos de sono, estava de pijama e sorria para mim, estava deitado em um colchão do lado da cama, ao meu lado. Larguei a toalha sobre a escrivaninha e fui me deitar ao lado do ruivo, mas me virei de frente para o loiro.

Eles apagaram a luz, não sei como. Mágica?

Eu não acredito que sou uma bruxa. Quer dizer, isso tudo realmente existe! É impossível, mas existe. Ou então eu devo ter batido a cabeça com mais força do que pensei.

Eu realmente era comprometida com o ruivo. E ele tinha me magoado. Eu não sabia como, nem por que, mas eu tinha até terminado com ele. E pelo que eu tinha lembrado ele tinha feito algo ruim, realmente ruim e eu estava muito decepcionada com ele. Mas por outro lado, eu estava com raiva, e a intensidade da lembrança fez com que eu balançasse. O que eu sentia pelo ruivo era muito forte. Já tinha sido muito forte. A princípio pensei em jogar na cara dele e acabar com aquela farsa, mas então pensei melhor. Coitado. Perdeu a mulher e o filho. Eu nunca mais vou ficar com ele novamente, vou me afastar dele aos poucos. Quem sabe possamos ser amigos.

Eu não sei, sinto como se quisesse esquecer que terminei com ele. Machuca-me de um jeito que eu não entendo... Mas também não quero voltar com ele ou algo do gênero.

Vou entregar esse filho para ela criar, não quero nada com esse bebê. Eu não sei como eu costumava ser, mas eu sei que eu definitivamente não quero um filho.

Estava deitada de bruços, observava o loiro deitado logo abaixo de mim. Estiquei minha mão e enlacei nossos dedos. Gostava do Nick. Era estranho, mas eu gostava muito dele.

Com minha cabeça dando um nó, aos poucos o banho foi surtindo efeito e eu em poucos minutos adormeci.

Mãos dadas ao loiro. O mais longe possível do ruivo.

***


O ar voltava a se movimentar daquele jeito estranho, ofídico, frio, viscoso, enrolava-se pelo meu corpo, e aquela textura familiar de arame se agravou, era real estava ali, se enrolando pelo meu corpo, queimando meu sangue, matando quem eu era. Palavras em latim, sussurradas chegavam até mim, e a ardência crescia, até que ele estava sussurrando no meu ouvido:


Eu vou te achar. Vamos nos encontrar e você vai ser minha.

Não fuja.

Não se esconda.

Você é minha.

Seu filho é meu.

Minha Hermione...


– ... Hermione! – um grito sussurrado chegou até mim acompanhado de um chacoalhar de ombros. – foi só um pesadelo.

Abri os olhos confusa, perdida, assustada.

– Nicolas?

– Fred. – o ruivo disse rouco, sequer se irritou por eu ter chamado pelo loiro. – você estava tendo um pesadelo.

– Sim. Desculpe te acordar. – eu pisquei algumas vezes, tentando evitar o escuro do quarto.

– Tudo bem. – ele sorriu no escuro. – já estou acostumado.

O escuro começou a me irritar, um medo insano se apoderava de mim, e quando dei por mim eu estava quase me enterrando nas cobertas.

– Você tem medo de escuro. – o ruivo deitou-se de frente para mim. – Finjo que não sei, pois você é muito orgulhosa, mas já vi você sair correndo depois de apagar a luz várias vezes. Pula na cama e se esconde.

– Que patético. – eu disse revirando os olhos. Eu era tão ridícula?

– Não é patético. – ele disse irritado, como se eu estivesse falando mal de algum amigo dele – você foi torturada por um bruxo terrível, o pior já conhecido! Ele forçava visões em você, você quase ficou louca. Eu diria que medo de escuro é uma sequela razoável.

– Por que eu fui torturada? – eu disse ainda escondida entre as cobertas.

– Te contarei tudo com calma um dia. – ele disse se aproximando de mim.

– Hey...

– Calma, isso costumava acalmar você. – ele disse sonolento.

Sem falar muito mais se aproximou e levantou minha cabeça, fazendo com que eu usasse seu ombro de travesseiro.

Aquilo foi terrivelmente familiar, e sem que ele fizesse mais nada eu me encaixei nele. Braços encolhidos e pernas enroladas enquanto ele passava o dedo pelo meu braço. Aquilo me parecia certo. Pela primeira vez algo fazia sentido, era completamente natural, completamente confortável.

– Boa Noite Analista.

Não entendi a piada. Acho que eu devia responder algo, mas no momento eu estava muito concentrada em sentir como se estivesse me desintoxicando, me senti protegida.

– É, ia ser bom demais se você se lembrasse disso também, mas uma coisa de cada vez. – ele disse ainda rouco.

– Lembrar-me do que? – indaguei.

– Tínhamos uma brincadeira. Eu te chamava de analista, e você me chamava de físico. Nós não temos isso no mundo bruxo, e quando indaguei o que significava, você me disse que eram pessoas que trocavam serviços sexuais por dinheiro.

– E era assim que nos chamávamos?

– Era uma piada interna nossa. – ele deu de ombros.

Achei aquilo fofo. Obviamente não disse nada. Não queria dar muita trela para o ruivo, eu já estava em uma posição deveras vulnerável. E estuprável.

– Então boa noite Analista. – eu disse me aconchegando mais nele, e mentalmente me odiando por me derreter tão fácil perto dele.

– Não. – ele sorriu. – eu sou o Físico.

– Ok ok. – eu revirei os olhos. Muito complicado aquilo tudo. – Boa noite Físico.

– Boa noite Analista. – ele disse e eu pude sentir que ele estava sorrindo.

Um impulso lá dentro gritou por um beijo no alto da cabeça. Reprimi-o. Não queria contato com o ruivo. Não queria nada com ele.


“Eu sei que você quer um beijo dele.”

“Não enche.”


***

– Por que só semana que vem?!

– Por que não podemos simplesmente arrastar seus pais de volta da Austrália.

– O que eles estão fazendo lá mesmo? - eu disse irritada.

– Hermione, quando você saiu comigo e com Rony para caçar Horcruxes – Harry explicava pacientemente – Você não queria que seus pais ficassem vulneráveis então você alterou as memórias deles, tirou você e todo mundo bruxo da mente deles...

O que diabos era uma Horcrux? Nevermind, depois eu pergunto pra alguém.

– E mandei-os para a Austrália para ficarem em segurança... – eu disse sentindo uma coçeirinha no fundo da minha mente. Acho que me lembrava vagamente daquilo.

– Certo. – Minerva disse abrindo a porta de sua sala. – Harry, leve a senhorita Granger para o dormitório e peça para que Gina ajude-a com suas malas. Qualquer coisa que precisar senhorita, este é meu escritório, não hesite em vir me procurar.

– Obrigada diretora.

Hoje de manha eu acordei e estava embolada com o ruivo na cama, quase tive um surto e foi mais um escândalo. Tomamos café e logo depois viemos para Hog... Hogwad... Enfim, essa que costumava ser minha escola.

Cara, eu estudava em um castelo!

Quando eu passo, as pessoas me reverenciam como se eu fosse uma figura importante, algumas vem falar comigo, outras ajeitam os uniformes e outras me lançam olhares odiosos.

Fred teve que ir sei lá onde, Nicolas foi conversar com a irmã – e depois de muito esforço eu consegui desgrudar de seu braço – e me deixou aqui com Minerva, que chamou Harry para me ajudar a me adaptar. Re-adaptar.

Era tudo muito surreal para mim. Minha memória continuava horrível, mas durante a noite eu me lembrei de todos os filmes que já vi na vida – pelo menos eu acho.

– Hein?! – o moreno me cutucou.

– O que?

– Você nem se lembra do salão da grifinória?

– Não... Não me lembro de nada. Já disse Harry! – aquilo me irritava. De cinco em cinco minutos: lembra disso? E disso? Nem disso? Como você lembra do Nick mas não lembra disso?

NÃO SEI!

Eu só quero meus pais. Nada mais.

– Hermione! – Harry disse irritado novamente.

– Hã?

– Dá pra você prestar atenção no que eu digo? – ele bufou. Abriu um sorrisinho e deu um peteleco na minha testa. – A senha é Trasgo.

– Senha do quê? – eu indaguei.

Estávamos agora no final de uma escada em frente a inúmeros quadros que se mexiam. Uma tela de televisão provavelmente... Criativo.

– Para a entrada do nosso salão comunal. Você não pode dizer para ninguém que não seja da Grifinória ok?

– Como vou saber quem é da Grifinólia, quem não é?

– As pessoas da GrifinóRia – ele enfatizou bem o R – usam uniformes como esse. – ele abriu os braços. Todos os uniformes são iguais, mas a nossa cor é vermelha.

– Certo. Eu sou uma vermelha... Mas eu não posso mudar?

– O que... Claro que não! O chapéu seletor te escolheu. Você é uma Grifinória orgulhosa... Mudar... Que absurdo, não repita mais isso. – ele realmente ficou aborrecido com meu comentário.

– Hermione, bem vinda de volta querida, ah eu estava com saudades, você abandonou a reforma, os elfos ficaram perdidos sem você.

Eu olhei para o quadro em minha frente.

– Como... O que... – eu gaguejei.

– Ah, esqueci de falar. Os quadros são quase como pessoas vivas...

– Quase?! – a gorducha reclamou.

– Os quadros... São... O que...?

– Magia. – Harry esclareceu.

– Isso tudo não tem a menor lógica. – reclamei.

– Magia. – ele reforçou.

– ... E como você se sentira se eu disse, este é Harry Potter ele é quase gente! – A mulher dentro do quadro continuava tagarelando, brava com o comentário do moreno.

– Desculpe, não foi minha intenção... – Harry tentava se desculpar. – É que... – ele olhou para mim – Ora... Trasgo!

– Mas que falta de educação... – ela se interrompeu e olhou para mim – por que você está explicando uma coisa dessas para a Hermione?

– P-por que... Trasgo! Vamos logo, estamos atrasados.


Por onde andávamos cabeças se viravam em nossa direção. Até que encontrei finalmente o rosto que estivera procurando o dia inteiro.

– Mione! – seus olhos azuis sorriram.

– Nick! – abracei-o sentindo aquela segurança me acolher.

– Como foi seu dia? – ele disse sorrindo.

– Confuso. São muitas coisas para assimilar. Mas Harry me ajudou.

– Ela ainda sabe muito. A maioria dos feitiços está salvo nela, como se ela tivesse feito um beck up ou algo assim.

– É mecânico, não sei como consegui fazer tudo isso. – dei de ombros. – eu só sei o que tenho que fazer...

– Nem com a memória de um peixinho dourado você deixa de ser uma sabe-tudo hein? – Nicolas tocou a ponta do meu nariz.

Apertei mais a sua cintura e sorri.

– Não tenho memória de peixinho dourado!

– Meu peixinho dourado... – Nicolas disse beijando minha testa.

Eu e Harry rimos. Embora o sorriso de Harry fosse um pouco mais amarelo e sem graça.

***

– Meu peixinho dourado. – o loiro disse beijando a testa dela.

– É. É isso aí. Jorge, Lino, foi um prazer, me visitem em Azkaban, eu vou matar esse moleque! – dei um passo em direção a eles. Harry me viu de lance de olho e estava mais verde que sei lá o que.

Jorge segurou meu braço. Lino segurou o outro.

– Tudo bem peixinho dourado foi horrível. – meu gêmeo concordou.

– Mas esse tempo longe de nós te deixou afetado não é mesmo, Freboboca? – Lino sorriu afrouxando o aperto em meu braço e escorregando-o sua mão pelo meu ombro dando-me tapinhas no braço.

– Sim, ele está indo longe demais. Ela é a sua Mina mano... Não podemos deixar isso do jeito que está... – Jorge compartilhou o sorriso de Lino.

– Está mais do que na hora... – Lino continuou.

– ...De uma reunião de rapazes. – concluí.


***

Meu sorriso diminuiu assim que eu vi aqueles dois gêmeos e o professor de esportes – que nem de longe parecia professor – vindo em nossa direção.

Apertei a barra da camisa do loiro.

– Calma. – ele disse segurando minha mão me tranquilizando.

Os três então sincronizadamente olharam para mim. De um jeito... Familiar...

– “Em caso de sorriso Weasley, mascaras de oxigênio cairão automaticamente, reze para dar tempo de fugir pelas saídas de emergência, localizadas nas partes dianteiras e traseiras desta aeronave. Seu acento é flutuante.” – falei baixinho tirando aquilo de algum lugar da memória.

– O que? – Harry e Nick me olharam confusos.

– Não sei. – eu dei risada. Por algum motivo aquilo era muito divertido para mim. O trio calafrio já tinha ido embora, mas eu ainda ria dos seus sorrisos. – Eles vão aprontar Harry!

– Diga algo que eu não saiba. – Harry riu dando de ombros.

– É a fama deles. – Nick deu de ombros.

– Sério?

Os dois fizeram que sim, com vontade até demais.

Dei de ombros, tudo que eu tinha que fazer era me manter longe de encrenca, com Nick ao meu lado. Tudo acabaria bem...

Não é mesmo?

“Sonhe querida, sonhe...”

***

Juramos solenemente que não vamos fazer nada bom. – as vozes em uníssono ecoaram para a parede.

Não, não era a sala precisa, era apenas uma sala esquecida perto das masmorras onde Jorge, eu e Lino costumávamos aperfeiçoar os brinquedos da loja.

A porta se revelou entre as teias de aranha e se abriu soltando aquele velho sussurro assustador. Era uma sala sentimental, que eu e Jorge descobrimos por acaso no quarto ano.

Era dessas casas que muitos filmes trouxas falam. São chamadas de mal-assombradas erroneamente. Dengosa era a sala mais... Dengosa de todas.

– Desculpe Dengosa. – eu acariciei as paredes enquanto entrava. – Muito aconteceu, fiquei feliz por você não ter sido destruída.

– Sentimos sua falta. – Lino disse abrindo as janelas.

– Desculpe por termos te abandonado. – Jorge disse sacudindo os mantos empoeirados das poltronas.

Um outro suspiro orgulhoso ecoou das paredes.

– Vamos, não seja assim Dengosa... –Lino disse colocando as mãos na cintura.

– Para recompensar nossa falha... – Jorge começou.

– ... Que tal uma pintura nova? – Eu disse sorrindo. – Aquele roxo que você sempre quis hein?

A sala começou a se estralar inteira, animada com um uma pintura nova.

– Eu disse que era uma sala fêmea. – Lino revirou os olhos.

– Sala fêmea? Isso lá existe?! – Jorge bufou.

A sala rangeu como se pigarreasse.

– Por que uma sala com sentimentos é mesmo muito comum. Para ela ser fêmea está a uma camisa de força... – ri abraçando a parede.

– Certo. Vamos ao que interessa! Dengosa, se quiser opinar sinta-se livre, esse caso precisa de toda ajuda que conseguirmos... – Lino sentou-se na ponta da mesa retangular de mogno.

Eu me sentei em meu lugar habitual enquanto Jorge pigarreava.

– Lino... Esse é o meu lugar. – Jorge cruzou os braços.

Lino resmungou e se levantou emburrado.

– Nunca me deixa sentar na ponta... Ditador... – ele xingou enquanto se sentava a direita de Jorge.

– Certo, esta reunião está oficialmente iniciada, o que for falado nesta sala, permanece aqui. – Jorge fez sua abertura costumeira.

– O que aqui for concordado sacramentado está. – Lino completou.

– Amém? – eu olhei com estranheza aquela cena. Há meses não nos reuníamos aqui...

– Precisamos arrumar uma fala para você Fred. – Jorge estreitou os olhos.

– Urgente. – Lino concordou.

A sala rangeu novamente, nos chamando atenção.

– Sim, a Dengosa tem razão. Isso é coisa para uma próxima reunião. – Jorge se aprumou.

– Obrigado Dengosa. – concordei.

– A questão em pauta é: Como lidar com a falta de memória da Noiva do Fred? – Jorge trocou um olhar com Lino.

– E como lidar com o Loiro oportunista... – eu disse me lembrando do loiro beijando a testa da minha garota.

– Antes que suas dores de cabeça se tornem frequente... – Lino deu uma risadinha massageando a própria testa.

A ideia do loiro encostando aquela boca nojenta na boca da minha namorada me fez ficar ligeiramente febril. Um instinto assassino se revelou e eu me peguei imaginando umas trinta maneiras diferentes de matar o pirralho. Quando dei por mim estava segurando Lino pelo colarinho, os nós dos dedos brancos e o maxilar trincado.

– Não faça piada com isso Lino. – eu rosnei entre dentes.

– Woa, calma... – Jorge colocou a mão no meu ombro – Lino, cala a boca...

Sentei-me novamente, sentindo uma tristeza substituir a raiva.

– Mas tecnicamente ela não é mais minha noiva. Ela terminou comigo logo antes de ser atingida pelo feitiço. – eu disse sentindo meu peito se contorcer em desespero.

– Ela sabe disso? – Lino perguntou.

– Não...

– Então ótimo – Jorge disse cruzando os dedos. – A questão é Fred, você e a Hermione começaram do zero...

– E não começaram lá muito bem... – Lino completou.

Lancei-lhe um olhar de: É MESMO? NÃO ME DIGA! GÊNIO! ALGUÉM DÊ UM NOBEL PARA ESSE RAPAZ!

– Você vai ter que começar do Zero. Da nossa aposta lembra? – Jorge sorriu.

– Você tem que reconquistar ela. – Lino sorriu.

– Mas... Ela me odeia, ela não me conhece, me acha um tarado irresponsável.

– Como se ela não achasse isso antes de vocês começassem a namorar. – Lino revirou os olhos.

Eu queria dar um soco no Lino, mas percebi que ele estava certo.

– Mas como eu vou fazer isso? Tem o Nick... E ela está grávida... E acha que eu a estuprei...

– Detalhes, detalhes... – Lino disse como se tudo não passasse de um cadarço desamarrado.

– Dessa vez você vai ter o melhor par de cupidos da Europa! – Jorge se empolgou.

– Do mundo! – Lino e Jorge ficaram de pé e se abraçaram.

– To Fudi...

TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM

O sinal tocou. Eu e Jorge tínhamos vindo ajudar nesse primeiro mês em Hogwarts, éramos os monitores gerais de todas as casas. Mas infelizmente tínhamos que assistir algumas aulas para ficar de olho na galera.

– Poções? – Olhei pesaroso para Jorge.

– Poções.

– Ah, eu vou tomar um cafezinho na sala dos professores. – Lino se espreguiçou sorridente.

Eu apenas estreitei o olhar para Jorge.

Ele contou em silêncio: 1, 2, 3!

Eu e ele pulamos em Lino enquanto o torturávamos com cotonete molhado, esfregando-lhe couro cabeludo e apertando suas bochechas.

Dengosa tinha certo ataque de riso fazendo com que as janelas batessem e um barulho agudo rangesse nas paredes.

Notas finais do capítulo
L:Pronto, aproveitem que agr só no fim de semana x_x e nada de sair me entregando pra Pen que eu postei capítulo mais cedo do que devia D:
Aguardem o próximo capítulo com os ventiladores ligados senhoritas, terá um pouco de fremione he he he
de novo: qualquer coisa é só perguntar: http://ask.fm/PandaMKS
*nox*




(Cap. 16) Paranoid ~~

Notas do capítulo
*Lumus*
Leo aqui suas lindas.
Cara, eu demorei pra postar por que depois do review de certas leitoras, eu fiquei inutilizado no hospital sabe...
POXA EU SÓ ESCREVO AS PUTARIAS, A PARTE DO MIMIMI É COM A PEN! (Entendeu Danny?)
enfim.
Cara, não nos matem muito antes do próximo capítulo, em dois capítulos as asinhas do Nick serão cortadas e nesse capítulo tem um pouquinho de fremione pra vocês.
e no próximo eu e a Pen CAPRICHAMOS no fremione, vocês vão curtir.
(MAS PRA ISSO TEM QUE NOS DEIXAR VIVOS ATÉ LÁ!)
OK OK APROVEITEM XD

DEZESSEIS:

[N/A: Queria agradecer algumas leitoras que tem sido muito especiais para mim e que SEMPRE conseguem me inspirar com seus reviews gigantesco e engraçados, mas que eu, na correria nem sempre consigo agradecer própriamente e dar a atenção que elas merecem:
Emma Charlotte Duerre Watson,
Frappuccina Da Emma (que me manda mensagens privadas que SEMPRE me dão um puxão de orelha e me motivam a postar), jak mione potter (Nem preciso falar né, comentário gigantes que eu AMO ler), Jess (que sempre capricha nos xingamentos ISHDIAUH) DannyCullen (Que coitada me matou nos últimos capítulos e tem mandado reviews de Azkaban pelo tablet dos dementadores HDSAIU E agora foi solta e tem permissão do ministério para me torturar -MEDO)
Kathy Tets (Que sempre capricha nos ‘KKK’s) ninashalown (que me mandou um dos comentários que me fez lacrimejar lendo) e Todos os outros leitores que eu negligencio D: mas que eu amo muito ok? Mesmo que possa parecer que eu nem ligo pros reviews de vocês, a verdade é que quando a coisa aperta, é pra cá que eu fujo sz E saibam que eu já decorei cada review de vocês, desde os simples: “AMEI”, ou “Continua logo esta porra!” até as mais intermináveis ameaças de morte e os enormes e hilários reviews da
acciofrog e da Roli Cruz. ISAHAIUSHDAIU]

Leo: CHEGA, DEIXA ELAS LEREM O CAPÍTULO SAÍ DAÍ! *arremessa ela pra longe do teclado* Aproveitem xD

.

.

Can someone stop the noise? I don't know what it is But I just don't fit

Consider me destroyed I don't know how to act Cause I lost my head I must be paranoid

.

Eu estava sentada com Harry e Rony, o professor tinha passado tarefas em grupos. Nunca tinha ido a uma aula de poções, mas eu estava muito empolgada.

– Nós vamos usar um caldeirão? – eu perguntei anciosa.

– Sim... – Harry sussurrou para não chamar a atenção do professor.

– Que legal. – eu disse empolgada esfregando as mãos. – e nós vamos colocar asas de morcego, e patas de aranha?

– Depende de poção, mas não é exatamente como nos filmes de Bruxa Mi. – Harry deu um leve tapinha na minha cabeça.

– Oh... Tudo bem. – eu me silenciei.

Harry suspirou aliviado voltando a prestar atenção na aula.

Não me contive e seis segundos depois já estava indagando novamente.

– Podemos transformar pessoas em ratos? Vai sair fumaças estranhas do caldeirão? Podemos envenenar maças que nem na Branca de Neve? Existe poção do amor?

– Sim para todos. – Harry revirou os olhos.

O professor então pigarreou alto, e quando estava prestes a nos dar uma bronca daquelas a porta da sala se escancarou ruidosamente. E por ela passaram dois ruivos com a cara mais lavada do mundo.

Não admitirei isso em voz alta jamais, mas eu realmente tenho vontade de rir quando olho para esse dois patetas.

– Professor, desculpe o atraso... – O estuprador disse meio ofegante.

– Tivemos que ajudar... – O outro disse criando alguma desculpa.

– Um terceiranista...

– Sim, sim, o pobre coitado caiu escada abaixo...

– Quase morreu.

O professor apenas olhava descrente os dois.

– Eles são muito cara de pau... - Rony disse revirando os olhos.

Eu e Harry concordamos com um aceno de cabeça empolgado.

– Entrem logo! – o barrigudo revirou os olhos. – e Como eu estava dizendo... – o professor continuou a matéria.

Contive minha curiosidade e prestei atenção no que o professor falava.

Ok, ok mentira minha.

Não consegui desgrudar os olhos do ruivo. Assim que nosso olhar se cruzou enquanto ele ainda estava se desculpando com o professor, ele me dirigiu uma piscadela.

Merlin amado. Quase morri.

Acho que eram trigêmeos, e aquele era o gêmeo sedutor.

Ele estava diferente do normal. Tinha o cabelo desgrenhado, a gravata frouxa de modo a mostrar a saboneteira, e o suéter erguido nos cotovelos. E quando me olhou...

Nossa.

Olhou-me de canto de olho, e ergueu o lábio de modo a dar um sorriso simples e discreto. E eu fui sugada para dentro de uma lembrança... Uma lembrança vergonhosa.

–Sexo oral em mim? Tem certeza? – o ruivo disse quase rindo.

– E-eu queria tentar... Mas só se você... Ah deixa pra lá. – eu disse mortificada de vergonha puxando o cobertor no canto do sofá e me escondendo.

Estávamos com roupas íntimas, nos pegando na sala, aproveitando o domingo de folga.

O ruivo riu. Alto.

– Para Fred! – eu disse com o rosto absurdamente quente.

– Saí daí, vem cá vem. – ele disse me abraçando por cima das cobertas.

– Não. – eu disse com vontade de morrer.

– Por favor...

Eu abri uma fresta do cobertor para vê-lo. Ele estava sorrindo mordendo o lábio. Terrivelmente sexy.

– AFE AMOR PARA DE SER LINDO! – Eu me irritei, ainda com vergonha escorregando o cobertor de modo a parecer uma freira.

Ele apenas riu e veio beijar meu pescoço. Daquele jeito... Ah!

A situação esquentou novamente e o cobertor escorregou pelas minhas costas enquanto Fred me colocava sentado em seu colo novamente passeando com a mão pela minha cintura escorregando-a pela minha bunda e agarrando a minha coxa.

Sem parar de beijá-lo fiquei de pé e comecei a tirar sua Box verde escuro. Mais ofegante do que nunca. Passei a beijar seu pescoço, depois seu peito, e desci meus beijos até... Lá.

Céus eu estava desajeitada, aquilo era muito estranho, mas eu estava tão excitada que parecia que estava embriagada. E desde que Fred me contou que uma vez Angelina fez isso nele no intervalo de uma partida de Quadribol, fiquei enciumada. Um orgulho besta de ser melhor do que as ex dele.

Estava ali há algum tempo, me condenando por não assistir pornôs.

Ergui o olhar para ver a expressão de Fred, esperando ver uma cara de: “O que diabos você está fazendo?”

Mas quando vi ele estava olhando para mim ofegante com a boca meio aberta, o que foi estranho. Mas ele tinha me dito que homens normalmente tem a fixação em ficar olhando enquanto... Fazem isso neles.

– Está bom assim? – eu parei um pouco e perguntei.

Quando parei, a cara dele foi simplesmente de desespero.

– Uhum... –ele engoliu em seco.

Voltei a colocar a boca, dessa vez olhando para ele, ele passou a mão nos meus cabelos, mexendo na minha orelha e começando a fechar os olhos e morder o lábio, eventualmente soltando gemidos. Não me aguentei e quando dei por mim estava me tocando.

E então com uma urgência que eu nunca tinha visto e com certa relutância ele me tirou dali, me fazendo deitar no tapete da sala, sem muita delicadeza partiu pra cima de mim, me beijando quase agressivamente fazendo movimentos fortes.

Foi aí que inauguramos o tapete.

–Hermione...? – Harry me chamou.

Com muito custo tirei os olhos do andar descontraído do ruivo e encarei o moreno.

O moreno e o ruivo me encaravam com a sobrancelha erguida.

– Q-Que foi? – balbuciei com medo de que eles vissem o que se passava na minha cabeça, sentindo muita vergonha.

– Tem uma babinha ali no canto... – Rony disse dando um sorrisinho.

– E eu estou te ouvindo ronronar daqui. – Harry também sorriu.

– Eu só achei ele bonito, como acho vocês bonitos. – tentei me explicar e acabei me entregando.

– Own, você está coradinha! – os dois disseram juntos.

Minha têmpora saltou.

– Malditos... – eu murmurei.

Apenas abaixei a cara, de modo que o cabelo ficasse na frente do rosto. Que maldição, o estuprador não podia me ver corada de modo nenhum!

Mas estava difícil disfarçar, ainda mais com Harry e Rony praticamente dançando ao meu redor fazendo biquinhos e imitações terríveis da minha voz: “Oh Fred, você é tão lindo!” “Oh Fred, me beije, diga que me ama”.

Eu me encolhi de tal modo na cadeira que quase desapareci. Harry e Rony realmente estavam curtindo me ver daquele jeito. Eu estava rezando para aquela aula acabar logo.

Nome: Amigos.

Função: Encher seu saco.

A aula – Graças a nossa senhora da paçoca – acabou. Mas Harry e Rony continuavam pulando ao meu redor, me incentivando a ir falar com o ruivo. Céus eu só corei!

Nicolas estava me esperando do lado de fora, encostado na parede. Lindo como nunca, seus olhos terrivelmente azuis pairando pelo corredor, distraído. Quando me viu sorriu. Fui até ele e segurei sua mão, aliviada. Sentia-me muito confortável ao seu lado, ele era como um banho morno depois de um dia cansativo.

Fred passou ao meu lado, mas eu estava com Nick, sequer reparei nele.

Ok, ok! Estou mentindo também!

Quando Harry e Rony chegaram começaram a conversar com Nick do meu lado passaram os gêmeos. E o pior: ele nem olhou para mim.

Acenou para umas garotas no fim do corredor e foi até elas. Colocou o braço ao redor dos ombros de uma ruiva e o grupo saiu corredor a fora. Ele sequer olhou para mim. Um ódio tomou conta de mim. Nós tínhamos uma vida juntos, e agora ele simplesmente me ignora!

“Você não se lembra dessa vida... E nesse exato momento você está segurando a mão do Loirinho maravilha...”

“Mas ele lembra! Eu fui assim tão pouco para ele desistir na minha primeira amnésia?”

“Comemore, o estuprador nem lembra que você existe.” Minha consciência disse sádica.

“Pois é o que eu vou fazer!”

“Era o que você queria, certo?” ela quase ria.

“E-Era... Era isso mesmo.”

“Então por que você está triste queridinha?”

“POR TER QUE TE AGUENTAR!”

“Hey, não desconte em mim...” ela agora ria.

– Hein Hermione? – Nicolas falou comigo.

– Hã?

– Eu vou almoçar com uma amiga minha da Sonserina hoje, tudo bem?

– Sim, claro. – eu sorri.

Mas aquilo apenas me deixou pior. Nicolas também estava cansando de mim. A doida maníaca. Reparei que ele tinha soltado minha mão. Senti-me mais triste do que nunca, novamente queria meus pais.

Mas Nicolas percebeu. Ele então me abraçou e me levantou do chão, sorri.

– O que está fazendo?

– Te girando. – ele com seu sorriso infantil.

– Você andou malhando? Pelo que me lembro você era menor e mais magrela.

– Te carregar pra lá e pra cá conta? – ele me colocou no chão. – vamos almoçar.

Harry e Rony estavam conspirando na nossa frente, começaram a andar rumo ao refeitório. A tristeza se dissolveu aos poucos.

– Hermione mais tarde eu quero conversar com você pode ser? – Nicolas disse assim que chegamos ao salão principal.

– Sim senhor.

Ele me abraçou.

– Eu sou seu amigo. Estarei sempre aqui.

– Eu sei. Eu te amo. – aquelas palavras não estavam planejadas, mas soaram naturais.

– Também te amo Pequena. – ele sorriu e me abraçou, me tirando do chão novamente, mas não foi de um jeito romântico, foi estranhamente bom. – agora vai comer!

– Certo pai. – brinquei.

– Hey. Eu falo isso. – ele ergueu a sobrancelha. – Não se meta em confusão. Nos encontramos no Lago mais tarde?

– Fechado. Depois da aula.

Ele chutou minha bunda para que eu fosse para a mesa da grifinória. Ri e mostrei o dedo para ele. Ele fez um coração no ar.

– Gay! – eu disse mostrando a língua.

Ele jogou seus cabelos longos invisíveis para trás e foi para a mesa da Sonserina rebolando.

Rindo sentei-me entre Harry e Rony que pararam de cochichar quando eu me sentei. Fingi que não vi, animada peguei uma bebida que estava me parecendo muito boa. Tentando afastar as imagens minhas e de Fred que teimavam em voltar.

Senti então algo estranho. Como uma pressão na minha cabeça, um formigar estranho. Dei de ombros e voltei minha atenção para o copo.

Assim que levei meu copo até a boca senti uma mão no meu ombro.

– E aí galera? – a voz dele chegou até mim.

Dei de ombros e acabei meu suco.

OK! É MENTIRA...

Comecei a tossir loucamente e me engasguei esbarrando em um copo de água na minha frente molhando meu suéter.

– Droga! – eu me amaldiçoei.

– Desculpa. – Fred agarrou o copo antes que ele caísse em mim e colocou-o em minha frente. – venha deixe que eu cuido disso.

Harry levantou-se e ele sentou no lugar de Harry, praticamente montando no banco. Agarrou a ponta do meu suéter e puxou-o para si, fiquei sentada de frente para ele para que meu sutiã não aparecesse, e ele puxou de um jeito que eu tive que me aproximar. Detestei a posição.

“Detestou naaaada...”

“Só... Cala a boca.”

Ele continuou puxando minha blusa para si, apontou a varinha e disse.

Ventus. – ele disse e um jato de ar fresco passou pelo meu tecido gerando-me um calafrio.

Ele poderia ter se aproveitado, mas nem ligou. Ficou conversando com Luna e com Gina sobre um novo brinquedo ou sei lá o que.

Eu não me mexia. E encarava fixamente uma farpa na mesa. Mas a cena de mais cedo continuava voltando para mim, eu estava cada vez mais corada.

Ele então parou com o vento e me olhou.

– Está bom assim? – ele deu um meio sorriso.

Entrei em pânico, perguntando se ele lembrava que eu tinha dito exatamente isso quando nós... Quando eu fiz... Não. Não tinha como ele lembrar, ou desconfiar que eu estava pensando nisso.

– U-Uhum. Obrigada. – eu engoli em seco.

Ele soltou uma risadinha e encostou a boca na minha orelha.

– Daquela vez eu não disse ‘Obrigada’. – ele sussurrou e se afastou.

Eu fiquei mortificada. Quis morrer.

– D-Do que você... O que... E-eu não...

– Legilimens. – Fred sorriu. – feliz ideia de usá-lo antes de vir falar com você.

Todos na mesa ficaram boiando.

– Vamos Lino, tenho que resolver umas coisas. – Fred levantou-se e saiu dali despedindo-se sorridente e seguindo com o moreno que eu nem sabia que estava ali.

Eu?

Bom eu literalmente derreti no banco de tanta vergonha. Queria que um meteoro acertasse a minha cabeça agora!

– Mione, você tá legal?! – Harry segurava minha cabeça que parecia no momento pesada demais para meu pescoço.

– Harry... o que é Legiment?

– Legilimens? – ele corrigiu.

– É. Que seja...

– Cara, ela tá branca – ouvi alguém comentar ao longe.

– É um feitiço para ler a mente de outras pes...

– EXISTE ALGO ASSIM?! – Eu me recompus.

Certo, e é por aqui que a narração acaba minha gente. Vou ali fazer minhas malinhas, descolorir o cabelo, comprar um sombreiro, uns chocalhos e viver o resto da minha vida como Mariachi no México. Talvez eu mude meu nome para Juanita.

– S-sim, mas é reestrito... Meio que ilegal usar...

Por isso senti minha cabeça formigar! Maldito ruivo filho da mãe! Quando eu chegar no méxico, primeira coisa que eu vou fazer é amizade com os chefões do tráfico, e então vou mandar darem uma coça nesse ruivo Neandertal!

– Tem como impedir isso? – eu disse revoltada começando a me perguntar como uma Mariachi se torna amiga dos chefões da cocaína.

– Sim, mas...

– Harry Potter eu achei que você fosse meu amigo, como você não me avisa uma coisa dessas?! – quem sabe eu mandasse meus capangas darem uma coça em Harry também.

– Desculpa, mas o que aconteceu? Por que isso agora?

Eu não podia contar. Ninguém podia sonhar com aquilo. Céus que vergonha, eu queria a cabeça daquele ruivo mongol numa bandeja de prata agora mais do que nunca. Numa bandeja de prata um num jarro de vidro, estilo o filme do Zorro.

Eu sorri de modo meio amarelo tentando disfarçar e não deixar transparecer para Harry que eu tinha planos de me tornar uma Mariachi Traficante Mexicana. Eu estava ficando louca, sim. Acalme-se Hermione. Seja racional.

ARGH! Tudo parece simplesmente errado! Eu estou perdendo minha cabeça! Eu estou louca!

– Ah... Eu, só me preocupei, veio um flash aqui... – em parte era verdade.

– Ah certo. Fique tranquila. – Harry me abraçou.

– Harry, depois me leva até a biblioteca? Quero ficar um pouco com os livros. – E onde eu diabos eu consigo um sombreiro?

Sim a paz e o silêncio dos livros, longe de pensamentos, longe de emoções do mundo real, longe de problemas, longe dos traficantes mexicanos. Apenas ser preenchida pelo conteúdo das páginas.

– Eu levo ela. – um garoto loiro disse sorrindo interrompendo meus devaneios literários

– Pode ser? – Harry olhou para mim, eu assenti. – pode ser Draco. – Harry disse.

Comemos e conversamos um pouco. Todos comentavam sobre como era bom ter aulas em Hogwarts novamente e marcaram para mais tarde um jogo de tabuleiro numa tal de sala Precisa. Quando disse que iria me encontrar com Nicolas eles me olharam desconfiados e disseram que eu podia levar o loiro se quisesse. Agradeci e tratei de mudar de assunto.

Nicolas. Eu tinha que ver como levaria-o comigo para o México. Ele poderia se chamar Juan, e usaria um bigode preto e um poncho colorido.

Sorri imaginando a cena. Mas minha vergonha ainda não tinha passado, eu ainda estava ligeiramente febril. Depois de algum tempo o tal loiro levantou-se, beijou uma garota que desenhava distraída em um guardanapo com o garfo e veio em minha direção.

– Vamos? – ele murmurou.

Assenti e me levantei, acompanhando-o salão a fora.

– Draco Malfoy. – ele disse esticando a mão assim que deixamos o barulho de alunos esfomeados pra trás.

Gostei disso. Era bom alguém que entendesse que eu não me lembrava de ninguém. Alguém que não ficasse: “Como assim você não me lembra de mim?!”

– Hermione Granger. - apertei sua mão.

– Então, gostando de Hogwarts?

– Muito, é tudo muito...

– Mágico. – ele disse sonhadoramente passando a mão por uma estátua enquanto voltava a caminhar.

Concordei. Era mágico, era fantástico, inacreditável. Parecia um sonho. Um sonho meio confuso e com certos ruivos tarados, mas um sonho muito bom ainda assim.

– Vai fazer algo sábado? – o Loiro perguntou meio sem jeito.

– N-não...

– Iremos para Hogsmade, venha conosco. Eu e Luna queremos lhe mostrar algumas lojas.

– Nicolas pode ir? – eu murmurei insegura. O que diabos era Hogsmade?

– Claro! Sabe, Luna costumava ser sua amiga, ela ficou triste com tudo o que aconteceu, ela queria muito te levar para jantar. Sabe você fez muitas coisas por ela. – ele disse em um tom meio pesaroso. Por que aquilo me soava como se ele estivesse colocando Luna no seu lugar?

– Mas não posso voltar tarde, domingo vou ver meus pais. – eu disse empolgada.

– Certo. – ele sorriu parando em frente a uma grande porta. – nos vemos mais tarde.

– Hey, Draco. – eu sorri. – Obrigada. E desculpe não me lembrar de você.

Draco parou e ergueu a manga de sua camisa revelando um cordão verde musgo escuro em contraste com sua pele clara, estava em seu pulso esquerdo e logo acima uma grande tatuagem meio apagada.

– Eu acho que é bom. Pior se você se lembrasse das coisas que eu fiz com você há dois anos.

– P-por que? – eu indaguei receosa.

– Eu era um crápula. – ele disse dando de ombros. – Mas você me ajudou, muito. Você foi minha única amiga quando eu mais precisei. Até mesmo Luna balançava em relação há mim, mas você não.

– Eu podia ser falsa. – contestei – como sabe que eu não falava mal de você pelas costas?

Draco riu-se.

– Você não se conhece. E você me deu esse cordão. – ele segurou a linha verde. Depois pegou minha mão e mostrou em meu pulso uma linha igual. Nunca tinha notado ela ali. Quer dizer, já tinha visto, mas ela me parecia normal, como um sinal de nascença. – são enfeitiçados. Enquanto nos importarmos um com o outro ele estará aí.

– Como posso me preocupar com você, se nem me lembro de ti?

– Você só soterrou algumas coisas. É como se parte de você estivesse descansando, mas essa parte continua igual. Você ainda é a Hermione.

– Eu diria que essa parte está em coma. – revirei os olhos.

– É bem provável também – ele deu um sorriso. – só queria que soubesse que o Loiro mais importante da sua vida sou eu, não o Nicolas. Mesmo que você não se lembre. Pra você ter noção, a primeira pessoa para quem você contou que estava grávida fui eu.

Uma careta saiu involuntária só de lembrar que eu estava grávida. Eu tinha que resolver isso logo. Achar um jeito de tirar esse treco de mim. Eu não seria mãe com 18 anos nem morta!

– Certo. Vou me lembrar disso. – eu abracei o loiro. – Obrigada por ficar do meu lado.

– Sonserinos também são leais. – ele deu uma piscadela. – Sábado as 14:00 no relógio.

– Estarei lá.

Sorri e entrei na biblioteca. Senti-me bem e muito tranquila na companhia dele, Harry e Rony tinham mencionado que ele era um dos meus melhores amigos no Hospital, e aquilo parecia extremamente plausível. Mas o jeito que ele falou comigo, foi diferente de como Harry e Rony falavam. Era um tom meio de admiração, de dívida eterna. Como se eu o tivesse curado de câncer ou sei lá. Dei de ombros. Eu era uma boa pessoa, eu acho.

De qualquer forma: Ah! A biblioteca!

Não me lembrava dela, mas senti-me em casa. Peguei livros como se sempre os lesse, e fui estudar. Principalmente sobre a bendita arte da Oclumência!

Como aquilo era reconfortante, quase que uma meditação.

***

Saí correndo da biblioteca, aos tropeços agradecendo a simpática senhorita Pince pelos livros e pelos pergaminhos que ela havia me emprestado para fazer resumos da matéria. Tinha me divertido muito.

Tanto que nem vi a hora passar: eu estava atrasada para me encontrar com Nicolas!

Corri pelos corredores, me perdi, até que finalmente consegui sair do castelo. Porém saí do lado errado e tive que dar toda uma volta até chegar ao lago, quando cheguei o Loiro tinha recém se levantado para ir embora.

– E-Eu... – eu me arqueei ofegante – Eu me perdi...

Nicolas riu.

– Certo, achei que tinha me dado um bolo. – ele riu – Temos que entrar, então não vou poder me explicar direito, com a calma que eu tinha planejado... Não me bata, mas eu preciso ver uma coisa.

– O que...?

Não pude nem perguntar o que ele faria para me deixar brava, pois assim que me levantei para olhá-lo ele segurou meu queixo e me puxou para um beijo. O que foi tenso já que eu ainda estava sem fôlego devido a corrida.

Começou como um selinho apertado, mas em alguns instantes ambos entreabriram o lábio e começamos um beijo intenso e divertido.

Passei a mão por seus cabelos enquanto ele entrelaçava minha cintura.

Ele beijava bem, era bom. Me sentia feliz.

Ele se afastou de mim.

– É loucura o que eu vou dizer, mas... É o seguinte: eu te amo, você me ama, mas somos apenas amigos. – ele disse analisando – eu amo a Astória, essa garota da Sonserina, mas ela está de rolo com o Córmaco. E você ama o Fred, e mais cedo ou mais tarde vocês vão se acertar... – Eu ia negar, mas algo em mim achou aquilo razoável. – Vamos ser práticos, enquanto tudo não volta ao normal, que tal uma amizade colorida?

– Acho prático e verídico. – para minha surpresa e a dele eu achei aquilo uma ótima ideia.

– Sem beijos na frente dos outros.

– Certo. Ninguém precisa saber.

– Certo. Eu vou te ajudar com o Fred, vocês realmente se amavam. – ele disse pegando minha mão e rumando para o castelo.

– Mas eu acho que comecei a me lembrar... Deixe eu te contar, já tive dois lapsos, um no dia das sanguessugas e um hoje agora pouco...

Passamos o resto do dia e da noite grudados conversando, eu lhe contei tudo, tudo mesmo... sobre nosso término, sobre Draco, sobre minha lembrança vergonhosa, sobre como ele estava lindo na aula de poções, sobre as garotas babando por ele, sobre minha raiva a respeito dele e sobre meu plano de fugirmos para o México e virarmos mariachis traficantes.

Ele também desabafou comigo. Aprovou minha ideia sobre o México, e disse que ficaria muito sexy moreno e de bigode. Contou sobre essa garota da Sonserina, que fora super querida com ele, as brigas dele com o Córmaco e da vez que bateram nele na frente da tal garota. Sobre suas discussões com a irmã, sobre o pai que ainda não tinha acordado do coma. Devo confessar que me senti mal, sequer me passou pela cabeça que Nick tivesse problemas. Decidi que não seria mais tão egoísta.

Era bizarro, mas acho que no momento era o que os dois precisavam: alguém que nos entendesse, alguém para contar 100%. Precisávamos um do outro.

Na hora de dormir ele me levou até meu dormitório. Nos beijamos, eu o mordi.

– Boa Noite Peixinho. – ele disse rindo.

– Boa Noite Paixão. – provoquei-o.

Ele parou.

– O que? – ele fez cara de deboche.

– Peixão... Eu disse peixão, de peixe grande, não se iluda. – eu disse rindo.

– Certo, certo... To sabendo. Vai dormir mocréia.

Eu e ele rimos.

– Até amanhã. – dissemos juntos, e voltamos a rir.

Fui dormir, não encontrei ninguém acordado. Deitei-me e pensei nos olhos verdes de Fred. Se ele quer jogar, vamos jogar.

Fui dormir sorrindo. Será que meu subconsciente já sabia o que ia acontecer, e que eu resolvi salvar Nick na memória por que sabia que ele ia me ajudar a voltar com Fred?

Ai Hermione, olha o que você está falando!

Tem razão. Só posso estar louca!

Notas finais do capítulo
SEM CRUCIOS, POR FAVOR! QUEM QUISER INICIAR UM PERÍODO DE CAÇA A PENELOPE, CAÇEM ELA! EU NÃO TENHO NADA A VER COM ISSO.
-nhe mas peguem leve com o meu amorzinho por favor...
É isso aí, aguardem pelo próximo daqui a no máximo uma semana xD
See ya
*Nox*




(Cap. 17) Burning Up

Notas do capítulo
*Lumus*

Leo aqui, to tentando postar isso aqui desde ontem! O NYAH NÃO TÁ COPERANDO E_E JÁ TO COM RAIVA JÁ!!!
Enfim, desobedeci a Pen e postei mesmo U_U e caprichei no Fremione de vocês suas assanhadas ♥
Por falar em Penny, ela mandou um recado:
[N/A: Certo amores, antes da fic, quero deixar esclarecer algo realmente sério, que vem me tirando o sono. Não costumo fazer isso mas hoje tive que fazer. UM CAPÍTULO ESPECIAL PARA COMEMORAR OS NÚMEROS DA FIC!
Leitores: 182!
Favoritos: 72
Recomendações: 15
Reviews: 383
Cara, eu realmente amo vocês, eu não ligo pra números e não exijo reviews, MAS PORRA, quase chorei aqui, é mais do que bom saber que vocês estão curtindo a Fic desse jeito ♥
Ok ok, calei, aproveitem o Fremione Hard de hoje, suas assanhadas (como diria o Leo)]

Dezessete:


Baby, you turned the temperature hotter

Cause I'm burning up

Burning up for you baby

.

.

Eu realmente não queria fazer aquilo. Só de pensar eu já me sentia mal, fraca.

– Eu odeio essa aula não odeio? – eu disse grudada no braço do Nick.

– Yep. – O loiro concordou.

– Com todas as suas forças. – Harry disse divertido atrás de mim.

Íamos ter aula de esportes, com aquele amigo estranho do Fred.

– Mas cadê o resto do pessoal? – eu disse estranhando só haver pessoas mais novas.

– Então, nosso ano não precisa fazer Esportes, mas como você não lembra de nada dos anos anteriores nessa matéria, Minerva achou melhor que você tivesse algumas aulas com os alunos mais novos. – Harry disse parando em frente a quadra. – Nós ficamos por aqui. – ele deu um sorrisinho.

Arregalei os olhos e apertei a mão de Nick.

– Você não vem?

– Minha aula é com a Lufa-Lufa, você vai ter aula com os Grifinórios e com os Sonserinos.

– Mas... – eu comecei a me apavorar.

Nicolas segurou meu rosto entre as mãos e me beijou. Um beijo anestésico, quente, profundo que me deixou meio tonta. Ele se afastou e acariciou minha bochecha.

– Eu venho te buscar depois da aula. – ele disse sorrindo – Vai dar tudo certo... Isso se você quiser que eu te busque. – ele deu um sorriso travesso que me deixou ligeiramente nervosa.

– Tudo bem... – eu disse abraçando-o.

Quando vi, Harry estava com o queixo no chão, meio verde, meio amarelo, com uma cara de quem acabou de ver um elefante em uma loja de sapatos reclamando com a vendedora o fato da cor do sapato não combinar com a cor dos seus olhos.

Me afastei de Nick.

– Calma Harry, não é o que você está pensando. – eu dei uma risada.

– É complicado. – Nicolas deu de ombros. – Mas enfim, vai lá peixinho, nos vemos depois.

– Certo... Tchau paixão – eu dei um selinho no loiro.

Nicolas me lançou um olhar de canto.

– Eu disse Peixão. – eu ri.

Andei para longe dos dois e fui até o meio da quadra de Quadribol, algumas pessoas vieram me dar oi, mas eu não me lembrava de nenhuma delas. Apenas sorri para elas e fiquei ali sentada em um canto lendo meu livro. Uma garota da Sonserina – linda diga-se de passagem – estava me fuzilando com o olhar. Cabelos castanhos ondulados e olhos cor de mel raivosos. Mas fuzilando MESMO. Não a conhecia, então simplesmente dei de ombros.

– Cunhadinha. – alguém parou na minha frente.

Ergui os olhos do livro e encarei o gêmeo do ruivo tarado.

– Hm... Oi James... E não sou sua cunhada.

– É Jorge! – ele colocou a mão no peito como se eu tivesse lhe dado uma facada.

– Desculpe...

– Tudo bem. Então você veio. – ele disse sorrindo. – Fred vai pular de alegria.

– Ele vai ficar ocupado com as garotas da Lufa-lufa. E eu vou me concentrar na aula. Vai ser como qualquer outra tarde.

– Diga isso mais uma vez. Mas com convicção, talvez eu acredite. – ele deu um sorrisinho.

– Hermione! – o outro moreno veio correndo até onde eu estava. – Que bom que você veio.

– Minerva me obrigou a vir.

– Ui, depois dessa eu ia dormir Lino. – Jorge disse erguendo a sobrancelha.

– Nada inteligente da sua parte se desentender com o professor da matéria que você mais odeia. Vai ter volta sabia Hermione?

Apenas revirei os olhos.

– Certo, vá colocar sua roupa a aula já vai começar.

– R-roupa? – eu tive um péssimo pressentimento.

– Hoje é aula sobre Quadribol.

Engoli em seco.

Jorge me levou até o que era o vestiário feminino. O meu armário era o 69. Acho que costumavam fazer algum tipo de piada com isso... Ao abri-lo me deparei com um traje de material parecido com couro, justo e extremamente embaraçoso.

Depois de muito sofrer, coloquei a tal roupa. Mas de jeito nenhum conseguia colocar aquelas coisas que vão no joelho e na canela.

Eu estava sentada em um banco de madeira, com a perna apoiada na parede, quase de cabeça para baixo. Eu gemia loucamente e bufava irritada, muitos fios e cordas e quando dei por mim estava arfando. E tudo em vão, pois eu nem estava perto de ajeitar aquilo.

– Pra quem ouve de fora parece outra coisa. – uma voz rouca chegou até mim do canto do corredor. E não era uma voz feminina.

Dei um pulo, minha perna escorregou e acabou empurrando a parede devido ao susto, fazendo com que eu caísse no chão de costas, mas minhas pernas continuassem para cima apoiadas no banco.

– Seu tarado! Esse é o vestiário das garotas!

– Lino já começou a aula, me pediu para que eu viesse ver por que da sua demora. – ele sorriu ladinamente.

E começou a vir na minha direção. Senti meu rosto ficar quente. Ele estava com uma roupa parecida com a minha, mas não usava o nosso colete vermelho e a parte de cima que parecia uma armadura de couro. Ele apenas usava um suéter de gola alta as cotoveleiras e as luvas. Seu peitoral era definido. Mesmo pra quem vê de cabeça pra baixo.

“– Gostou? – ele perguntou receoso.

– Você me pede em namoro, compra uma casa, me dá uma biblioteca, e ainda me pergunta se eu gostei? – eu disse abrindo um sorriso que chegava a ser dolorido.

Em um movimento brusco pulei em seu pescoço e beijei-o desajeitadamente. Ele se desequilibrou e foi andando comigo em seu cangote até esbarrar na parede.

– Tem mais uma coisa. – ele disse assim que me afastei um pouco dele.

– Mais? – eu disse espantada.

– Bem, eu tinha pensado em você passar o resto das férias aqui comigo, então eu – ele pigarreou meio sem jeito – arrumei o quarto lá de cima para nós.

[...]

Antes que me desse em conta nossas línguas já travavam uma batalha divertida entre si. Eu me entregava sentindo o gosto dele na minha boca e sentindo enquanto minha respiração ofegante se mesclava à dele. A maciez de seus lábios era deliciosamente surreal, e mesmo assim, eu precisava dele mais próximo, ele me parecia muito longe, tamanho era o desejo que me consumia.

Senti quando o rapaz em minha frente mordeu meu lábio inferior me puxando para si e percorrendo as mãos pelo meu corpo, arrancando de mim baixos gemidos resultantes do arrepio que eu sentia quando seus dedos firmes tocavam, nem que por breves instantes, algum pedaço de pele exposta.

Quando dei por mim, lá estávamos nós, tombando na cama com a respiração ofegante e descompassada, eu com meu corpo completamente liquefeito sobre o corpo do ruivo, enquanto esse voltava a passear com seus dedos perigosamente perto da minha cintura.”

A lembrança me sugou, não durou mais do que dois segundos, mas foi suficiente para me fazer corar. De novo. Na verdade meu rosto esquentou de tal modo que eu devo ter desnaturado todas as minhas enzimas. Ele tinha me dado aquela casa. Eu perdi a virgindade com esse Ruivo Energúmeno sedutor de quinta.

Senti novamente aquele formigar na cabeça, mas dessa vez eu estava preparada. Tinha estudado sobre Oclumência. Esvaziei a mente e pensei apenas em uma palavra: Labrego.

– Andou estudando? – ele disse rindo parando para me olhar de cima.

– Sim. Não que seja da sua conta o que eu faço.

Ele riu amplamente.

– Labrego? Eu não sou Labrego!

– É sim. – eu disse irritada.

Ele apenas revirou os olhos e segurou meus braços, antes que eu pudesse questionar, ele me puxou e em uma pirueta estranha eu estava em pé, com Fred grudado atrás de mim. Tomates e pimentas, invejem minha cor. Seu quadril estava grudado ao meu e sua boca estava na minha orelha. Eu tentei sair dali, mas em um gesto simples ele agarrou meus pulsos e os cruzou no meu peito, de modo que eu agora parecia uma múmia.

– Desiste Hermione. Você vai acabar sendo minha de novo.

Aquilo me irritou profunda mente, mas o hálito quente em minha orelha estava abafando meu cérebro que não estava mandando nenhum impulso nervoso pro resto do corpo. Quis socá-lo, pular na cara dele com os dois pés, morder o lábio dele e...

COF COF COF

Quer dizer, só pular na cara dele mesmo.

– Me solta. – reuni todas as minhas forças para dizer sem gaguejar.

– Eu já te soltei tem um tempinho. – ele mordeu meu pescoço.

Meu deus que arrepio violento. De fato ele não estava pressionando meus pulsos, apenas os mantinha perto do corpo. Minhas costas se moldavam ao peitoral dele, forte e largo, eu sentia cada marca do seu corpo e aquele seu suéter parecia agora terrivelmente incômodo.

COF COF COF

Quer dizer, assim que me dei em conta que podia sair, e passado o arrepio violento, que percorreu a base da minha coluna até a nuca, eu finalmente me joguei para a frente, e saí dali, brava e furiosa.

Ok. É mentira.

Essa era minha intenção, mas eu esqueci completamente daquela droga de joelheira. E quando fui me afastar dele dramaticamente, acabei tropeçando em uns fios que eu já nem sabia mais de onde eram, mas antes que eu desse com os dentes na borda do banco, Fred me segurou. O que foi engraçado, já que ele só me segurou pelo braço direito de modo que eu fiquei pendente.

Ele me sentou no banco e pegou a peça de couro do chão deslizando pela minha perna.

– O-o que está fazendo? – soquei-me mentalmente por gaguejar.

Ele divertido espalmou as mãos do meu joelho para a minha coxa abrindo um sorrisinho de lado.

“Opa, mas o que é aquilo no céu? É UM ESTUPRO CHEGANDO!”

– O que parece que eu estou fazendo? – ele disse com a voz baixa e depositou um beijo no meu joelho. Quis gritar com toda minha força: ME MOLESTANDO! Mas eu não achei minha voz, na verdade até achei mas minha língua tinha dado um nó no meu cérebro. Mas então ele se endireitou e começou a amarrar aquele negócio no meu joelho, com o olhar mais despreocupado do mundo. – Colocando sua joelheira, oras.

Ele fez de novo! Que raiva!

Ora ele está me molestando, passando a mão em mim e no momento seguinte age como se não tivesse acontecido nada! Deus como isso me irrita.

Ele acabou de colocar as joelheiras e ficou em pé.

– Prontinho. Até mais Granger. – ele deu um sorriso simpático.

Observei-o ir rumo a saída do vestiário. Quando ele chegou na porta eu achei minha voz.

– VOCÊ TEM PROBLEMAS!

Ele lançou um sacudir de ombros e sorriu.

– Você nem é tudo isso. Abaixa a bolinha.

E saiu. Me deixando com a cara mais estupefata do mundo e a respiração ofegante e gritando aos quatro ventos.

Saí do vestiário batendo pé, decidida a nunca mais olhar na cara daquele ruivo maldito.

MINHA BOLINHA ESTAVA BEM BAIXA, VOCÊ QUE VEIO QUERER APALPAR ELA!

[N/Leo: essa frase não pegou muito bem...]

Eu nem sou tudo isso? Sério? Então por que o do ciúmes com o Nicolas? AH!

QUE ÓDIO.

– Hermione?

– QUE FOI?! – Eu me virei quase mordendo o rapaz que estava falando comigo, mas então eu vi que era meu professor. – Ah, professor desculpe.

Ele me olhou meio assustado, mas aos poucos abriu um sorrisinho maroto. AH, aposto que ele tem algo a ver com isso!

– Tudo bem, vamos pegue sua vassoura.

Eu dei a volta para ir até onde estavam as vassouras amontoadas em um cantinho, mas Lino segurou meu braço.

– Não, essa aqui é a sua vassoura. – ele deu uma risada.

Só então notei que ele segurava uma vassoura na mão além da sua própria. Parecia uma vassoura nova, eu já tinha visto em algum lugar. Dei de ombros, irritada e frustrada.

O professor Jordan me passou as técnicas de vassoura, e meu objetivo era ridículo. Dar 10 voltas no campo e depois entrar e sair por aqueles arcos em zigue-zague cinco vezes.

Eu tinha muito medo daquilo, mas eu estava com tanta raiva, que a altura nem me incomodou. Fiz todo o percurso sem sequer me abalar. O professor me passou mais um exercício, eu estava tão fula da vida que sem querer derrubei um pirralho as Sonserina que quis brincar de me derrubar da vassoura. Literalmente fui com os pés na Nuca do moleque.

Eu tinha acabado novamente minha série, mas minha raiva não tinha diminuído. Decidi que aquela aula era inútil, e resolvi descer, e assim que olhei para baixo vi Nicolas sorrindo para mim. Ele estava na arquibancada, sacudindo os pezinhos como um garoto de cinco anos. Mas seu sorriso era... suspeito.

Mal inclinei a vassoura em sua direção, e senti um tranco violento me atingir.

– Nos vemos de noite no jantar! – O loiro gritou e me mandou um beijo.

Antes que eu pudesse perguntar o que estava acontecendo, o tranco me atingiu novamente e a vassoura descontrolada tomou vida.

Berrei por ajuda do professor, que simplesmente me ignorou. Nicolas estava de costas indo para o Castelo, e parecia que ninguém estava vendo enquanto eu era sequestrada pela maldita vassoura.

Eu passei um bom tempo andando em círculos, e fazendo manobras grandes, até que a raiva diminuiu e eu comecei a ficar com MUITO medo.

Céus, olhe essa altura, se eu cair daqui, eu me quebro toda!

Me agarrei naquela vassoura como se minha vida dependesse daquilo.

Oh, espere um minuto: ela dependia!

A vassoura diminuiu a velocidade e então parou no terraço da parte oeste do castelo. Eu estava a uns 500 metros do chão. Sem exagero. Senti meu estomago embrulhar e minhas pernas fraquejarem suspensas no ar, minha mão estava branca tamanha era a força que eu segurava aquela vassoura.

– Hermione... Você está me seguindo? – abaixo de mim a voz rouca.

– Fred Weasley! Me coloque no chão, agora! – eu disse com o maxilar trincado.

Ah filho de um trasgo, eu ia arrancar o saco desse ruivo fora!

Ele apenas mexeu com a varinha como se fosse um maestro e minha vassoura seguiu seu movimento.

– Só depois que confessar que ainda sente algo por mim.

– O que?! Você está louco?! Nem morta!

Ele calmamente pegou sua vassoura que estava atirada perto do parapeito de pedra e subiu nela, deu um impulso e veio sobrevoar o meu lado.

– Eu vi sua lembrança. Você estava pensando em mim, admita. – ele sorriu.

– Vai pro inferno!

Ele parou um pouco abaixo de mim e fez um movimento brusco de varinha, que fez com que minha vassoura sacudisse violentamente e eu escorregasse e ficasse dependurada pelas mãos apenas.

– Vou contar até três. – a voz dele veio abaixo de mim

– Seu doido! – eu disse me concentrando em não largar aquele maldito bastão de madeira – Quando eu sair daqui eu vou te surrar!

– Diga que quer que eu te beije, Um.

– VOCÊ É DOENTE, EU ESTOU GRÁVIDA!

– Diga que quer que eu te beije, Dois.

– NICOLAS VAI ARREBENTAR SUA CARA!

– Três!

A vassoura chacoalhou novamente e antes que eu soltasse completamente da vassoura meu orgulho foi vencido.

– EU QUERO QUE VOCÊ ME BEIJE! – Eu gritei. Mas era tarde, no milésimo seguinte eu estava em queda com o estômago no céu da boca, praticamente em lágrimas.

Um ano pareceu se passar, e então eu senti meu corpo ser pego em pleno ar.

Fred me olhava de cima, com um sorriso no rosto, ele estava em pé no terraço comigo no colo, a vassoura jogada em um canto. Eu não tinha forças para xingá-lo.


“– Fred. – chamei-o para longe das pessoas alvoroçadas que abriam seus presentes.

Ele veio sorrindo até mim, brincando com seu novo isqueiro, ora o ligando, ora apagando-o.

Ele parou na minha frente e eu pigarreei e tirei a caixinha de veludo preta de dentro do meu bolso. Peguei sua mão esquerda e me ajoelhei.

– O que está fazendo? – ele disse rindo.

– Ajeitando suas joelheiras é que não é. – eu disse rindo. – que eu sou sua namorada, isso não é novidade... Mas você quer ser meu oficialmente namorado? – eu disse olhando no fundo dos seus olhos tentando transmitir com um olhar todo o amor que eu sentia por ele.”


Mal fui cuspida da lembrança e senti que o ruivo vasculhava minha mente. Não fui capaz de fazer nada, eu estava apenas me concentrando em não vomitar.

– Eu tenho que fazer tudo isso pra você admitir que ainda sente algo por mim?

Eu não tenho palavras, para expressão minha revolta. Não há xingamento no mundo e gritos no universo que sejam suficientes para expressar a minha vontade de trucidar aquele ser energúmeno que se encontrava na minha frente.

Ele me colocou sentada, escorada na parede de pedra e se inclinou na minha direção, tocando meus lábios por breves segundos.

Confesso que meu coração só se desrregulou mais ainda com o contato do ruivo. Mas mal senti sua língua em meus lábios e o ruivo foi arremessado para trás.

– EU TE AJUDO E VOCÊ FAZ ISSO? – Um loiro fulo da vida agarrava o ruivo que era quase duas vezes seu tamanho pelo suéter.

Eu não sei de onde ele veio, acho que assim que me ouviu gritar pegou uma vassoura e foi me ajudar.

– Nick eu só... – o ruivo disse surpreso.

Não terminou a frase, antes que pudesse sequer pensar em se mexer o punho de Nick acertou a maçã do rosto de Fred com gosto. E repetidas vezes.

– Parem... – eu tentei falar, mas ainda estava desregulada.

Sim Nicolas devia estar malhando. E o fato de Fred não estar esperando ajudou. Mas o fato é que Nick deixou Fred no chão, com os dentes tingidos de vermelho e a maça do rosto totalmente machucada. Meu impulso foi correr para ajudar o ruivo, mas algo no fundo gritou:

“Estamos quites.”

– Pra você é Nicolas. – o Loiro disse dando as costas ao ruivo e vindo em minha direção. – vou levá-la a enfermaria, nem pense em aparecer por lá.

Nicolas subiu na vassoura, eu choraminguei. Nunca mais queria tirar meus pés do chão.

– Vamos, vou te descer em segurança. Segure-se em mim e feche os olhos.

O ruivo não fez nada, mas quando seu olhar cruzou com o meu, senti em seus olhos um misto de pedido de desculpas, e um sorriso esperançoso.

Ah se eu tivesse forças, já tinha arrancado o saco dele há eras.

Descemos até o chão, chegando lá, Harry e Rony me olhavam preocupados, Nicolas deu um sorriso meio forçado e me colocou nas costas. Não fomos para a enfermaria, ao invés disso ele me levou para a torre de anatomia. Assim que chegamos lá ele fechou a porta e me colocou sentada no chão de madeira. O dia ia caindo, mas o sol ainda entrava pela janela, lindo, forte.

Olhei para o loiro e sorri.

– Cara, você é demais.

– Desculpe, eu demorei pra conseguir uma vassoura. – ele disse apertando a mão direita.

– Se machucou?

– Não. – ele fez uma cara de durão que aos poucos foi se transformando em uma careta. – Sim... Merlin como essa bosta dói!

Eu ri daquilo e segurei sua mão. Os nós de seus dedos estavam vermelhos e os do meio em carne viva.

Conjurei o “Aquamenti” e lavei o machucado dele, limpando na barra da minha camiseta. O garoto tinha saído do machão de 26 anos e estava parecendo um pirralho de 4.

– Você nunca tinha dado um soco?

– N-não... Ai ai ai... Calma aí. – ele reclamou quando eu passei a camiseta por cima.

– Gomen.

– Mas e ai? Lembrou-se de algo? Vocês se acertaram? – ele quis saber. – fui falar com Fred sobre vocês, ele pediu ajuda sobre o lance de esportes, disse que queria levar você a um lugar especial. Lino e Jorge me convenceram no final me desculpe.

– Bom... Eu lembrei de algumas coisas, e tenho que dizer: acho que eu tenho uma quedinha por ele.

“Quedinha uma pinóia, tá mais pra abismo da morte!”

“Agora não!”

Jura? – ele disse dando um sorriso. – se eu não estivesse tão puto com ele eu daria um pulinho.

Eu dei uma risada e deitei o loiro para trás. Logo em seguida me acomodei em cima dele.

– Você socando o Fred por mim... Achei legal. – eu sorri e dei-lhe um selinho.

Nicolas apenas sorriu orgulhoso e começou a passear pela mão com a minha cintura. E permanecemos assim, até que a noite caiu. Eu eventualmente acariciava os cabelos loiros, ele mexia na minha orelha, e agarrava a ponta do meu nariz. Nos beijávamos, ríamos, sem nenhum diálogo contrutivo.

Ele me contou que Astória veio brigar com ele assim que eu fui pro vestiário, ela estava com ciúmes. Provavelmente a garota que ficava me olhando feio durante o treino.

– Fred está com um ponto na frente. – eu disse – ele me fez admitir que queria beijá-lo.

– Vamos reverter o placar. – Nick sorriu.

– Vamos é? – uma nota de empolgação tomou conta da minha voz. Eu me sentia como alguém do terceiro ano antes de uma gincana de caça aos unicórnios.

– Com certeza. E vai ser nessa sexta feira. Hermione, aproveite bem meus lábios de mel, por que nossa amizade colorida está prestes a acabar. Eu e você estamos em ponto de Xeque.

Ele sorriu do seu jeito moleque, um sorriso radiante e pleno. Uma ideia começava a formigar em minha mente sobre a tal sonserina, eu poderia ajudar Nick afinal. Senti uma inquietação no estômago e me lembrei dos lábios do ruivo, quente e provocadores.

Não que eu vá admitir em voz alta, mas: Mal via a hora de tê-los nos meus novamente.

***

Eu e Nick ficamos nos pegando na sala de astronomia até dar a hora da janta. Ficamos contando piadas, e conversando sobre coisas babacas, quando nos demos em conta que devíamos descer, paramos nossa competição pra ver quem conseguia lamber o cotovelo e descemos para o grande salão.

O maldito ruivo, nem sequer demonstrou remorso, assim que me viu me ignorou completamente puxando uma grifinória qualquer para o seu lado dizendo algo em sua orelha, fazendo a garota rir e corar. Tive vontade de voar naquela morena que nem era assim tão bonita, e de sambar em cima da cara do ruivo.

– Calma... – o loiro disse, ele está fazendo de propósito. Nick deu uma risadinha. – Vem cá.

Ele segurou meu queixo.

E me deu um selinho demorado. Assim que se afastou de mim eu lhe dei um abraço e mordi seu pescoço levemente.

– Nos vemos amanhã, Fred provavelmente vai querer te acompanhar até o dormitório hoje. – Nicolas riu.

Eu estava de costas para o salão da grifinória.

– Ele está olhando? – eu disse rindo.

– Está, ele levantou pra vir aqui arrancar meu saco fora, mas o gêmeo dele já pegou ele e fez ele sentar. Estão cochichando agora.

– Mas Nick, e se ele me pendurar em uma vassoura de novo? – eu disse temerosa.

– Não vai.

– Mas...

– Se está com medo, peça para alguma amiga sua lhe acompanhar também. Mas lembre-se do que conversamos, dê um gelo nele, finja que ele não te abala em nada. Certo?

– Certo. – eu disse nervosa. – Até mais Paixão.

– Até mais peixinho.

Depois disso, cada um seguiu seu rumo, ao invés de ir para a mesa da grifinória fui conversar com Draco na mesa da sonserina. E definitivamente os verdes me odiavam.

– Hermione. – ele disse sorrindo.

– Draco preciso da sua ajuda.

Ele ergueu a sobrancelha.

– Preciso que leve a garota... Astória, para a escadaria do relógio depois do jantar. – eu disse lançando rapidamente um olhar pra garota que tinha os olhos vermelhos quase lacrimejando. Acho que Fred não fora o único que vira o meu selinho com Nick.

– Hã... certo...

Agradeci-lhe e agora sim: andei até a mesa da grifinória.

Sentei-me entre Rony e Harry de frente para Fred e para Jorge. Um silêncio estranho se abateu sobre aquela faixa da mesa assim que me sentei. A garota ao lado de Fred, sequer sentiu meu olhar de ódio para ela.

– Então Hermione, como foi o resto da sua tarde? – Fred disse, estava com uma raiva contida que me era cômica.

– Muito boa, Fred. – eu disse dando de ombros pegando arroz e colocando estrogonofe em cima. – Fiquei na torre de astronomia com Nicolas.

Vi de canto de olho Jorge cutucar as costelas de Fred. Ignorei-o e comecei a conversar com as garotas... A ruiva namorada de Harry que eu sempre esquecia o nome e Lilá. A mesa voltou a se tornar falando e eu e Fred nos implicávamos TODA HORA.

Tivemos Petit Gateou com sorvete de sobremesa. Me pergunto como toda essa comida simplesmente brota aqui...

Acabei o jantar a vi Draco conduzindo a garota de cabelos castanhos e olhos cor de mel salão a fora.

Despedi-me e me levantei.

– Indo encontrar o Nicolas? – Fred cuspiu o nome.

– Mesmo se estivesse, acho que isso não é da sua conta. – eu dei um sorrizinho. – Até depois, Físico.

– Energúmena. – ele disse revirando os olhos.

– Platelminto! – eu rebati irritada.

– Estúpida.

– Bocó.

– Gente, que tal se... – um garoto moreno com dentes salientes e olhar meigo tentou interferir.

– NÃO! – eu e Fred dissemos juntos.

Depois disso apenas dei as costas e fui ao encontro de Draco. Céus, aquele ruivo me tirava do sério. Assim que cheguei à escada vi os dois sonserinos. Senti-me insegura por não me lembrar de nenhum feitiço de ataque. Ou de defesa.

– Ah! – a garota bufou em frustração ao me ver – é isso que você tinha que me mostrar Draco? Achei que fossemos amigos.

Ela nem dirigiu a palavra a mim, apenas me deu as costas.

– Astória, eu e Nick não temos nada! – eu disse fazendo-a parar.

– Nick? – ela disse com um ar de superioridade. – e o que diabos eu iria querer com aquele pirralho da Corvinal?

– Bom, se você fosse indiferente a tudo isso, não estaria reagindo assim ao me ver, nem teria quase chorado mais cedo no salão comunal. – eu disse irritada. – Vamos, não tem ninguém a quem impressionar aqui. Eu sei que você gosta desse Corvinal Pirralho, e ele também gosta de você. Ele só fala sobre você.

– Primeiro: eu sempre te odiei Granger, não sei por que a surpresa de eu te tratar assim. e eu não estava chorando, estava com uma crise de rinite. E ele não gosta de mim, se gostasse não estaria se agarrando com você pelos cantos. Todo mundo percebeu Granger, que vocês vivem grudados pra lá e pra cá.

Eu dei um longo suspiro.

– É sobre isso que eu queria conversar. Ele não está comigo por que é meu namorado ou algo do gênero. – eu disse. Draco começou a acenar com a cabeça para que eu não contasse. – Eu tenho que contar Draco, não posso permitir que Nick seja infeliz por minha culpa. Astória, eu perdi minha memória. Eu não me lembro de você me odiar, eu não lembro do Draco, eu não lembro desse colégio, nem de feitiços. Eu nem lembrava que era uma bruxa. Eu sequer lembro daquele ruivo babaca que diz ser meu “noivo”

– Você e o Fred estão noivos? – ela disse surpresa.

– O fato é: a única coisa que eu lembro é o Nick. E eu preciso ficar perto dele para não me sentir tão perdida, tão confusa.

– E beijar ele faz parte do tratamento? – ela se recompôs e retomou o ar de nojo.

– Não, faz parte de eu voltar a me acertar com meu antigo namorado.

Contei a ela então – superficialmente – sobre o plano de Nick em relação a Fred, disse que Nicolas era meu amigo e nada mais. (também omiti a parte dele ser meu amigo colorido)

A Sonserina apenas bufou. Mas eu vi que ela estava bem mais alegrinha.

– É só isso, sangue ruim?

– Atória... – Draco disse em tom de alerta.

Ela apenas revirou os olhos.

– Sangue ruim? – eu disse confusa, aquilo tinha algo a ver com a conversa? Alguma gíria de bruxos ou algo do gênero? – de qualquer forma, sim é isso.

Ela ajeitou os cabelos longos no ombro e saiu batendo pé.

– Bom trabalho. – Draco disse.

– Ironia? – eu indaguei.

– Não. Bom trabalho mesmo, eu acho que nunca tinha visto ela tão feliz.

Encarei o loiro e fiz careta.

– Aquilo era feliz?!

– Pelo menos na frente de alguém que não seja da Sonserina. Sabe, nós somos muito orgulhosos. Vamos, eu vou te levar até o seu dormitório.

Sorri. Enganchei meu braço no dele e fomos conversando pelos corredores, contei sobre meu dia, ele contou sobre o dele, ficamos conversando até que o quadro da mulher gorda apareceu na minha frente. Eu adorava conversar com o loiro e foi só ali que percebi que o ruivo não tinha aparecido para interceptar nosso caminho.

– Tudo bem? – ele me olhou com estranheza.

– Sim... – eu sorri varrendo o ruivo para longe – Boa noite.

– Boa noite. E Hermione, não saia contando para as pessoas que perdeu a memória. Vou ter que correr atrás da Astória para que ela não espalhe isso para quem não deve.

Dei de ombros.

– Ok.

Abracei-o rapidamente e entrei no salão comunal.

Mal entrei, senti um baque contra a parede e olhos verdes como olivas me encarando. Que susto.

– Oi Granger. Tem um minuto?

– Não Weasley. Daqui vou direto para a cama, hoje foi um dia exaustivo.

Notei que todos no salão nos olhavam, os garotos particularmente empolgados, aliás, acho que todos os garotos da grifinória estavam ali, Harry e Rony tinham um olhar de quem pede desculpas. AH! Eu iria conversar com aqueles dois mais tarde.

– Tudo bem, vamos conversar na cama então. – ele disse sorrindo, como se esperasse por uma resposta assim.

Confesso dizer que gelei. Meus olhos se arregalaram e antes que eu pudesse sair correndo, Fred me colocou em seus ombros como se eu fosse um saco de batatas.

– ME COLOCA NO CHÃO! EU VOU IR FALAR COM A MINERVA! SEU TRASGO SUJO E IMUNDO! ME COLOCA NO CHÃO AGORA! – Eu tentava socá-lo de todas as formas, mas ele simplesmente conjurou um feitiço e amarrou meus pulsos. – SEU OGRO! QUANDO EU SAIR DAQUI VOU ARRANCAR SUA SOBRANCELHA COM CERA QUENTE! – sim eu sei, mas foi a única ameaça que me passou pela cabeça.

Entramos no dormitório masculino, ele me jogou em cima de uma das várias camas .

Abaffiato. Colluportus. – ele rumou em minha direção – Vamos conversar Granger.

Eu ainda tinha minhas mãos amarradas, senti um misto de medo (MUITO MEDO) e de excitação, de ansiedade. E é claro, uma pitadinha de raiva.

– Me solta agora seu troglodita!

Ele então subiu em cima de mim e ficou com o lábio a centímetros dos meus. Senti meu corpo amolecer e mais do que tudo queria terminar com aquela distancia.

Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele. Ignora ele.

Senti a respiração quente dele contra a minha. Meu coração estava no céu da boca. Por fora eu estava apática, mas minha respiração estava cada vez mais difícil de controlar.

Ele então pegou minhas mãos que estavam amarradas e recolhidas em meu peito e elevou-as para que ficassem a cima da cabeça. Céus, que pose...

“Estuprável?”

“Eu ia dizer vulnerável, mas essa aí também serve.”

Ele deu um meio sorriso e colou os lábios na minha orelha.

– Por que parou de se debater? Se deu em conta que me ama?

– Nos seus sonhos talvez. – mantive a voz controlada e me abracei mentalmente por conseguir tal façanha.

– O que você está fazendo com aquele loiro? – ele disse escorregando os lábios pelo meu pescoço com uma voz baixa que estava me matando. – você me ama e sabe disso.

Meu estômago estava se contorcendo, acho que tinha um filhote de Tiranossauro mastigando minhas entranhas, por que meu deus!

– Se você me ama, é problema seu. Eu não sinto nada por você. – ergui uma sobrancelha.

Ele se afastou um pouco e me olhou. Largou meus pulsos, mas eu estava tão fraca que sequer consegui recolher os braços novamente. Achei que tinha pegado pesado, e que ele ia me soltar e pedir desculpas ou algo do gênero.

DOCE ILUSÃO!

Ele apenas deu um sorriso.

– Você não sabe mentir pra mim. – ele então começou a beijar meu pescoço... Meu queixo... Minha bochecha... E ficou me torturando com beijos no canto da boca. Instintivamente entre abri os lábios, parecia que o ar não entrava direito nos meus pulmões.

Certo, apedrejem-me, mas aquilo foi mais forte que eu. Quando dei por mim, acabei virando o rosto em busca dos seus lábios, e foi o beijo mais urgente e desesperado da minha vida. Eu parecia um animal que não via água há semanas.

Passei minhas mãos – amarradas mesmo – por sua nuca e arranhei com raiva suas costas fazendo o ruivo arquear-se em direção ao meu corpo com um gemido de dor, e em resposta a isso morder meu lábio fortemente. Em resposta a isso inclinei meu quadril para frente colando perigosamente ao dele, e com raiva, inclinei-o para o lado derrubando-o no chão com um baque surdo ficando por cima dele.

Ele ficou momentaneamente tonto por ter batido a cabeça, vi que seu rosto estava roxo devido ao soco que Nick tinha dado. Beijei bem em cima, mas beijei com força e depois transformei o beijo em uma mordida dolorosa que fez o ruivo protestar e começar a puxar meu cabelo e me olhar com raiva, depois puxou-me para si novamente e começou a morder a curva do meu ombro fazendo-me gemer alto de dor. Ele rolou-me chão e fez com que eu batesse as costas violentamente no chão. Em resposta a isso dei-lhe uma cabeçada no nariz/boca. Ele voltou a me beijar agressivamente apertando minha cintura, como se estivesse me beliscando.

Aquilo estava estranho, que queria matá-lo, estava com uma mistura engraçada de raiva e... Excitação. O ruivo então passou a mão pela minha perna agarrando minha coxa, eu entrelacei minhas pernas ao redor do sua cintura girando-o novamente no chão e ficando em cima dele, sentada bem em cima do seu quadril.

– O que você pretende com isso hein? Vai me estuprar Fred? – eu disse agarrando sua camiseta cinza.

– Só vai ser estupro no começo. – ele disse erguendo uma sobrancelha e abrindo um leve sorriso sínico.

De raiva puxei-o para mim, fazendo-o ficar sentado, só pra depois poder jogá-lo no chão novamente batendo sua cabeça no chão com toda a minha força. Lembrei-me então do que o loiro me dissera. Isso tudo era um jogo, e eu ainda não estava pronta para jogar limpo.

Levantei a blusa do ruivo e fui trilhando uma trilha de beijos, mordidas e chupões pela sua barriga, arranhando sua cintura intencionando deixar marcas. E sempre olhando para ele.

Até que ele baixou guarda e eu com força substituí o meu quadril pelo joelho, dando-lhe um golpe baixo. Bem nos documentos.

Ele se encolheu e gemeu alto. Mas dessa vez foi um gemido apenas de dor.

Eu me levantei e apressada peguei minha varinha.

– Finite. – o feitiço certo me veio a memória e a porta se abriu.

Antes de sair olhei para o ruivo que sentado me observava. Pisquei-lhe e lhe mandei um beijo soprado.

Saí do quarto sorrindo, mas assim que me deparei com Harry e Rony que subiam as escadas meu sorriso virou algo doentio e assassino.

– A sorte de vocês, é que eu estou amarrada. – eu disse erguendo as mãos. – converso com vocês amanhã.

Sem escutar suas desculpas furadas entrei no dormitório feminino e desabei. A ruiva do Harry... Gina... veio falar comigo, sorridente, ansiosa, juntamente com Lilá. Todas as outras garotas da grifinória me olhavam.

– Meu deus, ele estava te espancando? – ela disse olhando para o meu estado.

– Quase isso. – ergui as mãos em um pedido mudo para que ela me desamarrasse.

– ELE TE AMARROU? – Gina estava quase tendo um orgasmo. – Você vai me contar tudinho!

Ela tirou o feitiço e eu massageei os pulsos.

– Vou contar... Qualquer dia desses.

Eu dei as costas para as garotas e entrei no banho, deixando todos os seres produtores de progesterona da grifinória mais curiosos do que sei lá o que.

– Ah, eu mato esse ruivo. – pensei comigo mesma enquanto me derretia na água quente, observando os estragos que ele tinha feito no meu corpo.

***

– Fred? O que você fez com a Hermione?! – Harry, Rony entraram no quarto, seguidos por Jorge e Lino.

– Eu não fiz nada, ela que quase me matou. – eu disse sentindo meu lábio inchado e sangrando, meu nariz ardendo de onde ela tinha dado a cabeçada.

Céus, a joelhada na virilha foi golpe baixo.

Ajeitei minha blusa para cobrir os arranhões vermelhos em minha pele e as marcas de mordidas. Arrumei meus cabelos com os dedos mesmo.

– Cara. Eu sei que ela é sua mina, mas ela tem jeito de ser muito... Graw... – Lino fez um ‘rugido’ e desenhou garras no ar. – ela deve ser muito boa de cama. To fantasiando com ela aqui cara.

Eu lancei-lhe um olhar meio maníaco que até fez com que ele fosse pra trás.

– Lino, se você não quer que eu ‘Graw’ – eu fiz as garras no ar – na sua cara e corte sua garganta fora, guarda esses pensamentos pra você... – eu me levantei e fui até o moreno.

Eu era mais alto então olhei-o de cima e encostei-o contra a parede com meu rosto a milímetros do dele, apoiei meu antebraço em sua testa.

– Estamos entendidos? – minha voz saiu baixa e raivosa.

– Mas com certeza. E vale lembrar que se eu fosse gay, eu seria gay por sua causa cara. Rapaz, você está me seduzindo. – Lino disse dando uma piscadinha.

Odeio tentar brigar com o Lino. Ele nunca me leva a sério, e eu sempre acabo rindo. Apenas revirei os olhos e me afastei.

– Ah Hermione, você me paga.

Com esse pensamento fui pra casa, tomei um banho e deitei-me na cama. Eu sentia falta de poder abraçá-la de noite.

– Ela ainda me ama. – eu disse para o gato laranja que estava sentado na janela me encarando. – ela só não sabe disso ainda.

Notas finais do capítulo
Curtiram né? eu sei, eu sei... OOPAKPOAKSOPKOSPKOAK

Feliz Páscoa para todos, lembrem-se de agradecer os chocolates, abraçar a família, por que páscoa vai além de chocolate, e as vezes um 'Obrigado' sincero e um abraço apertado é tudo que alguém mais está precisando.
QUE SONO!
É isso aí nos vemos semana que vem xD Quer dizer, talvez a Pen já tenha voltado, mas eu venho me despedir de vocês XD

*Nox*




(Cap. 18) Love and sex and magic.

Notas do capítulo
*JUROSOLENEMENTEQUENÃOVOUFAZERNADADEBOM*

AAAAAAAAAAAAAAH NÃO ME MATEM!

Vou pular as desculpas e vou logo ao que interessa: MINHA AMIGA LINDA E EXCELENTE ESCRITORA Frappuccina Da Emma ESTEVE DE ANIVERSÁRIO ONTEM -anteontem, já passou da meia noite - E EU VIM POSTAR ESSE CAPÍTULO PRA ELA.

Não é muito, e eu queria poder dar um abraço BEEEEEEEEEEEEEEEEM apertado nela, mas por enquanto é isso aí. MUITAS FELICIDADES, SAÚDE, E CONTINUE SENDO ESSA ESCRITORA GATOSA QUE VC É!

PS: quem quiser uma fic realmente boa escrita por ela, Fremione, leiam If there's a future We Want It Now (http://fanfiction.com.br/historia/353969/If_Theres_A_Future_We_Want_It_Now/)

Beijocas, leiam e me matem depois *U*

VINTE:

I ain't gonna stop you

If ya wanna grab my neck, talk sexy to me like that

Just do what I taught you, girl when I give you my heat

And I need you to push it right back

Sexta as aulas do dia acabaram mais cedo e eu fui socializar com ‘meus amigos’ no lago. O dia estava realmente bonito. Nick estava comigo, andávamos de mãos dadas conversando sobre tudo. Eu não via Fred desde o incidente do dormitório, mas eu ainda estava toda quebrada.

– Olá. – Luna cantarolou quando chegamos.

– Oi... – eu disse sorrindo.

Nicolas sentou e me puxou para sentar no colo dele. Passei o braço ao redor do pescoço do loiro.

– Então, vocês vão na festa de hoje? – a ruiva que estava ao lado de Harry disse sorrindo.

– Sim. – Nick respondeu. – na sala precisa né?

Eu nem sabia que ia ter uma festa.

– Sim. Nossa vai ser legal! Não vou há uma festa há séculos – Rony murmurou.

– Os gêmeos vão? – Nick perguntou.

O clima ficou meio tenso e todos trocaram olhares.

– Sim. – Luna disse piscando, sem entender muito bem o climão.

– Então você não vai Hermione! – Nick disse sério. Olhei para ele com estranheza. – Brincadeirinha – ele riu-se – Gina, nesse caso você tem que produzir a Mi não acha?

O clima tenso foi substituído pela empolgação geral. Todos estavam loucos para que eu voltasse com Fred, e mesmo sem entender minha relação com Nicolas passaram a conversar animados com o garoto. Comentamos sobre o caso Astoria.

Ficamos ali um bom tempo conversando, mas assim que o dia começou a ficar laranja Gina e a outra loira que estava com Rony vieram até mim correndo.

– Oh céus! Olhe a hora! Certo, vocês vão ajudar o Nick, vão se arrumar, que nós temos que arrumar a Mione. Luna! Vamos logo! – a loira dizia em tom de urgência.

– Tá bom Lilá, calma... – Luna deu um selinho em Draco e foi até o meu lado.

Nick estava do meu lado sorrindo, daquele seu jeito de criança, parecendo ter oito anos.

– Gente! O que é aquilo! – eu apontei para o outro lado do pátio.

Todos olharam. Eu puxei Nick e roubei-lhe um selinho.

– Aquilo o que Hermione? – Harry disse e todos voltaram a atenção para mim e para Nicolas que agora gargalhávamos – qual a graça?

– Nada não. Nós não estávamos atrasadas? – eu disse ligeiramente corada.

– SIM! - Gina gritou.

– Tchau peixinho! – Nicolas gritou enquanto eu era arrastada para longe.

– Tchau Paixão! – eu ri.

– O que?! – ele disse rindo.

– Peixão! De peixe grande!

– E eu aqui me iludindo! – ele gritou, eu já estava longe, mas ainda via seu rosto sorridente. – não se esqueça do que conversamos!

Sim. Hoje era o dia, iríamos virar o placar.

***

As três garotas estavam prontas.

Luna usava uma maquiagem escura nos olhos, um sapatinho de boneca, um macacão jeans preto e uma blusa branca. Tinha feito duas chiquinhas e estava usando uma daquelas tiaras de hippies. Estava linda.

Lilá tinha trançado o cabelo de modo que ele caísse pelo ombro, usava uma calça jeans justa com um salto alto, a blusa larga deixava seu ombro à mostra, o azul escuro da blusa combinava com seu sapato e com sua maquiagem azul, enquanto um tom avermelhado ressaltava sua boca. Também estava linda.

Gina estava de vestido. Era um vestido branco com detalhes verde escuro, bem justo no tronco, tomara que caia, e abria-se em uma saia volumosa curta. A meia calça do mesmo verde dos detalhes do vestido ressaltavam seus olhos, e o batom vermelho escuro dela combinava com o sapato fechado de salto não muito alto e com seus cabelos que caiam ondulados em suas costas. Magnífica.

Eu ainda estava de pijama e descabelada, tinha saído do banho há algum tempo, estava me sentindo uma ogra.

– Certo. – as três pararam em minha frente como se fossem a liga da justiça das gostosas. – agora é 20:15! Temos quatro horas para deixar a Hermione linda para o meu irmão. – Gina disse determinada. – sabem o que devem fazer?

– Sobrancelhas e Unhas. – Lilá disse determinada.

– Cutícula e Maquiagem. – Luna puxou um estojo rosa.

– Eu cuido da roupa do cabelo. – Gina disse séria. – Vamos, vamos! Isso não é um treinamento!

E eu passei as quatro horas mais dolorosas da minha vida. Elas diziam que fazer as coisas manualmente tinha um resultado muito mais bonito do que com feitiços.

Era puxa daqui, tira dali, coloca acolá, pinta de lá. Foi um sufoco. E elas eram malvadas, não me deixavam ver como estava ficando, e rosnavam para qualquer garota que entrasse no dormitório.

Por fim o puxa-puxa acabou e eu me vi livre. Ou quase. Era hora de colocar a roupa.

Vesti-me no banheiro – elas tiraram o espelho de lá, vê se eu posso?

– Vem Hermione estamos atrasadas.

– Que horas são?

– Quase 01:00. – Luna respondeu e logo em seguida gemeu. – Ai... O que foi?

Céus estava muito tarde! A festa já devia ter acabado!

– Acho que não vou. – eu disse nervosa – a festa já está no fim...

Lilá riu.

– Amor, as festas do Córmaco costumam começar onze horas e durar até o amanhecer. – Gina disse tranquila. – Agora saia, não me faça ir aí te buscar.

Abri a porta.

Ela me analisaram com um ar orgulhoso. Luna correu até a cama e buscou algo metálico, quando me dei em conta do que se tratava, era tarde e o flash já tinha me cegado. Fiz bico e coloquei a mão na cintura.

Elas riram. Luna apertou um botão e deixou a máquina em cima da escrivaninha.

Elas se cumprimentaram entre si, parabenizando umas as outras.

– É um bom material, mas essa sua trança está linda Gina.

– Sua unha está impecável Lilá...

– Deus Luna, essa maquiagem faz parecer que o olho dela é verde!

– E essa roupa? Onde arrumou o suspensório?

– Parabéns, uma obra prima... Um excelente material...

“Um excelente material” eu estava me sentindo uma Barbie. Pigarreei alto e olhei de cara feia para elas.

– Posso ver como esse “material” ficou? – eu desenhei aspas no ar com os indicadores.

– Sim... Espelho! – Gina estralou os dedos.

Lilá e Luna trouxeram o espelho do dormitório para o seu lugar. Assim que me olhei não me reconheci. E não estava extravagante como achei que estaria. Graças a Merlin!

Lilá tinha feito a sobrancelha muito bem feita, e minhas unhas nem pareciam minhas. Elas estavam quadradas ligeiramente arredondadas nos cantos, o esmalte era cinza fosco com francesinha preta lustrosa.

Luna tinha feito uma maquiagem linda e leve. Minha pele estava perfeita, os cílios longos e um delineador contornando os olhos e puxando em gatinho, um pouco de iluminador na parte inferior dos olhos deixando-me com olhos grandes e na boca um batom vermelho escuro lindo.

Gina tinha me escolhido um short jeans vermelho de cintura alta, uma blusa preta justa com decote em V bem comportada uma meia calça arrastão preta que terminava em um Scarpin preto com um salto gigante. Um suspensório vermelho fechava o meu ar vintage. Minha franja tinha sido penteada para o lado moldando meu rosto e o resto do cabelo tinha sido trançado e enrolado em um coque lateral.

Certo, eu estava bonita.

– Vamos pegar seu noivo das garras daquelas mocréias da Lufa-Lufa. – Gina disse sorridente.

Apenas assenti.

Claro que antes de ir esfregar na cara do ruivo minha produção, algo tinha que dar errado, o problema era que eu não sabia andar com aquele salto. Resultado: eu coloquei um sapatinho de boneca parecido com o de Luna, o salto tinha no máximo 3 dedos e não era agulha. Bem melhor.

Nick estava me esperando no salão comunal. Estava com uma calça cinza que não era exatamente jeans, usava uma blusa branca de gola mais aberta deixando a mostra sua saboneteira e por cima uma jaqueta preta. E seu típico tênis largo. Seus cabelos estavam bagunçados cuidadosamente de forma que ele parecia um Jared Leto mais jovem e sem barba. Ou um Justin Timberlake. Não sei, mas ele estava MUITO sexy.

– Peixinho... – ele disse quando eu cheguei ao pé da escada. – Wow.

Ele pegou minha mão e me girou analisando-me de cima a baixo.

– Nick você está um gato... Quem te arrumou? – Lilá disse.

– Umas amigas minhas da Corvinal, Harry e Rony. Na verdade Harry e Rony só ficaram rindo da minha cara – ele fez uma careta. – nunca mais peço ajuda deles.

Eu andei até o loiro e o beijei, ele já não tinha mais as mãos tão comportadas e agora apertava minha bunda enquanto nosso beijo se tornava quase pornográfico.

– Hermione! – Gina me repreendeu realmente brava.

Eu apenas me separei de Nick, mas ele continuou com a mão no meu quadril.

Passada a bronca da Gina seguimos andando pelo corredor. Eu e ele entraríamos juntos naquela festa.

Estávamos apenas eu e ele em frente a porta do sétimo andar do corredor leste.

– Lembre-se do que combinamos.

– Ciúmes é o pior castigo e o melhor atrativo. Certo.

– Hermione, do que você lembra? De verdade.

– Só o que eu te disse, mas quando eu estou com ele... Eu fico enjoada sabe?

– Enjoada? – ele disse confuso. – Hermione, eu acho que você também esqueceu o que é gostar de alguém.

– Mas eu não gosto dele, eu amo ele, e acho que me apaixonei por ele. Eu não sei meu estômago embrulha e eu penso nele mais do que gosto de admitir. Mas eu sinto como se tudo estivesse errado entre nós sabe, como se por algum motivo não fosse que nem antes. Como eu sinto falta de algo que nem lembro?

– Vamos fazer voltar ao que era. Prometo. Pronta para sua última noite como minha garota? Pronta para voltar à amizade em preto em branco?

– Vou sentir sua falta.

– Hey, não vou morrer! Só vou parar de te beijar – ele disse me encostando na parede mordendo meu queixo.

– Vou sentir falta disso. Com você é tão simples.

– O simples não tem graça. – ele deu uma piscadela. – Tá na hora de voltar pro seu ruivo. Até eu sei disso, mesmo as pessoas me achando um crápula aproveitador.

– Mas Nick...

Ele me abraçou.

– Dá medo, mas você não pode fugir dos seus problemas para sempre. Fred pode ter feito muitas coisas erradas, mas ele sempre te amou, e sempre fez tudo por você. Eu vou estar sempre aqui, como seu amigo.

Eu respirei fundo.

– Levanta o nariz, empina o bumbum, coloca o peito pra frente... Ajeita a postura, sorriso sensual. Não, eu disse sorriso sensual, não sorriso “encontrei Slughorn no Expresso e ele sentou do meu lado”... Isso esse sorriso, agora me de um beijo... – ele me analisou por alguns instantes. – Gostosa pra caramba. Vamos lá.

Ele estava mais alto que eu uns dois dedos – esse moleque tinha crescido – e jogou o braço ao redor dos meus ombros. Entramos.

Uma música barulhenta estava tocando e inúmeros bruxos estavam ali dançando. As luzes eram baixas e flashes reluzentes e coloridos me deixavam levemente tonta. Nick afastava os engraçadinhos que tentavam ficar muito perto de mim. No outro lado da sala havia uma espécie de bar onde a luz era mais regular e não era tão barulhento.

Fred estava lá, sentado com a mesma garota que ficara dando em cima dele outro dia no salão principal.

– Calma Hermione, você está mais bonita. – Nick disse sorrindo pegando na minha cintura e se mexendo começando a dançar. Imitei-o. – a única coisa que ela ganha são os peitos. E com aquele decote...

– Céus aquele decote... – uma voz surgiu atrás de mim.

– Você! – eu disse brava – eu devia te delatar para Minerva! O que você fez não foi atitude de um professor!

O moreno ergueu as mãos em rendição.

– Eu faço tudo em nome do amor. Hermione querida, você está... Linda.

– É Lino, mas eu não tenho um decote daqueles.

Lino apenas deu um sorrisinho, como se esperasse que eu dissesse aquilo.

– Eu posso dar um jeito nisso. Diffindo!

Ele acenou com a varinha e eu senti meu decote em V até então comportado rasgar até o final do esterno.

Nicolas tentou empurrar o moreno, mas não foi rápido o suficiente. Ele segurou o moreno pelo colarinho.

– Eu não sei quem me seduz mais, você, ou o Fred... – Lino disse rindo. Ele já tinha virado alguns goles com certeza.

– Nick, deixa... – eu disse segurando a mão do loiro.

Nicolas soltou Lino que deu uma risada afetada.

– Radiante Cheri. Radiante! – ele beijou minha mão e foi para o meio da multidão enganchando outra garota pela cintura.

E qual foi minha surpresa ao ver que a garota era a garota do Nick, Astória!

– Nick... Aquela não é a...

– Sim... Posso bater nele agora?

– à vontade. – eu dei uma risada – vou beber alguma coisa, vou achar Harry e Rony.

Ele nem me respondeu apenas foi furiosamente rumo ao moreno que agora conseguia arrancar risadinhas da Sonserina.

Saí dali e fui até a parte mais calma da festa onde de fato encontrei Harry e Rony.

– Sozinhos?

– As garotas foram dançar... – eles disseram cansados – pela terceira vez. E o Nick?

– Foi quebrar o Lino. Ele estava dando em cima da Astória.

– Já desisti de tentar entender vocês dois. – Rony disse dando um gole do copo verde colorido em sua frente.

– Bom, estamos aqui novamente, o Trio de Ouro. – Harry disse rindo – Três Wiskys de fogo!

– E Três Tequilas tomba Trasgo! – Rony pediu.

Pelo nome das bebidas eu tenho a leve impressão que aquilo ia destruir meu fígado. Mas Nick tem razão já que eu tenho que enfrentar meus problemas por que não aproveitar essa minha bendita amnésia?

– Saúde! – eu disse.

E então eu e meus amigos tomamos os shots, um logo após o outro e eu senti minha língua queimar gostosamente, Rony mexeu a língua de um jeito que sua língua faiscou e por breves momentos.

– Wisky de fogo. – ele riu.

Tomamos mais alguns goles de Tequila, paramos na quarta dose eu acho.

Pouco mais do que dez minutos se passaram e eu, Harry e Rony estávamos dançando no meio da multidão e eu tinha certeza que se me perguntassem eu não seria capaz sequer pronunciar meu nome.

Estávamos dançando uma ciranda quando Nicolas veio falar comigo. Puxei-o para a ciranda.

– Hermione, o que você está fazendo, você veio por causa do Fred lembra?!

– Quem? – eu disse rindo

– Quanto ela bebeu?

– Algumas doses... – Harry deu uma risadinha e me girou no ar desfazendo a ciranda.

– Os dois são muito fracos – Rony ria.

– Eu não sou fraca! – eu me enrolei um pouco para falar, mas ainda dançando com Harry.

Eles continuaram falando alguma coisa, Gina e Lilá apareceram em algum momento, mas a única coisa que eu tinha olhos era para aquela Platelminta pendurada no pescoço do meu Fred.

– Licença... Eu vou ali humilhar aquela garota e já venho... – eu disse, mas ninguém entendeu o que eu estava dizendo. Soltei-me de Harry e agarrei Lino que estava passando.

– Lino, me leve até aquele ruivo safado...

Lino apenas riu.

– Sim senhora.

Eu subi em suas costas e ele atravessou o salão comigo nas costas. O resto dos meus amigos, apenas olhavam divertidos e apostavam entre si o que eu ia fazer. Antes que chegasse até meu ruivo, fiz uma escala no gêmeo dele. Pulei das costas de Lino e enganchei Jorge pelo pescoço.

– Cunhadinho, preciso da sua ajuda. – eu disse sorrindo, ao seu lado tinha uma garota linda, morena que não curtiu muito me ver.

– Hermione! – ele disse sorrindo. – Amor, depois eu falo com você tudo bem?

A garota apenas revirou os olhos e saiu resmungando algo que eu não entendi. E também não estava a fim de entender...

– Tchau Angelinaaa... – Lino cantou.

– O que vocês querem? – Jorge sorriu.

Eu coloquei Jorge e Lino lado a lado e parei em frente a eles.

– Estou gostosa? Mais do que aquela mocréia ali? – eu abri os braços.

Lino ajeitou meu decote, Jorge desfez meu coque e soltou me cabelo.

– Desculpe por isso Hermione, mas é necessário. – Lino encostou a boca no meu pescoço e sugou-o com vontade logo depois dando um beijo em cima.

– Bem pensado... – Jorge concordou.

– Sim, mas isso só me deixou com mais vontade inda daquele ménage...

Eu ri. Eu sabia que devia ter batido nele, mas ri abertamente.

Eles viraram um de frente para o outro e fizeram uma cadeira com seus braços. Entendi o convite e me sentei.

E assim eles me levaram até o Fred, que estava distraído com uma bebida, conversando com essa garota.

Assim que me viram chegando ficaram em silencio. Lancei um olhar de desprezo superior para a garota e ergui uma sobrancelha para Fred. Lino e Jorge me colocaram no chão.

– Traidores. – Fred reclamou.

Eu aterrissei no chão como uma fada ainda olhando para Fred.

– Hermione eu estou ocupado. – ele disse com o braço ao redor da garota.

– Ruivo Safado, Invertebrado Pseudocelomado... – eu ri. – vamos conversar...

– Hey garota, se toca! Ele não... – a tal garota nunca terminou a frase, pois Fred levantou-se abruptamente quase derrubando-a.

– Isso aí no seu pescoço é um chupão?!

Atrás de mim vi de relance Jorge e Lino trocarem um ‘hifive’ discreto.

– Acho que sim... E não é do Nick... – eu disse rindo me apoiando no balcão e gesticulando para o barman.

Tomei outra dose de tequila.

3... 2... 1...

– Hermione Granger, vamos conversar agora! – o ruivo agarrou meu braço.

Sorri.

Andei com ele até o outro lado do local silencioso dando um rápido aceno de despedida para a garota do bar que em resposta me mostrou o dedo do meio. Má educada.

– O que é isso no seu pescoço Hermione?! – ele disse bravo.

– Não sei... – eu dei uma risadinha. – Fred, você é o ser mais escroto de todos os tempos.

– Eu sou escroto?! Você é o que então?

– Eu sou linda.

– Hermione, eu estou falando sério, por favor! Eu te amo porra. Eu quero ficar com você, e eu sei que você também quer, então qual o sentido disso tudo? Essa marca no seu pescoço, aquela garota idiota dando em cima de mim, você ficando com o Nicolas! Quando nós viramos esses joguinhos? Pare de usar sua perda de memória como desculpa para se comportar como uma adolescente inconsequente.

– Então pare de fingir que tudo é culpa minha, eu não lembro de nada Fred, mas eu sei que as coisas já estavam ruins antes!

– Então me deixa arrumar tudo. Por favor. Eu sei que eu errei, mas poxa, eu sou humano! Eu fui estúpido, mas eu quero acertar tudo.

– Não me prometa estrelas, você sabe que não vai conseguir pegá-las e só vai me frustrar e iludir. – Ele estava com a mão na minha cintura e encostou sua testa na minha.

– Não são promessas vazias, Hermione. Se você quer estrelas, eu te darei estrelas. – ele sussurrou.

– Não consigo fazer isso agora. – eu disse agora não tão sorridente. – eu preciso de um tempo. Preciso ver meus pais, ficar em casa, com minha família.

– Com o Nicolas? – o ruivo bufou e jogou seu corpo para trás intencionando sair dali.

Enganchei seu pescoço e me estiquei o máximo que pude – lamentei não estar com o salto agulha de Gina – e encostei meus lábios no dele.

Eu o conhecia, sabia como ele estava se sentindo. Não queria vê-lo assim. De imediato não obtive resposta, apenas fiquei beijando seus lábios inertes e aos poucos conseguisse que ele abaixasse a cabeça em minha direção.

– Deixe eu ver meus pais. Segunda feira nós ajeitamos isso. Segunda-feira eu prometo que vou retomar minha vida.

Ele finalmente olhou para mim.

– Segunda-feira?

– Sim.

– Você é muito escrota.

Dei de ombros e fiz bico. Ele me deu um longo selinho.

– Agora sim eu posso ir dormir bem. – eu disse sorrindo. – Boa noite Fred.

– Você só veio aqui por isso?! – o ruivo disse assim que me distanciei.

– Basicamente. – eu sorri.

– Te acompanho até seu quarto.

***

Eu estava nas costas do ruivo, ele sem dificuldade alguma me levava até o dormitório feminino. Quando chegamos lá ele tirou meu suspensório e me ajudou a colocar o pijama, tomando um extremo cuidado para não acordar as grifinórias que ali repousavam. Aquela cena parecia familiar.

Ele me deitou na cama e com uma toalha molhada tirou minha maquiagem. Eu estava quase dormindo. Virei de bruços e joguei meu braço por cima da cintura do ruivo, que estava sentado na beirada da minha cama.

– Na escala evolutiva, você está junto com os diblásticos. – eu murmurei enrolada.

– Cala a boca. – ele me deu um peteleco. – Boa Noite Hermione.

– Boa noite Físico.

Eu olhei para ele. Ele tinha seus olhos fixos em mim, e uma expressão séria. Ele se ajoelhou ao lado da cama e entrelaçou nossos dedos, logo depois me beijou.

Meu coração pulou no peito, irrequieto. O corpo do ruivo estava perto, mas não parecia ser o suficiente. Quando dei por mim eu estava chorando, sentia muita falta dele, queria ficar com os fios ruivos dele entre meus dedos para sempre.

– Fred...

– Vai dormir, Hermione. – ele me deu um selinho – você está bêbada.

– Possivelmente – eu solucei meio manhosa. – fica aqui comigo até eu dormir?

– Fico com você para sempre se você quiser. – ele riu. – você fica fofa assim, vou te embebedar mais vezes.

– Bestão.

Minha respiração aos poucos se estabilizou e eu me senti aquecida. Adormeci, mas senti que algo estava errado. Apenas não queria pensar sobre aquilo. Não agora. Apenas queria sentir enquanto Fred se deitava ao meu lado e me acolhia em seus braços.

Notas finais do capítulo
Vai ter um presente parte II mas não é tão alegre quanto esse capítulo T_T

ps:acciofrog,nanny, Sue Almeida, as lindas que me deixaram recomendações mesmo eu tendo plena ciência que não mereço *U*

Adorei!

*malfeitofeito*




(Cap. 19) Um só.

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*

Então galera, presente da Frapuccina parte II, mas aqui começa a desgraça e no próximo capítulo... Bem... Acho que eu vou apanhar mais do que na falsa morte do Fred. aguentem firme por que os próximos dois capítulos estão... deprimentes e revoltantes.

aproveitem flores n_n

VINTE E UM:

Sem você, eu sumo

Eu morro de fome

Eu perco meu rumo

Eu fico menor

Eu tenho o seu gosto

Eu sou do seu jeito

A cor do seu rosto

Eu já sei de cor

Mas se você planeja

Nos partir ao meio

Então nem pestaneja

E faça sem dó

O meu desespero

É que quando acaba

Você fica inteiro

E eu fico o pó.

– Clarice Falcão

Esse capítulo é curto, mas extremamente importante. Aqui, aquela nossa discussão. A discussão que definiu o resto de nossas vidas, e as vidas de muitos outros bruxos. É engraçado como coisas banais e idiotas podem dar a luz a monstros de sete cabeças.

– Hermione! Vamos nos atrasar! – Gina gritou.

Quase morri, senti minha cabeça vibrar e meus olhos quase saltarem para fora da cara.

Abri os olhos vagarosamente, e pedi silêncio pelo amor de Deus. Do lado da minha cama tinha um copo com água e dois comprimidos, e um bilhete. Dele.

“Raspo a sobrancelha do Jorge se você não acordar de ressaca, os comprimidos irão ajudar. Nos vemos mais tarde. – F.W.”

Tomei os comprimidos e fui me vestir. Mal tomei café fui encontrar o loiro frio e sua estranha namorada.

– Draco! Luna!

– Hermione, achei que não vinha. – o loiro sorriu.

– Vamos, temos muita coisa pra te mostrar! – ela foi me puxando. Infelizmente o dia estava ensolarado e as pílulas de Fred ainda no tinham surtido efeito. Merlin e suas meias: QUE DOR!

Isso fica de aviso crianças, nunca misturem bebidas, de estômago vazio. Melhor ainda: Nunca bebam!

Eu me lembrava do que tinha acontecido na noite anterior... Quer dizer, mais ou menos.

Durante todo o caminho até Hogsmead eu fiquei mais calada, não parava de pensar no ruivo, ficava nervosa ao lembrar de seus olhos estupidamente verdes me observando com cobiça, seu toque firme em minha cintura, sua voz grave e baixa, seu sorriso espontâneo.

– Hein Hermione? – Draco me tirou de meus delírios.

– O-o que? – eu disse corando. Será que ele estava vendo meus pensamentos?

– Vamos tomar cerveja amanteigada, mas provavelmente o Fred vai estar lá, tudo bem pra você?

– Ah, sim, acho que tudo bem... – eu engoli em seco, Fred e seu 1,85 de perfeição iam estar lá. e eu toda desarrumada desse jeito. Merlin me mate.

***

– E vocês se beijaram? – meu gêmeo disse quase me agarrando pelo colarinho.

– Sim, e eu dormi com ela. – disse acabando de virar minha cerveja amanteigada.

Eu e Jorge estávamos trabalhando em um novo produto no Cabeça de Javali. Na verdade eu estava fazendo aquele em especial para Hermione, mas meu gêmeo não estava colaborando muito para desenvolver a concretizar minha ideia.

– O que?! Fred, vocês...

– Não! Eu só dormi! Deitei do lado e dormi. – revirei os olhos. – ela disse que vai resolver tudo até segunda.

– Segunda?

– É, ela quer ficar com os pais, ela está muito perdida ainda. Mas tudo bem, eu sei que ela me ama. Ela vai ficar comigo.

– Fred, você sempre me diz que ela se sente culpada, você nunca se preocupou com isso, quer dizer, se ela se culpa tanto a ponto de ser um trauma que a fez apagar a própria memória para lidar com isso, acho que ela fez algo grave.

– Isso é só uma teoria, o médico não disse que ela fez algo grave. – interrompi-o.

– O médico disse que ela está bloqueando coisas que... – Jorge insistiu.

– Não me importa, Jorge. Eu a amo mais que tudo. E conheço ela, ela é boa, ela é pura, ingênua.

– E você um meloso bobão apaixonado. – Jorge revirou os olhos se esticando na cadeira. – e se ela não for a santa que todos acham que é?

– Não disse que ela é santa. – bufei irritado. – Mas ela é incapaz de... Ah Jorge! – eu disse irritado. – eu confio nela.

Eu confiava na Hermione, e sabia que sua índole era boa, mas a verdade era que eu também me perguntava de onde vinha toda sua culpa, o que a preocupava tanto. Mas não queria duvidar dela, não queria especular sobre isso, até por que eu sei que se ela no fim se revelasse uma comensal ou algo do gênero, eu a seguiria. Eu estava amaldiçoado a ficar do lado dela. Fadado, obrigado, abençoado. Ela tinha minha vida nas mãos, e isso as vezes me assustava.

– Claro mano, claro. Você está muito fudid...

– Fred! Jorge! – a voz de Draco interrompeu meu irmão.

Virei-me para ver o loiro e quase caí da cadeira ao ver que Hermione estava ao lado dele, juntamente com Luna.

Ela estava uma graça, tinha a cara meio amassada – ressaca aposto – usava a blusa social branca e um suéter escuro por cima, e sua gravata frouxa no pescoço toda amarrotada. Usava sua típica saia dois dedos acima do joelho e uma meia calça escura. Os cabelos rebeldes presos em um rabo de cavalo meio desgrenhado e seu sapatinho de boneca desamarrado finalizava o look da antiga Hermione.

– Sonserino! – Jorge o cumprimentou – junte-se a nós, você e as suas ladies. – Jorge deu uma risadinha marota.

Continuei sentado descontraidamente na cadeira, mas devo admitir que me contive muito para não sorrir quando Hermione se sentou ao meu lado. Ela estava meio tímida, não sabia o que fazer, e mantinha seus olhos pregados em Luna, que tagarelava sobre vagalumes. Aos poucos a conversa fluiu e todos conversávamos, risonhos, felizes. Eu tenho que admitir que me empolguei com o hidromel, e ao fim da tarde estávamos perto da casa dos gritos brincando de esconde-esconde.

É, eu tenho quase 20 anos e estava brincando de esconde-esconde.

Depois de brincarmos ficamos observando o dia cair. Eu estava meio enjoado e resolvi dar uma volta para respirar e ver se o enjoo passava.

***

Vi quando o ruivo se levantou, ele tinha bebido demais.

– Eu vou ver como ele está. – eu disse antes que ruivo sumisse de vista.

– HMMM. – Jorge insinuou malicioso.

– Cala a boca Jorge, só to preocupada com ele...

– HMMM – Jorge, Luna e Draco fizeram simultaneamente.

Apenas revirei os olhos e corri atrás do ruivo que se entranhava naquele bosque.

– Fred! – chamei-o.

Ele parou e deu um rápido sorriso.

– Ah Hermione, sai daqui... – ele disse revirando os olhos. – se eu vomitar vou estragar minha imagem de noivo perfeito.

Ele foi tentar se apoiar em uma arvore, mas acho que ele ao notou que na verdade a árvore estava a metros de distancia dele, e ele caiu no chão. Eu tive que dar risada.

– Ai Fred, cala a boca. – eu andei até ele e tentei ajudá-lo a levar, mas parece que ele não queria levantar. Ele tinha uma ideia melhor.

Ele me puxou para que eu caísse por cima dele, e então se acomodou nas folhas secas e me abraçou, alojando-me em seu peito.

– Ah, Hermione! – Fred soltou em um suspiro – volta logo, quero minha família logo.

– Eu to voltando... – menti, não tão certa de se minha memória um dia voltaria.

– Sim, sim... – ele disse sorrindo – eu, você, o nosso Naoki... O quarto dele tá todo pronto sabia? O berço é tão lindo... Mal posso esperar para me debruçar nele e ficar observando nosso garoto rolando, pra lá e pra cá...

Ele estava falando sonhadoramente e essa parecia uma típica cena da família feliz. Exceto por um motivo: a mãe estava com vontade de arrancar o útero pela garganta!

Quanto mais ele falava mais o ar saia de meus pulmões. Não queria ter um filho, ia destruir minha vida. Como eu ficaria com Fred se tivesse um filho no meio? Morar junto, beleza. Casar no máximo. Ter um filho? Não! NÃO! Eu não queria esse filho, e ele apenas estava me impedindo de ficar com o ruivo. O ruivo ficaria com o filho, mas eu não ia assumir este fardo. No fim eu estava sendo burra, jamais ficaria com Fred. Ele tinha escolhido sua antiga família, não o culpo, o entendo, mas eu não consigo fazer o teatro de família feliz. Apenas não consigo.

Soltei-me do abraço do ruivo e comecei a me levantar. Eu tinha que sair dali, se não quem vomitaria seria eu.

Mas o ruivo me puxou novamente, desta vez me beijando profundamente. Suas mãos firmes passavam por minhas coxas e bagunçavam meus cabelos, eu o beijava com gana, o apertava, arranhava um pouco, tinha ânsia de tê-lo para mim.

“Você não pode tê-lo. Ele já é do filho dele.” Minha consciência lembrou-me.

Com um ressalto me afastei dele. Eu estava furiosa, triste, confusa.

– Seu idiota! – eu gritei raivosa. Ele me olhou sem entender a mudança de humor. – por que você fez isso?! Eu estava melhor sem você! Por que você fez isso?!

– O que eu fiz agora?! Achei que não tinha problema te beijar, desculpe...

– Não se faça de sonso! Você quer me manipular para que eu seja sua esposinha, eu nem me lembrava de você, ficaria mais feliz sem lembrar! – eu esmurrei seu peito e me levantei. Eu estava em cólera.

Frustração.

– Do que diabos você está falando?! – ele disse segurando meus pulsos.

– Por que você fez isso...? – eu baixei o rosto. – era a minha chance de me afastar de você e dessa vida...

– O que eu fiz?! – ele disse irritado.

– Fez com que eu me apaixonasse por você! Eu poderia ter ido embora, viver com os trouxas, com meus pais, livre!

– Você só estaria fugindo, e mais dia menos dia você se lembraria de mim! E mesmo que não estivéssemos juntos você não ficaria com seus pais!

– Ficaria sim.

– Não ficaria não! Eles são trouxas, e você é um alvo. Nós somos. Nunca deixariam vocês em paz, eu sou um Auror, você é a general. E além do mais...

– Essa guerra já deve estar acabando, eu ia ficar livre!

– Não Hermione! Essa guerra toda é por sua causa. Nossa causa.

Eu franzi a testa, como eu tinha alguma coisa a ver com aquilo?

– Nosso filho tem um pedaço da alma daquele bruxo que eu te falei. Enquanto não separarmos as almas deles, Voldemort não pode ser derrotado. E a guerra continua.

– Mais um motivo para abortar esse...

– Meu filho, e você não vai abortá-lo. – Fred disse ríspido. – lide com isso só por mais alguns meses, depois que ele nascer você não precisará mais lidar com esse problema.

Enchi meu olhos de água e com toda minha força espalmei minha mão em seu rosto.

– Se é assim, por que fez toda essa palhaçada de me conquistar?! Por que não me deixou quieta com o Nicolas? Por que me prometeu estrelas, se tudo que você consegue me dar são espinhos e cacos de vidro?!

– Por que eu tinha esperanças que você voltasse a ser a garota que eu amei. Para ela eu daria todas as estrelas, essa covarde que eu estou vendo não merece muito mais do que cacos de vidro. – sua voz saiu fria.

Aquilo doeu. Mais do que eu esperava.

Eu estava apaixonada, e ele não amava a pessoa que eu era.

Aquilo era demais pra mim. Eu não conseguia lidar com aquilo, eu odiava cada vez mais aquele feto que estava no meu ventre, me odiava, odiava o Fred, o mundo bruxo, a antiga Hermione. Eu não pertencia àquele lugar.

– Fique de luto por essa garota então. Em alguns meses eu te dou o seu amado filho e acabaremos com isso. Não vai mais precisar me ver.

– Não faço questão mesmo. – ele deu as costas num ato infantil de dar a última palavra.

Fiz o mesmo, dei as costas e segui rumo ao castelo. As lagrimas escapavam e rolavam estranhamente pelo meu rosto e eu me sentia extremamente magoada.

Eu tinha me apaixonado. Burra. Estúpida!

***

Ela foi embora, eu ainda estava nervoso, bravo. Aquele era nosso filho e ela falava assim dele? Ela queria fugir, não era a Hermione que eu conhecia.

Mas acho que eu teria que esquecê-la afinal. Tinha que pensar no meu filho.

Ele era uma Horcrux, e eu estava pesquisando sobre isso incansavelmente nas ultimas semanas. Moddy tinha livros bem interessantes sobre isso, ao que parece demora 6 meses para a alma se fixar a Horcrux, logo nesse período é fácil destruir o ente possuído. Um simples ‘Incendio’ é capaz de destruir a Horcrux. Tinha um conto sobre um homem que fez uma Horcrux com um pássaro e este foi morto durante o período de fragilidade, e a Horcrux foi destruída.

Mas claro, não posso colocar um feitiço de “Incendio” no meu filho por motivos óbvios. Primeiro que com seis meses ele ainda estará na barriga da Hermione e segundo porque feitiço também mataria meu filho.

Andei pelo bosque rumo à casa dos gritos, onde os outros conversavam rindo.

Do que eu estava falando? Eu a amava, mesmo ela não sendo mais ela. O que eu ia fazer sem ela do meu lado? Eu não seria eu. Provavelmente acabaria indo viver uma vida trouxa com ela e...

“E o que? Levar mais desgraça pra ela? Causar a morte dos pais dela?”

Hermione estava quase chorando. Não queria que ela chorasse, mas quem sabe ela não merecesse uma folga disso tudo. Talvez ela realmente não pertença a esse mundo. Talvez a felicidade dela esteja com os trouxas. Eu a tinha feito me amar. Eu a faria me odiar, assim ela estaria mais feliz.

Se eu soubesse a importância da discussão que tivemos. Se eu sequer sonhasse com as consequências de minhas palavras... No fim, eu causei todo o sofrimento que Hermione tanto se culpava. Eu sabia que eu era um imbecil, só não fazia ideia das dimensões da minha imbecilidade.

Notas finais do capítulo
TAN TAN...
*malfeito, feito.*




(Cap. 20) Family Portrait

Notas do capítulo
*Lumus*

Leonardo aqui, vim postar esse capítulo por que a Penelope não teve coragem... ela mandou recadinho pra vocês:

"*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*

Cara, por favor peguem leve comigo, já me detesto o suficiente por ter feito o que eu fiz.

Eu sabia que isso ia acontecer desde que eu escrevi aquela profecia em "Escolhas". E só Merlin sabe como eu chorei pra fazer isso.
Mas acreditem em mim, o que eu tinha em mente originalmente era mil vezes pior.

NÃO ME MATEM T_T POR FAVOOOOOR

PROMETO QUE ACABOU O DRAMA,DAQUI PRA FRENTE MELHORA T_________________________T "

HONTO NI GOMEEEEN

aproveitem... ou não T_T

VINTE:

.

I promisse I'll be better.

.

Abri meus olhos, cansada de esperar. Queria desesperadoramente ver meus pais.

Estava no banco de trás do carro trouxa, espaçoso. Minerva ia no carona, observando a paisagem dos bairros trouxas, e Fred dirigia. Com certeza estava fazendo o caminho mais comprido. Eu estava no banco de trás.

– Falta muito? – minerva indagou curiosa.

– Não. – Fred disse num muxoxo.

E assim foi, alguns minutos depois eu reconheci! Meu bairro! Minha rua! Minha casa!!!

Eu ia ver meus pais, abraçar minha família, sentir o cafuné da minha mãe.

Assim que o carro estacionou eu pulei do carro, como uma criança ansiosa na manhã de natal.

Tirei as malas do carro rapidamente, queria ir logo para o meu quarto.

– Hermione. – o ruivo me chamou e meu humor imediatamente piorou. Doía olhar em seus olhos. – Mione... – ele chamou carinhosamente e afagou meu rosto. – Vai ser melhor assim. Seu quadro é provavelmente irreversível. Acho que...

– É pra minha felicidade, certo. – eu revirei os olhos.

– Hermione...

– Fred?

– Não seja infantil.

– Certo Fred, certo. – eu apenas balancei a cabeça. Não queria mais conversar com ele. Apenas coloquei minha mochila nas costas e fui rumo a porta.

Mas antes que minerva pudesse tocar a campainha algo estranho aconteceu. Uma mensagem em fumaça subiu serpenteando a porta até se formar diante meus olhos.

“Não entre, General. Não entre.”

.

– O que é isso? – eu disse curiosa.

Minerva imediatamente ficou tensa.

– Fred! Vocês revistaram a casa?

– Sim! Eu mesmo reforcei as barreiras.

– E o outro grupo que veio hoje pela manhã? – minerva dizia, mas não me parecia muito importante, eu estava com a mão quase na maçaneta.

– Não era para nenhum grupo ter vindo hoje pela manhã. – o ruivo murmurou.

Senti meu peito apertar e em um impulso burro e estúpido que me perseguiria pelo resto da vida, abri a porta.

Assim que a abri uma nuvem de poeira e fumaça negra saiu de dentro da minha casa, ascendendo aos céus formando em cima da minha casa uma caveira, que deslizou seu maxilar inconsistente e por entre os dentes da caveira uma cobra nebulosa saiu, e nesse exato momento, senti uma dor lacerante em meu ombro.

– Hermione! – Fred tentou me chamar, mas eu precisava salvar meus pais.

Adentrei a sala que tinha tantas lembranças carinhosas e senti uma forte náusea me tomar. As paredes estavam manchadas de sangue, e no sofá do outro lado da sala, minha mãe e meu pai, totalmente dilacerados sentados, lado a lado, como dois pais cadavéricos que esperam eternamente pelo retorno de sua filha.

Estavam de mãos dadas.

E no fundo, uma gravação em algum lugar começou a tocar, suas vozes assustadas.

“Filha, não foi sua culpa... Nós te amamos muito, e tudo que eu mais quero fazer é poder te abraçar, como quando você era a minha princesinha” era a voz rouca e cansada do meu pai.

“Você foi o meu maior orgulho filha, Eu te amo muito, muito. Tudo vai ficar bem, a mamãe vai fazer aquele sanduiche que você gosta, vamos jogar poker, e você vai me ganhar com um três e um quatro... Vou acabar de contar as histórias que você dormiu quando era pequena, sem que eu terminasse o final... Eu te amo filha” E então, o tom choroso e apavorado da minha mãe foi interrompido por uma voz cavernosa, e gélida, que fez com que a bile me subisse pela garganta.

“Acho que não, General. Avada Kedavra!”

E os gritos desesperados dos meus pais silenciaram. Tudo silenciou. Apenas o que sobrou foram seus corpos debochadamente ajeitados no sofá, me dando as boas vindas com uma careta retorcida de dor no rosto manchado de sangue.

Braços tentavam me tirar dali, mas eu estava curvada, vomitando algo amargo. Seria minha alma?

“Saiba, todo mundo vai morrer, Presidente, general ou rei” a voz entoou ao longe, cruel, sádica. “Você disse não disse General? Você será a próxima.”

– Hermione temos que sair daqui! – alguém gritou enquanto eu era arrastada para longe daquele cenário grotesco.

Mal me colocaram para fora da casa e uma grande labareda de fogo tomou a casa, pouco a pouco escalando e destruindo tudo.

– Não, meus pais... Não... Não! Temos que voltar, meus pais estão lá!

– Eles estão mortos!

A verdade me atingiu como um chute no estômago. Fred me chacoalhava, e gritava. Eles estavam mortos. E seguidos longos segundos de silencio, com toda força que consegui reunir, estapeei o ruivo.

– MORTOS POR SUA CULPA! – Eu soluçava incontrolada, dando passos perdidos, tentando controlar o refluxo.

– O que?!

– É SUA CULPA! É SUA CULPA! ELES MORRERAM, NÃO ME SOBROU NADA! ESTÁ FELIZ?! EU NÃO TENHO NADA! NADA!

– Hermione, calma...

E então, eu sabia o que tinha que fazer. Segurei minha varinha firmemente e girei nos calcanhares, sentindo a sensação de ser sugada para dentro de mim mesma, tentando ser mais rápida que a dor, sufocadora e gigante que me perseguia, mas de nada adiantou, no fim ela simplesmente me afogou como uma imensa onda, tirando meu ar, tirando minhas forças, deixando-me inerte, boiando em angustia, enquanto o desespero e a raiva inundavam meus pulmões, e eu me afogava em desesperança.

E eu sabia o que tinha que fazer.

***

– Tem certeza querida? – a mulher me perguntou, mas eu estava tão drogada que nem sequer sabia meu nome.

– Tire essa coisa de mim.

Desmaiei logo depois uma mistura das drogas, do álcool e da anestesia que a mulher me aplicava. Algo há muito estava errado, senti pontas fortes no meu ventre. Estava em algum lugar, era noite, o lugar era meio sujo e tinha um cheiro muito ruim, de podridão.

“Ela estava com Eritroblastose fetal reversa , estava comendo ela por dentro, nunca vi nada assim...”.

“Ela está acordando?!”

– Mãe... Está tudo bem agora.

– Naoki...

“Isso foi o caso mais estranho que eu tive. Ele tem características ofídicas, e marcas estranhas...”

– Naoki... Naoki, não vá para o fundo.

– Eu estava deixando de ser eu mãe. Não se culpe, não me odeie

– Eu escolhi ele, me desculpe... Me perdoe, me perdoe...

– Eu sempre vou te amar, e eu sei que você sempre me amou. Mas você precisa voltar. Agora está tudo bem. Acabou, Trelawney tinha razão mãe...

– Não, não... Naoki...

– Está tudo bem.

“Hemorragia! Me passe aquela poção rápido! É muito sangue, é muito sangue! Ela não vai aguentar!”

– Eu não quero aguentar.

– Eu te amo mãe... – sua voz rouca se tornou nítida e então eu abri os olhos e vi.

O ruivo estava perto de mim, passou a mão pela minha testa ensopada e deu um rápido beijo no meu ombro que até então ardia mortalmente.

Em pensar que a única vez que vi meu filho, senti-o, estive com ele, foi em um delírio de quase morte.

***

Acho que uma explicação minha aqui é pertinente. Sou a narradora onisciente. Obviamente este não é o melhor momento para apresentações, mas de qualquer modo...

Hermione passou por muita coisa. A purificação de sangue. As poções de Narcisa. Os feitiços. Os machucados. As pedras Boa noite Cinderela. A Horcrux. O corpo dela simplesmente não era fisiologicamente capaz de aguentar. Ela começou a definhar, e consigo seu filho. Em uma tentativa desesperada de se salvar, como última defesa instintiva, seu corpo renegou aquelas memórias que literalmente corroíam-na.

Para eterna maldição de Hermione e Fred, eles nunca vão saber, mas depois do dia que Hermione sonhara com Naoki na praia, ele começara a morrer. Um processo complicado em que o corpo de Hermione, aos poucos tentava matar e renegar aquilo que lhe fazia mal. Mas Naoki, conforme deformava-se em seu ventre e se tornava uma Horcrux viva, reagia. A magia negra impregnada no feto lutava de volta, corroendo e envenenando Hermione por dentro.

Ela achou que escolheria os dois amores de sua vida. Sequer suspeitou ela que se os dois amores da vida dela coexistissem, ela seria o fator apagado. Ela morreria, antes de Naoki completar oito meses.

Mas nada disso importa. Hermione e Fred culpar-se-iam, até o fim de suas vidas.

.

– Querida... Querida! – uma voz me trouxe de volta. – ah, achei que tivesse morrido...

Abri os olhos, estava muito estranha, tudo girava e estava colorido.

Doía, doía, doía...

– São 100 galeões...

– O que?

Duas mulheres estavam ao meu lado, eu estava em uma cama usava uma roupa de algodão que não era minha e tudo girava.

Doía, doía, doía...

– Tivemos que de dar mais anestesias, você não parava quieta... Você está bem?

– Que horas são? – murmurei confusa.

– Quase 03:00... Mas você está aqui há dois dias.

– Céus o que houve? – Tentei me levantar, mas minhas pernas estavam bambas, e eu estava mortalmente gelada. – Fred deve estar morto de preocupação!

– Calma, acho que ainda está sob o efeito dos sedativos...

– O que? – eu pisquei rapidamente, senti um enjoo estranho e a dor.

Doía, doía, doía...

– A senhora chegou aqui, pedindo por nossos serviços.

Doía, doía, doía...

– Que serviços?

– Não lembra?! – a mulher se espantou.

Doía, doía, doía.

– Que... Serviços? – eu disse pausadamente.

– Medidas abortivas. – a outra mulher mais jovem disse incerta.

E então tudo explodiu. Doía, rasgava-me, dilacerava-me. Pressionei meu ventre, e torci minha pele, esperando uma resposta dele. Senti-me vazia e imediatamente lágrimas inundaram meus olhos e como um Dick que se rompe, eu lembrei tudo. Dei-me em conta do que tinha feito. Não chorava, eu apenas deixava com que as lágrimas esbanjassem por meu rosto rolando involuntárias.

Voldemort, Horcrux, Meus Pais, Naoki, Fred, Hogwarts.

Eu tinha abortado meu filho. Eu tinha matado a pessoa que eu mais amava nesse mundo.

Lembrei o que tinha feito. Lembrei quem eu era. Aquilo foi simplesmente demais para mim. Quis esquecer tudo, saí correndo, e corri por quadras, ruas inteiras, até me perder. Mas o peso da tristeza estava dependurado em mim. Vomitei, bebi, fumei, me droguei, corri, me perdi, tentei me esquecer.

A realidade se tornara insuportável, então eu passei, horas, dias, semanas, anos, séculos, trôpega. Não me atrevia a ficar sóbria. Não me atrevia a me olhar no espelho. Simplesmente me esqueci nas ruas de Londres, e entupi minha mente de substancias que me tiravam de mim, e me deixavam mais vazia do que eu estava. Eu rezava, rezava para que minha memória fosse embora, que eu mineralizasse e virasse um punhado de areia.

Mas não, isso seria generoso demais da parte do Destino. Era mais divertido me manter ali, sofrendo, era engraçado. Minha vida era uma grande peça, cheia de piadas de mau gosto. E o grand finale estava perfeito! Granger: a Quasimodo!

Assistam! Riam! Granger! Estúpida! Vejam! Deleitem-se com seu sofrimento! Vejam aquela que Deus a fez sua semelhança, tornar ao pó em vida! Uma pessoa definhar por completo, decompor-se enquanto seus pulmões ainda enchem-se de ar!

Vejam! Assistam! A garota morta, que o coração teimoso recusa deixar de bater!

Eu não consegui salvá-lo.

Um deles foi tirado de mim. Meu filho.

Uma semana se passou e eu alternava de boate para boate, exibindo a todos minha desgraça, sendo a aberração do mundo. Não me fazia de coitada, não chorava na frente de ninguém, apenas bebia até sufocar minha alma e largava-me em algum canto, apática. Sem falar com ninguém, sem escutar ninguém, sentindo apenas o mais puro e refinado desespero. Silenciosamente. O silêncio era o meu castigo, eu não tinha o direito de me queixar, eu havia feito aquilo, aquela dor, embora insuportável, era merecida.

– Hermione?! – uma voz desesperada chegou até mim. –Por onde você andou?! – ele estava furioso.

Dentre a neblina que eu me encontrava, ergui os olhos e me deparei com a última pessoa que eu queria ver no universo. Senti meu sofrimento e angustia aumentarem exponencialmente e o desespero começar a agitar meu corpo. Dei as costas, não conseguia encarar ele. Simplesmente era doloroso demais. Tentei me esgueirar pela multidão, mas então senti meus olhos arderem, e minha visão ficou embaçada, meus sentidos estavam um lixo, eu mal conseguia dar dois passos sem tropeçar, me escorando na multidão animada para tentar me impulsionar para longe dele.

Mas então quando dei por mim o ruivo havia agarrado meu braço, com mais força do que o necessário e me arrastado para um canto qualquer daquela boate trouxa.

– Fred... Me mate... Por favor! – eu disse me debulhando em lágrimas.

– O que houve? – ele disse revistando minhas roupas em busca de ferimentos, procurando desesperado o que estava me deixando daquele jeito, sua voz passou de furiosa, para alarmada.

Dei-lhe um tapa.

– Eu me lembrei de tudo! – eu gritei atraindo atenção de boa parte dos frequentadores da tal boate.

– Vamos sair daqui. – ele sussurrou passando os braços ao meu redor e eu senti enquanto era puxada para dentro de mim.

Caí na sala do que costumava ser minha sala. As paredes azuis. O piano. Os livros.

– AAAAAAAAH! – Eu gritei não aguentando a dor.

Avancei sobre tudo que tinha na minha frente, destruindo, jogando no chão.

– Hermione! O que você está fazendo?! – o ruivo disse tentando me impedir.

Desvencilhei-me dele e com um empurrão.

Cambaleei até o quarto que ia ser dele. Tudo estava organizado, esperando pelo filho que nunca chegaria.

– Eu o matei! – eu gritei. – Me mate, me odeie! – a onde de histeria havia me arrastado mar a dentro e estava de afogando em uma agonia e desespero, eu com um chute virei o berço, o ruivo estava na porta, abismado, sem entender o que acontecia. – eu o abortei Fred!

– Você o que? – ele disse pasmo.

Gritei novamente chorando, urrando de dor. Com um tapa violento quebrei os abajures e tirei todas as roupinhas dele de dentro das gavetas. Eu tropecei no andador que Gina havia nos dado e caí batendo contra a cômoda tombada no meio do quarto. Ali fiquei. A onda foi passando, se recolhendo, levando com ela tudo de mim. Deixando para trás uma Hermione amarga, desfigurada, defeituosa. Senti novamente como se eu não passasse de punhado de lama. Eu havia quebrado.

– Por favor, Fred. – eu implorei – me mate. Eu não aguento mais.

Fred limpou o rosto. Respirava pesadamente, ofegante e ele chorava silenciosamente os olhos fechados e o rosto contraído em uma careta de dor. Andou até mim determinado, abirndo os olhos aos poucos e os lábios tremendo, achei que ele fosse me matar. Contudo ele me abraçou.

Voltei a gritar e a espernear. Arranhei-o, chutei-o, urrei. Ele devia me odiar! Ele devia ter repulsa por mim, assim como eu tenho!

***

Fred estava apático por fora, mas por dentro só se lembrava de uma coisa: o quanto amava Hermione, e o quanto ele amava seu filho. Sofrera nessas últimas duas semanas, insone, nervoso, angustiado, procurando Hermione em todos os lugares possíveis. E agora, sentia como se o chão lhe fosse tirado, sentia uma dor que nunca tinha sentido. Uma parte dele tinha sido destruída.

Hermione tinha matado uma parte dele.

Mas ainda assim, ele não conseguia deixar de amá-la. E em uma feliz lucidez, decidiu juntar sua mágoa à dela, e não jogar sua mágoa sobre ela.

A Hermione dele havia voltado, e junto com sua memória seus sofrimentos. Fred chorou não apenas pela fenda inflamada em seu peito, mas por ela. Ele sentiu sua alma esvair-se ao ver Hermione chorando, vê-la sofrer daquele jeito era simplesmente insuportável para ele. Ele não aguentaria tudo aquilo, não aguentaria perdê-la, vê-la desistir.

A morena enquanto isso chorava, condenando-se. Posso garantir que a dor que esses dois sentiram, foi uma dor sem igual. A vida os traíra, o destino os enganara e tirara o que de mais precioso eles tinham.

Não era pelo fato de Naoki ser filho deles. Muitos pais não amam filhos, e muitos filhos não amam seus pais. Muitos abortos são assertivos, e muitos partos amaldiçoados.

Não.

A questão era: poucas crianças são fruto de um amor tão forte. Poucas são tão amadas e tão queridas quando Naoki era. Ele era uma extensão desse amor, então no momento que ele é brutalmente arrancado desse sistema, de fato é como se Fred e Hermione, tivessem um pedaço da alma arrancada.

Minto: na verdade, eles TIVERAM um pedaço de suas almas amputadas.

Mas não se pode mudar o fato: Naoki tinha sido concebido em um contexto não natural. A natureza se zanga quando contrariada. E não há humano, não há amor que possa com a natureza.

Um dos dois devia morrer.

Um dos dois morreu.

Esses eram os resultados de mudar a ordem natural. Hermione havia feito suas Escolhas, e estava lidando com suas Consequências.

Fred esperou até que o estado de latência caísse sobre ela, segurou seu corpo e levou-a até o banheiro. Enrolou-a em uma toalha, e colocou-a sentadinha ao lado da banheira, enquanto esta enchia, preenchendo o banheiro com o vapor quente e inebriante.

Como se Hermione fosse feita de porcelana, Fred a despiu e colocou seu trêmulo corpo na água, entrando com ela na banheira, sem se importar em tirar suas roupas, livrando-se apenas dos sapatos. Encostou-se ao porcelanato e sobre seu peito repousou a cabeça dela.

Ela ainda tremia mesmo com a água quase excessivamente quente ela não conseguia ter controle do seu corpo. Machucados físicos que refletiam na almas, espirituais que destruíam seu corpo tão pequeno e delicado. Estava em estado de choque.

Também, quem não estaria?

Ficaram ali, até que a água esfriasse. Até que suas almas esfriassem, e ambos aceitassem e incorporassem aquele luto morno, que tomava conta deles.

Saíram dali, Hermione aos poucos voltava a si. Fred secou-se, enrolou Hermione em uma toalha e carregou-a para o quarto como um bebê. Deitou-a na cama, fechou a janela, alisou os pelos laranjas de bichano. Hermione calada seguia-os com os olhos. Nenhum pensamento lógico passa vapor sua cabeça, ela ainda estava trôpega, mas observava cada traço do ruivo, e sentia-se dolorida ao pensar o quanto amava ele. Sentia-se vazia, mas cruelmente estranha perto dele. Era reconfortante saber que ele estava li, que ele a entendia, que ele sabia o que ela estava sentindo.

Ela não estava sozinha.

Ela podia estar se decompondo por dentro, se sentindo o pior dos seres, mas ela não estava sozinha.

Ele por sua vez, estava se sentindo muito mal, seu peito nunca doera tanto. Deitou-se ao lado de Hermione e aceitou o abraço da garota, aconchegou-se perto do corpo delicado e sentiu os dedos finos e gélidos pentearem seus cabelos.

Ficaram ali deitados, a madrugada foi excepcionalmente longa, e mal parecia que era primavera. Talvez na verdade, mesmo se o dia estivesse lindo e ensolarado o que envolvia o casal naquele momento era uma grande noite, densa, escura e gélida. Um grande e interminável silêncio quase estourava os vidros da casa de tão ensurdecedor que ecoava.

Adormeceram.

Notas finais do capítulo
CARA, tentem não brigar muito com ela, ela chorou horrores pra escrever esse capítulo, na verdade foi por isso que ela tava demorando tanto pra postar, depois que ela escreveu isso ela ficou deprimida com a fic, quase abandonou e tals...
Saudade de vocês garotas, sintam-se consoladas e abraçadas, e tentem não chorar muito :/
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*Nox*




(Cap. 21) A virada

VINTE UM:

A virada.


Abri os olhos e senti o ar fresco entrar em meus pulmões. Olhei pela janela, o dia estava bonito, claro completamente o oposto do meu estado de espírito.

Fred estava ao meu lado, já estava acordado, e apenas olhava apático pela janela. Ao perceber minha movimentação ele deu um beijo no topo da minha testa. Eu ainda não conseguia sorrir, e pelo visto nem ele.

Nos levantamos, eu fiz nosso café, mas tocamos na comida.

Começamos a colocar as coisas no lugar, a arrumar a casa. Não sei Fred, mas eu tinha a esperança que arrumando aquela casa eu arrumaria minha alma.

Colocando os móveis no lugar, assim como se organizavam os pensamentos.

Limpando cada centímetro do assoalho, assim como se clareavam as ideias.

Colocando a sujeira para fora, assim como todas aquelas mágoas.

Por fim chegamos ao que seria o quarto de Naoki. Não chorei por falta de lágrimas.

Estava tudo revirado, caído, quebrado. Ali apenas uma memória dolorosa do meu filho que nunca nasceria. Apenas um lembrete incessante das consequências das minhas escolhas. Apenas um futuro alegre e feliz que eu havia matado.

– Não foi sua culpa. – Fred disse de repente como se lesse meus pensamentos.

– Fred eu preciso te contar uma coisa, e provavelmente você vá me odiar ainda mais. – eu sentei ao lado do berço.

– Mas eu não te...

– Apenas me escute. – eu disse suspirando.

E então eu contei. Tudo mesmo. Como eu tinha me apaixonado por ele, como eu já sabia estar grávida antes da batalha, como eu tinha recebido a profecia da professora Trelawney e mesmo sem querer havia condenado nosso filho. Como eu tinha usado o vira-tempo para salvá-lo e salvar Tonks, Lupin, entre outros e tinha assim matado várias e várias pessoas,inclusive nosso filho.

– Por que não me contou antes? – ele disse sem olhar pra mim.

– Por que eu me senti culpada, achei que fosse conseguir arrumar isso sozinha. Já bastava eu me culpando por todas aquelas mortes, ao queria que você achasse que elas eram sua culpa também.

– E não são? – ele virou seu olhar acusativo.

Fred não deixou que eu respondesse, apenas se levantou, não disse nada, nem esboçou reação alguma. Quando acabei de falar ele simplesmente anunciou que precisava tomar um banho. Eu sabia o quanto ele estava se controlando para não gritar comigo e me xingar de todos os nomes possíveis e imaginários? Será que ele estava considerando me matar? Será que ele estava considerando se matar?

Assim que o ruivo saiu eu voltei minha atenção para o quarto. Não conseguia arrumar aquilo. Não conseguia tocar em nada, era muito doloroso.

Apenas me encostei na parede e imaginei todos os momentos felizes que eu havia matado. E ali fiquei, por horas, dias, meses, e anos, passando na minha cabeça, como uma tortura, a vida perfeita que eu tinha jogado fora.

***

Eu estava sentado em baixo do chuveiro, com roupas mesmo. Tudo aquilo era demais pra mim. Eu sabia que um dia essa falta de confiança nas pessoas iria acabar em algo assim. Ela deveria ter me contado há muito tempo.

Como ela conseguia dormir com uma culpa dessas?

Por que ela não confiou em mim?


“Fácil falar agora, mas o que você faria? Se mataria e deixaria Hermione sozinha? Contaria aos outros que tentariam exorcizar seu filho? Fácil jogar toda a responsabilidade para cima dela.” Minha consciência veio me azucrinar.

“Eu poderia ter evitado o que aconteceu, se ela tivesse confiado em mim!”

“Você sequer confiou nela para contar que ficou com a vadia lá! Hipócrita Weasley!”.

“São coisas diferentes.” Rebati.

“Claro que são. O que te torna um covarde muito maior que ela! Ela carregou literalmente uma culpa do tamanho do mundo e não te contou por que não queria esse fardo pra você. E você não contou por quê? Para que ela não te deixasse? Você só pensou em você.”

Com um soco tão repentino que até eu me assustei, estilhacei o box de vidro em vários pedaços machucando minha mão, saí do Box e derrubei tudo que via para frente, destruí o banheiro até finalmente escorregar em algo e cair de costas no chão.

E assim fiquei, respirando ofegante, pensado na merda que eu tinha feito.

Não apenas no banheiro.

Eu sempre soube que ela estava mal, não dormia direito, por algum motivo. Simplesmente negligenciei. A culpa também era minha.

“Sem autopiedade por favor! A culpa não é sua!...” minha consciência ralhou irritada.

“Mas você disse que a culpa não era dela e...”

“Não me interrompa seu cabeça de cenoura. A culpa não é de vocês. É o mesmo que querer culpar o Harry pela morte dos pais. Essa situação toda só tem um culpado. Por mais que você e Hermione tenham lidado com tudo isso da forma errada, não foi nenhum de vocês que puxou o gatilho. Vocês só demoraram para desviar da bala.”

“Não tenho certeza se entendi.”

“Eu sou sua consciência, só falo coisas que você sabe Fred. Vamos, use seus dois neurônios e descubra a coisa mais óbvia do mundo: se alguém é culpado, não é Hermione, nem você e sim aquele que começou toda essa maldita guerra. Quem começou toda essa guerra? Quem encomendou sua morte? Quem colocou a alma no seu filho?”

“Voldemort.”

“E quem deve ser punido e execrado, implorar por misericórdia pelo que fez com a sua família?”

“Voldemort.”

“Então, gênio, levante daí e recupere-se. Você tem um bruxo para matar, e um filho para vingar.”

***

Eu estava sentada contra a parede quando os barulhos incessantes começaram. Fred estava destruindo o banheiro.

Com certeza ele me odiava mais que tudo. Eu tinha sido simplesmente horrível. Eu era um monstro.

Os barulhos cessaram e quando dei por mim estava encolhida no chão, tampando os ouvidos e apertando as pálpebras, desejando que eu morresse logo. Eu era um monstro e merecia aquilo tudo, eu era a causa daquilo tudo.

E no momento eu simplesmente não aguentaria um olhar de ódio dele. Era apenas isso o que estava faltando para que eu enlouquecesse de vez, e me perdesse na minha própria insanidade.

– Hermione? – a voz dele me assustou. A quanto tempo eu estava naquela posição? Séculos? Milênios? Eu não sabia mais onde estava, nem a quanto tempo estava ali.

– Por favor, não. – eu não abri os olhos. – apenas acabe logo com essa tortura.

– Tortura? – ele me recolheu do chão e colocou-me no colo, sentando-me no sofá. – Hey, abra os olhos. Olhe para mim.

– Não... – eu sentia que estava a um passo de perder o pouco de lucidez que me restava.

– Te assustei com os barulhos do banheiro? – ele tirou meu cabelo do rosto e sentou-se do meu lado, passando os braços pelos meus ombros. – Eu queria pedir desculpas, queria que você me perdoasse.

Eu não esperava por aquilo. Abri os olhos sem querer.

– Tudo bem, eu acabei com o quarto do Naoki também.

– Não. Eu digo por tudo. Falhei muito com você.

Eu não acreditei, depois de tudo que eu fiz, ELE estava pedindo desculpas?

– Pare com isso, por favor. Não seja falso, eu sei que você me odeia. Você têm que me odiar pelo que eu fiz. Não é possível que você não sinta nada de ruim.

– Eu sinto muitas coisas, a maioria ruim. Na verdade a única coisa boa que restou para mim foi você. Eu odeio, e muito, mas não você. Eu me culpo por não ter estado ao seu lado como deveria. Você aguentou tudo sozinha.

– Eu comecei tudo isso sozinha.

– Não começou não. Por que você não está sozinha, desde aquele baile no sétimo ano, você nunca mais esteve sozinha. Eu vou sempre estar aqui. E eu simplesmente negligenciei você. E queria que você me perdoasse por deixar você guardar tudo isso pra você. – ele estava sentado de pernas cruzadas de frente para mim enquanto eu abraçava meus joelhos. – você pode me perdoar, e voltar a confiar em mim?

– Eu confio em você. – aquilo soou como a mais importantes das verdades. – mas não tem o por que de eu te perdoar, você tem que me perdoar por não ter confiado o suficiente em você.

– Certo. Eu te perdoo, se você me perdoar.

E por um instante curioso, por ser tantas vezes dita, a palavra “perdoar” soou estranho aos meus ouvidos. E em alguns segundo minha mente viajou pela composição da palavra. Per-doar. Parecia que significava “doar para sempre”. Será que tinha alguma coisa a ver?

Acho que no fim sim. Eu perdoaria ele, esqueceria de tudo, me doaria completamente ao ato de desculpá-lo. Mas devo dizer, isso é fácil, afinal ele não fez nada de grave.

Mas ele nunca me perdoaria. Nunca mais seria o mesmo comigo, afinal, ele nunca esqueceria o que eu fiz, e sempre seria algo pesado e presente na nossa relação.

Suspirei.

Eu estava quebrada de um jeito irreversível. Não era novidade que sem o Fred eu não era nada. E isso é algo que sempre me assustou, mas agora não é algo que eu temo.

Simplesmente não faz mais sentido para mim respirar. Eu não faço mais nada aqui além de ser dele. Se ele quisesse me considerar um mero capricho, eu não faria nada, apenas aceitaria e existira para ele, para quando ele me quisesse existindo.

– Hermione. Não se deprima, certo? – ele disse novamente lendo meus pensamentos.

Ele abriu um sorriso para mim e me beijou.

– Agora quero que preste atenção. – ele disse segurando minhas mãos sentando-se na minha frente acariciando meu rosto, seus olhos verdes buscavam os meus com urgência. – estamos no fundo do poço por causa dele. Voldemort.

Me encolhi.

– Hermione, estamos vazio.

– Sim.

– Mas tem um lado bom.

– Qual? – eu disse piscando sentindo seu polegar passear pelo meu rosto.

– Não temos nada a perder. Já chegamos ao fim, à decadência.

Ele não precisou dizer muito mais, conforme ele ia dizendo, toda minha mágoa, e angustia ia se configurando, se transformando. Era verdade eu estava morta. Só tinha Fred e ele só tinha a mim.

Nada é tão perigoso quanto um animal ferido. Ou uma mãe quando tem sua prole ameaçada.

E Hermione era os dois. Sentia-se nada humana. Conforme Fred falava ela sentia uma animalidade bestial se alimentar da dor dela. Queria vingança, um acerto de contas e não tinha nada a perder.

– Vamos seguir em frente. –Fred disse. – vamos terminar isso.

– Juntos.

– Até o fim.






(Cap. 22) Marshmallows

Notas do capítulo
'Lumus'
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Leo aqui gente, tenho recadinho da Pen pra vocês:
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"Gente, eu vou postar rapidinho então nem vou conseguir falar tudo que eu queria, no capítulo 24 eu vou agradecer a algumas leitoras que me deram muita força e me lembraram que eu escrevo pra vocês. A alegria da minha vida é poder escrever para vocês.
Não vou apagar a fic coisa nenhuma, aproveitem a história e vamos focar no que realmente interessa. (Já me resolvi com a Victória, no fim ela errou e se desculpou, eu errei pelo modo que tratei a história e me desculpei, estamos entendidas, ela vai continuar e historia dela, e nós vamos continuar nossa pacata vida Fremioneira *U* "
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Então Chosers é isso aí, vou postar dois capítulos pra vocês hoje - o segundo bem mais legal que essa btw xD

VINTE E DOIS:


Durante semanas Hermione e Fred treinaram juntos, e com uma garra sequer sabiam que tinham. Fred levou Hermione ao médico, Hermione tinha fortes cólicas devido ao dano que o feto tinha feito em seu útero, por pouco não teve que tirá-lo.

As noites, por incrível que pareça, não eram mais insuportáveis. Fred e Hermione podiam até ter pesadelos, mas eram poucos. Normalmente sonhavam com Naoki.

Metafísicos diriam que Naoki cuidava deles. Mas seria apenas o que eles diriam.

Hermione não tinha mais aquele medo insano do escuro, não tinha por que. Estava sempre com Fred, tinha o ruivo 100% ao seu lado. Os dois estavam trabalhando juntos para curar suas feridas, eles estreitaram ainda mais aquele laço entre eles.

Acordavam todo dia as 08h00min, tomavam café e iam correr. Voltavam para almoçar, depois do almoço treinavam juntos. Feitiços, luta corporal. Pegavam pesado um com o outro. A cada dia que se passava pareciam-se cada vez mais com felinos. Movimentos precisos e impecáveis, letais.

A cicatriz de Hermione continuava inerte e ela tentava não pensar muito sobre tudo que tinha acontecido. Nem Fred comentava.

E o quarto de Naoki continuava intacto. Destruído. Nenhum deles tinha estômago para mexer no quarto.

Durante as semanas que se passaram muitos tentaram visitá-los. Fred simplesmente dizia que não estavam dispostos.

Um mês de treinamento intenso, Hermione não vira ninguém que não fosse Fred. Eles haviam se tornado máquinas mortíferas. Aguardavam apenas pelo momento certo de trucidar o responsável pela morte de seu filho.

***

– Milord. – a vaca disse com a voz baixa.

– Ele não está no momento, está indisposto. – revirei os olhos passando as unhas na almofada dos meus polegares.

– Ah, Bellatrix. – Cameron imediatamente desfez seu tom honroso. – não entendo por que meu Lord divide o corpo com você. Justo com você!

– Sou a mais fiel – eu disse sorrindo – sua alma sobrevive a partir da minha, tira suas forças de mim! – eu murmurei apaixonadamente.

Voldemort dependia de mim. Ele reconhecia agora a minha lealdade. Ele escolheu a mim para dividir o corpo, somente a mim. Ele confiava em mim!

– De qualquer modo, o que você quer? – disse rispidamente.

– Bom há fontes seguras que dizem que a sangue ruim, Granger, voltou para casa. Acho que é o momento certo para atacarmos.

– Hm. Certo, conversarei com ele sobre isso. Ah, Ícaro, você por aqui. Bom mesmo que veio, quero que vá buscar os aurores que estão lá em baixo, não temos mais utilidade para eles, sim?

O negro apenas confirmou com um aceno de cabeça. Às vezes ele me preocupava, era muito quieto, muito fiel à Cameron. Tinha que me livrar dele também.

Ele não faria falta. Estávamos com um número grande de comensais. Isso me lembrou de minha irmã e eu franzi o rosto em desgosto, minha irmã e o maricas do seu marido Malfoy haviam deserdado. Mataria Lúcio assim que tivesse chance e puniria Narcisa eu mesma.

– Mais alguma coisa? – eu disse esnobemente para a morena.

– Não. – Cameron disse contida com a frustração estampada em seus olhos.

– Então saia.

Ela saiu, os saltos altos fazendo o irritante toc-toc-toc-toc. Revirei os olhos.

“Bellatrix.” Ele me chamou.

“Sim, Milorde.” Respondi sentindo meu peito bater mais forte.

“Temos que capturar a Granger e minha Horcrux. Precisamos purificá-la, ele será o cerne de um novo império.”

“Sim”

“E como estão os preparativos para meu novo corpo?”

“Tudo como o planejado, a cerimônia será amanhã ao entardecer. Como se sente?”

“Magnífico, como sempre. Tudo está saindo como o planejado. Quero a Granger nesta mansão até amanha pela tarde. Por favor providencie.”

“Sim. Cuidarei disso eu mesma. Descanse MiLord, deixe tudo comigo.”

“Não me decepcione Bella. Conto com você.”

E o silencio em minha cabeça se seguiu novamente. Corri pelos corredores da mansão, tinha poucas horas para trazer Granger até um armadilha, trazer a Horcrux do meu mestre pra casa, e dar mais um passo rumo à gloria do Lord das Trevas.

***

– Temos que atacar. – eu disse girando uma adaga entre os dedos.

– Ainda não. – Fred respondeu.

– Então quando?! – disse frustrada fincando a lamina na madeira da mesa da sala de jantar.

– Não podemos simplesmente invadir a mansão. Se não pensarmos tudo, até os mínimos detalhes seremos no máximo mártires. É isso que quer?

Bufei e com um gesto quase imperceptível neguei.

– Mas temos que agir antes que eles saibam que... Que... – eu ainda não conseguia verbalizar.

– Que Naoki morreu. – Fred disse fingindo firmeza, fingindo que aquilo não o atingia.

Eu não fingia tão bem. Ainda estava crua. Senti uma raiva subir pela minha garganta, agarrei a adaga com firmeza e joguei com precisão contra o ruivo. Teria acertado sua testa se ele não tivesse desviado com agilidade felina do golpe.

– O que foi isso?! – ele disse bravo.

– Testando seus reflexos. Acho que devemos ir visitar sua mãe. Acho que já preocupamos a todos o suficiente.

Aquilo o pegou de surpresa, até mesmo o fez esquecer que há segundos eu havia atirado uma adaga no meio de sua testa.

– Você tem certeza amor?

Ergui uma sobrancelha, não era de seu feitio me chamar de amor. E em meio a toda a amargura que havia em mim, em meio aquele monte de podridões e sofrimentos que eu havia me tornado, aquilo fez com que eu sorrisse. Não muito, apenas um repuxar de canto de boca.

No final eu ainda poderia sorrir?

*

Foram até a toca dos Weasley, estavam entretidos um com o outro, imersos em suas próprias preocupações não repartilhadas sobre como seria a volta do contato social. Estavam tão distraídos que nem se deram em conta que a escória dos comensais espreitava sua casa.

*

Chegamos lá pela hora do almoço. Estávamos na terceira semana de junho. Se fosse um ano letivo normal, essa seria a época em que os alunos estariam voltando de Hogwarts após os resultados dos exames finais. Mas esse ano os alunos teriam uma semana de férias antes de retornarem as aulas que iriam até o dia primeiro de agosto. Logo todos estavam passando suas férias nA’Toca. Confesso que balancei. Mal conseguia enfrentar a ideia de dizer a Molly que seu querido neto tinha sido morto por mim, quanto mais olhar para Harry e Rony e contar-lhes isso. Nossa, como eu senti falta daqueles dois.

– Hey. – Fred disse pegando minha mão e me puxando para fora de meus devaneios. – juntos.

Ele beijou minha mão.

– Desculpe pela adaga mais cedo.

– Não por isso. Acho que tem uma espécie de Hienas em algum lugar da África que demonstram afeto através de mordidas e patadas. – ele deu seu típico sorriso lateral.

– Hienas?

– Sim. Hienas.

Eu e ele rimos.

– Vamos hieninha, sobrevivemos ao ato de dar a noticia de sua gravidez, vamos passar por isso também.

Ele me puxou e me deu um longo e demorado selinho.

– Te amo.

– Te amo mais, meu físico.

E batemos na porta.

“GINA A PORTA!”

“MÃE EU TO DE PIJAMA!”

“AINDA DE PIJAMA?! ISSO SÃO HORAS?! Lilá querida poderia abrir a porta para nós?”

“Sim senhora Weasley.”

“POR QUE VOCÊ NÃO GRITA COM ELA TAMBÉM HEIN, MOLLY?!”

“NÃO TE INTERESSA GAROTA, VAI COLOCAR UMA ROUPA! RONY, SOLTA AGORA MESMO ESSA ROSQUINHA, VAI ESTRAGAR O APETITE PRO ALMOÇO!”

– Estragar o apetite de Rony, essa é boa.

– Que saudades de casa. – Fred disse sorrindo.

Eu também sorria, que saudades dos Weasley. Que saudades da minha família. Afastei os pensamentos que estavam por vir. Meus pais. Evitava pensar neles.

Seus corpos multilados lado a lado, queimados pelas chamas altas e sedentas de Voldemort. Por minha culpa.

– Hermione?! Fred?! – a voz aguda de Lilá me tirou do transe que eu estava prestes a cair.

– Fred?! – a voz de Molly gritou lá de dentro.

– Mione?! – Harry e Rony disseram juntos.

E em menos de cinco segundos uma família Weasley espantada estava nos encarando na sala – Gina ainda de pijama.

– Hm. Oi. – Fred disse.

Eu estava aparentemente de volta no primeiro ano, com pavor social. Todos aqueles olhares me deixaram nervosa.

– Oi?! Depois de semanas, é isso que diz à sua velha mãe?! Venha cá! Ó céus você está magro, vamos deixe-me apertar você. Hermione você está tão caidinha querida, venha aqui. Ó Merlin, senti falta de vocês. GINA VOCÊ AINDA ESTÁ DE PIJAMA?!

Depois de nos esmagar ela mandou um patrono para que Jorge também viesse almoçar conosco.

Harry e Rony me apertavam, pareciam dois velhos babões em cima de mim.

– Nunca mais faça isso, você desapareceu!

– Soubemos sobre seus pais, ah Hermione, sentimos muito!

– Você está mesmo pálida, o que aquele ruivo idiota fez à você?

– Eu estou bem. – disse sorrindo.

Do outro lado da sala Jorge tinha acabado de Aparatar, estava com espuma no cabelo e apenas uma toalha na cintura.

– Fred?! Eu achei que tivesse morrido e mamãe estivesse me protegendo da verdade!

– Ah, cale a boca, você me viu semana passada.

– Você me enxotou da sua casa. Achei que fosse a Mione com uma poção Polissuco. Não faça mais isso cópia mal feita. – Jorge abraçou o irmão.

Depois de muito tumulto fomos comer. E finalmente o assunto chegou.

“E o Meu netinho como vai?”

“Sim, achei que você estaria mais barriguda...”

“Cala a boca Rony... Já sabe se é menino meu afilhado?”

“Nosso afilhado né Harry, e meu sobrinho...”

Murchei na cadeira. Simplesmente larguei o garfo que estalou contra o prato silenciando a todos. Eu dei a noticia que estava grávida, e Fred deu a notícia de que não teríamos um novo Weasley.

Vários comentários explodiram. Não entendi nenhum em particular. Apenas me senti mal, e voltei aquele maremoto que me sugava para minhas mais profundas e amargas tristezas.

Até que todos silenciaram, e apenas um murcho “O que houve?” do senhor Weasley se fez ouvir.

Fred contou meias verdades. Disse que nosso filho era uma Horcrux, e que por isso meu corpo o rejeitou. Isso horrorizou a todos e mais do que satisfez suas curiosidades.

– Por isso eu e Hermione nos afastamos um pouco. Luto eu acho. – Fred sorriu de lado, sem realmente querer sorrir.

– Não vou ser mais tia? – Gina disse ainda perplexa.

– Não querida. – Molly disse com a voz embargada. – agora vá tirar esse pijama.

***

O resto da tarde se seguiu em clima de luto, senhor Weasley disse algumas palavras e ficamos todos sentados ao redor da mesa. Fred explicando que aquela informação ainda não deveria sair dali, pois planejávamos acabar com tudo aquilo.

– Vingança! É isso que está procurando. – Jorge disse em tom acusativo.

– Bem mano, perdoe-me por querer matar o homem que matou meu filho.

– Mas Fred, isso não tem como dar certo, e além do mais a vingança é...

– Me poupe dos discursos moralistas Gina. – Fred disse. – nós temos treinado. Não é como se pedíssemos ajuda ou algo assim. Não estamos pedindo permissão.

– Mas Fred...

– Ele tem razão. – ouvi pela primeira vez a voz do senhor Weasley desde que tínhamos dado a fatídica notícia. – esse homem já tirou muitos filhos de suas mães, destruiu muitas famílias. Os pais de Harry e de Hermione, meu neto. Amigos. Familiares.

– Vingança ou não, é para por fim a isso tudo. – Molly concordou – Estou com vocês crianças. No que precisarem.

– Mas isso é óbvio. – Harry se levantou. – estamos juntos nessa lembra Mione, o Trio de ouro!

Rony sorriu com ar de bravura e concordou, e aos poucos todos concordaram.

– E não está faltando uma doninha por aqui? Onde anda aquele Malfoy? E a doida da Luna? – Rony quem lembrou.

– Sim, temos que buscá-los, posso fazer isso se quiserem – Lilá se ofereceu.

Gina ia começar a falar quando Fred em um salto fez “SHHH!”

– Mãe, ele fez “Shhh” pra mim?!

– Hermione, por que os sapos e grilos estão fazendo barulho? Onde estão os gnomos mãe?!

Assim que prestei atenção notei. Os gnomos caçavam sapos, grilos e morcegos, então ou eles haviam sido dedetizados de vez – o que eu duvido muito, ou algo os tinha assustado.

– Era pra estarem no quintal... - Molly disse sacando sua varinha.

Todos fizemos o mesmo.

– Fred... – eu disse tensa.

E no instante seguinte tudo ficou preto. Pó escurecedor instantâneo do peru, gritos e coisas quebrando. Vultos negros voando pela sala e separando-nos. Alguém me agarrou e me jogou escadas a cima.

– Hermione! – Fred gritou lá em baixo.

Eu não fiz barulho, apenas tentei enxergar em meio aquela escuridão, e assim que consegui ver era tarde. Um soco certeiro me atingiu, era um comensal alto que eu não reconheci de imediato.

– A garota Granger?! – ele disse fingindo surpresa (eu acho). – Oh, não devia machucar a portadora da alma do Lord. Então doçura venha comigo sim. O Lord está louco atrás de você.

– Vá pro inferno! – eu disse o mais alto que pude, me pondo em pé, rezando para que Fred tivesse me escutado.

E escutou. Em questão de segundos Fred estava no pescoço do cara, tombando-o para o lado, o problema é que não apenas ele tinha ouvido. Outros dois comensais estavam ali e vieram para cima de mim. Eu felizmente devido aos treinos conseguia me desviar com facilidade. E agora conseguia enxergar melhor. (ANOTAÇÃO MENTAL: Treinar mais ataques no escuro).

Fred, acho eu, matou o comensal que rolou escada abaixo e imobilizou o outro, restando apenas um para mim. Não seria nada difícil.

– Granger não? – O homem disse – Conheci seus pais. Eles me falaram bastante de você. – o homem riu-se.

E pegou exatamente meu ponto fraco. A imagem dos dois veio até mim. Eu simplesmente congelei. O homem que Fred havia imobilizado se desfez de seu abraço e passou a socar Fred, que se defendia como podia.

– Hermione! – ele chamou.

– Ah Hermione, - o homem em minha frente disse – isso foi sua culpa, se você tivesse se comportado, nada disso teria acontecido.

– Hermione! – Fred disse agora sufocado pelo comensal que lhe dava um mata leão poderoso.

E eu ali. Pateticamente paralisada enquanto o comensal se aproximava de mim e preparava-se para aparatar, ou sei lá o que. Ouvi a varinha de Fred rolar para longe e ainda assim fiquei ali, congelada.

De reviravolta Fred conseguiu inverter sua posição e arremessar o comensal que o segurava escada a baixo, e como um felino segurou a cabeça do comensal a minha frente e lhe sussurrou:

– Eram os meus sogros.

O comensal nem teve tempo de processar a informação, Fred torceu sua cabeça de um jeito que seu crânio ficou anatomicamente incompatível com seu pescoço.

– Me desculpe. – eu disse assim que o corpo tombou aos meus pés.

– É assim que quer ir atrás dele?!

– Me perdoe... – eu balbuciei novamente.

– Eu não posso te perdoar se você não me deixar que eu te perdoe! – e não estávamos mais discutindo sobre minha falha na luta.

– Eu...

Ele então me abraçou e beijou o alto da minha cabeça.

– Perdoe-se. Por mim.

E então tudo se acalmou. Os poucos comensais que sobraram simplesmente sumiram em suas névoas pretas. Tínhamos o total de cinco comensais mortos pela casa e um petrificado.

Passado o choque inicial arrumamos tudo aquilo, e decidimos que pediríamos reforços a Kingsley. Começaríamos tirando os comensais do ministério.

E no fim da noite assamos marshmallows em uma fogueira de seis comensais. Sem maiores crises de consciência.

Notas finais do capítulo
No capítulo 24 então se preparem que ela vai fazer A HOMAGEM DA VIDA pra algumas leitoras aí que mandaram uns comentários ótimos e realmente animaram muito ela.
bom até daqui a pouco xD
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ps: E muito obrigada as leitoras que nos defenderam, mas vamos esquecer tudo isso, para não criarmos rixas desnecessárias, ela e a Pen já se entenderam,a garota já colocou os créditos na fanfic lá, então, águas passadas.
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'Nox'




(Cap. 23) In Vrede – Esteja em Paz

Notas do capítulo
'Lumus'
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HOLA CHICAS CALIENTES, Chosers do meu coração, aqui está o outro capítulo prometido, e com um pouco de Fremione que a Pen deixou colocar xD
Aproveitem que agora a Fanfic está em reta final D:

Para quem quiser a música que imaginamos para a segunda parte do capítulo foi essa: Yellow - Coldplay > http://www.youtube.com/watch?v=1MwjX4dG72s

VINTE E TRÊS:

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In vrede, saudação de uma antiga tribo guerreira de magos, significa "esteja em paz". Usada entre inimigos no inicio de batalhas, em despedidas entre amigos ou amantes que desejavam sorte, proteção e honravam o qual estava indo para batalha ou viagem. Última despedida, última benção para guardar a alma dos grandes guerreiros, dos grandes homens ou mulheres. A paz eterna, a liberdade plena, e a felicidade e honra que acompanhariam aquela alma pela eternidade.

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Acordei com o som alto, o velho CD de Red Hot Chilli Peppers ressoava pela casa. Snow.

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But I need more than myself this time (Mas eu preciso de mais do que eu mesmo desta vez)

Step from the road to the sea to the sky (Caminhe na estrada que leva do mar até o céu)

And I do believe what we rely on (E eu acredito que confiamos)

When I lay it on come get to play it on (Quando eu colocá-la, venha jogar)

All my life to sacrifice (Toda minha vida ao sacrifício)

.

Desci as escadas e lá estava meu ruivo, correndo de um lado para o outro com o rodo limpando o chão de madeira enquanto uma mesa de café da manha esplendida me esperava.

– Noivo! – eu gritei do pé da escada quase matando o ruivo de susto.

Ele se apoiou no rodo e sorriu.

– Bom dia princesa... Vem sempre aqui?

– Por favor não comece, eu sou comprometida.

– Mas esse cara é um sortudo... Não quer aliviar esse pobre coitado que vos fala? Será rápido, seu noivo nunca vai saber...

Eu ri.

– Ai Fred, credo.

O ruivo ria-se. Fui até ele, ele me levantou nos braços e me girou pela sala.

– Fiz panquecas.

– Yummy.

– Com calda de morango.

– Bonito, inteligente, e faz panquecas... Casa comigo?

Ele riu.

– Caso... Mas tem que pagar o dote para os meus pais sabe, sou um partido e tanto.

Beijei-o uma vez. Duas. Três. Ele me beijou. Aprofundei o beijo, cruzei minhas pernas ao seu redor, ele amassava meus cabelos com uma mão e com a outra sustentava meu peso. Encostou-me na parede quase violentamente e beijou meu pescoço com gana.

Ding-Dong!

– Eu vou matar – Fred disse encostando as testa na minha assim que descruzei minhas pernas de sua cintura.

Eu ri.

– Terminamos isso depois. – eu ri, e me desvencilhei do ruivo indo rumo a porta.

Ele deu um tapa na minha bunda, ri e atendi a porta.

Um ser bem mais alto que eu então praticamente pulou na minha direção, meu sorriso sumiu. Por puro reflexo agarrei o braço do cara e torci-o de um modo que ele ficou curvado, enquanto eu pressionava seu cotovelo com a palma da mão. Quase quebrei o braço dele.

– Hermione! – era Draco.

– Você bem que merecia um braço quebrado, Doninha – Fred disse cruzando os braços.

– Draco! – eu soltei o loiro e me dependurei no seu pescoço.

– O que eu fiz? – ele disse confuso. – bom, Hermione, Jorge falou comigo, eu fiquei sabendo... Sinto muito. – ele me abraçou.

– Está tudo bem agora. – eu o soltei.

Ele foi até Fred e trocou um abraço com o ruivo.

– E você cara? Como anda esse coração de cenoura?

– Tranquilo... Como Hermione disse, está tudo bem agora. – Fred sorriu.

– Acabo de vir da Casa dos Weasley – ele disse me encarando – eles disseram que querem partir para a ofensiva é verdade?

– Sim Draco... Temos treinado para isso.

Ele colocou a mão no bolso e estralou o pescoço.

– Certo... Vamos invadir a Mansão Malfoy... Tudo bem, eu já estava sentindo falta de casa. – o loiro sorriu e arqueou a sobrancelha. – vamos reunir o pessoal dos velhos tempos.

*

Bella tinha falhado. Eu estaria furioso, mas hoje teria meu corpo novamente.

Aquilo era apenas um contratempo, assim que estivesse no meu corpo eu mesmo iria buscar a minha General.

– MiLorde? – Bella chamou.

– Sim Bella.

– Me perdoe. Eu falhei...

– Você errou Bellatrix Lestrange, mas você tem sido uma serva fiel e leal. Apenas dessa vez, farei vista grossa. Vamos tomar minha Horcrux novamente ao final da Noite. Nosso império estará completo.

– Os deuses sorriem para o Lorde das Trevas. – ela sorria sonhadora.

Apenas revirei os olhos. Eu ia além de Deuses. Eu era maior que os Deuses.

– MiLorde. – Ícaro, silencioso como sempre, surpreendeu-me.

– Sim?

– Os aurores foram descartados. A senhorita Feline pediu que avisasse.

– Certo. Pode se retirar.

O mouro saiu, tão silencioso quanto entrara.

– Bellatrix.

– Milorde?

– Não confio no Mouro. Livre-se dele.

– Certo.

– Não... Melhor, peça que Cameron o faça.

Bellatrix sorriu. Eu gosta disse em Bella, ela tinha os mesmos pensamentos que eu, e se divertia com as mesmas coisas.

– Sim Milorde.

*

Me sentia enojado perto desses comensais. Estava no jardim dos Malfoy, cuidava das plantas, em especial daqueles girassóis enormes que alegravam aquele lugar. Ficava perto dos limites da propriedade, um fosso realmente grande rodeava os fundos do jardim, uma queda e tanto.

– Ícaro. – Cameron apareceu.

Senti meu peito se contorcer. Eu estava condenado aquele relacionamento de mão único. Eu tinha sacrificado tudo por ela. Eu jurei que a protegeria, mas estava seriamente pensando em Hermione ultimamente. No seu filho. Talvez fosse hora de fazer o que era certo.

– Senhorita Feline. – eu disse indiferente, ajeitando o vaso com o imenso girassol.

Mas então notei que ela estava chorando, um soluço profundo e magoado.

– Cameron? O que houve? – eu fiquei de pé e dei um passo em direção a ela, me contive há meio passo de distancia, no entanto.

– Eu não tenho volta. O que eu fiz com a minha vida Ícaro? – ela disse chorando.

– Sempre me pergunto isso Cameron. – eu murmurei.

Ela me empurou, e gritava coisas sem sentido, e cada vez mais, aquele penhasco ficava perigosamente mais próximo.

– Seu grande idiota, por que você estou tudo?!

– Eu estraguei? O que eu fiz?

– Eu amava Fred, sempre amei, sempre quis ele para mim. Eu sabia quem eu era, o que queria! E por mais que eu te machuque, por que você continua aqui?!

– Pelos girassóis. – limitei-me a isso.

– Pelos girassóis? Por essas plantas estúpidas, que um dia também vão envelhecer, murchar e morrer!

– Todos vamos morrer um dia. – eu disse simplesmente.

– Por que você não foi embora?! Eu vou ter que... – ela voltou a chorar.

– Cameron, olhe esses girassóis. – eu indiquei os vasos que tinham ficado para trás. – são tão lindos, e delicados. Mas não é isso que os torna tão fascinantes. Essas plantas tão belas, estão morrendo, a cada segundo que passa. Imperfeições aparecem, e toda a bela delas se revela efêmera. Elas murcham e morrem. E passam cada segundo da vida delas obcecadas pela luz. Quantas não são enganadas por luzes artificiais e passam à vida voltadas para uma mentira. E de qualquer modo, artificial ou não, que triste uma vida condicionada a passar cada momento voltada sempre para o mesmo lugar, perseguindo o sol, sempre perseguindo a luz.

– Quem liga para esses girassóis idiotas?!

– Quem liga para você Cameron? O Que te diferencia deles, minha princesa? Sempre voltada para os lugares errado, obcecada por coisas triviais.

– Meu amor por Fred não era trivial!

– Como não? Você continua morrendo, independente dele. Mesmo a montanha mais sólida, com o tempo, acaba convertendo-se em areia.

– Seus provérbios idiotas... Por que você estragou tudo? E-eu te amei... – ela disse baixo, perdendo o fôlego de tanto chorar.

– Tudo que eu fiz foi fazer você ver que não precisa ficar voltada para um homem seja Fred, seu irmão ou eu, como se seu mundo girasse ao redor dele. Você podia ter sido um girassol livre, minha princesa.

– Quem se importa?

– Eu.

– Isso não faz diferença agora! – ela chorou mais. – você deve morrer.

Apenas suspirei.

– Acho que no final você não nasceu para ser livre. – eu sorri e dei um passo em sua direção.

E pela última vez tomei seus lábios, salgados pelas lágrimas. Limpei suas lágrimas e vi que não podia ajudá-la. Eu tentei com todas as minhas forças ajudá-la, mas ela não queria ser ajudada.

Afastei-me dando passos em direção ao penhasco enquanto ela erguia sua varinha em minha direção.

– Adeus, minha princesa. In vrede.

Adeus meu príncipe, In Vrede – ela me saudou e me lançou um sorriso triste. – Diffindo!

E eu senti minha garganta sendo atravessada. Deixei meu corpo pender para o precipício e o ar desajeito me acolher. Respirei fundo, eu tinha que fazer mais uma coisa antes de morrer. Fui puxado para dentro de mim mesmo uma última vez.

***

Eu estava acabando de tomar meu café, Draco tomava um café, quando um baque surdo se fez no quintal. Saquei minha varinha. Fred e Draco fizeram o mesmo, saímos para ver o que era.

Quase desmaiei ao ver Ícaro ali caído. Corri para ele.

– Hermione! – Fred gritou ainda com a varinha em punhos.

– Pelo amor de Merlin, me ajude Fred!

– Hermione, não podemos confiar...

– Não seja ridículo, eu disse irritada. Draco vá buscar um pano!

Deitei a cabeça de Ícaro no meu colo. Seu pescoço estava profundamente cortado, ele tantava falar, mas se afogava no próprio sangue.

Draco trouxe o pano, Fred murmurava feitiços para tentar fechar seu pescoço. Coloquei o pano sobre o corte e pressionei, o homem de cabelos negros e músculos perfeitos e rijos se contorceu.

– Her-Hermione – sua voz saiu terrivelmente rouca e desfigurada, mas ele tinha um pequeno sorriso nos lábios. Aproximei-me para que ele não precisasse falar não alto. – Eles vem hoje, aqui... querem seu filho... N-não – ele se engasgou em sangue – Não deixe, me prometa.

– Ícaro, por favor, seja forte...

– A-a vida é a noiva da morte, tudo morre... um dia. M-meu dia é hoje.

Ele fez com que eu chegasse ainda mais perto dele, estava voltando a se afogar em sangue, dessa vez apenas eu ouvi.

“Irmã, Não declares que as estrelas estão mortas só por que o céu está nublado. E lembra que por maior que seja, todo deserto acaba.”

– Eu contarei sua história. – eu sorri rapidamente e beijei sua testa – Irmão. In Vrede.

Ele sorriu e levou minha mão ao seu peito, e então sua respiração ficou fluida e clara, por algumas batidas de coração. E com a maior paz nos olhos, o último guerreiro de uma grande tribo de magos descansou. No meu colo, seu singelo sorriso de libertação, do meu amigo que ia se juntar as estrelas.

Ícaro estava morto.

***

Levamos Ícaro até a colina mais alta perto de casa e a ali o enterramos. Fizemos uma cerimônia rápida, apenas eu Draco e Fed. Chorei. Aquilo mexeu comigo e trouxe a tona tudo que eu achei que tinha conseguido superar.

O meu céu estava nublado, e eu não conseguia ver as estrelas, e há tanto tempo sem vê-las, elas de fato pareciam não estarem mais lá.

Draco foi até Toca, avisar a todos, e com urgência bolaríamos algo. Fred me levou para casa e me deu alguns momentos para que eu me recomposse.

– Vou tomar um banho. – ele disse. – vem comigo?

– Tenho que organizar umas coisas antes. – eu disse sorrindo meio forçadamente, finalmente parando de chorar.

Ele apenas suspirou e deu as costas. Não deixei que ele saísse assim, puxei-o pelo braço e dei-lhe um beijo.

Ele sorriu tristemente.

– É só que, as vezes parece que está tudo bem sabe, mas então...

– Desculpe ser tão... Assim. – eu disse suspirando. – eu vou melhorar.

Ele apenas sorriu e beijou o alto da minha cabeça.

Assim que ele sumiu entre as escadas eu fui até o quarto dele.

Tudo continuava lá, quebrado, destruído. Assim como eu.

Aquilo era o que nublava o meu céu.

Sem chorar, respirei fundo e comecei a arrumar aquilo tudo. Demorou uma eternidade, uma breve eternidade do que me pareceu menos de meia hora. Fred acabou seu banho e apareceu por lá, sua calça moletom azul e o peito desnudo.

– O que está fazendo?

Eu estava levantando o berço dele, assim que acabei de fazê-lo olhei para a figura ruiva em minha frente.

– É só que, está tudo tão bagunçado, quebrado. Está tudo destruído... Eu achei que... Que... Não quero mais estar quebrada, Fred. Eu quero olhar para o céu e ver estrelas de novo,como costumava ser.

– Você perdeu seus pais e seu filho. É normal quebrar. Desculpe-me ter sido impaciente ontem. – ele disse se aproximando de mim. – você não precisa fazer isso hoje.

– Eu quero. Naoki merecia mais do que isso. Uma mãe e um quarto quebrados. Meus pais... Eu tenho que seguir em frente, não tenho?

– Eu daria a você. – Fred disse se apoiando na janela.

– O que? – eu disse momentaneamente confusa.

– As estrelas. Não é uma promessa vazia, eu realmente daria elas à você, e ainda seria pouco, você me deu muito mais. E você nem se dá em conta. É por isso que eu te amo Hermione Granger.

– Me ama por causa das estrelas? – disse novamente confusa.

– Você é uma fênix Granger. Ressurge do pó. Quando qualquer mãe simplesmente estaria louca e desistiria de tudo, você arruma forças para ajeitar o que quebrou. E é sempre tão gentil. Você as merece.

– As fênix? – eu definitivamente estava perdida em seu raciocínio.

– Não Granger. – ele riu e beijou a ponta do meu nariz – as estrelas.

Aquilo pairou pela minha cabeça. Fênix. Aqueles pássaros magníficos que renascem das cinzas. Mas por que fazem isso? Não sei se alguém já se perguntou isso, mas por qual motivo elas renascem?

– Hey pequena, me passe o abajur. – Fred pediu.

Eu lhe passei o abajur de hipogrifo que estava estatelado no chão.

Por que eu voltava do pó?

Só saímos daquele quarto depois de arrumar tudo e encaixotar todas as suas coisinhas. Apenas deixamos para trás uma foto minha e de Fred, no dia em que compramos o berço e tiramos uma foto no quarto de Naoki. Já passava da hora do almoço, eu estava exausta, tinha começado a chorar, e as lágrimas se misturavam ao sangue de Ícaro. Fred apenas sorria e dizia que estava tudo bem, e pela primeira vez em muito tempo, acreditei.

Era como se eu finalmente estivesse dando pontos em uma ferida que estava aberta. Estivesse fervendo, me queimando, me renovando. Acreditando que as estrelas ainda estavam lá, que aquele cinza, não duraria para sempre. Que por maior que fosse, aquele deserto também acabaria.

– Está tudo bem? – Fred me perguntou assim que voltei do banho e me aninhei ao seu lado do sofá.

– Acho que sim. Tudo vai ficar bem. – eu sorri enquanto algumas lágrimas silenciosas escorriam devagar. – obrigada por me ajudar a consertar tudo.

“Obrigada por me consertar” pensei.

– Não foi nada. Obrigada por me deixar te ajudar.

– Não foi nada.

...

...

– Fred?

– Hm?

– Eu te amo.

– Também te amo, minha pequena.

...

...

– Hermione?

– Hm?

– O que Ícaro falou.

Eu sorri e abracei-o com força, senti-o ali do meu lado e agradeci por tê-lo comigo.

– Disse que tudo ficaria bem.

Notas finais do capítulo
ENTÃÃÃÃO THAT'S IT CHICAS DE MI CORAZÓN!

Vou indo, mas em breve tem mais capítulos xD
.
'Nox'




(Cap. 24) No ninho da Cobra

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*

OLA CHICAS CALIENTES DE MI CORAZON!

Desculpa pela demora T_T

então, a partir do capítulo que vem é contagem regressiva! Mas acho que algumas vão gostar de saber que eu estou trabalhando em uma Dramione - TAN TAN TAAAN - Algumas leitoras minhas gentilmente escutaram minhas ideias e aprovaram, minha amiga Frapuccina da Emma que me ajudou e me convenceu a postar. By the way, momento propaganda: DEUS DO CÉU, QUEM AÍ LÊ If There's A Future We Want It Now? ME MORRO COM ESSA FIC *u*

Enfim, foda-se, tó aí o capítulo pra vcs *U*

VINTE E QUATRO:


– Todos aqui? – virei-me para o loiro que mexia os dedos nervosamente.

Ela ainda não chegou, General.

Ah céus, há tempos não me chamavam assim.

– Gina todas as cortinas estão fechadas?

– Sim General.

– Alana, você e Doug se encarregaram da nossa casa? – Fred murmurou.

– Sim Major Weasley. Deixei um bilhete para Jorge dizendo que o jantar tinha sido mudado para A’Toca.

– Quanto tempo temos? – Kingsley apoiou-se sobre a mesa.

– De acordo com os informantes de minha mãe, não muito. O Lord esta realizando sua cerimônia. – Draco disse tão angustiado quando eu, suas mãos irrequietas.

– Que cerimônia? – Luna perguntou sonhadora.

Aquilo apenas me deixou mais nervosa, onde diabos estava aquela mulher?!

*

Era chegado o tempo, Lord Voldemort deveria se separar de mim.

– Não lamente Bella, você me serviu bem, vou recompensá-la. – a voz do meu lord ressoava pelas últimas vezes em minha cabeça. – hoje, antes que a lua atinja o meio do céu, eu terei minha Horcrux e bruxos e trouxas sucumbirão diante meu poder.

– Meu Lorde. – Cameron apareceu na porta, tinha profundas olheiras e nem de longe sua beleza presunçosa e ferina. – Os preparativos estão prontos.

*

– Aquela bruxa velha! Sempre atrasa! Não não leva nada a sério, se eu pudesse, eu... Eu... – Tonks disse com seus cabelos tão vermelhos quanto as chamas crepitantes da lareira.

A porta então se abriu com um estrondo e uma densa fumaça assentou revelando a forma de uma mulher que dava três de mim.

– Você o que Ninfadora?! – ela disse desafiante.

Havia uma hierarquia no ministério. Começávamos como soldados, evoluíamos para cabos, depois sargentos, Cadetes, Alferes, Tenentes, Capitães, Capitães-mor, Coronéis, Mestres, Brigadeiros, Guardiões, Majores, seis Generais, dois Marechais e um ministro.

Kingsley além de Ministro era um dos marechais. O outro era aquela mulher, com braços do tamanho de toras, peito estufado e uma cicatriz em seu pescoço tão grande que faz você se sentir sufocado só de olhar para ela.

Marechal Joane Dragon. –fiz minhas reverencias assim como todos na sala, com exceção de Tonks e Kingsley.

–Já pedi para parar com esse apelido! – Tonks mudava seu cabelo de vermelho para vinho.

– Dragon! Querida amiga! – Kingsley tentou abraçá-la. Apenas tentou.

– Deixe de frescuras Kingsley! – disse a mulher ignorando seu abraço. – não tenho tempo para isso. Chamaram-me com urgência, pelos sangues dos sete Deuses, o que houve?

Ela adentrou a sala, fazendo uma rápida referencia à Molly e ao passar por mim, céus, era verdade, ela tinha um dragão do tamanho de um gato engatado em suas costas que observava a sala soltando pequenos ganidos. Harry coitado quase desmaiou.

– A Situação é séria Dragon. – Kingsley começou a explicá-la toda a situação. O mais rápido possível.

Enquanto Kingsley falava pensei em como não tinha parado para observar mês amigos. Talvez morrêssemos esta noite. Talvez nunca mais fosse ter a chance de olhar para eles.

Os ruivos e mais compridos cabelos de Rony, suas cicatrizes do Quadribol. Senhor e senhora Weasley descutindo ferrenhamente com a mulher loira de cabelos curtos que tinha um dragão nas costas, Jorge sem sua orelha, agora o cabelo cumprido escondia a imperfeição que ali tinha. Lino! Eu poderia morrer hoje e ele não teria seu ménage. Ian,quieto. Seus olhos queimavam, mas por fora, ele permanecia calmo, apenas cultivando o ódio por sua irmã. Silenciosamente.Gina e Harry tinham suas testas encostavam e murmuravam juras de amor. Draco, meu fiel amigo, estava tão nervoso. Luna ao seu lado acariciava seu braço dizendo que tudo iria ficar bem. Tonks e Lupin, ah, eles estavam lindos,radiantes. Eles ficavam melhor vivos. Tonks falava sobre o pequeno Ted discretamente com Lupin.

E tinha ele. Meu príncipe, meu eterno amor. Meu para sempre. Respirei fundo e beijei seu ombro. Não iria perdê-lo. Não novamente.

*

– Você perdeu o juízo?! – Dragon gritava com Kingsley. – tudo isso acontece, e você só me conta agora! Essa criança que a General Granger carrega é simplesmente...

– Nada! – eu ergui minha voz silenciando os murmúrios. - Meu filho está morto. – eu disse firme.

– Ah... Eu não... – a mulher se perdeu por alguns instantes. Mas logo recuperou sua voz – você quer o que, exatamente, senhorita?


– A não intromissão do governo. – eu pedi de cabeça baixa. – vamos entrar naquela mansão, e matar cada bastardo que tenha uma tatuagem daquela no braço. Mas seremos desonestos e não jogaremos um jogo com regras. Apenas quero a cabeça de Voldemort em uma lança.

A mulher sorriu e deu-me tapas no ombro tão fortes que quase me desmontaram.

– É só?

– Quero que entenda, que muitos dos homens irão querer se esconder nas saias do ministério, culpar a maldição Imperium. Não vamos permitir que Comensais saiam ilesos, vamos arrancar o mal pela raiz. – Fred disse polidamente, claramente irritado.

– Ainda não entendi. – Joane disse com um sorrisinho nos lábios. Ela tinha entendido.

– Não vai ser só a cabeça de Voldemort que vai rolar. Vai ser uma carnificina, de um modo ou de outro, só queremos saber se depois que tudo acabar seremos presos ou idolatrados. – eu sorri. – não que isso faça alguma diferença

– De minha parte estão protegidos – Kingsley disse – mas você é influente, principalmente fora da Inglaterra, pode tomar o ministério com facilidade. Apenas queremos saber sua posição.

Um silencio tenso se instalou enquanto Joane abria um sorriso de lado macabro, e logo após soltou sua risada rouca.

– Tragam-me as cabeças, pelo seu filho General, pelos bruxos mortos, pelos trouxas mortos. Tragam-me as cabeças desses comensais, todos! Para que no futuro quando qualquer um pensar em fazer o mesmo lembrar-se desse dia e tremer diante a ideia de ter sua cabeça arrancada. Têm meu apoio.

E então passamos a discutir como faríamos aquilo, como finalmente derrubaríamos Lord Voldemort, o assassino do meu filho.

*

– Meu lorde, você ainda está fraco, tem certeza que quer fazer isso esta noite?

Meu Lorde das Trevas estava ali, novamente com seu corpo. O sacrifício dessa vez teve que ser maior uma vez que não tínhamos o sangue de seus inimigos, tivemos que sacrificar bons comensais, cinco ao total.

– Faremos hoje. Hoje meu reino se erguerá!

Todos os comensais baixaram a cabeça, eu inclusive.

– Tomem o ministério! Tomem as ruas! Tragam-me meu garoto!

– Meu Lorde, se eles não estiverem em casa? – Um comensal de mascara negra perguntou.

– Ache-os, e traga-me todos que estiverem junto dela! Principalmente o Weasley, quero fazê-la ver enquanto o coração dele para de bater.

– Sim, meu Lorde.

– Erga-se o Lorde das Trevas! – gritei levantando meu punho.

Os demais fizeram o mesmo.

– Erga-se o Lorde das Trevas!

E desse modo nos separamos. Uns dez ficariam com Voldemort, aguardando a menina portadora da Horcrux, cem dirigiríam-se para tomar o ministério, outros cem iriam para o beco diagonal, eu e trinta comensais nos dirigiríamos para a casa da garota.

Ao por do sol as trevas reinariam.

*

CREC.

– Mãe? – Draco disse surpreso. O que você está fazendo aqui? E com ele?!

Lucio Malfoy estava ali, seu nariz não tão empinado, olheira profunda e o cabelo sempre tão sedoso preso em um rabo de cavalo. Todos sacamos nossas varinhas.

– Draco, por favor. – Lucio disse dando um passa para a frente.

– O que você quer?

– Draco querido, os espiões que estão me ajudando, são os empregados do seu pai.

– Comensais?! Estamos confiando em informações de comensais?! – Lino disse erguendo-se bruscamente.

– Não. – a mãe de Draco revirou os olhos. – nossos empregados.

– Piorou! Se vocês tratavam seus empregados do mesmo jeito que tratavam Dobby... – Rony disse desafiadoramente.

– Por favor, crianças, - Molly interferiu – deixem os Malfoy falarem.

Narcisa analisou Molly por um momento e voltou a falar.

– Meu empregados me mandaram um patrono há pouco, eles decidiram atacar o ministério daqui a pouco, sair às ruas, e buscar Hermione na casa dela. Vão capturar quem estiver com ela, querem matar o ruivo na frente dela.

– Certo, isso melhora as coisas. – Kingsley disse pensativo.

– Desculpe senhor Ministro, mas não sei como a morte lenta do cabeça de fogo ali, na frente da namorada... – Joane disse confusa.

– Noiva. – corrigi-a.

– Certo, como sua morte na frente da noiva pode ser algo bom.

– Oh céus, não isso! – Kingsley disse na defensiva – eles capturarão os que estiverem com ela. Deixe que levem os Weasley, eles podem subjugar alguns comensais, avisar-nos o melhor momento para atacar.

– E eu vou poder ir com você. – Fred disse me abraçando. – bom, não temos tempo.

– Certo, concordei. Kingsley, Lupin e Tonks, alertem os Aurores do ministério. Alana e Doug irão com você para...

– Não! – Alana disse precipitando-se com os cabelos firmemente presos em um rabo de cavalo. – Major Weasley, permita-me ir com vocês.

– Alana, precisamos que você e Doug impeçam a tomada do ministério. São os únicos que eu confio para isso. – Fred disse colocando a mão no ombro da garota.

Alana engoliu em seco e consentiu, tomando seu lugar ao lado de Doug.

– Draco e Luna, busquem Minerva, avisem-na para reunir nossos velhos amigos da ordem, o Senhor Weasley deve ir com vocês. Gina, Harry, Rony e Lilá, guiarão cinquenta aurores pelas ruas do Beco Diagonal, certamente vai ser o primeiro lugar que tentarão tomar. Retirem todos de lá, e matem todos que tiverem uma cobra no braço rapidamente, preparem uma emboscada para os comensais.

– Hermione, temos até o por do sol! – Narcisa disse guardando algo em seu bolso.

– Como assim? – Rony indagou.

– A ideia das moedas, Draco me contou. Entreguei algumas aos meus servos mais fieis. Eles me disseram que estão todos apostos assim que o sol cair eles darão inicio ao ataque.

– Certo. Narcisa e Lucio, vocês podem ir com Harry para o beco diagonal, e senhor Lúcio, certifique-se de ficar do lado certo, ou você será tratado como todos os demais comensais.

O loiro torceu o nariz.

– Sim Granger.

– General.

– Sim General Granger.

– Bom, Ian, Fred, Molly, Lino e Jorge ficarão comigo nA Toca. Para não levantar suspeitas.

Todos consentiram. Certifiquei-me que todos tinham ganho sua moeda para nos comunicarmos, eu a tinha alterado para tornar nossa comunicação mais discreta e eficaz. Escondi a minha e a dos que me acompanhariam para a mansão Malfoy na nuca entre os cabelos com um feitiço ilusório.

– Quanto a mim? – Joane disse sorrindo. Até tinha me esquecido de sua presença.

– Seria de grande serventia bruxos estrangeiros para a batalho no ministério.

– Seria de grande serventia estrangeiros nessa Guerra Cinza. Consigo-lhe 100 bruxos imediatamente, de minha própria guarda.

– Isso é bom. E contate o senhor Willian, tenente que treina os trouxas. Peça que lidere suas tropas junto ao Harry.

– Onde devo colocar meus homens? – ela disse divertindo-se com meu tom de comando.

– Onde achar mais apropriado. Mas mantenha nosso fator surpresa, e certifique-se que nossos homens não estão corrompidos.

Joane assentiu, e com uma rápida reverencia ela e seu dragão se foram, com um giro e um forte estampido.

Narcisa e Lúcio se despediram de Draco e também se foram.

Molly abraçou seus filhos e murmurava pedidos para que Harry protegesse Gina e Lilá protegesse Rony.

– Antes de cada um tomar seu rumo... Bom, eu falo isso como Hermione, cuidem-se, vocês são muito importantes para mim para que eu os perca. Fiquem salvos.

– Que os Sete deuses me amaldiçoem se o que eu digo não é verdade: Hermione você é como uma filha para mim, e uma irmã para muitos aqui. Fique você a salvo! Não seja imprudente.

Eu sorri.

– Certo senhor Weasley.

– E cuide da minha Molly.

– Cuidarei, nada a machucará. É uma promessa.

Depois de alguns minutos de silêncio e despedidas silenciosas, os grupos se reuniram e cada um partiu para seu determinado destino. Eu e Fred fomos para a cozinha enquanto Molly abraçava Jorge.

– Céus, quem diabos é você? – Lino dizia dando-se em conta da presença de Ian.

– Pronta? – Fred disse encostando-se na pia, enquanto colocava um feitiço para fazer minha barriga inchar levemente. Afinal de contas o que nos daria tempo seria minha “gravidez.” Eu deveria estar de quatro meses.

– Não sei. Eu treinei, mas... Eu estou com tanta raiva Fred. Não tenho medo, só raiva. Tudo que eu quero é arrancar sua cabeça do pescoço. Mas devagar, quero que ele sinta dor, que implore pela vida.

– É uma motivação.

– Fred, eu te imploro: não morra. – eu disse segurando suas vestes. – eu não vou aguentar te perder uma segunda vez. E dessa vez eu não tenho um vira-tempo.

– Não vou morrer.

– Você me prometeu que não iria me deixar da primeira vez, e morreu.

– Bom, eu juro que pretendia manter minha palavra. – ele riu. – mas eu estou mais forte Hermione, treino todos os dias com você, não vai ser tão fácil me matar dessa vez.

Ele me abraçou, e então após quase uma hora os grilos começaram a cantar.

– Eles estão aqui. – sussurrei a Fred. Ainda estávamos na mesma posição, abraçados na cozinha.

Molly entrou na cozinha com os três garotos atrás dela. Apenas assenti.

– Hermione fique viva. – Fred me sussurrou – nós devemos aquele ménage pro Lino.

Eu ri. Como ele poderia me fazer rir num momento daqueles.

– Ian, quando tudo isso terminar vamos marcar um cinema, adorei te conhcer.

Ian franziu a testa e arqueou a sobrancelha.

– Eu gosto de mulheres.

– Isso por que você não esteve na cama comigo. – Lino piscou.

– Hey! – Jorge protestou ainda abraçando a mãe.

Eu ri. Ian estava mais vermelho que um pimentão.

E então tudo caiu, a parede explodiu, sim como em um desses filmes do Vin Diesel, lutamos rapidamente, para não levantar suspeitas, até que finalmente fomos subjugados e nossas varinhas recolhidas.

Bellatrix em pessoa estava ali, meu sangue ferveu e meus olhos se umedeceram.

– Granger! – ela disse sorrindo.

Ela andou até mim e deslizou a mão em minha barriga, passando a unha pelo meu ventre, que se contorceu em desprezo.

– Tola garota – ela disse com seu sorriso sádico, todos estavam encapuzados e com mascaras menos ela. – O Lorde quer vê-la.

– O que fazemos com os outros? - era a voz de um dos chefes de departamento do ministério. James? Maldito seja!

– Levaremos todos. Para o caso de a senhorita sangue ruim tentar algo rebelde.

E em alguns instantes estávamos novamente lá.

Naquela sala de madeira escura que era a mansão dos Malfoy, aquele chão que já tinha sido lavado muitas vezes com o sangue.

Ali eu tinha experimentado as piores torturas da minha vida. Ali Voldemort me torturara pessoalmente. Ali eu aprendi a temer insanamente o escuro. E qual foi minha surpresa ao ver que aquele chão de madeira não me afetava.

Não tinha medo.

Não tinha remorso.

Não tinha culpa.

Apenas o ódio. O único pensamento que se passava em minha cabeça era: eu lavaria aquele chão novamente com sangue. Sangue dos meus inimigos.

– General Granger. – uma voz fraca me recebeu.

Ergui meus olhos ávidos e furiosos. Olhei nos olhos gélidos e rubros do homem que matou meu filho. Do homem que matou meus pais. Do homem que me tirou as coisas mais importantes.

Ele estava em um estado deplorável, parecia um amontoado de carne, feições mais ofídicas e animalescas que o comum, parecia frágil, mas seus olhos assassinos e sua voz arrastadas eram as mesmas. Nada frágil, seu espírito ainda doentio e maligno, sem um pingo de humanidade. Nada para se compadecer apenas aquele homem, que pelos doze deuses, eu almejava matar.

Eu teria a cabeça de Voldemort como troféu e entregaria para Kingsley seu coração morto, para que nunca mais ele voltasse.

– Não me olhe assim General,vamos deixar o passado para trás. Você será o pilar de meu império, a gestadora de meu estimado filho!

Aquilo me enojou. E por um instante agradeci que Naoki tivesse partido. Não aguentaria ver meu filho virar uma asquerosa cobra, transmutar-se em cria de Voldemort. Não aguentaria ver meu filho profanado desse jeito.

Eu tinha as mãos amarrada nas costas e meus joelhos incômodos contra o chão.

Eu dobrei a nuca para trás e pressionei a moeda em meu couro cabelo e pensei o mais alto que pude “Estamos no ninho da Cobra.”

Pouco tempo depois recebi resposta.

“Emboscada no Beco Diagonal foi um sucesso, estamos quase acabando, em no máximo vinte minutos estamos na mansão” A voz de Harry veio até mim.

Eu havia modificado as moedas, transformando-as em uma espécie de rádio com ondas de pensamento, e o pensamente é retransmitido para todos que estão com a moeda. Como um ponto trouxa, mas muito melhor. Muito mais eficaz.

Pouco a pouco, ele passou na frente de todos que estavam ali. Todos meus amigos. Nossas varinhas estavam em cima de um cômodo perto da lareira.

Voldemort passava entre meus amigos e divertia-se torturando um por um, deliciando-se em ver como eu trincava meu maxilar e segurava gritos de súplica em minhagarganta.

Lino. Jorge. Molly. Céus, Molly gritava e se contorcia a cada crucio. E gritava e se contorcia mais cada vez que um dos outros eram torturados, principalmente Fred e Jorge.

Eu permanecia com meu rosto impassível. Minha mente fechada pois eu sentia que ele estava tentando entrar. Tudo que eu pensava era no ódio crescente que eu sentia por ele. Cada vez que Fred caia no chão, trincando os dentes e fazendo aquela expressão de dor.

– Peça desculpas, General. – Voldemort disse sorrindo.

Os que estavam comigo mal se aguentavam nos joelhos, Molly estava quase desmaiando.

– Desculpe. – eu cuspi as palavras.

– Desbloqueie sua mente, general. E peça desculpa com mais carinho.

Eu trinquei meu maxilar. Não podia destrancar minha mente, Harry poderia mandar uma mensagem e ele ouviria.

Voldemort, cansado de torturar pessoas ele mesmo, sentou-se e fez um sinal com os dedos. Dois comensais arrastaram Molly e Fred mais a frente da nossa linha, e com os punhos, passaram a bater neles. Socos e pontapés impiedosos.

–PARE COM ISSO! – Jorge gritava. – Por favor, pare com isso!

“HARRY! Estamos ficando sem tempo!” eu gritei o mais alto que pude, escondendo e camuflando meus pensamentos. Não suportando mais ver como Molly estava sendo machucada. eu tinha prometido ao Senhor Weasley que cuidaria dela!

“Quase aí!” Harry respondeu.

– Bem, vamos começar a nos livrar deles então. – Voldemort disse levantando-se e apontando a varinha para a mulher que estava machucada e encolhida no chão ao lado de Fred, aquela que era tudo que havia me restado como mãe.

Meu coração falhou, e todo meu auto controle se foi.

– NÃO!

E então em um pulo, Ian foi até a mesa ao lado de Voldemort e pegou sua varinha firme entre os pulsos, pressionando-a contra o pescoço de Cameron, enquanto Lino fazia o mesmo com Bellatrix.

Eu pude ver o olhar quase perverso nos olhos de Ian, ao cravar seus dedos profundamente no braço da gêmea tão perfeita quanto ele.

*

– Solta ela! – Lino disse com a sua varinha na nuca de Bellatrix.

Eu estava machucando minha irmã e tinha plena noção disso. Mas eu simplesmente não conseguia agir de outra forma. Tudo o que me vinha na cabeça era a tarde em que ela matara Liza a sangue frio. A marca negra em seu braço vívida me lembrava: “ela não é mais a sua irmã.”

– Ian... – ela tentou dizer, seu corpo colado contra o meu e sua respiração alta.

Apenas apertei-a mais e torci seu braço.

– Libere os dois. Ou matamos elas. – eu disse ignorando a morena em minha frente.

Hermione era durona, mas devia estar sendo difícil. Até por que Voldemort era um ótimo Legilimens. Ela estava em pânico, preocupada com Fred e sua sogra, e certamente surpresa pela minha revolta e de Lino. O bom de ser os reféns menos valiosos é que ninguém vasculha sua mente enquanto você troca ideias telepáticas com um feitiço nada discreto.

– Mataria sua irmã? – Voldemort disse rindo.

Bellatrix riu-se de baixo do aperto de Lino, Cameron não fez o mesmo. Sensata.

– Tenho vivido para isso. – eu rosnei entre dentes.

– Pois bem. Que assim seja.

E as palavras saíram, e não foram de minha boca, como tanto tinha sonhado. “Avada Kedavra” Assim que a luz verde atingiu o corpo de minha gêmea que desfaleceu em meus braços após o baque, confesso que meu mundo balançou, enquanto minha fala morria na garganta.

Fazia um ano desde que eu a caçava?

Não sei.

E agora tudo que restava era seu corpo desfalecido apoiado contra o meu.

– C-cameron? – eu arrisquei chamar. Confuso, perdido, triste? Aliviado? Com raiva.

– E agora que ela se foi, vamos ao gêmeo solitário. O ultimo Felline!

*

– Avada Kedavra – Voldemort disse tranquilamente.

Ian não teve tempo de reação. Acho que nem Cameron esperava aquilo. Os olhos verdes dos gêmeos se arregalaram em uma sincronia macabra, e quando o feitiço a atingiu não foram apenas os olhos de Cameron que perderam o brilho. Ian segurou o corpo da gêmea que lhe escorregava pelos braços, atônito, sem poder acreditar. Ele vivia por vingança.

Acho que eu entendia como ele se sentia.

Na verdade não. Eu tinha Fred. Ian não tinha mais ninguém. Ele tinha perdido tudo.

Confesso que mesmo eu detestando Cameron, foi estranho para mim ver seu corpo sempre tão lindo e magnífico mole. Como uma perfeita boneca de porcelana nos braços do seu gêmeo.

– E agora que ela se foi, vamos ao gêmeo solitário. O ultimo Felline!

As palavras daquela cobra nojenta me acordaram. Mesmo sem reforços eu não iria perder ninguém! Eu já tinha perdido amigos demais!

Antes que Voldemort pronunciasse o feitiço, eu me lancei contra ele, caindo eu e ele estrondosamente no chão. E quando eu esperava 30 comensais em cima de mim me contendo, algo esplendido aconteceu. Harry e Rony estavam ali, desaparatando com um numero grande de comensais. 50 talvez.

Os que estavam de joelhos sangrando e imobilizados foram soltos, e logo uma intensa batalha tinha se instalado na mansão Malfoy. Do lado de fora clarões e fumaça. Do lado de dentro carnificina.

Assim que me levantei de cima de Voldemort, ele imediatamente me atacou, lançando-me um feitiço certeiro. Eu, sem varinha, apenas pude arregalar os olhos.

Será que no fim eu realmente não poderia viver ao lado do meu ruivo? Será que no fim de um jeito ou de outro nós seriamos separados?

Engoli em seco e entendi a terrível verdade: eu morreria, pelas mãos daquele que jurei matar.

Notas finais do capítulo
Entonces, que tal? Hoje a noite eu acho que posto o próximo - NÃO ME MATEM ATÉ LÁ, JURO QUE VAI SER LEGAL... Pensei em colocar o Fred se apaixonando pela Bellatrix do funeral da Mione e pans... MENTIRAAAAAAAAAAAAAA SAIJAIOSJASJAIOHSAO..(LE DESVIA DOS CRUCIOS)
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Até mais Pessoal ;)
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*Malfeitofeito*




(Cap. 25) Moonlight Sonata

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*
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QUERO OUVIR A MULHERADA!!! (de preferencia não com gritos de morte à minha pessoa peloamordemerlin)
primeiramente: CONTOS DE GAVETA da Mamy_Fortes, super recomendo, contos simples, curtos e MUITO bem escritos. Sério mesmo leiam.
Queria agradecer a todas vocês, mas vou fazer isso em outro capítulo, leiam logo o ápice da nossa história.
Minhas leitoras fieis e que eu tanto adoro: sangue e amor em um caspítulo sucinto ao som de Mozart!
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Primeira parte: Moonlight sonata (http://www.youtube.com/watch?v=nT7_IZPHHb0)
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Segunda parte: Presto Agitato (http://www.youtube.com/watch?v=5Wxds6tNDjY)
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Aproveitem! (leiam as notas finais!!)

VINTE E CINCO:

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Fred Pov:

Assim que nossos reforço chegaram consegui pular para a mesa onde as varinhas estavam, agarrando a minha e a de Hermione.

Mal me virei para analisar rapidamente o caos que se instalara quando a vi há alguns passos de mim.

Os cabelos presos, o rosto assustado. Sua barriga levemente inchada devido ao feitiço. E ele.

Voldemort girava sua varinha entre os dedos enquanto desferia um feitiço certeiro na direção de Hermione, que indefesa, só teve tempo de arregalar os olhos, e encarar profundamente o bruxo ofídico que estava prestes a lhe tirar a vida.

Meus músculos tencionaram, e com as bênçãos dos Sete Deuses, meu feitiço “Protego” chegou a tempo, desviando o lampejo verde para longe dela.

Consegui soltar o ar que prendia quando arremessei sua varinha e ela a segurou firme entre os dedos estabelecendo um duelo com Voldemort.

Confesso que durante uns dois segundos, eu tremi. A ideia de vê-la cair sem vida na minha frente foi muito real, muito próxima. Perdi um filho, não aguentaria perdê-la.

E nesses dois segundos, comensais e aurores morreram, Hermione tinha os olhos ferozes e determinados sobre Voldemort, Bellatrix se ocupava com Harry enquanto Ian socorria minha mãe e a levava para algum lugar a salvo eu espero.

De relance vi o corpo de Cameron abandonado e sem vida no meio do salão. Os que duelavam pulavam sobre ela, sem nem lhe dirigir o olhar. Confesso que me entristeci um pouco com isso. Assim, com o rosto coberto pelo sangue de outros, a pele suja sobre solas desavisadas, seu rosto não cruel, me lembrava a Cameron que um dia eu fui apaixonado. E me doía o coração em ver onde ela tinha acabado.

Isso durante dois segundos. Logo com um aceno de varinha empurrei o corpo da morena para o canto da sala, enquanto me juntava a minha noiva no assassinato do pior bruxo de todos os tempos: Voldemort.

Amor.

Na saúde e na doença.

Alegria ou tristeza.

Paz ou nos tempos de Guerra.

Até que a morte nos separe.

Desafio-a a tentar! Não separaria, não tão cedo.

Ele era bom, e muito mais experiente do que nós, mas estava fraco, e nós atacávamos tão sincronizadamente que ele ficava basicamente na defensiva.

Estávamos em um número bem maior, e aos poucos os comensais caiam. Lúcio e Narcisa estavam lá, e de fato duelavam do nosso lado. Na verdade não matavam, mas imobilizavam e ajudavam os aurores feridos. Narcisa no momento estava duelando ao lado de – veja quanta ironia – meu irmão Rony, enquanto Lúcio recebia minha mãe cambaleante nos braços enquanto Ian corria de volta para sua irmã. Confesso que fiquei nervoso, mas feliz ao ver quando o loiro de nariz empinado com alguns múrmuros, com sua varinha trouxe minha mãe novamente à razão.

Eu, mesmo tendo minhas limitações masculinas, estava cercado por todo aquele caos, e prestava atenção em tudo. Hermione, que até pouco tempo distraia-se tão fácil pela culpa e preocupação, não olhava para mais nada, apenas atacava Voldemort. Furiosa, com verdadeiros urros, o rosto vermelho e suado.

Raiva. Ódio.

Ela exalava algo fatal, perigoso.

E Voldemort a cada golpe sentia isso.

Comensais começaram a tentar Desaparatar, mas os Malfoy tinham colocado a velha barreira de modo que assim que os primeiros tentaram, caíram novamente no salão, destrunchados.

Sectumsempra! – Hermione gritou ofegante.

Estupore! – eu gritei segundos depois.

Resultado, Voldemort não conseguiu se defender dos dois feitiços e segundos depois eu assisti ao grande bruxo das trevas, Lorde Voldemort, Tom Marvolo Riddle, perecer diante de mim.

Vi Aquele-que-não-se-deve-Nomear cair aos pés da minha noiva.

Hermione olhou para mim.

Aliviada? Feliz? Angustiada? Furiosa?

Uma mistura de tudo isso, enquanto trêmula ela esboçava o fantasma de um sorriso.

***

Era noite.

Tarde, quase quatro da madrugada. O céu negro da mansão Malfoy estava límpido, o salão Malfoy tingido em tons de vermelho. Sem corpos. Do lado de fora, no grande jardim, perto das margaridas que Ícaro tanto amava estavam estendidos, ao luar, os corpos. De um lado, aurores, do outro comensais, como tinha sido feito no dia da batalha de Hogwarts. Hermione e Fred estavam um ao lado do outro, rugindo ordens em sincronia.

Tudo tinha acabado, todas as batalhas, estavam todos ali.

Todos os comensais que não estavam mortos estavam imobilizados em fileiras.

Dez a dez eram postos na frente de Hermione, que realmente exalava um ar de General, em pé, firme e com olhos duros perguntava o nome, sobrenome dos comensais. Se tinham família ou assuntos inacabados. Concedia o direito a uma carta usando penas de repetição rápida e o direito às últimas palavras.

Ao contrario do que alguns podem achar, ela não estava sedo piedosa em fazer tudo isso e mandá-los em exílio para viver na Groelândia.

Não.

Após isso, os comensais eram mortos. Com um Avada Kedavra.

Bellatrix gemia de olhos arregalados e chorosos, insanos, Voldemort ainda estava desacordado, caído ao lado de Hermione, como se ele fosse um mascote adormecido.

Quase duas horas de matança haviam se passado.

Atrás de Hermione, Fred. Em pé, em perfeita posição. Executando cada comensal havia um Auror.

Harry e Rony também estavam ao seu lado, ajudando no interrogatório e a redigir as cartas. Reconheceram os pais de alguns colegas seus. Draco inicialmente estava ao lado de Hermione, mas esta achou que era melhor que ele fosse ajudar os feridos.

Draco e sua família seriam uma exceção. Kingsley apenas recolhia as cartas e observava tudo aquilo com certo horror. Eram tantas pessoas. Tantas mortes.

E tudo que Hermione conseguia pensar era em seu filho. Prometera vingança, e estava tendo. Não se sentia feliz ou algo assim, apenas colocaria fim, de uma vez por todas, a este pesadelo.

A lua minguante no céu estava alta quando Voldemort revirou-se, atordoado. Não como bruxo magnífico, mas como velho decrépito que era. Ao ver o que estava acontecendo, seu olhar sempre tão frio e indiferente, sua figura sempre tão altiva, elegante e irônica, desapareceu. Apenas o medo.

Com um aceno de cabeça, Harry e Gina o levantaram do chão e o colocaram de joelhos. Trouxeram Bellatrix e colocaram-na ao seu lado.

– Tom Marvolo Riddle. – Hermione anunciou com voz estridente, o mais mortal silencio se fez, enquanto todos prendiam seus olhos naquela cena. – Conhecido como Lorde Voldemort, certo?

Com um microscópico movimento de cabeça ele assentiu.

Hermione sentiu fúria, e tudo que lembrava era de seu filho, seu Naoki, seu quarto revirado. Sua morte terrível, segundo as mulheres que o abortaram, ele estava deformado, ofídico. A alma corrompida do seu amado filho.

A juventude corrompida de Draco, as torturas ao loiro. Seu amigo Harry, sua família roubada. Ian que teve seu amor morto na sua frente. Os pais de Nick e Panti, irmãos da Minerva. A destruição de sua amada escola, todos os trouxas que ele havia assassinado. Seus pais. A morte horrível de seus pais. Todos aqueles bruxos e bruxas que tinham sofrido tanto.

Não pode sentir dó, apenas... O que ela sentia? Era mais do que raiva, era mais do que qualquer outra coisa.

Queria por um fim naquilo, precisava por um fim naquilo.

– Muito bem General, - Voldemort disse observando a carnificina ao seu redor – você é como eu. Está matando pais de família, destruindo famílias.

Mesmo fraco, Voldemort conseguira um vislumbre da mente cansada de Hermione.

– Ela nunca vai ser como você. – Fred disse dando um passo a frente. – ela nunca quis isso, nunca sentiu prazer nisso.

– Bom, sejam coerentes, se querem erradicar o mal, mate sua amada Hermione – Voldemort disse. E ao dizer o nome dela, foi como se tivesse acertado um soco no estomago da Hermione e Fred. – ela é uma assassina, e carrega no ventre a minha semente.

Hermione com um impulso furioso esbofeteou Voldemort, que ficou apenas encarando embasbacado à reação da garota. Bellatrix guinchou em protesto. Todos abismados, enquanto a garota juntava Voldemort pelas vestes ficando frente a frente com o bruxo.

– Não ouse falar do meu filho. Você o tirou de mim. – ela dizia com os olhos ardendo em raiva – ele está morto. Morto por sua culpa.

Aquilo atingiu o bruxo de modo inesperado. Olhou para o ventre da garota de sangue sujo em sua frente e tremeu ao notar estar normal e não quase de quatro meses. Notou que estava muito vulnerável. Temeu, conscientemente.

Bellatrix urrava e se contorcia contra as amarras enfeitiçadas.

– Tire suas mãos imundas do Lorde das Trevas!

Fred recolheu Hermione pelos ombros gentilmente, segurando-se para não matar o bruxo ali mesmo, com os próprios punhos.

– Tom Riddle – o ruivo anunciou – por todos os crimes cometidos contra Bruxos e Trouxas, sua sentença é a morte, assim como a de todos os seus seguidores – o ruivo ergueu a voz aos gritos esganiçados de Bellatrix.

– Hermione – Harry disse baixo, os olhos brilhosos de lágrimas – Bellatrix, ela matou Sirius...

Aquilo aplacou Hermione. Pouco. Abraçou o moreno, finalmente ele estaria livre.

– Ela é sua Harry.

Todos os Aurores mobilizaram-se, escutaram os comensais, escreveram as cartas e os colocaram em pé, logo atrás de Voldemort. Aos berros muitos imploravam piedade, outros alegavam a maldição Império, outros xingavam e se debatiam. Os únicos silenciosos eram Voldemort e Bellatrix.

Harry pegou uma adaga, uma que estava na mansão dos Malfoy e posicionou-se atrás de Bellatrix, Kingsley dirigiu-se para Voldemort com sua varinha em mãos.

Hermione com um estender de braços disse com a voz firme: “Voldemort é meu”

Ela buscou outra adaga na mansão Malfoy. Voldemort e Bellatrix posicionaram-se de frente para o “público”. Harry e Hermione atrás deles, Harry tremia, estava raivoso, triste, a única coisa que se passava em sua cabeça eram os olhos gélidos do padrinho. Ele estava sozinho, ela tinha tirado dele a única família que ele conheceu.

Hermione? Só pensava em Fred, seu filho, e seus pais. Ele tinha tirado as únicas coisas importantes para ela.

– Fim às trevas. – Ouviu-se a voz sempre tão sonhadora de Luna ecoar no gramado, como um grito de alívio.

Ao lado de Draco ela assistia aquilo, com os olhos lacrimosos e o rosto triste.

– Fim! – Hermione e Harry gritaram sem aviso.

E seguidos pelo silencio mortal que se fez, Hermione foi tomada pela sensação de sua lâmina atritando contra a pele daquele que nada mais era do que um homem.

Sentiu nas mãos o sangue quente fluir enquanto ela colocava mais força na lamina, para que esta cortasse mais fundo a garganta de Voldemort. A sensação de ter que calcular a força para matar um homem assustou-a. Pelas suas mãos o assassino de sua família agora engasgava em seu próprio sangue enquanto não morria como nos filmes: limpa e calmamente. Não, o sangue era muito, e sobre o brilho da lua o vermelho apareceu manchando a grama, manchando a mão de Hermione, escorrendo-lhe pelo braço. Lavando-lhe a alma. E de baixo da lamina o homem agonizava sufocando.

Pode parecer meio sombrio, mas aquele sangue quente e vermelho contra a pele de Hermione, recuperou algo que ela achou que tivesse perdido.

Assim que a lâmina atravessou o pescoço de Voldemort, ele contra o gramado, com últimos espasmos, enquanto suas ultimas palavras se afogavam em sangue: incompreendidas.

Bellatrix aos prantos, em meio as risadas sádicas e ganidos de dor e tristeza, caiu logo depois, como última ação deixando seu corpo pesar sobre o de Voldemort. juntos até o fim, Mestre e Serva.

O maior bruxo das trevas estava morto.

– Avada Kedavra! – a voz coletiva dos aurores veio, e um grande baque surdo se fez no jardim dos Malfoy, enquanto comensais e mais comensais caiam sem vida sobre o gramado, enquanto a lua acolhia a todos em seu brilho que segundo Hermione, parecia um brilho ligeiramente escarlate.

Ela nunca vai saber com certeza, mas naquele momento, 221 comensais caiam sem vida, totalizando 530 comensais mortos apenas naquela Noite Sangrenta de quinta-feira. A noite sangrenta se luar tão sadicamente belo.

Curiosos os meios sanguinolentos percorridos pelo homem em busca da paz.

***

Assim que o corpo dele caiu sem vida em meus pés recuei dois passos, esbarrando-me contra algo. Assustada, aterrorizada, toda minha frieza morria ali com ele. Eu estava agora simplesmente apavorada.

Aquilo contra o que eu esbarrei logo passou os braços ao meu redor e eu não precisei ver para saber quem era.

– E-eu...

– Acabou. – Fred disse em um tom de quem dá ordens.

Calei-me e aceitei seu abraço, tremia e me sentia enjoada. A lua tão brilhante parecia rir lá no alto, o vento gelado batia contra a minha pele fazendo com que eu me arrepiasse, o cheiro de sangue deixava aquele gosto metálico na boca, tudo me enjoava eu só queria sair dali. Eu sabia que haveriam mortes ali, mas não imaginava que seriam tantas, e não imaginava como isso seria terrível quando tivesse passado.

e ainda assim, como se fosse uma ironia dos deus Deuses, essa era sem dúvida uma das noites mais bonitas do ano. tudo tinha um falso ar harmônico, até mesmo o luar que banhava os dois corpos ensanguentados, como se formasse uma medonha instalação artística.

– General Granger. – Kingsley me chamou. Há muito custo desenterrei meu rosto do peito de Fred e encarei o homem. – era necessário. Eu, como ministro da magia, agradeço. Estamos em débito com você. Você fez de forma honrosa, como deveria ser.

Suas palavras não entravam em meu cérebro, eu simplesmente estava arrasada. Como alguém poderia me agradecer? Eu causei isso! Eu. Voldemort tinha razão, eu deveria morrer também.

– Com todo o respeito Ministro. – Fred disse sereno – Peço permissão para levar Hermione para casa.

– Mas é claro Fred. Cuide dela. E nem se preocupem com trabalho, vou decretar três dias de luto. Ou comemoração. Não sei ainda... Mas bem, obrigado por tudo Fred.

E pelo campo o silencio foi quebrado, inúmeras vozes. Comemorando, lamentando-se, comentando.

“General Escarlate”

“Morreu pelas mãos de um nascido-trouxa”

“A General Cinza tornou-se Escarlate.”

E sem que eu esperasse fui sugada para dentro de mim, sendo cuspida novamente dentro da minha casa. Fred ao meu lado com seus braços ao meu redor. Algumas lágrimas caíram, escorrendo quentes pelo meu corpo, assim como o sangue dele tinha escorrido tente pelas minhas mãos.

Limpei os olhos com as costas das mãos e qual não foi minha surpresa ao ver que elas ainda estavam sujas de sangue. Aquilo rompeu algo dentro de mim, e eu chorei como há muito não chorava. Solucei, dobrei-me sobre mim em dor tentando esfregar aquele sangue para longe de mim como se fosse um enxame de abelhas, mas não saia, estava grudado em minha pele. Uma dor que chegava a ser física, eu estava exausta.

– Fred... – eu dizia sem conseguir completar qualquer frase – Fred... Fred...

– Estou aqui. – ele disse calmamente.

Também tinha os olhos cheios de lágrimas e me esmagava em um abraço. Ele segurou meu rosto entre as mãos.

– Vamos limpar isso.

Ele disse passando a mão pelo meu rosto, limpando meus olhos, tirando de mim a mistura de sangue e lágrimas.

Fomos para o andar de cima, onde Bichento passou por nos dando-nos um cumprimento manhoso. Continuava gordo e laranja.

Entramos no banho juntos, onde Fred cuidadosamente tirou de mim qualquer vestígio do assassinato que eu tinha cometido, esfregou minhas mãos, limpou minhas unhas, e beijou cada centímetro do meu corpo, enquanto tudo que eu sentia era seu corpo quente próximo ao meu, eu o beijava. Rosto, braços, peito, passava os dedos em seus cabelos. E quando estávamos imersos em vapor, água a carícias, e ele lentamente massageava minhas costas, um impulso urgente me tomou.

Eu precisava dele. Ali. Naquele momento.

Beijei-o como nunca tinha beijado, e ele correspondeu com mesma intensidade, com seu beijo perfeito que encaixava-se ao meu como nenhum outro.

Saímos daquele banheiro nus e molhados, minhas pernas enlaçadas ao seu redor enquanto eu o devorava com beijos sedentos e ele afundava seus dedos em minhas coxas e atravessamos assim o corredor.

Ele entrou no quarto e me jogou na cama, toda sua tensão finalmente transparecendo.

– Tive tanto medo. – ele dizia beijando minha pele, passando os dentes pelo meu ombro. – achei que ia te perder. Você é tudo para mim, tudo, entende?

– Eu te amo. – eu disse bobamente me dando em conta de como ele tinha estado nervoso por causa disso tudo.

– Nunca mais ninguém vai te fazer mal, vou cuidar de você, sempre. – ele dizia beijando levemente meu peito, logo abaixo da minha clavícula.

Eu não aguentei e cravei meus dentes em seu ombro, ele em resposta prontamente abocanhou minha barriga, mordendo meu quadril com força enquanto sua mão subia até um de meus seios e agilmente o massageava, fazendo com que eu me contorcesse em baixo dele. Dor e prazer. Agarrei seus cabelos e fiz com que ele trouxesse sua boca novamente para mim, e sua virilidade pressionasse contra minhas pernas que rapidamente enlaçaram-se ao seu redor. Mas antes que ele se afundasse em mim, ele de modo perverso brincou um pouco, afundando um dedo em mim e me massageando com o outro, observando-me arquear de baixo dele e ofegar com aquele contato. Depois alguns momentos fazendo aquilo eu já estava quase arrancando as costas do ruivo de tanto arranhá-lo.

– Fred! – chamei-o não me contendo mais.

Ele então recolhendo minha mão junto da sua e acomodando-a em seu peito enquanto se apoiava no outro cotovelo, me penetrou. Movimentos ritmados e fortes, enquanto ele respirava pesadamente na minha orelha e apertava mais e mais minha mão, afundando-se em mim, mais e mais.

Girei-o ficando em cima dele, torturando-o com um ritmo mais lento, beijando-o como se minha vida dependesse daquilo enquanto suas mãos passeavam pelas minhas costas, firmes, agarravam minha bunda e ele erguia-se para beijar a cicatriz em meu ombro.

O que tudo tinha sido mesmo?

Não sei, sei que não passa de uma simples memória. Um fantasma do passado.

O ritmo se acelerou, enquanto ele me virava novamente na cama de um jeito delicioso, e eu sentia cada músculo do meu ventre retorcer-se ao seu redor. Do lado de fora o dia nascia, lindo, e a lua no horizonte quase desaparecia.

E em uma intensa e repentina explosão senti tudo em mim se contrair ao redor de Fred, enquanto minhas costas se arqueavam e meus olhos se fechavam fortemente, minha respiração simplesmente travava enquanto eu sentia aqueles espasmos percorrerem meu corpo e eu afundar minhas unhas nas costas de Fred, que momentos depois de imobilizava e gemia algo que não fazia muito sentido.

Ele caiu em cima de mim me abraçando ternamente, tão exausto quanto eu, e num riso, nós dois soltamos a respiração que havíamos prendido por tanto tempo.

Notas finais do capítulo
NHOM NHOM ENTÃÃÃO

Cara, ficou meio forte e pans, mas eu espero que tenham gostado.
ai nem sei o que dizer, na verdade agora eu fui reler e achei que ficou uma bosta, mas foi o melhor que eu consegui x_x
Bom, ainda temos alguns assuntos inacabados e a grande surpresa sobre o Lino, que vai deixar muitas de queixinho caído.
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PS: MINHA DRAMIONEEE, É SÓ UMA PRÉVIA, MAS PARA VOCÊS TEREM UMA IDEIA DE COMO VAI SER: http://fanfiction.com.br/historia/406588/Dragoes_E_Serpentes_-_Draco_E_Hermione/

Por hoje é tudo pessoal ;)
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*malfeitofeito*





(Cap. 26) Special Day

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*

Gente eu achei que tinha perdido esses capítulos, e tava semsaco de reescrever, daí a Frapuccina veio falar cmgo essa linda e eu resolvi procurar mais um pouco: E ACHEI! glória merlin pai do ceu *U*
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Anyway, gente, chorei com a recomendação da jak mione potter. Gente, essa garota ainda me mata! também teve recomendação da Gabiia Lupin, Isa Weasley da Polly e da amandagranger. Gente eu morro de rir com vocês, sério, vocês merecem as cabeças de comensais que eu corto pra vocês com tanto carinho :3

anywaaaaay
aproveitem o dia tão especial da Mi ♥

VINTE E SEIS:

O sol da tarde invadia meu quarto em uma linda tarde de verão, sobre meus pés esquentando-os. Eu estava jogada na cama grande, confortavelmente de bruços, ao meu lado um ruivo com as pernas esparramadas formando um 4, a boca levemente aberta e o braço cobrindo seus olhos, enquanto seu peito subia e descia lentamente.

Será que tudo tinha sido um sonho?

O corpo do ruivo coberto por partes do lençol branco tinha alguns hematomas e alguns machucados, meu próprio corpo estava dolorido. Não. Tinha sido real.

E acabou!

Eu sorri com esse pensamento.

Ícaro e Fred tinham razão, tudo ficou bem. Inúmeras cicatrizes e marcas, não apenas no corpo, mas entre mortos e feridos...

Levantei-me e fui no banheiro. Como dormi de cabelo molhado este estava em desgraça, mas nem me importei, entrei em um banho rápido, no banho penteei-o com os dedos. Com a ponta dos dedos acariciei sorrindo a marca de mordida na minha cintura.

Saí do banho, coloquei uma calcinha, uma blusa de Fred e um short de pijama. Enrolei meu cabelo na toalha fazendo o típico turbante. Fred ainda dormia, estava no quinto sono, parecia ter 16 anos.

Deixei-o dormir e desci as escadas. Eu tinha conhecido meus piores demônios nesta casa.

Não.

Eu tinha vencido meus piores demônios nesta casa. Minha casa.

Acariciei as paredes como se fossem vivas, passei no quarto de Naoki. Estava totalmente iluminado, uma fresta da janela aberta fazia a cortina dançar sozinha no meio do quarto, tinha um cheiro fresco e as folhas mexiam-se fazendo um som delicioso. Sim eu estava sensível, então novamente meus olhos encheram-se de lágrimas. Uma ou duas escaparam escorrendo quentes pela minha bochecha.

– Acabou meu filho. – eu disse encarando a fotografia em cima da estante branca do quarto, onde eu e Fred sorriamos em frente ao quarto montado de Naoki. – eu fiz o que tinha que fazer... Mas eu queria tanto que você estivesse aqui. Tanto. – um soluço irrompeu, eu limpei minhas lágrimas.

Não estava exatamente triste. Mas também não era 100% alegria. Mas eu definitivamente não queria mais ficar triste. Um vento mais forte entrou no quarto e a ponta da cortina roçou no meu rosto.

Engoli em seco e limpei as ultimas lágrimas que caiam e sorri. Obviamente era apenas isso: uma cortina balançando com vento. Mas eu, lá no fundo, queria acreditar que aquilo era um afago do meu Naoki. Onde quer que ele estivesse, para que eu seguisse em frente.

Besteira sentimental ou não, aquilo me alegrou.

Saí do quarto e fui para a cozinha, fiz o almoço já que eram quase três da tarde. Estava colocando o suflê de chuchu no forno quando uma bolinha esbranquiçada entrou pela janela.

“Como você está? Estamos preocupados com você Mi.”

Era a voz Harry no patrono. Sorri.

Accio Moeda. – eu acenei com minha varinha.

O galeão dourado enfeitiçado veio até mim. Eu mandei minha resposta.

“Comemoração aqui em casa hoje à noite. 20:00, venham com fome! ~H.G.”

Parei tudo mais o que fazia. Já que jantaríamos, eu não podia comer muito, ou ficaria sem fome. Coloquei o suflê no forno, coloquei a tampa no arroz e guardei a carne que eu pretendia preparar para o almoço. No lugar disso fiz uma omelete com algumas ervas e peito de peru.

Estava concentrada colocando queijo ralado sobre a omelete quase pronta quando duas mãos apertaram meu quadril fazendo com que eu despejasse o queijo ralado em abundância.

– Fred! – eu disse tentando tirar o excesso.

O ruivo riu estrondosamente.

– Desculpa, não pude resistir, você fica tão fofa quando cozinha. Tão séria.

– Vai colocar a mesa, seu físico tarado...

Eu disse sorrindo. Ele estava apenas de moletom, os cabelos molhados estavam para trás deixando seu rosto completamente a vista. Ele estava lindo.

– Bom dia – ele me deu um selinho.

– Bom dia. Dormiu bem?

– E como... – ele sorriu com malícia enquanto colocava um pedaço de pão na boca.

Meu rosto esquentou e eu senti fumaça sair pelos meus ouvidos.

Não importa há quanto tempo eu namore ele, e como eu seja praticamente casada com ele, eu simplesmente não consigo não ficar com vergonha. Ele é muito descarado!

Arremessei um garfo nele. Ele rapidamente se esquivou.

– Sai daqui desgraça! – eu disse ainda vermelha.

Ele apenas deu um passo na minha direção me apertando contra ele, segurando-me firmemente pela cintura enquanto beijava meu pescoço, e eu não sabia se ria ou o espancava com a colher de pau.

Senti um cheiro de queimado.

MINHA OMELETE! MEU SUFLÊ!

– Saí daqui seu praga! – eu disse o empurrando para longe, ele apenas riu.

Tirei o suflê do forno enquanto mexia nos ovos desajeitadamente.

Felizmente não houve estragos maiores.

– Hm... Parece bom.

– Você não merece sabe... – eu disse mostrando-lhe a língua.

– Não mesmo? – ele disse andando em minha direção.

– Você quase me fez queimar a comida... Você sempre me distrai na cozinha Fred Weasley.

– Não é minha culpa ser lindo, e se você não se segura perto de mim.

– Modesto... – eu disse rindo – Ah, convidei a galera para vir jantar conosco hoje. Tem problema?

Ele me analisou por alguns instantes e arqueou a sobrancelha.

– Que horas? – ele disse por fim.

– Hm... As 20:00... Por quê?

– Ah, tudo bem então... Vai dar tempo de fazer o que eu estava planejando.

Inclinei a cabeça ligeiramente confusa, nós tínhamos planos para hoje?

– O que você...?

Não pude terminar a sentença, pois no momento seguinte ele me tomava nos braços, me tirando do chão e beijando-me profundamente, enquanto jogava tudo que havia sobre a mesa da cozinha no chão – quebrando inclusive algumas coisas que havia ali – e me colocava sobre a mesa, passando a mão pela minha cintura enquanto eu entendia seu planejamento para a tarde. Arranquei sua blusa e inverti as posições, colocando-o encostado na mesa, deslizando meus dedos lentamente pela barra de sua calça moletom. Descia beijos pelo seu peito, barriga, quadris...

– Você quebrou meu vaso predileto... – eu disse sorrindo maliciosamente.

Ele apenas me encarava ofegante.

Se me dissessem há dois anos que eu estaria namorando Fred Weasley, morando com ele, tendo noites insanas de sexo, e fazendo um oral na cozinha como forma de “Bom Dia”, eu teria explodido de tanto rir. E, no entanto, aqui estava eu.

É a vida.

*

– Draco! Luna!

Eu abracei os dois. Fred os cumprimentou também.

– Di-Lua, Doninha! É bom ver vocês.

– Oi cabeça de cenoura. – Draco disse com o orgulho ferido.

Eu e Fred tínhamos feito sexo na cozinha, na sala, no quarto e no banho. Tinha sido uma tarde interessante. Com Fred Weasley se tem coisa que não é preciso se preocupar é sobre engordar. É simplesmente impossível com a quantidade de atividade física.

Eu tinha feito Yakissoba, rolinhos primavera, arroz com omelete, o suflê de chuchu quase intacto fora requentado, com refrigerante e suco de laranja. Um verdadeiro banquete.

Eram 20:20 quando todos chegaram.

Draco, Luna, Harry, Gina, Rony, Lilá, Panti, Nick, Ian, Molly, Arthur, Jorge, Lino, Remo e Tonks.

A casa estava lotada, mas felizmente a sala era grande e como eram amigos, cada um se ajeitava onde dava.

– Que nem aquele cara que nos prendeu no armário, lembra Remo? – Tonks contava sobre a batalha de Hogwarts para Nick, Panti e Ian.

– Ah, sim querida – Lupin disse desviando-se de sua conversa com Jorge e Lino. – aquilo foi realmente estranho.

– Pois é, no meio da batalho um doido nos guardou em um armário de vassouras! – Tonks ria.

Eu estava conversando com Harry e Rony soltei uma risadinha nervosa. Quando eu voltei no tempo para salvar Fred, acabei salvado algumas outras pessoas...

Fred então surgiu do meu lado e cochichou: “Eles também...?”

Nervosamente sussurrei.

“Sim, não pude deixar os dois... Sabe...”.

Ele apenas riu e voltou a sua conversa com Draco, Luna e Lilá.

– Hermione! – um loiro veio gritando no meio das pessoas. – com licença, nossa Gina, eu adorei sua maquiagem... Licença... Hermione!

Nick finalmente me alcançou.

– Fala Praga. – eu disse rindo.

– Hermione, ontem quando os aurores foram lutar contra os comensais, eles ficaram do lado de fora, e todos os alunos são e salvos no castelo...

– Não diga... – Harry disse revirando os olhos.

– Licença que a conversa não chegou em você. – Nick disse ignorando o moreno. Eu ri. – então, como eu estava dizendo antes de ser rudemente interrompido...

– Desembucha logo. – Rony disse também com um sorrisinho nos lábios.

– Deus, a conversa é entre A e B, não se metam...

– Fala logo Nick! – e, Harry e Rony dissemos juntos.

– Tá, tá... Astória estava fazendo uma pesquisa com os centauros, ela saiu escondida e não avisou ninguém, e os portões fecharam com ela para fora...

– Céus, ela está bem Nick?! – eu disse preocupada.

– Sim! – ele disse eufórico. – a irmã dela não estava achando ela, e veio procurar ela no nosso dormitório, e falou algo sobre as pesquisas da irmã. Eu lembrei que ela tinha me dito sobre os centauros e fui atrás dela. Ah Hermione, foi perfeito, eu tenho que te agradecer, seus treinamentos foram perfeitos. Silêncio e agilidade, eu peguei ela e encontramos alguns comensais, e eu consegui acertar eles!

– Nossa Nick. – eu disse espantada – que imprudente! Deveria ter falado com algum professor. Mas como voltaram para o castelo?

– Ah, eram só uns quatro comensais fazendo um reconhecimento, então nós demos conta deles, e um tal de Firenze, um centauro sabe, nos ajudou... Ele nos levou pro castelo... – Nick fez tom de segredo – nos deixou montar nele!

– Não... – Rony disse boquiaberto.

– Sim! Eles são orgulhosos, mas tinham muitos comensais, e era o jeito de nos levar para o castelo mais rapidamente.

– Demais... – Harry disse com os olhos brilhantes.

– Sim! E quando chegamos no castelo, ela estava com tanto medo... Ela grudou em mim e não me soltou Mione! Eu beijei ela!

Eu ri.

– Não?! Jura? E ela te bateu?

– Não! Ela ficou comigo o tempo todo, agradeceu e agora sempre que me vê ela sorri e vem me cumprimentar com um abraço.

– Vocês vão namorar! – eu disse com a voz uma oitava acima do normal.

– Eu sei! – ele disse pulando me abraçando. Parecíamos duas cocotas grasnando animadas.

Começamos a rir bobamente, Harry e Rony riram comigo.

– Olha só, Ian tá se dando bem com a Panti... Eles formam um casal bonito né?

O loiro parou de rir olhou na direção da irmã. Tonks não estava mais com eles e eles de fato formavam um casal bonito. Ela não tinha nada a ver com Liza, mas eles conversavam de modo tão natural que me lembrou um pouco como ele ficava descontraído perto da Liza.

Ela mexia nos cabelos loiros e sorria abertamente. Ele não parecia um deus grego frio e distante, parecia uma criança contando sobre algo que o deixou empolgado.

– Mas que absurdo é esse? – Nick disse bufando. – Panti!

Ele foi novamente como uma flecha para o lado da irmã, mas antes que ele chegasse lá, Lino o engatou pelo pescoço e o levou para longe do casal.

Eu, Harry e Rony rimos.

– Então Mione, como você está? – foi Rony que perguntou.

– Estou bem, de verdade. Acabou, finalmente!

– Sei como se sente. – Harry concordou. – será que tudo vai ser normal daqui pra frente?

– Com certeza não! – Ron disse rindo, aquele sorriso frouxo que eu tanto amava.

– Acho que estamos tão acostumados com esse tipo de coisa que o normal deve ser estranho para nós. – eu disse rindo.

– Mas vai melhorar! – Ron disse colocando um braço ao meu redor e ao redor de Harry.

– Com certeza. E tudo está bem... Tenho a Gina, os Weasley, Lupin, e vocês dois. – Harry sorriu, seus cabelos bagunçados como sempre – nosso trio de ouro.

– Sempre o Trio de ouro! – eu disse sorrindo.

– Cara, eu queria parabenizar vocês dois sabe. Quando vocês rasgaram as gargantas deles... nossa, eu nunca vi nada como aquilo.

Eu achei que fosse ficar mal em falar sobre aquilo, mas qual foi minha surpresa que tanto eu quanto Harry apenas rimos.

– Eu não tinha ideia de como era degolar alguém... É estranho isso, saber que eu degolei alguém. – foi Harry quem disse.

– Sim! Pretendo não ter que fazer isso novamente. – eu disse lembrando-me da sensação.

– Sabem do que nos chamam? – Ron disse em tom de segredo – Trio de Sangue. Estão começando as lendas sobre nós. O Profeta Diário chamou a noite de ontem como “Luar Sangrento”. Mas eles estão do lado de vocês.

– Tudo tem uma primeira vez... – Harry disse rindo. Eu o entendia, o Profeta Diário sempre difamava Harry.

– Se bem que a Skeeter pegou meio pesado com você Hermione.

Respirei profundamente.

– O que aquela nojenta disse agora?

– Saiu uma matéria sobre nós. – Ron disse revirando os olhos – Harry foi o de sempre. O garoto sem pais que quer atenção...

– Que mulher insuportável... – Harry disse rindo.

– Bom Mi, ela tinha te apelidado de General Cinza né, ela sempre especulou sobre sua relação com Voldemort, e por você ter ficado amiga de Draco. Agora ela está te chamando como General Escarlate, ela se deleitou com a ironia de uma Nascida Trouxa ter matado o Grande Voldemort, e por meios trouxas! Quer dizer, quem finalmente derrotou o grande Lorde das trevas, foi você Mi. Uma “sangue ruim” – ele desenhou as aspas no ar.

– É, ontem já estavam me chamando assim. – eu disse dando de ombros. – podia ser pior né?

– Bem, na verdade...

– O que? – eu perguntei.

– É que, tipo assim...

– Rony... – Harry disse incerto.

– Há boatos que vão fazer um livro sobre o Harry... E consequentemente sobre o trio de ouro...

Eu e Harry começamos a rir, mas foi de puro nervosismo.

– Puta merda, será que eu posso degolar essa mulher também?! – Harry disse gargalhando.

– Eu seguro ela!

Nós três rimos.

– É bom darmos um fim nessa mulher logo, aposto que vão fazer com que eu termine namorando a Hermione. – Harry disse. – se fizerem mesmo um livro.

– Já pensou se vira filme? – eu disse rindo. – não Harry, acho que nós somos amigos demais, é capaz de me colocarem com o Rony.

– Comigo? – Rony gargalhou – nós não temos nada a ver!

Eu ri, era verdade. Eu tinha gostado dele no sexto ano, mas não conseguia me ver com ele agora. Não conseguia me ver com ninguém na verdade.

– Aposto que nos filmes o Harry vai ter o cabelo ajeitadinho. – Rony riu.

Eu ri mais ainda.

– Harry com o cabelo ajeitadinho! Até parece! E o Draco vai ser o vilão. Ele pode ser tipo o escoteiro lobinho de Voldemort.

Os garotos apenas dobravam-se de rir.

– E ele vai acabar namorando com a Pansy!

– E a Luna? – eu disse.

– A Luna... Não sei... Ninguém combina com ela. – Rony dirigiu o olhar para a loira que gesticulava amplamente do outro lado da sala.

– Ela podia terminar com o Lino. – Harry sugeriu.

Olhamos os dois rapidamente. E mais gargalhadas.

Nada a ver.

– Com Jorge talvez, mas Lino?! – eu disse ainda rindo. – acho melhor eu conversar com o futuro autor desse livro. Para não bagunçarem demais nossa história.

– Boa sorte. – Ron e Harry disseram juntos.

O resto da noite foi maravilhosa, jantamos, rimos, Fred tocou violão enquanto Jorge e Lino cantavam e dançavam sensualmente. Eu e as garotas conversamos sobre várias coisas e demos nossos famosos gritinhos de mulher. De sobremesa Luna tinha trazido pudins, deliciosos por sinal. Lino veio me propor novamente o ménage, e na frente da senhora Weasley! Quase estrangulei o moreno. Ian e Panti conversavam agora com os demais. Entrosados demais eu diria.

Foram embora por volta das 03:00. Isso os que foram. Harry, Draco, Jorge, Rony e Gina ficaram para dormir conosco.

Arrumamos o quarto de hospedes com os colchões no chão. Eu e Fred fomos dormir com eles, ficamos acordados comendo chocolate até quase o sol nascer. Contamos histórias, rimos, brincamos de – acredite quem quiser – cabra-cega, jogamos uno, e Jorge e Fred contaram piadas.

Fico até com medo de dizer, mas creio que não tem como ficar mais perfeito.

*

– Hermione, se você chorar mais uma vez, eu vou arrancar suas vias lacrimais, está entendendo querida?

Gina disse com um tom sombrio.

– D-desculpa. – eu disse determinada a me controlar.

– Oi garotas! Prontas para o grande dia? – Lilá entrou no dormitório.

– AAAAAH... – eu me debulhei em lágrimas novamente.

– Céus, vamos contratar alguém profissional para fazer a maquiagem da Hermione no dia do nosso casamento, ela está impossível! – Gina disse limpando meu rosto pela milésima vez. – Hermione, minha cunhadinha linda, FICA SEM CHORAR SE NÃO VOCÊ VAI PARECER UM PANDA NA SUA FORMATURA!

Funguei e respirei fundo.

– Certo, agora vai. Vou estar linda para vestir o roxo!

Terminada minha linda maquiagem – Gina era o máximo – colocamos as becas. Era uma espécie de capa, como as que usávamos no primeiro ano, mas tinham uma espécie de longo capuz que caia nas costas e o cetim que revestia era da cor da casa respectiva de cada bruxo. O meu cetim era vermelho escarlate. E na frente, bordado em cima do peito o brasão de Hogwarts. Usávamos um chapéu que era muito parecido com um desses chapéus de formatura trouxa, excerto que o nosso era redondo e achatado. E não quadrado.

Os alunos que estavam se formando, no final do último banquete com suas casas dirigiam-se para uma quinta grande mesa. Sentei-me entre Harry e Rony, queria que Fred estivesse ali, mas não me entristeci por isso. Gina, Draco, Luna, Neville... Todos vestiriam o roxo hoje. Todos sorridentes, eu sentada ali nem podia acreditar que há alguns meses eu estava matando o grande Voldemort.

– E agora, - Minerva disse e todos se calaram.

“Não chore, ou Gina vai dar fim a sua inútil vida...” Minha consciência disse.

“Consciência, você por aqui... Saudades de você.”

Eu hein.”

Notei que tinha perdido o começo do discurso de Minerva.

– ... Esse é um ano de comemorações. Tempos difíceis chegaram ao fim, e o que essa escola espera é ter criado jovens conscientes, jovens de fibra, e garra. Vocês são o nosso maior legado, e sendo assim, hoje nós entregaremos jovens muito especiais ao mundo. Formandos, levantem-se.

Ficamos em pé e nos dirigimos à frente do grande Salão, lado a lado. Os mais baixos na frente os mais altos atrás.

Os professores desceram de seus respectivos lugares e ficaram de frente para nós.

– Repitam. – McGonagall disse abrindo um pergaminho. – Nós, alunos de Hogwarts, juramos vestir o Roxo e honrá-lo. – repetimos – Com astúcia, vivacidade, força, doçura e honra somos entregues ao mundo, para apenas trazer o bem, e nunca infringir o mal. Não julgar por preceitos e não disseminar a segregação, aceitando e respeitando todos ao nosso redor.

Assim que acabamos de repetir, os professores passaram por nós, nos dando os parabéns e nos entregando correntes de prata, delicadas. Todos os alunos enrolaram a corrente duas vezes na mão e então dissemos nosso juramento final, exaltando as principais qualidades do colégio, as qualidades de cada casa, mesmo não sendo a nossa:

– Honraremos o Roxo com coragem, astúcia, inteligência e bondade.

E ditas estas palavras o capuz em minhas costas ficou ligeiramente morno, com um aceno de Minerva fumaças densas e coloridas subiram, cada uma com a cor da sua casa, no meu caso o vermelho e dourado subiu do meu capuz, e assim que atingiu certa altura ficou roxa. A cor da magia. Eu era agora uma Bruxa de verdade. O cetim de minha beca mudou de vermelho para roxo, enquanto explodíamos em gritos e os demais alunos nos aplaudiam. Jogamos nossos chapéus para cima e nos abraçamos.

Eu estava formada.

– Viva os mais novos desempregados! – Lino gritou em meio aos alunos, abraçando alguns garotos da grifinória.

– Professor Lino! – McGonagall repreendeu-o.

Eu, Harry e Rony rimos.

– Vocês três, quero uma palavrinha com vocês. – Minerva disse apontando para nós três.

Trocamos olhares nervosos. Será que teríamos uma bronca saideira? Assim que nos desvencilhamos dos outros alunos fomos até Minerva.

– Diretora. – Harry se apresentou ainda sorrindo.

– Você quebraram milhares de regras, colocaram muitos alunos em perigo, foram imprudentes e abandonaram o colégio. – Minerva disse séria. – são meus alunos prediletos. Parabéns. E muito obrigado por terem feito tudo que fizerem.

– Até quebrar as regras?

– Não abuse da Sorte, senhor Weasley. – Minerva disse com um sorrisinho nos lábios. – ainda posso arrumar uma detenção para vocês limpando a sala de troféus.

Ela abraçou cada um de nós.

– Ah, quase me esqueço. Vocês tem um convite pessoal do reitor para estudar na Universidade de Medicina e Bruxaria. E o ministro fez o convite para que vocês dois também assumissem cargos como Generais no ministério entre os aurores. E a Universidade de Magias Avançadas ofereceu vagas nos cursos de sua escolha... S-senhorita Hermione?

EU ESTAVA SENDO CONVIDADA PARA ESCOLHER ENTRE A UMB E A UMA, AS MAIORES UNIVERSIDADES BRUXAS DO MUNDO!

Notei então que estava me esforçando muito para não chorar, e sendo assim estava fazendo uma careta um tanto quanto assustadora.

– Hermione? – Harry me cutucou.

– E-eu sinto muito, só um instante... Se eu chorar a Gina me mata.

– Ah, temos um convite para a senhorita Ginevra também, quase me esqueço. Um desses times de Quadribol... Aliás, a turma de vocês tiveram ótimas propostas.

– Espera só até eu esfregar isso na cara daquela doninha... – Rony disse esfregando as mãos sombriamente.

– O senhor Malfoy recebeu os mesmos convites.

– Até de general? – Rony disse quase choroso.

– Não, esse é só para o Trio de Ouro. – Minerva riu.

– Rá! Vou esfregar na cara dele. – Rony voltou a dar gargalhadas.

Eu apenas revirei os olhos.

– Boa sorte, vou sentir falta desse Trio de Ouro. – Minerva disse sorrindo.

– Nós também diretora. – eu disse abraçando-lhe rapidamente.

Ela saiu de perto. Eu Harry e Rony começamos a pular e gritar.

– Este ano está perfeito! – eu disse rindo – não sei o que falta acontecer!

– Agora só falta os casamentos de vocês em Agosto. – Rony riu-se.

Oh meu bom Merlin.

Eu iria casar. Em menos de um mês.

Basiliscos, Dementadores, Comensais da Morte, Voldemort, Horcruxes. Nada. Eu disse NADA! Nada me deixa tão nervosa quando imaginar o dia em que eu diria “Eu Aceito”.

Socorro eu estou passando mal.

– Harry? – Rony disse ficando sério de repende.

Olhei para o lado enquanto o moreno desabava no chão e eu tentava sem jeito segurá-lo.

É. É bom saber que eu não serei a única nervosa.

Notas finais do capítulo
HEEEEEEEEEEEEEY :3 E AI? CURTIRAM?

HAHAAAA ainda não é o casamento, ainda!

Ai gente to numa Deprê aqui, só não vou morrer chorando por que to escrevendo a minha Dramione e também tá ficando bem interessante :3....
MAS EU VOU SENTIR MUITAS SAUDADES DE VOCÊS MINHAS CHICAS CALIENTES FREMIONEIRAS, SÉRIO MESMO!!!!




(Cap. 27) Os três.

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom*

Gente amada, desculpa a demora ;________; eu me atrapalhei, eu postei o capítulo semana passada, mas só hoje fui ver que alguma coisa deu errado e ele não foi adicionado. GOMEEEEN.

Pronto tá aí o capítulo cor de rosa pra vcs, meu capítulo de desculpa com todos esses personagens que eu venho torturando há tanto tempo... E LEIAM AS NOTAS FINAAAAIS.

VINTE E SETE:

Eu estava em casa assistindo anime. Minhas aulas tinham acabado, eu tinha retomado meu emprego na livraria e o tempo agora estava sobrando, estava de férias como General.

Terminei mais um shoujo: Levely Complex.

Espreguicei-me ainda rindo, aquela tinha sido uma boa história. Li alguns capítulos de Game of Thrones, falei com Gina pelo telefone e fui para sala.

Fred tinha saído com Lino e Jorge, aproveitar um tempo com os amigos. Eu gostava que Fred saísse com eles, quer dizer, ele estava sempre muito sério e preocupado com tudo, gostava quando ele saia e voltava a ser o Fred brincalhão dos tempos da escola.

Abri o piano, dedilhei algumas músicas, inventei algumas melodias. Céus eu estava enferrujada.

– Cheguei! – Fred disse abrindo a porta com um sorriso de orelha á orelha.

Eu saltei do piano sorridente, pulei até ele e me dependurei em seu pescoço.

– Oi Analista. – ele me beijou rapidamente – nossa, eu estou exausto. E ai, como foi o dia?

– Bem. Fui tomar um café com Ian depois do expediente, conversamos um pouco. E você?

– Saí com os garotos, foi muito bom.

– Que bom que gostou.

– Você não fica com ciúmes? – ele disse jogando o casaco em cima do sofá.

– Do quê?

– De eu sair com os garotos sem você.

Aquilo me fez rir.

– Acho que não. Eu confio em você... Deveria começar a desconfiar?

– N-não! É só que Gina, Lilá e Ange sempre ficam mandando patronos para os namorados e coisas assim. – ele levantou minha mão, no lugar da nossa aliança de namoro agora um aro dourado de ouro com um único brilhante cravado, simples e lindo. Ele beijou minha mão, feliz.

– Que sorte a sua, ficou com a namorada mais legal.

Ele sorriu e me levantou do chão mordendo meu pescoço me fazendo gritar.

– E mais bonita, e mais inteligente, e mais perfeita.

– Você também não é ruim.

Ele riu. Eu estava nervosa quanto ao casamento. Ele tinha sido meu primeiro namorado, meu primeiro amor, eu tinha passado pelas piores coisas ao seu lado. Eu morava com ele e isso era algo natural. Eu tinha a minha vida e ele tinha a dele, mas a noite ele sempre me lembrava de como eu só conseguia ser realmente completa perto dele.

E a cada dia eu o amava mais, a cada dia ele ficava mais belo. Não tinha mais o rosto de um adolescente qualquer, tinha o rosto de um jovem 20 anos. Ele era bem maior que eu, muito mais forte, muito mais bonito, mais engraçado, mais popular. Eu era muito mais estudiosa, tímida, séria.

Ele era como uma tarde de verão quente, uma brisa à beira mar, como semanas de férias.

Eu, o inverno de Londres, as neblinas e a neve, como uma tarde agradável no frio.

Não combinávamos em quase nada, mas ainda assim ele era perfeito para mim. No fim aquela famosa frase é verdade: Os opostos se atraem.

Mesmo com todas as nossas diferenças, nós nos completávamos. Um era o que o outro precisava, um estava lá quando o outro caísse, um curava o outro quando este se machucasse, um era a metade do outro. Era algo saudável, era algo bom, não nos machucávamos e sempre cuidávamos um do outro.

Por mais improvável que fosse, eu pertencia a ele, eu vivia por ele, e se agora eu podia ser feliz era por sua causa.

Eu estava nervosa para casar. Mas era um nervosismo besta, o casamento era apenas a ponta do iceberg quando eu penso em como eu pertencia a ele de corpo e alma.

***

– Luna, os bolinhos estão prontos! – eu gritei tomando cuidado com a forma quente.

Em pouco tempo ela estava saltitando na cozinha como se fosse a mais bela bailarina.

– O cheiro está delicioso. – ela disse sorrindo.

– Fada, me passe o outro pano.

Ela me jogou o pano e eu despejei o bolinho sobre o balcão da cozinha. Esse tempo todo eu tinha ficado com Luna e o pai dela. Na verdade o pai de Luna viajava muito de modo que a casa era praticamente nossa. Essa era a primeira vez – desconsiderando quando ela ficou presa aqui – que Luna ficava na mansão comigo.

Meus pais não estavam em casa, na verdade eles iriam oficialmente conhecer Luna hoje. Minha mãe já tinha conversado algumas vezes com ela, meu pai com seu jeito crápula nunca tinha nem dado oi a ela.

Os dois estavam prestando contas com Kingsley, minha mãe tinha decidido – mesmo contra a vontade de meu pai – se desfazer da mansão, criar ali um hospital ou coisa do gênero, e arrumar outra casa, como gesto de boa fé e um pedido de perdão ao ministério.

Eu amei a decisão, doeu ver minha casa corrompida daquele jeito. Eu seria médico no futuro, acho que seria um bom modo de recuperar a dignidade da Mansão Malfoy. Essa era uma das minhas ultimas noites na minha casa.

– Aloou. – Luna disse entrando na minha frente – onde você está Draco?

– Hm, desculpe, apenas pensando demais. – eu disse sorrindo para ela.

– Você está convivendo demais comigo. – ela disse rindo.

Eu enlacei sua cintura e beijei a ponta do seu nariz. Ela estava como sempre linda, tinha seus longos cabelos caindo nas costas como cascatas de ouro, os olhos azuis tão lindos e misteriosos como o mar. Ela parecia uma fada, perfeita demais para ser humana.

– Você está bem com tudo isso? Quer dizer, a mudança e tudo mais.

– Acho que sim. – eu sorri e dei de ombros, era tão bom tê-la em meus braços, não tinha pressa nenhuma de deixá-la ir. – falou com seu pai sobre o nosso apartamento?

– Ele não ficou muito feliz. – ela disse torcendo a boca – acha que vai ficar abandonado.

Eu tinha visto de comprar um apartamento simples de dois quartos no beco diagonal, perto do ministério com vista para os Jardins Dourados atrás do Beco Diagonal. Eu finalmente poderia começar minha vida com Luna.

– Mas ele pode vir nos visitar quando quiser, e nós iremos visitar ele. – eu sorri o mais gentilmente que pude. – eu sei como você é importante para ele, eu nunca te afastaria dele.

Ela sorriu e abaixou os olhos.

Ela era tão carinhosa. Eu nunca era o Draco Malfoy comum perto dela, não era irônico, nem acido. Eu não precisava ser. Eu sempre era o meu melhor perto dela, tentava ser carinhoso e gentil, ela tinha me visto como eu era, ela me achou “bonitinho” quando o mundo dizia que eu era um monstro.

– De qualquer forma, você vai para a faculdade, vai ter que se separar dele.

– Sim. – ela concordou. – só me preocupo por ele ser tão sozinho.

Eu sorri.

– Acho que tenho uma ideia para isso.

Eu ia falar qual era a ideia, mas ela do nada, repentinamente me puxou para si, beijando-me calorosamente, suas delicadas mãos passeando na minha nuca eu a pressionei contra o balcão, ciente que deveria ser um pouco mais delicado, ela parecia não se importar. Com ela era sempre assim, sempre me pegava de surpresa.

CREC.

– Draco nós...

Minha mãe, de todos os lugares para Desaparatar, TINHA que Desaparatar na cozinha.

Separei-me de Luna, ela corando, eu apenas colocando minha melhor expressão Malfoy. Abracei-a lateralmente, puxando-a para mim. Meu pai e minha mãe estavam no meio da cozinha, sacolas em suas mãos. Minha mãe tinha o rosto ligeiramente corado, meu pai colocava na geladeira o que me pareceram garrafas elegantes de vinho.

– Mãe, pai, esta é Luna Lovegood, minha noiva. – eu não pude disfarçar o orgulho em minha voz.

– Noiva? – minha mãe disse. Ela sabia muito pouco sobre tudo, a guerra me manteve ocupado demais para poder ter esse tipo de conversa com ela.

– Lovegood? – eu pai disse analiticamente, provavelmente tentando se lembrar se aquele era um bom sobrenome, fiz cara feia para ele.

– Sim e sim.

– É um prazer conhecê-los. – ela disse com sua voz doce, deu um passo a frente e deu um beijo em cada um dos meus pais, que obviamente ficaram chocados com o gesto de intimidade.

Não se dá beijinhos em Britânicos. Não se dá beijinhos em Malfoys. Muito menos beijinhos em Malfoys Britânicos.

Aquilo pareceu atingir minha mãe, meu pai ficou desconcertado.

– Ela é muito agradável, Draco. – minha mãe disse, e eu me surpreendi ao notar a ausência de ironia em sua voz. – e muito bonita.

– Ela não foi nossa prisioneira por um tempo? – meu pai TINHA que remoer.

– Sim senhor Malfoy. – Luna disse ainda docemente – mas aquilo foram águas passadas, espero que não haja ressentimentos.

– Não, de jeito nenhum. – o jeito desarmado de Luna desconcertava meu pai, tanto quanto me desconcertava no começo. – apenas quero que aceite minhas desculpas.

Ela apenas acenou sorridente.

– Fizemos bolinhos para sobremesa! Nossa especialidade. – ela indicou os bolinhos azuis na forma atrás de nós.

Minha mãe estranhou, mas sorriu mesmo assim.

– Draco, posso ter uma palavrinha com você? – meu pai disse mal esperando minha resposta e indo para seu antigo escritório.

Assim que eu entrei, com um aceno de varinha ele fechou a porta. O escritório estava com as luzes apagadas, apenas o luar iluminando a antiga mesa de mogno e as estantes vazias, caixas e mais caixas com os livros de meu pai.

– Eu não vou me desculpar. Eu apenas...

– Eu jamais esperaria um pedido de desculpas seu. – eu disse o mais brando que consegui – seria tolice. E eu quero que saiba que se você pretende falar algo que desmereça minha noiva, eu vou ficar realmente chateado.

– Não, eu apenas ia dizer que se você e sua noiva quiserem vir morar conosco em nossa nova mansão são bem vindos. – ele estava de costas para mim, estranhamente aquilo me soava como um pedido de desculpas. Ao menos eu queria acreditar que fosse.

– Eu vou declinar da sua oferta, mas eu agradeço.

– Quando você ficou tão melosamente educado? – meu pai disse finalmente olhando para mim, me analisando – você costumava ser debochado e ácido.

– Quando virei amigo da Hermione. A sangue ruim, lembra? E quando eu comecei a namorar Luna.

– Como poderia esquecer? – ele disse com a voz acre.

– Você fala como se fosse ruim. – ele me olhou como se eu estivesse falando sandices, como se aquilo de fato fosse algo ruim. – eu ia me casar com Luna e tomar o nome dela pai. Draco Lovegood, - meu pai grasnou um som de desaprovação – sabe por que eu não fiz isso?

Um momento de silencio se estendeu, eu me apoiei em uma estante e meu pai sentou-se na imponente cadeira atrás da mesa de mogno.

– Por que ela não permitiu. Mesmo ela sabendo que tudo que eu mais queria era esquecer que eu era um Malfoy, fugir com ela e nunca mais ver nem você, ou minha mãe, esta casa, nada.

– Posso saber por que ela não permitiu? – meu pai queria parecer esnobe, mas ele estava machucado, eu sabia que eu era o único portador do nome Malfoy. Matar o nosso sobrenome era matar meu pai, essa foi a pior bofetada que Lucio Malfoy já tinha recebido na vida.

– Por sua causa. Por causa da minha mãe também, mas principalmente por você. Ela disse que isso te mataria, que ela não podia fazer isso. Ela disse que você e minha mãe eram a minha família, e mesmo que eu estivesse magoado com vocês eu não tinha o direito de machucá-los.

Meu pai ofegou. Ele sempre tinha me ensinado o oposto. Se alguém nos magoa, nos devemos trucidá-la, fazê-la miserável.

– Que generosa. – havia algo mais do que deboche na voz do meu pai. Um sentimentalismo mal escondido.

– Não é generosidade, ela é simplesmente a pessoa mais bondosa que eu conheço pai. Ela quase chorou quando soube que talvez você fosse para Azkaban, mesmo depois de tudo que aconteceu com ela por sua causa. Eu nunca vou te perdoar pai, você conseguiu destruir tudo que um dia eu senti por você. – eu observei enquanto ele se encolhia na cadeira – mas ela não te odeia, ela acha que como eu, você só está quebrado. – eu ri descrente – um dia nós vamos ter filhos, certifique-se que eu não me arrependa de colocar o nome Malfoy neles. Treine para ser um avô decente, já que como pai você foi o pior de todos.

– Draco. – meu pai se levantou, os olhos cansados e sua mascara em cacos. – você vai me deixar ver meus netos.

– Vou. Luna me disse que não é certo privar meus filhos de ter avós.

– Eu sinto muito filho. Prometo ser um bom avô. – ele então sorriu tristemente – e quando tiver seus filhos, quebre essa maldição Malfoy.

– Que tradição? – eu olhei-o sem entender.

– Você me odeia, assim como eu odiava meu pai, e ele o pai dele.

Eu me lembrava do meu avô, Abraxas, e eu simplesmente idolatrava ele. Sabia que ele e meu pai se desentendiam, mas não sabia que se odiavam. Acenei e a voz de Luna me alcançou “Sempre sorria, sorrisos resolvem muitos problemas” ela sempre dizia. Com esforço abri um rápido e pequeno sorriso. A expressão de meu pai amenizou e voltamos para a cozinha onde Luna contava para a minha mãe do pedido de casamento.

O jantar foi agradável, meu pai sempre mais calado, Luna insistia em incluí-lo nas conversas. Ela contou á minha mãe sobre os elfos que moravam no rio perto da sua casa, e minha mãe após o estranhamento inicial que todos têm com Luna deixou-se levar pelas suas histórias.

– Parece lindo o Lugar que você cresceu, não parece Lucio? – minha mãe carinhosamente afagou a mão de meu pai.

Ele estava pensativo, pelo visto minha mãe já tinha perdoado ele.

– Sim querida, parece mesmo. – ele sorriu para ela. Será que eu sorria assim para Luna?

– O problema é que não tem viva alma por lá, meu pai reclama que gostaria de ter vizinhos para pedir ovos emprestado. Mas é lindo, e os bosques ficam lindos na primavera.

– É tudo do seu pai?

– Sim. – Luna deu de ombros – foi herança da minha mãe na verdade, mas eles amavam o lugar, meu pai ficou mesmo quando ela se foi.

–Draco, eu acho que tive uma ideia, se vocês não se importarem.

Troquei um olhar com Luna, minha mãe com ideias nunca era boa coisa.

***

– Tem certeza Fada? – eu disse ajeitando minha camiseta.

A campainha tocou. Meus pais tinham chegado para acertar os papeis.

– Amor, meu pai amou a ideia, e sua mãe também.

– Eu preferia a minha ideia de dar um Dog Alemão pro seu pai, não um casal de ex-comensais.

– O Dog alemão nós daremos quando eu me mudar definitivamente. – Luna sorriu e me beijou, seus cabelos ainda bagunçados, ela procurando seu sutiã pelo quarto .

Minha mãe e Luna tinham tido a ideia de comprar uma parte do terreno de Xenófilo Lovegood e se mudarem para os lindos bosques que Luna crescera. A casa ficaria a uns 200 metros da casa dos Lovegood

Luna vestiu um leve vestido azul escuro que apenas realçaram seus olhos azuis cristalinos, descemos para cumprimentar os meus pais.

Luna deu um caloroso abraço em meu pai e minha mãe, ela tinha conquistado minha mãe de um jeito que Pansy Parkinson tinha falhado miseravelmente.

Eles acertaram os detalhes, compraram dois acres de terras, restando à Xenófilo ainda Seis acres de terra. Depois de negócios fechados minha mãe sentou com o pai de Luna e ficou rabiscando ideias para a casa, meu pai apenas observava a sala e espiava pela janela.

– Gostou do terreno Senhor Malfoy? – Luna perguntou simpática.

– Muito bonito. Pode me chamar de Lúcio. – meu pai disse desconfiado. Ele não estava habituado a demonstrações de simpatia tão abertas.

– Draco, quero mostrar uma coisa ao seu pai, me espera aqui?

Não gostei da ideia, me remexi inquieto, mas concordei, ela antes de sair empurrando meu pai porta a fora ela veio até mim e me deu um beijo rápido e tranquilizador.

Debrucei-me na janela observando enquanto ela puxava meu pai colina a baixo, o céu quase escuro apenas com uma ultima faixa alaranjada no horizonte. Acabei sorrindo.

*

– Por que a pressa? – o pai de Draco perguntava, já tinha deixado a mascara de indiferença cair há tempos.

Estávamos no bosque, perto do rio o sol quase tinha ido embora.

– Eu sei que você me acha meio estranha, e acha que isso tudo é uma má ideia. – eu disse sorrindo, minha voz branda e ligeiramente ofegante. Ele tentou negar, mas eu o interrompi. – Tudo bem. Eu sei que às vezes você acha que as coisas são como são, e tudo que você pode fazer é baixar a cabeça e aceitar. Draco às vezes é muito duro com os outros...

– Eu creio que você seja muito tolerante, senhorita Lovegood. – ele disse balançando o rosto, observando o calmo riacho que corria em nossa frente.

– Talvez. – eu dei de ombros. – Abaixe-se, está quase na hora. – eu agarrei suas vestes epuxei-o para o meu observatório. Uma caverna escondida por folhas de chorões, ele me seguiu resistindo e tropeçando nos próprios pés.

– O que vai acontecer, pelos céus garota?! – ele estava ligeiramente irritado. Sorri-lhe, desconcertando-o.

– Quando minha mãe morreu, eu me escondi aqui e chorei por um dia inteiro, e eu vi isso. Minha mãe me falava delas, mas eu não acreditava, e quando eu vi... Você vai entender o que eu quero dizer.

E então o sol se pôs, e naquela hora, as flores da grande árvore que se inclinava sobre as calmas águas do córrego desprenderam-se ao mesmo tempo e assim que tocaram as cristalinas e calmas águas movimentaram-se como borboletas, as pétalas giraram coloridas ao redor delas mesmas, abraçando-se e então quando se abriram revelaram sua verdadeira forma. As pétalas eram na verdade dois pares de asas de cada fada que acordava. Fadas, ao contrário do que muitos achavam, eram filhas da noite e da manhã, normalmente saiam assim que o sol se ia e voltavam a dormir após as duas primeiras horas de sol.

Lucio se inclinou e abriu uma brecha maior entre as folhas, como se não acreditasse em seus olhos.

– A beleza delas acalma até o pior dos assassinos, e elas são dóceis sempre ajudam como podem. – eu sussurrei. – os humanos eram tão fascinados por elas que passaram a prendê-las, vendê-las, mas elas não sobrevivem longe das suas origens, elas quase foram extintas. Muitos acham que foram, muitos nem acreditam que elas existiram.

– São tão lindas. – ele disse bobamente observando uma fada de lindas asas roxas, do tamanho de uma mão que se aproximava de onde estávamos.

– Elas sentiram você. – eu disse sorrindo. – podemos sair.

Ele me olhou duvidoso. Saí da minha caverna e puxei o loiro de cabelos longos comigo. ele parecia-se muito com Draco agora, seus olhos serenos e encantados. Não pude evitar sorrir.

– Boa noite, senhoras. – eu fiz uma reverencia como se usasse um vestido imaginário.

Lucio fez uma reverencia também, mas não tirou os olhos da linda fada que batia asas delicadamente em sua frente. Elas cantaram em resposta, seu canto é algo como o som se harpas, mas ainda mais melódico e preguiçoso.

Logo as fadas me observavam, sorrindo em reconhecimento. Elas tinham o rosto delicado, a única coisa que as diferia de um humano comum eram seus olhos totalmente azuis cristalinos, como se fossem gotas de água. Agora elas estavam interessadas em Lúcio.

– Ele está como eu estive da primeira vez que vim. – eu disse brandamente. – poderiam dançar um pouco?

Elas olharam-se e rapidamente voaram para cima do agora quase imóvel espelho d’água e sincronizadamente passaram a girar seus delicados e graciosos corpos, seus cabelos trançados com delicados fios de ouro e prata, a melodia que vinha do grupo era calma e perfeita, acariciava os ouvidos e fazia com que eu quisesse dançar também.

Lúcio em pouco tempo estava deixando uma lágrima rolar pelo seu rosto.

– Eu fiz tudo errado não fiz?

– Provavelmente. Mas o passado nós já sabemos como é, vamos apreciar o futuro, Lúcio. Comece do zero, seja gentil. Draco só está meio magoado, as coisas vão melhorar, você vai ver. – eu sorri colocando minha mão em seu ombro. – não conte a ninguém que não confie completamente sobre elas. Não quero que ninguém as machuque.

Quando ele me olhou eu pude ver a mim mesma refletida ali. Quando perdi minha mãe, toda a raiva que eu tive, todo o ódio, a mágoa, chamaram a atenção das fadas, e depois de vê-las dançar algo realmente mudou. Algo sempre muda. Fadas eram espíritos muito mais avançados, seres da cura, elas tinham o dom de curar o espírito humano.

Eu ainda não as tinha mostrado para Draco, iria fazer uma surpresa para ele, meu presente de casamento.

– Um dia mostrarei a Narcisa, Draco já...?

– Ainda não, vou mostrar em outro momento. Vamos voltar, antes que nosso cheiro atraia Narguilés.

Eu me levantei e ajudei-o, rumamos novamente para casa.

– Narguilés?

– Você tem muito o que conversar com meu pai. – eu disse rindo.

Assim que chegamos Draco veio me abraçar, Narcisa e meu pai ainda discutiam sobre a casa.

– Querido. – ela disse dando um rápido beijo no marido. – como foi?

– Esplêndido. – Lucio disse lançando um olhar para mim. – esse lugar é fantástico.

Draco olhou para mim incerto.

– O que você fez com ele? – ele quis saber.

– Nada, apenas mostrei-lhe o lago e algumas criaturas que tem por lá.

– Hm, creio que ele não tenho encontrado os Narguilés?

– Não. – eu ri – Graças aos Deuses não. Vamos fazer um bolo?

– Você vai me engordar assim, Fada. – ele revirou os olhos.

– Eu nunca vi – Lúcio disse de repente, sorrindo desarmado para Draco – um apelido tão... Bem escolhido.

Draco olhou confuso para o pai, eu apenas sorri e fiz a minha reverencia com meu vestido imaginário, ele abaixou a cabeça em reverência.

– Ah, mas isso por que a mãe dela costumava tomar chá com fadas quando estava grávida de Luna. – Meu pai disse rindo abertamente.

Lucio voltou-se para meu pai e os três adultos ficaram conversando.

Fui para a cozinha com Draco.

– Eu estou com ciúmes. – Draco disse segurando minha cintura, segurando minha mão e fazendo com que eu girasse ao redor de mim mesma. – o que foi isso na sala?

Eu apenas sorri e me enrolei nele, suavemente, meus dedos brincando com suas madeixas platinadas, ele observou o anel delicado com uma pedra brilhante que tinha sido da avó dele em meu dedo e beijou meus dedos.

– Nada. Não tem motivo para ciúmes. – eu sorri e beijei seu pescoço – eu te amo. Só a você Draco Malfoy.

– E eu te amo, Luna Lovegood. – ele então gentilmente tomou meus lábios e fez com que tudo ao meu redor flutuasse como se estivéssemos na água, meu estomago se virasse em piruetas e minha perna levantasse como se estivéssemos em um filme trouxa antigo enquanto eu ficava na ponta dos meus pés para pressionar mais meus lábios contra os dele.

Ele era a Lua da minha noite.

O Sol do meu dia.

As estrelas do meu céu.

A pipoca do meu cinema.

Ele costumava achar que eu tinha salvado ele, quando na verdade ele foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

– Interessante. – eu sussurrei contra a sua boca.

– O que? – ele perguntou ofegante.

– Acho que acabei de descobrir meus Votos.

– Precisa de mais inspiração? – Draco sorriu maliciosamente.

– Inspiração nunca é demais. – eu disse e mais uma vez nossos lábios estavam selados.

****

– HARRY JAMES POTTER!

Nome completo nunca é um bom sinal, apressadamente coloquei meus óculos redondos e cambaleei rumo à porta. Assim que coloquei minha cabeça para fora do quarto uma sandália de salto acertou o meio da minha cara, gemi de dor e desviei da segunda.

– O que foi Ginny? – eu disse mal-humorado esfregando meu nariz dolorido.

– Você esqueceu não foi?

Olhei para Gina, ela estava como sempre linda, os cabelos cor de fogo trançados por cima do ombro, usava um vestido esvoaçante branco com uma faixa preta os pés descalços. Ao vê-la de branco passei ligeiramente mal. O casamento não era hoje, era?!

– A gente ia ao cinema! – ela disse emburrada. – fiquei te esperando no beco diagonal feito uma idiota.

Dei um tapa na testa.

– Desculpa Ginny, eu e Rony ficamos no ministério até tarde, eu me esqueci completamente.

Rony estava ainda roncando atrás de mim, eu saí e fechai a porta, estava apenas com uma bermuda, estava muito quente para dormir com pijamas tradicionais.

Olhei a ruiva que era uns bons vinte centímetros mais baixa que eu.

– Eu não sei se eu fico feliz por você não mentir pra mim, ou se fico furiosa!

– Você me parece furiosa... – eu disse baixinho tentando me aproximar dela.

– Nem para disfarçar, você simplesmente admite que esquecesse sua namorada! – ela disse afastando minha mão.

– Namorada não, noiva. – eu disse corrigindo-a.

Aquilo transformou sua careta de raiva em um sorriso a contra gosto.

– HÁ! Você sorriu, eu ganhei! – eu disse a puxando para um abraço, enterrando sua cabeça no meu peito, ela espalmou sua mão em meus ombros e tentou se libertar.

– Não! Isso não é junto, não é por que eu sorri que não estou brava, Harry Potter eu...

Eu não a deixei continuar, espremi seu rosto mais ainda contra meu peito, ela passou a me estapear.

– Não respiro! – ela tentava dizer, o som abafado em meu peito.

Aos poucos soltei-a.

– ...Então vai ser assim, sempre que tivermos uma discussão você vai tentar me sufocar pra não escutar a bronca? – ela continuava, mas agora com as maças do rosto vermelhas e a trança desfeita.

– Tem outros jeitos de escapar da bronca. – eu dei de ombros.

Segurei-a no colo, surpreendendo-a e então selei nossos lábios em um beijo nada delicado e divertido, o ar fazia falta então me separei ofegante. Ela piscou algumas vezes e voltou a franzir a boca.

– Olha, meu nome é Harry Potter – sua imitação da minha voz era terrível – eu sou lindo e gostoso e escapo de discussões praticamente estuprando as pessoas...

Beijei-a novamente, dessa vez subindo mais um lance de escadas até jogá-la em sua cama, parei de beijá-la quando ela tentou tirar minha blusa. Seu ruído de frustração foi hilário, mas não demonstrei. Creio que ela estava prestes a conseguir o que um Avada Kedavra e vários duelos com Voldemort não tinham conseguido: matar-me.

– Eu sinto muito por hoje, sou distraído e horrível com datas, eu estou gastando toda a minha memória no dia no nosso casamento. Eu ando trabalhando até tarde e tenho sido um noivo terrível. Você pode me perdoar? – eu disse com meus olhos presos aos verdes dela.

– Eu amo sua distração, amo seu esforço, amo brigar com você meu quatro olhos. – ela sorriu e tirou os óculos do meu rosto. – agora, eu quero dois orgasmos e eu penso em talvez te perdoar.

*

Caí morto ao lado da ruiva que imediatamente começou a falar alguma coisa. Eu amava ela mais do que tudo, mas as vezes ela falava demais.

– Gina... – eu disse acariciando seus cabelos. – eu estou morto, já conversamos.

Eu puxei-a para mim, ela usou meu braço como travesseiro, meu nariz apenas enterrado nos seus cabelos com cheiro de maçã. Cinco minutos se passaram e eu senti a ruiva beijar meu pescoço delicadamente.

– Você é tão tranquilo. – ela disse com a voz serena. – eu sou muito elétrica, você não se cansa de mim?

Eu abri meus olhos e observei a ruiva enroscada em mim, ela nunca, NUNCA mesmo tinha sido do tipo insegura.

– Você é tão entusiasmada, e eu sou um completo lerdo, você não se cansa de mim? – rebati erguendo a sobrancelha.

– É diferente. – ela disse voltando a esconder o rosto na curva do meu pescoço. – eu sempre fui apaixonada por você, você no começo nem olhava pra mim.

– Você era mais nova e ainda era irmã do meu melhor amigo. Foi complicado pra mim.

– Mas então por que eu? Quer dizer, você é Harry Potter, se você não fosse se casar comigo, qualquer garota do mundo morreria para estar com você.

Era estranho ver Gina de repente tão delicada e insegura.

– Mas eu te amo. – eu disse em tom de obviedade. – eu não quero nenhuma outra garota, nós temos uma história juntos, eu nunca te pediria em casamento se não tivesse certeza disso. – eu me sentei na cama e fiz com que ela sentasse de frente para mim, eu coloquei minhas mãos ao redor do seu rosto. – seus olhos verdes são os mais bonitos, a sua risada é a mais legal, nossas brigas são as mais divertidas, você é a garota mais linda que eu conheci, é a única que faz meu cooração congelar no peito de tão rápido que bate. A única que consegue me dar paz mesmo enquanto me irrita. E esse jeito de mexer o nariz quando está brava, tão irritantemente perfeitinha.

Eu beijei seus lábios novamente, ela bagunçou mais ainda meu cabelo.

– Mesmo? – ela disse sorrindo.

– Eu não mudaria nada em você. – eu sorri e peguei sua mão, observei rapidamente o solitário ali brilhando – Eu te amo Ginny.

Ela sorriu, aquele sorriso lindo que eu tanto amava, fazia apareceu uma covinha charmosa na sua bochecha e se levantou.

– Você me deve um cinema. – ela disse começando a se vestir.

Levantei-me e peguei seu vestido e vesti-a, como se ela fosse uma criança.

– Com pipoca e milk-shake? – eu ofereci.

– Ah baby, você me conhece. – ela sorriu e saiu correndo porta a fora.

Como eu poderia ainda ficar nervoso quanto ao casamento quando aquilo era a coisa que eu mais tive certeza em toda a minha vida?

Notas finais do capítulo
Fala galerinha bonita :3 VOCÊS NÃO VÃO ACREDITAR, TO EM CONTATO COM UM ESCRITOOOOOR que vai me colocar em contato com a editora dele, por que ele leu o começo de um livro meu (um desses livros que a gente só escreve e deixa quieto no PC) e gostou *U* Daí quem sabe eu vire escritora profissionaaaaaal *U* HOHOOOOOOOOOOOO -super vou dedicar meus livros pra vcs ♥ ♥ -
então é isso, por hoje é só.
*Malfeitofeito*




(Cap. 28) It's. Not. Okay!

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom* AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE AGORA SIIIIIIIM (desviando dos crucios e avadas) Cara a inspiração voltou - E o aniversário da Linda da Dany, uma leitora muito querida e dedicada me deu o empurrão final que eu precisava - e eu vou conseguir dar um final à altura que vocês merecem IUASHOIADHUA bem, não posso me enrolar muito por que eu to atrasada, mas eu acabei o capítulo pra vocês (em duas horas, por isso ficou tri curto) por que eu tava morrendo de saudades das minhas leitoras lindas e amadas - e mega pacientes. APROVEITEEEEM, prometo que até semana que vem tem mais IUHOIASHAD

VINTE E OITO:

E então eu estava ali. Vestida de branco, com meu ruivo ao meu lado. Tudo estava perfeito... Só que não! Harry estava com os cabelos chamuscados, Draco com a bochecha MUITO vermelha, uma Alpaca mastigando o véu da Luna e isso para não comentar sobre a nossa Sacerdotisa de cerimônia que estava...

Bom, melhor eu explicar desde o começo...

Cinco horas antes do casamento:

– HERMIONE, SE VOCÊ CHORAR MAIS UMA VEZ, EU VOU TER QUE CONTRATAR UM DUBLÊ COMO NOIVA GAROTA! – Gina gritava, era a vigésima terceira tentativa da maquiadora.

Literalmente, eu tinha estragado a maquiagem vinte e três vezes. Luna e Gina estavam na tenda comigo, ambas prontas e mais magníficas do que nunca. Dragões, crucios e anos de guerra. Eu era a toda durona General Escarlate, mas ainda assim eu não conseguia parar de chorar.

Clichê.” Minha consciência revirou os olhos. Mandei ela a merda.

Gina tinha o longo vestido branco de Gazar e Zibelne: cheio como um bolo, tomara-que-caia valorizando seu lindo busto e combinando com seus cabelos vermelhos que caiam soltos em uma cascata de lava com sua franja presa para trás e seu batom marcante. Um laço rubro que marcava sua fina cintura. Nos seus olhos um simples traço negro puxando seus olhos, valorizando seus longos cílios. No seu pescoço brilhava uma delicada gargantilha de família e em seu dedo o lindo anel que Harry havia lhe dado. Seu buquê obviamente era de rosas vermelhas.

Luna tinha um vestido solto de Mousseline que acolhia seu corpo delicadamente, um tecido macio e esvoaçante que abraçava seu torso realçando curvas nem sempre tão evidentes e trespassando um de seus ombros em um interessante vestido de um ombro só. O tecido era branco e tinha algumas pedras, espalhadas e quase imperceptíveis que reluziam azuis como se ela fosse uma estrela. Era o vestido que a mãe dela se casara. Usava seus cabelos em uma longa trança que caia pela lateral do seu corpo. Seu buquê era de flores azuis e brancas.

– É aqui onde tem uma noiva desesperada? – eu congelei ao ouvir a voz do meu ruivo ali na cabana da noiva.

– Fred! Dá azar ver a... – eu me interrompi assim que me virei para vê-lo. Ele tinha os olhos vendados. Estava com um lindo terno preto com a gravata borboleta de mesma cor, um colete prata e a delicada magnólia-anã roxa (uma exclusividade da botânica bruxa), seus lindos cabelos ruivos sempre tão despenteados estavam agora elegantes de modo a fazê-lo parecer com um ator ou algum modelo de ternos da Armani.

– Não estou vendo nada, Princesa. Mas tenho certeza que está linda, agora pelo amor de Deus, que história é essa de atrasar o casamento? – ele estava virado para Luna ao invés de mim.

– Estou aqui – eu disse sorrindo.

– Que voz embargada é essa? – ele murmurou segurando meu rosto.

– Nem está embargada.

– E essas bochechas encharcadas?

– Gina me jogou um balde d’água.

Seu sorriso se abriu enquanto ele colava os lábios nos meus, provando meu lábio inferior.

– Tinha sal nessa água?

Eu apenas deixei que ele me abraçasse.

– Sim. – eu murmurei ali encolhida, queria ficar ali e dormir para sempre nos braços dele.

– Se você não quiser fazer isso, tudo bem. – ele disse com a voz baixa. – se você está com dúvidas ou algo assim...

– Sério? – eu disse me afastando. – depois de tudo que passamos, depois de todos esses anos...

– Nem foram cinco anos ainda... – ouvi Gina cochichar.

– Eu não tenho dúvidas. – concluí ignorando o comentário da ruiva.

– Então por que você está assim, amor? Você não precisa ficar nervosa. Eu sei que eu estou incrivelmente lindo, e isso pode te tirar o foco, mas com certeza você não vai estar muito atrás de mim. – Eu ri e suspirei. – pronto, agora se acalme. Vamos fazer isso. Juntos.

Assim que eu estava calma o suficiente, me afastei dele, tinha parado de chorar e meu peito. Estava trinta quilos mais leve.

– Confie em mim. Vai dar tudo certo.

Naquele momento tudo que eu queria era olhar em seus olhos. Ao invés disso apenas dei-lhe um selinho e acariciei seu rosto.

– Meu deus, Hermione! – a voz de Lino ressoou pela tenda das noivas.

– Sim, sim, eu te devo um ménage. – eu disse rindo observando o moreno.

– Que bom que sabe disso. – ele sorriu – mas a presença do noivo é solicitada em sua tenda.

– Aconteceu algo? – a ameaça psicótica na voz de Gina era assustadora.

– O que? Não! Gina, menos... – Lino disse revirando os olhos. – Apenas relaxem e aproveitem suas ultimas horas de solteira.

Lino tirou meu noivo dali sem nem ao menos me deixar dar um ultimo selinho nele. Mas não tinha importância, eu poderia beijar ele pelo resto da vida.

Sorridente eu fui até uma Gina nervosa que estava estraçalhando o pano da tenda.

– Fique tranquila, está tudo bem – eu sorri.

***

Enquanto isso, na Tenda dos Noivos...

– AH MEU DEUS, NÃO ESTÁ NADA BEM! – Fred gritou enquanto em um clássico movimento cinematográfico tentava arrancar seus cabelos.

– Fred se controla! – Draco dizia vermelho como um pimentão.

– Eu to controlado! AH MEU DEUS ELAS VÃO ME MATAR!

O Pianista estava desmaiado estatelado no chão e a sacerdotisa literalmente cuspia bolas de fogo com a pele escamosa verde musgo e pequenos chifres nascendo em sua testa. Péssima ideia brincar entre os noivos para aliviar a tensão. Quanto mais Lino desafiar Draco a assustar o pobre senhor asmático e cardíaco que aparentava ser tio bisavô de Dumbledore. Péssima ideia a de Fred guardar a poção revitalizante junto com os produtos Weasley, ainda mais perto da Poção Escama de Dragão... Frascos tão parecidos... E a pior ideia de todas: vir correndo com o frasco aberto na mão tropeçar nos próprios pés e derrubar toda a poção na mulher que deveria fazer o casamento. Resultado? Sacerdotisa Brida estava feito um Dragão. Em todos os sentidos.

– EU É QUE VOU TE MATAR! – a sacerdotisa não parecia nada sagrada ou pacífica naquele momento, cuspindo pequenas bolhas de fogo contraindo as pupilas como Bichano fazia ao sol.

– Ora o que está acontecendo aqui? Meu deus... O que pelas meias de Merlin...? – Lupin disse entrando na tenda dos noivos... – Meu senhor, acalme-se...

– EU SOU MULHER! – a Sacerdotisa rugiu. Aquele comentário apenas piorou seu estado de espírito.

– Já sei... – Harry disse ofegante, como um doente com câncer de pulmão que sobe as escadas do cristo redentor correndo. Em suma: ele parecia a beira de um surto. – vamos pegar um pouco de poção... A-aquela que usaram em nós na queda do ladrão em Gringotes...

– Aquela que demora dois meses pra ficar pronta? – Draco estava literalmente mastigando a gravata – Sim! Perfeito! Vou ali ver com os convidados se eles não se importam, afinal casamentos sempre atrasam né?! – ele deu uma risada nervosa esdrúxula.

– Calma! Ainda há salvação. O importante é que os três estão juntos! Vão casar hoje! – Lino tentou parecer otimista.

Harry começou a rir desesperadamente. E no momento seguinte a premissa de Lino foi arruinada, pois Harry estava agora desmaiado ao lado do Pianista.

– Tudo bem! – ele disse ainda empolgado batendo as mãos – dois em três não é ruim! Só precisamos desacordar a Gina, e arrumar nomes falsos, e depois da lua de mel nos mudamos para o México trouxa e ganhamos a vida como Mariachi.

– Eu vou morrer, eu vou morrer – Draco murmurava no canto, embalando-se para frente e para trás, puxava a respiração como se fosse dar a luz a uma zebra colorida.

Um som alto se ouviu e a bochecha esquerda de Draco aos poucos enrubesceu com o tapa que Lupin lhe acertara.

– Ninguém aqui vai morrer, nem virar Mariachi para fugir da fúria da Gina! Foquem-se! – Lupin gritou agarrando um copo d’água e logo em seguida jogando em cima de Harry.

Harry piscou lentamente, Fred o ajudou a se levantar.

– Lindo. Mas lamento informar que se depender de mim, eu não caso nenhum de vocês! – A sacerdotisa disse. – nunca fui tão humilhada... – ela fungou e soltou uma espessa fumaça pelas narinas dilatadas.

– Brida... – Lupin disse esfregando as costas da mulher dragão. – Por favor, não me deixe na mão... Eu sinto muito, são apenas moleques... Você lembra como eu estava no meu casamento certo?

– Mas você não me transformou em um Dragão!

– Por favor... – Fred estava literalmente de joelhos, Harry atirado aos seus pés quase beijando-os.

– Nem que deem uma Víbora Cornuda azul de um metro e meio de comprimento! – A mulher disse irritada, o tom verde musgo tomando um tom vermelho terra.

– Fechado! – Lino disse sério.

É melhor que eu esclareça isso também... Sacerdotisa Brida, é uma grande bruxa, excelente sacerdotisa, muito culta, rica e Sonserina orgulhosa. Seu sonho sempre foi ter em sua coleção uma Cobre Cornuda do Deserto, e como o nome sugere, é uma cobra, com chifres. Uma antiga linhagem vinda da mistura de dragões e Basiliscos. Mas muito raras e cada vez mais mirradas e fracas.

– Lino, não tem como você conseguir...

– O padrinho vai resolver, não se preocupem!

Mais atrasados do que escritora de fanfic que sai pra viajar sem o computador, Rony e Jorge, os outros dois padrinhos, entraram na tenda. As palavras morreram em suas gargantas ao notar a situação do lugar: Uma mulher-dragão, um senhor desmaiado, um Fred descabelado e um Draco mastigando sua gravata borboleta como um bode velho nervoso.

– Rony, Jorge, vocês vem comigo. Sacerdotisa Brida, essa poção ainda é experimental então lá pelo horário do casamento a senhora deve estar quase normal - “eu acho” Lino acrescentou mentalmente - eu sei, eu sou a cobaia. Temos um acordo?

Todos olharam com grande tensão para a mulher dragão. Menos Draco. Draco estava surtando novamente no canto, com uma áurea negra ao seu redor, apoiando-se em Harry escorregando rumo ao chão murmurando balburdios.

– Minha Cobra de Chifres, e eu realizo a cerimônia. – ela disse apertando a mão do moreno.

– O que? – Rony disse manhoso – Cobras?

Lino então deu um tapa forte em Rony.

– Chega de cocotice!

Lino então virou-se para Draco e o ergueu pelas vestes, o estapeando fortemente.

– Vai se controlar? – Lino disse sério.

– S-sim. – Draco disse piscando algumas vezes a bochecha ardendo fortemente.

E para intensificar ainda mais a ardência, Jorge deu-lhe outro tapa.

– Não senti firmeza! – Jorge gritou em vozeirão de general.

– Sim! – Draco respondeu, agora alerta e afagando o rosto dolente.

– Bom menino... – Lino disse soltando suas vestes, mas assim que o fez, Draco girou em seu eixo, recebendo mais um tapa. Dessa vez de Fred.

– Eu já me acalmei! – Draco disse piscando irritado.

– Eu sei, mas somos um trio sabe... Não queria ficar de fora. E eu meio que sempre quis te dar esse tapa. – Fred deu de ombros.

Draco ia xingar, mas pensando bem, lembrou-se da surra que tinha dado em Fred quando eles brigaram em Hogwarts, na época que ele ainda nem namorava Hermione. Acabou apenas arqueando a sobrancelha e balançando a cabeça como quem diz: Fair enough.

– Certo, tentem ressuscitar o pianista, e vão se arrumar. Vocês estão horríveis. – Lino deu as costas.

Lino, Rony e Jorge saíram da tenda deixando os três noivos para trás, todos precisavam se recompor, e Draco tinha que passar alguma maquiagem em sua escarlate bochecha esquerda.

Enquanto corriam para achar Neville e Lilá, tropeçaram em Gina, é claro. Afinal nada esta tão ruim que não possa piorar.

– G-gina... – Rony murmurou assustado. Recebeu uma cotovelada nas costelas forte de seu irmão.

– O que houve? – ela disse com o rosto transformando-se em terror puro.

– Francamente Rony, eu não sei mais o que faço com você. – Jorge disse revirando seus bolsos procurando algo em suas vestes.

– Digam agora o que aconteceu! Foi o Buffet? Eu sabia que devia ter contratado o outro, oh deuses, foram as flores não foram? Oh céus! Harry desistiu do casamento e... – e antes que ela continuasse sua neurose, Jorge soprou um pó verde em sua cara.

Pó Obliviare, um produto exclusivo Weasley-Jordan, como o Pedra Boa Noite Cinderela, um pó verde que ao ser inalado apaga sua memória recente dos últimos cinco minutos.

– O que é isso? – Rony indagou curioso ao ver a irmã lentamente fechar os olhos.

– Isso o que? – Gina abriu seus grandes olhos verdes, sentindo o fundo da garganta coçar e os olhos ficarem ressecados.

– Isso o que o que? – Rony disse ressaltado.

– O que estão fazendo aqui?

– Vamos cuidar de um problema... Nada demais.

– Oh deuses! O que houve? Harry... – e então antes que ela surtasse, outra baforada de pó verde atingiu seu rosto.

– Céus Rony, só cale a boca! – Jorge disse revirando os olhos.

Gina então abriu os olhos novamente.

– O que vocês...

– Oi mana, Harry pediu pra vir ver se você estava bem. Ele está tão nervoso, acha que você vai fugir, acredita? – Jorge disse conduzindo-a rumo a sua tenda.

Gina sorriu e começou a falar coisas floreadas que garotas falam quando vão se casar. Jorge nem a escutava, apenas gesticulava com um movimento de cabeça para Lilá que passava atrás dos garotos, distraída com um ponche na mão.

Pelo canto de olho, Jorge viu Lino cochichando rapidamente com a Loira.

– Vocês transformaram a sacerdotisa num dragão?! – ela disse exasperada.

– E eu nunca imaginei que realmente fosse casar... com... o... Harry... – Gina foi diminuindo o som da fala, enquanto seu olho começava a tremular e seu peito subir e descer.

– Francamente, Brown. – Jorge disse pegando o Pó Obliviare. – Você e meu irmão realmente se merecem.

E dito isso ele soprou novamente o pó no rosto da garota.

– Jorge... Sua irmã vai acabar ficando meio demente desse jeito... – Lino disse observando a garota fechar os olhos.

– Pior do que é não fica. – Jorge disse. – Lilá, consegue cuidar para que elas não saiam? Nós precisamos de tempo, temos tudo sobre controle.

Não. Eles não tinham.

– Sim. Apressem-se!

– Melhor você ficar com isso. – Jorge entregou o Pó Obliviare para a loira. – acho que vai precisar... Uma baforada na cara, apaga os últimos cinco minutos.

– O que...? – Gina disse piscando lentamente.

– Cinco minutos... Para a massagem das noivas! – Lilá disse com um sorriso de quem vai ter que passar o fim de semana fazendo faxina na mansão Malfoy sem magia.

– Ah, eu preciso de uma massagem – Gina disse voltando para a tenda. – céus, eu fiquei com dor de cabeça de repente.

Assim que a ruiva voltou para seus aposentos junto com as outras duas noivas que nesse momento terminavam os retoques em Hermione, os quatro que estavam do lado de fora trocaram olhares cúmplices, como um grupo de marginais prestes a assaltar o banco central de Washington.

Usando uma caneta esferográfica Bic.

– Certo. Jorge, Rony, preciso de vocês comigo – Lino disse sério – Lilá, ache Neville e providencie uma massagem demorada.

– Mas nós não temos nenhum massagista.

– Improvisem! – Lino disse revirando os olhos – temos cinco horas ainda.

– Quatro. – corrigiu Lilá.

– Merda! – Lino segurou no ombro dos outros dois garotos – Bom, nos deseje sorte.

– Boa... – O estampido forte se fez e os garotos sumiram, deixando a garota de cabelos loiros ali sozinha com um abacaxi e tanto nas mãos. - ... Sorte.

Os dados estavam lançados. Conseguiriam Jorge, Rony e Lino arrumar uma cobra rara que é encontrada no deserto? De onde virá a Alpaca citada no começo do capítulo? Conseguirão Lilá e Neville arrumar uma massagista pelo Ebay antes que Gina comece a desconfiar? E Gina? Terá ficado lesada de tanto ter sua memória apagada pelo irmão?

Não perca os próximos capítulos – Que eu prometo que serão postados semana que vem sem mais atrasos por que eu amo vocês IASHDIAUOHS .

Notas finais do capítulo
Ah e eu queria mandar um beijo pra todas as lindas que me mandaram MP - foram 32 no total - já respondi todas HAAHHA. Sério. mesmo eu sendo uma bobona atrasada com vocês, vocês continuam me dando força e sendo umas fofas comigo. Muito obrigada, eu não mereço vocês




(Cap. 29) Cobras, Músicos e Massagens Suecas.

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom* GENTE AMADA! NÃO ME MATEM! vou postar MAIS UM CAPÍTULO ainda hoje IHASDIOHAS e vou atualizar a Dramione tmb KKKKK Aproveitem esse, nos vemos em breve

VINTE NOVE:

Quatro horas para o casamento

O tempo ia se esgotando, e juntamente com ele a paciência de Gina. A ruiva andava de um lado para o outro como um leão enjaulado esperando ansioso por uma refeição. E caso a refeição não viesse o tratador estaria na reta.

Nesse caso o nosso tratador era Lilá que nervosa não tinha as respostas que ela queria.

A loira estava escondida atrás de panos da tenda dos noivos quando avistou quem tanto procurava. Neville passava por ali distraído, deliciando-se com os salgadinhos do casamento em um passo tranquilo e descansado.

– NEVILLE! – Lilá berrou em um sussurro desesperado.

O garoto quase morreu do coração, engasgando com o salgado.

– Eu juro que não vai acabar os salgadinhos, Gina, é só mais esse! – ele disse mudando seu ar calmo por um ar totalmente nervoso. Gina já tinha descontado seu nervosismo em Neville mais cedo. – Ah... Lilá, o que faz aqui?

– Eu preciso de ajuda... – ela disse – preciso de três massagistas suecas para uma massagem especial para as noivas.

– Mas nós não temos massagistas...

– Eu sei! Mas os noivos mataram o pianista e foram buscar outro, se Gina descobrir...

– Mataram o pianista?! – Neville espantou-se.

– Não sei se morreu, mas isso nem é o pior. Precisa ver como ficou a Sacerdotisa...

– A sacerdotisa não... – Neville cobriu a boca em exclamação.

– Sim. Poção Escama de Dragao...

– Escama de Dragão não... – ele juntou as sobrancelhas.

– Sim... E agora ela só vai casar todo mundo se conseguir uma Cobre de Chifre do deserto azul.

– Cobra de Chifre não... – Neville estava a ponto de abrir um buraco no chão e se enfiar dentro.

– Hey! – uma terceira voz se fez presente. Neville e Lilá pularam, um verdadeiro grito de horror irrompeu, ambos aterrorizados com a ideia de uma Gina neurótica que faz qualquer rabo córneo parecer um gatinho. – Calma sou eu! – o loiro de rosto rubro disse se escondendo no pano com os três.

– Draco! Que susto. O que aconteceu com a sua cara? – Neville disse com a mão no peito, acalmando o coração.

– Gina já me deu um tapa por achar que eu estava surtando. Talvez eu estivesse um pouco... - refletiu consigo mesmo - Depois Lupin me deu um tapa por que eu quase falei sobre a Sacerdotisa ter virado um dragão. E a tia avó do Rony me achou lindo e triturou minhas bochechas... – ele disse mal podendo encostar no rosto. – sabe o que é curioso? Todas do lado esquerdo!

– Hey! – uma quarta voz se fez ouvir.

Mais um grito aterrorizado e corações disparados.

– Calma sou eu. – Lupin gesticulou largamente acertando uma bofetada em Draco. – Opa, desculpe.

Draco se limitou a choramingar no seu cantos afagando sua bochecha esquerda o mais sutilmente que conseguia.

– Professor, ainda não sei como vou fazer com as massagistas. – Lilá disse, a esta altura a loira já estava hiperventilando.

– Pra não enfrentar a ira da Gina eu dava meu reino para ser uma massagista sueca. – Neville disse suspirando.

– É... – Draco concordou. – Seria o fim do que sobrou da dignidade dos Malfoys, mas seria por uma boa causa.

Um momento de silencio se fez ali em baixo dos panos da tenda. E naquele silencio um sorriso sinistro, começou a rasgar o rosto de Lilá. Os três homens se entreolharam e o mesmo calafrio os percorreu.

– Não gostei do sorriso... – Draco murmurou.

– Draquinho – Lilá deu dois tapinhas em sua bochecha esquerda – eu sou Brilhante! Vá buscar a Ian, tenho uma ideia!

***

– Lino, onde nós estamos? – Rony murmurava quase escondido atrás do irmão.

O lugar era três vezes pior que a travessa do tranco, as estreitas ruas não recebiam sol devidos as altas paredes de pedra repletas de fungos, o chão fétido e úmido enchia as narinas com um cheiro de embrulhar o estômago. E conforme eles se adentravam nas ruas, mais e mais figuras mal encaradas os observavam.

– Essa é a hora que eu descubro que o emprego de professor em Hogwarts é uma fachada e na verdade você trafica órgãos? – Rony murmurou. – por favor, não venda meus órgãos.

– Lino, que lugar é esse?

– Vamos encontrar um amigo que pode nos ajudar. – Lino disse tocando sua varinha em uma pedra solta no chão, do tamanho de um tijolo, e então na parede em sua frente abrir uma escadaria que parecia rumar aos confins da terra.

Lumus. Certo. Seu amigo é o demônio, e nos vamos buscar a cobra no inferno? – Rony chutou. - acho que trocar a alma por uma cobra é melhor do que enfrentar a fúria da Gina.

Lumus. Venham. – Lino sorriu.

Lino entrou com tranquilidade. Assim que os outros dois o seguiram, a passagem se fechou e as escadas claustrofóbicas começaram a ser percorridas pelos três. Eles mal conseguiam ficar eretos, Jorge sentia a terra e as raízes roçaram no topo da sua cabeça.

– Não sei se vocês conhecem na mitologia grega, a história de Dédalo, o arquiteto.

– O bruxo que construiu aquele labirinto para o Minotauro de Creta? – Jorge indagou – sim, eu costumava mentir para Rony que uma das saídas do labirinto era em baixo da cama dele.

– Odiava essa história. – Rony murmurou emburrado.

Depois de descerem o que pareceu ser um prédio de vinte andares chegaram a uma parede de terra crua incrustada com raízes , pedras e uma fauna subterrânea considerável. Lino tocou a parede em sua frente e desenhou uma runa simples que parecia um P.

A parede então se abriu, derrubando algumas minhocas e coleópteros, e atrás dela, uma multidão de pessoas surgiu em algo que muito lembrava a um mercado municipal trouxa em feriado. multiplicado por dez. Várias barracas espalhadas, vassouras passando e um teto tão alto que não podia se ver, parecia ser noite, exceto que não tinha lua ou estrelas, apenas uma escuridão assustadora acima de suas cabeças.

– Esse é o Labirinto de Dédalo. – Lino apresentou. – aqui com certeza arranjaremos uma cobra de chifres.

– Eu tenho medo de perguntar como você conheceu esse lugar. – Jorge murmurou. – mas acho que vou tirar umas boas ideias daqui. – o ruivo disse rindo para um grupo de mulheres que passavam esticando seus membros como se fossem feitas de borracha.

***

– Ele não quer acordar! – Harry disse tentando chacoalhar o velho que ainda estava desacordado.

– Acho que ele morreu. – Draco disse tentando achar o pulso do senhor.

– Senhor pianista, por favor, não morra... Pelo menos me indique um substituto antes! – Harry chacoalhava o velho.

– Eu achei que você fosse melhor que nós Harry. – Fred murmurou mexendo em sua maleta de poções. – AQUI! – ele exclamou puxando um frasco vermelho leitoso. – Se ele ainda tiver um fiapo de vida, isso vai trazer ele de volta!

– O que é isso? – Harry largou o senhor.

– Não temos nenhum nome legal. Era Choque-choque-queima... Mas tivemos alguns problemas...

– Isso é legal? - Draco indagou.

– O ministério não permitiu que a gente comercializasse. Aparentemente o choque é um pouco forte de mais e a queimação deveras desconfortável... Mas a Associação de Medi-bruxos de Londres disse que se conseguirmos tirar a parte que queima, eles têm interesse. – o ruivo deu de ombros.

– É seguro? – Draco murmurou.

– Tempos desesperados pedem medidas desesperadas! – Harry disse tomando o poção das mãos do ruivo e derramando na boca do pianista desmaiado.

Aquilo surpreendeu a Draco e Fred. Quem diria que Harry Potter tinha um lado inescrupuloso que eletrocutava senhores beira da morte? Aquilo fez Draco sorrir e sentir-se bem consigo mesmo. O santo Potter não era tão santo assim.

Cinco segundos se passaram, e o senhor gemeu alto, arregalando os olhos, assustado para o que estava acontecendo. Levou mais um choque que lhe percorreu o corpo e depois a sensação de calor, como se estivesse pulando uma fogueira.

– O-o que? O que? O que? – o velho murmurava tentando levantar-se.

– PELAS BARBAS DE MERLIN, ESTAMOS SALVOS! – Harry disse caindo no tapete com os braços abertos.

O senhor após se acalmar e tomar alguns copos de água, sentou-se mais calmo.

– Eu preciso ir embora sinto muito. – ele disse ofegante.

– Não! – Harry praticamente gritou. – por favor, nós salvamos a sua vida!

– Vocês quase me mataram! – o senhor disse ficando em pé. – eu vou embora!

– Senhor, deixe-me ser claro. – Fred disse colocando seu corpo na frente do velho – você vai tocar nesse casamento. Nem que eu tenha que te lançar uma maldição Imperius, você vai tocar nesse casamento.

– A questão é se vai tocar por bem ou por mal. – Draco disse se colocando na frente do senhor de idade. A cena seria digna de um filme do Al Pacino, a não ser que o ser ameaçado era um velho que aparentava seus 167 anos.

O pobre pianista não tinha chances...

...

– COMO ASSIM ELE FUGIU?! – Lilá disse prestes a ter uma síncope. – ele tinha idade pra ser tio avô de Dumbledore! Como vocês deixaram ele escapar?!

Os três garotos tinham o olhar baixo, Harry particularmente desolado, os cabelos mais chamuscados que antes. Draco já tinha desistido de curar a bochecha, ela estava novamente vermelha feito um tomate maduro, Fred tinha o olho roxo.

– A gente não esperava que ele fosse bater na gente. – Fred disse com os olhos baixos. – e a gente não sabia que ele já tinha sido Major no ministério... Nem que ele estava com a varinha no bolso... – um lamento sofrido escapou da garganta do ruivo. – ... Eu quero a Hermione...

– Não senhor! Finalmente achei uma solução para as massagistas, nada de estressar as minhas noivas. – Lilá anunciou contente consigo mesma.

– Conseguiu as massagistas escandinavas? – Draco murmurou com gelo no rosto dolente.

– Bom, quase... Hilda, Sonja, Hedda!

E assim que ela acabou de chamar, entraram na tenda Ian Feline, professor Remo Lupin e Neville Longbottom. Os altivos bruxos mais exímios de Londres, todos de vestido e maquiagem.

Aquilo fez com que Draco e Harry esquecessem o orgulho ferido e rissem. Fred gargalhou e vasculhou a bolsa, um flash se fez e logo após o ruivo pegou a foto recém tirada na saída do que parecia uma Polarid bruxa.

– Achei que tinha parado de andar com essas câmeras. – Ian disse com seu olhar nada amistoso de sempre.

– Nunca se sabe quando o seu primo bonitão vai aparecer de vestido germânico. – Fred disse rindo.

– Ai, ai... – Harry parava de rir – embora eu tenha amado essa cena, com todo o respeito Lupin, eu não acho que elas vão confundir vocês com massagistas escocesas.

– Isso tem cheiro de desespero pra mim... – Draco disse voltando a mastigar a gravata de nervosismo.

– Gente, é aí que entra meu brilhantismo... TCHANS! – ela ergueu três frascos brancos – Poção polissuco com essência de eslavas!

– Como vocês pegaram essência de escandinavas? – Fred quis saber.

– Vocês não querem saber... – Neville disse com o olhar perdido.

– Digamos apenas que me vestir de mulher não foi a coisa mais esdrúxula e humilhante que eu fiz hoje. – Ian disse com o olhar sofrido de um veterano de guerra.

– O que vocês fizeram? – Draco perguntou assustado.

– Nada decente. Nada legal. – Lupin garantiu. – Vamos, não cheguei tão longe para desistir agora.

Os três homens de vestido então beberam a poção e em momentos eram três grandes e sardentas mulheres que mais pareciam portas de tão altas.

– Como treinamos, se apresentem. – Lilá ordenou.

...

Hej, hur mår Du. – Ian disse com um tom monótono inconfundível e uma voz muito estranha – Me châmo Hilda, êsas son miñhas irmãs Sonja e Hedda.

Hej, hej, fãmos enton para a nossa massagem de amor eterno, Yah? – Sonja/Lupin disse.

– Hej, hur mår Du – Hedda/Neville disse com a voz mais meiga que os outros dois.Fechem os olhos e relaxem, Yah?

– Finalmente... – Gina disse seguindo as mulheres até a tenda de massagem improvisada.

Lilá estava sorrindo atrás delas, mas por dentro estava digerindo o próprio estômago de tanto nervosismo. Aquilo era apenas uma distração para os reais problemas: Uma Sacerdotisa cuspindo fogo, um casamento sem música e um relógio nervoso que marcava pouco mais de duas horas pro casamento.

Notas finais do capítulo
he he he. sempre quis travestir eles




(Cap. 30) Encaminhamentos

Notas do capítulo
*jurosolenementequenãovoufazernadadebom* Gente, esse capitulo eu consegui apagar uma parte sem querer, daí eu reescrevi mas não ficou o mesmo, leiam as notas finais

TRINTA:

Uma hora para o casamento

– É. Acho que essa é a hora de decidir qual de nós vai vender o Rim para levar o casamento até o fim. – Jorge disse sentando-se e afundando a cabeça entre os joelhos.

Eles tinham ido ao lugar certo. De fato ali tinha cobras de chifre do deserto, mas o preço delas era exorbitante.

– Tudo que eu tenho que fazer é achar um vendedor que esteja associado ao meu amigo... – Lino disse pressionando as têmporas.

– Esse lugar é gigante. O casamento é em uma hora... – Rony sentou ao lado do irmão. – eu queria tanto que tudo desse certo...

– Frouxo! – Lino gritou empolgado.

– Não sou frouxo, isso é a realidade Lino... – Rony disse emburrado.

Mas Lino nem o escutava, no meio da multidão reconheceu um comerciante de raridades com quem já tinha negociado. Eles trocaram um abraço caloroso, o comerciante bem mais baixo era amigo de Fletcher, era careca e tinha um fino bigode. Ao seu lado três lindos animais peludos de pescoço comprido.

– Lino, o que faz aqui? Está procurando o Tom? Eu acho que ele está na Travessa dos aromas...

– Não, não estou com tempo agora... Mais tarde falo com ele... Frouxo, você não teria uma Cobra do Deserto azul petróleo, teria? Você costumava vender cobras e aranhas... Esses bichos estranhos que o Hagrid gosta...

– Eu tenho uma, mas não é das maiores. E não é azul... Mas os chifres dela são uma beleza...

– Qual o seu preço? – Jorge levantou-se em um pulo e juntou o homem pelas vestes.

– Hey! – Frouxo protestou.

– Desculpe meu amigo, ele é da superfície... – Lino deu um risinho sem jeito e o tirou Jorge de perto do homem careca. – então, qual seria seu orçamento.

– Pela nossa amizade, e pelos negócios com Tom, eu faço por Setenta mil galeões.

Rony voltou a afundar o rosto no joelho.

– Feito. – Lino disse calmamente. – Duas parcelas? E que é para um casamento hoje, eu preciso muito dessa cobra, mas eu levanto o resto do dinheiro até semana que vem.

O careca analisou Lino e alisou o bigode.

– Casamento de quem?

– O casamento do herdeiro dos Malfoy, dos Generais Granger e Weasley e de Harry Potter com a garota Weasley.

– Um casamento triplo... Pra que eles querem a cobra? Nada pervertido eu espero...

– Não! É uma looonga história: um dos noivos sem querer transformou a sacerdotisa em dragão e ela só vai fazer o casamento se ganhar uma cobra de chifres. – Lino refletiu por um momento – até que não é tão longa assim.

– Brida? – Lino confirmou com um aceno – conheço a figura. Ela tentou comprar uma dessas uma vez, mas a cobra fugiu. Eu avisei que era impossível domesticar uma dessas com mais de dois metros e meio, mas ela não ouviu. Mulher teimosa.

– Eu reparei... – Lino disse revirando os olhos – e então?

– Eu faço por 40 mil... Mas com uma condição.

– Por esse preço o que quiser... Não sendo meu corpo nu ta valendo... – Lino disse – mas o deles a gente negocia. – ele apontou os ruivos.

– Eu soube que você está com dono. – o careca riu.

Jorge e Rony se entreolharam e tiveram uma daquelas conversas telepáticas entre irmãos.

– Eu pergunto. – Rony disse acenando a cabeça para o irmão – Você está com alguém, Lino?

– Sim, estou noivo. – ele disse simplesmente com um balançar de ombros – então Frouxo, qual a condição?

Enquanto frouxo explicava a condição Jorge e Rony se olhavam abismados, Lino Jordan quando muito namorava, era conhecido por ser mulherengo. Coitada da Katia Bell não podia mais sequer ficar na mesma sala que ele, tamanho foi o estrago.

– E aí, o que acham? – Lino perguntou aos irmãos que discutiam aos sussurros quem poderia ser a pobre coitada ou a magnífica garota que tinha colocado Coleira em Lino Jordan.

– Eu falo. – Jorge disse limpando a garganta – Lino, um noivado é coisa séria... Acho que você deve pensar bem sobre isso, mas se acha que é o certo... Sabe, se é amor.

– Claro que é amor. – Lino disse.

– Então se ela vale a pena, acho que você deve ir em frente.

– Elas valem mais do que a pena! – Lino disse sério.

– Elas? – Rony indagou, mas Lino não ouviu.

– Certo! Tudo fechado! Deixe o convite para o Tom ir lá depois. Vamos, o casamento é em quarenta minutos!

***

– Vocês foram esplêndidos! – Lilá dizia para os homens que agora já voltavam a ter seus respectivos rostos – e Neville você não disse que sabia fazer massagem tão bem, eu vou querer uma qualquer dia...

– Nunca mais vou fazer massagem na vida. – Neville murmurou.

Na velhice Neville passou a dar aulas de massagem, e essa se tornou sua historia predileta. Mas ele nunca revelou como os quatro conseguiram as essências das mulheres eslavas.

Lilá foi até a tenda das noivas, onde Gina mais parecia um gatinho ronronando do que uma noiva histérica. A loira ajudou as três a recolocarem os vestidos e dar os últimos retoques na maquiagem e cabelo.

– Quarenta minutos. – Gina disse com um sorriso bobo. – está tudo certo para o casamento?

Lilá engoliu em seco enquanto terminava o cabelo de Hermione.

– Tuuudo... Tudo sim. – ela mentiu.

– Eu não acredito! – Hermione disse piscando seus longos cílios postiços. Abismada. – Deu tudo certo. É a primeira vez desde que entrei em Hogwarts que alguma coisa dá certo sem maiores complicações, dragões cuspindo fogo ou alguém tentando me matar.

“De fato podia ser pior. Pelo menos dessa vez não tem ninguém querendo matar ninguém.” Lilá pensou consigo mesma “A não ser a Sacerdotisa que a cada minuto tem mais vontade de estrangular os noivos...”

– Parece um conto de fadas. Amanhã de manhã eu e Draco vamos cozinhar um lindo bolo azul com alecrim e erva doce, e vai ser assim pro resto das nossas vidas. – Luna suspirou sonhadora.

– Comer bolo azul pro resto da vida? – Gina riu pelo nariz – só tu Luna. Eu mal posso esperar a hora de usar a Lingerie que eu comprei para as núpcias. E você Hermione, sobre o que está mais ansiosa sobre o casamento?

– Não tropeçar na entrada. Não tropeçar na saída. Não jogar o buquê na cara de ninguém. – Hermione disse com o olhar vago, como se estivesse vendo o desastre que seria se arremessasse o buquê na cara de Lúcio Malfoy.

– Quanto romantismo hein. – lilá revirou os olhos.

– O que eu quero fazer como casal? – Hermione sorriu – eu já venho fazendo com ele há dois anos. Acordar e ver como ele esta atirado e descabelado do meu lado, brigar com ele pra ver de quem é a vez de lavar louça, tocar piano num domingo, ou simplesmente ficar lendo do lado dele na cama, com a cabeça dele no meu colo. – Hermione sorriu e sentiu seu peito leve. Queria passar o resto da vida do lado dele. Fosse em coisas ordinárias do dia a dia, fosse nas batalhas. As outras duas noivas também sorriram. – E inaugurar um jogo de posições sexuais que eu ganhei da Fleur!

O momento romantismo quebrou e as quatro riram em alto e bom som.

***

O casamento estava quase todo encaminhado. O ritual seria ao ar livre, como os casamentos bruxos costumam ser. A noite estava estrelada, e os arbustos de Damas da Noite se abriam e a esplendida e vistosa flor inalava um aroma agradável e viciante. Era o terreno dos Lovegood, mas mais perto da nascente do rio que cortava tais montanhas, então como sinfonia natural, além dos grilos era possível escutar o som da água correndo no rio logo abaixo.

Os noivos ainda estavam na tenda, ocupados demais com a Sacerdotisa e a música para terem tempo apreciar o meio campestre ou sequer arrumarem a si próprios.

– A senhora vai ganhar sua Cobra. – Fred tentava convencer Brida – mas talvez demore.

– Eu vou realizar seu casamento – ela disse irônica e ele iludido sorriu – mas talvez demore! E eu não vou subir naquele altar enquanto não parar de cuspir bolas de fogo.

– Sequer são faíscas!

– A senhora está sendo um tanto quanto intolerante! Pelos sete reinos, a senhora não tem coração?! – Harry disse quase em prantos.

Um estampido se fez, e antes que a sacerdotisa pudesse dizer uma silaba, o baixo professor de feitiços e maestro de Hogwarts entrava esbaforido na sala com uma jovem ao seu lado.

– Professor. – Draco disse tirando a gravata da boca.

– Eu sei o que fazer, eu sei, eu sei o que fazer! – ele disse satisfeito consigo mesmo – ela é uma prima de segundo grau da senhorita Lovegood, foi minha aluna, toca harpa esplendidamente bem. Ela pode tocar para o casamento!

– SIM! – Harry gritou entusiasmado, como um beduíno que depois de meses no mais escaldante deserto encontra um copo de água.

– Bom... – a loira de cabelos curtos disse – e se quiserem minha irmã toca violino. Ela veio também.

Harry era um beduíno com dois copos de água.

– Sim... sim... sim. – ele dizia mal acreditando em sua sorte, quase debulhando-se em lágrimas.

– Mas o que vamos tocar? Nós temos algum repertório... – A loira disse meigamente.

– Certo, Harry e Draco, arranjem os instrumentos e uma musica decente, eu vou ficar aqui e tentar ver o posso fazer pela nossa sacerdotisa. – Fred murmurou pressionando as têmporas.

– Mas Fred, nosso tempo acabou, não temos mais do que meia hora. – Draco disse voltando a mastigar a gravata. Harry deu-lhe um tapa. Obviamente do lado esquerdo.

– Noivas sempre atrasam! Não seja pessimista! E a sacerdotisa já quase deixou de ser um dragão, certo Brida? – Harry disse confiante.

Nesse momento a sacerdotisa arrotou mais faíscas e fumaça que alcançaram o Harry, cobrindo-o de fuligem e chamuscando ainda mais seus cabelos. Fred com seu olho ainda roxo ajudou o moreno a apagar as faíscas em seu cabelo.

– Eu odeio vocês. – Brida disse enjoada, não aguentando mais o gosto de enxofre na sua boca.

E quando Harry estava prestes a se encolher em um canto, chorar e desistir de tudo, o estampido mais lindo e barulhento da historia se fez ouvir.

– Lino! – Houve um coro na tenda que aos poucos morreu na garganta. Até mesmo a Sacerdotisa Brida esqueceu que estava furiosa.

– O que é isso...? – a mulher com feições draconianas indagou.

Antes que Lino pudesse esclarecer qualquer coisa uma Lilá ofegante entrou na tenda, enrolando-se nos panos, tropeçando nos próprios pés, com o rosto vermelho e o coração disparado.

– ELAS VÃO COMEÇAR O CASAMENTO ANTES! ELAS QUEREM IR PRO ALTAR AGORA E... O que diabos é isso? – ela disse esquecendo-se momentaneamente do ataque cardíaco que estava tendo.

– Eu vou fazer o casamento! – Sacerdotisa Brida disse derrotada, os noivos estavam tão atordoados que sequer ficaram aliviados.

– MERLIN! – Harry – NÓS AINDA NEM ESTAMOS PRONTOS E...

– Se eu vou para aquele altar desse jeito! – a sacerdotisa gritou – eu tenho algumas exigências a fazer! – Brida disse – agora me escutem bem seus cabeças de berinjela, vocês vão fazer exatamente o que eu disser...

Notas finais do capítulo
GENTE, Eu achei muito legal que várias leitoras tem me mandado perguntas no ask, é muito mais recorrente eu acessar o ASK do que as mensagens aqui, então se quiserem saber se eu vou postar, e quando vou postar, podem perguntar lá que eu respondo: http://ask.fm/PandaMKS . Mais uma coisa, meus amigos e colegas sabem o meu ask, mas não sabem dos endereços das Fanfics, então eu não respondo quando colocam o endereço da fic detalhado (tipo: Ah Penelope adoro a sua fic Consequências - Fred e Hermione ) IUAHOIUSAHASIU mas qqer coisa perguntem lá que eu respondo hue hue até maaaais . *malfeitofeito*




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