Kirai Ja Nai escrita por Chibi Midori


Capítulo 1
Não é Odiar


Notas iniciais do capítulo

Eu estou no episódio 7 de Durarara!! e queria terminar de ver antes de sair escrevendo, para não escrever besteira. Mas depois de ver o episódio 7, eu simplesmente TINHA que escrever uma ShIzaya ;-;Esta história não foi betada, apenas (mal) revisada por eu mesma, então desculpem qualquer erro ♥Espero que gostem!
AAh! Antes que eu esqueça, mais uma vez dedico uma one-shot à Nívia-senpai, afinal eu não conheceria Durarara!! sem você e feliz aniversário(atrasado... Tehehe)!



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Existem coisas dos quais eu gosto. Leite. Meu irmão. Celty. Existem coisas que eu suporto. Shinra. Meu trabalho. Caminhar pela cidade. Existem coisas que eu não gosto. Crianças barulhentas. Pessoas mal educadas. E existem coisas que eu odeio! Violência! Jogos de azar! Bebidas alcoólicas! E, é claro, existe Orihara Izaya. Aquela detestável pulga! Eu queria, uma vez, enfrentá-lo frente a frente, dar uma surra nele, apagar aquele sorriso cínico de seu rosto.

Eu odeio violência. Odeio o fato de não controlar meu lado violento. E odeio mais ainda Izaya despertar meu lado odiável tão facilmente. Basta avistá-lo para que meu corpo reaja instantaneamente com uma fúria incomum até para os meus padrões. É esse tipo de emoção que Izaya desperta em mim, sendo tão detestávelmente detestável que nem posso mais classificar o que sinto por ele como simples ódio.

Não é ódio.

- IZAYA! - gritei furioso.

- Shizu-chan! Como você é chato. - ele ria, como uma criança - Eu entendo que sinta a minha falta, mas ficar me perseguindo desse jeito pode gerar boatos...

- Maldito! - gritei arrancando uma placa de "Pare" na esquina. - Saia de Ikebukuro!

- Por que não sai você, Shizu-chan?

Tentei acertá-lo usando a placa como uma raquete. Exatamente como uma pulga, Izaya saltou para cima de uma árvore. Sorrindo, ele me encarou, de pé no galho fino e frágil como se estivesse em chão firme. Enfiou as mãos nos bolsos do casaco. Desejei do fundo do meu coração que aquele galho se partisse. 

- O que você quer dizer com "Sai você"? - perguntei, irritado.

- Já ouviu o ditado "Os incomodados que se mudem"? - Izaya sacudiu o indicador na minha direção - Se eu te incomodo tanto, você ainda pode ir embora e nunca mais ser incomodado por mim. Não é como se você tivesse um lar em Ikebukuro, Shizu-chan.

Congelei no ato de atirar a placa, encarando Izaya firmemente. Seus olhos avermelhados tinham um brilho estranho. Eu sentia como se ele estivesse me testando. Não pude deixar de considerar a ideia. Não havia um motivo muito grande para ficar naquela cidade. Eu já não vivia com meu irmão. Não havia pessoas de quem eu fosse realmente pronto a ponto de me prender ali.

Eu podia ir embora, para um lugar onde ninguém me conhecia, um lugar sem a minha fama de atirador de máquinas de refrigerante. Talvez meus surtos de raiva se abrandassem, uma vez que eu estava longe o suficiente de Izaya. Eu nunca mais o veria. Essa ideia era surpreendentemente dolorosa para mim.

Atirei a placa com toda a força que consegui reunir. Izaya pulou no ultimo instante, desviando da placa voadora como se ela não fosse nada.

- Não diga essas coisas sem fundamento! Idiota! - gritei - Como se eu fosse sair de onde eu moro por causa de um inseto como você!

- Se eu sou tão insignificante, por que você sempre me persegue? - o sorriso dele se alargou. - Você está se contradizendo, Shizu-chan.

Qualquer que fosse o teste estava tentando fazer comigo, os resultados eram satisfatórios para ele. Isso me irritou.

Continuei a perseguí-lo, numa corrida que ele sempre ganhava. Eu não conhecia ninguém mais ágil e escorregadio que Izaya. Queria saber por que ele era tão insuportável, queria saber porque ele despertava em mim tamanha fúria a ponto de não poder ignorá-lo.

Estávamos nos distanciando cada vez mais do centro da cidade, mas não prestávamos atenção aonde íamos. Ele apenas continuava a correr e eu continuava a perseguí-lo, com a certeza de que, se conseguisse pegá-lo, eu o estraçalharia. Alcançamos um terreno baldio cheio de latas de lixo que mais pareciam containers, cercado por grades de ferro de pouco menos que dois metros de altura. Izaya saltou por cima das grades sem problemas e eu, é claro, o segui. 

O riso irritante de Izaya, que persistia desde o início da perseguição, morreu lentamente. Não era um simples terreno baldio. Era um beco sem saída com uma grade onde deveria ser a entrada. Nem mesmo uma pulga escorregadia como Izaya conseguiria escapar daquele beco. Não sem voltar por onde viera. Para o azar dele, era onde eu estava.

- Ah... Que problema. - Ele pôs as mãos na cintura. - O que devo fazer agora, Shizu-chan?

Me aproximei lentamente da lixeira mais próxima, tomando o cuidado de não deixar nenhuma abertura para que ele pudesse fugir. A lixeira era ligeiramente maior que uma máquina de refrigerantes e eu mal podia esperar por atirá-la nele, fazê-lo pagar por toda a violência que ele me fazia cometer.

- I-za-yaaa... - Minha voz saiu quase cavernosa quando eu ergui a lixeira acima da minha cabeça. 

Ele suspirou, como se não fosse nada e pareceu conformar-se com a ideia levar uma lixeirada na cabeça. Hesitei por um instante. Que sentido tinha se ele não ligava? E, de qualquer maneira, aquela lixeira era realmente pesada. Um ser humano normal teria MUITA sorte se sobrevivesse a uma pancada daquela coisa. Eu queria mesmo MATAR o Izaya? Eu era muitas coisas, mas não um assassino. Eu nunca estivera realmente perto de matá-lo como estava naquele momento, então hesitei.

Minha hesitação foi o meu maior erro. Senti uma dor aguda nas costas, seguida por mais dor nos meus dois braços. A dor nos braços se intensificou. Não, pensei, agora não! Mas meus ossos nunca escolheram a hora mais conveniente para trincar. Com um ruído semelhante a uma explosão, caí de peito, a lixeira pesada acima de mim. Anos antes, eu tinha passado pela mesma situação quando tentei atirar a geladeira no meu irmão.

Aquela lixeira era mais pesada do que a geladeira. Eu havia pego um depósito de chumbo ou coisa assim?

- Shizuo! - ouvi a voz de Izaya.

Era a primeira vez que ele chamava meu nome direito. Se eu não o conhecesse bem, diria que ouvi alguma preocupação naquela exclamação. Logo ele estava agachado na minha frente, me examinando enquanto eu tentava pateticamente tirar aquela coisa pesada de cima de mim. Sem sucesso. 

- Shizu-chan... Como você é bobo. Derrubou uma coisa pesada em si mesmo, mon[1]!

- Não use mon, idiota! - respondi - Vá embora antes que eu perca a paciência.

- E o que vai fazer, Shizu-chan? - o sorriso dele renasceu - Gritar comigo? Desse jeito, vai me fazer ficar mais tempo aqui. Eu acho que você fica realmente kawaii quando está bravo.

- Seu... - Comecei a chamá-lo de todas as palavras de baixo calão que existiam na língua japonesa. Acrescentei alguns em inglês, também. - E o que vai fazer aí, afinal? Ficar a noite toda me vendo até que eu saia daqui e te mate?

- Estou esperando por um pedido de ajuda. Vamos, repita comigo "Nee, Izaya-kun, me ajude a sair daqui, por favor".

- Eu prefiro apodrecer aqui embaixo a ser ajudado por um verme como você. - ofeguei com dificuldade.

- Então vou te ajudar só pra te irritar. - ele levantou-se - Mas é bom ficar muito irritado e franzir a testa daquele jeito fofo que só você consegue.

Depois de um tempo que pareceu infinitamente longo, o peso da lixeira desapareceu de cima de mim como se Izaya a tivesse chutado. Ela caiu com um baque forte ao meu lado. Ofeguei de alívio, mais um erro. Minhs costelas doíam a cada movimento dos pulmões. Me levantei lentamente, tentando avaliar o estrago e consequentemente não apoiar o peso do corpo em nenhuma parte machucada. Infelizmente,não parecia existir alguma parte de mim que não estivesse doendo.

Eu tinha a sensação de ser um hematoma gigante cujo esqueleto inteiro fora reduzido a migalhas.

- Nee, Shizu-chan, reaja.

Mesmo no estado em que eu estava, aquela voz ainda me deixava nervoso. Consegui ficar de pé com muita dificuldade. Com uma mão, segurei-me na grade que fechava o beco. Com a outra, tentei socar o rosto de Izaya. Ele desviou antes que eu sequer terminasse de erguer o punho.

- Ué? - Ele ergueu as sobrancelhas - Qual é o problema, Shizu-chan? Não vai me bater?

- Você quer apanhar, sua pulga sadomasoquista do inferno? - berrei. Até berrar doeu. - Suma daqui.

- Quem diria... - Ele parecia realmente admirado - O grande Heiwajima Shizuo... Derrotado por uma lixeira. Vão escrever histórias sobre isso. Eu devia compor um Ode à Lixeira agora mesmo.

- I-za-ya... Saia daqui ou eu não respondo por mim.

- Você nunca responde por si. - Izaya suspirou. - Ei... Espere... A única maneira de você desistir de me bater é estando incapacitado disso. Não está conseguindo se mexer direito, Shizu-chan?

- Pare de repetir esse apelido estúpido! - Eu realmente não queria gritar, mas ele me obrigava a isso. - Suma... Da minha... Frente! Merda! 

- Aaah não mesmo! - Izaya riu, divertido. - Estou sozinho com o Shizu-chan sem correr o risco de ter todos os ossos do meu corpo fraturados! Que sorte! Essa é uma oportunidade que só vai se repetir daqui à 300 anos numa noite de lua cheia em que os planetas estiverem alinhados.

- O que?

- Eu não vou desperdiçar essa chance, Shizu-chan. Tem uma coisa que estou guardando para você há um tempo, e acho que está na hora de entregar a você.

Senti as mãos de Izaya nos meus pulsos. Antes que eu pudesse reagir, ele prendeu meus braços contra a grade. Eu estava imobilizado, a menos que quisesse acabar também com as minhas pernas. Izaya também estava previnido contra isso, segurando minhas pernas com os próprios joelhos. Não bastasse a humilhação de ser ajudado por meu pior inimigo, de repente eu estava machucado, imobilizado e preso pelo corpo dele.

Aquela situação, por algum motivo, me fez corar.

- O que está pretendendo, maldito? - Doía tanto, que eu sequer tentei me soltar. E eu sabia que qualquer tentativa de fuga apenas nos deixaria mais próximos. - Izaya, eu vou...

- Shh... Shizu-chan, você é barulhento...

O rosto dele estava próximo o suficiente para que eu tocasse a sua testa com o queixo. Era ali onde sua testa batia, no meu queixo. Era humilhante ser derrotado por um piolho como ele. E uma lixeira. Pela primeira vez, desde o dia em que nos conhecemos, Izaya conseguiu calar a minha boca. E ele o fez grudando seus lábios nos meus. Num instante, ele me olhava ameaçá-lo, com um sorriso no rosto. No instante seguinte, simplesmente me beijou. Ele massageou minha boca por alguns segundos e então mordeu meu lábio inferior.

- Não seja tímido, Shizu-chan. - sussurrou - Sei que não vai me deixar repetir isso por um bom tempo, então aproveite, certo?

De olhos arregalados, o encarei. Ele riu da minha expressão chocada e passou a explorar a minha boca sem nenhum um pudor. Eu tive certeza de que ele sentia o gosto do cigarro que eu havia fumado alguns minutos antes. Suas mãos apertaram meus pulsos ao mesmo tempo em que eu sentia sua respiração sair sôfrega, em conjunto com a minha. Logo, era eu quem estava mordiscando o lábio inferior do meu pior inimigo, era eu quem estava sentindo o sabor de seu hálito, era eu quem estava explorando sua boca, já completamente esquecido de qualquer dor aleatória que pudesse estar sentindo.

- Shizuo...

Ele pressionou os lábios nos meus uma ultima vez e com mais um suspiro profundo soltou meus pulsos lentamente. Recuou dois passos.

- Aaah, Shizu-chan, achei que nunca fosse chegar perto o suficiente para isso.

- Isso... Você... Izaya!

O sorriso dele era ainda mais largo que antes. E desta vez, não era apenas cínico. Era divertido, satisfeito... Pervertido.

- Foi um prazer encontrar você, Shizu-chan. Melhoras para seus ferimentos.

Ele soprou um beijo e piscou antes de saltar por cima da grade e ir embora tranquilamente, as mãos enfiadas nos bolsos do casaco. O observei até sua silhueta desaparecer numa rua lateral.

Precisei escalar a grade para sair daquela prisão esdrúxula e quase caí. Já livre, procurei um maço de cigarros no bolso. O cheiro familiar o tabaco queimando me acalmou.

Como eu dizia antes, existem coisa que eu odeio. Coisas que eu não gosto. Coisas que eu suporto. Coisas que eu gosto. E existe Orihara Izaya. O que eu sinto por ele é furioso e detestável demais para que eu defina com palavras. Já ultrapassou a detestabilidade. É bem mais passional que detestar. 

Não é ódio.


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Notas finais do capítulo

[1]Mon! - Jeito kawaii que GAROTAS usam pra terminar frases Q