Aquela Garota

Autor(es): SumLee


Sinopse

Bella Swan é uma garota impulsiva que age sem pensar, com uma personalidade forte que acaba sempre a colocando em grandes confusões. Ela adora quebrar algumas regras, tendo como companhia seu irmão, seu amigo que mesmo podendo falar, não fala e sua melhor amiga skatista que odeia patricinhas.
Grandes coisas acontecem na sua vida quando os novos vizinhos chegam. Conhecendo de maneira cômica o filho mais velho deles, Bella acaba criando um grande laço de amizade na qual flertar é o passatempo dos dois.
Tendo que criar responsabilidades e juntar dinheiro para sua road trip, Bella se esforçara, mas sendo impulsiva como é, tendo os amigos que tem, não será algo fácil. Tendo que lidar com seus próprios segredos e com os segredos do seu vizinho, várias reviravoltas acontecerá na sua vida.



Notas da história
- Personagens não me pertencem.

- História totalmente minha, tirada de minha criatividade.

- Diga não ao plágio!

Índice

(Cap. 1) Prólogo
(Cap. 2) Nadar, Nadar... Encrencar!
(Cap. 3) Deu Merd*!
(Cap. 4) Batendo Recordes
(Cap. 5) Uma Boa Vista, Uma Boa Sorte
(Cap. 6) Los Condenados
(Cap. 7) Intimações
(Cap. 8) Pai e Filha
(Cap. 9) É Congênito
(Cap. 10) Primeiro Dia, Primeiras Impressões
(Cap. 11) Treinando
(Cap. 12) Efeito Dominó
(Cap. 13) Tensões
(Cap. 14) Outra Pessoa
(Cap. 15) Valentine's Day Mad
(Cap. 16) Bate-Volta
(Cap. 17) Machinho vs. Patricinha
(Cap. 18) Sequestro
(Cap. 19) Recomeços
(Cap. 20) O Que uma Camiseta Estampada Não Faz
(Cap. 21) Químicas


(Cap. 1) Prólogo

Notas do capítulo
Bem, aqui estou eu me arriscando a postar mais uma loucura minha das várias que tenho no meu PC. Espero que gostem dessa Isabella assim como gostam da de Revista Nerd, e também de todos os personagens.
Enjoy : )

Prólogo

Em quantos problemas um cara pode fazer você se meter? Muitos? Hm... Vários e dos piores?

Espera!

Quem eu estou querendo enganar? Eu não preciso de nenhum nadadorzinho malicioso e de ego grande para fazer eu me meter em encrencas. Então, cara amiga - ou amigo - eu vou reformular minha pergunta e admitir a verdade. Aqui vai:

De quantos problemas um nadadorzinho gato pode lhe tirar? Muitos?

Não interessa quantas vezes você pode entrar numa encrenca - muitas delas causadas por sua amiga desnaturada, pelo seu irmão e pelo seu amigo mudo. Yeah, isso mesmo, um amigo mudo pode te deixar em maus lençóis. E olha que ele é mudo, hein.

O que interessa nisso tudo é que se você se divertir, vai está valendo à pena. Levar detenção na escola por causa de uma confusão que te fez gargalhar muito vai estar valendo a pena. Levar uma bronca da mãe e do pai também vai estar. Até ser presa... Ok, sem exageros. Ser presa não é legal. Eu digo isso por experiencia própria. Eu só precisei aprontar uma com um nadador e logo estava sendo seguida por um carro de policia.

Mas isso não importa, afinal, ele pode me tirar dessas encrencas com todo o seu poder de persuasão. E se não consegue, ele fica na mesma situação que eu. O importante nisso é tudo é que estamos juntos nos bons e maus momentos. E a maioria é maus.


Musica tema:

One Of Those Girls - Avril Lavigne


I know your kind of girl

(Eu conheço o seu tipo de garota)

You only care about one thing

(Você apenas se importa com uma coisa)

Who you've seen or where you've been

(Com quem você tem visto ou onde você tem estado)

Who's got money

(Quem tem dinheiro)

I see that look in your eyes

(Eu vejo aquele olhar nos seus olhos)

It tells a million lies

(Ele diz milhões de mentiras)

But deep inside I know why

(Mas profundamente eu sei o porque)

You're talking to him

(Você está conversando com ele)

I know what you're all about

(Eu sei tudo sobre você)

I really hope he figures it out

(Eu realmente espero que ele descubra)

She's one of those girls, nothing but trouble

(Ela é uma daquelas garotas, nada além de problemas)

Just one look, and now you're seeing double

(Apenas um olhar e agora você está vendo em dobro)

Before you know it she'll be gone

(Antes que você possa perceber, ela terá ido embora)

Off to the next one

(Partindo pro próximo)


She's so good that you won't see it coming

(Ela é tão boa que você não vê isso chegando)

She'll take you for a ride and you'll be left with nothing

(Ela lhe levará para um passeio e você será deixado sem nada)

You'll be broken she'll be gone

(Você estará quebrado, ela terá ido embora)

Off to the next one

(Partindo pro próximo)

She's going to be the end of you

(Ela será o fim de você)

At least that's what they say

(Pelo menos é o que dizem)

It's been a while, you're in denial

(Já faz um tempo, você está em negação)

And now it's too late

(E agora é tarde demais)

The way she looks it makes you high

(O seu jeito faz você ficar alterado)

All the warning signs

(Todos os sinais de aviso)

Cause her blonde hair, her blue eyes

(Porque o seu cabelo loiro, seus olhos azuis)

It makes you want to die

(Faz você querer morrer)


I know what she's all about

(Eu sei tudo sobre ela)

I really hope you figure it out

(Eu realmente espero que você descubra)


She's one of those girls, nothing but trouble

(Ela é uma daquelas garotas, nada além de problemas)

Just one look, and now you're seeing double

(Apenas um olhar e agora você está vendo em dobro)

Before you know it she'll be gone

(Antes que você possa perceber, ela terá ido embora)

Off to the next one

(Partindo pro próximo)


She's so good that you won't see it coming

(Ela é tão boa que você não vê isso chegando)

She'll take you for a ride and you'll be left with nothing

(Ela lhe levará para um passeio e você será deixado sem nada)

You'll be broken she'll be gone

(Você estará quebrado, ela terá ido embora)

Off to the next one

(Partindo pro próximo)


You know it's a game, You know it's a game

(Você sabe que isso é um jogo, você sabe que isso é um jogo)

She's keeps playing around with your head

(Ela continua jogando com sua cabeça)

Playing around with your head

(Jogando com sua cabeça)


She's so insane, So insane

(Ela é tão insana, tão insana)

She's the one to blame

(Ela é a única a ser culpada)

She's the one to blame

(Ela é a única a ser culpada)


She's one of those girls, nothing but trouble

(Ela é uma daquelas garotas, nada além de problemas)

Just one look, and now you're seeing double

(Apenas um olhar e agora você está vendo em dobro)

Before you know it she'll be gone

(Antes que você possa perceber, ela terá ido embora)

Off to the next one

(Partindo pro próximo)


She's so good that you won't see it coming

(Ela é tão boa que você não vê isso chegando)

She'll take you for a ride and you'll be left with nothing

(Ela lhe levará para um passeio e você será deixado sem nada)

You'll be broken she'll be gone

(Você estará quebrado, ela terá ido embora)

Off to the next one

(Partindo pro próximo)



Off to the next one...

(Partindo pro próximo)



Notas finais do capítulo
Bem, eu estou postando só o Prólogo agora para ver quantos reviews vou receber, pois sei que tem leitoras aproveitando as férias em algum lugar ÓTIMO, então vou esperar para ver como vai ser.
Para as novas leitoras, que estão lendo pela primeira vez uma das minha fanfics: SEJAM BEM VINDAS, e para as antigas já sabem que podem se sentir em casa, kkk.
Como sei que não vou postar outro capitulo antes do Ano Novo, vou desejar agora: Feliz Ano Novo, gatinhas, eu desejo a todas vocês muita paz, amor, felicidades, dinheiro e váaaarias outras coisas boas - como a estréia de BD Part 2 que está por vir. Também desejo atrás um Feliz Natal, e que ele tenha sido bom : )
Por enquanto é isso. Beijos, meus amores :*




(Cap. 2) Nadar, Nadar... Encrencar!

Notas do capítulo
Agora sim é a estréia oficial de Aquela Garota UHU! Eu espero que vocês gostem e comentem sobre o que acharam. Enjoy!

1. Nadar, nadar... Encrencar!

Ah!, água era com toda certeza uma boa solução para se acalmar. Acho que não trocaria isso por nada, nem pelos calmantes de Renée, que eu já experimentei uma vez. Mas foi só uma. E eu nem consegui ficar calma. Primeiro me sentia drogada com o corpo todo mole, e depois do infeliz do meu irmão me encher o saco por eu estar zonza e se aproveitar do meu estado para fazer gracinhas, acabei socando ele. Calmantes não serviam para acalmar? Uma pena que não consegui fazer nenhum estrago além dele se engasgar com a própria saliva. E isso não é nenhum acidente ou coisa que faça Renée gritar e brigar comigo. Uma pena, é claro.

Mas isso não importa agora, afinal, eu estou aqui para me acalmar, não pensar na minha “grande” família. O barulho de água balançando de um lado para o outro por causa do meu movimento na água, era o único que eu ouvia. E o melhor, podia confirmar.

Eu abri os olhos, encarando a imensidão azul na minha frente. Era impossível ver a outra ponta da piscina, mesmo eu estando no meio. Ela era enorme, acho que levaria um bom tempo para atravessá-la. Exagero, eu sei. Mas ela ainda era grande. E eu não me incomodava com aquilo. Não, nem um pouco. Porque era apenas um lugar que cabiam milhares de Isabella’s sem noção.

Eu subi para a superfície quando meus pulmões idiotas reclamaram pela falta de ar. Esse era um dos momentos que eu odiava precisar respirar, pois assim não podia passar o resto da minha vida embaixo da água. Eu encostei na borda da piscina, ao lado do lugar onde minhas roupas estavam. Fechei os olhos e senti os deliciosos e prazerosos raios solares da Califórnia esquentar meu rosto. Devia ser umas cinco horas e o sol se tornava mais delicioso ainda. Um belo sol no dia de sábado. Parei de devaneio e peguei meu celular e vi que tinha duas ligações perdidas do meu irmão, e também uma mensagem. Eu abri a mensagem, para vê o que ele queria.

Cabeça de vento, vem pra casa AGORA. Renée esta uma fera com você... Como sempre. Se ferrou mais uma vez, maninha.”

– Imbecil. – resmunguei.

Ele adora vê as desgraças dos outros. Não! Ele adora vê é as minha desgraças, isso sim. Como se ele não fizesse nada de errado. Poxa, não foi nada eu ter acertado uma rodinha de skate no cabeção daquela criança. Ela me chamou de gorda! O que eu podia fazer? Bater é que não. Então recorri para a rodinha. E o Cabeça de Pirulito mereceu. Só que pela mensagem do meu irmão, Renée com certeza não concordava comigo.

Eu apertei o botão de discagem rápida e esperei ele atender.

– Está encrencada.– foram suas primeiras palavras.

– Ah, alô? Oi pra você, imbecil. – falei sarcástica. – O quanto eu estou encrencada?

– Se eu falar muito você não vai aparecer, certo?

– Certo. E então, quanto?

– Nããoooo muuitoo.

– Cara, você alongou a frase. Está mentindo. – revirei os olhos.

– Droga. – ele resmungou do outro lado, muito baixo que eu quase não ouvi.

– Vamos lá, Emmett. Me diga em uma escala de 0 á 10, quanto eu estou ferrada?

– Onze.

– O que?! Tudo por causa do cabeçudo lá?

– Uma parte. A outra foi porque você não apareceu sábado passado na casa de Charlie.

– Mas que merda! – esbravejei, socando a água. – Se eu sumir, vai piorar?

– Sabe que sim, você já fez isso.

– Ok, então não vou sumir. – suspirei, derrotada. – Apareço ai daqui a pouco.

– Claro, claro.

Eu desliguei o celular e coloquei-o no lugar. Soltei outro suspiro, pensando seriamente em me afogar naquele exato momento só para não encarar a fúria de Renée. Ok, não era exatamente uma fúria. Mas eu iria na certa ouvir muita coisa e muitos sermões. Principalmente por não ter aparecido na casa de Charlie. Mas o que eu posso fazer se Papai Swan não era tão legal quanto uma pista de skate ou uma piscina? Caramba, eu só queria me divertir, era pecado isso? Era! Para Renée era. Só porque ela não sabia mais o que era passar um sábado à noite com Charlie. Sim, meus pais eram separados. Isso desde que tinha os meus chatos dez anos. Olha, eu adoro meu pai. Não, eu amo ele, e muito. Mas uma garota de dezessete anos precisa sair e se divertir, não passar o final de semana com o pai assistindo um jogo de futebol americano ou beisebol. E eu admito - com muito orgulho - que eu amo de paixão esses jogos. Amo comer salgadinhos e tomar coca cola enquanto xingo o juiz. Mas às vezes, eu não tinha vontade de fazer aquilo. E poxa, eles podiam entender isso.

Afundei mais uma vez na piscina, e encarei a imensidão azul. Um... Dois... Três... Quatro... Dez... Quinze... Vinte e dois... Vinte e sete... E subi novamente, já impulsionando meu corpo para fora da piscina. Peguei minha regata para vesti.

– Por aqui, por favor.

Arregalei os olhos, inclinando meu corpo um pouco para o lado para vê se não tinha ouvido nada. Eu estava em uma casa vazia, onde não tinha moradores a mais de três meses, então não podia ouvir vozes. Mas eu ouvia. Ouvia vozes e barulhos de coisas mexendo, como arrastar de móveis. O desespero tomou conta de mim. Mas como podia ter alguém ali se até a hora que eu entrei a casa estava vazia? E eu juro que tinha visto a placa de vende-se na frente da casa ontem! Tudo bem foi ontem, hoje eu nem reparei na roupa que estava vestida. Mas mesmo assim. Aquela placa não deveria ter sido removida um dia antes? Esta legal, só porque eu vejo isso em filme não quer dizer que acontece em vida real.

– Isso fica lá em cima! – a mesma voz, de mulher, falou.

Olhei para o andar de cima, vendo dois caras passarem com caixas de papelão pela parede de vidro. Ótimo, eu estava ferrada. E se as pessoas chamassem a policia? Como Renée iria me receber quando chegasse em casa com um policial do meu lado? Com toda certeza ela iria me receber com um taco de beisebol para me matar, disso eu tinha a convicção.

Não! Eu não podia morrer e não podia ser assassinada por minha própria mãe. Eu precisava achar um jeito de sair dali sem que a nova moradora da casa me visse. E eu daria um jeito nisso. Peguei minhas roupas emboladas e meu celular e fui até a porta dos fundos, olhando pela brechinha para vê se não tinha ninguém ali. E para minha sorte, não tinha. Eu conhecia bem a casa, por entrar nela muitas vezes quando os antigos vizinhos moravam aqui, então sabia muito bem como sair dela. Era só passar por aquela parte da cozinha, pela copa, pelo corredor e pela sala de estar, e pronto, conseguiria minha liberdade.

Abri lentamente a porta de vidro, entrei na casa e fechei a porta. Olhei para o chão quando ouvi um barulhinho de pingo, e vi uma pequenina poça se formando abaixo de mim. Senti vontade de me socar por aquilo. Se a mulher visse o molhado, iria imaginar que tinha alguém na sua casa. Mas agora já era, eu tinha que ir. Não podia esperar o vento me secar para poder atravessar a casa. Dei um passo pra frente, bem quando o telefone que fica na cozinha tocou.

– Oh deus! – ergui as mãos para cima, revirando os olhos para o tamanho da minha sorte.

– Eu atendo. – a mulher falou e eu ouvi seus passos se aproximando.

Olhei desesperada para os lados, procurando um lugar para eu me esconder. E o único que eu encontrei, foi o balcão vazio. Isso mesmo, o maldito balcão onde ficava a pia. Me escondi ali, rezando para a mulher não me vê e chamar a policia para mim. Os passos estavam bem mais próximos, e então, uma mulher que vamos dizer assim, um tanto... Linda, apareceu no meu campo de visão. Seu corpo não era escultural nem nada disso, mas ela estava em forma. Do jeito que eu quero ficar quando tiver nos meus quarenta anos, como ela parecia estar. Os cabelos em um tom muito diferente dos que eu já tinha visto na minha vidinha medíocre, era como caramelo, e brilhavam. O rosto em formato de coração tinha lindas covinhas quando ela sorria, deixando-a ainda mais bonita. Os olhos eram muito verdes, me fazendo ter inveja por os meus não serem assim, e sim serem apenas verdes. Talvez, o pavor tenha subido pra minha cabeça de vento – como Emmett gosta de falar – ou era o sol quente e dourado que entrava pela porta de vidro, mas uma “áurea” parecia brilhar daquela mulher. Os sorrisos e gargalhadas que ela dava ao falar com alguém pelo telefone, fazia aquela imagem se tornar como a de um filme. E eu desejei que a aquela mulher fosse algo minha, para poder vê-la sorrir. Não! Eu desejei que ela fosse a minha mãe.

Ok, não estava fazendo pouco caso da minha querida mãe. Eu a amava muito, assim como amava Charlie. Renée era uma mulher excepcional, encantadora, simpática, amorosa, ingênua, superprotetora, e muito linda, mas ao olhar para aquela mulher, era como olhar para uma estrela de cinema em um filme que ela é uma super mãezona, e então você deseja que sua mãe seja igual a ela. Mas isso só era paranoia minha, porque estava com muito medo e porque ficar muito tempo embaixo da água não deve ter feito muito bem.

A mulher colocou o telefone no gancho e virou bem na direção que eu estava escondida. Ela franziu as sobrancelhas – não a deixando nem um pouco menos bonita – e caminhou na minha direção. Eu prendi a respiração, achando que finalmente tinha sido descoberta e que iria para casa com um policial, mas não. A mulher olhou para a chão, balançou a cabeça e saiu.

– Querido, vamos ter que chamar o encanador. Parece que a pia está vazando. – ela falou, e sua voz foi sumindo aos poucos enquanto ela ia pra outro cômodo.

Nossa! Essa foi por pouco, pensei ao mesmo tempo em que suspirava. Sai devagar do meu esconderijo apertado e caminhei até a copa, vendo que não tinha ninguém. Sorri comigo mesma e caminhei na ponta dos pés para lá, deixando o meu rastro para trás. Passei pela porta para o corredor, pensando no tamanho da minha sorte quando empaco no lugar ao vê um garoto na outra ponta do corredor. Ele estava de costa, concentrado em alguma coisa que tinha na sala de estar. Eu grunhi e choraminguei vendo o meu pequeno momento de sorte ir por água a baixo. O garoto se preparou para virar, e eu, entrei em outra porta, esbarrando em algo no chão e indo de cara com o tal.

– Mas...? – ouvi a voz rouca do garoto ao falar.

– Merda! – resmunguei e engatinhei para o outro lado do cômodo.

Aquele era como uma pequena sala sem porta, com uma lareira, estantes e mais estantes de livros e um lindo piano de calda. Eu fui à direção da outra porta, saindo na sala de estar e bem perto da minha liberdade. Só que onde estava a minha liberdade, estava uma garota também. Ela não tinha me visto por eu estar atrás do sofá. Olhei para a sala que tinha acabado de sair, vendo a sombra do garoto se aproximando. Pronto, era só o que me faltava. Eu, perto da minha saída, ia ser pega. Engatinhei rápido para o corredor, pensando em driblar o garoto. Quando estava fora da vista da garota, eu levantei e corri para a ponta do corredor, mas não esperava que fosse sair dali o maldito garoto. Com o susto e por meu pé esta molhado, eu caí para trás. E caramba, doeu. E muito.

O garoto – uma gracinha, por sinal – me encarou de olhos arregalados. Claro, como acha que ele olharia ao vê uma garota de biquíni em sua nova casa? E que tem cara de doida e está toda molhada. Senti vontade de me morder naquela hora, mas me controlei para não piorar a minha situação.

– Eu... Eu... – eu comecei a gaguejar. – Por favor, não chama a policia. – supliquei.

O garoto me encarou por mais um minuto e deu um sorrisinho de canto sacana que me irritou, quase me fazendo xingá-lo. Só que mais uma vez eu me controlei... Uma pena. Não queria piorar meu caso.

– Me de um motivo para eu não fazer. – falou com uma sobrancelha erguida.

– Hm... – pensei em um. – Você pode está evitando uma garota de ser morta e uma mãe de família ser presa. – ele assentiu. – Ah, e de apanhar de uma garota também. – completei.

Ok, não foi legal o que eu falei. Mas poxa, ele sorriu sacana para mim! Caramba, nenhum garoto fazia isso comigo assim, olhando “debaixo”.

– Isso não foi bom. – ele falou e me deu as costas.

– Não. Não. Não. Espera ai. – levantei num pulo e segurei o braço dele. – Não faça isso. – pedi. – Você pode pedir qualquer coisa em troca, mas não faça isso.

O garoto me encarou de cima a baixo, fez um bico engraçado e assentiu.

– Ok. – disse por fim.

Ele me encarou pensativo, e eu sabia que ele estava pensando em alguma coisa. Só que eu não tinha tempo para isso nesse momento, Renée me esperava em casa, então...

– Olha, você pode pedir isso depois? É que agora eu estou atrasada. – levantei um ombro.

– Como vou saber se não vai fugir? – perguntou.

– Não vou. Juro. – levantei o dedinho mindinho. Ele encarou minha mão, sem entender. Eu suspirei e peguei a mão dele, cruzando o dedinho mindinho dele com o meu. – Eu moro tão perto que você nem imagina...

– Ok.

Ficamos em silencio, sem nos encarar. Eu olhava para o chão, vendo a pequena poça que formou ali no corredor. Estava molhando a casa daquele garoto, e ele não falava nada. Querendo - e precisando - sair logo dali, eu levantei minha cabeça e arregalei um pouco meus olhos. Ou aquela família estranha tinha algum poder sobrenatural de fazer as luzes amareladas baterem neles, ou a beleza deles era de filme. Assim que meus olhos bateram no rosto dele, eu vi que ele não era só uma gracinha. O garoto alto, de cabelos avermelhados, e de pele branca tinha olhos incrivelmente verdes, e um sorriso que fez minha respiração ficar presa em algum lugar do meu corpo.

Naquele momento, eu não sei o que aconteceu comigo, mas não foi uma coisa boa. Pois meu coração saiu em disparada no meu peito, e um embrulho se formou no meu estomago. Eu não estava sabendo como fazer nenhuma ação. Eu não conseguia nem respirar! Mexer os olhos parecia uma tarefa difícil. Porque eu continuava o encarando? E porque aquele sorriso tão malicioso e debochado estava me encantando? Eu queria piscar e desviar minha atenção do garoto, mas não conseguia. Eu só conseguia olhar aquele sorriso sumir e então seus lábios começarem a se mexer. O que ele estava falando?

Senti quando sua mão tocou meu ombro e me deu uma leve chacolhada. Que formigamento era aquela no lugar que ele tocava? Meu Deus, o que estava acontecendo?

– Garota, você está bem? - sua voz soou distante, e quase não entendi o que ele falava. Seus lábios se mexendo puxava toda minha concentração para ali.

– Hm? - fiz debilmente.

– Você está bem? - ele repetiu e eu balancei a cabeça, assentindo. - Tem certeza?

Ok, Bella, você tem que parar com isso. Mas como faz isso parar? Eu não estava conseguindo falar, nem nada. Eu tinha que parar de ter aquelas alucinações que rodavam na minha cabeça. Eram tantas imagens juntas daquele garoto que eu começava a me perder nela.

Outra balançada, outras palavras e um Para! gritado na minha mente. Foi assim que eu acordei daquele transe.

– Você... Pode, er... – cocei a cabeça, desviando meus olhos dele antes que entrasse novamente naquele estado estranho. – Me ajudar a sair?

– Vem. – ele pegou meu braço e me guiou para a sala.

Formigamento. Formigamento. Formigamento. Que porra era aquela?!

A garota que antes estava ali, agora não estava. Ele me levou até a porta, mas antes de sair, eu parei.

– Um minuto. – pedi.

Sabia que era muita folga minha, porque além do garoto não ter ligado para a polícia, eu ainda o fiz segurar meu celular e minha regata enquanto vestia a saia jeans. Vesti a regata preta, enrolei o cabelo molhado e peguei meu celular.

– Obrigado. – pisquei um olho e ele revirou os dele. – Ouch. – resmunguei.

Ele abriu a porta e eu sai.

– Er... Valeu... – fiz com a mão para ele falar o nome dele.

– Edward. – respondeu.

– Ah, Edward. – repeti, achando aquele nome um pouco familiar, não sei porque, afinal, era um nome um tanto... Raro e antigo. Assim como o garoto também me parecia familiar. Mesmo que a beleza também seja rara. – Então, valeu. E... Depois vemos o que você vai querer de minha santa pessoa. Agora me deixa ir lá...

– Você vai mesmo cumprir?

– Vou. Se eu não cumprir, você pode me obrigar, afinal, sabe onde eu moro.

– Mas eu não sei.

– Espera ai que você vai saber logo. – sorri. – Tchau, Edward.

Acenei e atravessei o enorme jardim verde, indo para o outro da casa ao lado. Mal cheguei à porta e ela foi aberta com força.

– Bella! – Emmett esbravejou e eu apenas revirei os olhos.

Olhei para a casa ao lado e Edward estava olhando para mim. Agora ele sabia que nós éramos vizinhos. Sim, beeeem vizinhos.

– Viu? Pode cobrar quando quiser. – falei para ele.

– Eu vou, hein. – riu.

Edward entrou na casa que eu quase me ferro, me deixando com o monstro do meu irmão. Emmett me encarava com uma sobrancelha erguida, tentando entender alguma coisa. Como sua capacidade de pensar era bem limitada, e eu não podia acabar com ela com minhas loucuras; apenas o empurrei para o lado e entrei em casa.

– Mamãe? – chamei.

– Você está ferrada. – Emmett falou, parando do meu lado.

– Cala a boca, imbecil.

Nosso amor era grande, não? Tão grande que não cabia na casa, e olha que ela era grande. Nós dois nos amávamos a ponto de ficarmos muito perto, agarrados um ao outro. A ponto de meus pés e minhas mãos estarem direto na cara dele ou em qualquer parte do corpo dele. A ponto de não conseguirmos dividir o mesmo cômodo. De nossas conversas sempre existir um “apelidinho carinhoso”. Nosso amor era imenso... Ok, ok, deu pra entender que não nos suportamos. Se eu pudesse, já tinha matado ele. E se ele pudesse, já tinha me matado.

Emmett era o tipo de cara com mente de garoto. Ele tinha dezessete anos e ainda parecia ter mente de onze. Implicar comigo, fazer brincadeirinhas sem graça, e essas coisas faziam parte do meu irmão. Ele, com seu metro e sei lá quantos de alto, adorava uma prancha com rodinha. Sim, meu irmão grandão com quilos de músculo adorava skate. Com seus cabelos castanhos claros - quase loiros, iguais aos meus - e olhos azuis que herdou da família de Renée, Emmett arrasa o coração de muitas menininhas idiotas que não o conhece direito como eu! Sendo irmãos da mesma idade...

É meio complicado de se explicar, mas o caso é que Charlie Swan, meu papai gatão e garanhão, acabou que engravidou a irmã da minha mamãe gostosa, e bem na época que engravidou mamãe. Sim, ele fez isso. Renée só veio descobrir isso dez anos depois, quando a mãe de Emmett, tia Cármen, estava no seu leito de morte por causa de câncer. Ela pediu para cuidar do meu irmão e contou o que aconteceu. Claro que isso gerou a separação dos meus pais e a vinda de Emmett para morar comigo e com mamãe. Então, somos irmãos parecidos, porque nossas mães são da mesma família. E ninguém percebe isso, que é só por parte de pai. Ela não tinha raiva de Emmett pelo que a mãe dele e meu pai fizeram, era como se ele fosse filho dela mesmo. As pessoas achavam que éramos gêmeos diferentes, por causa da idade. Burros como são, não percebiam a diferença de data de aniversário. Como eu disse, é complicado.

– Isabella – Renée falou entrando no cômodo.

Merda! Merda! Merda! Eu estava tipo assim: Muito, muito e muuuuuito ferrada. Renée quase nunca me chamava pelo meu nome inteiro. Renée também não gostava do meu nome, já que vou Vovó Swan quem escolheu, e ela e vovó se odiavam. Eu não sabia o porque, só sabia que elas não se gostavam e não se aturavam nem um pouco.

– Oi, mamãe. – sorri angelicalmente.

– Emm, querido, você pode subir pra eu conversar com sua irmã?

Ihhhh eu estou bem ferrada mesmo! Tirou o Emmett, quer dizer que a coisa é séria. Renée sempre deixava Emmett ou eu ver a bronca que ela dava no outro. Ééééé, eu não sou a única a levar bronca e meu irmão não é nenhum santo, não.

– Vou ouvir você se ferrar lá de cima. – ele sussurrou ao passar por mim.

– Vá se fuder, idiota. – sussurrei também.

Emmett subiu as escadas gargalhando da minha desgraça. Eu fiquei olhando para aquele lugar até ele sumir pelo corredor, depois me virei para Renée. Ela tinha uma expressão séria, que me fez vê a Renée advogada. Ela nunca trazia “essa expressão” para casa, porque não gostava de deixar a Renée Advogada comandar aqui. Por isso, ela sempre sorria para nós, era sempre divertida.

Eu sempre vi Renée como uma super mãe. Foi ela quem cuidou de nós, e digo que isso não é uma coisa fácil. Apesar de ainda termos Charlie, Renée gostava ser nossa mãezona e nosso paizão, nos dando tudo que precisávamos e mais um pouco. Ela lutava para dar atenção para nós e para o trabalho. Era raridade você vê Renée triste ou com raiva. Isso só acontecia quando Emmett e eu dávamos uma mancada das grandes. E parece que eu dei uma dessas mancadas.

– Er, mãe... Desculpa. – murmurei.

– Desculpa, Isabella? – ela ergueu uma sobrancelha e colocou as mãos na cintura. – Você não deveria pedir desculpas pra mim, e sim para Rick.

– Mas ele quem começou! – me defendi.

Ok, eu sei que acabei de parecer uma criança agora falando assim, mas poxa, foi mesmo a pestinha com cabeça de pirulito que começou.

– Isso não te dar o direito de tacar uma rodinha de skate na cabeça do garoto.

– E não da o direito dele me chamar de gorda. Olha para mim! Eu não sou gorda. – indiquei meu corpo.

– Por isso mesmo que você não devia ter feito aquilo. Você sabe que não é gorda e mesmo assim aceita a ofensa do garoto.

– Ah. – bufei. – Ele mereceu. O garoto é folgado demais para o meu gosto.

– Verdade! – Emmett gritou do andar de cima e eu revirei os olhos.

– Bella, você discutiu com uma criança. Deveria rever seus conceitos e pensar no papel que está fazendo. Está sendo mais infantil que ele.

Ouch, essa doeu na alma. Uma garota de dezessete anos ser considerada como uma criança vai lá no fundo. Beeeeeem no fundo. Renée pegou pesado dessa vez. Caramba, o garoto também atacou uma pedrinha em mim. O mínimo que eu podia fazer era acertar seu cabeção com minha rodinha quebrada. O caso foi que eu, tentando fazer uma manobra nova, acabei caindo e quebrando uma rodinha – ou mais uma – do meu skate. O pestinha cabeçudo do Rick viu e riu, falando que eu era péssima. Fui tirar satisfação com o cabeça de balão e ele disse que eu era gorda, além de tacar uma pedrinha na minha cara. Eu, no meu excesso de muita fúria, joguei minha rodinha quebrada no cabeção dele, quase furando seu balão. Eu admito também que ia acertar o skate nele como se fosse um taco de beisebol, mas Emmett me parou na hora. Foi por pouco que eu não fazia aquela graça.

Renée me encarava ainda muito séria, e eu sabia o que ela esperava, então tinha que dar o braço a torcer e falar o que ela queria.

– Eu sei que fui errada, mamãe. – eu disse. – Sei que pareci infantil discutindo com uma criança. Desculpa.

– E...?

– E isso não vai acontecer mais. – abaixei a cabeça.

– Ok, Bella. – ela suspirou. – E você está de castigo.

– Mãe! – choraminguei.

– Não, Bella. Não vai adiantar nada nós conversamos e pronto.

– Mãe. – chorei mais uma vez.

– Uma semana sem ir ao Skatepark – arregalei os olhos. – E não vou mudar de ideia. – continuou quando fui abrir a boca para protestar.

Não acredito! Uma semana sem andar de skate. Uma semana! Renée queria me matar de abstinência skatista. Ok, ok, isso não existe. Mas a partir de agora vai existir, porque eu vou morrer disso!

– Não vale. – reclamei.

– Agora vamos para outro assunto. – me ignorou completamente.

Renée pegou minha mão e me puxou para o sofá, sem se importar que minha roupa estivesse úmida. Nós sentamos uma de frente para a outra.

– Mãe, eu sei que vai falar sobre papai. – comecei. – Olha, foi mancada eu não ter aparecido lá no sábado passado, mas é que eu não queria passaraquelesábado assistindo jogo.

– Bella, seu pai gosta que você apareça lá. E fazia um bom tempo que você não ia.

– Eu sei. – suspirei.

– Filha, você não quer mais ir à casa de seu pai? É isso?

– Não! Nada disso. Você sabe que eu adoro o papai e seus salgadinhos. Mas tem sábado que não dá pra eu ir. – sorri triste. – Mamãe, nesse próximo sábado, eu vou, ok?

– Ok, mocinha. – ela sorriu e me deu um beijo na testa. – Mas porque não foi hoje?

– Ahh, estava relaxando.

– Hm... – me olhou desconfiada. – Aonde? E porque mesmo está molhada?

– Er... Hum... – olhei para os lados.

Renée não podia saber que eu estava nadando na piscina da vizinha, ou então me mataria. Na minha casa também tem piscina – não tão grande quanto aquela, mas tem. Só que Renée me proibiu de nadar nela por um mês porque eu tinha feito umas coisinhas na casa da Tia Abigail. Eu estava de castigo e não podia chegar perto de uma piscina ou qualquer lugar que desse para eu bater os braços e as pernas. Então, por isso, que fazia quase uma semana que eu nadava na piscina da vizinha.

– Eu fui à casa de uma amiga e a infeliz ligou os irrigadores, me dando um banho. – abri os braços mostrando meu estado deplorável.

– E você foi lá sem nada nós pés? – ergueu uma sobrancelha.

– Er... Não. – murmurei.

Merda, eu tinha esquecido meu Vans na casa da nova vizinha. Oh meu deus. Meu queridinho Vans preto ficou lá, sozinho, sem sua dona. Meu Vans companheiro e surrado.

– Ok, garota. – ela levantou num pulo. – Não precisa explicar isso... Agora.

– Ok. – assenti.

– Vá para o seu quarto e tome um banho.

– Estou indo.

Subi as escadas correndo e pensava que no impulso entraria no meu quarto correndo, mas fui barrada por um saco de músculos conhecido, infelizmente, por meu irmão.

– Então foram os irrigadores, hm? – me olhou desconfiado.

– Foram. – assenti divagar. – Se você falar para ela, eu te mato.

– Como se eu tivesse medo. – revirou os olhos.

– Emmett, a ameaça é bem séria. Abra essa sua boca grande, que eu juro que corto sua língua e jogo seu corpo do píer. – o empurrei pro lado. – Só fale alguma coisa pra você vê...

Deixei o babaca lá, me encarando de olhos arregalados, e entrei no meu santuário. Meu doce quarto.

Tranquei a minha porta para o caso de meu querido irmão querer vir falar alguma besteira. Tirei a regata meio molhada e joguei no chão, ao mesmo tempo em que me dirigia para meu banheiro. Tirei também a saia e joguei para algum lado. Ao entrar no banheiro, eu evitei olhar meu reflexo, por que com certeza eu não deveria está nada bonitinha. Liguei o chuveiro no frio e entrei debaixo.

Ao terminar, me enrolei numa toalha e voltei para o quarto, secando meu cabelo com outra toalha. Fui para o closet pegar uma roupa.

– Deveria arrumar mais esse chiqueiro!

O grito que saiu de mim foi tão alto e fino que não duvido que tenha quebrado alguma janela ou matado algum passarinho. Coloquei a mão no peito – segurando a toalha que estava no corpo, já que eu secava o cabelo foi para algum lugar quando me assustei. Minha respiração estava presa em algum lugar do meu pulmão e meu coração parecia querer sair pela boca.

Encarei a vadia loira que estava deitada na maior vida boa em minha cama. Com as mãos atrás da cabeçona dela, ela me encarava com um sorrisinho irritante e uma sobrancelha erguida.

– Co-como... Como você entrou? – perguntei.

– Ué, pela porta. – deu de ombros e fez cara de óbvio.

– Mas... – olhei para a porta, aturdida. – Mas eu a tranquei!

– Trancou? – a maldita levantou e foi até a porta, pegando a maçaneta e girando. – Verdade, você trancou ela. – sorriu e voltou para a minha cama.

– Merda! – esbravejei. – Você tem que parar de entrar pela minha janela.

– Ah, Bella, relaxa. – revirou os olhos. – Um dia eu paro.

– Um dia... Um dia... – resmunguei comigo mesma. – E tira esse tênis sujo de cima da minha cama.

– Qual vai ser a diferença? Olha para isso! – apontou para o meu quarto inteiro. – Está uma bagunça isso aqui.

– Como se aquilo que você chama de casa fosse arrumada. – dei as costas para ela e entrei no closet. – E tira os pés de cima da minha cama!

– Tanto faz, Bella! – ela gargalhou.

– E não pula na cama! – berrei.

Eu não precisava olhar para saber que ela estava fazendo aquilo. Aquela vadia loira tinha essa mania ridícula de nunca fazer o que eu mandava, e ainda piora o que eu pedia para parar. Isso só para me irritar.

– Deixa de ser chata, Bella. – resmungou. – Mas agora é sério – começou, quando sai do closet, já vestida com um short jeans e uma camiseta. – você precisa arrumar isso daqui. Tem tinta até no teto.

– Dane-se a tinta.

– Você deve pintar no estúdio, não aqui.

– Eu pinto aonde eu quiser. – falei. – Rosalie, para de encher, vai. O quarto do Emmett é do outro lado do corredor, então vai “brincar” com ele.

– Ugh! – ela tremeu e botou a língua pra fora. – Eu nunca entraria no quarto do Emmett.

Revirei os olhos para a sua cara de nojo. É, o quarto do meu irmão não era um bom lugar para entrar. Acho que nem Renée gostava de entrar lá, imagina as outras pessoas. Fazia mais de um ano que eu não entrava lá e não quero entrar nem tão cedo. Tudo bem que o meu quarto não podia ser chamado de arrumado, com roupa espalhada pelos lados – até em cima do notebook -, tênis pelo chão, pincel, tinta, e outras coisas. Minha cama não era arrumada fazia uma semana, e eu não me importava nem um pouco com aquilo.

Meu quarto por ser meu santuário, era a minha cara. A parede, que Renée mandou pintar de rosa, estava lotada com pôsteres de banda com Linkin Park, Sum 41, Green Day, ACDC, The Ramones, e da Karen Jonz – uma brasileira muito fera do skate. E do Tony Hawk. Eu era fãzona do cara, e se visse ele na minha frente, com toda certeza, iria me ajoelhar por ele ser um deus na prancha de rodinhas. Na parede da porta ficava a escrivaninha com meu notebook cheio de adesivos. Na outra parede estava minha cama, que no teto em cima tinha outro pôster do Sum 41 e um desenho que eu tinha desenhado de Rosalie, Emmett e eu. Tinha um banheiro e um closet também. E o que mais deixava tudo perfeito era uma janela que ia do teto ao chão que abria para uma varanda e o teto do andar de baixo.

Rosalie me encarava com sua cara de anjo. Ok, ok, isso é uma mentira deslavada que eu admitia. Sua cara era angelical, mas é só a cara mesmo, porque ela... Humpf. Ela com toda certeza iria fazer uma visitinha pro capeta quando morresse. Quem a visse acharia que ela fazia parte do time das lideres de torcida e que chorava quando quebrava uma unha. Mas Rosalie era totalmente o oposto disso. Ela o-di-a-va lideres de torcida e a-do-ra-va quebrar uma unha... Delas, é claro. A garota de cabelos castanhos claros - quase dourados - e de corpo escultural curtia mais uma calça jeans surrada, um Nike, uma camiseta do The Ramones, uma prancha com rodinhas e um iPod com músicas do Linkin Park.

– Tanto faz. – caminhei até a janela e abri as cortinas. – Agora fala o que quer, vadia.

– Você tem que parar de me chamar assim. – ela me deu um soquinho no braço. – Vim aqui saber por que não apareceu hoje Pioneer Skatepark?

– Porque eu não posso.

– Porque você não pode, Bella? – Rouss tirou o tênis da Nike e sentou na minha cama, cruzando as pernas em forma de índio.

– Como se você não soubesse. – revirei os olhos. – Por causa do Rick.

– O cabeça de balão?!

– Esse mesmo. – bufei.

– Não acredito que tia Renée te proibiu de ir no Pioneer por causa daquele cabeção.

– Ela não gostou nem um pouco de eu ter acertado a cabeça dele com uma rodinha de skate. – sentei ao lado da Rosalie. – Agora eu vou ficar uma semana sem aparecer por lá.

– O que?! – arregalou os olhos.

– Isso mesmo. – suspirei. – Estou um mês sem piscina e uma semana sem ir ao Pioneer.

– Que crueldade. – balançou a cabeça em descrença. – Tia Renée está sendo injusta com você. O cabeça de balão mereceu aquela rodinha.

– Eu sei que ele mereceu! Mas mamãe não aceitou isso.

– Meus pêsames, Bella. – Rosalie me abraçou de lado. – Que tal congelarmos você por uma semana? Assim você não vê o tempo passar e não sofre sem seu skate.

– Se liga, Rose! – a empurrei. – Cada ideia idiota que você tem.

– Caramba, só estava tentando ajudar. – ela fez bico. – Que tal nos acalmar?

Essa ideia é boa.

Nós saímos para a varanda e passamos para o teto do andar de baixo – caso Renée viesse para o meu quarto e o abrisse com a chave reserva que ela tem -, ficando bem escondidas. Rosalie tirou uma cartela de cigarros do bolso da calça, acendeu um e me entregou. Coloquei o maço na boca e puxei o ar, sentindo a nicotina. Rose acendeu outro para ela, fumou e virou para mim.

– Hm, e como você está fazendo com o lance da piscina? Nadando na banheira? – ela riu de sua piadinha sem graça.

– Não. Tenho meus truques. – franzi as sobrancelhas ao tragar o cigarro. – Ou tinha, já que agora ele não vai dar mais certo.

– Por quê?

– Ta vendo aquela piscina ali? – apontei para o quintal vizinho.

– A piscina que parece aquela olímpica? É, eu estou.

– Eu ia lá e nadava.

– Claro, bem pensado. – ela riu. – A casa está vazia.

– Errado, gata. Muito errado. Ela estava vazia.

– Como assim?

– Ganhei vizinhos novos. – revirei os olhos. – E fui pega nadando lá.

– É o que? – a loira gargalhou alto, me fazendo revirar os olhos. – Você foi pega dando umas batidinhas de braço? Ah meu deus, queria ter visto.

– É, você devia ter visto. – ri ao lembrar. – Eu tive que me esconder embaixo da pia para a nova dona não me vê. Comecei a ficar louca a ponto de desejar que a mulher fosse minha mãe. Andei de quatro pela casa e fui pega quase seminua pelo garoto garoto lindo que tinha lá. É, cara amiga vadia, você deveria ter visto.

Nós duas gargalhamos. Eu olhei novamente para a casa ao lado, me fazendo a mesma pergunta de um mês atrás. O porquê da piscina olímpica? Sim, eu estava em uma piscina olímpica. Quando eram os antigos donos que moravam ali, a piscina era como a de casa, normal. Um pouco maior do que a nossa, mas ainda era normal. Depois que eles foram embora, passou acho que um mês e então reformaram a piscina, deixando-a um pouco maior e fazendo-a parecer uma olímpica, com aquelas divisórias e tudo. Até cogitei a hipótese de César Cielo estar vindo ser meu vizinho e assim nós podermos nadar juntinhos – se é que me entende. Mas como era paranoia minha, e eu tinha muita assim, deixei de lado.

Agora eu me perguntava por que será que os novos vizinhos tinham uma piscina olímpica? Será que alguns deles faziam natação. Duh, mas é claro. Ou então porque teriam uma piscina dessas. Era muita burrice minha. Devo estar passando tempo demais com Rosalie.

– Então quer dizer que o garoto é lindo? – ela me cutucou com o ombro.

– Muito, muito lindo. – sorri comigo mesma. – Estou devendo um favor para ele.

– Sexual? – me encarou maliciosa.

– Não sei. Não dei tempo para ele falar. Mas se for... Não vou me importar. – dei de ombros e Rosalie riu.

– Como assim não deu tempo para ele falar?

– Renée queria falar comigo. – bufei. – Então tive que sair “correndo”, não dando tempo de o garoto dizer o que iria querer de mim.

– Nossa, gata, que chato. – ela fez careta. – Mas ele é tipo assim, muito, muito gatinho?

– Não, ele é do tipo: Acrescente mais cinco mil muitos e olhe lá se isso o descreve.

– Oh meu deus! – ela arregalou os olhos e sorriu maliciosa. – Preciso conhecer esse gato.

– Claro, claro. – revirei os olhos e cutuquei-a com o cotovelo.

– O que? Você quer o cara pra você? – arregalou os olhos.

– Hm... Pela minha lógica, se eu responder sim, eu vou está indo pelo caminho que esse garoto lindo com toda certeza irá me fazer sofrer de varias formas diferentes, como ciúmes, traição, discussões sem lógica...

– Isso parece muito gostoso. – ela lambeu os lábios.

– Uma delicia. – suspirei.

– Hoje a noite está uma delicia. – ela olhou para o céu. – Que tal uma fugida?

– Hm... Sei não... Essa proposta é tentadora demais para mim e eu sou uma filha responsá... Aceito! – pulei no teto.

– Bella. – Emmett bateu na porta. – O jantar está pronto.

– Ok, eu, er... Já vou descer. – falei só com a cabeça para dentro do quarto.

– Ta.

Ouvi seus passos se distanciando até sumirem, então me voltei para Rosalie, que encarava o nada ao dar uma ultima tragada no seu cigarro e jogá-lo para o lado.

– Hey! – chamei-a, que se virou para mim. – Eu vou ter que jantar e dar uma desculpa esfarrapada pra Renée, primeiro. – revirei os olhos. – E então? Quer vir?

– Nãaa. – balançou a mão em descaso. – Vai lá.

– Ok.

Eu entrei no quarto, coloquei um chinelo e desci para a cozinha, para encenar o que sempre encenava e assim fugir de casa para aproveitar a noite.

Notas finais do capítulo
E ai está, o primeiro capitulo de Aquela Garota. E então, o que vocês acharam dessa Bella? Eu espero que tenham gostado *------* Comentem, recomendem, critiquem, façam qualquer coisa, kkkk. Estou postando rápido porque estava ansiosa, aiwn! Obrigada a todas que comentaram no prólogo. SEJAM BEM VINDAS AS LEITORAS NOVAS *----------* É isso, tenho que correr porque aqui vai cair uma chuva das piores, e minha mãe é traumatizada com coisas eletrônicas e relâmpagos, então... Beijos




(Cap. 3) Deu Merd*!

2. Deu Merd*!

Ao descer as escadas correndo, eu virei para a cozinha e me deparei com uma cena um tanto quanto cômica, onde Emmett e Renée estavam, er... Se divertindo. Como? Ele estava sentado no banco do balcão e ela perto do fogão, com a mão cheia de balas – que vieram do potinho que tinha ali -, e jogando para ele pegar com a boca. Eu encostei-me à quina da porta, encarando a cena boba na minha frente. Isso era tão normal ali que eu nem me impressionava mais. Ela pegou mais uma e jogou, mas ele não conseguiu pegar. Os dois gargalharam alto.

– Isso é lindo de se vê, sabia? – perguntei, assustando os dois.

– Vai ser mais bonito se você participar. – Renée retrucou, jogando mais uma bala para o Emmett, que dessa vez pegou.

– Hoje não. Obrigada. – suspirei.

– Muito bem, grandão. Chega de balas por hoje. – Renée colocou as balas de volta no pote e se virou para mim.

– Parece que você está falando com uma criança. – brinquei e só ela riu. O Emmett bufou.

Segui para a mesa, onde o Emmett já estava sentado. Algo muito estranho era ele estar quieto e não ter soltado nenhuma respostinha sem graça para as minhas brincadeiras mais sem graça ainda. Aquilo era uma coisa muito, muito estranha mesmo, mas relevei, afinal, tudo era mais importante do que meu irmão sendo esquisito. Uma coisa que ele era até respirando. Sério, fazia um barulho estranho... Não era um ronco, nem nada do tipo, ele só fazia isso mesmo quando estava dormindo.

– Rosalie não vai descer? – Renée perguntou enquanto colocava a salada na mesa.

– Mas...? – encarei-a de olhos arregalados. – Como você sabe que ela está lá em cima?

– Pelo seu grito. – ela deu de ombros. – Só ela para te assustar.

– Não é verdade. Eu me assusto com baratas também.

– Sim, mas se fosse uma barata, você teria saído correndo do quarto.

Deu para perceber que Renée me conhecia muito bem. Até demais, para falar a verdade. Então será que isso podia não ser legal quando eu aprontasse? Quero dizer, se ela me conhecia a ponto de saber pelo meu grito que era Rosalie quem estava lá em cima, ela não poderia saber que eu menti sobre estar na casa de uma amiga? Isso só podia significar que eu deveria tomar cuidado com Renée Swan, ou então ela iria me levar para o meu fim me colocando de castigo por não respeitar os seus castigos já impostos. Isso era uma maravilha das maravilhas!

– Não. Ela não quis vir. – respondi sua pergunta anterior.

– Uma pena. – Renée suspirou. – Gosto de Rosalie, apesar de ela não ser uma boa influencia.

– Mãe... – encarei-a com tédio. – Eu também não sou uma boa influencia.

– Eu sei, querida. – ela se esticou na cadeira e me deu um beijo na testa.

Eu olhei para o Emmett, que mastigava o que tinha na boca e nos encarava. Por mais insano e idiota que possa parecer – e é o que parece – eu esperava algum comentário nonsense ou quem sabe uma risadinha. Mas não. Nãoooo. Ele não fez nada, apenas assentir e sorrir. Certo! Algo estava acontecendo de muuuuuuito estranho com meu irmão. Talvez, ele tenha sido abduzido por ETs, afinal, a maioria dos ETs vem parar aqui na Califórnia ou em Texas, que não estava tão longe. Não! Porque duas horas atrás ele estava idiota como sempre. Foi muito rápido, se aconteceu. Ou talvez Emmett esteja planejando alguma coisa...

Eu chutei de leve a canela dele, pra vê se ele me olhava.

– Ow! – exclamou, abaixando para ver a o lugar que eu tinha machucado.

Ok, não foi tão de leve assim. Mas foi, er... Sem querer. ESTÁ BOM! Não foi sem querer merda nenhuma. Eu fiz porque ele mereceu.

– O que foi, querido? – Renée perguntou, mas sem se importar realmente.

– Er... – ele me encarou e eu mexi o nariz, em um código nosso e então apenas deu de ombros.

Só para deixar explicado aqui, essa porcaria de “código” não fui eu quem inventei. Mesmo sem eu falar, já da pra imaginar de quem foi à ideia, hum? Claro que dele. Emmett quem deu a ideia para nós nos comunicarmos em códigos quando não podemos dizer em voz alta porque Renée está perto. Eu não tinha nenhuma imaginação para criar algum código secreto, então, deixei esse árduo trabalho para o meu querido irmão. Mas isso não foi nem um pouco legal. Não! Foi idiotamente horrível. Os códigos eram tão sem graça quanto ele. Tinha três deles: 1)Mexidinha no nariz significava “Assunto sério, então, CALA A BOCA, IMBECIL”. Sempre usávamos esse para quando Renée percebia alguma coisa. 2) Pontinha da língua pra fora significava “Cara, saidinha hoje a noite, minta que vai dormir cedo”. E 3) Piscar duas vezes significava“Me da cobertura que eu te pago depois, mano”.

Eu sei. Eu sei. Muito idiotas os códigos, você pode rir se quiser, eu não ligo. Tive muito tempo pra me acostumar com essa merda, então, não me importo mais. Eu até tentei fazê-lo trocar, mas Emmett disse que seriam aqueles e ponto final. Não adiantou nem eu ameaçar. Então, ficou por isso mesmo e eu tenho que fazer esses códigozinhos idiotas para a felicidade do Emmett.

Meu irmão me encarava, esperando a mensagem importante. Então, eu fiz o código 2, colocando a pontinha da língua para fora.

– Bella, não provoque o seu irmão. – Renée me repreendeu, mesmo que não precisasse.

Emmett assentiu, entendendo já o que tinha hoje à noite. Nós terminamos o jantar numa conversa amena – a conversa vinha só de Renée e de mim, já que Emmett não falava nem uma palavra. Eu continuava a estranhar esse ato esquisito, mas não comentei nada. Não até a hora que Renée e eu fomos lavar a louça. Ela lavava e eu secava, numa cena perfeita de filme. Ok, não tão perfeita, já que era eu estava ali. Eu não parecia essas garotinhas de filme. Desculpe, genética errada.

– Mamãe, o que o Emmett tem? – perguntei, quando ela terminou de contar seu dia de trabalho.

– Ah, filha. – suspirou. – Ele decidiu seguir o exemplo daquele seu amigo, o... O... Aquele seu amigo estranho.

– O Alec. – revirei os olhos.

Renée tinha a engraçada mania de esquecer o nome dos Emmett e dos meus amigos. Eu não sei porque, afinal, ela nem era velha! Eu não ficava impressionada só com isso, porque ela também esquecia meu nome, sendo que eu era filha dela. Sempre me chamava de Mary ou Amanda porque era o nome que queria para mim. Poxa, se odiava tanto Isabella discutia mais um pouco com a minha avó, agora esquecer meu nome é sacanagem.

– Esse mesmo. – ela riu. – Então, Emmett está o copiando e ficando uns dois dias sem falar.

– Quer dizer que o Emmett não vai falar até segunda-feira? – perguntei super feliz, e Renée riu. – Foi tudo que eu pedi a deus. Dois dias sem ouvir a voz do meu irmão.

– Quanto amor... – Renée cantarolou, se divertindo.

Ela me entregou um prato.

– Mas porque esta decisão vinda dele?

– Não sei... – ela me encarou confusa, como se não tivesse pensado nessa pergunta tão óbvia.

– Ah. – revirei os olhos. – Só espero que não seja pelo mesmo motivo que o Alec.

– E qual é o motivo dele? - perguntou.

– Foi por causa de uma garota, que terminou com ele. - ela abriu a boca para dizer que aquilo era bobagem, mas eu a cortei. - Alec a amava de verdade, pelo menos era isso que ele dizia, e um dia ela chegou nele, disse que queria terminar por que não estava dando mais certo. Falou que ele era chato, falava demais e que as vezes era insuportável aturá-lo. Essa garota acabou com Alec, e ele prometeu que não falaria mais, até quando eu já não sei.

Meu amigo odiava tocar nesse assunto, e eu concordava com ele. Não tinha nada ruim como a pessoa que você gosta e diz gostar de você, vir e falar essas palavras cruéis. Só eu sabia o ódio que eu tinha da garota. Ela não me descia!

– Caramba, que garota malvada. Não quero isso para o meu Emm.

– Pois é. - dei de ombros. - Mas eu acho que não, apesar que uma garota poderia dizer que ele é um panaca, imbecil, criança, idiota, burro...

– Bella! - Renée me deu um leve tapa no ombro, rindo. - Para de dizer essas coisas do seu irmão.

– Mas o que eu posso fazer se é verdade? - ergui a sobrancelha.

– Ok, ok. - ela revirou os olhos.

Nós terminamos ali e fomos para a sala. Fiquei assistindo TV por uns cinco minutos, até fingir que estava dormindo sentada. Renée me mandou ir dormir, e eu subi as escadas lentamente - fazendo ceninha para o meu teatro -, e assim que entrei no quarto, pulei, joguei as mãos para cima e fiz a minha dancinha da vitória - não do Emmett que gosta de pagar um pau para mim.

– Da pra parar com a palhaçada? - Rouss apareceu na janela.

– Ok, parei. - levantei as duas mãos em defesa. - Emmett também vai. - fui ate minha cama e me joguei lá. Rosalie imitou meu gesto. - Agora é só esperar Renée passar pelo corredor, dar uma hora para ela dormir e pronto.

– Yeah. - ela assentiu. - Já estamos até acostumada, não é?

– Com certeza. - eu ri. - Vamos para onde hoje?

– Ah, no parque. O pessoal do Pioneer vão fazer nada lá, só conversar.

– Legal. Preciso mesmo ir lá.

Ficamos conversando bobagens por um tempo até a sala ficar em total silencio e minutos depois os passos de Renée no corredor.

– E então, já é... - olhei no visor do meu celular. - meia-noite. Vamos... Vadiar?

– Demorou. - Rosalie pulou cama e seguiu para a janela.

Mandei uma mensagem para o Emmett avisando que estava saindo e segui a loira, que já estava em cima do teto do andar debaixo. Ela se esticou até tocar na árvore e com habilidade passou para lá. Eu fiz a mesma coisa, só que desajeitadamente - ela estava mais acostumada a isso -, só que parei quando uma luz acesa da casa ao lado chamou minha atenção. Quando vi, eu senti minha respiração ficar presa no meio do caminho e meu equilíbrio ir pelos ares. Minha perna atravessou um galho, por falta de reflexo minha mão passou atrasada na hora de pegar outro e isso tudo resultou com a minha cara no chão. Literalmente.

– Ai. - murmurei, bufando e cuspindo um pouco de grama.

– Tem algo quebrado? - Rosalie perguntou ao se aproximar.

– Acho que não.

– Então levanta logo! - e sem nenhuma delicadeza, ela me levantou.

– Ai. - resmunguei mais uma vez, mas então, eu me lembrei da cena que vi e não pude evitar um suspiro.

– Tem certeza que não quebrou nada? - Rosalie perguntando, me olhando de cima a baixo.

– Sim. - assenti. - Rosalie, eu acho que vi as costas de um deus.

– O que?

Eu olhei novamente para a janela, só que para o meu total desagrado e minha grande tristeza, a luz estava apagada. Mas ao lembrar a cena, eu soltei outro suspiro, porque Caramba!, que costas mais... Gostosas eram aquelas. Até parecia as costas de Cesar Cielo de tão lindas que eram. E eu estava tão perto que deu para ver de relance algumas pintinha espalhadas por aquelas costas. Ah meu Deus, que costas... Que pintinhas... Que músculos...

– Rose, costas lindas... - murmurei.

– Ah não - ela pegou minha mão e começou a me puxar na direção da frente da casa. Eu apenas a seguia, ainda atônita. - nem começa com essa sua obsessão por costas.

– Mas era tão linda... - sussurrei..

Rosalie bufou e continuou a me puxar até a frente da casa, aonde Emmett e Alec já estavam. Os dois estavam fumando, e nem Emmett falava algo. Me perguntei até quando ele iria com aquilo, porque ele nunca aguentaria dois dias de puro silêncio. Assim que nos aproximamos, Rosalie tomou o cigarro do meu irmão e fumou. Emm abriu a boca pra reclamar, mas ela arregalou os olhos e ele apenas deixou de lado, acendendo outro. Nós começamos a seguir na direção do parque, eu ao lado do Alec, que dividia o cigarro comigo. Rosalie e Emmett iam na frente, entre brincadeiras, como sempre. E eu e Alec íamos mais atrás, afastados.

– Sabe o que aconteceu com Emmett? - perguntei para ele, que negou com a cabeça. - Eu sei que ele é estranho, mas está pior. - Alec riu. - É sério.

– Acredito. - falou.

Eu já estava acostumada com as frases monossilábicas dele. Alec não era mudo de fato, só bem mais silencioso que antes.

– Que bom. - sorri. - Ele decidiu não falar mais, igual a você. Repara ali que Rosalie fala sozinha - apontei para os dois á frente, e apenas Rose falava. - e eu queria saber o motivo.

Alec deu de ombros, indicando que não sabia mesmo. Eu suspirei em derrota e puxei Alec para correr e acompanhar os dois. Assim que chegamos ao Pioneer, Emmett seguiu para o lado do pessoa que estava tocando violão, enquanto eu fui para a tigela, aonde tinha uns meninos andando de skate.

Tijela não era exatamente uma tigela, era apenas um buraco de concreto no chão com o formato de uma tigela. E por causa disso, apelidamos aquela parte assim. Só que com o J, ao invés de G.

– E olha quem chegou! - Paul falou, jogando os braços pra cima.

– Com toda certeza a rainha da beleza. - falei, ao me aproximar dele.

Paul e eu trocamos um toque e então ele estendeu para mim o skate. Eu sem nem pensar peguei e fui para a tigela, aonde Quil estava fazendo manobras. Fiz algumas, adorando estar ali, e melhor ainda, escondida da minha mãe. Se ela descobrisse... Era melhor nem pensar no que ela faria. Mas com certeza não seria uma coisa boa.

Quando cansei, eu sai da tigela e entreguei o skate para o Paul, depois segui para onde Rouss, Alec e Emmett estavam. Eu me sentei na rodinha e fiquei ouvindo Seth tocar violão e cantar uma música conhecida. Ficamos daquele jeito até ouvir algo que fez a minha vida inteira passar diante dos meus olhos, um frio correr pela minha espinha e os pelos da minha nuca se arrepiarem. Emmett ao meu lado congelou no lugar. E todos que estavam ali na roda, ou pelo menos do outro lado do continente, ouviram e nos encararam.

– ISABELLAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! EMMEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEETT!

– Fodeu. - murmurei, fechando os olhos e fazendo uma reza braba para poder continuar viva.


(…)


– Eu ainda não acredito que vocês dois saíram de casa, a essa hora, e escondidos de mim! - Renée falava, falava e falava, andando de um lado para o outro sem parar. Acho que até vi uma inclinação no assoalho de tanto ela fazer o mesmo caminho. Pobre do chão da sala, e das paredes, que também tinham que ouvi-la. - O que eu fiz para vocês serem tão... Tão... - ela parou e nos encarou. - Tão vocês!

– O que ela quis dizer com isso? - eu perguntei para Emmett, que negou rápido com a cabeça, sem desgrudar os olhos de Renée, que praticamente nos fuzilava.

– Eu estou decepcionada com vocês dois. Eu os crio tão bem, dou tudo que vocês precisam, não pego no pé de vocês, os deixo sair quando me pedem... - abri a boca para protestar, mas ela levantou o dedo, então eu fechei minha boca novamente. - E o que eu ganho em troca? Dois fugitivos!

– Mas nós não fugimos. - Emmett falou e recebeu um olhar gélido que até o fez se encolher no sofá.

Ah, agora ele fala!, pensei ironicamente. O segredo daquilo tudo era ficar em completo silêncio e ouvir, até Renée cansar e nos mandar para nossos quartos. Sempre foi assim. Mas Emmett decidiu quebrar o código de silêncio dele e falar, deixando Renée ainda mais nervosa. Se é que isso podia acontecer. A mulher estava furiosa!

Renée jogou a cabeça para trás, fechou os olhos e deu um longo suspiro. Eu fiquei olhando para ela, esperando alguma outra reação ou palavras que pesaria na minha consciência, mas não veio nada. Ela só ficou ali, parada.

Bem... Depois daquele grito super alto, Renée apareceu na entrada do parque, e com um olhar assassino que fez Emmett começar a correr na direção contrária da dela. Eu levantei rápido e segui na mesma direção que ele, só que Rosalie me segurou pela camiseta e falou que se eu corresse, seria muito pior. Então, com toda a coragem que tinha no meu lindo corpinho e na minha alma santa, eu respirei fundo e fui até Renée. Claro que tinha o medo de ela me fazer passar vergonha talvez me dando um tapa na bunda ou um puxão de orelha - como ela adorava fazer -, mas ela apenas apontou para a rua, indicando sem palavras que era para eu ir embora. E óbvio que eu fui.

Eu achei que Renée iria atrás do Emmett, só que não, ela veio do meu lado, ainda em silêncio. Eu tentei pedir desculpas, mas Renée estava de uma forma estranha, por que ela nunca agia assim quando um de nós aprontávamos.

– Mãe, olha... - comecei, só que ela me fuzilou com os olhos. Eu suspirei e tentei de novo. - Não foi por mal, eu juro. Nós só queríamos... Sair um pouco.

– Em casa, Isabella.

Depois dela falar meu nome inteiro, eu fiquei quieta. A coisa estava feia para o meu lado, eu tinha dado mancadas demais com Renée em pouco tempo, e naquele mesmo dia, mais cedo, nós tínhamos conversado sobre eu aprontar, e agora tinha feito isso com ela. Eu era uma péssima filha mesmo, deveria levar uns... Não, eu era ótima! Só não era compreendida como deveria...

Quando chegamos em casa, Emmett estava em seu quarto, deitado e fingindo que dormia. Mas é claro que isso não pegou com Renée, ela puxou os cobertores dele, o fazendo cair no chão. Eu apenas assistia a cena, querendo rir, só que não podia, para as coisas não complicarem mais ainda para mim. Ela deu um crock na cabeça dele e mandou nós dois descermos para a sala, que ela queria ter uma loooooooooonga conversa. E nós fomos, sem nem falar uma palavra.

E agora, estávamos ouvindo Renée falar, falar e falar sem parar. Palavras que nos faziam ficar piores do que já estávamos. Ela estava jogando sujo, fazendo chantagem emocional, e nós estávamos caindo.

– Eu realmente não sei mais o que fazer com vocês dois. - ela falou finalmente, nos encarando. Seus olhos estavam tristes, o que piorou tudo. - Eu já coloquei castigos, tirei a piscina, o skate da Bella e do Emmett o videogame, mas não adianta, vocês não entendem! Qual é, filhos, o que custa se comportar? Vocês já são maiores que dezesseis anos, tem que crescer de cabeça também. Estão mais parecendo as crianças que bagunceiras foram do que atuais adolescentes. - ela soltou outro suspiro e sentou na mesinha que tinha na sala. Ficou nos encarando por alguns minutos. - Estou esperando.

– O que? - o anta perguntou.

– Uma desculpa qualquer que vocês vão dar.

– Ahhh. - ele fez. - Então podemos mesmo?

– Não é o que vocês queriam fazer quando os encontrei? Então, vamos lá, me mostre a criatividade de vocês.

Eu e Emmett nos encaramos e então começamos a falar ao mesmo tempo, inventando mil e uma desculpas que pudesse amenizar aquela raiva e tristeza de Renée. Eu não sabia como ela entendia o que falávamos ao mesmo tempo, por que nem eu mesma entendia. Eram tantas coisas como sonambulismo, ligação urgente e até abdução de ETs. Renée apenas assentia com a cabeça, concordando. Ela até fingia uma falsa surpresa como: "É mesmo?" ou "Jura?!", que eu tive que parar de falar para poder rir.

– E então, quando você apareceu, eu acordei e com o susto, corri. - Emmett finalizou a sua história, que tinha até Power Ranger vermelho. - Bem, foi isso mesmo, mãe.

Ela balançou a cabeça lentamente, alternando o olhar entre nós dois. Por fim, ela soltou um ar pesado, levantou e foi até o telefone.

– O que você vai fazer? - perguntei, desconfiada.

– Vou ligar para o Charlie e saber o que ele acha sobre tudo isso. - deu de ombros, como se aquilo fosse pouco caso. - E finalmente vamos decidir juntos o que irá acontecer com vocês dois.

– Como assim? - Emmett quem perguntou.

– Ah, você sabe, vamos decidir se mandamos vocês para um internato na Inglaterra, ou matamos logo e enterramos sem ninguém saber. Nada demais. - novamente ela deu de ombros.

Arregalei os olhos para o que ela disse, sabendo que era apenas brincadeira, mas que ela iria ligar sim para resolver o que faria com nós dois. E eu sabia também que não era nada bom, e que dessa vez, assim como nós pegamos pesado, eles também pegariam. Eu e Emmett estávamos ferrados da pior forma possível, e sem nenhuma escapatória, por que quando Charlie e Renée se juntavam para dar um castigo, nunca era bom.

– Bella, estou com medo. - Emmett sussurrou no meu ouvido e eu assenti. - Será que se eu fazer um trato com a mamãe ela diminui o meu castigo?

– Não sei, nessas horas nós tentamos qualquer coisa. - murmurei. - Que trato você vai fazer?

– Mãe, eu tenho uma coisa a propor para a senhora. - Emmett levantou e foi até ela, pegando o telefone de sua mão e colocando no gancho novamente.

Renée o olhou desconfiada, mas não reclamou do que ele fez.

– Que proposta?

– É, Emmett, que proposta? - perguntei, também desconfiada.

Por que ali era o meu irmão, e bem... Tudo que vinha dele não prestava.

– Eu quero propor para a senhora uma coisa simples e que vai ajudar lhe ajudar muito. - ele sorriu para mim. Um sorriso maldoso e que fez eu ficar ainda mais em alerta. - A minha proposta é que a senhora diminua meu castigo em troca de...

– De... - eu o incentivei a continuar.

– Eu contar umas coisinhas da Bella que a senhora adoraria saber.

Eu arregalei os olhos e meu queixo caiu, não acreditando que ele seria assim tão baixo só para diminuir o castigo. Renée olhou rápido para mim, seus olhos em fendas, como se ela já pudesse imaginar o que viria dali para frente.

– É sério? - ela voltou a olhar para ele. - Então começa a contar que eu vou pensar no seu caso, dependendo do que seja.

Emmett deu uma piscadela de olho para mim e então abriu a boca grande:

– Ah, então... Sabe a festa na tia Abigail? Bella não atacou bolo sem querer no namorado da nossa prima. Foi de propósito mesmo, e ela mesma me contou que ia fazer aquilo,

– É mentira! - eu menti, pulando o sofá e indo até ele. Para Renée, tinha sido sem querer - mesmo que ela tenha me dado um castigo - e ela teria que continuar achando isso. Eu não tinha culpa se minha prima era uma insuportável com um namorado pior ainda. - Isso é mentira dele, mãe! Seu mentiroso - me virei para ele, apontando.

Emmett me lançou um olhar superior que fez meu sangue ferver. Eu queria poder avançar nele e arrancar aqueles cabelos loiros que ele achava que era bonito. Queria arrancar os olhos também, assim como o dente, e socar toda aquela montanha de músculos. Mas eu era controlada - ou mais ou menos - e não queria complicar meu caso, então joguei no jogo dele...

– Já que é assim, maninho – soltei uma ironia - por que você não conta para a mamãe que soltou o pobre cachorrinho da senhora Sharks por que ele estava latindo muito e ele foi atropelado no final da rua?

– Você o que? - Renée virou para ele, e foi a minha vez de lançar meu olhar superior.

– Eu-eu nada! - o imbecil gaguejou. - E você, por que não conta pra mamãe que desde quando ela colocou castigo que te proibiu de nadar em qualquer piscina, você nadava na piscina do vizinho?

– É o que? - Renée virou para mim dessa vez.

– Nada disso. - neguei rápido. - E você, que descobriu aonde mamãe escondeu seu videogame e pega toda vez que ela sai para trabalhar?

– Eu não acredito nisso...

– Você e Rosalie ficaram atirando tinta nos vizinhos!

– Isabella...

– E você o Alec tiraram uma com a cara da velhinha da casa 2510 só para ganhar chocolate!

– Emmett Swan...

– Melhor do que tentar paquerar o irmão mais velho do Sam!

– Ok, ok... Isso ai, confessem mesmo!

– É melhor do que invadir a casa da Victória e roubar a calcinha dela.

– Uhh, está começando a ficar bom...

– Olha quem está falando de invasão. Você hoje foi pega pelos novos vizinhos e quase que ele mandou prender você.

– PARA! - Renée berrou, nos assustando. - Eu... Eu não consigo acreditar em todas essas coisas que vocês fizeram nas minhas costas!

Eu olhei para baixo, soltando um muxoxo, sem acreditar que tinha deixado Emmett me levar daquela forma. Agora, estávamos mil vezes mais encrencados.

– Não... - Emmett murmurou. - Mãe, não foi assim. Tudo que eu disse é verdade, mas o que Bella disse é pura mentira. - eu o fuzilei com os olhos. - A senhora vai diminuir meu castigo?

Renée olhou tão furiosamente para Emmett que este soltou um sorriso constrangido e depois subiu as escadas correndo.

– Covarde... - murmurei.

– Vai para o seu quarto, Isabella. - Renée falou, indo pegar o telefone novamente. - Amanhã vocês vão saber sobre os seus castigos. - eu segui para as escadas. - E fica avisada que agora pode ser sério o lance do colégio interno.

Olhei surpresa para ela, procurando algum restinho de brincadeira em seus olhos, mas não encontrei nada. Então eu apenas continuei subindo as escadas e segui para o meu quarto.

– Encarar ou não encarar a realidade? - perguntei para o meu poster que eu tinha colocando a noite, tampando a cara do Emmett.

Estava com medo de descer para o café da manhã e descobrir que Renée ia nos mandar para um colégio interno ou até mesmo nos deserdar de seus filhos. Ela era louca e capaz de fazer isso, principalmente quando estava com raiva. Não que eu já a tivesse visto com raiva, mas é que sabe como é... Eu já tinha percebido que pessoas calmas eram as piores quando estavam nervosas, a força delas eram muito maiores do que uma pessoa nervosa de natureza. Emmett bem sabia disso, quando mexeu com um garoto da escola que era super quieto no canto dele. Meu irmão era tão chato com aquele garoto, que teve uma hora que só precisou de uma brincadeira que logo gerou uma briga super foda, aonde meu irmão acabou na enfermaria com o nariz quebrado. Por pouco eu quase também não sai machucada, por que fui tentar separar - e defender o imbecil do meu irmão -, só que Alec me tirou antes de levar um soco. Pobrezinho do Alec... Ele quem levou um soco meu, enquanto eu me debatia. Nem lembro se pedi desculpas... Mas não importa agora! Eu só sei que aquele dia foi uma loucura, e que uma garotinha do primeiro ano queria me matar por Alec me proteger.

Era por isso que eu tinha medo de Renée nervosa. E agora eu estava tendo uma briga interna entre ir para lá ou ficar presa no meu quarto pelo resto da minha vida.

– Bella? - Emmett deu três batidas na minha porta.

– Vai embora. - murmurei, não querendo ver a cara feia dele NUNCA mais.

– Ah, qual é, Bellinha, deixa essas desavenças na cama e vem aqui?

– Vai se fuder. - rosnei. - E me deixa em paz.

– Eu estou com medo, não quero descer lá embaixo sozinho.

– Problema é seu. - eu soltei um suspiro e levantei. - Eu não vou sair daqui. - menti.

Passou um tempo e eu não tive resposta, então significava que ele tinha ido embora. Fui no banheiro, tomei um banho, fiz minha higiene e depois voltei para o quarto. Troquei o pijama por uma saia jeans e uma camiseta, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo. O grande espelho que tinha ali me chamava, e eu fui ver meu reflexo. Quase que pulei para trás com o susto. Me aproximei lentamente, vendo se era eu mesma ali, e olhando tudo, eu confirmei que era. Dei as costas para aquilo, nem querendo mais olhar para não choramingar, e sai do meu quarto, tomando toda coragem possível para encarar a fera: Renée Swan.

Desci as escadas lentamente, esperando ouvir alguma conversa da cozinha, mas não tinha nenhuma. Antes de virar para lá, eu tomei mais um pouquinho de coragem e fui, dando com Renée e Emmett sentados a mesa, sem nem se encararem. Agi normalmente, indo sentar no meu lugar e me servindo de suco e panquecas.

– Eu liguei para o Charlie - Renée começou. Era obvio que ela estava me esperando. - Ele ficou decepcionado com vocês dois e disse que esperava mais. Falou que vem aqui semana que vem, quando tiver uma folga para ter uma conversa com os dois. E bem... - ela pousou na mesa a xícara do café que bebia. - Nós decidimos o castigo de vocês dois.

– E qual vai ser? - Emmett perguntou, com uma expressão de medo.

Renée olhou para nós dois, tomou mais um gole do seu café, levantou e colocou a xícara na pia. Ela pegou a bolsa dela que estava em cima do balcão, foi até a soleira da porta e nos encarou. Tinha um sorrisinho maldoso em seus lábios, aquele que ela sempre dava quando algo a agradava, mas que para nós seria um pesadelo. Eu engoli em seco, com medo da sua resposta.

– Vocês vão ter que começar a trabalhar.

– O QUE? - nós dois berramos. Emmett até derramou suco na mesa.

– Isso mesmo. Charlie e eu achamos que vocês tem uma vida boa demais, e está na hora de começar a terem responsabilidade. E qual a melhor forma? Arranjando um emprego para pagar as coisas que vocês querem. Se quer um videogame novo, vai ter que trabalhar. Uma Bike nova? Trabalhar. Uma rodinha de skate? Trabalhar. E tem que achar um mais rápido possível, porque não tem mais mesada também. - ela sorriu maldosamente, e eu sabia que vinha mais bomba ai. - E se quiserem ir nas férias de verão para Orlando, vão ter que se mostrarem responsáveis o suficiente, ou nada feito. Ah, e claro, juntar o dinheiro pois vocês perderam totalmente comigo e com o pai de vocês.

Ela deu as costas para nós, falando um tchau e um boa sorte. Olhei para o Emmett, que me encava também. Queria estrangular ele, mas também queria me estrangular, por fazer tanta besteira.

– Que tal babá? - Rosalie perguntou, levando o pirulito vermelho que ela chupava, a boca.

– Não sou fã de crianças. - falei, fazendo uma careta.

Nós estávamos no meu quarto a mais de uma hora decidindo que trabalho eu poderia arranjar. Eu já tinha recusado mais de vinte, por que nenhum me agradava o suficiente. Se eu tinha que trabalhar, que fosse um pelo menos bom, já que ótimo era uma coisa quase que impossível de acontecer.

Depois que Renée saiu, eu deixei as coisas na cozinha do jeito que estavam e subi para o meu quarto, aonde eu liguei para Rouss e pedi que ela pegasse todos os jornais da casa dela e trouxesse, pois eu precisava urgentemente. Dez minutos depois ela apareceu com mais de vinte. De onde ela tinha tinha tirado tantos? Rosalie guardava os jornais para emergências, agora quais eu não sei. Claro que começamos pelos mais atualizados, pois os antigos já não ajudavam em nada.

Eu fui até a varanda do meu quarto e acendi um cigarro, para ver se tirava o estresse. Não tinha gostado nem um pouco dessa ideia de Renée e Charlie, mas não podia dizer não. Estava com medo de a segunda opção ser o internato.

– E que tal trabalhar em uma lanchonete como garçonete? - Rosalie perguntou alto, do quarto.

A folgada estava esparramada na minha cama, com o jornal apoiado em um caderno e um canetão vermelho, para poder marcar qual eu queria ou não.

– Que lanchonete?

Joguei o cigarro fora e voltei para o quarto, me sentando na cama, ao lado dela. Rosalie me mostrou e eu li. Era uma lanchonete que ficava perto da escola, o que mês passado seria um enorme problema, mas que agora nem tanto.

– Acho que vou dar uma olhada... - murmurei.

– Ótimo. - ela sorriu. Rosalie jogou o caderno e a caneta no chão, e deitou de barriga para cima, me encarando. - Isso tudo é raiva do Emmett? - apontou para o teto e eu assenti. - Acho que o vocalista do Sum 41 fica melhor do nosso lado do que o Emmett.

– Concordo. - eu ri.

– Até que enfim você sorriu. - ela disse e eu revirei os olhos. - Ah, Bella, não é tão ruim trabalhar.

– Pra você, que trabalha em uma boate de bargirl. Agora para mim vai ser um pesadelo, por que eu duvido muito Renée deixar eu trabalhar lá com você. Ela vai me dar a opção de babá, e se quer saber, para me ferrar, vai ser babá do Rick. - peguei o jornal e joguei na cara dela. - Repara só no endereço...

– Ela não é louca! - Rouss arregalou os olhos quando viu que era o da casa de Rick.

– Ah, é sim. - assenti. - Sabe, não acho que Renée ou Charlie tenham exagerado no castigo, nós dois merecemos mesmo, mas puta que pariu, tinha que ser justamente trabalhar? E pior, nas férias?

– É, isso eu tenho que concordar. Ela poderia dar outra coisa, mas trabalho... - Rosalie fez uma careta.

– O que deixa as coisas ainda mais fáceis é que eu vou ter que dar duro para juntar a grana para a nossa viagem de férias. - torci a boca.

– Nossa, a coisa está preta pro lado de vocês. - Rosalie concordou. – Bem, agora já era, você se ferrou bonito e agora vai ter que conseguir seu dinheiro assim como eu, então...

– Pois é. - concordei. - Emmett ainda me paga por ter falando tudo aquilo.

Soltei o ar, com raiva do grandão. Tudo bem que ele também tinha se ferrado, mas poxa, se ele tivesse ficado de boca fechada...

– Relaxa, Bella, que o que é dele está pra vim. - ela sorriu. - Agora, que tal irmos nessa lanchonete?

– Vamos, não é? Fazer o que.

Eu avisei para o Emmett que estava saindo, e que se Renée chegasse primeiro que eu, era pra falar para ela que eu tinha ido cumprir meu castigo. Ele concordou e falou que também ia sair com Alec, pois achava que tinha arranjado um também. Era impressionante quantos empregos para adolescentes tinham espalhados por Los Angeles.

Assim que sai de casa, Rosalie reclamou falando que tinha esquecido o celular na minha cama. Ela voltou para buscar e eu fiquei ali na frente, esperando-a.

– Hey, garota!

Eu olhei para o lado, reconhecendo a voz rouca na mesma hora. Edward estava na porta da casa dele, e me encarava com um sorriso de canto que quase me fez suspirar. Eu acenei para ele, que acenou de volta, então fui até lá.

– Oi. - sorri.

– Eu já pensei no que vou querer. - avisou.

– É? - ergui uma sobrancelha, mas depois fiz uma careta. - Não é uma coisa ruim não, certo? Tipo matar alguém ou qualquer coisa que faça eu me ferrar, por que mais do que eu já estou é quase impossível.

Ele ficou me encarando de modo estranho para depois rir.

– Não, não é nada. - ele olhou para cima, pensativo. - A não ser que você ache a minha companhia uma coisa ruim.

Achar aquele garoto lindo de gostoso uma companhia ruim? Só se eu tivesse levado uma rodinha de skate na cabeça, ou melhor, umas mil rodinhas de skate. É claro que eu não ia falar isso para ele, então fiz minha melhor cara de indiferente.

– Ainda não sei se sua companhia é ruim, e bem, eu espero que não. Mas então, o que é?

Ele deu aquele mesmo sorriso de canto, e eu senti minha respiração ficar presa em algum lugar, me esquecendo de respirar. Se de longe era lindo, de perto era perfeito.

– Eu acabei de me mudar, bem quando começamos o ano. Eu sei que falta pouco tempo para as aulas voltarem, mas não quero esperar essas duas semanas pra conhecer as pessoas daqui. Então, que tal você me apresentar a todos e tudo que você conhece?

Hum... Não era nada maluco, e para minha infelicidade não era sexual também. Eu estava ferrada - mais que isso na verdade -, as coisas estavam pretas pro meu lado, então ter esse gatinho comigo seria bom, certo? Digo, para eu apresentar tudo e todos levaria um tempo, pois eu conhecia muitas coisas e pessoas, e ele teria que passar tempo comigo. Além de ter ele do meu lado, nos tornaríamos amigos, o que era bom. Ele parecia normal, e eu andava precisando disso. Amigos normais ao meu lado, para não me meter em furada. Tudo bem, tudo bem, eu sabia que quem fazia isso era eu mesma, mas por que Rosalie não me dava nem um pouco de juízo, mesmo que ela não tenha nenhum para si mesma.

– Claro que isso é pouco pelo que eu te livrei... - ele olhou para mim, como quem não quer nada, e eu ergui uma sobrancelha. - Vamos se dizer que é só um terço, pois é uma coisa pequena...

PRONTO! Eu vi naquele "Vamos se dizer que é só UM TERÇO” que eu ainda podia ter esperanças de ser sexual. Ohhhh, eu iria adorar... Ok, Bella, sem delirar e sem inventar coisas. Assim como ele pediu essa coisa simples de ajudá-lo a se enturmar, ele também poderia pedir outra coisa simples. Mas sexual também é simples! Hey, espera, estou parecendo aquelas vadias da minha escola falando assim. ARGH!

Esquece!

– E qual é as outras duas partes? - optei logo por matar minha curiosidade e fazer o balãozinho de ideias absurdas sumir com um Puf!

– Ahm... Eu ainda não decidi, sabe... - ele deu de ombros.

Edward deu um sorriso divertido e malicioso, fazendo novamente eu entrar naquele transe. E porra, o balãozinho estava crescendo, o balãozinho estava crescendo. ALERTA VERMELHO PARA IDÉIAS MALUCAS! ALERTA VERMELHO PARA IDÉIAS MALUCAS! SE PREPARA... NÃO!

Acooooooorda!

– Ok, garotão. - falei, por fim, saindo do transe. - Eu vou esperar pela outra metade, e não vai ser difícil isso fazer você se enturmar. É só me acompanhar.

– Acho que vai ser legal passar um tempo com você... - ele indicou que eu falasse meu nome.

Era engraçado que ele nem sabia meu nome, e queria esse favor de mim.

– Bella.

– Bella. - repetiu.

– Concordo, Edward, vai ser legal passar um tempo com você. - sorri para ele, que retribuiu.

– Ah, antes que eu me esqueça... - ele murmurou, entrando dentro de casa.

Eu fiquei ali parada, sem saber o que fazer. Ele tinha deixado a porta aberta, mas sumiu. Olhei de um lado para o outro, esperando que ele voltasse, pois era o que parecia que ele ia fazer.

– Bella? - Rosalie chamou, parada na rua.

– Espera ai. - murmurei, indicando com os olhos a casa.

– O que você está fazendo ai, garota? - perguntou, mas antes que eu pudesse responder, Edward voltou.

Ele estava de cabeça baixa, falando algo sobre esquecer. Eu me virei de costas para Rosalie, com um sorrisinho malicioso nos lábios, e quando Edward levantou a cabeça, eu coloquei meu sorriso mais inocente.

– Aqui está. - ele estendeu meu tênis. - Teve sorte que eu quem encontrei.

– Nossa! - eu peguei meu tênis e apertei ele. Eu amava aquele tênis. - Obrigada, Edward! Imagino se fosse sua mãe ou qualquer outra pessoa...

– Com certeza você não o veria mais. - ele deu de ombros e eu fiz uma careta.

– Não fala uma coisa dessas, menino. - resmunguei, com um bico.

– Bella! - Rosalie me gritou. Eu e Edward me viramos pra ela, que estava com as mãos na cintura e batendo o pé no chão. - Dá pra andar logo ai?

– Já vou, Rose. Relaxa, gata. - pisquei um olho e me virei de volta para Edward. - Você está ocupado agora?

– Não. Eu não tenho nada pra fazer. - ele revirou os olhos, ironizando completamente.

Ouch, doeu isso. Me senti uma lesa agora, porque é claro que ele não teria nada para fazer aqui.

– Ótimo, então que tal começarmos a conhecer as coisas agora? - ergui uma sobrancelha.

– Legal. - ele sorriu animado.

– Bella! - mais um grito de Rosalie.

– Já vou, porra! - berrei também. - Então vamos logo, antes que a loira ali arranque minha cabeça.

Edward fechou a porta e me acompanhou até Rose, que arregalou os olhos quando viu ele de perto. A mesma reação que eu tive, claro. Será que tudo parou para ela também ou só comigo?

– Rose, meu amor, esse é Edward, meu novo vizinho. - indiquei ele, que piscou pra ela. A loira suspirou. - E Edward, essa é Rosalie, minha amiga.

– Meu Deus. - ela sussurrou, mas depois voltou ao normal, piscando os olhos rapidamente. - Oi! - arregalou os olhos, dando um sorriso enorme.

– Rose, o Edward vai nos acompanhar até a tal lanchonete. Ele quer conhecer mais daqui, sabe. - dei de ombros.

– Ah, claro. Então vamos!

– Espera... - o garoto pediu. - Não acham melhor nós irmos de carro?

Eu e Rosalie trocamos olhares, depois reviramos os olhos e bufamos ao mesmo tempo. Sempre fazíamos isso quando Emmett dizia algo estúpido, e dessa vez foi Edward quem disse.

– Claro que não. - falei. - Com nós, Edward, é diferente. Bike, skate e sola de tênis. Carro só quando é pra longe, e nós não vamos para longe. Olha para esse céu - apontei para cima e ele olhou, franzindo um pouco a testa. - Porque vamos nos esconder desse sol maravilhoso de LA?!

– É isso ai. - Rosalie me apoiou, depois tocou o ombro de Edward. - Se acostume a botar essas pernas torneada e esses pés ai para se movimentarem, meu amigo, pois comigo e com a Bella, carro é pouco usado.

– Ok... - ele murmurou, parecendo assustado.

Rose passou um braço pelo do Edward e o arrastou pela frente. Eu corri até o quintal da minha casa e joguei o tênis pela única janela aberta, que era a de Emmett, e tive a impressão de ouvir um resmungo, mas ignorei e corri de volta para os dois, que iam conversando sobre músicas. Yeah, eles tinham se dado bem. Tudo bem que com Rosalie, se não fosse patricinha ou mauricinho, e fosse meu amigo, já era amigo dela, então talvez isso não contava, mas... Eu já tinha feito Edward já conhecer alguém! Só que ainda faltava as outras partes que eu não sabia qual eram. Ele tinha que falar logo, ou aquele balãozinho iria crescer, crescer, crescer... JÁ ESTÁ CRESCENDO!


Notas finais do capítulo
Hello Gatinhas! E então, como estão? E aqui estou eu com mais um capitulo de Aquela Garota! Ele não veio com muita bagunça, apenas o motivo dela ter que criar responsabilidades. Mas Emm pegou pesado, hum? Colocou os dois em uma situação complicada, KKK.
O próximo vai mostrar mais alguns personagens e o quão... Produtivo vai ser essa ida atrás de trabalho. Dos dois!, KKK. Prometo algumas risadas.
Ahhhh, eu tenhoooo um presentinhoooo. EU FIZ UM BLOG! Nem sei porque fiz, acho que para deixar todas as minhas fics organizadas, mas bem... Está lá, KKKK. Quem quiser da uma passada e ver como ficou:
http://sumleefanfics.blogspot.com/
Comentem lá também, falando sobre o que acharam. Lá vou deixar alguns spoilers, KKKK. E falar sobre as futuras fics que posso fazer.
É isso, acho que falei demais já, KKK.
Beijoos gatinhas :*




(Cap. 4) Batendo Recordes

3. Batendo Recordes

– Eu estou começando a ficar com medo de você. - Edward falou, me encarando de olhos arregalados. - Primeiro, encontro você apenas de biquíni na minha casa, e agora descubro que você está indo naquela lanchonete - apontou para o lugar - por causa de um castigo depois de seu irmão contar seus... Podres.

Eu bufei, querendo estrangular ele e Rosalie, que tinha aberto a boca grande dela e contado tudo que podia e não podia para Edward. Ela era uma grande fofoqueira. Contou até os mínimos detalhes, sem deixar um de fora, como quando eu quase afoguei, no clube, uma criança - que não era o Rick. Uma vadia da boca grande que queria me deixar mal na fita com o Edward. Queria e tinha conseguido, porque agora ele achava que eu era uma delinquente ou qualquer coisa maldosa que pudesse classificar as... Coisinhas básicas que eu faço. Eu acreditava quando ele dizia que estava com medo, pois seus olhos verdes - muito verdes – me olhavam. Poxa, ela realmente não precisava ter feito aquilo comigo. Fuder com o meu futuro brilhante, romântico e perfeito com Edward.

Agora só me restava...

– Cala a boca. - rosnei, olhando diretamente para a lanchonete a nossa frente, que estava do jeito que eu não queria.

Estávamos do outro lado da rua, escondidos atrás de um carro. Eu analisava o local, como se ele fosse meu inimigo. E na verdade era, porque eu não sabia trabalhar, na verdade, nunca tinha pensado em trabalhar antes de fazer minha faculdade de medicina. Yeah, eu queria ser médica, e uma bem conhecida por sinal. Eu assistia muito Grey's Anactomy, e adorava ver aqueles residentes andando de um lado para o outro, cuidando das pessoas. Apesar de não parecer, eu gostava de cuidar das pessoas. Menos das crianças, porque elas me irritam... Claro que se elas aparecerem morrendo sem um braço, com um tiro, eu vou cuidar. É obrigação, fazer o que?!

A lanchonete não era de todo mal, como aquelas que mais pareciam um boteco com homens velhos querendo ver as menininhas irem ali pedir uma água por causa do calor. Era um lugar bem bonitinho e confortável. Ficava na esquina, com a frente toda de vidro - dando para ver lá dentro -, do lado de fora tinham mesas arrumadas, com a toalha de mesa sendo toda quadriculada em branco e vermelho, como aquelas de piquenique em desenhos animados. Lá dentro, como dava para ver pelos vidros, era ainda mais parecidos a moda antiga, com as paredes pintadas em branco e quadros do Elvis Presley, a bancada em tom vermelho e mesas com estofados de borracha. Como eu disse, uma lanchonete a moda antiga e só faltava as garçonetes de patins andando de um lado para o outro.

O lugar estava um pouco cheio, com muitos adolescentes em grupos ali, rindo. Era isso que eu avaliava, vendo que pelo menos metade daquele pessoal fazia parte da minha escola, que estava na época de férias.

– Você vai? - Rosalie perguntou, me olhando.

– Eu não sei... - mordi o lábio inferior. - Só me resta esse emprego, já que os outros não dão para mim e cuidar do Rick principalmente. Eu juro que se ver aquele cabeçudo, esgano ele! - mexi minhas mãos como se o pescoço do Cabeça de Balão estivesse ali, aonde eu apertava até ele ficar roxo.

– Eu realmente estou ficando com medo. - Edward falou mais uma vez, e na minha imaginação, não era mais o rosto de Rick que ficava roxo, e sim o de Edward.

Desculpa, futuros filhinhos de olhos verdes, muito verdes, mas o papai de vocês precisa disso!

– Cala a boca. - mandei mais uma vez, fazendo Rosalie soltar um risinho. - Eu achei que não ia ter ninguém nessa merda.

– Eu também. - Rosalie concordou. - Poxa, estamos no meio das férias, por que iriam querer vir para perto da escola? Eu quero é ficar o mais longe possível!

– Duas. - concordei.

Fiquei olhando mais atentamente para o outro lado da rua, vendo ali o time de futebol americano rir e se deliciar com refrigerante, Milk Shake, sorvete e bolo. As lideres de torcida também estavam junto deles. O que me fez pensar seriamente em não ir lá, mas o problema era que eu não tinha mais opções, ou era aquele emprego, ou cuidar o dia inteiro do Rick. E eu preferia mil vezes trabalhar em uma lanchonete do que ficar olhando o cabeçudo e ouvindo ele falar asneiras, e me xingar, sem eu poder fazer nada, afinal, estava sendo contratada para olhar, não para matar.

– E então? - Rosalie perguntou.

– Eu vou. - respondi, em um suspiro. - Eu só tenho esse emprego agora, e se não conseguir, vou para um internato.

– Ok, eu tenho um plano. - a loira falou, sorrindo para mim. - Você vai lá, Bella, consegue o emprego e então eu o gatinho aqui aparecemos e seremos os seus primeiros clientes, tudo bem?

– Mas eu não vou começar agora...

– Bella, estava escrito URGENTE no anuncio, então...

– O QUE?! - berrei.

– Shiiii. - ela fez, tampando a minha boca e olhando para o outro lado da rua, vendo se alguém tinha ouvido. Depois que ela viu que não, tirou a mão da minha boca.

– Porque você não me avisou esse absurdo? Eu tinha vindo mais... Apresentável... - apontei para minhas roupas, que era apenas uma saia jeans clara e uma blusa preta dos Rolling Stones, fora que estava de All Star velho. - Rosalie, eu te odeio.

As vezes eu tinha certas duvidas com Rosalie. Não que eu duvidava da nossa amizade. Que nada, longe disso. Eu sabia que ela era a melhor amiga que qualquer garota poderia ter, pois ela sabia preencher todos os requisitos possíveis que uma amizade que dura anos poderia pedir: entrava nas encrencas comigo, me protegia, as vezes virava minha mãe, me dava bons conselhos e o principal de todos, ela me ferrava. A minha duvida era que se Rosalie batia bem da cabeça, ou se a mãe dela não havia deixado ela cair de cabeça no chão - como tantas vezes Renée deixou acontecer comigo. Porque para ela ver minha roupa, e não me avisar que o anuncio era URGENTE fui uma puta sacanagem.

Mas tudo bem, eu só precisava respirar...

– Bella, para com isso, você está linda. - ela piscou um olho e eu mostrei meu dedo do meio. - Vamos lá, eles precisam de alguém urgentemente, então não importa o que vocês está vestindo. Podia aparecer até com roupa rasgada e fedida que eles te contratariam.

– Claro, claro. - concordei, ironicamente. - Então aparece você assim para nós fazermos o teste.

– Eu não! - ela arregalou os olhos. - É você quem precisa desse emprego, não eu. Já tenho o meu, que aliás, vou ter que ir hoje. As vezes eu tenho uma raiva de férias... - olhou para o nada. - Mas esquece! É você quem deve ir ali agora, então anda logo.

Rosalie me empurrou e eu cai de joelhos na calçada, sem o carro para me esconder, todos que estavam olhando naquela direção viu. Ela e Edward caíram na gargalhada, enquanto eu implorava ao universo que me desse um buraco aonde pudesse esconder minha cara e claro, enviasse eles para outro mundo longe de mim.

– Eu vou matar vocês dois. - rosnei, enquanto levantava e limpava meus joelhos.

Olhei de um lado para o outro da rua e depois atravessei, enfim chegando na lanchonete. As pessoas da escola me encararam, sabendo quem eu era, mas eu fiz questão de ignora-las. Eu já sabia lidar com a minha fama, com licença. Entrei na lanchonete e um sininho chato avisou minha presença. Um garoto loiro, que estava atrás do balcão limpando ele, me encarou. Vi ele bufar antes de dar o sorriso mais falso que eu já tinha presenciado. Me aproximei lentamente, com uma vontade louca de sair dali e ir implorar perdão a Renée por ser uma filha tão ruim. Mas eu respirei fundo e tomei coragem, indo falar com o garoto.

Quando me aproximei, ele pegou um bloquinho de papel e caneta que estava atrás da orelha, pronto para anotar o pedido. Eu mexi a mão, indicando que não queria nada, e ele me encarou confuso.

– Er... - mordi o lábio inferior. - Eu vi um... Anuncio no jornal de que estavam precisando de uma garçonete... - mexi as mãos. - Vocês ainda estão precisando?

O garoto ficou me encarando com uma sobrancelha erguida, depois simplesmente me deu as costas e entrou em uma porta que havia ali. Eu suspirei e sentei no banco, apoiando os braços ali e abaixando minha cabeça.

Yeah, parecia que ele não tinha ido com a minha cara e ele me dar as costas significava que era um pedido bem indelicado de "Cai fora!", que eu não seguiria. Eu tinha ficado tão frustrada que agora iria comprar alguma coisa ali, só pra fazer ele me atender. Porque ele era um loirinho muito folgado para o meu gosto. Bonitinho, mas folgado! Só porque ele tinha olhos verdes, era loiro e muito bonito, não podia me dar as costas daquele jeito.

– Garota. - alguém me cutucou e eu levantei minha cabeça. Era o maldito loirinho. Ele sorriu para mim, de forma mais educada e me estendeu a mão. - Sou Jasper Withlock e você é...?

– Bella Swan. - apertei a mão dele. - Na verdade é Isabella, mas eu odeio meu nome, assim como minha mãe, porque foi minha avó, que tinha um puta de um mal gosto, escolheu. Eu acho que foi porque ela se apaixonou por um italiano, tendo um caso escondido do meu avô. Acho que o velho deveria ser um puto de um amante, para ela fazer aquilo com o vovô bonito que eu tinha. É, tinha, porque ele morreu quando descobriu a infidelidade da vovó, sabe... E caralho, eu estou falando demais! - bati a mão na minha testa.

Jasper me encarava de olhos arregalados, e agora forçava o sorriso.

– Er... - ele fez.

– Olha, desculpa. É que sei lá, eu estou um pouco nervosa e com raiva, e por isso falo rápido demais. Mas tudo bem, não acontece com frequência, é só porque... Ah, merda, estou falando demais de novo. - resmunguei e suspirei. - Ok, desculpa.

– Tudo bem. - assentiu. - Bem... Apesar de você ser um pouco estranha, nós precisamos de uma garçonete urgente, então está contratada. - arregalei os olhos. Ele colocou uma caneta e uma folha na minha frente. - Só preencha essa ficha para mim.

Eu comecei a escrever meus dados ali, sorrindo comigo mesma. Depois de uns dez minutos, terminei e entreguei as coisas para ele, ainda sorrindo.

– Prontinho. - cantarolei. - E agora?

– Agora é só você começar a trabalhar. - Jasper sorriu para mim.

– OK. - falei alto e ele arregalou ainda mais os olhos. - Er... Ok. - balancei a cabeça freneticamente, ainda querendo que um buraco abrisse e me engolisse para a escuridão.

Ele sorriu e entrou novamente na portinha, me deixando ali sozinha. Eu olhei pela janela de vidro e vi Rosalie e Edward do outro lado da rua, me encarando. Fiz um sinal de positivo, que a loira comemorou pulando e abraçando o Edward. Era óbvio que ela aproveito aquilo para tirar uma casquinha, e aposto que ele também fez o mesmo. Aquela mão descendo pelas costas dela não era algo sem querer.

Ah, se eu pego!

Jasper voltou rápido, trazendo nas mãos um avental branco com o um desenho de mãos com o gesto do rock e as siglas da lanchonete CY, que significava Cream Yellow. Eu ainda me perguntava quando via o nome dessa lanchonete, o porque de ser ele. Quero dizer... Porque creme amarelo se não tinha nada com aquilo? Ou eu nunca tinha comido nada que tivesse esse creme, ou eles estavam fora do normal quando nomearam a lanchonete, mas a ideia me deixava intrigada. Eu peguei o avental e o amarrei na minha cintura, depois prendi meu cabelo em cima e peguei o bloquinho de papel e a caneta que Jasper estendia para mim.

– Você sabe o que tem que fazer, certo? - perguntou e eu assenti. - Olha, o chefe que está lá dentro - apontou para a porta - falou para eu deixar você atender as pessoas, mas bem... Acho melhor você começar pelo balcão. - ele fez uma careta.

Eu parei, querendo entender o que ele queria dizer em "achar melhor eu começar pelo balcão", mas eu realmente não entendi. Então, com um dar de ombros, eu passei para o outro lado do balcão e fiquei ali. Jasper saiu daquela parte e foi atender ao pessoal que estava ali, mandando eu prestar atenção no que tinha que fazer.

E eu prestei, porque aquele era o meu novo trabalho, e eu tinha que fazer direito. Ele era extremamente paciente com as pessoas, e olhando aquilo, eu tive uma ideia. Peguei o bloquinho de notas que estava na minha mão e escrevi no topo, com minha letra infantil e quase ilegível "Como ser uma boa garçonete". Fiz tópicos e no primeiro, coloquei: Ser paciente. No segundo, coloquei: Atender sempre com um sorriso. E quando ia anotar o terceiro, eu ouvi o sininho tocar e uma risada conhecida. Só isso para a minha ideia sumir totalmente, e a raiva voltar.

Rosalie e Edward se sentaram no balcão, os dois com sorrisos travessos. Ainda estava com raiva deles, e muita na verdade, pela vergonha que haviam feito eu passar, mas eu estava trabalhando, e eles eram... Clientes. Dois clientes idiotas, mas ainda eram. Com um suspiro, eu fui até, sendo seguida pelos olhos verdes de Jasper.

– O que vocês vão querer? - perguntei, sendo o mais profissional por isso.

– Hum... - Rosalie pegou o cardápio e olhou, fazendo uma boa encenação de quem estava tendo uma dúvida sobre o que pedir. Edward prendia uma risada. - Eu não sei... O que você vai querer, querido? - ela virou para ele, ignorando minha boca que tinha ficado ligeiramente aberta.

– Qualquer coisa. - ele deu de ombros, ainda prendendo a risada.

Eu queria tacar o bloquinho de notas na cabeça de cada um, mas estava me segurando. Comecei naquele dia, então não podia estragar tudo em menos de dez minutos trabalhando. Tudo bem que eu seria capaz de fazer aquilo, e bater um recorde de quem perde o emprego mais rápido do que arranja, mas eu estava sendo responsável. Só que com Rosalie pagando uma de atriz de filme e Edward querendo rir da minha cara não estava ajudando, porque eu também queria fazer aquilo! Rir e encenar ao mesmo tempo. Eu sempre sonhei em ser atriz, das bem famosas, e vendo que eles estavam tendo a chance, me deixava com mais raiva.

– Então... - ela olhou novamente para o cardápio. - Eu vou querer... Caralho, é muito difícil com essas coisas gostosas.

Eu suspirei e esperei pacientemente. Rosalie ficou olhando, olhando e olhando para aquele maldito negocio, perguntando vez ou outra para Edward o que ele iria querer, mas o garoto não ajudava, sempre falando: Qualquer coisa. Era tão difícil dizer o que queria? Poxa, era só falar alguma porcaria que tinha ali e pronto. Agora a idiota loira ficava dando uma de difícil e o ruivo não ajudava, falando "Qualquer coisa... Qualquer coisa... Qualquer coisa!"

Eu vou é meter qualquer coisa na cara dos dois e então eles decidem a porcaria que vão querer.

– Mas que porra, dá pra escolher logo! - sussurrei em um rosnado, olhando para Jasper, que também me avaliava. - O loirinho ali não está gostando dessa demora. Não me faça perder o emprego que eu nem comecei direito.

– Bella, só estamos lhe ajudando. - Rosalie fechou a expressão. - Estamos sendo pessoas chatas que não conhecem você, entende? Então, aquieta a bunda ai - me lançou um olhar que eu entendi. - e faz seu trabalho. E escolher está muito difícil... - fez uma careta. - O que você sugere?

– Sugiro que você ande logo com isso antes que Jasper venha e pergunte porque vocês demoram tanto. - ergui uma sobrancelha. - O que vocês vão querer? - perguntei de novo.

– Ok, ok, estressada. - ela suspirou. - Vou querer um pedaço de torta de morango com um suco de laranja natural acompanhando. E você, Edward? - ela se virou para ele.

– O mesmo. Só que quero... Milk Shake de morango ao invés do suco.

– Até que enfim. - murmurei, saindo de perto deles.

Eu escrevi o pedido em um papel e depois peguei as coisas, colocando de frente para os dois. Rose piscou um olho e fez biquinho para mim, enquanto Edward ja comia da sua torta. Suspirei e me afastei dali, antes que matassem os dois por serem bons amigos e quererem me ferrar bonito.

Fiquei encostada um pouco perto dos dois para poder ouvir o que eles iam conversar, com a minha cabeça apoiada em meu braço quando eu vi quatro figuras femininas passarem pela janela de vidro e entrarem na lanchonete, fazendo o maldito sininho balançar. Eu fiquei ereta na mesma hora.

– Ai caralho... - murmurei.

Rosalie e Edward, que ouviram o que eu disse, olharam para a porta. Eu ouvi Rose rosnar para Tânia e suas seguidoras, que tinham acabado de entrar. Soltei um muxoxo, querendo morrer bem ali mesmo. Porque, não tinha nem dia nem hora melhor para elas aparecerem ali.

Cadê a porra do buraco quando se precisa dele? Já era a minha terceira prece. Na quarta eu saia correndo e me jogava em qualquer. Pois se o buraco não vinha a você, então você tinha que ir a ele.

– Olha, olha quem está aqui. - Tânia falou, vindo até o balcão e parando na minha frente.

Tânia Denali era a famosa patricinha das escolas americanas. Com a pele de porcelana com um leve bronzeado, os cabelos loiros com algumas mexas mais claras e grandes olhos azuis, ela se dizia a rainha da escola, sendo que não era porra nenhuma. Não para mim ou para Rosalie. Ela era das lideres de torcida, a capitã do time, e tinha as suas quatro seguidoras: Kate e Irina Denali, as gêmeas-não-tão-gêmeas-assim. As três eram primas, claro, por ter o mesmo nome. Eram loiras como a prima vadia mor, e tinham olhos azuis. Na verdade, as três pareciam primas. A quarta seguidora era Alice Brandon, a garotinha magrela e baixinha de cabelos longos castanhos com fios loiros do sol. Fazia parte das lideres também, era a segunda - mas para mim a primeira - melhor que Tânia ali, e só porque ela fez algo errado que não era aceito no grupinho rosa choque. E também, ela era a segunda mais malvada, pois Deus deu pelo menos um pingo de bondade para o coraçãozinho dela. Apesar que com o que ela fez... Duvido muito que tenha esse pingo.

Todas elas me odiavam. Ou melhor, as gêmeas Kate e Irina me odiavam porque Tânia me odiava. Na verdade, metade da escola me odiava, mas eu relevava enquanto nenhum deles mexesse comigo. Só que esse grupinho de cobras adorava tirar eu e Rosalie do sério, só porque não eramos, como eu posso dizer... Femininas o suficiente para elas. Porque andávamos de skate e usávamos camisetas com nomes de bandas. Para elas deveríamos usar da Britney Spears. Não me leve a mal, eu gostava da loira e a ousadia dela, mas não trocava por Oasis.

– Meu Deus, abriram a porta do galinheiro, que porra. - Rosalie falou, fazendo Tânia lançar um olhar gélido para ela.

Jasper, vendo a tensão ali, se aproximou.

– O que está acontecendo? - ele perguntou, seus olhos mirados em mim.

– Nada. - respondi rápido.

Eu já estava prevendo o fim do meu trabalho que eu mal comecei. E eu achando que seria Edward e Rosalie o meu fim...

– Ótimo, então faça o que tem que fazer. - ele deu as costas.

Eu suspirei e peguei o bloquinho de notas, sabendo que aquilo ali faria a minha reputação ir por água a baixo e pior, me daria uma grande dor de cabeça em um futuro próximo quando as aulas voltassem.

– O que vocês vão querer? - perguntei com a garganta fechada, querendo prender a qualquer custo aquelas palavras que soltei.

– Espera! - Alice parou ao lado de Rosalie. - Quer dizer que Isabella Swan está trabalhando aqui? Como garçonete?

– Não, eu estou trabalhando no seu puteiro como dançarina. Deixa de ser burra, garota. - revirei os olhos. - Anda, vamos logo, que eu estou sem paciência nenhuma.

Ela fez cara de ofendida, o que me fez revirar os olhos novamente. Eu ainda não sabia como não tinha ficado vesga de tanto que fazia isso quando estava perto desse grupo de quatro loiras burras - sem ofensa as loiras, claro, pois sou uma também. O problema só são essas quatros mesmo. Jasper apareceu ali de novo.

– Isabella. - me repreendeu. - Atenda-as direito. - rosnou e eu suspirei, assentindo. - Vamos logo.

– O que vocês vão querer? - perguntei novamente.

Tânia me olhou de cima a baixo para então começar a gargalhar. As seguidoras dela a acompanharam, me fazendo suspirar e me apoiar novamente no balcão para esperar toda aquela ceninha acabar. Rosalie sentada ali ao lado assistia tudo, lançando olhares fulminantes para as quatro. Edward parecia que tinha paralisado, pois estava com o canudo - que eu queria ser - na boca, assistindo as malucas. Sua torta agora estava intocável.

– Acabou? - perguntei, quando elas pararam.

– Swan, quem diria, hein? - Tânia falou. - Deveria imaginar que a delinquente que você é daria nisso, trabalhando como garçonete.

E lá vamos nós...

– Jasper... - rosnei.

– Ah, Bella, isso é tão... - ela fez uma cara de empolgada muito falsa. - Nossa, sem palavras. Mas é sério, combinou perfeitamente com você. É a sua cara.

– Jasper... - repeti no mesmo tom de voz.

– Bella, relaxa. - ele mandou, colocando uma mão no meu ombro.

– Acho que merece uma foto. - Tânia pegou o celular dela rosa com pedrinhas que ela dizia ser diante, e estendeu para mim, tirando uma foto. - Nossa, feia como sempre.

– Jasper...! - meu sangue subiu.

– METE LOGO A MÃO NA CARA DELA! - Rosalie berrou.

E foi o que eu fiz, voei por cima da balcão e peguei Tânia pega gola polo da blusa, trazendo ela mais para perto para assim poder bater na cara de boneca dela. As seguidoras começaram a dar seus gritinhos histéricos, já Jasper berrava vários palavrões e Rosalie me incentivava. Eu sabia que ia perder meu emprego, mas eu não me importava com nada daquilo, eu só via vermelho na minha frente e o desejo de socar a cara de Tânia, que tinha me tirado do sério.

Foi então que eu senti algo molhar minha cabeça e o cheiro de laranja impregnar pelas minha narinas. Parei de socar Tânia e me virei para o lado, vendo Alice com uma mão na boca, os olhos arregalados e na outra mão ela segurava um copo.

– ROSALIE, ACABA COM ELA! - berrei.

A minha amiga loira pulou em cima da baixinha, e as duas saíram rolando pelo chão. Eu voltei minha atenção para Tânia, que me olhava assustava.

– VIRA MULHER, PORRA E REVIDA!

Eu empurrei ela para frente e pulei o balcão, indo novamente para cima dela. Assim eu podia fazer mais coisas. Foram vários tapas e socos até Tânia começar a revidar e então sim eu sentir a diversão. Eu a odiava, mas tinha um momento que chegava a adorar, era quando acordava a mulher em Tânia e ela acabava por sair aos tapas comigo. Nós caímos no chão e rolamos para perto de Rosalie e Alice, para assim ninguém saber mais quem batia em quem. Só sabia que eu socava como Emmett tinha me ensinado. Com o dedo do meio o osso meio levantado, e caso não desse, usava as unhas - mesmo que elas sejam roídas. Senti meu cabelo ser puxado diversas vezes, e alguns arranhões de unhas grandes no braço. Como também um soco, que eu sabia que era de Rosalie. Mas eu nem me importava, eu me divertia com toda aquela briga.

Senti mão fortes me puxarem para cima, eu tentei me soltar, só que o aperto era de aço. Comecei a gritar, xingando Tânia, que estava no chão, choramingando junto de Alice. Jasper segurava Rosalie, que mais parecia uma leoa - e não só por causa do cabelo.

– Bella, para com isso! - Edward gritou no meu ouvido.

– Me solta que eu vou matar ela! - gritei, jogando minha cabeça para trás.

Senti quando ela bateu em algo, e então Edward me soltou. Eu voei em cima de Tânia novamente, catando ela pelos cabelos. E mais berros dela. Teve uma hora que ela me virou e eu vi Edward com as mãos no nariz, e uma careta, mas logo eu estava concentrada em Tânia novamente.

– Porra, garoto, faz alguma coisa! - Jasper berrou para Edward, e novamente eu fui pega.

– Bella, merda, ajuda. - Edward murmurou no meu ouvido, mas eu estava descontrolada para ajudar ele. - Depois diga que eu não avisei.

Edward me virou de frente para ele e me jogou sobre seus ombros largos. Eu comecei a espernear como uma criança, me sentindo um saco de batata daquele jeito. Bati nas costas dele, mas o idiota não me soltou. Eu odiava a posição que estava!

– QUE PALHAÇADA É ESSA?! - uma voz grossa soou pelo local.

Eu me virei na direção do som, que era a portinha que tinha atrás do balcão, e lá estava um cara grandão e gordo. Sua face estava vermelha e sua expressão não era nada amigável. Mas o que me fez arregalar os olhos foi seu paletó rosa claro e seus cabelos impecáveis loiros.

– Fodeu. - Jasper murmurou, antes me lançar um olhar que parecia que ia me matar ali. - Você está ferrada. - sibilou com os lábios que eu entendi muito bem por essa frase ser repetida para mim muitas vezes.

Eu soltei um suspiro e encostei minha cabeça nas costas do Edward, que acariciou minha perna. Não tive como apreciar o ato, pois estava derrotada.

Bem... Eu tinha acabado de perder meu emprego, pelo que dava para ver. Assim como iria ser motivo de piada na escola quando Tânia espalhasse aquela foto. E principalmente... O gordão, que deveria ser irmão da Tânia ou qualquer coisa do tipo por causa de tanto rosa, iria me dar um soco ou me processar pela bagunça que fiz em sua lanchonete.

Queria saber se Emmett estava se saindo melhor do que eu em tudo aquilo...



Emmett PDV

– O que você acha de eu ser babá? - perguntei para Alec, que deu de ombros e assentiu. - Sei não cara, eu cuidar de pirralho... - cocei a barba bem feita, olhando para o tênis que Bella tinha jogado na cabeça de Alec.

Eu sabia que aquele tênis era dela por causa da aparência de velho, e por que também tinha o nome dela na palmilha. Foi engraçado quando ele entrou voando pela janela e acertou nele. Eu podia jurar que vi lágrimas em seus olhos, mas ele virou o rosto quando perguntei.

Alec, que estava esparramado na minha poltrona, revirou os olhos. Eu deitei novamente na cama, encarando o teto, vendo um poster da Katy Perry ali. Minha diva... Ela bem que poderia me dar uma luz! Porque quando eu contei para ela o que minha mãe havia feito, ela também ficou surpresa - assim como eu -, mas não me deu nenhuma luz. Dessa vez não, porque outras ela sempre me dava. As vezes era como no clipe Firework, ela apontava com aqueles fogos de artificio para a direção, e eu sabia o que tinha que fazer. E agora, sem sua ajuda, me sentia um cego perdido no meio do tiroteio.

Eu ainda não acredito que Renée tinha dado esse castigo para mim e para Bella. Eu preferia ficar sem minha coleção de revistas de Skate do que trabalhar. Se bem que... Não, eu não preferia nenhum dos dois. Eu preferia que ela ficasse sem falar comigo, pois depois seria fácil convencê-la de que eu a amava incondicionalmente e que minha má influencia era a minha irmã.

Sabe, eu achava que isso era um exagero da parte dela, porque eu sou o tipo de cara responsável. Sério, eu tenho responsabilidade de sobra aqui no meu corpo, que dá até para emprestar um pouco para minha irmã, porque é ela quem não tem nem um pingo de responsabilidade. Digo, eu sei administrar meu dinheiro, gastando ele apenas comigo, para satisfazer minhas vontades como comprar jogos novos, revistas novas - de mais de dois tipos, se é que me entendem... - e ainda levar muitas gatinhas para sair. Isso não é ter responsabilidade? Eu usava camisinha, ué! Pegava e levava as garotas inteiras para casa, e ainda usava camisinha. Existe responsabilidade maior que essa?

– O problema é que só tem trabalho pesado, e eu não quero fazer isso... - peguei o jornal que estava ao meu lado. - Digo, e se mamãe perceber que está pegando pesado e falar que não precisamos mais de trabalho? Eu não quero ter que decepcionar meu chefe ou chefa falando que estou me demitindo, então... Vou fazer trabalhos rápidos. É isso! - pulei da cama. - O que você acha, Alec? - perguntei e ele assentiu. - Vou começar com esse de babá, e depois vou para outro...

Como Bella já tinha saído com Rosalie para ir ver o trabalho que ela arranjara, eu comecei a fechar as janelas. Alec saiu logo de casa, deixando todo aquele trabalho para mim. Grande amigo ele! Eu fui na cozinha, peguei umas balas das que Renée guardava na tigela de vidro e segui para fora também, parando ao lado do Alec, que estava olhando para casa vizinha.

Eu tinha conhecido já o novo vizinho, depois que Bella fechou a porta na minha cara quando eu lhe questionei por estar molhada. Precisava saber o que ela fazia lá, então fui me mostrar um bom vizinho e bati na porta, sendo atendido pelo ruivo branquelo. Me apresentei como irmão da desmiolada e ele me contou como a conheceu. Então, apenas guardei mais uma das merdas que ela fazia e continuei conversando com ele.

– Quer, cara? - perguntei, cutucando Alec com o cotovelo, mas o mané não me respondeu. Segui seu olhar, que era direcionado para uma janela que estava aberta. - O que foi? - me virei para ele, mas Alec parecia vidrado ali. - Hey! - passei a mão na frente do rosto dele, e finalmente ele acordou. - O que foi? - repeti minha pergunta.

Alec negou com a cabeça e saiu andando, eu apenas dei de ombros e segui ele. Nós olhamos no jornal o endereço de quem precisava de uma babá, e estranhamente ele parecia familiar para mim. Era perto, nós chegamos lá em pouco minutos.

– Ih, essa não é a casa do Rick? - perguntei, indo para o quintal.

Toquei a campainha e quem atendeu foi mesmo Rick, o garoto que tinha xingado Bella. Eu ainda ria internamente e me deliciava ao vê-la levando uma bronca de Renée, e também quando eu vi Rick atacando a pedrinha bem na cara dela. E pior quando ele a xingou de gorda... Tudo bem que perto dele, ela era obesa. O pirralho parecia não pesar nem cem gramas de corpo, porque de cabeça devia ser toneladas. E mostrava ainda mais agora, que ele estava careca. Com certeza teve que cortar por causa do grande machucado que tinha ali. Antes ele usava um topete, parecendo o Jimmy Neutron. Ah, bom desenho, mas... Deus, como a cabeça do Rick é grande!

– O que vocês querem, idiotas? - o cabeção perguntou.

– Nossa, como ele é educado... - eu falei para Alec, que estava gargalhando do novo penteado do cabeça. Ou a falta de um. - Sua mãe está? - perguntei, também prendendo a risada.

– Não, ela trabalha. Anda, fala logo o que vocês querem? Meu tempo a curto para perder com dois imbecis...

Mas que garotinho folgado...

– Eu vim para o emprego de babá que tem no jornal. - respondi, estufando o peito, apenas para mostrar que eu estava interessado naquilo.

– Sério? - ele perguntou e eu assenti. - Eu não acredito!

Rick começou a gargalhar, até perder o folego. Alec, atrás de mim, também ria. Eu fiquei ali parado, sem entender qual era a graça, porque eu não achava nenhuma. Alguém falou alguma piada?

– E então? - apressei-o, como minha amorosa irmã fala, Cabeça de Balão.

– Bem, se você veio aqui para isso... - Rick abriu mais a porta, me deixando entrar.

– Alec, vem. - falei e ele negou com a cabeça. - Vem logo, porra!

Tive que ir buscar Alec e puxá-lo para dentro. Era essas horas que eu amava ele não falar, assim não me incomodava me xingando. Só de ele me xingar mentalmente estava ótimo!

– Então... - Rick trancou a porta e foi até uma parte da sala, sorrindo de forma estranha. - Você que será meu babá agora?

– É, moleque. - engrossei a voz, para parecer Charlie. - E você tem que me respeitar.

– Claro. - ele concordou lentamente.

A casa do pirralho era grande, tinha uma escada que dividia a sala da cozinha. E na sala, algo que fez meus lindos olhos azuis brilharem, um X-Box 360 com o jogo NCAA Football 12 rodando.

– Mentira?! Sério que você tem esse jogo?! Cara, eu estou longe jogando na Master Liga... - fui me aproximar do videogame, mas então algo acertou meu rosto e melecou tudo, tampando minha visão.

– NÃO SE APROXIMA DO MEU VIDEOGAME! - Rick gritou.

– Mas que porra...?! - limpei meus olhos, para dar com Rick segurando uma arma de Paintball. - Oh... Nada disso, Rick. Abaixa essa arma...

Ele estava com a arma de ferro na boca, e tinha um olhar maligno.

– Seu imbecil. - ele riu. - Está com medinho, é?

– Não. - engrossei a voz novamente para esconder meu nervosismo. - Vamos lá, pirralho, abaixa essa arma.

– Você é irmão daquela loira gorda que acertou uma rodinha na minha cabeça! - ele gritou, começando a ficar vermelho. - Eu levei pontos por culpa dela... - então ele começou a chorar. - Doeu aquela droga até o ultimo, e eu ainda tive que raspar minha cabeça! - apontou para o cabeção. - Ela sumiu e eu não posso me vingar! - soluçou alto, mas então sorriu maldosamente. - E já que eu não posso me vingar nela, vou me vingar em vocês.

Rick começou a atirar igual a louco. Eu coloquei minhas mãos na frente do meu rosto, para me proteger dos tiros, xingando o cabeçudo de tudo que era nome. Ele gargalhava, parecendo que estava possuído. Alec também xingava, mas eu começava a duvidar que ele estive ME xingando, e não o cabeçudo. Foi um barulho prazeroso que me deu uma luz, e foi depois que eu rezei bastante para a Katy que aconteceu isso. Agradeci primeiro antes de fazer alguma coisa.

Eu limpei meu rosto e olhei para Rick, que assoprava a arma repetidas vezes. Alec também olhou para o garoto. Eu via minha vingança se aproximando... Rick, quando percebeu que nada sairia da arma, olhou para nós.

– Ai merda! - Rick exclamou vendo o que tinha acontecido. Ele sorriu amarelo. - E então... Alguém quer jogar X-Box? - perguntou, soltando uma risadinha nervosa.

– EU VOU TE MATAR! - berrei.

– AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH. - Rick gritou igual uma menininha e saiu correndo para a escada.

Eu o segui, falando o que iria fazer com ele quando o pegasse. Ah Deus, seria dolorosamente doloroso. Primeiro eu faria ele engolir aquela arma de Paintball e depois atacaria mais vinte rodinhas de skate no cabeção dele, para ele levar mais pontos. E por fim, eu mataria Isabella, por me meter naquela e até estando longe, ferrar comigo; Rick entrou em um quarto, e eu o segui, mas quando entrei lá, me deparei com o nada. Era o quarto do pirralho, todo cheio de carros e roupas sujas. Até parecia o meu... Tirando os carros, que o meu não tinha.

– Rick.... - cantarolei, procurando ele debaixo da cama. - Eu não vou fazer nada com você...

Ouvi a risadinha do mal dele. Ele só tinha vento naquela cabeça, porque era burro suficiente para fazer barulho. Eu segui na direção do armário, que era de onde tinha vindo a risada dele. Abri a porta já me preparando para pegá-lo pela orelha quando...

– AHHHHHHHHHH. - ele berrou, começando a me bater com um martelo que parecia do Chapolin Colorado.

Com o susto, eu cai no chão, e ele aproveitou para me bater mais ainda. E porra, aquela coisa doía demais! Não era como os meus quando eu era criança, que batia e voltava, e até fazia um barulhinho engraçado. Não! Era duro mesmo. Aonde ele tinha arranjado aquilo?!

– PARA COM ISSO! - gritei, tentando me desvencilhar das marteladas. - PARA! ALEC, ME AJUDA AQUI! ALEEEEEEEEEEC!

Eu gritei tanto que achei que iria ficar sem voz, mas por uma boa Katy Perry, Alec apareceu e pegou Rick por trás, prendendo os braços dele. Eu levantei, arrumando a minha roupa, enquanto tentava regularizar minha respiração. Rick se debatia nos braços de Alec, que ria. Meu amigo mudo estava com a cara pintada de amarelo, e seu cabelo preto estava lambuzado para trás, cheio de tinta azul. Estava engraçado, mas eu não podia rir naquela hora. Precisava fazer minha vingança...

– E então, pirralho, cadê sua arma e seu martelo? - perguntei, me aproximando dele.

– Seu idiota! - ele cuspiu na minha cara. - Me solta! Me solta! Minha mãe vai chegar a qualquer momento e vocês vão ver.

– Ah, cala a boca. - mandei, passando a mão direto no meu rosto. - Rick, você é um pirralho morto... - rosnei. - Você vai pagar todos os seus pecados agora com... COSQUINHAS!

– NÃO, PELO AMOR DE DEUS, NÃOOOOOOOOOOO!

Eu comecei a fazer cosquinha na barriga dele, o que fez Rick rir muito. Rir tanto que ele até chorou e mijou nas calças. Eu e Alec começamos a gargalhar, enquanto ele chorava igual a um bebê.

– Eu vou contar tudo para a minha mãe. - falou, caindo sentado no chão quando Alec o soltou.

– Ohhh, tadinho dele. Mi mi mi... - imitei Rick, o que o fez chorar ainda mais. - Além de ser um mijão, é um bebê cho... - fui interrompido por um barulho de porta batendo.

Eu e Alec trocamos um olhar, estranhando, porque só havia nós ali. Foi ai que Rick começou a gargalhar.

– Rick, meu amor, a mamãe chegou. - uma mulher cantarolou.

– Fodeu! - eu e Alec falamos juntos.

Senti um frio na barriga e comecei a tremer. Se a Sra. Mãe do Rick nos visse ali, e ele contasse o que tínhamos acabado de fazer, eu e Alec seriamos dois caras mortos. Tudo bem que a morte dele não importava tanto, mas a minha sim! Eu era novo e gostoso demais para morrer cedo!

– E agora? - perguntei.

– Você se ferraram. - Rick falou, antes de começar a gritar.

Eu tentei tampar a boca do pirralho, e ele acabou mordendo minha mão.

– Seu cachorro! Espero que não tenha raiva. - falei, olhando a mordida que quase rasgara minha pele.

Merda, ia ficar roxo!

– MAMÃEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!

Alec me cutucou e apontou para a janela, entendi que aquela era nossa única saída, e por isso, fui até lá. Abri e quando olhei para baixo, arregalei os olhos. Era muito alto! Me virei de volta para Alec, que me olhou feio.

– Eu não vou pular isso nem a pau. - falei e ele fechou a mão, pronto para me dar um soco. - Cara, eu tenho fobia de altura!

– Pula logo! - ele falou, me empurrando na direção da janela.

Eu olhei novamente para baixo, calculando a altura e a distancia entre a janela e a piscina.

– RICK, QUERIDO, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?! - a voz de mulher soou mais perto.

Ela estava no corredor!

Eu coloquei uma perna para fora, e quando estava me preparando para pular, Alec me empurrou e veio junto. Nós dois gritamos até cair dentro da piscina. Alec começou a se apoiar em mim, fazendo eu me afogar. Empurrei ele e emergi, olhando para janela. Rick estava lá, rindo. Eu nadei até a beirada da piscina e sai dela, ajudando Alec a sair também.

– Vamos logo! - eu falei, puxando Alec para a cerca branca que tinha ali.

Não tinha outro lugar para sair a não ser ali, e se a mãe do Rick nos visse... EU NÃO QUERO MORRER! Porque Renée falara para mim quando soube do que Bella fez, que a mãe de Rick virava uma fera quando algo acontecia ao Sr. Cabeça dela. Ela o chamava de meu mundo, o que era engraçado, contando pelo tamanho da cabeça dele...

Eu me apoiei na cerca e pulei. Assim que pisei no quintal do outro lado, junto de Alec, nós ouvimos a risada escandalosa do cabeção. Eu suspirei, anotando mentalmente de que se eu visse aquele pirralho novamente, iria matar ele e foda-se a mãe super protetora.

– É, foi por pouco. - falei e Alec assentiu. - Cara, eu não sabia que trabalhar era cansativo.

– Nem e... - Alec foi interrompido por um latido.

Nós dois viramos lentamente para o lado só para dar com um monstro! Aquele era o cachorro mais grande que eu já tinha visto em toda a minha vida. O cachorro olho fundo nos meus olhos e eu tremi dos pés a cabeça. Ele era preto,e tinha olhos laranjas, quase chegando nos vermelhos. Ótimo, um cachorro vampiro! Ele deu um passo na nossa direção, e nós demos um para trás.

– Não faz movimento brusco. - sussurrei para Alec, que assentiu.

Demos mais um passo para trás e o cachorro rosnou, mas não se mexeu. Demos outro e mais outro, no quarto o cachorro latiu e veio para cima de nós.

– AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH. - berramos, saindo correndo pelo quintal e passando por um pequeno corredor para dar com o portão da frente.

Eu aproveitei que estava correndo e peguei impulso, pulando no portão e me preparando para escalar. Era difícil com as mãos suando e sujas de tinta, o que dificultou a escalada. Eu só consegui subir quando eu senti dentes afiados furar a carne da minha bunda gostosa. Aquilo fez eu dar um pulo que fui parar do outro lado do portão. Caí de costas, o que doeu demais. O cachorro ficou latindo para nós, com um pedaço da minha bermuda no dente.

Alec apareceu acima de mim, com uma expressão preocupada. Ele estendeu a mão para mim, me ajudando a levantar. Assim que ficamos em pé, eu me apoiei nele e suspirei.

– É, trabalhar não é fácil. - falei, choramingando. - Vamos pra casa, cara.

Nós seguimos andando lentamente por onde tínhamos vindo. Estávamos sujos de tinta, molhados e eu com metade da minha roupa faltando. Aonde arranjar trabalho daria nisso?! Com certeza Bella deveria ter se saído melhor do que eu, porque ela não se mete em tantas encrencas.

Quando estávamos perto de casa, eu pude ver Bella, Rosalie e o novo vizinho, vindo no final da rua. Minha irmã estava apoiada nos dois, praticamente sendo carregada. Assim que eu e Alec chegamos no quintal da minha casa, nos jogamos lá e suspiramos. Tudo em sincronia, como acontecia desde que nos conhecemos. Eu e Alec não eramos namorados que eram tão ligados para ter os mesmo gestos, mas eramos amigos que tinham os mesmos gestos. E isso não nos tornávamos gay, pra avisar. Eu não namoraria ele se fosse gay, eu me namoraria.

– Grande dia, hein. - falei e ele murmurou alguma coisa que eu não entendi. - Ah, qual é, não foi tão mal. - sorri e com isso ganhei um soco no ombro. - Ok, foi péssimo. - soltei um choramingo.

– Nossa, que estado o de vocês. - Rosalie falou quando se aproximou de nós. - Parece que foram para uma festa infantil aonde usaram vocês como tela para pintar.

Eu choraminguei, odiando a piada sem graça dela.

Senti quando ela e o garoto branquelo jogaram Bella ao meu lado, que se aconchegou no meu peito. Seu cabelo cheirava a laranja.

– Eu odeio você. - ela murmurou, me dando um beliscão.

– Eu também odeio você. - falei, rindo e ela me acompanhou.

Rosalie se sentou ao lado de Bella, sendo acompanhada pelo garoto que era gente boa. E assim nós cinco ficamos ali, todos derrotados.

(...)

Notas finais do capítulo
E aqui chegou mais um capitulos! Como vocês estão gatinhas? Eu espero que bem *-----* Pelo menos espero que sim mesmo, já que começou as aulas novamente :/ Eu odiei isso, e além de que estou separada novamente das minhas amigas. Aquela escola me odeia, é sério.
Mas esquecendo esse fato chato, eu quero saber o que vocês acharam do capitulo? Bella e Emmett são impossiveis, kkk. E esse Rick Cabeçudo? Só arranja problema para os Swans! Edward tadinho, deve ter ficado muito assustado.
Como falei no capitulo passado e no ultimo de Revista Nerd, fiz um blog : HTTP://SUMLEEFANFICS.BLOGSPOT.COM/ e aviso que segunda feira vou deixar um spoiler do próximo capitulo de Revista Nerd. Então apareçam por lá e comentem se gostarem *-----*
É isso, gatinhas. Cometem bastante e recomendem também, eu ia adorar *-*
Beijoos




(Cap. 5) Uma Boa Vista, Uma Boa Sorte

Notas do capítulo
link: http://www.youtube.com/watch?v=pcHI_lTmog4

4. Uma boa vista, uma boa sorte

Bella POV

– E então, como foi o dia de vocês? - Renée perguntou, enquanto comia um pedaço da lasanha que eu havia feito. - Produtivo?

Depois que Rosalie e Edward me jogaram em cima do Emmett, ficamos alguns minutos jogados lá não chão, e então entramos. Tomei um banho que podia lavar minha alma, arrancar minha pele, mas que não tirava o cheiro de laranja. Meu cabelo parecia que tinha sido banhado com o suco, e eu já começava a odiar qualquer coisa que tivesse essa fruta no meio, porque ninguém merece isso. Eu ainda ia estrangular Alice Brandon, ela não perdia por esperar. Daria uns bons tapas na cara dela só pra aprender a não ajudar Tânia. E também porque ela merecia. Depois de me lavar toda, Emmett e eu decidimos fazer o jantar, e eu preparei a lasanha que mamãe tanto gostava, e ele a salada e o suco - que GRAÇAS A DEUS não era de laranja, ou eu ia espremer a cabeça dele na máquina.

– Foi... - Emmett olhou para mim e depois deu de ombros. - Normal.

NORMAL?!, eu queria berrar ali. Aonde procurar um emprego gera uma pancadaria com patricinhas ou levar tiros de Paintball e ter que pular da janela? AONDE? Nunca ninguém deve ter passado por isso quando foi procurar emprego o que nós passamos hoje. Batemos recordes juntos, pois foram os empregos mais rápidos que perdemos. E admito que até tinha medo do próximo.

– Que bom! - Renée murmurou desconfiada. - Vocês fizeram o que?

Ah, mamãe, nada demais, acredite. Meu irmão deveria ter falado o inferno que passamos hoje, pelo menos ela não estaria tão desconfiada, porque Renée conhece os capetas que tem em casa e nunca acredita que o normal possa se encaixar em uma frase que esteja Bella e Emmett Swan.

– Bem... - eu comecei, cutucando minha lasanha, com tédio. - Eu fiquei com Rosalie no meu quarto, olhando o catálogo de empregos para ver se achava um..

– Eu também. - Emmett emendou, sorrindo.

Renée levantou os olhos do seu prato e nos encarou, um pequeno sorrisinho nascendo em seus lábios rosados.

– Sério?! - perguntou, limpando os cantos da boca com um guardanapo. - E como foi? O que vocês acharam?

Nós dois poderíamos falar a verdade, contar exatamente o que tinha acontecido. Que eu tinha conseguido um emprego no mesmo dia, que no começo foi tudo muito bom e mil maravilhas, mas que no final eu acabei saindo aos tapas com Tânia Denali e que Rosalie, minha melhor amiga e que está sempre comigo, como lá, me ajudou, dando uns boas merecidas porradas em Alice Brandon. E que no final, meu chefe metido a usar roupas de cafetão das décadas passada, deu um bom sermão sobre sermos damas - porque a filha dele é uma - e que não deveríamos sair rolando pelo chão como animais.

Ah, deveríamos falar também do dia do Emmett, que foi procurar emprego fácil, acabou dando na casa de Rick, que foi muito um filho de uma boa mãe dando uma de danado e detonou meu irmão com uma arma de Paintball, e que depois deu várias marteladas nele, e meu maninho, para se vingar, fez o garoto chorar e se mijar nas calças com cosquinhas. Só que a mãe de Rick chegou e ele, junto de Alec, teve que pular da janela, caiu na piscina, e para fugir dali pulou para o quintal vizinho, aonde tinha um super cachorro vampiro que mordeu a bunda dele. E no final, nós falávamos que ficamos mais de uma hora deitados no quintal de casa choramingando pelo nosso fracasso.

Simples e fácil!

Mas, para a pergunta de Renée, nós dois simplesmente falamos:

– Ah, foi normal.

– Hm. - o sorriso dela morreu e logo voltou a desconfiança. - Vocês só olharam? - assentimos. - Nem uma ideia do que fazerem?

Eu sabia que não tinha mais chance de ser chamada novamente para ir trabalhar na CY, pois o que eu tinha feito lá era i-na-di-mis-si-vel - como o gordão falou - e que eu deveria ser mais garota. Como essa magica não iria acontecer, e eu não ia mostrar meus seios ou minha amiguinha para ele mostrando que sou uma verdadeira garota, desistiria logo daquele lugar e deixaria a vaga livra para uma verdadeira dama, que era o que ele estava procurando.

– Eu tenho uma. - falei.

Pedir o que eu ia pedir agora era a mesma coisa que pedir para morrer, mas eu tinha que tentar. Sabia que eu não seria mais aceita no CY, porque tinha dado problemas bem no primeiro dia. NUNCA que aquele velho gordo metido a lorde de quinta iria deixar eu pisar lá mais uma vez. Com certeza ele e Jasper me odiavam agora e queriam me ver o mais longe possível da lanchonete. Então, eu não tinha outra escolha, porque agora eu sabia que Rick queria me matar com uma arma de Paintball então o emprego de babá não rolava mesmo. Eu podia esperar pelos outros jornais que estavam por vir, mas eu queria tentar e implorar para Renée deixar eu trabalhar com Rose.

Renée me encarou com uma sobrancelha erguida, querendo desvendar o que quer que eu deixei no ar, e eu apenas dei meu sorriso mais inocente.

– Nem pensar! - falou, batendo o punho na mesa. - Nunca, Isabella.

– Mas mãe... - choraminguei.

– Não! Você não vai.

– Você nem ouviu o que eu tenho pra falar. - ergui o queixo.

Renée olhou para o teto - mania que ela tinha quando ficava nervosa e procurava pela calma - soltou um suspiro longo e profundo e finalmente me encarou. Ela não parecia nem um pouco crente de que o que eu fosse falar pudesse mudar sua opinião, apenas queria ouvir minhas justificativa.

– Fala. - mandou.

– Mãe, eu acho que a senhora deveria me dar uma chance. - falei. - Porque olha, foi como uma vez minha psicóloga disse: se é uma coisa que você gosta, então não se chama trabalho. E bem... Se eu não fizer algo que eu gosto, vai ficar chato e não vou aprender a ser responsável. Mas se for algo que eu realmente gosto - como trabalhar com Rosalie - eu vou apreciar e vou querer ir com isso em frente. Está me entendendo? - perguntei e Renée assentiu. - É isso que eu quero. Se eu vou trabalhar, pelo menos seja algo que me agrade...

E para deixar com cara da Granfinale, eu fiz a carinha mais inocente possível, sendo a mesma que eu fazia desde que descobri que Renée não resistia. Era a minha arma não-secreta, porque Emmett também sabia e também fazia uma carinha de criança. Mas era claro que a minha ficava muito mais perfeita e meus olhos verdes eram mais bonitos e brilhantes que os dele.

– O problema Bella, é que Rosalie vai estar lá. - Renée falou finalmente.

– Eu sei! - sorri.

– E se vocês duas não se preocuparem com o trabalho? Porque é um lugar aonde rola bebida, tem adolescentes dançando, gatinhos e tudo mais. Acha que vocês duas juntas não vão ficar fazendo fofoca e paquerando? - ergueu uma sobrancelha e Emm gargalhou. - Eu sei o que vocês duas fazem quando você vai fazer uma visita para ela.

Abaixei minha cabeça, sentindo minhas bochechas corarem violentamente. Não que eu estivesse mesmo morrendo de vergonha, mas era que eu sempre tinha essa reação quando acontecia algo constrangedor. E eu odiava toda vez que o sangue vinha para o meu rosto, parecia uma garotinha inocente por causa da pele branca. Rosalie sempre tirava uma com a minha cara quando isso acontecia, ela dizia que se não fosse pelo meu gênio ruim, eu iria fazer parte do grupinho da Tânia. Argh, só se eu tivesse nascida virada do avesso e olhe lá que eu iria fazer parte daquelas... ARGH!

– Mamãe, você sabe que Rose leva muito a sério o trabalho dela. Ela é responsável quanto a isso, mais do que qualquer outro adulto. Nunca faltou e nem levou uma reclamação do chefe. Mesmo quando eu vou lá na boate para nós conversar. Não tem nenhum problema.

Renée ficou me encarando por alguns minutos, e eu sustentei seu olhar. Emmett ao meu lado me cutucava com o pé, fazendo gracinha como sempre. Eu queria poder socá-lo e mandá-lo parar, mas me segurei, porque eu via que estava conseguindo convencer Renée, e não queria estragar tendo uma de nossas briguinhas.

Por fim, Renée suspirou.

– Tudo bem, Bella. - disse. - Eu vou te dar essa chance e ver como você se sai. Se chegar em casa bêbada e tiver sido demitida por arranjar alguma confusão, eu mesma vou escolher no que você vai trabalhar.

Eu soltei uma risada e apertei as mãos, não querendo extravasar e fazer ali minha dancinha da vitória que só Rose e Emm já tinham visto. Pulei da minha cadeira e fui até Renée, lhe dando um beijo na testa.

– Obrigada, mamãe! Você não vai se decepcionar comigo. - falei, correndo para fora da cozinha.

– Espero mesmo! - ela gritou, fazendo Emmett e eu gargalharmos.

Eu podia ligar para Rosalie e falar para ela guardar meu lugar naquela boate, mas eu não queria começar logo hoje, que estava fedendo a laranja e cansada até demais. Então, eu apenas mandei uma mensagem para a minha loira dando uma boa sorte para ela no trabalho, já que ela estava lá por hoje ser domingo e estar lotado. Ela me mandou um "SOCORRO, QUERO DORMIR!" que eu, boazinha como sou, ignorei completamente, rindo de seu desespero. Amanhã iria deixá-la feliz com a nova noticia, e assim nós duas seriamos ainda mais inseparáveis - como deveria ter sido, sabe, nós termos nascido como irmãs siameses.


Na segunda de manhã, eu acordei com uma vontade louca de vomitar por causa do fedor de laranja, que agora parecia ter impregnado no meu quarto. Eu gemi, ainda sem abrir os olhos e puxei o ar com força, sentindo tudo dentro do meu estomago revirar. Ou eu estava em uma piscina de laranja, ou realmente tinha se espalhado pelo comodo. Senti a água azeda subir pela minha garganta e encher minha boca, e preparada para o que viria, eu levantei em um impulso... Só não esperava que tivesse uma bandeja acima da minha cabeça.

– PORRA! - gritei, abrindo os olhos.

A vontade de vomitar passou na mesma hora, quando eu dei de cara com Emmett, que tinha uma careta, olhando para uma mancha enorme e amarela no meu edredom. Ele me olhou e deu um sorrisinho sem graça.

– Bom dia?! - soou mais como uma pergunta.

– Quer... Merda você fez? - olhei para minhas roupas de cama ensopadas, e depois para a bandeja de prata que ele segurava, que continha apenas um grande prato com dois sanduíches. Deveria ter um copo também, mas esse estava na minha cama, perto da mancha.

– Eu nada! - se defendeu. - A culpada foi você quem levantou rápido.

– Você queria o que? Eu estou fedendo a laranja, e caso tenha se esquecido, já que eu tenho certeza que seu selênio é muito pouco, a anã da Alice me deu um banho ontem. Sabe o que é ficar com esse cheiro enjoativo impregnado na sua pele? NÃO! - dei um tapa na cabeça dele. - Até parece que o cheiro está pelo quarto inteiro.

– Ah... Bem, desculpa, sabe... Foi eu quem coloquei o suco de laranja perto do seu nariz grande. - ele olhou para os lados, com aquele sorrisinho de quem não sentia porra de culpa nenhuma.

Eu fechei os olhos para me controlar e não estrangular aquele grande garoto. Contei até dez, sabendo da maneira certa que funcionaria. Emmett não se pronunciou nem nada, apenas ficou me observando. Foi então que eu me toquei do que ele tinha acabado de dizer. Se Emm havia colocado o copo de suco de laranja no meu nariz, era porque o único suco que tinha ali seria aquele. E esse suco estava derramado na minha cama, que chegava com a conclusão de que...

– Se você não sair correndo agora, eu juro que vou te matar, Emmett. - murmurei com a voz dolorida, me controlando ao máximo, tentando abaixar um pouco meus instintos assassinos.

– Mas Bella, eu não fiz por mal! - ele sorriu. - Queria apenas agradar minha irmãzinha que eu amo tanto.

– Sai do meu quarto.

– Bella, não faz isso comigo...

– Sai agora do meu quarto.

– Sua ingrata!

– SAI DO MEU QUARTO, SEU ANIMAL! - avancei em Emmett, que saiu gargalhando do quarto. - EU TE ODEIO! - gritei para ele e bati a porta com força, quase fazendo a casa desmoronar.

– Eu também! - ele respondeu, ainda rindo.

Let's Go Surfing - The Drums

Caminhei furiosa até minha cama e tirei os lençóis, os travesseiros, o edredom, tudo que estava banhado de suco. Abri a minha varanda e joguei os panos ali, depois voltei no quarto e peguei um perfume antigo, meu maço de cigarros e o esqueiro, saindo novamente. Fechei a porta da varanda para que a fumaça não fosse para lá. Sem nem pensar duas vezes, sabendo que agora do jeito que Renée estava ela iria me mandar lavar, e eu não teria paciência em tirar aquele cheiro horrível, eu abri o perfume e despejei ele em cima das coisas, peguei o esqueiro e acendi em uma ponta do lençol vendo bem lentamente o fogo começar a consumir os panos. Peguei um cigarro e acendi no fogo, levando logo ele aos lábios. Vi aos poucos as chamas consumirem tudo que seria a minha morte, e o cheiro de lavanda com cereja subir pelo ar. Era uma mistura antiga que eu fazia, e havia parado.

– Mãe, a Bella está queimando coisas novamente! - ouvi a voz de Emmett soar do quintal.

Me virei para ele, que estava perto da piscina, assistindo tudo também, e sorrindo. Mostrei o dedo do meio, e ele gargalhou. Renée apareceu do lado do Emmett, saindo da cozinha, e me olhou horrorizada. Não era por eu estar de pijama, fumando e descabelada - talvez até com um galo na testa -, e sim por causa da pequena fogueira que eu tinha feito.

– Isabella, o que você está fazendo?!

– Emmett jogou suco de laranja e quase me fez vomitar! - falei alto para ela. Uma movimentação no quintal ao lado chamou minha atenção, e quando olhei na direção da casa, vi Edward em uma varanda também, com uma mão na boca e outra nos cabelos. Seus olhos verdes estavam arregalados. E o melhor de tudo, ele estava usando apenas uma boxer preta. - Hey, Ed! - acenei para ele, sorrindo.

O ruivo passou alguns segundos olhando de mim para minha fogueira particular, depois acenou também, mesmo com a expressão surpresa. Eu mordi o lábio, sorrindo, e olhando para aqueles músculos bem definidos que ele tinha. Meus olhos milimétricos e medidores como uma régua perceberam logo que aquele peito definido tinha o tamanho perfeito para aquelas costas tão bem delineadas... Ah cara, Edward tinha pintinhas espalhadas por todo o torso, eu conseguia ver. Tinha como essa visão ser ainda mais tentadora? Eu ainda ia tarar meu futuro marido!

Eu soltei um suspiro e então senti a água bater na minha cara, e no corpo inteiro. Ouvia a risada de Emmett e até a de Renée, que se divertia com meu afogamento. Eu procurava uma forma de respirar com aquilo me atingindo, e quando consegui, soltei um grito, que logo fez a água parar. Olhei para baixo e meu irmão segurava uma mangueira, que estava apontada para mim. Cuspi o cigarro ensopado que estava pendurado na minha boca.

– Você ficou louco?! - berrei.

– Estou apagando seu fogo, Bella. - gargalhou. - Literalmente.

– ARGH!

Entrei no meu quarto novamente, ainda escutando as risadas da minha família, e até a de Edward. Segui para o banheiro, aonde tomei um banho bem demorado. Eu estava a todo vapor e nem eram dez horas da manhã ainda, precisava extravasar minhas energias em alguma coisa. Eu precisava correr. Vesti um short de moletom vermelho e uma regata cinza, prendi meu cabelo em cima.

– Bella, - Renée bateu na porta do meu quarto. - pode ir limpar aquela bagunça na varanda e depois vamos conversar.

– Ok. - murmurei e fui fazer o que ela mandou.

Sai para fora e peguei os panos queimados, e levantei, olhando na direção da casa do Edward. Senti minha respiração ficar presa ao ver ele de costas para mim e se espreguiçando. Ele estava fazendo de propósito, só pode! Fazendo ou não, eu não iria perder a chance de medi-lo milimetricamente. As costas, como eu tinha visto naquela noite, era muito melhor. Bem definida e branquinha como de alguém que nunca pegou sol na vida, com aquelas pintinhas espalhadas por ali e pelo ombro. Tinha umas até na sua nuca. Ele continuava com a boxer preta, que mesmo assim dava para ver que a bunda dele era bem redondinha, de quem malhava todos os dias. E caralho, ele tinha aqueles dois furinhos sexy. Sem pensar levei minha mão até as minhas costas, constatando que eu também tinha os furinhos.

– Hey, Revolucionista! - olhei na direção da voz de Edward, e ele me encarava com um sorriso. - Está mais calma?

– Eu nunca fico nervosa, Edward. - menti, revirando os olhos. - Desculpa pela bagunça.

– Que nada, foi divertido acordar com mais uma de suas surpresas. - nós rimos.

– E então, estava olhando a paisagem? - apontei para o horizonte que tinha no fundo das nossas casas.

Dava para ver algumas ruas de Los Angeles, como se estivéssemos no topo, com casas grandes espalhadas de uma forma que ao mesmo pareciam arrumadas de formar milimetricamente perfeita, elas estavam desorganizadas. Um pouco distante, dava para ver a grande Avenida 10 e a enorme praia, com o mar se estendendo até onde nossos olhos não pudessem ver. Charlie, quando comprou essa casa, foi como se tivesse ganhado na loteria porque no valor que deu para a vista maravilhosa que tínhamos, foi sensacional. A casa estava velha e caindo aos pedaços, e os antigos donos desesperados para vendê-la - agora nem sei porque. Então, quando meu pai deu a oferta, eles aceitaram. Depois de muitas reformas, ela tinha ficado perfeita e eu tinha pegado o melhor quarto, com a melhor vista - agora ainda mais.

– Yeah. - Edward assentiu lentamente. - Deve ser ainda melhor no amanhecer e no pôr-do-sol.

– É impressionante. - eu falei empolgada. - Mas então, Edward... Quer dar uma volta comigo? Conhecer mais o bairro?

Ele concordou e nós combinamos de nos encontrarmos daqui vinte minutos na rua. Com os panos na mão, e uma última secada na gostosura que Edward era, eu entrei no quarto novamente e joguei os panos em um canto. Peguei meu tênis Nike de corrida e coloquei no pé, peguei os panos novamente e desci para o andar inferior, seguindo para a cozinha aonde só estava Emmett, comendo.

– Cadê a mamãe? - perguntei, continuando a andar para a lavanderia.

– Já foi trabalhar. - ele falou alto. - Se livrou por enquanto.

– Claro, claro. - revirei os olhos.

Peguei um saco preto no compartimento de utensílios e coloquei os panos queimados ali, depois voltei para a cozinha, deixando o saco na porta. Subi correndo as escadas e entrei no meu quarto, pegando meu celular e meus fones de ouvido, mandei uma mensagem de bom dia para Rosalie, e essa me xingou por acordá-la. Eu adorava o fato dela esquecer de desligar o celular para impedir isso. Aquela loira me amava, só não admitia. Depois de pronta, peguei uma maçã na fruteira e com o saco nas mãos, sai de casa. Atravessei o quintal e joguei o saco na lata de lixo. Bem na hora Edward saiu de casa, com uma bermuda bege, uma regata preta e de tênis também. Ele estava com fones brancos pendurados no pescoço.

– Vamos lá, garotão? - perguntei com uma animação teatral, antes de dar uma mordida na maçã.

– Vamos lá, carbonizadora.

– Eu realmente espero que você corra mais do que usa piadinhas sem graça. - pisquei um olho para ele que gargalhou alto. - Agora vamos, antes que solte mais uma.

No começo apenas saímos andando, - mais porque eu estava comendo - e eu contando para Edward o porque de ter começado com um mini incêndio essa hora da manhã. Ele riu demais e falou que era fã do Emmett. Yeah, Edward praticamente jogou na minha cara que nunca estaria do meu lado. No meio do caminho Edward jogou os resto da maça em um lixo, já que eu não aguentei comer toda e ele me ajudou. Depois de alguns minutos chegamos a praia, que tinha pouco movimento. Ao invés de seguirmos pelo caminho de pedra que servia para caminhada, fomos mesmo pela areia. Corríamos lado a lado, conversando banalidades, até meu celular tocar. Era Rosalie, então diminuímos o ritmo. Eu coloquei no viva voz para que pudesse falar sem segurar.

– Espero que seja algo realmente bom, pois está atrapalhando minha corrida matinal. - atendi.

– Hey, não fale assim, mocinha. – ela disse com uma voz raivosa. – Você me acorda dez horas da madrugada sendo que eu fui dormir as seis!

– Eu sei. - gargalhei. - Mas é que eu estava ansiosa para lhe contar uma coisa. E você sabe muito bem como eu sou...

– Não tem como esquecer. – Rosalie bufou. – Fala logo o motivo de estar tão ansiosa.

– Bem... - sorri comigo mesma. - Eu falei com Renée ontem e a convenci ela a me deixar trabalhar com você.

– O que? Eu não acredito nisso.– Rosalie riu. – Como você conseguiu isso?

– Ah, sabe... Eu falei os pontos positivos, coloquei minha psicóloga no meio e fiz minha melhor cara.

Edward, que olhava para a frente, me olhou quando ouviu a palavra psicóloga e eu apenas dei de ombros. Para avisar logo, eu não sou nem louca nem nada porque vou a psicóloga. Longe disso. Tudo bem que parecia, já que eu fazia essas coisas, mas se percebesse, era Rosalie e Emmett que me colocavam em tudo isso.

– A de vadia? – Rose perguntou e Edward riu baixinho.

– Não! A de inocente mesmo. - revirei os olhos para os dois, mesmo que ela não pudesse me ver. - Eu sei que perdi meu outro emprego mesmo... Cara, acho que bati o recorde de não passar nem 24 horas trabalhando em um lugar.

O gordão não falou nada sobre eu estar demitida ou não, e nem falou que ia jogar minha ficha no lixo, mas depois do barraco que armei lá, com certeza eu não era nem bem vinda para comprar um suco, e junto de mim estava Rosalie e Edward. As patricinhas ainda iriam lá, porque elas se deram de vitimas e também porque eram clientes de lá. Eu ainda pedi para Jasper me defender falando que Tânia quem tinha começado, mas o traíra ficou de boca fechada apenas me fulminando com aqueles olhos verdes.

– Relaxa, Bella, mais empregos viram depois desse. Aquela espelunca velha não merece alguém co...– Rosalie foi cortada por um bip no meu celular.

Olhei para a tela e tinha alguém me ligando, era um número desconhecido.

– Rouss, espera um pouco que eu tenho uma segunda chamada. Daqui a pouco te ligo.

– Ok, então.

Eu desliguei a chamada com a loira e atendi a segunda chamada.

– Isabella Swan?– uma voz grossa falou. Ela me parecia um pouco conhecida...

– Sim, ela mesma. - murmurei, confusa.

– É Jasper, da lanchonete CY.

Eu e Edward trocamos olhares surpresos, e com isso até paramos de andar.

– O que...? - comecei, mas então lembrei que tinha colocado meu número na ficha. - Ah, oi Jasper. - falei, fechando a cara na mesma hora, mesmo que ele não pudesse ver minha expressão.

Se eu pudesse arrancaria aqueles cabelos castanhos claros dele e junto os olhos, fora que depois abriria aquele corpo magrela e arrancaria os órgãos dele para poder vender no mercado negro. Tudo porque ele não me ajudou, ficou quieto lá, vendo eu levar um sermão e toda a culpa em cima das minhas costas. Ok que dividiu um pouco com Rosalie, mas mesmo assim! Eu achava que nós dois éramos amigos...

– Olha, me escuta primeiro, tudo bem?– perguntou e eu suspirei.

– Porque eu deveria fazer isso? Eu me ferrei ontem mesmo não sendo só culpa minha e você sabia, mas não falou nada! Poxa, achei que me tornar a sua colega de trabalho daria um ponto positivo para nós... - murmurei, fazendo biquinho. - Só se você não foi com a minha cara.

– Olha, Bella... – Jasper suspirou. – Não tem nada haver com eu não ir com a sua cara ou sermos colegas de trabalho. A questão é o emprego, e eu preciso dele, entende? Se eu falasse que aquela garota quem havia começado a briga, com certeza ela nunca mais apareceria na lanchonete e Walter me mandaria embora, e você junto! Então, me desculpe por não ter te defendido, ok? Só que primeiro vem o trabalho...

Eu não podia culpar mais Jasper, porque ele tinha razão. Se ele precisava, fez com consciência. Se fosse eu também faria, e claro que me arrependeria depois, mas como ele disse: primeiro vem o trabalho. Eu tinha que dar o braço a torcer para ele. E também, eu não era uma pessoa de guardar rancor.

– Tudo bem. - troquei um sorriso com Edward. - Mas me tira uma dúvida, porque você não rasgou minha ficha depois de eu quase fazer você perder o emprego?

Jasper riu.

– Porque Walter falou que íamos precisar dela.

– Hm... O que você quer dizer com isso?

– Que você não foi demitida no seu primeiro dia de trabalho, que ele quer te dar uma nova chance.

– Sério?! - pulei da cama, arregalando os olhos. - Tipo... Não é brincadeira?

– Bem.. Você quer saber a verdade?– peguntou e eu concordei. – Walter quer que você fique por perto porque ele quer transformar você em uma dama.

– O QUE?! - berrei, quase sentindo meus olhos saírem das órbitas. - Só pode está de sacanagem com a minha cara. - gargalhei.

– Não estou não. É exatamente isso mesmo. Mas é você quem sabe...

Eu mordi o lábio inferior, sentindo a dúvida pairar sob mim. Voltar a trabalhar na lanchonete CY ou ir trabalhar com Rosalie? Eu tinha gostado da lanchonete, tinha mesmo! Mas também adoraria ir trabalhar com minha amiga, e em uma boate. Só que o que eu não queria falar para Renée - ser sincera com ela - era que eu e Rosalie não iriamos dar certo juntas em um trabalho. Porque Tânia também ia lá com suas seguidoras, e iria rolar barraco se estivéssemos juntas.

– Eu posso pensar? - perguntei, fazendo careta para mim mesma. - Digo... Eu gosto do meu estilo, não quero ser transformada em uma dama!

Jasper gargalhou e eu o acompanhei. Ele tinha uma risada empolgante, que contagiava até pelo telefone. Eu curtia pessoas assim, que pareciam animadas.

– Claro, claro. – respondeu. – Se você ainda quiser trabalhar lá, é só aparecer hoje depois do almoço.

– Tudo bem. - respondi. - Bem... Agora eu preciso ir, voltar a correr aqui com meu vizinho gato...

– Ah sim. – Jasper gargalhou alto, sendo acompanhado por Edward, que não mostrava nenhum indicio de vergonha. - Então tchau.

– Tchau. - desliguei e me virei para Edward. - Agora o bicho pegou para o meu lado. Eu consegui conversar com Renée para me deixar trabalhar com Rosalie, mas isso porque foi o único lugar que eu realmente queria.

– Então isso significa que você não vai aparecer na lanchonete? - ele me empurrou para que voltássemos a andar.

– É ai que está o problema, garotão. - suspirei. - Se na lanchonete aconteceu aquilo com Tânia, imagina na boate? Vai acabar que nós duas perderemos o emprego.

Eu conhecia muito bem nós duas, sabia como agíamos diante das idiotices que Tânia dizia. Se eu brigasse, Rosalie brigaria junta, porque nós fazíamos isso uma pela outra. Acho que até se eu fosse presa, Rosalie também seria. Mas claro que não por ela querer, mas porque estaria metida na mesma merda que eu. Só que na boate seria tudo uma coisa de impulsividade, irmandade, e acabaríamos duas desempregadas. Eu não queria isso. Precisava da Rosalie trabalhando para o caso de que Renée me expulsasse de casa quando não aguentasse mais as bagunças que eu fazia.

– Acho que já sabemos aonde você vai trabalhar. - Edward riu e eu o acompanhei. - Quanto tempo acha que dura lá?

– Edward! - bati no ombro dele. - Nem me conhece direito e já sabe da minha fama? Caramba, já encontrou a velha Sra. Wilson para futricar? Eu ainda vou fazer aquela velha ir pro caixão, sério. Ela me odeia e fica falando minha má fama para o bairro inteiro. - fiz careta. - Aquela múmia ambulante.

Edward começou a gargalhar das minhas reclamações e eu apenas bufei. Não estava mentindo, a Sra. Wilson me odiava porque eu ficava paquerando o netinho - que não tem nada de inho– dela. Não tenho culpa se a velha conseguiu fazer uma filha bonita que fez um filho puta de gostoso. Mas a Sra. Wilson não entendia meu caso, e falava que eu era uma má influencia para o neto dela, que seria o futuro médico conhecido mundialmente por ser o melhor e ter saído de Harvard. Cara, era um desses que eu precisava e ela ficava me privando.

Eu comecei a correr, sendo seguida por Edward, que tentava se controlar das risadas.

– Eu não falei com essa senhora, Bella. Nem sei quem é. - falou quando conseguiu respirar. - Mas acho que já tive uma amostra naquela lanchonete.

– Aquilo lá? - soltei uma risada irônica. - Não é nem o começo, Edward. E também queimar os lençóis. Se eu lhe falar o que já fiz, vai correr agora para casa, subir aquela ladeira enorme que descemos e pedir para seus pais saírem logo daqui porque tem uma maluca como vizinhas. Só que eu realmente gostei de ter um vizinho lindo e que fica só de cueca boxer na varanda.

Edward me encarou de olhos arregalados e fazendo ele ficar mais fofo do que já é, corou. Eu tive vontade de apertar aquela parte rosada, mas me controlei para não assustá-lo.

– Eu sei que sou lindo e gostoso, Bella, mas não me diga que você é uma voyeur?

– Eu não era... Até você aparecer. - pisquei um olho para ele, que riu. - Estou brincando, Edward. Mas agora falando realmente sério, eu acho que ainda duro um mês na lanchonete.

– Ainda?

– Claro. Eu até duvido que não chegue nem isso. - dei de ombros. - Mas vamos ver com o Jasper, quem sabe ele seja um bom amigo e me impede de fazer alguma besteira, o que eu duvido muito, se nem... Rosalie consegue.

Edward me olhou como se eu fosse uma retardada, e eu apenas dei de ombros novamente.

– Não sei como alguém pior que você vai conseguir lhe impedir.

– Ela não é pior que eu, acredite. - olhei para a frente. - Acho que ninguém é.

– O que você quer dizer com isso? - perguntou, confuso.

– Talvez você, Edward, consiga me impedir, hum? - ignorei sua pergunta. - Porque eu também não acredito muito em Rosalie. Ela até tenta, mas sempre acaba entrando no meio de tudo. - ri. - Você pode ser o cabeça aqui. O que acha, hum? Ficar o dia inteiro comigo... Rir bastante... Se tornar melhores amigos... Talvez em um futuro descobrir que está apaixonado por mim e nós nos casarmos e termos filhinhos dos olhos verdes... E então? - mexi as sobrancelhas, sorrindo maliciosamente e Edward riu.

– Aceito isso, Bella. - falou sorrindo abertamente.

Eu disse que ele seria o futuro pai dos meus filho. Eu disse!

– Então você está aceitando casar comigo? - arregalei os olhos.

Ele balançou a cabeça rindo e correu, me fazendo segui-lo, também rindo. Edward tinha um bom folego e aguentou correr uma hora e meia comigo. Ele com toda certeza praticava esportes e/ou fazia academia, porque qualquer outro pediria descanso na metade do caminho. Na hora de subirmos a ladeira enorme, ele subiu em uma boa, conversando, só perdendo o folego algumas vezes. Se fosse Rosalie ali, ela estaria agarrada em mim e eu tendo que carregá-la, porque se fosse esperar ela descansar, só subiríamos a noite. Uma vez, quando ela se atreveu a correr comigo, nós tivemos que ligar para o Emmett vir buscá-la por que ela não aguentou e deitou no chão da calçada.

Assim que chegamos na rua, eu me despedi dele e entrei em casa e não tinha ninguém. Emmett deveria ter saído com Alec para fazer alguma coisa. Eu tomei um banho que relaxou os músculos, vesti um short jeans e uma regata leve. Eu ia na casa da Rosalie e depois, dependendo, iria na lanchonete falar com Jasper e o Metido-a-Lorde do patrão. Deixei um recado para Emmett que se eu demorasse a chegar, ou a mamãe, era para ele preparar o jantar hoje - mesmo que corresse o risco dele botar fogo na casa - e segui para a casa da minha loira.

Eu parei em frente a pequena casa de apenas três cômodos. Dois embaixo e um em cima. As paredes da frente eram pintadas de cor de madeira clara, que quando batia o sol dava a impressão de serem levemente douradas - como o cabelo da Rosalie. O quintal da frente estava com a grama um pouco alta - indicando que não morava nenhum homem ali, ou se morava era muito desleixado -, mas mesmo assim de um verde brilhante e cuidado, assim como a maioria dos quintais das casas na Califórnia. Mas apesar disso, era um local confortável, que mais parecia um chalé antigo que ficava perdido no meio da mata.

Atravessei aquele pequeno gramado e subi as escadas da varanda, nem batendo na porta eu já fui entrando. Eu era de casa, e Rosalie não se incomodava com isso - tanto que ela fazia o mesmo na minha, só que ao invés de entrar pela porta, entrava pela janela. E também, não é como se eu fosse encontrar ela em alguma cena constrangedora naquela hora. Naquela hora! Porque em outras, eu já havia tido muitas lembranças ruins que eu queria a todo custo apagar da minha mente.

– Estou entrando. - avisei, já dentro da casa.

Dava para ouvir o barulho do chuveiro, o que significava que Rouss estava tomando banho. Eu segui para a cozinha e abri a geladeira, pegando uma latinha de Coca-Cola, depois me sentei no balcão. Fiquei ali olhando pela janela o movimento da rua, quando fiquei entediada e olhei para o meu lado. Tinha uma pequena folha preta, com letras coloridas que chamaram a minha atenção. Peguei e comecei a ler. Era um anúncio da boate Druken American Rebels - a qual Rose trabalhava - e falava que estavam precisando de ou barman ou bargirl.

– Você está com sorte. - Rosalie falou, me assustando. - Muito folgada, hein. - ela veio até mim e pegou a latinha da minha mão, tomando um gole.

Rosalie estava apenas enrolada em uma toalha, e andava pela casa molhando o chão todo. Ela subiu as escadas que dava no único quarto ali e eu a segui.

– Yep, estou mesmo. - concordei.

Eu me joguei em sua cama, achando algum espaço nas diversas roupas que tinham ali em cima. Assim era o quarto de Rosalie, uma verdadeira bagunça de roupas, CDs, posteres e papéis de bala por ela ser uma viciada em açúcar. O pequeno cômodo tinha uma janela que dava para a rua, e uma porta que era o armário de roupas, aonde Rosalie tinha entrado. Com o teto inclinado aquilo mais pareciam um sótão, como no estilo de filmes quando as adolescentes tinham seu quarto lá. Eu me sentia em casa quando estava ali com ela.

Mas era assim que nós nos sentíamos uma na casa da outra, como se fosse nossa. Também, com uma amizade de longa data só podia ser assim mesmo. E também, eu não tinha porque ficar constrangida na casa da Rosalie, pois ela morava sozinha e com ela as coisas ficavam mais livres.

E não, você não leu errado, Rosalie Hale morava sozinha aos dezessete anos. E não, não tinha acontecido nada grave com os pais dela e ela era uma fugitiva de algum orfanato, longe disso. Seus pais moravam em Washington e estavam muito bem, sabiam da filha e mandavam dinheiro para ela todo mês. Rosalie só morava sozinha por opção própria, pois ela não queria ir embora de Los Angeles e decidiu ficar aqui comigo. Então, depois de chorar muito, virar uma rebelde sem causa de dar muita dor de cabeça ao Sr. Hale e a Sra. Hale, eles finalmente deixaram ela fazer o que queria.

Agora Rosalie tinha sua própria casa - pequena por escolha dela -, e vivendo feliz com apenas algumas condições. Os pais de Rose falaram que se ela queria morar sozinha tinha que ter responsabilidades de quem era independente, e isso significava trabalhar, ter sempre comida dentro da geladeira e dos armários e não aprontar. Também tinha mais uma condição do Sr. Hale, que era: nada de trazer garotos para cá, só Bella pode entrar! Ainda bem que ele tinha pensado em mim. Apesar de que como ele falou, parecia que eu era a única "garoto" que podia estar ali. Mas tudo bem, eu já estava acostumada a isso.

– Sabe quem tinha me ligado aquela hora? - perguntei e ela negou. - Jasper.

– O da lanchonete?

– Esse mesmo. E sabe o que ele queria?

– Hã... Pedir que você nunca mais apareça na lanchonete e na vida dele? - chutou.

– Errado. Ele ligou para pedir desculpas por não ter me defendido e também para avisar que o emprego ainda era meu.

– E você respondeu? - ela me encarou.

Ok, agora eu estava pisando em um campo minado, e dependendo do próximo passo que eu desse podia ficar em pedacinhos que não poderiam serem colados para Renée me enterrar toda bonitinha. Eu não sabia qual seria a reação de Rosalie a minha resposta, mas torcia que fosse boa.

– Bem... Eu falei para ele que iria pensar, porque o Walter, sabe o gordão lá, queria me transformar em uma... Dama. E eu não sei... - dei de ombros.

– Ah sim. - Rosalie vestiu uma calça jeans hiper mega colada, destacando suas curvas. - E você já pensou?

– Eu estou com medo de nós duas trabalhando juntas. - confessei, fazendo Rosalie gargalhar.

Ela vestiu uma blusa branca com o nome da boate e veio até mim, deitando do meu lado. Hoje Rosalie só iria comparecer lá para pegar seu salário e fazer uma festinha particular entre os vips que sempre apareciam em plena segunda feira. Eles adoravam fazer festas em agosto.

– Eu também estava pensando nisso. - falou. - E sabe o que eu acho?

– O que?

– Que você deveria ir para essa lanchonete. Fala sério, é legal lá! É calmo e fácil. Você não precisa ficar servindo caras bêbados e que dão as piores cantadas do mundo. - rimos. - Enquanto eu fico no meu trabalho.

– É, você está certa, Rouss. - concordei. - Mas então, e esse anúncio? - balancei o papel.

– Ah, sim, foi ideia de Carl. Ele precisa mais de um barman do que de uma bargirl, só que agora o que vier está ótimo.

– Hm. - fiz.

Eu sabia como as coisas eram um pouco corridas na boate, por ser uma das mais badalada de Los Angeles. E sabia também que alguns barmans se matariam por aquele emprego, por causa do salário. Rosalie recebia muito bem - fora a gorda mesada que os pais dela mandavam -, então o dinheiro era muitas vezes gastos com besteira. Ela era uma das melhores de lá com suas habilidades em malabarismo, e por curiosidade minha e do meu irmão, nós pedimos que ela nos ensinasse. Era uma coisa fácil fazer isso, e nós dois aprendemos rápido. Emmett até fazia as coisas mais difíceis que Rouss fazia.

– Já sei! - falei, assustando a loira, que estava brisando.

– O que? - perguntou.

– Emmett está sem emprego, e ele sabe fazer muitas coisas como esses barmans, e a DAR está precisando. Ligando esses pontos...

Rosalie ficou me encarando por pelo menos uns três minutos. Era por isso que eu implorava tanto para ela pintar aqueles cabelos loiros, pois eu sabia que eles afetavam o seu cérebro. Nada contra loiras, pois muitas eram inteligentes, mas tinham outras que só por Deus mesmo. E Rosalie era uma dessas.

– NEM PENSAR! - Rosalie gritou, levantando da cama e seguindo para o banheiro.

– Ah, Rouss, por favor... - choraminguei, seguindo ela. - Eu também não sou fã do Emmett, mas ele está precisando disso.

– Ficou louca? - fez uma pergunta retórica, sem nem me olhar. Estava concentrada em colocar pasta na escova de dente. - Eu não aguentaria aquele garoto trabalhando comigo por quase cinco horas! - ela começou a escovar os dentes.

– Ele não é tão irritante assim. E essa sua aversão por ele vai ser até bom, porque assim vocês não se distraem. Pensa, você sem querer olhar na cara dele, sem conversa, mais trabalho...

– Eo no quelo izo. - ela falou com a boca cheia de espuma, quase não dando para entende-la. - Vou matal eze!

– Não vai não. Dá uma chance pra ele, vai? - fiz meu olhar pidão e Rosalie me encarou, entediada. - Por favor, Rouss, meu amor. - pisquei os olhos.

– Eo oleio voze. - falou.

– Aiiiiii! - eu soltei um gritinho e comecei a fazer minha dancinha. Rodei no lugar e quando parei de frente para Rosalie, ela me lançava um olhar de "para com isso antes que eu te mate", e foi o que eu fiz. - Eu te amo! - falei antes pegar meu celular e ir para a cozinha.

Apertei o discagem rápida para o Emmett. Ele demorou para atender, e quando atendeu, estava ofegante.

– Não estou... disponível.– falou. Sua voz parecia distante, e tinha ecos, o que significava que estava no viva-voz.

– O que você está fazendo? - perguntei desconfiada, já fazendo careta.

Ele soltou uma risada.

– Você... Não vai querer... Saber.– falou e no final soltou um gemido.

– Ai meu Deus, que nojo! - coloquei a língua pra fora.

Emmett soltou uma gargalhada e eu ouvi a voz de uma mulher ao fundo.

– Quanta... Malicia, Bella.– falou. – Eu estou... Fazendo ginástica com a... Mãe do Alec.

– O QUE?! - arregalei os olhos. - Emmett, como você não quer que eu malicie? Pobre Alec, quando descobrir... - sussurrei.

– Cala a boca, Bella. – Emmett riu e foi acompanhado por outras pessoas. – Ele está aqui também, junto da Mell. Fala oi para a Bella, Alec. Oi. – ele fez, entediado e eu ri. – Fala oi pra Bellinha, Mell.– barulho cortando. – Oi Bellinha! ela soltou animada.

– Hey, gatinha. - a cumprimentei.

Mell, a irmã mais nova de Alec, ela tinha dez anos, era a única criança na face da Terra que eu gostava. E não era por ela me tratar docemente, mas sim porque a pestinha era uma capetinha e tinha os melhores planos para Alec e Emmett. Eu ia na casa dos Volturis dizendo para Renée e os pais de Alec que ia ser amiguinha da Mell, mas na verdade nós íamos era aprontar contra nossos irmãos que ficavam jogando videogame. Eu adorava fazer isso com a garotinha de pele amarelada e cabelos negros, com grandes olhos azuis, como era Alec. A cópia perfeita do meu mudinho preferido.

– Viu como eu não estou fazendo nada, Pinóquio?– Emmett riu.

– Nossa, ufa! - soltei o ar. - Menos mal. E não me chama de Pinóquio.

Emmett adorava tirar uma com a minha cara por causa do meu nariz. Para mim e para qualquer outro ele era normal, até engraçadinho por ser fino, mas para meu irmão era grande e ele dizia que crescia todos os dias que eu mentia para Renée, como acontecia com Pinóquio.

– Fala o que você quer. – ele mandou, agora sua voz ficando normal.


– Cara, eu arranjei um emprego para você! - soltei, animada.

– Mentira?! É de que?

– A sua cara.

– Eu te odeio.– sua voz ficou ríspida. – Não tem graça isso, Bella.

Eu fechei os olhos e suspirei. Como alguém podia ser tão burro como Emmett era?

– Idiota, não é brincadeira não. Arranjei um emprego de barman para você.

– NOSSA! – ele gritou, fazendo eu afastar o aparelho da orelha. – Que demais!

– Pois é, só quero que fique avisado logo de agora que sexta-feira você vai entrar lá.

– Ok.– ele estava eufórico. – Então até mais tarde em casa.

– Até. - desliguei.

Rosalie passou por mim, subindo as escadas para o quarto dela. Eu a segui novamente, indo até sua penteadeira e pegando um elástico para prender meu cabelo, assim como ela. Nós duas nos encaramos pelo espelho e ela fez careta para mim.

– Ok, hoje a noite tem que ser boa. - ela falou. - Você vai estar lá de bobeira ou vai pra casa?

– Primeiro vou na lanchonete e depois vou pra casa. - murmurei, pensando comigo mesma. - Acho que sou vou dar uma passada na DAR só na sexta mesmo. Renée está meio receosa comigo agora...

– Quem não estaria, quando as dez da manhã você coloca fogo nos lençóis. - Rosalie revirou os olhos.

– Como você... Emmett! - praguejei o nome do fofoqueiro.

– Yeah, ele me ligou antes de você e me contou o que fez. Ou mais ou menos...

– Como assim?

– Acho que ele queria era ligar para os bombeiros, porque gritava desesperado falando que a irmã maluca dele tinha botado fogo na casa. - bufei.

– Emmett só queria ouvir a sua voz de manhã, Rosalie. Ele sabe que quando já fala Alô, você desliga. - nós duas rimos das investidas do meu irmão bobão.

Olhei para o relógio que ficava na perto da TV e sorri, pois estava quase no final do horário de almoço.

– Eu preciso ir. - a loira falou antes de mim.

– Eu também. - segui com ela para fora de casa, e a esperei trancar a porta.

– Você vai mesmo na sexta?

– Vou sim. - assenti, pensando comigo mesma. - Tenho umas contas pendentes...

Eu já tinha tudo planejado na minha cabeça, e faria o que estava devendo para Edward. Estava com sorte, porque em apenas um dia Edward conheceria muitas pessoas da escola, para quando ele entrasse no ultimo ano não precisasse se preocupar em ter que se enturmar, porque já estaria enturmado antes mesmo desse dia.

– Ah, que bom que você lembrou! - Rose me olhou.

– Lembrei do que? - perguntei, confusa.

– Que você tem umas contas pendentes no DAR, dã. - ela me cutucou com a mão. - Está na hora de me pagar.

Fiquei olhando para ela, tentando lembrar de que contas ela estava falando, e me veio a mente as bebidas que eu tinha tomado com a loira.

– Hey! Você tem que pagar metade, nada disso. - protestei, dando as costas para ela e seguindo para a rua que ia para a lanchonete.

– Eu nada, você falou que ficava por sua conta! - ela gritou.

– Mentirosa, eu não estava bêbada o suficiente para falar isso. - me virei, olhando para ela, que estava no mesmo lugar parada. - Nem tente me enganar, hein.

Rosalie me mostrou o dedo do meio e me deu as costas, indo pelo caminho contrário que eu.

– Te ligo depois. - gritou por cima do ombro.

– OK!

Eu fui o mais rápido que podia para a lanchonete. Lá encontrei Jasper, que sorriu para mim. O Lorde não estava, então eu apenas assinei meu contrato para trabalhar ali, e fiquei olhando o que Jasper fazia. Por ser segunda-feira o movimento não estava tão alto, e eu até fiz algumas coisas, como peguei os pedidos e entreguei, que era um exemplo do que eu iria fazer. As patricinhas não apareceram, graças ao bom Deus, e eu pude fazer tudo em paz. Me sai bem, foi o que Jasper disse, e eu sabia, porque eu era ótima no que fazia.

Ok. Ok, eu estava exagerando, porque eu só fazia coisas que realmente saiam boas quando eram encrencas e planos malvados, de resto eu acabava por me ferrar. Ok, ok de novo, eu nunca me dava bem, em tudo me ferrada. Mas eu não tinha culpa!

Depois do meio expediente até as sete, eu me despedi de Jasper, que tinha se mostrado um cara legal, e corri até em casa. Não estava tão tarde para bater na porta da casa de alguém, então ofegante como estava, e sem pensar duas vezes atravessei do meu quintal para o dos novos vizinhos e toquei a campainha. Ouvi vozes lá dentro, não sabendo identificar de quem eram, nem da do Edward. Fiquei com receio de quem atendesse a porta fosse a mulher bonita, porque eu sabia que se fosse ela, iria ficar nervosa e começar a falar coisas sem pensar - como tinha feito na lanchonete com Jasper - e talvez poderia soltar o que tinha feito na casa dela no dia da mudança dela. Yeah, se a mulher bonita atendesse a porta nesse exato momento, eu teria que correr para longe.

– O que? - uma garota falou, fazendo eu sair dos meus devaneios.

Eu reconheci por ser a garota que eu tinha visto de costas no dia em enquanto fugia de Edward. Ela era muito bonita, e fazia eu me lembrar de Alice Brandon, o que fez eu logo fechar a cara para ela, e a expressão foi imitada pela garota de pele clara e cabelos ondulados do mesmo ruivo estranho do Edward. Na verdade, ela me lembrava muito ele, só que com os traços femininos. E se ele era lindo, ela detonava o irmão. O nariz arrebitadinho com pequenas sardas salpicando por ele lhe davam uma certa inocência, mas os olhos me lembravam felinos quando procuravam por uma caça, todo atento e perspicaz para qualquer detalhe. De um verde tão profundo e escuro que não dava para ficar olhando muito para eles. Eu não sabia definir como aquela garota era, mas com toda certeza ela deixava muito marmanjo ai com o coração destruído.

– Er... - pigarreei e mordi meu lábio inferior. - O Edward está? - perguntei.

– Espera. - pediu e se virou para trás. - EDWARD, TEM GENTE QUERENDO FALAR COM VOCÊ! - se virou para mim novamente, com um sorriso. Seus dentes eram muito brancos. - Ele já deve estar vindo... - ergueu uma sobrancelha, com a expressão confusa.

– Bella. - respondi, retribuindo seu sorriso.

– Quem é, Nessie? - ouvi a voz de Edward soando lá dentro e segundos depois apareceu atrás da garota. Foi ainda mais possível perceber a semelhança dos dois. - Ah, oi Bella!

– Hey. - o cumprimentei, sorrindo.

Nessie deu um tchau e entrou, perguntando para Edward se ele já tinha arrumado as coisas, que o ruivo respondeu que sim. Edward saiu para fora e fechou a porta, ficando na minha frente.

– E então, o que a minha nova vizinha tem para falar comigo? - perguntou.

– Eu só queria saber se você quer sair sexta feira que vem... - dei de ombros. - Sabe, estou devendo uma parte dos favores para você e acho que sexta vai ser o dia perfeito para cumprir e vai render muitas novas amizades.

– Seria legal. - ele assentiu, olhando para os lados. - Mas... Teria algum problema de eu levar Nessie junto? - apontou para dentro. - É que ela vai querer ir... - fez uma careta.

– Não. Nenhum problema, pode levar sua versão feminina. - respondi e ele me olhou de forma engraçada. - O que? Vocês se parecem e foi o único apelido que me veio agora. Preciso de um tempo, sabe... - olhei para Edward, que ainda estava com uma cara engraçada.

Eu ainda achava graça olhando para ela, mas já estava acostumada com essa meia... Careta. Digo, desde quando eu o conheci Edward fazia aquela careta, deveria ser alguma expressão só dele, sei lá. Tudo bem que eu não vi ele usar essa expressão com Rosalie, só comigo, mas sabe como é... Acho que eu o devia deixar desconfortável.

– Ok. - murmurou lentamente e depois sorriu de forma que me fez hiperventilar. Ok, tudo que ele fazia eu ficava assim, mas tudo bem. - Você vai usar vestido nesse dia, Bella?

– O... Que? - ergui uma sobrancelha para disfarçar o gaguejo que soltei.

– Estou brincando. - ele gargalhou e eu soltei uma risada nervosa. - Eu só queria ver qual é a sua reação. É engraçado que você faz brincadeiras maliciosas e não fica vermelha, mas quando alguém faz, até parece que vai chegar ao roxo.

– Ah, vai se ferrar. - bati no ombro dele, rindo também.

Eu não tinha culpa se isso acontecia. Não era sempre, era ele que fazia eu ficar assim. Eu não me importava de ser cara de pau e mandar algo na lata, como falar que ele é bonito e gostoso, mas se ele insinuasse alguma coisa, eu já me sentia uma garotinha de treze anos.

– Ok, parei. - levantou as mãos, se rendendo.

– Bella? - ouvi a voz da minha mãe me chamar.

Olhei para atrás e ela estava com o carro na rua, vendo se era eu mesma ali. Dei um pequeno aceno para ela, que retribuiu e depois entrou com o carro na garagem. Renée tinha que usar óculos, isso era um fato, porque nem estava tão escuro assim. O tempo estava ainda no por do sol, meio arroxeado, como se as nuvens fossem sorvetes derretidos e espalhados, da forma que eu mais amava. O tempo quente, mas fresquinho, com aquela briza. Uma pessoa com a vista normal não precisava força para enxergar, mas Renée não estava, e se recusava a usar óculos por falar que ficava velha. Cara, minha mãe é gata e não fica velha nunca! Nem se colocasse óculos de velha.

– Bom... Essa é a minha deixa para ir pra casa. - comecei, dando passos para trás. - Depois nós se fala, Edward.

– Até, Bella. - ele acenou, já entrando também.

Me virei para ir até em casa, mas parei, sorrindo comigo mesma. Se Edward queria brincar, eu ia brincar também.

– Ah, antes que me esqueça. - falei, fazendo ele parar. - Eu vou sim de vestido. - pisquei um olho e Edward riu, assentindo com a cabeça. - Tchau, Vizinho Gostoso.

Eu andei rápido para aonde Renée vinha, ela trazia sacolas de papel do mercado, tentando equilibrar aquilo. Eu a ajudei, e ela abriu a porta com a chave.

– Fazendo novas amizades? - perguntou, me deixando entrar.

– Claro que sim. - sorri. - Mãe, eu sou Bella Gostosa Swan, acha que eu não seria a primeira a falar com aquele gato?

Renée me guiou para a cozinha, rindo.

– Você e Emmett são mesmo irmãos, não pode negar. Falam iguais e tem o mesmo segundo nome: gostosos. - gargalhamos.

– É porque isso é um fato. - pisquei um olho para ela.


Notas finais do capítulo
E então, minhas cats, como estão? Eu espero que muito bem :) E o que acharam do capitulo? Não teve muitas emoções, mas foi porque eu só estava dando uma arrumada na vida da Bella e dando um passo para o próximo capitulo - acho que ja deu pra imaginar o que vai acontecer, KKK.
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Eu queria agradecer a MilenaOL e a Daay pelas lindas recomendações. Quando eu vi aquele numero 2 ali eu fiquei assim O.O e pensei : CARAMBA, JÁ GANHEI DUAS?! Sério, to mega feliz, vocês não sabem o quanto *O*
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Antes de qualquer coisa, eu queria deixar um pequeno aviso aqui que eu não sei bem quando vou postar um novo capitulo de Revista Nerd e de Aquela Garota, porque ultimamente eu ando tendo um bloqueio diante das duas fics porque apareceu uma outra idéia na minha cabeça que se eu não coloca-la logo para fora, vou pirar total. É sério, o que está por vir está me matando lentamente, KKKK.
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Bem, é só isso que eu tenho pra falar. E também que ando meio corrida aqui por causa da chuva. Estranho, toda vez que vou postar um capitulo começa a chover >.< Será que eu demoro tanto assim e quando faço, é um milagre? KKK . OK, parei de viajar.
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Beijooos gatinhas :*




(Cap. 6) Los Condenados

Notas do capítulo
Antes de me xingarem, ou atacarem qualquer coisa em mim, me deixem pedir desculpas pela demora, KKKKK.
Nós conversamos lá em baixo, aproveitem a leitura, que veio muuuuuuuito atrasada.

5. Los Condenados

– Pronto, mãe. - falei, guardando a ultima coisa que ela trouxe do mercado. Olhei para Renée, que me encarava de uma forma estranha. - O que... Foi? - perguntei.

Ela soltou um suspiro e negou com a cabeça. Estranha essa sua reação, porque minutos atrás ela estava animada falando sobre o seu dia de trabalho e das pessoas que irritaram ela, até a mulher que caiu da cadeira por causa do vestido logo de verão ter se enroscada no pé. E agora Renée estava assim, triste e calada.

– Não é nada, querida. - murmurou, se aproximando do pote de biscoitos que ficavam em cima do balcão. - Estou apenas... Pensando.

Ela se sentou em cima do balcão e continuou comendo. Sem entender nada, eu me aproximei dela e também peguei um biscoito, dando uma mordida e olhando para a parte dos fundos. A cozinha tinha uma enorme porta de vidro de correr, e muitas das vezes Emmett bateu a cara ali por ser burro o suficiente para não perceber que estava fechada. A piscina que ficava atravessa ali estava brilhando com o resto do sol que ia embora, pequenas luzes amareladas pareciam cristais. A grama verde também ganhava um tom meio dourado e um brilho jade. Dava para ver a sombra que a arvore fazia ali, e com o vento que soprava, o balanço velho de pneu ranger. Fora Charlie quem construíra para nós antes de ir embora, e ficara ali. As duas pequenas mesas redondas e com tampo de vidro ficavam perto da sombra da árvore, e as espreguiçadeiras perto da piscina. Nossa casa era realmente bonita, e tudo com o gosto de Charlie e Renée. Apesar de mamãe ter ficado magoada com o que papai fez, ela deixou todos os detalhes dele ficar ali, não mudando nada. Era algo tão dos dois que se mudassem, não teria mais aquela coisa aconchegante que todo lar tinha.

– Eu não sou uma péssima mãe, sou? - Renée perguntou do nada e eu franzi as sobrancelhas. - Bella, eu parei para pensar e vi em quantas coisas errei. Errei com a minha filha e com o filho da minha irmã. Eu não soube cuidar de vocês, e olha onde tudo chegou! Eu sendo mãe solteira com dois adolescentes sem limites que eu não soube dar quando eram crianças e comecei atrasada, lhe dando castigos agora. Eu não sirvo pra ser mãe... - ela suspirou e comeu mais um pedaço do biscoito.

Fiquei olhando para Renée, vendo que ela não estava brincando com toda aquela deprimência.

– Não fala isso, Dona Renée! - engrossei minha voz, colocando autoridade ali. Parei na frente dela. - Você é uma mãe maravilhosa e nós que somos... Nós! Não se culpe por sermos idiotas. Isso tudo que você está fazendo é certo, e não tem nada demais em colocar castigos. É o certo. Agora largue dessa bobeira e vai marcar seu encontro com aquele amigo de trabalho. - ela me encarou de boca aberta. - Não tente negar, eu sei de tudo.

Renée me encarou e depois sorriu, me dando um abraço. Eu sabia que toda essa tristeza e mudança de humor era apenas cansaço, pois toda vez que Renée trabalhava muito ela parecia uma louca bipolar. Já estava acostumada a tudo isso.

– Bem... - me afastei dela e roubei mais um biscoito. - Já que mudamos nosso humor, eu tenho uma boa noticia para dar.

Renée abriu um sorriso maior do que já tinha. Claro que ela se tocou do que eu estava falando, por ser segunda-feira, eu estar atrás de emprego, eu conseguira, e ela sentia.

– Eu não acredito nisso. - falou, risonha. - Bella, garota, isso é mais que demais! - ela me puxou para uma abraço, fazendo eu ficar toda torta em seus braços. - Minha loirinha está trabalhando!

– Ah mãe, menos... Por favor. - pedi, com a voz sufocada por causa do aperto. - Eu... Eu preciso...

– OH, CLARO! - me soltou e beijou meu rosto. - Bella, estou tão feliz com isso.

– Estou vendo. - ajeitei minhas roupas e meu cabelo. - Eu também, mãe.

Ela se ajeitou no balcão e me puxou para sentar ao seu lado. Eu peguei uma garrafinha de água que estava em uma sacola e abri, tomando um longo gole. Renée me encarava como se eu fosse a coisa mais maravilhosa da vida dela, e eu já começava a me sentir estranha com aquele olhar.

– Eu agradeceria se você parasse de me olhar assim. - falei, e tomei mais um gole da água.

– Desculpa, Bella, mas é que eu ainda não consigo acreditar que você conseguiu um emprego. Sendo você, é meio difícil... - nós duas fizemos uma careta. - Sabe o que é mais impressionante? É que não teve nenhuma confusão.

Ah não, claro que não teve, mamãe. Eu nem ataquei uma cliente - a ridícula da Tânia - e armei a maior confusão ali.Era tão engraçado como minha mãe, mesmo me conhecendo, mesmo sabendo como eu sou, ainda acha que eu possa fazer algo sem ter confusão, ou algo quebrado. Droga, era eu ali, tinha que ter uma! Quando ela acreditava que não tinha acontecido nada, eu nem discordava, porque era bom saber que minha mãe ainda pensava que eu não era um furacão destruidor, mesmo sendo eu.

– Pois é. - dei de ombros.

– E do que você vai trabalhar mesmo, meu amor? Estou tão animada que até esqueci de perguntar. - nós rimos.

– De garçonete em uma lanchonete perto da escola. O salario é bom, vai dar para meus gastos, e é calmo, algo que preciso, você sabe... - suspirei. - Acho que é o emprego perfeito para mim.

– Concordo com você, querida. - Renée passou a mão na minha cabeça. - Você vai se dar bem lá, eu sinto isso.

– É o que mais quero, porque preciso de tintas novas. - rimos. - Agora... Que tal fazermos o jantar?

Eu e Renée fizemos frango ao molho, já que ela falou que ultimamente minha alimentação saiu do controle. Eu tive que aceitar sem reclamar, afinal, ela só estava se preocupando comigo. Emmett chegou quando estávamos quando terminando, e ajudou a arrumar a mesa. Depois de jantarmos conversando banalidades - e Emmett anunciando que provavelmente conseguiria um emprego - eu subi para meu quarto, aonde eu tomei um banho e cai na cama, totalmente exausta.



A semana se passou mais rápida do que eu imaginava para como ia ser a primeira que eu estou trabalhando. Foi cansativa também, mas eu realmente não me importei. Ah, e claro, cheia de confusões com Tânia e Walter. A loira ainda apareceu na lanchonete, tentou novamente fazer graça - ainda falando do Edward, que queria o número do celular dele que não deu para pegar naquele dia -, e eu acabei jogando - como se fosse uma bola de futebol americano - um copo na cabeça dela, fazendo-a desmaiar. O velho metido a professor de etiqueta me deu uns bons xingos, encheu meus ouvidos, me deixou com uma dor de cabeça enorme, falou que ia ter prejuízos comigo ali, mas não me mandou embora. Ele falou que estava planejando as aulas, e que enquanto isso era para eu me manter quietinha. Ele também ficava sempre de olho em mim, como se procurasse algo, que eu esperava que ele não achava. Era o olhar que Charlie mandava para mim quando eu era pequena, e eu odiava isso.

Com Edward é que foi a parte mais calma, porque todos os dias ele ia comigo correr na praia, e sem reclamar quando eu aumentava mais alguns metros. Eu adorava isso, porque ter alguém pedindo pra voltar porque está morrendo é horrível - e eu falo isso na cara de Rosalie. Emmett também aguenta correr, o problema é que ele não me aguenta, então corremos em horas separadas. Nós conversávamos sobre tudo, sobre ele, eu, a linda mãe dele, que eu descobri se chamar Esme, e sobre a irmã dele, Renesmee. O pai Edward nem sequer tocou, e eu também não falei nada. Além dessa questão, só tinha uma outra que ele praticamente ignorava: porque ele se mudou para LA? Até parecia que era uma pergunta proibida, porque ele fechava a cara, ou simplesmente fazia como se nem tivesse ouvido. Eu tentei três vezes, e nisso falei que ia desistir, mas depois eu tentei mais três por causa da minha curiosidade excessiva.

Mesmo que tudo em mim seja excessivo.

Na sexta-feira eu estava contando os minutos para terminar logo meu expediente, e eu poder ir pra casa me arrumar e ir logo pra boate. Queria muito ver meu irmão trabalhando lá, e também... Ver Edward vestido pra matar. Quero dizer, o cara é um gato quando acaba de acorda, então imagina todo arrumadinho e cheirosinho? Ai ai, eu sinto que hoje eu vou cair pra trás. Só de imaginar eu já fico assim...

– Está no mundo da lua de novo. - Jasper falou, se aproximando de mim.

– Eu não fico no mundo da lua sempre, ok? - fiz bico. - Eu só estava...

– Pensando no Edward. - soltou com uma vozinha fina e eu arregalei os olhos.

– Co-como...? Eu não estava pensando nele! - menti, elevando um pouco o queixo. - Digo... Porque eu estaria pensando nele, hum?

Jasper me olhou como se eu fosse uma anomalia, e eu bufei. Tínhamos pegado uma certa amizade aqui, por causa que passávamos muito tempo juntos, e era só nós. Brincávamos e as vezes até conversávamos sobre nossa vida. Era uma coisa legal que eu não imaginava que ia acontecer entre eu e o carinha, porque no primeiro dia meu aqui as coisas não foram tão boas.

– Bella, você acabou de murmurar "Edward..." - fez novamente a voz fininha e suspirou como se estivesse apaixonado, acho que me imitando. - Me poupe, ok?

Eu soltei um gemido de frustrado e abaixei a cabeça, querendo morrer ali. Eu tinha essa horrível mania de falar sozinha quando estava perdida em pensamentos, o que acaba me condenando. E não era só acordada não, era também dormindo, ou seja, eu não tinha segredos porque sempre contava inconscientemente. Odiava muuuuuuuuuuuuuito isso, mas fazer o que? Eu vim ao mundo sendo defeituosa, não tinha concerto.

Levantei a cabeça, vendo Jasper voltar da porta, que ele tinha ido virar a plaquinha que indicava que estava fechada. Só então tinha reparado que não haviam mais clientes, e que só estávamos nós dois e Walter, que ficava na sala dele, fazendo sei-lá-o-que.

– Um dia eu vou descobrir de quem você morre de amores e então nós dois vamos ter uma disputa de quem tira mais. - falei e e ele negou com a cabeça. - Isso não tem nada haver, Jasper. - resmunguei para ele, que gargalhou. - Ah, para com isso!

– Não dá, Bella, porque é engraçado a forma como você age com essas coisas. - passou a mão no meu braço. - É sério, você gosta dele, não é?

Eu fiz uma careta, negando com a cabeça.

– Claro que não. - comecei a mexer o paninho que estava na minha mão, limpando o balcão. - Eu não gosto do Edward, só sinto atração por ele ser bonito. Qual é, sou uma adolescente, livre, legal e que sabe curtir a vida, acha que eu vou fazer o que? Seria muita idiotice minha ignorar aquele vizinho gostoso, Jasper. Mas isso não quer dizer que eu gosto, estou apaixonada ou amando ele. É a-tra-ção. - soletrei, mexendo as mãos em cada palavra para que o bonequinho Kenentendesse. - Já imaginou eu, Bella Swan, gostar de alguém? Puff!– revirei os olhos. - Isso nunca vai acontecer.

– Ué, porque não? - Jasper pulou a bancada, vendo o mesmo que eu: que tinha acabado nosso expediente mesmo, e não precisávamos ficar para mais nada.

Fomos para a sala dos funcionários, aonde guardávamos as coisas.

– Eu não posso, Jasper. - dei de ombros. - Essas coisas não são pra mim.

– Nunca ouvi falar disso, sabia? - comentou, tirando o avental. - Quero dizer, estamos no mundo para passarmos por tudo, desde quando nascemos. Temos que enfrentar o preconceito, as mágoas, as tristezas. Temos que conhecermos pessoas novas, ter amizades verdadeiras que vão marcar nossa vida. Temos que amar, Bella. Essas coisas não são limitadas só para algumas pessoas, todas podem ter isso. É só se deixarem ter. Até as mais insensíveis devem sentir algo - se tornaram assim por algo, as vezes. E você não é nenhuma assassina cruel, ou um monstro sem coração que não sente. Eu sei que não tem amores perfeitos, e que a primeira desilusão é a mais dolorosa, mas se fechar para o mundo assim não vai adiantar de nada.

– Adianta não sofrer a segunda. - ergui a sobrancelha.

– E então? Vai ser sempre assim, evitando, evitando e no final morrendo sozinha, sem filhos, ou alguém para amar e te amar? Bella, reveja seus conceitos, garota. Está nova demais para se fechar. Então, pare de dizer que não ama, que isso ainda vai acontecer, você vai ver. - ele me lançou o sorriso sedutor que dava para algumas garotas que entravam aqui, e eu pisquei o olho pra ele.

– Ok, Filósofo. - rimos. - Você fala como se já tivesse passado por tudo na vida, Jasper. - eu peguei minha mochila com minhas outras roupas que eu tinha trazido - para o caso de acontecer algum acidente - e ele pegou a bolsa de violão que ele tinha trazido hoje.

– Eu não passei, mas já assisti alguém passar. - deu de ombros.

– Ah, claro. - assenti lentamente.

Hoje quem fecharia a lanchonete era Walter, então apenas saímos com um tchau murmurado para ele. O vento quente da briza do amor acertou meu rosto em cheio, e eu puxei o ar, sentindo o cheirinho de água salgada que ficava quando dava seis horas da tarde. Nós começamos a andar para o mesmo lado, e eu estranhei. Jasper ia para o lado contrário do meu, e dessa vez estava indo pelo mesmo. Ele era um tipo de garoto mistério - como Edward - e eu sabia jogar as deles, assim conseguia arrancar algumas coisas.

– Hoje o dia está bom para curtir a noite. - murmurei, olhando para o céu que estava alaranjado.

– Digo o mesmo. - ele sorriu.

– Vai tocar em algum lugar? - perguntei casualmente, escondendo minha curiosidade, ao apontar para o bolsa em suas costas.

– É, mais ou menos. Tem dias de sextas que o pessoal gosta de se reunir em frente as casas e conversar, beber uma cerveja e escutar musica. - deu uma batidinha no violão. - Sabe... Para matar o tempo, e aproveitar o calor gostoso que fica.

– Entendo... - sorri com isso. - Tem vez que nas sextas eu vou para Pioneer Skatepark e fico lá, fazendo essas coisas. Mas sabe... Estou de castigo. - fiz bico e Jasper riu, como sempre fazia quando eu falava que estava de castigo. - Apesar que Renée falou que era só uma semana, e bem... Amanhã faz uma semana! UHU! - eu dei um pulo animada, fazendo ele rir ainda mais.

– Acho que alguém aqui vai fazer muitas manobras amanhã... - ele comentou, ainda rindo.

– Com toda certeza.

– Bem... Bella, eu vou virar aqui... - ele apontou para uma rua.

– E eu vou continuar indo reto. Tenho que ir logo, que hoje vou fazer uma visita para Rouss no trabalho dela.

Jasper na mesma hora fechou a cara, e eu mais uma vez ignorei. Eu já tinha percebido que toda as vezes em que eu citava o nome da minha loira, ele ficava sério ou simplesmente fechava a cara, como se ela não fosse nada agradável. Eu nunca questionei porque, mas ainda iria, só precisava de uma oportunidade. E essa não era a hora, porque o que quer que ele falasse, poderia mudar meu humor e eu não estava nem um pouco afim de ficar nervosa.

– Nós se vê depois, Bella. - disse, acenando e me dando as costas.

– Até. - falei, seguindo pelo meu caminho.

Fui me questionando com meus botões essa aversão do boneco Ken com a Rouss, mas nada se encaixava. Assim que cheguei em frente de casa, mandei uma mensagem para Edward, avisando que tinha chegado agora e que a minha irmã demorava muito para se arrumar, já que era uma princesa. Entrei em casa e bati a porta com força, para o lerdo do meu irmão saber que eu estava ali. Renée ainda não havia chegado, então apenas subi as escadas correndo.

– Emmett, minha princesa Fiona, anda logo ai no salão de beleza que nós já vamos sair pra festejar! - berrei no corredor e entrei no meu quarto, indo me arrumar.

Hoje seria a noite para Edward e para a . Eu iria fazer eles conhecerem aquela boate toda, e ainda iria ver meu irmão arranjando um trabalho, e o melhor: iria ter uma noite divertida de sexta feira.



Edward POV

– Finalmente nós vamos ter algo para fazer aqui. - Renesmee falou se jogando ao meu lado, na minha cama. - Eu já estava ficando louca aqui presa nessa casa.

– Pois é. - murmurei. - Somos dois.

Apesar de que com aquelas pessoas, era mais saudável ficar em casa sem fazer nada...

– Como você conheceu aquela garota, Edward? - Nessie se apoiou no cotovelo e me encarou. - Foi quando você saiu no sábado? Eu deveria ter ido... - terminou a frase falando consigo mesma.

Eu soltei uma risada, lembrando de como tinha conhecido Bella.

– Nessie, vai por mim, você não vai querer saber como eu conheci nem Bella, nem Rosalie ou qualquer outra pessoa que anda com ela.

Eu deixei Nessie deitada na minha cama com uma expressão confusa e fui para o banheiro tomar um banho. Eu não precisava de duas horas para ficar arrumado, por isso fiz tudo com calma. Tomei o banho, vesti uma roupa casual e baguncei meus cabelos que estavam molhados. Eu sabia que estava bom e que seria aceitável para Bella. Dava para ver na cara dela que eu era aceitável. Modéstia a parte, claro...

– Uhh, que gatinho. - Nessie entrou no meu quarto minutos depois e parou na minha frente. - Então... Me diga uma coisa, eu devo ir de bota ou salto? - ergueu as duas coisas.

– E eu lá sei?! - dei as costas para ela e fui até o closet, pegando meu tênis. - Pra mim é a mesma coisa.

Na minha irmã era a mesma coisa, porque em outra garota era diferente. Eu sabia olhar desde as roupas que ficavam boas ou não nelas, mostrando o que Deus tinha dado para elas. Digo, em Nova Iorque as meninas usavam mais botas, mas estávamos na Califórnia.

Ah, grande e quente Califórnia com suas praias e garotas com biquínis e saias. Sim, eu estava no paraíso para o tipo de cara como eu,mas as condições para que isso acontecesse não era uma das melhores, então eu não me sentia assimtão feliz. Era bom, não ótimo. Era ruim não ter mais amigos e essas coisas? Sim, era, mas também era fácil arranjar outros e curtir o lugar novo.

– Isso é tão chato. - ela choramingou. - Não ter mais as meninas para me dizerem o que usar. Eu odeio não ter mais amigas!

Eu poderia falar para ela sobre Bella e Rosalie, mas de longe dava para saber que as duas não faziam o estilo que Nessie era. Bem... A prova concreta disso foi a briga que as duas arranjaram na lanchonete em que Bella foi procurar emprego. Aquelas garotas de salto que entraram lá não fazia o estilo das duas, então eu não poderia citar sobre elas para a minha irmã. Ela teria que se virar e arranjar do tipo dela.

– Relaxa, logo você consegue outras. - falei sorrindo para Nessie, que fez um biquinho.

– Eu espero, porque você é um chato. Eu tenho certeza que hoje mesmo já vai arranjar alguma vadia por lá e me deixar. Eu sei, eu sei! Sabe porque? Porque você já era assim em Nova Iorque, então imagina aqui na Califórnia aonde as garotas andam com saia ao invés de calça? Eu já estou prevendo tudo.

Nessie saiu do quarto me deixando ali todo confuso. Dei de ombros e continuei a colocar meu tênis. Eu já estava pronto, só faltava Bella aparecer com o irmão dela para nós irmos para a tal da boate DAR, que era aonde Rosalie trabalhava. A loira já tinha me deixado informado sobre o que ela trabalhava e aonde, e que eu estava convidado para ir lá a hora que quisesse que ela deixaria uma bebida na conta dela. Ela é legal. Estranha, mas ainda assim legal.

Digo, eu não estava acostumado a garotas espontâneas e falantes como aquelas duas eram, cada uma sendo do jeito que era. As meninas de Nova Iorque eram sempre calmas e de nariz empinado, com suas frases calculadas e o uso do palavrão de uma forma tão chata que elas nem deveriam estar falando. Bem... Assim eram as amigas de Nessie e as garotas que eu estudava. Nada igual Rosalie ou Bella, que era tão natural com suas ironias e brigas sem sentido uma com outra, além dos "apelidos" que davam uma a outra.

Bella era sem igual, acho que não existiria outra garota como ela. Desde a primeira vez que a vi já percebi que ela não era normal, porque a forma que nos conhecemos foi muito, muito estranha. Fiquei sem reação ao dar com uma garota molhada e de biquine caída no corredor da minha casa. Essa não era uma cena muito comum de acontecer. Mas apesar de como ter sido a forma que nos conhecemos, acabou que isso gerou uma... Amizade. Não que já fossemos amigos, mas estávamos indo por esse caminho. E também tinha o fato de que Bella me devia uma. Bem... Eu confesso que me aproveitei dela e de seu desespero, só que o que eu poderia fazer se ela quem disse que eu devia uma? Eu poderia ser mais o Edward de Nova Iorque e conseguir Bella para mim, mas não fiz isso. E ela não era de se jogar fora. Longe disso. A garota era linda de uma forma engraçada. Ela tinha uma graça estranha.

Assim como Rosalie, a amiga dela. A loira com certeza fazia o tipo dos meus amigos da minha antiga escola. Ela era linda também, e o jeito marrento que usa calça larga e camisetas com nome de banda ainda a deixava mais atraente.

E eu tinha me dado bem com aquelas duas garotas malucas, que me assustaram da pior forma possível. Com todo o lance de se esconder atrás de um carro e depois de Bella conseguir o trabalho por causa do castigo, elas arranjarem uma briga com umas garotas. Aquela foi a briga mais maluca e cheia de palavrões que eu já vi na minha vida. Se aquelas duas fossem para Nova Iorque seriam vistas como E.T e seriam excluídas dos grupos das garotas, pois eram totalmente o inverso das novaiorquinas que eu convivia. As famosas "patricinhas".

Fui desperto dos meus pensamentos quando a campainha tocou. Eu peguei meu iPhone em cima da cabeceira e sai do quarto, dando com Nessie. Ela tinha se resolvido e decidiu colocar a sandália, usando um vestido preto e reto. Os cabelos estavam revoltados e sua maquiagem era marcante.

– Quer matar quem? - perguntei, pegando na mão dela.

– Rá-rá, engraçadinho. - ela revirou os olhos. - Eu estou normal e não quero matar ninguém.

Nós descemos as escadas e eu abri a porta, dando com Emmett.

Ele era um cara grande, do tipo que parecia usar bomba. Eu não sabia se ele usava ou não, mas era de desconfiar. Era parecido com Bella, principalmente no sorriso, tendo uma única diferença as covinhas na bochecha.

– Eai, Edward! - me cumprimentou, dando um soquinho no meu ombro. Quando olhou para o meu lado, soltou um assobio. - Wow, que namorada, hein!

– Ah não, não. - Nessie negou rápido, fazendo uma careta. - Eu nunca namoraria Edward, nem se ele fosse o último cara na face da Terra. Sabe... Ele não faz o meu tipo.

– Concordo com você. - Emmett falou, sorrindo malicioso pra mim. - Ainda bem que ele não é e tem eu.

– Cara, para de paquerar minha irmã na minha frente. - pedi, fazendo uma careta.

– Ok, desculpa. - ele ergueu as duas mãos. - Pode virar de costas, por favor?

– Vai se ferrar. - falei e ele e Nessie gargalharam.

Eu fiquei encarando Emmett, procurando em algum dos meus amigos de NY uma parte como aquela, mas nenhum tinha. Não sabiam ser tão cara de pau como ele, ou tentar brincadeiras assim. E o pior era que eu não me incomodava com ele conversando com a minha irmã como me incomodava quando os meus amigos conversavam.

Uma buzina soou e eu olhei pelo ombro do Emmett para ver um Jeep preto. E quem estava pilotando era nada mais nada menos que Bella. A garota parecia selvagem sentada ali, com o teto aberto enquanto o vento batia em seus cabelos bagunçando os já bagunçado. Bella ficou em pé e apertou mais uma vez a buzina.

– Vamos logo, caralho! - gritou.

– Meu Deus... - Nessie murmurou olhando também para a mesma direção que eu.

– Ihh, nem fica assim. Essa é a Bella, minha irmã maluca, e esse é o jeito dela. - Emmett revirou os olhos. - Agora vamos antes que ela vá sem nós. Não que eu me importe...

Outra buzina soou e Rosalie parou atrás do carro da Bella com uma BMW M3 conversível vermelha. Ela acenou animadamente para mim, que devolvi o aceno. Nessie soltou minha mão e passou o braço pelo de Emmett, que acompanhou ela atravessando o gramado até o carro de Rose e a ajudando a subir atrás, aonde os dois ficaram. Eu fechei a porta e segui para o carro da Bella, pulando e entrando.

– Parece que alguém me ouviu. - Bella falou, sorrindo.

– Sabe como é. - dei de ombros e ela gargalhou.

Rosalie buzinou novamente quando passou por nós, Emmett mostrou o dedo do meio que Bella devolveu. Ela acelerou o carro que ronronou abaixo de nós.

– Belo carro. - elogiei.

– Yeah. - assentiu, os olhos fixos na estrada. - Foi um presente de Renée e Charlie quando eu fiz dezesseis anos. Eu amo do meu bebê - alisou o voltante -, mas também gosto de esporte e skate, por isso não apareço muito com ele.

– Eu sei, você e Rosalie me falaram. E me deixa adivinhar, você só sai com ele para ir para a escola e para festas?

– Isso ai. - riu. - De vez em quando eu vou para o colégio de skate ou com Emmett no Jipe dele. Sabe, estudar no Phoenix High School não é tão legal, então pelo menos ir para lá tem que ser.

– Ah, claro. - assenti.

Bella ligou o rádio e acelerou o carro, indo pelas ruas iluminadas de Phoenix. Ela falava o motivo de estarmos indo todos juntos na boate DAR (Druken American Rebels), que era por que Emmett estava tentando arranjar um emprego por lá. Ela me falou que seria divertido e que estava apostando com Rosalie que ele conseguiria. Se conseguisse, a amiga dela teria que ajudar ela convencer Renée - mãe dela - a deixá-la nadar na piscina.

– Espera... - olhei para ela, confuso. - Se você tem uma piscina, porque estava na da minha casa?

– Er... - olhou para a frente, e vi suas bochechas corarem. - É porque eu aprontei umas em uma festa familiar e acabei por ficar de castigo, sabe... Sem piscina. Então, eu fui lá escondido.

– Ah. - fiz.

Como eu já tinha percebido, Bella era maluca e cara de pau.

Quando ela parou em um farol, ela mudou a estação de rádio, deixando em uma que tocava uma música animada deBlack Eyed Peas, e depois me encarou com um sorriso. Seus olhos verdes pareciam mais atentos do que alguma hora ela fez isso. Deu para perceber que ela estava me avaliando quando fechou eles em fendas, como se esforçasse para pensar. Eu sentir meu coração perder uma batida, e as palmas das minhas mãos começarem a suar.

– Sabe, Edward, olhando para você agora... Você parece alguém que eu conheço...

Minha respiração ficou presa em algum canto, e eu tive que me esforçar para respirar direito e não deixar transparecer o que sentia.

– Co-como... - pigarreei para parar de gaguejar. - Você já viu alguém tão lindo como eu? - decidi fazer uma brincadeira.

Bella arregalou os olhos e gargalhou alto, esquecendo totalmente da pergunta que havia feito. Eu soltei uma risada nervosa, me sentindo mais aliviado já que havia conseguida mudar o rumo da conversa. O sinal ficou verde e ela acelerou, ainda rindo de mim, balançando a cabeça em negativa.

– Garoto, você se acha demais. - falou quando finalmente parou de rir. - E tem total razão nisso. Eu nunca vi ninguém tão lindo. - piscou um olho na minha direção e depois riu.

Novamente ela estava daquele jeito estranho que me deixava sem entender nada. Bella tinha uma coisa nela que a deixava uma cara de pau de primeira, como o irmão, mas as vezes parecia uma garotinha tímida. Como alguém podia ser maliciosa, dar em cima e quando retribuíam, ela ficava corada?

Nós chegamos em frente a tal boate, que tocava uma música alta. Fora a quantidade de pessoas que tinham do lado de fora. Achamos Nessie ali, sozinha, e ela explicou que Rosalie e Emmett tinham entrado pela área de serviço, e ela não poderia, por isso nos esperava. Bella nos chamou para entrar e nós fomos.

– Fala ai, Rex! - Bella atravessou a fila enorme que tinha ali e bateu no ombro do segurança, que virou o rosto lentamente para ela.

Nessie ao meu lado se encolheu, não gostando nada da aparência daquele cara. Ela era maior que Emmett, e tinha cara de menos simpático por debaixo dos óculos escuros. Vi de relance seus músculos flexionarem no terno, e temi por Bella, que estava ao lado dele e sorria inocentemente, não vendo toda aquela raiva que saía do cara.

– Bella... - chamei, pegando-a pelo braço e a puxando para perto de mim.

Ela me olhou confusa e com os olhos eu indiquei o segurança, que ainda a encarava sério demais. Bella franziu as sobrancelhas dividindo olhares entre mim e ele, e fazendo o mesmos gestos com os olhos.

– O que foi? - finalmente perguntou, em um sussurro.

As pessoas atrás de nós reclamava que tínhamos parado a fila para conversar. Mesmo que não estávamos fazendo aquilo.

– Esse tal de Rex parece não ter gostado da sua atitude.

– O que?! - arregalou os olhos. - Se o Rex tentar alguma coisa contra mim, eu acabo com ele. - se virou para Rex. - É verdade que você não gostou do que eu fiz, Rex?

Eu fechei os olhos, não acreditando que aquela garota magrela e daquele tamanho queria bater de frente com o... Que porra de nome era aquele?! REX?! Isso era nome de cachorro!

Olhei para o cara, que lentamente levantou a mão. Achei que ele iria dar um soco nela, e já me preparei para impedi-lo da fazer aquilo, mas ele só abaixou um pouco os óculos escuros para nos encarar com aqueles olhos preto carvão. Bella continuava com a cabeça erguida, olhando diretamente para ele, que para a minha total surpresa, sorriu. Yeeeeah, o cara que mais parecia um matador sorriu de forma infantil e estranha.

– Você acha que eu faria isso, Bella? - perguntou com uma voz extremamente fina. Não gay, mas fina, assim como aquele lutador brasileiro.

– Não sei, me responde você, Rex. - ela cruzou os braços, e eu percebi que prendia um sorriso.

– ANDA LOGO COM ISSO! - uma garota na fila gritou e Bella, sem nem se virar, mostrou o dedo do meio para ela.

– CALA A BOCA, PIRANHA E ESPERA. - berrou ainda sem olhar para o lado e a garota ficou quieta. - Anda, me responde, Rex!

– Nunca, Bella. Eu não machucaria minha princesinha encrenqueira. - passou a mão nos cabelos dela, como um pai faria com sua filha. - Como chegou a essa conclusão absurda?

– Ah, foi o Edward que me falou isso. - balançou a cabeça como se fosse uma coisa banal, mas... AQUILO NÃO ERA NADA BANAL.

O tal de Rex virou sua cabeça muito rápido na minha direção, e soltou algo como um rosnado. Eu dei um passo para trás, sendo acompanhado por Nessie, que tinha percebido o mesmo olhar hostil. Só Bella que continuava sorrindo como uma boba.

– Isso é verdade, rapaz? - ele perguntou com aquela voz fina. - Porque se for, eu vou te mostrar o que é não gostar de alguma coisa.

Era para ter medo? Eu já não sabia mais, porque o tamanho do cara e a finura da voz dele me deixava confuso.

– Er... Eu... hum... - eu comecei a gaguejar, sem saber o que dizer.

– Não fica assim, eu estou brincando com sua cara. - ele começou a rir e foi acompanhado por Bella. Eu e Renesmee não expressamos nada. O bom humor do cara pareceu sumir do nada, e isso me fez arregalar os olhos. - Porque não está rindo? Levou minha brincadeira a sério? Acha que eu não seria capaz de fazer isso?

Pronto, era agora que eu iria morrer nas mãos de um segurança com nome de cachorro com voz fina e ainda por cima bipolar e louco como todo mundo que convivia com a Bella. Não estava pronto para aquilo, ainda tinha muitas coisas que eu precisava fazer na minha vida, e muitas competições para ganhar.

– Er... Não! - arregalei os olhos quando ele fechou o punho. - Digo, não de eu não levei sua brincadeira a sério, e não de não acho que seria capaz de fazer isso. Porque, pelo seu tamanho, você pode fazer qualquer coisa, mas... Essa sua voz... - olhei para Bella, que estava de olhos arregalados. - Ela... Ela passa a brincadeira, e...

– Edward, cala a boca... - Nessie sussurrou no meu ouvido.

Eu bem queria fazer aquilo, mas o segurança estava me intimidando com aquelas mãos grandes fechadas em punhos e me olhando por baixo com aqueles olhos negros.

– O que você disse da minha voz? - perguntou.

PRONTO, FUDEO!

– Na-nada. - gaguejei novamente.

– Ahhhhhhh. - fez com a voz fina e eu me segurei para não rir, mesmo estando nervoso e com medo. - Eu achei que você tinha dito que minha voz fina não causava medo e me deixava parecendo um gay.

– Não, que isso. - bufei e revirei os olhos.

AH SIM, DEIXAVA SIM.

– Bom mesmo. - falou e virou para Bella, sorrindo. - Veio fazer uma visita para Rouss?

– Não, eu vim apresentar uma boa festa para Edward e Nessie. Sabe como é, antes que eles se metam com aquelas pessoas sem classe e não saibam as coisas boas de Phoenix.

– Sei sim, princesinha. - ele arregalou os olhos e se voltou para mim e para a minha irmã. - Vocês vão adorar aqui, tigresa.

– Do que você me chamou? - Nessie perguntou.

– De tigresa. Você tem uma expressão de... Perigosa. Sério, garota, você tem isso. - ele piscou um olho e eu queria fazer meu papel de irmão e proteger minha irmãzinha caçula daquele cara bipolar, mas e o medo, aonde eu enfiava ele?

– Ok, sem paqueras, Rex. - Bella, para a minha salvação, se pronunciou. - Nós vamos entrar porque eu preciso saber se o tapado do meu irmão conseguiu o emprego, então... - deu dois tapinhas no ombro do gorila. - Até depois.

– Até, princesinha. - passou a mão no cabelo dela de novo. - E nada de atrapalhar Rouss ou arranjar confusão.

– Pode deixar. - ela estalou a língua e me puxou pela mão.

As pessoas da fila que estavam revoltados com a demora, começaram a bater palma por nosso papinho ter acabado. Eu queria acompanhar elas, pois estava ficando maluco perto daquele cara. Mas, antes que eu pudesse também entrar, o segurança bipolar segurou meu braço.

– Eu não gostei nadinha do que você falou. É melhor ficar de olho por onde anda, garoto, ou pode morrer sem saber.

Eu assenti com a cabeça, sentindo que minha morte estava perto mesmo. Eu só não falei nada porque sabia que se abrisse a boca iria começar a gargalhar e assim adiantaria ainda mais a minha morte, mas ter aquele cara enorme, com aquela voz fina sussurrando no seu ouvido não é nada legal. É de dar medo e ataque de risos ao mesmo tempo.

Bella me puxou com força e finalmente nós entramos na boate. O lugar estava lotado e a música alta. Até me lembrava um pouco Nova Iorque. Finalmente eu tinha encontrado um pedaço de lá, pois mesmo gostando, eu precisava daquilo. Não pedi para vir para cá, então a saudade era ainda maior. A pista de dança estava cheia de pessoas se balançando no ritmo que o DJ mandava.

– Wow! - Bella exclamou. - Isso aqui está uma doideira hoje.

– Aii que demais! - minha irmã exclamou e começou a saltitar.

– AH NÃO! - a loira ao meu lado arregalou os olhos. - Você é irmã de Edward ou de Alice?

– Quem é Alice? - Nessie perguntou, confusa.

– Ela é minha irmã. - eu falei, entendendo o que Bella queria dizer com sua pergunta. - E... Acho que Alice deve ser um pouco Nova Iorquina?! - saiu mais uma pergunta do que uma exclamação.

– Ohhh, isso é legal. - ela balançou a cabeça lentamente. Eu quase não entendi por causa do som alto. - Vem, vamos para o bar encontrar Rosalie!

Bella pegou minha mão e me arrastou no meio de todas aquelas pessoas. Nessie andava atrás de mim, se balançando no ritmo da música. Foi fácil chegar ao bar, aonde tinha algumas cadeiras vagas. Rosalie estava ali, encostada no balcão e olhando entediantemente para Emmett, que fazia alguns malabarismos com as garrafas. Ela estava com o cabelo pintado de branco e algumas mexas em verde florescente. O mais engraçado era o Emmett, que tinha feito uns desenhos abstratos no dele, fora os do rosto.

– É FESTAAAAAAA! - um dos barmans pulou o balcão e saiu correndo com as mãos para cima.

Emmett parou de fazer malabarismo e começou a gargalhar, sendo seguido por Rosalie. O que tinha acontecido com o cara?

– Vamos lá, buraco vazio, me mande uma das fortes. - Bella bateu a mão no balcão, lançando um olhar desafiador para Emmett. Ela ignorou completamente a doideira do outro cara. - E quero uma arte.

– Pode deixar. - ele piscou um olho e começou a fazer os malabarismos com as garrafas.

– Rosaaaaalieeeeee... - cantarolei, me encostando ao lado dela, sendo separado apenas pelo balcão.

– Não me diga que quer o mesmo que Bella? - ela perguntou, com uma careta.

– PARA MIM TAMBÉM! - Nessie berrou, se encostando ao meu lado. - Hoje a noite tem que ser animada para comemorar. UHU!

Bella e Rosalie olharam para minha irmã de olhos arregalados. Eu sabia que elas estavam se perguntando de onde tinha saído toda essa animação, mas acho que nem a dona dela sabia. A garota era maluca quando estava em uma festa.

– Ok, já que vocês querem... - Rosalie misturou uma bebidas em duas garrafas e começou a joga-las para cima. - Emmett.

Os dois trocaram as bebidas, com sorrisos cúmplices. Depois de todo aquele malabarismo, três copos apareceram em nossas frentes. Não dava para saber a cor deles, por causa das luzes coloridas.

– É nossa nova invenção. - Emmett sorriu de forma suspeita. - Eu e Rosalie decidimos fazer algo novo.

– Isso não vai prestar. - Bella murmurou no meu ouvido e eu assenti. - Então... Que tal uma mais leve?

– Não pode devolver. - Rosalie negou com a cabeça.

– Isso é mentira. - me impus. - Podemos devolver sim.

– Não, não, não. - os dois negaram, fazendo Bella e eu bufarmos.

– Deixa de besteira e bebe logo essa merda! - Nessie pegou o copo dela e virou de uma única vez. - Caralho, que negocio... Meu Deus, que calor! - ela começou a se abanar. - Eu não sei o que vocês colocaram ai, mas.... É MUITO BOM!

Minha irmã deu um pulo parecendo extasiada e entrou no meio da multidão. Olhei para Emmett e Rosalie, que tinham sorrisos satisfeitos.

– Se ela der algum ataque ou cair no chão desapagada, eu mato vocês. - falei para os dois, que assentiram.

– Edward, eu acho que gostei dessa bebida. - Bella chamou minha atenção para ela. - Sabe... Eu só vou beber se tiver um motivo para comemoração.

Eu não fazia a menor ideia do que aqueles malucos tinham misturado ali, por isso não queria beber, queria mesmo era pedir algo que eu conhecesse. O problema era que as seis pessoas que atendiam ali estavam ocupadas, então eu só tinha aqueles dois para me atender, e eles não me deixariam beber outra coisa. Eu podia ficar sem beber, mas qual seria a graça de ir para uma boate sem tomar alguma? Eu precisava de uma ressaca das boas, e talvez aqueles dois me dessem uma.

– Eu concordo com você, Bella. - passei meu braço pelos ombros dela. - Você tem ideia de alguma?

– Hm... - ela pareceu pensar, olhando para algum ponto especifico. - Eu acho que tenho uma...

– Qual? - nós três perguntamos juntos.

– Vamos comemorar que Emmett conseguiu um emprego!

– É isso ai! - o cara falou animado e empurrou os copos na nossa direção. - Vamos lá, tomem! Tomem! Tomem!

Emmett estava desesperado para que tomássemos aquela bebida maluca. Eu peguei o copo e olhei para dentro, vendo uma mistura de cores rodar ali, fora o cheiro forte de álcool. Agora eu tinha certeza absoluta que aquilo me daria uma boa de uma ressaca, porque só de cheirar eu já me sentia embriagado, imagine quando beber; comecei a levar o copo a boca, mas antes parei, fazendo Emmett e Rosalie suspirarem, e Bella parar também.

– Antes de qualquer coisa, vamos saber o nome da criação dos dois novos cientistas de bebida. - falei.

– É mesmo! - Bella deu um pulo. - Vocês já batizaram?

– Claro que sim! - Rosalie revirou os olhos. - Se chama: Los Condenados. - ela falou algo em espanhol, que eu não entendi.

– O que? - perguntei.

Los Condenados, homem. - repetiu, ainda mais enrolado.

– Fale inglês, por favor. - Bella pediu, com uma careta.

O MALDITO! – Emmett berrou, assustando nós e algumas pessoas perto. - Agora toma isso, vai!

Dando de ombros para o nome bizarro, eu virei o copo de uma única vez, como Renesmee tinha feito. Senti minha garganta queimar e rasgar com a bebida desceu. Aconteceu o mesmo com o meu estomago, que logo começou a esquentar. Eu não conseguia identificar o gosto, era como morango misturado com... Minha cabeça rodava e eu já sentia o efeito do alcool começando mais rápido que uma vez aconteceu, não me deixando terminar meus pensamentos.


Emmett POV

– Nossa! - Bella exclamou, terminando de virar o copo assim como Edward. - Isso sim que é...

– Três... - Rose começou, sorrindo sacana.

– As coisas estão rodando. - Edward murmurou, colocando o copo em cima do balcão. - Estou começando a me...

– Dois... - continuei a contagem.

– Edward, acho que eles aprontaram com nós. - Bella se apoiou nele e soltou uma gargalhada. - É engraçado a sensação. - os dois riram.

– Um... - falamos ao mesmo tempo.

– VAMOS DANÇAR! - berraram juntos e praticamente correram para o meio da muvuca de pessoas.

– Da certo! - nós batemos as palmas em um hi-5.

É claro que nós tínhamos mentido para Bella sobre eu ter conseguido o emprego, porque eu só estava em teste. Se me saísse bem, conseguiria, mas se não... Bye bye, Emmett Gostoso Swan. Só que se eles precisavam de um motivo para beber, vamos dar a eles, meu povo!

– Hey! - Alec bateu a mão no balcão, me assustando.

– E ai, cara! - o cumprimentei.

Eu tinha chamado Alec para vir com nós para o DAR, mas ele estava cuidado da irmãzinha dele, a Mell, porque os pais dele tinham saído para comemorar algo como o dia do sexo fora de época. Eu não sabia dessa data até hoje, e agora que sabia, depois do meu expediente, iria comemorar também, afinal, sou homem de festa, comemoro todos os feriados. Eu não sabia o que Alec estava fazendo aqui, mas nem me importava.

– Trabalhando? - perguntou, quando lhe entreguei A bebida.

– Estou fazendo um teste, entende? - dei de ombros, olhando ansioso para ele.

Vou explicar para vocês de onde veio toda essa ideia de fazer uma nova bebida. Assim que falei com o dono da DAR, eu e Rosalie viemos para cá, e começamos a trabalhar. Só que eu via aquelas bebidas saindo, todas tão iguais, e decidi inovar, fazendo umas misturas. Rosalie viu o que eu fazia e começou a brigar comigo, mas quando eu disse que ia dar certo, e que traria mais pessoas para o bar, ela ficou desconfiada só que deixou passar. Na verdade ela só estava fazendo cú doce, porque veio me ajudar, falando o que eu deveria colocar. No final demos para um dos nossos amigos de trabalho beber, e o cara pirou total, indo para a pista de dança. Ele com certeza não trabalharia mais aqui depois de hoje. Foi vendo essa cena que Rosalie surgiu com aquele nome.

Alec balançou a cabeça e levou o copo a boca, tomando apenas um pouquinho. Fez uma careta e colocou a língua para fora, depois me olhou e apontou para o copo.

– É a mais nova invenção minha e da Rosalie. - puxei a loira, que conversava com um cara. - Nós a chamamos de Los Condenados.

Alec arregalou os olhos e esticou o copo na minha direção.

– Nada disso, sem devolução. - Rosalie voltou o copo para ele. - Agora vai ter que tomar tudo!

Ele negou com a cabeça, sua expressão assustada.

– Toma isso agora! - mandei. - Ou vou falar para ela aquele negocinho lá... - sorri maldosamente.

Alec pegou o copo e virou só de uma vez, fechando os olhos e fazendo cara de dor. Eu comecei a gargalhar, querendo saber que efeito a bebida teria no mudinho. Vi o cara sair do branco e ir para o vermelho em questão de segundos, logo ele estava sorrindo.

– Que bebida é essa? Nossa, é uma delicia. Eu estou sentindo um fogo... Emmett! - berrou, me assustando. - Cadê as meninas? Eu preciso de meninas! Nooooooossa, eu não sei o que está acontecendo comigo, mas... Puta que pariu, eu acho que vou morrer! PRECISO EXTRAVASAR!

Alec saiu correndo, assim como todos tinham feito, e eu só fiquei ali de olhos arregalados. Agora eu sabia o efeito que dava nas pessoas mudas: deixavam elas falantes. E muito falantes. Será que fazia milagres?

– Emmett... - Rosalie me cutucou.

– O que?

– Tem um cara ali olhando estranho para nós. - apontou na direção e eu olhei para ver que era um moreno. - Ele não para de nos encarar.

Percebi que Rosalie estava era de frescura naquela hora, porque ela não era assim. Se um cara a encarava descaradamente, Rose daria era um belo de um soco na cara dele. Eu bem sabia disso. Então, essa ação dela só significava uma coisa...

– Deixa que eu cuido disso. - estufei o peito para mostrar o quanto eu era forte e foda. - Não se preocupe, Rose, eu vou lhe proteger.

– Que merda você...?

Deixando uma Rosalie que suspirou apaixonadamente e balançou a cabeça porque estava me achando o corajoso, eu segui pisando duro na direção do cara. Ele quando viu que eu me aproximava, se arrumou na cadeira, e sorriu. As luzes estavam piscantes demais, o que não me deixava ver direito seu rosto.

– E então, cara, me diga qual é a sua? - perguntei, batendo minhas duas mãos no balcão.

– A... A minha? - ele gaguejou, se afastando um pouco.

– É, a sua! - acusei. - Você fica encarando a minha garota bem na minha frente.

Claro que eu menti essa parte, mas não era uma grande mentira. Eu sabia que cedo ou tarde Rosalie não resistiria mais aos meus encantos e gostosura e viria para os meus braços. Aquela reação dela quando falei que ia protegê-la dizia tudo, afinal, porque ela ficaria toda medrosa diante de um cara como aquele? Rosalie só queria ver meu corpo nu e no meu quarto!

– Você está ficando louco. - o cara negou com a cabeça. - Cara, eu estava olhando para você.

– EPAAAAA! - me afastei do balcão. - Sai fora que eu não curto isso não, maluco. Sou homem com H maiúsculo.

– Você é doido. - o cara gargalhou. - Eu também não curto isso não. Sai pra lá. - fez careta. - Cada dia que passa você fica mais engraçado.

Ok, aquela situação era muito da estranha. Porque um cara falaria que estava me olhando e ainda dizia que a cada dia que passava eu era mais engraçado? Eu nem o conhecia!

– Você pode traduzir para mim qual é a sua doideira? - pedi.

– Emmett, por favor, deixa de piada. - ele continuou a rir.

– Como você sabe meu nome?

Eu admito, eu estou ficando com medo. Com muito medo!

– É sério isso?

– MAS QUE PORRA, VOCÊ PODE FALAR LOGO O QUE QUER?! - berrei, me estressando.

Eu não gostava dessas coisas de código. Comigo tinha que ser direto, nas palavras certas para eu entender. As únicas coisas que eu não ligava por ser indireta era as cantadas que eu dava na Rosalie.

– Emmett, cara, sou eu, Jacob!

Eu tive que me aproximar para ver se era mesmo Jacob Black, o melhor-amigo-falso da Bella. Fazia um bom tempo que eu não o via, e não era por causa das férias não, era porque ele tinha fugido de Phoenix. Eu sabia que ele estava era fugindo da minha irmã, porque ela ficava maluca quando estava apaixonada, mas o cara quando eu liguei para ele, negou até não poder mais, dizendo que só queria andar pelo mundo. E isso fazia um ano!

Jacob continuava da mesma forma que eu me lembrava, os cabelos cortados pela irmãzinha mais nova de cinco anos, o cara feia de índio e os músculos de asteroides. É, gay como eu me lembrava.

– Vai embora. - rosnei.

– Emmett! - Rosalie apareceu do meu lado, e quando olhou para quem eu lançava meu olhar furioso, fechou a cara na mesma hora. - O que você está fazendo aqui?

– Eu vim ver meus antigos amigos. - o cara sorriu sem nem se importar com os olhares que lhe lançávamos. - E então, não vão me dar boas vindas que eu mereço?

– Eu vou lhe dar as boas vindas que você merece. - falei, já me esticando sob o balcão e o pegando pela gola da camisa.

– Emmett, solta ele! - Rosalie pediu, apertando meu braço. - Você está trabalhando, não arranje confusão.

Eu queria tanto socar a cara daquele panaca, mas Rosalie tinha razão, não podia brigar naquela hora. Soltei lentamente a camisa do Jacob e dei um tapinha do pescoço dele, vendo-o com uma cara assustada.

– Você ainda vai morrer. - falei, sorrindo. - E então, quer uma bebida?

– Só se for aquela que vocês deram para todos!

– Ahhhh, eu vou lhe dar ela com todo prazer. - Rosalie sorriu e foi buscar a bebida.

Eu não podia deixar Bella ver Jacob, ou então ela surtaria. Eu não queria ver minha irmã naquele estado que ela ficou quando o idiota do Jacob foi embora, então tinha que ser cuidadoso. Agora, como eu iria impedir isso?

– Se você chegar perto da Bella, eu te mato aqui. - falei na lata, assustando ele.

– Mas Bella é minha amiga, eu quero ver ela!

– Nem a pau! - levantei meu punho.

– Aqui está a bebida. - Rosalie apareceu bem na hora, entregando a bebida para ele.

– Hm... - ele olhou dentro do copo para depois começar a levá-lo até a boca. Quando estava perto, parou. - Antes, me deixa fazer uma pergunta. Vocês estão juntos?

– Juntos? - Rosalie arregalou os olhos.

– É, o Emmett chegou aqui falando...

Olhei assustado dele para ela, que já me olhava com raiva. Eu previa uma dor física que aconteceria, e para evitar isso, peguei e virei o copo na boca de Jacob.

– BEBE! BEBE! BEBE! - falei, enquanto ele se afogava. Assim que acabou a bebida, sorri aliviado. - Parece que você estava com sede, Jacob.

Ele ficou me encarando atônito, até começar a sorrir.

– Caralho, essa bebida é melhor do que eu imaginei! - falou e saiu andando, nos deixando ali.

– É, um a menos enchendo o saco. - dei meu melhor sorriso para Rosalie, que me olhava com raiva. - O que? - perguntei.

– O que você falou para Jacob?

– Nada, ué. - dei de ombros, me sentindo nervoso. Eu precisava sair dali! - Olha, tem uma pessoa sem ser atendida. Vou lá trabalhar... - apontei para ninguém. - TCHAU!

Saí correndo da Rosalie, que já parecia rosnar. Ela ainda ia ser minha, não importa o quanto negasse. Nós eramos perfeitos juntos, e ninguém negava. Só a Bella, o Alec, o time de futebol, o pessoal do teatro, e... OK, é melhor eu ficar quieto antes de piorar as coisas.

Piorar as coisas para o meu lado, porque para o lado da Bella e do Edward... A coisa já estava muito mais que pior. Estava com pena dos dois amanhã. Do bar dava para ver o novo amigo cabeçudo da minha irmã, ele dançava muito animado ao lado da gatinha da irmã dele e da Bella. Os três pulavam ao som da música, e estavam inertes as pessoas ao lado deles. Eu também via o Alec no meio de duas garotas, totalmente fora de si. Cadê aquele mudo tímido?! Cara, Rosalie e eu tínhamos feito a descoberta do ano: a bebida que mudava as pessoas! Nós renderíamos uma boa grana com aquela bebida, eu sentia.

– Hey, barman! - uma garota bateu no balcão, chamando minha atenção.

– Pode falar, gatinha. - pisquei o olho para ela, que soltou uma risadinha.

– Eu vi vocês servindo um tipo de bebida para umas pessoas. Será que pode arranjar dela para mim e para o meu grupo? - apontou para uma mesa afastada, aonde estava lotada de bêbados.

– Opa, é pra já. - eu me afastei, mas depois voltei, me encostando no balcão. - Se você quiser, pode pedir um beijo de brinde.

Depois daquela garota, vieram mais outras atrás do los condenados e dos meus beijos. Eu estava dando lucro para a boate, estava na cara que eu iria ser contratado ali. Eu sou foda! É, e eu era vidente também, eu pressentia as coisas. Agora além de trabalhar para a DAR - o que sempre foi o meu sonho depois de ver Rose trabalhando nela - eu seria vidente também. Quem sabe, depois de conseguir uma boa grana, eu não abrisse uma daquelas tendas e trabalhasse de vidente vendendo Los Condenados? Bella poderia ser minha assistente, se ela quisesse. Mas claro, apenas ganhando 5% de todo o faturamento, pois eu quem estava fazendo todo o trabalho.

– Olá, olá... - ouvi uma voz conhecida e o som da música foi abaixado. - Tem alguém ai? - e a risada escrota da Bella. - Ah, mas é claro que tem ou então eu não teria sido esmagada ai embaixo.

– Eu não acredito nisso. - Rosalie apareceu do meu lado, olhando para o mesmo lugar que eu, o palco aonde ficava o DJ. - O que você acha que ela vai fazer?

– Eu não sei... - murmurei. - Mas com certeza não é coisa boa.

– Bem, desculpa está atrapalhando a dança de vocês, mesmo que vocês dancem MUITO MAL, mas é que eu vi que isso estava muito parado, e decidi, junto do meu amigo... - olhou para o lado, que não tinha ninguém. - Edward? - chamou pelo vizinho. - Edinhoooooo, cadê você?

Então apareceu Edward e Renesmee no palco, os dois sorrindo. Ou melhor, ela sorrindo, porque ele forçava um. Edward não parecia mais tão doidão como estava antes. Ele era do tipo que precisava de muito para derrubá-lo. ERA DOS MEUS!

– Como eu ia dizendo, eu e meus dois novos amigos decidimos juntos fazer uma brincadeirinha... - ela soltou a sua risada esquisita e eu fiz uma careta. - Vamos brincar de... NÃO PISAR NO PÉ UM DO OUTRO!

Mas que porra de brincadeira era aquela?! Eu nunca tinha ouvido falar dela, mas queria brincar também. Que pena que eu estava trabalhando. Era sempre assim, toda vez que Bella tinha ideias legais, eu não podia participar. Droga!

– HEY, BELLA! - ouvi a voz irritante do Jacob soar de algum lugar.

Olhei desesperado para Rosalie, que também tinha a mesma expressão.

– Ela não pode ver ele, e agora? - perguntou.

– Eu não sei! Temos que tirá-lo daqui ou ela lá de cima, mas não podemos sair.

– Emmett, não seja inteligente nessas horas. - ela fez uma careta. - Vai logo tirar esse moleque daqui que eu vou daqui a pouco.

– O que?! Quer que eu não ganhe esse emprego?

– Vai logo e depois nós resolvemos isso!

Rosalie me empurrou para fora do bar, mas antes de me afastar eu ainda pude ouvir um dos cara perguntando aonde eu ia e ela respondendo que era ao banheiro pois tinha comido comida estragada. Não tinha coisa melhor não? Eu saí no meio daquelas pessoas, procurando por Jacob que ainda continuava chamando o nome da Bella. E ela, bêbada e cega como era - sim, minha irmã é bêbada sem colocar álcool na boca -, ficava procurando por ele.

– BELLA! - ele berrou mais alto. - AQUI!

Eu segui a voz dele, e acabei por encontrá-lo. Olhei na direção do palco, e vi Rosalie falando com Edward, que balançava a cabeça. Cara, eu ainda não acreditava que ele não estava mais bêbado. Eu voltei minha atenção para Jacob.

– Jake, é você? - Bella perguntou no microfone.

– É, SOU...

Antes que ele pudesse completar sua frase eu pulei em cima dele, empurrando minhas mãos na sua boca para que ele não pudesse falar nada. As pessoas ao nosso redor se afastaram, querendo saber que bagunça era aquela. Jacob tentava a todo custo me tirar de cima dele e tirar minhas mãos de sua boca, mas eu estava colocando todo o peso dos meus músculos gostosos ali, então era difícil.

– Jake? Jacob? - Bella continuava a chamar, sua voz já ganhando um tom de choro. - Jake, me fala se é você?

– Não, Bella... - ouvi a voz do Edward alta, assim como a da Bella. - Isso é só a sua imaginação.

– Eu estou imaginando o Jacob?! - ela falou mudando novamente o tom da voz, agora para divertida. - E eu achando que isso tinha passado... - murmurou para si mesma.

Eu levantei e peguei Jacob pela gola da camisa, arrastando ele para longe do palco. Ele não dizia nada, só tentava se soltar.

– Pois parece que não. Agora, que tal você continuar sua reclamação sobre pisarem no seu pé? - ele deu a pior ideia que podia.

Bella iria ser linchada, eu sabia, EU PREVIA! As pessoas vaiavam, querendo que a música voltasse, mas Bella continuava a reclamação dela sobre terem pisado no seu pé, empurrado seu "amigo" e bagunçando o cabelo dela. Aquela bebida não estava lhe fazendo bem.

Eu saí da boate, dando com Rex, o segurança. Isso me deu uma grande ideia...

– Hey, Rex! - chamei por ele, que me olhou sorrindo.

O cara era um exemplo de valentia e pancadaria. Eu me inspirava nele toda vez que tinha uma briga na boate, pois assim aprendia golpes novos de porrada. Tudo bem que aquela voz afeminada dele não ajudava, mas eu nem me importava, porque a minha era grossa como um rugido de urso... Espera! Urso? Gostei! Eu pareço mesmo um urso.

– Não, Emmett, não me leva para ele! - Jacob pedia, totalmente amedrontado.

– Está com medinho, Jacob? - perguntei, já vendo um ponto positivo para mim.

– Nã-não. - gaguejou, olhando com olhos assustados para Rex, que se aproximava.

– Fala ai, Emmett. - ele me cumprimentou, batendo no meu ombro.

Jacob ao meu lado começou a rir, e eu bem sabia sobre o motivo. Ele estava rindo da voz do Rex, e mal sabia ele que estava cavando sua própria cova.

– Porque você está rindo, mané? - perguntei.

– Eu não acredito... Que tive medo... Dele. - apontou para Rex, que fechou o sorriso na mesma hora.

ÓTIMO, que o show comece...

– Porque você não acredita? - Rex perguntou.

– Cara, olha para sua voz. É mais fina que de uma criança de... - e então Jacob sumiu do meu lado. - ME LARGA!

– É, Jacob, você arranjou uma boa companhia.– falei, batendo nas costas dele, que nem prestava atenção em mim, por estar ocupado tentando se soltar das mãos do Rex. - Espero que você goste do seu novo amiguinho e fique longe de Bella.

– Ele está importunando minha princesinha? - Rex perguntou e eu assenti. - Ok, só está piorando...

– É. - suspirei. - Até mais, Rex.

– Até, Emmett.

Eu sai dali assobiando e entrei novamente na boate, que estava completamente em silêncio. Eu olhei para onde todos olhavam e arregalei os olhos - assim como eles - com a cena que acontecia lá em cima. Era Alec e Renesmee aos beijos. QUE PORRA TINHA ACONTECIDO ALI DEPOIS QUE EU SAI?! Edward estava sendo segurado por Rosalie e Bella, as duas rindo e ele raivoso.

– Huuuuummmm, as coisas estão pegando fogo aqui! - Bella botou lenha na fogueira, falando no microfone. - Edinho está com ciúmes! Edinho está com ciumes!

Bella começou a puxar um coro onde todos da boate falavam aquela frase, fazendo Edward ficar ainda com mais raiva. Só que eu não me preocupava com isso, porque eu ainda não conseguia acreditar que Alec, o cara que tinha virado gay depois de levar um pé na bunda, sempre falando que não ficaria mais com nenhuma garota patricinha, estava agora aos beijos com uma. Aquela bebida fazia uma revolução, meu povo!

– JÁ CHEGA! - Edward gritou, se afastando das duas loucas. - Renesmee, pare com isso agora e desça desse palco. E você, Isabella... - se virou para minha irmã, que estava de olhos arregalados. - VAMOS EMBORA!

Ele pegou as duas pelo braço e desceu do palco. Mas antes que fosse embora, voltou e ficou em frente a Rosalie, que segurava o microfone.

– Me leva também! - uma garota gritou, fazendo todos rirem. - Quero experimentar dessa raiva.

– Só quero deixar avisado aqui que o que Bella falou é tudo mentira, e que ela não odeia vocês, então não é para espancarem ela quando a virem na rua. A garota só está bêbada por causa de uma bebida maluca que ela tomou, feita por essa garota - apontou para Rosalie, que sorriu - e por aquele garoto - apontou para mim e todos viraram na minha direção. - Então, não a culpem por ter amigos malucos e com sérios problemas mentais. É isso!

Ele saiu do palco e logo a música retornou. Edward passou por mim, falando que iria levá-las para casa, e eu apenas assenti, pois tinha que ficar ali até acabar o expediente. Comecei a voltar para o bar, até perceber que esse estava lotado e Rosalie parecia desesperada. Entrei lá e ela me mandou preparar mais daquela bebida porque todos queriam.

É, se prepare Emmett Gostoso Sarado Swan, que você vai virar um empresário vidente com sua tenda e suas bebidas. EU VOU FICAR RICO!

(...)

Notas finais do capítulo
OOOOOOOOOOOOOI MEU AMOOORES! Como vocês estão? Nuss, depois de tanto tempo eu apareço aqui - mesmo que era para mim aparecer em RN >
.
Mas me digam, o que acharam do capitulo? Emm pode ficar rico com essa bebida maluca que ele fez, KKKK. Esse capitulo não teve muita coisa porque eu queria deixar os mistérios da fic, como o porque de Edward ter vindo para a ensolarada CA. O que vocês acham, hum? Quero saber as opiniões, KKKK
.
Mas então, minhas gatinhas, falando sério aqui, eu queria pedir desculpas a vocês por ter sumido por tanto tempo. Eu juro para vocês que eu tentei, mas não conseguia escrever nada que preste - até acho que esse cap ficou uma droga. O motivo é minha nova fic, que está perturbando meus sonhos. Eu não consigo pensar em mais nada além dela, e isso está me matando, porque ela é DRAMA, e não COMÉDIA :/
Espero que vocês me entendam se eu demorar muito pra postar. Eu expliquei isso no blog ( HTTP://SUMLEEFANFICS.BLOGSPOT.COM/ ).
.
Bem, agora falando de novidades, eu postei uma nova fic, AEAEEEEEEEEEEEE. Ela é diferente do que eu já postei para vocês. Se quiserem da uma passadinha lá:
.
https://www.fanfiction.com.br/historia/207456/Seven_Reasons/
.
Espero que gostem *---------------*
.
Ahhhhhhhhhhhhhhh, e eu queria agradecer as lindas Daay, MilenaOL, KamillaCullen, KikiPattz pelas lindas recomendações. Eu gamei em todas, sério. Fiquei tipo : *-----------* + O.O . Vocês são demais. Sigam os exemplos dela, a Bella vai adorar, KKKKK
.
É isso ai, minhas gatinhas. Me desculpem novamente pela demora, >< Beijooos :*




(Cap. 7) Intimações

Notas do capítulo
HEEEEEEEEEEEEEEEEEEEY minhas gatinhas lindas *----------* Finalmente apareci e com um capitulo grandão. Antes de lerem, me perdoem por qualquer erro, mas eu fiz corrido esse, pois meu tempo ta mtmt pouco >
Bom... BOA LEITURA!

6. Intimações

BELLA POV

Eu me sentia enjoada, com a garganta seca e tonta. Estar de ressaca era a pior coisa que poderia acontecer, já que as sensações não eram boas, e duravam por um dia inteiro. Odiava sair e beber a ponto de ficar assim, e quando esquecia então o que fazia, era ainda pior. E tudo culpa do Emmett, que me deu aquela maldita bebida que eu nem sabia o que continha, só sabia que, bem... Fazia você ficar pior do que vários copos de vodca. Hum... Com certeza aquilo deveria ter isso, e muito ainda. São quase as mesmas sensações da ressaca...

Com movimentos lentos para não piorar ainda mais minha tontura, eu me espreguicei devagar na cama, ouvindo meus ossos estalarem. Eu estava ficando velha, meu corpo me avisava isso com as dores. Tudo bem que ultimamente eu estava sem tempo para praticar meus esportes e ginásticas, já que o trabalho ocupava muito do meu tempo - o que não era bom para o acumulo de energia. Eu só sentia falta da escola por um motivo, que lá eu praticava meus esportes com tempo marcado, e sem ela, eu não me preocupava tanto, arranjava outras formas de gastar energia. Era assim, mesmo que nos preocupássemos com nosso corpo, as vezes deixávamos de praticar um esporte.

Será que se eu falar para Renée que o trabalho está fazendo eu ficar sem tempo para praticar todos os esportes que impomos para mim, ela irá me deixar sair? Hm... Eu tinha que fazer um teste.

Porque sem eles, eu estava dando um trabalho para Walter. Acho que metade do meu salário do mês vai ficar com ele por tantas coisas que eu já quebrei com meu jeito. Como eu iria conseguir juntar dinheiro para minha viajem das férias de verão se só recebia metade do meu salário por ser um desastre? Calma ai, produção, temos que rever isso!

E também tinha que rever essa bebida do Emmett, que mesmo sendo gostosa pra caramba, depois fazia você se sentir como se um caminhão tivesse passado por cima de você. Fora que eu não lembrava nada que tinha feito depois que tomei, nem sabia como tinha chegado em casa. Provavelmente alguém me trouxe, pois sozinha sei que não vim. Admito que estava com medo de que quando descesse, Renée estivesse me esperando para falar que eu fiz alguma merda, e que eu não deveria ter tomado álcool, principalmente sendo bebida que Emmett e Rosalie prepararam. Depois que virei aquele copo, tudo ficava tão confuso e bagunçado. Eu ainda tinha um pouco de consciência quando dancei com os gêmeos-que-não-são-gêmeos Edward e Renesmee. Também lembrava que quase arranjei briga, mas era só eu tentando ir pra cima de alguém. E... Era só isso. Só me lembrava disso mesmo, e mais nada. Parecia que eu tinha capotada ou coisa assim, porque era vago.

Eu me mexi na cama novamente, soltando um gemido. Senti meu estomago dar uma revirada de 360º para em questão de segundos eu correr para o banheiro e vomitar o nada que ainda não comi. Tomei um banho gelado para acalmar tudo e vesti um short de moletom e uma regata, já me aprontando para a caminhada matinal que fazia com Edward, que logo iria tocar a campainha para me chamar, já que eu estava um pouco atrasada. Mas só um pouco, do tipo... Uma hora. Prendi meu cabelo em cima, ainda meio bagunçando porque não o penteei, e passei protetor solar, querendo evitar mais sardas do que eu já tinha por ser branca demais em um local que tem sol demais.

Assim que sai do quarto assobiando uma música qualquer, dei de cara com Emmett, que começou a gargalhar. Mesmo ele sendo um tapado, essa risada maléfica depois de uma noite com bebida alcoólica só significava uma coisa.

– O que eu fiz? - perguntei, prensando ele na parede com meu braço na sua garganta.

– Está ficando louca?! - ele perguntou com a voz fininha, tentando se soltar do meu braço.

Peguei a mão dele e torci o dedo indicador, fazendo Emmett soltar um gemido de dor.

– Me fala o que eu fiz!

– Você só subiu no palco e xingou todas as pessoas da boate, Bella. Agora da pra... Me... Soltar? - sua voz foi morrendo aos poucos por ele ter gasto seu oxigênio falando.

Eu o soltei lentamente, e Emmett levou as mãos ao pescoço, apertando de leve.

– Eu espero que você não tenha contado nada para a mamãe, ou eu te mato. - avisei e lhe dei as costas, continuando meu caminho que eu seguia, ainda assobiando.

Oh shit!, eu tinha feito merda ontem, que porra! Não conseguia acreditar que eu realmente tinha feito aquilo, agora com certeza se eu aparecesse na DAR iria ser espancada por quem estava ontem a noite lá. Não só se aparecesse lá, em qualquer lugar, se alguém me visse, eu seria espancada. Ótimo, agora ia ter que andar fantasiada, disfarçada ou qualquer coisa com "ada" que não deixassem me reconhecer. Eu ainda não aprendi que não podia beber. Além da minha cabeça doendo, a ressaca dos infernos, eu ainda tinha amnésia e fazia merda. Oh Deus, só eu mesmo!

Com as palavras do meu irmão, eu conseguia ter umas vagas imagens do que havia feito. Eu me lembrava um pouco agora de ter falado merda lá em cima, e também de ter deixado todos furiosos, principalmente Edward.

Enquanto descia as escadas, senti uma pontada nas têmporas. Me escorei na escada e levei a mão ao local, gemendo com a dor. Era isso que eu mais odiava na ressaca, dava uma dor de cabeça horrível que fazia eu querer vomitar. Puxei o ar com força, sentindo o leve cheiro de cappuccino da máquina de Renée e também de cookies. Mamãe hoje estava caprichando no café da manhã, e isso em pleno sábado. Era estranho, porque nos sábados ela só queria dormir até mais tarde e depois sair para fazer compras, tomar café fora, essas coisas que a mantivesse fora de casa. Renée só fazia isso um ano atrás, quando Jacob vinha aqui pela manhã para...

Jacob...

Jacob...

Jake...

Ok. Tudo bem. Espera um pouco. Talvez eu estivesse ficando louca, ou tendo ilusões, mas eu tinha uma vaga lembrança de ter ouvido Jacob me gritar ontem quando eu estava no palco. Não, eu podia jurar que Jake me gritou lá de baixo. Não era mais nenhuma ilusão maluca. Isso já fazia muito tempo, eu não podia estar voltando para a estaca 0 depois de chegar no 100. Eu tenho é que tirar a prova disso, e a melhor pessoa era quem estava lá. Rosalie e Emmett.

Eles iam me falar tudo!

– Tem certeza que não quer mais nada, querido? - ouvi a voz de Renée soar mais carinhosa e amável do que era.

– Tenho sim, Srta. Dywer. Muito obrigada.

Essa voz... Eu conheço essa voz!

Ignorando a leve tontura que ainda estava sentindo, eu desci o resto das escadas correndo, sem contar com a minha falta de coordenação. Tropecei no ultimo degrau, e cai de cara no tapete que havia ali, sempre a minha espera. E não, eu não estava sendo irônica ou qualquer coisa assim, era verdade. Por ser quem sou, eu sempre descia e subia as escadas correndo, e por falta de coordenação, acabava caindo, então Renée querendo evitar muitos ferimentos, colocou tapetes fofinhos por perto.

– Oh, Bella, você está bem, querida?! - a voz de Renée soou preocupada, e logo ouvi a porta da cozinha que dava para o quintal ser aberta e passos rápidos.

– Estou. - murmurei, ainda com a cara enterrada no tapete, com vergonha de mim mesma.

Senti mãos grandes me pegarem pela cintura e me levantarem. Quando ergui minha cabeça ao mesmo tempo que ele me virava, dei com Edward me encarando, com aquele sorriso perfeito dele, aquele de canto que me fazia suspirar.

– Bom dia, Bella. - ele murmurou, fazendo seu hálito de menta bater no meu rosto.

– Bom dia, Edward. - eu sussurrei, dando um pequeno sorriso, ganhando um aumento no dele.

Eu ainda continuava presa nos braços de Edward, as mãos dele estavam na minha cintura, e eu estava imprensada nele - e claro que não me importava com isso. E ele também parecia não se importar. Mas Renée sim, porque deu um pigarro, fazendo nós dois nos afastarmos rápidos.

– Bom dia, filha! - ela falou animada, me puxando para o abraço matinal que fazia tempo que não dávamos. - Dormiu bem?

– Não. - soltei com um gemido.

– Imagino a ressaca que você está. - Edward comentou, rindo baixinho. - Custei ontem para lhe trazer pra casa.

Ugh! – fiz, sabendo muito bem como eu era quando estava bêbada e alguém me forçava a algo.

Nós três seguimos para o quintal, sentando nas mesas que haviam ali fora, que estava posta com o café da manhã. Renée comentava sobre minha chegada em casa hoje de madrugada. Foi vergonhoso saber que eu tinha dado trabalho para Edward, chamado ele de gostoso o caminho inteiro - e na frente de Renesmee. Os dois falaram que eu passei mal depois de insistir muito para não me colocarem para dormir, e então enquanto Edward segurava meus cabelos para eu vomitar, acabei adormecendo. Como eu disse, muito vergonhoso. Renée explicou o que Edward estava fazendo ali aquela hora da manhã, que ela o tinha convidado para tomar café com ela, pois era o que podia fazer depois dele me aturar com toda a paciência do mundo. E então ela caiu com elogios para o ruivo, falando que ele era adorável e tinha um tato que nenhum outro amigo meu tinha. É claro que eu senti a indireta de que ela dizia que eu não tinha amigos legais além de Rosalie e Alec, que já era praticamente da minha grande família.

O bom foi saber que ela não sabia dos outros micos que eu havia pagado na DAR, e que eu não estava prometida de morte - não que eu soubesse, mas com certeza sim. Renée não tinha mais essa preocupação comigo além da de que eu pudesse estar quebrando - os meus ossos, claro.

– Bom dia, pessoas lindas! - Emmett abriu a porta da cozinha e falou animado, com um sorriso de um canto ao outro.

– Ele só fala isso porque é muito feio. - murmurei para Edward, que riu.

Ele me acompanhava no café da manhã, porque eu não queria comer sozinha e queria a companhia dele. Emm se sentou a mesa também e devorou tudo, como sempre fazia. Deu a noticia boa de que foi contratado para trabalhar na DAR, mas isso porque um dos barman tinha ficado bêbado e fez uma bagunça lá. Porque será? Depois que Renée viu que todos estavam bem alimentados, pegou sua bolsa e foi fazer as compras de sábado ainda mais feliz pela noticia. E nós três ficamos ali no quintal, sentindo a briza fresca e esperando o café reforçado descer.

– Emmett... - comecei como quem não quer nada. - Eu acho que vi Jake ontem... - meu irmão, que estava tomando o resto do seu suco, cuspiu ele todo na cara de Edward, que o encarou de olhos arregalados. Eu comecei a gargalhar alto.

– JACOB AQUI? ESTÁ MALUCA?! - Emm berrou histérico. Eu sabia que ele ficava doido quando citava o nome do Jake, mas não assim. - Desculpa, Edward!

Edward ignorou ele e pegou um guardanapo para limpar a camisa branca que vestia. Eu até me atreveria a ajudá-lo com toda a minha cara de pau, mas antes precisava arrancar umas verdades de Emmett.

– Sim, eu o vi. Eu me lembro.

– Bella, você estava bêbada. - Emmett revirou os olhos teatralmente. - Não pode se lembrar de uma coisa que não aconteceu.

– Nada disso. Eu me lembro muito bem. Emm, você deve ter visto ele!

– Eu não vi aquele imbecil, Bella. E se visse, ele estaria com a cara toda quebrada agora... - meu irmão deu uma risadinha sinistra e então parou, voltando a ficar sério. - Mas não, eu não o vi. Para de viajar, garota. Já era aquele idiota.

Soltei um suspiro e olhei para Edward, que ainda estava se limpando. Peguei um guardanapo também e o ajudei, tentando manter minhas mãos um pouco longes de onde não devia. Ouvi Emmett bufar vendo meu atrevimento, e ri comigo mesma. Ciumes é foda!

– Bella, você vai fazer a caminhada ainda? - Edward perguntou, quando fez o que podia pela camiseta.

– Ela é obrigada, Edward. - Emmett falou primeiro que eu, e lhe dei um chute por debaixo da cadeira. - AI.

– Obrigada? - o ruivo me olho questionável, ignorando Emmett e seu drama.

– Er... Hm... Yeah, eu sou obrigada... - mordi o lábio inferior. - Bem, porque... - anda, Bella! – Porque eu tenho que manter esse corpinho em forma, não é? E depois de comer tudo isso, eu sou obrigada! É isso! Yeah!

Edward continuou com aquele olhar avaliador, e eu engoli em seco. Emmett era um boca aberta, e só me colocava em furadas com ela. Um dia eu iria costurar, estou avisando.

– Ah, sim. - ele disse lentamente, balançando a cabeça. - Bom, se nós vamos, então vou lá trocar de roupa...

Ele se levantou, passou a mão no meu ombro quando passou por mim e seguiu para a cozinha, sumindo pela porta dupla. Assim que ouvi o leve eco da porta da frente batendo, dei um soco na cabeça de Emmett, que levou as mãos até lá, com uma careta.

– Ficou maluca, é? Hoje está atacada por acaso?

– Maluca?! Eu vou lhe mostrar a maluca quando você mais uma vez abrir essa matraca. Puta que pariu, Emmett!

– Ai, me desculpa, Bella! - ele cruzou os braços sobre o peito e fez um bico. - Foi sem querer

– Foi sem querer... Foi sem querer... - imitei ele com uma voz de bobão. - É esses seus "sem querer" que acaba me ferrando.

– O que tem o que eu falei? Bella, uma hora ele vai perceber e saber.

– Ele não pode saber, Emmett Swan! - bati o punho na mesa, fazendo ele se assustar.

– Porque?

– Porque eu não quero que mais um vá embora, Emmett. - murmurei e me preparei para levantar, mas Emm me segurou pelo punho.

– Ele pode ser diferente. - disse e neguei com a cabeça.

– Todos são iguais, e eu apenas quero mantê-los por perto, mas não consigo com isso. Então é bom deixar em segredo. - voltei e me sentar em meu lugar. - Tudo bem?

– Se é assim que você quer... - ele deu de ombros e um pequeno sorriso. - Eu vou me controlar a partir de agora, então.

– Obrigada, Emm. - me estiquei na mesa e dei um beijo na bochecha dele.

Meu irmão sorriu para mim e bagunçou meu cabelo, me fazendo bufar. Ele então abriu um sorriso maior do que seu rosto, e eu o olhei, desconfiada.

– Eu tenho um segredo também para lhe contar. - ficou na ponta da cadeira e me chamou para me aproximar. Assim fiz. - Bella, eu andei até o final do arco iris e descobri o pote de ouro.

O encarei, esperando que aquele animal desse continuação aquelas palavras sem sentido, mas ele apenas me encarava com os olhos arregalados de expectativa.

– Que pote de ouro? - perguntei com tédio.

– Bella, minha querida e amada irmã, o meu pote de ouro. Eu descobri que Los Condenados está mais para minha fortuna do que uma simples e megera bebida. Ela vai me fazer enriquecer em questão de segundos... - estalou os dedos na frente dos meus olhos, me fazendo dar um pulinho. - E então eu serei: Emmett, O Rei da Criação! - passou as mãos no ar, como se visse ali o letreiro se formando. - Fora, é claro que eu vou montar uma tenda com listras lilás e laranja, e vou finalmente mostrar meu dom para o mundo.

– Que dom? - perguntei, desconfiada.

– Você sabe, o meu de vidência! - me encarou como se eu fosse retardada. - Nós dois aqui sabemos, em segredo, que eu prevejo o futuro. Previ que seria contratado na DAR, e BANG - bateu a mão na mesa. - Eu fui! Isso que é ser uma pessoa de sorte. Deus me mandou para a Terra, Bella, com essa minha família maravilhosa e esses meus dois dons: o de prevê o futuro e de fazer bebidas que te levam ao paraíso. - assenti com a cabeça para ele, que viajava em seus próprios sonhos. - Maninha, nós vamos ficar ricos com esse meu mais novo trabalho. Pensa em como podemos ter tudo que quisermos, pagarmos nossa viajem para Orlando e também pagar a de nossos amigos, como um presente já que logo vamos terminar o ano.

– Falta mais um depois desse, Emm. - o lembrei.

– E dai? Dane-se, nós pagamos qualquer viajem porque vamos ser podres de ricos! Tudo vai melhorar, Bella. Eu estava vendo tudo enquanto trabalhava na DAR. Sonhe comigo, minha irmã, vamos para o centro de Los Angeles e montamos nossa tenda linda aonde passam artistas, como minha diva Katy Perry, Angelina Jolie, Kristen Stewart... Ah, vai ser perfeito! E então, você, vestida com uma saia e uma camiseta com o slogan: Encontre o paraíso e descubra o seu futuro, e nas mãos uma garrafinha de Los Condenados. Sua beleza irá atrair a atenção dos artistas também, Bella, pois mesmo eu negando, você tem genes da Renée e nossa mãe é maravilhosa! - concordei com ele. - Então, tudo está realmente perfeito. A grana que eu vou ganhar... Bellinha, vamos enriquecer! - levantei uma mão e ele me encarou e logo sorriu. - Mas é claro que você também vai ganhar, Maninha. Seus 5% estarão garantidos. E juntos nós vamos dar tudo do bom e do melhor para nossa mãe, e fazer dela a verdadeira rainha que é, e ter o que merece. Do bom e do melhor. - deu um ultimo suspiro e me olhou. - E então, topa?

Como esse imbecil de cabeça grande e cérebro pequeno pode achar que eu vou concordar com uma coisa dessas? Só se eu estivesse louca! Nunca que eu aceitaria algo tão pequeno e limitado, sendo que eu posso ter mais. Quem precisa só disso? Eu sou Bella Swan, mereço bastante, e não essa ideia absurda e pequena que ele me oferecia.

– Eu não posso crer. - murmurei, pegando uma torrada que havia ali na mesa. Olhei para Emmett, que sorria e balançava as sobrancelhas. - Sério mesmo, Emmett? Sério mesmo que você achou que eu aceitaria essa ideia ridícula de... CINCO POR CENTOS?! SÓ SE EU ESTIVESSE FICANDO LOUCA! - ataquei a torrada na cabeça dele, que resmungou. - Eu só aceito se for 70% e 30%.

– Tudo bem. Eu posso lhe dar 30%.

– ME DAR 30%?! Rá, muito engraçado da sua parte. - revirei os olhos e me encostei na cadeira, cruzando as pernas. - Esses 30% são seus, irmãozinho.

– Porque, se sou eu quem prevejo o futuro e quem faz a Los Condenados?!

– Ué, mas vou ser eu quem estará lá fora, apresentando o produto. E, - dei enfase. - é claro, mostrarei minha imagem. Eu mereço bastante por isso. Então, 30% seu e 70% meu.

– Não! 60% meu e 40% seu!

– 55% meu e 45% seu!

– 54% meu e 46% seu e já era, acaba essa discussão aqui! - ele bateu o punho na mesa, fazendo as coisas em cima darem um pulinho.

– Hm... - fiz, avaliando a situação. Eu ganharia 46%, o que não era uma coisa pequena perto do que poderíamos ganhar com a bebida e as visões de Emmett. - Ok, então, eu fico com os 46%!

– É isso ai. - apertamos as mãos.

– Mas só porque eu realmente preciso de uma boa grana. - avisei, logo soltando nossas mãos. - Agora me fala, quando vamos começar com o nosso novo empreendimento?

– Quando tivermos dinheiro suficiente para compramos a tenda mais linda de todas e as coisas para fazer as bebidas. Pelo menos uma boa parte, porque ela vai ser um sucesso! - ele jogou as mãos para cima. - Isso significa que temos que começar bem, para vendermos logo. E como vamos vender no centro de LA, não quero passar vergonha. Então, nosso primeiro salário vai para os investimentos, e depois que for sucesso, largamos a vida de trabalhador.

– Estou gostando disso! - admiti. - Não vejo a hora de ficar rica! - nós rimos.

Ouvi a campainha tocar, e com uma rapidez que só eu conseguia, corri para a porta, ouvindo Emmett gargalhar do meu desespero. Quando cheguei a porta, respirei fundo e passei a mão no cabelo e nas roupas, sorrindo para mim mesma. E não é que eu estava querendo ficar linda para Edward, mas para andar ao lado daquele garoto tão perfeitamente lindo, eu tinha que estar apresentável. Não é verdade? E não, eu não gostava de Edward ou qualquer coisa assim. Como já havia dito para Jasper, que depois veio com aquela linda lição de moral.

– Hey! - cumprimentei Edward, que estava encostado na soleira da porta.

– Hey. - ele deu aquele sorriso de canto, e bem na hora o sol bateu nele, fazendo os cabelos ruivos ficarem laranjas.

Ai Deus, obrigada por me dar um vizinho desses!

– Vamos? - perguntei, fechando a porta atrás de mim.

– Vamos.

Ele bem que podia parar de ficar repetindo tudo que eu falava. Será que Edward estava constrangido com o que quer que eu tenha falado? Não! Não podia ser isso, porque ele era tão ou mais cara de pau que eu, e sabia retrucar qualquer elogio que o deixasse constrangido. Eu só o conhecia a uma ou duas semanas e já sabia uma coisa sobre Edward: ele não ligava para as indiretas diretas que eu lançava. Com certeza deveria estar acostumado.

Nós descemos a ladeira a passos lentos, conversando direito sobre a noite. Edward me contou o que eu fiz com ele, e eu pedi mil perdões por ser tão idiota, e fazer essas merdas que fazia quando estava bêbada. Pedi desculpas também por ter feito Rosalie me ajudar, e que ele não ficasse bravo com ela, pois a minha loira fazia tudo que eu pedia - claro, algumas vezes com consciência. Edward riu e falou que estava tudo bem, e que ele não tinha ficado bravo. Então eu logo apresentei a parte boa do produto Alec™. Entre histórias do passado, fui contado para Edward um pouco de Alec, e ele disse que meu amigo parecia legal.

Ele não sabia o quanto.

Era uma pena tudo ter acontecido e ele ter mudado. Eu sempre torcia para que o branquelo acordasse pra vida e visse que não valia a pena aquilo que ele fazia por causa da idiota, mas estava um pouco difícil. Isso já fazia meses, e não tivemos nenhum progresso. Mas eu continuava na torcida, e tentando.

Chegamos a praia e começamos a fazer o caminho de sempre, aumentando um pouco o ritmo. Edward estava contando algumas piadas para descontrair as coisas, já que hoje eu me encontrava em um estado deplorável de ressaca. E isso em pleno sábado ensolarado da Califórnia. Ai como as vezes eu tinha raiva de mim mesma, caramba!

– Bella, - ele começou, ficando sério de repente. Diminuiu a velocidade dos passos, e eu o imitei. - Eu não sou nenhum idiota que pode ser enganado com uma desculpa mal formada. - arregalei os olhos, já sabendo onde ele queria chegar. - O que Emmett queria dizer com você ser obrigada a fazer essa corrida toda manhã?

Abaixei minha cabeça e mexi as mãos nervosamente, pensando em mil e uma maneiras de fugir dele naquela hora. Claro que ele não cairia na desculpa de manter o corpo. Não depois de eu enrolar tanto para soltar ela. Será que se eu corresse, ele conseguiria me alcançar? Ahh, com certeza, porque deu pra ver que o ruivo tem um fôlego daqueles, sabe... Daqueles que um beijo dura muuuuuuuuuito, e é gostoso pra caralho. E Deus, olha pra boca daquele garoto, é tão vermelhinha dele ficar passando a língua ali, que dava vontade de morder. Uma mordida que desse só uma dorzinha de nada, pra ele fazer uma caretinha e ficar ainda mais lindo. Algo que as vezes parecia impossível, mas que eu sabia que era, pois para Edward beleza não era limitado. Nossa, realmente olhar para aquela boca é algo de deixar babando, e então com ela se movendo lentamente, como se chamasse meu nome...

– Bella?

E se ele ficasse sussurrando "Bella" no meu ouvido? Com certeza teria o mesmo efeito, pois a voz de Edward era com veludo, tão macia de ouvir...

– Bella, está me ouvindo? Beeeeeellaaaaaa! - Edward estalou os dedos na frente do meu rosto, me fazendo sair do transe. - Até que enfim!

– Hã? - fiz, debilmente.

– Porque as vezes quando estou falando com você, você viaja? - me encarou perplexo e confuso.

Ah, deve ser porque você é um puto de um gostoso, e tudo que você faz é encantador. Na forma como passa a mão nos fios cor de cobres, os bagunçando ainda mais, e bem quando bate um sol daqueles que fazem refletir e chegarem ao laranja. Também na forma em que da um sorriso, não importa qual: constrangido; malicioso; divertido; paquerador... Realmente não importa qual, todos são lindos. Vamos contar também que até andando você é encantador, e principalmente por trás, com uma bermuda jeans. Dá pra ver como sua bunda é perfeitinha, arredondadinha. E eu sei também que é durinha, puta-que-pariu. Agora me diz, tem como não viajar olhando para alguém como ele? Rouss falava que era loucura minha, e que eu deveria me tratar, porque viajar assim não era bom. E que eu não fosse logo, era bom me preparar para o que eu evitava por tanto tempo.

Então... Vamos parar de viajar! Ou melhor, tentar, porque... Ai, ai, que garoto lindo...! Que olhos verdes me encarando de perto... Que cheirinho gostoso ele tem... Sabe, um cheirinho único misturado com a colonia masculina que eu nem sabia o nome, só sabia que era bom e que o deixava com o ar de homem... Oh Deus, me ajuda que eu estou viajando novamente!

– Bella, por favor! - Edward me deu uma sacudida, me fazendo acordar.

– Eu-eu... Eu não viajo, Edward. - revirei os olhos e bufei teatralmente. - Você é quem tem ilusões. Mas então... Aonde paramos?

Ele torceu a boca e deu de ombros.

– Em você me explicar porque é obrigada a fazer isso todos os dias.

OH SHIT! Eu tinha me esquecido que era isso. Produção, podemos voltar para a parte em que ele quer saber porque eu viajo? Com certeza é mais fácil de responder.

– Hm... Er... Edward, eu acho que agora é você quem está... Viajando. Porque o que eu falei é verdade. Desde que me conheço por ser adolescente e que meus peitos cresceram, eu corro. - dei de ombros, assim como ele havia feito.

– Não, não, nada disso, Bella. Eu percebi os olhares e a mentira na sua voz, como percebo agora.

Fiz minha melhor careta de desgosto, querendo chorar. Já sentia meus olhos ardendo, pois o que Edward queria saber poderia fazer ele se afastar de mim, assim como... Quem não deveria.

– Você não vai desistir? - perguntei com a voz na miúda.

– Não. - ele foi rápido na sua resposta.

– E o que vai acontecer se eu não contar?

– Bella, quero que nós sermos amigos. Acredite, eu quero muito isso, só que não posso quando a que vou considerar muito amiga, não confia em mim para contar. Tudo precisa de confiança, o amor, e a amizade. Então...

Olhei para minhas mãos novamente, estralando os dedos por causa do nervosismo. Eu estava entre a cruz e a espada. Aonde quer que eu fosse agora, eu afastaria Edward de mim, pois com certeza ele não aguentaria o meu jeito. Poucas pessoas aguentam...

– Edward, eu... Olha... - puxei o ar com força, pronta para falar para ele que se ele queria assim, era assim que ia ser, eu não ia contar. Pois preferia evitar que ele se aproximasse ainda mais, que eu me aproximasse, e no final, ele não aguentasse mais e os dois sofresse. - Eu não... - Oh Deus, como é dificil fazer isso. Me manda uma luz, por favor! – Não quero que sejamo...

– BELLA!

EU-NÃO-ACREDITO! Deus me mandou uma luz. Eu sabia que ele ainda tinha um pouco de amor e carinho por mim, e não deixaria isso acontecer. Edward podia ser algo realmente bom na minha vida, enquanto não soubesse de nada. Então, obrigada mais uma vez, Deus. Agora, é só puxar muito assunto com essa pessoa que então enrolo Edward.

Me virei lentamente para trás, com um enorme sorriso, para ver quem era a santa pessoa que tinha me salvado. Mas meu sorriso sumiu assim que vi ele vindo. Sua pele avermelhada com o bronzeado do sol escandante, os músculos ainda mais em evidencias na regata cinza que vestia. Os cabelos negros com um corte arrepiado para cima, molhados com o suor que escorria da cabeça e descia pelos cantos do rosto. Essa imagem, eu já havia presenciado ela, e não fora boa para mim.

– Edward, vamos embora! - falei, o puxando pelo braço.

– Porque?

– Vamos embora! - ignorei sua pergunta e continuei andando, ignorando também os chamados de Jacob. - Porque ele tem que aparecer assim? Droga, eu tinha esquecido!

– Do que você está falando?

– Continua andando, e ignora o que eu falo e o idiota que está correndo e me chamando.

Edward ficou quieto e me deixou puxar ele, mas sua expressão não era nada amigável. Claro, depois de ele perceber que eu escondia algo, e agora outra coisa. Yeah, acho que agora ele nem precisava mais me colocar contra a parede. Agora ele iria mesmo desistir dessa amizade cheia de segredos. E tudo porque eu era uma idiota defeituosa.

Olhei para trás, querendo evitar as lágrimas, e dei com Jacob praticamente atrás de mim. Tentei correr, mas ele foi mais rápido e agarrou meu braço, me fazendo ficar de frente para ele. Eu me debati, tentando me soltar - e isso ainda segurando o braço de Edward, que nos encarava confuso e assustado.

– Bella, por favor, relaxa! - Jake pediu e eu estremeci ouvindo essas palavras.

– Se você me soltar eu vou ficar muito bem relaxada! - falei, ainda tentando me soltar.

– Mas se eu lhe soltar, você vai correr.

– Muito bem adivinhado, babaca! - dei um sorriso falso. - Agora faz isso para eu fazer a minha parte.

– Não!

– Sim! - Edward, que pareceu acordar e voltar a Terra, falou e pegou a mão de Jacob do meu braço. - Ela mandou você soltar e você vai.

– Hey, quem você acha que é pra falar assim comigo?! - Jacob soltou meu braço e se virou para Edward.

Eu arregalei os olhos, com medo de que acontecesse uma briga ali. Eu não queria, afinal, eu sabia que um dos dois iam se machucar e eu preferia que não fosse Edward, pois ele era lindo demais para se machucar. E se acontecesse, eu estava preparada para entrar no meio e proteger meu futuro marido.

– Eu sou amigo da Bella, e não vou deixar você machucá-la assim. - Edward deu um passo para frente, ficando cara a cara com Jacob.

Edward era alguns centímetros mais alto que Jacob, mas Jake tinha mais músculos - que cresceram ainda mais depois que ele sumiu.

– Hey! Hey! Hey! Sem brigas, por favor. - eu entrei entre os dois, e empurrei Jacob para trás, fazendo ele me encarar. - Vai embora e me deixa em paz.

– Não, Bella, eu quero conversar com você! - ele tentou tocar em mim, mas Edward me puxou para atrás dele, ficando na minha frente.

– Não encoste nela, ouviu? - a voz de Edward era ameaçadora, assim como seus olhos, que pareciam arder de raiva. - Ela não quer, será que está difícil de entender isso?

– Cara, não se mete, vai! - Jacob soltou uma risada de escarnio. - Meu assunto é com a Bella, então cai fora.

– Eu não vou cair fora, moleque. Você quem devia, por ficar querendo forçar ela a algo. Quem é você, afinal?

– Amigo dela.

Ex amigo, Jacob. - o corrigi rápido. - Nem amigo você deve ser considerado. É melhor fazer o que Edward falou, porque eu realmente não quero falar com você. Aliás, não quero nem olhar na sua cara. - peguei a mão de Edward, que apertou a minha, e o puxei, passando por Jacob e pegando o caminho de casa pela praia.

– Bella, não é assim. - Jacob veio atrás, insistindo como um idiota que era. - Eu não fugi como você acha que fiz. Eu fui visitar um amigo.

– Uau, uma visita de um ano? Vai se ferrar, Jacob Black!

Nunca que alguém ia visitar outra pessoa, ficar por lá e ainda não ligar mais ou ignorar as ligações. Eu bem sabia porque Jacob foi embora daqui, e ele ainda tinha a cara de pau suficiente para me procurar e querer que eu haja naturalmente com ele, como se ele não tivesse me magoado.

– Bella, por favor, acredita em mim. - seu tom era implorativo.

– Eu não vou acreditar nessa mentira, Jacob.

Edward apertou minha mão, chamando minha atenção. Ele moveu os lábios numa pergunta muda de "Posso?" que eu neguei, porque eu bem sabia o que significava esse posso. Edward queria arranjar briga, e por minha causa ainda. Eu não queria essa culpa ao ver aquele rosto perfeito com um arranhão sequer.

– Bella, eu só quero que nós voltemos a ser amigos. Só isso! Não sabe o quanto eu adorava a sua amizade. E ainda gosto! Você é muito, mais muito especial para mim para eu conseguir ficar longe de você. Me desculpa, Bella, por favor!

A cada palavra que ele havia dito, eu sentia meus olhos encherem de lágrimas, mas eu as controlei para não derramar nenhuma. Só eu sabia a raiva que eu estava sentindo naquela hora por causa daquele babaca, pois ele não podia fazer isso comigo, achando que as coisas se resolveriam com um simples "Me desculpa". Eu apertava a mão de Edward com força para me controlar. Mas o moreno atrás de nós não cooperava com isso.

Jacob novamente pegou meu braço e me virou com força, então, como a maioria dos meus atos impulsivos, eu lhe dei um belo soco de direita no nariz. Ouvi o delicioso crack que me fez sorrir, mesmo com ele se contorcendo de dor por eu ter lhe quebrado o nariz. A raiva que eu sentia foi diminuindo aos poucos, vendo o sangue escorrer do nariz de Jacob. Macabro, eu sei. Mas também só eu sei como ele já me machucou.

– Porra, Bella, isso dói! - Jake falou com a voz abafada.

– Bem feito, seu imbecil! - dei um empurrão nele, fazendo-o dar passos para trás. A raiva diminui um pouco, mas eu ainda estava furiosa. - Quem você acha que é, Jacob Black, para sumir por um ano, não aceitar minhas ligações ou se dar o trabalho de retornar, e agora aparecer com essa cara limpa e querer que eu lhe desculpe assim tão fácil?! EU SEI QUE NÃO SOU FÁCIL, OK? Mas não precisava fugir assim! - dei outro empurrão nele, que me encarava de olhos arregalados. - Só eu sei o que passei com seu sumiço, e você pouco se importando comigo, só pra lá curtindo. É, eu sabia o que você fazia porque alguém me contava. VOCÊ NÃO SE IMPORTOU COMIGO! - mais uma empurrada. Eu já sentia as pequenas ondas entrando pelo tecido do meu tênis. - Jake, você era a pessoa que mais me conhecia, a que mais sabia sobre mim e o que eu sentia, e mesmo assim me abandonou. Sabia como eu ficava com isso e mesmo assim foi embora e não pensou em mim. Não pensou em como eu ficaria sem meu melhor amigo! VOCÊ É UM PUTO DE UM EGOISTA QUE EU ODEIO! ODEIO MUITO, JACOB! E NÃO QUERO MAIS VER A SUA CARA!

Eu empurrei Jacob com tanta força que ele cambaleou para trás e caiu de bunda na água, logo vindo uma onda pequena e acertando ele. Seus olhos estavam arregalados na minha direção, enquanto ele ainda tentava parar o sangramento do nariz com a mão. Minha respiração ofegante fazia um pequeno silvo, de tanta raiva que eu sentia naquela hora. O meu pequeno desabafo não adiantou de nada, como eu achava que adiantaria. Eu ainda sentia muita raiva, magoa, ódio e ainda sentia um enorme carinho por ele que só eu entendia como era grande.

Porque esse sentimento bobo não ia embora?

Nem eu mesma sabia. E era o que eu mais queria.

Logo a respiração ofegante foi ficando presa na garganta, aonde havia um caroço que me impedia de respirar direito. Eu levei minha mão ao meu peito, sentindo uma dor ali. Jacob continuava no chão, me encarando, mesmo com a água batendo nele. As lágrimas escorriam pelos meu rosto, e eu só pensava em controlar minha respiração.

– Bella? - Edward apareceu na minha frente, tampando minha visão em Jacob. O encarei, vendo seus olhos verdes tão preocupados.

Sem nem pensar, eu me agarrei a ele para me manter em pé, pois minhas pernas tremiam. Tentei regular minha respiração, e ao fazer isso, eu implorava para que ou Emmett, ou Rose ou mamãe aparecesse ali. Eu queria tanto eles naquela hora...

– Bella, o que está acontecendo? - Jacob perguntou.

– CALA A PORRA DA BOCA! - Edward gritou para ele. - Bella? Bella, olha para mim. - o ruivo pegou meu rosto e me fez encará-lo. - Fica calma, ok? Não chore, querida!

Eu assenti com a cabeça, já sentindo minha respiração voltar ao normal. Minhas mãos, agarradas fortemente na camisa dele, soltaram aos poucos, e logo eu estava normal. Passei as mãos rápidas no rosto, limpando os vestígios de lágrimas.

– Vamos embora? - perguntei, com a voz rouca.

Edward assentiu e começou a me puxar para longe de Jacob. Em nenhum momento eu virei para trás para dar uma ultima olhada, porque todas as vezes em que fiz isso, vi o quanto quebrava a minha cara. Eu apenas me deixei ser guiada por Edward, que me levava para longe da única pessoa que me fez tão bem, mas também me fez mal. Andamos por alguns metros - o suficiente para ficar muito longe de aonde havia acontecido aquela confusão - e sentamos na areia. Edward estava quieto, assim como eu. Comecei a tirar meu tênis, que estava ensopado por causa que eu tinha andado pela água. Tirei minha meia e dei uma torcida, o que fez Edward soltar uma risadinha e eu acompanhá-lo.

– Está melhor? - perguntou baixinho.

– Não estou... - dei de ombros e me apoiei nas mãos, com o rosto em direção ao sol, que esquentava de forma gostosa por ainda ser cedo. - Mas vou ficar. Quem supera uma vez, supera a segunda também.

– Talvez. - ele murmurou e eu o encarei sem entender.

– O que quer dizer com isso, Edward?

– Não quero dizer nada. - imitou minha postura, com as pernas esticadas na areia e o torso apoiado nas mãos, de cara para o sol. - Só que apenas achamos que superamos, mas que na verdade, encontramos um tapa-buracos ou criamos a ilusão de que sim. Porque se realmente superamos, não nos importamos mais com aquilo.

Ele fechou os olhos e um minimo de um sorriso nasceu em seus lábios, me fazendo também sorrir. Edward tinha a completa razão, e tanto eu quanto ele sabíamos que eu não havia superado Jacob, pois se não eu não teria enlouquecido com ele, e não teria sentido aquela dor no peito. O problema era que eu não estava preparada para reencontrar o moreno, eu acho que ainda precisava de tempo, ou... Na verdade, eu poderia ter o tempo do mundo que nunca superaria, admito. E Rosalie, Emmett e mamãe sabiam disso, por isso tentavam esconder que eu soubesse, visse ou sequer ouvisse coisas sobre Jacob.

Assim como agora eu tinha visto que Emmett mentiu para mim sobre Jacob, porque a sua reação quando falei que lembro de Jacob foi exagerada demais. Mas eu não o culpava, ele só queria o meu bem.

– Agora, Bella... - Edward voltou a falar, chamando minha atenção. - Que tal me contar o porque de tudo aquilo?

– Bem... Não é nada demais, sabe? Só que Jacob é um covarde que não soube lidar... Comigo.

– O que quer dizer com isso? - ele se virou para mim. - Você não é tão difícil assim, Bella. As vezes você fala como se fosse algum tipo de aberração destruidora, porque ninguém consegue lidar com você, a não ser Rosalie, Emmett, Alec e sua mãe. Ah, e claro, eu também. - deu um sorriso que eu retribui com um minimo.

– Talvez eu falo isso porque realmente sou... - murmurei baixinho, olhando para a areia.

– O que? - Edward perguntou, se aproximando ainda mais para me ouvir.

– Eu disse que também não é assim. - dei um sorriso falso. - É só que... Bem, para começo de história Jake e eu éramos melhores amigos, como você deve ter percebido pelas palavras dele. E é era, não somos mais. Se eu estou certa, e você não duvidar, éramos mais do que Rosalie e eu. E olha que aquela loira é o amor da minha vida. - rimos. - Só que então, teve uma época que os meus sentimentos por aquele idiota foram mudando de melhores amigos para algo a mais, se é que você me entende. Eu até tentei esconder, mas ele começou a perceber. E bem...

– E bem... - ele me incentivou a continuar.

Eu já havia contado essa história para as pessoas - ou pelo menos uma parte dela. Mas tinha grandes partes nela que eu não podia contar em hipótese alguma, e que sou minha família sabia. E quando eu falava família, eu queria dizer: mamãe, papai, Emmett, Rosalie e Alec. Porque essas pessoas eu sabia que não fariam o que Jacob fez quando soube. E Edward... Edward eu apenas conhecia a uma semana, como poderia saber se ele faria ou não? Mas apesar dessa dúvida, eu já sentia um carinho enorme pelo ruivo, e não queria que ele fizesse igual. Então, eu esperaria mais um tempo.

Era hora de cortar partes.

– E bem que Jacob não é uma pessoa que saiba lidar muito com sentimentos. Era apenas comigo que ele sabia ser um verdadeiro amigos... Ou pelo menos é isso que eu achava, ou acho, não sei mais. - suspirei. - Quando ele soube, até tentou fazer algo dar certo, mas... Não deu. Ele não soube realmente lidar com esse lado de mim. E então, sem mais nem menos, em um dia que eu estava fazendo minha caminhada matinal, ele apareceu, como fez hoje, e me tratou estranho, falando que não queria que as coisas fossem assim, e que se mesmo eu não acreditasse, ele gostava de mim e de minha amizade. A-mi-za-de. - dei um bom enfase. - E se foi. Um foi que durou até hoje. Ou melhor, ontem. - suspirei. - E é isso. A cena que eu fiz, e me envergonho por ser tão impulsiva para fazer, é minha raiva acumulada, já que eu não pude dar aquele soco nele um ano atrás.

Edward me encarou por alguns minutos, e então ele me abraçou pelos ombros, fazendo eu encostar minha cabeça no ombro dele.

– Ele é um estúpido e um frouxo, porque você não é tão difícil assim. Eu acho você demais, Bella. Uma amiga verdadeira, super protetora com as pessoas que ama, e com certeza deve ser uma namorada maravilhosa também. Seu namorado vai ter muitas aventuras com você, assim como nós, seus amigos, temos. - nós dois rimos. - Jacob é um idiota por não perceber isso e fugir. - ele beijou meus cabelos. - Agora, vou te falar, loira, você tem um ótimo gancho de direita, hum.

Eu gargalhei alto, sendo acompanhada por ele.

– Eu sei, cara, eu sei. Aprendi com Emmett e Rosalie, quando eles treinavam para nada. Acha que eu não sobre auto defesa sendo linda e gostosa como sou? Cupcake, a Bellinha aqui sabe muito bem se defender de qualquer mal.

– Nossa, e eu achando que seria seu amigo para isso. - bagunçou meu cabelo, me fazendo bater na mão dele. - Tudo bem, eu me conformo que uma loira magrela sabe bater bem.

– Relaxa, Edward, você vai poder me proteger quando quiser, eu deixo, gatinho. - pisquei um olho para ele e lhe dei um beijo estalado na bochecha. - Só tem uma coisa que você não vai poder.

– O que é? - perguntou, preocupado.

– Meu pai. - fiz uma careta. - O velho é uma coisa linda que eu amo muito, e é muito pirado também. Vou ter que ir hoje para Orlando para passar o final de semana com ele.

– Orlando? - ele ergueu uma sobrancelha. - Que triste, ficar sem você por dois dias. - ele fez um bico muito fofo.

Eu olhei para aquele biquinho vermelhinho e me senti ficar com os pensamentos confusos. Minha mente viajou em uma imaginação distante e que nunca poderia acontecer, de eu apertando bem fraquinho aqueles lábios com meus dentes, deixando ainda mais vermelhinhos. E essa mordidinha se torna um daqueles beijos lentos, que logo viram...

Soltei um suspiro profundo, vendo tão perto aqueles lábios, a minha imaginação parecia tão real que eu custava para acordar. Cada vez que me aproximava, eu ficava ainda mais encantada. Eles se movendo de forma lenta, pronunciando algo que não chegava aos meus ouvidos de tão envolvida que eu estava. De repente eles pararam de se mexer, ficando entreabertos, com a respiração quente de Edward batendo em meu rosto. Estávamos tão perto que eu podia sentir o gosto de menta pelo hálito dele. Aquele gosto de pasta de dente que fica. Passei a língua nos lábios, e essa ato foi repetido por Edward.

DEUS DO CÉU, QUE ILUSÃO É ESSA?! NÃO ME DEIXE ACORDAR MAIS, POR FAVOR! NEM SE EDWARD REAL ESTIVER ME CHAMANDO!

Eu ouvia bem lá no fundo da minha cabeça a barulhenta sirene de cuidado, me avisando que eu estava delirando. Mas não importava, eu já estava perdida, ia terminar esse sonho bom demais.

Fui me aproximando cada vez mais, e percebi que o Edward dos sonhos também fazia isso. Aqueles lábios vermelhos me convidavam cada vez mais, fazendo movimentos quase imperceptíveis que eu só via por estar tão próxima. Foram poucos centímetros que eu me aproximei para então sentir a textura daqueles lábios. E Deus, era bem melhor do que eu imaginava. E parecia tão, mais tão real que eu não podia evitar suspirar com aquilo. Eram quentes e macios, e tão fininhos...

– MAMÃEEEEEEEEEEEEEEEE, EU QUERO NADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR!

O grito agudo da criança que passou correndo e chorando fez eu acordar e sair do transe que me encontrava. Pisquei os olhos rapidamente, focando-os na minha frente. E foi com grande e prazerosa surpresa que dei com Edward, que também parecia acordar de algo. E para melhorar tudo, e deixar meu deleite lá em cima, percebi que estávamos com os lábios encostados.

ESPERA AI... EU-EU ESTAVA O-O QUE?!

– Oh meu Deus! - murmurei, me afastando rápido de Edward, que também parecia assustado. Minhas bochechas queimaram nervosamente com a vergonha.

Eu não conseguia acreditar que eu tinha mais uma vez caído nas minhas imaginações e feito tudo na realidade. Como sempre, eu me distraia. E sabe o que é pior de tudo? É que isso foi bom, sendo que eu estava tentando levar Edward como amigo. Mas quer saber? Que se dane!

– Bella, isso... - ele me encarou. - Garota, o que aconteceu com você?

Eu lhe lancei meu melhor sorriso malicioso e me deitei na areia, fechando os olhos.

– Edward, quem manda você ser um puto de um lindo? Eu não queria aumentar seu ego falando isso, admito, mas... Vai mais pra lá, garoto. - ele se moveu para o lado e eu abri meus braços, aproveitando os raios solares. - Mas fazer o que? Eu só perdi o controle.

– Digo o mesmo... - ouvi ele murmurar baixo para si mesmo.

– Na próxima, se afaste. - abri os olhos, logo levando uma mão para o rosto para tampar o sol que incomodava. Edward me encarava perplexo, mas então ele deu o melhor sorriso malicioso e se deitou ao meu lado.

– Vai ter próxima? - perguntou, fechando os olhos.

Eu voltei para minha posição de cara para o sol, sorrindo comigo mesma por conseguir ser tão cara de pau. As vezes, ser assim, tinha seu lado bom. Mas só as vezes, que eu deixe bem claro.

– Eu não sei, Edward. Não confio em mim mesma perto de você. Eu não me conheço o suficiente para lhe dar uma resposta certa.

– Então, quando conhecer pode dar, ok? Mas por enquanto, vou ficar preparado já para essas surpresas.

– É o que você está dizendo. - eu soltei uma risada. - Tem muita coisa, Edward, em que eu posso lhe surpreender. Não é só isso.

– Eu gosto de surpresas, Bella. Na verdade, é uma das coisas que eu mais gosto.

Eu podia considerar isso um ponto positivo para mim? Talvez. Ou talvez não. Não importa. O que importa é que eu tinha que aproveitar mais um pouco daquele sol porque logo, logo pegaria um avião para Orlando, para encontrar meu amado, preferido e único super pai.



Renesmee POV

– Nessie, querida, aonde você vai? - mamãe perguntou assim que me viu indo em direção a porta da frente.

– Eu só vou ali fora, mãe. - fiz uma careta. - Só Edward consegue algo para fazer, eu nunca.

– Ah minha linda... - ela veio até mim e me deu um abraço. - Você não tinha também se entendido com as novas colegas de Edward?

– Sim... Mas... - peguei a barra da minha blusa de alcinhas. - Elas... São legais, mas...

– Mas? - me incentivou a continuar.

– Mas é que elas são diferente das meninas de Nova Iorque, sabe? Quando vejo elas as conversas são legais, elas tem assuntos, mas não sabem falar sobre Chanel ou Christian Louboutin. E eu sinto falta das minhas amigas que faziam isso.

Esme me encarou com seus olhos amorosos e avaliadores. Ela bem sabia como eu tinha ficado com essa mudança de estado, mas mesmo assim eu tentava não demonstrar, e tudo porque eu amava demais meu irmão e compreendia as coisas, não queria fazer minha família sofrer. Só que algumas vezes era um pouco difícil esconder o que sentia, principalmente quando eu ficava entediada.

– Minha menina, eu sei que está sendo difícil... - ela pegou minhas duas mãos. - Mas você já sabe, não é? Que o que aconteceu lá em Nova Iorque com Edward, sobre...

– Eu sei, mãe. Eu sei. - cortei ela, já sabendo o discurso de cor.

– Então, querida, só espere começar as aulas. Estamos em Los Angeles, com certeza vai encontrar meninas como as de Nova Iorque, que vão saber conversar sobre isso com você.

– Yeah. - suspirei, fazendo bico. - Mãe, eu vou lá fora esperar Edward, para ver se ele quer ir comigo tomar um sorvete. Quem sabe assim minha ressaca passa. - torci o bico, fazendo ela gargalhar.

– Ok, Nessie. - ela me deu um beijo na bochecha e foi em direção a cozinha.

Ainda me sentindo um pouco triste com saudade das minhas amigas, e entediada de que não tinha nada para fazer quando eu tinha o costume de passear em shopping ou na Quinta Avenida para momentos assim, eu sai de casa, parando bem na porta. O tempo estava ensolarado como todos os dias. Esse era um lado bom da Califórnia, que fazia sol todos os dias. Eu amava o calor e o sol, e odiava neve e frio.

Com um suspiro de deleite pelo ar limpo que respirava, eu olhei para a rua de um lado para o outro para ver o movimento e foi então que eu vi O movimento. Aquilo ali do outro lado, alguns metros de distancia, era o que? Um Deus Grego? Nossa, que corpo bronzeado e atlético era aquele? E aquele cabelo castanho claro com fios mais claros do sol? E que sorriso... Oh merda, porque ele está tirando a camisa? Ah, é bom demais para ser verdade. Ele vai lavar o carro!

Claro que eu não poderia perder uma cena daquelas assim, sendo que eu posso apreciar sem ninguém ver, já que só estamos nós dois naquela rua. Eu sentei nos degraus para poder ficar olhando. Vi atentamente quando ele ligou a mangueira e molhou o seu Plymonth Barracuda conversível laranja com a capota e o porta malas preto, e uma risca preta nos lados. Ele lavava com todo cuidado para não molhar o estofado de couro negro. Tinha um carinho e uma adoração com aquele carro que mais parecia uma mulher. Ele ensaboou e passou uma espuma de lavar. Não pude evitar suspirar quando ele passou as mãos nos cabelos que caiam nos olhos, fazendo reflexos dourados. O gato parecia se mover em câmera lenta ali, só para me provocar. As gotas de água que ficavam nele porque batiam na lataria do carro e voltavam.

Oh Deus, isso é realmente bom de se ver. Muito bom mesmo.

Um barulho de passos perto me fez acordar do transe que me encontrava. Virei minha cabeça rápido, mas me arrependi assim que fiz esse movimento. A pessoa que passava ali na calçada era nada mais nada menos que o amigo branquinho de Emmett, o Alec. E o garoto que eu tinha dado o beijo ontem a noite na DAR. Que eu descobri o nome hoje de manhã.

Eu me encontrava em um estado deplorável por causa de ontem. A bebida que Emmett me deu era gostosa, e eu tomei ela rápido mesmo porque queria muito curtir ali, e sem minhas amigas então para dançarem comigo, era por isso mesmo que eu precisava. Só que ela no outro dia, depois de dormir, dava uma ressaca dos infernos. Eu me sentia quebrada, como se tivessem me jogado em uma trituradora. E também, parecia que tinha sugado toda a minha memória, porque eu não lembrava de quase nada. Por isso que quando Edward foi na casa da Bella para saber se ela estava bem, eu fui com ele e encontrei Emmett, que me contou o que eu fiz. E merda, eu estava com muita, mais muita vergonha mesmo. Tanto que quando a mãe de Bella, que é parece ser muito legal, chamou nós para tomarmos café da manhã com ela, eu neguei e vim para casa, ao contrário de Edward.

E era por isso que eu não queria ver esse Alec nem disfarçada, pois a vergonha que eu sentia por ser tão... Bêbada, me fazia querer enfiar a cara no chão e sumir.

Já o tinha visto por aqui pelo menos umas duas vezes. A primeira foi quando eu estava mais uma vez olhando a vista pela janela do meu quarto e pensando na mudança, e ele apareceu na calçada, saindo da casa da Bella. De uma forma estranha, aquele garoto chamou minha atenção. A pele branquinha como de alguém que vivia numa cidade sem sol – ao contrário da CA –, os cabelos negros e bagunçados, caindo nos olhos que eram azuis claros. Ele percebeu que eu o encarava e olhou de volta. E foi então que eu não consegui mais desviar meus olhos dos dele. Pareciam presos de uma forma estranha. Minhas mãos suaram frio enquanto eu apertava o tecido da cortina, e meu coração acelerou. Só que então Emmett apareceu e eu consegui sair daquele transe, saindo logo da janela para não acontecer novamente.

A segunda foi na DAR mesmo, quando eu estava dançando e sem querer esbarrei nele – isso antes de minha mente apagar e ele também beber. Alec primeiro arregalou os olhos ao me ver, enquanto eu ficava estática no lugar, depois ele deu um minimo de um sorriso para mim como se me cumprimentasse. Eu também imitei, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Novamente eu estava sentindo aquelas emoções da mão suando e o coração acelerado. O que eu não sabia ali era se estava multiplicado porque estávamos ainda mais perto ou por causa da bebida. Só que então Edward e Bella apareceram me empurrando para voltar para o meio da pista de dança, nem percebendo Alec ali de tão animados que estavam. Eles me arrastaram, sem deixar eu nem sequer olhar para o branquinho.

E bem... Depois aconteceu aquilo no palco que eu não tive nem um pouco de vergonha na cara. Emmett não soube me explicar o porque de eu ter feito aquilo pois tinha ido resolver uns assuntos pendentes de um ano atrás, mas me disse que as únicas pessoas que saberiam dizer eram Edward e Rosalie, porque eram os que estavam sãs ali. Claro que eu não ia perguntar para Edward, porque ele mais cedo olhou para a minha cara e disse: Melhor você ficar quieta!, que eu obedeci. Ele devia estar furioso comigo, primeiro por eu ter bebido e segundo por ter dado uns pegas em alguém que eu nem sequer devo ter trocado três palavras. Só me restava Rosalie. E essa eu só via de vez quando. Estava torcendo para que aparecesse logo na casa da Bella.

Olhei novamente para Alec, que estava agora mais perto. Ele olhava para a frente, mas quando passou em frente de casa, olhou na minha direção, fazendo como fez na boate: arregalou um pouco os olhos. Eu senti logo minhas bochechas esquentarem, com certeza atingindo o rosado da vergonha. Ele diminuiu o passo para passar ainda mais devagar, e sem tirar os olhos de mim. Mesmo com vergonha e sabendo o que tinha acontecido, eu dei um pequeno sorriso, que ele retribuiu. Foi apenas isso para ele voltar a acelerar o passo, me deixando ali com o coração a mil e as mãos suando frio.

Tentei não olhar para ele quando ele chamou Emmett, e só me atrevi olhar quando ele entrou na casa. Eu suspirei, sentindo minha cabeça embaralhar em perguntas confusas. Eu queria saber mais sobre aquele garoto tão fofo de pele pálida. Ele sempre parecia tão quieto, ao contrário dos amigos. Era calmo demais para o Terremoto: Bella; Maremoto: Rosalie; e Vulcão: Emmett. Eu também queria saber como era a voz dele, porque nunca ouvi uma sequer palavra da boca dele. Não que eu tenha falado também, mas as pessoas passam a impressão de quando falam, e Alec até parecia quieto demais.

Com outro suspiro, eu olhei sem propósito para aonde estava o meu vizinho lavador de carro, e ele continuava lá, só que agora com a mangueira virada para a rua e uma cara de bobão na direção da loira que passava ali. E essa loira só apareceu ali para me fazer sorrir. Rosalie vinha com seu skate, nem vendo que o vizinho lindo a encarava. Ela estava usando um short jeans curto e todo rasgado, e uma camiseta preta. Aquela loira ali era de deixar qualquer garota nova iorquina no chinelo. Muitas de lá dariam tudo para ter o corpo que ela tem, e o sorriso, os olhos, os cabelos. Qualquer coisa. Rosalie servia para trabalhar de modelo para qualquer catálogo de roupa, Calvin Klein então nem se fala.

Eu admitia, tinha inveja de Rosalie. Queria ter metade do corpo dela, ao invés de ser essa tripa seca, como Edward me chamava.

Rosalie parou o skate em frente a casa de Bella, pegou ele na mão e, para a minha confusão, ela seguiu na direção da minha casa, sendo que seu ponto principal deveria ser a casa da maluquinha que arrastava meu irmão para qualquer canto. Vou falar, eu achei que ia morrer, mas não ia ver uma coisa dessas. Edward tendo uma amiga que ele da tudo por ela. É impressionante como ele fala dela, como se a garota fosse sensacional. Eu sabia que ele estava encantado por ela ser diferente. Mas sabia também que não era só encanto, que ele tinha realmente gostado dela, pois Bella era legal e não uma vadia qualquer como as que ele conhecia.

– Oi, Ruiva! - Rosalie apareceu na minha frente, tampando o sol.

– Bom dia, Loira! - cumprimentei ela, que fez uma careta. - O que? - perguntei preocupada.

– Nada. Nada... Só que você deveria falar: E ai, Loira, ao invés de bom dia. Soa mais Bella&Rosalie, entende? - ela se sentou ao meu lado da escada, colocando o skate do outro.

– Ah sim, entendi... - balancei a cabeça. - Mas e então, tudo bem?

– Eu quem devo perguntar. - ela riu. - Você está inteira depois de ontem? Gata, nunca vi ninguém mais animada que você, mesmo sem beber. - nós rimos.

– Dá pra andar, vai. - fiz bico. - Mas estou quebrada. - ela gargalhou com isso. - Que bebida era aquela?

– Segredo, Renesmee... Segredo... Tsc, tsc. - estalou a linga, me fazendo encará-la com uma sobrancelha erguida. - Calma, não tinha droga não, se é isso que está pensando.

– Nã-não, eu não esta... - ela me olhou com cara de “Sério mesmo que vai mentir?” - OK, eu pensei, mas agora não estou pensando mais. - ergui as mãos como se me rendesse. - Mas isso não importa agora, Rosalie. Eu precisava falar com você.

– Hm. - ela fez, enfiando a mão no bolso do short e tirando de lá um maço de cigarro e um isqueiro. - Sobre o que?

– Sobre ontem a noite. - fiz uma careta para seu ato errado, que era fumar. Não fazia bem a saúde, ela deveria saber disso.

– Sobre o que ontem a noite? - perguntou dando logo em seguida uma tragada no seu cigarro. - Espera, me deixe adivinhar... Sobre seu beijo com Alec, certo?

– Yeah... Ou mais ou menos isso. - admiti, envergonhada. Abaixei a cabeça. - Eu só queria saber o porque de eu ter feito aquilo sendo que não sou assim.

Rosalie deu mais algumas tragadas em seu cigarro, soltando a fumaça de uma forma que ela viesse para meu rosto, me fazendo tossir intoxicada. Ela me ofereceu, e eu neguei com a cabeça e uma careta de repreensão.

– Nessie, o que aconteceu lá em cima foi porque vocês dois estavam bêbados, então nem se preocupe em ficar toda constrangida, ok? Bem, eu sei que por causa da nossa bebida você não deve lembrar, então... Quando Bella estava lá em cima brigando com todos, Alec subiu para ajudar, e você viu que estavam ficando com raiva e decidiu que iria distrair o povo. Tirou da Bella o microfone e começou a conversar com as pessoas, e então Alec entrou no meio e as pessoas gritaram para vocês se beijarem. Bella, que até então reclamava de vocês terem lhe tirado o microfone, começou a agitar também, fazendo assim Edward ficar com raiva. Você e Alec decidiram que iriam fazer aquilo, então como eu vi que estava adiantando e ninguém mais queria matar Bella, ajudei ela segurar Edward e então vocês dois se pegaram. Foi isso. - ela deu de ombros.

– Ah, merda... - gemi e enfiei o rosto nas mãos. - Eu estava acima do meu limite, por isso Edward está com tanta raiva de mim.

– Relaxa, ruiva, isso logo, logo passa. - ela deu um tapinha nas minhas costas. - Agora... - jogou o resto do cigarro fora e me encarou nos olhos. - Me diz o que anda acontecendo entre você e Alec.

– Do-do que você es-está fa-falando? - gaguejei, me sentindo intimidada com seu olhar.

– Acha que eu não percebo os olhares que vocês dois trocam?

– Não tem olhares. - menti. - Só foi porque... Pelo que fizemos na DAR.

– Ahm, sei... - ela negou com a cabeça. - Renesmee, não me leve a mal nem nada disso sobre o que eu vou falar, mas Alec é uma ótima pessoa e que já levou um fora que não merecia porque a garota era uma estúpida. A ignorância dela deixou marcas nele que até hoje estão presentes. Essas que atrapalham e muito a vida do meu amigo. Eu não quero que isso aconteça novamente, me entende? Ele já sofreu demais e agora o que merece é o melhor. Por isso que Alec não pode ficar perto de patricinhas, pois elas não são boas pessoas, são arrogantes, egoístas, elas magoam e falam demais. Principalmente as baixinhas. E eu vejo como você olha para ele e como ele olha para você. E, me desculpe, mas isso não pode ser certo. Você é como elas, e no final nós duas sabemos como ele vai ficar.

– Rosalie, eu não...

– Me deixa terminar, Nessie. - pediu e eu assenti. - Não é que eu não goste de você, longe disso, mas eu sou amiga, protetora, e apenas quero o bem do meu amigo. Alec está encantado com você, eu posso ver isso de longe, e eu peço que tome cuidado ao se aproximar dele. Tem muitas marcas nele que temos que tomar cuidado para não trazer à tona. Se você tomar, o caminho que pode se seguir é bom, para os dois. Acredite em mim, Alec é mais do que uma ótima pessoa, e você por si mesma vai ver isso.

Rosalie deu um tapinha no meu joelho e levantou, seguindo para o quintal da casa ao lado e entrando na porta sem nem sequer tocar a campainha. Eu fiquei ali estática, sem entender nem um pingo do porque de Rosalie falar aquilo, sendo que o que tinha acontecido entre eu e o branquinho na boate DAR fora porque estávamos bêbados, e sem isso nós nunca tínhamos nos falado pessoalmente.

– Tchau, Edward! - a voz da Bella me fez acordar de meu transe. - Até outro dia.

– Até, Bella. - Edward acenou para ela, que piscou um olho para ele. - Me trás uma lembrança, não se esqueça!

– Pode deixar, cupcake.

Bella entrou em sua casa e Edward ficou ali parado na calçada, olhando para aonde ela tinha ido. Observei seus movimentos, reconhecendo-os de apenas alguns meses atrás. Torci minha boca, querendo esconder o sorriso que se formava quando ele virou para mim, sorrindo abertamente.

– Fazendo o que ai, Renesmee? - perguntou, se aproximando.

– Nada, ué. - dei de ombros. - Estava apenas esperando você chegar para irmos tomar um sorvete.

– Ah, minha gatinha, então vamos. - ele me estendeu a mão e eu peguei, levantando. - Vai querer de que?

– Você ainda pergunta? - eu revirei os olhos e passei meu braço pelo dele, seguindo pela calçada ladeira a baixo. - É claro que pistache, maninho.

– Ok, então. Pistache para os dois. - ele bagunçou meu cabelo e nós rimos.

– Edward?

– Hm?

– Você me acha arrogante, egoísta, que magoa as pessoas e fala demais?

Ele parou de andar e me encarou.

– Porque está perguntando isso?

– Por nada, só responde.

– Ah, Nessie, eu acho você faladeira demais sim, mas de resto, não. Você é boa demais, não sabe ser uma sequer dessas coisas. - alisou meu cabelo. - Só fala muito, mais muito mesmo que as vezes nem você mesma aguenta, admite.

– É, isso é verdade. - nós rimos.

Então Rosalie não precisava se preocupar, pois eu iria me aproximar de Alec e mostrar que eu podia ser boa. Boa amiga, até.

Eu abracei Edward pela cintura e o fiz andar mais rápido, louca pelo meu sorvete. Ele sorriu para mim. Sabia que era chato mudar de lugar, mas eu sentia que CA estava fazendo um bem para Edward, e faria para mim também.


Notas finais do capítulo
E então, o que acharam? *O* Eu sei que não ta grande coisa, porque da forma que fiz, kkkkk Então, me desculpem mesmo, sério. Mas deu pra dar uma entendida na cabeça de Nessie, e também saber UM POUCO sobre Jacob com Bella. E sobre o que ela esconde... Logo logo vocês saberão. Mas eu ja deixei umas pistas, vai! , KKKKKKKK
Beeem, eu estou aqui em plena 23:32 postando esse capitulo, e é cedo, eu sei, mas estou morrendo de sono, KKKKK E o que quer que eu tinha pra falar, agora sumiu >
Quando eu lembrar, falo no outro que pode ser RN ou Seven Reasons ( QUE PRA QUEM NÃO LEU AINDA : https://www.fanfiction.com.br/historia/207456/Seven_Reasons )
.
AHHHHHHHHHHHHHHHH, eu queria pedir pra vocês, que se tiverem alguma "quote" que tenham gostado no capitulo, postem, que eu tenho umas coisinhas em mente *-----------------------------------------*
E queria agradecer a linda da Cacau54 pela maravilhosa recomendação. Eu amei, assim como amei todas que ja ganhei com Aquela Garota !!!!!!!!!
Agora é isso. Meninas, desculpem qualquer erro, e espero que tenham gostado *O*
Beijoos :*




(Cap. 8) Pai e Filha

Notas do capítulo
NOOOOOSSA QUE SAUDADES QUE ESTAVA DE POSTAR AQUI A MINHA BELLA DOIDINHA *-----* nem vou falar mt aqui pq agr que descobrimos o que Bella tem :)

7. Pai e Filha

– Odeio quando você tem que fazer isso. - Rosalie resmungou com uma cara feia. - Você se aproveita que vai passar o final de semana longe e faz papel de mimada. Argh! - ela deu mais uma puxada na mala marrom de Renée.

– Mimada não, Rouss. - fiz biquinho e ela revirou os olhos. Dei de ombros e uma piscadela para um garoto gracinha que passou por nós, no saguão do LAX.

Eram quase onze e meia e eu ainda precisava fazer meu check-inn para meu voo de onze e cinquenta. Eu sei que podia ter cancelado a caminhada e assim não me atrasava, mas eu precisava chegar em Charlie com uma animação normal, pois não queria matar o velho do coração se preocupando comigo, já que lá era só ele, não tinha Renée, Rouss ou Emmett. Mas o meu atraso também se levava ao fato de eu ter sido parada no meio da minha corrida por um babaca que queria concertar erros grandes, sendo que isso já era uma coisa quase que impossível. Se não fosse por isso, eu não precisaria jogar todas as minhas roupas na mala, sentar em cima enquanto Rosalie tentava fechar o zíper, e no final quebrar, e eu ter que recorrer para a mala marrom da mamãe. Que agora Rosalie carregava para mim, com todo o seu amor por mim e em forma de dizer que vai sentir saudades. E eu carregava meu bebê lindo.

– Mimada sim! - ela jogou minha mala no chão quando paramos na fila do check-inn. - Bella, está com a passagem nas mãos? - ergueu uma sobrancelha, olhando para minhas mãos limpas de passagens, passaporte e os documentos. Nela só tinha meu iPod azul royal legal que tinha ganhado do Emm.

– Er... Eu nem sei aonde está, Rouss. - mordi o lábio inferior.

– O QUE?! - ela berrou assustando algumas pessoas que estavam na fila e que passavam por perto. Mas Rosalie era Rosalie e nem se importou. - Sua cabeça de vento, como você não sabe aonde está os documentos?!

– Eu não sei, Rosalie. Com todo aquele alvoroço para colocar minhas roupas na mala, acabei que deixei em cima da cama e depois não vi mais.

– Ai, Bella... Bella... Bella... - ela colocou a mão na cabeça e balançou. - E agora? Será que ficou em casa?

– Não sei. - dei de ombros.

– Próximo!

Nós olhamos para frente vendo que era minha vez, e eu não estava com a passagem. Merda, eu ia perder meu voo por causa da minha cabeça esquecida.

– E agora? - perguntei para Rosalie.

Ela colocou a mão no queixo para pensar e eu olhei mais uma vez para a mocinha que ficava ali fazendo o check-inn, que nos encarava com uma sobrancelha erguida. Ela tinha o cabelo preso em um coque, a maquiagem dela estava muito... Eu não me aguentei e soltei uma risadinha, pois o que passava na minha cabeça era engraçado demais.

– O que foi? - Rosalie perguntou para mim.

– Próximo!

– Nada. Nada. - neguei rápido me segurando para não rir. - E então, achou uma solução?

– Eu ainda estou pensan...

– Próximo!

Rosalie lançou um olhar furioso para a mulher.

– Então pense logo pois as pessoas estão ficando impacientes. - olhei para a fila que estava atrás de nós, e nela todos os olhares eram raivosos. O do velho barrigudo atrás então nem se fala.

– Próximo!

– Droga, Bella, não me apresse. - a loira pediu olhando para as minhas malas.

– Próximo!

– Não sou eu, Rosalie, é ela. - apontei para a mocinha que estava ficando vermelha de raiva.

– Próximo!

– DA PRA ESPERAR AI, CARA DE CORINGA?! - Rosalie berrou para ela que arregalou os olhos. Eu comecei a gargalhar com o que Rosalie a chamou porque era exatamente isso que ela parecia com aquela maquiagem. - Não está vendo que estamos enfrentando uma crise de burrice aqui? Essa animal - apontou para mim que parei de rir na hora. - fez algo espetacular e eu estou tentando concertar, então cale a boca e espere.

Todos ali ficaram em silêncio, até mesmo eu que não consegui me defender do xingamento. Rosalie continuou pensando, até ela dar um sorriso de quem havia achado a solução.

– E então? - perguntei baixinho.

Rosalie pegou a mala no chão e minha mão me puxando até a mocinha que ainda estava de olhos arregalados. Ela jogou minha mala em cima do balcão e começou abri-la.

– O que você pensa que está fazendo? - a moça perguntou assustada.

– Rosalie, você está ficando louca? Não pode abrir essa mala, ela está uma bagunça!

Rouss me ignorou começando a tirar minhas roupas de dentro da mala e jogando nos meus braços. As pessoas na fila começaram a reclamar assim como também a moça, mas Rouss estava pouco se importando. Eu vi até minhas calcinhas saírem para fora da mala até Rosalie encontrar no meio da bagunça meu passaporte e a passagem. Nós duas sorrimos uma para a outra e começamos a guardar minhas coisas de volta na mala. Ainda bem que a da mamãe era grande e nem precisou subir em cima como a minha. Entregamos os documentos e a passagem para a moça, que pegou com muito desagrado enquanto ainda continuávamos sorrindo.

– Só você, Bella! - Rosalie resmungou pela décima vez.

Já estávamos na outra fila, aquela em que entrega a passagem para entrar no avião, depois de despachar minha mala. Eu estava de braços cruzados e com o bico maior do que eu poderia fazer porque estava ja me estressando com Rosalie nos meus ouvidos falando que eu deveria prestar mais atenção no que fazia pois eu passaria quatro horas e meia em um avião sem ninguém. Eu já sabia de tudo isso não precisava ouvir ainda mais.

– Eu sei, Rouss. - falei também pela décima vez, já cansada. - Prometo não fazer nada dessa vez.

Ela me olhou de canto de olho e eu coloquei minha melhor expressão inocente e angelical que eu podia fazer. Ela bufou e negou com a cabeça. Tinha pelo menos umas dez pessoas na nossa frente e a fila tinha parado porque um senhor estava embaçando lá com o cara que olhava as passagens. Eles discutiam sobre alguma coisa que incomodava as pessoas perto. Entediada e sabendo que esse voo ia sair muito atrasado eu abri minha bolsa e peguei um pirulito de morango que eu comprara no caminho para cá - sobre os protestos de Rosalie.

– Bella! - ela virou para mim. - Você não pode fazer isso agora.

– Estou entediada, Rosalie. Então eu vou fazer. - fiz birra.

A loira ia começar um discurso sobre o porque quando um choro alto a atrapalhou. Era uma criança que estava com sua mãe atrás de nós. Um menino de uns sete anos, de cabelos negros, pele amarela e olhos castanhos. Ele tinha uma careta horrível ao chorar e bater os pés. Olhei para aquela cena com uma careta também vendo a má educação que ele tinha. Seu choro era muito alto e fino, parecia mais uma menininha. Fora os gritos da mãe dele que assustavam qualquer um.

– Bella, pare de olhar. - Rosalie me fez virar para frente rápido e andar com a fila que finalmente desempacou. - A mãe dele já está constrangida demais com as pessoas olhando, não precisa mais de você e suas caretas.

Hoje Rosalie estava naqueles dias que mais me irritavam. Ela tinha dormido mais de oito horas e quando fazia isso parecia se transformar em uma mãe responsável, mandona e chata. Eu odiava quando isso acontecia porque ela ficava no meu pé falando o que eu devia ou não fazer, e não fazia coisas idiotas comigo. E além das mais de oito horas de sono, Rosalie também estava triste porque ia ficar o final de semana sem mim e isso era mais um motivo para deixa-la chata.

– Relaxa, gatinha. - falei sorrindo para ela.

Olhei novamente para trás e dei com o garotinho que tinha parado de chorar, mas estava mais vermelho que eu quando não passava protetor solar e saia no sol forte. Ele me encarava com os olhos castanhos enormes e quando viu que eu também o olhava me lançou um sorriso que fez meus pelinhos do braço arrepiarem. Gostei do garoto!

Sorri de volta.

– Mamãe, quero pirulito! - ele falou puxando o vestido dela e apontando para mim.

A mãe dele, que era uma mulher grande e com um olhar raivoso virou os olhos raivosos para mim e eu engoli em seco por ser pega no flagra olhando para a mãe e o filho escandalosos.

– Tem mais pirulito, Bella? - Rosalie perguntou em um sussurro.

Eu rapidamente abri a minha bolsa e peguei mais um pirulito oferecendo logo para o garoto que negou com a cabeça. O olhei confusa, sem entender.

– Toma, garotinho, o pirulito. - falei calmamente para ele, que continuou a negar.

– Aceita logo essa porra, moleque! - a mãe dele falou com a voz grossa e eu me segurei para não arregalar os olhos de medo.

– NÃO! - ele berrou fazendo eu dar um pulo para trás. - Eu quero esse pirulito. - apontou para minha boca. - Deve estar mais gostoso. - piscou um olho.

Rosalie soltou uma gargalhada estrondosa e levou as mãos a barriga enquanto eu ficava ali com cara de idiota e com a boca aberta. Que garoto pervertido!

Ele estendeu a mão para pegar meu pirulito, mas eu fui mais rápida e fechei a boca.

– Nos seus sonhos, pirralho! - falei lhe dando as costas e indo até o homem que pegava as passagens.

Rosalie se despediu de mim ainda rindo da cena que tive que passar, mudando de humor rapidamente. Ela falou que já estava com saudades de mim e mais uma vez que era para eu dormir no voo para não me meter em confusões. Tirou meu pirulito da minha boca para jogar fora também. Eu concordei com a cabeça, lhe dei um beijo babado na bochecha - que ela limpou com cara de nojo - e entrei logo no corredor que dava para o avião.

Eu esperava que conseguisse mesmo dormir nesse voo pois não imaginava o que mais podia acontecer comigo em um avião. Já tinha uma linha aérea que eu não podia mais voar, outra seria uma merda total.

Achei minha poltrona - que para minha felicidade era do lado do corredor e não da janela pois tinha medo de altura. Sentei e já coloquei o cinto, respirando fundo ao ver o avião começar a encher. Em pouco tempo vi o garotinho abusado e a mãe dele entrar. Os dois vinham na minha direção e eu me encolhi, cruzando os dedos para que passassem reto e fossem para um lugar bem longe de mim. Mas eu era uma pessoa muito azarada e a mãezona - ou vovózona como preferir pois era igual a ela - colocou o pirralho na poltrona ao meu lado, a da janela. Ela falou para ele calar a porra da boca dele e dormir, e foi lá para trás aonde deveria ser o lugar dela. Eu soltei um choramingo.

– Você vai chorar? - o garoto perguntou me cutucando no braço.

– Olha aqui, pirralho, vamos esclarecer as regras aqui, tudo bem? Primeiro: não me toque. - bati na mão dele, que riu. - Segundo: Não fale comigo, não olhe para mim, nem sequer pense em mim. - sorri docemente. - E terceiro: faz o que a vovózona mandou.

– Quem? - me encarou confuso.

– DORME! - berrei atraindo atenção do homem ao nosso lado.

O garoto riu alto e eu bufei, cruzando os braços.

Em alguns minutos a voz da aeromoça atraiu a atenção de todos, e ela fez todo aquele discurso de colocar os cintos, agradeceu por escolher essa linha aérea e nos desejou uma boa viagem. Quando o avião começou a decolar eu apertei minhas mãos nos braços da poltrona sentindo um frio na barriga. Era sempre assim, eu andava bastante de avião e ainda não tinha me acostumado.

No alto já, eu relaxei, sabendo que se eu escutasse um pouco de música e me distraísse até conseguiria fazer essa viagem sem nada dar errado para mim. Claro que se o pirralho ao meu lado seguisse as regras que eu passei e não fosse atentado o suficiente para perturbar minha vida. Ele ficava me cutucando e rindo.

– Da pra parar? - perguntei para ele com a voz entediada.

Ele soltou uma risadinha.

– Você é muito branca. - disse rindo. - E tem muitas pintinhas. - me cutucou novamente no braço.

Obrigado, Deus, por esse castigo!, pensei ironicamente. Nunca mais eu tento entrar na cabine dos comandantes, prometo. Soltei um suspiro e bati mais uma vez na mão do garoto que nem se abalou, só riu. O garoto passou pelo menos uns dez minutos me cutucando até eu não aguentar mais e pegar a mão dele e apertar seus dedos.

– Ai, moça! Ow! Ai. - ele começou a choramingar se contorcendo.

– Eu mandei você parar, não foi? - falei com raiva.

– Eu paro! Eu juro que paro. Ai. Ai... Ai.

Soltei a mão dele com força e o garoto choramingou mais um pouco antes de dar novamente aquela risadinha e voltar a me cutucar. Fechei os olhos e respirei fundo.

– Bom dia, senhor. - uma voz doce perto me fez abrir os olhos. Era a aeromoça, ela falava com o senhor ao meu lado. Ele pediu algo baixinho e ela assentiu, já saindo. Era a minha chance de me livrar do moleque. Cutuquei a aeromoça que se virou para mim com um sorriso. - Sim?

– Er... Oi. - falei meio constrangida. - Eu queria saber se... - olhei para o pirralho que estava olhando pela janela agora. Safado falso! - Se tem como me trocar de lugar? É que o meu... Colega de poltrona anda me tirando do sério.

O garoto virou para mim com uma falsa expressão de inocência e eu lhe mandei meu sorriso falso também.

– Hm... Creio que não seja possível, senhorita. - a aeromoça falou e eu me virei para ela de olhos arregalados. - Não podemos fazer isso.

– Mas esse pirralho é um capeta! - falei em forma desesperada, a assustando.

– Me desculpe. - ela me lançou um olhar de desculpas e saiu.

– Que porra! - sussurrei baixinho e ouvi a risadinha diabólica do garoto que voltou a me cutucar.

Me segurando para não fazer nada com o pirralho que era pior que o cabeça de balão do Rick eu peguei meus fones e coloquei, ignorando o amarelado para ver se ele parava.

Depois quase vinte minutos naquele inferno de ser cutucar e tirada pela cor o capeta decidiu fazer o que a vovózona mandou e dormiu. Eu suspirei aliviada e tirei meus fones, sentindo a paz reinar ali. Mas além da paz eu também me sentia entediada, e odiava ficar no tédio. Aquele garoto tinha gastado minhas energias de me concentrar em ficar quieta, e agora eu não conseguia parar. Era muito tédio para mim.

Yeah, eu lembro que foi assim com esse tédio que eu fui proibida de andar pela linha aérea, mas dessa vez eu só vou mesmo dar uma volta, nada de mais.

Só isso.

Decidi dar uma volta no avião já que a aeromoça não estava por perto. Soltei meu cinto e levantei, seguindo pelo corredor para o fundo. Como sempre existiam pessoas simpáticas que sorriam para mim quando passava, e eu retribuía para mostrar a educação que Renée me dera.

Percebi que esse avião era um pouco diferente dos outros que tinha andado, talvez por ser a primeira vez que eu andava nessa linha. Então decidi dar uma explorada para ver se esse tinha o cafezinho que o outro também tinha. Mas ao passar por uma senhora, essa pegou meu pulso e apertou com força. Olhei para ela, que me encarava de olhos arregalados.

– Algum problema? - perguntei para ela.

– Esse... Esse avião vai cair. - sussurrou de forma assombrada. - Vamos todos morrer...

Sua mão se apertou ainda mais em volta do meu pulso e eu fiz uma careta de dor. A velha era louca de pedra.

– O...k. - murmurei lentamente e tentei soltar a mão dela do meu pulso. - Você pode, er... Me soltar?

A velha não fez o que eu pedi.

– Esse avião vai cair. Me escuta! Eu vi! Vamos morrer! - seus olhos eram desesperadores. - Acredita em mim, loirinha! Vamos morrer! Vamos morrer!

O desespero daquela mulher era muito verdadeiro para alguém que poderia estar brincando ou sendo louca mesmo. E se ela fosse louca então porque aquela garota ao lado dela não mandava ela se acalmar? Pois pelo que eu saiba pessoas assim andam acompanhadas e tomam calmantes parar dormir o voo inteiro. E se ela estava sozinha e acordada - muito bem acordada - só significava uma coisa: ela não era doida. E esse fato com suas palavras significava outra coisa: ela estava falando a verdade.

– Nós vamos... O que? - perguntei em um sussurro.

A velhinha olhou para os lados com os olhos arregalados e depois para mim, me chamando para eu me aproximar. Fiz isso para assim poder ouvir o segredo que ela queria contar.

– Enquanto dormia eu recebi a mensagem de Deus de que nossa hora chegou. - apertou meu pulso mais uma vez. - Vai ter uma falha no sistema e nós vamos morrer... Todos.

Ela soltou meu pulso, que estava vermelho do aperto, e encostou no banco, apertando ainda mais o cinco e se segurando na poltrona. Eu fiquei ali parada sem saber o que fazer ou falar pois tinha acabado de saber que eu não veria mais Charlie pois não chegaria lá, e também nem Renée, Emmett, Rosalie pois não voltaria também. E pior, não me casaria mais com meu futuro marido Edward porque não viveria mais alguns anos para ele saber que me ama incondicionalmente e que não vive sem mim. Eu iria parar ali ao dezessete anos, sem chance de ter um futuro, de me casar, ter filhos, ficar velhinha igual a que recebeu a mensagem de Deus. Já era, não tinha mais como. Não haveriam mais chances de fugir. Até o pobrezinho do pirralho iria morrer sem nem conhecer mais da vida.

Isso era muito... Triste.

Olhei para as pessoas sentadas tão calmas ali, sem saber que o fim delas estava próximo. Algumas ouviam musica, liam revistas, outras dormiam, sem nem saber de nada. Pobres pessoas que se iludiam achando que pisariam em terra firme novamente.

Elas ficariam ignorantes a esse fato?

Não, elas não poderiam ficar na ilusão disso. Precisavam saber que iriam morrer para assim poderem se despedir de quem estivesse próximo. Para poderem dizer o ultimo "eu te amo", dar o ultimo beijo e o ultimo abraço. Eu não podia deixar elas só saberem quando fosse a hora, talvez não desse mais tempo, o pirralho não chegaria na mãe dele para essa amenizar um pouco o medo. Eu tinha que avisar para eles, pois se estivesse com alguém aqui eu iria querer me despedir dela com tempo suficiente. Mas eu tinha que tomar cuidado ao falar isso porque não queria assustar ninguém para não piorar. Tinha que escolher as melhores palavras e falar calmamente... Calmamente...

– O AVIÃO VAI CAIR, NÓS VAMOS MORRER! - berrei desesperada e todo mundo virou na minha direção.

– O que você disse? - um homem gorducho perguntou.

– Vamos todos morrer! - soltei novamente e as pessoas começaram a falarem juntas.

– Você sabe que isso é coisa muito idiota de se falar em um avião. - um garoto disse lentamente.

– Essa garota é louca, não a escutem! - a vovózona falou fazendo pouco caso.

– ACREDITEM EM MIM!, DEUS ENVIOU A MENSAGEM! O AVIÃO VAI CAIR! ESSA VELHINHA QUEM RECEBEU! - apontei para a velhinha que olhava para todos balançando a cabeça.

– Isso é loucura!

– Mandem ela calar a boca que eu quero dormir!

– Pessoas - uma mulher levantou. - se foi Deus quem disse, devemos acreditar. Aceitem isso, vamos morrer.

As pessoas começaram a falar juntas e ao mesmo tempo, umas acreditando e ja se desesperando, outras ainda incrédulas. O avião deu uma tremida e foi só preciso disso para todos acreditarem e começarem a berrar. Eu me segurei na poltrona vazia, tentando não entrar no desespero.

– O que você está fazendo, garota? - a aeromoça apareceu ao meu lado com cara de brava. - Porque está em pé? E que bagunça é essa? - ela se virou para as pessoas que falavam alto e choravam com medo.

– O AVIÃO VAI CAIR E VAMOS TODOS MORRER! ESSA GAROTA DISSE ISSO! - um homem, chorando, apontou para mim. - VAMOS MORRER!

A aeromoça se virou para mim com uma expressão assassina.

– Qual é o seu problema?!

– Foi Deus quem falou para ela! - apontei para a velhinha que começou a negar com a cabeça. - ELA DISSE QUE VAMOS MORRER!

– Eu não. Não falei nada! A loirinha é doida! A loirinha "ta" doida!

A encarei de boca aberta.

– O que está acontecendo? - uma mulher apareceu atrás de mim. - Vovó o que você fez?

– Eu não fiz nada!

O avião estava um caos com as pessoas berrando em desespero, crianças chorando, outras brigando. Eu não sabia mais o que estava acontecendo realmente, se o avião ia ou não cair.

– SUA MENTIROSA CRETINA! - apontei para a velha. - VOCÊ FALOU PARA MIM QUE O AVIÃO IA CAIR!

– E você acreditou? - a mulher me olhou indignada. - Essa velha louca fala para todo mundo que recebe mensagens de Deus e que vamos morrer todos os dias.

– O QUE?!

– CALEM TODOS A BOCA! - a aeromoça começou a berrar tentando ultrapassar a voz das pessoas. - O AVIÃO NÃO VAI CAIR, É MENTIRA! PAREM COM ISSO!

Eu estava sem reação não acreditando que eu tinha mesmo sido levada pela onda de uma velha. Fui percebendo que aos poucos as pessoas foram se acalmando, para o alivio da aeromoça. Essa, depois que conseguiu acalmar as pessoas, voltou até mim, que continuava encarando a velhinha com ódio.

– Volte para o seu lugar, garota. - ela me pegou pelo braço e começou a me puxar.

– Você também, vovó! - a mulher falava. - Não posso sair cinco minutos para ir no banheiro e você já começa com suas mentiras.

A velha deu de ombros e olhou para mim com um sorriso irônico.

– Tchau, loirinha. - piscou um olho.

– ARGH! - eu resmunguei dando as costas a ela e ultrapassando a aeromoça.

Sentei no meu lugar e cruzei os braços. O pirralho continuava da mesma forma que estava antes quando eu tinha saído: dormindo. Tinha achado um sono de pedra igual a mim. A aeromoça ficou parada lá na frente, de braços cruzados e me encarando, ela nem piscava. Eu sorri para ela e peguei meu iPod, colocando alguma música do 3OH!3. Comecei a repassar na cabeça a cena que tinha acontecido a poucos minutos, e ao lembrar da mulher falando que foi no banheiro também me deu uma vontade de ir. Comecei a me levantar, e meio segundo depois a aeromoça estava ao meu lado.

– Aonde você pensa que vai, mocinha?

– Ao banheiro? - ergui uma sobrancelha.

– Nada disso, pode ficando ai. Você já deu muito trabalho por um dia.

– Mas eu estou apertada!

A aeromoça me encarou por um minuto. Eu sustentei seu olhar.

– Como vou saber se você não está mentindo?

– E eu lá sei?! Mulher, eu estou apertada e é só isso que eu posso lhe falar. O que mais quer que eu fale?

Eu realmente queria ir no banheiro e era um absurdo essa mulher querer me impedir de ir porque por causa daquela velha eu tenha feito o avião virar uma loucura. A culpa era toda da velha com seu complexo de "vamos morrer" que conseguiu me convencer. A culpa também era da neta dela que decidiu ir no banheiro justo na hora que eu fui dar uma volta. Agora eu estava impedida de dar voltas no avião e obrigada a ficar sentada por muito tempo ao lado do pirralho. Que graças a Deus tinha capotado bonito. Só que mesmo assim isso não fazia diminuir o desconforto que eu me encontrava ali, parada, sem poder me movimentar.

A aeromoça, que era uma mulher de no máximo trinta anos com cabelos loiros palha, olhos azuis e pele bronzeada, ainda continuava me encarando. A uniforme azul dela era extremamente apertado, mas isso parecia não incomoda-la. Os cabelos antes estavam presos em um coque impecável agora encontrava com alguns fios soltos depois da confusão que eu fiz.

– Tudo bem. - ela suspirou. - Mas eu vou acompanha-la até lá e depois novamente para a sua poltrona.

Eu não queria uma cachorrinha atrás de mim, mas se eu precisava disso para poder movimentar minhas pernas, então que seja. Toda vez que ficasse entediada eu inventaria de ir ao banheiro, se ela quisesse me acompanhar problema era dela.

Eu assenti com a cabeça e me levantei já seguindo na direção do banheiro. Ao passar pela velha eu lhe lancei meu olhar mais raivoso e a filha da mãe sorriu para mim. Fiz o gesto "Estou de olho" com as mãos e ela deu de ombros. A aeromoça me deu uma empurrada para eu continuar meu caminho, e de má grado eu fui.

– Vai querer entrar no banheiro comigo também? - perguntei entrando. - Isso está pior que prisão que as carcereiras acompanham. Ou então creche. Se eu fosse homem até perguntaria se você queria segurar para mim. - pisquei um olho para a aeromoça que me olhava como se pudesse me queimar viva.

Fechei a porta na cara dela e olhei o banheiro, que era minúsculo como todos os banheiros de avião. Eu odiava esses lugares. Fiz o que queria e enquanto lavava minha mão eu pensava em formas de distrair a aeromoça para que eu pudesse explorar esse avião da nova linha aérea que eu iria andar de agora em diante.

– Hey, aeromoça! - ouvi alguém chamar e sorri comigo mesma.

Secando rápido as mãos eu fui até a porta e a abri um pouco constatando, para minha felicidade, que a aeromoça tinha ido fazer o trabalho dela. Coloquei a cabeça para fora e vi ela no segundo corredor falando com um homem. Aproveitei que ela estava de costas e sai, fechando a porta. Me abaixei quando ela virou para ver se eu ainda estava lá dentro com a porta fechada. Olhei por trás de uma poltrona e vi que ela voltava, então agindo rápido comecei a andar abaixada pelo outro corredor, sempre de olho nela.

Eu queria achar a suposta "cozinha" que teria o cafezinho. Essa era minha ultima chance de tomar porque quando estivesse com Charlie eu só comeria coisas sem gordura, açúcar ou cafeína.

As pessoas me olhavam como se eu fosse louca, isso até eu chegar ao meu alvo. Entrei no que eles chamavam de cozinha e até me impressionei em ver que ela era belezinha. Tinha um frigobar, armários e até um mini microondas. Eu sorri comigo mesma contando com a sorte que a aeromoça ia me esperar por um bom tempo lá no banheiro e comecei a procurar o café. Era muita cara de pau minha fazer isso, só que a outra linha me deixava porque eu conhecia a aeromoça de tantas vezes que voamos juntas. Essa teria que começar a se acostumar com isso também.

Ali havia um balcão e nele uma duas garrafas térmicas, uma preta e uma cinza, que eu conhecia muito bem da outra linha. Eu peguei um copo de plástico e abri a garrafa preta, colocando um pouco de café. Estava quentinho como eu gostava. Eu também estava com fome, e comecei a abrir os armários para ver se encontrava os amendoins que sempre davam. E então o avião começou a balançar numa turbulência daquelas. As coisas que estavam no armário caíram em cima de mim, e isso significava um saco de açúcar. Ele rasgou quando caiu, espalhando para tudo que é lado. O meu copo com café que eu deixei em cima do balcão caiu também, espalhando o liquido preto. Eu ainda tentava me segurar nas coisas, e segurar elas também porque estava caindo tudo, os pacotes de amendoim, as garrafas térmicas...

O avião parou de tremer e eu, de olhos arregalados, vi a bagunça que ficou. Eu estava ferrada! As portas dos armários eram feitas para não abrirem quando aconteciam turbulências, e as garrafas não quebrarem, mas eu tinha feito tudo dar errado deixando as portas abertas, e tendo um copo com café ali em cima do balcão.

– Mas que porra...?

Olhei para a entrada e a aeromoça estava ali olhando horrorizada para a bagunça que tinha se formado no chão. Ela levantou o olhar para mim.

– Oi. - sussurrei com um aceno.

– Você! - apontou para mim, vermelha de puro ódio. - EU VOU TE PEGAR, SUA GAROTA DO INFERNO!

A aeromoça avançou na minha direção, mas ela acabou escorregando na sujeira e caiu de bunda no chão. Eu não sabia se ajudava ela ou se corria. Ela me olhou e seu olhar só fez eu decidir o que faria: correr! Pulei por cima da aeromoça que tentou agarrar minha perna, mas a empurrei e corri para o meu lugar. As pessoas estavam me encarando por causa do meu estado, que era coberta de açúcar. Me encolhi na minha poltrona, querendo sumir. E sobre eu estar ferrada... Eu estava era muito mais do que ferrada!

A aeromoça não apareceu ali como eu imaginava que ela iria fazer, o que foi um grande alivio. Talvez quando chegássemos em Orlando ela não mandasse me prender, e eu não encontrasse Charlie em uma situação ruim. Talvez aquela aeromoça fosse muito boazinha e ia me dar créditos porque era a primeira vez que viajamos juntas. É, talvez...

Fiquei quietinha no meu lugar assistindo o pirralho continuar dormindo, até que então comecei a ficar sonolenta e com muito prazer me entreguei ao sono.

O sol quente de LA batia no meu rosto, e a brisa fresca balançava meus cabelos. Eu estava sentada na praia que ficava no final da ladeira perto de casa, aquela que eu sempre fazia caminhada - antes sozinha, agora com Edward. O lugar estava vazio tendo apenas os sons das ondas quebrando. Olhei para os lados e me surpreendi ao encontrar Edward sentado ao meu lado, sorrindo.

– Você está indo para Orlando. - falou com um biquinho fofo.

Eu já tinha visto essa cena e mais uma vez eu estava me perdendo nos lábios vermelhos e convidativos de Edward. Ele movendo-os em forma lenta e sedutora que me fazia morder os meus com vontade de beijar. Para uma pessoa como eu se distrair era muito fácil, ainda mais quando um cara lindo como ele ficava tão pertinho assim.

Yeah, ele estava se aproximando.

Eu também comecei a me aproximar mais dele, sem nem encostar e já sentindo a textura daqueles lábios vermelhos nos meus. Edward, com uma mão, colocou uma mecha do meu cabelo que caiu no meu rosto atrás da minha orelha, e passou o dedo na minha bochecha. E então o mais estranho aconteceu, ele lambeu o dedo e sorriu para mim.

– Hmmmmm, como você está doce, loirinha. - falou com uma voz infantil.

Espera... Aquela voz fina não era de Edward. Eu conhecia aquela voz... Ela me irritava por ser fina... OH NÃO!

Eu abri os olhos e dei de cara com o pirralho que tinha um dedo na boca e me encarava com uma cara de pura malicia. Aquele dedo... Eu passei a mão na minha bochecha sentindo uma linha molhada.... Ah merda, quero vomitar!

– Seu filho da puta, sai daqui! - empurrei o pirralho que voo para trás e bateu na poltrona dele, e ainda rindo. - Que nojo! Que nojo! Que nojo! - eu murmurava tentando, inutilmente, tirar aquela baba do meu rosto.

– Hmmm, que delicia! - ele falou chupando o dedo. - O que você fez, loira, pra ficar assim, docinha?

– Seu moleque nojento! - dei um tapa na cabeça dele que quase saiu do pescoço. - Porque você fez isso?!

Ele soltou uma risadinha, passou a mão nos cabelos ensebados e me encarou com o que ele julgava ser sedutor, mas que mais parecia um animal esquisito e não nomeado pelo ser humano.

– Eu acordei e dei de cara com seus fios de ouro na minha cara... - tentou tocar meu cabelo, mas lhe dei um tapa na mão. - Decidi aproveitar que você estava dormindo também e fui saber qual era seu perfume...

– Você... Me cheirou?! - coloquei a mão na boca para não vomitar.

– Sim. Todinha... - falou lentamente e mexeu as sobrancelhas. - E vi que você cheirava a doce. Então quis saber o gosto. Mas ai você acordou... - deu de ombros. - Você é gostosa, loirinha.

Olhar para aquele pirralho sabendo o que ele tinha feito estava me dando ânsia de vomito. O meu café-da-manhã queria sair todinho. Meu Deus, esse menino conseguia ser pior que Emmett em quesito de ser nojento.

– Fica longe de mim, pirralho.

– Porque? Eu acho que estou apaixonado por você, loirinha. - ele se aproximou de mim e com o dedo empurrei ele. Não queria tocar naquela criatura nojenta. - E eu sei que você também está apaixonada por mim.

– Você ta ficando louco, só pode! - coloquei a língua pra fora em sinal de nojo. - Você é estranho, sai daqui!

O pirralho gargalhou e grudou no meu braço. Eu tentei tira-lo, mas parecia cola ali. Deus, o que eu tinha feito para merecer uma criatura dessa?! Se ele não me perturbasse desde a fila eu acharia que a aeromoça tinha pagado ele para se vingar de tudo que eu fiz para ela. Eu consegui tirar ele, que gargalhava alto.

– Loirinha, não faz isso comigo, por favor. - ele murmurou triste e eu o encarei de olhos arregalados vendo que a alegria dele tinha passado. - Eu estou falando sério quando digo que me apaixonei por você. Desde aquele momento na fila quando eu vi você chupando o meu pirulito preferido... E eu me apaixonei pelos seus fios de ouro... - tentou tocar no meu cabelo novamente e eu empurrei a mão dele. - Por sua pele branquinha como leite e cheia de pintinhas... me lembrando sorvete de flocos... - ele foi pegar no meu braço e eu me afastei. Ele suspirou e me olhou. - Mas me apaixonei ainda mais pelo seu lindo jeito de falar. E por seus olhos verdes como bolinhas de gude. Você é perfeita, loirinha.

Oh Deus, tadinho, ele parecia mesmo apaixonado por mim. Então seria eu o seu primeiro amor? Esse pirralho era doido, primeiro por me achar linda e perfeita, e depois por se apaixonar por uma garota mais velha. Mas também ele era um fofo com essas palavras bonitinhas.

– Olha, pirralho... - eu comecei. - É muito legal da sua parte se declarar assim, mas... Eu já sou uma mulher comprometida com meu vizinho. Nós vamos nos casar. Ele ainda não sabe, mas vamos. - ri comigo mesma. O pirralho fez um biquinho feio de tristeza. - Eu queria poder corresponder o que você sente, mas você é muito novo. Me desculpa?

Ele assentiu ainda com o biquinho.

– Eu entendo. - murmurou. - Posso lhe pedir uma coisa então, antes que o avião pouse e nunca mais nos vemos?

– Já está perto de pousar? - perguntei e ele assentiu. - OK então, peça.

O pirralho se aproximou de mim e eu me segurei para não afastar, tentando controlar o nojo que eu ainda sentia dele. Qual é, ele tinha me lambido, isso era nojento!

– Me dá um beijo?

– O QUE?!

O garoto avançou em cima de mim com um bico maior do que era permitido para seus lábios. Eu me afastei dele rapidamente, o empurrando para longe, só que ele parecia muito decidido a roubar um beijo meu porque estava colocando todas as forças. Ele era bem escorregadio, e algumas tentativas quase conseguiu.

– Só um beijinho, loirinha! Vamos lá, eu prometo que sou melhor que seu vizinho. Sou gostoso!

– Sai daqui, sua criatura! Sai! Argh, que nojo!

– Loirinha, vou lhe dar um beijinhooooooooooo.

– SOCORRO!

– Eu lhe salvo, não se preocupe! Com meus beijos deliciosos!

– AH MEU DEUS, SEU NOJENTO!

Teve uma hora que eu empurrei o pirralho e ele caiu na poltrona dele, rindo. Eu estava em estado de choque. As pessoas perto de nós nos encarava e a aeromoça estava lá na frente, me olhando com medo. Droga, eu tinha colocado medo na pobrezinha...

Encarei o pirralho que ainda fazia biquinho e tive uma ideia.

– Tudo bem, você venceu. - falei e ele arregalou os olhos sorrindo. - Eu vou lhe dar um beijo que você nunca vai esquecer...

– EBAAAAAA!

– ... Mas eu tenho vergonha, então tem que ser sem ninguém ver. Você levanta agora e vai lá no banheiro que eu vou atrás para lhe encontrar, tudo bem?

O pirralho assentiu, soltou o cinto, pulou por cima de mim e correu para o banheiro. Eu soltei um suspiro e levantei, seguindo para lá também. Dessa vez eu ignorei a velha mentirosa, e dei um sorrisinho quando vi que a vovózona estava dormindo. Então ela não saberia que fui eu, e quando descobrisse eu já estaria longe. Cheguei no banheiro e a porta estava fechada, o que significava que o pirralho estava lá dentro me esperando. Pobrezinho, ia morrer de esperar pelos meus beijos.

Peguei o pirulito que estava no meu bolso e coloquei o cabo na fechadura da porta do banheiro de uma forma que quebrasse lá dentro. Foi prazeroso ouvir o clique que fez, e eu tentei abrir a porta e já não adiantava mais. Dei a gargalhada mais maldosa que eu tinha e assobiando voltei para o meu lugar.

A aeromoça anunciou que íamos pousar e eu apertei meu cinto, sorrindo abertamente. Quando o avião estava em terra firme eu peguei minha bolsa e levantei, vendo que a aeromoça estava na porta de saída agradecendo as pessoas por escolherem essa linha. Eu senti a culpa tomar conta de mim e decidi que precisava me desculpar com a aeromoça. Esperei todas as pessoas saírem.

– Hey, garota, cadê o moleque? - a vovózona apareceu ali do meu lado.

Mesmo com medo eu agi naturalmente.

– Eu não sei, quando o avião pousou ele se soltou do cinto e sumiu. - dei de ombros.

– Oh moleque do caralho! - ela murmurou seguindo para a saída também.

Ri do coitado que ia apanhar quando fosse encontrado. O avião ficou vazio, essa era a hora perfeita. Segui para a saída, e a aeromoça quando me viu grudou na porta com os olhos arregalados. Sorri para ela, que deu um passo para trás. Esse avião para descer tinha uma escada.

– Hey, moça, eu só queria pedir... - eu fui tocar no braço dela e a aeromoça se assustou, se soltou da porta e ficou na ponta da escada. Eu fui me aproximar mais, só que meu pé enroscou em algo, eu tropecei e bati a mão na aeromoça, que para minha surpresa caiu para trás rolando escada a baixo. Seus gritos foram altos, atraindo a atenção das pessoas que estavam lá em baixo. Eu levei uma mão a boca. Vi ela chegar lá em baixo. - Desculpa! - gritei.

Desci correndo as escadas e parei ao lado dela. A aeromoça encarava o céu e chorava. As pessoas começaram a se aproximar para ver se ela estava viva, e nisso apareceu a vovózona também.

– Cadê meu filho, sua aeromoça irresponsável?! - ela perguntou com raiva.

– Tira... Essa... Garota... Daqui... - a aeromoça apontou para mim e todos me encaravam.

– PORQUE?! - berrei assustada. Nisso apareceram dois seguranças que me pegaram pelos braços e começaram a me puxar para longe. - Hey, me soltem! Eu sei andar sozinha! - eles nem ligaram para mim. Olhei novamente para a aeromoça e a vovózona ainda berrava. - VOVÓZONA, OLHA NO BANHEIRO QUE O MOLEQUE DEVE ESTÁ LÁ!

Ela me encarou e subiu as escadas novamente. Bem, pelo menos eu fui boazinha o suficiente para falar aonde ele estava.

(...)

– Senhor, essa é a sua filha? - ouvi a voz do gordinho soar da porta e torci a boca. Que não fosse com Charlie que ele falava e sim com algum maluco que falaria que sim e me tiraria dali.

– Estou torcendo que não. - ouvi a voz de trovão que fez meus pelinhos se eriçarem.

A porta cinza foi aberta e por ela passou o segurança mínima e um homem alto de postura reta como a de um militar. Seus ombros eram largos, sua pele clara e seus cabelos castanhos escuros. O tom verde dos olhos eram familiares, assim como a bondade que emanava deles, e junto a autoridade maior, que faziam qualquer um abaixar a cabeça. Eu reconhecia aquela pessoa, assim como reconheceria até as linhas de expressões de tanto sorrir. O sorriso jovial que fez Renée se apaixonar loucamente.

– Ah, Bella! - Charlie soltou em um choramingo quando se decepcionou vendo que era mesmo eu ali.

– Hey, Charlie! - dei meu maior sorriso e acenei animadamente, fazendo ele revirar os olhos.

– É, deu para ver que é mesmo sua filha. - o segurança mínima falou me lançando seu olhar que ele mais achava ser cruel, mas que me passava diversão.

– Sim, é ela mesma, em pessoa. Vamos lá, garota, levanta daí.

– É pra já. - levantei em um pulo e peguei minha mala, levando até Charlie e entregando para ele.

Charlie se despediu do segurança do aeroporto agradecendo por me liberarem sem muitos problemas, pois ele sabia a peça que chamava de filha e sabia que eu podia dar trabalho. O gordinho apenas deixou avisado que se eu voltasse para meu destino, não era para mim ir pela mesma companhia aérea, pois eles não queriam me ver nem pintada de ouro. Principalmente a aeromoça que agora estava na sala especial tomando chá e calmantes. Que povo exagerado, cruzes!

– Tome mais cuidado, mocinha. - o gordinho falou para mim quando passei por ele.

– Pode deixar, Segurança Mínima. - pisquei um olho para ele que me encarava de boca aberta, não acreditando que eu tinha diminuído ele.

Charlie me chamou lá da frente do corredor, e eu corri para acompanha-lo. Atravessamos o saguão do aeroporto em silencio, o que foi desconfortável para minha pessoa. Fomos para o estacionamento, aonde estava estacionado o Pajero dele, preto e reluzente. Era uma das coisas que eu mais adorava em Charlie, que ele não ficava andando com o carro da policia por Orlando, ele havia comprado o seu carro, e um dos que eu mais adorava.

Guardamos a mala no porta-malas e ele abriu a porta do passageiro para mim, me lançando um sorriso quando o encarei. Como sempre, papai era um cavalheiro, mais uma coisa que atraiu Renée. Era engraçado que todas as vezes que eu vinha visita-lo e passar o final de semana com ele - mesmo nas férias -, eu me preocupava em notar as coisas que fez Renée e até tia Cármen se apaixonarem por ele, pois isso fazia eu me sentir bem, ao invés de guardar rancor pelo idiotice que ele cometeu e que resultou na separação dos dois e ele indo morar longe.

No carro o silencio foi incomodo, mais até do que quando estávamos passando pelo saguão. Eu comecei a batucar os dedos no apoio que havia na porta, olhando para a vista perfeita e ensolarada de Orlando. Eu simplesmente adorava esse lugar, ele passava uma sensação boa, uma animação que eu já havia dentro de mim. Seus grandes parques - incluindo a Disneylândia -, as ruas com as pessoas animadas, era incomparável com qualquer outro lugar, para mim. Uma vez, talvez pelos meus onze anos, eu decidi morar com Charlie porque queria ficar aqui e ir todo dia nos parques, mas Renée não deixou, ela disse que eu era sem futuro aqui, pois Charlie não saberia cuidar de mim. Claro que também tinha o fato que eu queria trazer Rosalie, Emmett e Alec comigo.

Acho que se eu estivesse sozinha teria dado certo!

Mas agora eu percebia que essa ideia era absurda, e que eu não teria mesmo um futuro com isso. E não digo isso porque Charlie não sabe cuidar de mim, ele até sabe, mas eu com certeza faltaria a muitas aulas na escola para ir me divertir, isso era tão óbvio. Desde criança eu já sou assim, e já pensava isso, imagina agora?! Dava para saber de onde Emmett tirara seu super dom de preve as coisas, de Renée.

– Bella, eu sei que é uma coisa inevitável, mas você bem que podia parar um pouquinho de batucar esses dedos. - Charlie falou com a voz baixa, como se temesse que eu brigasse.

Rá, um marmanjo daquele tamanho, meu pai, com medo de mim. Isso é ironia, meu povo, isso é pura ironia!

– Claro, Pai. - balancei a cabeça e ele deu um pequeno sorriso. Parei de batucar os dedos e fingi me concentrar nas ruas, mas na verdade me concentrava em não voltar a bater os dedos.

Voltamos aquele silêncio, o que começava a me irritar profundamente. Qual é, as coisas não eram assim antes, eu sempre era bem recebida por Charlie com perguntas que eu respondia animada, ou qualquer coisa que não fosse aquele silencio estranho como se não víssemos a anos. Só foram três semanas! Será que ele estava muito chateado comigo por todas aquelas coisas que Emmett contou? Shit! Eu não gostei nem um pouco disso.

– Você quer escutar musica? - ele perguntou, me tirando da minha distração.

– Hã? - fiz, debilmente. - Porque pergunta isso?

– Você voltou a bater os dedos, Bella. - ele deu um sorriso divertido e eu ri.

– Demorou para você colocar uma música. - falei, apertando o botão para ligar o som. Logo começou a tocar Oasis. - Ainda preso nisso, papai?

– Bella, cale a boca, por favor. Sabe que Oasis é marcante, e que não da pra cansar de escutar. - ele bufou e revirou os olhos.

– É, verdade. - assenti com a cabeça.

Comecei a acompanhar o vocalista na música que eu mais gostava, Wonderwall, e sem querer, bater os dedos na porta. Charlie negou com a cabeça e se concentrou em dirigir e me ignorar completamente. Agora eram duas coisas no ouvido dele: a música alta, e meus lindos e magrelos dedos batendo. Passaram alguns minutos novamente em silêncio, até que eu decidi que não dava mais e comecei logo com aquilo. Abaixei o som, soltei o cinto de segurança e me virei para Charlie.

– Coloque o cinto, Bells. - ele mandou, revirando os olhos.

Eu ainda não sabia como papai não tinha ficado vesgo de tanto que ele revirava os olhos perto de mim.

– Não quero. - ergui uma sobrancelha. - Vamos lá, pai, está faltando alguma coisa aqui! Me diga como anda as coisas por aqui, em!

Ele deu uma risada gostosa, antes de começar a narrar o que havia acontecido nas três que eu semanas que eu fui uma filha muito má e sumi. Ele contou sobre a policial Markie, que ficava dando em cima dele. Ela nunca desistia, não importa o que acontecesse. E eu lhe digo que já aconteceu muitas, e muitas coisas com ela, eu presenciei tudo, se é que vocês me entendem... Nem Charlie falando alto e claro que não queria nada, ela ainda insistia. Markie era legal... Quando não estava dando em cima de Charlie. E como ela fazia isso quase toda hora, significava que ela era legal poucas vezes. Ele contou também o que Stev aprontou, me fazendo gargalhar alto já que em todas Charlie sempre acabava destruído no sofá e o lindão o encarando com seus olhos negros.

Em um momento, já perto de casa, Charlie decidiu parar em uma lanchonete pois eram cinco horas da tarde e eu só estava com os malditos amendoins que a companhia aérea me deu. A lanchonete era pequena, mas confortável, com suas paredes pintadas em cor pastel, as mesas de madeira marrom escura e as garçonetes sorridentes. Eu e Charlie sentamos em uma parte que havia uma janela grande de vidro, assim o vento quente de Orlando entrava, batendo e fazendo meu cabelo voar levemente. Eu já disse que adorava aquele lugar? Se não: Eu adoro esse lugar! Adoro a brisa quente, adoro o sol da tarde, adoro tudo!

Uma garçonete veio nos atender, e eu pedi logo algo reforçado pois sabia que agora minha próxima refeição seria um pouco tarde, já que Charlie já havia me falado sobre os planos do final de semana - que eram os mesmo da ultima vez que vim aqui. Pedi um hambúrguer grande, um copo de refrigerante Coca-Cola também grande, batata da grande, e de sobremesa um pedaço de torta de morango. Enquanto eu pedia, Charlie ficou me encarando, e eu sabia o que ele pensava.

– Não é porque está longe de Renée pode comer o que quiser. - ele e eu falamos juntos. Eu com uma voz grossa para imita-lo.

– Só isso? - a garçonete perguntou se segurando para não rir.

– Tire tudo isso, por favor. - Charlie falou para a garçonete e eu arregalei os olhos.

– PAI!

– Bella! - me lançou um olhar de repreensão. - Você não quer que eu repita o sermão, quer?

– Não. - murmurei com um bico maior que meus lábios finos podiam fazer. - Só não custa nada.

– Essa é a sua frase, não é? "Não custa nada" Custa muita coisa, e não estou falando em dinheiro.

Puff!– bufei. - Vamos logo com isso, vai.

Deixei Charlie pedir os lanches naturais chatos que ele deixava e comi com muito mal gosto. Admito que comi duas vezes, mas isso porque eu estava com muita fome, já que as coisas que passei naquele avião gastaram muito das minhas energias, e gastar energia dava fome.

Depois que terminamos, seguimos para casa. Charlie deixou minhas malas no meu quarto, e sai, para eu poder me instalar ali. Não desfiz a mala porque amanhã a noite já estaria voltando para casa, então...

– Vamos, Bella? - Charlie me chamou do andar de baixo.

– Espera só mais um pouco! - gritei da porta e voltei correndo para o quarto.

Peguei um boné na minha mala e os óculos escuros, me preparando para a guerra que era ir para o trabalho de Charlie. Não era a primeira vez que eu fazia isso, e eu adorava pois ver meu pai em serviço era legal. Ser policial de uma das cidades de Orlando era o emprego perfeito para Charlie, pois era um lugar calmo e o que mais fazíamos eram rondas pegando alguns moleques fazendo coisas erradas nas ruas.

Desci as escadas correndo e Charlie teve que me parar para eu não dar de cara com a porta. Seguimos para o carro patrulha e então finalmente fomos para o trabalho. Charlie primeiro iria passar na delegacia para marcar o ponto de hoje e então nós começaríamos. Eu gostava de fazer com Charlie como via naqueles filmes policiais de comédia, que sempre tem aqueles que param para comer rosquinha açucarada ou com cobertura e granulado. Mas eu tinha que chorar muito para Charlie parar em uma loja e comprar, porque por ter muito açúcar ele gostava de controlar.

E era isso que eu fazia no momento, eu implorava para Charlie parar e comprar rosquinha para mim.

– Agora não, Bella, você acabou de comer! - ele falou sem nem olhar para mim.

– Mas pai, eu ainda estou com fome. - fiz bico. - E não custa nada.

– Custa sim, e muito. - me lançou um olhar cheio de intenções sobre o que custava e eu bufei.

– Prometo que me controlo, ok? Por favor, Charlieeeeeee. - choraminguei e ele negou com a cabeça.

– Bella, mais tarde eu compro para você uma caixa grande, mas agora não! - ele resmungou algo inaudível.

Eu cruzei os braços e me encostei no banco, bufando como uma verdadeira criança mimada. Como o carro não tinha som para ouvir musica pois isso atrapalhava caso alguém chamasse pelo radio da patrulha, eu peguei meu iPod e liguei no máximo que podia ao som de Katy Perry por causa de Emmett. Eu tinha a estranha mania de que quando me afastava de todos, me aproximava mais das coisas que eles gostavam. Como Katy era sua ídolo, eu acabava por ouvir também, assim como ouvia bastante Sum 41 por causa de Rosalie e Beatles por causa de Renée. Caramba, isso fazia eu me lembrar que não sabia o que Edward mais escutava... Será que era rock? Ou seria clássica? Talvez Rap. Não, não, Edward não tinha cara de quem escutava rap. Mas cara não define personalidade nem estilo musical, pois olhando bem para Emmett quem vai achar que ele escuta Katy Perry? Então Edward podia muito bem escutar rap no estilo 50Cent se possível, e...

– Hey, Bella, acorda! - Charlie me deu uma sacudida me fazendo sair dos pensamentos. - Caramba, garota, entrando no seu mundo de novo? - brincou e eu lhe lancei um sorriso falso com uma careta.

– Não enche, pai. - revirei os olhos enquanto ele gargalhava. - O que foi que me fez sair do meu mundo?

Ele riu novamente.

– Eu estava perguntando para você como anda as coisas em Los Angeles?

– Ah... Vão muito bem, por assim dizer. Mas você sabe, o de sempre. Emmett e eu aprontando e deixando Renée louca. Rosalie sempre invadindo nossa casa para comer e torrar minhas paciências. - rimos.

Emmett algumas vezes vinha comigo para Orlando passar uns dias com papai, mas vinha mais nas férias. Eles dois mesmo sendo amigos e tudo, não tinham tanta afinidade quanto eu. Não sabia se Emmett guardava algum rancor de Charlie, mágoa ou o culpava por alguma coisa, pois nunca me falou nada - e olha que ele me contava muita coisa. Só que dessa vez ele não veio porque iria trabalhar. Então suas viagens para cá diminuiriam à apenas serem nas férias.

– E Alec, como vai? Voltou a falar?

Suspirei.

– Quem dera, pai. Alec continua na mesma, e ninguém faz nenhuma ideia de quando ele vai parar ou como fazermos ele parar. Ele está bem decidido. - puxei o ar já sentindo a raiva tomar conta de mim porque sempre que tocava nesse assunto era assim que eu ficava. - Só Deus sabe como eu odeio aquela garota, pai. Só ele!

Charlie tirou a mão da marcha e colocou no meu ombro em forma de consolo.

– Não sinta tanta raiva assim, Bells, isso não faz bem. Ela ainda vai ter o que merece, você vai ver.

– Ela merece muito, e eu espero que seja logo. - torci a boca em desgosto.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, até Charlie voltar a fazer interrogatório sobre LA.

– Renée me falou que vocês ganharam novos vizinhos, é verdade?

O mal humor que eu estava sentindo por causa do assunto do Alec sumiu na mesma hora só de lembrar dos novos vizinhos.

– É verdade, pai, e eles são tão legais! Quero dizer, por falar eu só conheci os dois irmãos, que mais parecem gêmeos, mas a garota é mais nova. O nome dela é Renesmee e ela é uma patricinha assumida, só que mesmo com isso e mesmo eu tendo apatia com esse tipo de garota, até que essa nova iorquina é bem legal. E o irmão dela então nem se fala. - olhei para Charlie que me encarava, e mexi as sobrancelhas em forma sugestiva, fazendo na mesma hora ele fechar a expressão. - O que?

– Já está se engraçando pro novo vizinho, Isabella? Quantos anos ele tem, mocinha?

Eu gargalhei com o ciúmes eminente do papai. Ele, que tinha parado em um farol, acelerou o carro.

– Eu não estou me engraçando para ninguém, Charlie. Fique relaxado, ok? E Edward tem a mesma idade que eu, o que é bem legal, afinal, ele é um gatinho e tanto. - fingi um suspiro, o que fez Charlie bufar. - Qual é, pai, estou apenas sendo bem sincera com o senhor.

– Então guarde essa sinceridade para você, pois não quero imaginar a minha Bella de assunto e gracinhas com um moleque.

– PAI! - arregalei os olhos. - Eu já sou bem grande, pare com isso.

– Não é grande o suficiente para namorar ainda. E também, Bella, nós sabemos muito bem como acontece, não é? Espere mais um pouco para então você pensar nisso.

Eu havia entendido o que Charlie queria dizer. Ele não se referia a minha idade para poder ou não namorar, mas sim aos meus sentimentos e o tempo que Edward tinha aparecido, que era uma semana. Aquela coisa toda com Jacob não foi só mamãe e Emmett que tentaram me ajudar, Charlie também, ele me fez vir passar uns dias com ele para ver se longe de um lugar que me trazia tantas lembranças eu pudesse melhorar, mas não adiantou muita coisa. Só o suficiente para eu não parar em um cômodo e chorar. Charlie se preocupava demais comigo, até uma preocupação exagerada, então ele sempre queria evitar que eu acabasse sofrendo outras desilusões, e com certeza achava que eu já estava iludida com Edward.

Mas papai estava enganado pois eu havia colocado na minha cabeça que as coisas com Edward seriam apenas amizade e nada mais, pois o ruivo tinha cara de ser um bom amigo. E mesmo eu fazendo brincadeiras maliciosas e com segundas intenções, até chamando ele de futuro marido, não significava que eu estava já me amarrando. Era só porque Edward era bonito demais para a minha sanidade, e acho que não sou a única garota que iria querer se casar com ele. Porra, o gato tem umas costas definida, furinhos e pintinhas, fora que tem um sorriso encantador. Como eu podia ficar quietinha no meu canto com uma beldade dessas pagando simpatia comigo? Impossível, não é? Principalmente porque sou Isabella Swan.

– Relaxa, pai. Edward pode ser lindo, e eu posso ficar paquerando ele vinte cinco horas por dia, mas as coisas entre nós vão ser apenas amizade, nada mais.

Charlie deu uma rápida olhada em mim e depois voltou sua atenção para a estrada, assentindo com a cabeça. O que ele estava pensando? Não faço a menor ideia, pois diferente de mim, Charlie era muito difícil de ser "lido". Seus pensamentos nunca podiam ser adivinhados, você só sabia se ele contasse.

– Tudo bem, Bella, eu vou acreditar no que você está dizendo. - falou por fim. - Mas se eu souber alguma coisa...

– Não vai ficar sabendo de nada, pai, porque não vai ter. - sorri para ele. - Mas me diga sobre o senhor, as coisas em Orlando, as namoradas... - o cutuquei e Charlie pigarreou. - Conta para mim qual é a atual?

Charlie ficou quieto por alguns minutos e para qualquer um isso significaria que ele não iria responder. Mas não para mim, sua filha. Eu sabia que ele estava apenas pensando em como contar tudo de forma rápida e que não deixasse partes mais detalhadas em que eu pudesse me apegar para depois perguntar.

– Eu vou muito bem, Bella. O trabalho de policial aqui em Orlando anda a mesma coisa desde a última vez em que você veio, não tem nada de novo. Fazer a patrulha mudando o horário entre noturno e diurno, prender alguns infratores. Mas ultimamente ando tendo mais trabalho, o que diz já de cara que não tenho muito tempo para poder sair, beber e ter alguém, como você sabe.

– Hm. - murmurei com um bico por não ter nada de novo. - Eu acho que vou ter que procurar uma companhia para você antes de ir embora.

Charlie bufou e resmungou algo como "lá vem ela com essa história novamente" pois não era a primeira e nem seria a ultima vez que eu falaria enquanto não o visse com alguém e feliz. Ele sempre fugia do assunto com uma única pergunta:

– E como vai Renée? Ainda batendo bem da cabeça? Apesar que ela nunca bateu...

– Charlie! - o repreendi. - Eu odeio quando você muda de assunto sim. E Renée vai bem, ainda bate só um pouco pelo que você lembra.

– Isso é algo impressionante pois pelo que ela me conta você e Emmett não andam sendo muito fáceis ultimamente.

– Pois é. - suspirei. - Mas é que as coisas que não estão mais sendo fáceis. Sabe como é, estamos ficando velhos.

– Eu não acho que seja isso, Bella. - ele riu. - Eu acho que seu anjo da guarda anda meio cansado das coisas que vocês aprontam e está de férias por muito tempo, se é que você me entende.

O olhei de boca aberta. Desde quando eu era criança Charlie e eu brincávamos de que eu tinha um anjo da guarda porque sempre me saia muito bem nas coisas que aprontava. Isso era apenas uma coisa que dava um animo para uma parte de mim que me deixava triste. Foi uma brincadeira que ele inventou e que até hoje dura.

– Meu anjo da guarda não está nem um pouco cansado, escutou, Sr. Swan? Ele anda é muito bem.

– Tem certeza?

– Sim.

– Desde quando ele não funciona?

Eu olhei pela janela tentando me lembrar.

– Desde o dia em que conheci Edward, que eu estava na piscina e a família dele chegou com as mudanças. Yeah, desde esse dia tudo começou a dar errado.

Charlie não falou nada por um tempo, até depois sorrir.

– Acho que esse seu vizinho espantou seu anjo da guarda. - riu. - Isso é uma forma de dizer pra você se afastar dele.

Rá, só Charlie para dizer uma coisas dessas.

– Está muito enganado, Charlie. - falei com minhas engrenagens funcionado. - Só em uma coisa talvez você tenha razão, que é que meu anjo da guarda está cansado. E Edward não o espantou. Na verdade, eu acho que foi outra coisa.

– Tipo o que?

– Acho que ganhei outro anjo da guarda, Charlie. - murmurei me lembrando de como Edward me defendera de Jacob. - Talvez meu anjo da guarda tenha passado de apenas uma imaginação para a realidade.

Charlie não falou nada e eu muito menos por alguns minutos.

– Como pode dizer isso se começou a dar errado?

– Não foi que começou a dar errado, pai, apenas que era inicio, como quando antes do senhor falar que eu tinha um, dava errado. Ele ainda está aprendendo.

– Ele vai saber? - perguntou. Olhei para as minhas mãos e soltei um suspiro. - Bella, nem todos são como aquele idiota.

– Eu sei, pai. Mas eu ainda tenho medo, me entende? Eu estou confusa em falar agora e ele não aceitar e se afastar porque não temos nenhum laço, ou criar laço, contar e ele se afastar e ser pior.

Charlie colocou uma mão no meu joelho.

– Querida, eu ainda não conheço esse menino e não posso lhe ajudar. Mas eu confio em você e confio que agora o seu detector de idiotas está mais evoluído e você vai saber se deve ou não falar para ele. - o encarei e ele sorriu para mim.

– Obrigada, papai.

Charlie assentiu e voltou sua atenção para a estrada. Ficamos alguns minutos em silêncio.

– E os namorados de Renée?

Eu me virei rápido para Charlie que continuava com a mesma expressão de concentração. Nenhuma mudança ao fazer tal pergunta profunda. Nada de nada;

– O que tem eles? - perguntei fechando os olhos em fendas.

– Nada, garota. - Charlie soltou uma risada que soou nervosa aos meus ouvidos. - Estou apenas tentando puxar algum assunto.

– Hm, sei. - murmurei. - Eu sei porque você está perguntando isso, Charlie.

– Não tem motivos além desse, Bella. - me encarou rápido. - Você está ficando paranoica.

– Não estou não. Eu sei muito bem o porque, Charlie. Não adianta tentar esconder.

– Você é louca. - disse, rindo.

– Eu não sou louca, sou é muito bem inteligente, você sabe disso. Você perguntou porque...

Charlie e Renée eram duas pessoas incompreensíveis ao meu ver, porque tinham coisas que eles adoravam complicar sendo que podiam ser as mais descomplicadas do mundo. Ficavam perguntando para mim e para Emmett se o outro estava em um relacionamento. As vezes eu não os entedia por serem tão estúpidos com algo tão simples de ser resolvido. Apenas diminuir algumas milhas de distancia entre aonde moram e no coração.

– Eu sei que não tem mais motivos, mas eu quero ouvir o porque. Vamos lá, garota, manda.

– Vou falar a verdade, se você não quer ouvir é melhor não.

– Deixa de enrolar.

– Tudo bem. - dei de ombros. - Charlie, você acha que eu não percebo que nessas perguntas inocentes que você ainda é apaixonado... NÃO! - berrei assustando ele. - Você ainda ama loucamente a mamãe.

O carro entrou em um silêncio tenso que nem o vento fazia barulho ao passar pelas janelas. Foram exatos trinta segundos até Charlie explodir em uma gargalhada estrondosa que me assustou pois nunca vi ele rir daquela forma. Ele passou do branco para o vermelho e do vermelho para o branco novamente com o tempo.

– Você é hilária, Bella. - disse enxugando uma lágrima. - Você é muito hilária.

– Eu não vi graça. - falei séria.

– Bella, querida... - ele soltou outra risada. - Entenda, o que Renée e eu tínhamos já passou. Eu a amava, mas a sete anos atrás. Os tempos mudaram e os sentimentos também.

– Impossível isso acontecer, Charlie. O amor adolescente de vocês não podem simplesmente ter acabado assim. Sei que você a ama e ela te ama também. O motivo da separação de vocês não foi uma briga que começou tempos atrás até desgastar o amor, foi apenas um susto - um grande susto diga-se de passagem pelo tamanho do Emmett - que não deu para levar antes. Mas agora...

– Bella, isso é um absurdo de se dizer. Achei que já tinha superado a separação.

– Superei, mas vocês não superaram. - apontei para ele. - Vocês se amam, não negue.

– Cale a boca, Bella. Chega dessa besteira.

A expressão divertida de Charlie sumiu.

– Você ama Renée, lálálálálá. Você ama Renée, lálálálá.

– Cala a boca, Isabella!

– Vocês se amaaaaaaaaaaaaaaaaam, lálálálála. - soltei o cinto e me aproximei dele. - Você ama a Renée e a Renée te ama... - sussurrei no ouvido dele. - UHUUUUUUUUUUUUU!

– BELLA, PARA COM ISSO! - ele berrou no susto quando gritei.

– CHARLIE AMA RENÉE E RENÉE AMA CHARLIE, OWNNNNNNNNN!

– Coloque esse cinto agora, Bella, e pare com essa idiotice!

– Mamãe ama papai e papai quer mamãe de vooooooooooolta. - cantarolei desafinada.

– CALA A BOCA E VAMOS COMPRAR LOGO AS PORRAS DAS ROSQUINHAS!

– AEEEEEEEEEEE!

Eu voltei para o meu lugar e coloquei o cinto, sorrindo triunfante por ter conseguido o que queria: fazer Charlie me levar para comer rosquinhas açucaradas. Charlie bufou e não falou mais nada, apenas virou o carro na esquina próxima e seguiu para o melhor lugar de rosquinhas Dyner's Bagels. Eu já sentia minha boca se encher de água ao imaginar eu dando uma mordida em uma.

– Quero uma caixa cheia. - murmurei quando ele entrou no driver thru.

– Só se eu não quiser que você durma. - resmungou.

Charlie parou o carro na janela que ficava a menina que pegava os pedidos, abriu a janela.

– Boa tarde! - ela falou amigavelmente. - O que vocês vão pedir?

– Hm... Meia dúzia de rosquinhas divididas nos sabores. - Charlie me encarou.

– Só se for pra você! - o olhei ofendida. Soltei meu cinto e me estiquei até a janela dele. - Moça eu quero meia dúzia de açucarada, meia om cobertura de chocolate, outra de morango, e...

– Nada disso, mocinha! - Charlie me fez voltar para meu lugar. - Você não vai comer tanto açúcar assim.

– Claro que vou! É pecado para mim vir aqui e só comer meia dúzia de rosquinhas dividida nos sabores... - imitei ele com uma expressão de deboche. - Me poupe, pai. Eu quero todas as dezoito rosquinhas que pedi.

Charlie me encarou por alguns segundos e vendo que eu estava relutante, suspirou.

– Tudo bem. - murmurou. - Mas é a ultima vez hoje que você come açúcar!

– OK. - sorri abertamente.

– E Renée não pode saber.

– Nunca.

Fizemos o pedido e fomos mais para a frente para pegar. Quando a minha caixa grande, cinza e pesada estava nas minhas mãos, Charlie estacionou o carro em uma vaga ali e nós paramos para comer. Ele me mandava olhares de reprovação ao ver o tanto de açucar que eu estava ingerindo, mas não falou mais nada.

– Nossa, pai, você não sabe como eu senti falta disso. - murmurei com a boca cheia, fechando os olhos em deleite.

– Não mesmo. - ele murmurou divertido vendo minhas reações. - Não falo para você vir mais vezes porque isso seria um perigo.

Eu assenti com a cabeça, concordando completamente com ele. Sabia o meu limite e tinha que ir de acordo com ele ou então mais coisas seriam destruídas.

Continuamos a comer em silêncio, o que era uma coisa comum que acontecia entre nós as vezes. Charlie não era um homem de falar muito por ser fechado e tímido - mesmo tendo aquela idade e sendo um puto de gostoso que arrasa corações -, mesmo comigo e com Emmett que éramos seus filhos. Claro que nossa convivência era divertida, muito pai e filho, só que sempre tinha um pouco de silêncio. E era uma coisa que eu tinha aprendido a lidar, mesmo com meu jeito.

Charlie pigarreou, chamando minha atenção. O encarei e ele gargalhou alto.

– O que foi? - perguntei.

Ele me olhou atentamente e negou com a cabeça, uma expressão um pouco maldosa.

– Nada, querida. - disse. - Eu estou entalado com a massa, vou lá buscar um café. Quer um suco de maracujá?

– Quer um suco de maracujá? - o imitei e ele bufou irritado. - Eu odeio esse suco!

– Esquece, Bella. - falou ao sair do carro, batendo a porta.

A mania de Charlie de sempre dizer o que vou comer me irritava profundamente porque a maioria das coisas que ele falava eu odiava. Eu até tentava as vezes ir no embalo dele, mas outras eu não conseguia, como agora.

Decidi relaxar e continuar aproveitando as minhas rosquinhas que estavam deliciosas. Era uma coisa divina elas, e se eu tivesse muito dinheiro iria enriquecer ainda mais o dono da Dyner's Baguels comendo sempre. E também, se eu pudesse, claro. Quando estava em LA e lembrava delas minha boca sempre enchia de água e minha vontade era de pegar um avião e vir para cá porque só tinha elas no estado de Orlando. O dono ainda não havia expandido suas fábricas e lojas de rosquinha para outros estados. Ainda. Porque um dia eu iria dar essa ideia para ele só para ter delas ainda mais perto de mim.

Em uma inquietude de ficar parada só comendo eu decidi mexer no carro. Abaixei o protetor do sol para me olhar nos espelho. Gargalhei com meu reflexo. Eu estava horrível com a parte da boca coberta de açúcar e granulado. Agora entendia porque Charlie riu quando olhou para mim. Deus, eu estava uns caos com aquele boné e suja.

– Carro 679... Aqui é da central... Está acontecendo um assalto na Dyner's Baguels... Carro 679...

Eu encarei o rádio raciocinando comigo as palavras da Markie. Dyner's Baguel... Será que era essa a que nós estávamos? Não podia ser, senão eu ouviria alguma bagunça lá dentro. E Charlie estava lá. OH MEU DEUS, CHARLIE ESTAVA LÁ!

Eu joguei a caixa de rosquinhas para o lado e sai do carro, ao mesmo tempo que um cara com roupas pretas e meia na cara saiu pelas portas duplas da Dyner's. Ele correu na minha direção, passando por mim como uma bala, carregando nas mãos um saco vazio. Ouvi o barulho das portas sendo aberta novamente e dela saía Charlie com uma arma na mão. Entendi então que aquele era o suposto ladrão da Dyner's, e ele estava fugindo pois Charlie não podia atirar por ter pessoas no estacionamento.

Me virei na direção que o ladrão tinha ido e sai correndo atrás dele para impedir sua fuga. Ele era rápido, mas eu também por anos de corrida que fazia na escola. Correr para mim não era nada, ainda mais com açúcar no sangue. Logo eu estava bem próxima dele.

– BELLA, NÃO! - ouvi Charlie gritar, mas já era tarde, eu pulei em cima do assaltante, fazendo ele cair de cara no chão.

– RÁ, TE PEGUEI! - falei no ouvido dele, sentando bem em cima de suas costas e prendendo suas mãos.

O ladrão tentou levantar, mas eu consegui o prender de uma forma que era quase impossível. Logo pessoas começaram a se aproximar, junto Charlie, com a arma apontada. Ele me pegou pelo braço e me levantou, me fazendo cambalear, ofegante. Falou para o cara não se mexer porque ele não teria piedade em atirar, o que foi até engraçado de ouvir pois Charlie não era cruel, só tinha pose de durão. Só mesmo quando ele estava em algo sério que ele era alguém do mal. Mas do mal para conter o mal, não que fazia mal. Entende?

Em minutos o ladrão estava algemado e no banco traseiro do carro patrulha. As pessoas me elogiaram pela minha coragem e eu sorri para todas me sentido a poderosa por ter feito algo bom. Charlie disse que agora que estava tudo sob controle podiam voltar para o que estavam fazendo e me fez entrar no carro, com a cara emburrada. Ele deu volta e entrou, batendo a porta com força. Acionou o rádio avisando para a central que tinha pegado o ladrão e quando desligou não falou nada, apenas resmungos ilegíveis de quem estava com muita raiva.

– Não fique assim, Charlie, está tudo bem agora. - falei calmamente, tocando seu braço.

– Não ficar assim, Isabella?! Não ficar assim?! Como você não quer que eu fique assim se minha filha correu atrás de um assaltante que podia muito bem estar armado e lhe fazer mal?! - o velho explodiu, me assustando.

O carro entrou em um silêncio mórbido.

– Eu não faria mal a garota. - o ladrão falou com um sotaque que indicava que ele não era americano.

O encarei, dando com um cara branco de olhos azuis e cabelos negros e lisos. Charlie havia tirado a sua máscara e agora dava para ver seu rosto. Ele vendo que eu o encarava deu um sorriso aberto e um tanto sedutor.

– Oi. - murmurei encantada com ele.

– Ciao.

– Isabella, não fale com o presidiário! - Charlie rosnou me fazendo virar para a frente.

Ficamos todos em silêncio no carro, apenas com o barulho do vento pela janela. Eu comecei a batucar meus dedos, nervosa com o que estava acontecendo. Charlie estava muito nervoso comigo, e eu não sabia o que falar ou fazer. Eu o tinha ajudado, era arriscado, eu sei, mas foi por impulso.

– Pai... - comecei.

– Isabella, agora não. - disse me cortando. - Eu preciso me acalmar primeiro e tirar da cabeça o que poderia ter acontecido com você.

– Mas não aconteceu nada!

– Mas poderia!

– Eu não faria nada a garota ragazza.

– Cala a boca! - Charlie virou para o ladrão muito nervoso. - Você não pode falar nada!

– Charlie, se acalme, por favor. - pedi.

– Eu sei, Bella, que o que você fez foi por impulso, ok? Só que as vezes você tem que se controlar porque tem coisas que são muito arriscadas. Você pode não pensar assim, mas tem porque hora ou outra o pior... - ele não terminou a frase, tremendo de leve.

Eu suspirei.

– Desculpa, pai. - disse com sinceridade. - Vou tentar me controlar mais a partir de agora. Mas tenta se acalmar, por favor. O moço aqui já disse que não ia me machucar.

– Não o chame de moço. - resmungou carrancudo. - É um presidiário, não se deve falar com ele.

– Eu sei e só falei oi pra ele, não foi? - me virei para o assaltante que assentiu repetidas vezes. - Viu? E ele muito educado me respondeu. Aliás, de onde você é?

– Itália.

– Bella, não converse com ele!

– Wow... - murmurei animada. - Eu adoro aquele lugar! Mamãe me ensinou muita coisa sobre Itália mesmo não gostando do meu nome. Isabella é italiano, certo? - ele assentiu. - Foi vovó quem escolheu, e mamãe teve que aceitar. Ela prefere me chamar de Bella, o que vovó odeia...

– Bella, pare!

– Isabella - o homem disse com um sotaque sedutor que me fez arrepiar. - é um nome bonito. Mas Bella combina mais com sua beleza, caro.

– Ah, obrigada. - murmurei muito constrangida.

– Isabella!

– Moço, não liga para o meu pai carrancudo. - pedi fazendo careta para Charlie. - Ele só está assim porque falei para ele a verdade, de que ele ainda ama a mamãe.

– Se sua mãe for tão bonita quanto você, ele não deveria se envergonhar de ama-la.

– Dá para vocês dois pararem de conversar?!

– Mamãe é linda e ele não tem vergonha de ama-la, é que eles não estão mais juntos a um bom tempo e... - e então eu desatei a contar para o moço italiano o que aconteceu entre Charlie e Renée e o que também aconteceu durantes esses anos até quando eu consegui convencer Charlie a comprar rosquinhas para mim.

O italiano que eu descobri se chamar Pietro ficou interessado na história, até mesmo quando falei de Edward para ele, o que me fez ficar ainda mais animada em contar. Charlie me mandava calar a boca, mas eu não o obedecia porque finalmente alguém ali concordava comigo. Pietro comentava o que achava, falando que eles deveriam voltar já que se amavam. To falando que o cara é dos meus e me entende! Isso só deixou Charlie ainda mais nervoso, falando que um assaltante não deveria se intrometer em sua vida, mas não adiantou de nada. O italiano era mesmo dos meus e nem se importou, como eu. Conversamos muito até Charlie parar o carro em frente a delegacia. Pietro então assumiu uma expressão triste parando de rir comigo.

– Finalmente. - Charlie falou.

Me virei para o Pietro.

– Caramba, que chato. Isso significa que não podemos mais conversar... - murmurei, triste também. - Aliás, porque você fez aquilo, Pietro? Você não carregava arma e não parece uma pessoa ruim.

– Eu precisava muito de dinheiro para poder juntar e comprar uma casa.

– Uma casa? - arregalei os olhos.

– Sim, ragazza. - ele suspirou. - Na Itália eu queria muito vir morar em américa, e juntei dinheiro para isso, mas só o dinheiro da passagem e do visto de um ano. Estudei muito para aprender a falar inglês e tudo sobre a cultura daqui. Mas esqueci que precisava de casa para morar...

– Nossa... - murmurei triste.

– E para isso você iria assaltar quantas casas, hein, estrangeiro? - Charlie finalmente falou. - Não importa o motivo, roubar é crime e você vai preso.

Charlie deu a volta no carro e abriu a porta de trás aonde ele pegou o Pietro pelo braço. Eu ainda estava parada me sentindo triste por ele ser tão ingênuo achando que seria fácil vir para américa. Não queria que papai o prendesse, mas como ele disse, roubar era crime. Talvez Pietro não ficasse muito tempo lá... Ou talvez... Ele fosse deportado.

Eu abri a porta do carro.

– Espera! - falei para Charlie, que parou e se virou para mim junto de Pietro. - Você disse que tem o visto para um ano, certo? - ele assentiu. - E que quer morar aqui, certo? - concordou novamente. - Como você faria depois desse um ano?

Pietro deu um sorriso de canto sedutor.

– Estava esperando encontrar o grande amor da minha vida aqui, ragazza.

Eu assenti com a cabeça e sorri de volta para ele, acenando. Charlie o levou para dentro da delegacia. Entrei no carro novamente sentindo uma onda de sentimentalismo me tomar, e suspirei apaixonada pelo italiano. Tinha que ensinar mais isso para Edward, assim ele seria mais do que perfeito, porque ele já era perfeito. E sim, eu sabia disso o conhecendo apenas em uma semana. Afinal, ele era meu futuro marido que me daria filhos lindos.

Charlie voltou depois de quase uma hora e para minha felicidade, tirou o resto do dia para ficar comigo. Ele não falou mais nada no caminho, então eu sabia que ainda estava um pouco bravo comigo, e eu quem devia começar a deixar o clima leve.

– O que vão fazer com Pietro? - perguntei, curiosa, e querendo dar mais quilômetros a minha linha de raciocínio sobre o italiano.

– Eu não sei, Bella. Apenas deixei tudo para o delegado.

– Acha que vão deporta-lo de volta para a Itália?

– Talvez. Ou talvez não porque ele tentou roubar, não obteve sucesso por ser muito atrapalhado. E não estava armado ou machucou alguém. O italiano só fez uma burrada de impulso. - seus olhos vieram rápidos para mim.

– Sempre faço. - dei de ombros. - Já que Pietro apenas foi uma pessoa inocente acho que seria uma injustiça manda-lo de volta e o impedindo de viver seu grande sonho americano e encontrar seu grande amor. Porque esse era o plano dele, certo? Conseguir casar e se tornar oficialmente um americano.

– Sim, isso mesmo. - Charlie assentiu. - Mas eu não sei, Bella. Depende se ele já arranjou mais algum problema.

– Hm. - fiz.

Não creio que Pietro tenha feito outro assalto ou machucado alguém para ser considerado um perigo aqui e mandado de volta. Ele era atrapalhado, aquele com certeza era seu primeiro e ultimo assalto.

Finalmente entramos na rua que Charlie morava, que estava em seu estado normal com algumas pessoas fora de casa. A Sr. Stronger, uma tiazinha de setenta anos, estava colocando o lixo para fora, e quando viu a viatura deu aceno, sorrindo, mas esse sorriso morreu assim que seus olhos caíram sob mim. De olhos meigos passaram para assustados, e rapidamente ela correu para dentro de casa.

Suspirei.

– Eu amo essa velha. - murmurei para mim mesma, ironicamente.

– E eu tenho certeza que ela te ama também. - Charlie falou divertido me fazendo revirar os olhos.

– Claro, claro. Oh! - exclamei, arregalando os olhos. - Charlie, isso me lembra uma coisa.

– O... Que? - papai perguntou relutante, o medo em seus olhos.

Qual é?!

– Emmett descobriu uma coisa que vai nos render muito dinheiro! Vamos enriquecer! Ele descobriu que é vidente e pior, inventou uma bebida mágica. - balancei os dedos na frente do rosto dele, que tinha parado o carro na garagem ao lado do Pajero. - E nós vamos vender!

– FICARAM LOUCOS?! - berrou, me assustando. - Vocês não podem vender nada! Lembra o que aconteceu a ultima vez que tentaram vender alguma coisa? - assenti. - Até hoje a Sr. Stronger também lembra, não deu certo, e pior, era só limonada e vocês só eram crianças!

Eu soltei uma risadinha, me lembrando perfeitamente de quando Emmett e eu, na base dos onze anos, decidimos que queríamos ser vendedores. Estávamos aqui em Orlando, passando as férias com papai, e ele quem nos deu a ideia de vendermos limonada. Foi uma grande tragédia, que rendeu um trauma para a velha e bronca para nós.

– Não, Emm, essa madeira não vai ai! - falei para o burro que martelava a madeira de forma errada. - Ela tem que ficar aqui em cima!

– Cala a boca, Bella, que eu quem sou o carpinteiro e você é menina!

Bufei para o machismo dele e o deixei continuar com a burrice, enquanto pintava com a tinta verde do papai uma placa escrito "Barraca da Limonada do Skate", outra ideia idiota de Emmett para entrar no livro de ideias idiotamente ridículas que ele tinha. Ainda não conseguia entender o que tinha na minha cabeça para aceitar essas coisas, eu deveria era fazer minha própria barraca...

– Ah, merda! - ele exclamou chamando minha atenção. - Preguei errado!

– Eu disse. - murmurei e levantei do chão, seguindo para dentro de casa.

– Bella, termina essa placa logo! Já perdi a conta de quantas vezes você a largou de lado.

Eu abaixei minha cabeça e suspirei, voltando para a placa. Ele tinha razão, e eu odiava isso. Fiz o meu máximo para terminar a placa logo enquanto ouvia Emmett reclamar de bater no próprio dedo. Duas horas depois nossa barraquinha estava pronta e de pé, na calçada em frente a casa de Charlie. Ela tinha um balcão e duas madeira seguravam em cima a placa que fiz. Colocamos no balcão a jarra com a limonada feita por mim, os copos de vidro mais bonitos de Charlie e um pote de vidro para colocarem o dinheiro. Pegamos dois banquinhos para sentarmos e ali ficamos, esperando pelos clientes. Eu mexia no meu boné, rodando ele toda hora porque estava muito chato ficar ali parada e sentada.

– Se fosse em LA já teríamos ficado ricos. - Emmett resmungou pela décima vez entre os dez minutos que estávamos ali e ninguém aparecia.

– Cala a boca, moleque. Não aguento mais você reclamar. - revirei os olhos.

– E eu não aguento mais ouvir você falar demais. - fiz beicinho. - Deve ser essa sua cara feia que está assustando as pessoas!

– Oh! - minha boca se escancarou. - Olha quem está falando isso, o Sr. Da Beleza, não é?

– Isso mesmo!

– Se liga, Emmett, você é ridículo!

– Você também!

– Não sou não! Mamãe diz que sou linda e especial!

– Ah, claro. Isso porque a tia é cega, pois você é muito, muito, mais muito feia. E insuportável e chata também.

Eu lhe dei um tapa na cabeça e ele me encarou de olhos arregalados. Ergui um pouco o queixo em forma de provocação e em troca disso recebi um beliscão no braço.

– Ai!

– Bem feito!

– Eu vou te bater, Emmett!

Eu avancei para cima dele, querendo lhe dar um soco bem no meio das fuças para ele nunca mais discordar da mamãe e ainda chama-la de cega. Nós entramos numa briga ali entre tapas, socos e puxões de cabelo. Meu boné voou para algum lugar naquilo tudo. Nós só paramos quando ouvimos um pigarro. Olhamos para a frente e ali, depois da nossa barraquinha, estava a Sr. Stronger com seu sorriso gentil. Na mesma hora eu soltei a gola da camisa de Emmett e ele soltou meus cabelos, nós nos ajeitamos, sorrindo.

– Boa tarde, Sra. Stronger! - falamos juntos.

– Boa tarde, queridos. - como sempre, ela foi amável. - Vejo que vocês estão em discórdia novamente.

– Não! Que isso! Não estávamos fazendo isso ai não! Era apenas carinho! - falávamos juntos com sorrisos falsos.

– Claro. - ela riu. - Essa barraquinha linda é mesmo o que eu estou pensando?

– É sim! - respondi antes de Emmett. - Nós estamos vendendo limonada, nesse calor, para refrescar um pouco. A senhora aceita, Sra. Stronger?

– Oh, mas é claro! - ela pegou a bolsinha dentro da blusa, sabe... Dentro do sutiã. Eu e Emmett nos encaramos com uma careta, depois sorrimos de volta para ela. - Eu quero o copo maior que vocês tiverem pois estou com muito calor.

Também, com aquela roupa esquisita de lã quem não estaria..., pensei.

Ela colocou duas notas de um dólar dentro do pote de vidro, ainda sorrindo para nós.

– A senhora não vai se arrepender. - Emmett disse.

– Não mesmo, porque fui eu quem fiz. - sorri abertamente.

Fui pegar a jarra para poder colocar a limonada no copo, mas a mão de Emmett pegou na mesma hora a outra alça da jarra. Lancei um olhar significativo para ele deixar eu servir o primeiro cliente, só que meu belo irmão também queria fazer aquilo.

– Emmett... - sussurrei para ele.

– Sai, Bella. - ele sussurrou de volta.

– Me deixa!

– Não!

Emmett pegou um lado da jarra e eu o outro e nós começamos a puxar, querendo servir a Sra. Stronger. Os cubos de gelo que tinham lá dentro batiam no vidro, fazendo um tilintar. Respingos do suco voavam, alguns caindo na minha mão e roupa.

– Emmett, paaaaara coooom issoooooo! - pedi, puxando a jarra.

– Para você, Bella!

– Crianças, parem de brigar!

– Eu quem vou servir a Sra. Stronger!

– Não, vai ser eu!

– Vocês dois podem me servir, eu bebo mais um!

– Sai, Bella!

– Aaaaaaah, eu te odeio! - gritei, soltando a jarra e empurrando Emmett em direção a barraquinha.

Foi então que a coisa toda virou uma grande merda porque a barraquinha não era pregada no chão, qualquer ventinho que desse derrubava ela, então imaginem um garoto "grande" como Emmett. Vi, com meus lindos olhos verdes arregalados, Emmett cair por cima da barraquinha, que caiu por cima da Sra. Stronger. A placa que eu havia pintado, e que nem tinha secado ainda, caiu bem na cara dela.

– MEU DEUS, MATAMOS A VELHA! - Emmett berrou ficando de pé na hora.

– Estamos ferrados. - sussurrei, agarrando o braço do Emmett. - Vamos ser presos!

– Calma, Bella. Não vamos ser presos porque nós vamos fugir, ok? - ele me pegou pelos braços me fazendo encara-lo. - Eu estou com você e não vou te abandonar nunca.

Assenti com a cabeça, o abraçando logo em seguida. Emmett então pegou meu boné no chão, colocou na minha cabeça e me puxou para a rua, mas um gemido nos paralisou. A Sra. Stronger soltou outro gemido e se mexeu, empurrando a barraquinha para o lado. A pele dela agora estava verde.

– AH MERDA, ELA AGORA É ZUMBI E QUER VINGANÇA! - berrei desesperada.

Tirei meu tênis do pé a ataquei na cabeça da velha, fazendo-a morrer de novo. Olhei para Emmett, que me encarava.

– Bella...

– Ela estava virando zumbi, Emm. Era preciso... - murmurei.

– O QUE VOCÊS DOIS FIZERAM?!

Olhamos para trás vendo Charlie sair de casa super furioso e vir na nossa direção. Yeah, o plano de fugir foi por limonada a baixo. Meu pai, que era policial, iria nos prender. Tadinho, seu coração ia sofrer tanto com isso...

– Pai... A culpa não foi nossa, a barraca caiu em cima dela! - Emmett e eu falamos ao mesmo tempo.

Charlie empurrou nós ao passar e levantou a barraquinha. Eu grudei novamente no braço de Emmett, com medo de papai ser atacado pela velha zumbi verde, mas com mais medo ainda de falar algo pela revolta que ele se encontrava. Charlie tocou na Sra. Zumbi e essa soltou um gemido e abriu os olhos.

– Sra. Stronger, a senhora está bem? - ele perguntou. - Quer que eu chame uma ambulância?

A velha soltou outro gemido e depois levantou, com uma mão na cabeça - bem aonde eu tinha acertado o tênis. Ela olhou de mim para Emmett e arregalou os olhos, levantando o mais rápido que podia.

– SEUS FILHOS SÃO UNS CAPETAS! EXORCISE ESSAS CRIATURAS! - ela berrou apontando para nós e depois saiu, como o que se podia chamar pelo ritmo dela, correndo.

Charlie ficou encarando a velha ir para a casa, e assim que ela entrou, ele virou furioso para nós.

– QUAL É O PROBLEMA DE VOCÊS DOIS?!

Emmett e eu nos encaramos e falamos ao mesmo tempo:

– É tudo culpa dele!

– É tudo culpa dela!

Charlie respirou fundo e voltou para dentro, nos levando junto dele.

Lá dentro Charlie nos deu uma bronca e depois me disse que ela não tinha virado zumbi e que estava verde por causa da placa que eu havia pintado.

Seguimos para dentro da casa. Como sempre, depois de ajudar Charlie em mais um dia de trabalho, eu subi para meu quarto para tomar outro banho. Com uma toalha enrolada nos cabelos e vestida com um pijama leve porque o tempo em Orlando estava quente e gostoso as sete horas da noite, eu verifiquei se a porta estava mesmo trancada e fui até minha mala. Peguei um maço de cigarro e o isqueiro com detalhes de flor roxas, encostei na janela aberta e acendi, sentindo logo a nicotina no meu sistema com a primeira tragada. O dia tinha sido longo, divertido, nervoso e cansativo, eu precisava desestressar um pouco.

Charlie odiava que eu fumasse, e isso foi motivo de muitas brigas entre ele e Renée. Minha mãe até sabia, e também odiava, muitas vezes tentou me impedir, me deixou de castigo e brigou comigo, mas vendo que era uma coisa que até me acalmava um pouco - mesmo eu não podendo - ela e eu entramos em um acordo que eu podia, mas só quando estivesse mesmo nervosa. Se eu transformasse aquilo em um vicio, ela iria fazer eu deixar de viciar na base da porrada e de tratamento, nem que tivesse que comprar cigarro elétrico. Claro que ela não iria me bater pois nenhum dos meus pais tiveram a coragem de algum dia levantar a mão para bater nos filhos, só que ela gostava de colocar um pouco de disciplina nas palavras como a Rochelle, de Every Bodes Hates Chris fazia. Renée era louca por essa série.

Não fazia muito tempo que eu tinha começado a fumar, e não era uma louca que fumava todos os dias. Ficava dias sem, dependendo do meu humor. Tinha consciência de tudo, e sempre evitava fazer isso perto dos meus pais, porque mesmo eles sabendo, era estranho fazer e eles verem. Aliás, eles me dariam sermões. No acordo de Renée também estava imposto que eu só podia fazer longe dos olhos dela, porque se ela visse... Ela nem terminou a frase.

E eu sei que minha mãe não é como uma normal, não precisa nem pensar em me dizer. Ela nunca foi e nunca seria. E era isso que fazia eu a amar ainda mais do que era estabelecido entre mãe e filha. Assim como era com Charlie também, que as vezes mostrava suas estranhezas iguais as minhas e de Emmett.

Terminei e joguei o filtro na privada, dando descarga. Escovei os dentes e passei um pouco de perfume para tirar o cheio que ficava impregnado na pele e na roupa. Depois sequei meu cabelo, o prendi em um coque e desci para a sala, aonde papai estava sentado assistindo ao CNN. Parei na escada ao ser atingida por um cheiro que para alguns era ótimo, mas para mim...

– Está fazendo o que para o jantar hoje, Charlie? - perguntei indo me sentar ao lado dele.

– Você sabe. - ele disse dando um tapa na minha perna, levantando e seguindo para a cozinha.

Eu bufei e segui ele para a cozinha. Vi Charlie, com muita coordenação e habilidade fazer o jantar. Quando ele terminou eu o ajudei e por a mesa, fazendo careta para as coisas que ele havia feito. Era tudo muito... Controlador da parte de Charlie. Sentei de frente para ele com uma expressão nada agradável, que ele fingiu não perceber. Charlie se serviu e perguntou se eu queria que ele colocasse para mim, mas eu neguei. Enchi meu copo com suco de morango, que era a única coisa que realmente me agradava ali por ser minha fruta preferida e também que era uma coisa que não podia chamar de controladora pois morango não estava na lista dos alimentos que eu podia comer. Meu estomago deu um ronco leve indicando que eu estava com fome, e como eu odiava ficar assim, fiz meu prato. Salmão e salada de legumes, uma coisa que eu odiava mesmo. Cortei um pedaço do peixe e levei a boca, torcendo em desgosto por não sentir nenhum tempero. Aquilo parecia comida de velho ou de doente. Levantei e fui até o armário pegando o saleiro e voltando para meu lugar. Pelo menos salgar um pouco seria bom. Charlie me olhava atentamente, seus olhos atentos aos meus diversos movimentos.

– Você exagerou hoje. - decidi falar, tomando um gole do meu suco.

– Você quem exagerou hoje, Bella. - ele falou sem olhar para mim. - Se perceber está falando rápido demais e não parou um segundo sequer de se mexer depois que entrou nessa cozinha. Se não mexe as mãos, mexe o pé, fala, anda... Como agora que está batucando os dedos. - eu parei na mesma hora de fazer isso. Era inconsciente da minha parte. - Você trouxe os remédios?

– Estou me sentindo bem.

– Diminua o tom, Bella.

Eu puxei o ar com força, soltando-o logo em seguida, audivelmente. Passei a mão no rosto, tentando me controlar. Charlie tirou os olhos do prato dele e me encarou.

– Você está fazendo de forma errada, Charlie. - falei.

– Na verdade, Bella, eu estou é tentando não fazer as coisas saírem fora do controle.

Eu olhei para o lado, torcendo a boca.

– Pois está fazendo de forma errada.

– Ah, é? E como é a forma certa, então? Deixar você se entupir de açúcar e cafeína? Não me sentir mal vendo você fazer coisas por impulso e correr perigo? Bella, sua mãe pode deixar você fazer isso, mas eu não. Só quero o seu bem.

– Me poupe disso, Charlie! - eu levantei rápido, fazendo a cadeira cair. Ignorei. - Não estou pedindo para você deixar eu fazer qualquer uma dessas coisas ou não se preocupar comigo. A única coisa que eu quero é que você me trate normalmente como as pessoas que convivem comigo e sabem. Eu não gosto de ser assim, e ainda mais é que não gosto de pensar que por isso mereço uma atenção especial. Você deveria muito bem saber disso, ok? - segui para fora da cozinha, mas parei na soleira, me voltando para ele. - E quando eu quis dizer que estava fazendo de forma errada era que você estava se esforçando demais quando não precisava. Eu tenho dezessete anos e já aprendi a lidar comigo mesma. Posso ainda ultrapassar limites, e claro que você pode impedir isso, mas de forma discreta como Renée faz. É isso que significa ela deixar eu viver a minha vida, não que ela não se importe comigo. E se você fosse mais presente, Charlie, saberia. Eu tenho hiperatividade, e tenho todo dia que tentar me controlar para não acabar destruindo coisas, falar rápido demais, agir por impulso. Não faça disso como se eu fosse doente, pois não quero isso. Só quero que você me trate como se eu fosse normal.

Eu dei as costas para ele e subi as escadas correndo, entrando logo no meu quarto e batendo a porta. Odiava quando essas coisas aconteciam comigo e com Charlie, porque eu perdia o controle e acabava falando coisas que o magoam. Enxugando as lágrimas que sem querer escaparam, eu peguei os medicamentos e segui para o banheiro. Eu sempre deixava um copo lá, o enchi de água e tomei os dois comprimidos.

Sempre que ficava mais ativa que o normal eu tinha que tomar metilfenidato e tioridazina, isso ajudava eu me acalmar e controlar a agressividade além de poder me concentrar mais nas coisas e poder aumentar minha capacidade.

Meus pais descobriram que eu era hiperativa quando criança e não conseguia me socializar com as outras. Tentavam, tentavam e nada. Meu rendimento na escola não era bom por não conseguir prestar atenção, o que fazia eu me sentir mal e as outras crianças me acharem chata.

Por tantas pessoas se afastarem de mim por causa do meu jeito diferente, eu acabei me tornado sensível sobre essa parte de mim. Renée, Emmett, Rosalie e Alec por conviverem comigo aprenderam a lidar de forma discreta e que não me ofendesse, sempre conseguindo me controlar, as vezes sem eu nem perceber. Mas Charlie passou sete anos longe, me vendo apenas em alguns fins de semanas, acabou não me acompanhando na passagem de criança pra pré-adolescente e depois adolescente, então perdendo de certa forma as mudanças que aconteceram comigo e como eu levei tudo. Ele até tentava, mas se sentia meio sem jeito e dava essas mancadas sendo controlador demais.

E eu admitia que eu estava mesmo "atacada" e isso tornou as coisas piores. Eu talvez teria me controlado mais lá em baixo e sido mais sensata. Talvez. Ou talvez as coisas iam ser mesmo desse jeito, porque era eu.

– Bella? - Charlie deu três leves batidas na porta.

Eu sentei na minha cama, suspirando, e mandei ele entrar. Charlie apenas colocou a cabeça, seus olhos um tanto aflitos e preocupados. Aos poucos ele entrou e se caminhou até minha cama, sentando ao meu lado.

– Desculpa pelas coisas que falei lá em baixo, pai. - pedi, com os olhos nas minhas mãos, que eu torcia em nervosismo.

– Está tudo bem, Bella. Você só falou o que acha e o que é certo. Eu sei que fui muito controlador, mas o susto que você me deu hoje indo atrás daquele assaltante... Me desculpe, querida. Vou tentar me controlar mais. - deu um sorriso triste, e eu assenti. Ele me puxou em um abraço de lado e deu um beijo na minha têmpora. - Eu pensei em fazer macarrão com queijo, que eu sei que você gosta...

Eu soltei uma risada, sendo acompanhada por ele.

– Uma comida descente! - disse já ficando em pé e saindo do quarto.

– Não ache que fazendo drama você vai conseguir o que quiser, hein, mocinha... - ele foi falando enquanto me seguia.

– Claro, claro! - revirei os olhos sabendo que eu só precisava fazer biquinho e Charlie já se derretia. - Sem drama.

O domingo com Charlie se passou mais divertido e infelizmente rápido demais também. Nós corremos de manhã para eu gastar energia, tomamos café da manhã natural em uma lanchonete, sem cafeína e açúcar pois eu ainda estava mais agitada que o normal pela quantidade do dia anterior. A tarde almoçamos comida italiana que Charlie pediu por telefone, pedindo para eles diminuírem nos temperos e no molho, o que eu achei um absurdo da parte dele, mas dessa vez não falei nada. Quando o sol estava começando a se pôr, nós paramos finalmente para assistir jogos, e adivinha rodeados com o que? Salgadinhos e cerveja. Claro que a minha era sem álcool porque papai odiava saber que seus filhos podiam virar alcóolicos - um exagero da parte dele. Jogos, não importa se era de basquete, futebol americano ou beisebol era algo que eu realmente gostava de assistir, e um programa de TV que Charlie arranjou para ficarmos mais próximos e eu poder falar o quanto quisesse sem atrapalhar por ser inquieta. Gritamos, xingamos os juízes, rimos como sempre fazíamos todo domingo.

Eu até queria ficar mais do que dois dias, mas eu agora era uma pessoa com emprego, tinha uma responsabilidade, e Charlie me mandava obedecer elas. Implorei para ele me deixar ficar, só que o velho fez minha mala e me arrastou para o aeroporto, se certificando de que eu não fosse pelas duas linhas aéreas que eu era banida. Ele me fez tomar calmantes para poder dormir no avião e ter uma volta calma. Com um abraço apertando e pedindo desculpas por se muito idiota, eu me despedi de papai e fui para o avião. Viajar a noite tinha seu lado bom, e ainda mais depois que eu gastei bastante energia. Estava cansada demais para querer andar, e com sono.

Assim que o avião pegou voo e eu me vi indo de volta para LA, senti a saudade de passar tempo com Charlie, mas também me senti realizada de que mesmo longe ainda podia ter toda a coisa de pai e filha que tínhamos. Charlie era um ótimo pai, não importa a distancia que tínhamos, ele conseguia fazer de tudo para ocupar seu lugar e não deixar nada faltando - e não digo em dinheiro. É claro que eu sentia falta de tê-lo sempre por perto, mas nos finais de semana ele compensava, e eu já tinha passado sete anos da minha vida me acostumando com a separação. Charlie era o melhor pai que eu poderia ter, e eu o amava incondicionalmente com toda a sua rotina que planejava para nós, sua preocupação exagerada, e seu jeito marrento bobão que eu fazia ele perder a linha.

Sempre que eu ia embora de Orlando, batia a vontade de voltar. Mas eu tinha que me conformar com as duas semanas que se passariam até eu estar aqui de volta. Agora eu iria me preocupar em lembrar de perguntar para Edward se ele era fã de 50Cent.

Com esse pensamento eu consegui, por um milagre, adormecer no avião sem aprontar nada.

(...)

Notas finais do capítulo
E ENTÃO, SURPRESAR? Eu deixei tantas pistas com Bella falando que é muito animada, que nao pode comer tanto açucar e cafeina... Pobre Charlie que ainda não sabe lidar com sua filha hiperativa. Bella teve um final de semana agitado, hum? Pobre aeromoça que ficou em estado de choque kkkkkkkkkkkkkkkkkkk E Pietro? Awnnn, eu acho ele um fofo e com certeza ele ainda vai dar as caras *---*

Agora as coisas vão começar a andar em relação a esse lado del a, e nosso Edward logo logo vai estar fazendo parte disso tudo. E próximo capitulo é um POV só dele pra felicidade de vocês kkkkkk

Queria pedir desculpas a vocês por ter sumido por aqui mas é que RN está quase no final e isso até me deixa um pouco triste, pois odeio finais de histórias. Isso acaba me tomando toda, e eu então decidi me focar nela, terminar e então vir para AG e SR. Espero que vocês entendam e me desculpem :/

Bem, é isso minhas gatinhas lindas que estou morrendo de saudades. Espero que tenham gostado, comentem e se quiser recomendem mesmo eu nao merecendo, eu sei :'''( kkkkk

Beijooos :*




(Cap. 9) É Congênito

Notas do capítulo
HEEEEEEEEEEEEEEEEEEY eu sei que demorei, eu sei kkkk Mas galera, estou aqui e estou feliz de estar postando esse capitulo com 25 paginas para vocs.


1. http://www.youtube.com/watch?v=GNinMkWdHcQ&feature=relmfu


2. http://www.youtube.com/watch?v=XaY1navSEws

8. É Congênito

Eu ouvia aquele toque insistente do celular ecoar pelo quarto, batendo nos meus ouvidos e me fazendo fechar meus olhos com mais força. Não fazia nem uma hora que eu havia conseguido dormir e já tinha amanhecido. Eram tantas coisas na minha mente rodando e me perturbando que eu tinha revirado a noite toda e não conseguido dormir quase nada. E quando consegui - ou acho que consegui - aquele celular tocando me atrapalhava. Resmungando, coloquei o travesseiro sob a cabeça, querendo que aquele barulho irritante parasse. Eu nunca tinha odiado tanto o toque do meu celular como naquele momento.

Não aguentando mais, eu o peguei brutalmente e atendi.

– Quem é? - fui curto, minha voz saindo rouca.

– Hmmmm, sabia que sua voz fica ainda mais sexy e deliciosa de ouvir quando acorda? Ainda mais quando você está nervoso assim.

Arregalei os olhos e soltei o ar ao ouvir quem era. Eu tinha na mente que só ela conseguia falar algo assim com a voz maliciosa e não parecer uma vadia, e sim que brincava. Tudo bem que ainda existiam garotas assim que também não pareciam, mas o que eu queria dizer é que contando com a nossa amizade, provavelmente isso deveria soar estranho. Mas não soava, pois ela conseguia deixar de forma engraçada sabendo o que falar. O que mais me perguntava era se isso só era comigo ou se com Alec também ela fazia essas brincadeiras. Talvez? Eles eram bastantes amigos. Mas isso não importava, porque naquele momento eu estava me sentindo bem por ouvir a voz da Bella do outro lado. Tinha sentido falta dela nesse final de semana.

Decidi que iria retribuir essa brincadeira, só para deixa-la sem graça, mesmo que não pudesse vê-la corar.

– Ficaria melhor se eu pudesse sussurrar no seu ouvido agora, pessoalmente. - falei baixo, deixando a voz mais rouca.

Ouvi um ofegar do outro lado da linha e me segurei para não rir. Eu podia imaginar como Bella estaria agora, totalmente parada, com os olhos verdes levemente arregalados, a boca aberta formando um pequeno "o" e as bochechas tingidas de rosa. Provavelmente sua mente estava trabalhando a mil, confusões passando por ela. E não era falta de modéstia da minha parte, pois não me achava tão assim para deixar uma garota perdida, mas essa era a Bella. Era exatamente assim que ela ficava e eu já tinha percebido. Ela paralisava e seus olhos desfocavam, como se ela já não estivesse no mundo, e sim flutuando por ele, se perdendo. Como uma boneca presa a balões.

Eu sempre me perguntava o que se passava em sua mente quando ela ficava assim, tão perdida de tudo e todos.

Ouvi ela pigarrear e coloquei a mão na boca, ainda prendendo a risada que queria dar.

– Bom dia, vizinho gostoso! - cumprimentou animadamente, já voltando ao seu estado normal.

– Bom dia, vizinha que some e me deixa com saudades.

– Eu sei, eu sei. Sou uma pessoa de presença tão marcante que quando desapareço nem que seja por algumas horas todos sentem minha falta. Não achei que com você seria diferente, Edward.

Eu não sabia se Bella, nessa pequena brincadeira, tinha alguma ideia de o quanto ela era marcante realmente. De como sua forma de pensar e agir acabava fazendo você se questionar tanto que depois era quase que impossível esquecer. Que quando você parava para pensar, ela sempre vinha e você se questionava ainda mais. A presença dela ficava mesmo com ela indo. Ela criava tantos porque na sua cabeça que formavam um bolo. Porque ela parava daquela forma com os olhos desfocados? Ou porque conseguia ser cara de pau, mas quando eram com ela, ficava sem graça? E porque Bella ao mesmo tempo em que parecia uma garota durona, conseguia parecer tão frágil?

Eu não conseguia entender nada disso.

– Claro, Bella. - concordei com ela. - Agora me diz por que está me ligando a essa hora?

– Você não gostou, Edward? - perguntou com a voz fininha e triste. - Quer que eu desligue? Porque por mim tudo bem e...

– Não! - cortei ela, soltando alto demais. Queria acabar com aquele tom triste dela. - Quer dizer, não quero que você desligue. E é claro que eu gostei você sabe disso. Ainda mais porque estava com saudades.

– E é nessa hora que você diz que me ama incondicionalmente e me pede em casamento? - sua voz soou ansiosa e logo Bella começou a gargalhar, comigo a acompanhando.

A risada dela tinha o toque rouco que vinha da garganta, mas quando lhe faltava ar ela puxava e nisso parecia que Bella estava se engasgando. Era engraçado e até fofo para uma risada, pois saia espontânea, inocente e verdadeira. O tipo de risada que te fazia rir junto do jeito que se a piada não tivesse graça, a Bella rindo você também riria. A risada infantil de uma criança. Ela fazia meu peito transbordar de felicidade porque Bella estava feliz, e isso me deixava bem também. Eu tinha sentido falta dela realmente.

E nessa porra toda eu era um fodido que estava ficando maluco porque reparava na risada de uma garota.

– Tudo bem, Edward, chega de lhe encher o saco e vamos partir para o sério. O que o senhor está fazendo dormindo a essa hora quando nós temos nossos encontros de todos os dias?

Apertei os olhos ao sentir minha cabeça doer com suas palavras. À noite mal dormida batendo na porta assim como os pensamentos perturbadores.

– Hm... Achei que você chegaria cansada da viagem, então...

Bella gargalhou.

– Eu dormi tanto naquele avião que posso ficar acordada por dias. - disse. - Estou totalmente no animo para correr um pouco. Mas... Parece que você não... Quer que eu desligue para que você volte a dormir, Edward?

Eu estava ansioso para ver e falar com ela, e quanto mais cedo melhor. Levantei em um pulo da cama, ignorando a dor de cabeça e o corpo apertarem de cansaço.

– Dormir é para os fracos, Bella. - falei, sorrindo. - Fico pronto daqui quinze minutos.

– Ótimo, vou estar te esperando lá fora, cupcake. Até.

Eu desliguei o celular, jogando-o na cama e seguindo pra o banheiro para fazer minha higiene matinal. Dez minutos depois eu estava descendo as escadas de casa com uma regata cinza e uma bermuda preta, pronto para correr pela praia. Passei na cozinha, encontrando Esme preparando o café da manhã.

– Achei que pela hora não iria correr. - comentou vindo me dar um beijo na bochecha. - Está melhor?

Eu assenti para ela, mesmo que não fosse verdade. Não precisava preocupar a cabeça dela com problemas meus e ainda mais que envolvesse meu pai, Carlisle. Seu sorriso de logo cedo de manhã tinha que permanecer o máximo que pudesse.

– Correr faz bem. - falei indo pegar uma maçã em cima da mesa.

– É bom que ainda se foque nisso. - seu sorriso se ampliou ainda mais. - Logo tudo volta aos eixos.

– Foi para isso que nos mudamos, certo? Ah, não. Foi pra fugir. - soltei irônico, mas logo que percebi respirei fundo. - Preciso ir, Bella está me esperando.

Sem nenhum dos dois falar mais nada, eu saí da sala seguindo para a porta da frente. Assim que a fechei nas minhas costas, sentindo a brisa de logo cedo atingir meu rosto, soltei o ar como se ele pesasse no meu corpo. Sentia o cheiro da maresia que vinha da praia no fim da ladeira, e aquilo parecia um bom calmante.

– Hey, vizinho!

Virei meu rosto na direção da voz dela, encontrando-a sentada na escada de sua casa. Bella tinha um sorriso nos lábios, e nas mãos o celular branco. Assim que ficou de pé, meus olhos foram atraídos para suas pernas. Duas coisas me atraiam nelas: serem pálidas demais para quem vive no estado ensolarado que era a Califórnia e também que Bella tinha belas pernas. Havia percebido isso quando a vi de vestido e salto alto.

– Também não precisa olhar para minhas pernas tão na cara assim. Ficaria mais legal se disfarçasse. - Bella falou e eu sorri para ela. - Apesar de que... Todo vizinho novo tem que ser bem direto e cara de pau, não é?

– Em filmes americanos alguns são. Então vamos ser assim: Bella, gosto das suas pernas. Elas são bonitas e...

– E... - me incentivou a continuar.

– Gostosas. - dei de ombros, vendo rapidamente as bochechas da Bella ficarem rubras. - Pronto, já consegui o que queria. Agora vamos que estou com saudades da praia.

Bella me lançou um sorriso malicioso.

– Só da praia?

– Ah é, e do ser animado e irritante chamado Isabella. - revirei os olhos. - Sempre me esqueço desse detalhe.

Bella riu e me deu um soco no braço, logo me puxando para começar a andar. Pedi para ela me contar como foi em Orlando com o pai dela, e fiquei sem reação com o que ela me contou ter feito no avião, sobre a velha com síndrome de vamos-morrer, o pivete que queria um beijo dela e sobre a pobre da aeromoça que sofreu na mão dela. Também sobre o tal italiano que ela ajudou Charlie a prender.

– Wow. - murmurei baixinho. - Eu... Bella, eu admito que às vezes algo lá dentro de mim, bem lá no fundo mesmo, me diz que eu tomar cuidado com você por que...

– Porque eu sou uma pessoa capaz de tudo? - sorriu na minha direção com os olhos brilhando. - Edward, todas as pessoas que me conhecem sentem isso. O que as diferencia é: se afastar ou não se afastar.

Eu olhei para ela, que moveu as sobrancelhas claras e finas de forma divertida.

– Se está esperando que eu diga que estou com medo e vou me afastar, desculpa lhe decepcionar, mas não vou. Primeiro que você é a vizinha mais legal e gostosa que tive, e segundo por que... Por que... Porque você é legal e gostosa.

Bella na mesma hora parou de correr e me encarou com a boca aberta e os olhos arregalados.

– Como você fala isso para mim, Edward? Quer dizer, eu tenho um irmão! E pior, é só isso que você tem pra falar de mim?

Ela tinha uma falsa expressão de quem estava ofendida, mas eu podia ver nos reflexos dos seus olhos divertimento. Eu voltei até ela, parando na sua frente, colocando minhas duas mãos em seus ombros. Bella era bastantes centímetros mais baixa que eu, sua cabeça batia em meus ombros.

– Na verdade eu tenho vários outros elogios para você, mas prefiro ir citando eles ao tempo que vamos ser amigos. Quero dizer, são muitos... - fiz uma careta. - E claro, tem também os defeitos.

– Está dizendo que tenho defeitos, Edward? - colocou as mãos na cintura, fazendo cara de quem estava muito, muito puta comigo.

– Não, Bella, eu estava apenas brincando. Você não tem nenhum defeito, loira. - dei um beijo em sua testa. - Agora vamos continuar?

Bella riu e assentiu com a cabeça, me puxando para voltamos a correr. Dessa vez estávamos indo pela calçada, pois Bella ficou com certo receio de encontrar aquele babaca que eu nem lembrava mais o nome.

– Mas e você, Edward, o que fez ontem que eu estava fora?

A pergunta de Bella fez minha noite mal dormida vir à mente, e assim todo o dia anterior vir a minha mente. Dei um sorriso nervoso a ela, que retribuiu, mas de forma animada esperando que eu começasse.



– Hmmmmmm. - Renesmee resmungou perto ao meu ouvido quando se remexeu na cama. Ela jogou um braço por cima de mim, fazendo sua mão dar um tapa estalado no meu peito.

Eu gostava quando fazíamos seção filme e ela dormia no meu quarto, mas isso quando eu também estava dormindo e não a via se mexer como se estivesse com formiga na bunda. Depois que eu acordava com o primeiro tapa, os outros de sequencias eram difíceis de ser ignorados. Tinha dias que ela ainda ficava quieta, mas hoje não era desses dias.

Abri meus olhos, que estavam ardendo por causa da claridade que a TV ligada causou a noite inteira. Nela ainda passava os vídeos caseiros que estávamos assistindo, ou melhor, repassando porque deveria ter rolado várias vezes a noite inteira. Gritos de incentivo ecoavam dela, e eu me via perdido na imagem... Mais uma vez.

Eu não queria assistir aquilo e lembrar-me de momentos que não voltariam mais, só que Renesmee insistiu tanto que acabei cedendo. Não entendia qual era a ideia dela de me fazer assistir aquilo, pois Renesmee fazia tudo com algo planejado. E também não tive tempo de perguntar por que ela me mandava calar a boca ou me cortava falando sobre os vídeos.

Renesmee se mexeu novamente ao meu lado, agora virando e se encolhendo. Ela resmungava coisas desconexas. Sua voz foi coberta por mais gritos vindo da TV, e nela a imagem da piscina olímpica e de uma torcida à loucura. Vi ali no meio Esme e Renesmee pulando, frenéticas. E um sorriso triste apareceu em meus lábios.

Querendo espantar os pensamentos tristes levantei e fui para o banheiro, fazer minha higiene matinal. Voltando para o quarto, estanquei ao ver Carlisle parado na porta, olhando para a TV. Ele percebeu minha presença e levantou seus olhos verdes na minha direção. Queria abaixar a cabeça para fugir de seu olhar acusador, magoado, decepcionado e com desgosto, mas tinha aprendido com o próprio que não deveria fazer isso e sim lidar com os erros de cabeça erguida. O encarei também, olhando-o nos olhos, prendendo meu olhar no seu.

– Porque está fazendo isso? - perguntou com a sua voz grave.

Olhei para a TV e neguei com a cabeça.

– Renesmee quem quis assistir, e eu não tive escolha. Você sabe como ela é... - dei de ombros. - Também não queria ver isso.

– Ver sua carreira ir por água a baixo, Edward? Uma carreira que investimos por tantos anos...

Desviou seus olhos de mim e eu abaixei os meus, apenas ouvido à animação de uma torcida que agora não existia mais apenas por um simples erro cometido. Eu não gostava de ouvir todos aqueles incentivos, e muito pior me ver ali nadando em uma piscina olímpica. Meu coração apertava só de lembrar-se de como era a sensação de estar ali, de ter aquelas pessoas por mim.

Tudo que eu mais amava e venerava tinha sumido da minha vida.

– Me desculpe. - pedi perdendo as contas de quantas vezes já havia feito tal coisa para Carlisle.

Ele rosnou de leve e eu me segurei para não dar um passo para trás. Carlisle nervoso deixava qualquer pessoa desconfortável, ainda mais quem o conhecia calmo e pacifico como era.

– Desculpas nenhuma, Edward, vai concertar esse erro. Não adianta repetir isso. Aceite que nada disso acontecerá mais e que toda a vida construída em Nova York também não terá mais. Jogue todos esses vídeos no lixo assim como fez com a sua carreira.

Dizendo isso ele me deu as costas e seguiu pelo corredor. Eu fiquei ali parado como um verdadeiro derrotado – porque era isso que eu era. Carlisle tinha toda razão e eu não deveria ir contra, mas era ruim saber que a pessoa que mais teve orgulho de você agora tinha era desgosto. Ainda mais essa pessoa sendo seu pai.

Enquanto assistia aos vídeos com Renesmee eu estava pensando em algo. E agora ouvindo o que ele falou, eu tomei a decisão.

Sai do quarto, descendo as escadas rápido e indo para a cozinha, que era aonde ele e Esme estavam.

– As coisas vão mudar. – falei, parando de frente para ele.

– Mudar como? – perguntou irônico. – Aqui você não tem nada que tinha lá. Reconstruir vai ser perda de tempo porque como você é, é bem capaz de jogar tudo para o ar novamente.

– Não vou cometer esse erro! – fale entredentes, tentando controlar minha raiva.

Carlisle deu um passo, ficando a minha frente.

– Você nunca aprende nada, Edward. Sempre foi um moleque que só pensava em curtir a vida, que nada importava, nem o que você dizia ser a sua vida. Como posso acreditar que agora vai ser diferente?

Eu puxei o ar audivelmente, sentindo que cada vez mais minha raiva aumentava.

– Porque eu aprendi, droga! – gritei, jogando as mãos para cima.

Esme se moveu para perto de nós, colocando uma mão no meu braço.

– Querido, se acalme. – pediu.

Era sempre assim, Carlisle falava algo, Esme vinha e me pedia para ficar calmo. Sempre.

Dei as costas aos dois, passando por Renesmee que estava parada na escada.

Sai de casa, batendo a porta com força sentindo que poderia explodir se continuasse lá dentro. Carlisle me sufocava, Esme me sufocava e estar no mesmo lugar que os dois quando acontecia alguma discussão fazia um circulo de dez metros em volta deles me deixava sufocado. Carlisle com a pressão que colocava em mim por causa dos meus erros, fazendo que eu sinta o peso nos meus ombros de qualquer forma. Ele não amenizava nada, essa era a sua intenção e cansava sempre ouvir as mesmas coisas, as mesmas reclamações, as mesmas mágoas e decepções. Eu já convivia com as minhas e não queria outras, mesmo merecendo. E Esme... Ela tentava ajudar e amenizar, mas acabava se tornando perturbador porque eu não merecia toda aquela compreensão dela falando "vai ficar tudo bem, querido", "isso um dia vai passar", "estamos com você", e no fundo eu percebia também certa mágoa e decepção em sua voz. Ela apenas me amava incondicionalmente e não gostava de me ver mal, mas não adiantava de nada.

Como não se sentir mal quando você carregava a culpa porque realmente tinha culpa? Nada ali fora armação, apenas ações idiotas com consequências merecidas.

– EDWAAAAAAAAAARD!

Olhei para o lado para ver quem me gritava tão desesperado e me deparei com Emmett, o irmão da Bella, vindo à minha direção com um skate. Ele balançava os braços e os olhos estavam arregalados. Não deu tempo para eu correr, logo era acertado por ele e seu skate. Cai no chão, batendo minha bunda no concreto da calçada, e soltei um gemido de dor. Emmett caiu ao meu lado, de cara no chão, e o skate foi parar em algum lugar.

Ouvi rodinhas e quando levantei a cabeça Alec vinha na nossa direção em cima de um skate também. Ele estava com os olhos arregalados, mas eu percebia que se segurava para não rir. Com uma careta, eu levantei e limpei minha roupa, me virando para Emmett que ainda estava no chão.

– Você não sabe andar de skate, cara? - perguntei, tentando não ser grosso.

– Está me tirando, Edward? - ele levantou com a ajuda de Alec, que ria. - Eu sou o melhor do tigela para sua informação. - ergueu levemente o queixo mostrando seu orgulho.

– Pois não foi o que pareceu agora. - murmurei para mim mesmo, mas ele e Alec escutaram.

– E eu tenho culpa que você parou bem no meio da calçada? Você que é um tapado. - me deu um tapa no ombro com uma careta.

Isso ele tinha completa razão, porque com o nervosismo que eu estava nem percebi nada. Mas pra que iria olhar para os lados no meio da calçada? Isso só era coisa pra se fazer em uma rua. Só que pelo que parece tendo os irmãos Swan como vizinhos, coisas que eram consideradas normais e sem perigo com eles eram completamente o inverso.

– Tudo bem. - suspirei.

Emmett deu de ombros e foi até a rua buscar o skate dele que tinha parado do outro lado dela. Alec estava parado, quieto, como Bella já havia me avisado que seria com ele. Era estranho ver um garoto que podia falar normalmente ficar daquele jeito, tão parado e quieto. Ainda mais que o vi tão animado e falante na DAR. E claro ousado porque tinha beijado a minha irmã. Nunca me esqueceria dessa ousadia dele.

Quando Emmett voltou, parou bem na minha frente com uma careta.

– Você está bem? - perguntou.

– Depende do bem que você está se referindo.

– Bem do tipo "UHU, HOJE ESTAMOS SEM A BELLA!" - jogou as mãos para cima, animado, e Alec o imitou. - É esse o tipo de bem que estou falando, porque cá entre nós... - se aproximou de mim para falar no meu ouvido. - Acordar sem dar de cara com aquela loira é uma das melhores coisas que podem acontecer. Ah, e que só acontecem de duas em duas semanas.

Isso quer dizer que Bella vai de duas em duas semanas para Orlando? De alguma forma aquilo me deixou desanimado porque passar os dias com ela era mais animados e saudáveis do que qualquer outro dia que eu já tenha passado com alguém. OK, não tão saudável assim porque sempre acontecia algo que não era bom, mas com certeza mais saudável do que as formas de diversão que eu vivia em Nova York.

Eu não sabia como Emmett podia ficar feliz em ter Bella longe, porque eu não ficava. Mesmo eu percebendo que os dois tinham uma ligação forte, ele mesmo assim parecia feliz. E Alec, esse, com certeza, só estava indo na onda do Emmett, porque pelo que Bella tinha me falado ele amava a presença dela e os dois eram realmente bons amigos.

– Bem... Eu não estou nada bem se for desse jeito. - dei de ombros. - Aliás, nunca ouvir falar em ficar bem só porque Bella está longe. Mas... Na verdade eu não estou bem de nenhum jeito.

Os dois se entreolharam e depois viraram para mim. Eu tinha falado isso porque na minha mente passou a ideia rápida de que eles pudessem de alguma forme entreter meu dia, já que não tinha hoje a Bella aqui comigo. Emmett era irmão dela, talvez a Sra. Swan tenha passado o mesmo gene para os dois e eles sejam do mesmo jeito: malucos e cheios de energia para aprontar alguma. E isso significava que assim como no dia que fomos à lanchonete/cafeteria procurar trabalho, eu só volte pra casa à noite e exausto o suficiente para apenas tomar um banho e cair na cama sem ver Esme e Carlisle.

– Sabe o que eu acho, Edward? - Emmett veio para o meu lado e passou o braço por cima dos meus ombros.

– Não, o que? - olhei dele para Alec, que fez uma expressão de "você não devia ter perguntado isso, cara".

– Que você precisa conhecer mais o lugar que vivemos, me entende? Acho que está na hora de nós apresentarmos pra você o tigela! O lugar aonde você vai viver suas melhores emoções como andar de skate e fazer muitas manobras, conhecer gatinhas - mexeu as sobrancelhas de forma sugestiva. -, e se enturmar com a galera mais divertida que pode passar pela sua vida. E estou falando isso porque eu faço parte dessa galera. - sorriu amarelo e piscou os olhos rapidamente.

– Hmmm. - murmurei, sem saber o que responder.

Eu queria sim diversão, mas pela forma que ele falou estava pensando duas vezes antes de participar disso, porque quando ele disse "galera" senti que íamos passar de três para mais pessoas e essas pessoas eram iguais a eles. E o que eu tinha percebido aqui é quanto mais gente perto deles, mais bagunça sairia.

– Cara, com nós você vai esquecer seus amigos de... De... De onde você veio mesmo? - perguntou com uma careta.

– Nova York, Emmett. Eu já lhe falei isso. - respondi, com tédio.

– Ah é, verdade. Desculpa ai, Edward, é que naquela hora eu só prestei atenção mesmo quando você disse o que Bella estava fazendo na sua cara. Não me leve a mal, mas não presto atenção em papo com homem assim e eu precisava de informações para ferrar minha irmã.

Claro, eu tinha percebido que quando eu me apresentei - como ele pediu -, ele ficou me encarando como se eu fosse uma parede, e quando comecei a falar da Bella ele acordou na hora. Impossível esquecer meu primeiro dia aqui.

– Tanto faz. - falei.

– Mas então, como eu ia falando, você vai se esquecer de seus amigos de Nova York e querer ficar com nós para sempre! Não é, Alec?

Esse apenas assentiu. Sua presença era tão fácil de esquecer.

Emmett tinha completa razão e tinha falado o que eu mais queria: esquecer meus amigos de Nova York. Esquecer as pessoas que eu não iria ver mais na minha vida era muito fácil. Ou não.

– Tudo bem. - balancei a cabeça.

– É isso ai, garoto! - ele deu um soquinho no meu braço. - Então se prepara porque agora nós vamos para o tigela, nosso paraíso.

Eu esperava mesmo que fosse um paraíso e que eu ficasse vivo hoje.


Bullet Soul - Switchfoot

Assim que paramos em frente o tal tigela, eu vi como era realmente esse tal lugar. Bem na entrada tinha uma placa de madeira escrita Pioneer Skatepark branco e embaixo tigela com J em letras grafitadas, e o lugar era circulado por uma grade. Lá dentro havia várias pistas de skate e pessoas fazendo manobras. Em um canto um pequeno trailer que servia como lanchonete com algumas mesas em formato de piquenique de concreto. Garotas com short curto ou saias e bonés andavam por ali, algumas carregando skates. Ouvia gritos de todos os lados, de felicidades pelas realizações de manobras novas. Ao fundo, do outro lado da grade, tinha algo que poderia ser chamado de clube porque tinha um enorme gramado aonde pessoas jogavam golf, uma "montanha" com uma mansão enorme lá em cima. Estávamos no fundo do lado rico de LA.

Nós três ficamos parados bem na entrada, Emmett e Alec esperando que eu observasse o lugar direito. Uns caras passaram por nós, cumprimentando os dois, umas meninas também falaram "oi" ao passar, dando risadinhas. E eu só conseguia pensar que aquele lugar era realmente legal. E o pior, que me lembrava muito a Bella. Na nossa frente passou uma garota morena de olhos verdes e com um short curto e uma regata branca que mostrava sua barriga. Ela sorriu e piscou um olho para mim, me fazendo erguer uma sobrancelha e sorrir de canto para ela também. Ela era linda, e chamava a atenção por onde passava. Segui ela com meus olhos, vendo-a caminhar até um cara, que passou o braço em volta da sua cintura.

– WOW! - Emmett ficou na minha frente, com os olhos arregalados.

– O que? - perguntei, me virando para ele.

– Você viu isso, Alec? - me ignorando, virou para o mudo, que assentiu também de olhos arregalados. - Foi a melhor coisa que fizemos trazendo você pra cá!

– Por quê? - perguntei de novo.

– Edward você acaba de receber um sorriso e uma piscada da garota mais gostosa daqui! Você sabe o que é isso?

– Er... Que eu recebi uma piscada da garota mais gostosa daqui?

Ele me olhou com cara de tédio e suspirou.

– Também. - disse sem expressão e depois logo sorriu animado. - Mas que também hoje nós vamos nos dar bem!

– Hã?

– Quer dizer, você vai se dá bem! - jogou as mãos para cima. - Espera ai que eu já volto! ALEC, REUNIÃO!

Ele puxou o mudo para um canto, que foi arrastado. Eu fiquei ali parado, sem entender nada do que ele estava querendo dizer com o "você vai se dá bem", porque o que tinha uma garota me mandar um sorriso? Várias daqui fizeram isso, e falaram com eles, que era mais um avanço. Qual é, o que eu perdi nisso?

Olhei para os dois, que entre murmúrios pareciam discutir algo. Emmett deu um tapa na cabeça do Alec, que em retribuição deu um soco no ombro dele. Nisso eles discutiram mais e com um suspiro de Alec, os dois voltaram até mim, parando bem na minha frente. Emmett tinha um sorriso animado até demais e Alec estava com uma expressão emburrada. Talvez pelo tapa na cabeça?

Semicerrei os olhos na direção daqueles dois.

– E então? - perguntei, querendo saber o porquê daquela cena toda.

– Edward, hoje você vai se dá bem, meu filho. Você vai pegar a garota mais gata e gostosa daqui.

– E porque eu?

– Porque ela deu bola pra você, dã. - revirou os olhos. - Só que tem um problema.

– E qual é?

– Ela tem um namorado. - ele apontou para o namorado da garota e eu arregalei os olhos.

– VOCÊ FICOU LOUCO?! - berrei.

song off

– Shiiiii. - fez para mim como se meu grito importasse para alguém ali.

Algumas pessoas olhavam na nossa direção, mas eu nem me importei. Meus olhos estavam grudados no garoto que eles disseram ser o namorado da menina. Ele era algo como músculos do Emmett multiplicado por dez e expressão do Walter da lanchonete da Bella multiplicado por vinte. Seus braços deviam ser dois de mim, e sua mão devia ser uma mistura de humano com gorila. Ele era uma mutação gigante de colocar medo em qualquer um. Usava uma regata - porque as mangas foram rasgadas - e os braços eram cheios de tatuagens.

– Eu não vou dar em cima de uma garota que tem um... Um... Uma mutação como namorado. - engasguei. - Vocês podem imaginar o que ele vai fazer comigo?

A cena de meu crânio sendo esmagado por aquelas mãos do Huck me fez tremer dos pés a cabeça.

– Deixa de besteira, porra! - Emmett me deu um tapa nas costas fazendo a minha imaginação dissipar na mesma hora. - Ele não vai esmagar sua cabeça porque seu cabeção é muito grande.

Lancei lhe um olhar de raiva e ele fez careta, me ignorando. Voltou a olhar para o mutante que estava agarrado à namorada, e conversando com os amigos dele. Eram iguais a ele, todos musculosos cheios de tatuagem e com expressões nada amigáveis. Os Mutantes. O mutante e sua Gangue. Eu podia pensar em vários nomes para esses caras. As Mutações. Ou Os Destruidores de Crânios. Nenhum deles os fazia parecerem pessoas legais, amigáveis e que me deixariam dar em cima da garota.

– Eu não vou fazer isso, Emmett. - falei, entre dentes. - Tenho muita coisa ainda pra fazer nessa vida.

– E uma delas é pegar aquela garota. - passou o braço por cima do meu ombro. - Meu caro novo amigo, você é novato aqui, então precisa de algo que vai fazer você se enturmar.

– Eu já não me enturmei com vocês?

– Mas temos um grupo, e esse grupo é muito... Difícil de ser agradado. Pegando a Karen, você vai ser considerado um... Fodão e então faz parte do grupo, entende?

– Estou entendendo. - murmurei, com os olhos semicerrados. - Mas só que essa garota tem um namorado!

– Eu sei, eu sei... E é esse o X da questão, porque Karen é uma... Garota que não gosta de ser compromissada, mas fica com aquele brutamonte pra afastar os caras chatos, entende? E se ela deu bola pra você é porque te considera legal. É sua chance, Edward! Agarra, cara!

Olhei de Emmett para Alec, que balançava a cabeça em forma de negação. O magrelo mudo estava com uma expressão de desespero, e eu tinha certeza que aquilo era por causa da loucura que Emmett queria me meter. Ele era irmão da Bella, o que eu podia imaginar que viria dele? Coisas boas e saudáveis que não era.

– Não sei não... - falei.

– Eu não acredito! - Emmett me olhou surpreso. - Você é uma marica, Edward? É isso? Eu não acredito que escolhi um cara marica pra ser amigo, estou ficando ruim mesmo. Achei que você era dos nossos, corajoso e tudo, mas me enganei...

Emmett balançou a cabeça em desgosto e suspirou triste. Eu não me importava o que ele estava sentindo, eu estava com muita raiva de ter sido chamado de maricas quando eu não era. Ele iria se arrepender de ter me chamado assim porque eu iria pegar aquela garota e iria esfregar isso na cara dele.

– Qual é o plano? - perguntei olhando pra ele, decidido.

Emmett levantou a cabeça e me encarou sorrindo, eu podia ver seus olhos brilhando. O cara era maluco, só pode!

– Edward, nã... - Emmett tampou a boca de Alec, que revirou os olhos.

O Swan estava dando um sorrisinho nervoso demais para meu gosto.

– O plano, Edward, é o seguinte...


Eu estava encostado no poste de luz que tinha ali, perto das mesas de concreto e do trailer/lanchonete. Via Emmett do outro lado do pátio de skate, com Alec, eles me encaravam. Desviei meus olhos para a garota, a tal de Karen, que estava apoiada em seu namorado, ouvindo e rindo do que ele falava. Dava para ver a forma possessiva com que ele segurava a cintura dela, e também como seus parceiros mutantes formavam uma roda em volta como se fosse para proteger.

Tudo isso por causa de uma garota?!

Emmett estava me colocando em uma encrenca feia e o pior é que eu ia às ideias mesmo sabendo que tudo no final resultaria em merda e eu com meu crânio quebrado, amassado, destruído como se fosse uma pessoa amassando um ovo de páscoa. Tudo bem, eu exagerei, mas podia ser assim, não podia?

Vamos lá, Edward, você não é homem? Ou é uma marica, como Emmett disse?! Não! Cala a boca! Eu não sou uma marica e vou provar para Emmett.

Ouvi um assobio vindo de Alec, que me tirou da minha briga interna com meu eu ignorante e marrento e olhei para a garota. Ela estava se afastando do namorado, e como Emmett tinha me falado no plano, ela iria vir para aonde eu estava para comprar alguma coisa. Ele falou que ela sempre falava "amor, eu estou com sede", mas a verdade era que ela só queria sair das garras dele e mostrar suas curvas pros caras do parque. Eu ajeitei minha roupa e segui para o trailer/lanchonete, encostando-se ao balcão. Uma garota de cabelos ruivos e sardas no rosto - até mais que as de Bella -, veio me atender.

– Olá. - falou educadamente e com a voz infantil. - Vai querer o que hoje, amigo?

Eu sorri para ela e de propósito enrolei para escolher algo. Como se tivesse no dia que Bella arranjou emprego na lanchonete, eu fiquei ali avaliando o cardápio. A verdade era que eu estava esperando a Karen encostar ali para fazer o que tinha combinado com Emmett e Alec. Continuei olhando o cardápio, percebendo a menina com cara de impaciência, quando senti uma presença do meu lado. Olhei de canto e percebi que era a Karen, e isso por causa do boné azul que ela usava. Boné azul... Isso também me lembrava de Bella quando a vi com ele virado para trás.

Porra, eu tinha que parar de pensar nessa garota!

– E então, amigo? - a garçonete me tirou da minha raiva interna, cutucando meu braço. - É pra hoje o que você quer?

– Er... - olhei para Karen e ela estava me encarando. Quando percebeu que eu a olhava, deu um sorrisinho. - Eu vou querer o que a amiga aqui pedir.

A ruivinha bufou e saiu de perto de mim, resmungando algo. Isso só fez Karen soltar uma risada divertida e se aproximar de mim.

– Você sabe que isso não vai colar, certo? - perguntou, sorrindo.

– Do que você está falando? - me fiz de desentendido.

Qual é, já tinha feito isso muitas vezes na minha vida. Digo, dar em cima de uma garota começando pelo que ela vai pedir, não em dar em cima de uma garota compromissada com um mutante com mãos de Hulk.

– De me chamar de amiga e pedir a mesma coisa que eu. Sei que vai falar que é porque tenho cara de quem tem bom gosto e que vou saber o que escolher, e essa frase vai ter uma segunda intenção porque está se referindo que vou escolher você. Eu já passei por isso.

– E eu já fiz isso. - sorri para ela que riu. - Tudo bem, você sabe meu segredo, isso faz nós sermos bem próximos, certo? Meu nome é Edward. - estendi a mão para ela, que apertou.

– Karen.

Eu sei. E isso porque o irmão da minha vizinha estranha está me chamando de marica porque quer que eu faça você colocar um chifre na cabeça do seu namorado esquisito.

– Você é amigo de Emmett e Alec? - ela perguntou e eu fiz uma careta.

Olhei por cima do ombro dela, vendo Alec e Emmett ainda em seus postos prontos para quando eu desse o sinal fosse para o lugar combinado. Voltei à atenção para ela.

– Não exatamente. Emmett é meu vizinho e está me mostrando o lugar.

Opa, Edward, informação demais.

– Sério? E ele está fazendo isso certo ou... Já colocou você em alguma furada?

Eu queria gargalhar por saber que ele era conhecido por seu "dom", o que me fazia ligar os pontos e saber que Bella também era. Os irmãos Swan deveriam ser muito famosos por aqui, pelo que parece. Se eu falasse para Karen que ele tinha me metido em uma furada ela saberia que estava falando dela?

– Até agora... Está tudo indo bem. - dei de ombros. - Pelo menos até agora.

– Ah, claro. - riu.

– E então, já decidiram? - a ruivinha voltou, ainda com aquela expressão de que impaciente.

Karen olhou para mim e depois sorriu ainda mais, virando para a ruiva. Ela pediu uma água com gás.

– E você? - a ruivinha apontou para mim.

– O mesmo que o meu. - Karen ergueu levemente o queixo em desafio.

Prendi uma careta porque eu odiava água com gás, mas não cederia para ela. Essa garota deveria saber que a maioria das pessoas odiava água com gás, por favor, para pedir isso.

– Certo. - assenti com a cabeça, mesmo querendo negar e pedir só uma água natural.

A ruivinha foi pegar as águas e eu quem paguei as duas, deixando Karen falando sozinha. Nós nos sentamos nas mesas de cimento, conversando. Ela engatou em uma conversa sobre o lugar, falando do porque de chamarem tijela e como funcionava ali. Informações que Emmett não tinha citado. Desconfiado, quis saber mais um pouco, perguntando sobre o grupo que Emmett fazia parte.

– Bem... Esse é o tipo de grupo que poucos querem fazer parte. - ela murmurou, olhando pra sua garrafa. - Eles são bem legais, são os que mais atraem as pessoas, só que eles gostam muito de brincadeiras e essas sempre trazem multas para o tigela, entende? Não são como os que arrumam confusões e brigas, eles gostam de brincadeiras, apenas isso. Quem sabe, se afasta para não entrar nessas encrencas. Mas o que não sabem...

– Como eu...

– Como você, bem... A maioria soube seguir o ritmo deles.

– E quem comanda o grupo? Porque grupos sempre tem um líder...

Karen arregalou os olhos como se a minha pergunta fosse óbvia e eu fosse um burro por não saber. Um nome rodava na minha cabeça.

– É claro que a garota que mais tem imaginação para isso. Bella Swan. Edward, como não pode saber isso se ela é sua vizinha e você anda com o irmão dela?

Talvez, porque o irmão dela seja um mentiroso dizendo que o grupo não me aceitaria só porque queria que eu fizesse algo que ferisse o ego do seu namorado. E como eu entendia bem de caras como Emmett, sabia que isso era algum tipo de vingança de algo do passado, e ele estava me usando para pagar.

Mas era um filho de uma... Renée era muito legal, não merecia tal xingamento. Mas Emmett merecia uns bons cascudos por me colocar nessa.

Eu ainda tinha a chance de sair dessa furada, podia dar tchau para Karen e ir para minha casa, que mesmo com os desentendimentos com Carlisle e Esme ainda era mais seguro do que passar o dia com Emmett e Alec, só que minha mente maldosa e orgulhosa ainda se lembrava de Emmett me chamando de marica e sabia que ele faria pior que isso se eu fugisse. Então, eu estava decidido a fazer o que eu tinha que fazer correr o risco de ter meu crânio amassado e caso continuasse vivo, mataria Emmett.

Sim, eu o mataria.

– Eu... Deveria imaginar que era ela. - falei para Karen, que riu.

– Aquela garota é um... Furacão, ou algo pior. Todos aqui a respeitam porque sabe como ela pode ser. É impressionante o pique, a forma como ela vive. Você não acha? - franziu as sobrancelhas.

Sim, eu achava. Bella era animada demais, elétrica demais, tudo de mais que significasse não conseguir ficar parada. Era difícil acompanhar seu ritmo em algumas coisas. Na caminhada eu não tinha problema por causa da minha musculatura e anos fazendo aquilo, mas em quesito animação só conhecia uma pessoa que acompanhava e essa era seu irmão. Tinha a duvida que isso fosse coisa do sangue deles, apesar de Renée ser uma mulher calma. Talvez o pai deles fosse animado como os filhos.

Eu não queria ficar falando da Bella com Karen. Pra falar a verdade com ninguém. Tinha minhas duvidas sobre ela, mas não sairia falando isso para as pessoas. Eu ainda tinha a meta de descobrir o que Bella tinha e o porquê de ser assim.

– Sabe o que eu percebi? - perguntei, desviando o foco, Bella, da conversa. - Que você ainda não bebeu nem um gole da sua água.

Karen só tinha aberto a tampa, mas não tomou. Ela ficava ali olhando enquanto conversava comigo. A minha eu nem tinha mexido, continuava do mesmo jeito, lacrada.

Ela gargalhou alto, me fazendo encara-la com uma sobrancelha erguida.

– Eu odeio água com gás, Edward. Só comprei porque queria ver o que você ia fazer. - abanou o ar com a mão, ainda rindo. - E percebi que você também não gosta.

Empurrei minha garrafa pra ela, odiando ter sido pego nessa. Karen se aproximou de mim no banco, deixando sua perna encostada na minha, e tocou meu braço.

– Eu só queria ter mais um motivo para ficar perto de você.

Suas palavras me fizeram sorrir, sabendo que seria mais fácil do que eu imaginava. Uma única coisa Emmett tinha completa razão: Karen era fácil demais. Legal, mas fácil. Eu sorri de canto para ela, lançando um olhar malicioso que ela captou. Passei a mão no cabelo e logo percebi o movimento de Emmett e Alec se aproximando. Era hora de assinar meu contrato com a morte e não ser mais chamado de marica.

– E porque você iria querer ficar perto de mim?

– Você tem algo em mente? Porque eu tenho muitas coisas...

– O que eu tenho em mente... É interessante. - aproximei meu rosto do dela. - Talvez alguma de nossas ideias combine. - sussurrei.

Karen se inclinou para frente até seus lábios tocarem nos meus. Minhas mãos foram para sua cintura, a puxando para perto enquanto minha boca envolvia a sua. O plano de Emmett era que eu conseguisse beijar Karen para que todos vissem menos o namorado mutante dela. Como? Ele e Alec ficariam na frente, conversando e fingindo que não fazem parte disso, apenas que escolheram aquele lugar para parar e conversar. Era um plano mal elaborado, eu sabia, mas tinha um ponto positivo nisso tudo. Que era: Karen beijava muito bem. Se eu fosse morrer, pelo menos que tivesse aproveitado algo bom antes.

Karen passou a mão pela minha nuca, alisando, para depois descer pros ombros. Ela foi descendo mais a mão, e mais e mais. Ela estava quase lá... Quase...

– QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO AQUI?

Eu empurrei Karen com tudo, fazendo-a cair do banco com as pernas para cima. Olhei para frente e o namorando mutante dela estava entre Emmett e Alec, me lançando um olhar furioso.

FUDEO, VOU MORRER!

Duas coisas aconteceram naquele momento que eu via toda a minha vida passar diante dos meus olhos. A primeira foi Karen levantar furiosa e apontar o dedo para mim, gritando barbaridades que eu não compreendia. E a segunda foi Emmett e Alec empurrarem o namorado mutante para cima de uma mesa, fazendo-o cair. Eles aproveitaram isso para me puxarem e começar a correr pelo Pioneer Skatepark como três loucos.

Para falar a verdade eu não estava correndo, eu estava mesmo era sendo puxando pelos dois. Eles gritavam alguma coisa, mas assim como aconteceu com Karen, eu também não entendia. Estava em estado de choque com minha vida passando diante dos meus olhos, desde quando eu era bebê até hoje, aqui, prestes a morrer.

– ACORDA, EDWARD! ACORDAAAAAAA!

Senti uma dor horrível na cabeça e percebi que foi Emmett quem tinha dado um “crock-soco” ali.

– VOCÊ FICOU LOUCO?! – levantei o punho para devolver o soco.

– Shiiiiiiiiii. – Alec fez, junto de um rosnado. – Vocês, calem a boca que eles estão vindo ai.

Olhei para os lados e percebi que estávamos escondidos em algo que parecia um túnel. Aonde era eu não fazia a menor ideia porque não vi como chegamos ali. Alisei minha cabeça, xingando Emmett de todos os palavrões que conseguia pensar. Não precisava me bater daquela forma.

– Cadê aqueles desgraçados? – ouvi a voz grossa vir de um lugar perto.

– Devem ter se escondido em algum lugar.

– Droga! Aquele ruivo vai me pagar!

Já dava para saber quem era o namorado-mutante, yeah. E pelo seu tom de voz e raiva que demonstrava, ele, com certeza, queria minha cabeça em uma bandeja. Minha linda cabeça, com meu lindo rosto, em uma bandeira para um cosplay de Hulk só que bronzeado ao invés de verde. Isso era muito injusto para mim que deveria ter uma vida linda, como campeão em natação, com uma namorada loira e gostosa, só que acabaria era sendo comido vivo por um mutante.

Senti vontade de chorar naquela hora. Quero a minha mãe!

– Vamos continuar procurando!

– Podem achar aquele ruivo maldito porque ele vai saber a força do meu punho.

Pronto é agora que eu sei a minha morte e começo a chorar.

Emmett e Alec me encararam ao ouvir meu choramingo, depois soltaram uma risada. Dei um soco no braço de cada um, usando toda a força que tinha, o que fez eles resmungarem. Esperamos alguns minutos para ver se eles tinham ido embora e só havia silêncio ali. Como estávamos sós...

– AI! – Alec gritou.

– Porra, Edward! – Emmett alisou o braço, que eu havia dado outro soco. – Por que fez isso?

– Porque vocês dois me colocaram nessa fria! Agora aquela... Aquela... Aberração criada por humanos quer me comer vivo. Eu vou morrer por causa de vocês!

– Também não exagera que não vai acontecer isso. Ele não vai te comer vivo, cara... – suspirei. – Vai te dar pros cachorros dele te comerem vivo.

E mais um soco.

– Para com isso, Edward!

– Emmett, eu acho melhor você me tirar dessa furada antes que eu acerte socos nessa sua cabeça vazia. Ele quer me matar por fazê-lo ser corno, então concerta isso, e logo!

Eu era um estupido por me deixar ser levado pelo desafio. Esse era o meu ponto fraco, foi o que acabou com a minha vida em Nova Iorque e agora novamente aqui estava eu, me metendo em mais uma furada. Já estava pensando em fazer minhas malas para me mudar de novo ou então iria morrer aqui na Califórnia.

Mas ir embora seria não ter mais Bella como vizinha. E agora, ficar e sofrer o risco de ser assassinado ou ir embora e não ter mais a doida da Bella de vizinha? Será que ela aceitaria entrar na minha mala e ir embora comigo? Às vezes minha vontade era essa mesmo, de guardar Bella em algum lugar para mim.

– E como você quer que eu faça isso? – Emmett me tirou dos meus pensamentos.

– Eu não sei, se vira!

– Você quer que eu chegue ao Huck e fale “Hey, cara, não tente matar meu amigo porque a culpa não é dele, e sim minha, que o desafiei a fazer isso porque sabia que ele era idiota o suficiente para dar o troco por mim.” É isso?

– Yeah! Eu quero que você fale pra ele não me matar e... O QUE? Você o chamou de Huck? Você me usou para dar um troco que ele te fez corno?

E mais um soco.

– Que porra, Edward, para com isso! – ele alisou o lugar, emburrado.

– Me responde!

– Er...

– Responde logo. – Alec, que até então estava quieto apenas assistindo, colocou a mão no ombro do amigo.

Eu soltei um rosnado, ameaçando dar mais um soco nele se não abrisse a boca.

– O apelido dele é Huck, ok? E não é exatamente um troco... É que por causa dele o meu “rolo” com a Karen não deu certo, entende? E ela foi com a sua cara, eu apenas aproveite.

– Aproveitou? Aproveitou? Porra, você assinou meu atestado de óbito!

– Já disse pra não exagerar, Edward. Você não vai ter um porque ninguém vai achar seu corpo.

Aquilo foi o que bastou para mim, eu fui consumido por uma raiva e enxerguei tudo vermelho. Avancei em Emmett, com o punho fechado pronto para lhe dar um soco no meio da cara. Se não iriam achar meu corpo, também não achariam o dele. Sra. Swan e Bella que me perdoasse só que eu mataria aquele garoto.

Emmett desviou do meu punho, eu fui com o esquerdo, e ele não esperava, acabou sendo acertado. Encostou-se à parede do túnel, sendo segurado por Alec, que tinha um sorrisinho maldoso nos lábios.

– Eu avisei. – o mudo que fala soltou, irônico.

– Você vai morrer comigo, Emmett!

Avancei novamente nele

– Huck, encontrei eles!

Nós três olhamos para a entrada do túnel e lá estava uma daquelas aberrações de mistura, olhando para nós com um sorriso nos lábios. Trocamos olhares, os olhos esbugalhados.

– PEGUEM ELES!

– CORRE! – gritamos juntos.

Corremos para o fundo do túnel, que eu não fazia a menor ideia de aonde iria dar. Emmett ao meu lado gargalhava alto, se divertindo com a situação. Eu dei um empurrão nele, indicando que parasse. Alec corria a mais a frente, entrando de túnel em túnel, mudando o cursor. Perguntava-me para aonde ele estava nos levando, já que eu me perdi desde que entramos ali.

Podia ouvir outros passos atrás de nós, o que indicava que o Huck e o grupo dele nos seguiam. Tremia dos pés a cabeça, não querendo ser morto jogado pros cachorros sem minha mãe e meu pai saber o que aconteceu. Que pelo menos eu tivesse um velório!

– Para de choramingar, Edward, e corre!

Emmett me empurrou pra frente, e por uns vinte minutos nós seguimos assim. Eu não me cansei, ao contrário de Emmett e Alec que só faltavam colocar os pulmões para fora de tanto que corriam. Eu tive que pegar os dois pelo braço e puxar pra continuarem e correr.

– Olha ali! – Emmett apontou para uma escada que estava no final do túnel.

Corremos para lá, empurrando a tampa e subindo primeiro Alec, depois Emmett e eu ficando por ultimo. Estava quase saindo quando senti mãos me pegarem meu tornozelo e me puxarem para baixo. Emmett agarrou meu pulso e tentou me puxar. Eu estava sendo esticado e já previa sendo cortado ao meio.

– Parem! Me solta! – eu berrava, desesperado.

Porra, eu não queria morrer assim, sendo puxado por dois caras. Era muita vergonha para uma pessoa só. Balancei meu tornozelo freneticamente até acertar algo que estalou, e então Huck me soltou. Sai pela boca do buraco e olhei para baixo, vendo ele com a mão no nariz, que sangrava. Foi o ultimo vislumbre dele que tive antes de Alec fechar com a tampa.

Estava quase para cair no chão quando Emmett me puxou pelo braço para voltar a correr.

– EU VOU MATAR VOCÊS, SEUS DESGRAÇADOS! – a voz do Huck soou macabra e eu tremi.

Continuamos correndo pelo que eu reconheci ser um beco, e quando saímos demos de cara com a praia. Tínhamos corrido pelo túnel para sair do outro lado, o contrário do Pioneer Skatepark. Se misturando pelas pessoas que passavam pela calçada, seguimos em direção a grande colina que dava pra nossas casas.

Foi um silêncio por enquanto, só que Emmett era... Emmett Swan, irmão da Bella, e eles não se importavam com o perigo.

– Wow, que aventura! – falou, se apoiando em mim. – Agora me diz Edward, nós somos legais, não somos?

Eu o empurrei com força, o fazendo bater na parede.

– Fica longe de mim, Emmett. Você me colocou em uma que agora vou ter que ir embora. Mudar de cidade, de estado, de país! – joguei as mãos para cima.

– Sem exageros, Edward, já disse. Você só vai ter que mudar de planeta. – ele sorriu e mexeu as sobrancelhas de forma sugestiva.

– Vai se foder! – o empurrei de novo enquanto ele e Alec gargalhavam daquela loucura.

Alec se despediu de nós uma rua antes da nossa. Ele, com sua mudez, apenas acenou, e foi Emmett quem combinou de ele depois de se arrumar ir para a DAR ficar com ele lá, já que iria trabalhar. Depois nós continuamos a subir até chegar à nossa rua. Quando vi minha casa, um cansaço tomou conta de mim só de pensar que teria que enfrentar a ira de Carlisle e Esme ao contar pra eles que teríamos que nos mudar novamente. E também ainda teria que sequestrar Bella caso ela não quisesse vir comigo.

– Morri. – me joguei na varanda de casa todo largado.

– Não exagera Edward, porque você ainda não morreu.

Se eu não estivesse tão cansado para levantar a mão eu iria dar outro soco nele, mas só pensar em fazer isso já era cansativo e desgastante. Então apenas suspirei.

– Estou brincando, cara. – me deu um tapa no ombro e sentou ao meu lado. – Eu sei que esse dia foi bem agitado para você, cara, mas nós somos assim. Sempre.

– Estou percebendo. – abaixei a cabeça, apoiando nos joelhos. – Parece que fui atropelado por um caminhão, estou quebrado.

– Ainda não. – suspirou e eu soltei um gemido. – Relaxa, Edward, que o Huck não vai fazer nada com você.

– Como você pode saber? Ele disse que ia nos matar! – ergui a cabeça com uma careta. – Eu não quero morrer. Não ainda.

Emmett tinha um sorriso triunfante nos lábios, mais calmo do que deveria estar. Provavelmente na mente pequena dele o mutante iria só me matar e deixar ele e Alec em paz, mas pelo que parece Huck não era tão burro e deveria ter deduzido o porquê de eu ter feito aquilo já que estava com Emmett.

– Huck não é tudo aquilo que ele aparenta, Edward. O cara só se acha dono do mundo, mas tem alguém maior que ele ali.

Arregalei os olhos.

– Maior que ele?!

– Não nesse sentido. – abanou com a mão o ar. – Estou falando de poder e de causar medo. A pessoa é magrela e pequena, mas faz mais estragos que ele.

Fiz uma careta.

– Quem quer que seja eu não quero ter o desprazer de conhecer. Já basta para mim às pessoas da Califórnia. Vocês todos parecem... Loucos. É, é isso mesmo. – assenti. – Todos aqui são loucos.

Ainda bem que eu iria fugir com minha família e Bella. Não ia abandonar o plano de sequestrar ela.

– Bem. Eu acho que você vai se sentir mal então por que... Você já conhece essa pessoa.

– Conheço? – arregalei os olhos. – Oh meu Deus!

– Mas você tem sorte, Edward. A pessoa gosta de você.

– O que? Ah, cara, isso não está ficando melhor não. Como pode gostar de mim? Deve ser um maluco!

– A.

– Hm?

– Maluca. É com A no final. É uma garota.

Esbugalhei os olhos já entendendo bem sobre quem ele estava se referindo. Era magra, baixa, e fazia estragos de colocar medo. Eu conhecia, gostava de mim. E pelo que Karen me falou Bella comandava um grupo lá no Tijela. Era só ligar esses pontos para saber que a tal pessoa “maior” que o Huck era Bella.

– Bella? – minha voz saiu baixa.

– Wow, Edward Cullen é inteligente! – Emmett jogou as mãos para cima, rindo. – Isso mesmo, a coisa ruim denominada minha irmã consegue colocar medo em qualquer pessoa do Tijela. Até no Huck. Menos no gostosão aqui, claro. – piscou um olho. – Então com a Bella de volta ela vai colocar ele no lugar dele e nós vamos ficar livres.

Pensando assim até que parecia que era uma coisa que daria certo. Bella tinha cara mesmo de quem comandava aquele lugar e ela era capaz de loucuras, quem sabe até sumir com o mutante caso ele nos fizesse mal?

Isso só significava uma coisa: eu não precisaria fugir e sequestrar a Bella!

Soltei um suspiro de alivio e Emmett riu.

– Sabia que ia relaxar com isso. – negou com a cabeça. – É por isso que ainda estou vivo.

– Então mesmo você sendo o mais velho, é a Bella quem te salva?

– Yep.

Com essa eu dei risada.

– Mas... – voltou a falar. – É claro que eu também salvo ela. Eu, Rosalie e Alec. Bella é algo que às vezes sai do controle e precisa de nós. – deu de ombros.

E foi nessa pequena explicação que Emmett deu que eu vi que ali podia descobrir mais sobre meus vizinhos. Bella tinha algo, disso eu sabia, e ela me escondia. Então Emmett, o boca aberta – no bom sentido agora porque ia me ajudar -, eu conseguiria saber. Bella poderia ficar muito puta da vida comigo, mas depois eu me resolvia com ela. E claro, impedia que ela assassinasse Emmett.

– Emmett, quantos anos você tem?

– Dezessete.

– E Bella?

– Dezessete também. – o olhei, confuso. – É uma longa história o que aconteceu. Nosso pai, Charlie Swan, engravidou a minha mãe Carmen e a minha mãe Renée na mesma época.

– Hein? Você não é filho da Renée.

Ele riu.

– Sou alguns meses mais velho que a Bella e não, eu não sou filho da Renée. Compartilhamos o mesmo sangue, mas ela é minha tia. Charlie era casado com Renée e engravidou minha mãe, irmã da Renée, na mesma época. Acontece que quando tinha dez anos minha mãe teve câncer e morreu, mas antes contou para Renée o caso dela e do Charlie. Isso gerou a separação, e eu vindo morar com Renée que me criou como se eu fosse um filho e eu a vejo como minha mãe.

– Que complicado... – murmurei.

– Eu quem o diga. Foi muito mais na época, mas já passou e está tudo certo. Ou mais ou menos.

– Entendi. – balancei a cabeça. – Agora, me explica porque Bella consegue comandar o Tijela? Sério, ela é pequena, não da tanto medo a primeira vista. Ela já fez algo lá?

– Bella já aprontou muitas coisas lá, Edward. Coisas que trouxeram bastantes problemas, mas ela tem um motivo para isso. Não é nada como rebeldia pelo passado como muitas adolescentes revoltadas, nem nada disso. Eu posso te contar Edward o que acontece, mas você tem que me prometer que depois disso vai tomar a sua decisão rápida e fazer o que acha certo.

Fiquei quieto, esperando ele continuar. Não sabia o que falar, eu precisava primeiro saber.

– Não vou contar tudo, ok? Só o bastante para você se informar e se fizer a escolha certa, que eu tenho a esperança que vai fazer, você pergunta suas duvidas para a Bella. O que você precisa saber é que Bella é hiperativa.

Esbugalhei os olhos com sua revelação. De todas as coisas que passaram na minha mente nenhuma delas era a causa dessa doença. Me considerei um burro porque estava claro como água que se ligassem as coisas dava para deduzir. A forma como às vezes estavam elétrica demais, o jeito impulsivo, a mente sempre mais a frente que as outras, inquieta demais. Claro, isso era bem obvio e eu não pude ver. Estava ficando burro mesmo.

– Hiperativa? – murmurei para mim mesmo.

– Yeah. Você deve saber o que é isso. – o encarei e ele riu da minha expressão de “está tirando uma com a minha cara?”

– Porque ela não me falou isso? Quero dizer, já conversamos tanto e ela nunca tocou no assunto...

– Bella é sensível com essa parte dela e não gosta de falar para as pessoas. Aliás, você já viu alguma pessoa com DDA chegar a você e falar “Hey, mané, tenho DDA e sou um desastre, mas e ai tudo bem?”

– Nã... Não. Não era assim que eu estava querendo dizer. É que...

– Eu entendo, Edward. – ele me empurrou com o ombro. – A minha irmã sempre teve problemas com relacionamentos por causa disso, por isso tem poucos amigos. Eu, Rosalie e Alec. Antes havia mais, mas isso porque ela nunca falou o que tinha, só que quando descobriram eles ficaram assustados com isso.

– O que?

Hear You Me – Jimmy Eat World

– Eu sei, tudo idiotas. Bem, você vai entender isso quando falar com a Bella, porque eu sei que você vai falar com ela e não vai ser como esses idiotas que vão fugir dela. Bella é uma pessoa difícil de lidar, mas tem um coração enorme e é uma ótima pessoa, ou mais ou menos – rimos. – e acho que ela vale qualquer esforço. Você parece ser inteligente e um amigo fiel, Edward. Eu peço que se você não souber lidar com isso, se afaste dela logo para depois ela não sofrer. Mas se souber lidar, fale com ela e diga isso.

Emmett deu dois tapinhas no meu ombro e levantou, pegando o skate dele e atravessando o quintal para a casa dele. Eu fiquei ali fora, pensando no que havia descoberto sobre Bella e já tendo tomado minha decisão.



– Então quer dizer que você ia me sequestrar, Sr. Cullen? – Bella me lançou um sorriso malicioso. – Se soubesse cuidar de mim eu iria com todo prazer.

Eu dei uma risada nervosa, entendendo sua frase. Agora eu realmente entendia o que ela sempre queria dizer com aquelas frases de duplo sentido.

Não contei para Bella a parte de Emmett ter me contado sobre ela, enrolei uma parte qualquer até dizer que ele foi embora e que quando entrei em casa tive que lidar com uma Renesmee carente. E Bella acreditou em mim.

Depois de saber sobre sua hiperatividade eu entrei e fui para meu quarto pescando o notebook dentro de uma mala e pesquisando mais sobre o assunto. Passei a noite inteira me informando, entrei até em um site que pessoas deixavam depoimentos de como lidavam com filhos, mulheres, maridos que também tinham isso. Foi bom saber como era e perceber que não havia nada de diferente em uma pessoa com DDA e uma normal. Eu não tinha muito que aprender – apenas algo em relação à alimentação, em como lidar quando estiver em um nível alto de hiperatividade, a falta de concentração. E também o que fazer quando ela fica nervosa caso algo não saísse como quer. Eram coisas simples que qualquer pessoa podia lidar. Que eu podia lidar.

E antes mesmo de saber disso eu estava com a decisão tomada. Bella, para mim, sabendo ou não sobre a hiperatividade, seria sempre a vizinha maluquinha que gostava de se arriscar. Simples e fácil, sem nada que seja uma doença e ter que se afastar. Quem quer que sejam os babacas que fizeram isso não souberam nada do que perderam estando perto dela.

– Eu sei cuidar de você. – ergui uma sobrancelha para ela.

Estávamos em um banco que ficava de frente para a praia. Bella tinha as pernas em cima das minhas e estava encostada no braço de ferro do banco, com a cabeça jogada para trás e tomando um pouco do sol da manhã. Suas sardas salpicavam e sua pele pálida brilhava, assim como os fios loiros. Ela estava tão relaxada ali.

– Talvez. – ela sorriu, sem abrir os olhos. – Aguentaria as coisas que eu aprontaria?

– Sim. Até te ajudaria se precisasse.

– Teria paciência?

– Toda.

Ela levantou a cabeça e abriu os olhos, me encarando. O sorriso agora era divertido.

– Você não sabe o que está falando, Edward. Da pra ver que é um ótimo amigo – piscou um olho com o duplo sentido das palavras -, mas eu sou diferente.

Eu tinha planos de tocar algum dia no assunto e saber o porquê de seu medo das pessoas saberem sobre sua doença – mais especifico, quero dizer -, mas não pensava que aquela poderia ser a hora. Só que a forma como falava eu não conseguiria me segurar por muito tempo. Seria bom esclarecer tudo, acho.

– Eu sei que você é diferente, Bella. Sei muito bem. – enfatizei, lhe lançando um olhar significativo.

Seu sorriso foi sumindo aos poucos e percebi em seus olhos que ela havia entendido minhas palavras. Ficou ereta no banco, me encarando com seus olhos verdes arregalados.

– O... O que você quer dizer com... Isso? – procurou uma confirmação.

Yeah, era agora. Hora de mandar na lata o que eu sabia.

– Que eu sei que você é hiperativa, Bella.

– Como...?

Agora que eu tirava Emmett da reta. Ele foi legal me contando e colocando fé em mim de ser diferente, ele estava confiando à irmã em minhas mãos. Eu poderia retribuir não contando que foi ele e impedindo que morresse cedo.

– Eu deduzi esse dia. Pensei bastante, liguei os pontos e... – dei de ombros.

Bella olhou para baixo, piscando rapidamente. Percebi sua respiração acelerada como se indicasse que fosse chorar. Ergui a mão para pegar a dela, mas ela se afastou e pediu com um gesto que eu não fizesse.

Passou alguns segundos e levantou a cabeça, me olhando.

– Isso quer dizer que algumas coisas vão mudar.


Notas finais do capítulo
E então o que vocês acharam de tanta testosterona? Emmett é irmão da Bella, ele tem que colocar Edward em alguma enrascada kkkkkk Eu espero que vocês tenham gostado desse capitulo e me desculpem pela demora.


E agora, o que a Bella vai fazer? O inicio das aulas estão se aproximando. Tânia e sua dupla de gemeas e Alice vão aparecer, Jasper também, e pessoas novas. Vamos ver como eles agem em terreno escolar kkkkk

Agora vamos falar sobre algo importante que é o final de RN. As fãs da fanfic eu queria pedir desculpa pela demora mas como é os ultimos capitulos - dois ultimos - eu não estou conseguindo escrever. Aprendi que nao gosto de escrever final de histórias, odeio finais e é isso que está me travando :/

Bem, pessoal, é isso. Vou tentar postar um novo capitulo antes de virar o ano, mas ainda nao sei. Então qualquer coisa: Feliz Natal e Feliz Ano Novo para todas, eu espero que tenham curtido bastante 2012, e que 2013 venha cheio de surpresas e felicidades para todas.

Beijos e quem quiser seguir lá no twitter: https://twitter.com/lenara_ch e no blog: http://sumleefanfics.blogspot.com.br/




(Cap. 10) Primeiro Dia, Primeiras Impressões

Notas do capítulo
Cara, eu estou impressionada comigo mesma por estar postando esse capitulo agora, acho que é porque eu finalmente estou livre por um tempo kkk Espero que gostem, gatinhas

9. Primeiro dia, primeiras impressões.

Edward POV

Eu não sabia quanto tempo havia se passado desde que Bella disse que as coisas iriam mudar. Tinha medo de perguntar e ela dizer “Não quero você na minha vida, Edward, sendo que depois vai sair”, pois foi isso que Emmett falou que as coisas aconteciam, eu imaginei. Claro que eu não a deixaria falar isso e sair. Eu iria insistir até ela entender que eu não iria embora ou até ela ser bem especifica e clara de que não queria me queria na vida dela.

Olhei para o lado e Bella estava com a cabeça abaixada, olhando para o chão. Ela também não falara nada depois de suas palavras. Talvez me esperando disser alguma coisa?

Decidi me aproximar mais dela, sentando perto o suficiente para nossos braços poderem roçar. Podia sentir o calor que emanava do seu corpo e queria poder tocar nela para saber que nossa amizade continuaria mesmo eu sabendo dela, e que essa tal mudança que ela queria dizer era outra coisa e não se afastar. Bella tinha se tornado alguém importante para mim – tanto que eu pensava em sequestra-la só para não poder me separar dela. Poderia ser um exagero e algo que eu nunca senti por outro amigo, mas com ela sempre foi diferente. Desde quando nos conhecemos, pelas coisas que passamos, e a forma como eu a considerava. Era a mesma coisa que faria por Nessie. Um sentimento amigo que eu não conseguia explicar só que se precisasse me colocar em alguma encrencar por Bella, eu me colocaria. Sim, até ser preso por sequestra-la.

O tempo foi passando e nada dela falar alguma coisa, então decidi que eu quem teria que fazer isso.

– Quando... – minha voz saiu cortada e eu pigarrei. – Quando você disse que as coisas iriam mudar o que você quis dizer?

Bella deu um longo suspiro e me encarou. Seus olhos verdes pareciam com medo. Do que, é que eu não entendia.

– Você sabe agora o que eu tenho, Edward. De alguma forma você vai começar a agir diferente comigo, se não se afastar vai ser cuidadoso demais como Renée, Emmett, Rosalie e Alec são e eu não quero isso.

– Eu não vou.

– Vai. – assentiu rápido com a cabeça.

– Bella, - soltei o ar, perplexo. – isso não vai acontecer. Quero dizer, o que faz pensar isso? Me explique.

– Explicar?

– Yeah. Me explique o que aconteceu com você, o porque desse medo grande das pessoas saberem que você tem DDA. Porque isso não é normal.

Ela franziu o cenho pensando, depois assentiu de leve com a cabeça.

– Eu acho que eu deveria ter feito isso desde a primeira pessoa. Tudo bem, Edward. Vamos lá, vou lhe contar o que aconteceu comigo. – deu um pequeno sorriso, relaxada. Aquilo acalmou um pouco meus batimentos cardíacos e também me fez relaxar, mas não o suficiente. – Só não dou certeza se você ainda vai gostar de mim depois.

– Eu dou essa certeza.

Ela revirou os olhos.

– A gravidez de Renée não foi muito saudável. Minha mãe engravidou com dezoito anos, tinha acabado de sair da adolescência e pelo que vovó sempre fala, mamãe era bastante inconsequente e ainda mais quando conheceu Charlie. Os dois aprontavam bastante por Los Angeles, sabe. Gostavam de fazer bastantes loucuras juntos, como um casal apaixonado.

Bella olhou para frente, parecendo perdida em pensamentos. Ao contar a pequena parte em que seus pais estavam juntos ela mostrava ficar feliz, dava para ver pelo sorriso nos lábios.

– Renée fumava na época em que engravidou bem coisa de garota rebelde. Ela deveria parar, mas não e isso resultou em um bebê com problemas respiratórios e hiperatividade. No começo foi difícil de lidar, mas estava tudo bem, Renée tinha a família a apoiando e também Charlie. Eu era bastante elétrica e dava bastantes cabelos brancos à família. Ainda mais tendo a ajuda de Emmett, que nasceu no mesmo ano que eu. Você sabe a confusão que é. – eu assenti para ela, que revirou os olhos. – Tudo ia muito bem até tia Carmen descobrir que suas dores constantes na cabeça eram câncer de cérebro e quando foi tratar já era tarde. No leito de morte ela contou para mamãe que Emmett era filho de Charlie. Não gosto de ser dramática – me lançou um olhar de menina travessa e foi minha vez de revirar os olhos. Mais dramática que ela só Renesmee. -, mas naquele dia foi quando meu mundo desmoronou. Meu e de mamãe.

“Foi difícil para Renée poder voltar a ser a mulher forte que sempre foi. Passei por uma época difícil com ela, pois estava bastante triste e quase não me dava atenção e ainda tinha Emmett em casa. Ele foi morar com nós como ultimo pedido de Renée. A família esperava que Renée não acatasse esse pedido porque a irmã havia a traído, mas Renée sempre foi bondosa, e é uma das coisas que mais amo nela, pois se não fosse por isso eu e Emmett não seriamos tão próximos. Mas bem, continuando. Renée lutou e voltou a ser quem era, assim como voltou a ser minha mãe perfeita. Isso foi uma coisa importante para meu crescimento porque ajudou em eu já não ser uma antissocial que sou. Não é minha culpa, as pessoas nunca conseguem acompanhar meu ritmo.

Mesmo assim consegui amizades, Rosalie e Alec. E tinha Emmett comigo também. Demorou um pouco para os três aprenderem a lidar com a minha doença, mas eles conseguiram. Emmett uma vez chegou a me odiar, só que quando Renée lhe explicou tudo e disse que nós três tínhamos que ser unidos, ele entendeu. Mas além dos três, eu não consegui criar mais laços de amizade. Ah, claro, também teve Jacob. Ele entrou na minha vida depois de Rosalie e Alec, ou seja, eu já não sabia mais como lidar com as pessoas que não entendiam que eu não era uma pessoa normal. Na escola alguns tinham medo de mim porque eu fazia coisas que eles não tinham coragem de fazer e também desrespeitavam os maiores. Outros me achavam uma esquisita e não queriam ficar por perto. E tinha aqueles lá, você sabe, que qualquer pessoa que não seja normal não pode estar lá e fazem de tudo para fazer inferno na vida da pessoa.”

– Você sofreu bullying? – perguntei alarmado.

– Tentaram, mas não conseguiram. Isso só me fez não querer contar para ninguém que eu era hiperativa, e meus amigos me apoiaram nisso. Então as coisas que eu aprontava eles sempre estavam comigo para me ajudar, ou levar a culpa. Nós passamos bastante na sala do diretor. – ela sorriu orgulhosa. – E quando Jacob apareceu, eu não contei para ele. O cara achava que eu era animada de natureza como qualquer pessoa feliz, e eu deixava achar isso. Enquanto não afetasse nossa amizade, tudo bem. De amigos passamos para melhores amigos, você lembra o que eu te contei. Aconteceu aquela coisa clichê de amiga se apaixonar pelo amigo, ele percebe, os dois tentam, mas não da certo. Eu falei mais ou menos a verdade porque não foi apenas o fato dele não se dar bem com sentimentos intensos. A coisa toda de eu não dar atenção para ele porque não consigo, as frustrações de não conseguir fazer algo e descontar nele. Tudo isso já deixou o relacionamento balançado. Só que teve um dia que eu estava muito animada, decidi tomar café e comer coisa doce. Foi como me dar uma descarga de energia, eu estava impossível e Jacob ficou com medo de mim.

– Babaca. – murmurei por baixo da respiração e ela riu.

– Yeah, eu concordo com você. Jacob me colocou contra a parede para saber o que estava acontecendo e porque eu era assim, porque não podia ser uma namorada normal. Como ele dizia também gostar de mim, eu decidi contar a verdade achando que ele entenderia. Depois que soube ele disse que precisava pensar e entender, mas que eu não ficasse preocupada. E eu não fiquei, achava que os sentimentos dele por mim o faria entender. E por um tempo pareceu isso, só que Jacob me tratava diferente, como se eu fosse... Doente. Não era como as pessoas que cresceram comigo, era algo que me sufocava. Ele queria controlar o que eu comia, achava que eu não podia fazer certas coisas. Chegou um tempo que eu quis distancia dele, mas ainda sim eu aguentava porque gostava muito. Só que ele não era igual, não sentia o mesmo, fazia o que fazia, mas também havia se cansado. E então teve um dia que eu estava correndo e ele apareceu e falou que não dava mais, não sabia lidar e eu comecei a falar para ele não fazer aquilo que eu ia melhorar e tentar me controlar e ele falou aquela mesma coisa de “Bella, por favor, relaxa” Como eu podia ficar relaxada quando ele estava dizendo que não gostava de mim o suficiente para ficar comigo porque eu tinha um problema? Jacob foi um babaca. Me deixou ali na praia pedindo desculpas e eu nunca mais vi ele.

– Não até aquele dia.

– Isso. Não foi fácil lidar com aquilo porque era meu primeiro namorado, o primeiro cara que eu tinha gostado e achava que amava ele. Fiquei muito triste e como tudo comigo é intenso demais, a tristeza se transformou em depressão. E não ria de mim, Edward. – apontou o dedo para mim mesmo que eu não estivesse fazendo aquilo. Eu estava era com raiva de Jacob. – Eu não sou chorona, ok? Só que como eu disse era meu primeiro namorado, eu achava que o amava. E eu não sou dramática. – piscou um olho. – Renée e o pessoal tentaram me ajudar, mas sem sucesso. Me mandaram pra ficar com Charlie, e como lá eu nunca passei nada com Jacob foi mais fácil. Voltei para cá melhor, talvez possa dizer renovada. Voltei a ser eu mesma e Emmett até brincava falando que eu era filha da Renée mesmo porque passamos pela mesma coisa e superamos voltando a ser quem éramos. O meu irmão é um idiota. Eu voltei a aprontar, enfrentar as pessoas sem medo e essas coisas. Renée ainda me mandou para uma psicóloga porque eu andava agressiva demais, e essa disse que seria bom eu me focar bastante em atividades que me fazia gastar energia. Comecei com correr de manhã, depois passei a jogar tênis, basquete, futebol, vôlei, beisebol e também a nadar. Depois de correr, nadar é o que eu mais gosto. Também tem a parte de desenhar, eu sempre me acalmo com desenhos. Estava ficando boa. Mas não deixava as pessoas se aproximar de mim porque não queria passar novamente pelo que passei. Toda aquela coisa de achar que a pessoa é uma coisa e no final quando sabe sobre mim é outra. Não preciso mais de ninguém tentando me ajudar, mas só fazendo da forma errada. Já tenho Charlie para isso.

– Charlie?

– Você percebeu que faz perguntas pra eu continuar falando? – perguntou e eu soltei uma risada.

Era uma coisa boa saber mais sobre Bella, mesmo que seja a parte mais difícil da sua vida, que é lidar consigo mesma e seu hiperativíssimo.

– Esse é o plano. Continuar fazendo você falar. Vamos, me explique.

– Ninguém gosta que eu fale demais e você aqui querendo me incentivar. Deve ter problemas, garoto. – encostou o ombro no meu. – Charlie, depois que Renée pediu o divorcio, foi morar em Orlando, então ele não acompanhou as fases da minha vida e não sabe lidar muito bem com meu pequeno problema. Ele é exagerado, sempre quer controlar o que eu vou comer, meus passos, meus impulsos. Uma vez achei que ele iria ter um aneurisma porque fiz algo inconsequente.

– Tipo se jogar em cima de um assaltante? – sugeri e ela riu.

– Bem assim mesmo. Ao mesmo tempo em que é algo legal o que ele está fazendo, que é se preocupar comigo, é triste porque ele é meu pai, deveria saber! O que eu gosto, o que eu não gosto, o que Renée liberou e não liberou, só que ele não sabe. Os dois pouco se falam, apenas quando é para dar um castigo em mim e Emmett. Mas fora isso, nada. Confesso que se eles não morassem tão longe um do outro eu teria feito alguma coisa para junta-los. Sabe, igual o filme das gêmeas que são filhas de um cupido e juntam os pais. Você já assistiu? – neguei. – É bom pra tirar o tédio.

– Você é boa pra tirar o tedio também.

– Hey, está me chamando de filme de tarde que você assiste só quando não tem nada mais passando na TV?

Bella fez aquela expressão de ofendida e ao mesmo tempo divertida. Eu dei de ombros e ela me deu um soquinho no ombro, igual Emmett fez. Quem pegou a mania de quem nisso?

– Se eu sou, você também é, Edward.

– Não, eu não. Sou uma pessoa bastante agradável e legal de passar à tarde. Sou o tipo de filme que você assiste mesmo tendo outro legal para assistir.

– Claro, claro. – ironizou. – Você é filme chato de tarde.

– E você é programa de entrevista pouco famoso.

– Olhem o programa de animal.

– Olá, programa que só faz barraco.

– Está falando o programa de pesca que passa no domingo. – cantarolou.

Foi a minha vez de ficar ofendido.

– Hey! Agora você pegou pesado, Bella. Isso magoou, ok? Porque não tem nada pior que programa de pesca. – bufei.

Virei o rosto, fazendo drama. Claro que era apenas encenação porque não tinha magoado nada, só queria deixar Bella culpada como ela fazia comigo. Era hora de dar o troco.

Olhei pelo canto do olho e Bella estava com as sobrancelhas franzidas e me encarando.

– Alguém já disse para você que fica um chame emburrado, Edward? – me virei para ela não acreditando naquilo. – Esse bico que você fez foi bem fofo. Posso apertar sua bochecha? – ela avançou, apertando minha bochecha.

Eu tentei me soltar de suas mãos, mas não conseguia. Bella estava rindo enquanto se divertia à custa das minhas bochechas que ficavam doloridas. Eu poderia me esforçar mais para tira-la, mas vê-la dando uma gargalhada tão gostosa como aquela me impedia. Quando ela sentiu que tinha apertado o suficiente, soltou.

– Agora você está vermelho. Gato. – piscou um olho e depois gargalhou novamente. – Vou começar a fazer isso com você, Edward.

– Claro, claro. – bufei, alisando minhas bochechas. – Com uma condição. Tem que me deixar levar você na minha mala se eu precisar fugir.

Bella riu ainda mais.

– Você não vai precisar fugir, Edward, eu vou cuidar do Huck e ele nem vai pensar em fazer algo contra você. Ele sabe das regras lá no Tijela que é não mexer com meus amigos. – deu de ombros. – Antes de responder se você vai poder me levar na sua mala, caso precise, eu preciso que você me responda uma coisa.

– Só perguntar.

Bella mordeu o lábio inferior e remexeu as mãos de forma nervosa. Percebi que não era nada divertido o que iria perguntar e pela forma que enrolava para perguntar, ela tinha medo da resposta. Era tão fácil para eu reconhecer os gestos dela, mesmo que tivesse convido pouco tempo para que isso acontecesse.

– Eu preciso saber como você será comigo a partir de agora, Edward. Não sou fácil e ainda mais quando estiver atacada. Você pode achar que vai conseguir lidar, mas ainda não viu como funciona. E eu não quero que veja caso ainda esteja indeciso.

Ela me lançou um olhar triste e depois abaixou os olhos para as mãos. Eu me aproximei mais dela, colocando minha mão em seu rosto para ela poder me olhar.

– Eu não estou indeciso. – dei um pequeno sorriso. – Eu sei que vai ser algo difícil mesmo sem saber como acontece, só que Bella, eu realmente gostei de você e da sua amizade. Qual é, você é minha vizinha gostosa, tem que ser minha amiga. – revirei os olhos e ela riu. – Aqui, agora, eu posso prometer para você que quando precisar de mim eu estarei aqui. Se quiser descontar suas frustrações em mim, sou todo seu. Não é como se eu não soubesse lidar com isso. – Carlisle fazia e ele não me avisava ou me dava à chance de fugir, pensei. – Eu não quero ser mais uma pessoa que te deixou pelo que você é, Bella. Ao contrario, quero estar aqui e com você. E não vamos esquecer que você ainda está me devendo dois terços de uma divida, lembra?

– Como esquecer? – ela revirou os olhos.

– Pois bem. Não precisa se preocupar que eu vá embora porque eu não vou. Só se eu tiver que fugir, mas como eu disse vou te sequestrar então... Se prepara, Bella, para eu ser mais uma pessoa importante na sua vida que vai te irritar, defender, te aguentar. E então, vizinha gostosa, vai deixar eu te colocar na minha mala?

Bella abriu um sorriso tão aberto e feliz que de todos que eu já tenha presenciado dela, aquele foi o mais bonito. Ele me fazia bem porque eu sabia que ela estava bem e que as mudanças não seriam nada demais. Eu iria aprender como conviver com Bella se precisasse – o que acho que não porque para mim ela era completamente normal. Não tinha nada de mais ser elétrica, isso eu podia lidar. Já tinha lidado antes de saber da hiperatividade e isso não iria mudar.

– Tudo bem, Edward. Eu deixo você me colocar na sua mala. Só que já vou avisando que vou lutar contra para fazer um pouco de drama, mesmo eu querendo ir, ok? É que eu curto bastante o teatro.

– Por mim ok. Só, por favor, não lute muito contra porque você parece ser forte. – toquei seu braço fino e ela fez uma careta mostrando a língua. – Eu também curto teatro. Sou um bom ator. – pisquei um olho para ela.

– Então vamos fazer uma bela dupla.

– Com certeza, vizinha. Sabe o que eu sempre quis fazer? Fechar um pacto.

– Wow! – ela se animou, novamente jogando as pernas por cima das minhas. – Eu também sempre quis fazer. Tentei com Rosalie, mas ela é bastante chata quando quer. Não queria cortar a palma da mão e nem cuspir, então eu desisti. – deu de ombros. – O que nós vamos fazer?

– Não temos nada que corte aqui... – olhei ao redor e ela assentiu. – E se for pra trocar cuspi...

E então eu a peguei de surpresa, colando meus lábios aos dela como ela tinha feito uma vez comigo. Claro que eu estava fazendo porque queria e não porque me perdi em pensamentos como ela fez. Bella arregalou os olhos, mas não se afastou. Contei cinco segundos até me afastar, sorrindo.

– Pronto. Fizemos o pacto.

Bella continuou paralisada ali, sem piscar. Eu já tinha presenciado aquilo então esperei ela voltar ao normal, o que demorou um pouco.

– Edward... – levantou a mão, balançando o dedo. – Menino, um dia você me mata... Ah, e esse negocio de vizinho gostoso só cola comigo. Você é meu vizinho gostoso e eu quem te chamo assim. – piscou um olho, sorrindo e depois levantou em um pulo. – Chega de descansar e vamos voltar a correr.

Ela saiu correndo e eu fui atrás dela, rindo do que ela falou.

1 SEMANA DEPOIS...

Bella POV

– O que você está fazendo?

Eu levantei a cabeça na mesma hora e dei um sorriso amarelo para Edward que estava encostado na janela do Jeep.

– Estou procurando um CD que deixei aqui no Jeep, mas parece que Emmett já sequestrou ele. – revirei os olhos. – E então, preparado para o primeiro dia de aula? – mexi as sobrancelhas para cima e para baixo.

Edward franziu o cenho em uma careta e torceu o lábio inferior, o que era uma coisa bem legal que ele fazia quando algo lhe desagradava.

– Nem um pouco. – falou.

Percebi que ele estava com a mochila nas costas e pronto para ir.

– Então vamos nós dois juntos a contra gosto para aquele lugar. Entra ai. – chamei.

– Hm... – Edward olhou para a casa dele e depois de volta para mim.

– Se esta procurando a Renesmee saiba que ela já foi. – avisei e Edward arregalou os olhos. – Com o Emmett. – respondi sua pergunta muda.

A garota tinha feito amizade com meu irmão e eles passaram a semana conversando já que ele só trabalhava nos fins e na semana era um desempregado. Não era algo que agradou muito o Edward, mas isso porque ele tinha bastante ciúme da irmãzinha. O que ele não sabia era que o interesse de Renesmee não era em Emmett e sim na outra pessoa que tinha praticamente a pele colada a de Emmett. Alec. Os dois sempre andavam juntos e Renée falava que iriam se casar para poder morar junto, o que fazia meu irmão e Alec imitar sons e gestos de vomito. Não sabia o que era mais nojento, imaginar a casa deles quando morassem juntos, que ia ser uma nojeira, ou os vê fazendo aquilo.

– Vamos lá, Edward. Eu te dou uma carona e ainda posso te seduzir um pouquinho.

Edward negou com a cabeça, rindo e entrou no Jeep. Como havia desistido de procurar meu CD, liguei o carro e acelerei, seguindo a caminho do meu lugar. Ou mais ou menos. Qual é, eu era mais conhecida que o diretor e olha que ele fazia palestra. Emmett uma vez não acreditou em mim e eu me fantasiei de menino e fui fazer a pesquisa.

Eu:– Você conhece o Turner?

Pessoa 1: – Quem?

Pessoa 2: – Er... Não.

Pessoa 3: – Não é o carinha lá da que fez aquele negocio bem naquele lugar bem longe?

Pessoa 4: É de comer?

Claro, tudo bem que o ultimo podia não contar já que o cara estava chapado. E me chapou também só com a fumaça do unzinho dele. Mas foi uma pesquisa justa porque depois perguntei de mim.

Eu: – E você conhece a Bella Swan?

Pessoa 1: - Claro! É aquela garota que colocou fogo em uma das carteiras com o isqueiro do parceiro?

Pessoa 2: - Com certeza. A menina uma vez prendeu uma professora no armário para mim, já que ia ter prova.

Pessoa 3: - Se conheço? Ela conseguiu fazer o diretor Turner ter cabelo branco antes da hora!

Pessoa 4: – Conheço sim, é a loirinha lá que fez a revolução demais hora do intervalo. Ela é fera porque conseguiu.

Dessa vez o ultimo podia contar porque mesmo chapado ele me conhecia e sabia o que eu tinha feito. O Turner era desconhecido perto do meu nome. E eu não estou me gabando, ok?

– E então, como é lá em Los Angeles High School? – Edward perguntou.

– Hum... É algo como... Welcome to the jungle We got fun and games We got everything you want – fiz uma imitação horrível da voz do Axel Rose, o que fez Edward gargalhar. – Bom, pelo menos comigo é assim. O resto… É chato. Bler. – coloquei a língua pra fora.

– Bella, meu amor, o que você já fez naquele lugar?

Eu varri minha mente lembrando todas as coisas que aprontei no High School e lembrando cada uma, sendo uma pior que a outra, eu optei por não contar ao Edward. Vai que isso o faz procurar outro grupo para fazer parte na escola. Claro que ele disse que sempre estaria comigo e me aguentaria, mas o cara ainda não viu o que eu faço. Nessa semana ele agiu normalmente – algo completamente diferente do Jacob. Não que eu estivesse comparando os dois... Não, que isso... Ok, um pouco. Mas não me julgue, era a primeira pessoa que entrou recentemente na minha vida, sabia o que eu tinha e continuava sendo ela mesma. Eu precisava esfregar nas lembranças ruins que coisas boas poderiam acontecer às vezes.

- Claro que é o que qualquer pessoa vai fazer na escola, Edward. – me fiz de inocente e ele me lançou um olhar de tédio. – Tudo bem, você sabe que eu não sou santa. Edward, eu apenas dou diversão para aquelas pessoas. Nada de mais.

– Tenho medo do seu nada de mais, Bella. – ele arregalou os olhos para dar ênfase as suas palavras, o que só me fez rir. – Mas eu só quero ter em mente do que vou participar.

– Só isso? – perguntei e Edward assentiu. – Então vou falar que comigo você vai fazer varias visitas do Diretor Turner, mas relaxa que o cara é bem legal e nunca me deu mais do que uma detenção ou suspensão.

– Isso quer dizer que você não é tão má lá?

Eu tive que gargalhar dessa. Eu não era uma pessoa má e nem fazia coisas más também, apenas coisas divertidas.

– Não, não. Ele acha que eu sou possuída ou algo do tipo. – dei de ombros. – Parece que ele é católico e tem fé que um dia eu melhore.

Edward não falou nada e quando olhei para ele, estava me encarando com olhos arregalados.

– O que? – perguntei.

– Estou esperando você me dizer que ele mandou exorcizar você.

Foi minha vez de arregalar os olhos.

– Como você adivinhou? Eu acho que você deveria trabalhar de vidente com Emmett! Vou falar com meu irmão porque você é bom pra caralho, Edward.

Como se fosse possível os olhos dele se arregalaram ainda mais. Ele deve ter percebido que eu estava falando sério sobre o negocio de exorcismo. Diretor Turner realmente fez aquilo por causa da religião dele, mas não adiantou de nada porque meu problema não era coisa de possessão e sim algo mais científico, como doença. Mas eu estava me divertindo vendo ele e um padre falarem algo em latim e jogar uma água que tinha um cheiro bom em mim. Fora que tinha uma irmã que ficava rezando bem rápido e me lançando olhares de medo. Foi à cena mais engraçada que presenciei na sala do diretor. Quando contei para Renée ela queria colocar um processo na escola, mas eu não deixei porque amava o Diretor Turner e não o culpava por eu ser quem era e ele ser quem era.

– Eu acho que estou ficando com medo de ir para essa escola. – Edward falou com uma voz fininha.

– Pois já é tarde, amigo, porque nós chegamos.

Eu entrei com o Jeep no estacionamento da escola, que já estava lotado. Havia vários carros e um deles – que pertencia a um garoto do time de futebol americano – tocava algum rock alto, chamando a atenção das lideres de torcida para lá. Eu reconhecia aquele lugar de uma ponta à outra. Um canto ficava os nerds, que se cumprimentavam alegres por voltarem do recesso. Tinha também os góticos que mesmo estando um sol de rachar e um calor – ainda que confortável e fresco – eles usavam roupas pretas e longas. E muita maquiagem escura. Fui em direção aonde era a minha vaga, e o carro de Emmett estava lá. Ele, Renesmee e Alec conversavam animadamente. Bom, Emmett e Renesmee conversavam e Alec só ficava ali prestando atenção. Traduzindo: babando na irmã de Edward. Estacionei o carro.

– Eu ainda não entendo porque você e Emmett tem Jeep. – Edward comentou olhando para o Jeep branco do meu irmão.

– Ganhamos nossos carros na mesma época e nos apaixonamos por Jeep. – dei de ombros. – Só que os modelos são diferentes, então não é tão igual. E... – peguei o rosto dele e virei para mim. – Se falar que esse carro é grande demais para mim eu vou lhe dar um chute no seu traseiro gostoso. – sorri e pisquei.

Desci do carro, com a mochila jogada em um ombro. Fui cumprimentar Alec, lhe dando um tapa no ombro, tirando-o do transe, e ele me lançou uma careta.

– Animado hoje, amigão? – perguntei para ele.

– Não.

Alec odiava a escola e acho que isso se devia ao que Emmett e eu o colocávamos em algumas furadas. Ele gostava de diversão, só que sem exageros. Antes ele era mais animado para isso e nem se importava, só que desde que a vagabunda da ex dele fez a merda, Alec mudou bastante. Eu ainda tinha em mente que iria me vingar dela, mas Alec me fez prometer que não, então por isso não tinha feito nada. Mas estava esperando ela dar o passo errado para eu poder soltar minha fúria em cima dela.

– Edward, vem aqui! – Emmett chamou o ruivo, que tinha acabado de se aproximar. Ele foi desconfiado até ao lado do meu irmão. – Fica aqui do meu lado.

– Por quê? – Edward perguntou ainda mais desconfiado.

– Olhe ao redor... – eu olhei para aonde ele apontava. – Estamos chamando a atenção de todas as gatinhas dessa escola. Nós somos lindos demais!

Revirei os olhos para a babaquice que Emmett estava falando. Não era ele quem estava chamando a atenção e sim Edward. Só Edward. Era carne nova – e gostosa - as meninas iria tudo cair matando em cima do Edward. Emmett só estava se aproveitando disso já que ele era de casa e não recebia mais tanta atenção. Eu percebia que a maioria daquelas meninas assanhadas dali estava passando perto de nós para poder ver melhor Edward.

Sorrateiramente eu me aproximei do ruivo, parando ao seu lado e lançando olhares raivosos para elas. Não estava com ciúmes nem nada, era que como primeiro dia eu tinha que mostrar para elas que Edward era meu amigo e que para chegarem perto tinham que fazer por merecer. Era assim que funcionava com Alec e Emmett. E talvez, só talvez, eu estive sim com um pouco de ciúmes delas, mas isso porque estava com medo de Edward ver que tinha meninas bonitas e pessoas mais legais que nós e fosse para outro grupo. Ele tinha se limitado a nós desde que chegou e agora havia um mundo novo e com novas pessoas. Eu não podia dar bobeira com isso não, tinha que mostrar para Edward que ali ainda éramos muito legais.

Eu desviei o olhar para a entrada do estacionamento quando vi o vulto de um carro vermelho entrando. Era Rosalie e ela veio estacionar entre o meu e o Jipe de Emmett. Assim que saiu do carro usando um short jeans e uma blusa de alças, muitos caras estavam olhando. Era assim, eu espantava e ela atraia. Éramos opostos ao mesmo tempo iguais. Rosalie e eu servíamos perfeitamente uma para a outra e teve um tempo que chegaram a falar que éramos lésbicas por causa da nossa amizade. Bando de pessoas com mente limitadas. E quem causou isso foi à pessoa mais odiosa desse lugar...

Eu procurei pelo estacionamento pelo meu inferno pessoal. Foi fácil encontra-la, pois era o ponto rosa e loiro perdido no colorido. Percebi que ela me encarava também e quando viu que eu a olhava, ela acenou para mim com seu sorriso esnobe. Eu retribuí o aceno, também sorrindo. Tínhamos voltado para a escola e nossa rixa também voltaria. Minha maior diversão ali: Tânia Denali.

Tânia POV

– Parece que Isabella Swan tem novos integrantes naquele grupinho estupido dela. – falei para as meninas, ao abaixar minha mão.

As meninas concordaram comigo. Aquele grupo era o pior de todos da escola, e ainda tinha algumas pessoas que queriam fazer parte. Não sei o que viam de bom ali tendo Isabella como líder porque ela era uma desnaturada que só sabia fazer confusão e nada mais que isso. Eles não sabiam valorizar estudar na melhor escola do estado, pareciam arruaceiros. Tinha que ser aquele grupo.

– Olha, Tânia, é um garoto da lanchonete. – Alice falou apontando para o ruivo que estava ao lado de Bella.

Eu não pude olhar direito para ele no dia da lanchonete já que Bella decidiu aprontar mais uma e avançou para cima de mim. Foi uma coisa horrível o que ela fez e eu tive que ir urgente no melhor salão de beleza pagar o dobro para me atenderem na hora e poderem concertar o estrago que ela fez no meu cabelo e na minha pele. Mamãe só faltou me comer viva dizendo que eu tinha virado uma delinquente brigando na rua. Claro que ela não sabia que era Bella Swan a causadora daquilo. Eu nunca iria esquecer aquele dia e nem de quando ela atacou um copo na minha cabeça e me fez desmaiar e isso porque decidi provoca-la falando do amigo dela, esse ruivo. Tive que usar muita base e pó para esconder o hematoma que ficou na minha pele perfeita da testa.

O garoto que estava com ela não combinava nada para estar ali. Ele parecia se sentir bem com eles, mas ainda sim quem olhava de fora via que não era o grupo para ele estar. Era bonito e a forma como se comportava era elegante, como um verdadeiro garoto da classe alta. Eu conhecia bem o tipo dele e seu jeito me lembrava muito meu paixão. Os dois se dariam tão bem...

– Esse garoto não deveria estar ali. – falei para elas, que assentiram. – Eu tenho pena dele por andar com aqueles delinquentes... Algumas de vocês sabem o nome dele?

– Não. – as três murmuraram juntas.

Virei minha cabeça para encara-las e as Irina e Kate se encolheram. Ergui o queixo, já sentindo na ponta da língua o doce saber de comando.

– Então o que estão esperando para saber? – perguntei com a voz baixa.

Não deu nem um segundo e as três sumiram da minha frente indo procurar informações sobre o garoto. Naquela escola havia apenas duas pessoas que comandavam – e brigavam para ser um comando único. Eu e Bella. Eu tinha que saber quem entrava quem saía. Tudo! E com essas emprestáveis as coisas estava indo por água a baixo. Se as gêmeas não fossem minhas primas eu iria demiti-las do cargo de minhas amigas e seguidoras, mas mamãe disse que eu não posso fazer isso. Maldita família!

– O nome dele é Edward Cullen. – Alice apareceu do meu lado, ofegante. – Ele veio de Nova York e é vizinho da Bella. Está no segundo ano como nós. A garota ruiva se chama Renesmee Cullen e é a irmã mais nova dele, está no primeiro ano.

– Legal... – murmurei.

O garoto com certeza fazia parte do socialite de Nova York, e eu percebia olhando para as roupas dele. Não deveria estar naquele grupo, não fazia parte. Ele fazia parte do meu tipo de grupo, isso com certeza. Podia visualiza-lo passando a hora do almoço conosco e também indo para as festas. Sim, o garoto era para estar no meu grupo e eu faria com que fosse.

Quando as gêmeas apareceram para me contar o que elas descobriram eu apenas ignorei. Elas eram lerdas demais e Alice fazia o trabalho de forma mais útil. Era uma pena ela ter sido tão fraca no começo da high school e ter se arrependido tarde demais, pois senão fosse por isso ainda seria meu braço direito. Mas as gêmeas foram mais leais a mim.

Continuei olhando para Edward Cullen para poder ver mais como ele era quando uma pessoa passou na frente, chamando a atenção dos meus lindos olhos azuis. Tudo pareceu ficar em câmera lenta. Ele continuava lindo e perfeito como sempre foi. O cabelo castanho claro com alguns fios loiros brilhava ao sol e sua pele bronzeada de surfar todos os dias no recesso me dava vontade de passar a mão. Aqueles olhos azuis tão lindos. E aquele sorriso de canto que fazia meu coraçãozinho bater acelerado...

– Ah meu Deus... – murmurei ofegante, olhando para o meu grande amor. – Eu acho que vou desmaiar... Me segurem...

As gêmeas me seguraram e Alice começou a me abanar, pedindo para que eu não desmaiasse.

Brand Collin, o cara mais gato e perfeito de toda Los Angeles. Eu o amava desde que o vi pela primeira vez e todas às vezes ele conseguia me deixar sem ar e fazia meu coração acelerar. Quando sorria parecia que nada na minha vida poderia ficar mais perfeita do que o ver sorrindo – ainda mais quando era para mim. Eu não conseguia me segurar quando o via porque a sua beleza digna de Deus Grego fazia todo meu folego sumir e minha mente escurecer, focada apenas nele. Fazia tantos dias que eu não o via que essa reação...

– Tânia? Tânia? – Alice me chamava, enquanto ainda me abanava.

Ao mesmo tempo em que tentava manter a consciência eu seguia Brad com os olhos, o vendo ir à direção do grupo que ele fazia parte. Os meninos da natação. Chegou sorridente, cumprimentando os amigos com apertos de mãos. Aquele sorriso... Deus, como alguém podia ser tão perfeito como aquele garoto era?

Meu primeiro e único amor.

Ouvi ao longe o sino tocar e via de relance as pessoas passarem para entrar no prédio. Mas meus olhos estavam focados nele, que continuava sorrindo e falando com os amigos dele.

– Se Tânia morrer, pessoal, nós fazemos uma festa!

Aquela voz... Argh, era de Bella. Ela passou por mim, rindo junto do grupo dela. Piscou um olho para mim e continuou seu caminho. Ela não merecia minha atenção quando Brad estava ali, tão lindo.

– Me coloquem reta! – falei rápido para as meninas que me colocaram em pé bem na hora que Brad virou para mim.

Ele abriu ainda mais seu sorriso e acenou de longe. Suspirando, eu também acenei. Ele era tão lindo e tão perfeito, eu nunca me cansaria de pensar isso. De olhar para ele... Sonhar com ele...

Quando Brad virou as costas eu senti novamente que ia desmaiar e as meninas me seguraram. Demorou alguns segundos para eu conseguir me manter consciente e voltar a poder ficar de pé por minha própria conta. Alice passou um lenço na minha testa e pescoço e as gêmeas passaram pó, me fazendo voltar à perfeição completa. Porque convenhamos, eu era perfeita.

– Ai ai. – suspirei sonhadoramente. – Um dia Brad Collin me mata com esse sorriso.

Ouvi as meninas concordando comigo. Passei a mão nos meus sedosos cabelos e sorri.

– Pronto, meninas. Vamos entrar porque não vejo a hora de voltar ao meu reino. – olhei para Brad entrando com os amigos dele. – E conseguir conquistar meu príncipe.

Como uma verdadeira dama que eu era e tendo toda a habilidade e graça no meu andar, eu desfilei para dentro do prédio escolar, pronta para o que iria vir nesse semestre.

Edward POV

– Uh, Edward, parece que você deu sorte. – Bella falou olhando para minha folha de aulas. – Das seis aulas que nós temos, quatro você tem comigo. Isso não é bom? – sorriu animada para mim e piscou um olho.

Estávamos seguindo para a primeira aula, andando pelo corredor movimentando.

– O que você acha disso? – perguntei apenas para manter ela falando.

Minha mente estava mais preocupada com outra pessoa no momento.

– Eu acho que é o destino dizendo que nós temos que ficar juntos, Edward. – ela fez piada, mas o meu recente mau humor não me deixou rir. Isso fez ela me dar um tapa no braço. – Deixa de ser chato, Edward. Olha, Alec e Renesmee vão se dá bem, você vai ver e isso é ótimo.

– Não quando esse “bem” não significa apenas amigos. – bufei e cruzei os braços. – Eu conheço a minha irmã e conheço aquele olhar que eles dois ficam lançando um para o outro. E eu estou de olhos nos dois. – apontei para meus olhos.

– Edward, pelo amor de Deus, relaxa! – Bella jogou as mãos para cima e suspirou. Ela parou no meio do corredor e me fez parar também, ficando na minha frente. – Os dois vão ficar bem e você tem que parar de ser tão ciumento com a sua irmã. Não é como se ela fosse alguma menininha indefesa de treze anos. A garota já tem o que? Quinze? Dezesseis? Ela sabe o que faz e sabe se dá com garotos. Então para com isso, ok? – colocou as mãos no meu rosto para me fazer encara-la.

– Ok. – murmurei a contra gosto.

– Então agora tira essa carranca porque hoje é o primeiro dia de aula depois do recesso, você tem que fingir mostrar que está feliz. E pensa comigo, não é como se seu caso fosse pior que o meu. Você tem que lidar com um cara que só troca olhares com a sua irmã e não fala uma palavra. Ele não vai soltar cantada! Agora eu tenho que lidar com centenas de garotas assanhadas olhando para você e elas falam, ou seja, elas soltam cantadas! Olha para esse corredor – apontou e eu olhei, vendo todo mundo olhando para nós dois ao passar. Uma garota de cabelos negros vinha em nossa direção e quando percebeu que eu a encarava, ela soltou uma risadinha do tipo de flerte. – Viu? – Bella me fez olha-la de volta. – Isso sim é uma coisa chata.

Ela fez um bico de emburrada e aquilo me desarmou totalmente, me fazendo esquecer um pouco Renesmee e me focar na Bella.

– Isso é ciúme, Bella? – provoquei.

– Não, não é ciúme. É que hoje é o primeiro dia e eu tenho que mostrar pra todas essas garotas que você é meu amigo e que elas têm que ter medo de se aproximar de você ou sequer pensar em fazer isso. Faz tempo que eu não preciso fazer isso, desde que começamos no high school, então estou enferrujada.

Foi impossível não sorrir diante da explicação dela. Quando fiz isso, ouvi alguns suspiros.

– Não faça isso! – Bella apertou meu rosto. – Edward, não complique. Não fique emburrado porque você tem o biquinho mais fofo que eu já vi. Também não faça cara de confuso porque também é fofo. E nem de bravo porque é sexy. E não sorria também! – Bella parecia um pouco desesperada pela forma que falava. – Caramba, Deus, porque me mandou um vizinho tão gostoso assim?! – falou alto olhando para cima.

Tudo bem, o que aquela garota estava fazendo? Ela novamente se perdeu em pensamentos e tinha se esquecido de que estávamos no meio de um corredor lotado de pessoas, que ouviram o que ela falou e agora nos encarava. Eu estava ficando constrangido...

– Bella... – a cutuquei, que voltou a me olhar. – Que tal continuarmos andando, hm?

– É mesmo, temos que chegar à nossa sala. – ela pegou minha mão e me puxou.

Percebi que ela estava murmurando algo enquanto andava e não tinha largado aquela ideia de que tinha que mostrar para todos que eu era amigo dela. Por algum motivo ela queria fazer isso e eu não sabia qual era.

Nós finalmente chegamos a nossa primeira aula, de História Norte Americana, que fazíamos juntos. A sala já estava lotada. Bella me puxou para o ultimo lugar, que estava vazio como se esperasse por ela. No caminho percebi um rosto conhecido, que era da garota que Rosalie bateu na lanchonete.

Assim que sentamos, eu me virei para Bella, que estava sorrindo.

– Er... Bella, porque você está fazendo isso? – perguntei para ela.

– Porque eu estou protegendo você, Edward.

– Me protegendo? Do que?

– De garotas como Alice Brandon. – apontou para a garota da lanchonete, que ao ouvir o nome dela olhou para trás e lançou um olhar furioso para Bella. – Vira para frente novamente, idiota, porque ninguém te chamou. – e foi o que ela fez. – Então, como eu ia dizendo. Tem garotas nessa escola que tem cara de santa, mas é o demônio em forma de pessoa. Elas são bonitas, sensuais, meigas, menininhas e fazem os garotos se apaixonarem para no final dar o bote e magoar eles. Aqui é o contrario das outras escolas, Edward. Então eu não quero nenhuma fazendo isso com você porque você vai se apaixonar por alguma garota daqui, eu sei. – ela deu um suspiro. – E é nessa hora que nossa chance de casar vai por agua a baixo. – murmurou baixo para si, mas eu escutei e arregalei os olhos.

– Bella, isso é por causa do Alec? – perguntei, lembrando que ela havia me contado o que aconteceu com ele e o porquê de ser mudo.

– Yep. – suspirou. – Eu já ficava com um pé atrás com essas garotas, mas depois que aconteceu isso eu fiquei super protetora com meus amigos. Não quero que nada aconteça com você, Edward. – colocou uma mão no meu ombro. – Porque se acontecer eu vou atrás dessa garota, vou matar ela e vou pegar alguns anos de prisão por causa disso. E eu e lugar fechado não combinamos.

– Ah. – soltei, sem saber o que falar.

Era legal da parte dela também querer me proteger como eu queria fazer com ela. Mesmo. Mostrava que eu tinha feito uma escolha certa escolhendo Bella para ser minha amiga, e cada vez que passava o tempo e eu a conhecia mais, minha certeza aumentava.

Mas minha falta de resposta não era porque fiquei sensibilizado pelo que ela falou, mas sim porque eu fiquei em duvida se acreditava ou não na parte de “vou matar ela”. Bella parecia que teria coragem de fazer isso...

– E nem adianta implorar para eu não mata-la porque você a ama porque dessa vez eu não ouvir. Já deixei uma passar – ela falava com a voz alta, como se direcionasse a alguém dali. Todos estavam olhando para nós. -, mas a próxima não. Ouviram, meninas?

Algumas assentiram e voltaram a olhar para frente, mas duas continuaram a olhar para Bella. A tal de Alice e outra garota morena.

– Bom dia, alunos! – o professor de óculos fundo de garrafa e gravata borboleta entrou na sala. – Felizes de voltarem para a escola?

Todos o receberam bem, e eu percebi que era um professor legal e que gostavam dele. Até Bella, que quando o professor esquisito passou perto de nós, trocou um toque com ele.

– Esse professor é gente fina, Edward. – ela murmurou para mim. – Ele deixa você dormir na aula contanto que tire nota boa no final. Legal, não é?

Sim, isso era muito legal porque eu sempre dormia em aula de História Norte Americana. E foi o que eu e Bella fizemos no primeiro dia de aula na primeira aula. Éramos uma dupla perfeita ali.

Emmett e eu seguíamos para o refeitório, tínhamos acabado de sair da sala de Química. Essa aula eu tinha com ele e não com Bella. O professor era um tremendo de um chato e o pior era que por ele ser jovem as meninas ficavam sempre chamando ele, dizendo que tinha duvida só para ter a atenção dele. Todas ao mesmo tempo. Ou seja, sem aula direito.

– Eu já pedi para Bella me dar uma ideia que faça esse professor sumir da escola, mas ela tem pena dele. – Emmett deu de ombros. – Eu tenho esperanças de quando ele sair, entre uma professora gostosa igual a ultima.

– A ultima? – perguntei para ele, que sorriu malicioso.

– Yeah. A ultima professora antes desse mané. A Srta. Sindy era a melhor professora de todas, além de ser muito gostosa. Só que ela foi expulsa por ter casos com os alunos. – mexeu as sobrancelhas.

– Me deixa adivinhar, você fazia parte desses alunos?

– Yeah. – ele alongou a palavra. – Não quero me gabar nem nada, Edward, porque sou uma pessoa humilde... – claro, igual à irmã dele, pensei. – Mas a Srta. Sindy dizia que eu era seu melhor aluno. Porque eu era o mais inteligente de todos.

– Caramba. – falei surpreso por aquilo.

Emmett não parecia ser uma pessoa de QI alto.

– Eu sei. Os outros foram expulsos por serem descobertos que tinham o caso com ela, já que ficavam se gabando. Mas o Emmett aqui não. Ele nunca se gabou e está nessa escola até hoje. Agora só você e a Bella sabem disso. – ele levantou um dedo como se me alertasse.

– Não se preocupe, não vou contar a ninguém.

Nós sorrimos cumplices.

– Que bom. Então, pelo que parece, o Diretor Turner gosta de colocar os professores iniciantes nas aulas de químicas, já que os velhos não nos suportam quando estamos animados para fazer experimentos. É algo chato quando eles brigam. E na lógica se tirarmos o professor mané da escola...

– O Diretor Turner vai colocar uma professora gostosa. – terminei a linha de raciocino dele.

– Isso!

– Emmett, temos que descobrir uma forma de fazer isso. – falei rindo e nós trocamos um aperto de mão.

Entramos no refeitório e Emmett soltou um assobio quando várias cabeças viraram na nossa direção.

– Edward, você chama mais atenção do que o David Beckham. – falou e depois abriu um sorriso. – Vou adorar ser seu amigo.

Revirei os olhos para o idiota interesseiro e fui para a fila comprar algo para comer. Parei atrás de uma garota loira, que percebendo minha presença virou para trás. Eu a reconheci logo, era a tal de Tânia Denali que Bella tinha brigado. A que ela sempre que podia fazia alguma piadinha com o nome. Admito que elas tenham graça.

Tânia também pareceu me reconhecer, pois abriu um sorriso para mim e se virou de forma que ficasse de frente para mim.

– Oi. – falou com a sua voz fina e infantil que combinava perfeitamente com ela. Estendeu a mão para mim e eu apertei, querendo ser educado. – Meu nome é Tânia Denali e você é...?

– Edward Cullen.

– Ah, o aluno novo.

– Como se não soubesse. – Emmett murmurou atrás de mim soltando uma risadinha.

Eu decidi ignorar ele e continuar sendo educado com a garota.

– É um prazer conhece-lo, Edward. Parece que você já ficou bem famoso pelos corredores da escola. – abriu um sorriso. – Eu adoraria conhecer mais o aluno novo. O que você acha de sentar com o meu pessoal? – apontou para uma mesa com lideres de torcida e garotos com jaquetas do time.

Olhar para aquela mesa me fez lembrar a minha antiga escola e de que eu sentava com pessoas assim, mas aqui eu era diferente e tinha outros amigos. Então chega de ser extremamente legal com a garota.

– Não vai dá, Tânia. – usei meu melhor tom de desculpas e dei de ombros. – Quem sabe outro dia...

– Ah, tudo bem. – ela não perdeu a pose e continuou sorrindo. – Percebi que você anda com os Swan – ela lançou um olhar esnobe para Emmett, ele piscou um olho para ela, que fez uma careta. -, mas saiba que comigo as coisas vão ser melhores. Posso te dar uma amostra...

Então Tânia pegou minha mão e me arrastou para frente da fila, passando por todos os outros. Olhei para Emmett e ele estava rindo de mim. Ela pegou uma bandeja e começou a colocar coisas, me mandando fazer o mesmo e foi o que fiz. Qual é, eu tinha pulado a fila inteira e ninguém reclamou, eu que não iria desperdiçar aquilo. Enchi a minha bandeja e percebi que Tânia só colocou coisas saudáveis típica de lideres, o que me fez rir. Ela me olhou sorrindo e continuou. Assim que terminamos, eu fui pagar, mas Tânia me impediu, me puxando.

– Mas... Temos que pagar. – apontei.

– Não se preocupe que depois eu resolvo isso. – ela deu de ombros. – Comigo, Edward, as coisas podem ser mais fáceis. Pense direito, gatinho.

Tânia me lançou um ultimo sorriso e foi para a mesa dela, me deixando ali. Senti uma coisa acertar minha cabeça e quando olhei para trás vi Bella em outra mesa, acenando para mim. Fui lá, me sentando ao seu lado. Alec e Renesmee também estavam ali.

– Fazendo novas amizades, Edward? – Bella perguntou com uma voz calma, olhando para a bandeja dela.

Percebi que também tinha mais coisas saudáveis como suco natural, um pedaço de pizza e um sanduíche. Mas ela não era pelo mesmo motivo que Tânia, era por causa da hiperatividade. Refrigerante, carne de hambúrguer e doce a deixava mais elétrica.

– Tânia veio falar comigo. – eu também respondi casualmente. – Ela é daquele tipo de garota que você me alertou?

– Mais ou menos. – franziu as sobrancelhas, me encarando. - Por quê?

– É que achei que ela seria. Mas porque mais ou menos?

– Ah... – Bella mordeu o lábio inferior como se pensasse se me responderia ou não.

– Eu achei Tânia Denali legal. – Nessie comentou sorridente.

– Ela também já parou você? – Rosalie se jogou na cadeira ao meu lado e roubou o meu refrigerante, abrindo e tomando um gole. – Essa garota está ficando cada vez mais rápida.

– Hey. – resmunguei para Rosalie que revirou os olhos.

– Você não pode reclamar quando passou na frente de todo mundo. Viu o tamanho daquela fila? Eu que não vou enfrentar aquilo. – ela esticou a mão e pegou o pedaço de pizza da Bella. Essa tentou dar um tapa na mão dela, mas Rosalie foi mais rápida. – Divide com as irmãs, Bella!

– Vai se foder. – Bella resmungou e pegou o sanduíche dela. – Me deixa adivinhar o que Tânia Denali te falou, Nessie. Foi assim “Você é bem legal, parece ser do meu tipo, que tal sairmos para algum salão e fritarmos nosso cérebro com escovas?” – a voz de Bella saiu fina e enjoativa.

– Ou o que resta do cérebro da Tânia, claro. – Rosalie falou e Bella fez um sinal de positivo.

– Esqueci que ela já faz isso há anos.

– Tânia falou mais ou menos assim. – Nessie fez uma careta. Ela não tinha percebido que Bella e Rosalie estavam zoando com a cara de Tânia. – E ela não me chamou para ir ao salão e sim no spa.

– Droga, ela trocou esse ano. – Bella estalou o dedo. – Na próxima eu acerto. Ela não te chamou para ir ao salão, chamou? – apontou para mim e eu neguei. – E chamou para ir pra onde?

Eu, que comia as batatas fritas, olhei para ela.

– Sentar na mesa dela. – Emmett apareceu com a bandeja dele lotada de coisas e se sentou ao lado de Alec.

Bella afastou um pouco a cabeça e me olhou de cima a baixo, depois fez uma careta.

– Como eu não percebi isso? Edward faz o tipo de pessoa da mesa dela. É lindo, tem estilo e veio da cidade que não dorme.

- Eu não faço parte do tipo de pessoa da mesa dela. – neguei, entediado.

Bella então fez um barulho engraçado e apertou minha bochecha.

– Ele não é um fofo, Rosalie? – perguntou com voz de quem fala com criança. – Eu sei que não, meu amor. Você faz parte do meu tipo de pessoa. – sorriu para mim.

– Bella, sem cantar o Edward. – Emmett pediu, suspirando.

– Isso só vai fazer ele sonhar ainda mais com ela. – Renesmee falou me lançando um olhar maldoso, o que me fez revirar os olhos.

Ela estava fazendo o papel de irmã mais nova irritante.

– Edward sonha comigo? – Bella sorriu abertamente.

– Assim como você sonha com ele. – Rosalie pegou uma batata da minha bandeja e jogou na Bella.

– Parem com isso que eu não quero imaginar que tipos de sonhos são esses... – Emmett fez uma expressão de enojado.

– Nem eu. – Alec murmurou e todos olharam para ele, para depois explodir em gargalhadas com Rosalie e Renesmee falando que tipos de sonhos eram, comigo e com Bella negando todos eles.

Era divertido passar o horário do almoço com o pessoal, da forma que eu tinha imaginado. Sempre tinha alguém soltando alguma piadinha, se intrometendo na conversa do outro. Eu estava gostando de estar ali e não me arrependia nem um pouco de ter recusado o convite de Tânia. Eu sabia que aquelas pessoas também eram divertidas, mas ainda sim preferia estar com aquelas pessoas que eu já conhecia bem e tinha me sentindo fazendo parte em pouco tempo.

– Bella, só repara... – Rosalie puxou Bella, fazendo eu me encolher na cadeira e elas ficarem as duas na minha frente. – Olha como os meninos da natação estão mais gostosos...

Bella assobiou baixinho e as duas riram, comentando de cada garoto. Mas eu não me foquei no que elas falavam porque minha mente tinha ficado presa na palavra “natação”. Então tinha um grupo de natação aqui na escola? Eu não acredito.

– Onde fica a piscina olímpica? – eu afastei as duas, que me olharam confusa.

Pela minha visão periférica percebi Renesmee parar de conversar com Emmett para prestar atenção na nossa conversa.

– No outro prédio, aonde é o Ginásio. – Bella apontou para a janela e eu pude ver o prédio. – Por quê?

– Que dia começa as inscrições para participar das competições? – ignorei a pergunta dela.

– Hm... Deve estar para começar, não é, Bella? – Rosalie perguntou com as sobrancelhas franzidas. Bella assentiu. – Yeah deve estar pra começar porque eles sempre deixam para o segundo semestre...

Então com uma nota mental de passar no final das aulas na área da piscina, eu sorri para Renesmee que entendeu na mesma hora qual era meu plano. Eu iria mostrar para Carlisle que eu continuava sendo bom e mesmo não participando das competições nacionais e não estar mais sob o olhar dos olheiros para ser escolhido para as olimpíadas, eu poderia conseguir ganha uma competição estadual. Eu estava voltando ao inicio, quando tinha feito isso na antiga escola, e quem sabe fazia Carlisle perceber que eu mudara e voltasse a pagar uma escola de natação profissional para mim. Eu tinha que recomeçar de algum lugar e ali estava a minha chance.

– Você vai participar, Edward? – Emmett perguntou.

– Estou pensando...

Eu não sabia se as noticias de Nova York e os esportes vinham até aqui, em Los Angeles, e esperava sinceramente que não. Até agora ninguém que falou comigo havia me reconhecido e tinha fé que demoraria a isso acontecer, mas caso alguém me conhecesse, quando me visse nadando, lembraria ou teria a certeza de quem eu era. Carlisle queria ir morar em um lugar mais afastado e quem sabe menos movimentado, mas como trabalhava em um hospital bastante reconhecido todas as filiais eram em cidades grandes e ele achou que o melhor então seria ficar o mais longe possível, ou seja, do outro lado do país.

– Espera, você é nadador? – Bella me encarou de olhos arregalados. – Eu. Não. Acredito!

– Eu quem não acredito nisso... – Rosalie revirou os olhos. – Agora Bella vai dar um ataque. Se prepara, Edward.

Bella me lançava um olhar de surpresa, admiração e misturado com um do tipo “Vou te comer aqui e agora, garoto” que até me deu um pouco de medo. Eu não estava entendendo nada, mas sua reação estava me assustando.

– O que está acontecendo? – perguntei para Rosalie, que tinha uma careta.

– Sabe que toda garota tem o tipo de garoto que a atraí, certo? – eu assenti com a cabeça. – O da Bella é nadadores. Ela ama garotos que tem costas largas e a maioria são os que fazem natação.

– Por causa dos movimentos com os braços... – Emmett e Alec imitaram o gesto. – Minha irmã é louca, eu sei.

Olhei novamente para Bella e ela continuava me olhando daquela forma.

– Acho que o consciente dela sabia que Edward era nadador porque nunca vi Bella flertar tanto com um garoto. – Rosalie se esticou até pegar a barra de chocolate na bandeja de Alec, que resmungou. – Ela sempre foi cara de pau, mas com um garoto? Nunca. Era por isso.

– As costas... – Emmett apontou e Rosalie assentiu.

– Eu... Eu... – Bella balbuciou atônita. – Edward, eu ainda acho que um dia você mata! – ela repetiu a mesma coisa que disse semana passada. – Por favor, não fique sem camisa na minha frente ou eu não respondo pelos meus atos...

Ela pegou o suco dela e tomou um longo gole sob nossos olhares. Renesmee parecia admirada com aquelas pessoas, já que nunca havia andando com pessoas assim. Alec estava como sempre, quieto e com expressão de tédio. Emmett deixou a irmã de lado e se divertia com sua própria comida. Rosalie bateu a mão no meu ombro.

– Se eu fosse você ouvia o conselho dela. A garota realmente tem uma tara por costas e se você não quer ser agarrado, não tire a camisa na frente dela.

Eu olhei para Bella, que me lançou um sorriso malicioso e com a nova descoberta, retribuí. Era cada vez mais divertido flertar com Bella. E não me julgue, ela era minha vizinha gostosa, eu tinha que fazer isso. Era lei.

– Hey, Bella. – um garoto se aproximou de nós e bagunçou o cabelo de Bella, que bufou. – Hoje não vai ter nenhum showzinho?

– Ainda não pensei em nada, Mike.

– Você é rápida, garota, sei que vai saber nos divertir. Todos estão no tédio e é o primeiro dia de aula. O que acha?

Bella pensou por um tempo, olhou para um lugar especifico e depois abriu o sorriso maligno que eu tinha aprendido a reconhecer nesse pequeno tempo. Ela já tinha algo em mente e com certeza não seria nada bom.

– Tudo bem. – falou animada. – Sente em seu lugar, Mike, porque eu vou dar o melhor show de volta as aulas.

Mike deu uma risada e foi embora. Bella olhou para nós todos na mesa.

– Se Tânia acha que o melhor lugar é o dela, eu vou fazê-la ficar ali. - Bella olhou para nós todos na mesa. – Eu vou precisar da ajuda de vocês.

Jasper POV

– Você tem que parar de encarar a garota, Jasper. – Peter cutucou meu ombro me tirando do meu transe.

– Eu não estava encarando ela. – menti na cara dura.

– Claro que estava, Jasper. – Charlote riu da minha cara e eu mostrei o dedo para ela. – Cara, limpa o canto da boca... – eu passei a mão aonde ela indicava. – Tem um pouco de baba.

– Vai se foder. – eu empurrei ela, que gargalhou ainda mais. – Porque você não vai cuidar desse pouco cabelo nessa cabeça? E porque você fez isso?

Ela passou a mão nos cabelos, com um bico. Eu neguei com a cabeça e peguei meu pedaço de pizza, dando uma mordida.

– Não fale do meu cabelo.

– Você está parecendo o seu namorado. – apontei para o Peter. – O mesmo corte...

– Não fale do meu cabelo. – ela repetiu.

– Jasper, pare de falar do cabelo da Charlote. – Peter pediu com a voz entediada. – Ela está sensível por causa dele.

– Ah é? E por quê?

– Porque um garoto me chamou de lésbica por causa dele. – ela respondeu com a voz manhosa. – Eu me arrependo de ter cortado ele assim...

– Pois não deveria. – dei de ombros. – Não se preocupe com a opinião dos outros. Você gostou? – perguntei e ela assentiu. – Então pronto.

– É isso mesmo, meu amor.

Peter puxou Charlote e a beijou. Revirei os olhos sabendo que a hora de serem melosos e nojentos havia começado e não terminaria até o sino tocar. Eu estava sozinho naquela mesa com aqueles dois. Peter e Charlote haviam sido expulsos da outra escola que estudávamos e tiveram que se mudar para cá, então eu aproveitei a chance e juntei o útil ao agradável. Ficar com meus melhores amigos e ainda poder estar mais perto da minha garota. Agora não estava limitado apenas a vê-la na lanchonete, podia vê-la na escola também.

Eu virei à cara para não presenciar a cena e vi Bella do outro lado do refeitório, com os amigos dela. Eles pareciam todos discutirem algo, e eu extremamente curioso como sou e desesperado para parar de ser uma vela queimando ali, me levantei fazendo barulho com a cadeira. Charlote e Peter nem pararam de se beijar para ver o que tinha acontecido. Isso me deixava enojado.

Caminhei até eles, ignorando minha recusa de que Rosalie também estava ali. Depois do que ela fez com a minha garota eu não conseguia não sentir raiva dela. Me aproximei da mesa deles.

– Vamos nos ferrar. – Edward falou em um sussurro.

– Nós sempre nos ferramos. – Bella revirou os olhos. – Eu dou um jeito de nos livramos depois. Estão prontos?

– E ai, galera. – eu falei alto, assustando todos que me olharam de olhos arregalados. Procurei por uma cadeira e não achando, virei para a mesa do lado aonde tinha uma roda de meninos e meninas do primeiro ano. – Hey, você, me empresta sua cadeira? – perguntei para a garotinha de óculos, sorrindo.

– Cla... Claro. – ela levantou rápida e me deu a cadeira.

– Obrigada. – agradeci e exprimi a cadeira entre Bella e Edward. – E então, o que está pegando?

Todos ali me encaravam, confusos. Sim, eu tinha exagerado na forma de chegar ali, mas eu trabalhava com Bella e ela era uma pessoa legal então os amigos dela também poderiam ser. Menos Rosalie, claro. Mas uma no meio de seis não era nada, eu podia relevar.

– Quem é esse? – a garota de cabelos ruivos perguntou lentamente.

– Pessoal, esse é Jasper Whitlock, meu amigo de trabalho. E Jazz, esses são meu irmão, Emmett – apontou para o cara alto. – Alec, meu amigo. E Renesmee, irmã de Edward. O resto você já conhece. – Bella deu de ombros. – O que você está fazendo aqui?

– Estou fugindo dos meus amigos. – apontei para o casal longe, que ainda se pegavam. Todos dali tinham olhado e fizeram expressões de enojados, como eu. – Pois é. Decidi vir conversar um pouco. E então, o que está pegando?

– Estamos bolando um plano de animar a escola. – Bella falou animada. – Quer participar?

– Claro!

– Esse é dos nossos! – Bella levantou a mão e nós trocamos um high five.

– E qual é o plano?

Todos ali trocaram olhares e depois sorriram diabolicamente.

– Bom, primeiro nós precisamos de uma pessoa para ser o centro das atenções... – Bella começou.

Ela jogou uma coisa para Alec, que junto de Rosalie levantaram de suas cadeiras e começaram a andar pelo refeitório, indo em direção à mesa dos populares. Onde Rosalie passava os garotos viravam para olhar, o que era engraçado ver a expressão de bobão deles. Será que era assim que eu ficava olhando para a minha garota? Animado eu vi Rosalie fingir tropeçar e cair em cima de Tânia, que levantou da cadeira dela furiosa e começou a discutir com Rosalie. Alec, que parecia ser bastante ninja, virou o pote com uma gosma branca no banco de Tânia e ninguém percebeu já que prestava atenção na discussão das duas loiras. Rosalie então deu um empurrão em Tânia, que caiu sentada na cadeira. Todos da mesa tentaram avançar em Rosalie por causa do grito de Tânia, e Alec aproveitou isso para jogar cola na cadeira de alguns que estavam por perto. Rosalie falou algo e eles pararam então ela deu as costas a Tânia e a mesa dos populares e continuou o caminho, junto de Alec.

– Eles nunca percebem nada. – Emmett comentou dando risada. – Bella, é sua vez.

Bella e Edward levantaram e foram juntos para fora do refeitório, sumindo.

– O que eles vão fazer? – perguntei curioso.

– Você é novo também, não é? – assenti. – O clássico dos clássicos que Bella já fez. Segunda parte do plano: ela vai tocar o alarme de incêndio...

E bem quando Emmett calou a boca o alarme de incêndio tocou e todos se levantaram rápidos, mas um estrondo alto e um grito demoníaco chamou a atenção. Era Tânia Denali estatelada do chão com a cadeira presa na bunda, e ao seu lado algumas lideres e alguns jogadores. Isso parou qualquer pessoa desesperada que começou a rir daquilo. As garotas gêmeas e Alice correram para socorrê-la, que gritava aos ventos coisas desconexas, assim como os outros com a bunda colada. Era extremamente hilário ver todos daquela forma, mas ainda mais Tânia presa à cadeira daquele jeito.

– Caramba... – Renesmee murmurou.

Rosalie e Alec apareceram, gargalhando. Eles se jogaram em suas cadeiras, se juntando a nós nas risadas. Bella e Edward também apareceram e nós ficamos ali, assistindo e rindo da Tânia desesperada e seu grupo.

– Droga, Diretor Turner. – Bella murmurou quando o diretor nos mandou todos ficarmos ali e o resto das pessoas do refeitório saírem.

Ah, claro, menos Tânia e os mauricinhos e patricinhas que ainda estavam colados à cadeira. Eles tinham ficado lá na mesa dela, com os braços cruzados e emburrados. Hora ou outra Tânia jogava alguma praga em Rosalie e Bella.

Quando o refeitório estava vazio, o diretor fechou as portar e marchou até nós.

– Eu esperava por isso já, Swan. – ele falou calmamente. – Mas tinha que ser justamente algo direcionado a Srta. Denali?

– Sua maldita! – Tânia gritou alto, fazendo sua voz ecoar pelo refeitório. – Eu odeio vocês!

– Sabe, John, eu amo ela. – Bella ironizou e soltou uma risadinha.

John soltou um som reprovador para ela, que bufou por ele não achar graça. Ele nem se preocupava com os outros que estavam colados à cadeira também, apenas com Tânia. Provavelmente Bella fazia mais isso com Tânia.

– Isso não é uma coisa legal, Swan. Eu sei que seu demônio interior está atiçado para fazer coisas com a Srta. Denali, mas você tem que aprender a se controlar ou então terá consequências.

– Demônio interior? – perguntei para ela, que abanou a mão como se para me mandar ignorar aquilo.

– Me desculpe, Diretor Turner. Eu sinto muito mesmo, vou tentar controlar o meu demônio interior. – Bella zombou novamente, revirando os olhos.

– Não é a mim que você deve desculpas, Swan. E sim a sua colega Srta. Denali e aos outros colegas.

– Nem pagando. – Bella abriu a boca incrédula. – Eu não vou pedir desculpas para a Tânia e nem para esse pessoal ai.

– Bella...

– John...

Era engraçado ver como Bella e o diretor se tratavam. Ele achava que ela tinha um “demônio interior” e coisa e tal e ela o chamava pelo primeiro nome como se fossem amigos de longa data. O que pelo que Bella já tinha me falado das confusões dela era bem capaz mesmo de serem.

– Bella, ou você pede desculpas para a Srta. Denali ou eu vou ter que fazer você arcar com as consequências...

Bella olhou emburrada para o outro lado do refeitório onde Tânia estava com os braços cruzados e o queixo levemente erguido esperando pelas desculpas – sendo imitada pelos companheiros de bunda colada. Passou quase um minuto e não veio nada.

– Bem, Bella, você está mesmo complicando as coisas então vou ter que lhe mandar para a detenção.

– SÓ?! – todos ali berraram incrédulos.

– Bella não teve culpa sozinha nisso. Eu também ajudei e tenho que ir para a detenção.

Todos nós nos viramos para Edward que encarava o diretor. Wow, Edward era um cara bastante bacana já que também assumia a responsabilidade pela ideia de Bella, mesmo que ele tenha ajudado ela. Bella olhava para ele de forma sonhadora, o que me fez rir.

– Eu também a ajudei. – Rosalie falou com voz de tédio. – E Emmett e Alec.

– Hey! – os dois falaram juntos.

– A sala de detenção já está bastante tumultuada. – Emmett resmungou.

John soltou um suspiro audível.

– Tudo bem, temos todos os culpados, então vamos a minha sala para poder eu dar a detenção de vocês.

E todos eles se levantaram e seguiram para fora do refeitório ficando apenas eu, Renesmee e a barulhenta da Tânia com seu grupo que ainda estavam indignados com o pouco castigo que Bella recebeu. Parece que Tânia esperava que a loirinha maluca da Bella recebesse uma suspensão ou quem sabe fosse expulsa.

Expulsa? Serio? Só porque colocou a bunda magrela dela em uma cadeira e tocou o alarme de incêndio? Isso para mim não parecia nada e para o diretor “demônio interior” também não.

– Com eles vai ser sempre assim? – Renesmee perguntou para mim.

Ela tinha uma careta.

– Parece que sim... – dei de ombros.

E o que eu não esperava ela fez: abriu um sorriso enorme. A garota parecia em glória por ter achado pessoas malucas para meter ela em encrencas.

– Legal! – falou e pulou da cadeira, indo para fora do refeitório.

– Maluca. – murmurei e também segui para lá.

– Hey, garoto, não vai embora não! – Tânia gritou e eu olhei por cima do ombro para eles. – Me ajuda aqui com essa cadeira, por favor. Nos deixaram aqui!

Pensei em ir lá e ajudar eles, mas não ia muito com a cara de Tânia Denali. Podia ser amiga da minha garota, Alice Brandon, mas não a tratava bem então merecia ficar com a bunda colada na cadeira.

– Nã. – dei de ombro e segui para a saída.

– Me tira daqui! Me ajuda! Aaaaaaaaaaaaa! – ela berrou quando fechei as portas atrás de mim.

Eu não era uma pessoa legal com pessoas que também não eram legais. E não me sentia mal por ser assim.

Edward POV

– A detenção daqui nem é tão ruim. – comentei enquanto eu e Bella seguimos pelo corredor e ao contrario de mais cedo, agora estava vazio.

Tínhamos passado uma hora na detenção enquanto Rosalie, Emmett e Alec havia passando quarenta minutos. Isso porque eles conseguiram fugir e nós não, porque o professor maldito decidiu voltar bem na hora que Bella e eu iriamos sair. O cara ficava apenas dez minutos lá e depois saía para algum lugar que só Deus sabe onde encontrar. Pelo menos foi o que Bella disse quando entramos na sala, depois que acabaram as aulas. Ele ficou dez minutos e depois sumiu. Assim decidimos andar pelo colégio e quando faltavam poucos minutos voltamos para buscar nossas mochilas. Rosalie, Emmett e Alec foram bastante espertos pulando a janela. Bella e eu fomos também, só que ele chegou na hora e não deu, tivemos que voltar. O pior foi ver que ele nem percebeu que faltava três pessoas ali, apenas disse: Saiam, e nós saímos.

– Nada aqui é ruim, Edward, porque tem eu. – Bella deu seu melhor sorriso de convencida. – E agora, vamos para casa?

– Hm... Eu ainda tenho que passar no Ginásio para colocar meu nome na lista de natação...

– Oh, é mesmo! – Bella arregalou os olhos e abriu ainda mais o sorriso.

– Você vai me esperar no carro ou vai comigo? Porque você não vai embora sem mim. – dei de ombros. – Sabe, amigos não deixam.

– Eu sei sim, bobão. E vou com você. Vamos!

Bella pegou minha mão e me puxou até o prédio do Ginásio. A escola estava praticamente vazia, mas quando chegamos lá tinha os meninos do basquete treinando. Passamos pela quadra e atravessamos um corredor com as portas dos vestiários, chegando do outro lado, onde estava a enorme piscina olímpica. Bella parou em frente à porta, sorrindo para o local. Eu também olhei em volta. Havia varias arquibancadas e em uma parede em cima um telão para poder mostrar na visão do teto. A piscina estava cheia, a agua balançando e enviando o brilho para as paredes. Olhando para aquele lugar a nostalgia de nadar com vontade e ouvir as pessoas gritando excitadas de emoção me atingiu de forma forte. Podia ouvir no fundo da minha mente aquele som de torcida. Eu precisava sentir aquilo novamente, de pessoas torcendo por mim. De minha família torcendo por mim.

– Esse é o meu lugar preferido. – Bella falou baixinho. – De todos os esportes que eu faço, esse é um dos meus preferidos.

Eu desviei minha atenção para ela e percebi que a água brilhava nela, o que me fez sorrir. Sua pele era tão pálida que aceitava aquela cor no tom que era. Ainda estava inconformado em como ela podia ter a pele alva morando no lugar ensolarado que era Los Angeles.

– Você está ganhando pontos comigo, vizinha. – falei.

– Isso é bom. Você ganhou comigo quando me deixou sair da sua casa sem chamar a policia, quando fez o acordo comigo – que ainda está pela metade –, quando aceitou como eu era e ainda mais quando falou que era nadador. Essa foi a melhor parte, até ultrapassa quando você me aceitou.

Nós dois rimos. Voltei a olhar para a grande piscina, que me atraia.

– Esse também é meu lugar preferido. E nadar já não é apenas um esporte para mim...

– Você ama ele. – Bella deduziu e eu assenti. – Isso é muito legal, Edward. – ela me pegou pelo ombro e fez com que ficássemos frente a frente. – Olha, gosto de nadadores e sou uma grande fã do César Cielo e Michael Phelps, mas a partir de agora você está no topo da lista.

– Você nem sabe se eu sou bom, garota com demônio interior.

Bella revirou os olhos pela minha brincadeira. O Diretor não era um cara normal, não mesmo.

– Não preciso saber se você é bom ou não. Você é meu amigo e mesmo sendo horrível – o que eu acho que não é por esses ombros e costas bem delineados e fortes -, eu ainda deixaria você no topo da lista. Não é como se eu tivesse escolhas – deu de ombros e foi minha vez de revirar os olhos – porque como eu disse você é meu amigo, posso já dizer que o melhor, então vou estar sempre com você como você disse estar comigo, Edward. É uma retribuição por... Prometer que não vai fugir.

Eu puxei Bella para um abraço, tocado pelas palavras dela. Eu ainda não poderia ter o apoio do meu pai e talvez da minha mãe, mas tinha o da minha irmã e o de Bella, que eu sabia que valia muito. Aquela garota tinha caído de paraquedas na minha vida e provavelmente era para nunca mais sair.

Eu beijei o topo da sua cabeça e ela deu uma risadinha, também me fazendo rir.

– Obrigado, Bella.

– Não é nada, vizinho. Agora vamos nos separar antes que eu comece a alisar suas costas... E não consiga me controlar... – ela se afastou. – E você ainda tem que colocar seu nome naquela lista.

Bella me puxou até o mural aonde a listava estava colada. Já tinha alguns nomes ali. Eu peguei uma caneta na minha mochila e embaixo do nome Brad Collin eu escrevi Edward Cullen. Ali era o meu recomeço.

– Que excitante, eu tenho um amigo nadador. – Bella sussurrou do meu lado e foi impossível não rir. – Agora vamos embora que eu ainda tenho que trabalhar, cupcake.

E ela me puxou para as portas duplas. Eu estava recomeçando e agora tinha as pessoas certas na minha vida, então tinha uma certeza convicta de que daria certo. E também tinha aquela garota comigo e eu sentia que ela me trazia sorte. As coisas iriam melhorar, eu sabia.

(...)

Notas finais do capítulo
E então, o que vocês acharam do primeiro dia? Eu estava ansiosa pra esse capitulo e nas folgas que tive dos estudos para o vestibular eu fui escrevendo. Ele saiu mais rápido do que eu esperava :)

Bella nos contando sobre sua vida, Edward dizendo que vai ficar com ela não importa o que ela tenha é tão anw awn awn :3 Tânia com o paixão dela vai dar altas aventuras para vocês, eu prometo, ela ama aquele garoto demais e é mega atrapalhada com ele kkkkk Edward se inscrevendo para a temporada de natação, isso vai fazer nós descobrimos sobre o segredo dele, logo logo vocês vão saber

Bem, como eu voltei aqui cedo vou desejar o mesmo que desejei no capitulo passado, que vocês tenham um bom Natal e Ano Novo, que esse ano tenha sido bom, mas que o próximo melhor ainda porque o mundo não pode acabar tenho que assistir o próximo episódio de The Walking Dead e ver minha menina Kristen fazendo Focus, caramba kkkkk

Obrigada a todas as meninas que estão comentando e comigo ainda, bem vindas as novas. É isso e até o próximo. Beijos




(Cap. 11) Treinando

Notas do capítulo
Finalmente apareci aqui! Espero que gostem

10. Treinando

POV Bella

– Nós temos exatamente duas semanas até chegar o dia do teste para ver quem vai fazer parte do time da natação esse ano. – eu comentei com Edward enquanto limpava o balcão da lanchonete. – Você tem que treinar, não acha vizinho?

Edward, que estava concentrado no milk-shake dele, levantou os olhos verdes para mim e franziu as sobrancelhas. Ele havia decidido vir passar à tarde comigo, já que não tinha mais nada para fazer. Jasper não se importou, apenas disse para não me atrapalhar. E Walter, quando chegou, sorriu para Edward e para mim e falou "eu espero que esse garoto seja seu paquera para quando eu terminar minhas aulas com você já tenha alguém para treinar" depois ele entrou na salinha dele. Eu olhei para Edward, apontei e falei "Viu? Você é a minha futura paquera”.

– Nós temos? – ele perguntou.

– Claro que nós temos. Eu vou te ajudar porque quero que o meu vizinho gostoso seja o melhor daquela escola.

Edward riu e assentiu com a cabeça, voltando a tomar o milk-shake dele. Eu coloquei o pano que limpava de lado e apoiei os braços no balcão, olhando para o movimento fora da lanchonete. O sol estava perto de abaixar e pela forma que os cabelos das meninas se movimentavam dava para perceber que a brisa estava forte. Ver aquilo me deu saudades de quando eu era livre e podia passar a tarde surfando, andando de skate ou apenas desenhando na varanda do quarto. Sentia mesmo falta dos meus tempos de liberdade sem que Renée se preocupasse quando eu saísse contanto que estivesse com Emmett, Rosalie ou Alec. Agora era com eles que ela se preocupa, e sozinha também. Edward era a única exceção.

– Nós poderíamos começar hoje quando você terminar seu expediente. – Edward falou me fazendo voltar à atenção para ele.

– Por mim tudo bem. – dei de ombros, sorrindo. – Não é como se eu tivesse coisas mais importantes do que ver meu vizinho vestido de sunga nadando em uma piscina olímpica. – pisquei um olho para ele, que riu.

– Edward vai tentar entrar para o time de natação? – Jasper se aproximou com uma bandeja.

– Ele vai entrar. – estufei o peito. – E vai me dar orgulho, não é, baby? – toquei a cabeça de Edward e baguncei os cabelos dele.

Edward bufou e empurrou delicadamente minha mão.

– Caramba, Bella, já não basta eu não conseguir dar um jeito nisso e você ainda piora? – ele resmungou.

Me apoiei no balcão, com o rosto próximo do dele.

– Está tudo bem, Edward. Eu gosto do seu cabelo bagunçado e você só precisa se preocupar comigo porque se eu gosto, as outras vão gostar.

Ele sorriu de canto para mim e deixou o rosto onde estava, a centímetros do meu. Os sininhos soaram quando alguém entrou e foi quando Jasper separou nós dois.

Deixem para flertar quando Bella não estiver trabalhando, sim? – ele fez uma careta e se afastou indo atender uma mesa e resmungando “esses dois me dão trabalho”.

Eu desviei meus olhos de Edward e olhei pra ver quem tinha entrado, dando com Tânia. Ela estava digitando freneticamente no celular rosa com diamantes dela, e assim que parou de frente ao balcão e ao lado do Edward, me encarou.

– Parece que alguém conseguiu desgrudar a bunda da cadeira. – falei dando meu melhor sorriso amarelo para ela.

– Eu não vou discutir com você, Bella. Estou com atrasada demais para o salão pra lhe dar atenção. Eu só preciso de um cappuccino pra viagem.

Eu prendi uma risada, encarando Edward que revirou os olhos e fui preparar o cappuccino dela. Tânia se sentou na cadeira ao lado da de Edward e eles começaram a conversar sobre algo. Eu tinha um olho neles e outro na máquina, esticando um pouco a cabeça para quem sabe conseguisse ouvir a conversa, mas estava um pouco longe.

– Bella? – Jasper me chamou e eu bufei.

– Fica quieto, Jasper. – mandei. – Estou tentando ouvir a conversa dos dois.

– O... Que?

Eu apontei para Edward e Tânia e Jasper olhou, revirando os olhos.

– Para com isso, Tânia é uma pessoa inofensiva e não vai tirar de você o seu tão querido Edward.

Lancei um olhar raivoso pra ele que sorriu inocentemente.

– Fala logo o que você quer, peste? – perguntei mal humorada.

Ainda estava curiosa para saber sobre o que Edward e Tânia conversavam tanto e porque ele estava gargalhando. Aquela garota só sabia falar de roupa, sapato, cabelo, spa e essas coisas fúteis. Seria Edward um garoto que curtia esse tipo de garota? Não! Ele não podia ser. O cara gostava de 50Cent, não tinha como ele curtir isso. Ok... Eu ainda não havia perguntado se Edward gostava de rap, estava apenas supondo. Mas naquele momento eu queria muito que ele curtisse e não gostasse de garotas fúteis. Elas não eram pessoas legais.

– Preciso que você pegue um pedaço de torta para mim. – ele apontou para aonde as tortas ficavam.

Eu deixei o cappuccino da Tânia fazendo e fui até lá, pegando um pedaço de torta e colocando em um prato, depois voltando e entregando para Jasper. Ele sorriu debochado.

– Cuidado, Bella. Talvez Tânia não seja tão... Inofensiva assim.

– Vai se ferrar, Jasper. – rosnei e ele saiu gargalhado.

– Isso é uma coisa muito feia de se falar, Isabella. – a voz grossa de Walter soou atrás de mim.

Eu revirei os olhos e fiz uma careta antes de me virar para ele sorrindo.

– A culpa é dele, Walter. Jasper adora em tirar do sério e às vezes é difícil controlar a forma que falo. – dei de ombros. – Ah, e eu já disse que pode me chamar da Bella.

– Uma dama deve ter a paciência grande e eliminar qualquer tipo de palavreado chulo como o que pronunciou. Eu realmente preciso lhe ensinar a ser uma dama, Isabella.

Eu suspirei e fui até a máquina, pegando o cappuccino da Tânia e colocando em um copo para a viagem.

– Walter, eu não quero fazer essas aulas... Isso não é para mim, já lhe disse. Aprecio essa sua preocupação sobre meu jeito, mas não rola, cara. – me virei para ele. – E para de chamar de Isabella. Eu não gosto.

Dei um meio sorriso para ele e voltei para o balcão, colocando na frente de Tânia o cappuccino dela. Ela colocou uma nota de cinco dólares no balcão, pegou o copo, provou e sorriu.

– Finalmente algo que você sabe fazer direito.

– Obrigada. – dei um sorrisinho falso para ela.

– Eu não vou conseguir dormir a noite sabendo que você tem concerto. – Walter falou atrás de mim e eu fechei os olhos rezando a Deus pela minha alma.

– Bella? Ter concerto? Puff, nunca! – Tânia falou rindo com aquela vozinha ridícula dela. – Essa daí ninguém mais concerta. Nem Deus salva.

Eu olhei do Walter para a Tânia e revirei os olhos. Agora os dois iam falar da minha alma perdida. Era bem capaz de o diretor Turner aparecer ali com um crucifico e os três tentarem me exorcizar. Eu já estava acostumada a coisas bizarras na minha vida, isso não seria algo impressionante.

– Bella não é sem concerto ou sem salvação. – Edward falou e nós três encaramos ele.

Eu sabia que éramos amigos, mas Edward estava sempre me defendendo e isso de alguma forma fazia cada vez mais eu gostar do garoto. Ele era, com toda certeza, perfeito. E provavelmente eu não me acostumaria a ter um amigo assim comigo. Rosalie, Alec e Emmett também me defendiam, mas apenas em casos que eu não conseguiria lidar sozinha, só que Edward me defendeu em coisas que eu podia lidar. Detenção? Era mais do que fácil para mim. E lidar com os insultos de Tânia e Walter, que nem poderiam ser considerados insultos, então era mais fácil ainda. Só que ali estava ele se intrometendo e me defendendo.

– Garoto, eu sei que você está encantado por Bella, mas tem que ver o lado que nós vemos. – Walter falou calmamente. – Ela é uma dama e não age como tal.

Edward abriu a boca para discutir, mas eu toquei o braço dele e neguei com a cabeça. Estava acostumada com o Walter falar que eu não era uma dama. E eu não discordava do cara, cresci com Emmett e minha personalidade foi se formando assim, além de que por causa da minha hiperatividade garotas não gostavam muito de ficar perto de mim então tive que crescer com garotos. Eles quem gostavam mais de futebol, skate, surf e a maioria das vezes quando eu quebrava algo deles não podiam me bater porque tinha além de mim, que nunca apanhava quieta, tinha Emmett que entrava na briga. Se fosse alguma garota, ele não poderia fazer nada, já garotos ele podia.

– Isabella nunca foi e nunca será uma dama. – Tânia falou com todo o deboche que ela podia juntar. – Essa é mesmo uma perdida.

Eu me virei de frente para Tânia.

– Garota, você não tem que ir para o salão fazer sua segunda cara e arrumar esse cabelo palha ai? – perguntei.

Ela primeiro me encarou boquiaberta, depois empinou o nariz.

– O que você quer dizer com fazer minha segunda cara, Isabella?

– Fala como se não soubesse. – revirei os olhos. – Passa tanta maquiagem que vai acabar criando uma segunda cara. Aliás... – me apoitei no balcão e sorri. – Quanta você já tem em casa? Qual o tamanho da coleção?

– Mas... Mas... – ela começou a gaguejar. – Eu não consigo colocar em ordem a quantidade de adjetivos que tenho para você, Isabella!

– Ah, eu posso te ajudar. Vamos lá... Estupida, machona, ignorante, mal-amada, feiosa, criatura do satã, odiosa, ridícula, mal vestida... O que mais mesmo? São tantos que até eu me perdi.

– Meninas, parem de brigar. – Walter colocou uma mão no meu ombro. – Bella, eu já estou montando a nossa planilha de aulas e logo ela ficará pronta e assim podemos começar. Por esse tempo, tente já começar. Pare de usar linguajar baixo. – acariciou meu ombro e sorriu amarelo. – Agora vou voltar para minha sala. Boa tarde.

Walter acenou para nós e voltou para a sala dele. Eu, que estava com uma careta de desagrado sabendo que meus dias de ser atormentada com essa coisa chata de “agir como uma dama” estava cada vez mais perto, me virei para Edward e sorri.

– Você vai me ajudar, certo? – perguntei com a voz dengosa.

– Te ajudar? – ele ergueu uma sobrancelha.

– Sim, me ajudar. Você vai vir para essas aulas comigo e falar que eu estou me saindo muito bem, assim o Walter larga logo do meu pé. – revirei os olhos. – Quanto mais elogios eu receber, mais ele vai acreditar.

Edward negou com a cabeça para minha ideia, mas concordou em me ajudar. Eu sabia que ele não negaria se eu pedisse com jeitinho e também porque Edward passaria mais tempo comigo. Todos querem passar muito tempo comigo, ele não seria diferente.

Eu senti um incomodo no nariz e suguei o ar com força, logo inalando um cheiro extremamente doce que não vinha da lanchonete. Olhei para o lado e Tânia continuava ali, com seu enorme olhos azuis nos encarando com curiosidade. Voltei minha expressão de tédio.

– E você, encosto, o que ainda está fazendo aqui? – perguntei.

Ela, saindo de algum tipo de transe, piscou os olhos rapidamente e me encarou, fazendo uma careta.

– Estou tomando meu cappuccino e vendo como você interage com pessoas.

Eu gargalhei alto e balancei a cabeça.

– Qual é, Tânia, se manda daqui e vai pro seu salão, sua presença já foi marcada.

– Ah, sabe o que é? – ela se ajeitou no banco ao lado de Edward. – Eu tive que cancelar meu salão hoje então eu vou ficar mais um tempo aqui e conversar com meu novo amigo. – ela tocou a mão de Edward. – Mas não se preocupe você não vai nem perceber minha presença porque tem que ir trabalhar. Vai. Vai. Vai. – balançou a mal como se me expulsasse.

Eu fiquei de boca aberta para a ousadia dela. A sorte da Tânia era mesmo que eu tinha que trabalhar porque aquele horário a lanchonete começava a ficar lotada já que os pessoais da praia e do parque que ficava ali perto sempre vinham pra cá matar a fome. Lancei um olhar de “Estou de olho” para Edward e fui atender um garoto que tinha acabado de entrar, mas de olho nos dois que começaram a conversar animadamente.

(...)

– Oh, olá, Bella. – Esme me cumprimentou animada assim que abriu a porta para mim. – Edward avisou que você viria. Vamos, entre.

Ela me deu espaço para passar e eu timidamente entrei. Sempre fui uma pessoa que não ficava muito vergonhosa diante das pessoas, apenas algumas conseguiam me deixar vermelha, como Edward, mas os pais dele me intimidavam de uma forma que eu não conseguia explicar. Mesmo esme sendo amável comigo, eu ainda me sentia estranha. E claro, ainda ficava deslumbrada pela beleza dela.

– Eu estou na cozinha preparando o jantar, quer me acompanhar? – ela apontou para o cômodo. – Edward subiu quase agora e com certeza vai demorar um pouco.

Eu não queria ficar sozinha com Esme, e senti vontade de subir lá no quarto de Edward e esganar ele, mas não queria ser mal educada nem nada, já que Renée me ensinou a ter bons modos quando as pessoas eram educadas comigo, então eu assenti para Esme. Ela aumentou ainda mais o sorriso e foi para a cozinha comigo em seu encalço.

Esme me mandou sentar no banco do balcão enquanto ela se movia agilmente pela cozinha. O cheiro de comida estava impregnado no ar e era delicioso.

– Sabe Bella, quando nós nos mudamos para cá eu não achei que meus filhos fariam amizade tão rápida. – ela começou fazendo eu me concentrar nela. – E também não imaginava que eles teriam amizades como você.

– Como... Eu? – gaguejei, sem entender o que ela queria dizer.

– Sim. – Esme mexeu em algo na panela que estava no fogão e virou de frente para mim. – Você me parece ser uma boa garota, Bella. E também uma boa influencia.

Quando Esme terminou de falar eu tive que me segurar ao máximo para não começar a gargalhar ali mesmo. Eu devia estar com uma careta horrível, mas ela pareceu não perceber.

– As antigas amizades de Edward não eram muito boas, sabe? E eu fiquei preocupada que aqui também não fossem.

Perdi a vontade de rir no mesmo momento vendo o assunto em que ela estava entrando. Edward nunca tinha me falado nada sobre as antigas amizades dele, na verdade sobre nada da vida dele antes de vir parar aqui, em Los Angeles. Eu não sabia que tipo de amigos ele tinha, mas sabia que não eram como eu e meu grupo porque ele não estava acostumado com as coisas que fazíamos. Aliás, eu chutava que fosse mais ao estilo de Tânia apesar de que... Eles podiam não ser bons influencias, mas não faziam nada demais além de serem fúteis.

Esme parecia realmente preocupada com Edward e isso me lembrou de umas coisas que vinha pensando. Será que Edward morava no Brooklin e andava com caras que curtiam 50Cent? E será que ele era algo como um Eminem, rapper branco? Nossa, o carinha era mesmo uma coisa engraçada.

– Eu e meu marido tínhamos esperanças de que aqui em Los Angeles as coisas mudassem, entende? Esse lugar sempre me pareceu um bom lugar para criar filhos. E quando chegamos aqui e logo descobrimos que nossa vizinha tinha filhos adolescentes também e que vocês eram boas pessoas, nossas preocupações sumiram.

– Er... – não sabia o que falar então eu dei um sorriso que era uma mistura de pena e sem graça. – Yeah. – minha voz saiu estrangulada.

Esme então deu a volta no balcão e parou na minha frente, pegando minhas mãos. Eu senti meu rosto esquentar e sabia que estava corando. Não me culpe por isso, eu estava intimidada com a demonstração de afeto dela para comigo.

– Eu sei que você vai ser uma boa pessoa na vida dos meus filhos, Bella. Conheci sua mãe e vi o quanto ela é maravilhosa e só deve ter criado filhos maravilhosos também porque seu irmão é um amor de pessoa.

– Ah, é. – concordei ironicamente, mas a boa alma de Esme não a deixou notar.

– Ele passa as tardes aqui comigo e com Renesmee e é sempre tão educado e agradável.

– Isso porque ainda não se sentiu de casa, mas espera pra ver. – soltei e ela riu.

– Eu estou torcendo por isso.

– Se eu fosse você não falava isso, Esme. – alertei. – Quando ele se sentir de casa vai ser preocupante. Me escute, sei por experiência de anos.

Esme riu novamente e acariciou minha mão.

– Você é uma graça. – falou. – Só que é a verdade, Bella, eu espero que você e seu irmão se sintam de casa.

– Mãe? Bella?

Eu olhei para trás e Edward estava parado na soleira nos encarando com uma expressão engraçada de confusão. Esme soltou minha mão e eu saltei do banco, indo para o lado dele.

– Oi, Edward. – falei animadamente. – Esme e eu estávamos conversando aqui.

Ela assentiu com a cabeça, tendo nos lábios um sorriso afável.

– OK... – ele murmurou parecendo desconfiado. – Bem... Vamos pra piscina? – apontou pra a porta dos fundos.

– Vamos... – murmurei.

Dei um aceno para Esme, que retribui e segui Edward para o quintal dos fundos. Nós passamos pelo caminho de pedra e paramos em frente à piscina quase olímpica, que era circundada por grama cortada milimetricamente. O fundo azul e com listras mais escuras que separava as raias em uma imitação perfeita da verdadeira piscina olímpica.

– Agora eu consigo entender o porquê de ter uma imitação de piscina olímpica aqui. – comentei olhando para Edward ao meu lado. – E sei quem é o nadador.

Ele me olhou pelo canto do olho e sorriu.

– Foi o que pedi a Carlisle quando ele disse que iriamos nos mudar. Claro que não cabia uma piscina olímpica perfeita aqui, então foi quase uma réplica grande o suficiente. Apenas para que eu me sentisse em casa...

Percebi que seu tom ficou um pouco melancólico, então como uma boa amiga eu toquei o braço dele em forma de consolo. Ele me lançou um sorriso torto, mas triste.

– É claro que essa piscina é só para eu não perder o jeito, mas não dá realmente para treinar só aqui.

– A piscina da escola fica inutilizável nesses dias antes do teste porque quem se inscreve é que já faz aulas em alguma academia de natação. Então, depois das aulas, nós podemos ficar lá. O John não vai se importar.

– Você acha?

– Claro. Eu posso conversar com ele. – dei de ombros.

– Você é uma boa amiga, Bella. – ele passou um braço por cima do meu ombro.

– Eu sei. – estufei o peito e Edward gargalhou.

Era o mínimo que eu podia fazer por ele por estar sendo tão bom para mim desde que nós nos conhecemos.

– Certo, então vamos começar? – ele perguntou ao se afastar de mim.

Edward foi perto da casa e mexeu na caixa de luz, acendendo as que ficavam dentro da piscina. O céu estava já escurecendo, em um tom arroxeado do crepúsculo. Era a hora que eu mais gostava do dia porque da varanda do meu quaro a vista ficava linda. Eu sempre gostava para poder pintar, coisa que não estava fazendo ultimamente.

Eu comecei a tirar meu tênis quando Edward voltou para o meu lado e tirou a camiseta, ficando de bermuda. Parei de mexer o pé e encarei-o, que ficou de costas para mim. Eu... Eu estava de cara com aquelas costas que eu vira poucas vezes e que me fez cair da árvore. Agora podia ver nitidamente as pintinhas que tinha visto, assim como as manchinhas no ombro causadas pelo sol. Eram costas de nadador, largas e musculosas. E eu senti uma vontade enorme de tocar elas, sentir a pele macia na palma da minha mão. E também a vontade louca de tocar os furinhos que ele tinha acima da bunda.

– Bella? – Edward virou de frente para mim, me tirando ainda mais a concentração com o peito definido.

De onde aquele garoto tinha saído, Deus? Você só deve ter mandado para cá pra tirar a minha sanidade. Edward era o tipo perfeito para mim. O dos meus sonhos. Era um castigo aquilo para mim quando tínhamos nos tornado tão amigos.

Eu fechei os olhos e soltei um muxoxo triste por causa do meu azar. Não, espera, eu tinha era sorte porque Edward era uma pessoa maravilhosa. Por dentro e por fora.

– Bella? – Edward me chamou novamente.

Eu abri um olho e dei um sorrisinho sem graça.

– Er... Costas. – foi à única coisa que consegui falar. Edward me encarou confuso. – Belas... Costas.

Ele pareceu se lembrar de algo e abriu um sorriso malicioso.

– Então é mesmo verdade a sua... Obsessão por costas?

Eu assenti sem conseguir encontrar minha voz. Eu tinha uma louca obsessão por costas, mas com Edward tudo piorava. Era pelas costas, pelo peito, pelo rosto e até pelo cabelo. Ruivos eram charmosos e encantavam.

– Você está bem? – ele perguntou.

Neguei com a cabeça e me forcei a parar de encarar o peito dele e me focar nos olhos. Foi então que consegui encontrar minha voz, mas ainda estava falha.

– Camarada, eu acho melhor você entrar logo nessa piscina senão quiser ser agarrado agora. – avisei.

Edward ergueu as duas sobrancelhas e deu um passo para mais perto. Eu tremi de leve e dei um para trás.

– Edward, sai da minha frente.

Aquilo estava sendo um milagre para mim, eu estar me controlando tanto quando a maioria das vezes era impulsiva. Só que eu tentava me lembrar de que nós éramos amigos. A-MI-GOS. E que eu não queria estragar aquela amizade daquela forma.

Edward começou a gargalhar e eu soltei um choramingo. Ele queria mesmo me matar de um ataque cardíaco causado pela perfeição que o garoto era.

Eu não estava podendo mais, então em um ato desesperado eu peguei Edward pelo braço e o empurrei para a piscina, sem me preocupar nada. Ele era um nadador, sabia nadar, não tinha com o que me preocupar. E a piscina era funda, devia ter uns dois metros naquela parte funda. Bater a cabeça ele não iria. Edward caiu na piscina e foi quando eu consegui respirar novamente quando não tinha mais nada para encarar além da grama.

Levei a mão ao coração e me apoiei nos joelhos. Aquela tinha sido com certeza, uma das coisas mais difíceis que já fiz na minha vida. Podia me considerar uma pessoa forte e controlada porque aonde uma garota adolescente com hormônios a flor da pele e com obsessão por costas de nadador negaria o vizinho gostoso com as costas mais gostosas ainda que estava se jogando pra cima dela? Em lugar algum! Eu começava a acreditar que Edward era tipo o meu anjo da guarda que me atormentava também.

– Qual é, Bella! – Edward falou e eu me virei para ele.

– Eu quem falo isso. Sabia que você estava pisando em território perigoso? – apontei para Edward que gargalhou alto.

Eu então tirei o meu short e a regata, ficando só de biquíni. Edward assobiou e eu revirei os olhos para ele, que riu. Me aproximei da beira da piscina, pensando se eu pulava de uma vez ou se sentava. Decidi por dar o mergulho porque estava na frente de um nadador e isso era o menor que eu podia fazer. Então dei um passo para trás e impulsionei o corpo para frente, mergulhando e dando umas braçadas até estar no meio da piscina. Quando submergi Edward bateu palmas.

– Belo mergulho. – falou se aproximando. – Foi elegante.

Eu ergui as duas sobrancelhas, sorrindo.

– Se Walter me visse agora me acharia uma bela dama dando um mergulho.

– Com certeza. – Edward riu. – E então, que tal pra aquecer irmos de uma ponta a outra cinco vezes? – sugeriu.

– Está de brincadeira comigo? – disse surpresa. – Cinco vezes?

– Eu não quero pegar pesado com você...

– Cala a boca. – joguei água na cara dele. – Dez vezes. E se aguentarmos mais, quinze.

Edward abriu um sorriso divertido na minha direção e concordou. Nós então fomos para a ponta da piscina, parando de forma que desse para impulsionar os pés.

– Pronta para perder? – perguntou se achando.

– Se eu perder, Cullen, vai ser uma coisa boa.

Ele olhou pensativo e assentiu concordando. Edward começou a contar até três e no já nós começamos a nadar. Eu estava acostumada com aquela piscina já pelas vezes que fugi para ficar aqui quando estava de castigo então a conhecia e não foi difícil dar cinco ida e volta nela. Quando estava na sétima meus braços já começavam a protestar assim como meu folego, mas eu não parei, apenas diminui o ritmo. Eu sabia que aquilo estava sendo apenas um aquecimento para quando Edward começasse a treinar realmente na piscina olímpica da escola, aquilo era só uma diversão.

Quando contei até a décima e toquei a parede eu levantei e encontrei Edward ofegante, mas já fazia algum tempo que ele estava lá. Me encostei na beira da piscina tentando também recuperar o folego.

– Você é rápida. – ele falou sob o folego. – Já participou de algum time de natação feminina, Bella?

– Uma vez... – murmurei baixo. – Foi quando a psicóloga indicou esportes para fazer e como eu gostava de natação, mas não fiquei muito tempo. E... – caminhei até ficar de frente para ele. – Você acha que eu seria lerda com esses braços gostosos aqui? – bati no meu braço e Edward gargalhou.

Edward esperou eu descansar um pouco para darmos mais cinco idas e voltas na piscina. E depois, cansada, eu fiquei lá encostada enquanto ele ainda se divertia. Aproveitei para ficar babando um pouco naquelas costas tão perfeitas trabalhando enquanto o tempo ia passando e já escurecia. Os músculos se movendo enquanto ele dava uma e outra braçada. Deus, aquilo era o céu. Um nadador puta de gostoso nadando ao vivo enquanto eu estava ali na vida boa apreciando.

Quando Carlisle apareceu na porta e me cumprimento com um sorriso – eu mais vermelha do que já tinha ficado alguma vez na vida – eu me lembrei da conversa que tive com Esme e decidi perguntar para Edward se ele gostava de 50Cent e morou no Brooklin antes que esquecesse novamente. Isso para mim era a coisa mais fácil de acontecer, só precisava de uma distração.

Edward estava voltando na minha direção e quando ele chegou perto o puxei com força pelo braço, fazendo Edward parar bem na minha frente. Seu corpo se chocou com o meu e eu bati as costas na piscina. Soltei um gemido de dor.

– Você é doida?! – ele perguntou assustado e me virou de costas para olhar. – Está doendo muito? – tocou o local e eu tremi de leve.

– Não. – murmurei. – Vai passar.

Edward então me fez virar de frente para ele novamente.

– Porque você fez aquilo, Bella?

Eu abaixei os olhos para tentar lembrar o porquê quando eles bateram novamente naquele peitoral tão perfeito e tão perto de mim. Eu podia sentir o calor corporal de Edward e acompanhava com os olhos seu peito subir e descer com a respiração desregulada dele. E a melhor parte: estava molhado. Eu me sentia em um comercial de alguma marca de perfume de luxo olhando para aquele peitoral que brilhava branquinho um pouco azulado por causa das luzes da piscina. O céu já estar escuro só ajudava ainda mais.

– Bella! – Edward segurou meu queixo e me fez encara-lo. – Foco. Aqui.

Eu pisquei os olhos rapidamente e raciocinei as palavras dele. Fiz de mantra e finalmente consegui voltar a terra.

– Foco. – falei.

– Certo. – ele foi abrir um sorriso e eu o alertei com o dedo. – Certo. – repetiu se segurando para não sorrir, mas até a careta que ele fazia era linda.

– Você é uma tentação, Edward. – avisei. – Agora me fala o que você queria falar comigo.

– Eu? Foi você quem me puxou com força então você que tem algo pra falar.

– Eu tenho? – torci o lábio com uma careta.

Procurei na mente o porquê de eu ter puxado Edward tão brutalmente daquela forma, mas não conseguia me lembrar. Argh! Como eu odiava me distrair e esquecer as coisas. Eu me concentrei ainda mais, mas não veio mesmo nada.

– Eu não lembro. – soltei com um muxoxo. – Pode voltar a nadar que quando eu lembrar te falo.

Edward assentiu e me deu as costas para voltar a nadar só que eu acabei lembrando o que era e o puxei pelo braço novamente. Mas Edward parecia mais preparado e foi mais rápido dessa vez e apoiou as mãos na parede, ficando na minha frente. Soltei uma risadinha sem graça.

– Lembrei. – falei e ele revirou os olhos.

Edward se apoiou na beirada da piscina e eu fiquei de frente para ele.

– Vamos, fale. – mandou.

– Eu queria que você confirmasse algumas coisas que venho descobrindo sobre você, sabe... – comecei e ele ajeitou a postura, me olhando sério.

Aquilo não era bom.

– O que?

Eu coloquei meus pensamentos em uma linha pensando na melhor forma de explicar o quanto eu era uma boa detetive e fazia boas descobertas. Era tão provável que tudo que eu juntei dele e descobri fosse verdade que o ruivo iria ficar de boa aberta. Claro, eu tinha descoberto seu segredo de Nova York.

– Bem... Enquanto eu estava em Orlando com Charlie, eu fiquei pensando bastante em você e...

– Você ficou pensando em mim, Bella? – Edward ergueu uma sobrancelha com um sorriso malicioso.

Dei um soco no braço dele.

– Não me interrompa camarada, porque senão eu esqueço. – decidi ignorar a pergunta dele por enquanto. – Como eu estava dizendo, fiquei pensando nas coisas que sei sobre você e descobri que você gosta de 50Cent. – era melhor fazer daquilo uma afirmação porque vai que faço como uma pergunta, e Edward negue por vergonha ou medo de eu descobrir mais coisas?

– O que?! – Edward arregalou os olhos.

– Isso mesmo. – balancei a cabeça e toquei o braço dele. – E também conversando com sua mãe ela me disse que suas antigas companhias não eram boas.

– E não eram. – ele falou com a voz séria e eu o encarei.

– Uau. – foi o que consegui murmurar. – Então é verdade?

– O que? – ele franziu as sobrancelhas.

– Que você é um rapper branco que curte 50Cent e anda com o tipo de pessoa errada que te dão apelidos para o caso de assaltos vocês não serem descobertos ou reconhecidos e o seu era “carinha branco que mora logo ali” igual o Chris. Você morava no Brooklin. Deus, porque eu não imaginei isso antes? – arregalei os olhos absorvendo minha nova informação e depois encarei Edward que estava com uma expressão de choro. Ou era careta? Toquei o braço dele em consolo. – Não se preocupe, Edward, isso não vai afetar nossa amizade de forma alguma. Eu ainda vou continuar do seu lado. E se você precisar de alguma ajuda em se livrar de vícios, da vontade de roubar, ou até quem sabe ajuda para roubar eu vou estar aqui. É isso que os amigos fazem, não é? E nós somos amigos. Bons amigos. Mesmo às vezes sendo difícil levar isso apenas na amizade quando eu tenho que olhar para suas belas costas, mas eu vou sempre me controlar porque não vou agarrar meu amig...

As pessoas eram umas graças! Edward era uma graça porque enquanto eu estava ali dando o maior apoio e até me oferecendo para assaltar algum lugar mesmo que isso decepcione Renée, o garoto vai e empurra minha cabeça para debaixo da água. Como eu estava falando entrou água pela minha boca aberta e pelo nariz por ter sido pega desprevenida.

Eu comecei a me debater e tentar agarrar a mão dele que estava no topo da minha cabeça, mas Edward era mais forte. Eu grudei meus restos de unha ruídas na carne da barriga dele e só assim Edward me soltou.

– Você é maluco! – berrei histérica e tossindo.

Edward estava com uma careta, com a mão na barriga aonde eu tinha machucado e gargalhando alto. Passei minhas mãos no rosto tentando parar de tossir e respirar novamente.

– Garota, você fala demais. – foi à única coisa que ele disse entre risadas.

Eu me apoiei na beira da piscina e tentei voltar à calma. Queria poder socar aquele rostinho bonito, mas eu bem entendia porque ele havia feito aquilo. Eu tinha descoberto um grande segredo e ficava ali com a minha matraca aberta nem parando para respirar. Não o culpava.

– Na próxima avise. – falei e tossi mais uma vez.

Edward se moveu na água e parou na minha frente, colocando as mãos nos meus ombros e me fazendo encara-lo.

– Escuta, eu não sou nenhum rapper branco que veio do Brooklin e nem tenho nenhum vicio. Não curto muito 50Cent e só conheço algumas musicas porque ouvi em alguma festa. E sobre roubar... Não sou maníaco em roubar nada e a primeira e ultima vez que fiz algo assim foi uma burrada.

– Você já roubou? – arregalei os olhos.

– Não foi exatamente um roubo. – ele fez uma careta. – Mas não é algo pra explicar agora. O que você precisa saber é que... Essa vida que você falou ai não é a minha e nem chega perto de ser.

Torci os lábios em um bico enorme. Eu não conseguia acreditar que tinha usado meu dom de detetive para nada! Eu nunca errava e tinha acabado de errar com Edward. Yeah, o cara era imune aos meus poderes.

– Agora... – Edward passou delicadamente a mão no meu cabelo, afastando-o do rosto. – Desculpa ter te afogado, foi por que... – levantou um ombro.

– É, eu sei. – suspirei. – Só vou desculpar dessa vez porque estamos no começo, mas depois não vou lhe desculpar. – avisei com um dedo e ele assentiu. – Foi uma loucura o que você fez. Eu me afoguei e podia ter morrido! Deve ter entrado tanta água no meu pulmão que eu nunca mais vou precisar beber. Deve ter um lago aqui dentro de mim.

Eu era Isabella Swan, filha de Renée e Charlie e irmã de Emmett, eu precisava fazer um pouco de drama. O drama corria por minhas veias.

Edward gargalhou.

– Se quiser... – ele deu um passo se aproximando de mim. – Eu posso fazer respiração boca a boca e secar esse “lago” que você está falando...

Espera, Edward estava me cantando e ainda sendo irônico? Quem nesse mundo cantava uma garota e era irônico ao mesmo tempo? Edward Cullen! Mas isso era o de menos porque Edward estava me cantando na maior cara de pau, estava se aproximando de mim. O que eu podia fazer num momento daqueles? Só tinha duas opções:

a) sair de mansinho e fugir daquilo ou

b) flertar e agarrar o camarada com as costas mais perfeitas que eu tinha conhecido

Eu estava entre amizade e costas perfeitas, era uma balança muito difícil de escolher para qual lado pesar. Eu odiava ficar indecisa e confusa. Mas... Edward estava flertando descaradamente comigo, eu não podia deixar aquilo passar... Não é?

– Respiração boca a boca soa legal para mim. – respondi dando meu melhor sorriso de flerte.

Edward retribuiu o sorriso e se aproximou mais um pouco, dividindo o olhar entre minha boca e meus olhos. Meu coração pareceu dar um salto com aquela proximidade e com o que estava prestes a acontecer... Cada vez mais perto... E mais perto... Quase... Mas que não aconteceu. Porque no exato momento que ia, Renesmee gritou nossos nomes e segundos depois apareceu na porta. Eu e Edward olhamos assustados para ela que estava toda sorridente. Ela não parecia ter visto ou reparado o que íamos fazer, se tivesse sabia disfarçar.

– O que foi? – Edward perguntou com a voz carrancuda.

– Mamãe está chamando vocês para jantar. E Emmett está aqui também. – apontou para dentro. – Vamos logo!

E voltou para dentro, fechando a porta. Eu virei minha cabeça lentamente na direção de Edward e também estava me encarando. Nós ficamos alguns segundos daquela forma e depois caímos na gargalhada.

– Vamos logo! – eu imitei a voz da Renesmee e joguei um pouco de agua na cara de Edward, que retribuiu.

– Vamos.

(...)

– Isso é realmente impressionante. Isabella Swan na minha sala e sem ser porque aprontou alguma ou matou alguém. – John me encarou bestificado. – Isso é realmente impressionante. – repetiu.

Eu revirei os olhos.

– Olha, se quiser eu posso ir lá matar a Denali e depois volto aqui com um bom motivo, o que acha? – dei um sorriso irônico para ele que estava de olhos arregalados.

– Pare de graça, menina, e senta logo ai!

Eu fechei a grande porta de madeira atrás de mim e saltitante fui até uma das cadeiras que ficava de frente a enorme mesa de John. A sala da direção era grande e espaçosa, tinha uma enorme estante de livros antigos ali, outra de prêmios que não podiam ficar na estante do corredor por causa de alguns baderneiros da escola e uma mesa com café e coisas boas de comer. Ele ficava sentando em uma enorme poltrona fofa e se sentia um rei ali.

Eu me sentei na cadeira.

– E então, porque está aqui? – perguntou com tédio.

– Não é nada de mais, John, sabe... Eu só queria pedir um favor para você.

– Um favor? – ele me olhou desconfiado. – E o que eu posso fazer nesse favor que você quer?

Eu levantei lentamente e fui até o John, parando ao lado dele sob seu olhar de alerta para qualquer coisa que fosse fazer, mas não era nada ruim. Eu abri a gaveta da mesa dele e peguei um PSP que havia ali que ele tinha pegado de algum garoto. John me olhou com uma expressão de indiferença para minha linda cara de pau, me seguindo com os olhos quando voltei a me sentar e apoiei os pés na mesa dele. O cara já estava acostumado com a minha petulância.

– Folgada. – falou.

– Você me ama. – pisquei um olho para ele e dei atenção ao PSP, ligando e vendo qual jogo tinha. Era um de carros, então comecei a jogar enquanto falava. – Eu não quero muita coisa, John, e não é necessariamente para mim. É mais para um amigo.

– Ah, eu devia ter imaginado. Só você que valoriza mais a amizade que tudo. É uma coisa que me orgulho de você.

– Eu sei. – tremi os ombros e xinguei baixo por ter errado uma curva. – O que acontece, John, é que Edward Cullen, meu amigo, está precisando de algo que a escola tem.

– Que seria?

Eu pausei o jogo e o encarei.

– A piscina olímpica. Ele se mudou agora pra cá, como você sabe, e ainda não se inscreveu em uma escola de natação como os outros meninos. E ele precisa treinar para o teste que vai ter daqui duas semanas. E eu estava pensando se você poderia liberar para nós a piscina olímpica quando acabasse o período das aulas, entende? É apenas até o dia dos testes e depois ele vai treinar com os outros garotos.

John, que ouviu tudo que eu falei atentamente, se encostou à cadeira dele. Seus olhos estavam um pouco sem foco e como o conhecia bem, sabia que estava avaliando o que eu falei.

– E quem garante que ele vai passar no teste? – ergueu uma sobrancelha.

– Ele vai passar. – ergui levemente o queixo ao falar com convicção. – Meu camarada é bom. Mas não é isso que eu quero discutir, John. Eu quero que você me empreste à piscina olímpica.

– Não sei não, Bella... Estamos falando de você. Quero dizer, e se eu deixar e no outro dia não existir mais piscina olímpica? Ou até o prédio de esportes? O seu demônio é muito atentado.

– Haha, engraçado. – revirei os olhos e voltei ao joguinho. – Eu quero ter um amigo nadador e se eu destruísse a piscina aonde mais ele nadaria? Eu penso John e não vou fazer isso.

Eu dei minha total atenção ao joguinho me concentrando em passar dos outros carros. Nessa passada na diretoria eu não tive muita sorte com o jogo já que aquele era uma droga. Às vezes eu conseguia um de aventura ou de luta e ficava aqui com o John até acabar o horário escolar. Claro que ele se incomodava com isso, mas não adiantava me expulsar já que se fizesse aquilo corria o risco de ter algo destruído porque iria ficar entediada e aprontar. E também ele me amava e amava minha companhia.

– Bella?

– Hm? – fiz distraída com o jogo.

– Bella, olha para mim!

– Espera!

Eu fiz uma curva fechada e xinguei o carro que passei. Agora estava em primeiro lugar e perto de ganhar porque era a ultima volta.

– Bella!

– Caramba, John, espera!

Ele calou a boca e eu pude me concentrar totalmente no jogo. Assim que passei pela linha de chegada eu dei um salto da cadeira e fiz minha dancinha da vitória, dando uma voltinha. Quando parei de frente para John ele estava com uma expressão de tédio.

– E então? – perguntei indo me sentar na mesa. – Já se decidiu?

– Já. – suspirou. – Eu deixo você e Edward usarem a piscina olímpica depois das aulas.

– Yeah! – fiz com o braço.

– Só que por tudo que é mais sagrado, Bella, não deixe seus demônios dominarem você e destruir aquele prédio.

– Pode deixar, John, meus demônios estão controlados!

Eu saltei da mesa e fui até ele, agradecendo e lhe dando um abraço esquisito apenas no pescoço já que ele estava sentado. Joguei o PSP no colo dele e corri para a porta, dando um tchauzinho e correndo para fora da diretoria. Eu precisava encontrar Edward agora e contar para ele que havia conseguido.

Enquanto corria pelos corredores tentando me lembrar em qual aula Edward estava agora, acabei por trombar em alguém por estar distraída. A pessoa soltou um gritinho e eu logo reconheci quem era.

– Tânia. – soltei o nome com os dentes trincados.

– Olá, Bella. – ela acenou animadamente para mim. – Como está?

Eu revirei os olhos já entendendo seu bom humor. Ela devia ter visto o Brad Idiota Collin e ele deve ter falado oi para ela. Como uma garota podia ficar toda boba e estupida com um único oi? Porque era só isso que ele falava para ela.

Mas eu não iria me importar com Tânia porque precisava avisar ao Edward a minha novidade. O camarada ia ficar feliz.

– Eu estou ótima, Tânia. Agora preciso ir. Tchau.

Eu passei por ela e com passos rápidos fui me afastando.

– Tchau, Bella. – ela disse toda feliz. – E eu não me esqueci do que fez comigo. Eu vou me vingar, benzinho.

Mostrei o dedo para ela sem me dar o trabalho de virar. Eu já sabia que ela tentaria se vingar e não me importava nem um pouco. Pelo menos não naquela hora.

Eu consegui lembrar em qual aula Edward estava e invadi a sala sem nem pedir para o professor – esse que ficou me encarando embasbacado sem falar nada. Parei de frente para Edward e falei:

– A piscina olímpica é nossa, garotão. Nós vamos treinar essas costas gostosas e te colocar no time. – pisquei um olho para ele e segui para a saída, deixando-o mais embasbacado que o professor. Mas quando estava saindo vi o Brad no lugar dele e apontei com meu dedo. – Odeio você. – falei e sai da sala, sorrindo comigo mesma por poder ajudar Edward.

Os treinos com Edward durante aquelas duas semanas foram bastante pesados. Ele pedia muito de si mesmo e estava bastante focado em conseguir uma boa forma e um bom tempo nas braçadas para poder conseguir passar no teste sem complicações vinda do treinador. Nós tínhamos feito uma rotina naqueles dias para que eu pudesse ajuda-lo. Ficou de que enquanto ele treinava eu ia para meu trabalho e depois do trabalho eu voltava para a escola e ficava mais um tempo com ele lá, o ajudando – e babando naquelas costas perfeitas. Na verdade naquele corpo inteiro. E quando terminávamos ou passávamos em algum lugar para comer ou íamos para minha casa ou para a dele. Nunca ficamos tão próximos como naqueles dias.

E eu estava adorando eles. Tirando pelo menos uns cincos de duas semanas. Um horrível foi quando estávamos lá e Brad apareceu. Eu não ia com a cara dele por motivos pessoais, que nem eram tantos meus assim, mas que me atingiam da mesma forma. Ele veio falar com Edward e por algum tempo ignorou minha carranca só que não conseguiu por muito e veio perguntar qual era meu problema. Isso resultou em Edward me segurando enquanto eu tentava avançar no Brad, xingando-o de todos os nomes possíveis e sendo xingada também. Ele quando cansou foi embora e Edward ficou me perturbando para saber por que eu não gostava de Brad sendo que ele era legal. Eu não respondi por motivos de ser constrangedor demais.

E os outros dias serem ruins a culpada foi Tânia. Aquela ratinha rosada – porque Tânia não era branca, era rosa – descobriu que Edward estava treinando na piscina olímpica da escola e decidiu aparecer por lá. Eles dois se entendiam muito bem, mais uma coisa que eu não gostava. Edward interagia com o inimigo! A primeira vez que ela apareceu, eu cheguei lá depois de sair da lanchonete e dei de cara com Edward e ela sentados na arquibancada conversando. Claro que nós começamos a discutir e Edward entrou no meio, mandando nós pararmos, mas como não conseguiu paz ele disse que ia voltar a nadar e Tânia foi atrás dele. Eu, na minha raiva e impulsividade, empurrei Tânia na piscina estragando aquela porcaria de cabelo e fazendo-a chorar como... Como Tânia. A garota furiosa saiu da piscina e veio para cima de mim e então nós duas caímos na piscina e brigamos lá, Edward teve que separar e acabou por levar um soco no olho.

Nas outras vezes que a vi não teve mais briga de socos, mas teve discussões. Edward havia pedido para que eu me controlasse e foi o que fiz me controlei o máximo que podia. Por pedido dele, não pela cara de Tânia. Aquela ali nunca teria sorte comigo.

Edward POV

– Tânia está viva. – Rosalie falou olhando para Tânia que adentrava o refeitório toda sorridente. – Isso significa que ontem ela não foi te ver treinar?

– Não. – neguei. – Mas o que isso tem haver com ela está viva?

– Bella me ligou no dia anterior e falou que se visse Tânia lá iria matar ela afogada e colocar a culpa em você.

Eu neguei com a cabeça, rindo ao imaginar a cena de Bella matando Tânia. Seria bem cômico se não fosse trágico. Voltei a comer o meu pedaço de pizza. Todos estavam ali à mesa, menos Bella. Emmett, como sempre, brincava com a comida antes de comer. Era quase como um ritual dele, porque sempre estava fazendo aquilo. Alec olhava para a mesa, prendido aos próprios pensamentos e Renesmee bufava em tédio por que a pessoa que mais animava a mesa não estava. Nem Jasper para ela conversar já que hoje ele não veio para a escola.

Eu estava curioso para saber da Bella. Ela era sempre uma das primeiras a chegar.

– Alguém viu a Bella? – perguntei.

– Olha a abstinência da minha irmã. – Emmett rosnou para mim e eu revirei os olhos.

– Engole o ciúme. – sorri irônico para ele.

– Parem vocês dois. – Nessie murmurou entediada.

Renesmee e Emmett estavam morrendo de ciúmes de mim e da Bella porque passávamos muito tempo juntos, mas não era exatamente culpa nossa. Tínhamos formado uma dupla para eu conseguir passar no teste, Bella me dava uma força.

– Daqui a pouco ela aparece aqui fazendo algum show. – Rosalie disse dando de ombros.

De repente as portas do refeitório foram abertas com brutalidade e aparecendo por elas estava Bella. Seu rosto estava muito, muito vermelho e ela parecia furiosa. Havia algo marrom nos cabelos dela.

– CADÊ AQUELA PATRICINHA?! É HOJE QUE EU MATO ELA!

Sua voz raivosa ecoou por todo o lugar.

– O que eu falei? – Rosalie soltou uma risadinha.

Como um robô exterminador Bella olhou para canto até seus olhos pararem em Tânia, que estava com um sorrisinho de deboche nos lábios, mas os olhos arregalados de medo. Bella então começou a avançar em direção a mesa da Tânia, e em um instinto – e já aprendendo a conviver com aquelas duas – eu fui o primeiro da nossa mesa a levantar e correr até Bella, parando-a pelo meio do caminho.

– Me solta, Edward! – socou meu peito quando a peguei em um abraço apertado. – Me solta que é hoje que eu vou presa!

Bella estava toda suja daquela coisa marrom que parecia ser chocolate. Tinha nos cabelos, no rosto e na camiseta. Ela se debateu em meus braços gritando que ia matar Tânia. O pessoal estava a nossa volta, olhando aquela cena. Tânia, percebendo que estava segura agora, se aproximou.

– Porque você quer me matar, Swan? – perguntou com a voz mais doce que o normal.

– Porque você fez isso comigo! – Bella estremeceu. – Me solta, Edward!

– Não solta, não! – Rosalie falou rindo. – Ou é capaz mesmo de acontecer um assassinato.

– Argh! – Bella rosnou.

– Eu não fiz nada. – Tânia falou com uma inocência suspeita.

– Sim, foi você! Eu lhe conheço, Tânia!

– O que aconteceu?! – perguntei confuso com aquilo.

– Aconteceu que enquanto eu fui ao banheiro alguém – olhou diretamente para Tânia que tinha um sorrisinho nos lábios. – trancou o cubículo e jogou por cima isso... Esse milk-shake de chocolate! E eu sei que foi Tânia!

– Varias pessoas tomam milk-shake aqui... – minha irmã falou.

– Essa esquisita gosta de me culpar, Renesmee. – Tânia fez drama. – Ela sempre me culpa com tudo que acontece com ela.

– PORQUE A CULPA É SUA! – Bella tremeu de tanta raiva e se debateu novamente. – QUE CARALHO, EDWARD, ME SOLTA QUE EU VOU MATAR ESSA MALDITA!

– Isso está muito divertido. – Emmett falou no ouvido de Alec que assentiu e os dois riram.

– Eu posso provar que foi essa estupida!

– Então prove. – Tânia ergueu o queixo.

– Só uma pessoa nesse lugar me odeia e toma milk-shake de chocolate com cereja. Quem, Rosalie?

Rose, que estava de braços cruzados, deu um sorrisinho de canto.

– Tânia Denali. – falou.

– Certo. E eu estou fedendo a milk-shake de chocolate com cereja! E é por isso que vou matar essa desgraçada!

Bella se agitou nos meus braços e de alguma forma conseguiu soltar os braços dela, alcançando Tânia e a pegando pelos cabelos. Tânia começou a gritar loucamente tentando se soltar e bater em Bella. Rosalie tentava soltar as mãos de Bella também. As amigas de Tânia davam berrinhos. Até o momento que Alice decidiu interver e deu um soco no braço de Bella. Como se tivesse mesmo possuída como John falava que Bella era, ela virou na direção da Alice e agarrou com força os cabelos dela, que começou a gritar e choramingar.

Aquilo era uma loucura!

No final conseguimos separar Bella daquelas duas e eu consegui arrastar Bella para longe do refeitório. Ela, mais calma, me puxou para o banheiro feminino e enfiou a cabeça debaixo da torneira tentando tirar o milk-shake do cabelo enquanto xingava Tânia de muitos palavrões que nem eu conhecia. Ela parecia um marinheiro daquela forma.

– Ela me paga, Edward. Ela me paga mesmo! – Bella rosnou e eu não sabia o que responder.

Bella estava muito determinada a se vingar. E eu sentia que isso ia muito longe como um ping pong entre as duas. É, tinha que me preparar para separar muitas brigas.

(...)

Eu estava na piscina olímpica da escola treinando mais uma vez. Hoje era o ultimo dia que eu tinha para fazer aquilo já que amanhã seria o dia do teste. Eu me sentia calmo e não estava muito ansioso. Era um dos motivos que gostava tanto de nadar porque a água me acalmava. Eu sempre gostei de nadar e ao estar ali me arrependia das coisas que havia feito e perdido.

Quando dei a ultima volta na piscina e voltei, eu levantei ofegante e tirei os óculos de natação.

– Você é uma graça fazendo isso. – Bella falou e eu ouvi as portas do prédio batendo.

Eu passei a mão no cabelo tirando o excesso de água e me virei para ela, sorrindo.

– Eu sempre sou uma graça.

– Você se acha demais, garoto. – negou com a cabeça.

Ela se aproximou de onde eu estava e se abaixo, passando a mão no meu cabelo e bagunçando.

– Preparado para amanhã?

– Claro. – revirei os olhos. – Sempre estou.

– Fico feliz com isso. Eu vou ter um amigo nadador que vai ser o melhor dessa escola e ultrapassar aquele babaca do Brad. E não pergunte de novo porque eu o odeio! – apontou o dedo para mim.

Eu já havia cansado de insistir para Bella em explicar o porquê então apenas dei de ombros e fingi que ia morder o dedo dela. Bella puxou a mão rápida e bateu na minha nuca.

– Pare de graça, Edward.

– Eu acho que você deveria nadar comigo hoje. – comentei. – É meu ultimo treino e faz tempo que você não nada... Como vai gastar toda essa energia acumulada ai?

Ela, que estava tirando o tênis para colocar os pés dentro da água, me lançou um sorriso malicioso.

– Eu posso pensar em algumas coisas...

Eu gargalhei e peguei a perna dela, a puxando para entrar na piscina. Bella soltou um grito misturado com uma risada e jogou um pouco de água em mim.

Nenhum de nós dois tocou no assunto da flertada mais que flertada que eu dei nela quando estávamos na piscina, e isso também não afetou em nada nossa amizade. Era como se nada tivesse acontecido. Nós tínhamos apenas levado o flerte a sério e quase nos beijado se não fosse por Renesmee, mas tudo continuava como se fosse apenas aquilo, flerte.

– Eu estava aqui me lembrando, Edward, que eu ainda te devo duas partes do favor, não é? – ela comentou enquanto se movimentava pela água. – E já faz tempo e você não pediu nada.

– É porque ainda não achei nada para pedir. – dei de ombros. – Não vou gastar isso com qualquer coisa.

– Mas, sabe, agora que somos amigos, tipo muito amigos mesmo... – ela deu a volta em mim e parou nas minhas costas, se pendurando e colocando o queixo no vão entre meu pescoço e ombro. – Não há nada que você peça que eu não faça.

Eu segurei as pernas dela que estavam em volta da minha cintura para ajuda-la a ficar presa.

– Você não sabe. E se eu pedisse para você matar alguém? Com o favor você não poderia negar.

– Sem o favor eu ainda não negaria. O que mais privo na minha vida é a amizade e faria qualquer coisa por ela. Claro, se for por motivos bons. – emendou. – E não acho que você faz coisas ruins.

– Claro. Falou a minha amiga que achou que eu era algum assaltante viciado em drogas.

Bella gargalhou.

– Aquilo são águas passadas. E eu deduzi isso porque você nunca me falou nada sobre você.

– Claro que sim!

– Apenas algumas coisas que não contam. Mas você não falou o porquê está aqui ou qual é seu gosto musical. Eu tiro conclusões pelo gosto musical da pessoa, ok? E achei que você gostava de 50Cent.

– Mas como você chegou a essa conclusão? Eu tenho cara de rapper branco? – franzi o cenho e ela riu.

– Não... Talvez. Eu nem lembro mais como cheguei a essa conclusão. – a senti dar de ombros. – Eu acho que você deveria me dizer o que gosta de ouvir para eu parar pensar que você é um maluco de Brooklin igual o pessoal de “Every Body Hates Chris”.

– Eu gosto de The All American Rejects. É minha banda favorita. E também All Time Low, The Maine, One Republic, Sum 41.

– Sum 41?! – ela praticamente gritou o nome no meu ouvido. – Nós temos que casar, Edward! Vamos pra Las Vegas porque eu não posso te perder. Você gosta de Sum 41!

Imaginei nós dois indo pra Las Vegas e casando ao som de Sum 41 e foi impossível não gargalhar.

– Claro, Bella. Mas não precisa ser agora, eu não vou fugir de você.

– Eu espero mesmo que não. Você é meu cara dos sonhos. Lindo, gostoso, legal e ainda gosta de Sum 41. Você não pode fugir. – Bella suspirou, mas pareceu voltar à terra um tempo depois. – Eu conheço também The Maine, All Time Low e OneRepublic, mas nunca ouvi The All American Rejects.

– Só pode ser brincadeira. Essa banda é a melhor de todas, como você pode não conhecer? Preciso urgente levar uns CDs deles na sua casa.

– Concordo. Quero ouvir a banda favorita do meu futuro marido.

– OK, então. E como eu sei que você vai gostar, ai sim podemos nos casar. Eu gostando de Sum 41 e você de TAAR.

– Isso!

Eu me movimentei pela água e Bella pediu que eu nadasse com elas nas minhas costas como o pai dela fazia quando pequena.

– Por acaso tenho cara de ser seu pai? – perguntei para ela que riu.

– Não, mas é legal como ele. Vai logo! – empurrou minha cabeça.

Eu revirei os olhos e comecei a nadar com elas nas minhas costas, afundando. Eu mergulhei e quando levantei Bella começou a rir. A garota era maluca e isso me divertia. Eu podia flertar com ela porque era difícil controlar esse meu lado que fazia isso com garotas bonitas, mas eu preservava muito nossa amizade e não queria estragar aquilo.

Quando Bella conseguiu me matar de cansaço nós nos secamos e trocamos de roupa. Tive que emprestar uma camiseta para ela, já que a dela era branca e havia ficado transparente. Fomos para a minha casa, onde ficamos até tarde jogando videogame. Era engraçado ver Bella me xingando por errar algum lance no basquete, e mais engraçado ela fazendo uma dancinha da vitória quando conseguia. Depois que ela foi embora, eu tomei um banho e cai exausto na cama. Bem lá no fundo eu estava ansioso para amanhã na hora do teste. Ansioso para mostrar para Carlisle que eu já tinha aprendido a lição e ele poderia confiar novamente em mim. Passar naquele teste seria um grande passo para mim.

Notas finais do capítulo
Bem, finalmente apareci com um capitulo de AG. Espero que vocês tenham gostando desse e dos flertes da Bella e do Edward, assim como a inocente Tânia. O ódio da Bella pelo Brad vem de um motivo que ninguém vai acreditar, vocês vão se surpreender, ja aviso kkkk
Eu queria avisar pra vocês que vai ficar um pouco dificil para eu postar a partir de agora porque consegui um emprego, então... Mas não vou abandonar minhas fics nem nada disso, eu vou termina-las. Espero que vocês entendam e tenham paciencia.
Obrigada a todas vocês que comentaram e obrigada as que recomendaram. Espero logo aparecer com o próximo capitulo.
O DOWLOAD DE REVISTA NERD : http://www.filefactory.com/file/4leno7pdvw5r/n/Revista_Nerd.pdf
Beijos




(Cap. 12) Efeito Dominó

Notas do capítulo
Eu sei que demorei demais, podem me xingar, bater e o que quiserem porque eu aceito, mas antes leiam o capitulo kkkk

11. Efeito Dominó

BELLA POV

O barulho do relógio parecia ser um martírio para mim naquele momento. Sentada naquela poltrona enorme de couro marrom e olhando para o nada, eu estava entediada. Batia o pé freneticamente no chão, olhando para todos os lados e soltando suspiros a cada trinta segundos. Eu precisava sair dali, mas não sabia como. Eu não fazia nem ideia de como havia ficado presa ali. Era um carma horrível que me perseguia e fazia tudo dar errado.

Olhei mais uma vez para o relógio, vendo que haviam se passado apenas um minuto desde ultima vez que tinha olhado. Aquilo poderia ser pouco para qualquer pessoa, menos para mim. A cada segundo eu ficava cada vez mais nervosa e mais desesperada, sabendo que tudo estava se tornando mais perto de dar errado. E não podia dar errado.

Olhei para o outro canto da sala de John, vendo Edward sentado no chão e com a cabeça encostada na enorme estante de livros. Ele tinha os olhos fechados e a expressão estava calma, mas eu sabia como na verdade ele estava se sentindo. Desviei os olhos para meus pés e mordi o lábio inferior. O problema era que nenhum de nós dois tínhamos um celular porque o meu eu perdera quando entrei na água e Edward porque o professor pegou.

– É tudo culpa minha. – murmurei. – É tudo culpa minha. Droga.

– Relaxa, Bella. – Edward suspirou.

– Não, Edward. Eu não posso relaxar.

Levantei da cadeira em um salto e fui até a porta, tentando inutilmente mais uma vez abri-la, mas não adiantava de nada. Tentei soca-la e gritar por socorro, e mesmo assim não deu em nada. Estávamos presos ali e não havia ninguém perto o suficiente para ouvir meus gritos. Nem o John que eu julgava ficar sempre rondando a sala dele e que nunca ia pra casa dessa vez não estava. Também, ele estava no Ginásio assistindo o teste dos meninos da natação.

Esse que era para Edward estar presente.

E a culpa de estarmos aqui, presos, era totalmente e somente minha. Eu era um problema que causava problemas para os outros nas horas mais erradas. Devia ter imaginado que ao ajudar Edward, em alguma coisa eu ia fazer tudo dar errado porque eu sempre era assim. Ajudava, ajudava e no final fazia as coisas irem por água a baixo. E pior, dessa vez não teria água para Edward ir.

Não. Eu não podia deixar as coisas assim.

– SOCORROOOOOOOOOOOOOOOOOOO! NOS TIREM DAQUI! AHHHHHHHHHHHHHHHH! SOCORROOOOOOOOOOO! ESTAMOS PRESOS AQUIIIIIIIIIIIIIII! – eu berrava desesperadamente.

Mexi nas maçanetas, soquei a porta com toda a minha força, chutei e soltei mais um grito que poderia ter estourado os vidros, mas não aconteceu nada. Encostei a cabeça na porta, meus cabelos caindo no rosto.

– Ninguém vai me ouvir. – falei com a voz chorosa.

– Eu sei.

Fiz uma careta e senti vontade de me dar um soco por tudo que havia feito naquele dia. Desde o começo até agora, nos deixando presos na sala da diretoria. Eu odiava meu irmão e Jacob Black.

Eu estava em um estado de nervosismo, adrenalina e energia que não era permitido para alguém como eu. Queria poder nos tirar dali, fazer alguma coisa, correr, pular, qualquer coisa e acabar com tudo aquilo que passava por mim. Me sentia culpada por não ter ouvido nem Emmett e nem Rosalie, por ter sido teimosa mais uma vez quando eles só queriam meu bem. Se a situação envolvesse apenas eu, para mim não teria nenhuma importância estar ali, mas também envolvia Edward e nesse exato momento ele tinha um teste para entrar no time de natação.

Precisava encontrar uma forma de nos tirar dali ou então nunca me perdoaria pelo que havia feito com Edward.

– Eu preciso de um grampo! – falei desencostando da porta e indo até a mesa do John.

– Pra que? – Edward perguntou.

Sua voz estava triste, eu percebia. Eu era uma maldita.

– Pra abrir essa porta. Eu não sei o que aconteceu para estarmos presos aqui, mas eu vou nos tirar. – abri uma gaveta da mesa e comecei a procurar por algo que desse para abrir as portas.

– E você sabe abrir porta com grampo?

Eu parei de revirar a gaveta e olhei para Edward com uma careta.

– O que você acha?! Eu assisto a filmes! – voltei a procurar nas gavetas, encontrando um clipe. – Ahá!

– Não acho que você vai conseguir. Ninguém aprende abrir portas apenas assistindo filmes.

– Edward, você está falando com Bella Swan, e Bella Swan consegue tudo apenas assistindo filme.

Me encaminhei para a porta e desfiz o clipe.

– Mesmo assim. Você só os ver enfiando o clipe ou o grampo na fechadura, mas você sabe como funciona lá dentro?

– É claro que sim! Eu já joguei Obscure II e lá mostra como funciona. É fácil, fácil.

– Se você está dizendo.

Eu sorri para ele e me abaixei um pouco, colocando o clipe na fechadura. No jogo eu havia visto como funcionava a fechadura e torcia para que na vida real também fosse daquele jeito. Emmett e eu jogávamos muito aquele jogo e teve uma parte – uma das mais difíceis – que precisávamos abrir uma porta enquanto vinham monstros sem parar. Ele ficou com a parte de matar os monstros e eu com a de abrir a porta. Claro que no vídeo game era apenas mover a alavanca, mas não deveria ser tão diferente, certo?

Errado!

Eu tentei de todas as formas abri aquela porta com o maldito clipe e não consegui. Até que me irritei, torci o clipe e... Um barulhinho foi ouvido quando eu o quebrei lá dentro.

– Sério?! – Edward falou com uma expressão de surpresa.

– Er... – joguei o clipe pra longe e sorri amarelo. – Acho que não deu certo.

– Não. Não mesmo. Deu foi muito errado.

Eu soltei um choramingo.

– John pão duro não compra clipes mais resistentes.

– Você não tem que se preocupar se os clipes são bons. Agora você tem que se preocupar se vão conseguir abrir a porta com um pedaço de clipe dentro da fechadura.

Eu olhei para Edward por uns três segundos até arregalar os olhos e abrir a boca em um “O” pensando em como eu tinha ferrado com tudo. Logo essa surpresa passou para tristeza e não consegui conter meus lábios em fazer um bico que eu sabia que mais parecia uma tromba de elefante.

– Eu sou um desastre.

Edward me lançou um olhar triste, mas ao mesmo tempo estava divertido. Ele estendeu a mão na minha direção me chamando para ir me sentar ao lado dele. Eu fiz uma expressão de choro e ele negou com a cabeça, continuando a me chamar. Com um suspiro, eu me aproximei e peguei a mão dele, entrelaçando nossos dedos. Edward me puxou para sentar ao lado dele e passou o braço ao redor do meu pescoço. Ele voltou à posição de encostar a cabeça na estante.

– O que vamos fazer? – perguntei baixinho.

– Vamos esperar, Bella.

Eu o fiquei encarando por alguns segundos e vendo que Edward não iria falar mais nada, encostei a cabeça no braço dele e também fechei os olhos. Não havia mais nada que pudéssemos fazer. Eu queria tentar tudo, mas sabia que assim como aconteceu com a porta, ao invés de melhorar eu iria era piorar a situação. Tínhamos mesmo que esperar alguém vir no ajudar. O que não ajudava era aquele relógio com o tic tac a cada segundo nos lembrando de que o tempo passava e a chance de Edward entrar pro time de natação também.

NOVE HORAS ANTES

– Você poderia parar um pouco com isso. – Emmett resmungou.

– Eu não consigo.

Ele esticou a mão e tocou minha perna que eu balançava sem realmente perceber. Dei um tapa na mão de Emmett, que suspirou. Eu não queria ninguém me controlando hoje, eu precisava ter algo mexendo ou então enlouqueceria.

– Bella...

– Emmett, não começa! – me virei para ele. – Eu sei o que você vai falar, mas não quero nem saber. Eu estou nervosa e vou continuar nervosa.

Emmett ficou me encarando com uma expressão de “É mesmo?” e então revirou os olhos.

– Acho melhor você me respeitar ou então te jogo pela janela.

– Eu deveria ter vindo com meu carro. – cruzei os braços e bufei. – Pelo menos nele eu poderia falar, cantar, dançar e me mexer a hora que quisesse.

– Só se você quisesse causar um acidente. Renée mandou você vir comigo então não reclama. E pelo amor de Deus, Bella, você cantando é um desastre, dançando então é pior ainda e é irritante com essa perna. – ele tocou minha perna que tinha voltado a tremer.

– Sai! – bati nela. – Eu sei cantar muito bem, Emmett. E dançar... Melhor ainda. – fiz uma careta.

– Nunca que Bella Swan sabe cantar.

– Você quer comprovar?

– Eu moro com você, sei muito bem seus dons de canto.

– Você só pode estar falando de você mesmo cantando. – fechei os olhos em fenda e abri um sorriso maligno. – Ou você acha que eu não sei que você tem gravações sua debaixo do colchão?

Emmett freou o carro e meu corpo foi projetado para frente. Se eu não tivesse de cinto tinha atravessado o para-brisa.

– Ficou louco?! – berrei. Emmett me encarava com os olhos extremamente arregalados. – Não adianta ficar todo assustado porque eu sei mesmo do seu segredo, camarada.

– E-eu nã-não tenho se-segredo-do, Be-Bella.

– Ihh, nem adianta negar. – balancei a mão para ele. – Eu sei de tudo, Emmett. E se quer saber, eu já até ouvi as asneiras que você fala... Ou você cantando Katy Perry. – e então comecei a gargalhar lembrando as gravações do Emmett. – Porra, Emmett, você é babaca demais...

– Cretina! – ele resmungou acelerando o carro novamente.

Eu continuei rindo dele, sem me importar com seu xingamento. Isso era quase como um apelido carinhoso entre nós.

– Eu ainda não sei do que você está falando... – ele murmurou.

– Claro que sabe. Aquelas gravações... Hmmm... – estalei a língua.

– Está ficando maluca, Bella. Maluca de doida pirada.

Decidi então que para me distrair até chegarmos à escola, eu poderia tirar mais umas com a cara do Emmett. Me ajeitei no banco, ficando ereta, e sorri ao mesmo tempo que mordia o lábio inferior.

– Sabe, irmãozão, se eu fosse você começava a tomar cuidado porque eu peguei algumas gravações e...

– E... – a voz dele saiu fina e vacilada.

– E gravei em um CD para o caso de que eu precise te ameaçar... Como agora.

Mais uma vez Emmett freou o carro bruscamente e eu fui para frente, mas dessa vez eu não briguei com ele, só comecei a gargalhar. O garoto estava já ficando roxo de desespero e medo.

– Você está mentindo! – acusou.

Eu não estava mentindo. Nem na parte de haver gravações nem na parte de que eu havia pegado umas para poder usar como ameaça. Meu irmão burro que não ficasse de olhos bem aberto para o que fazia comigo para ele ver a vergonha que passaria.

– Eu não minto, Emmett. – falei e ele ergueu uma sobrancelha. – Não quando o assunto é ferrar com você.

Eu comecei a rir e ele negou com a cabeça, decepcionado comigo.

– Você... É a criatura mais maligna e cruel desse mundo. – falou.

– Tanto faz. – dei de ombros. – Agora volta a dirigir pra chegarmos logo na escola porque eu quero ver o Edward.

O nome do ruivo foi como um botãozinho para Emmett colocar uma carranca. Ele achava que estava me perdendo para Edward, o que significava que Emmett era um bundão de um ciumento. Não era a primeira vez que eu passava por isso. Com Rosalie foi à mesma coisa e levou um tempo para ele se acostumar de que eu tinha mais amigos além dele. Assim como eu fiquei quando apareceu o Alec. Era nisso que dava você ser hiperativa e não ter muitos amigos além do seu irmão acabava que o laço se tornava forte e o ciúme maior.

– Quando essa aproximação de vocês vai acabar? – perguntou carrancudo.

– Você está querendo saber sobre os treinos ou sobre nossa amizade?

– Os dois.

– Os treinos terminaram ontem. – suspirei ao me sentir ansiosa mais uma vez. – E amizade você sabe Emmett, isso não somos nós que resolvemos.

– É, é. – ele resmungou. – Espero que quando acabar, não seja pra algo pior.

– O que você quer dizer com isso?

– Não vou falar pra não dar ideia. Ainda mais uma pessoa tão ruim comigo como você é!

No resto do caminho Emmett foi me xingando de ser maligno e que eu iria pro inferno por mentir falando que ele tinha aquelas gravações, e que se ele tivesse eu iria para o inferno também porque entrei no quarto dele e roubei as gravações. Isso só me fazia rir.

Sempre que eu estava deprimida, eu pegava os CDs e ouvia. Aquilo era um ótimo antidepressivo para qualquer pessoa, até para os que já pensavam em suicídio. Ele cantando u so gay e hot n’ cold é mais do que hilário. Inesquecível.

Quando Emmett estacionou o Jipe na vaga de sempre, arrumei minha mochila no ombro e saltei no mesmo momento, nem esperando ele parar direito.

– Bella! – ele exclamou. – Essa garota hoje vai se matar.

Eu ignorei ele e corri até Rosalie, que já estava ali. Assim como Alec.

– Rosalie! Rose!

– Ai meu Deus... – ela murmurou a me ver correndo.

Eu soltei uma gargalhada e pulei no colo dela, enroscando minhas mãos no pescoço dela. Rosalie deu um passo para trás e bateu o corpo de encontro ao carro, soltando um gemido de dor com o impacto.

– Você ficou louca?! – ela perguntou tentando me afastar. – Quer me matar, é isso?

– Longe disso, Rouss. – dei um beijo babado na bochecha dela, porque era o que ela mais odiava. – Bom dia!

– Ugh, que nojo!

Eu me afastei dela rindo e Rosalie limpou a bochecha, resmungando. Alec ria descontroladamente, se sufocando com a falta de ar. Aquilo me fez ficar ainda mais feliz, porque além de irritar Rosalie Hale, eu estava fazendo Alec rir.

– Que amor vocês duas. – Tânia falou ao parar ao lado de Alec. Ela olhou para ele e ergueu uma sobrancelha, depois voltou sua atenção para mim. – Ainda não entendo como vocês conseguiram mentir em cima da minha verdade.

Com ela estavam as gêmeas e Alice. Sua aproximação não era legal, ainda mais onde ela estava. Rosalie e eu nos encaramos, tensas.

Tânia queria acabar com a minha felicidade apenas por aparecer ali com aquela cara dela falsa e cheia de maquiagem, mas não iria conseguir. Hoje eu estava feliz e nervosa ao mesmo tempo, era um grande dia e ninguém me deixaria de mau humor ou o faria piorar.

– Claro que você não entende, Tânia. Essa sua mente limitada só entende de roupa, sapato, maquiagem e maldade. – Rosalie quem respondeu.

– Isso não é verdade! – Tânia bateu o pé.

– Não é! – as gêmeas falaram e todos nós paramos pra olhar pra elas.

Aquelas duas quase nunca falavam algo. Elas só estavam ali pra seguir Tânia e se ferrarem por ela. Alice era a que falava alguma coisa de vez em quando e mais inteligente para não se ferrar por Tânia.

– Eu entendo muita coisa! – Tânia falou ignorando a nossa surpresa.

– É! – as gêmeas repetiram.

– Tudo bem, hoje o dia está estranho. – Emmett se meteu. – Primeiro que Bella... Esquece ela. – ele mudou quando lembrou que não podia falar das gravações. – E segundo que essas gêmeas ai – apontou para elas. – chega aqui falando, o que não é normal. E ai tem Tânia que... Porra! A garota está se achando inteligente, isso não é estranhamente bizarro?!

Meu irmão burro tinha finalmente feito algo que preste. Nós começamos a rir tão alto que o estacionamento parou para ver o que estava acontecendo. Aquela era uma boa piada. Sim, era muito estranho Tânia achar que era inteligente sendo que era uma das pessoas mais burras que eu havia conhecido. Calma, ela era esperta para bolar planos e me ferrar, mas a massa cinzenta dentro da cabeça dela era vazia para o resto. Uma vez ela achou que Alasca era um país. Um país!

– Isso não teve a menor graça, Swan. – Tânia cruzou os braços emburrada. – Vocês são tão... Tão...

– Não se esforce muito para pensar, gata. – pisquei um olho para ela. – Agora que tal você entender as próximas palavras que vou falar agora e obedecer, hm? Lá vai... CAI FORA! – eu gritei ao empurrar ela para que saísse e as gêmeas a seguraram.

– Não me toque! – Tânia se empertigou toda. – Eu sei andar.

– Se soubesse não estaria aqui ainda.

– Argh! – ela bateu o pé com o tênis rosa. – Eu odeio você, Bella!

– É reciproco, querida. Agora vai vai vai.

– E se eu não quiser? – decidiu bater de frente comigo.

Eu pensei algo em que a fizesse sair dali sem precisar usar agressão ou tocar nela novamente, até que meus olhos bateram em um ser do outro lado do estacionamento. Eu não ia com a cara dele e não curtia o que ele fazia, mas se fosse para Tânia sair dali, então que se dane.

– Você vai querer. Olha Tânia, o Brad. Ele está olhando pra você! – apontei para o garoto.

Por causa das minhas palavras eu presenciei a cena de um filme alienígena. Não que eu já não soubesse que Tânia era uma ET, mas eu finalmente vi. Ela virou o rosto tão rápido que foi impressionante o pescoço dela não ter se deslocado do corpo e flutuado. Só depois que ela virou o corpo.

– Aonde? Cadê? – ela perguntou já suspirando.

– Não sei, vai procurar! Sai daqui! – a empurrei.

Tânia soltou mais uns resmungos e saiu da minha frente, sendo seguida pelas gêmeas e Alice. Assim que ela saiu revelou os Cullen parados atrás dela. Edward tinha uma sobrancelha levantada e uma careta engraçada, já Renesmee estava sorrindo.

Eu esqueci qualquer vestígio de Tânia quando meu olhar encontrou com o de Edward e abri um sorriso, voltando à mesma animação que estava no Jipe. Eu balancei as mãos, animada e não me contive, correndo até ele e pulando em cima dele, como tinha feito com Rosalie. Só que ao contrario dela, ele conseguiu me segurar apenas dando um passo para trás.

– Edward! É hoje! É hoje! Cara, é hoje!

Edward gargalhou , assim como Renesmee.

– É Bella, é hoje. Animada?! – brincou.

– Animada? Animada é pouco para mim, amigo! – nós rimos.

Ele me colocou no chão e passou o braço por cima do meu ombro. Nós voltamos para o grupo. Emmett, que conversava com Alec, já colocou a carranca ao ver Edward. Eu sabia que aquilo logo passaria e ele voltaria amar Edward, era apenas ciúme bobo de me perder. Não que ele estivesse, mas vai entender a mente do meu irmão. Se é que ele tivesse cérebro para pensar. Emmett era, assim como Tânia, feito apenas para entender algumas coisas.

– Olha nosso nadador favorito! – Rosalie falou já mostrando a animação dela por hoje. – Pronto pra entrar para o time, Edward?

– Desde que me inscrevi.

– E vai! – Renesmee grudou no outro braço dele e saltitou como uma garotinha. – Edward vai ser o melhor.

Os olhos verdes brilhavam tanto que parecia que o sol tinha sido plantado ali, só que na cor verde. Eu já vinha percebendo que ela ficava assim sempre quando o assunto era Edward tentar entrar para o time de natação. Ela tinha uma adoração por ele que eu quase não compreendia. O olhava como se ele fosse um herói para ela apenas em ser um grande nadador. Não era como a minha obsessão por nadadores de costa larga e super gostosos, era mais do que isso. Era mais sentimental.

Eu precisava perguntar para ela o porquê disso. Não podia me esquecer.

– Vai poder ter torcida? – Emmett perguntou voltando um pouquinho ao normal.

– É apenas o teste, eu acho que não. – Edward falou incerto.

– Mas é claro que vai! – Rosalie tomou a frente. – Olha para nós – apontou para o grupo. – Acha que nós não vamos estar lá torcendo? O diretor nunca vai nos parar e ele sabe disso. Pode ter certeza que eu vou estar lá, Edward, balançando os pompons pra você.

– Com certeza! – eu saí do braço de Edward e parei ao lado de Rosalie. – Como é mesmo, Rouss?

Então nós duas começamos a imitar as lideres de torcida quando era dia de jogo. Os passos que elas mais faziam nós tínhamos pegado e aprendido para poder zoar com a cara delas quando nos envolvemos em uma briga. Foi algo de Rosalie gritando “Nem sabem dançar, vadias!” da arquibancada com a resposta de “Dança melhor então, cadela!” da capitã e então Rosalie e eu descemos, pegamos os pompons delas e fizemos melhor que elas. Isso nos fez perder uns pontos com umas patricinhas e ganhar outros com os odiados delas. Foi um grande show que fez a veia da testa do John saltar.

– Vaaaaaaaai, Edward! – nós duas saltamos e gritamos juntas, balançando os pompons invisíveis.

– UHU! AEEE! É ISSO AI! – Emmett, Renesmee e Edward começaram a bater palmas e gritar.

Isso só atraiu ainda mais atenção das pessoas no estacionamento. Era normal isso da nossa parte, sempre chamávamos a atenção porque sempre tínhamos algo para brincar ou às vezes Tânia pra zoar.

O sino então tocou, para minha total infelicidade. Ficar sentada em uma carteira não era nada legal. Nós começamos a seguir para dentro do prédio, falando sobre o grito de guerra que faríamos para torcer pra Edward. Minha primeira aula era com ele, e nós sentamos na nossa ultima carteira. O professor entrou segundo depois e sem nem dar bom dia, ele iniciou a aula.

Como eu imaginava, aquela aula estava um tédio e eu não conseguia ficar parada. Tentei dormir – como Edward, que conseguiu -, mas foi impossível. Eu queria me mexer, queria levantar, queria falar. Sentia meu corpo pedindo pra que eu me levantasse e saísse da sala, fosse andar e fazer qualquer coisa, mas eu não podia. Comecei então a desenhar para ver se me distraia, e por algum tempo resolveu, mas logo eu estava impaciente novamente.

O professor então terminou o assunto dos imigrantes nos Estados Unidos. Ele pegou um giz dizendo que íamos para o ano de 1914 e escreveu no quadro negro com letras enormes PRIMEIRA GUERRA MULDIAL. Aquele era um tema que eu adorava, e não me contendo eu dei uma cotovelada em Edward e falei bem alto:

– Acorda Edward, porra! Vamos falar do Tio Sam!

– Hã? – o ruivo murmurou desconcertado pelo sono. – Sam de Supernatural?

– Não, camarada. É o Tio Sam! Tudo bem que poderia mesmo o Tio Sam parecer o Jared, sabe, ia ser bem gostoso... Mas não é esse não. É o Tio Sam!

– Srta. Swan, você poderia tentar conter-se? – o professor chamou minha atenção. – E despertar seu parceiro.

– Com certeza, professor! – eu assenti bastante séria e depois me virei para Edward, dando outro cutucão nele. – Acorda, mané! Agora!

Edward me encarou com aquela careta que ele só dirigia a mim depois resmungou, se ajeitando na cadeira. O professor negou com a cabeça, resmungou algo inaudível e então iniciou a aula, falando sobre a primeira guerra. Mesmo sendo um assunto ao qual eu gostava, no começo até me interessei, mas então eu comecei a me sentir inquieta. Olhei para Edward e ele estava também prestando atenção. Então eu também me esforcei a prestar, hora ou outra olhando pelo canto de olho para Edward. Ele estava tão bonitinho prestando atenção na aula e todo concentrado, marcando algumas coisas que eu não resisti à vontade de tirar uma foto dele.

Ontem, quando fui ao ultimo treino de Edward e ele me puxou para a piscina, me esqueci de uma coisa que estava no meu bolso. Meu celular. E como ele não era a prova d’agua, o bichinho foi para o buraco. Não dei tanta importância porque não havia nada nele de realmente interessante nele, e nem ele era interessante. Na verdade ele era um castigo de Renée. Ela pegou um aparelho que não tinha nem câmera e nem mp3, me fez colocar meu chip nele e usa-lo, isso porque eu tinha quebrado o belo iPhone que ganhei do papai. A culpa não havia sido totalmente minha, mas de Emmett também, só que ela não se importou. Agora eu não tinha mais nenhum celular.

Então, sendo esperta e rápida, eu peguei o celular de Edward que estava em cima da mesa. Também era um iPhone, o que me agradou. Eu tinha planos. Ele nem se importou que eu pegasse, continuando a prestar atenção na aula. Fazendo tudo de forma nem um pouco suspeita, eu joguei minhas pernas por cima das de dele, assim encostando as costas na parede e ficando de frente para ele. Eu então peguei o celular e mirei nele, tirando uma foto. Fez um clique e Edward virou para mim, desconfiado.

– É impressão minha ou você acaba de tirar uma foto minha? – perguntou.

– Sabia que você é bastante fotogênico, Edward? Eu acho que você deveria ser um bebe ruivo gracinha que serve pra comercial. Nossa, já estou até imaginando a coisa linda que você deveria ser. Hm, pensando aqui... Acho que quando for a sua casa vou pedir a Esme que me mostre fotos sua, pequenininho. Será que tem pelado tomando banho? Sempre tem...

A cada palavra que saía da minha boca Edward piorava a careta dele, quando terminei de falar, sorrindo, ele avançou por cima de mim tentando pegar o celular, mas eu afastei dele, rindo. Nós dois começamos uma luta pelo celular, nos xingando.

– Me devolve, Bella!

– Não! – pausa pra gargalhar. – Eu vou colocar no instagram!

– O que?! – ele parou e me encarou.

– É isso. Eu tinha um antes do meu outro celular quebrar, e nunca mais mexi. Agora da pra colocar pelo seu...

– Sua... Você é... Cruel!

– Sabe... – fiz uma expressão séria. – Já me falaram isso hoje. Yep, já sim.

– Porque você é! Agora me devolve, Bella!

Ele avançou em cima de mim novamente, e nós voltamos à disputa de quem ficava com o celular. Edward começou a fazer cocegas em mim e eu gargalhei tanto que quase fiz xixi nas calças. Ele também estava rindo.

– SRTA. SWAN E SR. CULLEN!

O berro do professor nos fez parar na mesma hora. Olhamos para frente e todos – e digo todos mesmo – estavam olhando para nós dois, e o professor parado em frente nossa carteira. Eu estava inclinada na cadeira com Edward por cima de mim. Nós dois nos encaramos com sorrisinhos constrangidos e depois voltamos para o professor.

– Oi? – falei.

Varias risadinhas ecoaram me deixando ainda mais vermelha.

– O que está acontecendo ai? Vocês dois estão atrapalhando minha aula!

– Er... Nós sentimos muito, professor.

O professor negou com a cabeça. O silencio continuou na sala por alguns segundos, até alguém espirrar.

– E então? – o professor mexeu as mãos.

– O que? – perguntei.

– Não vão sair dessa posição?

– Ah. – Edward soltou com uma risadinha.

Ele se afastou de mim e se ajeitou no lugar dele, sem olhar para cima. Assim como eu, Edward estava constrangido e com as bochechas vermelhas. Era fofo demais para minha sanidade.

– Cadê o celular, Isabella? – o professor mexeu a mão na frente do meu rosto, me fazendo parar de olhar para Edward. – Cadê?

Eu pisquei os olhos rapidamente e levantei a mão com o celular do Edward, que o professor pegou e colocou no bolso do blazer dele.

– Hey! – Edward protestou.

– Você só vai ter ele de volta no final das aulas. Agora, se forem para continuar com isso, podem sair da minha aula.

Eu arregalei os olhos e sorri.

– Você está falando sério?

– Estou, srta. Swan.

Eu peguei meu caderno e minhas canetas, joguei minha mochila no ombro e levantei em um salto.

– Então até depois, cara. Adeus pra vocês. – acenei para o restante da sala, que riu.

Quando estava na porta, parei e olhei para Edward, que tinha uma careta. Aquela, sabe?

– Você vem, Edward?

Ele me encarou por alguns segundos, balançou a cabeça como se espantasse algum pensamento e sorriu, também pegando as coisas dele. Quando ele passou pelo professor, o tal tocou no braço dele, o parando.

– Sr. Cullen, quero avisa-lo logo que se não quer se meter em encrencas e ir parar na diretoria, não ande com Isabella Swan. Ela não é uma boa influencia e não se importa com ninguém. – eu revirei os olhos para aquele discurso idiota.

Edward negou com a cabeça.

– Muito legal da sua parte em me avisar, professor, mas você está errado. Bella se importa sim com as pessoas. E eu não me importo em me meter em encrencas. – ele deu de ombros e se afastou do professor. – Pego meu celular na hora da saída. – avisou.

Nós dois saímos da sala, batendo a porta. Quando o som ecoou pelos corredores nós começamos a rir. Eu tirei minha mochila do ombro e guardei minhas coisas, assim como ele.

– E para onde vamos agora que temos um tempo livre? – perguntou quando terminou.

– Vamos para a água!

Edward me encarou confuso quando eu dei risada e puxei ele para que corresse.

– Para aonde vamos?

– Vamos para a piscina, Edward! Vamos relaxar.

Ele me olhou como se eu fosse louca, mas me seguiu. Do jeito que eu estava hoje não iria conseguir ficar parada em nenhuma aula, então daria um jeito de gastar energia e relaxar. Simples e fácil.

Antes que realmente pudesse pegar impulso para correr, Edward parou. Eu me virei, ficando de frente pra ele.

– Bella, o que aconteceu com você hoje?

Eu dei de ombros, sabendo do que ele estava falando. Minha animação hoje estava fora do normal.

– Vamos se disser que... Eu comi e bebi coisas que não podia. – ele ergueu uma sobrancelha. – Açúcar e cafeína. Misturei os dois e não tomei o remédio, mesmo que Renée tenha mandado. Claro que para ela eu tomei, mas é que eu estava tão nervosa que não conseguia me controlar. Por isso que hoje eu vim com Emmett, porque os dois tem medo que eu me distraia no volante já que tomei muita cafeína e açúcar, e cause um acidente. Você não acha que eu poderia causar acidente, não é, Edward? Se você quer saber eu até que estou bem, ou mais ou menos, só preciso gastar um pouco de energia e... – então para que eu não pudesse continuar falando Edward tampou minha boca.

Ele estava de olhos arregalados e tinha um sorrisinho brincando nos lábios. Eu assenti com a cabeça para que ele tirasse a mão e assim que o fez, puxei o ar, recuperando o folego que tinha perdido falando tão rápido. Foi então que comecei a rir e Edward me acompanhou.

– Agora você entendeu o que está acontecendo comigo? – perguntei.

– Entendi. – assentiu. – Precisamos encontrar uma máquina de café.

– Para que? Já não basta o tanto que estou animada?

– Eu tenho que pelo menos tentar me igualar a isso. – ele pegou minha mão, cruzando nossos dedos. – Vamos logo para podermos gastar energia na piscina.

Então foi a vez de Edward me puxar para corrermos. Um passo atrás dele, eu o encarava de forma encantada. Se fosse Emmett ou Rosalie ou Alec que estivessem comigo nenhum deles faria aquilo. Eles tentariam me controlar até dar a hora de ir embora e então me levaria para o Pioneer ou qualquer lugar que me fizesse gastar as energias. Mas nenhum deles mataria aula e faria algo tão perigoso – para o terreno escolar – como ir nadar na piscina sem o consentimento de John ou inspetor. Aquele garoto era perfeito para mim. E cada vez achava ainda mais que o destino o tinha trazido para mim, colocando-o para morar ao meu lado, e o feito chegar bem no dia que eu tinha invadido a casa para nadar na piscina. Não acreditava muito em destino, mas com Edward eu estava começando a acreditar.

NESSIE POV

– O negocio, Renesmee, é que para fazer parte, tem que fazer por merecer. Não que Tânia seja uma pessoa exigente, mas ela não aceita alguém que não tem voz de comando, que não se destaca em um lugar cheio de pessoas... – Alice ia falando enquanto seguíamos juntas para o refeitório na hora do almoço.

– Eu entendo bem sobre isso. – falei para ela. – Em Nova York os grupos também eram formados assim. E havia igual ao de Tânia.

– Isso torna as coisas fáceis.

Nós rompemos pelas portas do refeitório e seguimos em direção à fila para podermos pegar algo pra comer. Apertando meus cadernos nos braços, olhei na direção da mesa do pessoal e estava apenas Bella, Edward e Alec.

– Você vai sentar conosco, Renesmee? – Alice perguntou enquanto pegava umas coisas.

Eu desviei os olhos deles e olhei para ela, que me encarava. Alice era muito séria para uma pessoa que andava com Tânia e vivia como eu em Nova York. Era realmente estranho aquilo. Ela agia quase que roboticamente. Eu não tinha percebido isso nas gêmeas, elas apenas eram quietas. Às vezes Alice mostrava as emoções dela e agia como Tânia, só que a maioria era mais séria. O que eu não entendia por que.

Eu conhecia como era o grupo de Tânia. Já tinha convivido boa parte da minha vida como pessoas como ela e as que a cercavam. O grupo dela não era tão diferente do que eu me sentava no meu antigo colégio. E eu admitia que eu estivesse gostando de elas me incluírem, eu me sentia mais eu com elas, ainda mais quando me chamavam para fazer compras ou apenas tomar iogurte ou passear no clube. Só que também sabia que para entrar no grupo teria que fazer as exigências de Tânia, desistir de coisas que não lhe agradavam e por assim vai. Era por isso que eu não iria me deixar entrar totalmente ali.

Conhecer novas pessoas com novos jeitos me trouxe a realidade. Na verdade, depois do que aconteceu ao Edward em NY, eu cai mesmo na real e percebi que as pessoas nem sempre são como se apresentam.

E havia outra coisa que faria eu não querer me sentar com Tânia e seu grupo hoje.

– Hm... Hoje não, Alice. Eu preciso conversar algo com meu irmão.

Ela assentiu e foi pagar o que havia pegado. Eu peguei apenas uma água, sentindo meu estomago contrair e gelar, como se borboletas batessem suas asas ali. Estava com as mãos suando e o coração acelerado quando comecei a me aproximar da mesa. Com apenas Edward e Bella ali, seria fácil poder conversar com Alec, já que aqueles dois iriam ficar tão concentrados neles que nem nos perceberia.

– Oi, pessoal. – falei ao me sentar ao lado do branquinho.

– Hey, Nessie! – Bella me cumprimentou animada.

Ela estava com o cabelo molhado, assim como dava para ver que as roupas estavam úmidas como de alguém que tinha tomado banho e a colocado as pressas, sem se enxugar direito. Desviei meus olhos para Edward e ele estava da mesma forma, com o cabelo molhado e a roupa grudada no corpo.

O que havia acontecido com aqueles dois?

– Achei que hoje iria se sentar com a Denali. – Edward falou.

– Não estava com vontade. – dei de ombros, desviando rápido meu olhar para Alec e depois para baixo.

– Legal. – Bella disse e sorriu maliciosa para mim, me fazendo revirar os olhos.

Ela e Edward começaram a conversar sobre açúcar, mexendo nos pacotinhos e rindo de piadinhas que eles falavam baixo só pra eles mesmo. Alec e eu nos encaramos, constrangidos com aquilo. Mas era o que eu queria, então aproximei ainda mais minha cadeira da dele. Alec, que estava comendo o sanduiche, quando percebeu minha aproximação se engasgou, começando a tossir. De olhos arregalados eu bati nas costas dele. Aquilo atraiu a atenção da Bella e do Edward. Meu irmão fechou a expressão, mas Bella pegou o rosto dele e virou na direção dela, dando um sorriso e falando algo baixinho para os dois. Eu não sei o que era, mas foi o suficiente para distrair Edward e dar atenção só a Bella.

Me voltei para Alec, que estava vermelho depois de tanto tossir. Ele pegou a garrafa de água da Bella e abriu, tomando grandes goles. A loira não se importou ainda ocupada com Edward.

– Você está bem? – eu perguntei realmente preocupada com ele. Alec me encarou e assentiu com a cabeça de forma rápida. – Mesmo?

– Sim. – ele respondeu monossilábico como sempre.

Alec voltou à atenção dele para o sanduiche, mas sem comê-lo. Ele encarava a comida e pude perceber pelo movimento que os cílios dele fazia que ele ficava olhando para mim pelo canto. Sua pele tinha voltado ao tom branquinho, ficando apenas as bochechas meio rosadas. Aquilo era com toda a certeza a coisa mais fofa que eu já havia visto. E coisas fofas me atraiam.

Não era difícil perceber que Alec não era uma pessoa muito... Comunicativa. Uma vez eu perguntara para Bella porque Alec era assim e se era algum problema e ela me disse que tinha sim um problema chamado “vagabunda boca grande dos infernos”. Quando ela disse o nome uma raiva cintilou nos olhos dela e eu até dei um passo para trás com medo. E com essa pergunta não era que eu estivesse muito interessada nele nem nada disso, sabe? Era apenas uma curiosidade que tive por perceber como ele era diferente naquele grupo de pessoas que mais pareciam serem ligadas a bateria infinita sem precisar carregar e... Ok, tudo bem, eu estava sim muito interessada no garoto. Ele era uma graça, qual é!

Eu me ajeitei na cadeira, pegando minha água e brincando com ela ainda fechada. Olhei pelo canto do olho para Alec e ele ainda encarava o lanche, nem uma mordida a mais. Então olhei para Bella e Edward e eles estavam concentrados neles mesmos. Perfeita hora de agir. Me aproximei mais um pouco de Alec e sorrindo um pouco, falei:

– Esses dois são bastante distraídos, não são?

Alec deu um pulo na cadeira com o susto da minha voz. Ele olhou para mim de olhos arregalados e assentiu. Percebi a forma que ele apertou a garrafa. Ele estava tão ou mais nervoso que eu, mas eu não pararia de tentar falar com ele.

– Bella antes já era assim?

Alec assentiu novamente com a cabeça. Meu Deus, o que custava me responder com palavras?!

Eu me encostei à cadeira um pouco chateada pela forma que Alec agia. Emmett e Rosalie logo apareceram e também Jasper que aquele dia decidira sentar conosco. A mesa estava completa, Bella e Edward se juntaram a todos começando uma conversa animada. No começo fiquei quieta no meu canto, ainda chateada com Alec, mas aos poucos Emmett e Rosalie conseguiram trazer meu bom humor de volta.

– Nós podemos pegar os pompons das lideres, o que acha, Bella? – Rosalie perguntou animada.

Seus olhos brilhavam de excitação só de imaginar em fazer aquilo. Bella deu um pulo na cadeira.

– Eu acho ótimo!

– Ah, qual é! – Edward resmungou. – Não façam nada que possa me ferrar, por favor.

– Não se preocupe, Edward. As lideres tem medo de nós e a melhor parte: vamos devolver aqueles pompons. Não é a primeira vez que pegamos.

As duas sorriram cumplices e me questionei quantas vezes elas teriam feito algo daquele jeito.

– Edward, toma cuidado, por culpa delas e desses pompons fiquei no banco em um jogo de lacrosse. – Emmett falou e meu irmão engoliu em seco. – Mas eu vou estar lá e não vou deixar que nada aconteça!

– Eu também não! – ajudei, afinal aquela era a grande chance para meu irmão.

– Nem eu! – Jasper apoiou. – Apesar de que acho que nada para a Bella.

– Nós tentamos. – dei de ombros. – E você, Alec, vai ajudar?

Eu esperei que ele respondesse com palavras, mas ele apenas assentiu com a cabeça. Aquilo me deixou nervosa porque era só comigo que ele fazia aquilo. Emmett falara com ele uma vez e ele respondeu com duas palavras. Duas!

Nervosa eu empurrei a cadeira para trás ao levantar e sai do refeitório não querendo mais ficar ali. Podia achar isso um drama, mas eu era dramática e odiava que as pessoas me tratassem com tanta frieza.

EMMETT POV

Cara, qual é o seu problema?! – eu me virei para Alec que ainda encarava as portas do refeitório por onde Nessie tinha saído.

– Eu... – ele gaguejou sem terminar.

Todos estavam em silencio pelo que tinha acontecido. Eles não deviam ter entendido nada sobre o que tinha acontecido, mas eu sim. E talvez Edward já que ele era irmão da Nessie, e Bella que sempre percebia tudo. Nessie era uma garota bastante sociável, precisava de atenção, e eu já tinha percebido as investidas dela em Alec.

– O que aconteceu? – Jasper perguntou.

– Aconteceu que esse idiota é retardado! – apontei para Alec que arregalou os olhos. – O que custa você responder ela, hein? Nada! Para de ficar agindo igual a um babaca e faça as coisas direito, Alec.

A sua expressão de assustado passou para uma fechada, mas eu não me importava. Estava na hora de Alec largar o passado e deixar de ser uma marica idiota. E eu ia mudar isso, cansei de meu amigo ficar quieto.

– Não fala assim. – ele falou.

– Oh, ele fala! – Jasper apontou para Alec com os olhos arregalados como se aquilo tivesse sido um milagre. E era.

– Você não achou que ele fosse mudo mesmo, não é? – Rosalie perguntou com tédio.

– Achei! Nunca ouvi a voz dele direito. O garoto só balança a cabeça.

– Você é burro, retardado ou o que? Ele responde as coisas quando quer.

– Pode ser todas as opções? – Bella brincou, mas eles a ignoraram.

– Não fale assim comigo! – o tempo de Jasper fechou para Rosalie quando ele ficou bastante sério. – Eu acho o que eu quiser e se eu quiser continuar achando que ele é mudo, ele vai continuar sendo mudo!

– Fala como se ele pudesse mudar o mundo. – a loira ironizou.

Os dois então entraram em uma discussão. Eu não acreditava que Jasper iria fazer aquela cena se fosse Bella, eu ou até Edward que tivéssemos falado daquela forma, mas ele tinha uma coisa com Rosalie como se não suportasse a voz dela. Não era a primeira discussão dos dois e por isso todos ignoraram. Eu me voltei para Alec.

– Você é um panaca, Alec. Deveria ir agora atrás da Renesmee e pedir desculpas para ela. Já chega de toda essa cena, eu cansei de você não falar mais.

Eu e Alec trocamos olhares mortíferos antes dele se levantar e também sair do refeitório com raiva. Só esperava que ele tivesse ido pedir desculpas para Renesmee, pois ela merecia isso.

– Você pegou pesado, Emm. – Bella falou.

– Não, eu não peguei. – disse casualmente pegando meu lanche de volta. – Está na hora de Alec superar as coisas que passou e seguir em frente. E a melhor pessoa apareceu na hora.

Ouvi o rosnar do Edward, mas não me importei. Se ele podia passar quase vinte horas colado com a minha irmã então eu podia pegar a irmã dele emprestado. Nada mais justo. Esses dois andavam muito colados e só não dormiam juntos porque Renée não deixava e nem eu.

Ninguém mais falou nada e até Rosalie e Jasper pararam de se bicar. O resto do almoço ocorreu entediante até ele entrar no refeitório. Eu pude sentir sua presença ruim de longe e quando meus olhos caíram em Jacob Black, soltou um rosnado de raiva.

– O que foi, Emm? – Bella perguntou divertida.

Assim que ela olhou na direção que eu olhava, ofegou. Pude sentir todos – menos Jasper – ficarem tensos com aquilo. A cena rolou como câmera lenta quando Jacob virou a cabeça na nossa direção e abriu um sorriso. Ah, que vontade de quebrar aqueles dentes!

Ele começou a vir na nossa direção. Na mesma hora levantei. O que aquele estupido estava fazendo aqui?

– Bella, vamos!

– O que?

Todos – menos Jasper, claro – ficaram em pé também já se preparando para partir.

– O que está acontecendo? – Jasper abobado perguntou sem entender nada.

– Não temos como explicar agora, precisamos sair daqui. – Edward falou.

Olhei para ele e vi que tinha os dentes trincados e uma expressão nada amigável. Mesmo estando com um pouco de raiva por ele monopolizar Bella, eu sabia que ele era um bom amigo.

Nós quatro saímos da mesa seguindo na direção da saída do refeitório, que infelizmente era na mesma direção de Jacob. Ele abriu um sorriso ainda maior quando viu aquilo e eu fechei minha cara para ele. Percebi Jasper resmungando algo ao nos seguir.

Rosalie ia mais a frente e quando passou por Jacob deu um encontrão com ele, que fez uma careta. Edward e Bella, de mãos dadas, iam à minha frente, os dois também tentaram passar por ele, mas Jacob parou na frente e tentou pegar no braço de Bella, mas como se já previsse isso Edward foi mais rápido e segurou o pulso dele.

– Não toque nela. – sua voz soou baixa e ameaçadora.

Estou começando a gostar ainda mais desse Edward.

– Você de novo. – Jacob revirou os olhos. – Eu preciso falar com ela.

– Não, você não precisa. – eu parei do outro lado de Bella. – Sai daqui.

– Qual é, Emmett. As coisas não eram assim antes.

– Antes! – Rosalie voltou e parou ao lado de Jacob. – As coisas mudaram, não é, Jacob? E já faz um bom tempo. Um ano, para ser mais exata.

Jacob fez uma careta com as palavras dela. Todos no refeitório haviam parado para poder assistir a cena que estávamos montando ali. A expectativa de haver uma briga era grande.

– Como vocês gostam de tumultuar, gente.

Aquela com certeza era a ultima pessoa que deveria aparecer ali. Tânia parou ao lado de Jacob com sua constante expressão de nojo.

– Denali. – Jacob a cumprimentou.

– Quem é você? – ela o olhou de cima a baixo e depois virou para Bella. – É amigo seu?

– Não.

– Sim.

Bella e Jacob responderam ao mesmo tempo, ela negando e ele assentindo. Minha vontade foi de lhe dar um soco na cara por ser tão falso, mas Tânia estava na minha frente. Ela olhou novamente para Jacob como se realmente não se lembrasse de que era ele. Aquilo com certeza era uma encenação porque nós todos havíamos crescidos juntos naquela escola.

– Ele não tem cara de ser seu amigo, Bella. Dá pra ver de longe que ele é ainda mais baixo que você, sem classe nenhuma. – Tânia se aproximou de Jacob. – Acho que seria uma boa você sair do meu território.

Quem conhecia Bella e Tânia não estava nem um pouco confuso com aquilo, mas os novatos sim. A relação das duas era mais complicada que marido e mulher. Algo do tipo “não mexa no que é meu”. E quando Tânia queria dizer território ela estava se referindo a Bella. Uma forma carinhosa de falar que só ela podia mexer com Bella.

– Sai pra lá, Tânia. – Jacob empurrou Tânia e deu um passo a frente, tentando novamente tocar em Bella, mas Edward foi mais uma vez rápido. – Para com isso!

Edward soltou a mão dele com força.

– Eu acho melhor você sair da nossa frente, Jacob. Agora.

Edward tentou avançar em Jacob, mas Bella o segurou pelo braço. Eu imitei Edward, dando um empurrão em Jacob. Ele quase caiu em cima de uma mesa, mas se equilibrou. Furioso, avançou em cima de nós, mas Bella entrou na frente dele.

– Jacob, para! – mandou com uma voz autoritária. – Eu não tenho nada para falar com você, então me esquece.

– Mas Bella, nós temos que conversar!

– Cara, você é muito burro para entender que aquele soco que lhe dei era um cai fora?! Até a Tânia que é a Tânia entende e você não? Se manda, mané!

Claro que ela tinha que ofender Tânia, claro.

– Eu acho que já está na sua hora, Jacob. – Rosalie falou ficando na frente de Bella para que afastasse ele dela. – Vai.

Jacob encarou Rosalie com raiva.

– Isso vai dar merda. – Jasper comentou para se fazer presente.

– Eu não vou enquanto não falar com a Bella.

– Vamos ver então. – dizendo isso Edward praticamente se jogou em cima dele lhe dando um soco na cara.

Wow, e que soco!

Jacob cambaleou para trás levando a mão ao maxilar e com uma expressão de dor. O refeitório inteiro tinha prendido o folego com aquele ato.

– Edward! – Bella gritou de olhos arregalados e puxou ele de volta. – Você ficou louco?

Edward ignorou ela completamente, trocando um olhar furioso com Jacob. Esse começou a avançar para retrucar o soco e eu, percebendo que Bella ia ficar no meio dos dois, avancei também para tentar proteger minha irmã. Mas antes que houvesse uma colisão ali uma voz estrondou pelo refeitório.

– O que está acontecendo aqui?!

Nós todos nos viramos para aonde o Diretor John estava. Ele parecia furioso, mas normal, porque se Bella estava envolvida em algo o John saia do juízo dele.

John andou até nós, parando de frente para Bella.

– Como sempre, você.

– É, John, as coisas não estão fáceis. – minha irmã deu de ombros. – Mas dessa vez não tenho toda a culpa. Comece por esse babaca! – e apontou para Jacob.

– Nem entrou na escola e já está me dando problema, Sr. Black?

– O QUE?! – Bella, Rosalie, Edward, Tânia e eu berramos juntos.

Jacob cruzou os braços e sorriu triunfante.

– Era isso que eu queria falar. Eu voltei para a escola e voltei também para Los Angeles. E agora para ficar.

– Deus me odeia! – Bella jogou as mãos para cima. – E o capeta ama me infernizar. É isso!

Alguns riram daquilo, menos nós que sabíamos o quão sério era aquele assunto. O John pigarreou desconfortável, talvez vendo ali a confirmação de que Bella era possuída por um ser maligno.

– Dá pra vocês me explicarem o que está acontecendo aqui? – perguntou tentando mudar de assunto.

Nós todos começamos a falar ao mesmo tempo, mas John deu um berro que nos fez calar.

– Eu posso falar. – Tânia tomou a frente.

– Nem a pau! Você não está envolvida nisso, Tânia, cai fora! – Bella a empurrou.

– Parem com isso! – John disse entre dentes. – Bella, fale!

Ah, as intimidades que acontecem por passar muito tempo na diretoria.

– Acontece, John, que Jacob Black decidiu que deveria vir até aqui me atormentar. Eu e minha gangue estávamos saindo quando ele nos barrou procurando briga.

– Isso é mentira! – Jacob bateu o pé. – Esse estressadinho que já avançou em mim. – apontou para Edward que só bufou.

– Porque você provocou. – defendi Edward. – Se não tivesse tentado se aproximar de Bella, nada disso teria acontecido.

– Então a razão disso tudo é a Bella... Como sempre. – John lançou para ela um olhar acusador e Bella só deu de ombros como se dissesse “Fazer o que? Todos me amam!” – Certo, então eu quero o Sr. Cullen, Sr. Black e os Swan na minha sala, agora!

– Só pode ser brincadeira. – Jacob resmungou.

– Agora! – John repetiu.

Como eu já estava acostumado apenas segui, já pensando em como seria a minha fuga. Bella e Edward também não reclamaram, seguindo juntos. Viu o que eu disse? Ele a monopolizava! Cara, precisavam os dois andar de mãos dadas? Não! Mas faziam e isso me irritava.

Nós chegamos à secretaria e sentamos nas cadeiras almofadadas, esperando o John vir também. A Sra. Cooper, a secretaria velha do diretor, estava lá e quando nos viu entrar seus olhos verdes bateram exatamente em Edward, brilhando. Ela ajeitou a postura na cadeira e tentou lhe lançar um olhar sedutor. Edward se encolheu ao lado de Bella e eu gargalhei. Ela parecia ter uma certa atração por ele.

– Vamos levar detenção. – Bella comentou olhando para a Sra. Cooper.

– Como sempre. – Edward revirou os olhos tentando relaxar.

– E eu nem comecei direito ainda. – Jacob disse, mas ninguém deu atenção a ele. – Quer saber, vou fugir. Aqui eu não fico.

E falando isso ele saiu da secretaria. Percebi que a Sra. Cooper nem se importou tendo apenas olhos para Edward. Hmmmm, aquilo era algo bom. Eu sorri já sabendo que meu destino também era longe daquela sala. Fiquei de pé e caminhei devagar até a saída.

– Aonde você vai? – Bella perguntou.

– Olha o corredor. – dei de ombros.

Olhei novamente para a Sra. Cooper e ela continuava olhando para Edward então aproveitei e sai da sala, correndo pelo corredor na direção contraria que eu achava que o diretor estava vindo. Eu que não iria levar mais uma detenção.

BELLA POV

– Não acredito naquele puto! – resmunguei ao ver que Emmett tinha sumido.

– Estou ficando com medo, Bella. – Edward murmurou parar mim. – Essa mulher me assusta.

– Deixa de ser frouxo! – o empurrei e percebi os olhos da Sra. Cooper brilharem com a distância que mantemos. Agora entendi porque Edward estava com medo, aquele olhar assustava. Voltei a puxar ele para mim, cruzando nossas mãos. – Certo, vou te ajudar.

– Como?

– Apenas mantenha o foco em mim e faça-a pensar que é algo meu e pronto. Acho que isso resolve.

Eu e Edward ficamos com os rostos próximos enquanto conversarmos, hora ou outra olhando para a Sra. Cooper e vendo a expressão de desagrado dela. Pelo menos não era mais aquela assustadora. O diretor John apareceu e fez uma careta ao olhar para mim e para Edward.

– Por favor, vocês estão na escola. E cadê seu irmão e Jacob?

– Não sei. Fugiram. – dei de ombros.

– Mas que merda!

Oh, John, você é espetacular! O cara era um diretor muito bom, compreendam isso. Que diretor vai falar palavrão na frente de alunos? Só o John!

– Pois é.

– Vou buscar aqueles dois. Sra. Cooper, você vai me ajudar. – ela logo se postou em pé. – E vocês dois fiquem na minha sala. Bella, nada de mexer nas coisas, entendida? Você não pode pegar nenhum videogame. E não saiam!

Dizendo isso ele saiu furioso com a Sra. Cooper atrás dele. Eu poderia até fugir, mas isso acabaria ferrando ainda mais para Edward, que daqui a pouco tinha o teste de natação para fazer. Então nós entramos na sala e fomos nos sentar nas poltronas. Por um tempo ficamos conversando, mas então me entediei e fui mexer na gaveta do John e peguei o videogame portátil que tinha lá.

– Bella, ele falou para não fazer isso. – Edward me repreendeu.

– Ah, ele não vai brigar mais do que já planeja então não faz mal. – dei de ombros. – Você quer jogar também?

Edward ponderou e então deu de ombros, sabendo que eu tinha razão. Eu praticamente me joguei em cima dele, sentando em seu colo de lado e apoiando minha cabeça no ombro dele. Nossa amizade já era bastante forte para eu agir daquela forma.

Ficamos dividindo o videogame até um John vermelho e ofegante entrar na sala. Ele se apoiou na porta e tentou recuperar a respiração. Quando olhou para nós fez uma careta.

– Será que é tão difícil vocês dois se controlarem? Saia dai, Bella!

Eu levantei e fui sentar na outra cadeira. Achei que John ia sentar na dele, mas parou na nossa frente.

– O que aconteceu, John? – perguntei.

– Seu irmão e Black me fizeram correr uma maratona. Aqueles dois me pagam amanha!

– Mas porque amanha? – Edward perguntou.

– Porque hoje acabou o horário de aula e eles fugiram.

– O que? – Edward e eu nos surpreendemos.

Não acreditava que tínhamos passado o restante das aulas naquela sala. Nós não tivemos nenhuma aula hoje já que ficamos na piscina até o horário do almoço com planos de assistir as ultimas aulas.

– E sobre o que eu falei do videogame portátil, Bella?! – John pegou o videogame da minha mão me fazendo voltar atenção para ele. – Agora vocês dois vão pagar pelo castigo deles.

– O que?! – nós levantamos em um pulo.

– É isso mesmo. Eu estou cansado e nervoso então não vou pegar mole com vocês. Foram arranjar briga, bem feito!

– Mas o Edward não pode ficar na detenção hoje! – eu bati o pé. – Ele tem o teste de natação.

John olhou para nós dois e assentiu.

– Certo, eu quero vocês dois aqui porque vou falar com o treinador pra ver o que resolvemos.

– Qual é, John! – joguei as mãos para cima. – E só nos liberar.

– Não estou afim. – John me lançou um sorriso maldoso. – Fiquem aqui enquanto assisto os testes e então falo com o treinador.

John nos mandou um aceno e saiu da sala, fechando a porta. Eu fiquei ali parada de boca aberta sem saber o que fazer ou sequer falar. Ele havia atingido um nível de idiotice ao extremo. Eu iria matar Emmett e Jacob por terem fugido. Ah, se ia.

– Nós temos que sair daqui. – falei determinada.

– Bella, isso só vai piorar as coisas. – Edward suspirou. – Ele vai falar com o treinador então quer dizer que ainda vou fazer o teste.

– Não é bem assim não, Edward. Mesmo se você fizer o teste o treinador não vai lhe colocar no time porque ele vai te achar um problema. O John não pode falar com o treinador e você não pode fazer o teste depois. Eu conheço aquele treinador muito bem. Agora levanta essa bunda branquela dessa cadeira e vamos até lá!

Edward me olhou desconfiado e negou.

– Eu não vou sair daqui. Se formos eu não vou entrar de jeito nenhum porque John vai ferrar com tudo da mesma forma. Melhor acreditar nele do que ir até lá e tornar as coisas piores.

– Você não está entendendo! – gritei me sentindo um pouco desesperada. – Nós temos que ir, Edward, senão todos os treinamentos que fizemos não vão ser de nada.

– Não é como se fosse a primeira vez que isso acontece.

O olhei confusa, mas antes que pudesse falar alguma coisa ouvi um barulho estranho vindo da porta. Era algo como um clique. Um clique de chave. Edward e eu trocamos olhares desconfiados. Eu fui até a porta e tentei abri-la, mas estava trancada.

– John? – chamei e não obtive resposta. – Hey, quem trancou essa merda? Abre agora, imprestável!

Novamente sem resposta.

– Heeeey! – gritei batendo na porta. – Abre isso aqui!

– Ah, qual é! – Edward resmungou.

Eu não acredito que estávamos trancados.

AGORA

– Nós não podemos ficar parados, Edward. – murmurei contra a pele do pescoço dele.

Eu já não aguentava mais ficar dentro daquele lugar. O meu estado de energia me deixava ainda mais inquieta e eu já havia mudado a posição ao lado de Edward diversas vezes. Ele tentava manter a calma por nós dois, mas eu não sabia até quando iria seu limite.

Lancei um olhar para o relógio.

– Daqui a pouco vai acabar os testes e então tudo estará ferrado. – neguei com a cabeça. – Eu preciso fazer algo. Cansei de esperar.

– Não temos como sair daqui, Bella. Só quando alguém vir na diretoria.

A voz sem esperança de Edward não me desmotivou. Eu nunca deixaria um amigo meu triste, nem que para isso que tivesse que derrubar aquela porta.

Levantei em um pulo e já não ligando para aquela porta, fui até as janelas. Estávamos no terceiro andar e aquilo não era nada bom, mas havia uma árvore ali perto. Eu não era uma pessoa muito habilidosa com arvores só que tinha pratica com a de casa então não deveria ser muito diferente.

– Você era uma criança normal nos parque de Nova York, Edward? – perguntei.

– Por quê?

– Porque nós vamos descer por uma árvore. – me virei para ele que tinha aquela careta. – E ou você vai por bem e com suas pernas ou por mal com um chute na bunda. Qual prefere?

Era mais que claro a decisão de Edward, certo? Eu o fiz ir primeiro com suas pernas extremamente longas. Estávamos em uma parte que a árvore ficava um pouco abaixo, mas aquilo não nos impediu. Claro que foi mais difícil para mim por ser baixa, só que Edward me ajudou. Quando estávamos na árvore nós descemos devagar até finalmente estarmos em solo firme. Vendo que tínhamos nos saído bem eu dei pulos de felicidade e Edward revirou os olhos. Ele pegou a minha mão e nós corremos na direção do Ginásio para a parte que ficava a piscina, mas antes que pudéssemos entrar, Edward parou.

– Como vamos fazer para eu fazer o teste e John não ferrar com tudo? Já que ele nos mandou ficar lá, na sala dele?

– Não se preocupe que eu resolvo isso, ok? Agora só se preocupe em entrar ali e dar o seu melhor. Quando entrarmos você segue para o vestiário, troca de roupa e vá falar com o treinador.

Edward assentiu com a cabeça, abrindo um sorriso que eu retribuí. Tentei novamente ir para as portas, mas Edward me parou e me fez voltar a ficar de frente para ele.

– Obrigada por isso, Bella. Você, com certeza, é a melhor amiga que eu já tive.

Edward me puxou para um abraço e depositou um beijo na minha cabeça. Eu encostei minha cabeça em seu peito, apertando forte sua cintura. Edward também era um grande amigo para mim e ele havia marcado seu lugar na minha vida.

– Tudo bem, muito amor essa cena, mas está na hora de você ir lá! – falei batendo na bunda de Edward o empurrando.

Finalmente passamos pelas portas duplas, chamando a atenção de todos. Aquilo sim que era entrar com grande estilo. Eu empurrei Edward para que ele fosse para os vestiários e fui à direção da arquibancada que era onde John estava já me olhando com cara feia. Tinha algumas pessoas para torcer, algo que já era bastante estranho, mas mais ainda eram que Rosalie, Nessie, Jasper, Emmett, Alec e Tânia estavam ali, todos com pompons nas mãos. Certo, o que estava acontecendo naquele grupo?

Mas antes que pudesse ir até lá, fui até John, que tinha a Sr. Cooper do lado. Essa velha maldita tinha que estar na diretoria.

– O que eu falei sobre vocês dois ficarem naquela sala, Bella?

– Desculpa, John, mas eu não podia deixar você fazer isso com Edward. Nós dois sabemos bem que se o treinador souber que Edward estava na diretoria ele não o colocaria no time e eu não vou permitir que apenas uma coisa que aconteceu por minha causa acabe com o que pode ser uma grande chance para Edward. Então se você quer castigar alguém, tem que ser a mim, não a ele. Edward vai fazer esse teste.

Pela primeira vez vi John sem palavras. Esperei alguns segundos para saber sua resposta. Ele me encarou e por fim suspirou.

– Tudo bem, então. Depois resolvemos isso, ok? Edward vai fazer o teste dele.

Eu abri um sorriso e pulei em cima de John, o abraçando.

– Obrigada! Obrigada, John!

– Tá. – ele me afastou delicadamente. – Agora vá se juntar aos seus amigos. – eu assenti e comecei a ir, mas John me chamou. – Desde que eu lhe conheço, Bella, já vi muitas coisas em que você é boa e ser amiga é uma delas. Saiba que foi por isso que eu aceitei o que aconteceu hoje, mas isso não vai mais se repetir.

Eu assenti com a cabeça para ele e ia seguir em frente, mas me virei de volta para John.

– Eu acho bom você chamar um chaveiro.

Vi a sombra de medo passar pelos seus olhos.

– Não me diga que você derrubou a porta, Isabella?

– Não. Mas ferrei com a fechadura.

E falando isso segui meu caminho.

– Onde você estava? – Rosalie foi a primeira a me parar.

– Presa na sala da diretoria. Alguém trancou Edward e eu lá dentro, o porquê eu não faço a menor ideia, mas quando descobrir quem foi vai se vê comigo. – revirei os olhos jogando a raiva pra longe. – Como estão indo os testes?

– Até agora bem. O treinador chamou o nome de Edward já, mas acho que vai o deixar fazer o teste mesmo com atraso.

– Espero. – olhei temerosa para o treinador que olhava um dos meninos nadarem.

– Bella, aqui estão seus pompons! – Nessie veio saltitando até a mim e me entregou. – Nós vamos torcer muito para Edward! Ele vai ser o melhor!

Novamente aquele olhar de que Edward era um herói para ela apareceu e eu tive que concordar com Renesmee, não só para deixa-la feliz, mas também confiava que Edward se sairia muito bem.

Tomei meu posto ao lado de Renesmee e Rosalie, olhando os meninos fazerem o teste. Quando Edward entrou naquela parte do Ginásio vestindo uma sunga, com uma toalha nos ombros e trazendo nas mãos a touca. Brincando eu soltei um “gostoso” bem alto e todos riram. Edward balançou a cabeça e foi falar com o treinador, que assentiu com a cabeça. O que quer que ele tenha falado deu certo.

– Ela adora chamar a atenção. – Tânia falou com sua voz enjoada.

Até então tinha me esquecido de sua presença, mas ao ouvir sua voz voltei a minha duvida do que ela estava fazendo ali. Me virei para Rosalie e sem nem mesmo precisar perguntar tive minha resposta.

– Ela grudou no braço de Nessie e bateu o pé falando que ia vir conosco torcer por Edward porque eles são amigos. – deu de ombros. – Até me ajudou a pegar os pompons.

Olhei para Tânia que acenou para mim com sua falsa cara de animação. Aquilo era mais que claro que ela só estava ali para torcer pelo Brad, já que não queria mostrar tão na cara, usou Edward como desculpa. Decidi ignorar a presença de Tânia.

Quando chegou a hora de Edward nadar nós todos começamos a gritar e animar aquilo. Éramos um grande grupo juntos e dos mais bagunceiros, não foi difícil termos uma torcida alta. Edward se ajeitou em cima do lugar e quando o treinador soou o apito ele pulou na água. Desde a primeira vez que o vira nadar em uma piscina olímpica eu me impressionara com a força e a rapidez de Edward e daquela vez não fora diferente.

O seu amor pelo esporte o fazia pertencer aquele lugar e ser certo fazer aquilo. O seu corpo ia ágil e gracioso ao atravessar e também ao fazer a virada de corpo para voltar em uma velocidade que para mim era surpreendente. Ao mesmo tempo em que eu gritava animada eu estava encantada ao assisti-lo. Com Edward no time eu nunca mais perderia as competições de natação, pois queria vê-lo mais e mais vezes nadando. E eu já sabia que ele estava no time, não tinha um se no meio de nenhuma frase.

Assim que Edward terminou o teste dele o treinador deu um grande sorriso para ele. Aquilo só me deixou ainda mais convicta. Então teve mais outro teste aonde os que o treinador escolhesse iam competir juntos e ver quem chegava primeiro. Edward estava entre eles. Um passo mais perto.

Novamente o apito soou e novamente ele estava lá, na água, fazendo parte dela ao nadar. Aquele garoto era demais! Nessie e eu perdemos a voz berrando e torcendo para ele, tendo a maioria da atenção, mas não nos importamos. Quando chegou a vez da ultima volta foi uma expectativa para ver quem chegaria e não me surpreendi ao ver Edward ganhar com Brad atrás dele. Estava agora na cara que tínhamos os melhores nadadores da Los Angeles High School.

Eu joguei as drogas dos pompons para longe e desci aquelas arquibancadas correndo querendo logo parabenizar Edward. Eu não acreditava que ele iria ganhar uma resposta negativa, mas se acontecesse, não importava. Edward tinha se saído bem.

Quando cheguei à parte da piscina passei pelos outros meninos empurrando eles e chegando a Edward. Ele estava de costas e em um impulso pulei nelas. A minha sorte era que Edward era forte, pois então teríamos os dois juntos para o chão.

– Parabéns, Edward! – eu soltei animada e dei um beijo estalado em sua bochecha. Ele riu. – Você foi perfeito.

Antes que Edward pudesse responder um vulto passou e se agarrou nele pela cintura. Era Renesmee e ela encostou a cabeça no peito também não se importando que ele estivesse molhado.

– Você foi ótimo, maninho. – ela falou e percebi que além de animada sua voz também estava embargada.

Desci das costas de Edward e parei ao lado de Rosalie, todos haviam se juntado a nós. Os irmãos conversavam entre eles. A voz do treinador se fez presente chamando a atenção de todos.

– Eu quero dizer que todos vocês se saíram bem. Escolher pessoas para um time não é fácil, ainda mais sabendo que todos querem muito entrar. Eu vou precisar pensar nas minhas escolhas, então apenas amanhã vocês saberão. Vou colocar no horário do almoço uma folha no painel que fica em frente ao refeitório. Agora todos podem ir se trocar e boa sorte.

Dizendo isso ele se retirou dali assim como John.

Nessie POV

Eu estava animada e feliz. Claro que estava já que tinha ouvido Bella falar com convicção que Edward fazia parte do time de natação. Ela viera comigo e com meu irmão no carro dele e a sua animação passou para mim. Bem, pelo menos uma parte. Eu também estava ansiosa para amanhã quando teríamos a confirmação de que Edward estava mesmo no time. Mesmo que aquilo fosse pouco comparado ao que ele tinha em Nova York, era também um jeito de dar um grande passo. Papai ainda seria duro, mas amoleceria um pouco ele ao ver que Edward estava empenhado tentando voltar.

Mas ainda havia algo me incomodando. Era a pequena magoa de Alec. Ver como ele agia com os outros e comigo me deixava triste porque o que havia de errado que ele não podia se aproximar um pouco? Eu era chata, irritante ou algo assim que ele preferia manter distancia? Era o que parecia. E eu não conseguia entender o por que.

Esme estava paparicando Edward e eu saí um pouco para fora. Ele merecia aquilo só para ele por um dia. A atenção de mamãe. Estava na varanda sentada torcendo para que o vizinho do carro turbinado aparecesse sem camisa, pronto para lava-lo. Mas não foi isso que eu vi, e sim Emmett e Alec vindo no final da rua. Emmett mexia a mão freneticamente e Alec tinha uma expressão de carranca. Eu podia muito bem correr para dentro, mas eu era uma pessoa curiosa e queria saber como Alec reagiria quando me visse. Então sentei na varanda de casa pegando meu celular e fingindo mexer.

Ouvi quando eles se aproximaram da casa dos Swan, a voz grossa de Emmett já era algo difícil de não ouvir e com ele ainda gritando então.

– Eu não vou mais repetir, Alec. Eu quero que você vá se desculpar! E não negue ou sou capaz de te levar até ela na base dos chutes. E você sabe que eu faço isso, Alec.

Ouvi um rosnado que imaginei ser de Alec. Eu não precisava ser um gênio pra entender que Emmett falava de mim e não pude evitar um sorrisinho.

– Do mesmo jeito que você está falando comigo! – Emmett elevou ainda mais o tom de voz dele. – Estou impressionado que conseguiu falar mais de duas palavras agora, então continue assim e vá se desculpas, seu mané. Está na hora de você começar uma conversa.

Olhei pelo canto do olho e vi Emmett empurrando Alec na direção da minha casa. A cara de Alec era engraçada.

– Só bata na minha porta quando tiver falado com a Nessie e se desculpado por ser um idiota. E torça pra ela te desculpar porque senão eu acabo com sua raça, seu mudo falso.

E falando isso Emmett empurrou Alec com força e seguiu para a casa dele. Decidi que era hora de mostrar para ele que prestava atenção e ergui minha cabeça, o encarando. Alec estava paralisado ali e com o rosto vermelho. Eu não sabia se era constrangido ou por causa do sol, mas chutava a primeira opção.

– Re-Renesmee. – murmurou.

Aquela fora a primeira vez que o ouvira falar meu nome. Mesmo tendo sido de forma gaguejada foi a primeira pessoa que me fez gostar de como soava meu nome. E não pude controlar um suspiro quando meu coração acelerou.

– Alec. – falei.

Ele olhou para os lados um pouco nervoso. Eu me afastei no degrau da varanda em um convite mudo para que ele sentasse ao meu lado, e ele entendendo, o fez. Nós dois ficamos alguns minutos em silencio sentados lado a lado. Eu tinha muitas coisas para falar e até perguntar, mas não iria fazer aquilo. Como Emmett disse, estava na hora de Alec começar a conversa. E ele sabia disso.

Alec pigarreou ao meu lado dando indicio de que iria fazer.

– Você ouviu? – sua pergunta foi baixa. Eu olhei para ele e assenti. – Eu... Queria pedir desculpas.

Ele parou esperando que eu falasse algo, mas não o fiz. Eu não o queria torturar nem nada, mas queria o ver falando mais. Não porque não iria desculpa-lo e sim porque era a minha maior vontade, ouvi-lo falando mais do que apenas algumas palavras. Alec, achando que eu queria mesmo tortura-lo me lançou um olhar de “você só pode estar de brincadeira” que eu neguei, dando de ombros.

– Não é minha intenção ser rude quando não te respondo, Nessie, só que... Eu nunca sei o que falar. – ele ergueu um ombro com uma careta. – Não que eu fale muito. – soltou com ironia o que me fez rir.

– É, eu percebo isso. – falei. – E eu já me acostumei vê-lo falar poucas palavras com os outros, mas comigo você só... Balança a cabeça. Isso é por que... Você não gosta de mim? Eu sou irritante? Chata?

Comigo as coisas não tinham enrolação, eu precisava saber e se para isso eu tivesse que soltar o verbo, eu iria.

Alec arregalou os olhos diante da minha pergunta.

– O que? Não... Não é isso.

– Então o que é? – perguntei em um fio de voz.

– É que eu nunca sei o que falar para você.

Aquilo me pegou de surpresa. Não que eu já não estivesse, afinal Alec estava falando. E tenho que admitir que estivesse amando o som da voz dele. Mas ele não saber o que falar para mim, eu que sempre conversava com todo mundo sobre tudo, era impressionante.

– Você pode falar qualquer coisa. – murmurei.

Alec abriu um sorriso, fora o primeiro sorriso realmente daqueles sorrisos abertos à vontade que recebi dele. E eu não sei explicar o que ele me causou, mas que causou alguma coisa causou. Era novamente aquela sensação de milhares de borboletas batessem suas asinhas no me estomago.

Eu não conseguia acreditar que Alec estava mesmo falando algumas palavras a mais do que o normal. Vi aquilo como uma brecha para o que mais queria fazer.

– Alec, posso te perguntar uma coisa?

Alec me olhou confuso, mas deu de ombros. Eu o encarei com tédio o fazendo revirar os olhos.

– Pode sim, Nessie.

– Certo... Eu sei que tem pessoas que não gostam de falar muito por causa da timidez e tudo, mas você convivendo tanto com Bella e Emmett não deveria ser assim, então porque você é tão quieto? Isso foi uma escolha sua? E por quê? Digo, eu não consigo imaginar nada que possa ter feito você escolher não falar muito. Eu acho comunicação uma coisa tão importante para relacionamentos que...

– Nessie...

– Olha, se você não quiser falar tudo bem, eu entendo. E eu até te desculpo pelas coisas que aconteceram entre nós, e eu sei que fiz um drama horrível, não é? Eu prometo não fazer mais isso. É que eu sou muito curiosa em relação a você e como você não sabe o que falar para mim, eu não porque te acho assim intrigante. Eu tenho muitas perguntas para você.

– Renesmee...

– Você ainda não me respondeu por que você escolheu ser tão introvertido não falando. É algum trauma ou algo assim? Tadinho, deve ter sido horrível, não é? Uma vez perguntei a Bella sobre isso já que imaginava que você não iria responder e ela disse algo com vagabunda e boca grande que não fez sentido algum. É por isso que acho que seja um trauma e...

– Chega! – Alec berrou e eu arregalei os olhos, parando de falar. – Meu Deus, como você fala.

Abaixei a cabeça me sentindo constrangida, mas é que eu estava mesmo curiosa para saber sobre ele e assim não conseguia segurar minha língua. Nós éramos o inverso na nossa situação.

– Renesmee, é só você perguntar com calma, tudo bem? Eu vou responder.

– Vai mesmo? – olhei para ele esperançosa.

– Vou. – suspirou. – Se você nunca mais fizer isso. Foi extremamente assustador.

Foi impossível não rir da cara que Alec fez. Parece que eu tinha acabado de descobrir uma forma de fazer Alec falar. Uma forma que não era nada difícil para mim porque falar era comigo mesma.

Notas finais do capítulo
ai gente que saudades que eu tava de postar aqui, serio!!! Do jeito que demorei nem sei mais se tenho leitoras, mas espero muito que sim. As pacientes que conseguiram esperar se manifestem para que eu possa saber *-*
E entao o que voces acharam do capitulo? Tudo que aconteceu quase trouxe problemas para a dupla Bella&Edward, mas como sempre eles se sairam bem kkkk Quem voces acham que prenderam os dois lá dentro? Deem seus palpites. Aviso que pode ser tanto conhecido quanto personagem novo. E Nessie e Alec? Esses dois eu tenho tantas coisas ainda pra eles!!
Eu queria pedir mil desculpas para todas voces pela minha demora, eu nao sei o que anda acontecendo comigo, mas ando tendo uns bloqueios e é uma droga. Isso porque to com dois enredos de fics na mente e acabo tendo tanta coisa pra pensar que me perco. Uma até estou adiantando e até pensando em posta-la logo, só estou esperando a capa ficar pronta ♥
PESSOAL DE REVISTA NERD QUEM QUISER BAIXAR A FIC ESTÁ AQUI O SITE http://www.filefactory.com/file/4leno7pdvw5r/n/Revista_Nerd.pdf
Bem, é isso. Eu vou tentar aparecer logo com outro capitulo de Seven Reasons e também de Aquela Garota. Me desculpem mesmo, meninas. Saibam que mesmo demorando eu NUNCA vou abandonar a fic, nao acho que isso seja certo com voces, nao tenho planos de fazer isso. Eu vou até o fim com todas minhas fics, demorando ou nao. Obrigada as que compreenderem e continuarem.
Beijos




(Cap. 13) Tensões

Notas do capítulo
eeeeeeeeeeeita que eu nem demorei, ein? foi rapidinho dessa vez, nao vou apanhar de ninguem kkk

12. Tensões

EDWARD POV

Eu realmente odeio ficar ansiosa, Edward. Fico irritante e falo demais. – Bella falou ao passar o braço pelo meu quando me encontrou no corredor. Desde que tínhamos nos visto hoje era sempre a mesma coisa que ela falava: que ela estava ansiosa e que isso a deixava irritante. – Cadê Emmett? Ele não tem essa aula com você...

– Ele tem, mas disse que ia fazer algo antes de ir para o refeitório.

Eu queria ter ido com ele, mas antes precisava ver o mural com o nome do novo time de natação. Emmett disse que não iria fazer nada agora, que esperaria por mim, então não estava tão preocupado.

– Você sabe o que é? – Bella perguntou curiosa.

– Não faço a menor ideia. – menti.

Não era para ela saber sobre o que era, foi algo que Emmett me pediu. Não que eu fosse bom em esconder as coisas da Bella porque ao mesmo tempo em que era avoada ela também conseguia ser bastante perceptiva, mas eu estava tentando agir normalmente ali. Só que ela nem prestou atenção no meu tom de voz porque como disse, ela estava ansiosa e isso significava não prestar atenção em nada.

– Deve estar fazendo alguma bizarrice dele. Tomara que leve uma detenção.

– Você é adorável. – falei cinicamente e ela riu.

Nós finalmente chegamos ao final do corredor que dava para o refeitório e ele estava lotado com muitos alunos amontoados em cima do treinador e da lista que ele pregava no mural. Bella e eu trocamos um olhar e seguimos rápido para lá. Pelo que parecia o time de natação era bastante importa e todos eram muito curiosos para saber quem tinha passado. Estava uma bagunça. O treinador pastou para conseguir sair, e ainda saiu descabelado.

– Boa sorte. – falou para mim quando passou por nós.

– Desse jeito não vamos conseguir chegar lá. – Bella resmungou olhando para todas aquelas pessoas falando juntas. – E eu não estou a fim de esperar.

– Então o que vamos fazer?

– Simples. – ela me lançou um sorriso amarelo e foi até as pessoas. – Pessoal, é o seguinte, se ninguém sair da minha frente agora eu juro que o demônio da Swan cai em cima de todos vocês. TODOS!

E foi como se Moises estivesse abrindo o mar na minha frente porque todos saíram da frente de Bella. Parece que o demônio dela era mesmo famoso ali. Bella sorriu para mim, pegou minha mão e me puxou até onde estava a folha.

– Essa garota é louca. – ouvi a voz de Brad atrás de mim.

– Você nem imagina o quanto. – murmurei e ele riu.

Nós três paramos em frente à folha aonde continha os nomes. Bella desceu o dedo murmurando os nomes.

– Olha, o babaca do Collin passou. – falou para mim e Brad soltou uma carranca. – Nossa, você está ai, eu nem vi. – soltou cinicamente e voltou para a folha. Adorável, como eu disse. – E... Abaixo do Collin está meu futuro sobrenome: Cullen. Oh meu Deus, Edward passou! – ela soltou um grito e virou para mim. – Cullen, você passou!

Eu encarei a folha vendo meu nome ali debaixo do Brad. Eu tinha mesmo passado, como a Bella falara. Meu nome estava na lista. Tinha também uma mensagem embaixo de todos os nomes informando que deveríamos comparecer na piscina no final das aulas.

– Eu passei. – falei para Bella que assentiu com a cabeça e de olhos arregalados. – Isso quer dizer que faço parte do time.

– Parabéns, cara. – Brad bateu no meu ombro. – Vamos ser uma bela dupla. – e dizendo isso saiu.

– Eu não acredito que tenho um amigo nadador! – Bella se jogou em cima de mim me abraçando. – Parabéns, Edward, você passou! Não que já não soubéssemos disso, mas mesmo assim. Ah, cara! – ela pegou meu rosto e juntos os lábios nos meus com um estalo ao se afastar.

Aquilo me pegou mesmo de surpresa, mas ali era a Bella e trocar algo assim entre nós já não parecia estranho. Eu sorri para ela que retribuiu suas bochechas atingindo um tom rosado. Minha mente então viajou para Carlisle imaginando como ele reagiria ao saber que eu tinha entrado no time. Provavelmente falaria que aquilo era o mínimo que eu podia fazer, mas eu já estava começando a me acostumar com esse novo Carlisle e realmente não parecia importante. As pessoas que se agora se preocupavam estavam felizes e isso sim parecia ser mais importante. Eu estava começando do zero e ia fazer certo.

– Vamos futuro marido nadador, vamos contar para Nessie a noticia! – Bella falou animada me puxando quando deu de frente com Tânia. – Denali!

– E então? – Tânia dispensou qualquer cumprimento.

– E então que o seu passou. – Bella piscou um olho para ela e passou por Tânia me puxando.

Eu não entendi o que ela quis dizer com aquilo, mas foi relevante quando adentramos o refeitório e Renesmee veio animada e toda saltitante.

– E então? E então?

– E então que Edward agora faz parte do time!

Renesmee soltou um grito tão alto e tão fino que foi impossível não rir. Bella gargalhou ao meu lado e nós três seguimos para a fila. Bella disse que hoje era dia de comemoração e pegou um pedaço de bolo de chocolate para nós dividirmos e o lanche natural dela. Sua boa consciência disse que ela não podia ficar mais elétrica hoje do que nunca porque não queria trazer mais problemas pro John depois da porta.

Quando todos se juntaram a nós na mesa me parabenizaram por eu ter conseguido entrar para o time. E logo começaram a fazer planos para a torcida, alguns envolvendo outro roubo de pompons das lideres.

– Eu acho melhor você comprar exclusivos só para essas três. – Jasper brincou.

– Vou fazer isso. Perguntar para uma das lideres aonde arranja e dar de presente.

– Mas assim não tem graça! – Bella resmungou. – A graça além da torcida é deixar elas muito putas da vida. Então não aceito esse tipo de presente, Edward.

Eles todos começaram em uma discussão do porque era tão legal pegar os pompons quando Emmett me puxou de canto.

– Eu o vi na escola. – murmurou baixo.

– Viu? Então vamos fazer que horas?

– Na troca de aula. Vai ter eu, você e Alec de olho nele então vai ser fácil o achar. E assim fazemos o que temos que fazer.

Eu assenti para ele e voltamos a nos sentar direito. Olhei disfarçadamente para ver se alguém da mesa tinha percebido e apenas Rosalie nos encarava com desconfiança. Essa garota não deixa passar nada! Lancei um sorrisinho amarelo para ela que fechou os olhos em fenda, então querendo fugir daquele olhar inquisidor dela chamei a atenção de Bella para comermos logo o bolo de chocolate.

Depois do almoço o sino tocou e cada um seguiu para sua a aula. A minha era com a Bella, que estava mais falante que nunca. Eu lhe dei toda atenção que pedia, mas um pedaço da minha mente ficava preso no que iria fazer na troca de aula.

– Hoje nós nem vamos ficar muito juntos. – Bella comentou enquanto mexia com a minha mão. – Você indo para o treino e eu indo trabalhar.

– Eu posso passar lá na lanchonete depois do treino e então vamos embora juntos. – dei de ombros ao sugerir.

A lanchonete do Walter ficava perto da escola – um bom ponto. Então não seria um problema depois que sair do treino passar lá.

– É, é uma boa ideia. Você não vai mais ficar todo o tempo comigo enquanto trabalho, mas ainda vale. – ela sorriu. – Garoto, o que você tem?

– Hã? – perguntei tenso com a possibilidade de ela ter percebido algo.

– Eu nunca fui assim com uma pessoa. Eu passo muito tempo com Rosalie, mas não tanto quanto passo com você. E ainda acho ruim quando não passamos tempo juntos. Então o que você tem?

Eu também já havia me perguntado aquilo quando parei para pensar o tempo que passávamos juntos. Nunca tinha tido uma amizade igual a que tenho com Bella, em que flertávamos e ainda sim nossa amizade continuava intacta, então eu não poderia entender o que acontecia, apenas que eu gostava do tempo que passávamos juntos. Bella era mesmo uma grande amiga do tipo que eu nunca tive – já achei, mas foi uma ilusão. E os flertes entre nós dois era como um passatempo para os dois.

Não querendo deixar aquela oportunidade de poder flertar mais uma vez com ela, eu abri um sorriso malicioso e aproximei nossos rostos.

– Deve ser porque você sente muita atração por mim e assim não quer ficar longe.

Bella mordeu o lábio inferior e suspirou, me encarando nos olhos.

Deus, aquela garota era demais. Ela continuar um flerte era tão atrativo que por alguns segundos eu esquecia que tínhamos criado uma amizade antes de qualquer coisa. O jeito espontâneo e impulsivo dela realmente chamava a atenção, e eu me questionava como Jacob pudesse ter fugido disso.

– Não posso negar. Você é o cara dos meus sonhos, já disse. – ela riu. – E é impossível não sentir atração, ainda mais assim... – ela aproximou ainda mais nossos rostos. – Tão perto...

E mais uma vez que percebi nós estávamos naquela bolha que entravamos quando os flertes passavam além das palavras e iam para gestos. Com Bella perto daquele jeito eu podia mesmo beija-la agindo por impulso, e talvez sem vergonha na cara – algo que diminuiu ainda mais quando comecei a andar com Bella – eu teria feito aquilo se um barulho na sala não nos distraísse. Nós dois rimos e nos afastamos.

– Sabe o que estou pensando aqui, Edward – Bella chamou minha atenção. – é quanto tempo às pessoas vão levar para começar a falar de nós dois.

– Falar de nós dois? – perguntei sem entender.

– Yep. Aqui eles curtem uma fofoca, ainda mais quando é sobre mim ou a Tânia. Nossas brigas chamam muita atenção e eles têm medo de nós duas. Nós dois somos muito próximos, agimos... Assim... Daquele jeito, então da pra saber o que passa na mente de todos. Logo, para todos, nós vamos estar juntos.

Eu balancei a cabeça ponderando o que ela tinha falado. Se for verdade então não demoraria muito para que falassem. Não sei como ainda não estava rolando pela escola inteira esse assunto porque depois do encosto de lábios rápido que Bella me deu no horário do almoço e nós andando pra cima e pra baixo de mãos dadas era impressionante ainda não termos ouvido nada. Eu nunca me importei com o que falavam sobre mim nas escolas que já estudei e aquela não seria a primeira vez, ainda mais quando iam falar que eu estava com Bella. Não via nenhum mal nisso. Sem mal, sem preocupação.

Encostei minha cabeça no ombro de Bella e sorri.

– Se você quiser podemos adiantar esses boatos com você me dando um beijo. – brinquei e ela me empurrou, rindo.

– Assim não teria graça. – falou. – Primeiro tem que começar com boatos e depois com o que eles verem, entendeu?

– Então isso quer dizer que um dia vamos tornar os boatos verdade? – me virei para ela de olhos arregalados numa expressão divertida.

– Claro! E é mais uma forma de afastar essas... Garotas daqui de você. Não posso permitir que meu futuro marido pegue qualquer tranqueira por ai. – ela deu leves tapas na minha bochecha. – Aguarde, Edward.

O seu tom de voz não me deixou saber se era novamente mais uma brincadeira de flerte ou se ela falava mesmo verdade. E era Bella ali, não tinha como deduzir. Mas o que quer que fosse, bem... Quem sou eu pra impedir ela?

Assim que aquela acabou eu recebi uma mensagem de Emmett.

Alec descobriu que ele tem aula de Química agora. Vamos o encurralar na sala de Geografia Geral que está vazia. Vem.

Eu sabia qual era a sala e por uma obra divida não tinha a próxima aula com a Bella então ela não perguntou nada quando nos despedimos. Aquilo era muita sorte. Fui correndo para a sala de Geografia Geral ignorando alguns inspetores que reclamavam pela minha pressa. Quando cheguei ao corredor eu andei mais devagar olhando para os lados, aos poucos ele ia começando a ficar vazio. Vi Alec entrar despercebidamente dos outros na sala, e fiz igual a ele, tomando cuidado para que ninguém me visse.

Quando entrei na sala Alec e Emmett estavam de costas para a porta e virados para uma pessoa encostada na parede.

– Fecha a porta, Edward. – Emmett pediu sem me olhar.

Eu tranquei a porta e fui até eles.

– Eu não acredito que até esse babaca está aqui. – Jacob soltou com escarnio. – Que porra é essa que vocês querem?

– Queremos que você fique longe da Bella. – falei e Jacob riu. – Isso é serio.

– Ah, claro. Qual é, Emmett, para que isso? O que de mal posso fazer para ela?

Com um rosnado Emmett pegou Jacob pela gola da camiseta e o prendeu na parede. Não havia Bella nem John ali e Jacob estava sozinho. Nós não iriamos bater nele – mesmo que fosse algo que eu sentisse muita vontade – apenas daríamos um recado para que ele se afastasse de Bella e não a perturbasse. Apenas isso.

– Não venha com seu cinismo, Jacob. Você sabe muito bem o que fez a ela e o motivo de eu estar aqui agora. Você a magoou, Jake e da pior forma, o que a mais deixa sensível. Foi egoísta e idiota, e eu não vou aceitar que isso aconteça de novo, está me entendendo? Não vou. Então ou você pare de perseguir a Bella e a deixe em paz vivendo a vida dela ou eu juro que acabo com a sua raça sem me importar com nada, nem com a amizade de anos dos nossos pais. É por isso que não fui atrás de você para lhe dar a lição que merecia, seu merda, só que agora você está de volta e está a magoando ainda mais. Pare antes que seja pior pra você.

Emmett soltou Jacob que cambaleou, ofegante. Ele se ergueu e arrumou a camiseta.

– Eu sei que fui errado com o que fiz, Emmett e me arrependo do dia que fui embora, mas... Aquilo tudo me assustou. Ela me assustou. Eu precisava pensar porque senão ia ser pior para ela se eu falasse algo.

– E fugir foi a melhor solução? Ignorar ela? – Alec soltou com raiva.

Só a Bella mesmo para fazer Alec falar.

– Não... Não foi a melhor solução, foi horrível. Mas agora eu quero concertar as coisas, quero fazer do jeito certo. Eu estou decidido quanto a Bella.

Eu não conseguia acreditar em como uma pessoa podia ser tão cínica quando aquele Jacob era. Ele magoou uma garota, abandonou e achava que tudo podia se concertar assim? Que grande babaca.

– Se depender de mim você não vai chegar perto dela. – eu falei sentindo a raiva tomar conta de mim.

– E quem é você pra falar isso? – perguntou com falsa diversão.

Eu não poderia falar que eu era exatamente melhor do que Jacob. Se parasse para pensar tínhamos passado por situações iguais, havíamos fugido quando achamos que as coisas haviam se complicado. Eu poderia não ser melhor nisso, mas era melhor em uma coisa. Eu não havia fugido para magoar pessoas que gostava, mas sim para não fazer mais.

– Eu sou amigo da Bella e não vou deixar você magoar ela mais. Posso não ter presenciado nada do que aconteceu entre vocês dois, mas sei que é o que você fez foi covarde. Era apenas uma garota um pouco complicada, mas você é um babaca estupido que com certeza só pensa em você mesmo. E eu posso apostar que não está aqui pela Bella e sim por você mesmo. Deve ter sentido falta da garota fantástica que ela é e do que vocês tiveram, mas é tarde demais, Jacob. Magoa não apaga as porras das coisas como você achou que faria sumindo.

– Escuta aqui, vocês... – Jacob deu um passo para que ficássemos frente a frente. Ele era apenas alguns centímetros mais baixo que eu. – Você não é ninguém para mandar eu me afastar da Bella. Eu vou conseguir reconquistar quer vocês queiram ou não, e eu sei que Bella é fantástica mesmo e vai me desculpar. Eu só preciso de um minuto sozinho com ela e pronto. Ela é fácil, simples. Então tomem cuidado ao deixa-la sozinha porque eu só preciso mesmo de alguns minutos.

Eu tentei avançar em Jacob na mesma hora em que alguém tentou abrir a porta, então Emmett e Alec me seguraram.

– O que vocês estão fazendo ai dentro?! – uma voz conhecida soou do outro lado. Nós ficamos em silencio. – Eu sei que vocês estão ai! – Rosalie berrou.

– Merda. – Emmett rosnou. – Vai embora!

– Eu não vou embora. Abra a porra dessa porta ou eu juro que trago alguma inspetora aqui.

– Qual é, Rose! – falei.

– Não. Abre agora!

Resmungando Alec foi até a porta e abriu, puxando Rosalie para dentro. Ela olhou para nós todos e abriu um sorrisinho malicioso.

– Estamos tendo um clubinho do bolinha aqui?

– Esse babaca nunca faria parte do meu clubinho. – Emmett disse com escarnio. – Nunca.

– Hey! – Jacob virou para Emmett. – Eu já fiz parte.

– Já! Agora é o Edward quem faz.

Eu olhei com uma careta para eles discutindo sobre aquilo. Era cada uma. Clube do bolinha? Qual é!

– O que você quer, Rosalie? – perguntei para ela.

– Eu? Apenas ver o que vocês estão fazendo. E então?

– Estamos mandando Jacob ficar longe da Bella. – lancei um olhar ruim para Jacob que retribuiu.

– E ele não quer obedecer. – Alec completou.

Rosalie, que até então tinha um olhar entediado, olhou para Jacob e eu pude ver seus olhos faiscarem de raiva e suas pupilas dilatarem. Jacob deu um passo para trás temendo ela, que deu um para frente, mas antes que ele pudesse fugir ela o pegou pela blusa.

– Escuta aqui, Black, ou você fica longe da Bella como esses três idiotas mandaram ou eu juro que eu acabo com a sua raça apenas estalando meus dedos. Você não vai fazer bagunça e eu não vou limpar. Fica longe se você preza sua cara bonitinha. – ela o empurrou com força. – Agora sai!

Um Jacob completamente assustado saiu correndo daquela sala sem nem olhar para trás. Eu encarava a loira na minha frente sem acreditar naquilo. Eu já a tinha visto ameaçar, mas não daquele jeito. Até eu ficaria com medo do tom e do olhar da Rosalie.

– Foi simples. – ela falou sorrindo. – Se ele chegar perto dela, me avisem.

Emmett foi o único que saiu do momento estático e chegou perto de Rosalie, enlaçando a cintura dela e puxando para ele. Rose arregalou os olhos. Aquilo não ia prestar.

– Isso sim que é voz de comando. Cada vez você me faz desejar você, Rosalie Hale. – e dizendo isso ele desceu a mão e apertou a bunda dela.

Não foi um ato muito bem pensado já que foi cometido por Emmett, é claro. Ele podia não ser um hiperativo como Bella, mas era muito impulsivo e o tal “desejo” dele pela Rosalie o fazia cometer ainda mais idiotices. Como meter a mão na bunda dela.

Rosalie ficou alguns segundos sem reação, mas quando voltou a si fez o que era esperado: meteu a mão na cara de Emmett. O estalo foi tão alto que fez eco nas paredes da sala. Ficou a marca dos cinco dedos dela na pele dele.

– SEU IMBECIL! – gritou. – Se tocar essa mão nojenta em mim de novo eu juro que eu mato você, Emmett!

– Sua louca!

– Louca? Argh, seu inútil! Eu odeio você, Emmett!

E falando isso ela saiu da sala xingando até os antepassados de mil anos de Emmett. Quando sua voz sumiu, eu e Alec caímos na gargalhada da careta de Emmett. Aquela marca ia ficar roxa com certeza.

BELLA POV

Você não é colírio para meus olhos quando estou trabalhando. – resmunguei com uma careta para Rosalie que estava sentada exatamente no banco do balcão que Edward sentava toda vez que vinha trabalhar comigo.

– Desculpa se o meu tipo de beleza não entra nos seus padrões, Isabella. E se eu não tenho um pênis. – ela me mostrou língua. – Agora pega um croissant com muita manteiga porque estou com fome.

Resmungando eu fui pegar o que ela pediu, também pegando refrigerante mesmo que ela não tivesse pedido. Já que ia pagar algo para comer que também pagasse algo para beber. A lanchonete estava um pouco cheia por ser final de tarde, algo que me acostumei. Falava com as pessoas que já conhecia e até tinha feito colegas novos. Os meninos do surf sempre vinham na sexta, sem camisas, e pediam para que eu os atendesse e então ficávamos um tempo conversando. Eles eram bastante legais. Jasper sempre tinha que me fazer entrar de volta na lanchonete e eu encontrava um Edward carrancudo. Yeah, muito legais eles.

– Aqui. – eu coloquei um prato e um copo na frente dela junto com o valor marcado num papel.

– Eu não pedi isso. – apontou para o copo. – É por conta da casa? – sorriu maliciosa.

– Sim, da casa do seu bolso. Aqui não tem nada de graça não, gracinha.

– Então você trouxe porque se preocupou em eu engasgar com a comida?

Soltei uma falsa gargalhada.

– E eu já fiz isso alguma vez, Rouss?

– Não.

– Então. – dei de ombros. – É só pra ganhar mais dinheiro mesmo.

Ela bufou, mas ignorou e começou a comer enquanto eu atendia algumas pessoas. Ao todo aquele emprego não estava sendo ruim e eu até curtia, afinal tinha sempre companhia e tinha uma boa relação com Jasper. Walter pegava no meu pé, mas já estava morrendo de amor por mim como todos. Seria fácil continuar ali até as férias.

– Você hoje parece estar num mau humor horrível. – Rosalie comentou e engoliu o gelo que ficou no copo, fazendo careta ao morder. O barulho era irritante. – Posso saber por que disso?

– Não estou de mau humor. – soltei calmamente começando a esfregar o balcão.

E eu não estava mesmo, só me sentia inquieta naquele dia. Alguns pensamentos me incomodavam.

– Vamos lá, Bella, me conte o que está acontecendo. Já faz um tempo que não conversamos...

Eu torci a boca em uma careta sabendo que era verdade. Fazia mesmo um tempo que Rosalie e eu não conversávamos sobre nós duas e em como andavam as coisas, mas não achava aquele o melhor momento.

– Pode ser depois? – perguntei depois de um suspiro.

– Claro. – ela sorriu.

Eu atendi umas meninas ali e quando em aproximei de Rosalie, ela quicou animada na cadeira.

– Você não sabe o que eu acabei de pensar agora.

– O que? – perguntei também já me sentindo animada.

– Que você está tensa, eu estou tensa e nós temos que tirar essa tensão. E como fazemos para tirar a tensão juntas?

Eu ia responder a pergunta dela, mas ouvimos o som de como se alguém fosse vomitar e olhamos para o lado. Jasper estava ali e sua expressão era de puro nojo. Ele não tinha se aproximado muito de mim hoje, acho que por causa da presença da Rosalie.

– O que foi? – perguntei para ele.

– Vocês... Argh! Que nojo do que eu ouvi agora!

– O que você ouviu, mané? – Rosalie com a sua delicadeza perguntou.

– Já posso saber quem é o homem da relação.

– Do que você está falando, Jasper?

– Do que você acha? Suas nojentas, isso é um local de trabalho! Eu não precisava ouvir obscenidades de vocês duas.

Rosalie e eu nos encaramos sem entender do que Jasper falava, até que repassei as falas de Rosalie e fiz uma careta, mas depois meu nojo se transformou em raiva e eu soquei o braço de Jasper com toda força.

– Ai! – ele falou alto.

– Seu idiota. Some da minha frente, Jasper, ou juro que acabo com a sua cara!

– A culpa não é minha que cheguei nessa parte da conversa!

– A culpa é sua sim! Nós não estávamos falando de nada e nem de obscenidades, seu idiota de mente impura do caralho. Agora some daqui!

Peguei o pano e joguei na cara dele, Jasper jogou o pano de volta e saiu resmungando um “estressada”. Rosalie e eu nos encaramos de novo e fizemos careta.

– E então, topa? – ela perguntou voltando a conversa anterior.

– É claro que eu topo! – comemorei animada. – Nossa noite vai ser animada!

– Depois fala que não é sacanagem. – Jasper apareceu atrás de Rosalie e eu rosnei tentando agarrar ele, que correu.

Mais um idiota acreditando nas coisas que Tânia fala, com certeza. Um dia que ia me vingar sobre isso, mas por enquanto me vingava só pelas outras coisas. Eu ainda não tinha uma vingança que chegaria aos pés do que ela fez.

– Mas me diz, Rouss, porque você está tensa? – questionei.

– Por causa do Emmett, o que você acha? – ela resmungou.

– O que ele aprontou dessa vez? – foi impossível não conter o sorriso.

Emmett sempre aprontava merdas para cima de Rosalie e ela sempre lhe dava na cara. Dessa vez não ia ser diferente. Eram anos assim, ele levando na cara porque tentava conquistar Rosalie. Desde quando ela começou a criar peitos Emmett se interessa por ela, mas sem sucesso. Rosalie não era o tipo de garota que pegava garotos com mentalidade menor que a dela.

– Só porque dei uma ameaça daquelas em Jacob, Emmett se achou no poder de vir e me agarrar e meter a mão na minha bunda!

– Na bunda de novo? – eu gargalhei alto jogando a cabeça para trás. – Emmett nunca perde a chance.

– Nunca perde a chance de apanhar! – ela rosnou. – Quando seu irmão idiota vai parar de tentar algo? Todos os tapas que já dei nele não são suficiente para ele saber que não quero nada?

– Ele é um Swan, Rosalie. – dei de ombros. – Swan não desiste, e ele é filho do meu pai, o que você acha? Papai é um garanhão que não leva desaforo de fora para casa e Emmett muito menos. Ele só vai desistir quando você der a chance.

– Tenho pena dele então.

– Eu quem tenho pena de você, isso. Emmett não se importa de levar na cara, ele está acostumado.

Rosalie fez uma careta e afundou o rosto no balcão choramingando que não deveria ser tão linda e gostosa. Eu concordava porque esse era o ponto forte de Emmett ser tão insistente. Ele não gostava dela, apenas queria poder um dia dizer que pegou a melhor amiga gostosa da irmã. Eu o conhecia muito bem para saber que isso não tinha nada haver com paixão.

– Calma, Rouss... – eu passei a mão na cabeça dela em solidariedade. – Um tempo você se acostuma ou acaba se entregando aos encantos de Emmett Swan.

Rosalie levantou a cabeça tão rápido que eu não sei como o pescoço não descolou do corpo. Seus olhos brilharam em descrença e eu gargalhei.

– Nunca mais repita algo assim. Eu nunca ficaria com seu irmão. Ele é tão... Tão...

– Argh! – nós duas fizemos o barulho juntas e trememos, depois caindo na risada.

– Eu só estava brincando, Rosalie. Mas não acho que não é bom você cuspir para cima, nunca se sabe. As pessoas mudam, apesar de que... Emmett não tem esperança. Mas você pode mudar então...

– Eu nunca vou mudar, ok? Agora chega de ficar tirando uma com a minha cara.

Eu soltei uma risada e fui atender um grupo de meninos skatistas que tinham chegado. Rosalie ficou resmungando no lugar dela.

NESSIE POV

Eu suspirava presa em meu próprio tedio. O dia hoje estava extremamente chato e eu não tinha nada para fazer. Papai estava no hospital e mamãe tinha ido resolver umas coisas da transferência do escritório de arquitetura dela para cá. Estava demorando afinal estávamos há bastante tempo aqui e ela ainda não tinha resolvido tudo. O escritório daqui de casa estava cheio de esboços já que ela também vivia no tédio sem ter o que trabalhar.

Ouvi a porta de casa ser aberta e levantei da cama em um pulo, desci as escadas correndo pra encontrar Edward jogado no sofá. Sem me conter fui rápida até ele e o sacudi.

– Edward! Edward!

– O que você quer, Nessie? – perguntou com a voz abafada por causa do rosto contra o sofá.

– Vamos pra praia?

– Pra que?

– Eu estou com tédio. Vamos! Vamos!

Edward resmungou mais algumas coisas falando que tinha acabado de chegar do treino dele e que ele não queria sair, mas eu insisti e ele sabia que eu não desistiria então finalmente desistiu e subiu para trocar a roupa da escola. Eu comemorei minha mais nova vitória e esperei pacientemente por ele. Quando Edward desceu, eu o puxei para que fossemos logo.

Na rua, eu me acalmei mais e nós começamos a descer aquela ladeira enorme para poder chegar à praia. O dia estava quente, mas havia a brisa fresca do final de tarde. Eu estava começando a me acostumar com a umidade do tempo, assim como o meu cabelo, e já resmungava menos.

– E como foi o treino? – eu perguntei para Edward, totalmente interessada.

Nada me deixava mais feliz em o ver fazendo o que mais amava no mundo. Não ver mais aquela sombra de tristeza em seus olhos era uma maravilha e me deixava animada todos os dias. Nem mesmo papai carrancudo conseguia acabar com o nosso bom humor.

– Foi legal e... Bom. Eu realmente senti falta de um treinador mandando em mim e também de fazer parte de um time. – ele deu de ombros, sorrindo para seus pés. – E os caras do time são legais.

– Brad está nele, não é?

– Aham. – ele assentiu. – Ele é o que sou mais próximo ali.

– Ele parece ser legal. – falei e Edward me encarou em confusão. – É que eu passei um tempo com Tânia e as meninas e... Ela só falava dele e de que ele ainda fazia parte do time de natação.

– O que Tânia tem com o Brad? – perguntou.

Sua pergunta me fez gargalhar. Estava estampado na cara de Tânia como uma melancia pendurada em seu pescoço que ela era loucamente apaixonada por Brad Collin. Ela surtava quando o via e às vezes eu achava que iria mesmo desmaiar quando ele sorria para ela. O que me fazia rir muito. Eu não sabia desde quando era essa sua paixão porque nunca perguntei nada sobre isso, sei apenas porque ando com elas e vejo essas coisas, mas tem cara de ser um bom tempo.

– Você só pode estar brincando, Edward. – falei rindo. – Tânia é apaixonada pelo Brad, do tipo... Loucamente mesmo. Você precisa ver como essa garota fica quando ele está perto ou quando sorri para ela.

– Então será que era ele que Bella se referia com “o seu passou”? – ele pensou consigo mesmo, mas eu precisava responder, porque quando eu sei a resposta, eu respondo.

– Com toda certeza. Tânia e Bella se conhecem há anos e é claro que ela deve saber dessa paixão louca da Tânia. Aliás, as duas sabem muito uma sobre a outra.

– Claro, elas são inimigas, precisam disso. – Edward revirou os olhos. – Essas revanches entre elas uma hora não vai prestar.

– O que? Essas revanches é que são as melhores. E não é por isso que as duas sabem muito uma sobre a outra, tem mais nisso, Edward. Muito mais. Você deveria conversar mais com Bella ao invés de flertarem porque assim saberia o que acontece com essa relação esquisita das duas.

Edward me encarou com diversão.

– Você anda bastante informada, Renesmee.

– Claro, eu ando com Alice e ela é a terceira que sabe muito ali. Nós conversamos bastante sobre esses assuntos. Procure um pouco saber da Bella sobre ela e Tânia, você vai se impressionar. – e eu ri, porque eram realmente impressionantes aquelas duas. A linha tênue que viviam era uma das mais engraçadas.

E enquanto eu ria, eu olhava para a ladeira a minha frente, ouvindo o comentário de Edward e foi quando meus olhos ganharam um foco, sumindo com todos os outros. Branquinho, de cabelos negros e quase considerado um mudo. Alec Volturi. Ele estava virando a esquina para descer a ladeira e do lado dele havia uma garotinha saltitante de longos cabelos negros e também bastante branquinha, como ele. Totalmente como ele.

– Renesmee? – Edward me balançou e eu o encarei. – Você está me ouvindo?

– Não. – falei e voltei a encarar Alec.

Edward deve ter seguido meu olhar porque ele bufou em descontentamento.

– Sério mesmo isso? Que vou ter que ver você encantada com um garoto?

– Melhor do que com uma garota. – eu ri e ele revirou os olhos. – Quer saber, Edward? Eu não preciso mais de você.

– O que? – ele arregalou os olhos.

– É isso mesmo. Já achei uma ótima companhia para uma caminhada e ela está andando, então preciso correr. Depois nós nos falamos, pode voltar pra casa. Beijos, beijos. – eu mandei beijos para ele por cima do ombro enquanto corria na direção de Alec.

– Renesmee! – Edward gritou e eu gargalhei.

Alec pareceu ter ouvido seu grito porque olhou para trás na mesma hora e seu olhar se encontrou com o meu. Era hoje e agora que iria tirar minhas duvidas.

Eu me aproximei dos dois, sorrindo ao mesmo tempo em que recuperava o folego.

– Hey... Alec! – o cumprimentei sob a respiração. Alec me olhou divertido e sorriu.

– Oi, Renesmee. – falou.

Deus, era tom bom ouvir esse garoto falar!

– Oi, Renesmee! – uma voz fininha imitou a fala de Alec e eu olhei para baixo. A garotinha abriu um sorriso de janelinhas. Janelinhas que eram extremamente fofas. – Eu sou a Mell.

– Oi, Mell. – falei retribuindo seu sorriso. – É um prazer conhecer você. – estendi minha mão e ela apertou.

– Também é um prazer conhecer você, Renesmee. Já ouvi falarem muito de você. – ela olhou para Alec e eu acompanhei seu olhar, nós duas rindo quando vimos a careta de Alec. – Nós estávamos indo caminhar na praia, você quer vir conosco?

Eu percebi que Mell podia ter a aparência igual de Alec, uma cópia em miniatura e feminina, mas os dois eram diferentes no jeito. Bom, pelo menos desse novo Alec, porque eu imaginava o antigo diferente, como Emmett havia me dito. Ela era falante, animada e sem vergonha nenhuma. Uma menina realmente adorável.

– Claro! – eu respondi para ela, meus olhos fugindo um pouco rápidos para Alec, que nos encarava. – Eu estava mesmo indo para lá, mas meu irmão mais velho é um chato e quis voltar.

Sim, eu estava mentindo para uma criança, mas não é como se ela fosse saber sobre isso. Não acho que ela entenderia todos esses meus esforços para ficar perto de Alec.

– EBA! – Mell gritou me assustando e depois me fazendo rir. – Então vamos logo!

Ela pegou minha mão e começou a me puxar para descer rápido a ladeira. Alec vinha atrás de nós e eu percebi que ele parecia um pouco aliviado por Mell estar pedindo minha atenção, o que só me divertiu. Ele se iludia que eu não iria tentar uma conversa.

Nós chegamos à praia e Mell soltou minha mão para poder ir brincar com as ondas depois de ter tirado sua sandália e ficada descalça. Vi ali a minha chance de ter um tempo com Alec, então esperei até que ele me alcançasse. Alec me lançou um sorriso e prendeu seus olhos na irmã.

– Nós vamos voltar à estaca zero? – eu perguntei para ele com uma careta.

Fiquei atenta as suas reações. Primeiro ele fez uma careta, depois soltou um suspiro e sorriu. Ele tinha sorrido aquele sorriso fofo que me fez sorrir também, afastando a insegurança.

– Não. – falou e eu bufei. – Não, não vamos.

– Eu gosto de resposta mais longas, Alec. São melhores e menos frias. – dei de ombros.

– É, eu percebi isso. – resmungou e nós dois rimos.

– Mell se parece bastante com você. – comentei despreocupadamente.

– Ela parecia mais... Antigamente. Agora apenas fisicamente.

E ele tinha rancor em sua voz, como se aquilo o chateasse. E ele parecia chateado consigo mesmo.

– E como era antigamente? – eu perguntei sabendo que nós tínhamos achado o caminho para que eu pudesse saber o que havia acontecido.

Mas Alec suspirou novamente e ruidosamente, que demonstrou a sua pequena raiva. Eu arregalei os olhos em surpresa. Já tinha o visto chateado, mas com raiva nunca. E eu esperei uma resposta, só que nenhuma veio.

– Porque você não quer falar? – eu insisti.

Eu não iria desistir facilmente de Alec, porque ele parecia ser do tipo de valer a pena em insistir. Eu queria saber mais dele, do porque Bella, Emmett e Rosalie o considerarem tanto – conhecer o melhor lado dele. E se para isso eu tinha que ser irritantemente irritante com as minhas perguntas, eu seria.

– Porque não. – ele respondeu brusco.

– Respostas curtas. – torci os lábios. – Se pelo menos fosse negar que desse uma explicação melhor.

Voltamos ao silencio tendo os gritos e risos de Mell se divertindo sozinha enquanto corria pela areia e pulava as ondas quebradas.

– Porque você quer tanto saber? – Alec quebrou nosso silencio depois de um tempo.

– Não é apenas curiosidade que você está pensando. – falei rápido e ele me encarou. – É um pouco isso, admito, ok? Eu não posso controlar o meu jeito e nem vou tentar para não parecer... Eu. Isso não soa legal, e se você tem que me conhecer, que seja sabendo que sou assim extremamente curiosa e falante. Mas não é só por isso, é por que... Você é intrigante e parece ser legal mesmo falando tão pouco. E nós estamos nos tornando amigos, acho legal ter uma sinceridade entre nós, como saber sobre cada um. Exemplo sou eu saber sobre Bella porque ela me contou de sua hiperatividade, ela confiou em mim e em Edward. Então eu queria saber sobre você e sobre o que aconteceu, e pra isso tenho que lhe perguntar.

Quando terminei de falar ergui meu queixo, orgulhosa com a minha explicação, mas quando olhei para Alec, que estava com o queixo caído e os olhos arregalados, eu encolhi os ombros.

– Desculpa. – murmurei e ele riu.

Aquela risada gostosa que havia ouvido ontem.

– Eu vou falar para você, mas me promete não fazer mais isso. – pediu e eu assenti, rindo. – Aconteceram algumas coisas comigo que fizeram com que eu fosse tão... Animado como Emmett e Bella, entende?

– Então você era como eles?

– Sim. – eu o encarei com uma sobrancelha erguida. – Eu era.

Aquilo me fez rir. Ele podia me achar uma irritante, mas eu gostava dele falando mais que uma palavra.

– E o que foram essas coisas?

Alec encarou a areia, torcendo a boca. Eu esperei pacientemente que ele criasse coragem e me contasse o que havia acontecido.

– Foi uma ex-namorada. – murmurou.

Alec não parecia à vontade para contar a história por vontade própria, então decidi que seria tudo a base de empurrões.

– O que ela fez?

– Ela... – ele parou, puxando uma grande quantidade de ar e encolhendo os ombros como se aquilo ainda o incomodasse. – Ela disse umas coisas. – eu esperei dessa vez, não dando nenhum empurrão. – Ela disse que eu era irritante e que falava demais, e não servia para ser seu namorado por causa disso. Falou que eu e meu jeito éramos insuportáveis e que... Tínhamos que terminar porque ela não me aguentava mais. Então por isso... Eu decidi mudar.

E então eu compreendi o que Bella quis dizer com “vagabunda da boca grande”. E eu também achava essa garota era uma tremenda de uma vagabunda sem coração por falar aquilo para uma pessoa que gostava dela – pois com certeza Alec devia gostar para aquilo o afetar tanto. E eu tive vontade de socar a cara dela e cuspir nela por ser tão insensível. Eu realmente fiquei com raiva daquela garota.

Mas isso não era algo que eu poderia fazer, e Alec ainda estava ali ao meu lado, ouvindo meus resmungos horríveis de exclamação contra a garota. Ele não expressou que estivesse triste, mas apenas incomodado. Eu parei de reclamar e decidi que iria mudar aquilo para Alec, que eu faria ele se sentir melhor, que não o deixaria ser essa pessoa tão quieta apenas por causa de alguma vadia que não o merecia.

– Quem foi? – perguntei baixinho para ele querendo saber quem havia sido.

Demorou para a resposta vir, e quando ela veio me pegou de surpresa.

– Alice Brandon.

Eu arregalei os olhos não acreditando que Alec e Alice tivessem namorado e que ela tinha feito aquilo com ele. Tudo bem que ela parecia muito um robô e robôs não tem coração, mas ela não parecia tão cruel. Só que Alec não iria mentir sobre aquilo, então ela tinha mesmo feito, e minha raiva só cresceu. Eu odiei Alice, eu queria socar ela. E se ela aparecesse na minha frente, eu o faria.

Mas eu não queria ficar com raiva perto de Alec, porque já bastava a dele, então joguei aquele sentimento pra lá e passei meu braço junto do dele, surpreendendo Alec. Ele me encarou de olhos arregalados e eu apenas sorri, dando de ombros.

– Pois acho que Alice está totalmente errada. Pessoas que falam e que são animadas são as melhores que existem no mundo porque elas são de bem consigo mesmas e fazem bem as pessoas em volta. E se você era como Emmett, Bella e Rosalie, isso significa que você era também uma pessoa fantástica. Você deveria largar essa bobeira de ficar quieto e voltar a ser o que era, porque seus amigos, que cresceram com o Alec antigo, devem estar sentindo muito a sua falta. Está na hora de deixar tudo isso no passado e ser o que você um dia foi.

Alec continuou me encarando de olhos arregalados. Eu decidi que ele precisava de tempo para pensar, então soltei de seu braço e fui me juntar a Mell, que gritou animada e pegou minha mão. Eu sabia que estava indo no caminho certo e me sentia bem em ajudar Alec.

BELLA POV

– Você tem algo para fazer hoje? – Jasper perguntou enquanto nos preparávamos para fechar a lanchonete.

Eu sorri lembrando o que eu tinha para fazer essa noite. Iria tirar meu estresse. Só de pensar em tirar eu já ficava animada, quase esquecendo que eu estava estressada e tensa.

– Sim. – eu respondi para ele sorrindo. – E não é nenhuma safadeza que você está pensando, Jasper.

Ele resmungou com uma careta e esfregou a nuca, que estava dolorida depois do tapa que eu havia dado quando Rosalie foi para casa dela. Ele nunca mais ousaria sequer pensar em algo daquele jeito novamente. Foi o melhor tapa que já dei em alguma pessoa, nem os de Emmett tiveram tanta graça e deram tanta dor como aquele. Senti orgulho de mim mesma com a mão dolorida.

– Eu não pensei. – ele falou. – E o que você vai fazer?

– Algo que não é do seu interesse. É super secreto. Mas, hm... Acho que amanha você descobre.

Ele ficou me encarando com o cenho franzido para todo o meu mistério. Eu não podia falar, era algo só meu e de Rosalie, para sempre divertir as pessoas da escola quando nós duas estávamos tensas ou estressadas. E Jasper tinha que participar dessa surpresa assistindo, como todos.

– Eu tenho até medo do que seja.

– Não precisa. É legal. – dei de ombros e olhei para todo o local limpo. – Terminamos. Acho que podemos ir.

Jasper assentiu e nós fomos para a saída. Quando eu estava saindo Walter me chamou e eu me virei com a expressão entediada para ele.

– O que?

– Eu quero avisar que nesse sábado iremos começar suas aulas de como se tornar uma dama. Depois do seu expediente, tudo bem?

Fiz uma careta e resmunguei.

– Só pode estar brincando, não é, Walter? Caramba, depois do expediente?! Ah, eu ia passar um tempo com o pessoal.

Ele sorriu zombeteiro para mim e minha vontade foi de mostrar a língua como uma criança.

– Você tem o domingo para isso. Você não vai faltar a essas aulas. Sábado, depois do expediente.

Bufei, contrariada com ele.

– Eu posso pelo menos ter uma companhia? – perguntei pensando em quem arrastaria para passar tortuosas horas comigo e Walter.

– Pode, contanto que se comporte.

Eliminei Emmett e Rosalie da lista na mesma hora. Aqueles dois se comportarem era mais difícil que eu ficar parada por muito tempo. Eles não tinham noção das coisas. Alec era uma boa opção porque quieto do jeito que era não falaria nada, e Edward por que... Edward era Edward. Aquele garoto conseguia tudo.

– Tudo bem. – falei por fim.

Ele sorriu para mim e nos dispensou finalmente, ficando para fechar a lanchonete. Jasper estava todo sorrisos divertidos para a minha situação e eu mostrei minha mão para ele, fazendo-o lembrar do tapa. Seu sorriso morreu no mesmo momento.

– Cheguei! – Rosalie fez sua entrada triunfal ao se pendurar em mim. – E então, o que acha da minha roupa?

Ela estava com roupas extremamente apertadas e pretas.

– Perfeitas. – falei e ela assentiu. – Vamos?

– Logo porque ainda temos que passar na Carrie.

– Carrie? – Jasper perguntou com uma careta.

– Faz parte do que vai te surpreender amanha. – falei para ele. – Vamos logo, Rouss. Tchau, Jazz.

Nós duas acenamos para ele, que acenou de volta com um careta. Juntas, seguimos para a casa da Carrie. Ela era uma antiga colega nossa de escola, havia terminado dois anos atrás, mas ainda mantínhamos contato. Ela fazia parte do nosso grupo de skatista e hoje era tatuadora e cabelereira. Ela tinha o próprio salão e estúdio aonde fazia as tatuagens. Frequentava ainda o Pioneer Skatepark e nós fazíamos curso de artes jutnas. E era com ela que iriamos conseguir o que queríamos.

– Rosa? – Carrie perguntou com uma careta.

Estávamos no salão dela. Era um local com pouca iluminação, cheio de pôsteres e pintado de preto. Só vinham aqui os punks que queriam algum corte maluco. Seu salão já nos rendeu boas risadas em brincadeiras de verdade ou desafio.

Carrie era extremamente bonita. Ela, assim como eu, fugia dos aspectos de garotas que vivam em Los Angeles, tendo a pele clara. Os cabelos encaracolados e enormes estavam pintados de azul dessa vez, chamando bastante atenção para os seus olhos. Ela vestia uma camiseta preta cortada até o umbigo e caindo no ombro, e um short jeans também preto e curto. Estava descalça, já que a tiramos do dentro de casa.

– Yeah, rosa. – assenti com os olhos arregalados. – Tem que ser rosa.

– Essa é completamente nova, vocês duas pedindo tinta rosa, Bells. – ela murmurou seguindo até a prateleira aonde tinha as tintas. – A menos que... Vocês estão aprontando, não é? – virou rápido para nós com os olhos cheios de divertimento e excitação. – Por isso explica as roupas pretas da Rosalie e a cor da tinta. E me deixa adivinhar... As duas passaram por algo.

– Você nos conhece, Carrie. – Rosalie disse e deu de ombros. – Sempre estamos aprontando.

– Claro. – Carrie riu e assentiu. – Será que tem como me trazerem fotos amanha?

– Com todo prazer. Você vai adorar. – assim que falei isso Carrie entendeu completamente qual era nosso plano e gargalhou. – Agora precisamos ir.

Nós nos despedimos da Carrie e continuamos nosso caminho, saindo da parte de classe média e indo para a de classe alta onde ficavam as mansões. Nós duas conversamos e riamos sobre o que iriamos fazer, até Rosalie chegar ao ponto do porque estávamos fazendo aquilo.

– Você não me disse o que estava lhe deixando irritada.

Eu desviei os olhos para o outro lado da calçada, apertando as mãos. Não era uma coisa, eram várias, e eu precisava que Rosalie me dissesse o ponto de vista dela para que me sentisse melhor – ou pior, dependendo do que ela falasse.

– Podemos dividir em tópicos? – perguntei e ela riu.

– Acho que vamos ter que diminuir o passo. – eu assenti e ela riu mais. – Certo, conte o primeiro tópico.

– Jacob. – murmurei e ela rosnou. – Ele está insistindo demais em falar comigo, Rosalie, é como se... Ele estivesse mesmo arrependido, entende? Ou como se... Tivesse algum sentimento envolvido.

– Rá, essa é nova! – Rosalie forçou uma risada. – Ele só quer ter você de volta, Bella. A amiga verdadeira que faz falta. Ninguém gostaria de perder você, entende isso? Ele só percebeu isso agora.

– Depois de um ano. – falei amargamente e ela assentiu. – E eu não sei o que pensar sobre isso, sobre sua insistência em que eu o desculpe. Seria errado fazer?

Rosalie fez uma careta, mas logo a desfez em uma expressão totalmente neutra.

– A minha opinião é que ele não merecia isso, que ele lhe magoou muito, mas... Se você sentir que deve desculpa-lo ou que acha que ele merece... Bem, a escolha é sua, Bella. Uma coisa é certa: ele não vai fazer de novo o que ele fez, porque dessa vez... Eu vou matar ele.

Seu tom assassino de brincadeira me fez gargalhar. Rosalie havia me dado à opinião dela, que era o que eu precisava. Eu ainda estava confusa sobre o que fazer quanto a Jacob, eu o queria muito longe de mim, mas eu ainda sentia pena da forma que ele implorava para falar comigo. E isso só acontecia quando ele estava longe e eu lembrava como ele pedia, mas na hora... Eu odiava tudo que sentia perto dele, todo o carinho de amigo e então só o queria longe.

Tendo aquele tópico deixado de lado, decidi passar para os outros. Que eram dois em um.

– Edward. – eu falei e Rosalie me olhou confusa. – Segundo tópico.

– Espera, é um tópico de homens da sua vida? – ela perguntou divertida e gargalhando.

– Não! – bati no braço dela, acompanhando na risada.

– É claro que é. Jacob, seu ex. E Edward, seu... Como eu posso definir vocês dois? Hum... Amigos não completa tudo. Tem também o fato de que os dois flertam todos os momentos como se estivessem prontos para se pegarem onde estiverem.

– Mas nós não nos pegamos... Ainda.

– Ainda. – ela completou. – Eu prevejo que logo vai acontecer.

E essa era um dos tópicos sobre Edward. Que cada vez mais nossos flertes estavam quase nos levando para contatos físicos. Toda vez que nós começávamos a minha vontade era de agarrar ele mesmo. E sim, esse era os sentidos dos flertes, mas com nós não podia, éramos amigos.

– Isso seria um problema? – perguntei para Rosalie que me olhou descrente. – O que? Eu estou preocupada com a nossa amizade, Rosalie.

– Uma amizade como a de vocês não vai ficar amizade para sempre, Bella. Eu lhe conheço, é impulsava e Edward é homem, se vocês dois flertarem dentro de quatro paredes e só os dois...

Eu sorri imaginando o que aconteceria, mas logo reprimi o sorriso quando vi a cara maliciosa de Rosalie.

– Qualquer garota iria sorrir se pegasse Edward Cullen, ok? – me defendi e ela gargalhou.

– Claro, claro. Isso eu não posso discordar. – deu de ombros. – Mas eu não acho que seria um problema entre vocês dois. Edward é bastante compreensível com as coisas, e ele é... Dos nossos, Bella! Se vocês se pegassem seria uma coisa tão normal que depois passaria sem nada atrapalhando, nem constrangimentos. Ainda mais vindo dos dois mais sem vergonha na cara que eu conheço.

– Hey!

– Fala sério, vocês não tem vergonha. Então se acontecer, aconteceu. E pare de pensar que pode acontecer como aconteceu com Jacob, porque não vai.

– Como você...

– Eu sei. – ela me cortou deliciada como era. – Eu lhe conheço mais do que a mim mesma, Bella. E eu sei exatamente o que você pensa. Não vai acontecer por que a) – ela ergueu um dedo. – Edward já sabe sobre você. E b) – ergueu outro dedo. – Edward é diferente daquele babaca do Black. Chuta a bunda desse medo para longe e faz o que você quiser. Quero dizer, vocês dois vão flertar, insinuando naquele desejo que vocês sentem e não é com se você fosse parar e pensar quando Edward começar a te pegar daquele jeito com aquelas mãos e...

– Rosalie! – eu gargalhei alto. – Deixe que só eu imagine essas coisas, hum?

– Tudo bem. Eu imagino outras coisas sobre mim e seu outro vizinho. – mexeu as sobrancelhas e nós duas sorrimos juntas.

Outro tópico resolvido. E nós continuamos andando quando Rosalie se lembrou do resto.

– Qual outra parte do seu tópico sobre Edward?

E eu corei, loucamente. Rosalie ficou confusa diante dessa reação, o que só me fez corar ainda mais. E ela franziu as sobrancelhas.

– Rosalie, qual mal seria se eu sentisse muito a falta do Edward apenas nessas horas que ficamos longe?

Ela arregalou os olhos e parou. Com uma careta parei na sua frente, torcendo as mãos de forma nervosa.

– Não seria mal... Seria... Meu Deus, como você pode corar falando sobre sentir falta dele, mas não corar falando que imagina vocês dois se pegando?!

– Sério mesmo que você vai falar disso?

– Não... Não. Você está sentindo a falta de Edward?

Eu mordi o lábio e assenti.

– Foi tão estranho não ter ele comigo lá na lanchonete comigo, sabe? Eu me acostumei tanto ter ele para conversar e flertar. E hoje eu senti falta dele. E agora... Eu também estou sentindo.

Rosalie ficou parada e nós duas nos encaramos com uma careta.

Fora aquilo que mais me deixara irritada quando estava trabalhando. Eu o queria lá, comigo, como os outros dias. E toda vez que o maldito sininho tocava eu olhava para a porta na esperança de ser Edward, o que me deixava ainda mais nervosa por ele não aparecer.

– Bella, isso é uma...

– Abstinência de Edward, eu sei! Estamos passando muito tempo juntos e eu gosto disso. E agora que temos que mudar, é ruim.

Rosalie percebendo a minha frustração recomeçou a andar, passando um braço em volta da minha cintura.

– Bella, olha, eu sei que não tenho um pênis, mas se você quiser eu posso ficar com você no seu trabalho.

Eu gargalhei e empurrei ela, que também estava rindo.

– Rouss, o assunto é sério!

– Eu sei, e logo você se acostuma com essa ausência nesses dias. E também, a noite, você pode ir ver ele ou ele te ver. Vocês mudam a rotina, ok?

– Ok. – suspirei.

– Agora vamos andar logo porque temos um trabalho para fazer ainda.

Eu assenti rápido com a cabeça e nós apressamos nossos passos em direção a uma das varias mansões dali. A Mansão Denali. A que abrigava a hamster rosinha chamada Tânia.

Tânia era uma coisa da natureza de complicada compreensão. Os pais dela eram milionários e ela estudava em uma escola publica de Los Angeles, e isso tudo porque ela queria se sentir mais próxima das pessoas. Eu conhecia Tânia muito bem e sabia que ela não se daria bem em um colégio pago ou até um internato, porque por mais metida que ela fosse, ainda assim conseguia ser melhor que aquelas garotas de colégio pago. Então era por isso que ela era meu inferno particular, por não se dar bem com a sua gente e ir para a minha.

– Eu adoro quando fazemos isso. – Rosalie falou excitada quando nós adentramos o quintal da mansão Denali. – A parte mais engraça é que Tânia nunca aprende.

Nós duas gargalhamos da verdade. Não importa o quanto invadíssemos seu quarto e fizemos algo lá que ferraria com ela, Tânia nunca aprendia. E novamente tudo estava facilitado para Rosalie e para mim quando chegamos na parte dos fundos e a escada estava encostada no canto. Pegamos ela e levamos até a janela da Tânia, decidindo quem iria subir e quem iria distrair a loira. Como da ultima vez que fui eu quem subiu, dessa vez o trabalho divertido ficou para Rosalie.

Eu corri de volta para a entrada casa e apertei a campainha, quando a porta abriu quem estava do outro lado era a mãe da Tânia.

– Bella! – ela me cumprimentou animadamente me puxando para um abraço.

– Oi, Sra. Denali. – eu murmurei também animada, porque ao contrario da filha, Esther era realmente legal. – Como vai?

– Eu vou bem, querida. Veio ver Tânia?

Eu assenti colocando meu sorriso mais falso no rosto e ela foi chamar Tânia.

Nossa rixa era entre nós duas, já que nossas mães eram grandes amigas de infância. E para elas, mesmo que Tânia e eu não nos déssemos bem 100% do tempo, nós ainda dávamos 50%. O que elas mal sabiam era que nossas visitas uma a outra era apenas fachadas para deixa-las felizes – ou como agora, para uma aprontar com a outra.

– Bella. – Tânia me cumprimentou a contra gosto quando desceu as escadas.

– Tânia. – falei no mesmo tom. – Visita do mês. – cantarolei de forma irritante e ela resmungou. – Eu sei, você está feliz demais, querida.

Tânia revirou os olhos e indicou que fossemos para a sala de TV. Esther quase nunca aparecia para ver o que estávamos fazendo, então ficávamos lá em silencio ou apenas espetando uma a outra. Era perfeito para tira-la do quarto e Rosalie fazer o que tinha que fazer. Quando era a vez de Rosalie distrair Tânia, ela inventava algum trabalho ou algo que prendesse Tânia na porta e eu sempre tinha que agir igual um foguete de rápido. E Tânia nunca aprendia nossos truques porque era lerda demais.

Nós nos sentamos o mais longe possíveis uma das outra, cruzando os braços e ignorando a presença. Eu já estava acostumada com toda aquela merda que passávamos por anos.

– Agora você também tem um nadador. – Tânia falou do nada.

– Uhum. O meu nadador. – eu fiz questão de dar ênfase para que Tânia entendesse que eu não a queria de amizade com Edward.

O meu ciúme não era de que Tânia podia conseguir fazer Edward gostar dela amorosamente porque Tânia só tinha olhos para Brad. O meu medo era dela ter a amizade dele quando ele era o meu amigo. E eu não queria ter que dividir aquela amizade com Tânia. E eu admitia que eu fosse uma possessiva com as minhas coisas e pessoas, não era uma coisa que conseguisse controlar.

– Edward parece ser muito legal.

– Não, ele não é. – rosnei. Eu que não ia fazer propaganda boa do meu garotão pra ela.

Ouvi a risada da Tânia e bufei. Aquele tempo tinha que passar logo e Rosalie tinha que terminar tudo para que eu fosse logo embora.

– E ele é bonito.

– Não, ele não é. – falei de novo entre dentes me virando para ela. – Edward é feio e chato e você pode ficar afastada dele com todo esse seu rosa e glitter!

Tânia tinha uma expressão de vitória.

– E você gosta dele. – ela acusou.

– Gosto, e esse é mais um motivo que você vai levar em conta para ficar longe do Edward.

Ela arregalou os olhos, divertida. Tânia estava conseguindo me irritar e se Rosalie não fosse logo lá em cima eu não ia segurar meus próximos atos.

– Eu sabia que isso ia acontecer. – Tânia falou. – Ele é o seu tipo.

– É, o meu tipo de amigo, não o seu. Agora cala a porra da boca e finge que eu não estou aqui, Tânia.

Ela resmungou um “ouch” pelo meu jeito de falar e cruzou ainda mais os braços. Eu suspirei feliz que ela tinha parado com aquela coisa de ficar falando de Edward.

– Eu tinha percebido seu olhar.

– Senhor! – joguei as mãos para cima. – Me de paciência para aguentar esse ser.

– Eu já sei o que vai acontecer.

– Tânia, cala a boca! – mandei com a voz estrangulada.

Ela conseguia ser irritante pra caralho. E ativava meu pior lado, o cheio de palavrões como um marinheiro.

– Vocês vão se pegar porque Edward te olha do mesmo jeito.

– Jesus, cala a merda da sua boca, Tânia! – eu berrei ficando em pé no mesmo momento que ouvi o estranho som de grilo sendo massacrado. – Sério mesmo, Rouss? – murmurei sozinha.

– O que é isso? – Tânia franziu o cenho. – Que animal esquisito é esse?

– É um ET procurando cérebros, mas parece que caiu na casa errada porque você não tem um. – Tânia deixou seu queixo cair, ofendida. Eu precisava insultar, eu precisava. – Eu vou embora, não aguento mais você falando.

– Tchau, Bella! – ela falou mais animada que eu finalmente ia embora.

– Adeus, Tânia. – sorri falsamente para ela sabendo que logo ela teria o pior susto da vida dela. – Até amanhã.

Eu me despedi de Esther e encontrei Rosalie do lado de fora. Ela gargalhou quando lhe contei o meu sufoco daqueles minutos, falando que até Tânia via que algo iria acontecer. Foi irritante voltar pra casa ao lado de Rosalie, mas também foi animado porque nós duas sabíamos que o dia de amanha nos aguardava.

Notas finais do capítulo
Estou orgulhosa de mim mesma por não demorar tanto dessa vez, sério. Acho que eu bem que podia ganhar uma estrelinha de ouro por isso, um capitulo rapido e grandão kkkk ta legal, eu ainda nao mereço kkk
E entao, o que voces acharam? Era claro que Edward ia passar, nao tinha nem surpresa kkk E a história de Alec, o que voces acharam de saber quem fez aquilo com ele? Ainda tem coisas por trás disso, aviso logo. Agora Bella e Edward hummmmmmm esses dois cada vez mais perto, sei nao todos percebendo e tudo, até Tânia kkk
E HOJE EU ESTOU ANIMADA E COM UM MEDO DO CARAMBA, porque postei minha nova fanfic e eu estou insegura pra caralho *desculpem o palavrão* de como vão aceita-la, serio gente.
Aqui está o link pra vocês http://fanfiction.com.br/historia/370936/Manta_Vermelha/ ME DIGAM POR FAVOR O QUE VOCES ACHARAM, SEJA SINCERAS COMIGO PORQUE VCS SAO MINHAS MENINAS E ESTOU CONTANDO COM ISSO.
Ai meu Deus deixa eu parar de falar aqui porque isso está ficando enorme. Espero que tenham gostado desse capitulo e vou tentar voltar com o próximo logo. Beijos




(Cap. 14) Outra Pessoa

13. Outra Pessoa

Bella POV

Ansiosa. Era assim que eu estava sentada a mesa com Emmett e Renée me encarando enquanto tomávamos café-da-manhã. Seria um grande, grande, enorme dia. De uma única cor. E eu não esperava por ver como tudo seria.

– E então... – Renée começou, me olhando desconfiada. – Algo novo hoje?

– O que? – bufei e revirei os olhos. – Nada. Vai ser sempre o mesmo tédio.

– Sem atrapalhar a vida do John?

– Sem atrapalhar a vida do John. – assenti.

Renée se preocupava com a saúde do John, já que era possível que algum dia eu lhe desse algum ataque cardíaco ou derrame cerebral com as coisas que aprontava. Ela e ele eram grandes amigos pela quantidade de vezes em que Renée foi me buscar na escola ou chamada apenas para conversar sobre meus demônios interiores.

– Eu espero mesmo, Bella. Sem nada novo, por favor. – Renée pediu e fez uma cara de puro sofrimento e dor. – Promete?

– Prometo. – assenti com a cabeça e Emmett gargalhou. – Fica na sua!

– Eu estou na minha. – resmungou e virou para mamãe com um sorrisinho cínico. – Mãe, você percebeu como Bella está parecendo... Ansiosa?

Renée me avaliou e eu coloquei minha melhor expressão de carranca para ela enquanto mastigava meu cereal. Emmett era simplesmente um babaca que queria deixar Renée ainda mais paranoica sobre esse dia. Não duvido nada que a primeira coisa que ela tenha pensado quando acordou foi “Bella vai aprontar.” Isso é um sexto sentido dela, coisa de mãe que tem uma filha hiperativa e que, além disso, sempre apronta.

– É... – ela murmurou e nós nos encaramos nos olhos. – Bella...

– Eu estou bem! – levantei rápido da cadeira, peguei minha mochila que estava pendurada e peguei uma maçã de forma escondida que nem Renée nem Emmett vissem. Vamos se disser que maçãs me deixavam ainda mais animada. – Eu já prometi que não vou aprontar nada, leve a sério.

– Isso? – Emmett explodiu em uma gargalhada.

– Cala a boca! – gritei para ele que continuou rindo. – Eu vou indo pra escola porque não aguento mais isso.

Eu deixei para trás uma Renée paranoica falando todos os cuidados que deveria ter e ficar longe de encrencas, e um Emmett que se divertia a minha custa. Ele, mais do que ninguém, sabia quando eu estava ansiosa, pois era um dos que mais estavam comigo quando eu aprontava. E era por isso que Renée só pioraria o ouvindo.

Assim que saí de casa automaticamente meus olhos foram para o quintal vizinho enquanto eu dava uma mordida na minha maçã. Não era algo que eu conseguisse controlar, eu estava sempre procurando por Edward quando podia. Quando estava na varanda, ou quando saia de casa pela manhã, nas trocas de aulas que não tínhamos juntos... E isso começava a me irritar.

Como se fosse sincronia Edward abriu a porta dele no mesmo momento e assim que me viu ele abriu aquele preguiçoso sorriso de canto que me fazia perder o ar. Sabe, como da primeira vez que eu vi ele e fiquei toda idiota e essas coisas. E pior é que eu continuava com a maçã na boca, parecendo ainda mais pateta. Eu estava ultimamente conseguindo controlar essas coisas, mas essa manhã especialmente Edward estava ainda mais bonito. Talvez fosse a cara de sono dele ou a camiseta de banda junto com a cara de sono e o cabelo ainda mais desorganizado. Seja lá o que era, mas ele estava muito lindo.

– Bom dia, vizinha. – falou passando para o meu lado do quintal.

Edward se aproximou e pegou a maçã da minha boca, dando uma mordida ao mesmo tempo em que me abraçava com um braço só. A visão dele dando uma mordida na minha maçã me fez ficar ainda mais perdida em pensamentos com aquela boca... E Edward apertou meu ombro e me balançou um pouco, fazendo com que eu saísse do transe e correspondesse o sorriso e o abraço.

– Bom dia, vizinho. – o cumprimentei. – Gostando da maçã?

– Está boa. – ele assentiu e nós rimos. – Você vai hoje com o Emmett?

– Não. – bufei, voltando a raiva do meu irmão. – Não quero nem ver a cara dele hoje.

– É lindo esse amor entre vocês. – Edward ironizou e eu revirei os olhos. – Então quer uma carona, vizinha?

Edward apontou com a cabeça para o Volvo dele estacionado em frente sua casa. Eu nunca havia estado em seu carro já que assim como Rose e eu, Edward havia se acostumado a andar para todos os lugares e o único lugar que ele ia de carro era para escola – e eu ia com Emmett ou com meu Jipe. Então aquela era a primeira vez que ia de carona com Edward para a escola.

– É sempre bom ter um vizinho-motorista particular, não é? – brinquei e Edward riu.

– Sempre as ordens. Pra qualquer coisa. – e no fim ele piscou.

– Bom saber disso. – mordi o lábio inferior e ergui uma sobrancelha, continuando o flerte.

Eu não sabia que era boa com flertes até Edward se tornar meu vizinho. Não que eu não tivesse retribuído de alguns garotos quando saía com Rosalie, mas com Edward fluía mais que naturalmente, como se apenas estivéssemos conversando e não flertando. Agora eu podia entender porque em filmes quando tinha vizinho gostoso ele sempre se pegava com a vizinha. Se for vizinho novo – que você não tenha crescido e passado a infância junto – e bonito, ia dar certo flertar.

Vendo que se eu não desse um empurrão nós íamos ficar naquele abraço parados ali, eu dei um tapa na bunda do Edward e ele arregalou os olhos. Qual é, era legal fazer isso.

– Vamos logo, garotão. Porque hoje tem uma surpresa para nós nos esperando no estacionamento.

Mesmo confuso Edward assentiu e nos guiou – comigo ainda em seu meio abraço e ele comendo minha maçã – para o carro. Provavelmente algo que deve ter aprendido com a adorável Esme, ele abriu a porta para mim de forma cavalheiro e eu pisquei um olho para ele ao mesmo tempo em que suspirava. Esse vizinho era a perfeição. Edward jogou nossas mochilas no banco de trás.

– E Renesmee? – eu perguntei para ele quando ele ligou o carro.

– Ela vai com o próprio carro hoje porque não quer ficar me esperando do treino e... Disse que ia ter umas coisas para resolver e que talvez fosse melhor ir com o dela. Eu não entendi bem. – ele deu de ombros. – Mas me diz o que é essa surpresa?

Eu abri meu melhor sorriso para ele.

– É surpresa, eu não posso falar porque senão assim estraga.

– Odeio surpresas. – ele resmungou e eu soltei uma risada.

– Relaxa sua curiosidade, Edward. Você apenas vai ver o que acontece quando Rosalie e eu não estamos bem. Apenas isso.

Edward me lançou um olhar desconfiado e eu ri novamente. Ele nos conhecia e sabia que isso era alguma merda aprontada.

No caminho Edward continuou insistindo para saber qual era a surpresa e eu neguei todas as vezes que ele perguntou, tendo que começar a fuçar no carro para que ele parasse de insistir enquanto respondia o que eu perguntava. Primeiro mexi no som do carro e o elogiei por ter Sum 41 no CD Player.

Quando eu dizia que Edward era o cara dos meus sonhos eu não estava brincando. Ele era tudo que eu gostava: nadador, legal, divertido, meio lerdinho, mas que me seguia em tudo que fosse aprontar. E caramba, ele tinha aquelas pintinhas fofas espalhadas pelo corpo – que era de nadador -, aquela bunda, aqueles furinhos em cima daquela bunda e o sorriso mais perfeito do mundo. Ele era meio ruivo e eu sou apaixonada por ruivos. E Edward não tinha vergonha na cara, simples. Ele flertava comigo e era um grande amigo, carinhoso e me ajudando se fosse coisa ruim ou não. Mas também tinha um ótimo gosto musical. E a melhor parte de todas: ele não se importava que eu fosse alguma maluca hiperativa que não parava um minuto.

Deus mandou Edward Cullen para ser o meu vizinho dos sonhos. Porque até na primeira vez que eu entro no carro dele, o garoto consegue me ter na palma da mão tendo Sum 41 no CD Player. Todos os garotos que já entrei no carro tinha algum hip hop ou apenas outra banda que eu apenas gostava. Mas Edward estava escutando Sum 41, a banda que eu era loucamente apaixonada.

– Edward, você não é real. – foi o que falei quando começou a tocar Still Waiting.

Ele riu e balançou a cabeça.

– Eu acrescentei mais musicas deles no CD MP3 que eu fiz. Mas estão todas bagunçadas.

– Não importa. Eu tenho certeza que as outras músicas que você colocou no meio das do Sum 41 devem ser boas também.

Eu continuei a fuçar no carro dele, abrindo o porta-luvas e encontrando CDs ali, como também um espelho feminino – que com certeza deveria pertencer a Renesmee – e...

– Sério que todos os carros de homem têm isso? – perguntei erguendo os pacotes de camisinha que encontrei.

Edward lançou um olhar rápido para ver o que era, e assim que ele viu sobre o que eu falava, eu vi a coisa mais adorável do mundo: suas bochechas ficaram meio rosadas. Eu nunca tinha visto meu nadador ficar constrangido com algo. Aquilo me deu vontade de morder as bochechas dele, mas eu optei por rir para não tirar a concentração dele na rua. Edward me acompanhou na risada, mesmo que a dele ainda demonstrasse sua vergonha.

– Tem que ser responsável. – falou dando de ombros como se fosse pouca coisa. – Você não acha?

– Claro que acho. – concordei. – Até no meu carro tem pacotes de camisinha.

Edward me olhou surpreso, o que só me fez gargalhar ainda mais.

– Influencia de Emmett e Rosalie. Os dois falaram para que eu colocasse porque seria uma boa. No carro deles também tem. Quero dizer... Não é como se algum deles fosse transar no meu carro, não é? Ugh! – coloquei a língua pra fora e tremi, fazendo Edward rir.

– Não, mas a dona do carro pode usar.

– Com o vizinho dela? – ergui uma sobrancelha.

– É uma possibilidade.

Eu senti meu rosto esquentar de forma violenta e apenas olhei pelo canto do olho para Edward que também estava me olhando de canto. Nós dois trocamos sorrisos e olhamos para frente.

– Você é ousado. – murmurei tentando conter uma risada.

– Culpa sua.

Eu balancei a cabeça e mordi meu lábio inferior, tentando controlar o rubor do meu rosto e um sorriso. Cada vez mais Rosalie e Tânia pareciam ter razão.

Quando Edward estacionou o carro no estacionamento da escola e veio abrir a porta para mim, entregando minha mochila, eu percebi que haviam várias cabeças viradas em nossa direção, e sabia que mais cedo que possível nós estaríamos na boca de todos. Primeiro que nós sempre estamos juntos, segundo o selinho que eu dei nele na frente de todos e agora eu chegando com ele sem Renesmee. Isso definitivamente faria rolar boatos por ai.

– Olá, docinhos! – Rosalie apareceu atrás de nós raspando seu skate no chão para poder parar. – Vieram juntos? – ela me lançou um olhar malicioso.

– Peguei carona com o vizinho. – apontei com o dedão para Edward. – E você de skate?

– Queria aproveitar que hoje não tinha nenhuma neblina do mar. – ela deu de ombros e então abriu o sorriso mais animado e virou para o ruivo. – Preparado para nossa surpresa, Edward?!

– Se eu soubesse qual seria eu até falaria se estou ou não. – murmurou emburrado.

– A Bella não lhe contou? – ela perguntou com uma falsa voz de mãezona e Edward negou fazendo um biquinho. – Nossa, que pena.

Eu me enrosquei no braço dele, me esticando nas pontas dos pés o máximo que podia e lhe dando um beijo demorado e molhado na bochecha. Rosalie fez um som de nojo porque ela odiava esse beijo que eu dava. Achei que Edward iria limpar a bochecha com a cara de nojo igual à dela, mas ele me pegou de surpresa ao retribuir o beijo da mesma forma: demorado e molhado. Eu o encarei de olhos arregalados e boca aberta.

– Que nojo! – Rosalie resmungou imitando gesto como se estivesse vomitando. – Vocês dois se merecem.

– É por isso que ele é o meu vizinho e não o seu. – falei para ela que revirou os olhos ainda com expressão de nojo.

Nós rimos e limpamos o rosto.

Emmett e Alec chegaram, fazendo nós formarmos a roda. Jasper foi o próximo a chegar.

– Hey, pessoal! – ele nos cumprimentou. – E então, eu estou curioso para saber o que você e Rosalie tinham para fazer ontem.

Rosalie ia falar mais alguma coisa, só que algo atrapalhou. Algo mais especifico como um:

– BELLAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Rosalie e eu nos encaramos sorrindo maldosamente, mas também orgulhosas. Aquele grito significava que nosso trabalho tinha sido feito com sucesso.

– Edward e Jasper, aqui está a surpresa. – falei e sai do meio da roda encontrando o ponto mais rosa daquele estacionamento.

Quero dizer, não que Tânia nunca fosse o ponto mais rosa do lugar, porque ela sempre era. Rosa era a cor da Tânia, estava até na pele dela. Era capaz de Esther ter jogando ela num balde de tinta rosa ou bebido mesmo porque nada no mundo era mais rosa que Tânia Denali. Mas hoje, especialmente hoje, o dia depois do que Rosalie e eu aprontamos, Tânia estava totalmente rosa. Digo, dos pés ao cabelo.

– Tânia! – eu falei com minha voz mais falsa animada quando ela se aproximou bufando como um touro, e depois arregalei os olhos. – Oh meu Deus, o que você fez no cabelo, querida?

– O que eu fiz?! O que eu fiz?! Foi você sua maldita vadia!

Tânia tentou avançar em cima de mim e eu me preparei para o impacto e para revidar, mas alguém tinha que atrapalhar.

– Hey, hey, hey... Calma ai, Tânia. – Edward entrou na minha frente, impedindo que ela avançasse.

– Sai da minha frente, Edward, que eu vou acabar com a Isabella! – ela rosnou e tentou passar por cima dele.

– Porque comigo, Tânia? – coloquei meu tom inocente. – Qual é a minha culpa que você colocou a cabeça na maquina de lavar bem quando estava lavando suas roupas?

As pessoas que estavam a nossa volta riram. Não por causa da minha piadinha sem graça, mas porque parecia mesmo que Tânia havia feito aquilo. Seu cabelo loiro estava praticamente para cima – não literalmente – e rosa pink, combinando com sua blusa rosa com glitter e seus tênis rosa também. E não vamos esquecer a bolsa.

– Eu sei que foi você, sua vadia! Você colocou tinta rosa no meu shampoo, desgraçada! – ela rosnou. – Sai da minha frente, Edward!

– Eu não vou deixar você machucar a Bella. – ele falou a segurando pelo ombro.

– Tânia, sabia que você está arrasando pra caralho? – Emmett falou e ela lhe lançou um olhar furioso. – Garota, está na moda!

– Está mesmo. – Alec concordou prendendo um risinho.

– Gata. – Rosalie concordou para dar mais ênfase.

– Totalmente. – Jasper também assentiu.

– Viu, Tânia? Você está na moda. – eu coloquei minha cabeça por baixo do braço de Edward. – Todos estão gostando, você não está vendo?

Tânia, que ainda rosnava e bufava, olhou para todos os meus amigos que assentiu com a cabeça e depois ela olhou para o estacionamento, que estava nos encarando. Seus olhos então pararam em Brad, que se encaminhava em nossa direção. Ele parou olhando para aquele fuzuê e olhou para Tânia, sorrindo. Eu bufei e revirei os olhos.

– Cabelo legal. – elogiou e eu só faltei ver Tânia desmaiando, mas as seguidoras dela seguraram ela.

– Você acha? – perguntou com uma voz cheia de suspiro.

– Sim. É legal. – ele piscou para ela e continuou andando.

Ficamos todos quietos olhando para Brad que ia embora, depois automaticamente olhamos para Tânia.

– AIIIIIIIII MEU DEUS! – ela gritou e saltitou soltando gritinhos animados. – Ele gostou do meu cabelo! Aiiiii!

As gêmeas e Alice comemoraram com ela e novamente eu revirei os olhos. Como alguém podia ficar tão idiota porque um babaca como o Brad elogiava ela? Deus, Tânia não era da Terra. E eu estava errada que os ETs ontem estavam procurando cérebro, na verdade eles queriam era levar a alienígena que faltava no planeta deles.

Enquanto Tânia dava seus ataques o sino tocou e todos começaram a se dispersar sabendo que a briga tinha acabado e que não teria socos e tapas entre Tânia e Bella. Todos deveriam estar secos por aquilo já que fazia um bom tempo que não acontecia. Rosalie deu um tapa no ombro comemorando nosso sucesso e foi com Alec para dentro da escola, com os braços juntos. Emmett e Jasper foram logo atrás fazendo piadinhas entre eles sobre o cabelo e tênis rosa da Tânia. E então ficou apenas Edward comigo. Ele ajeitou seu braço de que forma ficasse na minha cintura e pacientemente nós esperamos que Tânia voltasse ao normal.

– Ai meu Deus! Jesus! – ela murmurou tentando respirar. Puxou o ar com força e virou para mim. – Mesmo você sendo uma vadia por ter feito isso com meu lindo cabelo, Bella, obrigada.

– De nada. – eu falei rindo.

– Quanto tempo vai demorar a sair?

– Eu acho que uma semana dependendo de quantas vezes você lavar o cabelo. – dei de ombros. – Pelo menos era isso que estava na embalagem.

– OK. É pouco tempo, mas tudo bem.

– Se você quer continuar com esse estilo é só comprar tinta rosa, Tânia. – avisei pra sua grande inteligência.

– E mostrar pro Brad que eu estou assim só porque ele gostou? Nunca! Eu não sou tão fácil. – ela fez um lance com a mão e os olhos ao mesmo tempo dando os ataques de patricinha. – Vou deixar apenas o quanto vale a tinta e culpar você. É mais fácil.

Eu olhei para Edward que prendia uma risada e balancei a cabeça. Aquela garota era uma peça rara.

– Tudo bem. Então... Vamos para a aula?

Tânia assentiu e nós começamos a seguir em direção ao prédio, mas ouvimos um grito. Olhei para trás e Renesmee vinha em nossa direção. Eu nunca a tinha visto de mau humor e aquela foi à primeira vez. Sua expressão era fechada e ela parecia com muita, muita raiva. Quando chegou perto de nós lançou um olhar frio para Alice, que a olhou confusa. Logo eu soube o que havia acontecido para ela estar daquele jeito e quis dar um beijo em Alec por ter falado. Ele e Renesmee iriam ainda mais longe, eu sabia.

– Está tudo bem? – Edward perguntou com a voz cautelosa.

– Está tudo ótimo! – ela sorriu falsamente para ele e grudou no meu braço livre já que o outro estava em volta da cintura de Edward enquanto o dele estava na minha.

E sorrindo por saber que aquele dia havia apenas começado eu sorri, seguindo para dentro do prédio com os irmãos Cullen e a tirana da Tânia Rosada e suas seguidoras.

Jasper POV

– O cabelo da Tânia ficou mesmo muito legal. – Emmett falou distraidamente enquanto seguíamos para nossa aula, que era a mesma. – Bella fez um belo trabalho.

– Claro. – assenti, rindo. – Ela aprontou ontem o look da Tânia: tênis rosa, bolsa rosa e cabelo rosa. Perfeito! – fiz uma voz fininha e nós gargalhamos. – Essa garota parece que só vê rosa na frente dela.

– E só mesmo. Desde quando me conheço por gente Tânia tem que ter nem que seja a calcinha rosa.

Eu parei, lançando o sorriso malicioso para Emmett que franziu as sobrancelhas.

– Quer dizer que você já viu a calcinha da Denali?

– O que?! Não! Nós não vivemos no mesmo mundo, ela não faz o meu tipo e... Bella me mataria se eu tivesse algo com a Tânia.

– E como você sabe da calcinha dela?

– Porque teve um dia que Tânia apareceu de branco e preto e todos estranharam, então ela e Bella saíram aos tapas e acabamos por ver a calcinha rosa da Tânia porque ela estava de saia. Simples. – ele deu de ombros.

– Certo. – assenti. – Emmett, eu posso fazer uma pergunta?

– Claro.

– O que aconteceu com seu rosto?

Emmett soltou uma gargalhada estrondosa e tocou a maça do rosto aonde tinha um vermelho de um hematoma.

– Isso, meu caro, foi o desejo.

– O que?

– O desejo. De Rosalie por mim. Ela tenta resisti aos meus encantos por trás da raiva e sempre resulta nisso. – ele apontou para o hematoma. – Toda vez que seu desejo fica incontrolável e ela não sabe o que fazer, ela transforma isso em fúria.

– Ta... Certo. – assenti tentando acreditar naquela historia de desejo e raiva. – E porque ela ficou furiosa... Quero dizer, cheia de desejo?

– Porque eu peguei na bunda dela. – disse como se fosse pouca coisa.

Os irmãos Swan não eram pessoas normais, eu já tinha percebido isso, mas cada vez mais eles conseguiam me surpreender.

– Emmett, você gosta da Rosalie?

– O que? – ele me olhou como se eu tivesse falado um absurdo e depois riu. – Não. Eu só gosto dela ser gostosa e amiga da minha irmã. Seria uma boa ter isso na minha ficha, entende? Transar com a melhor amiga gostosa da minha irmã.

O cara estava certo. Ter isso na ficha de casos era uma das melhores coisas porque todos que tinham irmãs que tinha melhores amigas gostosas precisavam pegar elas. Era quase como uma regra. Conhecia muitos caras ai que já tinham isso e não apostava em nada que Edward deveria ser um desses.

– Parece que você não está tendo muito sucesso. – murmurei em tom de provocação enquanto olhava para frente.

– Porque Rosalie é muito difícil. Mas eu ainda vou conseguir, e vou para a faculdade tendo uma estrelinha de ouro e as lembranças de Rosalie na minha cama. – ele estufou o peito todo orgulhoso.

– Rá, essa eu duvido. – gargalhei alto.

– Você está mesmo duvidando de mim? – Emmett pegou meu braço e me fez encara-lo quando paramos no corredor. – É essa porra mesmo que eu ouvi?

– Foi bem isso mesmo. Eu duvido que você consiga sequer beijar Rosalie. – ergui uma sobrancelha.

– OK! Eu não vou deixar um mané como você, Jasper, duvidar de mim. Eu vou dar uns pegas na Rosalie e ainda vou provar para você.

Ele estava ainda mais determinado do que iludido, então vi ali a chance de uma boa diversão.

– Então devemos apostar. – falei animado e vi seus olhos brilharem. – O que acha?

– Eu acho ótimo. Vamos apostar quem pega a garota que quer primeiro. Qual é a sua?

Emmett não era tão burro quanto aparentava – e demonstrava. Quando envolvia coisas erradas e que iam dar merda ele sabia ser bastante inteligente como Bella. E eu queria aquela aposta, então não custava nada entrar ainda mais nela.

– Alice Brandon. – admiti. – Ela é difícil, é um desafio, assim como Rosalie é para você.

– Sério mesmo que você quer a Brandon? – Emmett fez uma careta, mas vendo minha expressão séria, deu de ombros. – Tudo bem. Quem perder tem que dar cem dólares para o outro. Então nós temos uma aposta?

Ele estendeu sua mão para mim, que eu peguei e apertei fortemente.

– Nós temos uma aposta.

Trocamos um aperto de mão, sorrindo cumplices.

– Você é legal, Jasper. É dos nossos, sabe, nossa gangue. – ele continuou quando soltamos nossas mãos. – Que tal um pequeno desafio nessa aposta? Mais diversão e um jeito de conseguirmos o que apostamos.

– Por mim isso está legal. – dei de ombros.

– Certo. Então escute minha ideia para agora...

Emmett era maluco. Ele definitivamente era irmão da Bella. O que ele propôs era idiota, perigoso, mas legal. E eu aceitei aquilo, sabendo que matar a primeira aula só para fazer valeria a pena. E era por isso que eu estava no corredor vazio de frente ao armário da Alice tentando saber como abri-lo sem precisar quebrar nada. Emmett estava em outro corredor fazendo a mesma coisa que eu.

Mesmo eu sabendo de muitas coisas da Alice, o segredo do seu armário não era uma dessas. Também eu não precisava ir tão longe com aquilo. Eu tentei lembrar como uma vez vi meus amigos fazerem na outra escola. Era fácil, era só um cadeado de armário escolar. Eu só precisava rodar e ouvir uns cliques.

Rodei para um lado e para outro, não ouvindo nenhum clique, o que me deixou irritado. Balancei o cadeado, xingando o mundo tentando ainda abrir daquela forma, mas nada.

– Mas que porra! –rosnei dando um soco na porta e para minha surpresa ela abriu. – Caralho...

– Hey, você! – eu virei rápido para o lado e um inspetor vinha minha direção. Xinguei baixinho. – O que está fazendo fora da sala?

– Eu, er... Hm... – olhei de um lado para o outro até meus olhos caírem no armário aberto. – Eu vim buscar meu livro que tinha esquecido aqui dentro. O professor me liberou.

O inspetor ficou me encarando por alguns segundos até assentir e continuar andando. Soltei um suspiro de alivio por ele não saber que aquele não era meu armário. Passado o sufoco eu abri o armário que era decorado com fotos. Parei para olha-las, vendo algumas dela com Tânia e as gêmeas e também com... Espera, aquele não era o amigo mudo de Emmett? Que porra era aquela?

Barulho de passos me fez desviar a atenção da foto e eu peguei rápido o pequeno caderno que eu sempre via Alice andando para lá e para cá anotando coisas. Eu sabia que aquele caderno era importante para ela, o que fazia parte do desafio que Emmett falou. Assim que peguei o caderno, fechei o armário lançando um rápido olhar para a foto e dei as costas, seguindo pelo corredor.

– Você pegou? – Emmett perguntou assim que entrei no banheiro masculino.

– É claro. – eu revirei os olhos e tirei o caderno de anotação de dentro da mochila e mostrei para ele. Emmett arregalou os dele. – E você?

– Aqui! – ele balançou o CD do Linkin Park de Rosalie que era o seu favorito de todos e o mais importante. Acho que tinha alguma coisa sentimental nele. – Que tal me deixar dar uma olhada nesse caderno?

– O que? Não! – tirei o caderno do alcance de suas mãos. – Para que você quer ver o caderno dela?

– Porque tem algo ai que vai tirar minha duvida. – ele disse com pouco caso. – Qual é, vamos dar uma olhada!

– Não. – neguei novamente. – O desafio era pegar, não tinha nada de deixar você xeretar as coisas de Alice. Esse caderno pode ser muito intimo dela.

– E é! É por isso que quero dar uma olhada. Vamos lá, Jasper.

– Não. Eu não vou deixar você dar uma olhada. Nós já cumprimos a primeira parte do desafio agora é só esperar o tempo para a segunda.

Emmett resmungou algo e saiu do banheiro falando que nós veríamos na hora do almoço. Eu olhei para o caderno de Alice querendo saber o que tanto Emmett queria olhar nele. Seria algo envolvido com aquela foto da Alice com o Alec? Com certeza deveria ser.

Mesmo com a curiosidade me corroendo eu não abri o caderno de Alice... Naquela hora. Passar com ele na minha bolsa em todas as aulas até o almoço foi uma tortura longa e horrível e eu não resisti que entre uma delas abrisse o caderno para saber o que havia lá. Foi uma grande surpresa quando eu vi. Eu não conseguia acreditar que Alice era aquele tipo de garota.

Na hora do sinal do almoço eu fui pelo corredor do armário dela, encontrando-a furiosa de frente ele e xingando alto. E eu sabia que isso tinha haver com o sumiço do seu caderno. Era a hora perfeita.

– Alice? – chamei ela ao me aproximar.

Seus olhos furiosos se viraram para mim.

– O que foi? – ela foi brusca.

Eu trouxe minha mochila para frente e peguei o caderno dela, estendendo-o para ela. Alice tinha os olhos arregalados.

– Como... De onde você pegou ele?! – ela perguntou puxando rápido o caderno das minhas mãos.

Era agora que usava a desculpa que Emmett falou que ela cairia. Seria fácil e uma forma de conquistar Alice para tornar mais acessível para mim. A mesma coisa que ele faria com Rosalie.

– Eu encontrei em uma mesa da sala de Trigonometria quando estava em aula. Parece que você o esqueceu lá. – dei de ombros de forma inocente tendo orgulho de mim mesma por ser um ótimo mentiroso.

– Não... Eu não o esqueci. Alguém o pegou no meu armário. – ela olhou para o armário com uma careta.

– Esse alguém com certeza queria saber muito algo nesse caderno. – murmurei e ela assentiu. – Você é boa no que faz.

Alice arregalou os olhos.

– Você o... Leu? – perguntou em um fio de voz.

– Não. – neguei e ela me olhou confusa. – Sim. – arregalou os olhos novamente. – Mais ou menos. Eu precisava saber de quem era o caderno e então vi que eram de versos. – dei de ombros. – E pelo que vi, você é mesmo boa no que faz.

Alice abaixou a cabeça e eu vi suas bochechas atingirem um rosado. Eu era extremamente encantado com Alice, ela tinha o sorriso mais perfeito que já vi em toda a minha vida e os olhos mais azuis também. Tudo nela era lindo. Menos sua expressão séria que ela trazia sempre que estava com Tânia. A primeira vez em que a vi foi quando comecei a trabalhar na lanchonete, eu me encantei e até hoje era encantado por ela.

– Obrigada. – Alice murmurou totalmente constrangida e me deu um pequeno sorriso. – Pelo elogio e por achar meu caderno e me devolver.

Eu assenti com a cabeça sabendo que acabava de ganhar uns pontos com Alice. Aquele plano de Emmett dera mesmo certo. O filho da puta sabia o que estava fazendo.

Nessie POV

– Você está bem mesmo, Nessie? – Edward questionou pela milésima vez quando me sentei ao seu lado na hora do almoço.

– Já disse que sim, Edward. – falei em uma voz entediada.

Edward me conhecia melhor do que ninguém e ele sabia que eu não estava nem um pouco bem, e todas aquelas perguntas de se eu estava bem era uma forma de tentar me fazer falar sem forçar muito a barra. Ele conhecia o meu humor e eu estar com raiva era que algo realmente havia me afetado, mas eu não queria dizer para ele o que era. Eu não queria que ele soubesse como estava com raiva de Alice.

Por enquanto só estávamos eu, Bella, Edward e Alec na mesa, sendo como todas às vezes os primeiros a chegarem. Rosalie foi à próxima e ela parecia muito furiosa.

– Essa escola só tem safados trombadinhas dos infernos! – ela rosnou ao se jogar ao lado de Bella.

– O que aconteceu?

– Me roubaram! Roubaram meu CD do Linkin Park, aquele, Bella. – elas duas trocaram olhares. – Eu não consigo acreditar numa coisa dessas. Eu vou procurar esse CD até no inferno porque não posso perdê-lo.

– É só um CD, Rosalie. – Edward falou entediado. – Você pode comprar outro, ainda mais sendo do Linkin Park.

– Não é só um CD, Edward. É o meu CD! – ela socou a mesa e meu irmão engoliu em seco. – Eu vou achar meu CD ou não me chamo Rosalie Lilian Hale.

– Rosalie Lilian? – Edward gargalhou alto se esquecendo do medo, mas logo foi lembrando quando Rosalie lhe lançou um olhar ameaçador. – Nome bonito. – murmurou covarde me fazendo revirar os olhos.

Emmett então apareceu com um sorriso aberto. Ele se aproximou de Rosalie, parando atrás e passando seus braços em volta do pescoço ela, esfregando em seu nariz um CD do Linkin Park. Rosalie paralisou.

– Olha o que eu tenho aqui, Rosalie. – ele falou no ouvido dela com uma voz deveria ser provocante, mas saiu mais engraçada.

– Você não fez isso. – Bella murmurou de boca aberta e Alec negou com a cabeça.

– Eu o encontrei. – Emmett estufou o peito orgulhoso. – Para Rosalie.

Nós nos viramos para a loira que parecia estar tremendo no lugar. Eu estava confusa para aquela reação dela, afinal Emmett tinha achado o CD dela e Rosalie parecia estar entrando em combustão de raiva.

– Cara, você vai se ferrar. – Alec falou.

Rosalie virou a cabeça para o lado, encarando Emmett, que tinha um sorriso.

– Você encontrou o meu CD, Emmett?

– Sim. – ele sorriu. – Eu acho que mereço um beijo de agradecimento, que tal?

Ela olhou do CD para ele e sorriu. Um sorriso diabólico.

– Um beijo de agradecimento? – perguntou e Emmett assentiu. Rosalie pegou o CD das mãos dele e virou totalmente o corpo para o lado. Emmett se ajeito esperando um beijo. Eu também estava esperando que ela lhe desse um beijo, mas Rosalie fez o improvável. Ela levou as mãos para as partes intimidas de Emmett e apertou com força. Emmett soltou um grito alto de dor. – Aqui está seu beijo por achar que eu sou idiota! – Rosalie rosnou e torceu a mão.

– Ai! Ai! Ai! Para, Rosalie! Para, por favor! – Emmett gemeu de dor.

Bella, Edward e Alec explodiram em gargalhadas e eu me segurei também para não fazer também. Emmett já estava sofrendo e passando vergonha suficiente com as pessoas daquela mesa. Rosalie o soltou e o empurrou para longe dela, o xingando de todos os nomes possíveis. Emmett cambaleou até se sentar em uma cadeira, pegou a latinha de refrigerante do Alec e colocou em cima de onde Rosalie tinha torcido.

– Que nojo! – Bella falou ainda rindo.

– Cala a boca, cretina. – Emmett murmurou num fio de voz. Deveria estar sentindo muita dor. – Um dia, Rosalie, você vai se arrepender disso. Quando precisar disso aqui – apontou para a calça. – E ele não estiver disponível para você. Eu estava tentando ser legal lhe devolvendo seu CD que roubaram e você me agradece assim?

– Nunca, Emmett, nunca! – Rosalie falou com tédio. – E eu sei que você “roubou” – fez aspas com as mãos. – meu CD para depois falar que o encontrou. Eu não caio mais nessa, Emmett.

Bella, Alec e Edward ainda riam da situação de Emmett. Rosalie fora extremamente cruel com Emmett, ele só estava tentando ser legal com ela. Até Jasper chegar Emmett sofreu com meu irmão e Bella.

– E então? – Emmett perguntou para Jasper, que assentiu sorrindo.

– Deu certo.

Os dois trocaram sorrisos e aperto de mão. E as brincadeiras para cima de Emmett voltaram com força total e tendo um membro a mais para fazer aquilo. Eu nunca dei tanta risada com piadas sujas e insinuações horríveis como dei aquele grupo. Eles conseguiram afastar qualquer mau humor que eu tinha, mas esse voltou quando o sino tocou com o final do almoço.

Eu levantei rápido e peguei minha bolsa, saindo da mesa sem me despedir do pessoal, totalmente focada nos meus planos. Sai do refeitório e fiquei perto do banheiro, esperando pro Alice, que passou minutos depois e sozinha. Peguei-a pelo braço e a puxei para dentro do banheiro, que estava vazio. Tranquei a porta para impedir alguém de entrar.

– O que aconteceu, Renesmee? – ela perguntou confusa.

– Eu estou impressionada por conhecer a verdadeira Alice Brandon. – falei me aproximando dela. – Eu achei que você era uma pessoa legal, Alice, mas estava completamente enganada. Você é uma pessoa horrível, extremamente egoísta e ruim. Você não tem sentimentos, garota?

– Do que você está falando?

– De Alec! – joguei as mãos para cima. – E do que você fez com ele.

– Como... Você sabe?

– Eu o fiz me contar o que aconteceu com ele e você não fez nem ideia de como eu tenho nojo de você, Alice. O que você fez foi... Cruel e tão mesquinho. Você é uma vadia estupida!

– Não fala assim comigo!

– Eu falo do jeito que eu quiser! – eu a empurrei para que se afastasse de mim. – Você merece mais do que um xingamento. Não consigo entender como pode fazer aquilo com ele, que é tão legal. Eu sei que pessoas como você e Tânia podem ser assim, mas porque falar aquelas coisas horríveis? Já tive amigas horríveis mesmo, que pensavam apenas em si, mas nunca as vi magoarem ninguém, ainda mais pessoas que gostavam delas. E você... Eu acreditei que vocês seriam assim. Ainda mais você, que não parece ser tão como elas, mas eu estava enganada. Fui idiota. Eu achei que poderíamos ser amigas, só que... Eu não conseguiria viver com uma pessoa que magoa as outras de forma tão cruel.

Alice tinha os olhos arregalados e parecia mais triste do que com raiva. E eu podia jurar que havia magoa em seu olhar, mas não era para mim. Mas ela escondeu, voltando a ter aquela expressão lisa e robótica.

– É uma pena decepcionar você. – falou com uma voz contida. – Mas as coisas são assim. Não gostei de ter magoado Alec, mas precisei.

– Precisou?! – soltei uma risada de escarnio.

– Você não entenderia e eu não tenho que dar explicações do que faço ou fiz há muito tempo. – ela revirou os olhos. – Você já deu seu discurso defensor então acabou por aqui. Me deixe em paz.

Alice tentou passar por mim, mas eu peguei seu braço, fazendo ela me lançar um olhar furioso. Alice era algum centímetro mais alto que eu, e aquilo poderia ter me amedrontado se eu não estivesse com tanta raiva e tão determinada a defender Alec. Eu era medrosa, mas naquele momento me senti corajosa e forte para Alice.

– Eu não sei se você tem sentimentos, mas torço que tenha para que possa para sofrer de remorso todos os dias pelo que fez ao Alec. E eu vou concertar a sua bagunça, Alice, fazer como se você nunca tivesse estado na vida dele. E só um aviso: nunca mais tente chegar perto de Alec ou sequer olhar para ele, porque eu juro que não vou hesitar em acabar com você. Você nunca mais vai magoa-lo.

Vi a expressão robótica de Alice cair por alguns segundos e ela voltar aquela magoa. E dessa vez ela não a escondeu.

– Você não precisa torcer por nada. – disse e puxou o braço, se soltando das minhas mãos e saindo do banheiro depois de destrancar a porta.

Ela se arrependia, ela tinha remorso, dava para ver, e aquilo só me fez ficar ainda mais confiante e me deu mais força para fazer Alec voltar ao que era. Eu mostraria para Alice que ela não era importante na vida dele.

Bella POV

Finalmente aquele dia de aula estava no fim e o que me deixava ainda mais feliz era que hoje eu não iria trabalhar. Era a minha folga da semana. Eu estava quase saltitando pelos corredores ao lado de Edward enquanto seguíamos para a saída.

– Bella! – eu olhei para trás para ver quem havia me chamado e encontrei Jéssica vindo na minha direção. Ela grudou no meu outro braço livre, já que minha outra mão estava com a de Edward.

Jéssica Stanley era uma das garotas mais conhecidas da escola, apenas não tanto quanto Tânia e eu. A fama dela não era de aprontar, nem a de ser a mais popular ou de ter inimiga. Jéssica tinha fama apenas por conhecer quase que a escola inteira. Ela falava com todos, cumprimentava todos no corredor. Eu até que gostava da garota porque ela era simpática e tinha umas piadas legais. Era por isso que passei um ano da minha vida sentada ao lado dela nas aulas de Inglês aprontando com os professores e falando muito. Nós não éramos exatamente amigas, mas tínhamos nossos momentos.

– Hey, Jessy. – falei animadamente. – Qual é a nova?

– Eu quem pergunto. – ela me lançou um sorriso malicioso. – É verdade que você está namorado, Bells? – mexeu as sobrancelhas de forma sugestiva para Edward.

– O que? – eu joguei a cabeça para trás, rindo. – Eu não estou namorando.

– Não? – ela olhou para Edward, que negou com a cabeça, dando um sorriso de canto totalmente divertido. – Mas é que estão falando.

Eu me virei para Edward.

– O que eu disse para você, garotão? Eu estava totalmente certa.

– Com certeza. – ele gargalhou.

– Então não rola nada entre vocês dois? – Jéssica perguntou.

Algo também que todos sabiam sobre Jéssica era que ela adorava uma boa fofoca – talvez esse seja um dos motivos dela falar com todos. Ela gostava de saber tudo primeiro que todos. Um defeito dela que eu sabia levar.

Eu olhei para Edward e trocamos sorrisos maliciosos, que Jéssica com certeza acharia que estávamos escondendo algum segredo. Nossos flertes não tinha nada haver com termos algo. O negocio é que Edward e eu tínhamos uma ligação que não precisava de palavras para expressar e nos entendermos, só precisávamos trocar olhares porque nossa linha de pensamentos seguiam na mesma linha. Como enganar a pobre Jéssica Stanley. Eu não me importava de falarem que eu estava com Edward, como ele também já demonstrou não se importar, então não havia nada de errado em fingirmos.

– Não. – falei em resposta para a pergunta dela, mas vi que Jéssica não acreditou.

– Certo. Muitos vão ficar felizes em saber que Bella Swan e Edward Cullen não tem compromisso nenhum. Você sabe, toda a fila e tudo. – ela deu de ombros fingindo indiferença e eu me segurei para não dar risada.

Eu sabia que havia uma fila para Edward e que ela só não começava a andar porque nós dois estávamos sempre juntos. Essas garotas estavam apenas esperando uma brecha para poderem se aproveitar do meu nadador. E essa ideia não me agradava nem um pouco.

– Sim, eu sei. – falei para Jéssica.

– Bem, eu preciso ir. Tchau, Bella. Tchau, Edward!

– Tchau. – nós dois falamos juntos enquanto ela corria pelo corredor.

Eu sabia que nós andarmos de mãos dadas pelos corredores, estamos juntos sempre vivendo abraçados ou se tocando, Edward me defender de Jacob – que já foi meu ex – e todos que mexiam comigo, e também aquele selinho que eu dei nele iria resultar nisso. Aquele rumor já devia estar circulando há muito tempo e eu dar um selinho nele ontem deve ter feito todos acharem que não era apenas rumor. Ali a mente das pessoas era limitada e elas não achavam que podia existir amizade entre um garoto e uma garota quando na verdade podia. E não tinha nada haver Edward ser carinhoso comigo ou eu ser carinhosa com ele e isso nos tornar intimo. E tudo bem que nós talvez passássemos dos limites de amigos, mas a nossa amizade era diferente.

– Parece que agora somos comprometidos. – Edward disse.

– Não. Na verdade nós temos uma amizade colorida. Jéssica percebeu isso. Ela vai falar e vão aumentar para sexo sem compromisso porque provavelmente me acham desse jeito. – dei de ombros.

– Hm, sabia que é uma boa essa de sexo sem compromisso? – Edward falou pensativo e virou para mim. – O que você acha?

– De ter uma amizade colorida? Sexo sem compromisso? – perguntei e ele assentiu. – Com você até que soa legal. – pisquei um olho.

Não adiantava. Sempre nós chegaríamos a um ponto que flertaríamos.

Edward soltou uma risada e soltando nossas mãos, passou um braço pela minha cintura e meio que me abraçou de lado enquanto andávamos. Nesse meio abraço ele deixou sua boca perto do meu ouvido e sussurrou “Devemos pensar nisso” com uma voz rouca pra caralho, algo que me fez arrepiar dos pés a cabeça. E eu pensei. Em como seria ter uma amizade colorida com Edward e isso soou extremamente agradável. Sim, nós devíamos pensar nisso.

Apenas uma coisa abalou minha felicidade daquele dia. Edward tinha treino. Eu havia me esquecido disso e até pensei que poderíamos passar o dia juntos já que eu não iria trabalhar, mas eles foram por água de piscina a baixo. Então quando nós estávamos no estacionamento eu tinha duas escolhas: voltar para casa com Rosalie, Emmett, Alec ou Renesmee, ou ficar e ver o treino de Edward. E foi mais que obvia minha decisão.

– Uma torcedora, Cullen? – o treinador perguntou para Edward quando nós entramos no Ginásio.

– Uma companhia. – Edward respondeu divertido.

Eu fui para a arquibancada enquanto Edward ia se trocar. Tinha algumas pessoas ali querendo ver o treino de hoje porque o treinador estava muito legal e liberou. A sorte estava ao meu lado. Quando os meninos do time saíram das escadas que dava no corredor eu quase desfaleci ali mesmo no banco. Como Rosalie e eu havíamos reparados: eles estavam ainda mais gostosos do que ano passado. Edward não fazia apenas parte do time de natação, ele fazia parte do time que tinha garotos mais lindos e gostosos.

Assistir o treino de natação foi extremamente prazeroso para meus olhos. Eu era com certeza uma garota de nadador porque eu não conseguia imaginar nenhum esporte melhor que aquele. As costas deles eram perfeitas. O que só me fazia pensar ainda mais que Deus mandou Edward para ser meu vizinho de caso pensado. Não podia ser coincidência nem nada disso, tinha haver com destino e forças maiores.

Eu ficava cada vez mais admirada vendo Edward nadar e percebia algumas diferenças deles para os outros garotos. Como a virada que ele fazia que o deixava alguns segundos mais a frente. E aquela virada me pareceu até um pouco conhecida, como se eu já a tivesse visto em algum lugar, mas não lembrava, não importa o quanto me forçasse para fazer. E cada vez que ele fazia a virada eu sentia incomoda por não lembrar. Era uma lembrança que queria vir, mas estava presa e eu só sabia que já havia visto. Eu precisava descobrir quem fora a pessoa que eu vi da aquela volta. E precisava urgente ou então enlouqueceria em minha mente tentando lembrar.

Automaticamente minha mente me lembrou da biblioteca e seus computadores velhos, e eu levantei em um salto, pegando minha mochila e desci correndo as arquibancadas, pulando os degraus e passando rápido pelo treinador que decidiu assoprar aquele apito bem na hora, ecoando nos meus ouvidos. Era algo extremamente chato e que eu não entendia como todos do Ginásio aguentavam. Atravessei as portas duplas, saindo no sol quente. O calor me atingiu como um tapa no corpo inteiro, ao contrario do frescor que estava perto da piscina.

Enquanto eu atravessava todo o caminho entre o Ginásio para os prédios da escola minha mente trabalhava procurando tentar lembrar aonde eu tinha visto aquela virada rápida e tão única que Edward fizera, mas sem sucesso. Nunca fui boa em lembrar rostos ou coisas que via por ai, o que até me irritou um pouco porque se eu lembrasse facilitaria e muito, e eu não precisaria correr até a biblioteca.

Quando adentrei o prédio em que ficava a biblioteca junto com o teatro, virei para o corredor certo, dando de cara com John, que me segurou pelos ombros.

– Devagar, Swan! – ele falou surpreso. – Para que a pressa? E porque ainda está aqui?

Eu estava ofegante e pedi para ele um minuto para que tentasse regularizar minha respiração. Por mais que eu corresse toda manhã no final de semana e até na semana mesmo, eu ainda me cansava rápido.

Quando consegui respirar normalmente e John percebeu, ele me soltou.

– Eu estava indo na biblioteca, é urgente. – falei.

– Você? Biblioteca? Impossível! – e John gargalhou como se aquela ideia fosse a mais absurda de todos os tempos, uma piada de mau gosto que o havia entretido.

– Eu estou falando sério, John! – bati o pé no chão e cruzei os braços. – E se você não acredita em mim problema é seu, mas eu preciso ir logo para a biblioteca.

John parou de rir e me encarou, vendo que eu falava sério, mas ele ainda parecia cético quanto a isso. Revirei meus olhos.

– Tudo bem, vamos se disser que acredito nisso, para que você iria lá?

– Porque preciso usar a internet para fazer uma pesquisa... Particular. Nada que você tenha que se meter! – empinei o nariz. – Agora posso ir?

Ele ainda ponderou sobre se acreditava em mim ou não. John não estava errado em desconfiar, porque ele sabia que eu era muito sincera – quando se tratava de aprontar e levar a culpa -, mas sobre fazer pesquisas não era nada muito eu, era suspeito. Não tirava sua razão em tentar me segurar com medo que eu destruísse alguma coisa ou o prédio inteiro. E eu não estava irritada por ele desconfiar de mim, mas sim por me prender.

– Certo. – ele suspirou e vi medo em seus olhos. – Só tente... Não destruir os computadores, ok? Eles já são idosos e...

– E que se eu destruísse estaria fazendo um grande favor a todos os alunos dessa escola. – ironizei e ele bufou. – Tudo bem, John, eu vou tentar. E também tem a velha senhora da biblioteca, ela vai ficar de olho em mim. É capaz até de me seguir para aonde eu for enquanto estiver lá.

– Seria um grande favor que ela faria para mim.

– Ótimo! Agora finalmente posso ir, John?

– Pode. – ele assentiu.

– Finalmente. – revirei os olhos e passei por ele, voltando a correr.

A biblioteca da escola era um lugar que cheirava a livros velhos misturados com pó e estudo. E acredite em mim, estudo tem cheiro, é só você entrar em uma biblioteca que você sente. Se você inalar bastante desse cheiro é capaz de até se sentir um nerd totalmente e atacar uma alergia de pó que você nem sabia que tinha. Esse era um dos motivos que eu evitava esse lugar porque eu e livros de estudo não combinávamos, eu tinha minha inteligência em nível avançado e conseguia aprender as coisas muito rápidas se prestasse muita atenção – o único ponto positivo em ser hiperativa.

Todos os professores se questionavam como a pior aluna deles conseguia se tornar a melhor nas notas, mas esse era o segredo que eu gostava de manter. Eu só precisava de um tempo estudando no meu notebook que estava pronta para uma prova. Tudo rápido como uma pessoa hiperativa era.

Assim que entrei na biblioteca o ar já ficou mais poeirento, o que incomodou meu nariz. Ao seguir para a ala que ficava os computadores pré-históricos da escola pude sentir os olhos de todos que estavam ali em mim. Tudo bem que era um milagre ter um Swan na biblioteca, mas também não era para tanto. E não eram só olhares de surpresa, eram também de puro pânico de que eu iria destruir mesmo a biblioteca, o único lugar da escola que tinha ficado livre de minhas artes.

Os computadores estavam ligados, para minha felicidade, e eu só me sentei em frente a uma maquina e cliquei no ícone para abrir um navegador. Com o tempo que levou para abrir um site de pesquisa minha felicidade foi sumido e se tornando irritação, então comecei a bater os dedos na mesa e mexer o pé freneticamente.

– Está tudo bem?

Dei um salto quando vi que a velha senhora da biblioteca estava atrás de mim me encarando, com seus olhos azuis atrás do óculo fundo de garrafa. Ela era uma senhora baixinha, de pele clara enrugada e tinha uma voz extremamente doce, como aquelas velhinhas de filmes românticos ou infantis. Ela me assustava, eu admitia, e era mais um dos motivos que eu não vinha para a biblioteca. Já fazia anos que ela trabalhava ali, até suspeitava que tivesse passado dos cem anos de idade, e a velha não se aposentava.

– Está sim. – falei rápido.

– Tem certeza? – ela olhou para a minha mão e eu fechei minha expressão.

– Está tudo ótimo. – resmunguei carrancuda. Ela devia saber do meu pequeno problema, ou achava que quanto mais agitava mais bomba de destruição era. Me virei para o monitor e vi que tinha aberto a pagina, então me voltei para a velha. – Se importaria de me dar um pouquinho de privacidade? É que é uma pesquisa particular...

A velhinha arregalou os olhos, assentiu e a contragosto saiu, sempre olhando para trás como se para verificar que no segundo que ela piscou eu tivesse destruído tudo. Isso era um exagero e eu ia fazer uma pequena reclamação com o John, não era como se eu fosse um demônio da tasmânia.

Joguei aqueles pensamentos para longe voltando a me concentrar no que havia vindo fazer aqui. Levei meus dedos ao teclado para digitar, mas nem comecei já que não sabia como pesquisar. Não acho que “meu vizinho nadador gostoso com virada única dele” iria funcionar. Tinha que ser algo mais especifico e explicativo. Apoiei meu cotovelo na mesa e o rosto na mão pensando no que pesquisar. Eu era péssima com pesquisas, sempre soube disso. Pensei em várias coisas até pensar na mais obvia e senti vontade de dar uma na minha cara. Eu não tinha que pesquisar por alguém com aquela virada porque eu já tinha a pessoa. Edward. Eu tinha que pesquisar sobre ele, e deveria ter alguma coisa escolar com seu nome. Edward sempre teve cara de ser o garoto popular, e ele era nadador, o que fazia tudo ainda mais fácil de achar.

– Edward Cullen nadador Nova York. – murmurei ao mesmo tempo em que digitava os pontos importantes da minha curiosidade.

E eu sei, eu era uma droga para pesquisas, por isso que meus trabalhos eu sempre arrancava o tema certo e forma de pesquisa com os professores.

Levou quase cinco minutos para ter uma busca completa em toda a rede, e eu bufei impaciente. Renée tinha que me dar meu novo celular urgente porque depender daqueles computadores para uma pesquisa que podia ser feita no meu iPhone era um grande absurdo. Xinguei a todos os antepassados do criador daquele computador e da internet lenta que a escola fornecia até abrir o arquivo de busca. Comecei a ler procurando algo que fosse o que eu realmente precisava, mas não havia muita coisa.

– Qual é, Edward, porque você não tem uma pagina no Wikipédia contando sua história? – resmunguei.

Eu, realmente, odiava pesquisas. Voltei a minha posição pensativa tentando outra forma de encontrar coisas sobre Edward, demorando pelo menos uns dez minutos. Dez minutos que fiquei encarando o site de busca e quase dormindo. Mas a luz veio, ela estalou na minha cabeça e uma garota de cabelos ruivos e muito animada passou pela minha mente.

Eu podia ligar para Renesmee e pedir o nome da escola que Edward e ela estudaram e ver se havia algo na internet sobre o Edward relacionado a essa escola. Era simples. Só que não era fácil. Primeiro porque eu não tinha um celular para ligar para ela, e segundo que eu não tinha o numero dela. E essas eram as coisas mais importantes. Claro que eu podia voltar correndo no Ginásio, entrar no vestiário masculino, arrombar o armário do Edward e pegar o celular dele, mas isso demoraria demais. E eu também podia procurar todos os nomes das escolas de Nova York e ver se elas tiveram um Edward Cullen e Renesmee Cullen como alunos, mas com aquela internet demoraria o mesmo tanto que voltar no Ginásio.

Mas eu tinha também outra opção. E só me restava ela então...

Eu levantei rápido da cadeira, fazendo um barulho e eu pude ouvir todas as cabeças se virando na minha direção. Fazendo o que estava mais acostumada, eu ignorei aqueles olhares e fui até onde ficava a mesa da velha senhora bibliotecária. Ela me olhou num misto de medo e desconfiança. Sorrindo o mais docemente que podia, me encostei-me ao balcão e inclinei minha cabeça.

– Hm... Bibliotecária, por algum acaso você poderia por uma gentileza me emprestar o telefone para que eu possa fazer uma ligação urgente? – perguntei em uma voz doce.

A velha ficou me encarando por alguns segundos e assentiu, empurrando o aparelho telefônico na minha direção. Era engraçado como os computadores eram lentos e velhos e a bibliotecária tinha uma linha telefônica para ela.

Eu digitei o número da minha esperança, torcendo para que Renesmee estivesse em casa e fosse atender ao telefone do quarto do Edward, porque o dele eu sabia. Chamou varias e varias vezes e nada, mas eu tentei novamente porque era uma garota muito insistente. Tocou bastante e quando estava para cair eu pude ouvir a voz fininha do outro lado. Renesmee. Eu conversei um pouco com ela – fazendo a bibliotecária me lançar um olhar de “abusada” – e finalmente cheguei aonde queria, perguntando o nome da escola. Ela me informou sem perguntar para que eu queria, algo que achei estranho vindo dela, que era a pessoa que mais perguntava e falava.

Com o nome da escola, eu voltei feliz para os computadores e digitei no site de busca, encontrando demoradamente algo relacionado a Edward e natação. Eu fiz uma dancinha feliz na cadeira enquanto abria a página. Demorou também, e quando abriu era uma página feita por algum adolescente querendo fazer a escola se tornar importante na rede. Havia uma imagem em cima de um cara nadando, coisa pegada no Google Imagens provavelmente e embaixo o titulo da matéria enorme. Era algo assim:

Edward Cullen, o queridinho do time de natação não tão certinho quanto aparenta.

Isso só me fez revirar os olhos. O nome do dono da matéria era masculino então devia ser um nerd invejoso que destilava veneno em todos os populares sempre que podia. Passei daquela idiotice e fui para a matéria, lendo com atenção.

“Edward Cullen, o grande astro da natação da nossa escola conseguiu o que nem todos esperavam dele. Ele jogou sua carreira para o alto em um estalar de dedos, surpreendendo a todos como também ao nosso querido diretor.”

– Essa porra deve ser algum viado, só pode. – falei rindo divertida sobre quem tinha escrito a matéria. O cara ficava chamando de queridinho e querido. Que coisa mais tão... Filme adolescente.

Novamente ignorei e continuei lendo.

“Edward surpreendeu a todos no seu grande dia, quando foi acusado de doping nas finais do campeonato de natação das escolas de nova iorquinas. Foi um grande baque para todos os seus fãs e torcedores, que sempre acreditavam na honestidade do Grande Edward. Mas as aparecias enganam ainda mais sorrisos bonitos. Ele conseguiu não apenas fazer a escola ser eliminada das competições como também que sua grande entrada para uma faculdade de prestigio não acontecesse quando decidiu fazer isso no mesmo dia em que havia olheiros por ele querendo o mais rápido conseguir ter o astro nas mãos.”

– Só pode ser brincadeira... – murmurei para mim mesma não acreditando que aquilo realmente havia acontecido com Edward. Meu Edward.

Eu passei rapidamente os olhos pelo resto da matéria que falava sobre as vitórias e como foi um tapa na cara de Edward perder todo o futuro dele. Tudo que aquele garoto falava era cheio de esnobismo, o que fez querer caça-lo até o inferno e dar na cara dele por falar daquela forma sobre o meu vizinho.

Eu não consegui chegar ao final da matéria de tanta raiva que fiquei daquela pessoa que eu nem sequer conhecia. Era um extremo filho da puta que se eu o visse na minha frente ele não conseguiria mais ter língua ou dedos para digitar falando mal do meu Edward.

O estalo de onde eu conhecia Edward finalmente apareceu. Eu havia visto uma noticia sobre um garoto, estrela de um colégio em Nova York, fez a escola perder porque foi pego no exame de antidoping. Eu até comentei com Emmett que isso fora algo extremamente idiota e que era capaz de um dia os meninos da nossa escola também forem pego assim. As escolas tinham a mania de levar bastante a sério as competições que faziam entre si no estado ou até mesmo no país, querendo além de manter em forma e sem drogas os seus, talvez, futuros atletas famosos, como também serem justos, mesmo que fossem competições escolares. E ser pego com isso realmente acabava com a carreira deles que estavam começando agora.

E era por isso que eu senti aquela sensação de reconhecimento quando vi Edward pela primeira vez pessoalmente, porque eu vira seu rosto no noticiário de esporte, e também vagamente havia visto seu nome. Eu só não lembrara antes porque tinha uma péssima memória, mas era impossível esquecer a imagem dele nadando daquela forma tão perfeita e rápida, e fazendo aquela virada.

Agora tudo fazia sentido sobre Edward querer tanto entrar para o time, como também a felicidade de Renesmee e sua torcida, mas ainda mais a forma que o pai de Edward ficava quando o assunto era natação. Como ele era extremamente frio com Edward por isso. Ele deveria ser aquele pai que o apoiava, e saber que o filho fora pego no doping devia ter sido uma noticia e tanto.

E eu não podia conhecer Edward há muito tempo, nem mesmo como sua mente trabalhava quando assunto era nadar, mas eu sabia que ele era bom naquilo que fazia e que ele não tinha cara de trapaceiro. Não mesmo. E antes mesmo de sequer pensar sobre isso ou julgar, eu senti que precisava falar com Edward. Eu ansiava saber o que havia acontecido aquele dia em que sua vida se transformou para algo ruim.

Fechei a página de internet, não querendo que alguém visse aquilo e levantei rápido da cadeira, fazendo-a cair para trás, mas não me importei com aquilo, pegando minha mochila no chão e logo saindo correndo da biblioteca com aqueles olhos me seguindo.

Eu corri ainda mais rápido na volta para o Ginásio, encontrando alguns meninos saindo pelas portas duplas. Foi só então que percebi como eu havia demorado na biblioteca com aquela internet lenta. Não havia mais ninguém na piscina, então segui para o vestiário, entrando apressada pela porta sem me importar que fosse masculino e que havia garotos tomando banho e só de toalha. Eles olharam assustados para mim quando entrei de forma tão rápida, mas vendo que era eu – e já sabendo daquela fofoca toda sobre Edward e eu, eles me ignoraram. Eu procurei por Edward, meus olhos o encontrando logo. Ele estava de frente para o armário dele, apenas com a calça jeans. Ele mexia no celular com uma mão e a outra ele passava no cabelo molhado, tentando seca-lo.

– Edward. – chamei, me aproximando.

Ele desviou os olhos do celular e me encarou, primeiro franzindo as sobrancelhas em confusão, depois sorrindo malicioso ao perceber minha coragem de entrar no vestiário naquela hora. Mas quando não correspondi ele desfez o sorriso, voltando à confusão.

Eu não sei o que impulsou para que todos os garotos saíssem logo do vestiário, mas eles fizeram como se percebessem que algo ali não estava certo. Eu sabia que os meninos da natação eram maravilhosos, melhores do que os do futebol americano que conseguiam ser uns babacas.

Quando ficamos sozinhos, Edward aumentou ainda mais sua expressão preocupada.

– Aconteceu alguma coisa, Bella? Você... Sumiu do Ginásio.

Não havia percebido o quanto estava tensa para saber suas respostas quanto naquele momento. Eu sabia que não julgaria Edward não importa o que ele falasse, porque acima de qualquer idiotice que ele fizesse Edward era meu amigo e amigos não julgam. E também eu não era a melhor pessoa para isso quando provavelmente devia ter feito mais merdas que Edward. Eu não estava para saber se ele era um trapaceiro ou algo assim, eu estava tensa porque finalmente ia conhecer a vida de Edward antigamente. Nada de rapper branco que assalta, nem nenhumas suposições da minha habilidade de detetive, agora era algo real.

– Eu... Nós precisamos conversar. – falei e ele ficou sério, o que me fez rir. – Cara, eu sempre quis falar isso assim, é tão... Tenso.

Edward revirou os olhos relaxando um pouco mais e pediu para que eu esperasse ele vestir a camiseta e pegar as coisas dele, o que foi uma boa hora para que eu soltasse um flerte de que não importava dele andando sem camisa ao meu lado. Vestido e com tudo nas mãos, nós saímos do vestiário.

– E então o que nós precisamos conversar? – ele perguntou.

Mordi o lábio inferior, apertando a alça da minha mochila pensando em uma forma de falar para ele que eu sabia sobre como foi seu ultimo campeonato. Sabia que era um assunto chato e eu não queria mostrar que fui intrometida e tudo isso, queria pegar leve.

– Eu não quero ir embora agora, então que tal sentarmos na arquibancada? – perguntei para ele que mesmo me lançando aquele olhar, assentiu. Nós seguimos para lá, sentando nos primeiros lances. Eu já havia pensado em como falar, então não esperei tempo. – Edward, você sabe que tenho um dom de detetive, certo?

Edward soltou uma risada assentindo.

– Como sei.

– Yeah, yeah... – revirei os olhos para seu sarcasmo. – E ele não funciona muito bem para você, o que eu não entendo... Bem... Não até agora. – lancei um olhar para ele, que ainda tinha uma expressão divertida. – Tenho uma teoria que não é tão teoria.

– Então você... Tem uma teoria da minha vida antes daqui? – perguntou e eu assenti. – Certo, qual é?

Ele estava se divertindo provavelmente achando que eu inventaria mais alguma coisa louca, mas eu sabia que quando eu falasse a verdade toda àquela diversão sumiria. Então eu demorei a responder, encarando a grande piscina a minha frente e pensando em como eu seria leve. Leve... Água.

Deus hoje estava do meu lado porque ele mandava uns estalos na minha mente sempre me dando a resposta.

Eu joguei minha mochila no chão e fiquei de pé, levando minhas mãos até a barra da minha camiseta e a tirando.

– O que você está fazendo, Bella? – Edward perguntou de olhos arregalados. – Não vai me dizer que você acha que sou algum prostituto ou algo assim?

Eu estava abrindo o botão do meu short jeans quando ele falou aquilo, e eu precisei parar para encara-lo. Caramba, era impossível não flertar com Edward mesmo nas situações mais absurdas.

– Não acho nada disso, mas se você fosse algum prostituto fique sabendo que eu com certeza pagaria por uns serviços seus. – eu falei e ele gargalhou. – Mas não é nada disso. Eu estou tirando a roupa porque quero nadar.

– O que? – sua voz saiu alta.

– Nadar, Edward. O que você faz em todos os treinos, sabe aquele negocio de bater braço e boiar? Então! – revirei os olhos. – Agora tira essa roupa e vem nadar comigo antes que eu mesma a tire e te empurre.

Edward me lançou um olhar malicioso com a ideia, mas ele mesmo tirou as próprias roupas. Eu não me importava de ficar de roupas intimas na frente de Edward, e não era a primeira vez que fazíamos aquilo, então todos os olhares maliciosos que trocamos foram apenas por nossa diversão.

– Belo sorriso, Bella. – Edward falou quando fui à direção da piscina e estava de costas para ele.

Eu sabia do que ele estava falando. Era a maldita calcinha que Rosalie havia me dado de “presente filho da puta de aniversário do mês”, algo que havíamos inventado para que tivesse um dia em que podíamos tirar uma com a cara da outra livremente. E o desse era essa calcinha com carinha sorridente atrás. Eu havia gostado dela, era engraçada, mas hoje nem tanto. E quando Edward falou aquilo eu senti meu rosto corar, lhe mandando um dedo do meio enquanto ele ria.

Entrei na piscina com um pulo, logo depois sendo seguida por um Edward apenas de boxer. Quando ele emergiu veio nadando na minha direção, parando na minha frente, e ia perguntar algo quando joguei água na cara dele e rindo me afastei nadando. Edward me seguiu, rapidamente conseguindo me alcançar, mas eu escapuli de suas mãos e joguei água nele de novo, em uma brincadeira totalmente infantil. Uma hora ele foi mais esperto, me fazendo ficar encurralada na parede com seus braços dos meus lados.

– E então, qual é a sua teoria? – perguntou extremamente curioso.

Estávamos na piscina, algo que acalmava ele, então estava na hora de parar de enrolar e falar logo.

– A minha teoria é... A verdade. – falei e ele me encarou confuso. – Eu sei o que realmente aconteceu na sua vida antes de vir para Los Angeles e ser o meu vizinho. Sei sobre o campeonato e o que aconteceu no dia dele...

Um silêncio se instalou entre nós. Edward assumiu uma postura rígida e uma expressão séria, com o olhar desconfortável e até triste. E ver aquele olhar me fez sentir uma idiota por pesquisar sobre ele e por saber o que aconteceu, por falar assim e também por deixa-lo triste. Eu odiava ver Edward triste.

– Como? – depois de um tempo ele quebrou o silêncio com a voz grave.

– Eu... Vi na internet. – abaixei os olhos. – Eu estava olhando você treinar e acabei achando familiar aquela volta rápida que você dá e eu queria saber de onde, então fui pesquisar. Por isso que sumi do treino, eu estava nos computadores da biblioteca. Eu li sobre o que aconteceu.

Novamente nós voltamos aquele silêncio. Esperei que Edward o quebrasse com outra pergunta, mas ele não o fez, só ficou com aquele olhar magoado para o nada, não olhando nenhum segundo para mim. Eu só me senti ainda pior, aumentando aquela vontade de reconforta-lo e dizer que tudo estava bem, que ele não precisava se preocupar com nada. E foi o que eu fiz, eu estiquei minhas mãos até seus ombros, passando elas calmamente pela sua pele molhada até enrolar meus braços em volta de seu pescoço e abraça-lo, encostando meu rosto em seu ombro.

– Me desculpa por ter sido uma intrometida e não ter esperado o tempo para você falar. – murmurei. – E eu espero que você saiba que não precisa se preocupar com o que vou pensar ou não de você, Edward, que...

– Você acreditou? – ele me cortou.

– Eu não pensei no assunto. – admiti, me afastando para olha-los nos olhos e assim ele pudesse ver a sinceridade das minhas palavras no meu olhar. – Eu não queria pensar nisso quando eu não sabia realmente o que aconteceu. Eu apenas li uma matéria de um babaca, não podia formar uma opinião naquilo, eu só peguei o que aconteceu. E se eu for pensar algo vai ser pelo que você falar. Eu quero ouvir de você.

Eu estava sendo paciente com Edward – mesmo que paciência não fosse meu forte. E esperei a hora que ele quisesse começar a falar.

– Eu não posso dizer que sou totalmente inocente do que aconteceu comigo como também que sou culpado. Foi uma estupidez o que eu fiz no dia anterior aquele. Eu estava com o time, nós saímos todos para sair, você sabe, populares saem juntos e essas coisas. – Edward revirou os olhos. – Nós gostávamos de balada e beber. E naquele dia nós bebemos, estávamos comemorando nossa pré-vitória, porque achávamos que ganharíamos. Éramos a melhor escola do estado, então a vitória poderia ser facilmente nossa mesmo que a que íamos competir contra tivesse chegado ali.

– Modéstia de vocês não existia, não é. – cantarolei e ele riu.

– Nem um pouco. Nós estávamos curtindo. Até abusando mais do que devíamos já que no outro dia tinha o campeonato e estávamos até tarde lá e bebendo o máximo que podíamos. E teve uma hora da noite que foi mesmo a hora que fiz a pior besteira da minha vida. Eu e mais um cara do time nos afastamos dos outros, e ele tinha comprimidos. Os malditos comprimidos que ele falou que sairia do organismo rápido e que só dava uma animada, como energéticos. E eu, idiota, acreditei nele porque eu estava bêbado. Não quero culpar a bebida, mas isso também influenciou, mas a minha idiotice foi o que prevaleceu. Nós colocamos na bebida e bebemos e bem... Teve o resultado esperado, ninguém ali era mais animado que nós dois. Era pura adrenalina.

Eu sabia o que Edward queria dizer com “adrenalina”, mas não o atrapalhei nem nada, deixei que ele continuasse.

– No outro dia, com ressaca, eu fui para o campeonato. Mesmo amando natação eu não levava muito a sério, era bastante inconsequente. Eu gostava de ser popular, de sair com a galera legal e curtir. E isso me desviou do meu foco de natação, algo que eu amo desde criança. Só eu sei o quanto ouvi de Carlisle aquele dia por estar de ressaca, mas era fácil ignora-lo. No vestiário eu percebi que era o que estava mais destruído, nem mesmo o que havia dividido o comprimido comigo estava tão acabado. Todos perceberam, até o treinador, o que me resultou em mais um esporro porque havia olheiros para me ver. Então chegou a hora do teste de antidoping e... Bem, eu fui o primeiro. Eles encontraram no meu organismo Epinefrina, pego. Quando eles me chamaram para falar daquilo meu treinador surtou e então o time estava sabendo como também a outra escola e todos que estavam ali para torcer, nadar. Todos mesmo. E... Então eu vi todos os meus sonhos e de Carlisle irem para o ralo com aquilo.

Edward franziu as sobrancelhas, abaixando a cabeça. Sua expressão era de quem estava derrotado, o que me doeu ainda mais de olha-lo. A sensação de conforta-lo aumentou ainda mais, e eu acabei enrolando minhas pernas em volta da cintura dele e o abracei mais forte pelo pescoço, deixando nossos corpos próximos o máximo que podíamos. Com uma mão acariciei sua nuca.

– Edward... E seu colega de time, ele não foi pego também? – perguntei.

– Não. – sua voz se tornou fria e dura. – Ele não tinha tomado o comprimido.

“Ele não tinha tomado o comprimido”. Novamente eu senti vontade de caçar uma pessoa que eu não conhecia e tortura-la por fazer algo tão cruel com meu Edward. Ele não precisava me explicar o que havia acontecido, estava claro como água que o tal colega havia ferrado com ele de propósito. Eu odiei aquele garoto com todo o meu ser por magoar o meu garotão.

– Eu já tenho a minha opinião formada. – murmurei em seu ouvido e ouvi seus suspirar. – Você é um idiota.

– Eu sei.

– Não, é sério, você é muito idiota. Eu achava que meu vizinho fosse mais inteligente com essas pessoas, mas não.

– Eu sei, Bella.

Eu não aguentei e soltei uma risada, me afastando um pouco para olha-lo. Edward ainda tinha aquele olhar triste.

– E você também sabe que isso não vai mudar nada que eu penso sobre você, não sabe? Que eu ainda vou ter orgulho de você ser meu amigo nadador, que você ainda vai ser o meu nadador e que nada disso importa porque foi apenas uma falta de inteligência e não ter me conhecido antes. E que eu também ainda vou amar você mesmo sendo burrinho.

Edward, que me encarava, abriu um pequeno sorriso de canto. E eu me senti orgulhosa por conseguir afastar aquela tristeza dele.

– Você não esta falando isso em agradecimento por em continuar com você quando você achava que eu ia me afastar por causa do DDA, não é? – perguntou.

Minha boca caiu com sua pergunta por que foi a coisa mais idiota que ele havia falado desde que eu o conhecia.

– O que?! Ah, qual é, você acha que sou dessas?! Edward, agora eu me senti ofendida. Você ter me aceitado não quer dizer que sou obrigada aceitar que você se você fosse um assassino. Mas eu digo, se você fosse, eu ainda estaria do seu lado. Eu adoro caras perigosos e misteriosos, sabe? Eles me atraem.

Edward sorriu malicioso, espantando qualquer tristeza. E cada vez mais me sentia melhor porque conseguia tirar ele daquelas memórias tristes. A solução era um flerte. Eu só precisava flertar.

– E caras burros e idiotas, eles te atraem?

– Hm... – fingi pensar. – Depende. Se ele for um nadador com costas largas, ter uma bunda gostosa e for meu vizinho, se tornar meu amigo e gostar do meu sorriso... Sim, eles me atraem também. – eu falei, levando meu rosto para mais perto do dele. – Ainda mais se ele gostar do meu sorriso.

Edward, que mantinha as mãos na minha cintura, ao ouvir minhas palavras, começou a descê-las pelo meu quadril até parar em minha coxa, quase perto da minha bunda.

– Eu já disse que gosto do seu sorriso? – perguntou me fazendo gargalhar alto, jogando a cabeça para trás.

Depois que acabou meu acesso de riso, eu voltei a ficar séria. Eu ainda queria saber mais algumas coisas sobre Edward, e aproveitar que estávamos indo tão bem ali.

– Porque você se mudou para cá?

Edward franziu as sobrancelhas.

– Depois do que aconteceu no campeonato eu fui expulso do time, como também aonde eu treinava. Eles não queriam alguém lá que podia trazer tanta má reputação. Isso deixou Carlisle muito furioso comigo, o que tornou insuportável ficar em casa. Na escola era a mesma coisa. O que me fez perceber que eu não tinha amigos, que todos eram meus “amigos” por causa de ser o melhor do time de natação. Eu não queria mais ir para aquele lugar, então Renesmee nos deu a solução de nos mudarmos. Foi algo bastante legal da parte dela, porque se mudarmos ela teria que abandonar as amigas, a vida dela em Nova York. Eu até recusei porque não queria que isso a afetasse, mas ela estava bastante certa daquilo. Então Carlisle deu um jeito de conseguir transferência para o hospital daqui, um lugar afastado de Nova York e que provavelmente ninguém sabia sobre o que aconteceu lá, e Esme está abrindo o escritório de arquitetura dela. E então você já sabe o resto da história. Meu pai tem raiva de mim, minha mãe pena, minha irmã está sempre do meu lado e eu tenho esse passado idiota que quero esconder. – no fim Edward deu de ombros, olhando atentamente para uma mecha do meu cabelo que ele brincava com os dedos.

– E por que... Você nunca me contou isso?

Ele ergueu os olhos para mim, torcendo os lábios em uma careta.

– Porque eu tenho vergonha disso, Bella. Da minha idiotice, de ter caído nessa conversa com drogas e principalmente da pessoa que eu era. Uma totalmente diferente de você, que não se preocupa em ser popular e essas coisas que alunos ditam dentro das escolas. E também tinha um pouco de receio que você... Não levasse como está levando agora ao saber. Que isso a fizesse também ter vergonha de mim.

– Você fala como se não me conhecesse. – murmurei, pegando seu rosto com minhas fazendo com que ele me encarasse nos olhos. – Eu nunca o julgaria, Edward. Você é meu amigo, é importante para mim e eu sempre estará do seu lado. E não é só por isso também, você me conhece, sabe que amo essas idiotices e que as aceito por ser uma das que mais faço. Eu nunca seria hipócrita com você. Pessoas cometem erros e você cometeu o seu. Não precisava ter vergonha de mim.

Eu puxei seu rosto de encontro ao meu, fazendo nossos lábios se encostarem. Edward tinha os olhos arregalados, demonstrando sua surpresa, mas logo relaxou e pressionou ainda mais seus lábios nos meus. Aquele ato entre nós estava se tornando nossa forma de carinho um com o outro. Em todas as situações que tínhamos feito aquilo fora em momentos assim: quando ele me disse que sabia sobre minha hiperatividade, quando soubemos que ele estava no time e agora. Era como um agradecimento das coisas que aconteciam entre nossa amizade, algo que apenas nós entediamos naquele ato. Não aprofundamos em um beijo nem nada disso – mesmo que fosse uma ideia bastante tentadora -, então nos separamos, e Edward sorriu abertamente, deixando qualquer coisa sobre Nova York para trás e voltando a ser o meu vizinho. E eu retribuí o seu sorriso.

– Você é uma boa amiga, Bella.

– Eu sei. – estufei o peito em orgulho, o fazendo rir de mim. – E você está se tornando um vizinho cada vez melhor.

Edward riu e me puxou contra ele em um abraço ao mesmo tempo em que depositava um beijo na pele do meu pescoço. Eu também o apertei, tentando ignorar o arrepio na minha nuca com aquele gesto e pensando em quanto o destino sabia fazer a coisa certa, que ele colocava as pessoas certas na minha vida.

Notas finais do capítulo
to orgulhosa de mim mesma, serio, to conseguindo escrever capitulos rapidos e isso me deixa muito feliz pq nao faço vcs esperarem muito *------*
E então, o que voces acharam desse capitulo? Cheio de revelações hmmmmm. Alice, Alice, essa vai ainda se mostrar muito nessa fanfic. E nosso nadador, tadinho. Eu nao sei se era o que voces esperavam o que aconteceu com ele, mas é a coisa mais plausivel que eu acho. Isso pode acontecer, então... E nosso casal de amigos cada vez mais proximos.
Bem, eu vou tentar rapido novamente, mas agora estou ajudando minha mae em umas coisas do trabalho dela e fica dificil escrever, mas vou dar o meu maximo.
E pra quem ainda nao viu minha nova fanfic, aqui está http://fanfiction.com.br/historia/370936/Manta_Vermelha/ eu conto com vcs nela.
É isso, até o próximo. Comentem, recomendem, me façam feliz como voces conseguem *----* Beijos




(Cap. 15) Valentine's Day Mad

Notas do capítulo
eu estou postando esse capitulo correndo entao por favor me desculpem a demora e qualquer erro.

14. Valentine's Day Mad

Edward POV

– E finalmente acaba nosso expediente! – Bella falou fechando a porta da lanchonete e se virando para mim com um sorriso. – Você me ajudou bastante hoje, Edward. Quando eu receber vou dar uma recompensa.

– Não quero recompensa em dinheiro. – brinquei e ela riu. – Estou falando sério.

Bella se aproximou de mim e tocou meu rosto.

– Você sempre está, Edward. – ela piscou um olho e começou a andar. – Vamos pela praia hoje?

– Vamos.

Hoje, depois do treino, eu havia passado na lanchonete para poder ir embora com Bella, o que a deixou bastante feliz, mas acabou que Jasper precisou sair correndo para alguma coisa e eu ajudei Bella com os clientes da forma que pude. E até que me sai bem entregando pedidos, de tanto que assisti Bella e Jasper fazer aquilo. Deixei Renesmee ir embora com o carro, então nós íamos a pé já que Bella veio para a escola comigo novamente.

O final de tarde hoje estava extremamente quente para um inverno na Califórnia. Aqui não podia nevar nem fazer frio, mas também ser extremamente quente não combinava. Eu estranhei, mas Bella disse que era normal, que era a amada Califórnia dela.

– Eu adoro fevereiro. – Bella disse abrindo um sorriso ainda maior. – Adoro a segunda semana.

Eu pensei no porque de ela gostar da segunda semana quando me lembrei de uma data.

– Porque você adora a segunda semana? – perguntei.

– Porque sempre tem baile de Valentine’s Day na escola, o que significa festa, que comigo e minha gangue lá da em bagunça. Mas... – ela agarrou meu braço com o dela, se apoiando nele. – O principal de tudo: colocar álcool no ponche que o John vai beber e... BAM! – Bella mexeu uma mão como se visse algo explodir na frente dela. – A festa vai começar.

– Você está brincando, não é? – eu gargalhei. – John é fraco pra bebida?

– E como! Nunca vi alguém ficar muito louco com um ponche batizado. Sério, pensa numa pessoa que dança melhor Macarena que os próprios criadores da dança? É o John!

– Você consegue ser muito cruel, Bella, em embebedar seu diretor. – estalei a língua enquanto Bella ria. – Ele nunca reclamou disso?

– Ele nunca achou provas contra nós. – ela deu de ombros. – É por isso que escondemos um ponche não batizado, deixando o batizado só para o John e o pessoal da escola. As pessoas da escola acham que ele só se empolga com a festa.

– Deus, vocês são mesmo cruéis com o cara. – balancei a cabeça, rindo. – E tem uma mente que... Só rola crueldade.

– Isso são os Swan, Edward. Nós nascemos para fazer maldades, já lhe disse. – ela tentou fazer seu melhor sorriso de psicopata, mas ele saiu mais malicioso.

– Não. – neguei e ela resmungou.

– Certo, menos o sorriso. Mas o que vale são os pensamentos maldosos, e eu estou cheia deles.

– É claro. – concordei, pois essa era a verdade. Bella e Emmett conseguiam ser maldosos quando queriam.

Nós finalmente chegamos à praia e seguimos pela calçada. Havia muitas pessoas aproveitando aquele calor de sexta-feira, principalmente adolescentes que haviam saído da escola. Praia era um dos lugares que eu mais gostava daqui, primeiro porque não tinha muitas em Nova York, e outra porque era ali que eu corria com a Bella todo final de semana.

Lembrar-se disso me deixou triste porque esse final de semana ela iria para Orlando visitar Charlie. Eu começava a não gostar desses finais de semana em que não tinha a Bella. E o pior era que sem ela, eu passava tempo com Emmett e Alec, e as coisas nunca davam certos quando isso acontecia. Eu deveria começar a convidar Rosalie para passar o dia quando Bella não estava, ela com toda certeza, se metia menos em encrencas.

– Você já pensou em convidar alguém para esse baile, Edward? – Bella perguntou virando seus olhos verdes para mim. – Alguma que eu vou aprovar na sua mira?

– Você acha que sou do tipo que vai para bailes? – questionei e ela riu. – Alias, porque esse baile? Quero dizer, é difícil ver escolas fazendo bailes assim. Só agora o PROM* que fazem.

* PROM é o baile que eles fazem antes da formatura.

– Ah, isso é coisa daquelas garotas da escola. Tânia deu à ideia e todas as seguidoras e adoradoras dela adoraram, então John não foi contra quando teve uma votação e tudo. É claro que Tânia só fez isso para ter uma chance com Brad. – Bella revirou os olhos. – Algo que só deu certo uma vez.

– Então Tânia e Brad já tiveram algo?

– É claro. Ou você acha que essa paixonite louca de Tânia era por nada? A garota é burra e iludida, mas não tanto assim. – Bella bufou. – Foi bem quando Brad entrou na escola, ela se encantou com ele e então criou esse idiota baile de Valentine’s Day, e como Brad não conhecia Tânia ainda direito, acabou que deu certo entre os dois. Durou pouco tempo porque aos poucos um ao outro foram conhecendo o idiota que é um com o outro. Mas Tânia ainda continua gamada no babaca do Brad.

– Essa eu não imaginava.

– Pois é. Acredite Edward, Tânia não é idiota quanto parece. Tudo que ela fez tem seus motivos.

A forma como Bella falou de Tânia me pegou de surpresa. Não havia a raiva ou o deboche de sempre, foi algo mais não interessado, mas que deveria ser explicado. Como se falar que Tânia era o que era tivesse seus motivos fosse para mudar qualquer imagem que eu tivesse dela para algo menos frio e de plástico que era.

– Você ainda não me disse se vai, Edward. – Bella mudou de assunto. – Sabe, eu preciso saber.

– E por quê?

– Porque eu vou precisar de um par para ir, afinal, quem mais vai batizar o ponche de John? – mexeu as sobrancelhas de forma sugestiva. – E também, que se você tiver, vou ter que procurar outra pessoa para ir comigo. Afinal, sou Bella Swan, eu preciso ir com alguém.

Eu não tinha ninguém em mente para convidar, alias eu nem imaginava que iria nesse baile. Eu estava mais no jeito “se o pessoal for, eu vou”, e agora Bella falando era claro que eu iria.

– Bem, então eu tenho alguém para chamar para ir.

– É alguém que eu aprovo?

– Eu acho que sim. Quero dizer, você aprovaria você mesma, certo? – olhei para ela. – Porque eu aprovo.

Bella gargalhou.

– É claro que eu me aprovo. Eu sou a pessoa perfeita para você, Edward, tudo que precisa. Linda, gostosa, legal, divertida e sua vizinha. Yeah, eu sou realmente perfeita. – ela assentiu com a cabeça. – Ah, e convite aceito.

Nós trocamos sorrisos cumplices. Bella então pegou minha mão e me puxou na direção da areia, fazendo nós irmos para a água. Antes que ela fizesse a loucura de nós molharmos nossos tênis, eu tirei o meu, não querendo ouvir Esme reclamar mais uma vez de que estava com os meus molhados. Bella gargalhou daquilo, e quando eu estava descalço ela me empurrou em direção à água, mas eu fui mais rápido e a empurrei também.

– Merda! – resmungou quando seu tênis ensopou. – Era só pra acontecer com você.

– Não deu certo seu plano. – eu falei, rindo.

– Não dessa vez. – murmurou. Ela começou a andar pela água, chutando de forma fraca as ondas. – É impressionante como chega perto de fevereiro todos começa a ficar com os hormônios a flor da pele inspirados no dia dos namorados.

– É. – concordei lembrando da última festa que nós fomos para ajudar a arrecadar dinheiro para o baile.

– Se um dia eu precisar fazer de uma tese em psicologia com toda certeza vou fazer sobre essa data e ainda usar meu irmão como estudo. O cara já parece um rato de laboratório, não vai se incomodar.

Hot N Cold – Katy Perry

Eu gargalhei com aquilo. Emmett com toda certeza ajudaria Bella se ela realmente precisasse, porque ele era o que mais havia ficado animado com quatorze de fevereiro. Emmett estava investindo mais que nunca em Rosalie nesses dias, tentando de alguma forma pegar ela. Suas cantadas eram ilimitadas e das piores a horrivelmente medonhas, não sabia de onde ele tirava tantas. Em todas festas que tivemos que ir para ajudar a arrecadação, ele tentou, e é claro que fracassou em todas.

Todas tinham o mesmo resultado:

# FESTA 1 #

Emmett se aproximou de Rosalie, que estava encostada na parede com uma bebida e olhando para Bella que pulava animada na pista de dança. Eu e Alec estávamos assistindo a merda que ia dar.

– Vai dar merda. – Alec falou e eu assenti.

Emmett parou ao lado da loira, que lhe lançou um olhar desconfiado.

– O que você quer? – Rosalie foi curta e grossa.

– Rouss, você não é Estados Unidos, mas eu quero lhe USA. – e falando isso ele meteu a mão na bunda dela.

Rosalie arregalou os olhos e jogou a bebida na cara do Emmett, saindo dali com uma cara de poucos amigos. Alec e eu caímos na gargalhada enquanto Emmett olhava furioso para a loira.

Rosalie 1 x Emmett 0

# FESTA 2 #

– Dessa vez vai dar certo. – Emmett falou para mim.

– Vai dar merda. – eu contrapus.

– Só assiste e aprende com o mestre. – e falando isso ele foi na direção da Rosalie.

Oh sim, o mestre em levar fora e não desistir nunca. Isso que Emmett era mestre.

Ele foi até Rosalie, que dessa vez estava sentada, com as pernas cruzadas e já uma expressão raivosa. Ela não estava no seu melhor humor. Emmett se jogou no sofá ao lado dela, que não falou nada, só lhe lançou um olhar de “cai fora!”.

– Rosalie, minha loira... Se eu pudesse te ver nua, morreria feliz. – Emmett olhou para mim e piscou um olho, com um sorriso vitorioso.

Rosalie deixou sua boca abrir em um “O” sem saber o que falar, que durou apenas alguns segundos até ela lhe tascar um tapa na cara e levantar.

– Vai se foder! – rosnou e saiu dali.

Rosalie 2 x Emmett 0

# FESTA 3 #

Dessa vez Emmett se sentia mais confiante. Isso porque Rosalie passou uma tarde inteira conversando com ele e ela riu de uma piada sem graça sua. Alec me falou que isso era normal, Rosalie gostava da amizade de Emmett, só odiava que ele quisesse transar com ela por ser amiga da Bella. Eles eram amigos de longa data e Rosalie odiava que Emmett investisse tanto.

Mas Emmett não desistia.

Estava Bella, Rosalie e eu na pista de dança improvisada na casa de algum aluno da escola e nós dançávamos animadamente, com Nessie perto dividida entre nós e Tânia. Emmett decidiu aparecer, trazendo um copo de bebida na mão e começou a dançar com Rosalie, que o olhou atravessado, mas deixou. Bella riu antes mesmo de Emmett falar alguma coisa, se aproximando mais dos dois para ouvir. Eu fiz o mesmo, disfarçadamente.

– Rose... – ele começou e ela revirou os olhos. – Que tal irmos para a minha casa fazer todas as coisas indecentes que eu já falei para todo mundo que nós fizemos.

O tempo pareceu parar enquanto nós todos ficamos de boca aberta para aquela. Que porra Emmett pensava que estava falando? O cara não pensava, isso era um fato.

Rosalie parou de dançar e virou lentamente para Emmett, que tinha um sorriso achando que dessa vez deu certo. Ela respirava tão forte que parecia bufar.

– O. Que. Você. Falou? – perguntou lentamente.

– Você me ouviu, meu amor. – Emmett sussurrou achando que estava se saindo bem.

– Oh oh oh, vai dar merda! – Bella soltou de forma animada.

– Eu... Eu vou matar você, Emmett Swan! – Rosalie berrou e avançou em cima de Emmett lhe acertando socos.

– Socorrooooooooo!

Todos se viraram para ver Rosalie batendo em Emmett enquanto ele gritava por socorro e ajuda. Bella e eu estávamos rindo daquilo, porque Emmett era completamente sem noção.

Rosalie Furiosa 3 x Emmett Burro 0

Não adiantava qual festa era ou qual cantada era, todas sempre tinham a famosa frase de “vai dar merda”.

– Emmett tem o dom que floresce ainda mais nessa época. – falei e Bella riu. – Acha que ele vai insistir mais nessas festas que estão por vir?

– Ele nunca desiste. Ele é um Swan.

Nós rimos sabendo que era verdade. E eu estava preparado para dar mais risadas das cantadas másters que Emmett ia dar em Rosalie.

– Eu queria que Alec fosse assim também. – Bella falou e eu olhei para ela de canto de olho. – Ou voltasse ao antes.

– Como assim? – perguntei desconfiado.

Alec estava passando muito tempo com a minha irmã, pelo que parecia era só com ela que ele falava bastante, e se Bella está dizendo isso é porque ela está insinuando que quer que Alec de em cima da minha irmãzinha.

– Deixa de ser chato, Edward. – ela me deu um empurrão. – Alec tem lábia, ele consegue conquistar uma garota. E ele é uma gracinha, impossível de resistir. Se eu não o visse como meu irmão, já tinha dado uns pegas nele e principalmente, esfregaria na cara daquela Brandon. – ela bufou. – Eu aposto que Renesmee está caidinha por Alec.

– Não.

– Está sim. – ela me olhou divertida, mas vendo minha carranca, também fez uma. – Pare com isso. Meu amigo é legal.

– Eu sei que é, mas Renesmee...

– Ela não é criança, ok? Deixe a menina ser feliz. Se os dois quiserem ficar ou namorar ou qualquer coisa, você não impedir com esse ciúme de irmão bobo. E se você fizer qualquer coisa, vou deixar Emmett conseguir afastar nós dois. – cruzou os braços.

– Você não faria isso. – ergui uma sobrancelha em desafio.

Nós dois paramos e nos encaramos, desafiando um ao outro com o olhar. Depois de um tempo Bella suspirou e sorriu.

– Você tem razão, eu não faria porque não conseguiria ficar longe de você. Mas eu com certeza lhe faria algum mal. Talvez pintar seu cabelo igual da Tânia... – e falando isso ela me lançou um sorriso maldoso que eu não duvidei que ela faria mesmo.

Então decidi deixar por aquilo mesmo, passando meu braço por cima do ombro dela e a fazendo andar.

– Vamos mudar de assunto. – falei.

– Os dois estão muito próximos, você percebeu? Estão passando bastante tempo juntos...

– Bella, vamos mudar de assunto.

– Eu vejo que logo, logo acontece algo...

– Bella!

Ela riu e me abraçou.

– Eu estou brincando com você, Edward. – falou e eu revirei os olhos. – Eu acho que se todos eles fossem iguais a nós, tudo daria certo.

– Iguais a nós?

– É. Igual nossa amizade. Você sabe... – ela me lançou um sorriso malicioso. Ela parou e ficou na minha frente, levando as mãos para a minha nuca e ficando na ponta dos pés para que nossos rostos ficassem próximos. – Tudo fácil assim... – murmurou.

As coisas estavam diferentes entre nós. Aos poucos nós passávamos dos simples flertes para os contatos próximos. Eu percebia aquilo, mas não havia forma alguma de eu parar nós dois, porque eu gostava daquilo. Bella podia ser minha amiga, mas não havia formas de eu não desejar ela, porque Bella era desejável, até demais para a minha sanidade, e tudo isso me fazia parar de pensar no que era certo ou errado.

Você sabe, certo e errado entre beijar sua amiga gostosa ou não.

E eu não iria parar Bella, se ela continuava aproximando cada vez mais o rosto do meu, eu iria fazer igual a ela. Levei minhas mãos para a sua cintura, ajudando-a a ficar esticada, e inclinei um pouco minha cabeça para poder assim que nossos lábios se encontrassem, fosse o encaixe certo. E faltava pouco para aquilo, muito pouco...

– PORRA! – Bella gritou quando nós fomos acertados pela água. Olhamos na mesma direção e havia uma criança ali, nos encarando, rindo. – Sua criança do capeta!

A criança soltou uma risadinha maligna e saiu correndo em direção a uma mulher, que estava indo embora nem vendo o que sua filha maligna fez.

Maldita criança!

(...)

Quatorze de fevereiro. Valentine’s Day. E eu nunca vi tanto rosa na minha vida quanto vi nos corredores daquela escola. Aquelas garotas malucas conseguiram decorar toda a escola com corações vermelho, rosas, lilases, e varias outras coisas. Era muito enfeite para qualquer olho de ser humano que podia aguentar. Elas decoraram até do lado de fora, o que fez eu me questionar como conseguiram aquilo. Um dia sai da escola estava normal, no outro quando voltei tinha corações e coisas assim espalhadas para todos os lados. Elas eram maquinas, robôs prontos para decorarem o que quiserem em questão de horas. Bella disse que isso era normal, eu não achava.

Em todos os murais havia avisos rosa e vermelhos brilhantes da formatura pregados. Nas lousas das salas também tinha isso no canto, como também no refeitório e até no vestiário masculino. Alias, era aonde mais tinha esses avisos, com um lembrete de caneta marcadora preta embaixo escrito “CONVIDEM AS GAROTAS PARA O BAILE” como se os garotos fossem esquecer isso com todas elas se insinuando e tudo isso.

Aquele colégio em época de dia dos namorados era uma loucura.

E foi o dia em que mais vi aquelas garotas e garotos flertando descaradamente. Aonde você virava haviam casais conversando com sorrisos de flerte e tudo isso. E teve um que eu vi entrarem no armário de vassouras.

– Você vai levar alguém nesse baile? – Brad perguntou enquanto nós seguimos pelos corredores.

Eu desviei meu olhar daquelas pessoas com os hormônios a flor da pele naquele dia e voltei para Brad, que tinha uma cara enojada olhando para duas pessoas que se agarravam.

– Vou com a Bella. – falei.

– Ah, claro, a Bella. – Brad me lançou um sorriso malicioso. – Como não pensei nisso? Edward, me diz, o que vocês dois tem?

– Nós somos amigos, simples. – dei de ombros. – Apenas isso.

– Apenas isso, sério? E todo aquele boato de vocês dois juntos. Ela vindo e indo embora com você. Toda aquela superproteção que você tem com ela. E sem falar nos flertes que todos já viram vocês dois trocarem.

Aquilo me fez gargalhar alto. Brad estava parecendo a Jéssica Stanley, jogando coisas para colher outras. Eu sabia que nossa relação era curiosa aos olhos de quem não nos conhecia, um dos assuntos mais falados na escola já que Bella era uma das mais populares.

– É apenas isso, Brad. – falei para ele, que me olhou com tédio como se dissesse “chega de mentir”. – Nós apenas somos muito próximos. Apenas isso.

– E você falando “apenas isso” de novo. Cara, não tem como vocês serem só amigos. Não rola nada mais?

– Não.

– Esse seu “apenas isso” te entrega, Edward. Já deve ter acontecido alguma coisa.

– Não aconteceu.

– Vai acontecer.

– Você está parecendo uma garota.

– Eu não sou uma garota! – Brad falou e eu gargalhei. – É só que é difícil ver Bella com alguém assim, entende? Nem com Jacob isso aconteceu. Os dois tiveram uma amizade normal e então apareceram namorando. E com você ela é muito mais próxima, então da pra imaginar que algo acontece.

– Mas nada acontece.

Claro que seria ótimo se tivesse acontecido, eu não me importaria. Mas não aconteceu, e eu também não me importava muito. Gostava do que eu e Bella tínhamos, e se fosse para mudar, que fosse para frente, não para trás.

– E você, vai levar alguém para o baile? – perguntei querendo desviar o foco do assunto Bella e eu.

– Não. – ele balançou a cabeça. – As garotas dessa escola, as que gostam de ir em baile, elas são... Fúteis demais, cara. Sabe, se preocupam com coisas materiais demais. E isso não é atraente, na verdade é chato. Então não tenho quem chamar.

– Mas tem as que não são assim.

– Ter tem, mas também não é o que eu quero.

– Você é pior que mulher, cara. Estou começando a desconfiar mesmo, entende? O lance de querer fofocar, de escolher garota... – estalei a língua.

– Eu já disse que não sou isso! – Brad rosnou e eu gargalhei. – Eu só estou querendo alguém legal o suficiente para chamar minha atenção. Tipo alguém como... Bella e Rosalie? Elas são diferentes!

– Bella? – olhei desconfiado para ele.

Eu ainda não sabia o que acontecia do porque Bella odiar tanto o Brad, ela nunca me contou e eu nunca perguntei para Brad sobre isso. Às vezes achava que ele não sabia, mas parecia acontecer já há algum tempo porque toda vez ela lhe lançava um olhar de raiva, Brad ficava com expressão indiferente. Mas alguma coisa poderia ter acontecido para toda aquela raiva, e isso me deixou ainda mais desconfiado com o Brad falando que o tipo dele era alguém como Bella. E Rosalie também, mas essa nunca mostrou nada em direção a ele então o importante era só a Bella.

Bem, a minha mente fazia eu me focar só em Bella.

– Yeah. – Brad balançou a cabeça, olhando para frente. – Mesmo sendo meio doida, ela é legal. É espontânea, divertida, e... Totalmente diferente as garotas daqui.

– Você repara nisso nela? – ergui uma sobrancelha.

Brad me olhou confuso pelo meu tom e quando viu minha expressão, deu risada. Ele balançou a cabeça.

– Cara, relaxa, todo mundo repara nisso nela, ok? Ela é uma das mais populares daqui. Ela e Tânia. Não precisa ficar todo nervoso.

– Eu não estou nervoso.

– Claro, claro. E depois diz que são só amigos.

– Nós somos só amigos.

– Sim, Edward, eu acredito. – ele revirou os olhos.

Nós continuamos andando em silêncio, passando por algumas pessoas.

– E Tânia? – perguntei para quebrar o silêncio.

– O que tem ela?

– O que você acha dela.

Brad franziu o cenho e puxou o ar com força.

– Tânia é legal, mas ela não é o que eu quero. Eu sei que ela gosta de mim, só que... Nós já tentamos e não deu certo. Ela era muito materialista, muito “eu estou bonita o suficiente hoje” e apenas isso, nada mais. E isso acabou que fez com que nem começássemos direito. Então isso não me faz querer arriscar, entende? – ele se virou para mim e eu assenti com a cabeça. – Mas eu a acho uma garota legal, mesmo. Tirando isso, Tânia é realmente alguém legal. É, ela é. – ele murmurou a ultima parte pensativamente, olhando para frente.

Eu não era uma pessoa muito de reparar em sentimentos e essas coisas, mas o que quer que não tenha acabado para Tânia, para Brad talvez não tenha. Eu entendia muito bem o que ele queria dizer, havia convivido boa parte da minha vida com pessoas desse tipo, então não o culpava por querer mais. Éramos feitos para querer mais, e quando não tínhamos, não havia para que prosseguir por aquele lado.

Ou Tânia mudaria achando uma forma de dar aquilo que o Brad precisava ou então ela só continuaria a olha-lo de longe como fazia.

– Edward! Edward! Edward!

Eu olhei para trás para ver quem estava me gritando e vi Emmett e Jasper correndo na minha direção. Fiz uma careta já sabendo que aqueles dois juntos, precisando de mim, não era uma coisa boa.

Eles finalmente nos alcançaram e pararam na nossa frente. Ofegantes, pediram um segundo. Emmett foi o primeiro a conseguir falar.

– Preciso de sua ajuda!

– Minha ajuda? – juntei as sobrancelhas. – Para que?

– Dicas, cara. Você sabe, cantada!

Eu e Brad nos encaramos e voltamos a olhar para os dois na nossa frente.

– Vocês estão brincando, não é? – perguntei e eles negaram com a cabeça. – Porque vocês vieram até a mim?

– Porque você manja. – Emmett revirou os olhos. – As meninas aqui... Elas caem por você.

Brad gargalhou alto e eu revirei os olhos. Aquilo aconteceu só no primeiro dia e o Emmett ainda ficava falando disso.

– Eu não manjo. – neguei.

– Manja sim.

– Não manjo.

– Manja!

– Não!

– Tanto faz! – Jasper cortou antes que Emmett continuasse com aquilo. – Nós só queremos algumas dicas que você tem, qualquer coisa. Sabe, só pra nos ajudar com umas garotas ai e nossa aposta.

– Aposta? – Brad perguntou.

– Cala a boca, Jasper! – Emmett deu um tapa na nuca do Jazz. – Não tem nada com aposta, o que nós queremos mesmo é... Conquistar umas garotas. Vamos lá, Edward, só umas dicas rápidas.

Eu não sabia o que aqueles dois estavam querendo de mim porque eu não tinha nenhuma dica de como conseguir conquistar uma garota. Quero dizer, não assim pra colocar em dicas e passar para eles dois. Eu só conversava com elas, falava algumas coisas, flertava e pronto.

– Não tenho dicas. – falei.

– Ah, qual é! – Emmett jogou as mãos para cima. – O que você faz?

– Converse com elas sobre o que elas gostam. – Brad quem respondeu.

– É. – eu assenti. – Converse normalmente, descubra o que ela gosta e então... Seja aquilo e ao mesmo tempo você.

Jasper e Emmett se encararam e assentiram.

– E cantadas? – Emmett perguntou.

– Isso... – olhei para Brad e ele negou com a cabeça. – Não faça isso. Cantadas não rolam a maioria das vezes.

– Sério que vocês estão perguntando isso? – Brad fez uma careta.

Emmett abriu um sorriso de malicia e jogou o braço em cima do ombro de Brad.

– Olha, não nos entendam mal, somos bons em pegar garotas, mas essas... Elas são diferentes. Então, precisamos saber tudo que devemos fazer para sair certo.

Rosalie. Emmett estava procurando uma forma de conseguir pegar Rosalie, e agora ele estava partindo para o lado mais inteligente e não para o “vamos ver aqui e agora” de sempre.

– Primeiro descubram o que elas gostam. – retornei a falar. – E então vocês vão saber o que fazer.

Eles assentiram e assim como chegaram, foram embora correndo. Eu apenas revirei os olhos. Tinha que ser o Emmett e agora seu novo amigo, Jasper.

Bella POV

Era sexta-feira. O dia do “espetacular” baile que Tânia planejou durante dois meses da vida dela. Eu sabia muito bem que ela passou um tempo das férias de recesso dela intocada em seu quarto desenhando a decoração de cada canto do colégio. E isso era algo que Tânia sabia fazer muito bem, desenhar decorações. E desenhar outras coisas também, como roupas. Eu já tinha visto seu dom.

Ela só não era melhor do que eu.

E qual é, a arte de desenhar eu podia ser muito esnobe, pois era a coisa que eu fazia de melhor na minha vida. Não me julgue pelo que eu falei acima.

– Eu não sei se estou animada ou com medo que você vai ao baile. – Renée falou quando estávamos no meu quarto pensando com que vestido eu iria. – Tudo que você faz me assusta.

– Eu sei, mãe. Mas eu vou me comportar. – eu lhe lancei meu sorriso mais inocente e ela me lançou o olhar de “pare porque não vai colar”. O que posso dizer, ela me conhecia muito bem. – Bem, comportar o máximo possível que eu aguento.

– Isso ainda é pouco. – resmungou com uma careta e jogou as mãos para cima. – Pelo amor de Deus, você não tem nenhum vestido feminino de baile nessa droga de armário!

Renée estava surtada. Não só hoje como a semana inteira. Ela não conseguia mais evitar gritos, o que estava começando a assustar Emmett e eu. E isso começou a ocorrer depois que cheguei de Orlando, quando nós estávamos sentadas no sofá fazendo nossa maratona de One Tree Hill, a nossa série favorita. Era algo que compartilhávamos de mãe e filha, assim como acontecia com Charlie e todo o lance de assistir jogos comendo salgadinho.

Eu estava lhe contando sobre como foi minha visita no Charlie dessa vez, quando cheguei na parte que menos me agradava.

– Quando eu fui perguntar sobre o trabalho dele, Charlie ficou vermelho.

– Vermelho? – Renée perguntou distraidamente olhando para a TV. – Charlie vermelho?

– Isso ai. Então comecei a investigar perguntando sobre prisões, os amigos, Markie... – murmurei o nome e Renée virou sua cabeça tão rápido para mim quanto Tânia faz quando falam do Brad.

– Markie? Não é aquela policial que tem uma paixão por seu pai? – perguntou agora toda interessada na conversa.

– Sim, essa. E quando perguntei dela achando que poderia fazer mais piadinhas que papai tinha uma admiradora, ele ficou extremamente vermelho. Como nunca havia ficado quando eu falava da Markie.

Renée fechou seus olhos em fendas, uma expressão totalmente desconfiada do que estava por vir.

– Bella, o que você esta querendo dizer com isso?

– Que... – fiz uma careta de repulsa. – Papai finalmente deu uma chance para Markie e eles saíram duas vezes.

Bem, o que aconteceu com Renée a seguir do que eu falei não foi algo legal. Primeiro ela começou a ficar vermelha, assim como seus olhos, então ela olhou para mim e como mágica tomou sua postura, voltando a olhar distraidamente para a TV. Foi estranho porque eu até me afastei achando que ela iria explodir e... Nada. Não aconteceu nada. O que me deixou sem saber o que falar depois disso, tendo que voltar minha atenção para o delicioso Chad Murray dando uns pegas na perfeita Sophia Bush na série. Isso foi o suficiente para eu me distrair das reações de Renée e ficar feliz com o meu shipper Lucas e Brooke juntos.

Mas as coisas não ficaram por isso. Renée demonstrou o quanto estava aborrecida descontando em mim e Emmett. Assim que ele chegou da rua, com o skate, Renée soltou um grito tão alto o mandando guardar aquela porcaria de lixo no lugar e não deixar largado pela casa. Isso quando ele já estava fazendo para guarda-lo.

E foi assim a semana inteira, com Renée gritando. Se não comíamos toda a comida, gritos. Se não a ajudávamos em algo, gritos. Se nós fazíamos algo bom para ela, gritos. Gritos, gritos e gritos. Quando eu ia dormir tinha pesadelos com Renée gritando comigo até porque eu estava respirando no lugar errado.

– Deve ter algum por ai. – murmurei com medo de trazer mais gritos. – Qualquer um serve, o Edward não vai se importar.

Renée virou seu rosto para mim, seus olhos faiscando. Ela fazia isso toda vez que eu falava que Edward era meu par para esse baile. Era algo como felicidade. Ela veio até mim, me pegando pelos ombros e me encarando nos olhos.

– Eu não acredito que você finalmente vai acompanhada para o baile. – falou com a voz embargada. – Eu achei que nunca veria isso e então...

– Mãe! – resmunguei, não entendendo nada daquilo. Renée não estava no seu sentido normal. – Eu sempre vou acompanhada para o baile. Rosalie, Emmett e Alec são ótimas companhias!

– Para fazer alguma bagunça. E eles são seus amigos e irmão. Edward é mais do que isso.

– Ele é meu amigo também.

– Sim, sim. – ela revirou os olhos. – Mas ele está lhe levando ao baile como um acompanhante, não como um amigo.

Fiz uma careta. Renée estava meio delirando na mente dela com coisas nada haver que condizia a realidade e estava cada vez mais ficando impossível ignorar esses efeitos colaterais de esconder sua raiva por Charlie estar saindo com outra mulher. Ela tem que extravasar ou isso vai ficar pior.

– Mãe, isso é só uma brincadeira nossa. Nós estamos indo como amigos, vamos ficar com o pessoal, só estamos tirando uma com essas regras de baile, entende? Nada de acompanhante com sentimentos fora da amizade.

– Ah. – Renée caiu sua expressão triste. – Edward é um garoto tão maravilhoso, seria tão perfeito...

– É, eu sei que ele é, mãe. Mas nós somos amigos.

Renée me olhou triste novamente e assentiu, soltando meus ombros e voltando para meu armário e para a caça a um vestido que sirva para eu ir nesse baile. Eu tinha muitos vestidos porque saia para festas, mas nenhum era feminino e delicado o suficiente para o baile, como Renée falou. Só porque eram colados no corpo? Eu estava indo com a intenção de tirar sarro dessas coisas de baile, então eu não precisava ir com um vestido rodado e fofo.

– Mãe! – resmunguei quando Renée falou que eu tinha que ir sim porque expressei meus pensamentos em voz alta.

Mais tarde, naquele dia, Rosalie apareceu lá em casa com seu vestido e mastigando um chiclete fazendo barulho. Ela estava irritada por ir novamente a mais um baile, mas não negava uma festa que tivesse álcool.

Então nós começamos a nos arrumar, Renée falando que ia me surpreender com meu vestido porque ela lembrou de algo que tinha no closet dela.

– Você vai parecendo uma velha ou algo assim? – Rosalie perguntou quando Renée saiu.

– Eu espero que não. – arregalei os olhos. – Ou então tiro esse vestido no carro do Edward e vou só de calcinha e sutiã para esse baile, mas eu não vou quebrar a tradição de colocar álcool no ponche do John. Não mesmo!

Essa era uma das melhores tradições da minha vida, eu nunca perderia ela.

– Não acho que Edward iria se incomodar em ter uma acompanhante trajando só calcinha e sutiã. – eu lhe lancei um olhar mortal e Rosalie caiu na gargalhada. – Mas é melhor o vestido da sua mãe ser bom porque sei que você é capaz disso. Se Edward não se incomodar, eu vou. Você me faz passar vergonhas demais.

Eu mostrei o dedo para Rosalie que continuou rindo de sua piadinha sem graça. Ele só tinha piadinhas sem graça, nenhuma era engraçada. Só as direcionadas a Tânia e qualquer patricinha porque Rose tinha o dom para isso, mas de resto... Puff, nada.

– Isso tudo vai ser bastante engraçado. Eu estou sentindo que esse ano vai ser. – falei para Rosalie enquanto pegava um all star para usar, já que nunca que eu iria para esse baile de salto alto.

– E quando não é? John e Macarena é o melhor! – Rouss exclamou e nós gargalhamos. – Vamos fazer o baile de Tânia sair dos eixos.

– E todos os planos irem por água a baixo. – mexi as sobrancelhas e trocamos sorrisos malvados.

Nós começamos a nos arrumar para esse baile. Eu estava enrolada na toalha quando Renée apareceu com o vestido. Ele era preto, de alças e tinha uma fivela de enfeite que ficava abaixo do busto, a saia do tipo que depende de cada corpo para ela ser moldada. Quadris largos, saia aberta. Quadris pequenos, saia caída. Havia brilho também. E na parte de trás ele era trançado até o final das costas, deixando tudo exposto ali.

– Que vestido lindo, tia Renée. – Rosalie falou com os olhos arregalados.

– Eu usei quando fui no ultimo baile em que fui na minha vida, o PROM. Eu estava gravida de dois meses da Bella. – Renée me lançou um sorriso. – Acho que seria legal você usar ele nesse baile. Eu estava o guardando para o seu PROM, mas esse merece.

Eu não entendi o que Renée queria dizer com esse baile merecer e não o do ano que vem que era o certo, já que eu terminava no ano que vem, mas eu não iria contestar com mamãe quando ela me mostrava um vestido tão lindo. E também não ia contestar com a histérica-ciumenta-Renée.

– É muito lindo. – falei para ela, que assentiu, seu sorriso se abrindo tanto que fez as poucas rugas aparecerem, tornando o sorriso mais adorável de Renée. – Obrigada, mãe.

E assim eu fui me trocar. O vestido serviu perfeitamente em mim, o que deixava bem claro que mamãe era gostosa pra caralho quando tinha a minha idade. Ela ainda continuava tendo o corpo perfeito que nos fazia dividir roupas, o que eu queria ter quando eu fosse mais velha. E também havia fotos da Renée adolescente e eu com certeza me gabava ao dizer que minha mãe com toda certeza foi a mulher mais gata da escola dela. Nada podia lutar contra a perfeita e rebelde Renée Swan, a garota de olhos azuis, cabelos loiros e o sorriso mais amável do mundo.

Assim que terminamos de nos arrumar, com Renée fungando e Rosalie me lançando um olhar estranho de “Que porra está acontecendo com Tia Renée?”, nós descemos para esperar Edward e Alec chegar. Estávamos eu e Rosalie sentadas no sofá, olhando para a TV, enquanto Renée estava na cozinha.

Rosalie estava com um vestido azul água, que era colado, mas não muito. Era também bastante delicado e tinha um brilho, o que ela achava suficiente para esse baile. Os cabelos estavam soltos e ondulados, algo não Rosalie.

– Porque sua mãe esta agindo como se fosse o ultimo baile da sua vida?

– Porque talvez ela tenha previsto o futuro, viu que vou morrer daqui um mês, e é mesmo o meu ultimo baile? – Rosalie ficou me encarando sem expressão por um minuto e eu suspirei. – Porque ela está com ciúmes que Charlie está saindo com Markie.

– Charlie está fazendo sexo na delegacia?! – Rosalie sussurrou e gritou ao mesmo tempo.

– UGH! – coloquei a língua pra fora sentindo que ia vomitar. – Eu não precisava imaginar meu pai fodendo a Markie numa mesa de delegacia, ok? Nunca mais repita isso. – tremi querendo espantar aquela ideia. – Eu disse que eles estão saindo, não... Que nojo! Estou traumatizada.

Rosalie me olhou com uma careta e balançou a cabeça.

– Pobre tia Renée, deve estar tão triste. – falou solidária. – O quanto você e Emm estão pagando por isto?

– Muitos gritos. – fiz uma careta e ela me imitou. – Estou preocupada com Renée. Ela está tão emocional e tão histérica... Será que vai ficar como da ultima vez?

– Vamos torcer para que não.

Nós olhamos para Renée, que estava apoiada no balcão olhando para o pote de balas com um olhar triste e os lábios projetados para frente em um bico. Ela estava separando as balas por cores e sabores.

– É, vamos torcer para que não. – concordei.

Rosalie assentiu e nós ficamos em silêncio, até ela virar rápido para mim.

– Você está com... – ela olhou para Renée e depois voltou para mim. – Aquilo na perna?

– É claro que sim. Companheiro de todos os bailes. – bati na minha perna. – Eu esqueço a calcinha, mas não esqueço isso.

Nós duas rimos.

Passou um tempo até ouvirmos os passos pesados de Emmett descendo as escadas. Ele estava vestido em um terno e com os cabelos loiros arrumados no jeito bagunçado que ele gostava de fazer. Eu não podia negar que meu irmão estava bonito.

– E então? – ele perguntou para nós ao parar na nossa frente. – Como estou?

– Feio. – Rosalie respondeu.

– Que pena que você acha isso, Rouss, porque é comigo que você vai ao baile. – ele fez uma falsa expressão de pena.

– O QUE?! – Rosalie ficou em pé em um salto. – Do que você está falando?

– Estou falando que nosso querido amigo Alec decidiu abrir a boca como vem fazendo ultimamente e chamou Renesmee Cullen para o baile, ou seja, vão apenas os dois.

– Que meigo! – Renée falou da cozinha.

– Maldito momento que Alec decidiu falar! – Rosalie rosnou e se virou para mim, desesperada. – Bella, você tem que me ajudar!

– Eu não. – neguei rápido. – Eu vou com Edward. Nós não vamos mudar nossos planos por sua causa, Rosalie.

– Sua... Sua cretina!

– É assim que as coisas são. – dei de ombros. – Edward e eu estamos tirando sarro do baile fazendo as coisas que todos fazem, e levar você comigo não vai ser legal. Somos apenas eu e ele.

Rosalie me lançou um olhar tão mortal que eu só não morri porque não estávamos em um desenho animado. Emmett tinha um sorriso tão gigante nos lábios que só faltava rasgar a pele para crescer ainda mais. Eu não duvidava nada que em sua mente passava todas as cantadas que ele conhecia para soltar em cima de Rosalie e finalmente poder transar com ela para poder se gabar de ter pego minha melhor amiga.

– E então, vamos? – Emmett perguntou animado.

– Espere! – Renée gritou e veio para a sala, pegando Rosalie pelo braço e a empurrando para ficar ao lado de Emmett, sacando de algum lugar a câmera digital. – Uma foto para registrar.

A cara que Rosalie fez nessa foto foi a mais impagável de todas. Nada, nada mesmo, conseguiria chegar aquilo. Ela quase fez eu chegar ao meu orgasmo de momento da noite sem ela nem começar direito, porque eu ri tanto que minha barriga chegou a doer. Ainda mais porque do lado dela Emmett fazia uma pose horrivelmente vergonhosa para uma foto.

– E agora, podermos ir? – Emmett voltou a perguntar.

Rosalie me olhou agora implorando e eu neguei, não caindo naquele olhar.

– Eu odeio você. – murmurou e eu sorri.

– Te vejo no baile, baby.

Rosalie foi com Emmett, que só faltava cantarolar achando que as chances dele hoje eram maiores que qualquer outra. Meu pobre irmão iludido que mesmo conhecendo Rosalie há anos, não a conhecia totalmente.

– Esses dois combinam tanto. – Renée falou e eu gargalhei, com ela me acompanhando. – Acha que um dia ele consegue?

– Quando cansar de cantadas e partir para conversas? Sim, totalmente. Emmett só não percebeu isso ainda.

Renée negou com a cabeça e estalou a língua.

– Ele puxou o lado garanhão do seu pai, o... Borogodó, mas não a inteligência. – dizendo isso nós caímos na gargalhada. Renée era muito boa em tirar uma com a cara do Emmett também, quando queríamos fazíamos uma bela dupla feminina.

Eu esperei só mais alguns minutos para a campainha tocar. Renée me olhou animada e foi atender a porta, falando de forma extremamente amável com meu par. Edward havia conquistado o coração da minha mãe e ela era loucamente apaixonada por ele.

– Entre, querido. – ela falou o puxando para a sala. – Bella, fica de pé agora!

Eu a obedeci prontamente, ficando de pé e de frente para ela e Edward. Meu vizinho estava o pecado em forma de gente naquele terno preto e com aqueles cabelos bagunçados. Fodidamente perfeito e gostoso como eu imaginei que ele ficaria. Se eu não babei, foi um milagre, porque eu estava fazendo isso em pensamentos. E se eu não desfaleci quando ele sorriu foi também um milagre, porque ele fez meu inferno sorrindo.

Ignorando minha mãe animada ali, eu o encarei descaradamente de cima a baixo e lhe lancei um sorriso malicioso, que foi retribuído por Edward, assim como ele também me encarou de cima a baixo.

– Uma foto! – Renée falou e me puxou para ficar ao lado de Edward. – Deem sorrisos inocentes!

É claro que Renée havia percebido nossas caras de pau, e eu sabia que minha mãe entendia completamente aquilo. Sabe, toda a coisa de vizinho gostoso e ser regra flertar com ele. Ela assistia filmes americanos, caramba. E era por isso que ela não ia perder uma de me constranger, fazendo que eu ficasse mais vermelha que nunca.

Rindo, também constrangido, Edward passou o braço por cima do meu ombro e sorriu para a foto, eu também tentei fazer aquilo. Renée iniciou uma sessão de paparazzi.

– Belas pernas. – Edward falou sem mover direito os lábios, olhando para frente enquanto Renée continuava tirando fotos.

Eu lhe dei um cutucão nas costelas e implorei para Renée parar com aquilo. Depois de abraçar Edward e me abraçar, fungando e falando o quanto eu estava linda, ela finalmente nos liberou. Do lado de fora, Edward começou a rir da cena que Renée fez para nos liberar e eu lhe dei mais um cutucão.

– Não ria, minha mãe está passando por um momento emocionalmente difícil. – falei para ele, que continuou rindo. – É sério, Edward!

– Eu sei, é que eu não imaginava que fosse tão sério assim como você falou. – ele disse tentando controlar a risada.

E eu havia feito o maior drama quando fui falar para Edward que Renée estava surtando. Eu até me joguei em sua cama enfiando a cara naquele travesseiro que tinha o cheiro dele e falei que queria morrer porque não aguentava mais, que estava com medo de Renée surtar mesmo, um parafuso sair do lugar e então ela decidir imitar um Norman Bates em Psicose e matar Emmett e eu no banheiro.

– Você precisa parar de assistir séries e filmes, Bella. – foi o que Edward falou quando eu disse isso.

E sim, eu precisava, mas Bates Motel era uma série muito boa, não tinha como não ficar meio fascinada e obcecada assistindo. Ainda mais com o Max Thieriot nela. Todo badboy, misterioso...

– Pois é exatamente como eu falei. – fiz uma careta. – Agora vamos para aquele baile antes que Rosalie me mate.

Eu comecei a andar para ir na direção do Volvo, só que Edward ficou na minha frente. Ergui uma sobrancelha querendo saber o que ele estava fazendo e Edward pegou a minha mãe direita, alisando meus dedos e depois indo até meu pulso, colocando lá uma pulseira de flores arroxeadas. Era bonita e delicada, o que me deixou encantada.

– Você está levando a sério, garotão. – falei divertida e ele riu. Então me lembrei o que tinha na minha perna e me abaixei, pegando no suporte a flor que Renée me deu mais cedo. Quando me endireitei Edward estava com uma expressão engraçada. – O que? Aonde você acha que eu levo minhas coisas com esse vestido?

– Você é incrível! – ele disse, rindo. – Foi Charlie quem lhe deu isso?

– Mais ou menos. – murmurei enquanto ajeitava a flor no terno dele. – Ele não sabe que eu peguei.

Edward balançou a cabeça e riu. Assim que terminei de ajeitar, nós dois ficamos frente a frente.

– Pronto. Agora sim estamos totalmente no embalo. – ele murmurou e eu assenti. – E você está perfeitamente linda, Bella.

O seu elogio veio acompanhado de seu sorriso torto, um sincero e inocente, sem nenhum traço de malicia. E esse me fez corar mais do que com malicia faria, porque foi um dos elogios mais profundos que Edward me disse.

Eu abaixei minha cabeça, mordendo o lábio inferior e tentando diminuir aquele calor nas bochechas. Edward riu, pegando minha mão e me puxando em direção ao Volvo, abrindo a porta para mim. Antes de entrar, eu parei de frente para ele.

– Você está perfeito também, Edward. – falei e ele sorriu. – E gostoso. – e com isso nós rimos.

.

.

– Wow. – Edward falou quando entramos no Ginásio e viu toda a decoração que Tânia havia feito. – Isso foi feito somente em um dia mesmo?

– Sim. – assenti. – Esse é dom das garotas dessa escola.

Como em todos os anos, Tânia caprichou para que tudo ficasse perfeito, bonito e nada igual ao do ano passado, usando toda a criatividade que ela tinha para decoração. Estava tudo muito brilhante, como um céu estrelado, e com a iluminação em azul e rosa e branco, de alguma forma não incomodando os olhos. Havia várias e várias linhas de luz penduradas no teto e acima da pista de dança, com uma bola de luz perdida ali no meio. E havia um palco também, como em qualquer outro baile, aonde tinha uma banda desconhecia por mim, mas que estava tocando uma música legal. Em volta da pista haviam mesas brancas e no canto mais afastado a mesa do ponche e petiscos. E, como foi Tânia quem decorou, é claro que haveria um anjo de gelo ali.

Eu fui tirada da minha inspeção quando uma mão pegou meu braço apertando com força e me girando. Dei com uma Rosalie furiosa.

– Finalmente você chegou, idiota. – rosnou e eu lhe abri meu maior sorriso. – Não sorria. Você não sabe o inferno que eu estou passando.

– Oh, Rose, relaxa. – falei e ela rosnou novamente. – Nem deve ser tão ruim.

– É mais do que ruim! – ela gritou. – Todas as cantadas horríveis que ouvi nas festas, juntas, e em nível pior. É mais do que ruim, Isabella, é o capeta do seu irmão!

Aquilo me fez gargalhar, jogando a cabeça para trás. Rosalie grunhiu e soltou meu braço com um empurrão, se afastando. Eu fui mais rápida e a peguei pelo braço, puxando-a de volta para mim.

– Desculpe, Rouss, por isso, ok? É que hoje... É hoje. É dia de se divertir e não se estressar. Você sabe que vamos fazer disso tudo muito legal, certo? Então não se esquente com meu irmão. Mande ele ir se ferrar e o deixei para lá. Se for preciso, pegue alguém na frente dele pra mostrar que você não é a acompanhante dele. – dei de ombros.

Rosalie me lançava um olhar assassino e quando eu falei a última frase ela enfiou seu braço direito na minha cara, esfregando as flores que tinha ali. Eu espirrei, empurrando a mão dela.

– O puto do seu irmão quase me matou para colocar essas flores aqui. Eu sou a acompanhante dele, Bella, porque olha isso! – ela pegou algo na pulseira e esfregou na minha cara como havia feito com as flores, e novamente tive que afastar a mão dela. – Ele é louco!

Eu olhei para o que ela estava querendo que eu visse. Era uma etiqueta e nela estava escrito PERTENCE À EMMETT SWAN em letras garrafais e grandes. Eu fiquei de boca aberta, não acreditando naquilo, no que Emmett pensou. Edward, ao meu lado, tomou a etiqueta da minha mão e leu.

– Hmmmm. – murmurou para si mesmo. – Porque eu não pensei nisso?

– Espera. – voltei a mim e olhei para ele. – Você queria me etiquetar com um “pertence a Edward Cullen”? É sério isso?

– Sim. É uma boa ideia. Quero dizer, essa noite você pertence a mim.

Eu balancei a cabeça, não acreditando naquilo, mas até que gostando um pouco da ideia.

– Dá pra vocês se focarem na loucura do Emmett e deixarem para flertar depois? – Rosalie voltou a falar. – Eu estou prestes a cometer um assassinato em frente a todo mundo e se você me ama, Bella, ou me ajuda a tira-lo e mata-lo escondido sem nenhuma testemunha, ou me segura.

Pertencer a Edward... É, eu estava mesmo gostando dessa ideia. Porque isso podia significar que eu teria direito sob ele e sob aquele corpo de nadador coberto pelo terno que o estava deixando ainda mais gostoso.

– Bella! – Rosalie gritou e eu saí dos meus pensamentos. – Dá pra você ficar na Terra pelo menos essa noite?

– OK! – joguei as mãos para cima. – Eu não vou deixar Emmett fazer nada com você, ok? Ele não vai te cantar mais por cima do meu cadáver...

– Nem pelo meu! – Edward falou.

– Acho bom mesmo! – Rosalie bufou.

5 MINUTOS DEPOIS...

– Será que eu posso saber o que esse bombom tá fazendo fora da caixa? – Emmett perguntou para Rosalie e Edward e eu caímos na gargalhada mais uma vez enquanto víamos Rosalie bufar e soltar fumaça pelas orelhas. – Vamos lá, Rosalie, me ajuda!

– Você quer que eu te ajude, Emmett? – Rosalie perguntou com uma voz extremamente doce.

– Sim.

– Não. – eu respondi por cima da resposta dele. – Ela ainda não está pronta para te ajudar. Tente mais, Emmett.

Rosalie me olhou tão furiosa, falando um “traíra” por baixo da respiração dela, que eu nem me importei. Eu não sabia que Emmett tinha esse estoque de cantadas idiotas, queria ouvir todas.

– Rouss... – meu irmão tentou fazer uma voz sensual. – Você não é pescoço, mas mexeu com a minha cabeça!

– Oh, Deus! – eu exclamei me apoiando em Edward para rir enquanto ele se apoiava na parede.

– Essa foi boa? – Emmett perguntou e eu neguei. – Está legal. Vai outra... Eu estou igual à melancia quente... Louco para te fazer mal.

Eu poderia me jogar no chão de tanto que estava rindo se não fosse pelo vestido de Renée. Por isso abracei mais Edward, para me manter em pé, enquanto ria até minha barriga doer.

– Que nojo! – Rosalie exclamou, o que só tornou as coisas piores.

Edward soltou uma gargalhada tão gostosa, afundando a cabeça no meu ombro, nós dois rindo loucamente daquilo. Eu tinha tentado impedir meu irmão, mesmo, mas o cara era bom demais para ser impedido.

– Bella? – Edward me chamou sob a respiração com o rosto ainda encostado no meu ombro.

– Oi?

– Você acredita em amor à primeira vista ou devo entrar na sua vida novamente? – ele soltou e eu gargalhei.

– Tentando me cantar também, Edward?

– Está dando certo?

– Rosalie... Você não usa calcinha, você usa porta-joias. – a voz de Emmett elevou para que ouvíssemos aquela.

Eu me curvei, rindo, e Edward me acompanhou.

– Me diga mais uma cantada que eu lhe respondo.

– Hum... Esse seu vestido ficaria ótima toda amassada no chão do meu quarto amanhã de manhã!

Edward podia estar sendo engraçado na brincadeira, se viesse de Emmett então seria ainda melhor, porque meu irmão eu imaginava coisas engraçadas, mas Edward falando aquilo me fazia imaginar acontecendo, e não era engraçado. Era tentador.

– Você é tão quente que chega a derreter o plástico da minha cueca. – Emmett disse me tirando dos meus pensamentos impróprios para rir.

– Emmett! – Rosalie rosnou.

– Cuidado, Edward, você está quase conseguindo. – murmurei para ele, que soltou uma risada abafada.

Eu me afastei dele para olhar para o super casal que tinha ficado quieto. Rosalie estava ainda com a expressão nada amigável e Emmett sorrindo para ela.

– Olha... – Emmett chegou mais perto de Rosalie, olhando no fundo dos seus olhos. – Estou participando de uma campanha de doação de órgãos! Não quer doar seu coração para mim?

Eu curvei de rir com aquela, com Edward se apoiando em cima de mim. Emmett estava cada vez mais pegando pesado.

– Doar meu coração para você, Emmett, seria o pior erro da minha vida. – Rosalie falou e saiu andando, deixando nós três rindo de sua raiva. – Eu odeio vocês! – ela gritou por cima da música.

Eu te amo, Rosalie Hale. Você e sua raiva enlouquecida sem nenhum filtro.

– Yeah, acabou a graça. – falei triste e os dois garotos ao meu lado assentiram. – Então acho que está na hora de nós fazermos isso ter graça para todos... – sorri diabolicamente.

– Ainda não, Bella. – Edward falou se referindo ao meu sorriso que não saía diabólico e eu bufei. – Na próxima, quem sabe.

– Bella... – Emmett me chamou, com uma expressão pensativa. – Quando você diz de fazermos graça para todos, é pra eu tentar cantar Rosalie no microfone?

Só podia ser o Emmett mesmo! Apesar de que seria uma boa ideia... Pra pensar depois, porque agora a diversão era outra.

– Não. Ainda não. Nós vamos fazer algumas coisinhas nessa festa... – fiquei nas pontas dos pés e procurei por Alec, o encontrando com Renesmee um pouco afastados de nós. – É hora de nossa gang entrar em ação.

Eu juntei Alec, Renesmee, Jasper e Rosalie no grupo, formando uma roda. Enquanto falava o que nós faríamos para conseguir colocar álcool no ponche do John. Eu só havia vindo para isso e estava na hora da minha diversão. Contei a todos o que seria e peguei o frasco com a Los Condenados que estava escondido no suporte da minha perna.

– Todos estão esperando pelo ponche batizado... – falei olhando para a pista de dança que estava desanimada. Meu olhar encontrou com Mike, que fez um gesto com as mãos que perguntava “cadê?” – Então está na hora de animar isso.

– Finalmente. – Jasper soltou. – O que vamos fazer?

– O plano é o seguinte... – eu olhei para todos. – Renesmee e Rosalie vão distrair a secretária e a bibliotecária...

Rosalie e Renesmee foram em direção à mesa do ponche, onde estava John, a secretária e a bibliotecária, os três de olho na mesa para que ninguém conseguisse colocar álcool na bebida.

– Senhora Bibliotecária? – Rosalie chamou e a senhora virou para ela. – Eu preciso da sua ajuda no banheiro, tem... Uma menina lá, ela precisa de você! E de você também, Sra. Cooper!

– O que está acontecendo? – John perguntou já se intrometendo.

– É algo... Feminino! – Renesmee falou. – Você não pode saber, Diretor.

As duas senhoras se olharam e olharam para o John, que assentiu, dando de ombros. E elas acompanharam Rosalie e Renesmee para o banheiro.

“Alec, eu preciso de você no palco...”

A banda que Tânia havia contratado estava lá, tentando animar as pessoas, quando Alec chegou lá, falando com o baixista que estava perto da cortina. Ele falou com o menino, que assentiu e ainda tocando, foi falar com os outros.

“Emmett, você avisa a todos para ir para a pista de dança para ficarem prontos para a hora certa...”

Meu irmão saiu falando com todos, fingindo que só estava os cumprimentando enquanto estava avisando o que faríamos esse ano.

“E Edward e eu... Ficamos com a parte do John de distrair o John enquanto Jasper coloca a Los Condenados no ponche.”

– Isso é que vai deixar o John mais furioso e distraído, Edward. – eu falei, passando meus braços em volta do pescoço dele. – Ele odeia quando eu faço isso.

Edward colocou as mãos na minha cintura, sorrindo de canto.

– Por quê? Você faz muito isso?

– Sempre é parte de algum plano, entende? – dei de ombros. – Sempre uso uma cobaia, mas agora... – eu me encostei mais nele, ficando nas pontas dos pés. – Eu tenho você para isso.

– Sem mais cobaias. – ele falou e eu assenti.

– Sem mais cobaias. Você é minha oficial distração do John. – pisquei um olho e enterrei meu rosto em seu pescoço, puxando o ar com força para sentir seu perfume. – Você é muito cheiroso. – sussurrei.

Edward suspirou, inclinando a cabeça para que pudesse ficar igual a mim, e também cheirou a minha pele, soltando um “hmmmmm” que eu entendi como som de quem estava aprovando.

– Agora Edward, você desce suas mãos mais um pouco e me empurra até a parede... – falei no ouvido dele.

Edward fez exatamente o que eu havia mandando, descendo as mãos, quase chegando a minha bunda e me empurrando para que eu encostasse-se à parede. Ele ainda encenou mais que isso, começando a depositar beijos na pele do meu pescoço. Eu suspirei, soltando também o “hmmmm” como ele havia feito. Olhei para frente e John estava prestando atenção em nós dois com uma expressão desconfiada. Ele ainda precisava de mais.

E como se lesse meus pensamentos, Edward me prensou ainda mais contra a parede e passou de beijos para sugadas na minha pele. Eu ofeguei, sentindo um calor percorrer meu corpo, e apertei os fios de cabelo da sua nuca. Sua língua era quente, macia e úmida na minha pele. Antes de desviar meu olhar do John para esconder meu rosto – que estava começando a ficar quente -, eu pude o ver arregalando os olhos ao perceber o que estava acontecendo com nós. Sabendo agora que ele estava para vir, eu decidi me aproveitar de Edward também, o imitando para que ele soubesse o quanto eu estava gostando daquilo.

Eu primeiro encostei apenas meus lábios, trilhando um caminho em sua pele, sentindo seu cheiro enquanto respirava. Então comecei a sugar sua pele macia, dividindo entre sugadas e beijos. Ofegante, eu dei uma sugada forte, lambendo sua pele e ouvi outro “hmmm” de Edward, me fazendo rir.

– O John está vindo? – ele perguntou sob sua respiração.

– Uh hum. – eu murmurei sem tirar meus lábios da sua pele.

E antes que Edward pudesse dizer ou fazer outra coisa, John estava ali ao nosso lado.

– O que está acontecendo aqui, Srta. Swan?! – sua voz foi alta e imponente.

Eu me separei de Edward, me virando para John com o meu maior sorriso.

– Nada demais, John. – dei de ombros. – Por quê?

– Você sabe que não é permitido se agarrar nos escuros aqui! – ele falou. – Deveria ter passado essa regra para o Sr. Cullen.

– Ah, qual é, John. – soltei, desviando rapidamente meu olhar para a mesa de ponche e vendo Jasper despejar a Los Condenados nela. A onda de gritos que veio a seguir de todos que viram aquilo, comemorando, e John olhou confuso. – Tem muita gente aqui pra você impedir isso.

– Eu posso lidar com todos. – ele voltou sua atenção para mim. – Esse é o primeiro aviso, Bella. Em todo baile é assim!

– Eu sou adolescente, John! – resmunguei. – E olha para Edward, você acha que o que?

John bufou resmungando um “adolescentes” sob a respiração.

– Mesmo assim, Bella. Se comporte com Edward, ou já era baile para você. Estamos entendidos? Edward? Bella?

– Sim. – nós dois respondemos a contra gosto.

– Bom saber disso. Agora aproveitem o baile.

– Pode deixar. – Edward sorriu para ele. – E John, acho que você precisa relaxar, tomar mais ponche, porque você parece tenso.

John assentiu. Edward tinha razão, ele estava mesmo tenso, seus olhos não paravam quietos.

– O que está acontecendo, John? – perguntei realmente preocupada.

– Nada. É que... Você sabe o que acontece todo ano, Bella. – ele olhou para os lados e se aproximou de nós. – Esse ano eu estou tentando me controlar. – murmurou como se fosse um segredo.

– Ahhhh sim. – assenti. – Bem, boa sorte. Coma algo e beba ponche, acho que isso vai lhe ajudar.

Ele assentiu novamente e foi na direção da mesa, onde Jasper já não estava mais. Edward e eu trocamos um high-5 por nosso plano ter dado certo e depois trocamos sorrisos maliciosos pelo meio-amasso-encenado que demos minutos antes.

John encostou-se à mesa, comendo um petisco e depois enchendo um copo com ponche, tomando tudo. O cara nunca aprendia, passava anos e anos e ele ainda caia no papo de beber um ponche para relaxar. E ele relaxava mesmo, com certeza. Seus goles foram grandes e sem parar, como sempre fazia, gostando do gosto de álcool.

– E agora... – eu murmurei olhando em direção à pista de dança, que todos estavam se preparando para o show, e depois olhei para o palco. Os garotos não estavam tocando mais e logo o toque da musica começou.

Hot N Cold – Katy Perry

Você está brincando, não é? – Edward perguntou enquanto gargalhava. – O Alec não presta!

Meu mudo era mais sacana do que eu pensava, ele tinha senso de humor porque aquela musica foi a primeira que ele escolheu quando colocamos bebida no ponche do John. Bom, pelo menos Renesmee o fez surgir de volta. Eu gargalhei junto com Edward.

– Wooooooooowoooooo! – o grito de John nos tirou das risadas e olhamos para ele, que parecia mais animado que os outros anos. – Eu adoro essa música!

John largou o copo de ponche e foi para a pista de dança, começando a dançar do jeito dele, que era totalmente... Só dele. Ninguém nunca na vida iria conseguir imitar o John dançando porque ele fazia coisas impossíveis para os corpos humanos. O cara era, com certeza, o melhor, bêbado do mundo. E só com um copo de ponche batizado.

John mexia o corpo de um lado para o outro, balançando os braços e batendo palmas e se requebrando de um lado para o outro. Todos haviam feito uma roda, deixando a pista só para ele. E um pouco afastado estava Emmett se divertindo sozinho porque afinal era o ídolo dele cantando.

– Você fez isso de novo. – Tânia falou aparecendo do meu lado. – Eu não acredito que você fez isso de novo.

Eu olhei para ela, que tinha um mínimo de sorriso nos lábios tentando esconder na careta de falsa raiva dela.

– Tânia, entenda uma coisa. Você decora, eu animo. É e sempre será assim, querida. – falei animada e ela me olhou, tentando fazer a expressão vazia. – As coisas são assim...

– Sempre serão. – ela completou e eu assenti. – Eu sabia que você ia fazer desde quando vi Rosalie e Renesmee afastando a secretária e a bibliotecária.

– Elas nunca aprendem.

– E então Alec falando com os meninos da banda, e Emmett falando com todos.

– Ele falou com você esse ano?

Nós evitamos deixar Tânia saber até a última hora, porque ela era bipolar e poderia querer atrapalhar nossos planos.

– Não. Mas eu tive a certeza quando vi você e Edward se agarrando e então... O loiro colocando a vodca no ponche.

– E o John também nunca aprende. – eu dei risada. – E não era vodca, era Los Condenados. – ela me olhou confusa. – Esquece. Isso é o que define nossos bailes, Tânia, nosso diretor. Então aproveita para ver ele animado. – eu peguei o braço de Edward, que estava rindo olhando John dançar e também o de Tânia, começando a puxar eles para a pista de dança.

Tânia ainda tentou fugir, mas eu a puxei de volta, querendo que ela se divertisse com nós. Porque como eu disse, ela decorava e eu animava, então ela não era nem um pouco animada, precisava de mim. Tânia precisava da minha presença na vida dela para ter um pouco de felicidade e animação.

– Cause you're hot then you're cold… – John cantava a todo vapor. – You're yes then you're no… You're in and you're out… You're up and you're dooooown! – ele saiu do ritmo.

Gargalhando, eu comecei a me mexer ao lado dele, tentando imita-los nos passos. Edward se juntou a nós, assim como Tânia, e então veio Emmett e logo todos estavam dançando em volta do John aproveitando toda aquela animação. Rosalie, Renesmee, Alec e Jasper apareceram também, se juntando. E eu gostava de estar daquele jeito com meus amigos, e ainda mais que nenhum deles era tímido. Alec andava comigo e com Emmett há anos, ele nunca deixaria de entrar nas loucuras, inclusive dançar.

Eu peguei as mãos de Edward com a minha, fazendo-o dançar me acompanhando, conseguindo pegar um ritmo nosso em pouco tempo. O que me impressionou por Edward conseguir imitar meus passos, afinal eu tinha feito aulas de dança com Renée por um tempo quando procurávamos algo para gastar minhas energias. Meu nadador também era um ótimo dançarino. Ao mesmo tempo em que dançávamos, nós pulávamos acompanhando todos da pista, mas em uma coisa só nossa.

Quando Edward me rodou, eu fiquei de costas para ele e nós dançamos juntos, rindo. Seus braços estavam em volta de mim e seu rosto perto do meu ouvido.

– Someone call the doctor… Got a case of a love bi-polar… Stuck on a roller coaster… Can't get off this ride! – ele cantou e eu gargalhei.

Nós nos desfazemos daquele abraço e eu voltei a ficar de frente para ele, piscando um olho enquanto nos movíamos lentamente e depois começávamos a pular junto com todos.

– Cause you're hot then you're cold… You're yes then you're no… – a voz de Emmett se elevou acima de todas. – Katy Perry é minha deusa!

Aquilo me fez gargalhar, não aguentando. Era só ouvir Katy Perry que ele se soltava todo. Renée às vezes não aguentava os sábados que ele ligava o som, e escondia os CDs dele. Isso o fazia virar um bebê chorão daqueles.

– You're wrong when it's right… It's black and it's white… We fight, we break up… We kiss, we make up…

– You! – o pessoal gritou.

– You don't really want to stay, no! – John completou como se lembrasse que aquela parte era dele.

– You!

– But you don't really want to go!

E logo estávamos todos cantando juntos.

Bailes épicos eram com o John bêbado, simples assim. Não adiantava eu animar quando o John não estava animado, ele era o centro do baile todos os anos.

Nessie POV

Pobre John amanhã... – eu falei para Alec, que riu. John estava na mesa do ponche com Bella e mais algumas pessoas, se divertindo em virar o copo. Eles iriam enlouquecer porque era a Los Condenados que Emmett e Rosalie haviam preparado, pior do que vodca. – Ele vai se lembrar?

– Com vodca ele lembra, mas com Los Condenados... Eu duvido. Mas é capaz de alguém lembrar ele.

– Isso é não bom, não é?

– Não. Ele vai ficar muito puto com todos e então vai nos dar um castigo.

– Do tipo?

– Do tipo: ficar mais uma hora na escola, todos, como uma detenção.

– E ninguém se incomoda?

Eu sabia que estava novamente tendo um ataque de perguntas, mas era muito bom quando Alec estava bastante falador e respondia minhas perguntas com respostas longas, sempre sorrindo divertido. Ele percebeu isso e apenas riu.

– Não quando acontece isso no baile. – apontou para John que gritava com os alunos. – Cobre qualquer detenção.

Nós dois rimos, vendo Bella subir numa parte da mesa a agitar a todos loucamente. Edward estava ali, com as mãos nas pernas dela, a segurando, já que ela estava começando a ficar bêbada. E claro, aproveitando também, porque eu conhecia meu irmão.

– Vamos dançar Macarena?! – Bella perguntou e todos gritaram. – O que você acha, John?

– MACARENAAAAAAAAA! – John gritou e foi para a pista de dança, com todos o seguindo.

– Aquela é a Tânia? – eu perguntei quando vi todos se formarem lado a lado, com Bella de um lado e Tânia do outro.

– É. – Alec assentiu. – E ela está com um copo. Veja o que Los Condenados faz.

E então começou a tocar Macarena e todos dançaram perfeitamente. Parece que era uma regra do baile, dançar isso, e que acontecia todo ano, como Alec me falou quando estávamos conversando sobre o baile e quando ele me chamou. Ele-me-chamou. Isso foi à coisa mais perfeita que me aconteceu desde que vim para Los Angeles. Nunca vou esquecer o jeito tímido de:

– Renesmee... Nessie... Você quer ir... Ao baile comigo?

Quase não saiu porque ele era tímido e fofo, mas saiu e eu aceitei sem nem pensar duas vezes. Aliás, eu aceite antes mesmo dele falar “comigo”, o que o assustou, mas depois o fez sorrir.

– Hey... – Alec se virou para mim, suas mãos no bolso e uma expressão tímida. Esse garoto não existia. – Você quer sair daqui?

– Para aonde?

Ele sorriu e pegou minha mão, começando a me puxar para fora do Ginásio. A noite estava quente – como todas as noites aqui na Califórnia. Eu gostava disso, de poder usar vestido no inverno e não ter frio. Eu sentia falta de Nova York, da neve no inverno, do frio, mas ainda assim percebi que eu gostava mais do calor.

Nós seguimos para o prédio da biblioteca e teatro, achei que iriamos entrar, mas Alec virou para os fundos e nós demos com uma escada de emergência. Ele me ajudou a subir nela e então, rápido, nós subimos correndo os degraus até chegar ao teto do prédio.

Eu fui até a frente, olhando para o terreno da escola. Dali dava para ver tudo da escola, os prédios de aulas, o Ginásio com a porta aberta e as luzes piscando – assim como dava para ouvir a música – e também o campo de futebol com as luzes todas acesas.

– Nossa. – murmurei, encantada. – Aqui... É lindo. – me virei para Alec, que estava parado um pouco mais atrás. – Como você...?

– Uma vez, Emmett e eu estávamos procurando um lugar para nos esconder e subimos as escadas. Então, depois disso, eu vim aqui mais vezes. É calmo o suficiente para pensar. – ele deu alguns passos até parar ao meu lado. – E longe o bastante para ninguém incomodar.

Eu assenti com a cabeça.

Nós ficamos um tempo em silêncio, olhando para o Ginásio, alunos entrando e saindo dele, as luzes piscando.

(...)

Bella POV

– Hoje foi legal. – Edward falou encarando a rua a nossa frente.

Estávamos dentro do Volvo estacionado em frente de casa, com o som tocando baixo Sum 41 e com duas garrafas pequena de cerveja que Edward tinha comprado numa loja de conveniência no caminho para casa.

– Foi épico. – eu soltei uma risada, levando a garrafa aos lábios e tomando um longo gole. – Segunda-feira todos se preparando para um castigo de ficar uma hora a mais na escola. Quero ver o que Walter vai falar para mim e pro Jazz.

Nós tínhamos a nossa hora e Walter não gostava muito quando ocorria atrasados. Apesar de que ele era a pessoa mais atrasada que eu conhecia. Desde semana retrasada ele falou que nossas aulas iam começar e até agora nada. Não que eu estivesse reclamando ou coisa assim...

Eu virei minha cabeça na direção de Edward, sorrindo.

– Você é um bom dançarino, nadador. – falei e ele riu, negando com a cabeça. – Estou falando sério. E muito resistente, aguentou comigo na pista de dança até o final. Sem parar! Sabe quem já conseguiu isso? Só o John! E isso com ele naquele estado.

– Não foi tão difícil. – ele virou o rosto e me lançou um sorriso preguiçoso. – E Bella, nós nascemos um para o outro então...

Eu assenti, rindo. Nós ficamos em silêncio, aproveitando para terminar a cerveja. Hora ou outra nós comentávamos sobre a noite, sobre Emmett e suas cantadas, ou como Nessie e Alec estavam. Quando terminamos, eu disse que precisava ir para arrumar meu quarto pra receber a Rosalie, já que hoje ela decidiu que queria me perturbar, e então Edward me levou até a porta de casa alegando que tínhamos que terminar como começamos: fazendo tudo certo.

– Sabe o que eu acho, minha Bella? – Edward falou ao pegar minha mão e fazer com que eu ficasse de frente para ele. Sua voz tinha atingindo um tom baixo, que eu sabia que era Edward tentando soar sedutor. E eu não sei com as outras, mas comigo funcionava.

– O que, Edward? – eu ergui uma sobrancelha.

– Que se vamos fazer até o final como bailes de filme, tem que ser tudo.

– E quando você diz tudo, está querendo dizer o que?

Edward deu um passo para subir o degrau e assim ficar acima de mim. Ele não precisava dizer em palavras, eu já havia entendido, e eu não iria para-lo. Poderia não ser certo ou fazer mal a nossa amizade – o que eu achava que não iria acontecer -, mas eu estava bêbada, aquele era meu vizinho gostoso, e eu seria louca se eu o parasse.

Certo?

Certo!

– Isso vai ser como o clichê dos bailes. – ele falou, dando um sorriso de canto.

Eu assenti com a cabeça, esperando que Edward fizesse logo. Meu coração, de repente, como percebi, estava acelerado e meu estomago estava gelado por dentro. Eu não sabia que estava tão ansiosa por aquilo até aquele momento. Reprimir desejos da nisso.

Edward levou as mãos até a minha cintura e inclinou a cabeça um pouco para frente, tendo que se abaixar por causa da nossa altura. Quando ele estava próximo, eu facilitei ficando nas pontas dos pés e levando minhas mãos para a sua nuca, agarrando os fios dali e o puxando logo de encontro a mim, fazendo com que nossos lábios se encontrassem.

E então estava acontecendo. Eu estava beijando Edward. Como muitas vezes imaginei ou sonhei – acordada ou dormindo. E a cada segundo daquilo eu não estava me arrependendo como achei que iria acontecer por ele ser meu amigo, mas sim eu queria beija-lo mais e mais.

Eu me encostei-me a ele, inclinando minha cabeça para trás para que assim pudéssemos aprofundar o beijo. Nossas bocas estavam se movendo devagar, um beijo lento do tipo de final de baile, como ele disse que iria ser. E era bom. Não! Era maravilhosamente bem beijar Edward. Suas mãos apertando minha cintura, me puxando contra ele. Seus lábios macios contra os meus. Sim, era maravilhosamente, perfeitamente bem.

Quando Edward me apertou e me puxou ainda mais de encontro a ele, eu soltei um suspiro por seus lábios, apertando os fios da nuca entre meus dedos, e isso fez Edward soltar um baixo gemido. Percebi que ele gostava daquilo. E fiz novamente, e novamente recebi o som que veio do fundo da sua garganta.

Aquilo o pareceu anima-lo mais com o beijo e ele sugou meu lábio inferior, mordendo, querendo me distrair para quando sua mão desceu até a minha bunda e apertou. Eu soltei uma risada, sem parar o beijo, e ele me imitou.

Éramos Bella e Edward, ficar só no doce beijo não era certo. Deus, nós flertávamos todo dia, ficávamos quase perto de beijar muitas vezes, onde que só iriamos ficar no beijo lento de final de baile?!

O beijo ficou com mais volúpia e as mãos de Edward passeavam pelo meu corpo, apertando aonde ele achava que era certo. Isso fazia minhas mãos agirem quase que por automaticamente querendo tocar em todos os lugares possíveis do corpo do meu nadador. E momento ou outro nós riamos entre o beijo.

– Bella!

Eu me afastei de Edward, olhando para o lado, e Rosalie e Emmett estavam ali, nos encarando. Meu irmão não tinha expressão nada boa – também, vendo sua irmã dar uns pegas daquele em um cara não devia ser legal. Já Rosalie tinha a expressão mais maliciosa que poderia existir nesse mundo.

– Oi, Emm! Rouss! – eu sorri inocentemente.

Emmett não esperou eu falar mais nada, veio como um touro na minha direção, bufando, e me pegou pelo braço, ignorando Edward. Rindo, eu tentei escapar das mãos do meu irmão, mas ele estava com muita raiva e não ia soltar. Então me estiquei até o Edward, o puxei pelo terno e ainda consegui roubar um ultimo beijo dele, enquanto Emmett me puxava para dentro e deixava Rosalie e Edward para fora.

– Está legal, Emm, pode me soltar. – resmunguei e ele bufou, fazendo aquilo.

– O que está acontecendo? – Renée saiu da cozinha. Quando viu que éramos nós dois, cruzou os braços e fechou a expressão. – Porque essa cara dos dois?

– Bella e Edward estavam se pegando lá fora!

– Ele impediu que eu beijasse Edward. – dei de ombros.

Renée arregalou os olhos. Eu não sabia o que esperar da minha mãe naquele momento porque ela nunca se importou com nada disso. Ela virou para Emmett.

– Você é idiota?!

Foi nossa vez de arregalar os olhos.

– O-o que, mãe? – Emmett perguntou.

– Deixe Bella e Edward em paz, Emmett. Se os dois querem se beijar, deixem! Não quero ciúmes de irmão para cima dos dois, entendeu? Agora sobe pro seu quarto!

Emmett bufou e subiu, achando ruim o que mamãe fez. Eu me virei para ela.

– Nós só somos amigos. – foi o que falei e ela assentiu. – Estávamos brincando.

– Eu sei, Bella. – ela revirou os olhos. – Agora, que tal ir dormir também? – ela fez uma expressão triste.

Antes que pudesse responder ou falar algo, Rosalie entrou. Ela sorriu para mim e Renée.

– E então? – perguntou.

– Vai dormir. – foi o que Renée falou e rindo, Rosalie subiu. – Você também, Bella.

Eu assenti e fui até Renée, lhe abraçando apertando. Ela retribuiu e soltou um suspiro.

– Mãe, não fique assim. Você é a melhor mulher do mundo e o que quer que Charlie tenha com Markie, não vai durar. Ela não é melhor que você e ele ainda te ama, eu sei. Como você ama ele. Você é linda, minha mãe, e todos te amam. – dizendo isso eu lhe dei um beijo no rosto e me afastei.

Renée estava com expressão cheia de emoção, mas ela nunca derramaria uma lágrima na minha frente. Ela não era emocional suficiente para isso. Então, eu subi as escadas e lhe deixei sozinha para que ela pudesse fazer o que queria.

No quarto, eu fechei a porta e encontrei Rosalie com os olhos arregalados.

– O que foi aquilo?!

Ótimo, eu não poderia dormir até soltar algo. E eu falar “estávamos nos divertindo” não iria colar. Era Rosalie Hale ali.

Notas finais do capítulo
Espero que tenham gostado, pessoal. Eu tenho que correr porque vou sair AGORA e minha mãe esta gritando comigo kkkk
E O BEIJO BEWARD? hmmmmmmmmmmmmmm finalmente aconteceu. So digo que o que está pra vir é muito bom.
Tchau!




(Cap. 16) Bate-Volta

Notas do capítulo
Pessoal, se vocês quiserem ver o que a Bella e a Tânia "dançam" aqui:
Bella: http://www.youtube.com/watch?v=V_3_dx0kMik
Bella e Tânia: http://www.youtube.com/watch?v=XF-c8KAULZk

15. Bate-Volta.

Bella POV

– OK, hora de me explicar o que aconteceu lá embaixo! – Rosalie falou pela terceira vez, me seguindo com os olhos enquanto me movia pelo meu quarto.

– O que você viu. – dei de ombros.

Duas batidas soaram na porta, pensei que fosse Renée, mas quando abri encontrei Emmett.

– Quero explicação! – ele disse cruzando os braços.

Eu revirei os olhos e me escorei na porta.

– Sério mesmo, Emm? Você saiu do seu quarto e veio até o meu para saber por que eu e Edward estávamos nos beijando?

– Sim! – ele bateu o pé. – Quero saber por que vocês dois estavam bancando o desentupidor de pia lá fora!

Ouvi Rosalie gargalhar e Emmett bufou, erguendo uma sobrancelha em desafio para mim.

Meu irmão era um completo panaca com complexo de “Vou Bancar o Irmãozão” achando que isso era legal. Só porque ele via nos filmes os irmãos fazendo isso, queria imitar. Qual é, nem Charlie ficava se mordendo de ciúmes desse jeito por mim e Emmett fazia isso? Tudo bem que depois de Jacob ele ficou ainda mais super protetor quando se trata de eu em um “relacionamento”, mas Edward era de confiança. E foi só daquela vez.

Emmett merece uma lição.

Eu olhei para Rosalie, que tinha um sorriso matreiro no rosto e pisquei para ela, que começou a rir. Voltei a encarar meu irmão bobão.

– Certo, Emmett, você quer saber, é isso? – ele assentiu e eu sorri. – Então você vai saber. Eu e Edward estávamos nos pegando daquele jeito porque queríamos saber como é a pegada do outro, entende?

– Isso não é desculpa. Vocês são amigos!

– Com benefícios agora. – pisquei um olho para ele, que arregalou os dele. – Yep, nós decidimos levar isso mais a frente, entende? Eu não quero um namorado, ele também não quer uma, então nós concordamos que vamos ficar juntos enquanto somos amigos e aproveitar enquanto não aparece ninguém. Legal, não é?

– Não! Não é legal! – ele bateu o pé. – Isabella, você não vai fazer isso!

– Eu vou sim. Vou continuar pegando meu amigo gostoso, que tem uma pegada daquelas... – me abanei e Emmett rosnou. – E que pegada. E você não vai poder fazer nada porque você não manda em mim, Emmett. E se você quer saber tudo, então saiba que agora toda noite ou eu vou para o quarto de Edward ou ele vai vim para o meu, porque nós não vamos ficar só nos beijos, não é? Aliás, vai dormir logo porque você está atrapalhando minha fuga para o quarto dele hoje.

Com isso Rosalie gargalhou alto e eu continuei com meu sorriso mais inocente. Emmett parecia tremer de raiva e seu olho esquerdo estava dando umas piscadas tremulas.

– Você não...

– Tchau, Emm! – falei com a minha voz mais inocente e fechei a porta na cara dele. – Vai dormir! – gritei e ele chutou a minha porta com força.

– O que está acontecendo ai em cima?! – Renée perguntou do andar de baixo, mas não obteve resposta.

Eu ergui um dedo para Rosalie calar a boca e esperei por barulho. Os passos pesados de Emmett poderiam fazer a casa tremer, mas foi ele fechando a porta que fez isso. Então eu finalmente pude gargalhar e Rosalie me acompanhou.

– Você é malvada, Bella. Fodeu com a mente do seu irmão. – ela falou, mas nem um pouco preocupada com Emmett.

– Ele mereceu, quem sabe assim para de idiotice. – dei de ombros.

Fui até o meu closet e peguei um pijama. Abaixei o zíper do vestido que ficava do lado e tirei as alças.

– O que você falou para ele, foi sério? – Rosalie perguntou.

– Claro que não. – respondi, rindo. – Sem amigos com benefícios, sem fugas para o quarto um do outro. Foi só daquela vez, Rouss. E nós estávamos nos personagens que criamos.

Tirei o vestido por baixo, colocando-o arrumado em um cabide para depois entregar para mamãe. Vesti o short do pijama, assim como a regata e voltei para o quarto. Rosalie também já havia trocado de roupa e agora estava acendendo um cigarro para ela.

– Janela. – foi à única coisa que eu falei.

Ela revirou os olhos e foi até a minha janela, abrindo para que a fumaça saísse. Renée odiava que eu fumasse, nós discutimos e tudo, mas ela acabou por “aceitar”, contanto que não viciasse. E também que meu quarto não ficasse fedendo. Eu só podia fumar da janela para fora.

– Eu sabia que isso iria acontecer. – ela falou e tragou o cigarro, soltando a fumaça para o lado de fora. – Eu sempre soube, desde o primeiro momento que vocês dois flertaram.

– Porque você me conhece. – falei entediada por que Rose sempre falava aquilo. – Você lembra do nosso segundo tópico?

– Claro que lembro. E não vai acontecer.

– Eu não sei não...

– É mais capaz de vocês dois se pegarem de novo do que estragar a amizade. Bella, quando você ver o Edward, como vai agir?

– Normal. – dei de ombros. – Quero dizer, para mim não teve nada demais nisso. Eu só fiz o que eu queria e ele também.

– Então pronto, resolvido. Esqueça isso e se concentre em outras coisas, que é a melhor coisa que faz. Como essa amizade se tornar uma com benefícios. Vai acontecer. – ela me lançou um sorriso e eu retribuí. – E como é beijar Edward Cullen?

Arregalei os olhos e abri meu maior sorriso, fazendo Rosalie gargalhar.

– A melhor coisa que você pode imaginar. Sério, Edward beija muito bem. Tão bem que eu fiquei puta arrepiada. Aliás, ainda estou só de lembrar. Olha, Rouss! – estiquei meu braço para ela, que fez uma careta. – O que?

– Isso não é arrepio, é tesão. Não vou dormir do seu lado. Prepara o saco de dormir porque você vai dormir no chão.

– Cala a boca! – ataquei um travesseiro nela, que desviou. – Se você não quer dormir do meu lado, você quem vai dormir no saco, e se não gosta dessa ideia, vai dormir na cama de Emmett ou da mamãe.

Rosalie resmungou que preferia dormir do meu lado com tesão do que na cama de Emmett. Se fosse possível achar a cama dele naquele quarto bagunçado.

Ela, que ainda estava fumando, olhou para fora e fez uma careta.

– Que porra é aquela? É... Hey, Bella, vem ver isso. – ela gargalhou alto, jogando a cabeça para trás. – Eu não acredito nisso.

– O que foi? – corri até a varanda e olhei para o quintal. – Emmett está de brincadeira comigo, não é?

Meu irmão estava com o pijama da Katy Perry que ele dormia todas as noites – muito gay para um cara daquele tamanho. Ele montava a nossa barraca da acampar, soltando alguns resmungos.

– O que você está fazendo, babaca? – gritei e ele me olhou com raiva. – Ficou louco?

– Nem você nem Edward vão ficar no mesmo quarto essa noite! – gritou para mim. – Não enquanto eu estiver aqui e vivo!

Rosalie estava rindo tanto que não aguentava nem respirar, ao meu lado. E eu estava de boca aberta. Eu tinha fodido ainda mais com a cabeça do meu irmão e agora ele estava louco. Com certeza ele estava assistindo filmes adolescente demais em que irmãos mais velhos cuidavam das irmãs ou lendo histórias na internet, porque nunca vi ele agir com tanto absurdo quanto aquilo. Montar uma barraca no meio do quintal para impedir que eu fosse para o quarto do carinha que eu beijei? Nunca!

– Você é doido. – foi o que falei e ele bufou. – É sério, Emmett, você é muito doido. Se mamãe souber que você ficou chapado e está...

– Eu não estou chapado. – rosnou. – Eu só estou cuidando de você.

– Cara, você surtou legal. – Rosalie falou, soltando risada entre uma palavra e outra.

– Cala a boca, Rosalie. – Emmett mandou e ela ficou de boca aberta.

Emmett tratar Rosalie assim? É caso de emergência mesmo. Meu irmão estava doido.

– Que porra está acontecendo ai? – aquela voz rouca do meu vizinho gostoso que há poucos minutos estava com a boca junto a minha falou.

– Você! – Emmett virou para Edward, apontando o dedo. O ruivo franziu as sobrancelhas. – Seus planos de ir para o quarto da Bella essa noite estão acabados!

– O que?

– Ele descobriu, Edward. – falei e Edward estava com aquela expressão. Você sabe, a que parece que ele esta me achando anormal. – Hoje não vai dar para eu ir pro seu quarto.

Sim, eu era o capeta, porque eu estava atiçando ainda mais a loucura do meu irmão.

– Você... Ia vir para o meu quarto? – perguntou e eu pisquei um olho para ele, que me lançou um sorriso malicioso. – Ah sim, você ia.

– Eu ia. – assenti, com os olhos presos no peito sem camisa dele. – Eu ia. – murmurei novamente.

Olhando para Edward daquele jeito, sem camisa e ainda com a calça do terno, eu estava pensando seriamente mesmo em achar um jeito de ir para o quarto dele naquela noite.

– Mas não vai mais! – Emmett gritou. Mesmo de longe eu posso jurar que via uma veia saltar em sua testa. – Não comigo aqui. E se vocês dois tentarem... Ah, se tentarem... – e deixou a ameaça no ar.

Emmett rosnou para Edward, apontando com dois dedos para os olhos e para o meu vizinho, no típico sinal de “estou de olho”. E por fim, ele entrou na barraca que havia arrumado para dormir, gritando um “boa noite” furioso. Edward, Rosalie e eu ficamos alguns segundos ali parados sem acreditar naquilo, até então cair na gargalhada.

– Sua família é uma peça, Bella! – Rosalie bateu no meu ombro. – É por isso que amo os Swan.

– Nós também te amamos, Rosalie. – falei.

– Bem... – ela jogou o resto do cigarro apagado no quintal e eu lhe lancei um olhar furioso, que ela soube muito bem ignorar. – Depois dessa posso ir dormir. Boa noite, Edward.

– Boa noite, Rosalie. – ela acenou.

Ela entrou, dando um tapa nas minhas costas. Eu me virei para Edward, sorrindo.

– Nós vamos correr amanha? – perguntei.

– Como todo final de semana.

Assenti, mordendo o lábio inferior.

– Então até amanha, vizinho. E sonha comigo. – pisquei um olho para ele antes de entrar, ouvindo sua gargalhada.

Me joguei na minha cama, suspirando. Eu ia sonhar com meu vizinho sem camisa e me beijando.

– Bella? – Rosalie chamou.

– Oi?

– Sai de perto de mim. – ela murmurou baixinho.

– Por quê? – franzi o cenho.

– Você está com tesão por Edward.

Eu lhe dei uma cotovelada nas costelas, ouvindo seu gemido de dor, o que me deixou ainda mais feliz para dormir.


Naquela manhã, eu acordei cedo, de proposito dando um empurrão na Rosalie.


– Sua desgraçada... – ela resmungou, rolando na cama. – Patricinha do caralho... Eu vou te matar com esse brilho labial... Minha mãe vai te matar, maldita...

Isso comprovou que ela não havia acordado. Rindo, segui para meu banheiro, aonde me aprontei para correr com Edward. De regata, short de moletom e tênis de corrida, eu prendi meu cabelo em cima. Dei uma espiada em Emmett, que estava com metade do corpo para fora da barraca e sorri quando tive uma grande ideia.

– Rosalie... – a cutuquei. – Rouss...

– Eu sei lutar kong fu... Vou acabar com a sua cara...

– Rosalie, acorda! – balancei ela.

– Oh, assim... É assim que vou socar você...

– Mas que porra que você está sonhando? – fiz uma careta. – Não importa. Você tem que acordar agora. – empurrei ela.

– Não quero!

– Vamos lá, Rosalie!

– Sai daqui! – Rosalie virou na cama e meteu a mão na minha cara, fazendo um estalo. A vagabunda começou a rir. – Merecido.

– Vai se ferrar! – a empurrei com força, fazendo-a cair na cama. Soltei uma risada falsa, imitando ela. – Merecido.

– Idiota. – gemeu do chão. – O que você quer? Eu não vou correr com você, não precisa me acordar...

Fui até ela no chão e a peguei pelos braços, começando a puxa-la em direção à varanda apesar dos seus protestos de dor.

– Não é... Isso. – puxei e ela gemeu. – Eu quero... Que você veja... Uma coisa. – a joguei com força no chão e suspirei. – Caramba Rosalie, você precisa correr um pouco. Está muito pesada.

– Morre, Bella. – murmurou com a cara enfiada no chão.

– Você não saberia viver sem mim. – falei o óbvio. – Agora fica ai e não dorme, ok? Logo você vai ter uma surpresa.

Deixei Rosalie jogada na varanda e desci para a cozinha. Não havia nenhum sinal de que Renée houvesse passado ali, então deduzi que a noite de pensamentos tumultuados para mamãe foi longa. Aproveitei que estava sozinha e que iria correr para gastar energia, decidi comer algo com bastante açúcar.

Peguei os Pop-Tarts recheados do Emmett, que ele achava que estavam escondidos, mas que eu sabia muito bem onde ficavam. Comendo um, fui para o quintal, parando bem ao lado da mangueira. Calmamente, peguei e rodei o registro, abrindo.

– É hora de eu me vingar, Emmett Swan. – murmurei e maldosamente joguei água na cara do meu irmão.

Foi impagável a cena de ver meu irmão se afogando com a água. Ele gritava desesperadamente se debatendo como um peixe fora d’água, mas ele era ao contrário. Eu estava rindo tanto que tive que me apoiar nos joelhos para não cair no chão. Ao longe podia ouvir a risada de Rosalie.

– Socorro! Estou morrendo! – meu irmão berrava. Eu diminuí a água, deixando-o respirar. Ele olhou para os lados até seus olhos encontrarem os meus. – Sua... Sua... Bella!

– Espero que tenha gostado do banho, maninho. – murmurei docemente. – Agora preciso ir. Tchau!

Lhe dei as costas, rindo.

A vingança era deliciosa.

– Eu vou acabar com você, Bella! – ele gritou e eu pude ouvir seus movimentos ao levantar.

Sabia que se ele viesse nós entraríamos em uma briga, e esperei que ele me alcançasse, mas meus planos foram por água a baixo quando Renée apareceu no topo das escadas, furiosa.

– O que está acontecendo aqui?

– Eu estou indo correr com Edward, mãe. Estou atrasada. – fui para a porta. – Pergunta para o afogado Emmett Swan, ele vai saber responder. – apontei para meu irmão ensopado que entrava na sala. – Até depois.

Sai de casa ouvindo Emmett me xingando e Renée brigando com ele por molhar a casa. Eu tive que parar para rir, até jogando a cabeça para trás como aqueles vilões dos desenhos animados. Eu adorava maldades.

– Você aprontou.

Eu abri os olhos, olhando para Edward, que estava parado na minha frente. Estava tão presa na minha felicidade pela maldade que nem ouvi sua aproximação. Me ajeitei, colocando as mãos na cintura e dando meu sorriso mais inocente.

– De onde você tirou isso?

– Dos gritos que veio da sua casa? De sua risada? Eu já lhe conheço, Bella. – ele estalou a língua.

– Pois é. – dei de ombros. – Eu aprontei. Fiz Emmett pagar pela vez que jogou água na minha cara.

– Você é cruel. – brincou e nós rimos. – Vamos?

– Vamos. – eu peguei a mão dele e o puxei, querendo gastar logo energia.

Nós dois corremos por uma hora completa pela praia, parando por alguns minutos sentados no banco, conversando banalidades como sempre fazíamos. Ele me contou que Alec trouxe Renesmee minutos depois que nos entramos, e que eles dois estavam muito sorridentes – havia aquela pontinha de ciúmes na sua voz. Eu lhe expliquei o porquê de Emmett ter dormido no quintal, fazendo Edward rir e maliciosamente brincar que era uma boa ideia a de nós irmos para o quarto um do outro.

Foi nesse momento que eu percebi que nossa amizade não estava afetada em nada depois do beijo, que ainda seriamos amigos como sempre fomos desde que nos conhecemos melhor. E foi como tirar um peso de receio dos meus ombros, me deixando mais leve. Isso até me fez perguntar se assim poderia acontecer outro beijo, porque depois daquele, a vontade de ter mais era maior. Ainda maior que antes de termos nos beijado e só ficarmos nos flertes.

Depois de corrermos, nós voltamos para casa e eu fiz Rosalie, preguiçosa que ainda estava dormindo, me ajudar a arrumar meu quarto.

– Nunca mais vi você pintando. – Rosalie comentou quando ajeitamos o canto que estava minhas tintas, pinceis e a tela.

– É mesmo. – murmurei tristemente, olhando para a tela. – É como se não tivesse mais tempo.

– Agora você tem antes de ter que ir para a lanchonete. Que tal pintar algo? – ela jogou para mim um pincel. – Se você fosse um Leonardo DiCaprio, eu até deixava você me pintar nua.

– Se você fosse uma Kate Elizabeth, eu poderia pensar em te pintar. – retruquei e ela riu.

– Estou falando sério. Está na hora de você colocar umas ideias para fora.

Rosalie me deixou sozinha no quarto, falando que ia procurar algo para comermos. Eu fiquei de frente para o cavalete e olhei para a tela a minha frente e depois para as tintas, já imaginando algo para pintar que iria fazer Rosalie rir. Logo comecei com a tinta rosa, rindo comigo mesma.

Eu adorava desenhar e pintar. Era um passatempo que a minha psicóloga me mandou começar a fazer e sempre tentar terminar. Um desafio a cada semana. No final do mês eu tinha que levar quatro quadros completos para ela. No começo foi difícil, e no mínimo dois iam pela metade, mas depois de muito esforço consegui levar os quatros, deixando-a feliz, assim como Renée. Desde então eu gostava de pintar e sempre tentava completar algo até o final sem me distrair.

Eu passei aquela manhã pintando, ouvindo Emmett soltar umas cantadas para Rosalie tentando leva-la para seu quarto e ela o xingando. Quando passou do meio-dia, troquei de roupa e fui para a lanchonete.

Jasper já estava lá e tinha acabado de abrir. Eu o cumprimentei e quando comecei a colocar o avental, o Walter apareceu me pegando pelo braço e me arrastando para o escritório dele. A decoração daquele lugar era tão ou mais brega que as roupas do Walter.

– O que está pegando agora? – perguntei e ele fez uma careta.

– Está “pegando” – fez aspas com as mãos. – que hoje vamos começar nossas aulas de etiqueta.

– Sério? – fiz uma careta. – Não pode esquecer isso como fez todos esses dias?

– Não. Hoje é sério e vai acontecer.

Walter sentou em sua cadeira de couro e apontou para a cadeira estofada na frente, indicando que eu me sentasse. Eu me joguei ali, e ele fez uma careta.

– O que? – perguntei.

– Sente-se como uma dama, Isabella. Cruze as pernas e fique com a postura ereta. Seja uma dama.

Eu revirei os olhos, não acreditando que aquilo ia mesmo acontecer comigo hoje. Justo hoje que eu estava no meu melhor humor. Mesmo odiando aquilo, eu fiz o que Walter pediu, ajeitando minha postura e cruzando as pernas.

– Feliz agora? – soltei sarcástica e ele assentiu. – Walter, isso tudo é um exagero. Larga de idiotice e me deixa ir trabalhar logo.

– Você fala como um garoto.

Eu suspirei, querendo chorar. Deus me odiava naquele momento.

– Talvez porque eu seja um garoto no corpo de uma garota, ok? Então eu não tenho concerto, não posso agir como uma dama e não vou virar boiola porque não tenho um pênis no meio das pernas!

– Não fale assim, Isabella. – seu tom foi de repreensão. – Uma dama não fala dessa forma.

– Certo. – cruzei os braços. – Então vou falar de uma forma que dama fala para você entender. Eu sou um garoto no corpo de uma garota. – falei lentamente. – E eu sou uma pessoa irredutível e sem concerto, Sr. Walter. Perdoe-me, mas não posso agir como uma dama que o senhor deseja e não vou virar um homem com transtorno feminino porque não tenho uma genitália masculina no meio de minhas pernas. Entendeu agora?

Walter ficou me encarando por alguns minutos e eu suspirei. Eu estava mais do que ferrada.

– Está certo! – ergui as mãos. – Posso então ter um amigo aqui comigo como apoio, já que vou passar por uma grande mudança?

– É o seu garoto paquera? – Walter perguntou animado.

– Er... É ele. – assenti, estranhando sua reação. – Posso?

– Chame-o logo.

Peguei aquele celular velho que Renée havia deixado comigo e enviei uma mensagem para Edward.

SOS. Preciso de você aqui na CY, vizinho. Por favor. :(

Enquanto a resposta não chegava, olhei para Walter, que estava me encarando. Ele ergueu uma sobrancelha e eu percebi que tinha desfeito a pose. Voltei a cruzar as pernas e ajeitar as costas. Logo meu celular vibrou.

O que aconteceu? Estou indo.

Enviei uma resposta.

Walter está me torturando com todos os tipos de objetos. Nada como Christian Grey, é pior. Vem me salvar. LOGO!

Não estava nem um pouco exagerando. Eu preferia ser torturada pelo Grey a ter que se tornar uma dama perfeita metida como Tânia era, cheia de não me toque. Eu gostava de mim daquela forma porque era mais fácil de lidar com as pessoas e Walter queria me mudar. Quando aceitei esse trato, não pensei que fosse tão chato.

– E então? – Walter perguntou.

– Ele está vindo.

Nós dois ficamos em silêncio até Edward chegar, passando pela porta tão rápido e tão ofegante que eu soube de cara que ele veio correndo. Ele olhou de mim para o Walter, vendo que estávamos os dois sentados com expressões surpresa e fez uma cara para mim de “Você mentiu, Bella!” Saltitei até ele, o abraçando antes que ele ficasse nervoso por eu ser uma exagerada.

– Que bom que você veio, Edward. – falei com a minha voz mais doce, encostando meu rosto em seu peito.

Aquilo pareceu desarmar meu vizinho, que acariciou minhas costas. Eu estava perdoada.

– Agora que seu paquera está aqui, vamos começar as aulas. – Walter ficou de pé e foi até a estante de livros dele. – Primeiro vamos melhorar sua forma de caminhar.

– O que tem de errado com o jeito que eu caminho? – me afastei de Edward e cruzei os braços.

– Tudo. Você anda parecendo um marginal do gueto. – ele me lançou um olhar irônico, ignorando minha expressão de incredulidade. Edward ao meu lado soltou um risinho. – Agora coloque esse livro na cabeça e tente andar.

– Não vou fazer isso! – ergui meu queixo.

– Vai sim!

Walter me pegou pelo braço, me colocando no meio da sala e colocou o livro em cima da minha cabeça, me empurrando para andar. Isso era uma droga, e foi por esse motivo que eu nem me esforcei em fazer o que Walter mandava. Ele bufava cada vez que o livro caia e Edward assistia tudo, se divertindo com a minha cara.

Talvez, chamar meu vizinho que o Walter falava ser o meu paquera, fosse uma péssima ideia. Eu estava servindo de palhaça para ele.

– Assim não, Isabella!

– É Bella, porra! – explodi, jogando o livro longe. – Eu já disse que é para me chamar de Bella. Bel-la. Bella. Bella. Bella. Bella. – cantarolei e aquilo fez Edward cair na gargalhada. Eu o ignorei. – Se você me chamar de Isabella novamente, Walter, eu vou embora daqui!

– E perde emprego. – Walter ergueu a sobrancelha.

Fechei os olhos em fenda.

– Você está me ameaçando? – perguntei e ele imitou meu gesto de fechar os olhos em fenda.

– Entenda como você quiser, Isabella, mas você perderá o emprego.

Nós nos encaramos por alguns segundos, olho no olho, numa luta de quem desistia primeiro. Edward continuava rindo da minha desgraça e tive vontade de acertar meu tênis na cabeça dele para ver se ele parava com aquilo e me ajudava.

– Ótimo! – joguei os braços para cima. – Me despeça, faça o que bem quiser, mas eu não vou ficar aqui sofrendo esses abusos na minha personalidade e ainda mais sendo chamada de Isabella. A culpa disso é daquela velha maluca que era minha avó, que se envolveu com um italiano. Você acredita que ela tinha um amante, Walter? A velha devia ser fogo.

– Sua avó tinha um amante? – ele arregalou os olhos.

– Tinha. Era um italiano, que pelo que minha mãe me contou, ela conheceu quando estava de férias com vovô na Itália. Então eles tiveram um caso daqueles, muito romântico e digno de filme. Minha velha amava meu avô, mas procurava uma aventura. Ele era rico e a levava para festas elegantes.

– Cheias de classe?

– Sim. – assenti, suspirando. – Então por isso ela convenceu minha mãe colocar meu nome de Isabella. E é tão sério, tão formal quando as pessoas me chamam de Isabella, que eu não gosto. Prefiro Bella, que é apelido, informal e não parece nome de velha. – revirei os olhos.

– Entendo. – Walter assentiu, sorrindo. – Então vou começar a lhe chamar de Bella, apesar de Isabella ser mais preferível.

– Sério que acabou a briga? – Edward se intrometeu. – Tudo acabou em tocar na avó adultera de Bella?

– Hey, respeito! – bati no braço dele. – Minha avó era uma mulher de respeito, só procurava uma aventura. – defendi.

Edward me lançou um olhar de “sério?” e eu bufei. Minha avó era legal, e ela só procurava diversão, apenas isso.

– Certo, vamos continuar com a nossa aula. Bella, pegue o livro e volte a andar.

Soltei um suspiro irritado, achando que aquela frescura tinha acabado. Fui até o canto da sala e peguei o livro, colocando na cabeça o maldito livro e novamente irritando Walter sem demonstrar sucesso no que ele pedia.


– Você está fazendo de proposito. – Edward sussurrou no meu ouvido quando Walter saiu da sala para respirar depois de se estressar comigo.


– O que você acha? – lhe lancei meu olhar mais matreiro e nós rimos. – Eu não vou mudar porque o Walter não aguenta meu jeito. Se ele me quiser trabalhando para ele, vai ser assim.

– Eu gosto de você assim. – ele sorriu malicioso.

– Eu sei disso, vizinho. – passei minha mão na perna dele e mordi meu lábio inferior.

Nós dois trocamos aquele olhar de flerte. E eu não pude impedir minha mente de trabalhar em me lembrar do beijo que havíamos trocado ontem à noite.

– Pronto! – Walter entrou na sala, me assustando. – Estou pronto para a próxima rodada.

– E qual será? – cruzei os braços na frente do peito. – Vai me ensinar como devo respirar? Piscar?

– Não é uma má ideia, já que tudo que você faz é errado.

– Isso é abuso! – Edward se interveio na minha salvação. – Não pode falar assim dela.

Walter era um cara grandão que usava roupas rosa se achando a dama requintada – o que fazia eu me questionar se ele era gay, mas Jasper me disse que ele era casado e tinha uma filha. Apesar de isso não diminuir minhas suspeitas, para mim só era um gay assumido. Mas apesar disso, ele era um tremendo chefe chato e babaca que só era legal quando nos dava moleza do trabalho e pagava nosso salário. Apenas isso. De resto ele sempre falava de mim e de Jasper, então estávamos acostumados.

– Seu paquera está lhe defendendo, Bella. – Walter sorriu para o Edward. – Tanto faz, garoto. Agora você vai aprender a se sentar.

– Eu já sei. – fui até uma cadeira e me joguei nela. – Viu?

– Sente-se corretamente, Bella. Como uma dama.

Eu me ajeitei, encostado as costas de forma certa no encosto.

– Queria saber para que tudo isso, Walter... – cruzei as pernas, ajeitando meu short. – Eu não ando nesses lugares que andam as damas que você conhece. Eu apenas ando com pessoas como eu que não se importam com a forma que eu me sento. É desnecessário.

– Não é desnecessário quando você ficar mais velha, Bella, e ter que abandonar essa vida de adolescente e se tornar uma mulher, terá que agir como uma, e não como um garoto.

– Eu vou ser médica, não secretária ou empresaria ou algo assim.

– Mesmo assim, Bella. Você irá para conferencias, irá para festas, e terá que se portar como uma dama. Um dia tudo que estou lhe ensinando vai servir, acredite em mim. – ele tocou meus ombros e os deixou retos. – Agora, vamos conversar.

– Estamos conversando. – revirei os olhos.

– Eu quero ver até aonde você consegue não usar seus palavreados chulos. – ele se sentou na poltrona a minha frente. – Me conte sobre você, Isabella.

– É Bella, Walter. Você já entendeu isso, merda. – bufei.

– Nem um minuto. – Walter suspirou. – Vai ser uma longa tarde.

– Ugh. – eu gemi fazendo uma careta. – Longa tarde?

– Longa tarde.

– Ótimo. – bufei. – Vamos logo continuar com isso, antes que eu me irrite pra cacete.

– Longa tarde... – Edward cantarolou ao meu lado.

.

.

– Estou faminta. – apertei minha barriga e fiz uma careta. – Posso denunciar Walter por abuso de poder, Edward?

– Podemos tentar. – ele passou um braço por cima do meu ombro.

Eu o abracei pela cintura, me encostando a ele. Já estava começando a anoitecer, o céu estava em tom purpura com o sol descendo e se escondendo atrás do mar. Walter tinha nos trancado naquela sala até àquela hora, me deixando passar fome até aguentar conversar por meia hora sem falar um palavrão. Quando ele me liberou, na porta eu falei um palavrão com gosto e saí de lá correndo antes que ele voltasse a me prender.

– Que tal passarmos na Rose, ela provavelmente já deve estar no barraco dela. – sugeri.

– Vamos lá.

Nós viramos a rua que dava para a casa de Rosalie. A loira estava lá mesmo, deitada de pernas para cima assistindo TV e comendo um prato grande de macarrão com queijo. Quando entramos, sem nem bater, eu me joguei em cima dela e peguei o prato de sua mão, comendo com vontade.

– Hey! – ela tentou arrancar o prato da minha mão, mas eu desviei. – Que folga é essa?

– Eu estou morrendo de fome. Sinto meu estomago seco e atingindo minhas costas. Então cala a boca e vai fazer mais macarrão com queijo porque estou necessitada de mais.

Edward, que tinha ido na direção da cozinha, voltou com um garfo e começou do macarrão comigo. Rosalie olhava tudo de olhos arregalados.

– Que ousadia é essa na minha casa? Devolvam meu prato!

– Rosalie, cala a boca e vai preparar mais. – Edward mandou distraidamente olhando para a TV.

Rosalie olhou para mim e eu fiz sinal com a mão para que ela fosse, ficando do lado de Edward. Ela bufou, resmungou, mas foi fazer mais comida para nós.

– Ela é bem obediente. – Edward murmurou.

– Uh hum. É sim. – concordei.

Até Rosalie voltar com mais macarrão com queijo, Edward e eu já tínhamos acabado com aquele. Então, nós três dividimos o sofá e comemos o macarrão como também os salgadinhos que ela tinha escondido. No final do dia, nós estávamos cheios de gordos e capotados naquele sofá um em cima do outro, prontos para tirar uma soneca com um filme chato passando na TV.


Edward POV


Então quer dizer que a noite do baile rendeu algo? – Brad me cutucou e eu franzi o cenho. – O que?

– Você parece uma garota, Brad. Precisa se controlar, cara. Conselho de amigo.

– Idiota. – ele me deu um soco no ombro. – Eu apenas ouvi Emmett xingando você na aula... Todos os dias até hoje depois do baile. Eu tenho o direito de falar depois de ouvir tanto.

– Oh porra. – gemi em frustração.

Emmett estava mesmo irritado que eu havia beijado a irmã dele. Apenas um beijo e ele tratava como se nós tivéssemos transado na varanda. Tudo bem que eu o entendi porque também era protetor com a Nessie, mas ele era mais exagerado que eu. Não havia proferido uma palavra para mim desde o dia do baile, e isso já fazia duas semanas. Nós convivíamos no mesmo grupo de amigos, como ele aguentava isso?

– Você sabe que isso não ameniza que você ainda parece uma garota fofoqueira, não é? – me virei para Brad e ele só bufou. – Não rendeu nada. Pelo menos nada do que ele está falando.

Eu nem sabia o que era, mas imaginava que devia estar fazendo um exagero. Ele era irmão da Bella, os dois tinham o mesmo gênio e sabiam fazer o mesmo drama.

– Então você está querendo dizer que rendeu alguma coisa? – ele sorriu malicioso e eu dei de ombros. – Eu sabia que isso ia acontecer!

Eu não comentei nada, o deixando soltar os comentários de que minha amizade com Bella era mais que obvio que ficava acima de amizade. Nós tínhamos “aquilo” que nos atraia um para o outro. E eu não podia negar, afinal era a mais pura verdade. Eu achava que depois de nós nos beijarmos talvez passasse um pouco, mas foi ao contrário. Antes, quando estávamos perto e flertando nós conseguíamos nos controlar sem muito esforço, e agora... Agora eu precisava de muito esforço para não agarrar a minha vizinha e não fazer o que minha mente manda.

– Edward!

Eu olhei para trás ao ouvir alguém me gritar, e me surpreendi por ser Emmett, com Alec ao seu lado. Isso não podia ser algo bom. E não era só porque ele não falava comigo fazia duas semanas, mas porque eram os dois, e a primeira vez que os dois estavam juntos e falaram comigo, eu quase fui morto por um cara gigante mutante que se não fosse por Bella botar medo nele falando que ia fazer algo contra ele caso encostasse um dedo em mim, eu estaria morto.

Então, decidido a ignorar eles dois, continuei andando. Brad, ao meu lado, estranhou.

– Cara, eles estão te chamando.

– Não. Não é coisa boa.

Pude ouvir seus gritos mais próximos e acelerei meus passos. Eu não podia correr naquele corredor com uma inspetora velha e chata me encarando.

– Edward, porra! – Emmett gritou mais perto e agarrou meu braço. – Eu preciso falar com você.

– Qual é, Emmett. – resmunguei.

Porque aquela velha não tinha brigado com ele por correr no corredor?

– Mas o negocio é sério. – ele olhou para os dois lados. – E secreto.

– Então não. Se é secreto e sério quer dizer que é furada. E eu não quero me meter em furada com vocês dois. – apontei para eles, que tinham expressões teatrais de ofendidos. – Vocês sabem que é verdade.

– Mas você tem que participar desse negócio! – Emmett bateu o pé. – É bastante sério, Edward.

– Não.

– Edward!

– Não!

– Qual é, Edward! – Alec falou e nós três viramos para ele, que deu de ombros. – Estou tentando ajudar.

– Não. Não. E não. – soltei com raiva e continuei andando, mas Emmett me pegou pelo braço. – Emmett, não.

– É sobre Bella.

O nome dela me fez parar automaticamente e olha-lo. Isso trouxe um sorriso para seu rosto.

– O que Bella tem haver com o que vocês vão aprontar? Se for algo contra ela, esqueça da minha ajuda. – cruzei os braços diante do peito.

Brad, Alec e Emmett estavam na minha frente. Brad estava confuso com tudo aquilo, Alec tinha a expressão de mais ou menos de sempre e Emmett sorria, sabendo que tinha minha total atenção quando o assunto era sobre Bella.

– Ele é super protetor com ela, não é? – Brad perguntou para o Alec, que assentiu.

– Fala logo, Emmett! – ignorei os outros dois.

– É secreto... – ele olhou para Brad, que franziu o cenho. – Isso significa que você não está envolvido.

– Sério? Que droga. Eu gosto de bagunça. – Brad resmungou e começou a se afastar, mas Emmett o chamou.

– Você gosta de bagunça?

– Sim. Muita.

– Desde quando? – Alec ergueu uma sobrancelha.

Eu não sabia o havia acontecido com Bella e Brad, mas isso parecia não se estender para Emmett. Então isso me fez excluir da lista qualquer envolvimento amoroso que pudesse ter acontecido, afinal, se ele tivesse magoado Bella, duvido muito que Emmett o trataria assim.

– Desde que participei de algumas. – Brad deu de ombros.

Emmett sorriu.

– Então chega mais. Porque aqui, com nós, é só bagunça.

O sorriso do Brad foi enorme quando ele voltou, se juntando a Alec e Emmett. Agora eu tinha três babacas na minha frente tentando me convencer a participar do “negócio” do Emmett que envolvia Bella – e um desses três nem sabia o que era.

– Edward – Emmett começou a falar -, acontece que Alec e eu decidimos fazer uma surpresa para Bella.

– Que surpresa? E pra que?

– Ué... Eu sou o irmão dela e a amo, acho que Bella merece uma surpresa. – lhe lancei meu olhar de “não caio nessa” e ele suspirou. – Tá legal, Edward. Acontece que eu decidi que preciso ser um irmão melhor para Bella, entende? Eu cansei de brigar com ela, sendo que eu quem deveria cuidar dela. Então, para me redimir, decidi gravar vídeos dela fazendo algumas coisas aonde vou me declarar para ela dizendo o quanto a amo e cada coisa doida que ela faz.

– Você está tirando uma com a minha cara.

– Eu não estou! – ele jogou as mãos para cima. – É idiota, mas acredita em mim, é a verdade. Eu não queria dizer por que isso é muito boiola, mas já que só assim vou convencer você, então...

Eu o encarei, vendo se era mentira, mas Emmett continuou com uma expressão inocente demais para meu gosto. Eu sabia que sem mim ele faria aquilo do mesmo jeito, então decidi fingir que acredito naquilo para quem sabe impedir que ele fizesse algum mal para Bella. Estava ciente já que ele tentaria se vingar da Bella depois de ela ter lhe dado um banho de mangueira quando ele estava dormindo, e provavelmente essa era a vingança.

– Está certo, acredito em você. – menti. – Vamos fazer o que você quer fazer. É só falar.

Emmett explicou para mim e para Brad quais eram seus planos, que começariam hoje na lanchonete. Ele pediu que todos nós fossemos para lá depois do treino e eu concordei.

Depois disso eles me liberaram para que eu continuasse indo para aula, atrasado agora.

.

– Está tudo certo, garotos. Podem parar por hoje. – o treinador assoprou o apito irritante, encerrando o treino do dia.

Brad e eu estávamos sentados na arquibancada, descansando.

– Você acha que é sério o negocio do Emmett? – ele perguntou.

– Não. Ele vai aprontar para cima da Bella. Os dois vivem no bate-volta de todo dia. Ela bateu, ele vai voltar.

– Eles nunca mudam. – Brad riu.

Isso era coisa de irmãos, apesar de Renesmee e eu não sermos muito assim. Nós tínhamos nossos desentendimentos, mas nunca havíamos feito um bate-volta como Bella e Emmett faziam. Admito que me divertia, ainda mais quando Emmett quem se dava mal.

– Semana que vem começa o campeonato de natação, pessoal. – o treinador chamou nossa atenção. – Cullen, Scott e Collin, vocês iniciam. – ele apontou para nós e saiu.

– Ele gostou de você, Cullen. – Brad bateu no meu ombro. – Já te colocou no começo.

Eu sorri. Estava dando mais do que certo para eu mostrar pra Carlisle que ele podia ter confiança em mim novamente. Que eu ainda podia lhe dar orgulho.

Nós nos trocamos e fomos para a lanchonete. Bella estava lá, apoiada no balcão com a expressão entediada e olhando para fora. Ela murmurava algo de vez em quando, suspirando. Eu me aproximei, tocando seus cabelos presos em cima. Quando viu que era eu, ela sorriu animada.

– Finalmente alguém para me divertir.

– Cadê Jasper? – perguntei olhando para os lados e não o encontrando.

– Precisou sair para fazer algumas coisas. Só aceitei porque ele disse que assim me liberaria mais cedo e também porque hoje o movimento esta parado, praticamente. – ela apontou para as mesas vazias. – O dia está um tédio, Edward. Não aguento mais.

– Eu estou para te salvar, baby. – brinquei e ela riu. – O que você tem em mente para fazermos enquanto não tem nenhum cliente?

Ela sorriu maliciosamente e indicou com a cabeça uma porta que ficava atrás do balcão.

– Tem o armário de vassouras, eu percebi que da para duas pessoas. O que acha? – ela mexeu as sobrancelhas em sugestão.

– Hmmm. Acho ótimo. – eu retribui o sorriso. Me virei para Brad, que estava quieto demais. – Você poderia ficar de olho por enquanto aqui, Brad?

Ele arregalou os olhos.

– Bem... Se vocês quiserem... – ele gaguejou.

Sim, eu queria e muito, mas sabia que era apenas mais umas das varias brincadeiras que Bella e eu fazíamos para flertar. Eu dei um tapa no ombro de Brad, rindo e sendo seguido por Bella. A cara dele estava hilária.

Hoje ela estava de bom humor, pois não havia implicado com o Brad. Emmett e Alec apareceram depois de um tempo, me chamando para ir no Tijela – e Emmett piscou um olho para que eu entendesse que era mentira. Me despedi de Bella, que fez uma expressão desolada para que eu ficasse, e eu ate iria se Emmett não me puxasse para fora a força.

– Você tem que parar de fazer tudo que minha irmã pede. – ele rosnou.

– Somos amigos. Amigos fazem isso. – dei de ombros.

– Sei...

– E então, o que vamos fazer? – Brad veio ao meu socorro.

– Vamos filmar Bella nos piores momentos dela. – Alec mostrou a câmera que ele tinha na mão. – Começando por agora...

Ele mirou a câmera na direção da Bella, que parecia estar conversando sozinha na lanchonete, fazendo caras e bocas hilárias.

Deus, essa garota não existe!


(...)



– Certo... – Emmett murmurou ao ajeitar a câmera. – Nós já gravamos Bella em seu lugar de trabalho, já gravamos como ela fica depois de Edward se despedir quando eles finalmente terminam de flertar – sua voz foi de desprezo e eu revirei os olhos. – e agora vamos pegar Bella em seu habitat natural... Sozinha...


Nós estávamos todos na cozinha, aonde Bella decidiu não aparecer ainda para a sorte de Emmett e nossa. Ela não sabia que estávamos ali, achava que estava sozinha em casa. Emmett disse que íamos nos surpreender com o que ela fazia quando estava sozinha.

– Não é nada ilegal, é? – Brad perguntou e eu lhe dei um cutucão. – O que?

– Bella não faz coisas ilegais. – a defendi. – O que ela vai fazer, Emmett?

Ouvimos passos no corredor. Ela estava vindo.

– Espere e verá.

Ele posicionou a câmera na direção da sala, para a TV, mais especificamente. Não dava para Bella nos ver se ela não virasse para a cozinha, então estávamos salvos. Eu estava curioso para saber o que Bella iria fazer, já que Emmett não falava. Alec apenas ria toda vez que alguém perguntava.

Bella desceu as escadas correndo, aparecendo na nossa visão usando um short de moletom curto e uma camiseta. Ela olhou na direção da cozinha e nós tivemos que nos esconder.

– Mãe? Emm?

Ficamos em silencio e quando ouvimos passos se afastando, olhamos. Bella tinha ido para o meio da sala, sorrindo alegremente. Ela ligou a grande TV e o XBOX do Emmett.

Bella jogava videogame? Era isso? Não era nada estranho como tudo que tínhamos filmado. Era normal, qualquer garota jogava videogame.

Bella então colocou um jogo, ficando parada no meio da sala. Ela nem se mexeu para pegar o controle, e eu entendi no mesmo segundo que ela iria jogar com o kinect, o aparelho que captava movimentos.

– Emmett, ela escolheu o... – quando abriu a tela do jogo, Alec e Emmett comoraram. – Just Dance 4.

– Isso vai ser mais engraçado que eu imaginei. Ela escolheu o melhor para nós e pior para ela. – Emmett riu.

Bella iria dançar!

Era isso que ela fazia quando estava sozinha. Ela dançava jogos de videogame. Agora entendia porque ela tinha alguns passos feitos para Hot N’ Cold. Ela havia aprendido com esses jogos. E era uma boa forma de gastar energia.

Bella fez os movimentos com a mão selecionamento a musica. Me surpreendi quando ela escolheu Marina & The Diamonds. Era mais Bella escolher P!nk, não Marina, quem ouvia Marina era Nessie, que solitária me mostrava as músicas que ela ouvia. Mas foi o que ela escolheu.

– Agora silencio. – Emmett murmurou. – Bella é viciada nessa musica, é sempre a primeira que ela escolhe.

Nós ficamos em silencio, vendo Bella finalmente colocar para iniciar o jogo. Uma tela de vitrine de loja tudo rosa abriu, com três manequins, dois sem pernas apenas o vestido azul e o terceiro era um corpo, que se transformou em uma mulher. Logo Bella começou a imitar os passos da personagem do jogo, idênticos. Jogando as mãos para os lados, depois andando para frente e batendo os quadris. Eu fiquei de boca aberta vendo Bella dançar tão perfeitamente que apenas aparecia perfect em cima. No refrão a dança era uma imitação de boneca gigante e ela fez aquilo. Alec e Emmett tentavam prender uma risada vendo Bella dançar.

I know exactly what i want and who I want to be… I know exactly why I walk and talk like a machine… – ela rodou jogando uma mão e uma perna para frente, depois rodou novamente para o outro lado e imitou o ultimo gesto. – I’m now becoming my own self-fulfilled prophecy – Então jogou os quadris para o lado, mexendo as mãos juntos e imitou novamente uma boneca andando. – Oh oh no, oh no,oh no oh.

Mais que surpreso eu estava. A minha vizinha que escuta Sum 41, que abomina praticamente o pop, estava ali dançando uma musica desse gênero e dançando como uma boneca. E tão perfeita que só ganhava perfect nos movimentos. E por mais engraçado que era, Bella era gostosa o suficiente para isso ser atraente também com aquele short que ela estava usando.

Quando a musica acabou, ela estava ofegante, mas se preparando para escolher uma nova musica.

– Caralho. – Brad murmurou ao meu lado. – Isso foi... Legal. – eu assenti.

Ver Bella dançando tinha sido legal. Estranho, mas legal.

Nós estávamos preparados para ver outra dança quando a campainha tocou. Bella resmungou, mas foi atender.

– O que você está fazendo aqui? – ela foi hostil. Nós não podíamos ver quem era. – Vai embora!

– Não vou.

O meu queixo e de Brad caiu quando ouvimos a voz de Tânia.

– Vai embora, Tânia! – Bella resmungou em um choramingo. – Estou fazendo algo muito importante.

– É a minha vez de visitar você ou então mamãe vai me matar. Então você vai fazer sua coisa importante com a minha companhia. – e dizendo isso Tânia rompeu para a sala, encarando a grande TV. – Dançar Just Dance é importante?

– Muito. – Bella soltou em um resmungo e bateu a porta com força. – Você acabou com minha paz e sossego.

– Que nada. Pode continuar dançando. – Tânia mexeu a mão como se não fosse nada e sentou no sofá.

– Acabou sim. – Bella se jogou no outro sofá.

Tânia sorriu divertida.

– Que porra está acontecendo aqui? – perguntei.

– Shiiiii. – Emmett fez. – Agora que as coisas vão ficar boas. Só assista, Edward.

E foi o que eu fiz.

– Está com vergonha, Bella?

– Rá. Eu não tenho vergonha, Tânia. Você já me viu ter vergonha? – ela lançou um olhar desdém para Tânia, que retornou. – Eu apenas não quero dançar com você aqui.

– Isso deve ser porque você não sabe dançar nada. – Tânia gargalhou. – Deve ser um horror.

Ah, Tânia, se você tivesse visto o que eu vi não falaria isso. Bella não era um horror.

– Eu sou ótima! – Bella rosnou.

Sim, ela era.

– Não, não é. Se fosse, dançaria.

Oh, Tânia a estava desafiando.

– Estou gostando disso. – Brad comentou animado e nós três assentimos, concordando com ele.

Bella percebeu a mesma coisa que eu e sorriu maldosamente.

– Você fala como se soubesse dançar, Tânia. Duvido que já tenha tentado.

Outro desafio.

– Eu sei. Eu jogo Just Dance. E sei até que esse é o quarto. – Tânia ergueu o queixo se sentindo por reconhecer o jogo, mas isso não afetou Bella.

– Está certo então, já que você sabe dançar Just Dance, que tal nós fazermos competirmos uma contra a outra? – Bella sugeriu e estendeu a mão na direção de Tânia, que sem pensar apertou.

– Feito. Eu escolho a musica!

Tânia pulou do sofá que estava sentada e ficou no meio da sala, começando a escolher a música. Bella, com um suspiro, ficou no meio da sala também.

– Elas vão dançar Hot For Me. – Emmett murmurou. – Porra.

– O que? – perguntei.

– Eu queria ver Rosalie dançando essa música, não Bella. Ela é minha irmã! – ele fez uma careta. – Meu sonho agora virou pesadelo.

– Isso está mesmo ficando bom. Duas garotas de short curto, gostosas, dançado musicas sensual. Está ótimo... – Brad sussurrou animado.

Bella tinha uma careta enquanto Tânia escolhia as coisas. Ela franziu o cenho, mas deu de ombros.

– Muito fácil essa, Tânia. Escolhe outra.

– Não. Quero essa. – Tânia lançou um sorriso para Bella, que retribuiu. Tinha algo errado nessa merda toda. – Pronta?

Bella assentiu e Tânia colocou para iniciar. Uma mulher de tênis, bermuda e top curto apareceu. Ela tinha ombreiras que os jogadores de futebol americano usavam. Uma toque começou e mesmo que não precisasse, Bella e Tânia imitaram ela rebolando apenas a cintura e então iniciando o movimento com os braços. Era mais fácil que a primeira que Bella tinha dançando, mas essa fazia mais movimentos lentos. Teve uma parte rápida, elas rebolando e então eu vi Bella dançar como uma líder de torcida.

Líder de torcida!

Ela e Rosalie caçoavam das lideres da escola e então ela estava ali imitando uma. Jogando os ombros para frente e mexendo, colocando as mãos na cintura, animado, pulando e batendo os braços. Chegou uma parte ainda mais de lideres com até rimas, que elas dançaram perfeitamente. Todos os passos que mostravam elas dançavam perfeitamente. E eu não conseguia tirar meus olhos das malditas pernas perfeitas da Bella.

Depois de mais umas jogadas de mãos para cima e uns saltos na parte “Make it hot for me”, finalmente a musica acabou. Eu pisquei os olhos, em transe. Na tela apareceu que Bella e Tânia tinham se saído bem, mas nenhuma das duas olhou o resultado para saber quem havia ganhado, já tirando da tela.

Qual era o sentido de tentar ver quem era a melhor se elas não olhavam o resultado?

– Nós nos saímos bem. – Tânia falou e Bella concordou. – Que tal outra música?

– Pode ser.

Tânia começou a mexer a mão, passando as músicas.

Umbrella, o que vocês acham? – ela aumentou o tom de voz virando a cabeça na direção da cozinha.

– NÃO! – Emmett gritou, saindo do nosso esconderijo e indo para o meio da sala. – Nada dessa musica. Já não basta Bella, você ter acabado com a minha imaginação de Rosalie dançando Hot For Me? Eu nunca mais vou conseguir imaginar isso sem lembrar de você. – ele fez uma cara de nojo. – Não acabe com Umbrella, por favor.

– Rosalie dançando Hot For Me e Umbrella? – Bella jogou a cabeça para trás e começou a gargalhar. – Isso seria hilário!

– O que tem Umbrella? – perguntei para Alec, que segurava uma risada.

– Muito rebolado. Muito. Mais do que essa que elas dançaram.

Emmett maldito, porque não deixou Bella dançar Umbrella?!

– O que vocês estavam fazendo escondidos na cozinha? – Tânia colocou as mãos na cintura e nos encarou, mas então ela olhou para meu lado e sua expressão se perdeu. – Brad?

– Oi, Tânia. – ele sorriu para ela.

– É mesmo. O que vocês estão fazendo aqui? – Bella perguntou se levantando do sofá e imitando a pose de Tânia. – E nos espionando!

– Não estávamos fazendo isso, Bella. – Alec mentiu.

– Nossa, ele voltou a falar? – Tânia olhou surpresa para Alec, que lhe lançou um olhar de desprezo.

– Cala a boca, Tânia. – Bella rosnou. – Eu não acredito. Me fale logo o que vocês estavam fazendo escondidos e... Isso é uma câmera?!

Nós todos olhamos para a mão de Emmett, que soltou uma risadinha constrangida, sentou no sofá e escondeu a câmera atrás de uma almofada, para então levantar sem filmadora.

– Câmera? Que câmera?

Filho da puta!

Eu não conseguia acreditar que Emmett havia mesmo feito aquilo. Ele achava que estava no que? Num desenho animado? Algum seriado de comédia? Panaca!

– Você acha que eu sou otária? – Bella perguntou encarando ele, que assentiu.

Ela avançou em cima do sofá para pegar a câmera, mas Emmett se jogou na frente. Os dois então se agarraram e começaram a brigar entre si, ela tentando pegar a câmera e ele tentando impedir ela.

– Sai da minha frente, Emmett!

– Você nunca vai chegar perto dessa cameraaaaaaaaaaaaaaaaaaai! – ele gritou quando ela mordeu o braço dela. – Sua cadela!

– Asteroides. – Bella bateu na cabeça dele.

– Gorda. – Emmett deu uma cotovelada na barriga dela.

– Burro. – ela lambeu a bochecha dele.

– Que nojo! – Tânia falou ao meu lado.

– Bicho das Tasmânia. – Emmett enfiou um dedo na boca e depois no ouvido da Bella, que gritou.

Os dois rolaram pelo chão, se xingando e provocando o outro. Nisso Alec foi até o sofá e pegou a filmadora, mas não foi muito longe já que Tânia pegou a bolsa rosa dela e jogou nele, que saiu nas escadas gemendo de dor.

– O que tem nessa bolsa? – eu arregalei os olhos, assustado.

– Umas coisas que me ajudam a me defender já que não sou uma animal como a Swan. – ela deu de ombros.

– Hey! – Bella gritou mesmo que tivesse entretida com Emmett.

Brad se aproximou do Alec e o cutucou. O falso mudo soltou um gemido, o que fez nós sabermos que ele estava bem e vivo. Então Brad pegou a filmadora.

– Olha, Edward, está comigo!

Deus, será que todas as porras desses imbecis eram burros e não sabiam ficar quietos? Tânia nem havia percebido que ele pegou a filmadora porque estava dando atenção a Bella, ele podia ter escondido, mas não. Ele precisava me gritar.

– Tânia, pega! – Bella mandou. – Aiiiiiiiiiiiii!

– Ai, Bella!

Eles estavam se mordendo!

– Me da isso, Brad! – Tânia mandou e ele negou. – Me dá!

Tânia correu na direção do Brad, se jogando nele, e no impulso Brad jogou a câmera para mim. Tânia estava com os braços em volta do pescoço do Brad, que a encarava com os olhos arregalados. Eu podia ouvir a musiquinha romântica para a cena daqueles dois.

– Edward, me de essa câmera! – Bella estava de pé, na minha frente, toda descabelada.

Sério, o cabelo dela parecia uma grande e enorme juba de leão, ainda mais por ser loiro. Emmett estava no chão nocauteado com uma mão sobre o braço todo mordido.

– Não posso, Bella. – voltei os olhos para ela. – Tem coisas importantes aqui.

– Sobre mim, não é? É a vingança do Emmett, não é? – ela perguntou com os olhos arregalados.

Eu imaginava que fosse a vingança de Emmett, mas meus planos eram de ver até aonde ele iria com aquilo. E se fosse mesmo um vídeo dele declarando o amor pela irmã? Eu que não queria ser aquele a estragar a forma de se expressar carinhosamente dele.

– Eu não posso. – repeti. – Ainda não.

– Eu vou pegar, Edward. – ela sorriu. – E você vai ficar igual ao Emmett.

– Vou colocar em um lugar aonde você não pode pegar. – blefei.

– E aonde seria? – ergueu uma sobrancelha. Eu olhei para minha parte sul e depois para Bella, sorrindo em desafio. O que tive em troca foi um sorriso malicioso. – Você sabe que eu pegaria ai.

É, eu sabia que ela pegaria a câmera ali se eu colocasse. Então eu não tinha outro lugar.

Bella aproveitou minha distração e avançou em mim, em reflexo levei a mão com a câmera para trás, tentando impedi-la de pegar com a outra vazia. Nós entramos em uma guerra e eu tive que apelar para distrair ela também, abraçando-a com um braço e enterrando meu rosto em seus cabelos bagunçados, depositando um beijo em seu pescoço. Bella paralisou.

– O que você está fazendo? – ela perguntou.

– Distraindo você. – sussurrei e nós rimos.

– Está funcionando.

Yeah, eu sabia que estava.

– Sai dai! – Emmett pegou Bella e a puxou para longe.

E então os dois voltaram a se atracar no meio da sala, se xingando e se empurrando. E então o tempo pareceu parar naquele momento quando aconteceram em câmera lenta duas coisas fodidamente péssimas.

1) Emmett empurrou Bella contra a estante e o corpo dela bateu, fazendo um vaso em cima rodar, rodar, rodar e cair no chão, se espatifando no chão.

– O vaso da vovó! – Bella gritou em horror.

E 2) Renée entrou naquele momento e viu tudo.

– Que bagunça é essa?! – ela gritou.

– A culpa é dele!

– A culpa é dela!

Os dois apontaram um para o outro. Isso não foi algo legal já que Renée ficou tão vermelha que chegou ao roxo. Eu estava sentindo que ia presenciar um infarto ao vivo. Ela fechou os olhos e respirou fundo, puxando o ar com força. Sua cor voltou para o vermelho de raiva saudável.

– Eu quero explicações dos dois. – ela murmurou apontando para eles, que estremeceram. – E o resto... Vocês já sabem.

Bella e Emmett iam morrer e Renée não queria testemunhas do assassinato. Eu podia ouvir a voz de Bella pensando isso, e pela sua expressão era mais que obvio que ela pensou mesmo.

Pobre irmãos Swan.

Tânia e Brad, que estavam de roupas amassadas e de olhos arregalados para Renée, praticamente saíram correndo. Tive que ajudar Alec a levantar porque o coitado estava quebrado depois da bolsada da Tânia. Lancei um olhar de encorajamento para Bella, que sorriu e piscou um olho antes de eu sair.

Do lado de fora, não havia nem sinal da Tânia nem do Brad. Os dois haviam corrido mesmo. Olhei para Alec, que fez uma careta.

– O lado bom é que eu quem estou com a câmera. – mostrei o aparelho para ele, que sorriu e tentou pegar, mas eu desviei. – Vai ficar comigo por precaução porque não sei o que você e Emmett vão fazer.

Ele suspirou derrotado e assim foi embora. Eu fui para minha casa esperar receber uma mensagem da Bella de que estava viva. Enquanto isso eu aproveitaria para ver o que tínhamos gravado da minha vizinha e o quão adorável, doida, gostosa e perfeita ela era.


Bella POV


– Então vocês entraram em uma briga por causa de uma câmera? – Renée ergueu uma sobrancelha para nós dois, que estávamos sentados nos sofá e ela na nossa frente. – E por causa disso os dois quebraram a porra do vaso que a sua avó chata me deu?!

Eu estremeci com seu grito.

Renée não se importava com o vaso, o que ela se importava era quando vovó viesse n